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Articulação Temporomandibular

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reforço confirma a teoria de que estas regiões sejam áreas biologicamente 
desenvolvidas para receber esforços durante a mastigação. 
A projeção mais lateral da eminência articular é denominada de 
tubérculo articular, que serve para inserção de alguns ligamentos da ATM. 
Durante o movimento de abertura máxima o côndilo translada até a crista 
da eminência, podendo ultrapassá-la em algumas articulações. Essa 
hipertranslação não deve ser considerado um movimento patológico 
quando o indivíduo não manifestar sintomatologia dolorosa ou sinais 
clínicos. A luxação da ATM (open lock) ocorre quando os côndilos 
ultrapassam as eminências articulares, invadindo a fossa infratemporal. 
 
3 CARTILAGEM ARTICULAR 
 
As superfícies funcionais da ATM (atritantes) são revestidas por cartilagem 
articular (fibrocartilagem). Ela tem como função proteger essas superfícies, 
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ANATOMIA DE CABEÇA E PESCOÇO 
ANATOMIA DA ATM 
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evitando o contato direto do côndilo contra o componente temporal da 
articulação. 
A camada mais superficial que reveste estas superfícies consiste de 
fibroblastos distribuídos em uma camada densa, avascular, de colágeno. 
Subjacente a esta camada fibrosa existe uma zona proliferativa de células 
associadas com a formação da cartilagem condilar. Adjacente ao osso, 
sob a camada proliferativa, está a zona fibrocartilaginosa. 
A cartilagem articular pode ser sede de processos degenerativos 
importantes. 
 
4 DISCO ARTICULAR 
 
O disco articular é uma estrutura fibrocartilaginosa que divide o espaço 
articular em dois compartimentos, um superior e outro inferior. Ele tem por 
função adaptar as incongruências dos componentes ósseos, além de ser 
um elemento intermediário capaz de absorver alguma pressão. Para 
alguns autores, o disco articular exerce função primordial nos movimentos 
mandibulares constituindo-se em uma terceira superfície articular. 
A presença de fibrocartilagem tanto no disco articular como na 
cartilagem articular, no lugar de cartilagem hialina como acontece em 
outras articulações, confere a estas estruturas resistência e flexibilidade. 
Em um corte parasagital, percebe-se no disco uma forma bicôncava e três 
partes podem ser identificadas: 
• Anterior (banda anterior): é uma região espessa (2mm), 
principalmente na região lateral da articulação. Anteriormente é 
ligada ao feixe superior do músculo pterigóideo lateral através da 
parede anterior da cápsula articular. 
• Média (zona intermediária): a parte média (1mm) une as bandas 
anterior e posterior e suas fibras encontram-se na direção ântero-
posterior. Essas fibras se entrelaçam com as fibras das bandas, assim 
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que ali chegam. Em máxima intercuspidação, espera-se que esta 
porção esteja interposta entre as superfícies funcionais (superfície 
articular anterior do côndilo e vertente posterior da eminência 
articular). 
• Posterior (banda posterior): a banda posterior geralmente é a mais 
espessa das duas bandas (3mm). Quando a mandíbula está 
fechada, a banda posterior do disco localiza-se sobre ou 
ligeiramente anterior à crista superior do côndilo. As fibras, assim 
como as da banda anterior, são transversais ao côndilo. 
No plano frontal, as bordas lateral e medial do disco articular também são 
mais espessas que a porção central, sendo a margem medial mais espessa 
que a lateral. 
O disco articular está inserido em quase toda sua extensão, 
perifericamente, à cápsula articula. Posteriormente o disco está ligado à 
zona bilaminar. Anteriormente o disco prende-se á parede anterior cápsula 
articular e indiretamente ao feixe superior do músculo pterigóideo lateral. 
O disco está fixado aos pólos do côndilo, tanto medialmente como 
lateralmente, através dos ligamentos discais ou colaterais, formando o 
chamado complexo côndilo-disco. Estes ligamentos permitem movimentos 
rotacionais do disco sobre o côndilo durante a abertura e fechamento da 
boca. Danos à sua estrutura, advindos de micro ou macro traumas, podem 
provocar o seu estiramento e predispor a deslocamentos do disco articular. 
O disco ainda acompanha o côndilo durante a translação condilar. Este 
movimento do disco pode ser atribuído aos ligamentos discais, à forma 
bicôncava do disco (plano parasagital) e á pressão existente entre o 
côndilo e eminência articular. Este tipo de relação faz com que o disco 
mova-se no compartimento superior com movimento de translação e no 
compartimento inferior com movimento de rotação. Ao mesmo tempo, faz 
com que o disco não deslize tanto quanto o côndilo, no movimento de 
protrusão (o disco move-se 7 mm enquanto o côndilo 15 mm em protrusão 
máxima). 
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O disco articular, sendo um tecido fibrocartilaginoso, é aneural e 
avascular. Pesquisas recentes mostram, no entanto, que a periferia do 
disco articular apresenta algumas terminações nervosas e vasos 
sanguíneos. A concentração destes elementos ocorre na margem anterior 
e principalmente na margem posterior, onde o disco articular recebe as 
fixações do músculo pterigóideo lateral e da zona bilaminar, 
respectivamente. 
A morfologia do disco articular é mantida desde que forças destrutivas ou 
alterações estruturais não venham a ocorrer na articulação, nessas 
circunstâncias alterações irreversíveis podem estar presentes. 
 
5 ZONA RETRODISCAL 
 
Entre a face posterior do côndilo e a parede timpânica encontra-se um 
tecido denominado retrodiscal. Também pode ser denominado de zona 
bilaminar ou, mais recentemente, de ligamento posterior do disco articular. 
Essa região contém no seu interior espaços que são preenchidos com 
sangue durante o deslocamento anterior da mandíbula. A área é 
abundantemente inervada pelo nervo auriculotemporal. A intensa 
vascularização e inervação demonstram que a região não foi 
biologicamente desenvolvida para receber pressão durante a função. 
A zona retrodiscal é também denominada de zona bilaminar pelo fato de 
apresentar na sua estrutura, duas lâminas: uma superior e uma inferior. 
A lâmina superior une a borda posterior do disco articular à placa 
timpânica (fissura petro-timpânica) e apresenta na sua constituição 
grande concentração de fibras elásticas, sendo essas ainda mais 
abundante nas mulheres. Estas fibras são distendidas durante o movimento 
anterior da mandíbula e do disco articular e, no retorno do complexo 
côndilo-disco à posição inicial, traciona o disco para posterior. 
A lâmina inferior une a borda posterior do disco articular e os pólos do 
côndilo à superfície posterior e do côndilo, sendo composto de fibras 
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colágenas não elásticas. Suas fibras limitam o deslocamento anterior do 
disco articular. 
Entre a lâmina superior e inferior existe um tecido conjuntivo frouxo 
interposto, rico em terminações nervosas e que também apresenta um 
plexo venoso abundante. Esta região enche-se de sangue na abertura 
bucal e, durante o fechamento da boca com o côndilo ocupando este 
espaço, o sangue retorna para os vasos venosos. Este é um mecanismo de 
amortecimento e que também proporciona um extravasamento de 
plasma sanguíneo que entrará na composição do líquido sinovial. 
Um posicionamento mais posterior do côndilo na fossa mandibular pode 
levar a um pressionamento dessa região dando origem a dor. A 
compressão da zona bilaminar também pode levar à substituição dos 
vasos e das terminações nervosas por fibras (fibrosamento) dando origem 
a um pseudo-disco (metaplasia). 
 
6 CÁPSULA ARTICULAR 
 
A cápsula articular de uma articulação sinovial é composta de tecido 
conjuntivo