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GESTALT 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Luiza Sionek 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Você provavelmente já ouviu falar sobre o uso de técnicas em Gestalt-
terapia, não é mesmo? Os workshops e seminários de Perls são famosos, e suas 
gravações são facilmente encontradas na internet. Entretanto, esse assunto já 
despertou polêmicas e mal entendidos, isso porque, como afirma Figueiroa 
(2015), a técnica na Gestalt-terapia possui caráter inovador, o que acabou 
ocultando os aspectos teóricos fundamentais que embasaram as práticas, as 
grandes responsáveis por seu diferencial. 
Perls tinha pouco interesse em relação à sistematização teórica, 
preferindo a parte experiencial, que era o seu grande motor – a parte teórica foi 
mais dirigida por Paul Goodman. Além disso, as obras Gestalt-terapia explicada 
(1969) e Tornar-se presente (1971), de John O. Stevens, com descrições de 
técnicas e experimentos, colaboraram para o destaque da teoria, mas, ao 
mesmo tempo, para o surgimento de mal-entendidos, levando a crenças de que 
a Gestalt-terapia era uma mera execução de técnicas e que o estilo próprio de 
Perls era o que determinava a abordagem. 
Em alguns momentos, a parte foi confundida com o todo, ou seja, o uso 
das técnicas foi confundido com a Gestalt-terapia em si, e toda a teoria, bases 
filosóficas e conceitos da abordagem foram diminuídos. Mas, como vimos nas 
aulas anteriores, somos muito bem amparados teoricamente por meio do 
existencialismo, da fenomenologia, da teoria de campo, da teoria organísmica, 
do ciclo do contato, do pensamento diferencial e de conceitos muito valiosos, 
como os ajustamentos criativos, o aqui e agora, e awareness e self, todos com 
muitas referências que respaldam a nossa prática. 
Sanado este primeiro mal entendido, começaremos então os temas desta 
aula. No Tema 1, abordaremos as técnicas em Gestalt-terapia, seu conceito e 
utilização. No Tema 2, veremos as regras, que são um tipo de técnica mais 
estruturada e que inclui: princípio básico do agora, relação eu e tu, linguagem 
neutra e linguagem do eu, princípio do contínuo da conscientização, não 
tagarelar e fazer perguntas. Em seguida, no Tema 3, abordaremos os jogos, 
outro tipo de técnica dentro dessa abordagem, mas mais fluída e numerosa. Já 
no Tema 4, entraremos na experimentação, trazendo técnicas famosas como a 
cadeira vazia e o trabalho com sonhos. Por fim, no último tema, informaremos 
sobre as especificidades das técnicas individuais para adolescentes e crianças. 
 
 
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TEMA 1 – TÉCNICAS 
Na Gestalt-terapia, quando falamos de técnicas, temos dois grupos 
norteadores: as regras e os jogos. De acordo com Levitsky e Perls (1980), as 
primeiras são mais restritas e delimitadas, sendo explicadas de antemão. Já os 
jogos são variados e permitem ousadia na criação. Nos próximos tópicos 
abordaremos cada uma delas e falaremos também sobre os experimentos. 
De acordo com Ribeiro (2016, p. 179), “toda técnica deve levar o cliente a 
um contato positivo e criativo com o mundo externo e consigo mesmo, que deve 
levá-lo na direção de suas necessidades e a movimentar-se no sentido de 
satisfazê-las”. É o auxilio para que a resposta que já existe dentro do cliente se 
mostre. Ela não produz respostas, mas busca algo que já está ali e só precisa 
de auxílio pra ser mostrado. 
Figueiroa (2015) defende que não basta aplicar uma técnica ou sugerir 
um experimento, mas perceber o fenômeno que está emergindo e aproveitá-lo 
da melhor maneira possível em benefício da awareness. O autor ainda ressalta 
a importância de encontrar o seu modo e caminho, processos que acontecem 
juntos, a partir do seu acervo, do que já experimentou e conhece, e o caminho é 
o que se apresenta neste momento. O fenômeno é muitas vezes surpreendente, 
por se tratar de um método experiencial e experimental, que pode dar certo ou 
não, e, mesmo quando não ocorre o esperado, também pode trazer benefícios. 
Ademais, “a técnica ou o experimento tem de estar sempre a serviço do 
processo psicoterapêutico do cliente, isto é, promovendo awareness, contato e 
fluidez na formação de Gestalten” (Figueroa, 2015, p. 106). A partir disso é que 
os ajustamentos criativos ocorrem, pois há contato, mudando a configuração, ou 
seja, cliente e terapeuta não são mais iguais. Sendo assim, é um processo 
paradoxal, no qual cada recorrência é uma chance para o novo, e estar aberto a 
essa mudança demanda espera atenta, paciente, ativa e presente. 
TEMA 2 – REGRAS 
As regras se diferenciam de mandamentos. Nelas possuímos o objetivo 
de reunir pensamento e sentimento, proporcionando um momento de maior 
awareness, e, de forma alguma, temos a intenção de sermos decisivos e 
determinantes. Buscamos a experimentação, que muitas vezes revela bloqueios 
e limitações que o cliente estabelece consigo e o mundo (Levitsky; Perls, 1980). 
 
 
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Vejamos a seguir as seis principais regras na Gestalt-terapia. 
2.1 Princípio básico do agora 
Corresponde à experiência de promover contato com o aqui e agora, de 
auxiliar o cliente a se perceber e ter consciência do momento presente. Algumas 
perguntas norteadoras que auxiliam nesse processo são: “O que você está 
sentindo?”, “Como você está nesse momento?” e “Qual é o seu agora?”. A 
ênfase no presente não quer dizer que negligenciamos o passado ou futuro, mas 
o que nos importa é como eles são vividos no hoje. A busca é por vivenciar esses 
momentos no presente (Levitsky; Perls, 1980). 
2.2 Contato genuíno com o cliente – eu e tu 
Trata-se de enfatizarmos, sempre que possível, a interação emissor e 
receptor, utilizando perguntas como “A quem está dizendo isso?”, “Quem são os 
outros?”. Assim, é preciso que o cliente envie a mensagem diretamente ao seu 
receptor, utilizando seu nome e promovendo a diferenciação do “falar para” e 
“falar com”. A partir disso é possível também conferir se essa mensagem está 
clara e está chegando ao ouvinte, se é um contato superficial ou genuíno 
(Levitsky; Perls, 1980). 
2.3 Linguagem neutra e linguagem do eu 
O objetivo dessa regra é evidenciar a responsabilização. Muitas vezes 
observamos uma distanciação dos nossos corpos e atitudes, falando “sobre” em 
uma linguagem neutra em terceira pessoa. O convite é para que o cliente 
experimente dizer “Eu estou rígido” em vez de “O pescoço está rígido” e, mais 
ainda, “Eu estou me enrijecendo”, tendo, assim, um grau diferente de 
responsabilidade e envolvimento. Com isso, aumentam-se as chances de se ver 
como ativo nas situações e não como mero receptor do que acontece ao seu 
redor (Levitsky; Perls, 1980). 
2.4 Princípio do contínuo da conscientização 
Aqui, o objetivo é redirecionar o foco do “por quê”, que permanece na 
interpretação, ao “o quê” e “como”, que correspondem à psicoterapia 
experiencial. Isso afasta as longas verbalizações, explicações e interpretações 
 
 
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e conduz à conscientização de sensações e percepções. Levitsky e Perls (1980) 
afirmam que, ao auxiliar o cliente a acreditar em seus sentidos, auxiliamos 
também a diferenciar a realidade da fantasia. Vemos um exemplo dessa regra 
demostrada por Levitsky e Perls (1980, p. 198) no seguinte diálogo: 
T. De que é que você está cônscia agora ? 
P. Agora, estou cônscia de falar consigo. Vejo os outros na sala. Estou 
cônscia de John contorcendo-se. Posso sentir a tensão em meus 
ombros. Estou cônscia de que fico ansiosa ao dizer isso. 
T. Como sente a ansiedade ? 
P. Ouço minha voz tremendo. A minha boca está seca. Falo de um 
modo muito entrecortado. 
T. Está cônscia do que os seus olhos estão fazendo ? 
P. Bom, agora apercebo-me de que os meus olhos estão olhando para 
outro lado... 
T. Pode ser agora os seus olhos ? Escreva o diálogo por eles. 
P. Eu sou os olhos de Mary. Tenho dificuldade em fixar-me 
insistentemente num ponto. Fico o tempo todo saltando e vagueando. 
2.5 Não tagarelar 
Essa regra diz respeito a incentivaros sentimentos e evitar resistências. 
De acordo com Levitsky e Perls (1980), a tagarelice corresponde ao ato de falar 
sobre um sujeito quando ele está presente, e a comunicação poderia ser 
realizada diretamente a ele. Dessa maneira, direcionamos as falas para seus 
respectivos receptores, saindo do “falar sobre” para o “falar com”, facilitando o 
enfrentamento dos sentimentos por meio de intervenções fenomenológicas. 
Essa técnica é muito utilizada em terapia de casal, interferindo para que os 
cônjuges falem entre si, e não sobre eles. 
2.6 Fazer perguntas 
Por fim, a última regra que abordaremos é a de fazer perguntas. Com ela 
temos a intenção de analisar cuidadosamente o objetivo das perguntas de 
nossos clientes, que muitas vezes podem corresponder à necessidade de obter 
respostas do outro. Ao transformar as perguntas em afirmações, permitimos que 
o cliente se aproprie de suas questões e se responsabilize por elas, promovendo 
um apoio autêntico (Levitsky; Perls, 1980). 
TEMA 3 – JOGOS 
 A utilização dos jogos na Gestalt-terapia demanda um olhar apropriado do 
momento vivido e experienciado pelo grupo ou sujeito em questão. Como 
 
 
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mencionamos no Tema 1, os jogos possuem maior autonomia em sua criação, 
e, como afirmam Levitsky e Perls (1980), qualquer maneira de organização social 
pode ser vista como uma proposta de jogo, o que demanda também liberdade 
para identificar o que faz sentido naquele momento, dentro da proposta criada. 
Sendo assim, a intenção é trazer consciência aos jogos nos quais somos 
inseridos e substituir os que não fazem mais sentido, buscando adaptá-los aos 
mais pertinentes ao momento. Citaremos em seguida alguns jogos conhecidos 
dentro da Gestalt-Terapia, mas é fundamental ressaltar que são apenas algumas 
das muitas possibilidades existentes. Muitos deles envolvem dramatização, por 
conta da forte afinidade de Perls com o teatro, visto que seu trabalho traz muitos 
elementos teatrais (Perls, 1979). 
3.1 Jogos de diálogo 
 Podem ser realizados com qualquer polarização de personalidade, com 
partes do corpo ou com outras pessoas. Consistem em solicitar um diálogo real 
entre essas duas partes, no qual o cliente imagina as respostas e argumenta 
como cada uma delas (Levitsky; Perls, 1980). 
3.2 Inversões 
 Levitsky e Perls (1980) afirmam que muitas vezes um comportamento 
aparente representa uma inversão de impulsos contidos. A técnica de inversão 
consiste em propor a representação de uma outra polaridade, por exemplo, se o 
paciente apresenta excessiva calma, será convidado a experimentar a agitação, 
tocando uma parte de si que estava adormecida. Se o cliente é pudico, é 
convidado a experimental ser sensual, falar de maneira sensual ou andar de 
maneira sensual. Todavia, é importante avaliar o grau do convite a ser 
experimentado: pedir que o cliente desfile de maneira sensual pode ser um 
pouco desafiador em um primeiro momento, mas solicitar que viva a 
sensualidade por meio da fala pode ser mais possível. 
3.3 Exageração 
 É um jogo relacionado ao princípio do contínuo de conscientização (tópico 
2.4) e oferece uma nova maneira de perceber nosso corpo. Ele pode estar 
relacionado a aumentar a intensidade de movimentos corporais, como no caso 
 
 
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de o cliente estar mexendo as mãos e, então, pede-se para que ele exagere 
repetidamente o movimento, para que faça mais rápido e mais forte. Essa 
proposta evidencia o gesto e clareia o significado interno. A exageração também 
pode ser realizada verbalmente, pedindo para que repita alguma frase ou palavra 
utilizada, objetivando que o cliente entre em contato com o que está sendo falado 
e de fato se escute (Levitsky; Perls, 1980). 
Figueiroa (2015) aponta para a necessidade de um olhar sensível por 
parte do terapeuta, que precisa estar atento ao que será exagerado, sendo essa 
seleção fundamental para o processo. O autor afirma também que, 
frequentemente, o que é exagerado é algo que está cristalizado, como um 
sintoma, dessensibilização ou interrupção, e, a partir do pedido para que isso 
seja intensificado, o contato é decisivo e a awareness é proporcionada. 
TEMA 4 – EXPERIMENTOS 
Antony (2017, p. 58) descreve que “o experimento transforma as técnicas 
em experiências”. Figueroa (2015) defende, ainda, que os experimentos são as 
ferramentas mais notáveis da Gestalt-terapia, visto que seu processo 
frequentemente engloba as interferências técnicas mais tradicionais da 
abordagem, sendo sempre uma consequência do que está emergindo, com 
caráter único e singular. Além disso, é formado no momento, por meio de uma 
construção compartilhada entre cliente e terapeuta, com um convite que sugere 
uma experiência. O fundamental é que essa construção seja a partir do que 
emerge na sessão, na interação entre cliente e terapeuta. 
Ademais, Figueroa (2015) ressalta a importância de estar atento a essa 
relação (cliente-terapeuta) e se certificar de que é um desejo do cliente participar 
do experimento e checar sua disponibilidade para continuar ou interrompê-lo, 
visto que uma carga excessiva pode ser mobilizada, o que não seria positivo 
para a experiência do cliente. 
Zinker (2007) aponta que todos os experimentos são pautados na vida 
experiencial da pessoa, na maneira como se mostra naquele momento. Técnicas 
impostas, desconectados com a experiência, não configuram Gestalt-terapia, 
visto que não possuem ligação com a vida do cliente, e tal ligação é fundamental 
para o aprendizado. Sobre a criatividade e potência do trabalho com 
experimentos, Zinker (2007, p. 30) afirma que 
 
 
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A Gestalt-terapia é, na realidade, uma permissão para ser criativo. 
Nossa ferramenta metodológica básica é o experimento, uma 
abordagem comportamental para passar a um novo patamar de 
funcionamento. O experimento se dirige ao cerne da resistência, 
transformando a rigidez em um suporte elástico para a pessoa. Não 
precisa ser pesado, sério, nem ter uma comprovação rigorosa; pode 
ser teatral, hilário, louco, transcendente, metafísico, engraçado. O 
experimento nos dá licença para sermos sacerdotes, prostitutas, gays, 
santos, sábios, magos- todas as coisas, seres e noções que se ocultam 
em nós. Os experimentos não precisam brotar de conceitos; podem 
começar simplesmente como brincadeiras e desencadear profundar 
revelações cognitivas. 
Sendo assim, o experimento consiste em um dos recursos pra tirar o 
cliente de situações inacabadas, favorecendo a awareness, auxiliando no 
processo de figura-fundo e nos ajustamentos criativos. Na sequência veremos 
alguns do experimentos mais conhecidos na Gestalt-terapia. 
4.1 Cadeira vazia 
 A cadeira vazia consiste em representar em uma cadeira ou almofada 
uma pessoa, situação inacabada, polaridades, projeções ou o que considerar 
importante de ser trabalhado (Figueroa, 2015). A técnica acontece com o diálogo 
que o cliente estabelece com a representação escolhida, trocando de lugar e 
alternando os papéis. Para que a técnica aconteça, é fundamental que o cliente 
entre na fantasia e permita que os papéis ganhem vida própria. Para isso, a 
introdução da técnica é fundamental. Por exemplo, se a representação for de 
uma pessoa, pode pedir para que o cliente descreva a roupa, o modo como está 
sentado, a sensação que tem ao olhar para essa pessoa. Assim, quando o 
cliente se envolve plenamente, é possível que ele entre em contato com o 
material novo que está sendo reintegrado pela awareness (Figueroa, 2015). 
4.2 Fantasia dirigida 
 Existem diversas sugestões de fantasias dirigidas, e, conforme você se 
sentir confiante e familiarizado com elas, poderá criar novas de acordo com a 
sua demanda e desejo, mas Stevens (2013) ressalta a importância do preparo 
para esse experimento, visto que será muito difícil que o cliente entre na fantasia 
se permanecer preso na realidade, se estiver tenso ou aflito com questões 
externas. Sendo assim, é fundamental quevocê elabore uma boa introdução, 
sugerindo que o cliente busque uma posição confortável, com os olhos fechados 
e entre em contato com suas sensações físicas. Outro aspecto sugerido pelo 
 
 
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autor é que a fantasia seja relatada em primeira pessoa e no presente, 
proporcionando um aprofundamento nas sensações. Ademais, quando o cliente 
conta sua fantasia, fica mais consciente de si e, compartilhando tal consciência, 
se relaciona com o outro em um contato genuíno. 
4.3 Trabalho com sonhos 
 O trabalho com os sonhos é uma das técnicas mais famosas dentro da 
Gestalt-terapia. Perls considerava que o sonho é o produto mais autêntico de 
uma pessoa, visto que acontece sem mediação ou intenção determinada, e 
todos os elementos são criações de quem sonha, não importando se consciente 
ou inconsciente, sendo o sonhador o autor e testemunha de sua criação onírica 
(Lima Filho, 2015). Perls considerava que tudo que é visto no outro, ou no 
mundo, é uma projeção, e que em determinado momento tudo teria estado em 
unidade até que foi dissociado, alienado e rejeitado, e nosso sistema psíquico 
busca por essa unificação novamente, se aproximando do objeto afastado, 
sendo o sonho uma das maneiras para integração (Lima Filho, 2015). 
Lima Filho (2015) descreve que inicialmente é solicitado ao cliente que 
descreva seu sonho em primeira pessoa e no presente. Quando a narração de 
alguma forma está bloqueada, pode investigar o sentimento presente, as 
sensações corporais. Se a fala está muito fluida, sem emoções, pode-se pedir 
para que o cliente se identifique com um elemento do sonho, como um 
personagem, um objeto ou aspeto psicológico. Se perceber opostos, pode 
solicitar um diálogo entre os polos buscando perceber a fluidez dessa energia. 
TEMA 5 – TÉCNICAS NO ATENDIMENTO COM ADOLESCENTES E CRIANÇAS 
 Como já mencionado, as técnicas possuem diferentes modalidades, e seu 
uso é muito abrangente. Entretanto, quando pensamos no atendimento com 
adolescentes e crianças, das técnicas já mencionadas, a mais utilizada no 
trabalho infanto-juvenil é a fantasia dirigida. Em seu livro Descobrindo crianças, 
Violet Oaklander aborda o uso da fantasia e do desenho com fantasia, trazendo 
descrições que podem ser utilizadas com crianças e adolescentes. Além da 
fantasia dirigida, outras técnicas usadas com maior frequência são a cadeira 
vazia, o trabalho com sonhos e as representações, mas existem outras 
propostas interessantes para trabalhar situação inacabadas com esse público. 
 
 
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Livros como Gestalt-terapia infanto-juvenil, com organização de Cintia Brandão; 
Gestalt-terapia com crianças, de Luciana Aguiar; Gestalt-terapia: cuidando de 
crianças, de Sheila Antony; A Clínica Gestáltica com adolescentes: caminhos 
clínicos e institucionais, de Rosana Zanella; e, claro, o mais clássico Descobrindo 
crianças, de Violet Oaklander, são ótimas referências e abordam técnicas e 
experimentos relevantes. A seguir traremos alguns deles. 
5.1 Técnicas no atendimento com adolescentes 
 Segundo Silveira (2018), o experimento é um método que potencializa a 
awareness, a aprendizagem de si e de novos ajustamentos criativos. Quando 
formado anterior à sessão, configura-se como técnica, com elementos teóricos 
buscando abrir para novas possibilidades, mas, de acordo com D’Acri, Lima e 
Orgler (2012 citados por Silveira, 2018) é durante a relação terapêutica, baseada 
no método fenomenológico, que o experimento acontece, no aqui e agora. 
Silveira (2018) sugere algumas técnicas que utiliza em sua prática com 
adolescentes vestibulandos, ressaltando a importância de cada terapeuta 
elaborá-las de acordo com o que fizer sentido para ele, e considerando que não 
cabem apenas para esse momento de vida. Entre elas estão: 
• Cartaz do presente: vários materiais são disponibilizados (imagens, 
revistas, cartolina, cola, canetas etc.) e é solicitado que o cliente elabore 
uma representação de seu momento presente. Em seguida, ele dá um 
título e faz uma apresentação de si por meio do material (Silveira, 2018). 
• Mandala do eu: é introduzida com um exercício de relaxamento. Com uma 
folha e giz pastel, é pedido para que visualize cores, imagens e 
movimentos que representem seu eu interior. No caso do exemplo 
apresentado pela autora, seria de acordo com as pressões do vestibular, 
mas pode ser utilizado para outros momentos. A parte de dentro seria o 
mundo interior e a parte de fora o exterior (Silveira, 2018). 
• Sentindo o corpo: convida-se o cliente a ficar de pé e formar com seu 
corpo uma escultura de como percebe sua postura diante da preparação 
para o vestibular (mas podemos pensar em qualquer outra situação). 
Permanecendo na mesma posição, é solicitado que descreva como está 
se sentindo, suas percepções físicas, perceba a rigidez, tencione e solte 
essas partes, trabalhando a consciência corporal para ampliar awareness. 
 
 
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• Construção do agora: solicita-se que o adolescente entre em contato com 
a emoção do presente, imagine uma representação para esse sentimento 
e construa com massinha ou argila. Questiona-se sobre o que percebe, 
qual seu peso, cor, o que representa, se tem sentido com mais alguma 
coisa em sua vida, qual seria esse objetivo etc. A utilização desse 
material, por sua maleabilidade, confere fluidez e ressignificação ao 
processo, que pode ser redefinido conforme o experimento e a 
necessidade do cliente (Silveira, 2018). 
5.2 Técnicas no atendimento com crianças 
 De acordo com Antony (2017), o processo terapêutico com crianças não 
pode ser realizado somente verbalmente, sendo que, para facilitar essa relação, 
é necessário utilizar técnicas projetivas, que buscam favorecer a manifestação 
do mundo interno e particular da criança, com suas fantasias, sonhos e introjetos; 
e expressivas, que objetivam auxiliar a expressão de si, de maneira autêntica. 
A autora também propõe técnicas integrativas, que integram partes rejeitadas. 
Oaklander (1980) expõe que existem muitas técnicas que auxiliam as 
crianças na exposição de seus sentimentos, como desenhos e pinturas, mas que 
o que é mais importante é ajuda-la a tomar consciência de si e de sua existência: 
Cada terapeuta encontrará o seu próprio estilo para conseguir esse 
delicado equilíbrio entre dirigir e orientar a sessão, de um lado, e 
acompanhar e seguir a direção da criança, de outro. As sugestões aqui 
apresentadas tem apenas o intuito de mostrar a você as infinitas 
possibilidades e libertar o seu próprio processo criativo. Não se 
pretende que sejam seguidas mecanicamente. O processo de 
trabalho com a criança é delicado, fluido – um acontecimento 
orgânico. O que se passa dentro de você, o terapeuta, e o que se 
passa dentro da criança numa sessão qualquer, constituem uma 
suave fusão. (Oaklander, 1980, p. 69, grifo nosso) 
Uma das técnicas abordadas pela autora é o uso de desenhos. Oaklander 
aponta diversas maneiras de trabalhá-los, ressaltando que, mesmo sem 
intervenções, o desenho é por si só uma ótima expressão de si. Algumas dessas 
maneiras são: pedir que a criança compartilhe a experiência de desenhar e como 
foi seu processo; solicitar que compartilhe o desenho em si; perguntar sobre as 
formas, contornos e cores etc. 
A autora também descreve experimentos utilizando materiais diversos, 
como argila, massinha, massinha de farinha, água, esculturas e construções, 
madeira e ferramentas, colagem e figuras. É possível também a realização de 
 
 
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trabalhos utilizando histórias, livros, poesias e teatro de bonecos. Outra técnica 
interessante é utilizar as experiências sensoriais, que exploram o tato, visão, 
audição, paladar, olfato, intuição, e, para isso, podemos usar texturas, músicas, 
alimentos e técnicas de respiração. 
Antony (2017) ressalta a importância de respeitar o tempo da criança, 
aguardando sua resposta, de acordo com seu momento, visto que a relação 
terapêutica é valiosa, e,para isso, o vínculo deve estar bem estabelecido, 
promovendo segurança para que a criança participe da proposta. Como defende 
Aguiar (2005), é a relação dialógica que proporciona o uso das técnicas. Sem 
ela, permanecemos em um brincar sem significado. 
NA PRÁTICA 
É importante ressaltar que a organização sugerida nesta aula condiz com 
uma demanda mais didática do que prática, visto que precisamos olhar para o 
todo, que é sempre maior do que a soma das partes. Dessa forma, os conceitos 
de regra, jogos, técnicas ou experimentos são fundos e permitem e favorecem o 
surgimento de figuras. As regras e técnicas estarão sempre presentes no fundo 
do terapeuta, que precisa estar atento ao que emerge. Já jogos e experimentos 
são produtos do fenômeno apresentado, sendo mais ou menos estruturados, 
mas devem sempre visar a ampliação de consciência do cliente, o fechamento 
de gestaltens e a identificação de bloqueios e impasses. 
 Os jogos e experimentos devem ser experienciados também pelo 
terapeuta, pois, como afirma Oaklander (1980), é fundamental que o profissional 
se sinta familiarizado com sua proposta, que esteja disponível para o manejo 
fenomenologicamente, considerando que pode dar “tudo certo” ou não, mas é 
indispensável a presença e abertura para as infinitas possibilidades que surgirão 
dessa relação. 
 Existem muitos vídeos disponíveis na internet com técnicas utilizadas por 
Perls, nos quais é possível vê-lo aplicando e conduzindo experimentos em grupo 
e individualmente. Assistir a esses vídeos pode trazer clareza em algumas 
aplicações, mas lembre-se de que o que está sendo mostrado faz parte do estilo 
de atendimento de Perls, e cada terapeuta precisa encontrar o seu próprio 
modelo, suas preferências e estilos. É necessário buscar o que faz sentido para 
você e seu cliente no momento que se apresenta, mas, para que isso seja 
possível, é fundamental conhecer as técnicas e estudar suas possibilidades. 
 
 
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 Outro aspecto que demanda atenção é a utilização de técnicas na 
psicoterapia online. Diante da atual exigência de ajustamentos criativos com a 
pandemia vivenciada, precisamos nos reinventar e adaptar nossos recursos 
terapêuticos. Algumas das técnicas apresentadas aqui ficam impossibilitadas, 
mas um universo novo de possibilidades também se abre. Podemos utilizar 
ferramentas digitais, sites, jogos online, o próprio compartilhamento de tela das 
plataformas usadas, podemos solicitar que o cliente já leve para a sessão algum 
material específico, ou mesmo utilizar o que nos é apresentado pela câmera, no 
cenário em que o cliente se encontra, trazendo elementos novos, diante de um 
campo que não se tornaria figura em uma sessão presencial, por exemplo. No 
atendimento online infantil muitas vezes aparecem animais, objetos, rotinas que 
não nos seriam possibilitados em um outro momento, e isso tudo pode levar a 
novos experimentos. 
FINALIZANDO 
Como vimos, independentemente de o trabalho ser com adultos, crianças 
ou adolescentes, ou de envolver uma regra, jogo ou experimento, é fundamental 
que seja utilizado a serviço do cliente e jamais como uma “carta na manga” em 
momento de insegurança, ou para evitar um silêncio indesejado. Como Gestalt-
terapeutas, utilizamos as técnicas e experimentos para proporcionar awareness, 
ou seja, fazer com que o cliente entre em contato consigo e se perceba no 
mundo. Para isso, a fenomenologia é nossa metodologia. Não interpretamos, e 
sim exploramos o fenômeno e descrevemos o que estamos vendo. Somos 
presentes nessa relação, inteiros, disponíveis e abertos para o que emergir. 
Cada um de nós poderá desenvolver maior afinidade com um tipo de 
prática, e isso faz parte do nosso perfil de trabalho, e a técnica em si não é o que 
nos importa, mas seu movimento criativo e vivo. Ela não é um acontecimento, 
ela é um instrumento para acontecer. Figueroa (2015, p. 128) utiliza uma história 
zen sobre o vento, para compará-lo com as técnicas: “se você tentar guardá-lo 
em uma caixa, quando você a fechar ele não mais estará lá”. 
Para finalizar, trago uma fala de Lima Filho, (2015, p.136, grifo nosso) 
sobre o trabalho com sonhos, mas que podemos utilizar para pensar todas as 
técnicas e experimentados citados: 
O método de Perls inclui procedimentos uniformes e estáveis, o que 
permite a formulação de uma teoria geral. Mas também se divisa 
 
 
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imensa diversidade de modos de condução dos experimentos, o que 
deixa aberta a possibilidade de que quaisquer condutores, 
psicoterapeutas ou facilitadores desenvolvam repertórios próprios de 
recursos terapêuticos, ainda que se mantenham leais às proposições 
básicas de Perls e da abordagem gestáltica. Não seria compatível 
com o espírito da abordagem os psicoterapeutas se limitarem a 
reproduzir os ensinamentos de seu mestre e mentor. A 
diversidade e a criatividade consubstanciam a formação do 
Gestalt-terapeuta e falam da compatibilidade entre a pessoa do 
psicoterapeuta e identidade profissional por ele eleita. Meras 
reproduções seriam contrárias ao fluxo de awareness na experiência 
do próprio psicoterapeuta na situação de atendimento. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
AGUIAR , L. Gestalt-terapia com crianças: teoria e prática. Campinas: Livro 
Pleno, 2005. 
ANTONY, S, M, R. Gestalt-terapia: cuidando de crianças – teoria e arte. 
Curitiba: Juruá, 2017. 
FIGUEROA, M. As técnicas em Gestalt-terapia. In: FRAZÃO, L. M; FUKUMITSU, 
K. O. (Org.). A clínica, a relação psicoterapêutica e o manejo em Gestal-
terapia. São Paulo: Sumus, 2015. (Coleção Gestalt-terapia: fundamentos e 
práticas) 
LIMA FILHO, A. P. Teoria e técnica do trabalho com sonhos em Gestalt-terapia. 
In: FRAZÃO, L. M; FUKUMITSU, K. O. (Org.). A clínica, a relação 
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