Prévia do material em texto
FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS – FMU CURSO DE PSICOLOGIA Jéssica Leite Barbosa RA: 2180343 PSICOFARMACOLOGIA Docente: Caroline Mendes São Paulo 2019 Psicofarmacos no tratamento da depressão Podemos classificar a depressão como o mais comum dos distúrbios afetivos que causam morte e incapacidade. A depressão tem graus variados de intensidade, indo desde a normalidade até a depressão grave ou psicótica (Rang & Dale, RJ, 2016, p.570). Ela pode se apresentar sozinha ou associada a dependência de fármacos, distúrbios alimentares, ansiedade e outras condições psiquiátricas. A patologia pode ser classificada em dois tipos de síndrome: a depressão unipolar, onde o indivíduo tem as depressões de humor sempre no mesmo sentido e a depressão bipolar que altera êxtase (mania) e depressão em si. O tratamento inclui principalmente psicoterapia e a administração de fármacos, sendo a psicoterapia o tipo de” tratamento que tem liderado o caminho” no combate a este mal. (Rang & Dale, RJ, 2016, p.570). Descrevo abaixo os tipos de fármacos disponíveis, bem como seus efeitos diversos/colaterais. Fármacos e efeitos colaterais/diversos no tratamento da depressão: Inibidores da captura de monoaminas (ISCSs): Náuseas, diarréia,agitação, insônia, anorgasmia ( inibição do orgasmo ). Os ISCSs inibem a metabolização de outros fármacos e, portanto, risco de interações. 1) Fluoxetina (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 2) Fluvoxamina (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 3) Paroxetina (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 4) Citalopram (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 5) Escitalopram (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 6) Vilazodona (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). 7) Sertralina (mesmos efeitos colaterais/adversos dos ISCSs). Grupos ADTs clássicos (outros inibidores da captura da captura de NE/5-HT) Sedação, efeitos anticolinérgicos (boca seca, constipação, visão embaçada, retenção urinária, etc.). 1) Imipramina (mesmos efeitos colaterais do Grupos ADTs clássicos). 2) Desipramina (mesmos efeitos colaterais do Grupos ADTs clássicos). 3) Amitripilina (mesmos efeitos colaterais do Grupos ADTs clássicos). 4) Nortripilina (mesmos efeitos colaterais do Grupos ADTs clássicos). 5) Clomipramina (mesmos efeitos colaterais do Grupos ADTs clássicos). Outros inibidores da captura de NE/5-HT 1) Venlafaxina Como ISCSs. Efeitos de retirada comuns e problemáticos se houver omissão de doses; 2) Duloxetina Menos efeitos adversos do que a venlafaxina. Sedação, tonturas, naúseas e disfunção sexual; 3) Erva-de-são-joão (principal ativo: hiperforina) Poucos efeitos adversos relatados. Riscos de interações medicamentosas em razão do aumento do metabolismo do fármaco ( p. ex., perda de eficácia de ciclosporina, antidiabéticos, etc.) Inibidores seletivos da NE 1) Bupropiona Cefaléia, boca seca, agitação e insônia. 2) Maprotilina Como ADTs; sem vantagens significativa. 3) Reboxetina Tontura, insônia e efeitos anticolinérgicos. Antagonistas do receptor de monoamina 1) Mirtazapina Boca seca, sedação e ganho de peso. 2) Trazodona Sedação, hipotensão, disritmias cardíacas. 3) Mianserina Efeitos antimuscarínicos e cardiovasculares mais leves que os dos ADTs. Agranulocitose, anemia falciforme. 4) Inibidores da MAO 5) Fenelzina “Reação ao queijo “em alimentos que contenham tiramina, efeitos adversos anticolinérgicos, hipotensão, insônia, ganho de peso, lesão hepática (raro). 6) Tranilcipromina Mesmo efeitos adversos/colaterais da fenotiazina. 7) Isocarboxazida Mesmo efeitos adversos/colaterais da fenotiazina. 8) Moclobemida Náuseas, insônia, agitação. Agonistas da melatonina Agomelanina: Cefaléias, vertigens, sonolência, fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, náuseas, distúrbios Gl, transpiração. Psicofarmacos no tratamento da ansiedade A ansiedade é uma resposta normal a estímulos ameaçadores que unem diversos comportamentos de defesa. Não há diferença clara em uma análise previa sobre a ansiedade “patológica” e a “normal”, será possível diferenciar quando a mesma prejudica a ação de diversas funções diárias do indivíduo (Rang & Dale, RJ, 2016, p.1251). Podemos classificar a ansiedade em seis tipos reconhecidos clinicamente: · Distúrbio de ansiedade Generalizada; · Distúrbio de ansiedade social; · Fobias; · Distúrbios de pânico; · Distúrbio de estresse pós-traumático; · Distúrbio obsessivo-compulsivo;( Rang & Dale, RJ, 2016, p.1251). Os tratamentos utilizados para estes distúrbios são aplicados abordagens psicológicas e a administração de fármacos. (Rang & Dale, RJ, 2016, p.1251). Entre as psicoterapias, a terapia cognitiva-comportamental (TCC), pode ter um alto indicio de um tratamento eficaz. A TCC também se mostra superior na melhora dos sintomas depressivos, dos sintomas de medo, preocupações, e de diversos distúrbios. Descreverei os principais tipos de fármacos utilizados para o tratamento da ansiedade e seus efeitos. Antidepressivos: Inibidores Seletivos da Recaptação Serotonina (ISRS), Fluoxetina/Paroxetina: Sertralina/Venlafaxina/Duloxetina. Estes são inibidores da Recaptação Serotonina/Norepinefrina(SRSNS). São utilizadas no tratamento dos distúrbios de ansiedade generalizada, fobias, distúrbios de ansiedade social e distúrbios de estresse pós-traumáticos. (Rang & Dale, RJ, 2016, p.1255). São fármacos de primeira linha, ou seja, não causam dependência e possuem efeitos colaterais leves. Benzodiazepínicos: São utilizados para tratar a TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), estes possuem uma meia-vida biológica longa. Os benzodiazepínicos atuam nos receptores GABA, que mediam a transmissão sináptica inibitória através do SNC. (Rang & Dale, RJ, 2016, pg 1258). Buspirona: Antagonista do receptor 5-HT1a, é assertivo no tratamento dos distúrbios de ansiedade generalizada, fobias e distúrbios de ansiedade social. Gabapentina/Pregabalina/Tiagabina/Valprosto/Levetiracetam: São utilizados para o tratamento do distúrbio da ansiedade generalizada. “Os benzodiazepínicos são fármacos de segunda linha. Seus efeitos colaterais causam dependência, indução do sono, amnésia anterógrada, sonolência, confusão e etc.” (Rang & Dale, RJ, 2016, p.1266) Psicofarmacos no tratamento do transtorno bipolar O transtorno bipolar é um transtorno crônico e complexo caracterizado por episódios de depressão, mania ou hipomania de forma isolada ou mista com grande morbidade e mortalidade. Deve sempre considerar a possibilidade de o paciente vir a ter episódios de mania e/ou depressão. A eutimia, usualmente, é definida como a remissão dos sintomas, entretanto, idealmente, seria o período no qual o paciente não apenas estaria sem sintomas, mas (re)integrado funcionalmente em suas atividades de rotina. Mania A mania afeta o humor e as funções vegetativas, como sono, cognição, psicomotricidade e nível de energia. Em um episódio maníaco clássico, o humor é expansivo ou eufórico, diminui a necessidade de sono, ocorre aumento da energia, de atividades dirigidas a objetivos(por exemplo, o paciente inicia vários projetos ao mesmo tempo), de atividades prazerosas, da libido, além de inquietação e até mesmo agitação psicomotora. A maior dificuldade no diagnóstico ocorre em episódios em que há irritabilidade, ideias delirantes paranóides, agitação psicomotora e sintomas depressivos com labilidade afetiva. Hipomania A hipomania é um estado semelhante à mania, porém mais leve. Em geral, é breve, durando menos de uma semana. Há mudança no humor habitual do paciente para euforia ou irritabilidade, reconhecida por outros,além de hiperatividade, tagarelice, diminuição da necessidade de sono, aumento da sociabilidade, atividade física, iniciativa, atividades prazerosas, libido e sexo, e impaciência. O prejuízo ao paciente não é tão intenso quanto o da mania. A hipomania não se apresenta com sintomas psicóticos, nem requer hospitalização. A psicoterapia pode reduzir os fatores de risco de recorrência (paciente permanecendoeutímico), melhorando a adesão, propiciando as mudanças no estilo de vida, permitindo a detecção precoce de sintomas prodrômicos e melhor gerenciamento de dificuldades interpessoais (Miklowitz et al., 2000; Rothbaum e Astin, 2000). Nos últimos anos, o tratamento do TB tem avançado consideravelmente com o uso de anticonvulsivantes e, mais recentemente, de antipsicóticos atípicos. Teoricamente, os tratamentos que corrigem a fisiopatologia subjacente à mania melhoram todos os sinais e sintomas associados à elevação. Descreverei os principais tipos de fármacos utilizados para o tratamento da bipolaridade e seus efeitos. Lítio O lítio continua sendo o medicamento de primeira escolha, apresenta maior número de estudos controlados demonstrando sua eficácia na mania/hipomania e na prevenção de recorrências. Além disso, é o único com efeito na prevenção do suicídio em bipolares; o risco de morte por suicídio foi 2,7 vezes maior durante o tratamento com divalproato que com lítio (Goodwin et al., 2003; Dunner, 2004). O lítio costuma ter melhor resposta em episódios clássicos de mania, com humor eufórico e sem muitos sintomas depressivos ou psicóticos. Seu início de ação é mais lento, comparado com valproato e antipsicóticos (WGBD, 2004). Efeitos Colaterais: Tremor involuntário dos membros; incontinência urinária; Diarreia; náusea; Palpitações Cardiovasculares; Ganho de peso; Acne; Sensação de distensão abdominal; Dores nos dedos e nos pés, dores nas articulações; Depressão; euforia; fadiga; pseudotumor cerebral (aumento da pressão intracraniana e papiledema); neuropatia periférica. Lamotrigina É um antiepiléptico e estabilizador de humor usado na epilepsia e no transtorno bipolar. Tratamento da doença bipolar (doença caracterizada por alterações de humor extremas, com períodos de mania, excitação ou euforia, alternando com períodos de depressão). Efeitos Colaterais: Dores de cabeça; Visão dupla ou visão turva; erupção cutânea; Sonolência; insônia; Tonturas; boca seca; cansaço; artralgia (dores nas articulações); Irritabilidade; agressividade; nistagmo (oscilação rítmica e involuntária dos olhos). Fluoxetina É um medicamento antidepressivo da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina. Indicações são para uso em depressão moderada a grave, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno alimentar, transtorno do pânico e de ansiedade. Efeitos Colaterais: Insônia e/ou sonolência; Ansiedade e nervosismo; adiga(cansaço) e astenia(fraqueza); Perda ou aumento do apetite; Náuseas com ou sem diarreia;tremores. Carbamazepina (CBZ) Vendida sob o nome comercial Tegretol, entre outros, é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento da epilepsia e dor neuropática, sendo eficaz como agente de segunda linha na profilaxia de episódios maníacos e depressivos nos transtornos bipolares. Deprime a atividade elétrica excessiva no cérebro, sem afetar demasiadamente a atividade normal. Efeitos Colaterais: Alterações da percepção da visão, por vezes graves; Náuseas; Zumbidos e outros sons no ouvido alucinatórios (raro); Sedação; Reduz a eficácia da contracepção oral nas mulheres férteis; Secura da boca; Ataxia (andar rígido e anormal); Dores intestinais; Anemia e agranulocitose nos primeiros meses de uso apenas; Reações alérgicas raras; Depressão medular em altas doses (depressão respiratória potencialmente fatal). Psicofarmacos no tratamento do transtorno da esquizofrenia A esquizofrenia é umas das doenças psiquiátricas mais conhecidas. Temos fatores hereditários acerca dela e afeta 1% da população, sua maioria pessoas jovens. Nesta doença temos os sintomas positivos e negativos. Sendo os positivos: delírios, alucinações, catatonia, entre outros. Os negativos: anedonia, afastamento de contatos sociais, apatia, entre outros. Descreverei os principais tipos de fármacos utilizados para o tratamento da esquizofrenia e seus efeitos. Existem mais de 40 fármacos antipsicóticos, que são divididos em dois grupos, os fármacos desenvolvidos originalmente, os de primeira geração e os agentes desenvolvidos mais recentemente, de segunda geração. Os fármacos mais usados no tratamento da esquizofrenia são: Haloperidol, Flupentixol, clozapina, Clorpromazina, aripiprazol e zotepina. Seus efeitos colaterais são diversos, sendo eles: distonias agudas, que são movimentos involuntários, como inquietação, espasmos musculares, podem ser acompanhados por sintomas de Parkinson. As discinesias tardias, é um dos principais problemas de uso de antipsicóticos, pois são efeitos colaterais incapacitantes e irreversíveis, o efeito consiste em movimentos involuntários na face e língua, podendo acometer tronco e membros. O inchaço da mama, dor da lactação, diminuição da libido, dificuldades de ereção e ejaculação, sendo um problema para homens aderirem ao tratamento, devido aos possíveis efeitos colaterais. Os efeitos periféricos são visão desfocada, aumento da pressão intraocular, secura da boca e olhos, constipação e retenção urinaria. Papel da psicoterapia na adesão ao uso dos fármacos A saúde mental é algo que muito preocupa nos dias de hoje, antes a psicoterapia era considerada um tabu e muitas vezes associada à loucura. Criando assim uma barreira para aqueles que se interessavam em buscar tal ajuda, por isso que com a mudança desse pré conceito é possível ver grandes avanços em estudos sobre saúde mental assim como avanços nos tratamentos farmacológicos. A primeira coisa que deve ser levada em consideração quando falamos em saúde mental, é pensar no trabalho multidisciplinar visando o bem estar completo do paciente em questão. A avaliação correta e encaminhamento para outros especialistas quando necessário, podem ser mais eficazes do que a utilização de uma única ferramenta. SERSON, B. (2007) defende a importância de um tratamento constituído por um “tripé” de medidas terapêuticas composto por: · 1. Médico farmacológico: consiste no cuidado médico geral, consultas de rotina para que seja feita a prevenção de qualquer doença física e caso necessário o tratamento através de fármacos. · 2. Psicoterápico: tratamento psicoterapêutico em longo prazo, com maiores resultados de mudanças estruturais no paciente. · 3. Medidas gerais de promoção e harmonização da saúde física e mental: todo tipo de medida não médica, através de atividades físicas, meditação, leitura, correção de biorritmos e biocargas, medidas dietéticas etc. Que proporcionem sensação de bem estar ao paciente. SERSON descreve nesse “tripé”, um ideal para alcançar o bem estar e saúde física e mental, muito embora seja possível que nem todo paciente precise dos três pilares. Quando o profissional da saúde avaliar e julgar necessária a utilização de medicamentos para tratamento de doenças e angústias mentais, é importante que seja prescrito e acompanhado por um psiquiatra. Cabendo a ele avaliar e receitar a quantidade e tempo de uso do medicamento, assim como realizar o “desmame” adequado ao final do tratamento. Porém vale ressaltar que mesmo com uso de medicamentos, é necessária a intervenção psicoterapêutica para que haja uma mudança estruturada a longo prazo e para que seja possível o paciente parar em algum momento com o tratamento farmacológico. “Mesmo nas mãos dos psiquiatras, o antidepressivo prescrito sem escuta, diálogo e consequente obtenção do efeito pharmakon acaba por resultar em mais insucessos, efeitos colaterais e sub-resultados do que poderíamos supor a priori.” (SERSON, 2007) A avaliação do tratamento necessário deve ser feito de forma detalhada e individual, levando em consideração a subjetividade e necessidades de cada um. Muitas vezes, em casos menos graves, não é necessário o uso de fármacos, podendo ser utilizado formas mais naturais como a psicoterapia e atividades físicas e de bem-estar ao paciente. Bibliografia: CARVALHO, NARDI, QUEVEDO. Transtornos Psiquiátricos Resistentes ao Tratamento – Diagnostico e Manejo. São Paulo. Editora Artmed, 2014 DENTINI; SANTANA; BERTAGLIA; CROZARA. Farmacoterapia do transtornobipolar. Disponível em: Acesso em: 29 abr. 2019 LOPES. Psiquiatria Baseado em Evidencia – uso dos “novos anticonvulsivantes no transtorno Afetivo Bipolar. Disponível em: Acesso em: 29 abr. 2019 MORENO, RATZKE. Diagnostico, tratamento e prevenção da mania e da hipomania no transtorno bipolar. Disponível em: Acesso em: 29 abr. 2019 RANG, DALE. Farmacologia. Cap.44 8°ed. Rio de Janeiro. Editoria Elsevier, 2016. RANG, DALE. Farmacologia. Cap.46 8°ed. Rio de Janeiro. Editoria Elsevier, 2016. RANG, DALE. Farmacologia. Cap.47 8°ed. Rio de Janeiro. Editoria Elsevier, 2016. SERSON, B. Integrando farmacoterapia à psicoterapia e a medidas gerais no tratamento dos quadros ansioso-depressivos. Revista da SPAGESP - Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo Jul.-Dez. 2007 Vol. 8, No. 2, pp. 23-32. SOUZA. Tratamento do transtorno bipolar – eutimia. Disponível em: Acesso em: 29 abr. 2019 image1.jpeg