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Princípios gerais do preparo cavitário 
 
Os princípios gerais do preparo cavitário ajudam a entender o processo de como cortar o 
dente de forma conservadora e assertiva, pois não é possível regenerar o que é cortado. 
● É imprescindível que o preparo cavitário seja planejado → e isso se dá por meio dos 
princípios cavitários. 
 
Princípios Clássicos de Black (hoje não mais aderido) 
Como se dava a forma de contorno? Extensão para prevenção: as margens da cavidade 
sempre deveriam ser estendidas ao longo do sistema de cicatrículas e fissuras, e 
posicionados em região de esmalte liso e de fácil limpeza → com o tempo, observou-se que 
os preparos extensos não controlavam novos aparecimentos de lesões de cárie. 
 
 
Atualmente temos a odontologia minimamente invasiva (o termo suficientemente é mais 
adequado) → aqui temos a máxima conservação de estrutura bucal sadia, mas com um 
preparo adequado para receber o material restaurador. 
- Se eu tenho uma lesão de cárie para atingir, qual o melhor caminho para chegar até 
ela, acessá-la e removê-la? para saber essa resposta é preciso conhecer os 
componentes que formam a estrutura dental: 
- Além dos tecidos dentais duros, é preciso compreender a relação do dente com o 
periodonto. 
 
Relação com o periodonto 
Informações importantes sobre o amálgama: 
★ O maior problema do amálgama é que ele é um metal que passa muita força para o dente, 
podendo gerar fraturas irreversíveis. Isso acontece com mais frequência quando esse 
material restaurador envolve áreas proximais de dentes posteriores. → Dessa maneira, 
um procedimento adesivo é a melhor opção. 
★ Quando o paciente apresenta uma parafunção dental, que é uma função acima do que o 
s.estomatognático é preparado para receber, como por ex. como acontece no bruxismo, 
aquela restauração grande de amálgama quando recebe essa força acima do normal, 
fratura o dente e não a restauração. Ao contrário do que acontece com o amálgama, a 
resina funciona como um parachoque no dente, ou seja, ao invés de perder o dente, como 
no caso citado acima, o paciente irá perder o material restaurador, que é muito mais 
vantajoso. 
 
Não segue exatamente uma ordem cronológica. 
 
 
É necessário ter respeito ao espaço biológico (o espaço que não pode ser invadido pela 
restauração) 
● Antes do epitélio juncional e inserção conjuntiva (bem colocado no dente) 
tem-se o sulco gengival (está um pouco afastado do dente), que possui 0,69 
mm 
● quando ocorre invasão do espaço biológico: o local fica inflamado o tempo 
inteiro e perde osso/estrutura dental. 
● se o indivíduo não usa fio dental, não escova o dente direito e tem uma lesão 
de cárie que invade o espaço biológico → é preciso tomar como base a 
periodontia (fazer aumento de coroa) 
O cirurgião dentista deve trabalhar SEMPRE no limite da margem gengival, os preparos 
cavitários devem ser estendidos no máximo 0,5 mm no interior do sulco gengival. 
 
Pilares dos princípios Atuais dos preparos cavitários: 
a) Máxima conservação de estrutura dental sadia 
b) Respeitar e conhecer as características de adesão e resistência dos materiais 
restauradores 
c) Bom senso 
 
Princípios Atuais dos preparos cavitários 
1. Acesso à lesão de cárie 
2. Remoção do tecido cariado 
3. Forma de retenção 
4. Forma de resistência ---------------------------------- 
5. Forma de conveniência → faz os 3 juntos 
6. Forma de contorno 
7. Acabamento das paredes e margens cavitárias 
8. Limpeza das cavidades 
1. Acessσ à lesãσ da cárie 
- Passo operatório realizado quando for necessário ACESSAR a lesão cariosa 
- Primeiro deve saber onde está a lesão cariosa (MO, DO…) 
- Deve considerar o menor desgaste possível de estrutura dental sadia 
- Se estiver oculta/não aberta → realizar com a ponta diamantada esférica ou 
broca pequena, em alta rotação. 
 
 
 
→ Classe I 
- Por vezes, em uma classe I, a lesão apresenta-se interna, ficando subjacente ao 
esmalte, não formando um acesso. Isso pode acontecer porque o esmalte é poroso, 
e permite a passagem de bactérias e outras toxinas que vão desmineralizar a 
dentina primeiro (pois a dentina não precisa de um pH tão baixo quanto o esmalte). 
Nesses casos, a cárie começa como uma lesão subsuperficial: que é a mancha 
branca, e só depois vai apresentar cavitação. 
 
→ Classe II (que envolve proximais) 
Para realizar esse acesso é mais difícil, deve-se buscar o caminho que corte menos tecido 
sadio e seja o mais seguro: 
- Pode ter acesso direto ( c a m i n h o + f á c i l ) por meio de situações clínicas 
específicas, casos que acontecem quando: 
● falta do dente vizinho 
● diastema 
● se o dente vizinho tiver uma coroa cimentada provisoriamente 
● uso de aparelho ortodôntico na boca - ortodontista pode afastar os dentes 
vizinhos 
- Acesso direto pela criação de espaço entre a lesão e o dente vizinho 
● Mediato → borrachinha interdental que fica de 24-48hrs 
● Imediato → por meio do afastador interdental; quase não usa devido possíveis 
consequências; 
 
Se não tiver a opção de acesso direto, seguir a rota mais curta e mais segura, cortando dente: 
- Slot Horizontal → vai da lingual ou vestibular para acessar a lesão, com conservação 
da crista marginal. Geralmente vai até o ponto de contato. 
- Tipo túnel → entra pela oclusal perto da crista marginal e direciona a broca para a 
proximal. Esse tipo de acesso é uma tentativa de proteger a crista marginal (reforço 
dental), porém tem como risco atingir o corno pulpar. As condições para esse 
preparo são: presença de restauração na oclusal e corno pulpar mais baixo. 
- Slot Vertical/ convencional → acesso convencional com completo envolvimento da 
crista marginal.
O acesso à lesão de cárie é apenas um orifício. Às vezes a própria patologia cariosa realiza esse 
feito. 
 
 
 
 
 
→ Classe III (envolve proximal de dente anterior) 
- O afastamento direto interdental na classe 3 dá conta. 
- Acesso direto por meio da borrachinha / acesso direto mediato→ Preferível, para 
que a restauração de resina não envolva a proximal e a V ou L do dente (resina 
envelhece, muda de cor, e isso não favorece a estética). 
- Acesso palatino ou vestibular (preferível por palatino, por conta da estética) 
 
→ Classe IV e V 
- Não se faz acesso, o acesso é direto 
- Classe IV não se faz acesso, porque pega o ângulo do dente, ele já é aberto; E 
classe V também não se faz acesso porque pega a cervical do dente → necessário 
apenas o bisel. 
 
2. Remoçãσ dσ tecidσ cariadσ 
Quanto de tecido cariado deve ser removido? é necessário remover apenas a dentina 
infectada, preservando a dentina afetada: (PROVA) 
● Dentina infectada: mais superficial, mais amolecida, úmida, desorganizada 
● Dentina afetada: mais profunda, rígida, desmineralizada, mas passível de 
remineralização 
Como padrão ouro para a definição do tipo de dentina nós temos a consistência dela: 
● Importante: nas paredes circundantes do preparo é necessário ir até a dentina firme, 
pois é preciso estabelecer uma boa adesão (e a adesão à dentina mole é muito 
obs. Dente vizinho deve sempre estar protegido por meio de uma matriz metálica + cunha, 
para evitar o risco da broca bater e cortar o dente sadio. 
 
ruim). Já na parede pulpar: tirar até a dentina resistente ou se a cavidade estiver 
muito profunda: ir até a dentina amolecida, desde que todas as paredes do preparo 
estejam seladas. 
 Remoção do tecido cariado - Técnica 
Nas paredes de fundo se usa curetas. Para remover nas paredes circundantes utilizar brocas 
esféricas lisas, novas, de maior tamanho possível (quanto menor for a broca mais ela corta 
e não é isso o desejado) e em baixa rotação, depois entrar com as curetas para checar essa 
remoção. 
-Curetas dentinárias afiadas (tamanho compatível com a cavidade da lesão de cárie) 
 
*Muitas vezes a dentina resistente é dentina afetada, que não precisa ser removida. 
 
Fisiopatologia da lesão cariosa - Tecidos dentaisProfundidade e extensão das lesões 
- Disposição dos cones de cárie → dois cones que se encontram na junção amelo-
cementária (JADE) 
● Superfície oclusal (de fóssulas e fissuras): Evolução histopatológica da cárie 
são dois cones com bases que se encontram na junção amelo-cementária. 
Nas fóssulas e fissuras ela começa pequenininha e se espalha (por conta 
das disposições dos prismas de esmalte) à medida que vai entrando no 
esmalte. Quando chega na JADE ela se espalha ainda mais, pois a dentina é 
mais fácil de desmineralizar; como os túbulos dentinários são dispostos em 
forma radial, a lesão cariosa vai se afunilando à medida que chega na polpa. 
● Superfície proximal (lisa): cone de cárie na dentina é igual, na JADE é grande 
e a partir do momento que chega na polpa, vai afunilando; mas no esmalte é 
diferente, o cone de cárie é inverso, é maior na superfície externa e menor na 
junção amelo-dentinária. 
*Por isso, as paredes do preparo não serão retas, porque assim não tira o problema. 
3. Forma de Retençãσ 
Forma dada à cavidade para torná-la capaz de reter a restauração, evitando o seu 
deslocamento 
● A forma de retenção depende do material odontológico escolhido: Amálgama # 
Resina 
 
Material Adesivo - Resina Composta 
- Ausência da necessidade de qualquer forma de retenção, no entanto, como o 
esmalte é aprismático, pode-se fazer apenas uma ranhura nesse local. 
● A resina não precisa de forma de retenção porque já se tem do adesivo. 
 
Amálgama dental 
- Devido à ausência de adesão do amálgama à estrutura dental, a cavidade deve 
RETER e conferir ESTABILIDADE à restauração. Dessa maneira, deve ser uma cavidade 
autor retentiva, que significa: 
❖ Paredes paralelas 
❖ Profundidade > Largura 
❖ Caso a profundidadenão pode; se usar o sistema de condicionamento 
ácido total, pode. 
Não se pode limpar uma cavidade de ác. fosfórico se for colocar um ionômero de vidro, por quê? 
Já sabemos que o Civ tem como uma das suas propriedades ser adesivo ao esmalte e a dentina e que 
essa adesividade acontece através de trocas iônicas com o cálcio. Para que essa adesão aconteça 
precisamos melhorar o contato do material aos tecidos e mais precisamente a dentina, removendo a 
smear layer ou lama dentinária. Como fazemos isso? Vamos usar um ácido fraco para limpar essa 
dentina. Atenção aqui, muita atenção. Ácido fraco não é ácido fosfórico. Ácido fosfórico é ácido forte. 
Ácido forte além de remover a semear layer ainda desmineraliza a dentina e se desmineraliza remove 
o cálcio e se falei que a adesão do Cimento de Ionômero de Vidro é com o cálcio, se você o retira essa 
união aumenta ou diminui? Claro que diminui. E quem é esse ácido fraco? O ácido poliacrílico, que é o 
líquido do próprio CIV. 
● utilizar uma ponta mais fina (F ou FF) ou broca mais multilaminada (quanto mais 
lâmina uma broca tem, menos ela corta), tudo na baixa rotação 
● pode ser feito com recortadores manuais, pois controla mais o uso desse 
instrumento. 
 
8. Limpe z a da cavidade 
Remoção de partículas remanescentes das paredes cavitárias possibilitando a colocação do 
material restaurador em uma cavidade completamente limpa. 
- Uso de ácidos 
- Jato Ar/Água 
- Solução de Digluconato de Clorexidina 2%

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