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Departamento de Psicologia 
 
1 
 
CONJUGALIDADE E PARENTALIDADE NA CLÍNICA COM 
FAMÍLIAS 
 
Alunas: Anielle Cristine Farias Queiroz (PIBIC/CCPG) e Bruna Montechiari 
Guimarães (PIBIC/CNPq) 
Orientadora: Andrea Seixas Magalhães 
 
 
Introdução 
A clínica com famílias apresenta demanda diversificada, incluindo conflitos na 
conjugalidade, na delimitação dos papéis familiares, no estabelecimento da hierarquia familiar 
e de limites intrafamiliares e extrafamiliares, assim como conflitos relacionados ao cuidado, à 
educação e à promoção do desenvolvimento afetivo-emocional dos filhos. Observamos que, 
no enfrentamento desses conflitos, tornam-se cada vez mais complexas as relações entre 
conjugalidade e parentalidade. Na família, esses dois campos são interdependentes e, na 
psicodinâmica familiar, muitas vezes, apresentam um desequilíbrio de forças. A temática 
destas relações tem sido alvo de muitas pesquisas, sobretudo na área clínica. Nesta pesquisa, 
analisamos as relações entre as dimensões da conjugalidade e da parentalidade, delimitando-
as na avaliação familiar, na elucidação da demanda terapêutica e no processo mais amplo de 
psicoterapia familiar, visando ao aprimoramento da intervenção clínica nesse campo [1]. 
 
Objetivo 
Nesta pesquisa, buscou-se investigar as dimensões da conjugalidade e da parentalidade 
na clínica com famílias, delimitando-as na avaliação familiar, na elucidação da demanda 
terapêutica e no processo mais amplo de psicoterapia familiar, visando ao aprimoramento da 
intervenção clínica nesse campo. Os objetivos específicos foram investigar: a) como essas 
dimensões são constituídas e delimitadas; b) como conjugalidade e parentalidade interagem; 
c) quais são as influências geracionais na constituição dessas dimensões e na delimitação das 
mesmas; d) que relações podem ser estabelecidas entre tais dimensões e a demanda de 
psicoterapia de família e de casal. A investigação dessas dimensões contribui com subsídios 
teórico-clínicos para o trabalho com famílias e para o aprimoramento da formação de 
profissionais nesse campo de atuação. 
 
Metodologia 
Para atingir os objetivos propostos, esta investigação foi desenvolvida com 
metodologia clinico-qualitativa [2], centrada em entrevistas clínicas com famílias e na 
aplicação de instrumentos de avaliação psicológica familiar. 
 
Participantes 
Participaram desta pesquisa vinte famílias encaminhadas para as equipes de Casal e 
Família do Curso de Graduação e do Curso de Especialização do Departamento de Psicologia 
da PUC-Rio. Os participantes da pesquisa assinaram um “Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido”, concordando com a utilização dos dados clínicos para fins de ensino, pesquisa e 
publicação científica. 
 
Departamento de Psicologia 
 
2 
 
Instrumentos e procedimentos 
Para finalidade de identificação dos diferentes tipos de configuração familiar atendidos 
no SPA, foi elaborada uma FCF – Ficha de Configuração da Família. Nesta ficha, são 
registrados dados relativos à idade, ao sexo, à escolaridade, à profissão, ao estado civil, à 
orientação sexual, à configuração da família de origem, à configuração da família atual, à 
classe social, à religião, à renda familiar e à contribuição individual de cada familiar para a 
renda total alcançada. 
Para a obtenção dos dados clínicos específicos, foram utilizadas entrevistas clínicas 
preliminares, a EFE - Entrevista Familiar Estruturada [3] e o ADF- Arte-Diagnóstico 
Familiar [4]. 
As entrevistas e a aplicação dos instrumentos diagnósticos foram realizadas por 
estagiários das equipes do Curso de Graduação do Departamento de Psicologia e do Curso de 
Especialização de Terapia de Família e Casal – CCE. A pesquisadora proponente 
supervisionou as equipes. O registro das entrevistas seguiu o modelo de relato clínico e as 
sessões da EFE e do ADF foram gravadas e, posteriormente, transcritas. 
A análise dos dados foi realizada em dois momentos. Primeiramente, foram feitas 
análises intrafamiliares, ou seja, referentes ao material coletado no processo de avaliação 
psicodiagnóstica de cada família participante. Posteriormente, os dados foram analisados nas 
diferentes configurações familiares. Dentre as 20 famílias participantes da pesquisa, seis 
famílias eram casadas, nove recasadas, três separadas e duas monoparentais. 
 
Resultados 
Dentre as metas teóricas alcançadas, foram aprofundados os conceitos de 
conjugalidade e parentalidade. Quanto às metas empíricas, evidenciou-se uma estreita relação 
entre a demanda de psicoterapia de família e a delimitação imprecisa das dimensões de 
conjugalidade e parentalidade. 
Os modelos parentais se revelaram abalados nas diferentes configurações familiares, 
resultando no empobrecimento do processo de subjetivação dos filhos. Constatou-se a 
dominância da figura parental feminina, principal responsável pelo exercício da parentalidade. 
Na maior parte das famílias participantes, a interação conjugal revelou-se muito 
conflituosa e com grande influência no comportamento dos filhos e na demanda terapêutica. 
A interação familiar foi avaliada como resultante do interjogo conjugalidade/parentalidade, 
repercutindo na possibilidade de promoção de saúde emocional na família. Observou-se, 
ademais, que a precariedade de redes de apoio contribuiu para a vulnerabilidade das famílias. 
Tais resultados se constituem em subsídios relevantes para o aprimoramento da intervenção 
clínica com famílias. 
Na análise do material clínico coletado, emergiram cinco categorias: modelos 
parentais; interação conjugal; interação familiar; promoção de saúde emocional na família. 
1) Os modelos parentais referem-se ao modo como se estabelecem relações entre pais 
e filhos e como essas posições estão demarcadas na família. Introduzem a assimetria, a 
heterogeneidade e a complexidade como organizadores das relações pais-filhos, favorecendo 
a introjeção de noções como sexo, gênero, idade e geração [5]. 
Observou-se que os modelos parentais se revelam abalados de alguma forma nas 
diferentes configurações familiares. A competência das famílias não depende do arranjo 
familiar, mas da qualidade das relações estabelecidas entre seus membros [6] [7]. A família 
teria o encargo de intermediar o processo de transmissão geracional, engajando-se na 
articulação dos espaços intersubjetivos [8]. O desenvolvimento da autonomia individual 
pressupõe um trabalho de elaboração dos vínculos de dependência familiar. O sujeito se 
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desenvolve a partir de uma dependência inicial quase absoluta e, gradativamente, diminui a 
dependência, rumo à autonomia e à maturidade emocional. Contudo, a independência 
absoluta nunca é alcançada. A dependência relativa, em contrapartida, presente nas relações 
familiares maduras, promove as trocas afetivas, os intercâmbios sociais e a cooperação mútua 
[9] [10]. 
Nas famílias, casadas, separadas e monoparentais, os modelos parentais apresentaram-
se, de forma geral, com demarcação frágil. Este aspecto está relacionado ao enfraquecimento 
da hierarquia familiar na maioria das famílias avaliadas. Essa parentalidade enfraquecida 
resultou, em algumas famílias, no empobrecimento do processo de subjetivação dos filhos, 
dependentes dos referidos modelos. 
Nas famílias recasadas, observou-se dificuldade de padrastos e de madrastas em 
exercer a função parental. A inconsistência no exercício da parentalidade se refletiu nas 
relações entre padrasto/madrasta com os filhos. Há também famílias recasadas em que os 
padrastos se colocam na posição de filhos. É ressaltada a importância do contato afetivo entre 
esses membros familiares e a criança e o adolescente [11] [12]. 
Percebeu-se, nas famílias participantes, a dominância da figura parental feminina, que 
é a principal responsável pelo exercício da parentalidade. Nas famílias monoparentais, 
sobretudo, o exercício da parentalidadese torna pesado para as mães que têm pouco apoio da 
rede familiar, acarretando em exigência de amadurecimento precoce dos filhos. 
As mudanças nas relações de gênero contribuíram significativamente para as múltiplas 
possibilidades de organização dos papéis sociais e familiares, sobretudo as conquistas 
femininas, a luta pela igualdade de condições no campo do trabalho e a busca da liberdade 
sexual, com a desvinculação das esferas da sexualidade e da reprodução. Nesse sentido, a 
divisão das tarefas domésticas, assim como a criação e a educação dos filhos, não acompanha 
de maneira proporcional as mudanças decorrentes da maior participação da mulher no 
mercado de trabalho e no sustento econômico do lar. O descompasso dessas mudanças se 
evidencia, por exemplo, no fato de que o trabalho doméstico continua sendo frequentemente 
denominado “trabalho de mulher” [13] [14] [15]. 
2) A interação conjugal diz respeito ao espaço conjugal e à fruição da intimidade. 
Essa dimensão revela em que medida o casal conjugal encontra-se discriminado do casal 
parental. Isso se evidencia, sobretudo, na manifestação de afeto, nas relações sexuais e na 
elaboração do projeto conjugal [16]. 
 Na maior parte das famílias, a interação conjugal revelou-se inadequada e com grande 
influência no comportamento dos filhos e na configuração da demanda terapêutica. Observou-
se que há pouca privacidade conjugal, devido ao frágil estabelecimento dos limites familiares, 
na maioria dos casos. Em alguns casos, há elevada carga de agressividade entre os cônjuges e 
baixo investimento sexual na relação. Na maioria das famílias, o conflito está muito centrado 
na relação com os filhos e a relação conjugal é pouco valorizada. 
 Nas cinco famílias casadas, observou-se: falta de privacidade conjugal em todos os 
casos; baixo investimento sexual na relação em quase todos os casos; elevada carga de 
agressividade entre os cônjuges em uma das famílias. Apenas duas, dentre as sete famílias 
recasadas, apresentam interação conjugal diferenciada, individualizada e com troca afetiva 
gratificante. Na maioria das famílias separadas e monoparentais, não há relato 
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4 
 
de conjugalidade, ou seja, a família é centrada na parentalidade. Na única família em que a 
mãe possui um parceiro amoroso, a interação conjugal não é valorizada. 
Na organização inconsciente da conjugalidade, o casal parental serve de modelo de 
identificação para a formação do vínculo conjugal [17]. Esse vínculo caracteriza-se, ainda, 
pela superposição das relações objetais dos parceiros e por um acordo de reciprocidade 
inconsciente complementar, baseado em trocas intersubjetivas [18]. Propõe-se a existência de 
um “casamento interno” definido como um espaço interno em que as oposições podem 
conviver dentro do “self” de cada parceiro. Segundo o autor, o sujeito precisa se confrontar 
com a alteridade para que as questões do casal não se fundam numa massa disforme [19]. O 
conflito entre o casal é saudável, dependendo da capacidade dos parceiros de regular os 
conflitos internos entre o individual e o compartilhado [20]. Isso implica a criatividade 
conjugal [21]. Nas famílias participantes, na maioria dos casos, a conjugalidade se revelou 
difusa e mal delimitada. O investimento parental tem maior presença do que o conjugal, 
acarretando desvalorização do par amoroso. 
 3) A interação familiar abrange a interação e a integração do grupo como um todo. 
Nessa categoria, são evidenciados fatores como a cooperação, a reciprocidade, a 
comunicação, os papéis familiares, a liderança, a afeição física e a manifestação da 
agressividade [22]. 
Observou-se, sobretudo nas famílias casadas e recasadas, que a interação familiar é 
resultante da integração das dimensões parental e conjugal na família. Em estudo sobre a 
promoção da qualidade conjugal como estratégia de proteção aos filhos, a responsividade das 
duas dimensões mencionadas é apontada [23]. 
 Evidencia-se que o exercício adequado da parentalidade e o estabelecimento claro dos 
limites familiares repercutem positivamente na integração do subsistema fraterno e na relação 
entre esse último e o sistema parental. A rivalidade entre irmãos, em algumas famílias, é 
resultante do exercício inadequado da parentalidade. Na minoria das famílias, a 
individualização dos membros favoreceu a integração grupal. Observou-se, também, uma 
hierarquização precária de funções familiares. Nas famílias separadas e monoparentais, a falta 
de liderança é uma característica comum. Há constantes disputas entre os filhos pela liderança 
fragilmente exercida pela figura materna. Observou-se a presença de relacionamentos 
simbióticos, principalmente nos subsistemas mãe-filha. 
Nas famílias em que a delimitação hierárquica não é clara, há dificuldades no 
estabelecimento de regras, resultando em conflitos entre os membros. Dessa forma, a partir da 
análise da interação familiar, ficou evidente que o exercício da parentalidade, quando 
adequado, favorece o relacionamento entre os irmãos e a relação dos filhos com os pais. Em 
contrapartida, o claro estabelecimento de regras também repercute na delimitação dos papéis 
exercidos pelos membros da família. 
Dois sistemas de repressão são necessários para o equilíbrio dos padrões transacionais 
dos membros do grupo familiar. O primeiro envolve regras de organização e pressupõe uma 
hierarquia delimitada. O segundo é idiossincrático, envolve as perspectivas de cada membro e 
suas negociações implícitas e explícitas. Diante do enfraquecimento da parentalidade, 
evidenciado na maioria das famílias avaliadas, a delimitação hierárquica não favorece o 
estabelecimento de fronteiras definidas, dificultando o ajustamento do grupo familiar. [24] 
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5 
 
A família contemporânea tem um grande trabalho de adaptação entre as mudanças 
sociais e as mudanças subjetivas de cada membro que compõe o núcleo familiar. Nas 
configurações familiares contemporâneas, as relações são mais igualitárias e simétricas [25] 
[26]. Isso pode colaborar para o aumento do nível de agressividade no núcleo familiar. 
Em algumas das famílias casadas e recasadas que participaram desta pesquisa, onde o 
núcleo familiar era mais bem delimitado, foi possível manter uma hierarquia mais clara, com 
diminuição de comportamentos agressivos. Nas famílias separadas e monoparentais, a 
ausência de uma das figuras parentais, em geral a figura a paterna, e a fragilidade do suporte 
da rede familiar contribuíram para a maior presença de comportamentos agressivos e de 
disputas pela liderança familiar no núcleo fraterno. Estudos apontam que presença de redes 
sociais consistentes é de fundamental importância para a saúde familiar como um todo, e que 
sua ausência pode ser comparada a riscos como o fumar e a obesidade [27] [28]. Ademais, de 
modo geral, onde a agressividade é mais presente, os conflitos exacerbados repercutem no 
processo de individuação dos filhos. Nessas famílias, observou-se a presença de 
relacionamentos simbióticos, principalmente nos subsistemas mãe-filha. 
 4) A promoção de saúde emocional na família reflete a boa interação familiar e a 
preservação das funções parentais. Os conflitos conjugais dificultam a promoção de saúde, na 
medida em que os filhos encontram obstáculos no processo de identificação e de constituição 
da subjetividade [29]. A promoção de saúde emocional na família favorece o 
desenvolvimento da autoestima nos membros do grupo familiar. Os sentimentos de valor 
positivo em relação a si e ao grupo familiar validam o crescimento, as novas aquisições e as 
realizações de cada um [30]. 
Observaram-se, na maioria das famílias participantes, dificuldades relativas à 
promoção de saúde emocional. Ressalta-se que essas famílias se encontravam em contexto 
clínico, ou seja, buscaram psicoterapia e reconheciam parcialmente suas dificuldades 
emocionais. No contextoda clínica com famílias, a adesão ao tratamento foi considerada 
como um indicador de potencial de saúde emocional significativo. 
Quando um membro da família apresenta dificuldades, todos os outros membros são 
afetados. A família é uma unidade e, por isso, há um denominador comum quando se trata de 
saúde emocional. A conjugalidade tem enorme influencia nas relações dos subsistemas 
fraternos e parentais, na medida em que os membros do casal são os “arquitetos” da família 
[31]. 
Nas famílias casadas e recasadas, houve boa adesão familiar ao tratamento, inclusive 
da figura parental masculina. Houve, também, forte manifestação de afetividade e de 
solidariedade entre os membros, o que também favorece a promoção de saúde emocional. Por 
outro lado, a frágil delimitação da parentalidade dificultou a promoção de saúde emocional na 
família. No recasamento, há mais promoção de saúde emocional quando o(a) 
padrasto/madrasta desenvolve predominantemente um vínculo afetivo com a criança e o 
adolescente, deixando o exercício da autoridade para o(a) pai/mãe [12]; [11]. 
Nas famílias separadas e monoparentais participantes, a capacidade de promoção de 
saúde emocional se revelou mais precária. As dificuldades foram relacionadas ao frágil 
exercício da parentalidade e à falta de reconhecimento das necessidades individuais de cada 
filho. A ausência de redes de apoio consistentes contribuiu para a vulnerabilidade dessas 
famílias [28]. 
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5) A demanda terapêutica, na psicoterapia familiar, deve ser construída e 
compartilhada pelos membros familiares. A construção da demanda é um processo que se 
inicia na indicação ou na busca espontânea da família por tratamento, mas que se alicerça no 
período de entrevistas preliminares, ou seja, na avaliação familiar [32]. O psicoterapeuta deve 
auxiliar a família a perceber sua demanda ao longo das entrevistas, promovendo a reflexão 
acerca dos objetivos da consulta, buscando aproximar as demandas individuais de cada 
membro, visando à construção de uma demanda familiar/conjunta [33]. Nessa categoria, 
buscou-se identificar que relações podem ser estabelecidas entre as dimensões da 
conjugalidade e da parentalidade e a demanda terapêutica em psicoterapia de família. 
Na maioria das famílias participantes, a queixa inicial foi depositada nos filhos. Ao 
longo do processo de avaliação familiar, contudo, foi possível evidenciar as injunções 
compartilhadas da demanda, favorecendo a implicação dos demais familiares no tratamento. 
Nas famílias casadas e recasadas, no decorrer da avaliação familiar, revelaram-se relações 
conjugais problemáticas e outras questões importantes a serem trabalhadas no processo 
terapêutico. A recorrente ligação entre a queixa inicial centrada nos filhos e a configuração de 
uma demanda focada no casal evidencia a forte relação entre as dimensões da parentalidade e 
da conjugalidade nas famílias casadas e recasadas. 
Nas famílias recasadas, no decorrer da avaliação familiar, as relações conjugais se 
revelaram frágeis e inconsistentes, relacionando-se com a vulnerabilidade no exercício da 
parentalidade e refletindo-se na saúde emocional dos filhos. Na maioria dessas famílias, a 
busca por terapia foi relacionada a episódios de agressividade e comportamento antissocial 
dos filhos. O casal parental, por sua vez, demonstrou dificuldade em dar continente aos 
conflitos familiares. 
Nas famílias separadas e monoparentais, a demanda terapêutica está relacionada com 
a fragilidade no exercício da parentalidade, sobretudo por parte das mães, por serem 
basicamente as únicas responsáveis. Diante dessa problemática, tende-se a compartilhar a 
parentalidade com os filhos, exigindo-se um amadurecimento precoce desses. A 
parentalização dos filhos prejudica a individuação e a circulação de afetos no grupo familiar, 
potencializando a agressividade entre os irmãos, um dos motivos principais da busca de 
psicoterapia familiar. Denotou-se um grande investimento da mãe em atender às necessidades 
dos filhos, resultando em controle parental excessivo e dificuldade de individualização entre 
os membros da família. Observaram-se, também, efeitos sobre o contato afetivo e a 
sexualidade, ambos empobrecidos nessas famílias. 
 
Fatores positivos e negativos relativos à execução do projeto 
 
Fatores positivos: 
A pesquisa foi desenvolvida com a participação de pesquisadores de diferentes níveis 
acadêmicos, favorecendo o intercâmbio e beneficiando a formação profissional. Participaram 
alunos de iniciação científica, especialização, mestrado e doutorado, além de bolsistas de pós-
doutorado e professores colaboradores da Linha de Pesquisa “Família e Casal: Estudos 
Psicossociais e Psicoterapia”, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica 
do Departamento de Psicologia da PUC-Rio. 
Fatores negativos: 
Os dados foram obtidos através de avaliação psicodiagnóstica de famílias atendidas na 
clínica do SPA/PUC-Rio e, nesta investigação, dependeu-se da busca e da adesão das famílias 
Departamento de Psicologia 
 
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ao tratamento psicoterápico para coleta dos dados clínicos. Portanto, foi necessário lidar com 
a oscilação da demanda por psicoterapia familiar, o que acarretou em atraso na coleta de 
dados. Além disso, algumas famílias compareceram para a aplicação de somente uma das 
etapas do processo de avaliação, o que, segundo o modelo metodológico proposto no projeto, 
gerou restrições à incorporação do material coletado ao corpo das análises. Ressaltam-se, 
ainda, os percalços inerentes ao processo de avaliação familiar. Os instrumentos de avaliação, 
muitas vezes, não foram aplicados na ordem prevista, acarretando também atraso na coleta de 
dados. 
 
Referências 
 
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Departamento de Psicologia 
 
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http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&prev=/search%3Fq%3DColman%2B%281994%29%26hl%3Dpt-BR%26biw%3D1006%26bih%3D593%26prmd%3Dimvns&rurl=translate.google.com.br&sl=en&u=http://www.le.ac.uk/psychology/amc/nc.html&usg=ALkJrhiiQQQ-3dabb1F-t7kCW0nzGZllJg
http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST34/Gutierrez-Minayo_34.pdf
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