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UNIVERSIDADE DO SUL 
RESPONSABILIDADE CIV
RECUPERAÇÃO JUDICIAL
 
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
ISABELA TEIXEIRA MACHADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADMINISTRADOR JUDICIAL NA 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL E NA FALÊNCIA DE EMP
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tubarão 
2019 
DE SANTA CATARINA 
JUDICIAL NA 
E NA FALÊNCIA DE EMPRESA 
 
ISABELA TEIXEIRA MACHADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADMINISTRADOR JUDICIAL NA 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL E NA FALÊNCIA DE EMPRESA 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
ao Curso de Direitoda Universidade do Sul de 
Santa Catarinacomo requisito parcial à 
obtenção do título de Bacharel em Direito. 
 
 
 
Orientadora: Profª. Terezinha Damian Antônio, Msc. 
 
 
 
 
Tubarão 
2019 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esta pesquisa aos professores do curso 
de direito da Unisul de Tubarão, que foram 
essenciais na minha trajetória acadêmica. 
 
AGRADECIMENTOS 
Agradeço a Deus, minha fortaleza em todos os momentos. 
Aos meus pais, Jane e Ramon, por tudo que abdicaram para que eu pudesse 
concluir a minha trajetória acadêmica. Também, pelo apoio e pela confiança que depositam 
em mim. 
À minha avó paterna, Neide, in memoriam, e à minha tia Fernanda, por todas as 
vezes que me incentivaram nas horas difíceis. Sou eternamente grata por me fazerem acreditar 
que sou capaz. 
Ao meu namorado Henrique, meu melhor amigo, pela paciência nas horas de 
desânimo e cansaço e por entender que era preciso abdicar de alguns momentos de lazer para 
que eu conseguisse chegar até aqui. 
À professora e orientadora Terezinha Damian Antônio, por compartilhar comigo 
sua sabedoria, sua experiência e o seu tempo. Obrigada pela paciência e atenção. 
Aos demais professores do curso de Direito, que foram de extrema importância na 
minha vida acadêmica. 
Aos meus colegas e amigos, em especial, a Ariele, Gracieli, Gizela, Jhenifer e 
Marília, amigas que me auxiliaram em muitos momentos. Meninas, vocês foram 
fundamentais nessa trajetória. 
E, por fim, sou muito grata a todos que direta ou indiretamente contribuíram de 
alguma maneira para a minha formação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Seja quem você for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta 
ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre 
faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De 
alguma maneira você chega lá (AYRTON SENNA, 2013). 
 
RESUMO 
O presente trabalho monográfico tem como objetivo analisar a responsabilidade civil do 
administrador judicial no processo de recuperação judicial e falência de empresa. Para tal a 
pesquisa foi produzida sob a perspectiva do método dedutivo, com o objetivo de exploratória, 
sendo o procedimento utilizado para coleta de dados, os tipos bibliográfico e documental. 
Foram analisados neste trabalho, as noções gerais acerca da responsabilidade civil, os 
principais aspectos do direito falimentar brasileiro, e, a possibilidade de responsabilização do 
administrador judicial diante do processo de recuperação judicial e falência de empresa. O 
resultado indica que existe a possibilidade do administrador judicial ser responsabilizado 
civilmente no processo de recuperação judicial e de falência de empresa quando cometer ato 
ilícito, em razão de dolo ou culpa. Também, fica evidenciado que, é requisito para propor 
ação de indenização em face do administrador judicial, o pedido de sua destituição no 
decorrer do processo de recuperação judicial ou de falência. 
 
Palavras-chave: Recuperação judicial. Falência. Lei n. 11.101/2005. 
 
ABSTRACT 
This particular monographic article brings to the fore the civil liability of the judicial 
administrator in the processes of judicial recovery and bankruptcy. For this the research was 
produced in the eyes of the deductive method with the exploratory goal, being the procedure 
used for data collection, the bibliographic and documentary type. The general notions of civil 
liability, the main aspects of brazilian bankruptcy law, and the possibility of responsability of 
the bankruptcy administrator in the judicial recovery process and bankruptcy were analyzed in 
this article. The result indicates that there is a possibility that the administrator is civilly liable 
in the process of judicial recovery and bankruptcy when committing an ilegal act, due to fraud 
or own will. Know also that it is a requirement to file suit for compensation in the face of the 
judicial administrator, requesting his dismissal in the course of the judicial reorganization or 
bankruptcy proceedings. 
 
Keywords: Judicial recovery. Bankruptcy. Law no. 11.101 / 2005. 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
Art. – artigo 
LRF – Lei de Recuperações e Falências 
ME – Microempresa 
MEI – Microempresário individual 
EPP – Empresa de pequeno porte 
SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................. 11 
1.1 DESCRIÇÃO DO TEMA ................................................................................................ 11 
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................ 12 
1.3 HIPÓTESE ....................................................................................................................... 12 
1.4 DEFINIÇÃO DO CONCEITO OPERACIONAL ........................................................... 12 
1.5 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................ 13 
1.6 OBJETIVOS .................................................................................................................... 14 
1.6.1 Objetivo geral .............................................................................................................. 14 
1.6.2 Objetivos específicos ................................................................................................... 14 
1.7 DELINEAMENTO DA PESQUISA ............................................................................... 14 
1.8 ESTRUTURA DO RELATÓRIO FINAL ....................................................................... 15 
2 NOÇÕES GERAIS ACERCA DA RESPONSABILIDADE CIVIL............................ 17 
2.1 CONCEITO DE RESPONSABILIDADE CIVIL ........................................................... 17 
2.2 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL ....................................................... 18 
2.2.1 Ação ou omissão .......................................................................................................... 18 
2.2.2 Culpa ou dolo do agente.............................................................................................. 19 
2.2.3 Nexo de causalidade .................................................................................................... 20 
2.2.4 Dano .............................................................................................................................. 21 
2.3 CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL ................................. 22 
2.3.1 Culpa da vítima: exclusiva ou concorrente ............................................................... 23 
2.3.2 Fato de terceiro ............................................................................................................ 23 
2.3.3 Caso fortuito ou força maior ...................................................................................... 24 
2.3.4 Cláusula de não indenizar .......................................................................................... 25 
2.3.5 Excludente de ilicitude ................................................................................................Desse modo, preserva-se a 
atividade empresarial e os postos de trabalho; mantém-se a fonte geradora de emprego, renda 
e tributos; e, atende-se aos direitos e interesses da empresa e dos credores. Assim, dispõe o 
artigo 47 da Lei n. 11.101/2005, sobre o objetivo da recuperação judicial: 
 
Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação 
de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte 
produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, 
assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade 
econômica (BRASIL, 2005). 
 
Nas palavras de Pacheco (2013, p. 143): 
 
Quando o devedor, atende aos requisitos do art. 48, requer ao juízo do local do seu 
principal estabelecimento o deferimento do processo de sua recuperação judicial por 
um dos meios apontados no art. 50, deve demonstrar as causas da sua situação 
patrimonial, as razões da crise econômico-financeira que o envolve, a sua 
viabilidade econômica, e apresentar plano para restabelecer a normalidade de sua 
empresa. Tem-se, aí, a recuperação judicial, como processo perante o juiz 
competente, do local do principal estabelecimento do devedor. 
 
Lobo (2007, p. 120) reforça o conceito de recuperação judicial dizendo: 
 
A recuperação judicial é um favor legal porque garante ao devedor, atendidos 
determinados pressupostos e requisitos, formais e materiais, o direito de sanear o 
estado de crise econômico-financeira em que se encontra com a finalidade de salvar 
o negócio, manter o emprego dos trabalhadores, respeitar os interesses dos credores 
(art.47) e reabilitar-se (art. 63), benefício legal que produz efeitos desde o 
deferimento da petição inicial da ação de recuperação com a suspensão “de todas as 
ações e execuções” pelo prazo de cento e oitenta dias (art. 6º, caput e § 4º). 
 
Também, acrescenta Lobo (2007) que o estado de crise da empresa, pressuposto 
para que seja pedida a sua recuperação judicial é caracterizado, primeiro, pelo 
inadimplemento; segundo, pela liquidez; e, por último, pela insolvência da empresa, podendo, 
a partir daí, os legitimados (o próprio empresário ou sociedade empresária, ou, na sua falta, o 
cônjuge sobrevivente, os herdeiros, o inventariante ou sócio remanescente do devedor) 
proporem ação de recuperação judicial no juízo competente. Para tanto, devem-se cumprir 
osseguintes requisitos estabelecidos no art. 48 da LRF: exercer a atividade empresarial 
regularmente por, pelo menos, dois anos; se já teve falência decretada, possuir a declaração de 
 38 
extinção das obrigações; não ter solicitado o instituto da recuperação judicial nos últimos 
cinco anos; e, não ter sido o empresário individual, o sócio ou o administrador, condenado por 
crime falimentar (BRASIL, 2005). 
Destaca-se que não podem requerer o instituto da recuperação judicial: as 
sociedades irregulares (empresário irregular, sociedade comum e sociedade em conta de 
participação); as empresas públicas e sociedades de economia mista; as instituições 
financeiras, tantos as públicas quanto as privadas; as cooperativas de crédito; as entidades de 
previdência complementar; as sociedades operadoras de planos de assistência à saúde e, por 
fim, as sociedades de capitalização (BRASIL, 2005). Ainda, “[...] o empresário em 
recuperação judicial não perde a livre administração e disposição de seus bens, como ocorre 
com o falido” (PERIN, 2011, p. 364), mas os seus bens ficam sob a fiscalização do Comitê de 
Credores, do Administrador Judicial e do Ministério Público, e sob a superintendência e 
direção do Juiz, conforme leciona Lobo (2007). 
Perin Junior (2011, p. 369) descreve que “[...] a Lei de Falências e Recuperação 
Judicial de Empresas, em seu art. 50, traz inovação relevante ao propor de forma não 
exaustiva [...] hipóteses de reestruturação da empresa a fim de superar a crise econômico-
financeira”. São dezesseis meios legais de recuperação judicial que podem ser utilizados 
conjuntamente com outras modalidades alternativas, mesmo sem expressa previsão na Lei 
Falimentar, sendo suficiente a aprovação do plano de recuperação pelos seus credores, como 
dispõe o art. 50 da LRF: 
 
Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação pertinente 
a cada caso, dentre outros: 
I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações 
vencidas ou vincendas; 
II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de 
subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, 
nos termos da legislação vigente; 
III – alteração do controle societário; 
IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de 
seus órgãos administrativos; 
V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de administradores e 
de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; 
VI – aumento de capital social; 
VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade 
constituída pelos próprios empregados; 
VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante 
acordo ou convenção coletiva; 
IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem 
constituição de garantia própria ou de terceiro; 
X – constituição de sociedade de credores; 
XI – venda parcial dos bens; 
XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, 
tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, 
 39 
aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em 
legislação específica; 
XIII – usufruto da empresa; 
XIV – administração compartilhada; 
XV – emissão de valores mobiliários; 
XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em 
pagamento dos créditos, os ativos do devedor (BRASIL, 2005). 
 
O processo de recuperação judicial, tem início com a fase postulatória, quando, 
por iniciativa da parte devedora, por meio de um advogado, é feito o pedido de recuperação, 
perante o juízo competente, observado que a petição inicial deverá estar de acordo com os 
requisitos do art. 319 do Código de Processo Civil e do art. 51 da Lei n. 11.101/2005 
(BRASIL, 2005; 2015). Ademais, atendendo os requisitos estabelecidos na legislação 
falimentar, a petição inicial será recebida pelo juiz que proferirá despacho favorável ao 
processamento da recuperação judicial, determinando as medidas do artigo 52 da LRF 
(BRASIL, 2005). 
Pacheco (2013, p. 185) entende que o referido despacho dá início à segunda fase 
que é “[...] instrutória e decisória, que vai até quando o juiz verificar que foram cumpridas as 
exigências da lei e, desse modo, conceder a recuperação judicial do devedor (art.58, LF), cuja 
decisão constitui título executivo judicial (art. 59, §1, LF)”. Após a referida decisão, o 
devedor tem 60 (sessenta) dias para apresentar o plano de recuperação judicial que será 
submetido à aprovação da Assembleia Geral de Credores. Essa aprovação enseja a concessão 
do instituto da Recuperação Judicial, iniciando-se a terceira fase, que é a de execução do 
plano de recuperação. 
O devedor continuará em recuperação judicial, conforme o artigo 53 da LRF, pelo 
prazo de até dois anos após a sentença judicial que deferiu o pedido (BRASIL, 2005). 
Conforme Lobo (2007, p. 159) explana: 
 
A finalidade da norma do art. 53 é provar, aos credores e ao juízo, que o valor da 
empresa em funcionamento não só é superior ao que seria obtido caso se decidisse 
liquidá-la, como por igual, que a sua continuidade melhor atende aos múltiplos 
interesses envolvidos [...]. 
 
Por sua vez, o plano de recuperação judicial deve atender os requisitos 
estabelecidos no art. 53 da LRF, como segue: 
 
Art. 53. O plano de recuperação será apresentado pelo devedor em juízo no prazo 
improrrogável de 60 (sessenta) dias da publicação da decisãoque deferir o 
processamento da recuperação judicial, sob pena de convolação em falência, e 
deverá conter: 
 40 
I – discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados, 
conforme o art. 50 desta Lei, e seu resumo; 
II – demonstração de sua viabilidade econômica; e 
III – laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor, 
subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada. 
Parágrafo único. O juiz ordenará a publicação de edital contendo aviso aos credores 
sobre o recebimento do plano de recuperação e fixando o prazo para a manifestação 
de eventuais objeções, observado o art. 55 desta Lei (BRASIL, 2005). 
 
Em relação aos créditos trabalhistas, a legislação falimentar (art. 54 caput e 
parágrafo único da LRF) estabelece duas condições ao plano de recuperação judicial: que o 
pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de 
trabalho com vencimento até a data do pedido de recuperação sejam pagos até o prazo de um 
ano; e que o pagamento dos créditos de natureza estritamente salarial, até o limite de cinco 
salários mínimos por trabalhador, vencidos há três meses antes ao pedido de recuperação 
judicial, sejam pagos em até 30 (trinta) dias (BRASIL, 2005). 
Os credores podem apresentar objeções em relação ao plano de recuperação, 
conforme o que determina a legislação falimentar em seu art. 53 parágrafo único, no prazo 
máximo de 30 (trinta) dias, contados da publicação do edital com a relação de credores; ou, 
caso tenha ocorrido aviso por edital, da data de sua publicação. Havendo objeções, o juiz 
chamará a Assembleia de Credores (artigos 36 e 37 da LRF), no prazo máximo de 150 (cento 
e cinquenta) dias após o deferimento da recuperação judicial, para decidir a respeito do plano 
apresentado. Poderá, também, o plano de recuperação ser alterado pela citada Assembleia, 
desde que o devedor concorde e que a alteração não implique em direitos exclusivos de 
credores que não puderam comparecer ao ato (BRASIL, 2005). 
Após a aprovação do novo plano, o devedor deverá apresentará as certidões 
negativas de débitos tributários, conforme Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966). Caso 
o plano seja rejeitado, não seja apresentado, ou o devedor deixe de cumprir qualquer 
obrigação ali imposta, o juiz decretará a falência do empresário ou da sociedade empresária. 
Mas,se não houver objeções ao plano, o juiz irá proferir a sentença autorizando a recuperação 
judicial, podendo ser interposto, pelo credor ou pelo Ministério Público, agravo dessa decisão 
(BRASIL, 2005). 
Cumpridas as obrigações vencidas no prazo de dois anos após a decisão 
concessiva de referido benefício, o juiz decretará, por sentença, o encerramento da 
recuperação judicial, conforme artigos 61 e 63 da LRF (BRASIL, 2005). Destaca-se que não é 
permitido que o devedor desista do pedido de recuperação judicial após o seu deferimento e 
 41 
processamento, salvo se aprovada a desistência na Assembleia Geral de Credores (MAMEDE, 
2008). 
Ademais, a legislação falimentar também prevê o instituto da recuperação judicial 
especial – para as MEs e EPPs – e a recuperação extrajudicial (BRASIL, 2005). A 
recuperação especial é mais um dos benefícios em consonância com princípio constitucional 
da ordem econômica e financeira do país, pelo qual é possível oferecer tratamento 
diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte. 
Desse modo, a legislação falimentar estabelece o plano especial para essas 
empresas, abrangendo todos os créditos, vencidos e a vencer, com exceção daqueles que 
decorrem de repasse de recursos oficiais, fiscais, de credor titular de propriedade fiduciária de 
bens imóveis e móveis, de contrato de leasing, de promitente ou proprietário que esteja 
vendendo imóvel com contratos que constem cláusulas de irrevogabilidade ou 
irretratabilidade, mesmo de proprietário com reserva de domínio em contrato de compra e 
venda ou de incorporações imobiliárias (§3º do art. 49 da LRF), e os valores decorrentes de 
contrato de câmbio (inciso I, §4º do art. 49 da LRF) (BRASIL, 2005). 
Os referidos créditos poderão ser parcelados em 36 parcelas mensais, acrescidos 
de juros conforme a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). 
Também, podemser feitas propostas para que a dívida seja abatida, com até 180 (cento e 
oitenta) diasde prazo para o pagamento da primeira parcela, contados da distribuição do 
pedido de recuperação. Ademais, para contratar empregados ou aumentar despesas, o devedor 
depende de autorização do juiz que realizará, previamente, oitiva do Comitê de Credores e do 
administrador judicial. Ademais, o plano especial de recuperação judicial não implica 
suspensão do curso da prescrição, muito menos das ações e execuções de créditos não 
abrangidos no plano. Destaca-se que a Assembleia Geral de Credores não é convocada para 
deliberar sobre o plano, pois o juiz équem analisa suas as condições, podendo decretar a 
falência se houver objeções de mais da metade dos credores, conforme o art. 72 da LRF 
(BRASIL, 2005; DAMIAN, 2015). 
Por sua vez, a recuperação extrajudicial, prevista pela legislação falimentar, é um 
processo no qual “[...] a proposta do devedor e a concordância dos credores ocorrem fora do 
judiciário” (VIDO, 2015, p. 438). Perin Junior (2011, p. 383) entende que o instituto da 
recuperação extrajudicial se trata de uma importante inovação da legislação falimentar que 
consiste num “[...] mecanismo que propicia, ou melhor, busca a harmonização dos interesses 
opostos e comuns entre devedor e credores, nos termos e condições previamente acordados 
 42 
pelas partes, por livre disposição de vontade, desde que atendidos os requisitos legais”.Nesse 
sentido, também os artigos 161 a 167 da LRF (BRASIL, 2005). 
A recuperação extrajudicial se destina aos mesmos legitimados e requer os 
mesmos requisitos para a recuperação judicial, proibindo-se, ainda, o pedido à empresa que 
possuir pedido de recuperação judicial pendente ou que tenha obtido a recuperação 
extrajudicial há menos de dois anos. Estão sujeitos todos os créditos vencidos e a vencer, 
excetuando-se (art. 161, § 1º, LRF):os créditos trabalhistas (art. 83, inciso I, LRF); os créditos 
tributários (art. 83, inciso III, LRF); os créditos que advêm do direito de propriedade (art. 49, 
§3º, LRF); e, os créditos de contrato de câmbio para exportação (art. 86, inciso II, LRF), 
conforme previsão do artigo 161, §1º da Lei de Falências e Recuperação Judicial (BRASIL, 
2005). 
O procedimento da recuperação extrajudicial é mais ágil e menos burocrático.Não 
contém o Comitê de Credores nem a Assembleia Geral de Credores. Também, os direitos, as 
ações e execuções contra o devedor não são suspensas, sendo possível o pedido de falência 
pelos credores que não são sujeitos ou que não quiseram aderir ao plano de recuperação 
extrajudicial. Feito o pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial, o juiz 
estabelecerá a publicação do edital em jornais de grande circulação, a fim de convocar os 
credores para que apresentem, no prazo de trinta dias da publicação do edital, as objeções em 
relação ao plano apresentado. Essas objeções àhomologação do plano podem se referir ao não 
preenchimento do percentual mínimo, ou seja, assinatura de credores que representem mais de 
3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos (art. 164, § 3º, inciso 
I,combinado com art. 163, LRF); prática de atos de falência conforme determina a legislação 
falimentar (art. 164, § 3º, combinado com art. 94, inciso III, LF); ou descumprimento de 
qualquer outra exigência legal (art. 164, § 3º, inciso III, LF) (BRASIL, 2005; DAMIAN, 
2015). 
Após a manifestação dos credores, o devedor terá o direito de se manifestar em até 
cinco dias, sendo o plano levado para apreciação do juiz, que decidirá também no prazo de 
cinco dias a respeitoda homologação. Caso fique evidenciado vício, o plano de recuperação 
não será homologado, podendo o devedor apresentar novo pedido. Da sentença que homologa 
o plano de recuperação extrajudicial, cabe o recurso de apelação, sem efeito suspensivo, 
conforme art. 164, §7º, LRF (BRASIL, 2005). Entretanto, após a distribuição do pedido de 
recuperação extrajudicial, não poderá o credor desistir de aderir ao plano, exceto se os outros 
credores autorizarem. O plano só produzirá efeitos após a sua homologação judicial 
(DAMIAN, 2015). 
 43 
Destaca-se que a homologação do plano de recuperação extrajudicial pode ser 
facultativa ou obrigatória, conforme explicações de Damian (2015). A homologação 
facultativa (art. 162, LRF) ocorre quando o plano de recuperação é individualizado, mais 
restrito em relação aos credores, pois as negociações são reduzidas a certos credores em 
particular, podendo o devedor requerer a homologação em juízo do plano de recuperação 
extrajudicial, juntando sua justificativa e o documento que contenha os termos e as condições, 
com as assinaturas dos credores que a ele aderiram. Já a homologação obrigatória (art. 163, 
LRF) ocorre quando o plano de recuperação extrajudicial foi elaborado considerando 
determinada classe de credores, devendo, nesse caso, apresentar assinatura de credores que 
representam mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangida. 
Salienta-se que a homologação estende os efeitos do plano aos credores que não o tinham 
aceitado (BRASIL, 2005; DAMIAN, 2015). 
3.6 NOÇÕES GERAIS SOBRE O INSTITUTO DA FALÊNCIA 
O instituto da falência é o procedimento que visa a retirar do mercado o 
empresário ou a sociedade empresária que não apresenta condições de superar a crise 
econômico-financeira. Gomes (2007, p. 261) define o instituto como: 
 
[...] um processo de execução coletiva movido contra o devedor empresário ou 
sociedade empresária, no qual todos os seus bens são arrecadados para uma venda 
forçada por determinação judicial, com a distribuição proporcional de seu ativo entre 
todos os seus credores, nos termos da lei. 
 
Por sua vez, Mamede (2008, p. 286) afirma que: 
 
A insolvência empresária pode apresentar-se como crise econômico-financeira a 
partir da qual não se afirme alternativa de superação que seja viável. Resta, portanto, 
instaurar um procedimento de liquidação do patrimônio do empresário ou sociedade 
empresaria insolvente, ou seja, realizar o seu patrimônio ativo e, com os 
valoresapurados, saldar o patrimônio passivo, no que for possível. 
 
Trata-se de instituto de aplicação exclusiva ao empresário e à sociedade 
empresária, sendo as demais atividades consideradas não empresariais sujeitas à insolvência 
civil ou aos procedimentos específicos de liquidação extrajudicial, no caso das empresas 
excluídas da Lei de Falência, conforme corrobora Mamede (2008). 
Ademais, a legislação falimentar (art. 75 da LRF) dispõe que: “A falência, ao 
promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização 
 44 
produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa” 
(BRASIL, 2005). 
Havendo responsabilidade pessoal dos sócios, dos administradores ou dos 
controladores, será apurada no próprio juízo em que tramita o processo de falência. No caso 
de sociedades em que os sócios possuem responsabilidade ilimitada pelas obrigações da 
empresa, a falência decretada em face da sociedade atinge, também, o patrimônio de referidos 
sócios, “[...] que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à 
sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o 
desejarem”, como determina o art. 81, caput, da LRF (BRASIL, 2005; DAMIAN, 2015). A 
ação de responsabilização dos sócios, prescreve em dois anos, contados a partir do trânsito em 
julgado da sentença que declara o encerramento da falência. Em relação aos bens particulares, 
a legislação falimentar (artigos 82 e 82-A) assim dispõe: 
 
Art. 82. [...] 
§ 2oO juiz poderá, de ofício ou mediante requerimento das partes interessadas, 
ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus, em quantidade compatível 
com o dano provocado, até o julgamento da ação de responsabilização. 
Art. 82-A. A extensão dos efeitos da falência somente será admitida quando 
estiverem presentes os requisitos da desconsideração da personalidade jurídica de 
que trata o art. 50 do Código Civil (BRASIL, 2005). 
 
O devedor pode pedir a autofalência (art. 105 da LRF); na sua falta, pode requerer 
o benefício o cônjuge sobrevivente, o herdeiro, o inventariante, o cotista ou o acionista do 
devedor. Já o credor pode pedir a falência do devedor, entretanto, “[...] quem por dolo 
requerer a falência de outrem será condenado, na sentença que julgar improcedente o pedido, 
a indenizar o devedor, apurando-se as perdas e danos em liquidação de sentença” (BRASIL, 
2005; DAMIAN, 2015). Desse modo, o credor pode pedir a falência do devedor com base nos 
seguintes pressupostos definidos pela legislação falimentar (art. 94, incisos I a III, da LRF), 
como segue: 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: 
I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida 
materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o 
equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência; 
II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à 
penhora bens suficientes dentro do prazo legal; 
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de 
recuperação judicial: 
a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou 
fraudulento para realizar pagamentos; 
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar 
pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da 
totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não; 
 45 
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos 
os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo; 
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a 
legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor; 
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com 
bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo; 
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para 
pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do 
local de sua sede ou de seu principal estabelecimento; 
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de 
recuperação judicial (BRASIL, 2005). 
 
Dessa forma, o primeiro pressuposto (art. 94, inciso I, LRF) se refere à 
impontualidade injustificada por parte do devedor (BRASIL, 2005). A impontualidade se 
configura quando o devedor “[...] sem relevante razão de direito, não paga no vencimento 
uma obrigação líquida e já vencida, representada por título ou títulos executivos protestados 
cuja soma ultrapasse o equivalente a quarenta salários mínimos na data do pedido de falência” 
(GOMES, 2007, p. 267). Nesse caso, o pedido deve ser acompanhado do título executivo 
respectivo e do instrumento de protesto com a identificação da pessoa que recebeu a 
notificação. 
O devedor pode, na contestação, justificar sua impontualidade no pagamento do 
título utilizando-se das seguintes matérias de defesa: a falsidade de título, a prescrição, a 
nulidade de obrigação ou de título, o pagamento da dívida, qualquer outro fato que exima a 
obrigação ou não legitime a cobrança do título, vício em protesto ou instrumento; como 
também: apresentar o pedido de recuperação judicial no prazo da contestação; informar que já 
cessou a atividade empresarial há mais de dois anos; que se tratade sociedade anônima com 
liquidação e partilha do ativo; ou que se trata de espólio de devedor falecido há mais de um 
ano; hipóteses em que a falência não será decretada (art. 96, incisos I a IV e § 1º, LRF) 
(DAMIAN, 2015). 
O segundo pressuposto trata da execução frustrada (art. 94, inciso II, LRF) 
representada pela situação em queo executado por qualquer quantia líquida não paga, não 
deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal, caracterizando-se a 
tríplice omissão (BRASIL, 2005). Nesse caso, não é promovida a falência nos autos da 
execução individual, que deverá ser suspensa ou extinta, porque o pedido de falência será 
feito não no juízo dessa ação, mas no juízo competente para a falência, com base na certidão 
do juízo da execução individual que declara que o executado não fez o pagamento, o depósito 
ou a nomeação de bens à penhora; não havendo limite de valor para pedir falência, como no 
caso da impontualidade injustificada (art. 94, inciso I, LRF) (BRASIL, 2005). 
 46 
O terceiro pressuposto trata de atos de falência enumerados na legislação 
falimentar (art. 94, inciso III, alíneas “a” a “g”, LRF) (BRASIL, 2005). Nesse caso, o pedido 
de falência deve acompanhar prova do ato fraudulento que está sendo alegado pelo credor 
(DAMIAN, 2015). 
A legislação falimentar possibilita ao devedor, no prazo da contestação, efetuar o 
depósito elisivo, nos casos em que a falência estiver sendo pleiteada pelo credor com base na 
impontualidade injustificada ou na execução frustrada (art. 94, incisos I e II, LRF) (BRASIL, 
2005). Esse depósito refere-se ao valor correspondente ao total do crédito, acrescido de 
correção monetária, juros e honorários advocatícios, hipótese em que a falência não será 
decretada, conforme a disposição legal seguinte: 
 
Art. 98 [...] 
Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do art. 94 desta 
Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar o valor correspondente ao 
total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios, 
hipótese em que a falência não será decretada e, caso julgado procedente o pedido de 
falência, o juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor (BRASIL, 2005). 
 
Será proferida a sentença denegatória de falência, se for declarada a 
improcedência do pedido de falência, podendo a parte interessada interpor recurso de 
apelação. Já, sendo declarado procedente o pedido, será proferida a sentença declaratória de 
falência, da qual caberá agravo de instrumento. A sentença declaratória de falência tem 
natureza constitutiva e declaratória, produzindo efeitos em relação ao falido, aos seus bens, 
aos contratos e aos credores. Destaca-se que o falido fica inabilitado para exercer qualquer 
atividade empresarial até que sejam extintas as suas obrigações, além de outros deveres 
estabelecidos na legislação falimentar (art. 104, incisos I a XII, LRF) (BRASIL, 2005). 
Em relação aos contratos unilaterais ou bilaterais, o administrador judicial, 
mediante autorização do Comitê de Credores, poderá lhes dar cumprimento se o 
pagamentonão aumentar ou reduzir o passivo da massa falida ou for necessário à preservação 
do seu ativo.Caso contrário, o contratante terá direito à indenização, constituindo os valores 
crédito quirografário. Ademais, após a publicação do edital de decretação de falência, 
contendo a relação nominal dos credores apresentada pelo devedor, os credores têm 15 
(quinze) dias para apresentar habilitação ou divergência ao juízo da falência, caso não se 
encontrem em referida relação ou haja alguma inconsistência em relação ao seu crédito. 
Também, após referida sentença, os bens do falido são arrecadados, apurando-se o ativo para 
que depois de efetuada a venda desses, possa ser feito o pagamento dos credores (DAMIAN, 
 47 
2015). “A realização do ativo compreende a efetiva alienação (transferência da propriedade a 
terceiro) dos bens do ativo da massa falida” (GOMES, 2007, p. 304). É possível a venda 
antecipada dos bens do falido em alguns casos, desde que os credores que representam dois 
terços do crédito, concordem. A venda dos bens do falido, respeita a ordem estabelecida na 
legislação falimentar (art. 140, LRF), podendo ser, inclusive, adotada mais de uma forma de 
alienação, como segue: 
 
Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas, 
observada a seguinte ordem de preferência: 
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco; 
[...] 
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do 
devedor; 
IV – alienação dos bens individualmente considerados (BRASIL, 2005). 
 
Além disso, o art. 141, inciso II, §1º, da LRF determina “[...] que o objeto da 
alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações 
do devedor [...]”, inclusive os créditos de natureza tributária, os derivados da legislação do 
trabalho e os que decorrem de acidentes de trabalho, exceto se houver o objetivo de fraudar a 
sucessão (BRASIL, 2005). É o administrador judicial, com o consentimento do Comitê, que 
decidirá a forma da liquidação do ativo. A venda, conforme descreve Perin Junior (2011), 
poderá se da por meio de leilão, propostas fechadas ou pregão. 
O leilão consiste na venda dos bens móveis, devendo o edital ser publicado com 
antecedência de 15 (quinze) dias; e de imóveis, com 30(trinta) dias de antecedência da 
publicação do edital. A liquidação dos bens se dará pelo maior valor oferecido, mesmo que o 
valor do bem seja superior. Já enviadas em envelopes lacrados, as propostas fechadas serão 
abertas pelo juiz, juntamente com o administrador judicial e os interessados; no ato será 
lavrada certidão a ser assinada por todos para ser juntada no processo de falência; cabe ao 
administrador judicial escolher a melhor proposta; após a escolha, será ouvido o devedor e o 
representante do Ministério Público, se concordarem, será expedido alvará autorizando a 
venda do bem. 
Por sua vez, o pregão, segundo alguns doutrinadores, é uma forma híbrida que 
agiliza o processo da venda dos bens do falido; abertos os envelopes, o juiz determinará uma 
data para o acontecimento do leilão, intimando a participar do ato somente aqueles cuja 
proposta não seja menor que noventa por cento da maior proposta feita (GOMES, 2007; 
PERIN JUNIOR, 2011). Desse modo, o leilão será aberto com o lance inicial do valor da 
maior proposta recebida, ficando o proponente vinculado à oferta. Ocorre que, caso o 
 48 
ofertante não compareça ao leilão e as propostas dos presentes não sejam iguais ou superiores, 
ele ficará obrigado a pagar ao falido a diferença dos valores da arrematação em relação ao 
valor oferecido por ele. 
Destaca-se que, apesar da previsão dessas três modalidades de liquidação, poderá 
também, em algumas situações, o administrador ou o Comitê, requerer outras formas da 
realização do ativo, desde que aprovadas pela Assembleia Geral de Credores. Conforme Perin 
Junior (2011, p. 198), “Com o produto da realização do ativo, deve ser satisfeito o passivo, 
recebendo os credores o pagamento pelos créditos que tem direito”, observando a ordem de 
classificação dos créditos determinada pela legislação falimentar no art. 83 incisos I a VIII. Se 
após pago todos os credores houver algum saldo, este será devolvido ao falido (BRASIL, 
2005). 
Efetuado o pagamento dos credores,cabe ao administrador judicial, apresentar 
suas contas no prazo de trinta dias, sendo que após o julgamento dessas, deverá apresentar 
relatório final, para que o juiz encerre o processo por meio de sentença. Dessa sentença cabe 
recurso de apelação. Encerrada a falência, pode o falido requerer a extinção de suas 
obrigações, conforme estabelece a legislação falimentar (art. 158, LRF), como segue: 
 
Art. 158. Extingue as obrigações do falido: 
I – o pagamento de todos os créditos; 
II – o pagamento,depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% (cinqüenta por 
cento) dos créditos quirografários, sendo facultado ao falido o depósito da quantia 
necessária para atingir essa porcentagem se para tanto não bastou a integral 
liquidação do ativo; 
III – o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da falência, se o 
falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta Lei; 
IV – o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da falência, se o 
falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta Lei. 
 
O requerimento de reabilitação civil e penal deve ser efetuado pelo falido, caso se 
apresente uma das hipóteses citadas em referido artigo, podendo, dessa forma, voltar a exercer 
a atividade empresarial. 
Feitas essas considerações, passa-se ao capítulo 4. 
 49 
4 POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL DO ADMINISTRADOR 
JUDICIAL NO INSTITUTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA 
Este capítulo trata da possibilidade de responsabilização civil do administrador 
judicial, órgão auxiliador do juiz no processo de falência e recuperação judicial de empresas, 
nos casos em que praticar atos em desacordo com a legislação falimentar em relação aos 
credores e a terceiros, ocasionando-lhes prejuízos, como se passa a expor. 
4.1 ATRIBUIÇÕES DO ADMINISTRADOR JUDICIAL NA RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL E NA FALÊNCIA 
Órgão auxiliador do juízo, o administrador judicial é importante para a condução 
do processo de falência e de recuperação judicial. Perin Junior (2011, p. 234) descreve que a 
figura do “[...] administrador judicial possui enorme relevância para os interesses coletivos e 
difusos, uma vez que a sua atuação está vestida de aspectos fundamentais quanto ao 
procedimento adjetivo, porque, muito mais que interesses privados, sobressai o legítimo 
interesse público”. 
O administrador judicial para Gonçalves e Gonçalves (2008, p. 30) “[...] é o 
profissional, eleito pela lei falimentar, para administrar a massa falida e auxiliar o juiz na 
condução do procedimento falimentar ou de recuperação judicial”. Desse modo, a legislação 
falimentar (art. 22, incisos I, II e III, LRF) dispõe sobre as funções conferidas ao 
administrador judicial, especificando, as atribuições comuns aos dois processos (art. 22, inciso 
I, LRF); as exclusivas ao processo de recuperação judicial (art. 22, inciso II, LRF); e aquelas 
somente para serem desenvolvidas na falência (art. 22, inciso III, LRF), como seguem: 
 
Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, 
além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: 
I – na recuperação judicial e na falência: 
a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III 
do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II do caput do art. 105 
desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação 
da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito; 
b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interessados; 
c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem 
de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos; 
d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informações; 
e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2o do art. 7o desta Lei; 
f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta Lei; 
g) requerer ao juiz convocação da assembléia-geral de credores nos casos previstos 
nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões; 
 50 
h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especializadas 
para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções; 
i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei; 
II – na recuperação judicial: 
a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação 
judicial; 
b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano 
de recuperação; 
c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades do 
devedor; 
d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que trata o 
inciso III do caput do art. 63 desta Lei; 
III – na falência: 
a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terão à 
sua disposição os livros e documentos do falido; 
b) examinar a escrituração do devedor; 
c) relacionar os processos e assumir a representação judicial da massa falida; 
d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não 
for assunto de interesse da massa; 
e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de 
compromisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e 
circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a 
responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186 desta 
Lei; 
f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos 
termos dos arts. 108 e 110 desta Lei; 
g) avaliar os bens arrecadados; 
h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a 
avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa; 
i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores; 
j) requerer ao juiz a venda antecipada de bens perecíveis, deterioráveis ou sujeitos a 
considerável desvalorização ou de conservação arriscada ou dispendiosa, nos termos 
do art. 113 desta Lei; 
l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de 
dívidas e dar a respectiva quitação; 
m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenhados, 
penhorados ou legalmente retidos; 
n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos 
honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores; 
o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o 
cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração; 
p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10o (décimo) dia do mês seguinte 
ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique com clareza a 
receita e a despesa; 
q) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu poder, 
sob pena de responsabilidade; 
r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar 
ao cargo (BRASIL, 2005). 
 
Além dessas atividades, o administrador deverá desempenhar as atribuições do 
Comitê de Credores, se este não for constituído; como também, cabe a ele fazer o pedido para 
que o juiz intime o credor, devedor ou seus administradores, para tomar seus depoimentos por 
escrito na sua presença, em razão da recusa a informações solicitadas por ele e na tomada de 
decisões, salvo se houver incompatibilidade em relação à atribuição que lhe cabe, devendo o 
juiz exercer tal função (PERIN JUNIOR, 2011). 
 51 
Nomeado pelo juiz, não é necessário que o administrador judicial tenha uma 
profissão ou formação específica, basta que seja competente e um profissional idôneo,capaz 
de desempenhar bem e fielmente a sua função, assumindo todas as responsabilidades do cargo 
para que foi nomeado (art. 33, LRF), cumprindo as regras estabelecidas, observando sempre 
os princípios éticos e legais (BRASIL, 2005). Toledo (2007, p. 51), esclarece que tal 
idoneidade “[...] ainda que a norma não o diga expressamente, deve ser moral e financeira. 
Trata-se de função de confiança, em que se administram valores e bens muitas vezes de 
grande vulto, e são múltiplos os interesses envolvidos”.Entretanto, a legislação falimentar 
recomenda que esse profissional seja advogado, economista, administrador de empresas, 
contador ou pessoa jurídica especializada (art. 21, LRF), caso em que deverá ser definido o 
nome da pessoa responsável paraadministrar o processo que constará no termo de 
compromisso,não podendo esse profissional ser substituído sem a autorização do juiz (art. 33, 
LRF) (BRASIL, 2005). Nesse sentido, Roque (2005, p. 135), argumenta que, na sua visão, o 
profissional mais capacitado para a função de administrador judicial, seria o advogado, pois 
“É imperioso o conhecimento de normas processuais e das práticas judiciárias, que só atraem 
advogados. Além do mais, só o advogado tem capacidade postulatória; quem não tiver terá 
que contratar advogado para tanto”. 
O juiz fixará aforma e o valor da remuneração pelo trabalho do administrador 
judicial e de seus auxiliares, a ser pago pelo devedor ou pela massa falida, levando em conta, 
a complexidade do trabalho desempenhado e os valores praticados no mercado, considerando 
que, somente na remuneração do administrador observará a capacidade de pagamento do 
devedor, que não pode ser superior a 5% (cinco por cento) do total do ativo do devedor/falido 
devido na recuperação judicial ou dos bens vendidos na falência; ou de 2% (dois por cento) 
no caso de microempresa ou empresa de pequeno porte(art. 22 §1º e art. 24, LRF). Essa 
remuneração será paga em duas parcelas – 60% e 40% (sessenta por cento e quarenta por 
cento) – sendo reservado 40% (quarenta por cento) do valor total para o pagamento após 
apresentação e julgamento das contas, bem como o relatório final da falência (art. 24, §2º, 
LRF); não sendo aprovadas as contas apresentadas, esse valor não será pago (BRASIL, 2005). 
Não poderão exercer a função de administrador judicial, os profissionais que 
possuam impedimentos e os que apresentem incompatibilidade para exercer tal função. Desse 
modo, estão impedidos de exercer a função de administrador judicial:aqueles que nos últimos 
cinco anos, como membro do Comitê de Credores ou como administrador judicial em outro 
processo falimentar, tenham sido destituídos; os que tenham deixado de prestar contas no 
prazo estabelecido pela lei; os que suas contas tenham sido desaprovadas;os que possuam 
 52 
relação de parentesco ou afinidade em até terceiro grau com o empresário ou sociedade 
empresária devedora, seus administradores, controladores, representantes legais; ou os 
amigos, inimigos ou dependentes, serão impedidos de exercer as atribuições de administrador 
judicial (art. 30, §1º, LRF). Ademais, apresentamincompatibilidade com a função, aqueles que 
não podem tomar decisões contrárias ao que prevê o direito falimentar; ou que tenham 
interesses privados em relação ao credor ou ao devedor, no processo de falência ou de 
recuperação judicial (BRASIL, 2005). 
Constatadas irregularidades nas atividades do administrador judicial, como 
desobediência ao que dispõe a lei, poderá o credor, devedor ou o Ministério Público requerer 
a substituição do administrador, devendo o juiz decidir sobre o pedido no prazo de 24 (vinte e 
quatro) horas. Além disso, poderá, também, o juiz, de ofício ou a pedido fundamentado das 
partes, destituir o administrador judicial das suas funções, quando verificado, além de 
desobediência, descumprimento ao que prevê a lei, omissão, negligência ou prática de ato 
lesivo, ficando impedido de exercer a função pelos próximos cinco anos. Sendo destituído do 
cargo, o juiz nomeará novo administrador. Com a substituição, a remuneração do 
administrador será proporcional ao trabalho realizado por ele, não recebendo os valores 
quando houver a renúncia por sua parte, assim como no caso de destituição em razão de 
culpa, dolo, desídia ou descumprimento da lei (BRASIL, 2005). 
Além da demonstração de contas no processo de recuperação judicial, que deverá 
ser apresentadapelo administrador judicial mensalmente aos interessados, a todo momento 
que houver movimentações financeiras, também, deverá esse prestar contas da sua 
administração quando for substituído, destituído, ou quando renunciar.Do mesmo modo, 
deverá o administrador judicial prestar contas no processo de falência (art. 154, LRF): 
“Concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os credores, o 
administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 (trinta) dias” (BRASIL, 
2005). Os documentos comprovando as contas de sua gestão, serão apresentados 
separadamente ao processo de falência, sendo apensados a este ao final. Ao apresentar as 
contas, será dada a oportunidade de manifestação dos interessados no prazo de 10 (dez) dias. 
Após, deverá o Ministério Público apresentar a sua manifestação, no prazo de cinco dias. 
Havendo impugnação, o administrador judicial deverá ser ouvido. Findado o prazo para os 
trâmites necessários, o juiz julgará as contas apresentadas, proferindo sentença. 
Posteriormente ao julgamento das contas, deverá o administrador judicial, no prazo de 10 
(dez) dias, apresentar o relatório final do processo de falência, conforme a legislação 
falimentar (art. 155, LRF), quando o juiz encerrará o processo por meio de sentença.No 
 53 
entanto, sendo reprovadas as contas, a sentença que as julgou poderá estabelecer a 
indisponibilidade ou o sequestro de bens, transformando-as, para a indenização da massa 
falida, em título executivo (BRASIL, 2005). 
Ante o exposto, é possível aferir que os atos do administrador judicial, tanto no 
processo de recuperação judicial, quanto no processo de falência, são muitos, implicando 
enorme responsabilidade. Por isso, o administrador, ao assumir a função, assina o termo de 
compromisso, podendo, além de ser substituído ou destituído, responder civilmente pelos atos 
praticados com dolo ou culpa, se esses atos prejudicarem as partes, quais sejam, o devedor, o 
credor ou a massa falida (art. 32, LRF) (BRASIL, 2005). Segundo Toledo (2007, p. 86), “[...] 
o legislador, nesse ponto, poderia ter ido mais longe, e estabelecido igualmente a 
responsabilidade das pessoas indicadas por atos praticados com violação da lei”, pois seriam 
os interesses compreendidos no processo melhor protegidos. Também, poderá o administrador 
responder na esfera penal em casos de desobediência à lei ou por crime falimentar, como 
explica Bezerra Filho (2005, p. 108), como segue: 
 
A esse grande poder de direção e impulso corresponde a obrigação de responder 
pelos prejuízos causados à massa, até com seus bens pessoais (art. 154, § 5º), e, em 
vários casos, podendo ser incurso em crime dedesobediência ou ser réu de processo 
por crimes falimentares passiveis dereclusão (art. 177). É correto que assim seja. O 
administrador é aquele quesai a campo, para administrar a empresa e salvaguardar os 
interesses dos credores [...]. 
 
Por essa razão, é importante que o administrador efetue um bom trabalho, 
parapreservar as atividades do empresário ou da sociedade empresária, atendendo, assim, aos 
interesses coletivos, evitando ser responsabilizado civilmente. 
4.2 POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL DO ADMINISTRADOR 
JUDICIAL NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E NA FALÊNCIA 
Nos termos da legislação falimentar, o administrador judicial poderá ser 
substituído, destituído ou responsabilizado civil e penalmente se, no desempenho de suas 
funções, praticar atos prejudiciais aos envolvidos nos processos de recuperação judicial e de 
falência, tais como o devedor, o credor ou a massa falida. 
Nesses casos, a responsabilidade do administrador judicial, pessoa física, será 
subjetiva, uma vez que existe a necessidade de comprovar o ato ilícito praticado com 
negligência, imprudência ou imperícia ou, ainda, voluntário e intencional. Entretanto, apesar 
da legislação falimentar ser omissa quanto a isso, tratando-se o administrador judicial de 
 54 
pessoa jurídica, a sua responsabilidade será objetiva, quando o ato lesivo for praticado por 
seus empregados, aplicando-se ao caso as regras previstas nos artigos 932, inciso III e 933 do 
Código Civil (BRASIL, 2002). 
Bezerra Filho (2005, p. 90) expõe que “Do administrador depende, em grande 
parte, o bomou o mau resultado da falência ou da recuperação. Um administrador diligente 
irá trazer para a massa bens e recursos que um negligente sequer pensará que possam existir”. 
Nessa linha, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina também reconheceu que a 
função do administrador judicial, sob a imediata direção e superintendência do juiz, é ímpar e 
relevante, o sucesso ou insucesso do processo falimentar depende dele, como segue: 
 
COMERCIAL - FALÊNCIA - DESTITUIÇÃO DO SÍNDICO - CELEBRAÇÃO 
DE CONTRATO QUE COLIDE COM OS INTERESSES DA MASSA FALIDA - 
PRESERVAÇÃO DO ATO JUDICIAL ATACADO POR AGRAVO DE 
INSTRUMENTO. 1. "A função do síndico, como Administrador da Massa Falida, 
sob a imediata direção e superintendência do juiz, é ímpar e relevante, dele 
dependendo o sucesso ou insucesso do processo falimentar." (In parecer de fls. 
28/31). 2. A contratação de Assessoria por quantia excessivamente elevada, 
demonstra o conflito existente entre as funções do síndico e os interesses da Massa 
Falida, impondo-se sua imediata destituição. 3. Quando o juiz decide destituir o 
síndico, para impedir a proliferação de atos que possam comprometer a moralidade 
do procedimento falimentar, está no exercício da imediata direção da administração 
da falência (SANTA CATARINA, 1997). 
 
É, então, de extrema importância que o administrador tenha muita cautela para 
agir corretamente, sem prejudicar as partes interessadas. Nesse sentido, pode-se dizer que a 
sobrevivência da empresa em recuperação judicial e a liquidação do patrimônio do devedor 
insolvente está nas mãos do administrador judicial, pois compete a ele auxiliar as partes no 
processo, para garantir que os interesses sejam atendidos. Apesar de tamanha 
responsabilidade, a obrigação do administrador judicial na recuperação e falência de empresa 
é uma obrigação de meio e não de resultado, ou seja, ele não poderá garantir que a empresa 
saia da crise econômico-financeira em que se encontra. Também, não poderá garantir que a 
liquidação do patrimônio do devedor seja o suficiente para satisfazer todos os débitos, mas, 
dentro das suas atribuições, deverá fazer o possível para que o resultado satisfatório seja 
alcançado. 
A respeito da necessidade de comprovação de desobediência, omissão, 
negligência ou pratica de ato lesivo, para a destituição do administrador judicial, a 
jurisprudência, apesar de escassa, parece ter firmado o seu entendimento. Nesse sentido, é a 
decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina reconhecendo que a destituição do 
administrador judicial somente pode ocorrer por comprovada desobediência aos preceitos da 
 55 
lei, descumprimento de deveres, flagrante omissão ou negligência ou, ainda, prática de ato 
lesivo às atividades do devedor ou de terceiros. Se não for comprovada uma de tais incúrias 
graves, não há que falar em destituição, como no caso de não retornar a correspondência 
enviada pelo administrador judicial para o credor, como segue: 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL DESTITUIÇÃO DE ADMINISTRADOR JUDICIAL 
REJEITADA. AGRAVO DO CREDOR INSURGENTE. AUSÊNCIA DE 
RECEBIMENTO DA NOTIFICAÇÃO INFORMATIVA DA DEFLAGRAÇÃO 
DO PROCEDIMENTO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. FATO NÃO 
IMPUTÁVEL AO ADMINISTRADOR, TODAVIA. COMPROVAÇÃO DO 
ENVIO DA CORRESPONDÊNCIA NO ENDEREÇO DO INTERESSADO. 
ENTREGA NÃO REALIZADA PELOS CORREIOS POR MOTIVO DIVERSO - 
RUA NÃO LOCALIZADA. OUTROSSIM, CRÉDITO INICIALMENTE 
ARROLADO PELA RECUPERANDA A MENOR DO QUE O SUPOSTAMENTE 
DEVIDO. FATO IGUALMENTE NÃO ATRIBUÍVEL AO ADMINISTRADOR 
JUDICIAL, QUE DESCONHECIA TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL EM 
FAVOR DO INTERESSADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO, HAJA VISTA QUE A 
INSURGÊNCIA FOI RECEBIDA COMO IMPUGNAÇÃO AO QUADRO GERAL 
DE CREDORES. EXPEDIENTE AINDA NÃO JULGADO, PORÉM, COM 
MANIFESTAÇÃO FAVORÁVEL PELO ADMINISTRADOR JUDICIAL. A 
penalidade de destituição do Administrador Judicial, nos termos dos arts. 30 e 31 da 
Lei nº 11.101/05, somente pode ocorrer por comprovada desobediência aos preceitos 
da lei, descumprimento de deveres, flagrante omissão ou negligência ou, ainda, 
prática de ato lesivo às atividades do devedor ou de terceiros. Não comprovada uma 
de tais incúrias graves, não há falar em destituição.O não retorno de correspondência 
enviada pelo Administrador Judicial para o credor em razão de não localização da 
rua pelos Correios não é falta que pode lhe ser atribuída. Não há falar em prejuízo 
se, malgrado o credor não tenha recebido notificação informativa do início do 
processo de recuperação judicial, por ato não atribuível ao administrador judicial, 
tempestivamente opõe impugnação ao valor constante no quadro geral de credores. 
AGRAVO NÃO PROVIDO (SANTA CATARINA, 2019). 
 
Em outra decisão, ainda, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina 
entendeu queo afastamento do administrador judicial do processo de falência depende da 
comprovação de evidências de omissões cuja gravidade e inidoneidade demonstrem 
injustificável negligência capaz de comprometer e inviabilizar o processo coletivo, desviando-
o de seu bom curso, como segue: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO - FALÊNCIA - PEDIDO DE DESTITUIÇÃO DO 
SÍNDICO FORMULADO POR CREDORES - ALEGAÇÃO DE NEGLIGÊNCIA 
E DESÍDIA NA ATUAÇÃO DO SÍNDICO, NÃO COMPROVADAS - 
DESCUMPRIMENTO DOS PRAZOS LEGAIS - AUSÊNCIA DE 
COMPROVAÇÃO -REQUISITOS NÃO AUTORIZADORES - RECURSO 
DESPROVIDO. Para que se concretize o afastamento do síndico no processo 
falencial, imprescindíveis são as evidências de omissões cuja gravidade e 
inidoneidade demonstrem injustificável negligência capaz de comprometer e 
inviabilizar o processo coletivo, desviando-o de seu bom curso. A existência de 
certas imprecisões não reiteradas do síndico, ainda que relevantes, devem ser 
contemporizadas por força da notória complexidade de funções e do notável 
desenvolvimento de atos e providências a serem constantemente tomadas no 
processo falêncial (SANTA CATARINA, 2007). 
 56 
 
Em mais uma decisão, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina 
manifestou-se contrário à destituição do administrador judicial por entender que não se 
configurou conduta em desobediência aos preceitos da legislação falimentar ou 
descumprimento de seus deveres funcionais, omissão, negligência ou conduta lesiva, como 
segue: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO QUE 
INDEFERE O PEDIDO DE DESTITUIÇÃO DO ADMINISTRADOR JUDICIAL, 
REJEITA OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS CONTRA A 
DECISÃO QUE AUTORIZOU A CONTRATAÇÃO DE ADVOGADOS E 
APLICA MULTA PELO CARÁTER PROTELATÓRIO DO RECURSO. 
IRRESIGNAÇÃO DAS DEVEDORAS. POSTERIOR CONVOLAÇÃO DA 
RECUPERAÇÃO EM FALÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PERDA DO OBJETO 
DO RECURSO. ATOS PRATICADOS NO PERÍODO DO PROCESSAMENTO 
DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL QUE CONTINUAM SUSCETÍVEIS DE 
ANÁLISE PELO JUÍZO E EVENTUAL DESTITUIÇÃO QUE PERMANECE 
APTA A PRODUZIR SEUS EFEITOS. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE 
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO 
AGRAVADA. PARCIAL ACOLHIMENTO. RECURSO QUE NÃO ATACOU AS 
RAZÕES DISPOSTAS NO DECISUM QUANTO À AUTORIZAÇÃO PARA A 
CONTRATAÇÃO DE NOVO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA PARA 
ASSESSORIA JURÍDICA DAS SOCIEDADES EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. 
FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA 
DIALETICIDADE (ART. 524, INC. II, DO CPC/1973). DESTITUIÇÃO DO 
ADMINISTRADOR JUDICIAL. AUSÊNCIA DE DESOBEDIÊNCIA AOS 
PRECEITOS DA LEI DE FALÊNCIAS E DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS, 
DESCUMPRIMENTO DE SEUS DEVERES FUNCIONAIS, OMISSÃO, 
NEGLIGÊNCIA OU CONDUTA LESIVA. ATO PRATICADO NA 
ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES QUE, EMBORA POSTERIORMENTE 
INVALIDADO POR ESTA CORTE, FOI REALIZADO POR ORIENTAÇÃO DE 
ASSESSORIA JURÍDICA RECONHECIDAMENTE QUALIFICADA E, 
INCLUSIVE, REFERENDADO PELO JUÍZO DE ORIGEM NA 
OPORTUNIDADE. POSIÇÃO JURÍDICA OBJETO DE CONTROVÉRSIA QUE 
NÃO CONSTITUIU MOTIVO IDÔNEO A ENSEJAR A ADOÇÃO DA MEDIDA 
EXTREMA DA DESTITUIÇÃO DO ADMINISTRADOR JUDICIAL. DEMAIS 
ATOS ALEGADOS PARA JUSTIFICAR A DESTITUIÇÃO, COMO 
IMPARCIALIDADE, DEMISSÃO INDEVIDA DE FUNCIONÁRIOS,RESCISÃO 
IMOTIVADA DE CONTRATOS E DESÍDIA NO ACOMPANHAMENTO DE 
PROCESSOS, QUE NÃO FORAM EVIDENCIADOS. DECISÃO QUE 
INDEFERIU O PEDIDO DE DESTITUIÇÃO MANTIDA. MULTA APLICADA 
PELA OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. 
MANUTENÇÃO DA PENALIDADE. RECURSO INTERPOSTO APENAS COM 
O INTUITO DE REDISCUTIR A DECISÃO EMBARGADA E PROTELAR O 
ANDAMENTO DO PROCESSO. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO 
E DESPROVIDO (SANTA CATARINA, 2018). 
 
Nesse sentido, é notório que a jurisprudência pacificou o seu entendimento acerca 
do pedido de destituição do administrador judicial. Esse deverá ser fundamentado, trazendo 
evidências que comprovem a prática, pelo administrador judicial, dos atos que prejudiquem as 
partes. 
 57 
Em relação à responsabilidade civil do administrador judicial, dentre as doutrinas 
estudadas, poucas falam a respeito do assunto. Gomes (2007, p. 298-299) cita que, em casos 
de prejuízos causados pelo administrador judicial, caberá à massa falida propor “[...]ação de 
responsabilidade e indenizatória contra o administrador judicial [...]” durante o processo de 
falência. Já Coelho (2011, p. 371) esclarece que: 
 
O administrador judicial responde civilmente por má administração ou por infração 
à lei. Até o encerramento do processo falimentar, somente a massa tem legitimidade 
ativa para responsabilizá-lo, após, evidentemente, a sua substituição ou destituição. 
Durante o prazo, o credor não pode, individualmente, acionar o administrador 
judicial, cabendo-lhe, apenas, requerer sua destituição. Mas, uma vez encerrado o 
processo falencial, qualquer credor prejudicado por má administração ou infração à 
lei poderá promover a responsabilização do antigo administrador judicial, desde que 
tenha, contudo, requerido, no momento oportuno, a sua destituição, condição 
inafastável para a sua legitimação ao pedido indenizatório. 
 
A doutrina entende que, até o encerramento do processo falimentar, a massa falida 
ou os credores, podem propor a ação de indenização, em processo autônomo. Após o 
encerramento do processo de falência ou de recuperação judicial, poderão os credores 
prejudicados pleitear, também, em processo autônomo, a indenização (COELHO, 2011; 
GOMES, 2007). 
Já a jurisprudência, principalmente, no que tange ao Tribunal de Justiça do Estado 
de Santa Catarina, também é escassa,mas o seu entendimento aoencontro do que a doutrina 
prevê. A ação de responsabilidade pelo ato ilícito cometido pelo administrador judicial deverá 
ser proposta em juízo diferente ao da falência, ou seja, é necessária uma ação autônoma. 
Ademais, para a propositura de ação de responsabilização, é necessário que haja, 
anteriormente, o pedido de destituição do administrador, em razão da prática do ato 
prejudicial às partes, sem o qual, não será possível ingressar com ação autônoma, pois 
constitui requisito para tal. Nesse caso, até o fim do processo de falência, a legitimidade para 
figurar no polo passivo da ação indenizatória é da massa falida, no caso da falência; ou dos 
credores, no caso da recuperação judicial. 
Nesse sentido, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina entendeu que 
eventual indenização, em decorrência de ingerências por parte do administrador judicial no 
processo de recuperação judicial, deve ser requerida em ação própria, como segue: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE CONVOLOU RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL EM FALÊNCIA, EM RAZÃO DO NÃO CUMPRIMENTO DO 
PLANO DE RECUPERAÇÃO.RECURSO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS 
FALIDAS E DE SEUS SÓCIOS ASSISTENTES LITISCONSORCIAIS. 
PRETENDIDA REFORMA DO DECISUM, A FIM DE QUE SEJA RETOMADA 
 58 
A RECUPERAÇÃO JUDICIAL, COM A REALIZAÇÃO DE NOVA 
ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES. IMPOSSIBILIDADE. 
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ELEMENTARES DO PLANO DE 
RECUPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA QUE DÁ ENSEJO À DECRETAÇÃO 
IMEDIATA DA QUEBRA, A TEOR DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 61, § 1º, 73, 
INCISO IV, E 94, INCISO III, "G", TODOS DA LEI N. 11.101/2005. 
PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. ALEGAÇÃO DE QUE O 
ADMINISTRADOR JUDICIAL ENTÃO ATUANTE TERIA AGIDO DE 
MANEIRA NEGLIGENTE NA CONDUÇÃO DE SEU ENCARGO. 
IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES, 
ORA AGRAVANTES, PELO ADIMPLEMENTO DO PLANO DE 
RECUPERAÇÃO. SUPOSTAS INGERÊNCIAS POR PARTE DO 
ADMINISTRADOR JUDICIAL INCAPAZES DE INFLUIR NO RESULTADO 
DO JULGAMENTO. EVENTUAIS INDENIZAÇÕES QUE DEVEM SER 
RECLAMADAS EM AÇÃO PRÓPRIA. AGRAVANTES QUE NÃO 
LOGRARAM DEMONSTRAR O CUMPRIMENTO DOS DEVERES 
ASSUMIDOS NO PLANO DE RECUPERAÇÃO. PEDIDO DE ANULAÇÃO 
DA ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES, EM RAZÃO DA QUAL TERIA 
SIDO DECRETADA A QUEBRA. ALEGADO VÍCIO NA INTIMAÇÃO DOS 
CREDORES. IRRELEVÂNCIA. FALÊNCIA DECRETADA EM VIRTUDE DO 
NÃO CUMPRIMENTO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO APRESENTADO. 
HIPÓTESE EM QUE O MAGISTRADO PODE CONVOLAR A RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL EM FALÊNCIA, A DESPEITO DE MANIFESTAÇÃO DOS 
CREDORES. EXEGESE DOS JÁ MENCIONADOS ARTIGOS 61, § 1º, 73, 
INCISO IV, E 94, INCISO III, "G", TODOS DA LEI N. 11.101/2005. 
ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NA JURISPRUDÊNCIA PÁTRIA. 
AGRAVO NÃO CONHECIDO NO PONTO, POR AUSÊNCIA DE INTERESSE 
RECURSAL. DOCUMENTOS NOVOS, JUNTADOS APÓS A INTERPOSIÇÃO 
DO RECURSO, COM O INTUITO DE DESCREDIBILIZAR AS PALAVRAS DO 
ANTIGO ADMINISTRADOR JUDICIAL, DEMONSTRAR A VIABILIDADE 
DA RECUPERAÇÃO DAS EMPRESAS AGRAVANTES, BEM COMO 
COMPROVAR A EXISTÊNCIA DE EQUÍVOCOS NO TOCANTE À 
ASSEMBLEIA GERAL REALIZADA. DESCABIMENTO. DOCUMENTAÇÃO 
INCAPAZ DE ENSEJAR A REFORMA DO DECISUM, DADO QUE NÃO 
COMPROVA O ADIMPLEMENTO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO. 
ADEMAIS, DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA ATUAL 
ADMINISTRADORA JUDICIAL QUE RECHAÇAM A POSSIBILIDADE DE 
RECUPERAÇÃO DAS FALIDAS. DECISÃO DE QUEBRA MANTIDA. 
RECURSO CONHECIDO, EM PARTE, E, NESTA PORÇÃO, NÃO PROVIDO 
(SANTA CATARINA, 2016). 
 
Em outra decisão, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina reconheceu 
que, enquanto corre o processo de falência, o credor não pode individualmente acionar o 
administrador judicial, podendo, tão somente, nesse período pedir a sua destituição, até o fim 
do processo. Ademais, deve aguardar o fim do processo para promover individualmente a 
responsabilização de referido administrador judicial. Entretanto, para se legitimar à ação de 
indenização, nesse caso, considera-se requisito inafastável requerer, nos autos da falência, 
enquanto tramitar, a destituição do demandado, caso contrário, não terá legitimidade para 
tanto, como segue: 
 
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS - DEMANDA 
MOVIDA POR CREDOR PREFERENCIAL EM FACE DE MASSA FALIDA, 
 59 
SUSTENTANDO ATRASO NO PAGAMENTO DAS VERBAS DE SUA 
TITULARIDADE - SENTENÇA EXTINGUINDO O PROCESSO, SEM 
JULGAMENTO DO MÉRITO, POR INADEQUAÇÃO DO RITO 
PROCEDIMENTAL ELEITO. INSURGÊNCIA DO DEMANDANTE - 
REJEIÇÃO - PROCESSO DE FALÊNCIA REGIDO PELO DL. N. 7.661/45 - 
AUSÊNCIA DAS CAUSAS CONFIGURADORAS DO DEVER DO SÍNDICO EM 
PRESTAR CONTAS - OBRIGAÇÃO QUE SOMENTE SE CARACTERIZA NOS 
CASOS DE RENÚNCIA DO ENCARGO, SUBSTITUIÇÃO, DESTITUIÇÃO, 
TÉRMINO DA LIQUIDAÇÃO OU CONCESSÃO DE CONCORDATA AO 
DEVEDOR (ART. 69 DA ANTIGA LEI DE QUEBRAS) - SITUAÇÃO 
DESCRITA NOS AUTOS NÃO CONTEMPLADA DENTRE AS HIPÓTESES 
LEGAIS, SENDO INVIÁVEL O MANEJO DA AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE 
CONTAS DURANTE O CURSO DA ATIVIDADE DESEMPENHADA PELO 
ADMINISTRADOR DA MASSA - POSSIBILIDADE DE O ACIONANTE 
RECLAMAR EVENTUAL PREJUÍZO NOS AUTOS DA FALÊNCIA, 
MEDIANTE A INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE ADEQUADO, COM O 
AJUIZAMENTO DE POSTERIOR AÇÃO DE RESPONSABILIZAÇÃO EM 
FACE DO SÍNDICO - RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Enquanto 
corre o processo de falência, o credor não pode individualmente acionar o síndico, 
porque não é possível isolar o seu interesse da comunidade de credores. Pode ser que 
certo credor (quirografário) não fosse receber pagamento, mesmo que a 
irregularidade perpetrada pelo síndico não tivesse se verificado. Falece-lhe, pois, 
interesse jurídico para a ação de responsabilização. Desse modo, até o fim do 
processo de falência, o credor pode apenasrequerer a destituição do síndico (art. 
66). Se a obtiver, a massa falida, representada pelo novo síndico, demandará o 
substituído. Se não, restar-lhe-á unicamente aguardar o fim do concurso de credores, 
momento em que qualquer credor admitido que tenha sido prejudicado por má 
administração ou infração à lei poderá promover individualmente a 
responsabilização da pessoa que houvera atuado como síndico. Para se legitimar à 
ação de indenização, nesse caso, considera-se requisito inafastável ter o credor 
requerido, nos autos da falência, enquanto esta tramitava, a destituição do 
demandado. Se não fez o requerimento de destituição, deixando de levar ao 
conhecimento judicial a notícia das irregularidades administrativas, cuja coibição 
beneficiaria toda a comunidade de credores, reputa-se o credor individualista não 
legitimado para a ação de indenização (Fábio Ulhoa Coelho, Curso de Direito 
Comercial, vol. 3, p. 263/264, Saraiva: 2005) (SANTA CATARINA, 2009). 
 
Nesse sentido, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, também, reconheceu 
a possibilidade de responsabilização civil do administrador judicial, por ato doloso ou 
culposo, perante os credores, como segue: 
 
Ação de indenização foi movida por PROCID INVEST Participações e Negócios 
S/A, quando ainda não falida, por seu controlador pessoa física (Edemar Cid 
Ferreira) e uma de suas subsidiárias (E - Financial Tecnologia e Serviços Ltda.) em 
desfavor do Banco Central do Brasil e de Vânio César Pickler Aguiar, então 
interventor do Banco Santos S/A. Falência decretada posteriormente e desistência da 
ação por parte da massa falida. Agravo de instrumento interposto pela falida. 
Decisão que não é nula, pois com motivação e fundamentação suficientes. 
Possibilidade de a ação continuar, com os autores originários. Ademais, se a 
desistência vier a ser demonstrada como sendo ato doloso ou culposo do 
Administrador Judicial, responderá ele perante os credores (art. 32 da LFR). Recurso 
não provido (SÃO PAULO, 2011). 
 
Cumpre salientar que o fato da legislação falimentar prever que o juiz e o Comitê 
de Credores fiscalizam os atos do administrador judicial não o exime da responsabilidade 
 60 
pelos prejuízos causados, pois a sua conduta precede, além da culpa, de dolo, ou seja, quando, 
voluntariamente, o administrador judicial cometer o ato de prejudicar as partes. 
Assim, encerra-se este capítulo e passa-se à conclusão desta monografia. 
 61 
5 CONCLUSÃO 
O objetivo geral desta monografia é analisar as hipóteses de responsabilização 
civil do administrador judicial no exercício de suas atribuições durante o processo de 
recuperação judicial e de falência da empresa. 
Para tanto, foram destacados alguns objetivos específicos, sobre os quais passam-
se a expor algumas considerações. 
Na primeira parte do trabalho, trata-se da responsabilidade civil, que nada mais é 
do que a obrigação de indenizar, imputada a alguém que causa dano a outrem. Acontece que, 
para configurar essa responsabilidade é necessário que os elementos: ação ou omissão, culpa 
ou dolo, nexo de causalidade e dano, estejam presentes. Ainda, para ter o autor do dano o 
dever de indenizar a vítima, não poderá apresentar excludentes que o isentem da 
responsabilidade 
Na segunda parte do trabalho, mostrou-se que a Lei n. 11.101/2005 regula a 
falência, a recuperação judicial e extrajudicial da empresa ou da sociedade empresária que se 
encontra em crise econômico-financeira. Essa lei trouxe inovações em relação ao normativo 
anterior, pois, ao extinguir a concordata, estabeleceu a recuperação de empresa que representa 
uma possibilidade de superação da crise.Trata-se de processo mais flexível e inovador, que 
define meios de satisfação dos créditos, por meio da elaboração do plano de recuperação que 
será negociado entre o devedor e o credor, no sentido de viabilizar a atividade empresarial, 
visando a preservar a empresa e a cumprir a sua função social. 
Na terceira parte do trabalho, pode-se destacar que o pedido de recuperação 
judicial de uma empresa deverá ser feito quando essa se encontrar em estado de crise, que é 
caracterizado pelo inadimplemento, pela iliquidez e pela insolvência. Já o instituto da falência 
pode ser requerido pelo credor e pelo devedor, quando não há mais condições de recuperar a 
empresa. Com a decretação da falência, inicia-se o processo de execução concursal, pelo qual 
são arrecadados todos os bens do falido e é feito o levantamento de todos os credores, de 
modo que, com a venda do ativo do falido, seja possível efetuar o pagamento dos credores 
seguindo-se uma ordem de preferência de credores estabelecida na Lei de Falência. Tanto o 
processo de recuperação judicial quanto o de falência devem tramitar no local onde se 
encontra o principal estabelecimento do devedor; tendo a empresa mais de um 
estabelecimento, o processo deve tramitar naquele local onde o estabelecimento é considerado 
o mais importante. 
 62 
A última parte da monografia tratou sobre a questão principal deste estudo, na 
qual se demonstrou que o administrador judicial é a pessoa de confiança do juiz nomeada para 
efetuar as diligências necessárias ao processo de execução concursal, podendo ele ser pessoa 
física ou jurídica, que auxilia o juiz no bom andamento do feito, contribuindo para que a 
finalidade da falência seja alcançada e sejam atendidos os interesses dos credores, jamais se 
deixando levar pela vontade própria. Por essa razão, deverá o administrador judicial 
desempenhar a sua atividade com responsabilidade, cumprindo as determinações da lei quanto 
à recuperação judicial e à falência, sob pena de ser responsabilizado pelos atos que praticar, 
com dolo ou culpa, que prejudiquem as partes interessadas no processo de recuperação 
judicial ou de falência. 
Nesse caso, mesmo que o administrador judicial execute as suas tarefas com a 
fiscalização do juiz e do Comitê de Credores, também, dos órgãos de administração do 
processo de recuperação judicial e de falência, não será isento de responsabilidade, uma vez 
que a lei dispõe que o administrador será responsabilizado quando proceder com culpa ou 
dolo. Entretanto, para que esse responda pelos danos causados, a jurisprudência sustenta que o 
administrador judicial deverá, primeiramente, ser destituído da sua função. Ainda, o processo 
de indenização que deverá ser ajuizado em vara diferente do processo de recuperação ou 
falência da empresa, poderá ser movido pela massa falida, em caso de processo de falência 
ou, se tratando de recuperação judicial, pelos credores, durante e até o fim do processo de 
falência, enquanto o credor, individualmente, só poderá ajuizar a ação de indenização no fim 
do processo de falência. 
Assim, ao praticar as suas atividades, deverá o administrador judicial ser idôneo, 
objetivando o resultado satisfatório da recuperação judicial e da falência, afastando a 
possibilidade de ser responsabilizado por algum ato ilícito cometido. 
Ao fim, confirma-se a hipótese apresentada neste trabalho, que é a seguinte: O 
administrador judicial poderá ser responsabilizado civilmente por prejuízo causado à massa 
falida, ao devedor, aos credores ou a terceiros, além ser substituído ou destituído da sua 
função nos casos de desobediência, descumprimento da lei, omissão e negligência, desde que 
tenha sido destituído da função durante o processo falimentar. 
 
 63 
REFERÊNCIAS 
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aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943, da Lei n. 10.189, de 14 de 
fevereiro de 2001, da Lei Complementar n. 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis n. 
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BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (2. Seção). Agravo Interno 157969/RS. AGRAVO 
INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL [...]. 
Agravante: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material 
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da Malharia Nerisi Ltda. Agravada: Massa Falida da Malharia Nerisi Ltda. Relator: Desemb. 
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AAAOFkvAAE&categoria=acordao. Acesso em: 30 maio 2019. 
 
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (3. Câmara de Direito 
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DECISÃO QUE CONVOLOU RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA, EM RAZÃO 
DO NÃO CUMPRIMENTO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO [...]. Agravantes: A. 
Benthien e Cia Ltda. e outros. Agravados: Massa Falida de A. Benthien Cia. Ltda., e outro. 
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http://busca.tjsc.jus.br/jurisprudencia/html.do?q=&only_ementa=&frase=&id=AAAbmQAA
CAANq0PAAb&categoria=acordao. Acesso em: 30 maio 2019. 
 
 66 
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (3. Câmara de Direito 
Comercial). Agravo de Instrumento 4021428-34.2017.8.24.0000. RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL DESTITUIÇÃO DE ADMINISTRADOR JUDICIAL REJEITADA. AGRAVO 
DO CREDOR INSURGENTE [...]. Agravante: Equipos Celulose Comércio e Indústria Ltda. 
Agravada: Indusflora Produtos Florestais Ltda. Relator: Desemb. Gilberto Gomes de Oliveira, 
21 de março de 2019. Disponível em: 
http://busca.tjsc.jus.br/jurisprudencia/html.do?q=&only_ementa=&frase=&id=AABAg7AAF
AAJKT3AAH&categoria=acordao_5.25 
2.4 RESPONSABILIDADE CIVIL SUJBETIVA E OBJETIVA ......................................... 25 
2.5 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL ......................... 26 
3 ASPECTOS DESTACADOS SOBRE O DIREITO FALIMENTAR DO BRASIL ... 28 
3.1 CONCEITO E PRINCÍPIOS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL ................................. 28 
3.2 APLICABILIDADE DA LEI N. 11.101/2005 E COMPETÊNCIA DO JUÍZO ............ 31 
3.3 VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DE CRÉDITOS .................................................... 33 
3.4 ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA E DA RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL.................................................................................................................................35 
 
3.5 NOÇÕES GERAIS SOBRE O INSTITUTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL .......... 37 
3.6 NOÇÕES GERAIS SOBRE O INSTITUTO DA FALÊNCIA ....................................... 43 
4 POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL DO ADMINISTRADOR 
JUDICIAL NO INSTITUTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA ..... 49 
4.1 ATRIBUIÇÕES DO ADMINISTRADOR JUDICIAL NA RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL E NA FALÊNCIA ................................................................................................. 49 
4.2 POSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL DO ADMINISTRADOR 
JUDICIAL NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E NA FALÊNCIA ......................................... 53 
5 CONCLUSÃO ................................................................................................................... 61 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 63 
 
 11 
1 INTRODUÇÃO 
Esta monografia trata do estudo sobre a responsabilidade civil do administrador 
judicialna recuperação judicial e na falência de empresa, como se passa a expor. 
1.1 DESCRIÇÃO DO TEMA 
O administrador judicial faz parte do órgão da recuperação judicial e da falência 
de empresa e sua função é, basicamente, arrecadar todos os bens do devedor, onde quer que 
estejam, requerendo, para esse fim, as medidas judiciais necessárias. Além disso, caso o juiz 
determine no processo de recuperação judicial ou de falência o afastamento dos 
administradores da empresa, caberá ao administrador judicial coordenar a empresa até que 
seja escolhido um novo gestor judicial. 
As funções do administrador judicial são de caráter personalíssimo e não podem 
ser delegadas. “O administrador judicial, em auxílio ao juiz na ordenação dos processos de 
recuperação judicial, terá que realizar uma pluralidade de atos, de natureza judicial ou 
administrativa, para que o escopo seja logrado” (CAMPINHO, 2009, p. 62). Ainda, do mesmo 
modo, “[...] o administrador judicial é o responsável direto pela administração do ativo e do 
passivo do devedor falido, reunidos na massa falida, que será por ele representada durante o 
processo falimentar” (GOMES, 2007, p. 295). 
O administrador judicial é intimado pessoalmente, após sua nomeação, para em 48 
horas, assinar termo de compromisso, assumindo, dessa forma, responsabilidades civis e 
penais que lhe são pertencentes.Suas funções, assim, variam entre funções judiciais e 
administrativas. Dentre elas, destacam-se, principalmente, enviar correspondências aos 
credores comunicando o pedido de recuperação judicial ou a decretação da falência; fornecer 
aos credores todas as informações solicitadas; consolidar o quadro geral de credores; contratar 
profissional ou empresa para auxiliá-lo em suas atribuições, caso seja necessário; fiscalizar as 
atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial; e, apresentar ao juiz 
relatórios estabelecidos na legislação falimentar. 
É importante conhecer essas atribuições e responsabilidades do administrador 
judicial, pois é ele que estará agindo no processo de recuperação judicial e falência de uma 
empresa, fiscalizando o devedor. “A recuperação judicial é uma tentativa de solução para a 
crise econômica de um agente econômico, enquanto uma atividade empresarial. Isso ocorre 
porque a recuperação tem por objetivo principal proteger a atividade empresarial” 
 12 
(TEIXEIRA, 2011, p. 183). Já o instituto da “[...]falência é uma forma de execução coletiva, 
promovida contra o devedor comerciante (sujeito passivo) responsável por obrigação 
mercantil (base do processo inicial)” (FERREIRA, 1996 apud PERIN JUNIOR, 2011, p. 53). 
 
A figura do administrador judicial, com o advento da LRF, a passou a ser revestida 
de credibilidade necessária ao regular processamento do feito, confortando os 
credores, principais interessados na celeridade processual e o juízo falimentar, com a 
certeza de atuação profissional, fiscalizada e imparcial na busca da satisfação dos 
interesses creditórios perante a sociedade falida ou submetida à recuperação judicial. 
Dentre as principais questões que emergem da atuação do administrador judicial, 
reside na necessária exegese interpretativa do artigo 21 da LRF em vista a qualificar 
técnica e academicamente o profissional a ser nomeado pelo juízo falimentar para 
auxílio jurisdicional em vista a gestão da massa falida e fiscalização do plano de 
recuperação (MENDES, 2010). 
 
Como se observa, a função do administrador judicial é tanto fundamental no 
processo de recuperação de empresa, quanto no processo de falência, uma vez que auxilia o 
juiz no bom andamento do feito, a fim de que os interesses das partes sejam atingidos. Em 
razão de sua importante função, caso viole alguma regra e cause prejuízos à massa falida, o 
administrador judicial poderá ser responsabilizado civilmente, além de ser substituído ou 
destituído do cargo. 
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA 
De que forma o administrador judicial pode ser responsabilizado civilmente 
pelos atos praticados no exercício de suas atribuições durante o processo de recuperação 
judicial e de falência de empresa? 
1.3 HIPÓTESE 
O administrador judicial poderá ser responsabilizado civilmente por prejuízo 
causado à massa falida, ao devedor, ou aos credores, além ser substituído ou destituído da sua 
função,nos casos de desobediência, descumprimento da lei, omissão e negligência. 
1.4 DEFINIÇÃO DO CONCEITO OPERACIONAL 
Para um entendimento mais apropriado do tema em questão, indica-se o seguinte 
conceito operacional: Responsabilidade civil do administrador judicial na recuperação 
judicial e na falência de empresa: Trata-se da obrigação que pode incumbir uma pessoa 
 13 
nomeada pelo juízo falimentar a reparar o prejuízo causado ao devedor, aos credores ou a 
terceiros, por fato próprio, ou por fato de pessoas ou coisas que dela dependam no processo 
que visa a dar à empresa a possibilidade de superação da crise econômico-financeira. 
1.5 JUSTIFICATIVA 
O presente tema se justifica pela importância que representa ao campo do Direito 
Empresarial, principalmente, no que se refere ao processo de falência e recuperação judicial 
de empresa, instituto que vem sendo cada vez mais requisitado no judiciário, em função da 
crise econômica por que passa o país, atualmente. 
Ainda, este estudo tem relevância para o meio empresarial, porque a figura do 
administrador judicial é importante frente ao processo de recuperação de empresa, na medida 
em que desempenha atribuições que consistem no esclarecimento de dúvidas do Ministério 
Público, dos credores, do juiz e de outros interessados, facilitando o entendimento dos 
envolvidos, no sentido de viabilizar a superação da crise econômico-financeira da empresa, de 
modo a evitar, na recuperação judicial, a decretação da falência e a atender o princípio da 
preservação da empresa. 
Embora a falência e a recuperação judicial sejam um assunto bem comentado no 
âmbito acadêmico, jurídico e social, a presente pesquisa, ao limitar a extensão de estudo 
especificando as atribuições do administrador judicial, sua importância e responsabilidade 
frente à falência e à recuperação de empresas, trouxe uma peculiaridade diferenteAcesso em: 30 maio 2019. 
 
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (3. Câmara de Direito 
Comercial). Apelação Cível 2005.006582-9. APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE 
PRESTAÇÃO DE CONTAS - DEMANDA MOVIDA POR CREDOR PREFERENCIAL 
EM FACE DE MASSA FALIDA, SUSTENTANDO ATRASO NO PAGAMENTO DAS 
VERBAS DE SUA TITULARIDADE [...]. Apelante: Osni Paul. Apelado:Massa Falida de 
Vijon Confecções. Relator: Desemb. Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, 18 de junho de 2009. 
Disponível em: 
http://busca.tjsc.jus.br/jurisprudencia/html.do?q=&only_ementa=&frase=&id=AAAbmQAA
BAAHg7MAAA&categoria=acordao. Acesso em: 30 maio 2019. 
 
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (4. Câmara de Direito 
Comercial). Agravo de Instrumento 0138023-92.2014.8.24.0000. GRAVO DE 
INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. DECISÃO QUE INDEFERE O PEDIDO 
DE DESTITUIÇÃO DO ADMINISTRADOR JUDICIAL, REJEITA OS EMBARGOS DE 
DECLARAÇÃO OPOSTOS CONTRA A DECISÃO QUE AUTORIZOU A 
CONTRATAÇÃO DE ADVOGADOS E APLICA MULTA PELO CARÁTER 
PROTELATÓRIO DO RECURSO [...]. Agravantes: Busscar Comércio Exterior S/A, Busscar 
Investimento e Empreendimentos Ltda., Busscar Ônibus SA, Climabus Ltda., Niempal 
Empreendimentos e Participações Ltda., TecnofibrasHvr Automotiva S.A e TSA Tecnologia 
S.A. Agravado: Instituto Professor Rainoldo Uessler. Relator: Desemb. Altamiro de Oliveira, 
30 de janeiro de 2018. Disponível em: 
http://busca.tjsc.jus.br/jurisprudencia/html.do?q=&only_ementa=&frase=&id=AABAg7AAE
AAHU4PAAO&categoria=acordao_5. Acesso em: 30 maio 2019. 
 
SÃO PAULO (Estado). Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Câmara Reservada à 
Falência e Recuperação). Agravo de Instrumento 5262861220108260000. Ação de 
indenização foi movida por PROCID INVEST Participações e Negócios S/A, quando ainda 
não falida [...]. Agravante:Procid Invest Participações e Negócios S/A (Falida). Agravada: 
Procid Invest Participações e Negócios S/A (Massa Falida). Relator: Desemb. Romeu 
Ricupero, 23 de agosto de 2011. Disponível em: 
https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/resultadoSimples.do;jsessionid=B9A97EA4785F0A14517FDE765
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	Monografia - Isabela Teixeira Machado
	cb9ac781ed57f6ef8acb0bd8cca145e7b0e81fafd512bf82dd1963c69e9ff698.pdf
	Monografia - Isabela Teixeira Machadodos demais 
estudos já realizados a respeito deste tema. 
Também, se justifica este estudo dada a relevância para o meio profissional, tendo 
em vista a importância do papel do administrador judicial no processo falimentar, que deve 
ser conhecido e estudado, pois, caso não seja desempenhado com zelo, poderá ensejar 
responsabilização, cabendo aos advogados a defesa das partes no processo, quer pelo devedor, 
quer pelos credores. Desse modo, todos os envolvidos no processo têm, por fim, a superação 
da crise econômico-financeira do devedor, para manter a fonte produtora, assegurar os postos 
de trabalho e emprego e garantir os interesses dos credores frente à insolvência da empresa. 
Por fim, este estudo é interessante ainda para a sociedade porque, em se tratando 
de Universidade Comunitária, a pesquisa não só será fonte de pesquisa para os acadêmicos, 
como também para os leitores externos, advindos da comunidade, que poderão ter 
maiorentendimento a respeito do processo de falência e de recuperação judicial e, ainda, do 
papel do administrador judicial. 
 14 
1.6 OBJETIVOS 
Os objetivos gerais e específicos seguem abaixo descritos. 
1.6.1 Objetivo geral 
Analisar as hipóteses de responsabilização civil do administrador judicial no 
exercício de suas atribuições durante o processo derecuperação judicial e de falência de 
empresa. 
1.6.2 Objetivos específicos 
Apresentar noções gerais acerca do instituto da responsabilidade civil no 
ordenamento jurídico brasileiro; 
Identificar os princípios gerais constitucionais da atividade econômica; 
Descrever sobre os princípios da função social e da preservação da empresa; 
Destacar os principais aspectos sobre o direito falimentar no Brasil; 
Descrever a respeito da figura do administrador judicial na falência e na 
recuperação judicial e suas atribuições; 
Demonstrar como o administrador judicial pode ser responsabilizado no exercício 
de sua função no processo de recuperação judicial e de falência; 
Destacar os entendimentos doutrinários e jurisprudências acerca do tema. 
1.7 DELINEAMENTO DA PESQUISA 
Delineamento da pesquisa “[...] refere-se ao planejamento da mesma em sua 
dimensão mais ampla envolvendo tanto a sua diagramação quanto a previsão de análise e 
interpretação de dados” (GIL, 2002, p. 70). Assim, esta seção consiste na especificação dos 
tipos de método e pesquisa cabíveis ao objeto em estudo, no caso, “Responsabilidade civil do 
administrador judicial na recuperação de empresa”. 
Método é o meio do qual o pesquisador se utiliza para buscar respostas e obter 
resultados confiáveis. “O método é um recurso que requer detalhamento de cada técnica 
aplicada na pesquisa. É o caminho sistematizado, formado por etapas, que o pesquisador 
percorre para chegar à solução” (MOTTA, 2012, p. 83). O método de procedimento utilizado 
na pesquisa consiste no monográfico, que se deve à preocupação com o aprofundamento do 
 15 
tema em estudo, a partir de leis, normas e doutrinas. Para Motta (2012, p. 98), “[...] o método 
monográfico é aquele que analisa, de maneira ampla, profunda e exaustiva, determinado 
tema-questão-problema”. O método de abordagem na pesquisa é o do tipo dedutivo, uma vez 
que foram analisados documentos, inerentes às normas e leis, e doutrinas vinculadas ao tema; 
decorre da abordagem do âmbito geral para o específico. Assim, trata-se de um método “[...] 
que parte sempre de enunciados gerais (premissas) para chegar a uma conclusão particular” 
(HENRIQUES; MEDEIROS, 2003 apud MOTTA, 2012, p. 86). 
A pesquisa proposta para o trabalho monográfico, quanto ao seu objetivo, é a do 
tipo exploratória, pois proporciona “[...] maior familiaridade com o problema, com vistas a 
torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses” (GIL, 2002, p. 41). Envolve levantamento 
bibliográfico, sem desenvolver análises mais detidas. 
Quanto aos procedimentos na coleta de dados, foram aplicadas as pesquisas dos 
tipos bibliográfica e documental. A primeira decorre da necessidade de se fazer leituras, 
análises e interpretações de fontes secundárias (livros, revistas, jornais, monografias, teses, 
dissertações, relatórios de pesquisa, doutrinas, etc.). A sua finalidade consiste em colocar o 
pesquisador em contato direto com tudo o que já foi escrito ou dito sobre o tema em estudo. É 
uma pesquisa que explica o tema em questão à luz dos modelos teóricos pertinentes. Já a 
segunda, a pesquisa documental, baseia-se em fontes primárias ou documentais, uma vez que 
serve de base material ao entendimento da tese em questão. Pertence ao campo da 
hermenêutica, pois o documento deve ser analisado como se apresenta, e não como quer que 
se apresente (MOTTA, 2012). 
Por sua vez, com base no objeto de estudo, a pesquisa é a do tipo instrumental, 
pois diz respeito à preocupação prática, que busca “[...] trazer uma contribuição teórica à 
resolução de problemas técnicos (transformando o saber em saber-fazer)” (SILVA, 2004 apud 
MOTTA, 2012, p. 48). As pesquisas bibliográfica e documental definem-se como 
instrumentais, podendo ser divididas em doutrinária, legal ou jurisprudencial. 
1.8 ESTRUTURA DO RELATÓRIO FINAL 
O desenvolvimento deste trabalho se deu em cinco capítulos. 
O primeiro capítulo trata da introdução ao tema. 
No segundo capítulo, são estudadas as noções gerais acerca da responsabilidade 
civil, quais sejam, seu conceito, seus elementos, suas excludentes e seus diferentes tipos. 
 16 
O terceiro capítulo aborda os aspectos sobre o direito falimentar no Brasil, 
trazendo o conceito de atividade empresarial, a aplicabilidade da Lei n. 11.101/2005 e a 
competência do juízo para as ações de falência e de recuperação judicial, bem como a 
habilitação dos créditos e os órgãos de administração dos dois procedimentos. Esse capítulo 
também aborda os fundamentos do instituto da recuperação judicial e da falência. 
Logo, o quarto capítulo discorre acerca da possibilidade de o administrador 
judicial ser responsabilizado por suas ações ou omissões na esfera cível. 
Por fim, é apresentado no quinto e último capítulo a conclusão do trabalho. 
 17 
2 NOÇÕES GERAIS ACERCA DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
Este capítulo apresenta as noções gerais sobre a responsabilidade civil, com o 
objetivo de fundamentar o tema, tratando-se, desse modo, de conceito, elementos, 
excludenteseespécies de responsabilidade civil, como segue. 
2.1 CONCEITO DE RESPONSABILIDADE CIVIL 
A ideia de responsabilidade civil conforme Stoco (2007, p. 114), pode ser 
exaurida da própria origem da palavra respondere, responder alguma coisa, responder pelos 
seus atos que causam danos a outrem. Na mesma ideia segue Rodrigues (2003, p. 6) “A 
responsabilidade civil é a obrigação que pode incumbir uma pessoa a reparar o prejuízo 
causado a outra, por fato próprio, ou por fato de pessoas ou coisas que dela dependam”. 
Em relação à teoria que deu origem à responsabilidade civil, para Pereira (2016, p. 
3), não foi o Direito Romano que a construiu, e sim um desenrolar de casos de espécie, 
decisões de juízes, respostas dos jurisconsultos e das constituições imperiais.Ainda, sobre o 
assunto, Pereira (2016, p. 11), discorre: 
 
Os grandes mestres da responsabilidade civil, em suas obras sistemáticas, procuram 
sintetizar o conceito, deslocando a noção abstrata da responsabilidade civil para a 
configuração concreta de quem seja responsável, dizendo que uma pessoa é 
civilmente responsável quando está sujeita a reparar um dano sofrido por outrem. 
 
Vale ressaltar também, “[...] que o instituto da responsabilidade civil é parte 
integrante do direito obrigacional, posto que consiste na obrigação que tem o autor de um ato 
ilícito de indenizar a vítima pelos prejuízos a ele causados” (SAMPAIO, 2003, p. 17). A 
indenização que responde o autor do ato ilícito recai sobre o seu patrimônio, e é a partir daí 
que surge a ideia de que se aplica o princípio obrigacional à responsabilidade civil.Quanto a isso, deixou claro o legislador, no art. 942, caput, do Código Civil que os 
bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos a 
reparação do dano causado, e, se tiver mais de um autor a ofensa, todos responderão 
solidariamente pela reparação [...] (SAMPAIO, 2003, p. 17). 
 
Por fim, Kriger Filho (2000, p. 33) indica o propósito da responsabilidade civil: 
 
É precisamente para compelir os homens a observarem e respeitarem as regras de 
convivência, que lhes são impostas pelo Direito, que o instituto da responsabilidade 
tem a sua razão de ser e o seu fundamento, sendo que a sua finalidade é a de impedir 
 18 
a perpetração de danos à sociedade e aos indivíduos, isoladamente considerados, 
impondo as respectivas sanções pela inobservância dessas regras. 
 
Feitas essas considerações acerca do conceito da responsabilidade civil, passa-se a 
expor sobre seus elementos de configuração. 
2.2 ELEMENTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
Para que um dano causado a outrem configure a responsabilidade civil e seja 
reparado, é necessária a presença dos elementos: ação ou omissão, culpa ou dolo do agente, 
nexo de causalidade e dano. 
2.2.1 Ação ou omissão 
Tanto a ação quanto a omissão são atos capazes de gerar o dano a terceiro, ou 
seja, são fatos geradores da responsabilidade civil. Para Pereira (2016, p. 40), “Os fatos 
humanos compreendem especificamente o conceito genérico de ‘ato jurídico’, que abrange 
todo comportamento apto a gerar efeitos jurídicos”. Assim, de um lado se localiza a conduta 
humana de acordo com o que é ditado pela ordem jurídica, “compondo a tipologia dos atos 
jurídicos lícitos, ou simplesmente atos lícitos” (PEREIRA, 2016, p. 40). E, de outro lado, se 
localizam os atos que vão de encontro ao ordenamento legal, também chamados de atos 
jurídicos ilícitos. “Percebe-se, portanto, que a obrigação de reparar o dano vincula-se 
etiologicamente a um comportamento humano, positivo (ação), ou negativo (omissão)” 
(SAMPAIO, 2003, p. 31). 
A ação é o modo mais frequente de manifestar a vontade humana e por isso é de 
fácil percepção a obrigação de reparar quando se viola um dever. Em relação à omissão, de 
acordo com Sampaio (2003, p. 31): 
 
[...] embora de difícil visualização, o comportamento omissivo pode gerar a 
obrigação de reparar o dano. Para que o comportamento omissivo ganhe essa 
relevância, faz-se necessário que se tenha presente o dever jurídico de praticar 
determinado fato (de não se omitir) e que do descumprimento desse dever de agir 
advenha o dano (nexo de causalidade). Esse dever de agir pode decorrer de lei [...] 
ou da própria criação de alguma situação de perigo [...]. 
 
Em relação ao ato humano de ação ou omissão, o artigo 186 do Código Civil 
dispõe que “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito” (BRASIL, 
 19 
2002). Portanto, se o ato do agente causar resultado danoso, quer por ação ou omissão, esse 
comete ato ilícito e tem o dever de reparar a vítima. 
2.2.2 Culpa ou dolo do agente 
A culpa ou o dolo são imputações feitas a alguém em virtude de um ato ou fato 
ocorrido. Na responsabilidade civil, a culpa ou o dolo evidenciam o agente causador do dano, 
ou seja, mostram quem deverá ser responsabilizado pelo fato, devendo reparar o dano 
causado. “Em síntese, para o surgimento do dever de indenizar, é preciso que o agente tenha 
causado o dano porque, deliberadamente, quis o resultado (dolo), ou porque não se ateve ao 
dever de cuidado que se poderia exigir de um homem médio (culpa stricto sensu)” 
(SAMPAIO, 2003, p. 77). 
Para Alvim (1972 apud STOCO, 2014, p. 204), “[...] dolo é a vontade consciente 
de violar direito”, ou seja, quando o agente comete ato ilícito, tendo a plena consciência do 
que se está fazendo, esse age com dolo e deve ser responsabilizado. Já a “[...] culpa em 
sentido estrito, entretanto, traduz o comportamento equivocado da pessoa, despida da intenção 
de lesar ou de violar direito, mas da qual se poderia exigir comportamento diverso [...]” 
(STOCO 2014, p. 204). 
 
A culpa pode empenhar ação ou omissão e revela-se através: da imprudência 
(comportamento açoado, precipitado, apressado, exagerado ou excessivo); da 
negligência (quando o agente se omite deixa de agir quando deveria fazê-lo e deixa 
de observar regras subministradas pelo bom senso, que recomendam cuidado, 
atenção e zelo); e da imperícia (a atuação profissional sem o necessário 
conhecimento técnico ou científico que desqualifica o resultado e conduz ao dano) 
(STOCO, 2014, p. 204). 
 
Assim, se entende que a culpa ocorre quando o agente não tinha a intenção de 
cometer o ato ilícito. Ademais, é importante citar que, para Gagliano e Pamplona Filho (2003 
apud Stoco, 2014, p. 205), a culpa é definida como um elemento acidental da 
responsabilidade civil, como segue: 
 
A culpa não é, em nosso entendimento, pressuposto geral da responsabilidade civil, 
sobretudo no novo Código Civil [...] A culpa, portanto, não é elemento essencial, 
mas sim acidental, pelo que reiteramos nosso entendimento de que os elementos 
básicos ou pressupostos gerais da responsabilidade civil são apenas três: a conduta 
humana (positiva ou negativa), o dano ou prejuízo e o nexo de causalidade. 
 
 20 
Contudo, Stoco (2014, p. 206) sustenta que, nos termos do artigo 927 do Código 
Civil, só nascerá a obrigação de reparar se for praticado algum ato ilícito e desse ato houver 
dano. Portanto, a culpa ainda é pressuposto fundamental da obrigação de reparar. 
Stoco (2014) faz a seguinte subdivisão da culpa:grave, quando o agente, ainda que 
sem querer, agiu como se quisesse causar o dano; leve, considerada como a falta de cuidado, 
ou de atenção, que o agente causador do dano deveria ter em sua conduta; levíssima, 
caracterizada como a falta de atenção extraordinária ou a carência de habilidade ou de 
conhecimento especial; in elegendo, constituída pela má escolha do representante ou do 
preposto; in vigilando, caracterizada pela falta de fiscalização do empregado ou da própria 
coisa, por parte do empregador; in committendo, constitui a imprudência no ato do agente, que 
acaba causando o dano; in omittendo, decorre da negligência, ou seja, seria o ato negligente 
cometido pelo agente causador do dano; in custodiendo, considerada como modalidade da 
culpa in vigilando que ocorre quando o agente tem a guarda de alguma coisa e acaba se 
descuidando; in contrahendo, ocorre essa modalidade de culpa quando, na celebração de um 
contrato, uma das partes, sonega a informação de perecimento da coisa, a outra parte; in 
concreto, dá-se quando o agente falta com zelo para atender a certas necessidades; por fim, a 
culpa in abstracto acontece quando o agente falta com a devida atenção que deve ser 
empregada na administração de negócios, fazendo uso da inteligência com que foi dotado pela 
natureza humana. 
2.2.3 Nexo de causalidade 
Na responsabilidade civil, objetiva ou subjetiva, para que haja o dever de 
indenizar a vítima que sofreu o dano, é necessário que exista uma relação entre a ação do 
agente causador e o dano, ou seja, o dano sofrido pela vítima tem que ter relação com o fato 
que o provocou. Nas palavras de Pereira (2016, p. 105): 
 
Não basta que o agente haja procedido contra direito, isto é, não se define a 
responsabilidade pelo fato de cometer um “erro de conduta”; não basta que a vítima 
sofra um dano”; que é o elemento objetivo do dever de indenizar, pois se não houver 
um prejuízo a conduta antijurídica não gera obrigação ressarcitória. É necessário que 
se estabeleça uma relação de causalidade entre a injuridicidade da ação e o mal 
causado [...]. 
 
O nexo de causalidade para Venosa (2003, p. 39), “[...] é o liame que une a 
conduta do agente ao dano. É por meio do exame da relação causal que se conclui quem foi o 
causador do dano”. Ainda,para Pereira (2016), o nexo de causalidade é um dos principais 
 21 
pressupostos da responsabilidade civil; é dever da vítima, no curso da ação de indenização, 
comprovar o elemento causal entre a ação e o dano. Entretanto, Sampaio (2003, p. 87), 
manifesta o seu pensamento acerca da dificuldade de comprovar o nexo de causalidade: 
 
Na prática, contudo, esbarra-se na dificuldade de se identificar o necessário liame de 
causalidade que permita atribuir determinado resultado ao comportamento de uma 
pessoa, principalmente diante da presença de vários comportamentos, que, de 
alguma forma, contribuíram para o resultado. São as chamadas concausas, que 
podem ser sucessivas ou simultâneas. 
 
Nas concausas simultâneas, a responsabilidade é solidária, ou seja, todos aqueles 
que causaram o dano terão a responsabilidade de reparar a vítima, conforme previsto no artigo 
942 do Código Civil: “Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem 
ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos 
responderão solidariamente pela reparação” (BRASIL, 2002). Já, as causas sucessivas, são 
comportamentos que se fundam no correr do tempo. Considerando que um desses 
comportamentos é a causa que provocou o dano, o agente terá que indenizar a vítima. 
Em relação às concausas, Sampaio (2003) aponta três teorias acerca do assunto: 
da equivalência dos antecedentes ou das condições, que se baseia no fato de que qualquer 
circunstância que haja ocorrido para produzir o dano é considerada como causa; da 
causalidade adequada, cuja causa do dano é apenas aquele fato antecedente ao evento que 
causou prejuízo à vítima; e, dos danos diretos e imediatos, pela qual se estabelece uma relação 
direta e imediata entre a causa e o efeito. Esta última teoria foi adotada pelo Código Civil de 
2002 e o seu fundamento legal encontra-se no artigo 403: “Ainda que a inexecução resulte de 
dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por 
efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual” (BRASIL, 2002). 
2.2.4 Dano 
O dano é o último e talvez o principal pressuposto da responsabilidade civil. É 
esse pressuposto que gera a obrigação de indenizar, ou seja, se alguém causar dano a outrem 
terá a obrigação de reparar, conforme prevê o artigo 186 do Código Civil (BRASIL, 2002). 
Pereira (2016, p. 52) descreve o dano como “[...] circunstância elementar da 
responsabilidade civil”. Apoiado neste preceito, o autor explana que a conduta antijurídica, 
imputável a uma pessoa, terá como consequência a sujeição do ofensor ao reparo do mal 
causado. Por sua vez, Sampaio (2003, p. 98) afirma que “[...] sem dano, não há porque impor 
 22 
a alguém, ainda que diante de um comportamento ilícito, uma obrigação, em qualquer de suas 
modalidades”. 
Já, Cavalieri Filho (2005, p. 95-96) conceitua o dano como: 
 
[...] a subtração ou diminuição de um bem jurídico, qualquer que seja a sua natureza, 
quer se trate de um bem patrimonial, quer se trate de um bem integrante da própria 
personalidade da vítima, como a sua honra, a imagem, a liberdade etc. Em suma, 
dano é lesão de um bem jurídico, tanto patrimonial como moral, vindo daí a 
conhecida divisão do dano em patrimonial e moral. 
 
Em relação ao dano moral, associado à Constituição Federal de 1988, o Código 
Civil de 2002 trouxe, em seu texto, a possibilidade de indenização como forma de neutralizar 
os efeitos negativos do dano suportados pela vítima, provenientes de dano em relação à honra, 
à imagem, à integridade física ou a qualquer outra modalidade de dano moral existente 
(BRASIL, 1988; 2002). Destaca-se que o dano material já estava expresso na legislação 
anterior. Portanto, quer no dano moral, quer no dano patrimonial, há obrigação de reparação. 
Para Pereira (2016, p. 55), no conceito de reparação “[...] não se insere o elemento 
quantitativo. Está sujeito a indenizar aquele que causa prejuízo em termos matematicamente 
reduzidos, da mesma forma aquele outro que cause dano de elevadas proporções”. Nesse 
contexto, a doutrina entende que o dano precisa ser atual e certo para que seja passível de 
reparação. “Diz-se atual o dano que já existe ou já existiu no momento da ação de 
responsabilidade; certo, isto é, fundado sobre um fato preciso e não sobre hipótese” (LALOU, 
1962 apud PEREIRA, 2016, p. 56). 
O dano poderá ser indenizável, também, quando se tratar de dano reflexo ou dano 
em ricochete. O dano em ricochete seria aquele quando a ofensa, lesão, é dirigida a uma 
pessoa, mas acaba atingindo um terceiro. Sobre a indenização da vítima, ainda, a 
jurisprudência passou a aceitar a reparação do dano moral e do dano material cumuladas, ou 
seja, se do mesmo fato decorrer dano moral e dano material, é possível pedir a cumulação da 
indenização. 
2.3 CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
As causas excludentes da responsabilidade seriam isenções do dever do agente 
causador do dano de reparar a vítima, ou seja, são causas que isentam a responsabilidade do 
autor. Rodrigues (1995 apud Sampaio 2003) cita as excludentes de responsabilidade civil, que 
seriam as seguintes: culpa exclusiva da vítima; fato de terceiro; caso fortuito ou de força 
 23 
maior; cláusula de não indenizar, atuando essa apenas na esfera da responsabilidade civil 
contratual; e, a excludente de ilicitude. 
2.3.1 Culpa da vítima: exclusiva ou concorrente 
A culpa exclusiva da vítima acontece quando a conduta do autor, seja ela ação ou 
omissão, não é a causa para o dano. Portanto, nessa hipótese, é a conduta da vítima que 
motiva o dano causado por ela. “Acrescente-se, também, que a ação ou omissão do agente não 
configura qualquer violação de dever de cuidado, embora tenha servido, objetivamente para o 
evento danoso. Diz-se, nesse caso, que há a quebra total do nexo de causalidade” (SAMPAIO, 
2003, p. 89-90). Portanto, tratando-se de culpa exclusiva da vítima, o autor é isento da 
obrigação de indenizá-la. 
Já na segunda hipótese, tanto a conduta do agente quanto a da vítima são causas 
que geram o dano, o que não leva à quebra do nexo de causalidade, mas, sim, à sua atenuação, 
reduzindo a obrigação de reparar a vítima. 
Em relação à culpa concorrente, Sampaio (2003, p. 90) esclarece que, sendo autor 
e vítima culpados do evento danoso, “deve [...] ser aferido o grau de culpabilidade de cada 
uma das partes e, em função disso, estabelecer-se o justo valor indenizatório”. O fundamento 
legal dessa excludente de responsabilidade, se encontra no artigo 954 do Código Civil, 
conforme segue: “Art. 954. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a 
sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a 
do autor do dano” (BRASIL, 2002). 
2.3.2 Fato de terceiro 
A excludente por fato de terceiro advém do direito regressivo que possui o autor 
em face de uma terceira pessoa que com ele contribua para o resultado danoso. Essa 
excludente é disciplinada pelos artigos 929 e 930 do Código Civil, como seguem: 
 
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não 
forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que 
sofreram. 
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, 
contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver 
ressarcido ao lesado. 
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se 
causou o dano (art. 188, inciso I) (BRASIL, 2002). 
 
 24 
Segundo preleciona Sampaio (2003, p. 91): 
 
Há hipóteses, [...] em que o ato de terceiro surge como causa exclusiva do dano 
suportado pela vítima, de sorte que o agente cuja conduta materialmente tenha 
proporcionado o resultado apenas figura como mero instrumento. Nesses casos, o 
ato de terceiro fica equiparado ao caso fortuito oude força maior e quebra o nexo de 
causalidade. 
 
Ressalta-se que Sampaio (2003) destaca a possibilidade de intervenção de 
terceiros nas ações indenizatórias (artigo 125, inciso II, do Código de Processo Civil de 2015) 
em casos que a responsabilidade do causador do dano não seja excluída por fato de terceiro 
(BRASIL, 2015). Ocorre que a jurisprudência interpreta esse dispositivo de forma restritiva, 
admitindo somente “[...] tal intervenção quando o direito regressivo automaticamente decorre 
de lei ou de contrato e não implique a intromissão de fato novo, que, ampliando o objeto da 
lide principal, acabaria por protelar a indenização a que faz jus a vítima” (SAMPAIO 2003, p. 
92). 
2.3.3 Caso fortuito ou força maior 
O parágrafo único do artigo 393 do Código Civil descreve caso fortuito ou força 
maior, como “[...] fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir” (BRASIL 
2002). Distingue-se o caso fortuito da força maior: enquanto o caso fortuito decorre de um ato 
humano imprevisível, a força maior decorre de fatos da natureza, também imprevisíveis, 
como, chuva, tempestade, enchente. 
Para Fonseca (1958 apud STOCO, 2014, p. 273), existem duas correntes capazes 
de explicar o conceito de caso fortuito e força maior, sendo elas, a corrente objetiva, adotada 
pelo Código Civil e a subjetiva: “[...] a noção de caso fortuito ou de força maior decorre de 
dois elementos: um interno, de caráter objetivo, ou seja, a inevitabilidade do evento, e outro, 
externo, ou ‘subjetivo’, a ausência de culpa”. 
Por fim, caso fortuito ou força maior são considerados excludentes da 
responsabilidade civil, pois caso haja a comprovação desses elementos, fica o autor do dano, 
isento de reparar a vítima, já que houve quebra do nexo de causalidade entre conduta e dano. 
 25 
2.3.4 Cláusula de não indenizar 
Trata de cláusula ligada à responsabilidade civil contratual, que exclui a 
responsabilidade de obrigações assumidas, transferindo os riscos do contrato para a vítima. 
Stoco (2014) lembra que a cláusula de não indenizar é repudiada pelo nosso ordenamento 
jurídico, principalmente no que se refere aos contratos de transportes e no Código de Defesa 
do Consumidor, haja vista ir de encontro aos princípios ali contidos. 
2.3.5 Excludente de ilicitude 
São atos humanos voluntários capazes de eximir o autor do dano do dever de 
indenizar a vítima. O artigo 188 do Código Civil elenca as hipóteses de danos que não 
constituem atos ilícitos: legítima defesa, exercício regular de um direito e estado de 
necessidade (BRASIL, 2002). 
Pereira (2016, p. 385) entende por legítima defesa as “[...] situações em que pode 
repelir, pela força, a agressão ou a ameaça de agressão”. Para o autor, da mesma maneira que 
a legítima defesa da pessoa não constitui ato ilícito, essa regra se aplica também aos bens da 
pessoa lesada (PEREIRA, 2016). 
Ademais, para que seja configurada a legítima defesa, Stoco (2014, p. 298) elenca 
três pressupostos necessários: primeiro, que haja a iniciativa da agressão por parte de outrem, 
sem que do agente tenha partido qualquer agressão ou provocação; segundo, que a ameaça de 
dano seja atual ou iminente; e, terceiro, que a reação seja proporcional à agressão. 
Por exercício regular de um direito, entende-se que não há ato ilícito se a conduta 
for autorizada pelo sistema normativo jurídico. Pereira (2016, p. 358) chama a atenção em 
relação ao abuso de direito, expondo que “[...] o indivíduo, no exercício de seu direito, deve 
conter-se no âmbito da razoabilidade”. 
E, por fim, o estado de necessidade é caracterizado quando o ofendido age com a 
intenção de afastar perigo iminente de sua coisa ou de seu objeto para que não sofra um dano. 
2.4 RESPONSABILIDADE CIVIL SUJBETIVA E OBJETIVA 
A responsabilidade civil subjetiva, também conhecida como clássica, de acordo 
com os ensinamentos de Sampaio (2003, p. 26), está estruturada no Código Civil de 1916 e 
tem o seu fundamento na teoria da culpa, ou seja, caso falte este elemento, não tem como se 
 26 
falar em responsabilidade e em dever de indenizar. Portanto, nas palavras desse autor, para 
que se reconheça o dever de indenizar é necessário que o comportamento do autor do dano 
tenha sido motivado por dolo, ou seja, com a intenção de causar prejuízo ou com culpa, caso 
não tenha agido com zelo (SAMPAIO, 2003). 
Stoco (2014, p. 236) ressalta que “[...] a jurisprudência e a doutrina convenceram-
se de que a responsabilidade civil fundada na culpa tradicional não satisfaz e nem sempre dá 
respostas seguras à solução de numerosos casos”. Por isso, surgiu a culpa presumida, ou seja, 
a responsabilidade civil objetiva. 
A responsabilidade objetiva, fundada na teoria do risco, teve sua origem no 
Direito Romano e é caracterizada por não considerar a culpa como elemento essencial do 
dever de indenizar. 
 
Prevalecendo a ideia de que todo dano, na medida do possível, deve ser indenizado, 
ganhou espaço no mundo jurídico a tese de que a obrigação de reparar o dano nem 
sempre está vinculada a um comportamento culposo do agente. E, como fator 
justificador do surgimento da obrigação de indenizar, socorre-se, nesse caso, da 
denominada teoria do risco (SAMPAIO, 2003, p. 27). 
 
Para Gonçalves (2007, v. 6, p. 30), “[...] nos casos de responsabilidade objetiva, 
não se exige prova de culpa do agente para que seja obrigado a reparar o dano. Em alguns, ela 
é presumida pela lei. Em outros, é de todo prescindível”. “Frisa-se que a ideia surgiu, 
justamente, para facilitar a posição da vítima. Uma vez presumida a culpa do agente, fica a 
vítima isenta de prová-la em juízo, cabendo àquele, por sua vez, o ônus de provar que não 
agiu com culpa [...]” (SAMPAIO, 2003, p. 28). Sampaio (2003) esclarece, ainda, que o 
Código Civil de 2002 manteve a responsabilidade civil subjetiva como regra, aplicando a 
objetiva em situações especiais. 
2.5 RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL 
A responsabilidade civil compreende a obrigação de indenizar, reparar, prejuízos 
causados a terceiros, em virtude de uma conduta humana positiva ou negativa. Dentro do 
conceito de responsabilidade civil, surge a necessidade de distinguir algumas modalidades de 
responsabilidade. 
Entretanto, há doutrinadores que criticam a distinção feita entre responsabilidade 
contratual e extracontratual, pois para eles “[...] tal distinção não se justifica à medida que, 
qualquer que seja a espécie de responsabilidade civil, são sempre os mesmos pressupostos 
 27 
ensejadores do dever de indenização: o dano, o ato ilícito [...] e o nexo de causalidade” 
(RODRIGUES, 1995, apud SAMPAIO, 2003, p. 23). Para Gagliano e Pamplona Filho (2003, 
p. 19-20): 
 
[...] para caracterizar a responsabilidade civil contratual, faz-se mister que a vítima e 
o autor do dano já tenham se aproximado anteriormente e se vinculado para o 
cumprimento de uma ou mais prestações, sendo a culpa contratual a violação de um 
dever de adimplir, que constitui justamente o objeto do negócio jurídico [...]. 
 
Portanto, a responsabilidade contratual advém da obrigação de reparar os 
prejuízos causados a outrem, decorrentes da violação de uma obrigação existente em um 
contrato. Pereira (2016, p. 325) expõe que “[...] quando há contrato, existe um dever positivo 
do contratante, dever específico relativamente à prestação, o que só por si lhe impõe a 
responsabilidade”. 
Já a responsabilidade extracontratual ou aquiliana, como também é conhecida, não 
é decorrente do descumprimento de uma obrigação prevista em contrato, mas, sim, da 
obrigação do dever de indenizar os danos causados, isto é, surge em razão da prática de um 
ato ilícito. “Em outras palavras, a obrigação de reparar o dano não está relacionada à 
existência anterior de um contrato [...] Origina-se, outrossim, de um comportamento [...] 
socialmente reprovável” (SAMPAIO, 2003, p. 24). 
Feitas essas considerações acerca da responsabilidadecivil, passa-se ao capítulo 
seguinte, no qual se destacam os principais aspectos sobre o direito falimentar brasileiro. 
 28 
3 ASPECTOS DESTACADOS SOBRE O DIREITO FALIMENTAR DO BRASIL 
Com o objetivo de, em seguida, analisar o instituto da recuperação judicial e a 
responsabilidade civil do administrador judicial, nesta fase, é importante que sejam estudadas 
algumas das peculiaridades do direito falimentar do Brasil. 
3.1 CONCEITO E PRINCÍPIOS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL 
A atividade empresarial, conforme dispõe o artigo 966 do Código Civil, se 
caracteriza por meio do empresário que exerce como profissão “[...] atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços” (BRASIL, 2002). 
Vido (2015) traz o significado das palavras dispostas no Código Civil que 
caracterizam a atividade empresarial. Como atividade econômica, expõe que o seu objetivo é 
lucrativo, e que “[...] o legislador, no art. 966 do CC, pretendeu acobertar o maior número 
possível de atividades, deixando de fora da definição, algumas poucas atividades que não são 
econômicas, como é o caso das atividades exercidas pelas associações e fundações” (VIDO, 
2015, p. 37). O profissionalismo se evidencia “[...] pelo fato de o empresário atuar com 
habitualidade” (VIDO, 2015, p. 37). E, por fim, “[...] a organização significa a preocupação 
do empresário em gerir os elementos da atividade empresarial como capital, matéria-prima, 
mão de obra, tecnologia empregada, o melhor local e horário de funcionamento, entre outros” 
(VIDO, 2015, p. 37). 
Damian (2015, p. 18) discorre, ainda, que “[...] a atividade empresarial pode ser 
exercida pelo empresário individual ou pela sociedade empresária. Assim sendo, se não existir 
a empresa, tem-se a figura do profissional autônomo ou da sociedade simples [...]”. 
Por sua vez, a atividade econômica é norteada por princípios que estão 
estabelecidos na Constituição Federal, no art. 170, dispositivo que se preocupou em ordenar a 
economia do País constituindo um conjunto de normas, assim definidos: 
 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da 
justiça social, observados os seguintes princípios: 
I - soberania nacional; 
II - propriedade privada; 
III - função social da propriedade; 
IV - livre concorrência; 
V - defesa do consumidor; 
VI - defesa do meio ambiente; 
VII - redução das desigualdades regionais e sociais; 
VIII - busca do pleno emprego; 
 29 
IX - tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de 
pequeno porte. 
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade 
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos 
previstos em lei (BRASIL, 1988). 
 
Desse modo, passa-se a descrever sobre os princípios que norteiam a atividade 
econômica, e, especialmente, a atividade empresarial. 
O princípio da soberania nacional, disposto no artigo 170, inciso I, da 
Constituição Federal, é um dos princípios fundamentais da República, pois caracteriza a 
autonomia e a independência que o Estado possui de dirigir a ordem econômica conforme a 
sua relevância (BRASIL, 1988). Esse princípio auxilia as políticas econômicas do país, 
buscando colocá-lo em situação de paridade em relação às demais constituições existentes no 
mundo que tratam da ordem econômica. Nesse sentido, segundo Bastos (2003 apud 
FINKELSTEIN, 2012), o Estado moderno coincide com o momento em que foi permitido 
haver em um território, um único poder com autoridade originária, denominado soberania. 
O princípio da propriedade privada, previsto no artigo 170, inciso II, da 
Constituição Federal, dispõe de uma condição fundamental ao exercício da livre iniciativa, 
pois restringe a ação do Estado em relação à propriedade alheia (BRASIL, 1988). Finkelstein 
(2012, p. 15) esclarece: “A essência da proteção constitucional da propriedade é impedir que, 
sem ter sua ação embasada na proteção do interesse público, o Estado aproprie-se dos bens 
econômicos pertencentes aos particulares ou sujeite-os a um processo de confisco”. 
O princípio da função social da propriedade, posto no artigo 170, inciso III, da 
Constituição Federal, está correlacionado ao princípio anterior, pois trata também de uma 
restrição à propriedade privada, uma vez que esta deve atingir a fins sociais, gerando 
desenvolvimento econômico, para que o Estado não intervenha (BRASIL, 1988). 
O princípio da livre concorrênciade que trata o artigo 170, inciso IV, da 
Constituição Federal, consiste na liberdade econômica que o Estado dá a fim de garantir a 
livre concorrência no mercado (BRASIL, 1988). “Os efeitos da livre concorrência podem ser 
verificados tanto no preço das mercadorias ou serviços, como na quantidade e qualidade dos 
mesmos”. Para o autor, alcança-se preços justos e otimização de recursos econômicos, 
justamente, por meio da livre concorrência (FINKELSTEIN, 2012, p. 15). 
O princípio da defesa do consumidor, disposto no artigo 170, inciso V, da 
Constituição Federal consagra a proteção do consumidor nas relações de consumo, cabendo 
ao Estado constituir encargos iguais ao fornecedor e ao consumidor, haja vista à 
 30 
vulnerabilidade e à importância deste último ao desenvolvimento econômico (BRASIL, 
1988). 
O princípio da defesa do meio ambiente, preceituado no artigo 170, inciso VI, da 
Constituição Federal, é fundado “[...] no fato de que apenas com a utilização responsável dos 
recursos naturais poderão ser resguardadas a integridade para o futuro e a continuidade do 
desenvolvimento nas próximas gerações" (FINKELSTEIN, 2012, p. 16). 
O princípio da redução das desigualdades regionais e sociais,conforme leciona 
Finkelstein (2012), disposto no artigo 170, inciso VII, da Constituição Federal, tem por 
objetivo incentivar um desenvolvimento mais equilibrado, gerando um bem-estar social em 
geral e não um fim, pois o desenvolvimento econômico, por meio do Estado, deve ser operado 
para que sejam reduzidas as desigualdades regionais e sociais. 
O princípio da busca do pleno emprego, previsto no artigo 170, inciso VIII, da 
Constituição Federal,busca garantir o pleno emprego, definindo que os agentes capazes de 
desenvolver a atividade econômica, devem se utilizar de políticas voltadas a gerar empregos, 
sendo, assim, uma forma de atingir a função social da propriedade (BRASIL, 1988). 
O princípio do tratamento favorecido para empresas de pequeno porte, disposto 
no artigo 170, inciso IX, da Constituição Federal, reflete a preocupação da Carta Magna em 
proteger as empresas de pequeno porte, adotando medidas mais simples de obrigações, para 
que elas possam se desenvolver e competir no mercado, em razão de sua enorme relevância, 
haja vista proporcionarem grande número de empregos em nosso país (BRASIL, 1988). 
O princípio da função social da empresa está ligado ao fato de que a empresa é 
fonte produtora de empregos, movimenta riquezas e gera tributos a serem pagos ao Estado. 
Em relação à empresa e à sua função social, Mamede (2008, p. 54) ensina que: 
 
No âmbito específico do princípio da função social da empresa, parte-se da 
percepção de que a atividade econômica organizada para a produção de riqueza, pela 
produção e circulação de bens e/ou pela prestação de serviços, embora tenha 
finalidade imediata de remunerar o capital nela investidos, beneficiando os seus 
sócios quotistas ou acionistas, beneficia igualmente ao restante da sociedade – ou 
seja, tem e cumpre sua função social [...]. 
 
Oprincípio da preservação da empresa tem por objetivo “[...] viabilizar a 
continuidade dos negócios da empresa enquanto unidade produtiva [...]” (PAIVA, 2005, p. 
42). A esse respeito, Coelho (2010, p. 13) expõe que: 
 
No princípio da preservação da empresa, construído pelo moderno Direito 
Comercial, o valor básico prestigiado é o da conservaçãoda atividade (e não do 
 31 
empresário, do estabelecimento ou de uma sociedade), em virtude da imensa gama 
de interesses que transcendem os dos donos do negócio e gravitam em torno da 
continuidade deste; assim os interesses de empregados quanto aos seus postos de 
trabalho, de consumidores em relação aos bens ou serviços de que necessitam, do 
Fisco voltado à arrecadação e outros. 
 
Destaca-se que a recuperação judicial, prevista no art. 47, da Lei n. 11.101/2005, 
tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, 
a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos 
interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o 
estímulo à atividade econômica (BRASIL, 2005). Esse princípio visa a beneficiar todas as 
pessoas que dependem da capacidade econômica que uma empresa é capaz de gerar. Também 
é importante frisar que “O princípio da preservação da empresa [...] não é absoluto, ou seja, 
não se traduz por um impedimento de que as atividades empresariais sejam encerradas; pelo 
contrário, [...] corresponde ao trato comum das relações jurídicas [...]” (MAMEDE, 2008, p. 
57). 
3.2 APLICABILIDADE DA LEI N. 11.101/2005 E COMPETÊNCIA DO JUÍZO 
A Lei n. 11.101, de 09 de fevereiro de 2005 – Lei de Recuperação Judicial e 
Extrajudicial e de Falência (LRF) –, conforme seu art. 1º, é aplicada ao empresário e à 
sociedade empresária, define as regras da falência e da recuperação judicial, extinguindo a 
concordata (BRASIL, 2005). Entretanto, determinadas empresas estão excluídas da sua 
aplicação, conforme seu art. 2º, incisos I e II, dispõe: 
 
Art. 2º. Esta Lei não se aplica a: 
I – empresa pública e sociedade de economia mista; 
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, 
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência 
à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades 
legalmente equiparadas às anteriores (BRASIL, 2005). 
 
Paiva (2005, p. 42) leciona que “[...] o espírito geral que norteou a elaboração da 
nova lei foi justamente a adequação do sistema falimentar ao atual estágio de 
desenvolvimento da economia brasileira em geral, e das relações comerciais em particular”. 
Para o autor, o maior objetivo da Lei Falimentar é “[...] proporcionar uma convivência 
saudável entre os agentes econômicos, assegurando o crédito, o que é essencial para a 
preservação das relações empresariais e o desenvolvimento da economia”(PAIVA, 2011, p. 
56). 
 32 
A LRF dispõe sobre o juízo competente para propor ações que versam sobre o 
direito falimentar, como segue: “Art. 3º. É competente para homologar o plano de 
recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local 
do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do 
Brasil” (BRASIL, 2005). 
Conforme exposto, é o local onde se encontra o principal estabelecimento do 
requerido que é competente para a propositura de ação com pedido de falência ou recuperação 
judicial. 
Ocorre que a referida Lei é omissa quanto ao que é o principal estabelecimento do 
devedor, quando este exerce sua atividade em mais de um estabelecimento, trazendo 
discussões a respeito do assunto. Inicialmente, alguns doutrinadores, como Paiva (2005), 
acreditavam que a tese que deveria prosperar seria a que considerava como principal 
estabelecimento aquele determinado por estatuto ou contrato social. Todavia, conforme 
Requião (1998, apud PERIN JUNIOR, 2011, p. 124),o principal estabelecimento do devedor 
se define: 
 
[...] tendo em vista o local onde se fixa a chefia da empresa, onde efetivamente atua 
o empresário no governo ou no comando de seus negócios, de onde emanam as 
ordens e instruções, em que se procedem as operações comerciais e financeiras de 
maior vulto e em massa, onde se encontra a contabilidade geral. 
 
Dessa forma, tanto Perin Junior (2011) quanto Requião (1998 apud PERIN 
JUNIOR, 2011) entendem que o principal estabelecimento do devedor seria aquele 
considerado administrativamente o mais importante e não aquele determinado por estatutos e 
contrato social. Na mesma linha de raciocínio, segue o entendimento do Superior Tribunal de 
Justiça: 
 
Esta Corte, interpretando o conceito de "principal estabelecimento do devedor" 
referido no artigo 3º da Lei nº 11.101/2005, firmouo entendimento de que o Juízo 
competente paraprocessamentode pedido de recuperação judicial deve ser o do 
localem que se centralizam as atividades mais importantes da empresa (BRASIL, 
2018). 
 
Portanto, entende-se que o conceito de principal estabelecimento da empresa, 
deve ser aquele onde se encontram as principais atividades, negócios, do devedor, e será nesse 
local o foro competente para o ajuizamento das ações que tratarem sobre direito falimentar, 
ressaltando que “[...] a incompetência do foro na falência é absoluta, podendo ser declarada 
pelo juiz de ofício” (FÜHRER, 1997 apud PERIN JUNIOR, 2011, p. 126). 
 33 
Ademais, o juízo da falência é universal, pois atrai as ações que tratam dos 
interesses da massa falida. Conforme Perin Junior (2011, p. 128), tal força de atração 
denomina-se vis atractiva e é indivisível, com algumas exceções, conforme prevê o artigo 76 
da LRF: 
 
Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações 
sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas, fiscais 
e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte 
ativo” (BRASIL, 2005). 
 
Além disso, excetuam-se do juízo falimentar, as ações em que a União for parte 
(art. 109, inciso I, da Constituição Federal) e as ações que demandam quantia ilíquida (art. 6º, 
§1º, da LRF) (BRASIL, 1988; 2005). 
Por fim, Oliveira (2005) dispõe que o juízo da falência é indivisível em razão da 
necessidade de economia processual, visando a solucionar os conflitos que envolvem a 
empresa falida de maneira igualitária e eficaz. 
3.3 VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DE CRÉDITOS 
A verificação dos créditos impera tanto na recuperação judicial quanto na 
falência. Na recuperação judicial, é um procedimento que ocorre na fase deliberativa, antes da 
decisão da concessão do pedido. Já na falência, como determina o art. 99 da LFR, a 
verificação e a habilitação realizam-se depois de proferida a sentença que a declarar 
(BRASIL, 2005). 
“O deferimento da recuperação judicial e a decretação da falência instauram 
verdadeiros concursos de credores. Contudo, somente com a conclusão da fase de verificação 
dos créditos, é que os credores têm seus créditos admitidos para recebimento” (PAIVA, 2005, 
p. 139-140). 
É o administrador judicial, com base nos livros contábeis e em outros documentos 
que necessários forem, a pessoa responsável pela verificação dos créditos. É ele quem toma 
conhecimento de quem são os credores, do valor do crédito e de sua natureza, publicando 
edital com tais informações, conforme segue o artigo 7º da Lei n. 11.101/2005: 
 
Art. 7º A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com 
base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos 
documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o 
auxílio de profissionais ou empresas especializadas (BRASIL, 2005). 
 34 
 
Publicado o Edital (art. 7º, § 1º, LRF), os credores terão o prazo de quinze dias 
para se habilitarem (art. 9º, LRF) ou apresentarem divergências em relação aos créditos, em 
documento dirigido para o administrador judicial (BRASIL, 2005). De acordo com Paiva 
(2005), é necessário que o credor comprove a origem de seus créditos apresentando os 
documentos que os legitimam. Caso o credor não observe o prazo estipulado, existe a 
possibilidade de habilitação retardatária, quando pedirá a reserva de valor(art. 10, LRF), mas 
o processo de verificação dos créditos ocorrerá de forma distinta dos que cumprirem o prazo 
de quinze dias (BRASIL, 2005). Ademais, esses credores não terão direito a voto nas 
deliberações da Assembleia Geral de Credores, com exceção dos créditos que derivem da 
relação de trabalho. 
Passado o prazo de 15 (quinze) dias para apresentação de habilitação ou 
divergências pelos credores, abre-se o prazo de 45 (quarenta e cinco) dias para o 
administrador judicial apresentar a segunda lista de credores. Depois da publicação de referida 
lista, o credor, o Comitê de Credores, o devedor, ou seus sócios, e o Ministério Público 
poderão apresentar impugnação à relação de credores, observando o prazo de 10(dez) dias, 
como determina o art. 8º, LRF (BRASIL, 2005). Feita a impugnação do crédito, é dado o 
prazo de cinco dias ao credor para que apresente sua contestação, após, será aberto prazo igual 
ao devedor e ao Comitê de Credores para que se manifestem; findo o prazo, é a vez do 
administrador judicial se manifestar a respeito dos créditos, também, no prazo de cinco dias. 
Julgadas as impugnações, o administrador consolida o quadro geral de credores que é 
homologado pelo juiz que o assina junto com o administrador judicial (BRASIL, 2005). 
Segundo Perin Junior (2011), a LRF criou duas hipóteses de habilitação para os 
credores retardatários: uma para caso de não ter ocorrido a homologação do quadro geral de 
credores e a outra para caso de já ter ocorrido a sua homologação. No primeiro caso, a 
habilitação será atuada em separado, recebida como impugnação (artigos 13 a 15 da LRF); no 
segundo caso, a habilitação poderá ser promovida por meio de ação ordinária de inclusão ou 
retificação de crédito, por dependência (BRASIL, 2005). 
É importante ressaltar que os créditos reclamados no processo de habilitação 
precisam decorrer de dívida líquida. Sendo de dívida ilíquida, “[...] é assegurado o direito da 
apuração da sua liquidez em juízo, ressalvada a possibilidade do pedido de reserva de quantia 
suficiente para o seu pagamento, enquanto perdura a liquidação” (PERIN JUNIOR, 2011, p. 
170). Os créditos são divididos em concursais, existentes até a data do pedido de falência ou 
 35 
de recuperação judicial (art. 83, incisos I a VIII, da LRF) e extraconcursais (art. 84, incisos I a 
V, da LRF), aqueles com origem após a decretação da falência (BRASIL, 2005). 
Conforme leciona Vido (2015), os créditos concursais serão pagos após os 
créditos extraconcursais, ou seja, somente ao fim da decretação da falência. Os créditos 
concursais estão divididos em oito classes, que são: créditos trabalhistas, considerados os 
valores decorrentes de verbas trabalhistas até o limite de até 150 (cento e cinquenta) salários 
mínimos por credor mais os créditos decorrentes de acidente de trabalho; crédito com garantia 
real, considerado até o limite do valor do bem gravado, em penhor, hipoteca ou anticrese; 
créditos tributários,compreendem os tributos federais, estaduais e municipais, lançados em 
dívida ativa; créditos com privilégio especial, são aqueles que a lei confere o direito de 
retenção sobre a coisa dada em garantia, estão previstos no art. 964 do Código Civil, na Lei 
Complementar n. 123/2006 – que trata dos créditos em favor de microempresário individual 
(MEI), microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) –, e em outras leis civis e 
comerciais; créditos com privilégio geral, são os previstos no Código Civil (art. 965), na LRF 
(art. 67 parágrafo único) e os definidos em outras leis civis e comerciais; créditos 
quirografários, incluindo-se os créditos cambiais, saldo de salário, saldo de crédito com 
garantia real, os créditos tributários não lançados em dívida ativa e os créditos trabalhistas 
cedidos a terceiros (art. 83, §4º, LRF); créditos subquirografários, ou, também, denominados 
como as multas, contratuais, pecuniárias e tributárias; e, créditos subordinados que são os 
previstos em leis ou contratos, como as debêntures e créditos de direito dos sócios e acionistas 
(BRASIL, 2002; 2006; 2005). 
Para concluir, de acordo com o artigo 19 da Lei n. 11.101/2005, pode o 
administrador judicial, o Comitê de Credores, qualquer credor ou o Ministério Público, até o 
encerramento da falência, ingressar com ação rescisória, pedindo exclusão, retificação ou 
alteração da classificação dos créditos, caso se evidencie falsidade, dolo, simulação, erro 
essencial ou de documentos (BRASIL, 2005). 
3.4 ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA E DA RECUPERAÇÃO 
JUDICIAL 
Os órgãos de administração da falência e da recuperação judicial têm a função de 
auxiliar o juízo, a fim de que o principal objetivo da Lei, preservar a função social da 
empresa, seja atingido. Nesse sentido, os órgãos previstos pela legislação falimentar (artigos 
 36 
21 a 41, LRF) são os seguintes: o Juiz, o Ministério Público, o Administrador Judicial, o 
Comitê de Credores e a Assembleia Geral de Credores (BRASIL, 2005). 
O juiz tem ampla atuação no processo de recuperação e falência de empresas. É 
ele o responsável por presidir a administração desses processos, julgando e processando os 
pedidos de recuperação e de falência. É dele, também, a função de supervisionar a atuação do 
administrador judicial e de determinar práticas de atos que sejam necessários ao bom 
desempenho do feito (BRASIL, 2005). 
“O representante do Ministério Público funciona no processo falimentar, 
basicamente, como fiscal da lei (custos legis) intervindo quando da prática de vários atos” 
(PERIN JUNIOR, 2011, p. 229). Desse modo, o parquet pode intervir no processo de 
recuperação e de falência, impugnando a relação de credores; substituindo o administrador 
judicial ou membros do Comitê de Credores; propondo ação revocatória; alienando o ativo e 
impugnando a sua venda; e, movendo ação penal, por crime falimentar, apontando a 
responsabilidade dos envolvidos. 
O administrador judicial é nomeado pelo juiz quando deferido o pedido de 
recuperação judicial ou decretada a falência, podendo ser: profissional idôneo, 
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa 
jurídica especializada, conforme art. 21, LRF (BRASIL, 2005). Sua função é bastante extensa 
e se diferencia nas etapas do processo, mas se resume, basicamente, em auxiliar o Juiz. 
Como leciona Vido (2015, p. 399), “[...] o comitê de credores (art. 27, LF) é um 
órgão facultativo [...]”, formado por quatro representantes: um representante da classe de 
trabalhadores, com dois suplentes; um da classe dos credores de direitos reais e de privilégios 
especiais, com dois suplentes; um dos credores quirografários e de privilégios gerais, com 
dois suplentes e, por fim, um representante a ser indicado pela classe de credores que 
representam as microempresas e asempresas de pequeno porte, com dois suplentes. Ainda, 
para Perin Junior (2011, p. 246), “[...] os credores [...] poderão ter uma participação muito 
mais ativa no processo por meio do comitê de credores, com prerrogativas de 
acompanhamento, manifestação e também de aprovação do plano de recuperação”. 
A Assembleia Geral de Credores (art. 35, LRF) é um órgão convocado pelo juiz 
(BRASIL, 2005). Conforme Perin Junior (2011, p. 252), este órgão “[...] tem características 
derivadas do direito societário, cuja função na recuperação judicial e na falência é promover a 
manifestação democrática (pelo voto) da vontade e comunhão dos credores”. 
Em razão do exposto, cada órgão, portanto, tem a sua peculiaridade e a função de 
auxiliar o juízo no processo de falência e recuperação judicial de empresas. 
 37 
3.5 NOÇÕES GERAIS SOBRE O INSTITUTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
A recuperação judicial é um procedimento que visa a ajudar o empresário e a 
sociedade empresária que, passando por crise econômico-financeira, apresente condições de 
se recuperar, superar referida crise e se manter no mercado.

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