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Roteiro 5 - marcas de mordida

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Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Ciências da Saúde
Departamento de Medicina Social
Roteiro 5:Tópicos da aula Marcas de Mordida
O processo de identificação humana no campo da Odontologia Legal é considerado de suma importância, devido a grande quantidade de subsídios oferecidos pelos arcos dentários, possibilitando, em muitas ocasiões, chegar a resultados irrefutáveis diante da justiça 
Marcas de Mordidas são as marcas deixadas pelos dentes, humanos ou de animais, na pele de pessoas vivas, de cadáveres ou sobre objetos inanimados de consistência relativamente amolecida.
MARCAS DE MORDIDA
Auxílio nos delitos: exclusão de suspeitos e elementos de culpabilidade
Suportes:
#Animados
Humanos;
Animais.
#Inaminados
Objetos;
Alimentos.
Além da identificação do agente, outros pontos fundamentais na investigação forense podem ser elucidados pela análise das marcas de mordida: 
violência da agressão; 
precedência ou seqüência na produção das mordidas, quando mais do que uma; 
reação vital das lesões, para determinar se foram produzidas "intra vitam" ou "post mortem"; 
data aproximada das mesmas, isto é, tempo transcorrido entre sua produção e o exame. 
Os arcos dentários podem atuar como:
instrumentos contundentes (Bonnet,1975; Carvalho,1987);
instrumentos corto contundentes (Arbenz, 1988).
Lesões de forma e gravidade diversas.
 Localização das impressões
Superfície plana ≠ superfície curva
Variação na inclinação dos dentes
TÉCNICA DE EXAME DAS MORDEDURAS
ETAPAS DO PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO:
1º Registro
2º Registro
Comparação
Técnica básica:
Exame cuidadoso da lesão (ferimento)
Medições 
Cotejos minuciosos
1. ANÁLISE
Se é uma mordedura
Se esta mordida é humana
Mordida humana
ZONAS (de fora para dentro):
Equimose: em área difusa, mais ou menos intensa, limitando externamente a área, provocada pela pressão dos lábios. 
Escoriações ou lesões corto-contusas: marcas deixadas pelos dentes anteriores - incisivos e caninos, excepcionalmente pré-molares, ou pela superfície do palato, onde poderão ser observadas as características individuais dos dentes. 
Equimoses de sucção: provocadas pela língua ou pelo vácuo criado pelo agente.
Forma circular ou elíptica: resultante da somatória dos arcos superior e inferior.
Marcas:
Incisivos: retângulo alongado, para cada um;
Caninos: forma triangular ou estrelada;
Pré-molares e molares geralmente não deixam marcas, exceto em casos excepcionais. Nesses casos, as marcas têm forma de largos retângulos com pressões variadas em função das cúspides.
Anomalias dentárias; maloclusões:
As mordidas humanas são identificadas pelo tamanho das lesões produzidas e também pelo seu formato, apresentando características elíptica ou ovóide. Deve-se observar a distância entre os caninos dos maxilares que deverá medir entre 2,5cm e 4,5cm. Se a medida for inferior a 3,0cm, provavelmente pertencerá a uma criança que possui dentição decídua.
Mordidas de Animais
São mais alongadas, tendo forma de "V“; 
Nunca tem vestígios de sucção; 
Maior profundidade das lesões pérfuro-contusas; 
Maior profundidade das lesões produzidas pelos caninos; 
Apresentam arrancamentos frequentes; 
Exibem marcas dos diastemas, próprios e naturais, de cada espécie animal;
Muitos são homodontes. 
2. FOTOGRAFIA
Evitar distorções;
Manter o paralelismo entre o filme e a marca; 
Incluir sempre uma escala ou régua milimetrada; 
Fazer fotografias:
Com luz natural; 
Com flash; 
Em cores; 
Em preto-e-branco;. 
 
2. FOTOGRAFIA
Começar sempre por tomadas "panorâmicas“
Depois, centrar-se nos detalhes através de fotografias "em close" 
Tirar fotografias em dias sucessivos, principalmente entre o 3º e o 5º dias.
3. COLETA DE SALIVA
Para estudo genético-molecular: 
Estudo do grupo sangüíneo do agressor (Sistema ABO- em torno de 80 % da população); 
Pesquisa de amilase salivar em torno da lesão, o que confirmará tratar-se de uma mordida;
Identificação do DNA, o qual é extraído a partir das células orais do agressor que existem na saliva em torno da lesão e multiplicado através da técnica da PCR. 
Antes dos curativos colher o máximo possível de células orais vindas na saliva em virtude de serem perecíveis.
Para melhores resultados, utilizar dois cotonetes (Swabs) sucessivos:
*o primeiro cotonete umedecido em água destilada, fazendo-o girar em toda a região e deixando-o, depois, secar ao ar; 
*o segundo cotonete seco, passando-o na mesma área em que passou o primeiro; 
colocar ambos os cotonetes, sem contato manual, em envelopes de papel secos e encaminhá-los ao laboratório; 
*enviar ao laboratório que pesquisa o DNA uma pequena amostra de sangue da vítima 
Esta amostra é importante para estabelecer o perfil de DNA da vítima, uma vez que suas células cutâneas ou sangüíneas (quando houve sangramento) poderão contaminar a saliva retirada pelos cotonetes.
4.MOLDAGEM DA MORDIDA
Nas lesões na superfície cutânea materiais de moldagem de alta precisão, como o silicone de adição, por exemplo;
Tomada de presa;
Reforço com gesso ou malha metálica
Vazar gesso
Pode dissecar-se a pele na área da mordida ou fazer uma retirada, em bloco, seguida de fixação pelo formol tamponado.
Antes da retirada "em bloco", se faz, em volta da lesão, um aro usando cera ou plástico, que poderá ser mantido em posição com 4 a 6 pontos de sutura na pele. 
Dentro dessa retenção poderá ser distribuído o material de moldagem e, após a presa, peça inteira deve ser retirada e fixada, como indicado, para seu exame posterior, no laboratório. 
Em alimentos (frutas, queijos etc.)
Conservá-los em sacos de plástico herméticos, no refrigerador a 4 ºC ( após ter colhido a saliva);
Fotografar;
Tomada de impressões das mordidas sobre o objeto inanimado, com material de moldagem de precisão (Ex: silicone).
Para conservação por longo tempo:
Imersão em mistura fixadora contendo:
formol a 40 %........................... 5 ml
ácido acético glacial ................ 5 ml
álcool a 70 % ........................... 90 ml
5.COLETA DE AMOSTRAS DO SUSPEITO
mordidas em lâmina de cera; 
moldagem dos arcos dentários, superior e inferior; 
coleta de saliva ou de células da mucosa oral; 
coleta de sangue; 
Montagem dos modelos em articulador, verificando se a mordida na cera se adapta aos mesmos. 
COMPARAÇÃO
Duas etapas:
análise métrica da mordida na vítima 
associação e comparação da formas da lesão com a forma dos dentes do(s) suspeito(s). 
Sobre as fotografias que têm a régua graduada, os moldes ou modelos e as mordidas em cera (vítima e suspeito) 
Compreende:
medida da largura e comprimento de cada dente; 
avaliação do tamanho comparativo dos dentes; 
distância entre as peças dentárias e 
tamanho geral das arcos 
Associação e comparação de padrões
Comparação física da forma da lesão com a dos dentes do suspeito; 
Orientação da marca, diferenciando a parte do arco superior daquela do arco inferior; 
Análise das rotações dentárias; 
Verificação das posições relativas de cada peça no respectivo arco; 
Registro de: 
ausência de dentes; 
distância entre os dentes; 
curvatura dos arcos; 
outras características como fraturas, restaurações, etc. 
Os peritos podem chegar a diversos níveis de conclusão:
Identificação positiva: o suspeito é identificado por diversos métodos e critérios utilizados pelos peritos. Outros especialistas com experiencias semelhantes, após análise, podem afirmar com o mesmo grau de certeza.
Identificação negativa: exclusão, existem discrepâncias entre a impressão e a dentadura do suspeito que excluem a possibilidade de o suspeito ter feito a mordida.
Exibição dos resultados
Dados insuficientes para avaliação – inconclusivo, existem insuficientes detalhes ou evidências que levem a uma conclusão precisa da ligação entre a dentição do suspeito e a marca da mordida.
O peso dado para uma conclusão no tribunal é baseado no