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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO CINTHIA WALLY ESTEPHANY REBECA AZEVEDO JÉSSICA BRITO LARISSA VIEIRA NATHÁLIA FREITAS DA ROCHA IMPLEMENTAÇÃO DE FERRAMENTAS DE QUALIDADE EM UM ESTABELECIMENTO: UM ESTUDO DE CASO São Paulo 2022 1 CINTHIA WALLY ESTEPHANY REBECA AZEVEDO JÉSSICA BRITO LARISSA VIEIRA NATHÁLIA FREITAS DA ROCHA IMPLEMENTAÇÃO DE FERRAMENTAS DE QUALIDADE EM UMA LOJA DE CONVENIÊNCIA: UM ESTUDO DE CASO Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia de Produção da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito parcial para obtenção do diploma de graduação. Orientador Prof. Ms. Marcos Ventura SÃO PAULO 2022 2 RESUMO Iniciar e gerir um negócio é um grande desafio atualmente, pensando nas dificuldades enfrentadas por novos, e principalmente pequenos, empreendedores. Como objeto de estudo escolhemos um comércio recém adquirido por uma nova proprietária para aperfeiçoar seus serviços. O intuito desde trabalho é sugerir a utilização das ferramentas da qualidade para um pequeno negócio, Mercado Gourmet, localizado na Zona Leste de São Paulo, no bairro do Carrão, próximo a Universidade Cidade de São Paulo, como forma de demonstrar a aplicação de ferramentas já empregadas na produção de grandes empresas para outras frentes de negócios, podendo assim trazer outras formas de manutenção ao novo cenário que se desenha em nosso país. O desenvolvimento do trabalho se deu através de etapas de coleta de dados, análise e proposta de soluções. Utilizando-se de ferramentas da qualidade, foram elas: brainstorming diagrama de Ishikawa, Pareto, Matriz GUT. As soluções para o desafio estabelecido, a falta de qualidade, onde por qualidade entendemos a falta de estruturação para as atividades e serviços prestados, foram a execução de um plano de ação que traz sugestões para os proprietários as cinco causas mais urgentes apontadas pela matriz GUT. Também foi utilizada a ferramenta 5S para trazer maior organização e produtividade ao estabelecimento.Com este trabalho conclui-se que a utilização de ferramentas da qualidade por pequenos empreendedores pode trazer a estes maiores potenciais lucrativos e vida útil aos seus negócios. Palavras-Chave: Diagnóstico, Mapeamento de processos, Ferramentas da qualidade. 3 ABSTRACT Nowadays, starting and running a business is a great challenge, considering the difficulties faced by new, and especially small, entrepreneurs. As an object of study, we chose a business recently acquired by a new owner to improve its services. The purpose of this work is to suggest the use of quality tools for a small business, Mercado Gourmet, located in the East Zone of São Paulo, in the Carrão neighborhood, near the Cidade de São Paulo University, as a way to demonstrate the application of tools already used in the production of large companies to other business fronts, thus being able to bring other forms of maintenance to the new scenario that is being designed in our country. The development of the work was done through the stages of data collection, analysis, and solution proposal. Using quality tools, these were: brainstorming, Ishikawa diagram, Pareto, GUT Matrix. The solutions to the established challenge, the lack of quality, where by quality we understand the lack of structure for the activities and services provided, were the implementation of an action plan that brings suggestions to the owners the five most urgent causes pointed out by the GUT matrix. The 5S tool was also used to bring greater organization and productivity to the establishment. With this work we conclude that the use of quality tools by small entrepreneurs can bring them greater profit potential and useful life to their businesses. Key-words: Diagnosis, Process Mapping, Quality Tools. 4 SUMÁRIO 1. Introdução ........................................................................................................ 5 1.1. Objetivo geral .................................................................................................... 6 1.2. Objetivos específicos ......................................................................................... 7 1.3. Metodologia ....................................................................................................... 7 2. Revisão de literatura ....................................................................................... 8 2.1. Conceito de qualidade ....................................................................................... 8 2.2. Ferramentas da qualidade ............................................................................... 11 3. Apresentação do caso .................................................................................. 27 3.1. Coleta de dados .............................................................................................. 28 3.2. Análise de dados ............................................................................................. 32 3.3. Conclusão da análise de dados ....................................................................... 35 CONCLUSÃO .................................................................................................................. 8 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 2 5 1. INTRODUÇÃO Nos dias atuais muito se fala sobre o espírito empreendedor do cidadão brasileiro, para o GEM (2016) entende-se como empreendedorismo qualquer atividade autônoma, sendo a criação de uma nova empresa ou a ampliação do empreendimento já existente. Segundo estudos realizados pelo Sebrae e IBPQ, no Brasil, o cenário empreendedor cresceu de 14 milhões de empreendedores em 2002 para 43 milhões em 2021, sendo que 46% da população ainda sonha com o próprio negócio (GEM, 2021). O que não acompanha este crescimento é a difusão de conhecimento ao que se diz respeito a administração de negócios. Diferente das grandes empresas, estes negócios não se utilizam de métodos já estabelecidos para controle, organização ou mesmo a rotina de atividades para garantir a qualidade do serviço prestado ou a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Tarefas como controle de caixa ainda são realizadas em bloco de notas, sem qualquer critério ou metodologia aplicada. Levando ao fechamento de grande parte dos pequenos negócios em seu primeiro ano de vida. Qualidade é uma das palavras mais divulgadas nas empresas e sociedade, quando falamos sobre produtos e serviço, o objetivo é que a figura humana seja satisfeita em sua necessidade, tendo o cliente final o papel de decisão a permanência da empresa. Neste trabalho se entende por qualidade, a falta de estruturação para as atividades e serviços prestados. No Brasil, a utilização dos métodos de qualidade por mais que tardia em relação a outros países, se mostrou um movimento bastante conciso e revelando-se o maior do mundo após o Japão. (CHENG, SCAPIN e OLIVEIRA, 1995). Pensando em nosso cotidiano conseguimos facilmente listar experiências que vivenciamos e nos deixaram insatisfeitos. Quando um serviço prestado, ou um estabelecimento não atingem as expectativas geradas por sua clientela possivelmente será perceptível os danos gerados por esta experiencia. Costuma-se dizer no meio de atendimento ao cliente que um cliente insatisfeito pode gerar uma cadeia de perdas de clientes ou ainda, deixa de alcançar um possível público. 6 Neste caso a empresa em estudo encontra-se na fase inicial do processo de gerenciamento da qualidade, onde ainda é preciso estabelecer quais serão as metas a serem atingidas ao longo do processo. Não é do conhecimento dos seus colaboradores, ou mesmo dos proprietários quais sãoAcesso em: 13 maio 2022. SCHULTZ, Felix. Matriz GUT: o que é e como usar para resolver problemas? o que é e como usar para resolver problemas? 2019. Disponível em: https://blog.bomcontrole.com. br/matriz-gut/#:~:text=Matriz%20GUT%20%C3%A9%20uma%20ferramenta,)%20e%20 tend%C3%AAncia%20(T). Acesso em: 13 maio 2022. SILVA, JOÃO MARTINS DA. 5S: O ambiente da qualidade. 3. ed. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1994. 160 p. SILVEIRA, Cristiano Bertulucci. Diagrama de Ishikawa,: causa e efeito ou espinha de peixe. Causa e Efeito ou Espinha de Peixe. 2012. Disponível em: https://www.citisystems.com.br/diagrama-de-ishikawa/. Acesso em: 13 maio 2022. SOARES, Vitor. Diagrama de Pareto: uma ferramenta útil para alavancar a produtividade. 2022. Disponível em: https://www.napratica.org.br/diagrama-de-pareto/ Acesso em: 13 maio 2022.as regras e parâmetros que devem reger a rotina do estabelecimento. Por muitas vezes em pequenos estabelecimentos o conhecimento agregado é realizado através das tentativas e erros cometidos pelos gestores, tendo esses pouco embasamento teórico de suas ações. O método produz resultados, mas a longo prazo podem comprometer a vitalidade do negócio. Neste mercado, com a troca de proprietários é vivenciada uma nova etapa, sendo essa de muitos planos futuros, como ser um espaço de convívio para leitura e coworking, ou de serviços que podem ser acessados 24 horas por dia, pensando também nas mudanças geradas pela pandemia de covid-19 iniciada em 2020, que trouxe novas possibilidades de trabalho e de vida a população. Também é de grande influência ao mercado Gourmet o crescimento da região, que passará a contar com novos condomínios residências, em alguns anos. Assim, o intuito desde trabalho é sugerir a utilização das ferramentas da qualidade para um pequeno negócio localizado na Zona Leste de São Paulo, no bairro do Carrão, próximo a Universidade Cidade de São Paulo, como forma de demonstrar a aplicação de ferramentas já empregadas na produção de grandes empresas para outras frentes de negócios, podendo assim trazer outras formas de manutenção ao novo cenário que se desenha em nosso país. 1.1. Objetivo geral O objetivo deste trabalho é, através do mapeamento dos fluxos dos serviços e utilização das ferramentas da qualidade, elaborar e propor estratégias que provoquem reais melhorias nos processos do estabelecimento “Mercado Gourmet”. 7 1.2. Objetivos específicos 1.Mapear os processos já existentes 2.Levantar dados referentes aos processos mapeados 3.Analisar os dados coletados utilizando as ferramentas da qualidade 4.Propor melhorias ao estabelecimento 1.3. Metodologia O trabalho a seguir foi realizado como estudo de caso com objetivo de caráter descritivo. Trazendo através do estudo possíveis desdobramentos ao desafio encontrado. O desenvolvimento prático se deu através de etapas de coleta de dados, análise e proposta de soluções. As visitas realizadas no estabelecimento, foram para conhecimento do espaço e investigação dos desafios encontrados. Posteriormente ao contato inicial, foram realizados encontros para a aplicação do brainstorming, que neste caso se deu de maneira individual, já que a rotina do estabelecimento não permitia a ausência de seus funcionários para a realização tradicional da prática. Após a elaboração inicial do desafio, as autoras utilizaram de pesquisa bibliográfica para embasamento teórico do estudo, utilizando dos bibliográfico dos principais autores dos temas abordados, pesquisas em revistas artigos e material eletrônico. Como forma de maior entendimento, e resultado das ferramentas, foram produzidos gráficos, planilhas e figuras. As etapas seguidas para realização do trabalho foram: 1. Visita inicial de diagnóstico e familiarização com os processos; 2. Visita para aplicação da ferramenta brainstorming; 3. Análise e interpretação dos dados obtidos; 4. Proposição de melhorias. 8 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Conceito de qualidade Qualidade é uma das palavras mais divulgadas nas empresas e sociedade, no entanto existe uma certa dificuldade para identificar esse termo. O conceito de qualidade abrange vários cenários, pois não se restringe entre produto e serviço. A qualidade enquanto conceito, evoluiu ao longo do tempo para que se adeque ao mercado, tendo em vista a ascensão dos negócios e o aumento da concorrência, fazendo com que as organizações permaneçam na busca constante por melhoria contínua de seus serviços ou produtos por meio de evoluções em seus processos. (LUPPI e ROCHA, 1998) Compreende-se que a qualidade se vinculou inicialmente com o conceito de conformidade á especificações, adequação ao padrão, mapeando as necessidades dos clientes referentes aos serviços e produtos, onde foram expandidos os fatores avaliados, tendo como foco alcançar a satisfação do cliente. (FONSECA, 2006) No mundo atual o mercado se mostra a necessidade dos parâmetros de qualidade como estratégia da empresa para alcançar cada vez mais o público mais exigente e se colocar dentre a concorrência de mercado. A busca pela satisfação do cliente e da organização em si está cada vez maior fazendo com que todos da instituição tenha a qualidade como ponto focal. De acordo com (PALADINI, 2000) a definição de qualidade envolve diversos elementos e diferentes níveis de importância; a qualidade pode ser descrita como algo abstrato, sendo que nem mesmo os consumidores indicam certamente quais são as suas prioridades e necessidades; no entanto a qualidade deverá ser enxergada como algo tangível e em uma situação ideal com contato com a atual realidade, no qual a organização se aproxima do mercado oferecendo ao consumidor produtos e serviços com os mecanismos adequados podendo influenciar na sua decisão. 9 2.1.1.Qualidade e metrificação Segundo Kotler (1998, p. 412) serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico. Hoje, a qualidade tem um sentido mais amplo, pois uma empresa pode entregar um produto ou serviço de qualidade, ou seja, entregar o que foi prometido ao cliente, porém apenas esse ponto não é suficiente. A empresa deve satisfazer em todos os detalhes, não só no atendimento ou venda, mas no pós-venda, suporte entre outros. Produtos e serviços são classificados através das diferenças existentes entre cada um deles. Produtos são físicos, tangíveis, produzidos e podem medir a qualidade através de testes, é uma qualidade objetiva. Já no que diz respeito aos serviços, consideramos aqueles que são intangíveis, não podem ser armazenados e são prestados por pessoas. A qualidade desta categoria é subjetiva pois será a percepção que o cliente teve, não só o que viu, mas o que sentiu. Para atingir esta qualidade pode-se prestar atenção em alguns elementos, sendo eles apresentados no quadro a seguir (CHIAVANETO, 2014). Quadro 1 – Elementos da qualidade e como atingir qualidade. FONTE: Autoras (2022) Toda prestação de serviço parte de uma necessidade de um cliente, que pode ser uma dificuldade que está passando ou uma melhoria em algum serviço que necessita, ou seja, o prestador de serviço tem que entregar uma solução para o cliente. 10 Pensar na qualidade e na prestação de serviços é pensar em como a demanda do consumidor está sendo atendida. E isso, com certeza, pode representar um diferencial competitivo para a empresa prestadora de serviços. Quando o cliente tem uma boa experiência junto à empresa, ela tende a aumentar seu relacionamento com ela, não só comprando mais dela, mas também indicando-a para sua rede de contatos. Para Cheng, Scapin E Oliveira (1995), a qualidade de serviço de uma empresa envolve clientes, mas não só os externos, mas os internos também com seus colaboradores. Se o processo interno da empresa não tem qualidade e se o funcionário não é atendido com qualidade pela empresa, como exigir dele que atenda com qualidade o cliente externo. Todo cliente busca a qualidade no atendimento na hora da necessidade de aquisição de um serviço, ele quer ter a certeza de que está fazendo a coisa certa. No momento que ele achar a empresa que atende esta necessidade, ele com certeza voltará a fazer negócios com a empresa. E para sabermos se estamos atendendo com qualidade existem três aspectos: medidas subjetivas, medidas objetivas e indicadores de qualidade. As medidas subjetivas, aquelas como questionários na qual o cliente pode avaliar os serviços, ou medidas objetivas, onde a quantidade de reclamações, quantidades de erros, tempode execução das tarefas são mensuradas. A empresa pode estabelecer metas de qualidade como quantidade mínima de erros, tempo de entrega, reclamação de clientes, entregas fora do prazo etc. Existem também outras formas de avaliar a qualidade do serviço: • fazendo reuniões com a equipe de vendas e a equipe de relacionamento com o cliente; • pesquisas junto ao consumidor; • monitoramento das redes sociais; • avaliar as reclamações com pesquisas sempre que terminar um atendimento. 11 2.2.Ferramentas da qualidade São métodos que tem por finalidade definir, analisar e solucionar um problema de um processo estudado. Com o passar do tempo as ferramentas da qualidade sofreram um aperfeiçoamento perante a tecnologia. O que vem sendo útil em grandes e pequenas empresas atualmente. É de fundamental importância um estudo sobre essas ferramentas, para que elas sejam usadas corretamente. Algumas palavras são importantes na utilização das ferramentas da qualidade, como as apresentadas no quadro 2. Quadro 2- Glossário da Qualidade. FONTE: Autoras (2022) Ao fazer uma análise da empresa/indústria/fábrica, consegue - se fazer um levantamento de onde precisa ser feito melhorias, essa análise já é feita através de uma de tantas ferramentas que a qualidade nos proporciona. As ferramentas da qualidade se tornaram facilidades para análises de causas raízes, melhoria de custos, processamento e qualidade dos produtos apresentados em suas determinadas áreas e empresas, melhorando o fluxo dos processos, e diminuindo os custos de acordo com o que for viável. 12 2.2.1. Brainstorming O termo Brainstorming significa “tempestade de ideias”, criado pelo autor e publicitário Alex Osborn, “Osborn desenvolveu formalmente o brainstorming, apresentando como argumento, o aumento da qualidade e quantidade de ideias desenvolvidas pelos membros do grupo (PAULUS e DZINDOLET, 1993)’. Trata - se de um momento de análise de uma narrativa ou tema. Segundo (OSBORN, 1997) Com o propósito de verificar a aplicabilidade do brainstorming, foi realizado pesquisas e testes em um grupo, a fim de avaliar o pensamento coletivo e sua capacidade de produção de ideias. Na época, a maioria dos dados foram obtidos através de estudos realizados nas áreas da educação, da indústria, das vendas e do governo. Em 1955, Osborn fez esses testes em instituições educacionais, como a Universidade de Akron, de Búfalo e de Pitsburgo, contribuindo para o desenvolvimento de um conhecimento mais aprofundado na área. Essa ferramenta da qualidade é essencial para iniciar uma solução de problemas ou projetos, unindo diferentes perspectivas conseguimos solucionar um problema com maior facilidade e flexibilidade. Para Godoy (1997), a tradução do termo para o português não garante o entendimento da ação realizada pela ferramenta, já que tempestade de ideias traz ao interlocutor a ideia de bate-papo sem um fim estabelecido, diferente do que é a real prática proporcionada por uma sessão de brainstorming. De acordo com (BAXTER 2008, P.68), o brainstorming é baseado do princípio “quanto mais ideias melhor”. Combinando ideias é possível chegarmos a uma conclusão e a uma solução para o problema, dentro do Brainstorming é importante ser sempre criativo e pensar em todas as possibilidades para melhoria do seu projeto. Por isso, é papel essencial ao condutor da sessão que ideias não sejam ridicularizadas, afinal ninguém conhece melhor o processo que está sendo discutido do que as pessoas ligadas a ele. (GODOY, 1997). Outro ponto importante é que qualquer empresa ou área estudada pode aderir a essa ferramenta para melhoria dos seus processos, assim sendo, uma das ferramentas da qualidade mais utilizadas atualmente. 13 2.2.2. Diagrama de Ishikawa Uma das 7 ferramentas da qualidade utilizada para o gerenciamento do controle de qualidade, o diagrama de Ishikawa, também conhecido como diagrama de causa e efeito ou diagrama espinha de peixe, é uma ferramenta visual, construída por um gráfico. É utilizada para análise de dispersões e organização no processo, criado em 1943 pelo Dr. Kaoru Ishikawa, um engenheiro químico da Tokyo University, esta ferramenta ajuda no levantamento das causas-raízes de um problema, analisando todos os fatores que fazem parte da execução do processo (SILVEIRA, 2012). O diagram espinha de peixe tem como objetivo ajudar a equipe identificar as causas reais de desafios que acometem nos processos organizacionais de uma organização. Ou seja, seu propósito é descobrir os fatores que resultam em uma situação indesejada na organização (ANDRADE, 2021). Um dos méritos desta ferramenta é sua capacidade de trabalhar com o pensamento sistêmico, pois o diagrama considera todos os dados e aspectos que podem ter levado à ocorrência do problema. Dessa forma, ao aplicá-lo, as chances de que algum fator de impacto seja esquecido ou desconsiderado diminuem consideravelmente. De acordo com Luiza Andrade (2021), esse diagrama traz diversos benefícios para a organização e para a equipe que a utiliza. Alguns desses benefícios são: • Aperfeiçoamento dos processos e melhoria contínua; • Envolvimento de toda a equipe na gestão da qualidade e na melhoria de processos; • Exploração dos desdobramentos do problema na empresa; • Hierarquização e priorização das causas encontradas; • Identificação das possíveis causas de forma ágil e assertiva; • Melhor visibilidade dos problemas a serem enfrentados; • Organização das ideias do grupo, com foco e objetividade; • Registro visual intuitivo que facilita futuras análises. Para sua composição, devemos considerar que as causas dos problemas podem ser classificadas em 6 tipos diferentes de causas principais que afetam os processos. Cada uma destas causas inicia com a letra M, levando a ferramenta a também ser conhecida como 6Ms (SILVEIRA, 2012). 14 No esqueleto gerado no diagrama, cada um dos Ms está relacionado a um mesmo efeito, único, e que está sob análise da equipe. Por isso, devemos utilizá-lo para analisar um único efeito, claro e bem definido, e que pode ter raízes em várias causas. Existe ainda um sétimo M, que tem a origem na palavra em inglês management que por sua vez está relacionado à gestão. (SOARES, 2022). Para os problemas que podem ocorrer devido a metodologia aplicada de forma incorreta, ou seja, quando o efeito indesejado é consequência da metodologia de trabalho escolhido, utilizamos a categoria método, são essas as causas ligadas às práticas e procedimentos utilizados para executar o trabalho. A categoria de matéria prima está reservada as causas que envolvam o material utilizado no trabalho. Os problemas podem surgir devido à inconformidade técnica ou pela qualidade exigida para realização do trabalho. O questionamento a ser realizado é se o material utilizado pode ter influenciado o trabalho, se o material tinha boa qualidade, ou se foi proveniente de um fornecedor homologado. Para as causas que irão responder aos questionamentos referentes ao colaborador, ou seja, se está preparado e bem treinado, se sua atitude está adequada ou se há falta de experiência. A alocação deve ser realizada na categoria mão de obra, aquelas que envolvem atitudes e dificuldades por parte do colaborador como por exemplo: procedimento inadequado, pressa, imprudência, ato inseguro, desleixo, falta de qualificação, dentre outros. Para a categoria máquinas, ficam reservadas as causas que envolvem tudo que está relacionado com maquinário do processo. Muito problemas são derivados por falhas de máquinas, podendo ser causados devido à falta de manutenção regular ou mesmo se for operacionalizada de forma inadequada. A medição é a seção relacionada aos instrumentos de medida, sua calibração, a efetividade de indicadores em mostrar as variações de resultado, avaliações de formaincorreta, se o acompanhamento está sendo realizado, se ocorre na frequência necessária etc. Problemas podem aparecer quando o efeito é causado por uma medida tomada anteriormente para modificar processo. Vale ressaltar se as métricas utilizadas são as corretas. 15 Por último entende-se que as causas relacionadas às questões do trabalho como local, calor, layout, poluição, poeira, falta de espaço, dimensionamento inadequado dos equipamentos, dentre outros, são aquelas relacionadas ao meio-ambiente. Este também pode favorecer a ocorrências de problemas, pensando na influência do meio ambiente na ocorrência do problema. Segundo Silveira (2022), nem todos os M’s necessariamente devem ser utilizados, pois em alguns casos, certos Ms podem não ser aplicáveis. A ideia de tentar “encaixar” todos os M’s seria permitir à equipe pensar em todas as possibilidades e visualizar outros fatores que podem impactar no problema. Isto evita com que o time fique focado somente em uma causa principal. A utilização da ferramenta pode se dar quando um novo projeto de melhoria que, por exemplo, está em fase de planejamento, ou um processo já vigente necessita de um monitoramento para que entre em conformidade, esses são momentos em que a ferramenta melhor opera. 2.2.3. Matriz GUT A Matriz GUT é uma ferramenta que ajuda a definir prioridades e organizar os requisitos por gravidade (G), urgência (U) e tendência (T). Também conhecida como matriz de prioridades, é uma ferramenta que ajuda a identificar situações para priorizar suas soluções (SCHULTZ, 2019). Proposta por dois especialistas em resolução de problemas organizacionais, Charles H. Kepner e Benjamin B. Tregoe, além da resolução de problemas, a matriz GUT é utilizada em situações como estratégia, desenvolvimento de projetos, tomada de decisão e muito mais. (Renata Freitas de Camargo, 2018) Uma ferramenta que ajuda a priorizar a resolução de problemas, capaz de resolver vários problemas ou decisões complexas. Essa matriz é usada para categorizar cada questão que os gerentes consideram adequada de três maneiras: 16 Gravidade (G): O impacto que a abordagem do problema terá nas pessoas envolvidas, sejam funcionários, processos, tarefas, resultados da empresa etc. A análise baseia-se no impacto que o problema terá a médio e longo prazo se não for resolvido. Urgência (U): é o prazo, ou o tempo disponível para resolver o problema. Não há segredo aqui: quanto menor o tempo, mais urgente é o problema que deve ser resolvido. O recomendado é fazer a pergunta: isso pode esperar? Tanto a gravidade, quanto a urgência, são medidas da seguinte forma: Figura 1– Níveis de urgência. FONTE: Autoras (2022) Tendência (T): A probabilidade (ou potencial) de um problema de tratamento aumentar ao longo do tempo. Aqui, a evolução do problema é prevista. A pergunta a ser feita é: se eu não resolver isso hoje, o problema vai piorar progressivamente ou de repente? Os níveis são definidos por: • Sem tendência de piorar • Piorar em longo prazo • Piorar em médio prazo • Piorar em curto prazo • Agravar rápido Para Sculthz (2019), os gestores priorizam os requisitos com base na gravidade do problema, na urgência que deve ser abordada e na tendência do problema se agravar rapidamente, focando nos itens mais críticos. 17 As matrizes GUT podem ser usadas em qualquer situação em que seja necessário tomar decisões que exijam uma análise mais cuidadosa de determinados cenários. Como a aplicação da ferramenta resulta em uma lista priorizada do que fazer primeiro, essas informações geralmente são críticas para a eficácia da solução de problemas. Além disso, ainda é possível saber onde alocar recursos para evitar maiores danos à organização. (“Matriz GUT (Matriz de Priorização) - Ferramentas da Qualidade”) Alguns aplicativos, como prioridade de problema, prioridade de processo, prioridade de risco e prioridade de não conformidade (NAPOLEÃO, 2019). Para montar a matriz GUT, as etapas a serem seguidas, devem ser: listar seus problemas; atribuir pontuações para os problemas nas 3 variáveis (Gravidade, Urgência e Tendência); multiplicar as 3 notas para obter o ranking dos seus principais problemas e elabore planos de ação para solucionar ou reduzir os problemas. 2.2.4. Diagrama de Pareto O diagrama de Pareto é um gráfico usado para demostrar uma posição das causas de problemas, que necessitam de soluções. Possibilitando melhor visualização da importância, da maior à menor frequência das ocorrências. O Princípio de Pareto foi adaptado aos problemas da qualidade por Juran, a partir da teoria desenvolvida pelo sociólogo e economista italiano Vilfredo Pareto. O princípio de Pareto estabelece que a maior parte das perdas decorrentes dos problemas relacionados à qualidade é advinda de alguns poucos, mas vitais problemas. Ou seja, o Princípio de Pareto afirma que se forem identificados, por exemplo, 50 problemas relacionados à qualidade, a solução de apenas oito ou dez desses problemas já poderá representar uma redução de 80 ou 90% das perdas que a empresa vem sofrendo devido à ocorrência de todos os problemas existentes. Com a contribuição de Joseph Juran, o Princípio de Pareto se transformou em uma das 7 Ferramentas da Qualidade, utilizando-se da relação 80/20 para analisar os problemas de Qualidade encontrados no SGQ. O princípio 80/20, diz que , 80% das consequências decorrem de 20% das causas. 18 Segundo Camargo (2018), o diagrama baseia-se no princípio de que a maioria das perdas tem poucas causas, ou que poucas causas são vitais, sendo a maioria trivial. Muitas vezes, no Diagrama de Pareto, ferramentas da qualidade são incluídos valores em porcentagem e o valor acumulado das ocorrências. A partir desta forma é possível avaliar o efeito acumulado dos itens pesquisados. Originalmente, o diagrama foi criado para estudar perdas na indústria, organizando-as por ordem de frequência, por isso é comum dizer que o Diagrama de Pareto ajuda a estabelecer prioridades por mostrar a ordem em que as causas das perdas devem ser sanadas de acordo com sua frequência. Entretanto, também pode ser utilizado em várias outras situações, como por exemplo, na implantação de melhorias. Um dos objetivos centrais de um programa de qualidade é reduzir perdas provocadas por itens defeituosos que não atendem às especificações, visto que há muitos tipos de defeitos que invalidam o produto. Concentrar esforços no sentido de eliminar todos os tipos de defeitos não é uma política eficaz, assim devemos focar nos tipos de defeitos que são responsáveis pela maioria das rejeições, sendo mais eficaz atacar as causas desses poucos defeitos mais importantes, por isso a necessidade de utilizarmos o Diagrama de Pareto. 2.2.5. 5W2H A ferramenta 5W2H foi criada para auxiliar na utilização do PDCA, mais precisamente na parte de planejamento, criado por profissionais da indústria automobilística do Japão durante a condução de estudos sobre qualidade. Segundo Araújo (2017), ela entende que o 5W2H facilita a tomada de decisão para quem deseja implementar planos de ação de melhoria, um método de estruturar ideias de forma bem desenhada, planejada e precisa. 5W2H é uma ferramenta que tem como objetivo elaborar planos de ação que por desempenho e objetividade na orientação da tarefa, tem ganhado espaço no mundo da gestão de projetos, planejamento entre outras formas de gestão. 19 A ferramenta 5W2H tem como objetivo básico permitir que todas as atividades propostas possam ser discutidas em seu grupo de trabalho, assim simplificando a visualização dos problemas os próximos passos das ações decididas pela equipe. A intenção principal é que todas as atividades a serem executadas com o máximo de detalhes para executar sua implementação com sucesso. Segundo Rocha(2012) 5W2H é uma ferramenta utilizada para organizar ações e definir os respectivos responsáveis e recursos, garantindo um planejamento das ações visando sua conclusão efetivamente. A sigla é referente aos questionamentos, que devem ser respondidos (planejados) no plano de ação: Quadro 3 – questões da ferramenta 5W2H. FONTE: Autoras (2022) Em relação a cada uma dessas perguntas citadas na tabela, podemos montar diferentes questionamentos para melhor entendimento do método 5W2H: • O que? Qual ação irá ser tomada para a resolução do problema? • Quem? Qual pessoa ou grupo será responsável pela ação? • Onde? Onde a atividade irá ser conduzida? Onde a equipe irá tomar decisões? • Quando? Em qual período, dia ou mês irá ser realizada a ação? • Por quê? Por qual motivo essa ação irá ser executada? • Como? Oque irá ser necessário para essa ação ser executada? Qual o plano para essa ação? • Quanto? Qual o orçamento irá ser necessário para essa ação ser executada? 20 A partir dessas questões é possível planejar e direcionar as ações para a equipe, departamento ou pessoa responsável. Segundo Rocha (2012) quando se trata de certificação de qualidade, este é uma das ferramentas mais utilizada porque o plano de ação visa além de implementar melhorias, os problemas existentes são identificados e resolvidos. A ferramenta é planejada para eliminar processos, sistemas ou produto, como solução para um processo não conforme. Por ser uma ferramenta simples e educativa, qualquer pessoa pode utilizá- la Empresa e todos os departamentos. Para sua execução, não é necessário Software específico, mas pode ser desenvolvido através de planilhas, softwares Controle de processos e gerenciamento de projetos. 2.2.6. 5S, conceito e origem. Com origem no Japão tendo seu início em torno dos anos 50, o termo 5S é um programa da qualidade que serve como base para a aplicação das práticas e conceitos da qualidade total. O programa tem carácter universal, ou seja, pode ser implementado em organizações públicas e privadas, integras ou não, em iniciativas que abrange produtividade e qualidade. Silva (1994) cita que o nome do programa 5S se dá através de cinco palavras japonesas, que se inicia com a letra S: seiri, seiton, seiso, seiketsu e shitsuke. Em português os “S” foram interpretados como “Senso”. No Brasil foi inserido com a seguinte identidade: senso de utilização, senso de ordenação, senso de limpeza, senso de saúde e senso de autodisciplina. Com o propósito de conscientizar todos os envolvidos e tornar estes comportamentos das pessoas o 5S tem como base fazer com que as pessoas se sintam envolvidas e motivadas a praticar estes sensos com a percepção que quando todos praticarem como um hábito irá trazer benéficos para a organização tanto para os colaboradores quanto para os clientes. 21 Um dos objetivos do programa 5S de acordo com Silva (1994) é satisfazer a organização como um todo, juntando clientes, colaboradores e a sociedade onde está inserida. O programa ajuda a organizar e estabelecer novos projetos de melhoria contínua e produtividade, colaborando para que a organização tenha maior desempenho em sua atividade trazendo como resultado melhor desenvolvimento e reduzindo desperdícios. Portanto, o 5S no entendimento de Laes e Haes (2006) o programa tem como finalidade a eliminação de desperdícios no local de trabalho e motivar mudanças na cultura da organização proporcionando senso de organização da organização junto com a autodisciplina dos colaboradores. 2.2.6.1.Seiri – Senso de organização De acordo com Ribeiro, 1994, p. 18 “Organizar é separar as coisas necessárias das que são desnecessárias, dando um destino para aquelas que deixaram de ser úteis para aquele ambiente”. O senso de utilização (Seiri) é a capacidade de definir os equipamentos ou materiais necessários e desnecessários para o local de trabalho definindo um padrão para descarte do que não é útil para o dia a dia do local. Segundo Silva (1994) este primeiro senso serve para eliminar e descartar de forma correta os materiais que não serão mais úteis para o local de trabalho e realocar os materiais que ainda possui serventia para locais adequados. De acordo com Costa Rosa (2002) a forma mais prática é deixar os materiais e maquinários em lugares específicos onde não impacte de forma negativa o ambiente de trabalho e que ele permaneça limpo e organizado. O grande objetivo deste senso não é apenas o descarte e sim saber qualificar o que pode ser reaproveitado e o que deve de fato ser descartado utilizando ferramentas de trabalho que ajude na padronização para que os materiais fiquem no local correta e assim com o uso destes procedimentos a empresa irá ganhar maior espaço de utilização. Silva (1994). 22 Os objetivos podem ser descritos por passos assim criando hábitos para realizar as seguintes atividades: • Analisar todos os equipamentos no ambiente de trabalho assim retirando o que não for utilizar deixando apenas o que irá ser necessário. • Os materiais que são utilizados com mais frequência deixar em locais próximos e os que não são deixar em lugares específicos ou descartar. • Para o descarte de material sempre consultar outras pessoas para realizar o descarte corretamente • Não deixar itens em excesso no local de trabalho • Manter os materiais, equipamentos e instalações em boas condições de uso para evitar perdas ou riscos de acidentes. O senso de utilização tem como objetivo desenvolver as pessoas para saber eliminar desperdícios do local de trabalho, disponibilidade de espaço físico, fácil localização de materiais e ter conhecimento do que se encontra em de estação de trabalho 2.2.6.2.Seiton – senso de ordenação Ordenar é guardar as coisas necessárias, de acordo com a facilidade de acessá- las levando em conta a frequência de utilização, o tipo e o peso do objeto, como também uma sequência lógica praticada, ou de fácil assimilação. Quando se tenta ordenar as coisas, necessariamente o ambiente fica mais arrumado, mais agradável para o trabalho e, consequentemente, mais produtivo. (RIBEIRO, 1994, p. 18). O senso de arrumação (seiton) para Silva (1994) deixa mais fácil a aplicação do primeiro senso (seiri) ao reduzir o tempo de procura dos materiais necessários estabelecendo uma comunicação visual para o acesso mais prático dos objetos. Definir um local específico para cada material mantendo-os em seus respectivos lugares. 23 O principal objetivo de seiton de acordo com Osada (1992) é ter como princípio a arrumação, ou seja, colocar os materiais nos lugares corretos e adequados para que assim possam ser utilizados prontamente de maneira mais prática e segura acabando com a procura dos materiais otimizando o tempo de procura. Para que o senso de arrumação traga resultados, os seguintes passos deverão ser seguidos: • Estabelecer lugares adequados para a preservação de forma segura dos materiais • Armazenar materiais com fácil visualização • No local de trabalho identificar os objetos para fácil localização dele otimizando o desperdício de tempo na procura do objeto • Diminuir risco de acidentes Na fase de implementação é muito importante que os colaboradores estejam engajados e sigam os passos descritos acima a fim de melhorar a disposição dos materiais aumentando a acessibilidade e diminuindo o tempo de procura por eles. 2.2.6.3.Seiso – Senso de limpeza O senso de limpeza (seiso) de acordo com Abrantes (2007), envolve várias ações além de limpeza, e deve ser considerado como uma oportunidade para evitar a sujeira e realizar inspeções com certa frequência para que seja mais fácil localizar pontos com sujidades e suas fontes, identificando possíveis falhas e desperdícios incluindo assim a boa preservação dos equipamentos e materiais garantindo um ambiente de trabalholimpo, sensação de bem estar para os colaboradores que ali atuam e eliminando o excesso de estoque, cita Silva (1994) 24 A aplicação pode ser realizada pelos próprios colaboradores do local, realizando assim um monitoramento diário e contínuo. Ribeiro (2010) cita que o Seiso tem o objetivo de aperfeiçoar os colaboradores com hábitos de zelo pelas instalações e recursos, seguindo os seguintes passos: • Fazer com que os colaboradores desenvolvam o sentimento de dono, sendo os responsáveis pelo monitoramento do local, assim, realizando inspeções de limpeza nos equipamentos e locais pré-determinados • Deixar o local que utilizou sempre limpo e organizado • Realizar o monitoramento das lixeiras, a fim de facilitar a remoção e o descarte correto dos materiais Com a implementação deste senso no ambiente de trabalho é possível localizar causas e fontes de sujeira, tornando assim o local limpo e agradável. 2.2.6.4.Seiketsu – Senso de saúde O senso de saúde, higiene ou padronização (Seiketsu) é alcançado a partir da implementação de todos os outros sensos citados anteriormente tendo praticado os hábitos rotineiros de higiene, saúde mental e segurança no trabalho. De acordo com Silva (1994), materiais em excesso, má ordenação e sujeira são reconhecidas como causas de acidentes de trabalho e estresse. Praticar no dia a dia essas causas significa uma grande iniciativa para assim conservar a vida da organização e dos colaboradores em boas condições. Ribeiro (2010) cita que o Seiketsu tem como finalidade criar o hábito da higiene e padronização do ambiente. A partir dos passos a seguir essa cultura é identificada: Com todos os colaboradores presentes é necessário discutir sobre regras de convivência, até estabelecer um acordo; identificar se as instalações e materiais estão de acordo com os padrões que foram estabelecidos; analisar com o departamento responsável pela área da saúde, sobre os principais problemas prejudiciais para os 25 funcionários da organização. E com isso elaborar planos de ação para que possam desenvolver procedimentos e eliminar riscos. Manter a padronização organização na organização visando sempre a saúde dos colaboradores e bem-estar deles na empresa, é uma cultura para que o colaborador possa identificar riscos e possa monitorar ou comunicar para a área responsável para que assim, seja tomada uma ação seja de longo ou curto prazo. A etapa Shitsuke, é caracterizada por promover a autodisciplina, motivando os funcionários a prática diária do senso estabelecendo padrões. O hábito de praticar e transformar as etapas do 5S como parte fundamental do seu campo de trabalho, Imai (2014). Segundo Silva (1994) À medida que as pessoas se mantem fiel e comprometimento dos padrões técnicos e éticos da empresa, sem precisão de controle externo. De acordo com Ribeiro (2010), o Shitsuke tem como objetivo criar para a organização a cultura da autodisciplina para vários princípios, como: normas, procedimentos e regras. Com as seguintes atividades esta cultura foi conquistada a partir destas atividades: • Deve-se manter em dia o 5S independente do monitoramento dele; • Cumprir na data estabelecida os compromissos propostos e fazer o contato imediato com as pessoas afetadas para que providências referentes ao compromisso seja contornada a fim de evitar atrasos; • Avaliar se a conduta de algumas pessoas está afetando direta ou indiretamente outras pessoas; • Cumprir normas e acordos definidos e se identificar melhorias apresentá-las. Esse último senso engloba a prática assídua dos 5S ao todo e é imprescindível a colaboração de todos os funcionários para o sucesso dele. 26 2.2.6.5.Shitsuke – Senso de disciplina A etapa Shitsuke, é caracterizada por promover a autodisciplina, motivando os funcionários a prática diária do senso estabelecendo padrões. O hábito de praticar e transformar as etapas do 5S como parte fundamental do seu campo de trabalho, Imai (2014). Segundo Silva (1994) À medida que as pessoas se mantem fiel e comprometimento dos padrões técnicos e éticos da empresa, sem precisão de controle externo. De acordo com Ribeiro (2010), o Shitsuke tem como objetivo criar para a organização a cultura da autodisciplina para vários princípios, como: normas, procedimentos e regras. Com as seguintes atividades esta cultura foi conquistada a partir destas atividades: • Deve-se manter em dia o 5S independente do monitoramento dele; • Cumprir na data estabelecida os compromissos propostos e fazer o contato imediato com as pessoas afetadas para que providências referentes ao compromisso seja contornada a fim de evitar atrasos; • Avaliar se a conduta de algumas pessoas está afetando direta ou indiretamente outras pessoas; • Cumprir normas e acordos definidos e se identificar melhorias apresentá-las. De acordo com o texto publicado no portal eletrônico Brasil Acadêmico, o senso de disciplina é “ter os empregados comprometidos com o cumprimento rigoroso dos padrões éticos, morais e técnicos e com a melhoria contínua a nível pessoal e organizacional” Esse último senso engloba a prática assídua dos 5S ao todo e é imprescindível a colaboração de todos os funcionários para o sucesso dele. 27 3. APRESENTAÇÃO DO CASO O mercado Gourmet, antes conhecido como mercado Soares, nome esse que ainda consta em sua faixada como é possível verificar na figura 2, é uma loja de conveniência que oferece aos seus clientes múltiplos serviços, sendo eles: padaria, lanchonete, restaurante e mercado. O mercado já conta com uma história anterior, porém está sob direção de Heloísa desde fevereiro de 2022. Os principais clientes do estabelecimento são os moradores do edifício residencial localizado acima do estabelecimento e do entorno, além de transeuntes da Avenida Celso Garcia. Figura 2 – Frente do estabelecimento. FONTE: Google Maps. Acesso em 23 abr. 2022. Neste momento do negócio, a nova proprietária vem estabelecendo novos parâmetros de administração, busca pelos fornecedores, estruturação do cardápio e reforma no layout do estabelecimento, com a ideia de proporcionar novos ambientes, como uma área de descanso, aos seus frequentadores. Hoje os itens de fabricação local são lanches, bebidas e as refeições servidas durante o horário de almoço, em modelo self-service e a lá carte, com refeições de variam de R$ 14,00 a R$25,00. Já os pães são fornecidos por terceiros ao mercado. 28 O corpo de funcionários é formado por 4 atendentes que se revezam entre as funções de caixa, balconista e garçons. Na cozinha para o preparo das refeições é realizado por uma cozinheira e uma ajudante de cozinha. A limpeza do estabelecimento também fica sob a responsabilidade dos atendentes que devem manter os espaços de trabalho organizado e aos sábados, aproveitando a baixa movimentação é realizada uma limpeza maior nós demais espaços. A limpeza e organização da cozinha são de responsabilidade da cozinheira e auxiliar. 3.1.Coleta de dados 3.1.1.Análise do desafio Inicialmente como grupo, a ideia era verificar o maior problema do estabelecimento e propor soluções baseadas nas ferramentas de qualidade. Porém, através do reconhecimento das atividades verificamos uma ausência de parâmetros e dados que dificultaria nossas ações, sendo assim entendemos que a necessidade do mercado Gourmet é justamente ter acesso e conhecimento de tais ferramentas, ocasionando uma readequação a nossa abordagem. Para isso, estabelecemos que dentro do nosso trabalho o desafio principal deste negócio é a falta de qualidade, onde por qualidade entendemos a falta de estruturação para as atividades e serviços prestados, pontos que podem atingir diretamente a satisfação do cliente quando olhamos para outros estabelecimentos do ramo e pensamos em nossas experiências quanto usuários.Dentro de qualidade enquadramos, para esse trabalho, áreas de: limpeza, organização, atendimento, estoque. E então colocamos em prática a primeira ferramenta de qualidade, o brainstorming. Para a realização do brainstorming, devido a dinâmica do estabelecimento, realizamos algumas adaptações na ferramenta. Através de conversas individuais, demonstramos aos funcionários e a proprietária o que entendamos como nosso principal 29 fator e realizávamos a pergunta: "o que você acha que falta para um serviço de qualidade no mercado Gourmet?". Após realizadas as entrevistas e coletadas as respostas, agrupamos cada uma delas em categorias e sintetizamos aquelas que se assemelhavam. Gerando o quadro da figura. Quadro 4- Levantamento Brainstorming. FONTE: Autoras (2022) 3.1.2.Categorização das causas Sendo assim, adentramos a segunda ferramenta utilizada, o diagrama de Ishikawa. Através deles conseguimos realizar uma visualização maior das possíveis causas do nosso efeito principal, falta de qualidade. 30 Figura 3- Diagrama de Ishikawa. FONTE: Autoras (2022) 31 O diagrama de Ishikawa e a tabela gerada pelo brainstorming nos deram a dimensão das relações entre cada uma das causas e que poderíamos também ilustrar suas correlações através de um diagrama. Figura 5 - Diagrama de correlação. FONTE: Autoras (2022) Para que fossem estabelecidas as correlações utilizamos dos critérios que faziam sentido a visão do grupo e do estabelecimento, assumindo que nem sempre uma correlação seria estabelecida em entrada e saída entres as causas. Através da correlação o número total de entradas e saídas, se tornava semelhante, tendo maior número de entradas a causa “falta de organização dos materiais de limpeza” e maior número de saídas a causa “falta de treinamento”. 32 Tabela 1 – Correlações: Entradas e saídas FONTE: Autoras (2022) 3.2.Análise de dados 3.2.1.Classificação de urgência Partindo para a análise dos dados optamos por classificar e entender a urgência de cada uma das causas, sabendo assim como lidar com cada uma delas e o nível de influência que cada uma poderia exercer dentro da rotina do estabelecimento, gerando então a matriz GUT. Com a matriz GUT (tabela 2), conseguimos constatar que 3 itens se tornam bastante preocupantes e possuem muita influência na qualidade dos serviços, sendo eles: • Falta de item para preparo; • Falta de método para distribuição de tarefas; • Falta de treinamento. 33 Tabela 2– Matriz GUT FONTE: Autoras (2022) Cada um desses itens pode gerar grande desordem e confusão dentro do Mercado Gourmet. Sendo um restaurante com clientes fixos, a falta de item ao preparar uma refeição gera no cliente a insatisfação podendo este não mais retornar ao estabelecimento e ainda propagar uma imagem depreciada dele. Além de que não falta dos itens na cozinha, foi nos informado que o item é retirado do estoque do mercado, sem qualquer controle destas ações, gerando assim um orçamento sem controle de caixa. Quanto a falta de método para distribuição de tarefas e falta de treinamento, acreditamos que essas também se encontram plenamente relacionadas, já que a proprietária tem a ideia de gerir seus funcionários através da rotação entre os postos de trabalho, porém esta divisão é feita de maneira completamente orgânica, muitas vezes no próprio turno de trabalho, sem qualquer preparação ou treinamento prévio do funcionário, gerando nos colaboradores a incerteza e falta de prática nas atividades executadas. 34 Tabela 3- Diagrama de Pareto com saídas da Matriz GUT FONTE: Autoras (2022) Para ilustrar ainda melhor o grau de influência de cada uma das causas, optamos por utilizar a metodologia do diagrama de Pareto de forma que foram aplicados os níveis de urgência ao invés dos itens de frequência, idealmente utilizados para construção do diagrama de Pareto. Em nosso estudo, utilizamos as saídas da matriz GUT para execução do método de Pareto, gerando a figura 4. Figura 6- Diagrama de Pareto. FONTE: Autoras (2022) 35 3.3. Conclusão da análise de dados 3.3.1. Análise 5S Ao decorrer da análise do local e conversas com os funcionários e com a proprietária notamos que eles não conheciam o 5S e qual sua funcionalidade para melhorar a qualidade de serviço do estabelecimento. Nos locais da cozinha e padaria foi aonde podemos observar o impacto da não aplicação do 5S nos locais e podemos listar os problemas na tabela abaixo: • falta de organização; • produtos em locais inadequados; • falta de identificação de produtos e alimentos; • necessário descarte de materiais. O grupo observou todos os detalhes e com a permissão da proprietária registramos algumas imagens: Figura 7 – Prateleiras na cozinha. FONTE: Autoras (2022) 36 Figura 8 – Prateleiras da cozinha. FONTE: Autoras (2022) Nas imagens (figura 7 e 8) tiradas na cozinha do restaurante temos a bancada onde ficam armazenados utensílios e alimentos utilizados no dia a dia para o preparo das refeições, durante o estudo de caso analisamos que os alimentos estavam sem armazenamento adequados, sem identificação o que resulta em maior tempo de procura e alguns produtos abertos, podendo ocorrer imprevistos como presença de insetos, sujeira e não ter visível a validade dos produtos podendo não estar dentro do período de consumo e com isso pondo em risco a saúde dos clientes e qualidade do restaurante. As sacolas, utensílios e caixas de papelão sem um local determinado também chamaram atenção por sua desorganização e o descarte de alguns itens são necessários. Como o estabelecimento está em período de obra quanto maior exposição dos alimentos em locais propício a sujeira e insetos a atenção e cuidados deverá ser redobrada. 44 Figura 9- Pia da cozinha restaurante. FONTE: Autoras (2022) Na imagem (figura 9) na prateleira embaixo da bancada da pia da cozinha notamos a presença de materiais de limpeza inflamáveis sem identificação e até mesmo abertos, sem local adequado e identificado para armazenar eles causando além de desorganização, perigo aos clientes e funcionários, por ser um local que possui grande quantidade de equipamentos de cozinha industriais o que potencializa sua periculosidade quanto aos inflamáveis. De acordo com NBR 14725-4 os produtos químicos devem ser devidamente identificados e armazenados em local adequado. Nas imagens (figuras 10 e 11) na padaria identificamos problemas similares aos encontrados na cozinha, utensílios usados no dia a dia sem um local determinado e alimentos sem armazenamento adequado e sem identificação, resultando em desorganização do local e com isso gerando uma má impressão a quem entra no estabelecimento. 44 Figura 10 – Padaria. FONTE: Autoras (2022) Figura 11- Armazenamento cozinha. FONTE: Autoras (2022) Ao longo da análise o grupo notou a falta de descarte adequada para materiais recicláveis e orgânicos e não tem qualquer tipo de controle de limpeza entre os funcionários. 44 3.3.1.1. Melhorias propostas Para propor as melhorias iremos utilizar os sensos do 5S a fim de propor ideias para melhor qualidade de serviço para os clientes e funcionários do estabelecimento. 3.3.1.2. Senso de utilização Para melhorar o espaço nas prateleiras e bancadas da cozinha e padaria propomos que a proprietária junto com toda a equipe realize uma conversa e estabeleçam o que realmente é necessário durante o dia a dia do estabelecimento e decidam o que deve ser descartado deixando apenas o que irá ser necessário. Os utensílios que são usados com maior frequência, deverão ser deixados em um local com maior facilidade para uso. É extrema mente necessárioque em todo descarte sempre consultar os outros funcionários ou a proprietária, assim realizando o descarte corretamente. Com este descarte iremos obter maior espaço físico para assim poder armazenar o que realmente é necessário. 3.3.1.3. Senso de ordenação A partir da implementação do Seiton, Senso de ordenação que visa maior acessibilidade, propomos para os funcionários que estabeleçam locais com maior visibilidade e acesso para os utensílios e materiais que são utilizados com maior frequência e identificá-los resultando em menor tempo de procura otimizando o tempo de trabalho 44 3.3.1.4. Senso de limpeza Durante o estudo do local e conversa com os funcionários, notamos que eles não têm controle eficaz de limpeza e nem uma frequência monitorada entre os funcionários para que seja feita a limpeza do local. Então sugerimos que seja elaborado um checklist de limpeza em que os próprios funcionários realizem o controle e que fique mais acessível a visibilidade e necessidade de limpeza do local. Para que este senso de limpeza seja desenvolvido é necessário que os funcionários desenvolvam o sentimento de dono e que consigam inspecionar e identificar a causa e saber como eliminá-la, tornando o ambiente cada vez mais limpo. 3.3.1.5. Senso de saúde Pensando na saúde dos clientes e dos funcionários é indispensável que haja maior fiscalização dos produtos utilizados assim, observando se os alimentos não estão abertos ou fora do local de armazenamento adequado. Deve-se sempre analisar as datas de vencimento dos produtos alimentícios com frequência. O estabelecimento está passando por algumas obras então a dedetização do local tem que ser realizada em um período necessário para evitar insetos. Os funcionários devem conter os equipamentos adequados para o manuseamento das refeições. Os produtos de limpeza inflamáveis identificados em lugares inapropriados devem ser realocados em um local que traga maior segurança para os funcionários e clientes, assim eliminando o risco de acidentes no ambiente. 44 3.3.1.6. Senso de padronização Foi observado durante a análise que os utensílios, alimentos e produtos de limpeza não tem um local específico, para gerar maior espeço físico e organização é indicado que haja uma análise do layout dos locais de armazenamento para estabelecer um local apropriado e identificá-los. Figura 12- Exemplos de etiquetas. FONTE: Autoras (2022) Com a identificação correta nas prateleiras irá melhorar a organização do espaço e o tempo de procura dos itens, assim otimizando o tempo de trabalho. Assim como deverá identificar o local das prateleiras para melhor organização e uso do local, os produtos e materiais sem a devida identificação também deverá ter as etiquetas com o nome do produto e o prazo de validade para o melhor controle de vida produto. Figura 13- Etiqueta. FONTE: Autoras (2022) Além da identificação, o local de armazenamento é importante manter padronizado, portanto, o ideal é que a proprietária tenha um recipiente para cada produto, pois quando analisamos o local não identificamos e os alimentos ficam abertos e sem recipientes adequados. Conversando com a proprietária propomos que ela adquira caixas organizadoras para a cozinha e a área da padaria afim de facilitar o armazenamento dos produtos, sempre incluindo as etiquetas de identificação. 44 Figura 14- Caixas organizadoras FONTE: Google Imagens. Os produtos de limpeza que identificamos embaixo da bancada na cozinha que são inflamáveis deverá ser identificado com as etiquetas e devidamente tampados, e em um novo local longe de qualquer perigo de explosão. 3.3.1.7. Senso de autodisciplina Foi instruído ao responsável e os funcionários do estabelecimento o monitoramento diário sobre a organização e os padrões que foram estabelecidos, o treinamento dos funcionários para esse monitoramento é essencial para que crie um hábito e que não se perca os ensinamentos propostos do programa 5S. No passar do estudo de caso do estabelecimento, vimos que as ferramentas para monitoramento do 5S não existia, por isso desenvolvemos a ideia em comum acordo para que seja feito um checklist adaptado para as funções e necessidades do restaurante para haver o controle maior de limpeza e organização e assim estabelecer uma regra a ser seguida. A auditoria de 5S pode ser terceirizada ou feita pelos responsáveis da área quando treinados, este tipo de treinamento é um grande passo para que a cultura do 5S se adapte a empresa e ao colaborador 44 É essencial motivar os colaboradores a ter disciplina ao realizar todas as ações propostas, com treinamentos, premiações para aqueles que cumprirem a meta, a fim que ele desenvolva o sentimento de dono do local fazendo com que ele siga os ensinamentos e consiga exercer no dia a dia, conseguindo orientar as pessoas em seu convívio no ambiente de trabalho a praticar o mesmo com a finalidade de manter o ambiente em que trabalha saudável, limpo e organizado. Com o programa 5S sendo seguido adequadamente irá acarretar melhoria da qualidade de serviços oferecidos aumentando sua competividade no mercado. 3.3.2. Propostas pelo 5W2H e seus desdobramentos A metodologia 5W2H entra como sugestão de melhoria ao ser utilizada para estruturar um plano de ação que possa ser exercido pelos proprietários, para utilização da ferramenta as autoras optaram por avaliar apenas os cinco primeiros itens de maior urgência, demonstrados através da matriz GUT e o diagrama de Pareto já apresentado. O quadro 5 apresenta os resultados e sugestões de ação para os itens. Vale ressaltar que para a classificação de início imediato, utilizada em quatro das cinco causas avaliadas, o critério utilizado foi a complexidade da resolução e o custo da aplicação. Já quanto ao custo, foram classificados em baixo e médio custo, entendendo-se como médios aqueles que irão utilizar recursos financeiros mais elevados e como baixo aqueles que utilizam apenas a força de trabalho já existente e a disponibilidade de tempo das equipes. 44 Figura 15 – Plano de ação a curto prazo. FONTE: Autoras (2022) Para as demais causas, as autoras sugerem diferentes estratégias, que podem ser executadas a médio prazo conforme as ações forem surtindo o efeito desejado. Entendemos que é essencial ao estabelecimento a definição da missão, visão e valores, podendo assim estruturar a cultura organizacional da empresa e nortear seus colaboradores quanto as metas a serem atingidas. Para a mão de obra, pensamos que devem ser estabelecidas medidas que possam respaldar os funcionários e criar formas de avaliação que possam parametrizar o gerente quanto ao desempenho da equipe. Para os treinamentos, e como método de organização, seria essencial a criação de manuais das atividades, pensando inclusive na futura contratação de novos funcionários, que necessitariam de menor tempo de treinamento. Entendemos também que é importante ao estabelecimento que os funcionários passem por reciclagens, pensando no tempo e mudanças ocorridas em cada uma das atividades. Como forma de aumentar a lucratividade, é do entendimento das autoras que a organização do estoque gerará um controle maior da receita e que ações como programa de fidelidade e promoções a novos clientes seriam muito efetivas, já que o estabelecimento conta com uma ampla área de cobertura e um prédio residencial no mesmo edifício, com grande potencial de fidelização e utilização por parte dos seus moradores. A estratégia idealizada pelas autoras quanto ao programa de fidelidade é a mesma utilizadas hoje em grandes redes como o hipermercado Carrefour, que ao realizar uma compra em determinado valor o cliente coleta pontos que podem ser trocados em compras futuras por descontos ou itens,no caso do mercado Gourmet acreditamos que um voucher no valor de R$ 20,00 e que pudesse ser utilizado em qualquer um dos espaços (padaria, mercado ou restaurante) seria bastante atrativo a região. 44 CONCLUSÃO Esse estudo realizou a análise de caso do estabelecimento de pequeno porte “Mercado Gourmet” e tinha como objetivo propor estratégias utilizando-se das ferramentas da qualidade. Para tanto foram estabelecidos quatro objetivos específicos. Para que o primeiro objetivo específico fosse atingido, quanto a mapear os processos já existentes, foram levantadas, junto aos proprietários, as principais dificuldades enfrentadas, assim como uma visita ao local foi realizada, onde foi possível ver de perto a configuração atual do negócio e identificar que a falta de conhecimento fez com que a pequena empresa tivesse grandes problemas administrativos. Então, foi feito um brainstorming com as informações coletadas a fim de elencar as principais problemáticas do caso. Chegamos às seguintes questões prioritárias: falta de organização espacial, pouca quantidade e desqualificação de profissionais atuando no local e defasagem de suprimentos em estoque. Atingindo assim o segundo do objetivo de levantamento de dados referentes aos processos mapeados. Para que os dados fossem analisados utilizamos as ferramentas da qualidade GUT, Pareto e Ishikawa, sendo concluído o terceiro objetivo específico. Desta forma, algumas estratégias foram traçadas, abarcando o quarto objetivo específico. Através do uso das ferramentas 5W2H e 5S. Ao fim das estratégias propostas, o objetivo de que o “Mercado Gourmet” possa ser eficiente em oferecer um serviço de maior qualidade, gerando satisfação em sua clientela e tendo resultados significativos na melhora do lucro gerado pelo negócio. Portanto, concluímos que, utilizando as ferramentas da qualidade, já difundidas na produção, para outras frentes de negócios como um pequeno comércio no bairro do Carrão, podemos resolver problemas administrativos e ter a melhoria real dos seus fluxos empresariais de maneira fácil, ágil e responsável. Como esta pesquisa não esgota o tema, sugerimos para outras pesquisas que as demais etapas quanto a implementação e acompanhamento dos métodos para controle de qualidade sejam executadas buscando a melhoria contínua. 44 REFERÊNCIAS ARAUJO, Caio; PONTES, Evaldo de Lima; SANT'ANA, Gustavo Rossato; GAVAZZONI, Renato Italo; CONCEIÇÃO, Vagner da. Aplicação de ferramentas para mapeamento de processos e melhoria da eficiência da empresa Molas Kuzma. Curitiba, 2017. 90 f. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Tecnologia em Gestão da Produção Industrial), Universidade Positivo, Curitiba, 2017. Disponível em: http://pergamum.up.com.br:8080/pergamumweb/vinculos/00002e/00002e17.pdf. Acesso em: 30 abr. 2022. ARAÚJO, Luciane Dantas Montenegro de. Gestão da qualidade nos serviços públicos de saúde: UMA ABORDAGEM MULTIDIMENSIONAL. VILA REAL (Portugal), 2015 Dissertação (Gestão de Saúde), Utad, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal, 2015. 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