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Eles são necessários para se relacionar com os outros, pois diferenciam o que é permitido ou não. Respeitar limites faz com que as crianças e os adolescentes compreendam a importância das regras sociais; isso fará com que elas se relacionem adequadamente com pessoas em diferentes ambientes (em casa, na escola), além de ensinar a ter autocontrole. As crianças e os adolescentes aprendem sobre limites na relação com adultos. Eles observam e imitam os comporta mentos dos adultos e aprendem com as reações dos pais diante de suas atitudes (“Meus pais se importam com a forma como eu me comporto?”, “Meus pais me punem quando eu faço algo errado?”). Para manter o bom relacionamento entre pais e filhos e fazer com que a criança aprenda com seus erros, não é aconselhado agredir, discutir ou ameaçar. A seguir, vamos aprender formas eficazes de impor limites. POR QUE LIMITES SÃO IMPORTANTES PARA O MEU FILHO? COMO COLOCAR LIMITES? Universidade Federal do Rio Grande do Sul Reitor Rui Vicente Oppermann Vice-reitora Jane Fraga Tutikian Instituto de Psicologia Diretor Henrique Caetano Nardi Vice-diretora Sandra Djambolakdjian Torossian Autoras Juliana Cardoso Stum Kaena Garcia Henz Alice Zanrosso Baptista Coordenadoras Denise Balem Yates Denise Ruschel Bandeira Revisor Felipe Grüne Ewald Núcleo de Editoração da Gráfica da UFRGS Acompanhamento Editorial Glauber Machado Revisão Giullia Canali Piaia Paula Salem Carpio Projeto Gráfico, Capa e Editoração Ana Porazzi Ilustrações Marta Zimmermann DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do Instituto de Psicologia/UFRGS S934l Stum, Juliana Cardoso Limites: por que são importantes para o meu filho? / Juliana Cardoso Stum, Kaena Garcia Henz, Alice Zanrosso Baptista – Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017. 15 p. : il. 1. Psicologia da criança. 2. Psicologia do adolescente. 3. Disciplina. I. Henz, Kaena Garcia. II. Baptista, Alice Zanrosso. III. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. IV. Título. CDD 155.4 4 5 DETERMINAÇÕES E REGRAS Junto à sua família, distribua as tarefas de casa de acordo com as capacidades de cada um. Deixe claro para seu filho que todos os familiares têm tarefas a cumprir e que é importante para você que todos sigam a rotina, os valores, as regras, os deveres e os hábitos da família. Quando seu filho cumprir uma tarefa, elogie seu trabalho! explicações, combinações e tolerância Quando você pedir a seu filho para fazer alguma tarefa, deixe clara a importância de ele cumprir o que foi pedido. Se ele não quiser fazer o que você pediu naquele momento, combine um prazo para ele terminar a tarefa. Por exemplo, ele não quer fazer a tarefa porque está jogando no celular. Então, você combina com ele que a tarefa será feita depois que ele terminar de jogar, determinando um tempo para isso. Depois, veja se a tarefa foi feita, e, se não foi, deixe claro que este comportamento não é adequado e estabeleça uma regra, como: não jogar no celular até terminar a tarefa. Pensar sobre os atos Se o seu filho já tiver idade para pensar sobre as consequências de suas atitudes, quando perguntar se pode ou não fazer algo, questione: “O que você acha que acontecerá se agir assim?”. Deixe ele pensar um pouco sobre. Depois pergunte: “Você entende quais são as consequências de fazer isso? Se isso acontecer, você saberá como lidar com essas consequências? Você acha que vale a pena?”. Se, mesmo assim, seu filho não perceber a gravidade da consequência, explique para ele e o oriente a não fazer isso. Se seu filho for mais novo (geralmente com menos de 12 anos), ele não tem como avaliar as consequências de seus atos e pode se colocar em perigo. Nesses casos, devemos agir rápido para protegê-los, independente da opinião da criança. 6 7 Muitas vezes, evitamos colocar limites porque achamos que estamos sendo “maus” com nossos filhos. Mas devemos pensar que é por meio de limites que ensinamos as crianças e os adoles- centes a se comportarem e terem uma vida com mais qualidade. Ou seja, quando colocamos limites sem agredir, humilhar ou perder a autoridade, estamos educando nossos filhos para a vida em sociedade. Vamos ver agora o que frequentemente nos impede de colocar limites e vamos também ler dicas de como podemos superar essas situações: Culpa Às vezes, passamos pouco tempo com nossos filhos, por causa do trabalho, por exemplo. Para tentar compensar, quando chegamos em casa, deixamos que eles façam o que quiserem, fazendo “vista grossa” para suas atitudes inadequadas. Dica: Tente reservar um momento do dia ou da semana para conversar com seu filho, porque ele pode estar agindo mal para chamar sua atenção. Muitas vezes, as crianças e os adolescentes não admitem que precisam conversar ou ganhar carinho dos pais, então se comportam mal para chamar sua atenção. Por que eu tenho dificuldade em colocar limites? Por isso, procure reservar momentos para fazer atividades prazerosas com seus filhos. Dessa forma, quando você tiver que colocar e cobrar alguma regra, você se sentirá menos culpado, e seu filho vai escutar seu pedido com mais atenção. Escola e colegas Na escola, é comum crianças e adolescentes terem medo de ficar fora das brincadeiras e dos grupos dos seus colegas. Assim, as crianças imitam o comportamento dos colegas para serem aceitas. Porém, esses comportamentos podem ser prejudiciais para seu filho. Então, o que fazer? Dica: Mostre para seu filho por que determinado comportamento pode ser prejudicial. Explique que você entende que é importante fazer amigos, e que às vezes fazemos coisas erradas para tentar agradar, mas que existem outras crianças ou adolescentes com quem ele pode se relacionar, e que irão aceitá-lo como ele é. Estimule seu filho a buscar esses outros colegas. Não deixe de explicar nada para ele e esteja aberto a ouvi-lo mesmo que ele já tenha apresentado um comportamento errado. 8 9 Crianças e adolescentes com características especiais Algumas características do seu filho podem interferir na aprendizagem sobre limites. Por exemplo, ele pode ter uma dificuldade maior em entender e cumprir regras por conta de alguma dificuldade intelectual ou de alguma questão emocional. Dica: Tente perceber se seu filho entendeu o que você disse. Se ele não entendeu, explique novamente de outra forma, refor- çando a importância de suas palavras. Elogie quando ele seguir seu pedido! Se ele não cumprir com o que você pediu, mostre o quanto você ficou triste e decepcionado com isso. Pergunte por que ele agiu dessa forma: às vezes, ele pode ter esquecido, e isso é comum em crianças com transtornos mentais ou com deficiência intelectual. Chantagem emocional Às vezes, usamos “chantagem emocional” para fazer com que nossos filhos cumpram com suas tarefas. Por exemplo, dizemos “Pode ir brincar com seus amigos, eu vou ficar aqui e terminar toda essa faxina sozinha!”. Mas a chantagem emocional pode fazer com que seu filho fique triste por fazer você se sentir mal ou se frustre por não poder fazer o que ele gostaria, e que, por causa disso, sinta raiva dos pais. Lembre que a chantagem emocional não é um limite, é apenas uma forma de causar mal-entendidos entre você e seu filho. E por isso deve ser evitada. Dica: Explique com clareza por que você está colocando uma regra. Por exemplo, diga “Você só vai sair para brincar depois de me ajudar a arrumar a casa, porque preciso da sua ajuda. Assim que terminar, poderá brincar”. Deixe clara a regra e não tente fazer com que seu filho desista de algo pela via do “sentimentalismo”. Isso só funcionará de vez em quando e causará vários outros problemas de relacionamento. Imponha a regra explicando sua importância de forma simples. 10 11 Se você disser, por exemplo, que seu filho ficará dois dias sem assistir televisão caso não faça o tema de casa, você deve cumprir com asua palavra. Se os comportamentos errados forem “punidos”, com o tempo a criança ou o adolescente entenderá que seus maus comportamentos têm consequências, e pensará antes de agir errado. Se você disser para seu filho que o punirá e não o fizer, ele poderá achar que sua palavra não vale e que sempre poderá convencer você a não aplicar a punição. As crianças e os adolescentes levam em consideração o que os responsáveis dizem sobre eles para formar uma opinião sobre si. Logo, se você disser que seu filho é burro ou mau, por exemplo, ele vai achar que é isso que ele é. Então, por exemplo, em vez de dizer “Você é um menino burro, vai ficar de castigo por não fazer o tema”, pode-se dizer: “Você não fez o tema e isso não está certo, agora vai ficar de castigo até terminar”. 1 As regras devem ser respeitadas e cobradas 2 estabeleça o castigo, mas não humilhe a criança Mais algumas dicas: A criança pode se valer da discordância entre os responsáveis para fugir de um castigo. Se você punir seu filho e um familiar o ajudar a fugir da punição, ele poderá interpretar que você é ruim e que a pessoa que o ajudou é legal. Você pode perder sua autoridade. Por isso, é importante que você converse com os outros membros da família para que não desrespeitem a punição imposta. As crianças e os adolescentes levam tempo para aprender novos comportamentos, tenha paciência! No início será difícil, mas depois essa relação se tornará mais fácil, e seu filho se sentirá mais preparado para lidar com os limites. Continue se mantendo firme nas suas decisões, sem deixar de dar atenção e carinho para seu filho e perceba que as atitudes dele irão mudar e que o relacionamento de vocês irá melhorar. 3 Os responsáveis têm que concordar com a punição 4 A mudança no comportamento leva tempo 12 13 Explique para a criança ou adolescente as consequências de seu comportamento errado. Por exemplo: “Se não arrumar sua cama, ficará sem brincar com seus amigos até terminar essa tarefa.” É importante que a punição esteja relacionada com o comportamento errado da criança. Por exemplo, se seu filho deixou de limpar o quarto para brincar, diga que ele só voltará a brincar depois que cumprir o que você pediu. De nada adianta dizer: “Ah, não limpou o quarto? Um mês sem brincar!”, porque seu filho não relacionará o fato de “não limpar o quarto” com “não brincar”. Deixe sempre claro que a punição está relacionada com o comportamento errado. 5 Coloque regras e fale sobre as consequências: “Se você não fizer” - “Então acontecerá” 6 O castigo não impede o carinho 7 Estabeleça castigos razoáveis Não deixe de dar carinho a seu filho só porque ele fez algo errado. Muitas vezes, as crianças e os adolescentes se sen- tem mal por terem feito algo errado e tentam se reaproximar dos pais pedindo para conversar. Talvez, enquanto estiver de castigo, ele queira comunicar algo que estava com medo de falar. Mantenha a punição, mas não deixe de dar carinho e atenção a seu filho. Isso ajudará seu filho a perceber o que fez de errado e saber que isso não o torna uma pessoa má, que pode acertar da próxima vez. Castigos exagerados que levam muito tempo ou privam a criança de muitas coisas (assistir televisão, jogar videogame, brincar) são difíceis de cumprir. Coloque castigos que sejam possíveis da criança cumprir e que não impeçam que ela tenha seus momentos de lazer. 14 15 Pode até parecer a mesma coisa dizer “não faça isso” e “faça aquilo”, mas nosso cérebro obedece mais a ordens afirmativas, ou seja, sem a palavra “não”. Por exemplo, ao invés de dizer “Não saia para a rua!”, diga “Fique em casa”; ou, em lugar de falar “Não deixe de fazer o tema de casa”, diga “Faça o tema”; ou em vez de dizer “Não brigue na escola”, diga “Comporte-se bem na escola”. Dizer o que você quer, e não o que você não quer, ajuda a criança a entender e gravar melhor o pedido. Seu filho deve receber elogios pelo seu comportamento correto. É preciso recompensar o bom comportamento, principalmente usando elogios sinceros como “Muito bem, isso está ótimo!”. Fazer atividades divertidas com o seu filho também é uma forma de recompensa. Essas atividades farão com que ele se sinta importante e amado. A recompensa incentivará o comportamento correto. Mas, não recompense sempre com coisas materiais, porque seu filho poderá só fazer o que você pedir para ganhar algo material. 8 Diga o que você quer e não o que não quer 9 Elogie seu filho Qual a idade do seu filho? Você acha que ele já pode ser responsável por algumas tarefas ou decisões? Às vezes, achamos que nossos filhos não têm idade para fazer pequenas tarefas. Porém, deixar que eles se responsabilizem por algumas funções, mesmo que pequenas, é algo bom! Isso porque as crianças precisam da ajuda dos pais para desenvolverem sua indepen- dência e autonomia frente à vida. Experimente pedir ao seu filho que faça algumas tarefas dentro de casa. No início, ele fará essas funções com alguma dificuldade, mas depois melhorará. Elogie o trabalho dele e fique à disposição para ajudá-lo no que for necessário. É importante que a criança ou o adolescente saiba que, se algo der errado, terá sempre o apoio dos pais e que não será criticado por suas dificuldades. Isso o ajudará a se sentir seguro e confiante, e essas qualidades serão importantes na vida adulta. Se mesmo assim ele não conseguir fazer o que você pediu, talvez ele ainda não tenha as habilidades necessárias, e você deverá respeitar isso. 10 Independência e Autonomia Nesta obra foram utilizadas as fontes Open Sans, DK Midnight Chalker e Amatic. Capa em Couché fosco 240g/m². Páginas internas em papel Couché fosco 150g/m². Editoração e impressão: