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FARMACOLOGIA FARMACODINÂMICA I Profa. Natalia Tabosa Machado Calzerra Farmacodinâmica: O que o fármaco faz com o nosso organismo, já que os fármacos entram no nosso organismo para modular o nosso organismo para o retorno à normalidade, a homeostasia do nosso organismo. Ou seja, descreve as ações dos fármacos no organismo e as influências das suas concentrações na magnitude das respostas. A maioria, exerce seus efeitos, interagindo com receptores. Ao entrar no nosso organismo, os fármacos possuem efeitos terapêuticos e colaterais. FARMACODINÂMICA Ocupa-se do estudo dos EFEITOS bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e seus MECANISMOS DE AÇÃO, por isso é importante saber: • Onde o fármaco se liga no nosso organismo? • Quais as vias que que o fármaco pode ativar ou inibir dentro ou fora de uma célula ao haver interagir o fármaco com os alvos? Quais locais geralmente esses fármacos se ligam para fazer o seu efeito desejado? R. O fármaco se liga a um alvo. Vias de transdução do sinal é o efeito da ligação, para que ocorra a resposta. Alvo farmacológico: É uma macromolécula funcional. F = fármacos Alvo = alvo farmacológico F e alvo = Mecanismo de ação Os alvos farmacológicos podem ser: Proteínas: constituem o grupo mais importante dos alvos farmacológicos. Ácidos nucleicos: alvo molecular para agentes quimioterápicos. Existem fármacos que podem interagir com material genético do nosso corpo (como os quimioterápicos para o tratamento de câncer) ou de algum microrganismo (antibacterianos ou anti-virais). Efeito terapêutico: Fármacos alteram a velocidades ou a magnitude de uma resposta biológica, já existente, em vez de produzir uma nova resposta celular intrínseca (que antes não ocorria). Para tentar voltar a homeostase. O complexo fármaco-receptor inicia alterações na atividade bioquímica e/ou molecular da célula por meio de um processo denominado transdução de sinal. Efeito terapêutico: Fármacos alteram a velocidade ou a magnitude de uma resposta biológica, em vez de produzir uma nova resposta celular intrínseca (que antes não ocorria). Ex.: de Alvo Farmacológico: proteínas/ácidos nucléicos. Alvo farmacológico: • Enzimas – Fármacos podem inibir a ação de enzimas, e dessa forma a resposta. Ação anti-inflamatória, nas enzimas responsáveis pela inflamação por exemplo. • Canais iônicos – existem os canais iônicos dependentes de voltagem e de ligantes. Os fármacos que bloqueiam os canais de sódio, inibem a estimulação do impulso nervoso. Ex.: Lidocaína, o alvo farmacológico é o canal de sódio dependente de voltagem. • Proteínas carreadoras/ transportadoras – existem fármacos que bloqueiam as proteínas carreadoras, aumentando a biodisponibilidade daquele fármaco na fenda sináptica. • Ácidos nucléicos - • Receptores farmacológicos (muito importante) - OBS.: Alguns efeitos farmacológicos não são mediados por meio da interação com esses alvos farmacológicos. Ex.: são os antiácidos como o Hidróxido de alumínio e magnésio, agindo com o ácido produzido pelo estômago e não com nenhum alvo. Ou seja, existem alguns fármacos que exercem a função terapêutica sem agir com nenhum desses alvos e sim por outros mecanismos. Outro exemplo é os laxantes, chamados laxantes osmóticos, fazendo com que a água sai do lugar menos concentrado para o mais concentrado (no lúmen do intestino), deixando as fezes mais úmidas facilitando a evacuação. Não interagiu com nenhum “alvo” apenas induziu mudanças no balanço osmótico. Receptores farmacológicos: O termo receptor é empregado de diferentes modos. Moléculas-alvo por meios das quais os mediadores fisiológicos – hormônios, neurotransmissores, mediadores inflamatórios etc. -se ligam para produzirem seus efeitos. (RANG et al., 2016) • Fenotrerol como broncodilatador • Atenolol como anti- hipertensivo • Loratadina como antialérgico Os fármacos (mediadores exógenos) fazem o efeito similar ao ligante/mediador endógeno. Muitos fármacos exercem sua função reagindo com receptores. Todo ligante endógeno (nosso corpo produz) tem seu receptor para induzir a sua função fisiológica. Todo ligante endógeno tem seu receptor, dessa forma os ligantes exógenos mimetizam os ligantes endógenos. Mediadores endógenos: Glucagon, Insulina, Noradrenalina, Acetilcolina, Dopamina, Serotonina, Prostaglandinas, Cortisol, Aldosterona ... Cada um possui seus receptores específicos. Receptor é toda proteína que o mediador tem que se ligar para induzir uma resposta. TRANSDUÇÃO DE SINAL - Os fármacos atuam como sinais, e seus receptores atuam como detectores de sinais. - Os receptores transduzem o reconhecimento de um agonista ligado iniciando uma série de reações que resultam em uma resposta intracelular específica. (Nota: o termo “agonista” se refere a uma molécula pequena de ocorrência natural ou a um fármaco que se fixa a um local em uma proteína receptora, ativando-a). - Segundos mensageiros ou moléculas efetoras são parte da cascata de eventos que traduz a ligação do agonista em uma resposta celular. INTERAÇÃO FÁRMACO – RECEPTOR Receptor farmacológico Os fármacos que interagem com receptores podem ser chamados de Agonista ou Antagonista. Agonista: é um fármaco que se liga ao receptor, altera a sua conformação, ativa o receptor e induz um efeito/resposta biológica nessa interação. Mimetismo do ligante /agonista/mediador endógeno. Agonista modificado: agonista modificado é o fármaco. Antagonista: É um fármaco, que se liga receptor, não altera a sua conformação e não o ativa/nem inativa, ele ocupa o espaço, fazendo com que o ligante endógeno não se ligue, ou seja, bloqueando a ligação do ligante/mediador endógeno. Bloqueia a resposta biológica. Ex.: A noradrenalina causa vasoconstrição, dessa forma o ligante exógeno também irá fazer essa função. Se eu usar um antagonista, acontecerá uma vasodilatação. Muitos processos farmacológicos, acontecem por causa da ação dos mediadores endógenos. Se você souber a função do mediador endógeno faz no organismo, você entenderá a ação do fármaco. 1 Afinidade: a tendência do fármaco em se ligar ao receptor. Ocupação do receptor. Ocupar o sítio do receptor. 2 Eficácia intrínseca: tendência do fármaco em alterar a conformação do receptor, uma vez ligado. Ativação do receptor. Ocupando o receptor. Os dois tem afinidade pelo receptor, mas a eficácia intrínseca é do agonista. Estrutura química do fármaco determina a afinidade e a atividade/eficácia intrínseca de um fármaco por seu receptor, de ocupar e de alterar. Modificações na estrutura ocasiona mudanças nas propriedades farmacológicas. Por isso a importância de manter a estrutura química do fármaco, pois determina a capacidade dele de ocupar o receptor como alterar a sua conformação, e consequentemente a resposta terapêutica. COMPLEXO FÁRMACO RECEPTOR As células têm muitos tipos de receptores diferentes, cada qual específico para um agonista particular e produzindo uma resposta única. As membranas das células cardíacas, por exemplo, contêm receptores β que ligam e respondem à epinefrina ou norepinefrina, bem como receptores muscarínicos específicos para acetilcolina. Essas distintas populações de receptores interagem de modo dinâmico para controlar funções vitais do coração. A intensidade da resposta é proporcional ao número de complexos fármaco-receptor: esse conceito está estreitamente relacionado com a formação de complexos entre enzimas e substratos ou antígenos e anticorpos. Essas interações têm vários aspectos comuns; provavelmente a mais notável seja a especificidade do receptor por um determinadoagonista. A maioria dos receptores é denominada pelo tipo de agonista que melhor interage com ele. Por exemplo, o receptor da histamina é denominado receptor histamínico. Nem todos os fármacos exercem seus efeitos interagindo com receptores. Os antiácidos, por exemplo, neutralizam quimicamente o excesso de ácido gástrico, reduzindo os sintomas de azia. ESPECIFICIDADE Classes individuais de fármacos ligam- se apenas a certos alvos farmacológicos para induzir seus efeitos. Um grupo de fármaco que interage apenas com um grupo/tipo de receptor expresso em apenas algumas células. Ex.: Ranitidina – antagonista dos receptores H2 que era utilizado para tratar úlceras. Específico apenas para este receptor. No sentindo contrário – existem fármacos que atuam em diversos alvos farmacológicos, ou seja, receptores em vários tecidos. Estes possuem mais efeitos adversos. Ex.: Antidepressivos tricíclicos, agem com diferentes alvos. Especificidade ampla poderia aumentar a utilidade clínica de um fármaco, mas também contribui para a ocorrência de vários efeitos adversos. Ao se ligar aos outros alvos, ele vai induzir efeitos que eu não quero que ele produza. Ex.: Sedação, Sonolência, Secura nos olhos, na boca. SELETIVIDADE DOS FÁRMACOS Capacidade de um fármaco de atuar em um determinado alvo farmacológico em detrimento de outro. Ex.: de receptores: Beta 1 e 2 (subtipos). Os Beta são os receptores adrenérgicos: receptores da noradrenalina. Propranolol: possui afinidade igual (não é seletivo) pelos receptores beta 1 e 2. Atenolol: exibe atividade maior, mais afinidade pelos receptores beta 1 do que pelos receptores Beta 2. Um fármaco seletivo para os receptores beta 1. Essa seletividade não é absoluta é relativa. Pois se acontecer algo no caminho ele pode se ligar no beta 2. Ou seja, o aumento da dose altera a seletividade. Nenhum fármaco é completamente seletivo em sua ação. O aumento da dose – substância pode afetar outros alvos além de seu alvo principal – pode levar ao aparecimento de efeitos colaterais. O que causa mais efeito colateral? Propranolol ou Atenolol? R. É o Propranolol, porque ele não atua apenas em um receptor. Lembrando que isso não significa que o Atenolol não terá efeitos colaterais. ATIVIDADE INTRÍNSECA Como já mencionado, um agonista liga- se a um receptor e produz uma resposta biológica baseada na concentração do agonista e na fração de receptores ativados. A atividade intrínseca de um fármaco determina sua capacidade de ativar total ou parcialmente os receptores. Os fármacos podem ser classificados de acordo com suas atividades intrínsecas e os valores de Emáx resultantes. AGONISTA E ANTAGONISTA AGONISTA: • Agonista Pleno • Agonista Parcial • Agonista Inverso • Agonista Alostérico AGONISTAS TOTAIS = AGONISTA PLENO Se um fármaco se liga a um receptor e produz a resposta biológica máxima que mimetiza a resposta do ligante endógeno, ele é um agonista total (Fig. 2.11). Agonistas totais se ligam ao receptor e o estabilizam no seu estado ativo, e diz-se que tem atividade intrínseca unitária. Todos os agonistas totais de uma população de receptores devem produzir o mesmo Emáx. Por exemplo, a fenilefrina é um agonista total nos adrenoceptores α1 porque ela produz o mesmo Emáx produzido pelo ligante endógeno, norepinefrina. Após ligar-se ao adrenoceptor α1 no músculo liso vascular, a fenilefrina estabiliza o receptor em seu estado ativo. Isso mobiliza o Ca2+ intracelular, causando interações dos filamentos de actina e miosina e encurtando as células musculares. O diâmetro das arteríolas diminui, causando aumento da resistência ao fluxo de sangue nos vasos e aumento da pressão arterial. Como essa breve descrição ilustra, um agonista pode ter vários efeitos mensuráveis, incluindo ações em moléculas intracelulares, em células, em tecidos e no organismo inteiro. Todas essas ações são atribuídas à interação do fármaco com o receptor. Para agonistas totais, a curva dose- resposta para a ligação com o receptor e cada um dos efeitos biológicos deve ser comparável. AGONISTA PLENO Também chamado de Agonista total = é aquele que tem afinidade pelo receptor, muda a sua conformação. • Estabiliza o receptor na conformação ativa; • Tem eficácia/atividade intrínseca; • Na interação ele produz uma resposta tecidual máxima (produz 100% da resposta) Ex.: Broncodilatação, quando em determinada dose ele produzir uma resposta máxima (100%), assim ele será considerado um agonista pleno. Ex.: Fenilefrina – agonista total no receptor adrenérgico alfa-1. Pode desencadear respostas máximas em taxas de ocupação muito baixas – pode ser até inferiores a 1%, ou seja, não é preciso ativar todos os receptores para induzir um a resposta máxima. Pode ocupar os receptores parcialmente, a tal ponto que induz a resposta máxima. É possível afirmar que esses sistemas possuem RECEPTORES DE RESERVA (são os desocupados). Quando a quantidade de receptores é maior do que o número necessário para evocar uma resposta completa. AGONISTAS PARCIAIS Os agonistas parciais têm atividade intrínseca maior do que zero, mas menor do que um (Fig. 2.11). Os agonistas parciais não conseguem produzir o mesmo Emáx que o agonista total, mesmo ocupando todos os receptores. Entretanto, o agonista parcial pode ter uma afinidade que é maior ou menor que a do agonista total, ou equivalente a ela. Quando o receptor é exposto ao agonista parcial e ao total simultaneamente, o agonista parcial pode atuar como antagonista do agonista total. Considere o que ocorreria com o Emáx de receptor saturado com um agonista na presença de concentrações crescentes de agonista parcial (Fig. 2.12). À medida que o número de receptores ocupados pelo agonista parcial aumenta, o Emáx diminui até alcançar o Emáx do agonista parcial. Esse potencial dos agonistas parciais de atuar como agonista e antagonista pode ser usado terapeuticamente. Por exemplo, o aripiprazol, um antipsicótico atípico, é um agonista parcial em seletos receptores de dopamina. As vias dopaminérgicas que estiverem superativas tendem a ser inibidas pelo aripiprazol, enquanto as vias que estiverem subativas são estimuladas. Isso explica a habilidade do aripiprazol de reduzir os sintomas da esquizofrenia, com riscos mínimos de causar efeitos adversos extrapiramidais. AGONISTA PARCIAL • Ele se liga ao receptor, muda a conformação, mas não: • Apresenta resposta submáxima até 99%, mesmo quando ocupa 100% dos receptores; • Tem atividade intrínseca, porque ativa o receptor – logo será maior do que o 0 e menor do que 100%. Também são denominados ANTAGONISTA PARCIAIS Ele impede que o agonista pleno ou o mediador endógeno se ligue aos receptores e induzam 100% da resposta? SIM. Eles não conseguem ativar a via para induzir a resposta. Pois impedem que um agonista total ou mediador endógeno se ligue ao seu receptor e deixem de desencadear seu efeito máximo. BUPRENORFINA Utilizado em indivíduos dependentes de morfina, por exemplo. A morfina é um agonista total/pleno por isso causa dependência. Ela causa bem-estar, então retirar esse fármaco se torna difícil. Para retirar o uso da morfina, ou tratar a dependência, pode utilizar o Buprenorfina – agonista parcial do receptor µ. Vai causar a euforia, mas menos que a morfina, vai sendo utilizado aos poucos até fazer o desmame da Buprenorfina também. É preciso entender onde o receptor estar para entender a ação do fármaco. AGONISTA INVERSO Comumente, os receptores livres são inativos e precisam da interação com um agonista para assumir uma conformaçãoativa. Contudo, alguns receptores apresentam conversão espontânea de R para R* na ausência de agonista. Agonistas inversos, ao contrário de agonistas totais, estabilizam a forma R (inativa) e convertem R* em R. Isso diminui o número de receptores ativados para menos do que observado na ausência do fármaco (Fig. 2.11). Assim, os agonistas inversos têm atividade intrínseca menor que zero, revertem a atividade de receptores e exercem efeito farmacológico oposto ao dos agonistas. AGONISTA INVERSO Nosso organismo possui receptores com atividade intrínseca (constitutiva), conseguem ativar vias independente de ter mediadores ligados a ele. Existe um nível apreciável de ativação, mesmo na ausência de ligante endógeno ou agonista exógeno. OBS.: Exemplos de receptores que possuem atividade constitutiva e são sensíveis aos agonistas inversos. • Receptores dos benzodiazepínicos • Da histamina • Dos opioides • Da dopamina • Da bradicinina A ligação do fármaco ao receptor, diminuiu o efeito. Logo esse fármaco é um agonista inverso. • Estabiliza o receptor na conformação inativa. • Tem atividades intrínsecas menor que zero. • Diminui o número de receptores ativados para menos do que observado na ausência do fármaco. Também podem ser considerados parciais e posso chamar de antagonista. Dependendo da forma que interpreta podemos observar de das duas formas. AGONISTA ALOSTÉRICO Também chamado de modulador alostérico. Liga-se um sítio alostérico – altera a afinidade e/ou eficácia do receptor por seu agonista primário – pode potencializar os efeitos desse agonista. Sítio ortostérico (sítio primário): sítio de reconhecimento do agonista endógeno no receptor. Onde o mediador endógeno se liga. Sítio alostérico: sítio de ligação no receptor – diferente do local de ligação do agonista endógeno. CURVA CONCENTRAÇÃO x RESPOSTA Platô da curva – correspondente a efeito máximo do fármaco. • 16 induziu a 50% • 30 induziu 100% • Isso é um agonista pleno, visto que se colocar mais que 30, a resposta é máxima. Fármaco que induz resposta máxima – agonista total ou pleno = estabiliza na conformação ativa. Fármaco que induz resposta submáxima – agonista parcial = estabiliza mais na conformação ativa. Fármaco que diminuiu o efeito – agonista inverso = estabiliza na conformação inativa. Substância que nem aumenta e nem diminuiu o efeito – antagonista, que não tem atividade intrínseca, ou seja, nem ativa e nem inibe. O antagonista – deixa em equilíbrio, receptores inativos e ativos. MODELO DE INTERAÇÃO FÁRMACO – RECEPTOR • L – É ligante/fármaco • LRi – receptores na conformação inativa • LRa – receptores na conformação ativa Teoria: os receptores são encontrados em dois estados. Concentração x Nível de resposta 1º gráfico: Fenilefrina – agonista total e os outros parciais. 2º gráfico: São fármacos diferentes, fazendo interações diferentes, agindo de modos distintos e portando ativando vias diferentes, com intensidades distintas, pode ser a mesma resposta. Quase induz uma resposta máxima, com 50% dos receptores ocupados. Ou seja, um agonista pleno não precisa ocupar todos os receptores para induzir uma determinada resposta. EFICÁCIA E POTÊNCIA DE UM FÁRMACO? Potência e eficácia – podem ser deduzidos a partir da curva dose- resposta gradual. EFICÁCIA: será determina – Emáx Emáx: Utilizada para comparar a resposta máxima que o fármaco é capaz de produzir. Que no gráfico sempre procuramos o platô. POTÊNCIA: será determinada – CE50 (concentração) ou DE50 (dose). Vou comparar a concentração ou a dose que induz 50% da resposta máxima. Ce50: Concentração necessária para produzir 50% do efeito máximo de um fármaco. ↑ Potência ↑ Afinidade Menor concentração ou dose para induzir uma determinada resposta. 16 microgramas é a CE50 desse fármaco. O fármaco mais potente é o que tem uma maior ou menor CE50? Menor. E os fármacos mais potentes possuem maior afinidade pelo receptor. Uma menor concentração se liga aos receptores e induzem a resposta. Maior potência, menor CE50 = maior a afinidade. 3º gráfico: Quais os fármacos são mais eficazes? R. A e C, pois induzem respostas máximas maiores, de 100%. Os dois são eficazes. Eles possuem a mesma potência, A e C? R. Não. Mais potente é o A, pois são necessários 15 microgramas para induzir 50% da resposta, ou seja, é necessária uma concentração menor para induzir uma resposta eficaz ... Mais potente curva a esquerda, menos potente curva a direita. Observando os 3 fármacos: • O mais potente é o B, pois precisa de uma menor concentração, para induzir 50% da sua resposta máxima. • Menos eficaz é o B. Potência e eficácia não estão intrinsecamente relacionadas – fármaco pode ser extremamente potente, porém ter pouca eficácia. Um exemplo que ela fez: A curva C representa o efeito de um mediador endógeno, e a curva A representa o mediador endógeno com um outro fármaco. Que outro fármaco é esse? Um agonista alostérico, pois ele potencializou a ação do mediador endógeno. Percebo isso, porque foi necessária uma menor concentração para induzir 50% da resposta máxima. Mediador + alostérico no fármaco A, e no C apenas o mediador. Eficácia é uma característica clinicamente mais útil do que a potência. Baixa potência (deve ser usado numa dose, ou concentração maior) só se torna inconveniente se o incremento de doses necessário a produzir o efeito desejado for: • Difícil de ser administrado • Gerar efeitos adversos não toleráveis (pois a substância pode se ligar e afetar outros alvos além de seu alvo principal). Quanto menor for a potência de um fármaco – maior a dose necessária, maior a probabilidade de que outros alvos de ação, diferentes do local primário, serem ativados. ANTAGONISTAS Os antagonistas ligam-se ao receptor com alta afinidade, mas têm atividade intrínseca nula. Um antagonista não tem efeito na ausência de agonistas, mas pode diminuir o efeito do agonista quando estiver presente. Pode ocorrer antagonismo pelo bloqueio da ligação do fármaco ao receptor ou da capacidade de ativar o receptor. Bloqueiam os efeitos do agonista (ou mediador endógeno). • Antagonista por bloqueio de receptor - Antagonista competitivo (Reversível e Irreversível) - Antagonista alostérico (não- competitivo) • Antagonista químico • Antagonista farmacocinético • Antagonista fisiológico ANTAGONISTA COMPETITIVOS Se ambos, antagonista e agonista, se ligam ao mesmo local receptor de modo reversível, eles são denominados “competitivos”. O antagonista competitivo impede que o agonista se ligue ao seu receptor e mantém esse receptor no estado inativo. Por exemplo, o anti-hipertensivo terazosina compete com o ligante endógeno norepinefrina nos adrenoceptores α1, diminuindo, assim, o tônus do músculo liso vascular e reduzindo a pressão arterial. Contudo, essa inibição pode ser superada aumentando-se a concentração do agonista em relação ao antagonista. Assim, de modo característico, os antagonistas competitivos deslocam as curvas dose-resposta para a direita (aumenta o CE50) sem afetar o Emáx (Fig. 2.13). ANTAGONISTA COMPETITIVO REVERSÍVEL (SUPERÁVEL) • Fármaco com afinidade por seu receptor, mas sem eficácia intrínseca. • Compete com o agonista pelo sítio de ligação primário do receptor. • ↑ Concentração do agonista endógeno é suficiente para deslocar o antagonista competitivo reversível do sítio de ação. Curva concentração-resposta de um agonista + antagonista competitivo reversível superável) • O efeito máximo é alcançado com o aumentoda dose do agonista. Observa-se um aumento do CE50 do agonista sem modificação do seu efeito máximo. Observar a curva: Aumentando a concentração se conseguiu chegar na resposta máxima, assim eu consigo observar que é o agonista reversível. ANTAGONISTA COMPETITIVO IRREVERSÍVEL (NÃO-SUPERÁVEL) • Fixam de modo covalente ao local ativo do receptor. • ↑ do agonista endógeno NÃO é suficiente para deslocar o antagonista competitivo irreversível do sítio de ação. • Reduzem o número de receptores disponíveis para o agonista. Ex.: Fenoxibenzamina • Redução da quantidade de receptores disponíveis para ser ativado pelo agonista. ANTAGONISTAS IRREVERSÍVEIS Antagonistas irreversíveis se fixam de modo covalente ao local ativo do receptor, reduzindo, assim, o número de receptores disponíveis para o agonista. O antagonista irreversível causa redução do Emáx sem alterar o valor de CE50 (salvo na existência de receptores de reserva). Em contraste com os antagonistas competitivos, o efeito dos antagonistas irreversíveis não consegue ser superado pela adição de mais agonista (Fig. 2.13). Assim, antagonistas irreversíveis e antagonistas alostéricos são considerados antagonistas não competitivos. Uma diferença fundamental entre antagonistas competitivos e não competitivos é que os competitivos diminuem a potência do agonista (aumentam a CE50), e os não competitivos diminuem a eficácia do agonista (diminuem o Emáx). ANTAGONISTAS ALOSTÉRICOS O antagonista alostérico também diminui o Emáx, sem alterar o valor de CE50 do agonista. Esse tipo de antagonista se fixa em um local (local alostérico) diferente do local de ligação do agonista e evita que o receptor seja ativado pelo agonista. A picrotoxina é um exemplo de agonista alostérico, pois se fixa no interior do canal de cloreto controlado pelo GABA. Quando a picrotoxina está fixada dentro do canal, o cloreto não pode passar pelo canal mesmo quando o receptor está totalmente ativado pelo GABA. ANTAGONISTA ALOSTÉRICO (NÃO-COMPETITIVO) – (NÃO- SUPERÁVEL) • Fixa em um local (local alostérico) diferente do local de ligação do agonista. Essa fixação EVITA que o receptor seja ativado pelo agonista. • Reduz a quantidade de receptores disponíveis para ser ativado pelo agonista. Não superáveis porque eu posso aumentar a quantidade do agonista, mas o alostérico está se ligando a um outro sítio então não altera nada. ANTAGONISTA QUÍMICO É um fármaco que se liga quimicamente a outra substância (ao agonista) inativando-a , não deixando causar efeito no organismo. Inativação por meio de uma reação química. Ex.: heparina e protamine, combinação da tetraciclina (lamisil) com o Ca2+ (leite) – o cálcio impede a absorção. Ele também é antagonista farmacocinético. ANTAGONISTA FARMACOCINÉTICO Fármaco afeta a absorção, metabolismo ou excreção de outro. Com o intuito de: - reduzir velocidade de absorção - aumentar velocidade de biotransformação - aumentar velocidade de excreção Ex.: Antibiótico (Rifampicina) e anticoncepcionais (Etinil estradiol). ANTAGONISTA FISIOLÓGICO Fármaco que possui ações fisiológicas contrárias ao do agonista endógeno. Atuam em receptores diferentes. Ex.: Histamina e adrenalina (drenalin, epinefrina) (choque anafilático). Em quadros de choque anafilático o indivíduo pode ter hipotensão. Ele precisa receber fármaco com ações fisiológicas contrárias a histamina. Por isso é administrado a adrenalina, também chamado de epinefrina. Não age quimicamente com a histamina, mas a adrenalina vai se ligar em um receptor diferente e induz a ação contrária a histamina. Receptores adrenérgicos. Ele pode colocar um relato clínico, uma história clínica. ANTAGONISTA FUNCIONAL Um antagonista pode atuar em um receptor completamente separado, iniciando eventos que são funcionalmente opostos aos do agonista. O exemplo clássico é o antagonismo funcional pela epinefrina da broncoconstrição induzida por histamina. A histamina se liga aos receptores H1 histamínicos na musculatura lisa bronquial, causando broncoconstrição da árvore brônquica. A epinefrina é um agonista nos adrenoceptores β2 na musculatura lisa bronquial, que causa o relaxamento do músculo. O antagonismo funcional também é conhecido como “antagonismo fisiológico”. TOLÊNCIA E TAQUIFILAXIA Tolência: diminuição gradual da responsividade a um fármaco, que leva horas, dias ou semanas para se desenvolver. Taquifilaxia: Descrever esse fenômeno da tolência, que, muitas vezes, se desenvolve em poucos minutos. Taquifilaxia se diferencia de tolerância por se instalar agudamente. Obs.: porém a distinção entre esses termos não é muito precisa. PODE EXIGIR AJUSTES DA DOSE PARA MANTER A EFICÁCIA DO TRATAMENTO. Muitos mecanismos diferentes podem dar origem a esse tipo de fenômeno. - Aumento da degradação metabólica do fármaco - translocação de receptores: os receptores mudam de ligar. A maioria estão na membrana das células. - Alteração em receptores: existem alguns receptores que sofrem fosforilação em determinados alvos impedindo que sejam desativados por determinados alvos. Dessensibilização dos receptores. - depleção de mediadores: redução do mediador que é importante para a atuação do fármaco. - adaptação fisiológica: os organismos podem se adaptar e usar uma outra via. Ex.: DIURÉTICOS: fármacos utilizados na hipertensão arterial. Normaliza a volemia, pois aumenta a diurese. E diminui a frequência arterial. Diminui a quantidade de sangue que chega ao rim, e ativa o sistema renina. Isso foi a adaptação do organismo na presença do diurético, para normalizar a volemia. Tolerância a ação do diurético. RELAÇÕES DOSE-RESPOSTA QUANTAIS Outra relação dose-resposta importante é entre a dose de fármaco e a proporção da população que responde a ela. Essas respostas são conhecidas como respostas quantais, pois, para cada indivíduo, o efeito acontece ou não. Respostas graduais podem ser transformadas em quantais definindo- se um determinado nível de resposta gradual, como o ponto no qual a resposta ocorreu ou não. Por exemplo, pode ser determinada uma relação dose-resposta quantal na população para o anti-hipertensivo atenolol. A resposta positiva é definida como uma redução de no mínimo 5 mmHg na pressão arterial diastólica. Curvas dose-resposta quantais são úteis na determinação das doses às quais a maioria da população responde. Elas têm formato similar às curvas dose-resposta, e a DE50 é a dose de fármaco que causa a resposta terapêutica em metade da população. a) ÍNDICE TERAPÊUTICO O índice terapêutico (IT) de um fármaco é a relação entre a dose que produz toxicidade em metade da população (DT50) e a dose que produz o efeito eficaz ou clinicamente desejado em metade da população (DE50): O IT é uma medida da segurança do fármaco, pois um valor elevado indica uma ampla margem entre a dose que é efetiva e a que é tóxica. b) UTILIDADE CLÍNICA DO ÍNDICE TERAPÊUTICO O IT é determinado usando-se a triagem do fármaco e a experiência clínica acumulada. Em geral, eles revelam uma faixa de doses eficazes eCuma faixa distinta (algumas vezes, com sobreposição) de doses tóxicas. Embora sejam desejados valores altos de IT para a maioria dos fármacos, alguns com IT baixo são usados rotineiramente no tratamento deCdoenças graves. Nesses casos, o risco de obter efeitos indesejados não éCtão elevado quanto o risco de deixar o paciente sem tratamento. A Figura 2.14 mostra as respostas à varfarina, um anticoagulante oral com IT baixo, e à penicilina, um antimicrobiano com IT alto. VARFARINA É umexemplo de fármaco com índice terapêutico baixo. À medida que a dose de varfarina aumenta, uma maior fração dos pacientes responde (para esse fármaco, a resposta desejada é o aumento de duas a três vezes na relação normalizada internacional [INR, do inglês international normalized ratio]), até que finalmente todos os pacientes respondam (Fig. 2.14A). Contudo, nas doses elevadas de varfarina, ocorre hemorragia devido à anticoagulação em uma pequena porcentagem de pacientes. Fármacos com IT baixos – ou seja, fármacos para os quais a dose é crucialmente importante – são aqueles cuja biodisponibilidade altera de modo crítico o efeito terapêutico. PENICILINA Para fármacos como a penicilina (Fig. 2.14B), é seguro e comum administrar dose excessiva em relação àquela que é necessária minimamente para obter a resposta desejada, sem o risco de efeitos adversos. Nesse caso, a biodisponibilidade não altera criticamente os efeitos terapêuticos ou clínicos.