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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA
Filtros passivos e ativos
Disciplina: Laboratório de Sinais e sistemas lineares I
Discentes: | RA: 133607 Matheus Henrique Rossi
Docente: Guilherme Américo Rosa
MARINGÁ
2025
mailto:ra133607@uem.br
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................................3
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................................................4
3. MODELAGEM E SIMULAÇÃO........................................................................................8
3.1 Definição das especificações............................................................................................... 8
3.2 Modelagem matemática manual........................................................................................8
3.3 Implementação no Octave.................................................................................................. 9
3.4 Validação com Funções Nativas do Octave.......................................................................9
3.5 Aplicação Prática: Filtragem de Sinais com Ruído....................................................... 10
3.6 Análise dos resultados.......................................................................................................10
3.7 Código completo no octave:..............................................................................................11
3.8 Análise dos gráficos...........................................................................................................15
4. CONCLUSÃO..................................................................................................................... 20
5. REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 21
2
1. INTRODUÇÃO
A área de processamento de sinais desempenha um papel central na engenharia
elétrica, sendo amplamente aplicada em sistemas de controle, comunicações, instrumentação e
eletrônica. Dentro desse contexto, os filtros eletrônicos são dispositivos indispensáveis,
utilizados para modificar o espectro de frequência de sinais, atenuando ou eliminando
componentes indesejados e preservando as informações relevantes.
De modo geral, os filtros classificam-se em passivos e ativos. Os filtros passivos são
compostos exclusivamente por elementos como resistores, capacitores e indutores,
apresentando simplicidade construtiva, porém com limitações quanto ao ganho e ao
desempenho em baixas frequências. Já os filtros ativos utilizam amplificadores operacionais
em conjunto com resistores e capacitores, permitindo maior flexibilidade no projeto, controle
preciso da resposta em frequência, além da vantagem de não exigir indutores.
Este relatório tem como propósito analisar e comparar os principais tipos de filtros,
com foco nos filtros Butterworth e Chebyshev, além de explorar a topologia Sallen & Key,
amplamente utilizada em implementações práticas de filtros ativos. O estudo contempla tanto
os aspectos teóricos — como a modelagem matemática e o comportamento em frequência —
quanto os práticos, por meio de simulações computacionais em Octave, que incluem a
aplicação de filtros projetados na remoção de ruídos de sinais compostos.
Por fim, será evidenciada a relevância da simulação computacional como ferramenta
de apoio ao projeto de sistemas eletrônicos, permitindo antecipar o comportamento de filtros
em diferentes condições de operação e viabilizando decisões mais assertivas durante a etapa
de implementação.
3
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Nos sistemas eletrônicos, sinais podem ser contaminados por ruídos provenientes de
fontes externas, interferência de outros dispositivos ou variações no próprio sistema. Filtros
eletrônicos são essenciais para isolar a informação desejada, eliminando componentes
indesejados de frequência e garantindo a integridade do sinal. Isso é especialmente relevante
em áreas como:
● telecomunicações, onde sinais de voz e dados precisam ser separados e amplificados
seletivamente;
● instrumentação, para medir sinais sensíveis em meio a ruídos ambientais;
● sistemas de controle, nos quais a resposta de sensores precisa ser precisa e livre de
interferência.
Ao permitir a manipulação seletiva do conteúdo espectral de um sinal, filtros são
fundamentais para o funcionamento eficiente e estável desses sistemas.
Os filtros podem ser agrupados de acordo com sua arquitetura física e função em
frequência.
a) Quanto à natureza dos componentes
● Filtros passivos: Compostos apenas por componentes lineares e passivos (resistores,
capacitores, indutores). São geralmente simples, mas não amplificam sinais e podem
apresentar desempenho limitado em baixas frequências.
● Filtros ativos: Incorporam amplificadores operacionais, em conjunto com resistores e
capacitores. São capazes de amplificar, modular e selecionar faixas de frequência com
maior precisão e sem a necessidade de indutores.
b) Quanto à função de frequência
Cada filtro pode ser projetado para realçar ou suprimir determinadas faixas espectrais:
● Passa-Baixa (LPF): Permite a passagem de frequências abaixo de um valor de corte
; 𝑓
𝑐
● Passa-Alta (HPF): Permite a passagem de frequências acima de ; 𝑓
𝑐
● Passa-Faixa (BPF): Permite somente um intervalo de frequências entre e ; 𝑓
1
𝑓
2
● Rejeita-Faixa (Notch/BSF): Atenua uma banda específica de frequências e deixa
passar as demais.
4
Filtros passivos desempenham papel relevante em circuitos analógicos simples. Seu
princípio de funcionamento baseia-se nas propriedades frequenciais de impedância dos
componentes:
● Capacitores apresentam baixa impedância em altas frequências;
● Indutores apresentam alta impedância em altas frequências.
A principal limitação desses filtros é a ausência de ganho e a necessidade de indutores,
que ocupam mais espaço e são menos eficientes. Mesmo assim, eles são úteis em contextos de
alta frequência ou onde simplicidade é prioridade.
Já os filtros ativos superam limitações dos passivos, oferecendo vantagens como:
● Possibilidade de ganho ajustável do sinal;
● Alta impedância de entrada e baixa impedância de saída, facilitando a integração com
outros circuitos;
● Maior estabilidade e precisão de resposta.
O uso de amplificadores operacionais permite criar filtros de ordens superiores com
facilidade, viabilizando a construção de sistemas com características específicas de atenuação,
seletividade e resposta em frequência, conforme os requisitos do projeto.
Para esse trabalho, foram escolhidos dois modelos clássicos de filtros de segunda
ordem: Butterworth e Chebyshev, cada um com características específicas.
a) Filtro Butterworth
O filtro Butterworth é conhecido por sua resposta maximamente plana na banda
passante — ou seja, sem ondulações (ripple). Ele apresenta uma transição suave entre a banda
passante e a banda de rejeição.
A resposta em frequência para um filtro passa-baixa Butterworth de ordem nnn é:
𝐻(𝑗ω)| | = 1
1+(ω/ω
𝑐
)2𝑛
Para n = 2 (caso utilizado no projeto), a curva possui uma atenuação de -40 dB por
década, além da frequência de corte . Esse tipo de filtro é preferido quando se deseja 𝑓
𝑐
preservar a integridade do sinal na banda útil.
b) Filtro Chebyshev Tipo I
O filtro Chebyshev Tipo I permite um ripple (ondulação) na banda passante, o que
resulta em uma transição mais rápida para a atenuação após a frequência de corte.
Sua função de transferência apresenta o termo , um polinômio de Chebyshev de 𝑇
𝑛
ordem n, e é expressa como:
5
𝐻(𝑗ω)| | = 1
1+ϵ2𝑇
𝑛
2(ω/ω
𝑐
)
A parâmetro ϵ é relacionadoao ripple por: 𝑅
𝑝
ϵ = 10
𝑅
𝑝
/10
− 1
Com dB (definido neste projeto), obtém-se um desempenho mais seletivo — 𝑅
𝑝
= 1
ideal em situações onde a rejeição rápida de ruído é mais crítica do que a suavidade da
resposta.
Critério Butterworth Chebyshev Tipo I
Ripple na banda passante Ausente Presente (ajustável via ) 𝑅
𝑝
Transição na frequência Suave Mais acentuada
Complexidade do projeto Menor Maior (requer cálculo de ) 𝑇
𝑛
Aplicações comuns Áudio, instrumentação RF, rejeição de ruído
específica
Tabela de comparação entre Butterworth e Chebyshev.
A topologia Sallen & Key é uma estrutura clássica para implementação prática de
filtros ativos de segunda ordem. Utiliza um amplificador operacional em malha fechada, dois
resistores e dois capacitores, formando um circuito que oferece estabilidade, simplicidade e
reprodutibilidade.
O circuito típico para um filtro passa-baixa Sallen & Key pode ser representado por:
𝐻(𝑠) = 1
𝑠²𝑅
1
𝑅
2
𝐶
1
𝐶
2
+𝑠(𝑅
1
𝐶
1
+𝑅
1
𝐶
2
+𝑅
2
𝐶
2
)+1
Com base nessa equação, é possível ajustar os componentes para que a função de
transferência coincida com a do filtro desejado (Butterworth ou Chebyshev), após a
desnormalização.
6
A grande vantagem dessa topologia está na sua facilidade de implementação com
componentes padrão, além de permitir ajustes finos no comportamento do filtro com
alterações simples nos valores de R e C.
7
3. MODELAGEM E SIMULAÇÃO
A simulação computacional é uma ferramenta indispensável no desenvolvimento de
sistemas eletrônicos modernos. Por meio de ambientes como o GNU Octave, é possível
modelar filtros, ajustar seus parâmetros, comparar suas respostas e avaliar seu comportamento
diante de sinais reais ou idealizados — tudo isso antes da implementação física.
Neste trabalho, foi utilizada a linguagem do Octave com o pacote control, que permite
trabalhar com funções de transferência, respostas no tempo e em frequência. As simulações
foram divididas em três etapas: modelagem matemática, validação com funções nativas e
aplicação prática em sinais com ruído.
3.1 Definição das Especificações
Foram projetados dois filtros passa-baixa de segunda ordem com as seguintes
características:
● Ordem do filtro: ; 𝑁 = 2
● Frequência de corte: ; 𝑓
𝑐
= 1000 𝐻𝑧
● Filtro Chebyshev: Ripple na banda passante . 𝑅
𝑝
= 1 𝑑𝐵
3.2 Modelagem Matemática Manual
a) Butterworth N=2 (normalizado)
A função de transferência normalizada para o filtro Butterworth de segunda ordem é:
𝐻(𝑠) = 1
𝑠²+ 2𝑠+1
b) Chebyshev Tipo I N=2 (normalizado)
Para , calcula-se o fator de ripple : 𝑅
𝑝
= 1 𝑑𝐵 ϵ
ϵ = 10
𝑅
𝑝
/10
− 1 ≈ 0, 508
A função de transferência inclui o polinômio de Chebyshev , 𝑇
2
(𝑥) = 2𝑥² − 1
levando a uma forma mais complexa, cujos coeficientes podem ser obtidos por ferramentas
computacionais ou tabelas.
c) Desnormalização para 𝑓
𝑐
= 1 𝑘𝐻𝑧
A frequência angular de corte é dada por:
8
ω
𝑐
= 2π𝑓
𝑐
= 2π * 1000 ≈ 6283 𝑟𝑎𝑑/𝑠
Para desnormalizar, substitui-se por nas equações dos filtros, ajustando os 𝑠 𝑠' = 𝑠
ω
𝑐
coeficientes para refletirem a frequência real de operação.
3.3 Implementação no Octave
Utilizando os coeficientes obtidos manualmente (após desnormalização), foi possível
montar os modelos no Octave com o comando tf():
pkg load control;
% Filtro Butterworth (manual)
num_butter = [0]; % Numerador: constante
den_butter = [1/(6283^2), sqrt(2)/6283, 1]; % Denominador ajustado
H_butter_manual = tf(num_butter + 1, den_butter);
% Filtro Chebyshev (manual - exemplo simplificado)
% Coeficientes aproximados para demonstrar estrutura
num_cheby = [0];
den_cheby = [1/(6283^2), 1.231/6283, 1];
H_cheby_manual = tf(num_cheby + 1, den_cheby);
3.4 Validação com Funções Nativas do Octave
As funções butter() e cheby1() geram filtros com os mesmos parâmetros
automaticamente:
[b_butter, a_butter] = butter(2, 2*pi*1000, 's');
H_butter_native = tf(b_butter, a_butter);
[b_cheby, a_cheby] = cheby1(2, 1, 2*pi*1000, 's');
H_cheby_native = tf(b_cheby, a_cheby);
Comparação por diagrama de bode:
9
bode(H_butter_manual, H_butter_native);
legend('Butterworth Manual', 'Butterworth Octave');
figure;
bode(H_cheby_manual, H_cheby_native);
legend('Chebyshev Manual', 'Chebyshev Octave');
O objetivo da validação é obter sobreposição entre as curvas dos filtros manuais e
nativos, demonstrando a equivalência dos modelos.
3.5 Aplicação Prática: Filtragem de Sinais com Ruído
Dois sinais compostos foram gerados para demonstrar a aplicação dos filtros:
a) Caso idealizado: Sinal com ruído senoidal
fs = 10000; % Frequência de amostragem
t = 0:1/fs:0.05; % Vetor de tempo
signal_clean = sin(2*pi*50*t); % Sinal de 50 Hz
noise_sine = sin(2*pi*2500*t); % Ruído de 2.5 kHz
signal_total = signal_clean + noise_sine;
y_filtered = lsim(H_butter_native, signal_total, t);
b) Caso realista: Ruído branco
noise_rand = 0.5 * randn(size(t)); % Ruído branco gaussiano
signal_total2 = signal_clean + noise_rand;
y_filtered2 = lsim(H_butter_native, signal_total2, t);
3.6 Análise dos Resultados
No domínio do tempo:
10
● A filtragem remove a componente de alta frequência, deixando a senóide de 50 Hz
claramente visível.
● No caso com ruído branco, observa-se uma redução significativa do "ruído visual"
após a filtragem.
No domínio da frequência (FFT):
● Antes da filtragem: pico em 2.5 kHz + ruído distribuído.
● Após a filtragem: atenuação das componentes acima de 1 kHz, preservando a
frequência fundamental.
Y_before = abs(fft(signal_total));
Y_after = abs(fft(y_filtered));
f = (0:length(Y_before)-1)*(fs/length(Y_before));
plot(f, Y_before); hold on;
plot(f, Y_after); legend('Antes', 'Depois');
xlim([0 4000]);
3.7 Código completo no octave
O script abaixo compara filtros Butterworth e Chebyshev (manual e nativo). Além de
simular dois casos de ruído: senoidal e branco. Utiliza lsim para simular a resposta temporal
dos filtros. E analisa os sinais no tempo e na frequência (FFT).
clc; % Limpa a janela de comandos
clear all; % Apaga todas as variáveis da memória
close all; % Fecha todas as janelas de figura
% ------------------------------
% CARREGAMENTO DOS PACOTES
% ------------------------------
pkg load control; % Carrega o pacote de controle para funções como tf(), bode(), lsim()
pkg load signal; % Carrega o pacote de sinais (necessário para butter(), cheby1())
% ------------------------------
11
% PARÂMETROS DO PROJETO
% ------------------------------
fc = 1000; % Frequência de corte do filtro (Hz)
wc = 2*pi*fc; % Frequência angular correspondente (rad/s)
N = 2; % Ordem do filtro (2ª ordem)
Rp = 1; % Ripple (ondulação permitida) na banda passante do filtro Chebyshev (dB)
% ------------------------------
% MODELOS MANUAIS (DESNORMALIZADOS)
% ------------------------------
% Filtro Butterworth 2ª ordem:
% Função de transferência normalizada: H(s) = 1 / (s^2 + sqrt(2)s + 1)
% Desnormalizando para a frequência de corte real: substitui s -> s/wc
num_butter = [1]; % Numerador unitário
den_butter = [1/(wc^2), sqrt(2)/wc, 1]; % Coeficientes do denominador ajustados para wc
H_butter_manual = tf(num_butter, den_butter); % Cria o modelo de função de transferência
% Filtro Chebyshev 2ª ordem (manual, valores aproximados para Rp = 1 dB)
den_cheby = [1/(wc^2), 1.231/wc, 1]; % Coeficientes ajustados com ripple aproximado
H_cheby_manual = tf(num_butter, den_cheby); % Função de transferência manual do filtro
Chebyshev
% ------------------------------
% MODELOS NATIVOS (funções prontas)
% ------------------------------
% Filtro Butterworth utilizando função nativa do Octave
[num_but,den_but] = butter(N, wc, 's'); % Gera numerador e denominador
H_butter_native = tf(num_but, den_but); % Cria a função de transferência
% Filtro Chebyshev Tipo I usando função nativa
[num_cheb, den_cheb] = cheby1(N, Rp, wc, 's'); % Gera numerador e denominador com
ripple
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H_cheby_native = tf(num_cheb, den_cheb); % Função de transferência nativa do filtro
Chebyshev
% ------------------------------
% COMPARAÇÃO VIA DIAGRAMA DE BODE
% ------------------------------
% Butterworth: compara manual vs nativo
figure;
bode(H_butter_manual, H_butter_native); % Diagrama de Bode de magnitude e fase
legend('Butterworth Manual', 'Butterworth Nativo');
title('Comparação - Filtro Butterworth');
% Chebyshev: compara manual vs nativo
figure;
bode(H_cheby_manual, H_cheby_native);
legend('Chebyshev Manual', 'Chebyshev Nativo');
title('Comparação - Filtro Chebyshev');
% ------------------------------
% GERAÇÃO DOS SINAIS DE TESTE
% ------------------------------
fs = 10000; % Frequência de amostragem (Hz)
t = 0:1/fs:0.05; % Vetor de tempo (0 a 50 ms, passo de 0.1 ms)
signal_clean = sin(2*pi*50*t); % Sinal útil: senoide de 50 Hz
% Caso 1: Adiciona ruído senoidal (2.5 kHz)
noise_sine = sin(2*pi*2500*t);
signal_ruido_senoide = signal_clean + noise_sine;
% Caso 2: Adiciona ruído branco gaussiano
noise_rand = 0.5 * randn(size(t)); % Amplitude do ruído ajustada
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signal_ruido_branco = signal_clean + noise_rand;
% ------------------------------
% FILTRAGEM USANDO lsim() COM O FILTRO BUTTERWORTH NATIVO
% ------------------------------
y1 = lsim(H_butter_native, signal_ruido_senoide, t); % Resposta do sistema ao sinal com
ruído senoidal
y2 = lsim(H_butter_native, signal_ruido_branco, t); % Resposta do sistema ao sinal com
ruído branco
% ------------------------------
% PLOT NO DOMÍNIO DO TEMPO
% ------------------------------
figure;
% Sinal com ruído senoidal antes/depois da filtragem
subplot(2,1,1);
plot(t, signal_ruido_senoide); hold on;
plot(t, y1, 'r'); % Sinal filtrado em vermelho
legend('Antes (ruído senoidal)', 'Depois do filtro');
title('Filtragem - Ruído Senoidal (50Hz + 2.5kHz)');
% Sinal com ruído branco antes/depois da filtragem
subplot(2,1,2);
plot(t, signal_ruido_branco); hold on;
plot(t, y2, 'r'); % Sinal filtrado em vermelho
legend('Antes (ruído branco)', 'Depois do filtro');
title('Filtragem - Ruído Branco');
% ------------------------------
% PLOT NO DOMÍNIO DA FREQUÊNCIA (FFT)
% ------------------------------
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Nfft = length(t); % Tamanho do vetor de FFT
f = (0:Nfft-1)*(fs/Nfft); % Vetor de frequências associado
% FFT do sinal com ruído senoidal
FFT_before = abs(fft(signal_ruido_senoide));
FFT_after = abs(fft(y1)); % Após filtragem
figure;
plot(f, FFT_before, 'b'); hold on;
plot(f, FFT_after, 'r');
legend('Antes', 'Depois');
title('FFT - Ruído Senoidal (50Hz + 2.5kHz)');
xlabel('Frequência (Hz)');
ylabel('Magnitude');
xlim([0 4000]); % Limita o eixo x para melhor visualização
3.8 Análise dos gráficos
O gráfico 1 é o resultado da Transformada Rápida de Fourier (FFT) aplicada ao sinal
composto por:
● Um sinal útil de 50 Hz (baixa frequência),
● Um ruído senoidal de 2,5 kHz (alta frequência),
● Ambos são amostrados a 10 kHz.
Após a aplicação de um filtro Butterworth passa-baixa de 2ª ordem com frequência de
corte de 1 kHz, observa-se o seguinte:
● O componente de 50 Hz (à esquerda do gráfico) permanece praticamente inalterado –
o filtro preserva sinais abaixo de 1 kHz.
● O componente de 2,5 kHz (no centro-direita do gráfico) sofre uma forte atenuação,
como esperado para sinais muito acima da frequência de corte.
● O filtro oferece uma resposta suave e gradual, típica de um Butterworth, sem ripple na
banda passante.
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Gráfico 1 – Análise espectral (FFT) de um sinal composto por 50 Hz e ruído senoidal de 2,5 kHz, antes e depois
da filtragem Butterworth passa-baixa (1 kHz)
A curva azul representa o espectro do sinal antes da filtragem, evidenciando dois picos principais: um
em 50 Hz (sinal de interesse) e outro em 2,5 kHz (ruído).
A curva vermelha mostra o espectro após a aplicação do filtro, com significativa atenuação do pico de
2,5 kHz, enquanto o componente de 50 Hz permanece praticamente inalterado.
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O gráfico 2 representa na parte superior – Ruído senoidal (2,5 kHz):
● O ruído se manifesta como modulação rápida sobre a senóide de 50 Hz.
● Após o filtro Butterworth passa-baixa (fc = 1 kHz), o componente de 2,5 kHz é
eficientemente removido.
● A senóide de baixa frequência é preservada com mínima distorção.
Parte inferior – Ruído branco:
● O sinal apresenta variações caóticas (alta densidade espectral), como esperado do
ruído branco.
● Após a filtragem, a saída exibe uma senoide suavizada, mostrando que o filtro atua
como redutor de ruído de banda larga, preservando frequências abaixo de 1 kHz.
Gráfico 2 – Filtragem temporal de sinais com ruído usando filtro Butterworth passa-baixa (1 kHz, 2ª ordem)
(a) Parte superior: Sinal composto por uma senóide de 50 Hz e ruído senoidal de 2,5 kHz.
A curva azul mostra o sinal original com ruído; a curva vermelha, após a filtragem, apresenta atenuação
significativa da alta frequência, preservando a forma da senoide original.
(b) Parte inferior: Sinal composto por uma senóide de 50 Hz e ruído branco gaussiano.
O filtro suaviza a oscilação rápida e irregular do ruído branco (curva azul), resultando em uma saída
mais limpa e próxima de uma senóide ideal (curva vermelha).
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No gráfico 3 está representado o filtro Chebyshev de 2ª ordem com ripple de 1 dB
apresenta uma transição mais acentuada do que um filtro Butterworth equivalente, o que é
evidente na curva de magnitude.
● A comparação entre o filtro projetado manualmente (azul) e o gerado com cheby1
(vermelho) mostra que o modelo matemático foi implementado com sucesso.
● A diferença na fase é esperada em pequenos desvios numéricos e não compromete a
resposta prática do sistema, especialmente considerando o uso de componentes
discretos em aplicações reais.
Gráfico 3 – Comparação entre o filtro Chebyshev implementado manualmente e o gerado por função nativa
(cheby1) no Octave
(a) Diagrama de Bode – Módulo (parte superior):
As curvas mostram a resposta em magnitude (em dB) para ambos os filtros. Observa-se coincidência
quase perfeita entre as curvas manual e nativa, validando a implementação teórica.
(b) Diagrama de Bode – Fase (parte inferior):
As curvas de fase mostram diferenças muito pequenas, principalmente na região de transição (~1 kHz),
indicando que os coeficientes utilizados na versão manual foram corretamente aplicados.
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Por fim, o gráfico 4 apresenta o filtro Butterworth de ordem 2 e apresenta uma
resposta maximamente plana na banda passante (até ~1 kHz) e atenuação suave após a
frequência de corte.
● Ao contrário do filtro Chebyshev, não há ripple na banda passante.
● A perfeita coincidência entre os modelos mostra que a modelagem matemática, o
processo de desnormalização (com ) e a função tf() foram usados 𝑠 → 𝑠
ω
𝑐
corretamente.
● A fase varia suavemente, com uma defasagem típica de filtros de 2ª ordem, tendendo a
-180° em frequências muito altas.
Gráfico 4 – Comparação entre o filtro Butterworth implementado manualmente e o gerado por função nativa
(butter) no Octave
(a) Diagrama de Bode – Módulo (parte superior):
As curvas mostram a resposta em magnitude (dB) de um filtro Butterworth passa-baixa de segunda
ordem. A sobreposição exata entre as curvas do modelo manual (azul) e do nativo (vermelho) demonstra que a
implementaçãoteórica está correta.
(b) Diagrama de Bode – Fase (parte inferior):
Também na fase, observa-se coincidência completa entre os dois modelos ao longo de toda a faixa de
frequência, confirmando que os coeficientes desnormalizados foram aplicados com precisão.
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5. CONCLUSÃO
O desenvolvimento deste trabalho permitiu uma compreensão ampla e aplicada acerca
do comportamento, projeto e implementação de filtros passivos e ativos, com foco nos filtros
Butterworth e Chebyshev de segunda ordem. Com base em uma fundamentação teórica
consistente, foram elaborados modelos matemáticos das respectivas funções de transferência,
posteriormente desnormalizados e simulados no ambiente computacional GNU Octave.
A comparação entre os modelos implementados manualmente e aqueles gerados por
funções nativas do Octave (butter() e cheby1()) demonstrou excelente concordância, tanto no
domínio da frequência (através dos diagramas de Bode) quanto no domínio do tempo (por
meio da função lsim()). Isso confirma a correção dos cálculos analíticos e evidencia o
domínio conceitual sobre o dimensionamento e a análise de filtros analógicos.
A análise espectral com Transformada Rápida de Fourier (FFT) validou a eficiência
dos filtros na remoção de ruídos de diferentes naturezas: senoidal (2,5 kHz) e aleatório (ruído
branco). Observou-se que o filtro Butterworth apresentou excelente desempenho em situações
que requerem baixa distorção e resposta suave na banda passante, enquanto o filtro
Chebyshev Tipo I se destacou por sua maior seletividade, graças à transição mais abrupta,
ainda que com um ripple controlado.
A utilização do Octave como ferramenta de simulação demonstrou-se extremamente
eficaz, oferecendo um ambiente acessível e robusto para testes, validações e análises
detalhadas. Essa abordagem computacional otimiza o processo de projeto, reduz custos com
protótipos físicos e antecipa o comportamento real dos sistemas, promovendo maior
segurança e precisão nas etapas posteriores de implementação.
Conclui-se, portanto, que o domínio das técnicas de modelagem, simulação e análise
de filtros é fundamental na formação do engenheiro eletricista, pois integra teoria e prática de
maneira objetiva e eficaz. A experiência proporcionada por este estudo fortalece
competências essenciais para a atuação em áreas como instrumentação, processamento de
sinais, automação e sistemas de controle, reforçando o papel da experimentação digital como
suporte indispensável à engenharia moderna.
20
6. REFERÊNCIAS
SEDRA, Adel S.; SMITH, Kenneth C. Microeletrônica. 6. ed. São Paulo: AMGH, 2019.
OPPENHEIM, Alan V.; WILLSKY, Alan S. Sinais e Sistemas. 2. ed. São Paulo: Pearson,
2010.
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1. INTRODUÇÃO
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3. MODELAGEM E SIMULAÇÃO
3.1 Definição das Especificações
3.2 Modelagem Matemática Manual
3.3 Implementação no Octave
3.4 Validação com Funções Nativas do Octave
3.5 Aplicação Prática: Filtragem de Sinais com Ruído
3.6 Análise dos Resultados
3.7 Código completo no octave
3.8 Análise dos gráficos
5. CONCLUSÃO
6. REFERÊNCIAS