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Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Ciências Sociais Faculdade de Direito PRÁTICA JURÍDICA TRABALHISTA Peça 1 - Reclamação trabalhista Lucrécia Borges procura você, como advogado(a), afirmando que foi empregada da sociedade empresária Jogos Irados Ltda. na sede desta, localizada em São Paulo/SP, de 17/12/2017 a 28/11/2023, tendo exercido, na prática, a função de técnica de informática. Lucrécia informa que foi despedida por justa causa, apesar de não ter feito nada de errado, não recebendo qualquer indenização, mas apenas o saldo salarial do último mês; que a empresa não integrava, para fim algum, o salário-família que recebia; que trabalhava de segunda-feira a sábado, das 20h às 5h, com intervalo de 20 minutos para refeição; que o local de trabalho era de difícil acesso e não servido por transporte público regular, pelo que a empresa fornecia o transporte para ir ao trabalho e voltar dele, de forma que demorava uma hora no trajeto de ida e outra uma hora no de volta; que realizou exame médico na admissão; que tem uma irmã que trabalha na mesma sociedade empresária, exercendo a função de programadora de jogos digitais. Lucrécia exibe cópias dos contracheques, nos quais há, na parte de crédito, salário de R$ 1.420,00 e uma cota de salário-família; já na parte de descontos, há INSS, vale-transporte e FGTS. A trabalhadora ainda exibiu sua CTPS, na qual consta admissão em 17/12/2017 e saída em 28/11/2023, na função de auxiliar de serviços gerais; na parte de anotações gerais, há anotação de que a empregada foi dispensada por justa causa em razão de conduta inadequada. Em pesquisa pela Internet, você localiza a convenção coletiva da categoria de Lucrécia, com os pisos normativos para todas as funções desempenhadas na sociedade empresária Jogos Irados Ltda., dentre elas os seguintes: auxiliar de serviços gerais: R$ 1.420,00; técnico em informática: R$ 1.800,00; programador: R$ 3.500,00; e engenheiro de computação: R$ 6.000,00. Elabore a peça prático-profissional que melhor defenda os interesses de Lucrécia, sem usar dados ou informações que não estejam no enunciado. Observação: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. Nos casos em que a lei exigir liquidação de valores, não será necessário que o examinando a apresente, admitindo-se que o escritório possui setor próprio ou contratado especificamente para tal fim. _____//_____//_____ EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 7ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO/SP LUCRÉCIA BORGES, brasileira, casada, técnica de informática, portadora de CTPS 123.456.789-1, CPF 123.456.789-1, RG 01.987.654-3, residente e domiciliado na Rua A, nº 1, Bairro B, São Paulo/SP, CEP 22333-444, por meio de seu advogado infra assinado, com procuração em anexo e escritório profissional na Rua C, nº 2, Bairro D, São Paulo/SP, CEP 99888-777, onde recebe intimações ou notificações, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, propor RECLAMAÇÃO TRABALHISTA nos termos do art. 840 da CLT, em face da JOGOS IRADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ 12.345.678/0001-91, com sede na Rua Z, nº 10, Bairro X, São Paulo/SP, CEP 66555-111, pelas razões de fato e direito a seguir expostas. I – DOS FATOS A reclamante trabalhou para a reclamada exercendo a função de técnica de informática, apesar de, em sua CTPS, constar a função de auxiliar de serviços gerais, no período compreendido entre 17/12/2017 a 28/04/2018. Diante dos fatos, pleiteia a substituição da demissão por justa causa para sem justa causa, a retificação da CTPS, o pagamento das verbas rescisórias, da multa pela anotação desabonadora, do dano moral, do salário família, das horas extras, do intervalo intrajornada suprimido e do adicional noturno. II – DO MÉRITO 1.1 – Reversão da dispensa por justa causa em sem justa causa A dispensa da Reclamante por justa causa, embora não tenha cometido nenhuma falta, resultou na ausência de indenização financeira, sendo apenas pago o saldo salarial do último mês. Dado que não houve evidência de conduta grave por parte do empregado, sua demissão por justa causa é considerada ilegal. Portanto, solicita-se que a dispensa por justa causa seja revogada e tratada como dispensa sem justa causa. Além disso, a parte reclamante busca receber as devidas verbas rescisórias, incluindo: aviso prévio de 30 dias, 13º salário proporcional do ano de 2017 (1/12), 13º salário proporcional dos anos de 2018 a 2022, 13º salário proporcional do ano de 2023 (11/12), férias proporcionais com acréscimo de 1/3 (11/12) e a multa de 40% do FGTS. Também são requeridos o saque do FGTS e a habilitação da Reclamante ao seguro-desemprego. 1.2 – Horas Extras A Reclamante trabalhava de segunda a sábado, das 20h às 5h, com um intervalo de 20 minutos para refeição. Nos termos do art. 7º, XIII, da CF e art. 58 da CLT, a jornada máxima é de 8 horas por dia e 44 horas por semana, o que estava sendo ultrapassado. Além disso, considerando a jornada noturna, onde cada 52 minutos e 30 segundos equivalem a uma hora, o período das 22h às 5h é considerado como um trabalho de 8 horas. Portanto, é solicitado que a Reclamada seja condenada a pagar as horas extras, ou seja, aquelas excedentes às 8 horas diárias e às 44 horas semanais, com o adicional de 50%, além dos reflexos dessas horas extras nas verbas contratuais e rescisórias. 1.3 – Intervalo Intrajornada Conforme mencionado, a Reclamante trabalhava de segunda a sábado, de 20h às 5h, com uma pausa de 20 minutos para refeição. De acordo com o artigo 71, parágrafo único, da CLT, aqueles que trabalham mais de 6 horas por dia têm direito a um intervalo intrajornada de pelo menos 1 hora, o qual não estava sendo concedido. Portanto, é requerido que a Reclamada seja condenada a pagar pelo período não concedido, ou seja, 40 minutos diários, com um acréscimo de 50%, conforme estabelecido no artigo 71, § 4º, da CLT. 1.4 – Adicional Noturno É necessário reforçar que a Reclamante trabalhava de 20h às 5h, de segunda a sábado. Conforme estipulado no artigo 73, parágrafo único e § 2º, da CLT, as horas trabalhadas entre 22h e 5h devem receber um adicional de 20%. Portanto, é solicitada a condenação da reclamada ao pagamento do adicional noturno, equivalente a 20% do valor da hora diurna, para as horas em que a Reclamante permanecia à disposição do empregador após as 22h, além dos reflexos desse adicional em verbas contratuais e rescisórias. 1.5 – Diferenças salariais e retificação da CTPS Apesar de constar na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) da Reclamante que ela desempenhava o cargo de auxiliar de serviços gerais, ela sempre atuou como técnica de informática, recebendo um salário de R$ 1.420,00. De acordo com o estipulado na convenção coletiva da sua categoria, o salário mínimo estabelecido para o empregado que exerce a função de técnico em informática é de R$ 1.800,00. Conforme previsto no artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal, os trabalhadores têm o direito ao "reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho". Portanto, é solicitada a condenação da Reclamada ao pagamento das diferenças salariais, assim como seus reflexos em verbas contratuais e rescisórias. Além disso, é requerida a correção da CTPS da Reclamante para refletir sua real função de técnico de informática, com base no artigo 29 da CLT. 1.6 – Dano Moral A Reclamada registrou na seção de anotações gerais da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) da Reclamante que ela foi demitida por justa causa devido a uma conduta inadequada. Segundo o artigo 29, § 4º, da CLT, é proibido ao empregador fazer anotações desfavoráveis à conduta do empregado em sua CTPS. A conduta ilícita da Reclamada causou danos à esfera extrapatrimonial da trabalhadora, o que justifica a reparação por danos morais, conforme estabelecido nos artigos 223-B e 223-E da CLT. Portanto, é solicitada a condenação da Reclamada ao pagamentode uma indenização por danos morais. 1.7 – Devolução do FGTS A Reclamada deduzia do salário da Reclamante o montante correspondente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) depositado. Conforme estipulado nos artigos 7º, inciso III, da Constituição Federal, art. 15 da Lei nº 8.036/90 e art. 27 do Decreto 99.684/90, é incumbência do empregador efetuar o depósito de 8% da remuneração paga ou devida no mês anterior ao trabalhador, tornando assim indevido o referido desconto. Portanto, é solicitada a condenação da reclamada à restituição dos descontos do FGTS realizados durante o período de vigência do contrato de trabalho. 1.8 – Honorários Advocatícios Com fulcro no art. 791-A da CLT, é requerida a condenação da Reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, no importe de 15%, do valor que resultar da liquidação. III – PEDIDOS Diante do exposto, requer-se: (i) A reversão da dispensa por justa causa em dispensa sem justa causa e, consequentemente, a condenação da Reclamada ao pagamento das verbas rescisórias típicas, quais sejam: aviso prévio de 30 dias, 13os salários proporcionais, conforme descrição anterior, férias proporcionais, conforme descrição anterior, e multa de 40% do FGTS, totalizando R$ XXX,XX. (ii) A condenação da Reclamada ao pagamento das horas extras, assim consideradas as excedentes da 8ª diária e 44ª semanal, acrescidas do adicional de 50%, bem como de seus reflexos nas verbas contratuais e rescisórias, na importância de R$ XXX,XX. (iii) A condenação da Reclamada ao pagamento do período suprimido, ou seja, de 40 minutos diários, acrescidos de 50%, à luz do art. 71, § 4º, da CLT, totalizando R$ XXX,XX. (iv) A condenação da Reclamada ao pagamento do adicional noturno, no importe de 20% do valor da hora diurna, quanto às horas em que a Reclamante ficava à disposição do Empregador após as 22h, bem como de seus reflexos em verbas contratuais e rescisórias, no valor total de R$ XXX,XX. (v) A condenação da Reclamada ao pagamento das diferenças salariais e reflexos nas verbas contratuais e rescisórias, bem como a retificação da CTPS da Reclamante para constar sua real função de técnica de informática, nos termos do art. 29 da CLT. (vi) A condenação da Reclamada ao pagamento de indenização por danos morais, na importância de R$ XXX,XX. (vii) A condenação da Reclamada à devolução dos descontos de FGTS realizados durante o contrato de trabalho, no valor total de R$ XXX,XX. (viii) A condenação da Reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, no importe de R$ XXX,XX. III - REQUERIMENTOS FINAIS Diante de todo o exposto, requer: (i) A notificação da Reclamada para oferecer resposta à Reclamação Trabalhista, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de fato; (ii) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a prova documental, o depoimento pessoal e a oitiva de testemunhas; e (iii) Por fim, a procedência dos pedidos e a consequente condenação da Reclamada ao pagamento das verbas pleiteadas, acrescidas de juros e correção monetária. É atribuído à causa o valor de R$ YYYY,YY. Nestes termos, Pede deferimento São Paulo/SP, 08 de maio de 2024 Mel Corletto Barbosa OAB XXX.XXX image1.png