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Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
1 
 
Resumos IESC III 
Família 
União entre pessoas que possuem laços 
sanguíneos, de convivência e baseados no 
afeto. 
 Substitui a ideia de matrimônio e 
procriação 
 Não é um conceito rígido e imutável, 
ao longo da história assumiu 
diversos significados 
TIPOS DE FAMÍLIA 
Artigo 226 da Constituição Brasileira da 
República (1988): família como base da 
sociedade e recebe proteção especial do 
Estado. 
Família nuclear/conjugal/elementar: pai, 
mãe e filhos nascidos dessa união. 
Família extensa/alargada: consanguíneos, 
aliados e descendentes; composta por avós, 
tios, primos e outras relações de parentesco. 
 No contexto de urbanização isso 
ocorre porque financeiramente o 
filho que se casa não tem recursos 
para virar família nuclear; ou porque 
o idoso se torna dependente 
(sobrecarrega o cuidador que 
geralmente é mulher) 
Família matrimonial: constituída a partir da 
oficialização do matrimônio (casamento). 
 Compreende casamento civil e 
religioso 
 Hétero ou homoafetivo 
Família informal: agregados familiares 
formados a partir da união estável entre seus 
elementos. 
 Recebe amparo legal mesmo sem 
oficialização do matrimônio 
Família monoparental: criança ou jovem e 
apenas um de seus progenitores (pai ou 
mãe). 
 Viuvez, nascimento fora do 
casamento, separação ou divórcio 
 Antigamente: viúvo e seus filhos 
 Atualmente: mais relacionado com 
separação e divórcios 
Família reconstituída: pelo menos um dos 
cônjuges possui um filho de um 
relacionamento anterior. 
Família anaparental: não possui figura dos 
pais; irmãos responsáveis uns pelos outros. 
 Agregado a partir de laço afetivo 
também, como amigos, por 
exemplo. 
 Principal aspecto é a convivência 
Família unipessoal: pessoas solteiras, 
viúvas ou separadas. 
Família unitária: constituída por uma única 
pessoa que vive sozinha ou na casa de 
estranhos. 
Família patriarcal: desde o período colonial 
até parte do século XX; marido soberano 
sobre mulher e filhos. 
Família homoafetiva: formada por casais do 
mesmo sexo, seja homens ou mulheres. 
 Desde que preencha os requisitos 
da afetividade, estabilidade e 
ostensibilidade e tiverem finalidade 
de constituição de família 
 Transcender o propósito sexual 
 É tutelado pelos tribunais que já 
aplicam regras de adoação, união 
estável e herança 
Família composta ou pluriparental ou 
mosaico: cônjuge, companheira e seus 
filhos após divórcio de ambos. 
 
 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
2 
 
A EVOLUÇÃO DO CONCEITO 
Império Romano: união entre duas pessoas 
e seus descendentes. 
 Início da ideia de matrimônio 
 Transmissão de bens e estatuto 
social de forma hereditária (dos pais 
para os filhos) 
Idade Média: união matrimonial com 
sacramento da Igreja; relação igreja-estado. 
 Casamento como instituição 
sagrada destinada à reprodução 
 Conceito de família tradicional: pai, 
mãe e filhos 
Após Revolução Industrial e com a 
consolidação da contemporaneidade: 
aumento da complexidade nas relações; 
diversos tipos de família. 
 Matrimônjo perde a força 
 Afeto como fator principal 
NA SOCIOLOGIA 
Família compreendia como primeira 
instituição responsável pela socialização dos 
indivíduos. 
Família enquanto instituição está 
diretamente relacionada com: 
 Filiação: relação de descendência 
 Fraternidade: relação com outros 
em iguais condições 
 Conjugalidade: associação entre 
dois membros da sociedade 
 Maternidade e paternidade: 
capacidade de deixar descendentes 
e transmitir valores. 
A partir desses fatores torna-se a 
instituição social que origina outras 
(Estado, educação, etc). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
3 
 
Abordagem familiar 
Abordagem emocionalmente refletida e 
cientificamente adequada ao contexto social 
e familiar, respeitando as concepções, 
crenças e valores pessoais da família 
abordada. 
Conhecer a estrutura da família, sua 
composição, funções, papéis e como os 
membros se organizam e interagem entre si 
e com o ambiente é vital para o planejamento 
do cuidado e para a abordagem familiar se 
tornar eficaz. 
QUANDO ABORDAR AS FAMÍLIAS? 
Em ausência ou diminuição da autonomia do 
paciente (crianças, idosos, pacientes 
dependentes); 
Ambivalência do afeto: quando o filho não é 
idealizado, por exemplo, casos de crianças 
especiais ou filhos com desvios de conduta 
importantes (maternagem imaginária e 
maternagem ambiente); 
Quando a família exerce uma influência 
normativa no paciente (podendo ser positiva 
ou negativa); 
Casos de doenças crônicas, genéticas, 
agudas sérias, terminais, psiquiátricas 
maiores; 
Casos de crises do ciclo de vida. 
___________________________________ 
Além da história familiar bem coletada, pode-
se utilizar uma série de ferramentas 
específicas como o genograma, o ciclo de 
vida, o ecomapa, o APGAR familiar, o 
practice, o firo e a conferência familiar. 
FERRAMENTAS DE ABORDAGEM 
GENOGRAMA 
Bowen (1978) 
Representação gráfica da família, agrupando 
num mesmo esquema os membros dessa 
família, as relações que os unem, a 
qualidade da relação e as informações 
médicas e psicossociais que se ligam. 
Permite uma visualização do processo de 
adoecer, facilitando o plano terapêutico e 
permitindo à família uma melhor 
compreensão sobre o desenvolvimento de 
suas patologias. 
Indicado para avaliação de risco, 
prevenção, problemas diferenciados e 
avaliação do problema familiar. 
Possui dois elementos principais: 
 Estrutural: dados como nome, 
idade, profissão, situação laboral, 
mortes na família citando datas e 
causas, doenças, cuidador principal 
e informante 
 Funcional: interação entre os 
membros da família e visão 
dinâmica ao instrumento 
 
ECOMAPA 
Diagrama das relações entre a família e a 
comunidade. 
Indicado quando a família tem poucas 
conexões com a comunidade e entre seus 
membros necessita maior investimento 
da equipe para melhorar seu bem estar. 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
4 
 
Deve conter informações como vizinhança 
(área física onde a casa está instalada), 
serviços da comunidade, grupos sociais 
(igrejas, jogo de cartas, etc), educação, 
relações pessoais significativas, trabalho, 
entre outros. 
Como funciona? 
 Deve-se desenhar um círculo central 
com os membros da família e suas 
idades mostradas no centro 
 Os círculos externos mostram o 
contato da família com a 
comunidade 
 As linhas indicam o tipo de conexão 
(ausência de linha é ausência de 
conexão) 
 As setas indicam energia e fluxo de 
recursos 
 
CICLO DE VIDA FAMILIAR 
Possibilita uma previsão dos fatores 
estressores que podem levar os membros da 
família a alguma disfunção. 
Representa aspectos da evolução de uma 
família, desde o nascimento até a morte de 
seus integrantes. 
Indicado para as intervenções no 
processo saúde-doença e facilita a 
capacitação e atuação das equipes de 
saúde na busca da prevenção e promoção 
à saúde (propor ajuda em período crítico 
de passagem de uma fase para outra). 
Tem como função: 
 Identificação das tarefas e funções 
dos sub-sistemas (conjugal, parental 
e fraternal) 
 Identificação dos modelos de 
comunicação 
 Identificação de potencialidades e 
dificuldades da família 
 Facilitação do levantamento de 
hipóteses e planejamento da 
intervenção 
 Aconselhamentos antecipatório em 
relação a um estresse previsível nas 
fases do ciclo 
Duvall define as tarefas de desenvolvimento 
como as que surgem numa dada fase da vida 
e a adaptação a essa situação pode levar à 
satisfação e ao sucesso das tarefas 
posteriores. Uma má adaptação poderá levar 
a insatisfação e dificuldade com tarefas 
posteriores. 
Ao assumir uma nova tarefa, o indivíduo tem 
que observar as novas possibilidades para 
seu comportamento para alcançar a fase 
seguinte de desenvolvimento 
Estágios da família segundo Durvall: 
 Estágio I: casamentoe um lar 
independente; aprender a viver 
junto; estabelecimento de uma 
relação íntima entre os parceiros 
 Estágio II: famílias com crianças 
pequenas; ajustamento do sistema 
conjugal para criar espaço pro filho; 
ocasião de consolidação ou 
perturbação conjugal; divisão de 
papéis e responsabilidade educativa 
e financeira 
 Estágio III: famílias com pré 
escolares; enfrentar os custos 
financeiros; encorajar um tempo 
para o casal; satisfação mútua no 
papel dos parceiros 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
5 
 
 Estágio IV: famílias com 
escolares; aquisição de 
conhecimento, novos modelos 
relacionais e identidade própria 
dessa criança; função externa para 
cumprir com a interna 
 Estágio V: famílias com 
adolescentes; aumenta a 
flexibilidade para incluir a 
independência dos filhos e 
fragilidade dos pais; aumento das 
relações intersistemicas; confronto 
com diferentes valores, normas e 
comportamentos 
 Estágio VI: famílias com filhos 
adultos; ninho vazio; fase de maior 
procura aos serviços de saúde 
 Estágio VII: famílias de meia 
idade; aposentadoria; fim do 
salário regular; desenvolvimento de 
novas relações com os filhos, netos 
e cônjuge 
 Estágio VIII: famílias 
envelhecendo; lidar com perda de 
habilidades e maior dependência do 
outro além da perda de amigos, 
entre outros; importante discutir 
tópicos de saúde e encorajar 
interesses individuais. 
Para Carter e McGoldrick (final do século 
passado): 
 Adultos jovens (saída de casa) 
 Casamento 
 Famílias com filhos pequenos 
 Famílias com adolescentes 
 Saída dos filhos de casa (ninho 
vazio) 
 Famílias no final da vida 
Os esquemas apresentados se referem a 
famílias de classe média, nas de classe 
pobre essa divisão pode não ser tão 
marcante. 
Minuchin: para famílias pobres há apenas 3 
estágios 
 Jovem adulto: precoce; em torno dos 
11 anos de idade; falta de 
responsabilização com o jovem que 
passa a exercer atividades típicas do 
adulto 
 Família com filhos pequenos: inclui 3 
ou 4 gerações simultaneamente 
 Família no estágio tardio (fase da 
avó): ninho vazio de fato; mulheres 
tornam-se avós jovens, ainda na 
consolidação da vida afetiva 
Não é incomum as relações serem de 
curta duração e isso exige reestruturação 
frequente da dinâmica familiar. 
APGAR FAMILIAR 
Avalia a satisfação de cada membro da 
família e os diferentes escores devem ser 
comparados para se avaliar o estado 
funcional desta. 
Feito por meio de um questionário simples 
formado por 5 perguntas: 
 Adaptation (adaptação) 
 Partneship (participação) 
 Growth (crescimento) 
 Affection (afeição) 
 Resolve (resolução) 
As respostas podem ser: 
 Quase sempre – 2 pontos 
 Às vezes – 1 ponto 
 Raramente – 0 ponto 
O resultado: 
 7 a 10: família altamente funcional; 
não precisa de intervenção 
 4 a 6: família moderadamente 
disfuncional; intervenção pela 
própria equipe 
 0 a 3: família severamente 
disfuncional; intervenção específica 
de terapeutas familiares 
 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
6 
 
FIRO 
F.I.R.O: orientações fundamentais nas 
relações interpessoais 
Propõe a caracterização de grupos e famílias 
nas dimensões inclusão (quem está dentro e 
fora), controle (quem controla e é controlado) 
e intimidade (quanto sentimento é 
compartilhado, quem está próximo e quem 
está distante). 
Procura avaliar os sentimentos dos membros 
da família, as vivências das relações do 
cotidiano. 
Indicado quando a família sofre mudanças 
importantes, ritos de passagem e faz-se 
necessário criar novos padrões de inclusão, 
controle e intimidade. 
PRACTICE 
Facilita o desenvolvimento da avaliação 
familiar fornecendo as informações sobre 
que intervenções podem ser utilizadas para 
manejar um caso específico. 
Indicado para itens da ordem médica, 
comportamental e de relacionamentos. 
 Problem: problema apresentado 
 Roles and structure: papéis de cada 
membro da estrutura familiar 
 Afect: como a família se comporta 
diante do problema 
 Communication: qual o tipo de 
comunicação dentro da estrutura 
familiar 
 Time in life: qual fase do ciclo da 
vida a família se encontra 
 Illness in Family: história de doença 
na família, passado e presente 
 Coping with stress: como os 
membros enfrentam o estresse da 
vida 
 Environment or ecology: quais 
recursos a família possui para 
enfrentar o problema em questão 
CONFERÊNCIA FAMILIAR 
Ferramenta de intervenção na família, 
útil quando se diagnostica enfermidade 
com risco de morte ou incapacitante, em 
tratamentos complexos, ou quando um 
dos membros está acometido por 
doença terminal. 
Indicado para promoção da 
readaptação individual e coletiva à 
nova realidade; capacitação para 
cuidado do doente e autocuidado; 
preparação de perdas e 
enfrentamento de situações 
conflitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
7 
 
Método clínico 
centrado na pessoa 
Modelo de atendimento médico usado com 
intuito de garantir que as características de 
cada pessoa sejam levadas em 
consideração e que se chegue a um plano de 
tratamento elaborado de acordo com esses 
fatores; medicina baseada em evidências. 
Abordagem integral dos problemas de 
saúde como forma de obter qualidade. 
VANTAGENS 
 Menos reclamações por negligência 
médica 
 Maior satisfação do médico 
 Maior satisfação dos que se sentem 
ou estão doentes 
 Maior adesão ao tratamento 
 Redução das preocupações 
 Melhor autoavaliação de saúde 
 Melhores condições fisiológicas 
 Consultas não demoram mais que o 
modelo convencional 
A essência é o entendimento da pessoa 
como um todo, o conhecimento de sua 
experiência com a doença e a tentativa de 
estabelecer planos de manejo comum. 
OS 6 COMPONENTES DO MCCP 
 
 
1. História clínica, exame físico e 
exames laboratoriais; dimensão da 
doença (sentimentos, ideias, 
expectativas do doente) 
2. História de vida, questões pessoais 
e de desenvolvimento; o contexto 
próximo com família, trabalho e rede 
de apoio social; o contexto remoto 
como cultura, comunidade e 
ecossistema 
3. Problemas e prioridades; objetivo do 
tratamento e/ou manejo da doença; 
papéis da pessoa atendida e do 
médico 
4. Melhora da saúde, prevenção e 
redução de riscos, identificação 
precoce, redução de complicações 
5. Compaixão, poder, cura, 
consciência de si mesmo, 
transferência e contratransferência; 
os dois trabalhando juntos em busca 
da melhora 
6. Tempo e timing, construção da 
equipe e do trabalho em equipe, 
administração sensata dos recursos 
O MCCP inclui atenção ao relacionamento 
entre a pessoa atendida e o médico, então é 
necessária a autoconsciência do médico. É 
necessária uma transformação do ser 
médico. 
O cuidado nesse caso exige do profissional: 
estar presente, conversar, sensibilidade, agir 
no melhor interesse do outro, sentimento, 
ação e reciprocidade. 
É essencial ao médico saber que a sua 
atuação junto a uma equipe interdisciplinar é 
indispensável para auxiliar no processo de 
abordagem do paciente e nos diversos 
nichos que compõem sua vida. 
Atualmente o MCCP conta com apenas 4 
componentes. O “prevenção e promoção 
de saúde” e o “ser realista” foram 
incorporados aos outros. 
Mariana Torres 
3° PERÍODO 
 
8 
 
SOAP 
Registro orientado por problemas; utiliza-
se para os registros na evolução; está dentro 
do MCCP e abordagem centrada na pessoa; 
anotação simplificada baseada em quatro 
itens: 
 Subjetivo: todas as informações 
relatadas ou referidas pelas 
pessoas; motivo do problema que 
trouxeram a pessoa à consulta (com 
detalhamento); necessária uma boa 
anamnese 
 Objetivo: exame clínico; descrição 
da pessoa, do exame físico e 
resultado de exames realizados 
 Avaliação: lista de problemas, 
impressão, aspectos relevantes ao 
manejo do caso 
 Plano: conduta adotada; manejo 
planejado

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