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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE FISIOLOGIA E FARMACOLOGIA MONITORIA DE FARMACOLOGIA MONITORES: INGRID E RAFAEL GD 6 - ANTI-HIPERTENSIVOS QUESTÃO 1 – F. L. M., sexo feminino, 58 anos, encontrava-se no 8° dia de internação no Hospital do Coração de Messejana por cardiomiopatia chagásica, sendo tratada com Furosemida e Anlodipino, além de hidralazina A.C.M. Queixou-se de vômitos, parestesia, astenia, palpitações e dispneia. Após a realização de um ECG e de exames laboratoriais, F. L. M. recebeu uma infusão lenta de KCl e teve o Anlodipino trocado pela Espironolactona. Com base em seus conhecimentos de farmacologia, explique o porquê da troca descrita no caso e os mecanismos dos fármacos citados. RESPOSTA: A Furosemida é o principal fármaco do grupo dos diuréticos de alça, isto é, age inibindo o co-transportador luminal de Na+/K+/2Cl- no ramo ascendente espesso da alça de Henle. Dessa forma, inibem sua reabsorção e aumentam sua concentração na urina. É utilizada principalmente em casos de hipertensão arterial associada a insuficiência renal e tem como um dos seus efeitos colaterais o aumento da depleção de potássio (hipocalemia), o que ocasiona os sintomas dos quais a paciente se queixa (vômitos, parestesia, astenia, palpitações e dispneia) e gerou uma necessidade de reposição eletrolítica (infusão de KCl). O Anlodipino pertence à família da di-hidropiridina, isto é, é um bloqueador dos canais de cálcio com mais efeito vasodilatador que bradicárdico, agindo na inibição do influxo de cálcio nas células musculares lisas arteriais. A Hidralazina é um potente vasodilatador das arteríolas, mas não tem o mesmo efeito nas veias, tendo uso mais efetivo em casos de hipertensão grave. Já a Espironolactona é um esteróide sintético do grupo dos diuréticos poupadores de potássio, que age antagonizando diretamente a aldosterona nos receptores de mineralocorticoides dos tubos coletores. Dessa forma, indiretamente interfere na ação do transportador antiporte Na+/K+ e impede a secreção de potássio, sendo útil para prevenção de quadros de hipocalemia nos casos de uso crônico de outros diuréticos. QUESTÃO 2 - J. F. F., 69 anos, sexo masculino, compareceu à UPA 24h de seu bairro acompanhado pelo sobrinho e apresentando sinais de hipotensão arterial grave. Na anamnese, o acompanhante informou que o paciente tinha HAS descompensada por baixa adesão à dieta hipossódica e fazia uso diário de Losartana e Hidroclorotiazida. Também relatou que no dia da ocorrência, J. F. F. tinha bebido o chá de uma planta chamada colônia. Diante do exposto, o que você acha que aconteceu com o paciente? Qual o mecanismo de ação da Losartana e da Hidroclorotiazida? RESPOSTA: A Losartana é um fármaco do grupo dos Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina II (AT1), interferindo na ação hipertensora do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona. Dessa forma, diminui a atividade simpática e a secreção de vasopressina e aldosterona, reduzindo, por consequência, o volume sanguíneo (e a pressão arterial). A Hidroclorotiazida é um diurético do grupo dos tiazídicos, agindo na inibição do co-transportador luminal de Na+/K+ no túbulo contorcido distal e, como consequência, na redução da volemia. A planta popularmente conhecida como colônia, cardamomo ou jardileira (Alpinia zerumbet) tem em sua composição terpineol e catequinas, ambos possuindo atividade hipotensora. O terpineol tem mecanismo semelhante ao dos bloqueadores dos canais de cálcio (Verapamil, Anlodipino, Nifedipino, Diltiazem), enquanto as catequinas agem de maneira semelhante aos vasodilatadores diretos (Hidralazina e Minoxidil). O paciente provavelmente encontrava-se com hipotensão devido ao efeito sinérgico da espécie com os dois medicamentos contra HAS utilizados diariamente. QUESTÃO 3 - Após a vizinha de Anna Júlia descobrir que ela estudava Enfermagem, começou a conversar com ela sobre os remédios que toma. Entre eles, contou sobre um remédio para controlar sua hipertensão, o qual ela mencionou causar tosse e fez Anna Júlia lembrar imediatamente da aula de anti-hipertensivos. Que remédio poderia ser esse? Por que esse efeito acontece? Qual seu mecanismo de ação como anti-hipertensivo? RESPOSTA: Trata-se provavelmente de um inibidor da Enzima Conversora de Angiotensina (ECA), produzida nos pulmões e responsável pela conversão de Angiotensina I em Angiotensina II, impedindo assim seus efeitos hipertensivos. Pode-se listar como membros desse grupo de fármacos o Captopril e o Enalapril. A tosse como efeito adverso surge como resultado do acúmulo de bradicinina (uma substância inflamatória) no trato respiratório, o que se deve ao fato de a ECA também ser responsável pela inativação desse componente no organismo.