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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Educação
Curso Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza
Disciplina: Seminários Integradores 3 - A
Clarissa Steinntz da Silva
Cristiane Saldanha
Cristina Pivetta Nardo do Prado
Josiele Luz Cardoso
Luiz Claudio Caceres Messa
AUTORES
Prof.ª Marilisa Bialvo Hoffmann
ORIENTADORA
TRAÇANDO CAPIVARI DO SUL
Inventário
Porto Alegre
2025
2
SUMÁRIO
1. Introdução................................................................................................................03
2. Geografia ....................................................................................................................04
3. História........................................................................................................................06
4. Clima.......................................................................................................................... 10
5. Ensino..........................................................................................................................12
6. Espaços não escolares................................................................................................18
7. Comunidade Costa da Lagoa....................................................................................23
8. Parque de Eventos Abrahão Nunes......................................................................... 24
9. Rancho Capivari........................................................................................................25
10. Religiosidade..............................................................................................................26
11. Comunicação .............................................................................................................28
12. Os moradores, a infraestrutura e os serviços..........................................................29
13. A territorialidade de Capivari do Sul: uma perspectiva latino-americana..........32
14. O cotidiano de crianças e jovens capivarienses......................................................37
15. O envelhecimento da população de Capivari do Sul..............................................40
16. Residencial Vó Tereza: Algo a se pensar em política pública para o idoso..........57
17. Separação do lixo de forma adequada: a cidade fica mais limpa e sustentável. 58
18. Considerações Finais.................................................................................................60
Referências Bibliográficas ..............................................................................................63
1. Introdução
O presente inventário propõe uma investigação aprofundada da cultura, do modo de vida e das territorialidades das comunidades rurais e urbanas de Capivari do Sul, Rio Grande do Sul. Este estudo, fundamentado em uma perspectiva interdisciplinar e dialógica, busca compreender as dinâmicas sociais, econômicas, históricas, ambientais e políticas que moldam a identidade e o cotidiano da população local. A proposta do Curso de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza da UFRGS (EduCampo/UFRGS) em orientar a elaboração de um inventário sobre determinado território visa capacitar o aluno a acompanhar o funcionamento da área investigada, compreendendo a relação do homem com a natureza, os recursos e infraestruturas disponíveis, as características de seu povo e suas relações com os territórios vizinhos.
Neste contexto, o inventário explora a intersecção entre a realidade local e as abordagens pedagógicas, promovendo um aprendizado mais completo e enriquecedor. A metodologia adotada combina levantamentos de percurso histórico, análise da biodiversidade e sistemas de produção, estudos socioculturais e investigações sobre conflitos, lutas sociais e organização política. A pesquisa de campo é articulada com informações sobre o sistema agroalimentar da região, buscando estudar relações fundamentais entre produção e consumo de alimentos, agricultura, estrutura agrária, e a lógica de exploração capitalista sobre o trabalho e a natureza, bem como a construção de novas relações sociais de produção.
O título do inventário Traçando Capivari do Sul é uma analogia aos livros escritos por Luis Fernando Veríssimo, como a obra “Traçando Paris”, publicada em 1992, do qual ele retrata a sua vivência e compartilha o seu roteiro de viagem com o leitor, descrevendo o contato que teve com o público local e sugere os pontos turísticos, para quem quiser ir visitar.
Neste levantamento foram extraídas informações de fontes de dados secundários como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Prefeitura Municipal de Capivari do Sul, do Censo Escolar, entre outros. Também serão divulgadas informações de trabalhos acadêmicos de pesquisa já realizados pelos próprios alunos da Educampo/UFRGS – núcleo Capivari, além é claro de entrevistas com alguns moradores da cidade.
Este inventário não apenas descreve a realidade local, mas também visa promover a reflexão crítica sobre os desafios e as potencialidades para a construção de um futuro mais justo e sustentável para Capivari do Sul.
2. Geografia
Capivari do Sul localiza-se no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, tendo como coordenadas geográficas de localização no planeta: a latitude de 30º 08’ 42” e a longitude 50º 30’ 53”, estando a uma altitude de 12 m acima do nível do mar. 
Sua geografia é caracterizada pela presença de formações geomorfológicas diversas, incluindo planícies costeiras e campos de dunas, resultado de processos geológicos que moldaram a paisagem ao longo do tempo.
 O município integra a bacia hidrográfica do Rio Tramandaí, que desempenha um papel crucial na drenagem da região.
 Os solos predominantes são argissolos e neossolos, com variações em sua fertilidade e aptidão agrícola.
 A biodiversidade local, especialmente nas áreas úmidas e de restinga, é rica e importante para o equilíbrio ambiental.
Conforme os dados atualizados pós Censo 2022 do IBGE, a área territorial da cidade é de 412,889 Km2 (2023) e a população estimada é de 4.079 pessoas (2024), o que implica uma densidade demográfica de 9,87 hab./Km2.
Como se observa o município apresenta baixo tamanho populacional, onde a sua maior concentração está no centro da cidade e o restante reside em seus dois distritos: Rancho Velho e Santa Rosa.
Segundo os dados do TSE, dos 3.774 eleitores que estavam aptos a votar na eleição para prefeito e vereadores municipais neste ano, 80,84% votavam no centro, enquanto, 4,54% no Rancho Velho e 14,62% na Santa Rosa.
Em termos comparativos a capital, que apresenta a área territorial de 495,39 Km2, ou seja, Capivari do Sul alavanca em sua economia, em especial, nas plantações de arroz e soja, a partir do grande número de latifúndios existentes nas zonas rurais.
 Figura 1: Localização de Capivari do Sul (Saída de Porto Alegre)
 Fonte: https://maps.google.com, 2024
3. História
	
É um marco para quem visita a cidade e observa em alguns pontos da cidade, principalmente nas pracinhas, onde observam-se os pais, ficarem algumas horas com seus filhos e ao seu redor encontram-se as imagens de capivaras, símbolo de Capivari do Sul.
Até chegar ao detalhamento da origem do nome, até então o chamado distrito de Capivari, pertencia a cidade de Osório (Lei Municipal n.º 1752/80) e depois passou sob a responsabilidade de Palmares do Sul (Lei Estadual n.º 7654/82); foi quando em 28 de dezembro de 1995, o governador Antônio Britto sancionou a Lei Estadual n.º 10.634/95 que emancipou o município de Capivari do Sul.
Acrescentaram o “Sul” para não confundir com outras cidades do Brasil com o nome parecido como: Capivari de Baixo (SC) e Capivari (SP) e o “Capivary” já era atribuído as origens do rio que banha a região denominado pelos indígenas, pela existência de várias capivaras.
No site https://capivaridosul.rs.gov.br da prefeitura resume muito bem os principais trechos históricos que contribuíramentrevistas. Resposta múltipla.
e) Percepção de valores que a geração mais nova da família e a sociedade, em geral trata o idoso
Apesar do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003 enfatizar em seu artigo 10: “É obrigação do Estado e da sociedade assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis”; a maior parte dos entrevistados da AAPICS (55%), valorizam esses avanços, mas ainda percebem no dia a dia, que existe ainda discriminação ou preconceito da sociedade com esse público.
Dos que afirmaram que o idoso deveria receber mais atenção pelo poder público e sociedade, destacaram-se, nesta multiplicidade de respostas: sofre todo tipo de discriminação (54,5%), há falta de maior investimento em políticas públicas para o idoso (27,3%), já se observa o desrespeito com ele dentro da família, pelos mais novos (18,2%) e o idoso está sendo coagido no trânsito (9,1%).
Figura 24: Percepção dos entrevistados da AAPICS se o idoso, em geral,
 Sofre algum tipo de discriminação na sociedade
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas.
Aproximadamente, metade dos entrevistados da AAPICS (45,0%) apontam o uso do celular como o verdadeiro vilão da história, pois afirmam que é o maior causador nas mudanças de foco das crianças e jovens em dar menos atenção aos familiares que o rodeiam, bem como estavam influenciando negativamente no seu desempenho escolar, antes é claro, de ser permitido o uso do aparelho em sala de aula. 
f) Percepção dos entrevistados da AAPICS sobre as políticas públicas voltadas ao idoso
Os entrevistados da AAPICS, pelo seu estágio de vida mais avançado é natural que eles vão ao médico, com maior frequência para cuidar de seu estado atual de saúde.
O que se observou, nesta pesquisa, que aproximadamente 7 em cada 10 indivíduos (75%) se queixou do atendimento nos postos de saúde municipal, alegando que o principal problema detectado é o tempo de espera nas filas, pois o chamamento é realizado pela ordem de chegada.
Se mais da metade deste público (53,3%) solicitou um atendimento mais rápido, outras exigências importantes foram também pontuadas, do qual que precisam de mais atenção pela prefeitura que são: a demora na marcação de exames (46,6%), a falta de um Geriatra (26,6%) e a oferta de mais programas sociais voltados a saúde física e mental do idoso (20,0%).
Lembrado que as razões pelas quais os entrevistados da AAPICS estão descontentes com algum tipo de serviço prestado na área de saúde municipal, foi concedido a liberdade para eles citarem mais de um item, se for necessário, caracterizando essa questão de multiplicidade de respostas.
Figura 25: Percepção dos entrevistados da AAPICS sobre as Políticas Públicas 
 voltadas para o idoso
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas.
g) Percepção dos entrevistados da AAPICS sobre este ambiente que frequenta
A recepção que os associados dão aos visitantes e aos novos integrantes do grupo em sua sede é contagiante.
O bom-humor escancarado no rosto de cada pessoa, quando chega o dia dos encontros, para colocar a conversa em dia ou usufruir de alguma atividade realizada de relaxamento, que quando termina o fim da seção, ocorre a sensação de leveza, de equilíbrio e paz.
Em um episódio marcante ocorreu quando os alunos da EduCampo/UFRGS presenciaram a aula de ginástica contratada pelo grupo de idosos realizada pela professora de Educação Física do município.
Além das séries de exercícios de alongamentos propostos, talvez o ápice da atividade foi a dinâmica realizada pela docente, em que cada indivíduo, segurava um balão, e dizia o que mais gostava e passava a vez para o outro fazer igual.
Saíram muitas respostas do tipo: “Eu gosto de dançar”, “Eu gosto de bingar”, “Eu gosto de viajar”, entre outras lembranças, reverenciando o projeto da AAPICS, que trouxe a eles a alegria de (re)viver; tanto é que alguns declararam o seu amor aos amigos e o local, que para eles é uma escola, onde se desenvolve o lado cognitivo, como a memória, o raciocínio e a atenção, onde é muito trabalhado.
A ênfase ao cuidado do corpo também é uma marca desta associação, pois ela propicia melhora no condicionamento físico do grupo, seja através das caminhadas realizadas durante os passeios programados, seja através das ginásticas ou dinâmicas elaboradas, onde se propõem fazer movimentos corporais, bem como a participação em bailes, que é uma tradição da região.
Figura 26: Percepção dos entrevistados sobre os atrativos que a AAPICS
 fornece ao idoso
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas. Resposta múltipla.
Quando perguntado o tempo que os entrevistados estão na AAPICS verifica-se que 30% deste público frequenta a instituição a menos do que 3 anos, outros 45% afirmam estar participando do grupo de 3 a 8 anos e, 25% destes idosos são membros a mais de 8 anos. 
h) Quais são as rotinas diárias dos entrevistados da AAPICS
A aplicação do questionário direcionado aos participantes do grupo da AAPICS, buscou-se conhecer informações do seu estilo de vida, como o cuidado da saúde, bem como as atividades que faz durante o dia.
Primeiramente serão apresentados os resultados referente ao cuidado dos entrevistados, com a saúde e posteriormente, os hábitos deste público realizado dentro e fora do domicílio.
· Hábitos em relação ao cuidado com a saúde
	De modo geral, observa-se que os entrevistados da AAPICS, tem o hábito de ir ao médico, seja para fazer exames de rotinas, como medir a pressão e a glicose.
	Em relação a alimentação, verifica-se que ainda existe uma certa resistência, por parte deste grupo seleto, de consumir frituras e refrigerantes, apresentando as taxas de adesão de 50,0% e 30%, respectivamente.
A boa notícia é que metade deste público (50%) costuma fazer as suas caminhadas diárias de forma individual ou coletiva; outros em menor número (25%) preferem andar de bicicleta.
Figura 27: Como o entrevistado da AAPICS está cuidando de sua saúde
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas. Resposta múltipla.
· Quais as atividades de lazer ou recreação que o entrevistado da AAPICS faz ao sair de casa
Observa-se que este público de idade maior, tem o costume de sair de casa para visitar os seus amigos ou parentes.
Como se verifica, o entrevistado da AAPICS é um cidadão muito sociável, pois a maioria dos locais onde frequenta, tem contato direto com outros públicos, facilitando assim a construção de novas amizades.
Ele ainda organiza o seu espaço de tempo para assistir o culto na igreja e também para cuidar das plantas do jardim ou da horta que possui.
Figura 28: Quais as atividades de lazer ou recreação que o entrevistado da
 AAPICS faz quando sai de casa
 
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas. Resposta múltipla.
· Quais as atividades de lazer ou recreação que o entrevistado da AAPICS faz ao ficar em casa
Os veículos tradicionais da mídia, que são o rádio e a TV, ainda cativam esse público, mas o acesso ao computador é baixo, já que menos de 1/3 dos entrevistados (30%) tem facilidade de manuseá-la.
A Tia Vera, de uma certa forma, incentiva os seus colaboradores a utilizar alguma rede social, como o WhatsApp e o Facebook, pois são importantes para divulgação dos dias das reuniões do grupo, dos eventos como bingos e festas, bem como a programação das viagens.
Figura 29: Qual é a rotina do entrevistado da AAPICS quando está com o seu 
 tempo livre em casa
 
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas. Resposta múltipla.
16. Residencial Vó Terezinha (um case): Algo a se pensar empolítica pública para o idoso
	
Quando se fala em prestação de serviços ao povo capivariense, apesar de ser uma população de porte pequeno, ela está bem assistida, pois praticamente é facilitada a organização pessoal do trabalhador, como por exemplo, ele não precisa mais sair do seu ambiente de trabalho para o almoço, já que alguns restaurantes já oferecem o serviço delivery, há variedade de horários nas academias, que até de madrugada estão abertas para atender os clientes que não tiveram tempo suficiente para realizar as atividades físicas de dia, o atendimento veterinário, embora seja o único na cidade, agora atendem à domicílio para medicação dos pets.
	Parece que não falta nesta cidade, mas quando deparamos como exemplo, este empreendimento nunca imaginado antes, surgido nos meados de 2020, vimos que é algo que daqui a décadas vai ser algo comum não só aqui, mas em todo o lugar que é o aumento das casas de repouso e instituições que oferecem acolhimento e cuidados para idosos.
	Uma simples visita de um amigo distante, o Jorge, a residência do morador Otávio Sessim, foi fundamental para que ele investisse em uma área de imensa responsabilidade e relevância social.
	Seu amigo Jorge, que é residente em Porto Alegre, comentou que está trabalhando cerca de 6 anos em um residencial geriátrico de alto padrão, juntamente com a sua esposa, que já foi cuidadora de idosos e hoje é doutora em gerontologia biomédica, onde partiu a sua curiosidade de solicitar ao seu amigo Otávio que apresentasse nesta cidade os locais que atendem este público de idade maior.
	Ao falar-se que não há esse serviço aqui, como em Palmares do Sul, o seu amigo Jorge o provocou: “Por que você não cria um? ”, já que ele soube que os idosos da região, quando precisavam de atendimentos médicos eram direcionados a capital ou ao município de Osório.
	Por conhecer bem a família e saber que ele tem uma casa, que se utiliza para aluguel, onde atualmente está desocupada, então sugeriu a realização de uma reforma nela, para dar as condições adequadas a vinda deste público a este empreendimento, que foi dado o nome de Residencial Vó Terezinha, em homenagem a avó do Otávio, que havia perdido a poucos meses.
	De modo geral, o Estado deve investir em políticas públicas para o idoso, não tendo apenas como o foco a construção de casas de atendimento ao idoso, mas também ofertar espaços próprios, onde ele pode praticar a sua atividade física. 
 Não é que seja tenha como objetivo separar o jovem do idoso, é que os condicionamentos são físicos distintos, por exemplo, em uma partida de futebol há risco de lesões e, por isso criando o local exclusivo para ele, traria o convite para outras pessoas de mesmo perfil participar.
Figura 30: Homenagem aos avós: primeiro o nome do hotel e agora do residencial geriátrico
 
 
Fonte: Messa, Luiz Claudio, 2025.
O ideal seria que fossem realizadas visitadas aos empresários locais, para convidá-los a serem patrocinadoras do evento esportivo, pois todos ganhariam com essas parcerias, as empresas seriam reconhecidas pela prática social no município, enquanto o torneio atrairia amigos, famílias e comunidade daqui e de fora, sem esquecer do seu real significado que é proporcionar o estilo de vida de forma mais saudável e prazerosa, de uma forma mais prazerosa
17. Separação do lixo de forma adequada: a cidade fica mais limpa e sustentável
	O Seu Zé, um senhor de mais de 70 anos, poderia utilizar o seu espaço de tempo para cuidar de sua saúde, que está debilitada, mas ainda é um cidadão que pensa no lado social e também no ambiental, pois a vida se torna mais bela, quando deixamos nossas ruas, calçadas, praças e parques limpos, por isso deve-se trazer a imagem para quem é de fora que o morador daqui cuida da cidade, como se fosse a sua casa.
	E não é um serviço fácil que ele faz com a reciclagem, juntamente com o seu colega Júlio César Ribeiro Subchak, pois a comunidade, não tem o hábito de separar o lixo, eles misturam restos de comida com plásticos; os resíduos perigosos como as pilhas, baterias e lâmpadas são descartados direto no lixo comum, pois o município e vizinhanças não apresenta um Ecoponto para depositar estes materiais, que são nocivos ao meio ambiente. 
	O processo de reciclagem não é tão imediato assim e é semelhante a expressão “ de grão em grão a galinha enche o papo”, ou seja, para que se possa obter um lucro com a venda dos materiais recicláveis é necessário ter no mínimo 50 bags, para que o caminhão venha buscar essa mercadoria, destinada a uma empresa de Capão da Canoa.
	Pelo menos o que se vê na área central da cidade, que as caixas de papelão são deixadas nos tonéis azuis (lixeiras) pelas empresas para o uso da reciclagem e, praticamente elas estão intactas, sem nenhuma sujeira, mas o grande problema é o lixo domiciliar, que compromete o reaproveitamento não apenas do papel, mas também do plástico.
	Para obter uma maior consciência ambiental pelos moradores, faz-se necessário, desde cedo aplicá-la com as crianças, na escola sobre a importância da sustentabilidade para nossas vidas.
 Algo de positivo que se observa em campanhas sociais na escola é que os estudantes já guardam e separam por cor as tampinhas de refrigerantes, para doação conjunta a alguma instituição beneficente ou família da região, que necessita de recursos financeiros para auxiliar no tratamento de saúde do filho (a).
Figura 31: Reciclar o lixo permite renda ao trabalhador e cuidado com o meio ambiente
 
 
Fonte: Silva, Clarissa S., 2025.
E seu colega Júlio, recorda de um ano em que a árvore de Natal foi feita toda ela de garrafa PET, sem nenhum gasto da prefeitura e o melhor é que este reaproveitamento do material, tornou-a beleza e criativa e, ela serve de exemplo, que qualquer objeto antes de ser descartado no lixo, é importante verificar se ele pode ser reaproveitado para outra finalidade, como as cascas de frutas ou legumes, que podem ser utilizados para compostagem e, se não tem ideia do que fazer, apenas realizar a separação adequada, pois facilitará o processo de reciclagem dos catadores.
18. Considerações Finais
 	O inventário realizado nesta cidade, que contempla 1.496 domicílios particulares ocupados, segundo o Censo 2022 (IBGE), observou-se que é um local para morar para quem não gosta de muito barulho ou agitação, e isto é um fator que desmotiva muitos jovens e adolescentes, já que não há local adequado nos finais de semana, onde eles querem compartilhar de boa música, espaço para dança e conversa com os amigos.
	Os adultos já estão acostumados com essa rotina do dia a dia, em que os bailões e bingos programados na cidade, são as poucas alternativas de lazer que curtem juntamente com seus familiares e, o esporte, através dos campeonatos municipais de futebol de campo masculino e feminino, realizados à noite ou finais de semana, durante o ano, faz com que o cidadão capivariense prestigie o evento esportivo.
É inegável que Capivari do Sul apresentou avanços desde a sua emancipação, em 1995, em que muitas ruas da cidade, na época, não possuíam asfaltos e hoje estão quase todas pavimentadas e, com a sua boa localização física aliada a sua infraestrutura trouxe novas empresas para se instalar-se aqui como, por exemplo, a Rede Super Oliveira, que é referência nos distritos de Morro Grande e Águas Claras, em Viamão e a Loja Lebes, que possui mais de 160 lojas espalhadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
	Em termos de áreas de atendimento, a saúde é a grande preocupação, pois em entrevistas com os membros da AAPICS	, já se ouviam o descontentamento do público idoso com a demora no tempo das filas, no qual ele deve esperar, já que não há preferência por idade, fora que há falta de aparelhagem médica e também há muito tempo para a marcação dos exames, o que faz com que muitos moradores tenhamque dirigir-se a outras localidades.
	Em relação ao emprego, analisando os números fornecidos no site do IBGE (2022), no Cadastro Central de Empresas, consta que 1.351 pessoas estão ocupadas, dentre as 303 unidades locais, parecendo um número razoável, mas na prática vemos os empresários dos três supermercados da região: União, Oliveira e do Bairro, preocupados com a enorme rotatividade de funcionários durante o ano, já que as pessoas mais jovens, não querem trabalhar nos sábados, domingos ou feriados, por isso acredita-se que seus interesses são apenas eventuais até a procura de outro serviço, que considera melhor.
	Por isso, o município deve trazer cursos de especialização para o jovem, principalmente voltado ao setor agrícola, em que o mercado é amplo e promissor, segundo os dados do Censo Agropecuário (2017), dos 95 estabelecimentos agropecuários existentes na região, juntos ocupam uma área territorial de 30.615 ha.
	A educação já é uma marca positiva na cidade, alguns pais por opção própria pagam transporte particular, mas não há necessidade, pois é garantido o acesso à escola, mesmo para os distritos mais distantes, como o da Santa Rosa.
	Há sincronia entre as escolas municipais e a estadual, à medida que muitos docentes estão presentes em ambos estabelecimentos de ensino, o que facilitam na questão de ter maior conhecimento do perfil do seu alunado e, as experiências e resultados obtidos em determinado local, podem ser bem quistos em novo ambiente de trabalho, como por exemplo, a escola estadual Arthur da Costa e Silva, está implantando esse ano, em seu espaço físico a horta escolar, que já é tradição na E.M.E.F. Capivari.
	Enfim, este inventário criado sobre Capivari do Sul, procurou trazer de forma mais simples e objetiva as características do município e, dá margem para a curiosidade dos turistas em querer um dia visita-la.
Eles vão começar a se interessar pela sua cultura, em querer conhecer a comunidade Quilombola da Costa da Lagoa, experimentar o arroz da região, que é um dos melhores do Estado e interagir com seus habitantes, já que é de práxis ser um povo hospitaleiro.
Referências Bibliográficas
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VERÍSSIMO, L. F.; Fonseca, J. Traçando Paris. Porto Alegre: Artes e Ofícios: 1992. 160p.
1º SAÚDE 
(1,67)
2º FAMÍLIA
 (1,89)
6º LAZER (4,67)
5º DINHEIRO (4,44)
3º INDEPENDÊNCIA
 (3,61)
4º RELIGIÃO 
(4,22)
Taxa de Distorção Idade/Série - Censo Escolar 2023
(Valores em %)
Arthur da Costa e Silva (Capivari)	
4º/5ºAno	6ºAno	7ºAno	8ºAno	9ºAno	1ªS.EM	2ªS.EM	3ªS.EM	0	16.7	0	17.2	9.6999999999999993	16.899999999999999	19.2	16.2	Prof. Albano Alves Pereira (Palmares)	
4º/5ºAno	6ºAno	7ºAno	8ºAno	9ºAno	1ªS.EM	2ªS.EM	3ªS.EM	0	5.4	10.3	14.8	28.6	31.5	20	18.899999999999999	
Quantidade	
Outros	Ciclomotor	Micro-ônibus	Ônibus	Trator de rodas	Motoneta	Utilitários	Camioneta	Semi-reboque	Caminhão trator	Caminhão	Reboque	Motocicleta	Caminhonete	Automóvel	13	1	18	20	26	39	65	112	115	156	203	280	335	447	1710	
Masc.	[CELLRANGE]
[CELLRANGE]
[CELLRANGE]
[CELLRANGE]
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[CELLRANGE]
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[CELLRANGE]
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[CELLRANGE]
 0 a 4 	 5 a 9 	 10 a 14 	 15 a 19 	 20 a 24 	 25 a 29 	 30 a 34 	 35 a 39 	 40 a 44 	 45 a 49 	 50 a 54 	 55 a 59 	 60 a 64 	 65 a 69 	 70 a 74 	 75 a 79 	 80 ou +	-118	-137	-143	-154	-177	-150	-143	-145	-138	-116	-114	-131	-117	-97	-75	-45	-38	118	137	143	154	177	150	143	145	138	116	114	131	117	97	75	45	38	Fem.	
 0 a 4 	 5 a 9 	 10 a 14 	 15 a 19 	 20 a 24 	 25 a 29 	 30 a 34 	 35 a 39 	 40 a 44 	 45 a 49 	 50 a 54 	 55 a 59 	 60 a 64 	 65 a 69 	 70 a 74 	 75 a 79	 	 80 ou +	120	125	113	121	144	150	142	148	148	127	130	149	145	90	64	52	73	
(%)	
Não usa aplicativo. Prefere o atendimento presencial	Está adaptando as novas tecnologias digitais	0.7	0.3	
(%)	
Não sabe	 Ainda há Mercado	 As chancessão reduzidas	0.1	0.05	0.85	
(%)	
Não sabe	Influenciado pelas más companhias	Cresceu a falta de respeito	Os antigos valores se perderam	O celular prejudicou o convívio social	0.15	0.05	0.2	0.35	0.45	
(%)	
Não sabe	NÃO. Tratamento normal.	SIM. Ainda exist	e o preconceito.	0.1	0.35	0.55000000000000004	
(%)	
Não Respondeu	SATISFEITO. Não tem do que reclamar.	INSATISFEITO. Há muito o que fazer.	0.1	0.15	0.75	
(%)	
Não respondeu	Poderia agregar mais gente	Integrar-se na comunidade	O ambiente é acolhedor	Participar das festas/bailes	Há troca de experiências	Eleva a nossa autoestima	Constrói-se novas amizades	Ter a oportunidade de viajar	0.1	0.05	0.05	0.15	0.15	0.2	0.3	0.35	0.4	
(%)	
Faz academia	Anda de bicicleta	Faz Pilates	Faz caminhadas	Não consome frituras	Não toma refrigerante	Usa protetor solar	Mede a glicose	Não bebe álcool	Vai ao dentista	Bebe muita água	Utiliza remédios 	Não fuma	Mede a pressão	Vai ao médico	0.2	0.25	0.3	0.5	0.5	0.7	0.7	0.75	0.8	0.9	0.95	0.95	1	1	1	
(%)	[VALOR]
Sair para tomar chimarrão 	Ir a jogos de futebol	Ir ao cinema	Ir ao Shopping Center	Almoçar/jantar fora	Participar de bingos	Cuidar da horta/jardim	Ir à praia	Ir à igreja	Dançar nas festas/bailões	Fazer viagens	Visitar amigos/familiares	0.15	0.2	0.2	0.45	0.55000000000000004	0.	6	0.6	0.8	0.9	0.95	0.95	1	
(%)	
Ler livros	Acessar o computador	Ler jornal	Participar de rede social	Ouvir rádio	Assistir TV	0.3	0.3	0.35	0.5	0.7	1	
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image1.pngpara as origens ancestrais dos povos capivarienses:
As etnias predominantes são italianos, espanhóis, alemães, negros e principalmente portugueses. A tradição açoriana foi marcada através do linguajar, das lidas domésticas, gastronomia, crenças religiosas, ditos populares, festas, danças e agricultura.
O evento da cidade conhecido como a “Saga de Giuseppe Garibaldi” traz turistas para acompanhar a encenação teatral no espaço Parque de Eventos, onde o personagem e as suas tropas, no ano de 1839, passaram pelo Rio Capivari, para depois seguirem a rota do município de Laguna, em Santa Catarina. 
Aqui destacamos dois ilustres moradores que eram cidadãos comuns, sem representação política na época, que lutaram em defesa dos interesses da comunidade, para tornar a cidade emancipatória e atrativa para novas famílias e empresas a se instalaram aqui, para fazer com que o município crescesse economicamente e enraizasse uma cultural local, como por exemplo, no cultivo de arroz.
Esta mobilização social que eles propunham, com o apoio da comunidade, em tomar decisões coletivas, para tornar este distrito, até então pertencente a Palmares do Sul, em um território com sua própria identidade. 
Acreditando que a tendência de crescimento era possível, já que sua localidade ligava quatro pontos estratégicos que ligavam as praias do Balneário Pinhal/Cidreira/Quintão (ao norte), os municípios de Viamão e Porto Alegre (ao Sul), os municípios de Palmares a São José do Norte (ao Leste) e a cidade de Osório (ao Oeste).
E essa amizade construída na vizinhança era muito sólida como se fosse de dois irmãos, era de anos, tanto é que eles se comunicavam com os apelidos de Anapinho e Alemão, ambos falecidos recentemente, mas que deixaram o seu legado ao povo capivariense.
Anapio Bernardes Marques, tinha o mesmo nome do seu pai, que possuía uma imensa propriedade de terras, em que atualmente situa-se o atual Parque de eventos Abrahão Nunes e o maior bairro da cidade, o Jardim Formoso, onde a paisagem era praticamente de árvores de eucaliptos.
Para haver desenvolvimento na cidade era necessário urbanizá-la, para que se viesse com maior rapidez a infraestrutura, como a pavimentação e o convite para pequenos, médios e grandes empresários, para instalar-se nessa região, onde propiciaria o crescimento econômico.	Então, em conversa com seus familiares, convenceu que esses hectares não ocupados seriam loteados, em uma base de 1100, conforme relato do mesmo em entrevista concedida ao canal do Facebook do Carlos Pajares, em que a compra foi significativa por parte dos interessados, pois os valores eram acessíveis para os chefes de família construírem as suas casas ou pontos comerciais.
O Sr. Anápio, após conseguir o aval de legalização de venda dos lotes pela prefeitura, ele sabia que uma parte desta área seria concedida ao município, ou seja, ficaria reservada a construção de um parque, já que conforme o plano diretor municipal necessitava criar um espaço de lazer a população e também seria útil para realizar o intercâmbio entre cidades através da divulgação de seus produtos oriundos do agronegócio.
No início, as ruas do novo bairro se misturavam com as do parque e para que se achassem a localização delas era preciso numerá-las em ordem crescente ou alfabética, onde na época, um representante da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica), sugeriu ao corretor que começasse a nomeá-las.
Figura 2: Antes de construírem o Parque de eventos as ruas faziam parte dele
 Fonte: https://jplitoral.com.br/16a-expofeira-de-capivari-do-sul-inicia-nesta-quinta-feira, 2024.
No momento em as equipes da concessionária de energia estavam colocando os postes de luz, apareceu na conversa o nome da Itália, pois este funcionário havia viajado à Europa e visitou este país, porém o Sr. Anápio, considerou a sua ideia válida, mas o indagou: “não poderia ter colocado o nome da avenida de Avenida Brasil”, no aspecto de valorizar o que é nosso.
Logo, todas as ruas tiveram o nome de países europeus, com exceção da Avenida Brasil, Rua Estados Unidos e Rua Canadá.
Quando o novo bairro começou a ter a sua paisagem modificada para o uso urbano, o dono do loteamento pensou em dar o nome a ele, em que pensou primeiramente em “Jardim dos Eucaliptos”, já que era abundante neste território, mas preferiu optar pelo nome de “Jardim Formoso”, pois consultou no dicionário da internet e o seu significado refletiu bem a sua concepção, como o extraído do site: https://dicionario.priberam.org/Formoso/, que define:
 
 Formoso (adj.)
 1.De formas ou feições agradáveis.
 2. Perfeito, deleitoso.
 3.Que soa bem, harmonioso.
Conforme a Lei Municipal nº 836, de 21/01/2014, foi sancionada pelo prefeito e aprovado pela Câmara de Vereadores, que dispõe sobre a consolidação das leis que denominam vias e logradouros públicos.
Sendo assim, as ruas do Jardim Formoso, passaram a ter mudanças em seus logradouros: a Rua 2 corresponde a Rua Escócia, a Rua C é a atual Rua Bélgica e assim por diante. 
Paralelamente a este processo de venda de terrenos, o seu amigo Claudio Roberto Girardi Alves, conhecido como alemão, mobilizou cerca de 1800 moradores de Palmares do Sul, para que transferisse o título de eleitor para Capivari, pois aumentando a população impactava o número de representantes políticos na Câmara de Vereadores.
A força da comunidade na época foi importante para essa conquista, mas não pode se esquecer do trabalho ferrenho do político Sergio Irineu Marocco, que foi o presidente da Comissão de Emancipação, que a partir de muitas tratativas, obteve êxito, já que em 28 de dezembro de 1995, foi aprovada a Lei Estadual nº 10.634, que desmembrava o distrito de Palmares para o atual município de Capivari do Sul.
Pela luta e conquista pela emancipação da cidade, ele se elegeu como o primeiro prefeito desta cidade, de 1997 a 2000, o que deu a vitrine para atuar como vice-prefeito, em 2020, no município de Tapes, já que apresentava experiência em outras áreas de atuação como, no Instituto Rio-grandense do Arroz - IRGA, em 1995, onde atuou como presidente.
Com o falecimento do Sr. Girardi, em 2023, em homenagem a sua participação política como vereador em dois mandatos, bem como administrador por mais de quatro décadas da Lancheria do Alemão, o seu nome está grafado abaixo do nome da Prefeitura.
4. Clima
O clima de Capivari do Sul é subtropical úmido, caracterizado por chuvas bem distribuídas ao longo do ano, temperaturas amenas e alta umidade relativa do ar. As estações são bem definidas, com verões quentes e invernos mais frios, embora sem ocorrência de neve. 
Assim como grande parte das cidades do Rio Grande do Sul, Capivari do Sul sofreu prejuízos com a alta incidência de chuvas, no ano passado, onde segundo o levantamento realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER/RS-Ascar) e da Secretaria Municipal de Ordenamento Rural houve o prejuízo estimado em 30 milhões na agricultura, o que levou o prefeito da cidade decretar situação de emergência.
Esta informação acima, foi divulgada na imprensa, especificamente aqui, no site https://daprainews.com.br em 10/05/2024, afirmando ainda que, no período de 27 de abril e 5 de maio, o mesmo órgão registrou o volume acumulado de 480 milímetros, que foi muito além do previsto para o mês, o que levou a saída de algumas famílias quilombolas da Costa da Lagoa, no distrito da Santa Rosa. 
Figura 3: Mapa climático do município de Capivari do Sul 
 Fonte: https://www.climatempo.com.br/climatologia/5373/capivaridosul-rs, 2024.
5. Educação
Em entrevista realizada com a professora Vera Armesto ela fez toda a narrativa sobre o crescimento do município e também como moradora, ela também contribuiu para o seu desenvolvimento, a partir dos seus ideais de compromisso efetivo para a sua comunidade.
Quando se instalou, no distrito da Santa Rosa, com apenas um ano de idade, naquela época todas as ruaseram de chão batido, bem diferente aos tempos de hoje, em que apenas duas estão não estão pavimentadas.
Lembra, que antigamente, era um local pouco habitado, isso nos anos de 1956, onde o ponto de referência era a casa da sede e que tinham em sua volta alguns engenhos e pequenas famílias instaladas.
O surgimento da primeira escola, nesse espaço rural, partiu-se de uma iniciativa do até então Governador Leonel Brizola, que em sua gestão de 1959 e 1963, em que oportunizou as famílias residentes destas localidades interioranas do estado, a ter o acesso à escola, não favorecendo apenas as crianças que moram na capital.
Criou-se as chamadas escolas “brizoletas”, que foi o expoente dos primeiros avanços educacionais no Rio Grande do Sul, o que gerou o aumento na contratação de professores e também no número de matrículas.
As escolas tinham a aparência arquitetônica padrão, feitas de madeira e para acomodar o alunado dispunha de uma ou duas salas de aulas e, esse modelo de instituição de ensino foi construída na Fazenda Télbio.
Figura 4: Representação de um modelo de escola da década de 1960: a brizoleta 
Fonte: https://www.facebook.com/BrizolaEterno/posts/brizoletas-a-campanha-pela-alfabetizao-no-rio-grande-do-sul-na-decada-de-1960/
Segundo, relato da entrevistada, com a transição do distrito de Capivari, pertencente anteriormente ao município de Osório, em 1980, para Palmares do Sul, em 1982, houve o acréscimo, mesmo de forma lenta da sua população, que cresceu de forma significa com o processo de emancipação, em 1995, onde a cidade aumentou a demanda e precisou melhorar a sua infraestrutura em diversos setores como a educação.
Só para ter uma ideia, foi somente com a implementação do Decreto Municipal n.º 1460, de 19 de março de 1979, que oficializou, em 1951, o efetivo início do funcionamento da Escola Municipal de 1.º Grau Incompleto Dr. Mário de Azevedo Silveira.
Hoje este estabelecimento de ensino é denominado como Escola Municipal de Ensino Fundamental Télbio Farias Cardoso, desde 29/10/2012, segundo Decreto Municipal n.º 28, expedido pela Prefeitura Municipal de Capivari do Sul e aprovado pelo Conselho Municipal de Educação.
A Tia Vera, como é conhecida aqui, é uma cidadã capivariense que tem muitas estórias para contar, já que sempre esteve de alguma forma, dialogando com os moradores locais sobre o que poderíamos fazer para tornar a nossa cidade mais justa, mais participativa e de boa qualidade de vida.
Figura 5: Tia Vera narra a sua experiência na escola desde a sua infância
 Fonte: Acervo EduCampo/UFRGS, 2025
Como docente, trabalhou por 25 anos, até se aposentar e acompanhou a conquista realizada pelos pais da escola Télbio, no Distrito da Santa Rosa, que reivindicavam o maior número de vagas e opções de turnos para o funcionamento da escola, já que os moradores dessa região não tinham com que deixar os seus filhos durante a sua ausência.
Atualmente, das 4 escolas existentes em Capivari do Sul, 3 oferecem o Ensino Fundamental que são: Capivari (municipal), Arthur da Costa e Silva (estadual) e Telbio Farias Cardoso (municipal), esta última localizada na Santa Rosa, que é também classificada pelo Estado de ser quilombola. 
	Nesta cidade não há creches, mas mesmo assim a Escola Municipal de Educação Infantil Mundo Encantado, oferece vagas para crianças a partir de 5 meses, só que nem sempre estão disponíveis para o turno integral, o que leva alguns pais a ter que pagar terceiros para cuidar dos seus filhos, pois trabalham o dia inteiro.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Capivari, localiza-se na área central e oferece vagas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
 Ela é considerada a maior escola da rede municipal de Capivari do Sul, pois abrange a maior parte das crianças e adolescentes do seu território, onde em números absolutos atende 420 alunos e, além disso, destaca-se por ser um local de referência educativa e comunitária.
A escola apresenta um perfil diversificado ao alunado, com ampla presença de crianças oriundas de contextos rurais e urbanos, o que demanda práticas pedagógicas integradoras e sensíveis à realidade local. 
Seu funcionamento ocorre em dois turnos (manhã e tarde), sendo também utilizada para atividades de contraturno escolar, como oficinas e projetos educativos, ainda que de forma limitada.
De acordo com Callegari (2021), a escola pública contemporânea, especialmente em territórios periféricos e rurais, enfrenta o desafio de equilibrar o currículo formal com a valorização dos saberes locais e das vivências territoriais dos alunos.
 Nesse sentido, a E.M.E.F. Capivari constitui um espaço estratégico para promover a articulação entre conhecimento escolar e experiências comunitárias.
Silva (2020) também ressalta a importância de compreender a escola como um território educativo em constante diálogo com os outros espaços vividos pelas crianças, reconhecendo o papel da escuta, do cuidado e da valorização dos vínculos comunitários.
Assim, a EMEF Capivari é não apenas um local de ensino, mas um território onde se cruzam identidades, culturas e trajetórias formativas. 
A articulação com o projeto do Inventário Territorial possibilita à escola reconhecer e fortalecer os laços entre educação formal e as vivências cotidianas das juventudes.
 Figura 6: E.M.E.F Capivari é a única que oferece o Ensino Fundamental completo
 Fonte: Messa, Luiz Claudio, 2025.
Segundo o site https://cidades.gov.br, os indicadores recentes do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – divulgados para o ano de 2023, para Capivari do Sul, apresentaram o padrão de qualidade desejável, tanto para os anos iniciais, que foi 6,6; como para os anos finais, 6,1;tantos os anos iniciais (6,6), como nos anos finais (6,1), das escolas que oferecem o do Ensino Fundamental na rede pública de ensino, que são avaliados anualmente pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
	Estes resultados são bem opostos, comparado a média geral do IDEB estadual, onde tanto nos anos iniciais, como os finais, não atingiram a meta desejada no desempenho escolar do ensino público, que foi de 5,8 e 4,7; respectivamente, segundo o IBGE.
	Em termos de escolas, o município está bem servido no padrão de qualidade do ensino, tanto na esfera municipal, como na estadual, onde dois fatos relevantes, que por si só já demonstram que a educação direciona para o caminho certo.
	No Instagram escolarthur foi postado a matéria, em vídeo, de uma notícia divulgada no jornal da RBS TV, este ano, sobre as escolas do estado, que apresentaram os melhores desempenhos no IDEB, para os anos finais, em que foi atingida a marca de 6.8 em seu escore.
A equipe da produção da emissora visitou este espaço escolar e conversou com pais, professores e diretores sobre as possíveis razões para este sucesso no ensino-aprendizagem.
Uma das medidas que foram importantes para a qualidade do ensino é que, nesta escola de 280 alunos, o discente deve deixar o celular guardado em uma caixinha, sob a guarda do funcionário ou poderá ser utilizado em sala de aula, caso algum docente proponha uma atividade em que é necessário o seu uso.
 Figura 7: Escola Estadual Arthur da Costa e Silva: inicia o turno integral em 2025
 
 Fonte: Messa, Luiz Claudio, 2025.
Também foi importante o relato das professoras, que isto é um processo longo a ser percorrido, embora os indicadores sejam bons, ainda há falta de estrutura para implantação do ensino integral, o número de computadores por aluno ainda é insuficiente e há necessidade com urgência de um ginásio coberto, já que as aulas de Educação Física são realizadas no terreno improvisado ao lado, cedido pela prefeitura.
	Em relação a esfera municipal, os professores da UFRGS conheceram a infraestrutura da E.M.E.F. Capivari e aprovaram os seus recursos, que ela dispõe e, a partir da aprovação do prefeito da cidade, foi cedido este local para a implantação do Curso de Licenciatura em Educação do Campo.
Figura 8: Gráfico ComparativoTaxa de Distorção Idade /Série das escolas de ensino médio Arthur da Costa e Silva e Professor Albano Alves Pereira 
 Fonte: Construído por Messa, Luiz Claudio, 2024.
6. Espaços não escolares
	
Sabe-se antemão que por si só a escola não é a única encarregada pela educação das crianças, jovens e adultos, há outras instituições que são importantes também para o crescimento e a formação do caráter do indivíduo, sendo que algumas delas poderão influenciar positivamente no desempenho escolar, como veremos a seguir.
São abrangidos alguns exemplos de espaços não escolares disponíveis na cidade, onde foram realizadas entrevistas com os seus responsáveis por esta iniciativa, em trazer a cultura e o esporte ao cidadão capivariense.
A aluna do curso Decampo/UFRGS núcleo Capivari, Karoline Bonacheski Teixeira, acompanhou o trabalho de dois instrutores que dão aula de futebol de forma gratuita para crianças e jovens de 05 a 16 anos, que fazem parte deste projeto, que existe desde 1996, em que o seu fundador o vereador Manoel Itamar, conhecido pelos moradores como “Seu Barriga”, que encontrou uma alternativa saudável e prazerosa de trazer esses indivíduos a prática do esporte, evitando assim qualquer tipo de vulnerabilidade social.
Para realizar este projeto social voltada ao esporte, ele recebe verbas públicas direcionadas a Associação Desportiva Capivariense e, ele também é responsável pelos torneios de futebol de campo e salão, tanto para os homens, como para as mulheres na Liga Serramar de Futebol, em que as empresas locais ajudam a patrocinar as equipes que participam do torneio, o que torna o evento valorizado e de grande mobilização da comunidade em assistir os jogos.
Há quem diga que, às vezes, o instrutor é rígido demais e para o treino até acertar a jogada certa, uns pensam em meritocracia, o que não se pode avaliar com precisão, mas é visível que essa ação social influenciou gradativamente no comportamento dos alunos, em que antes tinham autoestima baixo ou se envolviam em brigas frequentes.
 Figura 9: A Associação Desportiva Capivariense auxilia na “escolinha”
 
 Fonte: Bonacheski, Karoline 2024.
Assim como as aulas ministradas por estes instrutores são realizadas em turno inverso escolar, tanto para os meninos como para as meninas, o projeto da capoeira segue a mesma lógica, só que a grande vantagem comparada a anterior, é que nesta oficina não se separam por faixas etárias, tampouco por sexo, todos participam ao mesmo tempo, interagindo com o mestre e já proporciona aos praticantes a noção da inclusão.
Os integrantes da oficina sentem-se livres, sem ter aquele rigor que acontece nas escolas tradicionais, que classificam o aluno como aprovado, reprovado ou evadido, por exemplo.
Não há também o constrangimento de um aluno ter uma idade bem superior ao seu tempo escolar, que deveria estudar, a chamada distorção ano/série, assim como neste espaço escolar o aprendizado pode partir diretamente da prática, sem a necessidade de uma ampla teoria.
Inclusive a própria filha de uma das alunas, Kleide Ferreira da Silva, da Decampo/UFRGS, que participa deste projeto, onde juntamente com a colega de curso Rosa Maria Martins, gravaram com êxtase a sua participação em vídeo, bem como dos demais integrantes, mostrando que a capoeira é uma arte brasileira, que rompe fronteiras e, hoje é reconhecida pela UNESCO, pois une todas as raças, todas etnias.
Figura 10: Oficina de capoeira: dança, arte marcial, música e tradições afro-brasileiras
 
Fonte: Silva, Kleide, 2024.
 Em oposição a estes grupos de crianças e jovens, foi visitado uma instituição, que tem como principal objetivo acolher os moradores mais experientes do município.
Neste levantamento, os entrevistadores foram os universitários da UFRGS: Clarissa Steinntz da Silva, Cristina Pivetta Nardo do Prado, Joel Marciano Rocha do Prado e Luiz Claudio Caceres Messa, onde visitaram a AAPICS – Associação de Aposentados Pensionistas Idosos de Capivari do Sul.
A ex-professora do município, Vera Armesto, sempre pensa em trocar a presidência para outra pessoa, só que os seus membros não veem alguém que possa substituí-la com maestria, pois é uma ótima gestora que propicia lazer e acolhimento ao público idoso, que graças a esta entidade a sua vida mudou para melhor.
Ele se sente hoje mais útil, ele vê que tem os mesmos direitos dos mais jovens em conhecer lugares novos, nunca antes visitados, pois ocupou muito tempo em cuidar dos filhos e netos, durante a sua trajetória de vida.
É uma casa, é uma família, é uma roda de amigos, enfim é um local, onde as viúvas não se sentem sozinhas, elas conversam, trocam experiências com demais integrantes, onde cada um respeita o seu tempo e espaço valorizando assim a sua existência.
O espírito de rejuvenescer da AAPICS já resume no depoimento de uma das associadas: “os bailes proporcionados por esta instituição nos fortalecem, fazem bem a saúde e, é um vidro de remédio a menos para ser tomado”.
Mais adiante, será apresentado um detalhamento maior de como surgiu esta associação, qual é o sentimento dos participantes em frequentar esse “lar de idosos”, bem como suas percepções em relações ao local em que vive.
 
 Figura 11: Os membros da AAPICS em viagem para Nova Petrópolis/RS
 
 Fonte: Acervo AAPICS, 2024.
A educação contemporânea é reconhecida como um processo contínuo, interconectado e que se estende muito além dos limites da escola. 
Estes espaços familiares, públicos, comunitários e digitais desempenham um papel insubstituível na formação integral da criança e contribuem também para o processo do retorno a valorização e autoestima do público idoso, que agora tem a oportunidade de realizar projetos antigos, em que muitos foram cancelados no passado, seja por envolvimento familiar ou trabalhista.
Por isso, esses ambientes são essenciais, já que favorecem o desenvolvimento de competências cognitivas, sociais, emocionais e motoras.
7. Comunidade Costa da Lagoa
Esta comunidade dista 10,1 Km do centro de Capivari do Sul e ela é conhecida como o Quilombo da Santa Rosa.
É um dos principais pontos turísticos da cidade, onde visitantes vindos de diversas localidades querem usufruir da linda paisagem a beira do Rio Capivari, de grande extensão, que limita até o município de Palmares do Sul e que desemboca na Laguna dos Patos.
	Segundo o casal de moradores quilombolas Fabiano e Duana Santos, a tonalidade da cor da lagoa não é mais a mesma, comparado a tempos atrás, o que pode ser explicado pela poluição dos produtos químicos jogados na água pelos grandes agricultores da região.
	Além de afetar a biodiversidade local pode comprometer no futuro dos povos ribeirinhos, que vivem da pesca para a sua sobrevivência e, por isso é importante uma maior fiscalização das autoridades em monitorar essa área ambiental, para que os próprios visitantes aprendam a respeitar e cuidar desse espaço natural que não é seu, pertence a todos.
	Por isso é importante o relato dessas pessoas, que fazem parte do Curso de Licenciatura de Educação do Campo da UFRGS, porque esses dados não se encontram nos livros didáticos, são reais e precisam ser divulgados para ter um olhar mais atento dos órgãos competentes.
 
 Figura 12: A tradicional festa de Navegantes realizada na Costa da Lagoa
 
 Fonte: Santos, Duana, 2024.
8. Parque de eventos Abrahão Nunes
	A época mais aguardada pelos moradores é quando se realiza o evento bienal Expofeira, que é considerado a maior feira de expositores agrícolas, pecuaristas e prestadores de serviços do Litoral Norte.
O único hotel disponível na cidade, o Vô Telmo, tem a sua reserva esgotada poucos dias antes do início da feira e, o turismo e a economia crescem exponencialmente, dando maior visibilidade a cidade de Capivari do Sul, para quem não a conhece.
Artistas renomeados como Michel Teló, Raça Negra, Marcos e Belutti, entre outros fizeram shows memoráveis, ondeos frequentadores curtiam também os bailões programados nos outros dias, onde predominavam as músicas de estilo vanerão.
Nestes anos em que não há a Expofeira, são realizados, em períodos estratégicos, o rodeio da cidade, em que o Piquete Tradições Gaúchas de Capivari do Sul, organiza o evento e patrocina competições de laço campeiro, trazendo tradicionalistas vindo de diversas querências do estado, para competir e trocar experiências com demais famílias.
 Figura 13: O parque de eventos transforma-se em uma cidade no período da Expofeira
 
 Fonte: Cardoso, Josiele, 2025.
9. Rancho do Capivari
Outro marco histórico-cultural que a cidade oferece aos turistas é o incentivo da Prefeitura Municipal de Capivari do Sul, em preservar a memória de Vítor Mateus Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha, compositor da música atemporal “Querência Amada”, que é considerado o hino informal para cultura dos povos do Rio Grande do Sul, que foi morador desta região, onde compôs e gravou outras músicas de grande sucesso, ao lado da sua esposa Mary, em uma união conjugal de 22 anos.
Este espaço “Teixeirinha”, onde ainda se encontra a sua casa de tijolo a vista, está sendo construído em seu território, novas instalações para realização dos próximos rodeios na cidade, pois além de representar bem as tradições gaúchas, evita que os longos bailes que são realizados próximo ao centro, não perturbem o sono dos habitantes que trabalham durante o dia.
Figura 14: Alunos e docentes da turma da EduCampo/UFRGS visitaram a casa
 (ao fundo da foto) onde residia o músico Teixeirinha
 Fonte: Acervo EduCampo/UFRGS – núcleo Capivari, 2024.
10. Religiosidade
Capivari do Sul é o município que apresenta grande diversidade de religiões, que apesar de ser um local de pequeno porte, se encontra fiéis e simpatizantes, também vindos de outras localidades, para frequentar uma destas sete igrejas existentes como: Praça Igreja São Jorge, Salão das Testemunha de Jeová, Igreja Assembléia de Deus, Igreja Deus é Amor, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Congressão Cristã do Brasil e a Igreja Universal do Reino de Deus.
	A festa de São Jorge, o santo padroeiro, é considerado o evento religioso principal da cidade, onde o Padre Celito Manganelli, que atua dois anos neste templo religioso, prega o espírito anti-etnocêntrico, isto é, no dia da procissão, participam também os membros da religião de matriz africana, em que o santo é denominado Ogum e, todos respeitam as crenças, as místicas, as culturas de cada uma delas e exercem o ato ecumênico em harmonia.
	Outra informação valiosa informada pelo pároco em entrevista é que a data real da festa do padroeiro da cidade é 23 de abril, mas a missa é realizada no 1.º domingo de agosto, já que é o término da colheita e os agricultores estão liberados para participar deste ato religioso.
 Figura 15: Os fiéis fazem a festa de São Jorge no entorno da igreja
 
 
 Fonte: Messa, Luiz Claudio, 2024.
	
Destacava-se também a fé dos devotos de Santa Terezinha e simpatizantes da cidade, só que pós-pandemia da COVID-19, não se via mais aquela mobilização da comunidade em pagar promessa para ela, onde dezenas de pessoas, reuniam-se em frente a prefeitura para caminhar cerca de 23,8 Km, no turno da noite, até chegar a sua estátua, no Santuário, localizada no distrito de Passinhos, em Osório.
Este movimento começou a perder força, pois alguns desistiram de participar alegando o medo de assaltos ou possíveis acidentes de trânsito durante o percurso, já outros moradores atribuíram os motivos da baixa adesão pela falta de fé das pessoas ou até a preguiça de caminhar.
	O padre desmentiu estes boatos que surgiram na época e informou que os moradores mais experientes não teriam mais condições de caminhar longas distâncias, pensou-se então em fazer a comemoração na própria missa da igreja, onde teria acesso a todos os interessados.
 
 Figura 16: Devotos caminhavam 5 horas de Capivari do Sul até o Santuário 
de Santa Terezinha
 
 Fonte: https://www.google.com/maps/place/Santu%C3%A1rio+de+Santa+Terezinha, 2024.
Em especial no verão, visitantes usufruem da prainha da santinha, que é de água doce, limpa e de vento forte, mesmo não possuindo banheiro e local para alimentação, as famílias costumam passar o dia.
É uma extensão da Lagoa dos Barros, sentido Osório-Santo Antônio da Patrulha, que segundo a lenda dizia que navios afundavam ao tentarem navegar por essas águas, devido a maldição de uma noiva que foi assassinada, em 1940, pelo próprio namorado e há histórias que à noite, pessoas presenciaram a imagem desta mulher perambulando próxima a sua margem.
11. Comunicação
Capivari do Sul quanto ao acesso a informação está muito bem servida, pois há o “Jornal Integração”, que é distribuído em vários estabelecimentos públicos e privados, de acesso gratuito aos seus habitantes e também as notícias do momento poderão ser visualizadas também em seu endereço eletrônico https://integracaonoticias.com.br e os fatos acontecidos no município vizinho, Palmares do Sul, também são acrescidos com o mesmo grau de importância.
Destaca-se o trabalho do radialista Ronaldo Bitencourt da Silva, que quando aparece fala seus famosos bordões “Bom diaaaa” e “Opaa opaa” seja no facebook ou no canal do You Tube, ele contribui para divulgar em entrevistas com políticos, microempresários, professores e profissionais de outras áreas, para mostrar o quanto essas pessoas fazem esta cidade crescer.
De manhã cedo, enquanto ele apresenta o programa ao vivo no facebook, há informação em tempo real do clima e o movimento do trânsito no cruzamento das rodovias ERS 040 e RSC 101 e, infelizmente pode-se dizer que esse trecho é o epicentro dos acidentes na cidade, registrados em câmeras de segurança em tempo real, causado pela constante imprudência dos motoristas de outras localidades que não respeitam as placas de sinalização nos cruzamentos.
 Figura 17: Entretenimento, interação e informação diária com seu público 
 local e seguidores é a proposta do radialista Ronaldo “Opaa Opaa”
 
 Fonte: https://m.facebook.com>Ronaldo Opaa Opaa, 2024.
12. Os moradores, a infraestrutura e os serviços
	
Este município apresenta as características interioranas, onde todos se conhecem, muitos trocam gentilezas e informações sobre algo que está precisando no momento, como por exemplo, alguém que precisa ter o acesso ao número do celular do padre da igreja, o cidadão capivariense diria “Se eu tivesse, informaria, mas sei quem possa lhe dar, fale com a Dona Olinda que mora em uma casa amarela em frente a escola Arthur da Costa e Silva” e, se perguntasse para outra pessoa ela daria a mesma referência.
Enquanto, na parte central encontra-se o comércio geral, bancos, óticas, farmácia, padaria, lojas de pequeno porte, entre outras, além é claro de estar instalado a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, uma ao lado da outra; é na estrada (ERS 040), onde se destaca pela localização estratégica de supermercados, postos de gasolina e restaurantes, onde no período de verão, são muito requisitados pelos motoristas vindos de outras localidades, que se deslocam as praias, alavancando assim a economia da cidade.
 Figura 13: A Prefeitura localiza-se a poucos metros da ERS 040
 
 Fonte: Messa, Luiz Claudio, 2025.
 
O indicador ainda utilizado pelo IBGE, como referência a partir do resultado do IDHM – Índice de desenvolvimento humano municipal, em 2010, já demonstrava que não é à toa, que Capivari do Sul está inserida como uma das 40 cidades do Rio Grande do Sul com melhor qualidade de vida. 
Essas informações foram extraídas a partir de estudos realizados pela PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,que são utilizados como parâmetros a renda (0,805), a longevidade (0,836) e educação (0,668), em que Capivari do Sul apresentou bons escores, tanto é que os gestores municipais, até os dias de hoje investem na área educacional, para buscar atingir o nível máximo de excelência, em que sua última avaliação foi considerada média.
A cidade proporciona visivelmente o cuidado com o meio ambiente, se confrontarmos ao estudo realizado em 2010 e divulgado no site https://cidades.ibge.gov.br, que descreve uma ampla arborização das vias públicas (82,9%) e esgoto sanitário adequado a população (77,4%).
O site https://www.aguaesaneamento.org.br traz resultados mais atuais em relação a forma de abastecimento de água, no município de Capivari do Sul, segundo o Censo 2022, do IBGE, nos diz que aproximadamente cerca de 7 em cada 10 habitantes (73,62%) recebe água potável distribuída pela CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento e os demais utilizam como recursos hídricos os poços artesianos (25,88%) ou cacimbas (0,43%).
Já em relação aos números relativos ao esgoto sanitário, mais da metade da população da cidade (52,79%) apresenta fossa filtro não ligada a rede no domicílio; já uma proporção importante dos moradores (43,92%) tem a fossa filtro ligada a rede geral de casa e há ainda 126 moradores (3,16%), que utilizam ainda a fossa rudimentar, a conhecida patente.
Em relação ao destino do lixo, quase que em sua totalidade é coletado (98,97%) e quem realiza esse serviço é a empresa terceirizada Brisa Transportes, contratada pela prefeitura, onde estes resíduos sólidos são destinados no aterro sanitário do município de Tramandaí.
Como curiosidade encontrada na construção deste inventário foi a quantidade de veículos que a cidade possui em sua frota (3.540), em 2023, que é quase o total de eleitores aptos a votar na última eleição do município (3.774), conforme os dados do TSE.
Figura 14: Gráfico da frota de veículos em Capivari do Sul segundo o IBGE (2023)
 
 Fonte: Construído por Messa, Luiz Claudio, 2024.
Aliado ao índice falado anteriormente, o IDHM (2010) e o salário médio mensal dos trabalhadores formais da cidade, em 2022, pelo IBGE, que é de 2,5 salários mínimos, podem explicar esta relação, aproximada de uma pessoa por veículo, para indivíduos acima de 16 anos. 
 
13. A Territorialidade de Capivari do Sul: uma perspectiva latino-americana
A simples identificação desses locais não é suficiente para compreender a complexidade da territorialização em uma perspectiva latino-americana. 
Se existe uma prática e/ou um pensamento que podemos denominar de latino-americano sobre o território, este não advém das concepções e práticas hegemônicas – que, muitas vezes, reproduzem uma visão eurocêntrica, moderna e colonial de ordenamento espacial.
O verdadeiro entendimento do território precisa considerar os sujeitos subalternizados e seus modos de viver, resistir e organizar o espaço, como ocorre com comunidades tradicionais, povos de matriz africana, populações religiosas diversas e moradores da periferia. Cada um dos pontos identificados revela essas camadas de significados. 
Assim, territorializar neste contexto significa dar visibilidade aos múltiplos sujeitos e práticas locais que compõem o espaço a partir de suas necessidades, saberes, culturas e modos de vida. Trata-se de romper com a lógica única do território funcional, institucional ou “oficial”, e valorizar o território vivido, permeado por afetos, memórias e relações. 
Durante a elaboração do mapeamento de espaços significativos no município de Capivari do Sul, foram identificados pontos estratégicos que revelam dinâmicas de uso, apropriação e vivência do território por diferentes sujeitos sociais.
 Dentre esses espaços, destacam-se:
Centro Comunitário: Rua Otaviano de Oliveira Nunes 
Parque de Eventos Abrahão Nunes: Rua Portugal, 108-118
Igreja Católica (São Jorge): Rua Jorge Dariva, 97
Espaço Viver Bem: Rua 20 de Setembro, 300
Campo de Futebol Municipal Dirceu Magni: Rua Escócia
Igreja Universal do Reino de Deus: Rua José Bueno da Silva, 60
Igreja Evangélica Assembleia de Deus: Av. Adrião Monteiro, 141 
Pai Diego d'Ogum – Consultas Espirituais (Umbanda): Rua 20 de Abril, 510 (Distrito da Santa Rosa)
A localização desses pontos nos convida a ir além da topografia e a reconhecer a dinâmica de apropriação e significação do espaço por diferentes grupos.
 Eles são microterritórios de resistência, de convivência, de celebração e de luta, que, juntos, compõem a complexa tapeçaria da territorialidade local, dialogando com a necessidade de valorizar as práticas e pensamentos que emergem dos "espaços-tempos subalternos".
O verdadeiro entendimento do território precisa incluir os sujeitos subalternizados e seus modos de viver, resistir e organizar o espaço, como ocorre com comunidades tradicionais, povos de matriz africana, populações religiosas diversas e moradores da periferia.
 Cada um dos pontos identificados revela essas camadas de significados: o terreiro de Pai Diego d’Ogum, por exemplo, representa a permanência e resistência das culturas afro-brasileiras; o Espaço Viver Bem e o campo municipal são lugares de construção coletiva da saúde e do lazer; as diferentes igrejas apontam a pluralidade espiritual e a presença de redes de apoio comunitário.
Assim, territorializar neste contexto significa dar visibilidade aos múltiplos sujeitos e práticas locais que compõem o espaço a partir de suas necessidades, saberes, culturas e modos de vida. 
Trata-se de romper com a lógica única do território funcional, institucional ou “oficial”, e valorizar o território vivido, permeado por afetos, memórias e relações.
A localização desses pontos, portanto, nos convida a ir além da topografia e a reconhecer a dinâmica de apropriação e significação do espaço por diferentes grupos. 
Eles são microterritórios de resistência, de convivência, de celebração e de luta, que, juntos, compõem a complexa tapeçaria da territorialidade local, dialogando com a necessidade de explicitar e valorizar as práticas e pensamentos que emergem dos "espaços-tempos subalternos" na construção de uma compreensão genuinamente latino-americana do território.
 Figura 15: Mapa da área central de Capivari do Sul: seleção de
 alguns pontos de referência para acesso a moradores e visitantes
 Fonte: Google Maps, Construída por Cardoso, Josiele, 2025.
13.1 Territórios de lazer e formação formal e informal
O Parque de Eventos Abrahão Nunes e o Campo de Futebol Municipal Dirceu Magni são mais do que meros espaços de lazer; são territórios onde crianças e adolescentes aprendem esportes, regras e trabalho em equipe. 
No Parque de Eventos, grupos de crianças menores brincam espontaneamente, criando suas próprias regras. Adolescentes o utilizam para lazer e socialização.
 O Campo de Futebol é vital para o desenvolvimento de habilidades motoras e interações sociais. Esses locais promovem o desenvolvimento de crianças e jovens, permitindo-lhes interagir, resolver problemas e desenvolver habilidades motoras.
A entrevista realizada com o professor Igor revelou aspectos importantes sobre o papel da escolinha de futebol Upgrade como espaço educativo, social e afetivo fora da escola formal.
A escolinha, embora não vinculada a um clube federado, cumpre uma função estratégica na formação integral de crianças e adolescentes no município de Capivari do Sul.
Figura 16: Escolinha Update incentiva a prática do esporte as crianças e adolescentes
 
Fonte: Saldanha, Cristiane, 2025.
O instrutor relata que sua filha de 16 anos participa das atividades da escolinha, o que reforça sua proximidade com a realidade juvenil local. 
Segundo ele, além do treino físico, o espaço proporciona rotinas, disciplina, convivência e acolhimento, em especial no período de férias escolares, quando as crianças e jovens ficammais tempo ociosos.
Essa fala ecoa o que estudiosos como Callegari (2021) e Silva (2020) apontam: os espaços não escolares devem ser reconhecidos como territórios educativos. 
Na escolinha, as crianças desenvolvem competências socioemocionais, aprendem a trabalhar em equipe, respeitar regras, lidar com frustrações e celebrar conquistas. É uma formação que vai muito além da técnica esportiva.
O professor também destacou que o projeto não tem viés competitivo, mas inclusivo. Crianças de diferentes idades e realidades se reúnem para aprender e brincar, o que amplia os horizontes de socialização e pertencimento. Isso demonstra o potencial transformador dos espaços comunitários, como o campo de futebol, que se configura como lugar de encontro, identidade e construção de projetos de vida.
Por fim, a entrevista mostra que, ao contrário da visão tradicional que restringe a aprendizagem à escola, iniciativas como a escolinha de futebol representam respostas locais potentes às necessidades de desenvolvimento das juventudes. Elas ajudam a ocupar o tempo livre de maneira saudável, fortalecem vínculos comunitários e promovem inclusão.
13.2 Territórios de Espiritualidade e Resistência Cultural
A Igreja Católica (São Jorge), a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Evangélica Assembleia de Deus são importantes pontos de religiosidade em Capivari do Sul, oferecendo espaços de fé, catequese e convivência para diferentes grupos. 
Contudo, a presença do terreiro de Pai Diego d'Ogum (Umbanda) no bairro Santa Rosa merece destaque como um território de profunda significação. 
Ele representa a permanência e resistência das culturas afro-brasileiras e das religiões de matriz africana, que muitas vezes são marginalizadas, mas que constituem um espaço vital de afirmação de identidades, práticas espirituais e resistência cultural.
13.3 Comunidades Específicas: Costa da Lagoa e Rancho Capivari
A Comunidade Costa da Lagoa e a área do Rancho Capivari são territórios específicos dentro do município que possivelmente possuem suas próprias dinâmicas sociais, culturais e econômicas. A análise detalhada dessas comunidades contribuiria para uma compreensão mais completa das múltiplas territorialidades presentes em Capivari do Sul, incluindo a relação de seus moradores com o ambiente natural e as atividades ali desenvolvidas.
14. O cotidiano das crianças e jovens capivarienses
A população de Capivari do Sul é composta por diversas faixas etárias e gêneros, com características que refletem as dinâmicas urbanas e rurais do município. Para este inventário, um foco particular recai sobre a caracterização dos grupos de crianças e adolescentes, especialmente em seus momentos fora do ambiente escolar. 
Observa-se uma variedade de grupos categorizados por faixa etária, local de encontro/atividade e características específicas. Por exemplo, crianças menores (5-10 anos) frequentemente brincam na praça do Parque de Eventos, vindas de diferentes bairros, em interações espontâneas e livres. 
Outro grupo importante são as crianças (8-12 anos) que participam da catequese, aprendendo sobre a religião e rituais. Adolescentes, por sua vez, utilizam espaços como a praça da igreja, o campo de futebol e áreas mais afastadas para lazer e socialização.
 A compreensão desses grupos é essencial para entender as territorialidades e as necessidades da juventude local.
 Figura 17: Espaços escolares e de lazer para os jovens de Capivari do Sul
Fonte: https://www.google.com/maps/@-30.1460707,-50.5135398,618m/data=!3m2!1e3!4b1!4m2!6m1!1s1APp5wQ1lebMhlFfyRNuupqiWK_eiq_A?authuser=0&entry=ttu&g_ep=EgoyMDI1MDUyOC4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D, 
Construída por Cardoso, Josiele, 2025.
A vida de crianças e jovens em Capivari do Sul se estende para além dos muros da escola, ocupando e transformando diversos espaços não escolares do município. A pesquisa sobre "O que fazem as crianças e jovens no tempo em que não estão na escola" revela a importância desses locais para o desenvolvimento integral.
Observa-se que crianças e adolescentes utilizam as praças (como a do Parque de Eventos), o campo de futebol, as igrejas e até mesmo áreas mais isoladas para suas atividades de lazer, socialização e aprendizado informal.
Há grupos de crianças menores brincando espontaneamente em parques, criando suas próprias regras e dinâmicas de brincadeiras como correr, pega-pega e esconde-esconde. Crianças mais velhas participam de atividades como catequese, enquanto adolescentes se reúnem em praças, jogam futebol ou praticam outras atividades recreativas.
Esses espaços são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades motoras, a capacidade de interagir com os pares, resolver conflitos e organizar-se de forma autônoma.
 Eles representam territórios de liberdade e criação, onde as crianças e jovens exercem sua cidadania e constroem suas identidades para além das estruturas formais. A compreensão dessas dinâmicas é vital para planejar ações educativas e sociais que dialoguem com a realidade vivida por essa parcela da população.
Como parte da construção do Inventário Territorial, foi realizada uma escuta sensível com estudantes do 4º ano da EMEF Capivari, na qual a pergunta norteadora foi: “O que vocês fazem quando não estão na escola? ”. A partir das respostas espontâneas, foi possível mapear práticas cotidianas, lugares frequentados e interesses que compõem o cotidiano das infâncias no município.
As crianças citaram atividades diversas, que podem ser agrupadas nos seguintes territórios de vivência:
a) Espaços de lazer e brincadeiras ao ar livre
Muitos alunos relataram que, ao sair da escola, costumam brincar na rua, nas calçadas ou em praças próximas de casa. As brincadeiras mais mencionadas foram: esconde-esconde, pega-pega, andar de bicicleta, jogar bola e correr com os amigos do bairro.
 Esses relatos revelam o valor do brincar livre, fundamental para o desenvolvimento motor, emocional e social, conforme defendem Silva (2020) e Callegari (2021).
b) Ambientes domésticos e familiares
Outra parcela significativa das respostas envolvia estar em casa com familiares. As crianças dizem assistir TV, jogar no celular, ajudar a mãe com tarefas, cuidar dos animais e conviver com irmãos. Esse cenário indica que o lar também é um espaço educativo, onde se desenvolvem valores, vínculos afetivos e senso de responsabilidade.
c) Tecnologia e entretenimento digital
O uso de celulares, tablets e TV apareceu com frequência nas falas dos alunos. Jogar “Free Fire”, ver vídeos no YouTube, usar TikTok e assistir a desenhos animados são atividades comuns entre eles. Isso aponta para a presença marcante da tecnologia nas infâncias, o que requer mediação cuidadosa dos adultos para que esses recursos contribuam positivamente no processo de aprendizagem.
d) Atividades organizadas
Alguns estudantes mencionaram participar de escolinhas de futebol, catequese, ensaios de dança e visitas a familiares no interior. Embora menos frequentes, essas atividades estruturadas demonstram a presença de iniciativas comunitárias que promovem socialização, espiritualidade e expressão corporal.
15. O envelhecimento da população de Capivari do Sul
Vivemos em nosso país, uma realidade que não esperássemos que ocorresse de forma tão rápida, no que diz a respeito ao envelhecimento da população brasileira.
Segundo a análise da estatística Marilene Dias Bandeira, professora da UFRGS, sobre o resultado do último Censo Demográfico (2021), pelo IBGE, observa-se o acelerado fenômeno de envelhecimento populacional, também presente no Rio Grande do Sul, do qual em uma década a população gaúcha, que apresentava a idade mediana de 32,7 anos, em 2010, agora passou a ter 37 anos e estes números tendem a se expandir, ao ponto que estima-se que no ano de 2060, teremos a metade da população gaúcha com até 47 anos e a outra com 48 anos ou mais de idade.
Se fizermos a relação de cada 100 jovens menores do que 15 anos comparado ao número de idosos presentes, verificamos com maior nitidez, a reduçãoda taxa de fertilidade e o aumento da expectativa de vida, pois a razão entre estes dois públicos, nos diz que para cada 100 jovens menor de 15 anos haviam 43 idosos, em 2010; e neste último Censo a razão foi de 100 jovens para cada 75 idosos e estima-se que em 2060, seja de 100 jovens para cada 207 idosos.
A pirâmide etária da população de Capivari do Sul, nos indica que seus habitantes estão envelhecimento também, pois apresenta como característica as suas bases mais estreitas, onde localizam-se os jovens com até 19 anos, que já são apresentam menor número comparado aos indivíduos com idade de 55 a 64 anos.
Nas demais idades, principalmente na faixa etária dos 20 aos 44 anos apresentam um comportamento mais uniforme, isto é, não apresentando o valor discrepante nos dados.
No topo da pirâmide etária, observa-se que as mulheres capivarienses vivem mais que os homens, e esta diferença é maior, principalmente, para quem tem 80 ou mais anos, onde esta razão mulher/homem é aproximadamente ser de 2 para 1.
Figura 18: Construção da pirâmide etária dos moradores de Capivari do Sul
 Fonte: Adaptado os dados do site http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/cnv/popsvsbr.def
No topo da pirâmide etária, apresenta um indicador que as mulheres capivarienses vivem mais que os homens, e esta diferença é observada principalmente para quem tem 80 ou mais anos, onde esta razão mulher/homem é aproximadamente ser de quase de 2 para 1.
Então o cenário atual para nossos governantes, especificamente a Prefeitura, cujo objeto de estudo está dimensionado a este espaço geográfico é continuar incentivando o projeto “Vida Ativa na Terceira Idade”, criado pela AAPICS – Associação Aposentados Pensionistas de Capivari do Sul, que se preocupa com a saúde plena do idoso.
O papel desta instituição não é apenas proporcionar atividades de lazer e recreação, é mais do que isso, é trazer a sua autoestima de volta, demonstrando que ele ainda é importante para nossa comunidade, pelo seu conhecimento e experiência adquiridos ao longo da vida.
Hoje o seu espaço de tempo é maior, ele está livre de obrigações com o cuidado com os filhos e trabalho e por isso deve aproveitar esse momento de autonomia e independência, para resgatar os seus sonhos e projetos de infância, como o incentivo ao retorno dos estudos, conhecer novos lugares, participar de eventos sociais, onde possa criar novos lanços de amizade, ou seja, provar para a sociedade que ele é um cidadão útil, que tem potencial para atualizar-se nessas modernidades do dia-a-dia, ou seja, sem deixar de perder a sua essência, os seus saberes devem ser compartilhados com os mais novos, o que é benéfico para todos os moradores, que tornam-se mais unidos e lutam por uma cidade mais justa e igualitária. 
15.1. Qual é a função social de uma entidade voltada para o idoso como a AAPICS
	Sensação de paz, familiaridade e acolhimento.
É o sentimento de quem visita pela primeira vez neste ambiente, pois observa-se que todos integrantes estão em mesma sintonia, alguns são responsáveis em preparar o café da tarde, outros organizam as mesas e cadeiras para o início das atividades, outros recortam os convites para os eventos de bingos ou bailes futuros, que ocorrerão para arredar fundos para esta instituição.
 Essa “empresa social”, comandada pela Tia Vera, é um exemplo de vida para a sociedade, onde há membros que já demonstram estar reduzida a sua capacidade funcional, seja motora, seja visual, mas estão aqui para compartilhar essas diferenças, porque o tempo de envelhecimento é diferente para cada indivíduo e deve ser respeitado e talvez esse lar seja o refúgio contra o preconceito, que sofrem diariamente, que ainda o ignora e não o reconhece como sujeito multidimensional.
A Sr.ª Vera Armesto, que exerceu o cargo de docente na escolas de Capivari do Sul, por muitos anos, presenciou aquela visão antiga de escola, onde as classes deveriam estar enfileiradas, estreitando a sua aproximação com seu alunado e, com esse seu novo desafio, de atender esse público de maior idade, tão heterogêneo, em suas reuniões periódicas, as cadeiras são dispostas em círculos, facilitando a interação entre os membros o que traz mais dinamismo nas rodas de conversa, ampliando os laços de união e participação do grupo.
Seu trabalho voluntário, incisivo na busca da melhoria da qualidade do idoso, transcende as suas funções como colaboradora, onde passa agir como um Educador Social, uma profissão que é indispensável nos dias de hoje, que embora esteja reconhecida na prática, ela aguarda a sua regulamentação, já que não está cadastrada na CBO - Classificação Brasileira de Ocupações.
Essa pedagogia social que é aplicada nesses encontros com idoso, visa ressaltar a importância da sua existência, afinal ele pode ser protagonista das mudanças estruturais da cidade, não apenas na luta pelos seus direitos sociais, mas que ele aja coletivamente com demais grupos, para tornar o ambiente de moradia mais bonito, mais limpo, mais sustentável; começando por exemplo, na economia da água ou na separação adequada do lixo, em que essas pequenas ações, servirão de modelo para as próximas gerações.
Segundo Pires e Lima (2007, p. 411), uma pedagogia social é necessária, onde o idoso não deve esquivar-se das suas percepções, mas deve situar-se a nova realidade:
[...] que ele seja reconhecido como sujeito de direitos e deveres, como as outras pessoas, e para que ele viva neste mundo, um lugar de ficar dizendo “no meu tempo”, no meu tempo era assim, assado. É importante que o idoso entenda que o passado deve ser incorporado ao presente e não substituir este.
 Figura 19: Alunos da EduCampo/UFRGS visitando a AAPICS
 
 Fonte: Acervo EduCampo/UFRGS, 2024
A AAPICS articular-se em buscar novas parcerias com empresas ou órgãos públicos competentes e além disso, este grupo é importante, pois fornecem indicadores para gestão municipal e futura, que o envelhecimento da população é algo a ser pensado para as próximas gerações, ou seja, deve-se pensar em políticas públicas que atendam essa demanda, a partir de ações e tomadas de decisões, a partir de um olhar gerantológico.
Esses encontros intergeracionais que a AAPICS promove a seus associados vai além da troca de experiências, pois sabe-se que cada indivíduo, ao longo da sua trajetória de vida, desenvolveu-se de forma diferente o seu processo de envelhecimento. Afinal, cada um tem a sua particularidade em seu estilo de vida, mas por outro lado muitos deles, se conhecem deste a época da infância ou juventude, onde estudaram juntos, frequentaram os mesmos bailes, foram colegas de trabalho em algum período, ou seja, é o momento oportuno para esse reencontro.
Neste espaço não escolar existe a hierarquia somente no caráter institucional, cujos representantes majoritários, são a presidente e a vice, pois o ambiente é aberto ao diálogo, todos têm a vez e a voz, onde se respeita a ativez individual de cada um, onde compartilham as suas histórias, sejam alegres ou mesmo tristes, mas o grupo está pronto para acolher. 
Uma das associadas da AAPICS, a Dona Nelma, considera que a cobrança dos 15 reais que paga por mês, que é usado como auxílio no transporte para viagens ou bailes, não é um custo, é um investimento para a sua qualidade de vida, pois evita o sedentarismo, o isolamento, melhora a sua autoestima, proporciona melhoria na sua saúde física e mental e o mais importante de tudo, mostra que este estágio da vida, não é um fim, mas uma etapa de novo aprendizado, em que ela e demais membros têm muito ainda a contribuir para nossa comunidade, como a experiência e sabedoria para passar, em especial aos jovens, em dar tranquilidade e incentivo na escolha de seus projetos de vida.
Um ex-integrante deste grupo, o Seu Estáquio, conhecido como Seu Zé, comemora a manutenção da AAPICS, até os dias de hoje, pois ele acompanhou o surgimento desta ONG, em 11/11/2003, onde participava ao lado de sua esposa, que apóso seu falecimento, desligou definitivamente do grupo.
É muito agradecido a esta instituição por ter proporcionados momentos prazerosos e relaxantes, onde se criou também vínculos de amizade, pelo incentivo a socialização, que trouxe o sentimento de satisfação e bem-estar, para quem visitava o local desde a primeira vez, o que representou uma “experiência única levada pro o resto de sua vida”.
Ele com seus atuais 82 anos, poderia ser um protagonista vivente na história da emancipação da cidade de Capivari do Sul, para poder explanar as nossas crianças e adolescentes que estão na fase escolar, para esclarecê-las do porquê as ruas tem nome dessas pessoas e o que elas fizeram para a cidade.
Por exemplo, o Sr. Abrahão Nunes foi homenageado pelo município de Capivari do Sul, por sua atuação decisiva no processo de emancipação, quando exercia o cargo de vice-prefeito do município de Palmares do Sul, pois sabia da potencialidade do território, do trabalho do seu povo em lutar pela sua identidade própria, de valorizar a sua cultura e ter a sua visibilidade socioeconômica reconhecida de forma independente, por moradores de outras regiões.
E não é só isso, Seu Zé enfatiza, a importância dele para o desenvolvimento do município, pois enquanto o seu filho, cuidava do único mercado existente na época, ele se destacava como produtor rural, e seu trabalho reconhecido trouxe estímulos a outras famílias e empresas a investir no ramo da agricultura, principalmente na produção de arroz.
15.2 O que as entrevistas quantitativas trouxeram sobre a percepção dos idosos sobre a importância da AAPICS para as suas vidas
Para melhor compreender os seus hábitos e preferências deste grupo de idosos, foi entregue aleatoriamente 20 questionários, onde eles deveriam responder questões sobre a sua vida particular, da sua convivência com seus os familiares, amigos e da comunidade, em geral.
 Neste levantamento, procurou-se saber qual é a relação de tratamento da sociedade com o público de maior idade, ou seja, se ele é tratado de forma igual ou há indícios de algum tipo de discriminação ou preconceito vivenciado (ageismo, etarismo ou idadismo).
a) O que está sendo priorizando em sua vida?
Foram propostos 6 temas, que durante a sua trajetória de vida, estes membros da AAPICS, fizeram as devidas escolhas, algumas iniciadas desde o período da sua infância, outros valores surgiram depois, sendo alguns mais influentes do que os outros, que estavam presentes em seu modo de vida.
Então pediu-se a esse público que classificasse as variáveis: Família, Dinheiro, Independência, Lazer, Religião e Saúde, em uma escala de 1 a 6, onde o valor 1, representaria o aspecto que seria o mais importante neste estágio de vida, o valor 2, seria o segundo aspecto mais importante e, assim sucessivamente.
Mas será que estas prioridades têm caráter aleatório ou há possibilidade de existir uma tendência de preferência na classificação destas variáveis ordinais? 
Utilizou-se então o teste estatístico não-paramétrico de Friedman, sugerido por Siegel (2006, p.204) para testar a hipótese inicial (Ho), que não deve haver diferenças significativas, entre as classificações avaliadas pelos entrevistados, a nível de significância de 5%.
Este teste determina se os totais dos postos (indicados por Rj) para cada condição ou variável diferem dos valores que seriam esperados devido ao acaso. 
A estatística do teste é:
Fr = ( ) . ( ) – 3 . N (k+1) , onde
N: número de linhas (sujeitos)
k: número de colunas (variáveis ou condições)
Rj: soma dos postos para j-ésima variável
Para rejeitar-se a hipótese nula (H0), o valor da estatística Fr > Tcalc.(k-1, α) ~ χ2(k-1)
Como dois entrevistados não souberam preencher de forma correta o ranking de prioridades, a amostra reduziu-se para 18, mas o que não influi no resultado da análise, já que o Teste de Friedman é próprio para amostras muito pequenas.
Substituindo os valores na fórmula, obteve-se a estatística Fr =26,96 > Tcalc.(5, 0,05) = 11,07 o que leva a rejeitar H0.
Logo a amostra sugere que os membros da associação de idosos tem uma ordem de preferência em relação aos itens avaliados, que é mostrado no gráfico abaixo a seguir, onde entre parênteses apresenta a média de importância de cada item avaliado.
 Figura 20: Quais são as prioridades dos membros da AAPICS
Fonte: Levantamento de dados. Base: 18 entrevistas. Os valores entre parênteses correspondem
 a média de importância de cada item ordenado em uma escala de 1 a 6.
b) Se o uso de aplicativos no celular está afetando a sua rotina diária
	
Os aplicativos no celular, principalmente, os das instituições financeiras vieram para abreviar o tempo de atendimento aos seus clientes, pois eles não precisam mais se preocupar com o horário para não chegar atrasado ao banco, para efetuar alguma operação, seja transferência, pagamento ou atualização do cadastro.
Outra vantagem é que ele não precisa mais tirar uma senha e aguardar a sua chamada, pois o tempo de espera é bem maior, principalmente quando é período da folha de pagamento das empresas e dos aposentados.
Se isto são fatores de convencimento para que o entrevistado da AAPICS, adere essa nova rotina ele diria que não, assumindo com todas as letras que ainda é um sujeito conservador.
Cada um tem as suas razões para dispensar destas facilidades, embora alguns manifestaram interesse em “se alfabetizar neste mundo digital”, mas para isso ele precisaria de alguém que desse suporte para realizar a sua operação com segurança.
E a segurança é a palavra-chave, que pode explicar o porquê 7 em cada 10 idosos, prefere ir pessoalmente ao banco, mesmo com tempo chuvoso, fazendo muito frio ou calor, pois ele tem receio de perder dinheiro, caso pagasse um boleto de forma equivocada no celular ou ser alvo de possíveis golpes, pois sabe-se que este público é o mais visado pelos estelionatários.
 Figura 21: Percepção dos entrevistados da AAPICS quanto ao uso de
 aplicativos no celular
 
Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas.
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c) Se o mercado de trabalho atual oportuniza vagas para quem tem a faixa de 50 anos ou mais
Por mais que esteja diminuindo a taxa de fertilidade e aumentando a expectativa de vida do brasileiro, os entrevistados da AAPICS acreditam que as empresas não vão abrir as portas para este público mais experiente, acreditando que sua filosofia permanecerá como sempre de contratar os indivíduos mais jovens.
Esta visão realista (ou será pessimista) destes entrevistados que afirmaram terem chances reduzidas do público com mais de 50 anos ser contratado pelas empresas (41,2%).
 
 Figura 22: Quais são as perspectivas de Mercado de trabalho para os
 indivíduos com 50 anos ou +, na visão dos entrevistados da AAPICS
 
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20 entrevistas.
d) Percepção de valores que a geração mais nova da família e a sociedade, em geral trata o idoso
Aproximadamente, metade dos entrevistados da AAPICS (45,0%) apontam o celular como vilão da história, pois afirmam que é o causador nas mudanças do foco das crianças e jovens em dar menos atenção aos familiares que o rodeiam, bem como estavam influenciando negativamente no seu desempenho escolar, antes é claro, de ser permitido o uso do aparelho em sala de aula. 
O problema é que o aluno está viciando nesse aparelho e está esquecendo de dialogar mais com os seus familiares, e a pergunta que fica é por que os pais entregam desde cedo esse aparelho ao invés de comprar jogos pedagógicos para ele brincar?
Observou-se que cerca de 1/5 dos entrevistados (20%) tem uma relação mais próxima com os netos, onde tem o hábito de levar e trazer eles da escola, o que oportuniza uma ocasião para conversar.
Figura 23: Percepção dos entrevistados da AAPICS sobre a educação de hoje,
 comparado ao seu tempo de infância/adolescência
 Fonte: Levantamento de dados. Base: 20

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