Prévia do material em texto
Professor Me. Gabriel Coutinho Calvi FUNDAMENTOS DO DESIGN 2024 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2024. Os autores. Copyright C Edição 2024 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Hugo Batalhoti Morangueira Giovane Jasper Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA C168f Calvi, Gabriel Coutinho Fundamentos do design / Gabriel Coutinho Calvi Paranavaí: EduFatecie, 2024. 122p.: il. Color. 1.Desenho (projetos) 2.Designers. 3. Artes gráficas. I. Centro Universitário UniFatecie II. Núcleo de Educação a Distância.III. Título. CDD: 23 ed. 741.6 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTOR • Mestre em Gestão do Conhecimento nas Organizações (UniCesumar); • Bacharel em Moda (UniCesumar); • Tecnólogo em Marketing (UniCesumar); • Especialista em Moda, Produto e Comunicação (Unifamma); • Especialista em Moda e Negócio (UniCesumar); • Especialista em Design Thinking (UniCesumar); • Professor Formador do curso de Design de Moda EaD (UniCesumar); • Professor de pós-graduação EaD (Unifamma); • Professor de publicidade e propaganda e design de moda presencial (UniCesumar). Trabalhou com produção de moda e desenvolvimento de campanhas entre 2013 e 2018. Na área de pesquisa estuda a criação de imagens na moda, design a partir da pers- pectiva semiótica. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/2763480778584494 Prof. Me. Gabriel Coutinho Calvi 4 APRESENTAÇÃO Olá Aluno(a)! Sejam bem-vindo(a)? Que bom que você chegou aqui para iniciarmos essa trilha de aprendizagem no universo do design. Enquanto preparo nosso material de estudo, fico pensando nas vidas que serão impactadas e no quanto você poderá ser surpreendido por este universo que já está presente em nossa vida desde o dispositivo eletrônico que você utilizar para realizar seus estudos, até o ambiente em que você se encontra. O design permeia nossas vidas com o intuito de nos trazer conforto, bem-estar, comodidade entre outras características sempre atrelado ao senso estético de linhas, formas, cores, texturas e demais elementos e princípios. A nossa disciplina de teoria e fundamentos do design apresenta um conteúdo introdutório essencial para a profissão do designer que tem como um dos objetivos facilitar a vida dos seus usuários/consumidores com produtos e serviços que comuniquem seu propósito, seja de cunho funcional ou estético. Portanto, em nossas unidades você encontrará todas as informações necessárias para compreender essa área em suas diversas vertentes, além de passarmos pelo processo de alfabetização visual essencial para o trabalho desse profissional. A Unidade I tem o propósito de apresentar a você os aspectos introdutórios do design, explorando sua evolução histórica que melhorou nossas vidas em todos os âmbitos. Conheceremos as definições de design e as áreas de atuação dos profissionais. Além disso, entenderemos como as emoções contribuem na criação dos produtos de desejo para usuários/consumidores. Os produtos e serviços são compostos de elementos e princípios que garantem suas configurações estético-formais. Neste sentido, as Unidade II e III apresentam os elementos e princípios do design, e como eles são aplicados no processo de criação. Vamos analisar as linhas, cores, formas, texturas, harmonia, contraste, equilíbrio, entre outros presentes nesse processo. Na Unidade IV encerraremos nossas discussões conhecendo os estilos e movimentos que originaram o design e como eles são aplicados até hoje no desenvolvimento criativo pelos designers. Bons estudos! 5 SUMÁRIO Movimentos e Estilos do Design Princípios do Design Elementos do Design Introdução ao Design UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 UNIDADE 4 Professor Me. Gabriel Coutinho Calvi INTRODUÇÃO AO DESIGN1UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 7 Plano de Estudos • Aspectos históricos do design; • O que é design?; • Áreas do design e o papel do designer; • Design emocional. Objetivos da Aprendizagem • Conhecer os aspectos históricos e constitutivos do design; • Compreender o que é design; • Apresentar as áreas de atuação do design bem como o papel do designer; • Analisar como o design emocional contribui para a construção de novos produtos. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 8 INTRODUÇÃO Oi, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa primeira unidade da disciplina de Fundamentos do Design. Acredito que, assim como eu, você deve estar com muitas expectativas para iniciar essa trilha de aprendizagem. Portanto, procure um lugar confortável e se acomode, porque vamos realizar uma introdução ao design a partir de agora. Hoje, a palavra design é utilizada como sinônimo para apontar o bom funcionamento ou a beleza de produtos e serviços, isso porque o design está presente em todas as áreas da nossa vida que vão desde o aparelho eletrônico que você está utilizando para ler nosso conteúdo, passando pelos móveis do ambiente e, até mesmo, o tipo da letra que escolhemos para escrever nossa apostila. Assim, podemos entender que o design vem para melhorar as nossas vidas, proporcionando comodidade, conforto, ergonomia,pois estão em um mesmo nível. A proporção e escala podem ser percebidas na moda também nos diversos tamanhos de mangas, babados, bolsos e entre outros elementos. No design de interiores e de produto, elas também podem ser percebidas pela amplitude dos ambientes e dos móveis e objetos que integram os espaços. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 56 No último tópico da nossa unidade sobre elementos do design vamos conhecer os elementos textura, padronagem, luz e cor e sua aplicação voltada para as áreas do design que estamos vendo no decorrer do nosso conteúdo, e reconhecer a importância desses mesmos elementos para a criação e desenvolvimento dos produtos. 4.1 Textura e Padronagem A textura é responsável por aguçar um dos sentidos. Um projeto de design é sempre composto de diferentes texturas e padronagens. Seja no design de moda, interiores ou produto “texturas podem ser visuais ou táteis, incluindo características físicas de superfície ou de aparência ótica dessa superfície” (TREPTOW, 2013). As texturas palpáveis afetam a maneira como uma peça é sentida pelas mãos, mas também afetam a aparência. Uma superfície lisa ou brilhante, por exemplo, reflete a luz de moda diferente de uma outra, porosa e fosca. A beleza da textura no design encontra-se com frequência na pregnância de sua justaposição ou contraste (LUPTON e PHILLIPS, 2008, p. 53). As texturas colaboram para estabelecer a relação entre indivíduo e objeto independentemente de quais são as técnicas utilizadas para representar a textura. No design de moda a textura pode ser notada através da superfície dos tecidos que podem ser rugosos, lisos ou ásperos; na aplicação dos aviamentos como tachas, botões, pedrarias entre outros e na aplicação de estampas. Já no design de interiores e produto, textura e padronagem ELEMENTOS DO DESIGN: VOLUME, DIMENSÃO, ESCALA E PROPORÇÃO4 TÓPICO ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 57 podem ser encontrados na superfície de mobiliários em geral e nos acabamentos feito nas paredes, chão e demais espaços. 4.1.1 Aplicação prática da textura e da padronagem Agora, vamos verificar através das Figuras 25 e 26 as aplicações da textura e da padronagem no design de moda, interiores e produto: FIGURA 25 - FACHADAS Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 26 - SÁRI INDIANO Fonte: PEXELS (2021) Na Figura 25, podemos analisar que os tijolos das fachadas dos prédios, além de apresentar um padrão de disposição nas fachadas, é possível observar visualmente a ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 58 presença a textura. O mesmo ocorre na Figura 26, em que temos um sári indiano, o bordado em pedrarias no tecido possui um padrão e nos permite verificar que existe uma textura. 4.2 Luz e Cor Nossos últimos elementos são luz e cor. Na verdade, os dois não existem separadamente. Dondis (1998, p.61) indica que “as variações de luz ou de tom sãos os meios pelos quais distinguimos oticamente a complexidade da informação visual do ambiente”. Dessa forma, pode-se dizer que a luz e cor estão presente em todas os objetos que o homem produz. A cor existe, literalmente, no olho do observador, pois só podemos percebê- la quando a luz é refletida por um objeto ou emitida por uma fonte. Nossa percepção da cor depende não apenas da pigmentação das superfícies em si como também da intensidade e do tipo da luz do ambiente. Mais que isso: percebemos uma determinada cor em função de outras cores em torno dela. Por exemplo, um tom claro parece mais claro contra um fundo escuro do que contra um pálido (LUPTON e PHILIPS, 2008, p. 71). Ao entender que luz e cor estão presentes em todas as coisas podemos observar de forma prática a sua aplicação no design de moda, interiores e produto, como explicitam as Figuras 27 e 28 do tópico 4.2.1 4.2.1 Aplicação prática da luz e da cor FIGURA 27 - FACHADA Fonte: PEXELS (2021). ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 59 FIGURA 28 - ESTILO COLOR BLOCK Fonte: PEXELS (2021). A partir das Figuras 27 e 28, vemos a aplicação das cores em nas áreas do design de moda e interiores, e sua importância para chamar a atenção visual e enfatizar criações. Com isso, podemos dizer que o elemento cor estará presente em todas as criações projetadas no universo do design. UNIDADE 2 ELEMENTOS DO DESIGN 60 REFLITA SAIBA MAIS A forma de um objeto não é mais importante que a forma do espaço em torno dele. Todas as coisas resultam da interação com outras coisas. Em música, os intervalos entre as notas são menos importantes que as próprias notas? Fonte: (LUPTON e PHILLIPS, 2008, p.85) Um bom de projeto de design deve compreender princípios e elementos que visem suprir as necessidades dos consumidores. O vídeo disponível no link abaixo aborda as características para um bom projeto de design. Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=upF9WferSmI Fonte: ARQUITETURA & DESIGN. Elementos e princípios para um bom projeto de interiores. Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=upF9WferSmI. Acesso em: 27 set. 2021. UNIDADE 2 ELEMENTOS DO DESIGN 61 Ufa! Quantos conceitos, não?! O que você está achando? Chegamos ao final da nossa segunda unidade! E 50% da nossa jornada no universo dos fundamentos do design está garantida. Espero que você tenha compreendido todos os conceitos trabalhados e curtido os exemplos! Vou te contar um pouco da minha experiência com esse conteúdo, quando eu era um estudante de design, e que tive essa disciplina, ficava empolgado em tentar aprender e diferenciar cada um desses elementos. No começo confesso que não foi fácil, mas jurei que aprenderia e, para isso, criei um caderno em que recortava de revistas roupas e objetos e procurava ler cada um deles com base nos elementos do design. Por que estou falando isso? Porque ao elaborar essa unidade, eu resgatei essa lembrança e trouxe a mesma dinâmica que deu certo para mim, quando era um estudante, para que você também conseguisse compreender e discernir cada um dos elementos estudados. Isso quer dizer que seus estudos não param por aqui! Vou escrever mais uma vez que: um designer só aprende e adquire repertório cultural/criativo pesquisando e construindo sua própria fonte/biblioteca de estudos. Por isso, ao finalizar a leitura da nossa unidade, vá em busca de outros exemplos e procure ler cada um deles. Isso ajudará muito na construção do seu conhecimento. Não existe receita mágica! Só se aprende elementos do design na prática, e ponto! Te vejo na nossa próxima unidade! Até lá! CONSIDERAÇÕES FINAIS ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 62 LEITURA COMPLEMENTAR O artigo disponível no link abaixo explora os elementos do design trabalhados em produtos de moda. Dessa forma, a autora traz exemplos práticos de elementos visuais e sua função no processo criativo na moda. Fonte: MENDES, L. de B. SANTOS, M. de O. Corpo Construído: Análise dos elementos do design trabalhados em produtos de moda. 13º Colóquio de Moda. Unesp, Bauru, 11 a 15 outubro de 2017. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 63 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: The art of design • Ano: 2017 • Sinopse: Esse documentário produzido pela Netflix e disponibilizado gratuitamente no canal do YouTube da empresa, narra o processo criativo nas mais diferentes áreas do design. O episódio escolhido discute sobre o processo criativo do designer de interiores. • Disponível na Netflix e no YouTube: https://www.youtube.com/ watch?v=5f7fHHEr_NA&list=PLuctemCzX-m4svPpBctWUp0oG__ Lhglq9&index=8 LIVRO • Título: Inventando Moda: planejamento de coleção • Autor: Doris Treptow. • Editora: Doris Treptow • Sinopse: é um guia prático para planejamento de coleção e desenvolvimento de produto de moda. A obra traz conceitos de moda e marketing com uma proposta de metodologia de trabalho segmentada a designers com uma ampla visão da dimensão de uma coleção, mix de produtos, pesquisa, design, desenvolvimento, promoção e comercialização de produtos de moda. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE2 Professor Me. Gabriel Coutinho Calvi PRINCÍPIOS DO DESIGN3UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 65 Plano de Estudos • Princípios do design: equilíbrio, contraste e harmonia; • Princípios do design: repetição e ritmo; • Princípios do design: gradação e radiação; • Princípios do design: foco visual. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a relevância dos elementos do design para o desenvolvimento de produto; • Analisar a aplicabilidade dos elementos do design para o design de moda, interiores e gráfico. PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 66 E aí pessoal, tudo bem? Chegamos na terceira unidade da nossa disciplina de Fundamentos do Design. O que você está achando da caminhada até aqui? Está conseguindo praticar a leitura do material? Lembre-se que nossas discussões são, também, uma provocação para que você se sinta motivado a ir em busca de aprofundamento. Essas atualizações constantes do conhecimento é que o tornará um bom profissional em design. Vamos ao que interessa! Pegando gancho na segunda unidade que trabalhou os elementos do design, vamos ampliar nossos conhecimentos descobrindo que os designs de moda, de interiores e de produto, são formatados a partir dos princípios do design que visam atrair visualmente o consumidor. É por isso, que durante o processo criativo para o desenvolvimento de novos produtos, o designer desenvolve pesquisas visuais para construir seu repertório de inspiração. Você pode estar se perguntando, mas ao criar eu preciso, obrigatoriamente, inserir esses princípios do design em minhas criações? A resposta é não! Os princípios do design, assim como os elementos, podem ser inseridos de forma intencional ou não intencional. Isso quer dizer, que o designer deve distinguir cada um deles para saber reconhecê-los e perceber o porquê alguns produtos chamam mais a atenção que outros. E quais são esses princípios? Nos tópicos da nossa unidade vamos conhecer os princípios do equilíbrio, harmonia, contraste, repetição, ritmo, gradação, radiação e foco visual. E, assim como na segunda unidade, vamos analisar as figuras com aplicações práticas dos princípios do design. Vamos começar?! Espero que você curta o conteúdo! Bons Estudos! INTRODUÇÃO PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 67 Entre os diversos trabalhos que o design desenvolve a manipulação e alfabetização de imagens é um deles. As imagens são a forma do designer expressar sua criação e, partir dela, transmitir uma imagem que vai além dos objetivos de consumo. Dessa forma, alfabetizar-se visualmente é fundamental para o designer edificar seu trabalho projetual. Dentro desse trabalho, está a manipulação dos princípios do design, que exerce uma força atrativa nas pessoas que entram em contato com os produtos seja para apreciá-los ou para consumi-los. A respeito dos princípios do design, Treptow (2013) conceitua: Os princípios do design são a principal ferramenta para dirigir o foco de atenção em uma criação de moda. O designer pode agir sem consciência de que esteja fazendo uso de princípios do design, mas estes estão sempre presentes, mesmo quando em forma de negação. Chamamos de sensibilidade estética o talento em dispor os elementos do design respeitando ou contrariando seus princípios. (TREPTOW, 2013, p. 129). É importante dizer que o percurso do processo de criação o designer não precisa pensar nos princípios que utilizará para criar seus produtos, eles simplesmente vão surgindo de forma natural. Os princípios do design são, portanto, uma forma de organizar as principais características constituem os produtos, seja do design de moda, interiores ou produto, de forma a trazer benefícios visuais às pessoas. Como princípios temos: Repetição, equilíbrio, contraste, harmonia, ritmo, gradação, radiação e foco visual. Veremos todos eles a seguir: PRINCÍPIOS DO DESIGN: EQUILÍBRIO, CONTRASTE E HARMONIA1 TÓPICO PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 68PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 1.1 Equilíbrio No primeiro momento quando pensamos em equilíbrio já imaginamos alguma coisa que tenha peso iguais. O princípio do equilíbrio no design remete a simetria ou assimetria, ou seja – a forma como uma roupa ou ambiente se apresenta. Sobre esse princípio Treptow (2013) menciona que o equilíbrio é a distribuição do peso e da importância visual dos elementos do design. Gomes Filho (2009) confirma: É uma configuração que dá origem a formulações visuais iguais, ou seja, as unidades de um lado são idênticas às do outro lado. Ou ainda, dentro de um certo relativismo, pode-se considerar também como equilíbrio simétrico lados opostos que, sem serem exatamente iguais, guardem uma forte semelhança. (GOMES FILHO, 2009, p. 59). Um exemplo é a imagem que abre o nosso subtópico 1.1 e apresenta o interior de um edifício que possui escadas rolantes. Se traçarmos uma linha na vertical que corta a imagem ao meio, notamos que um lado é semelhante ao outro. Ou seja, temos pesos iguais e, devido a isso, temos um ambiente simétrico. É importante frisar que analisar imagens de ambientes, looks ou produtos é preciso verificar o todo e não somente as partes, tudo bem? Ao compreendermos o conceito de equilíbrio podemos analisar suas aplicações no design de moda, interiores e produtos. 1.1.1 Aplicação prática do equilíbrio Como aplicação prática o equilíbrio pode ser observado em todos os produtos, já que ele tem como preceito analisar se estes possuem pesos visuais iguais ou diferentes. As Figuras 1, 2, 3 e 4 apresentam exemplos de equilíbrio simétrico e assimétrico: FIGURA 1 - VESTIDO PRETO Fonte: PEXELS (2021) 69PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 2 - VESTIDO COLORIDO Fonte: PEXELS (2021) As Figuras 1 e 2 explicitam uma aplicação prática do princípio do equilíbrio. Na Figura 1, temos um vestido preto. Ao traçarmos uma linha vertical que corta o look ao meio, verificamos que, o lado esquerdo é igual ao lado direito e, portanto, temos o princípio do equilíbrio simétrico. O contrário é observado na Figura 2; ao traçarmos uma linha vertical que corta o look ao meio, verificamos que o lado esquerdo é diferente do direito e, portanto, temos a presença do equilíbrio assimétrico no look. Agora, vamos observar as Figuras 3 e 4 que apresentam ambientes de interiores. FIGURA 3 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021) 70PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 4 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021) A Figura 3, apresenta o princípio do equilíbrio simétrico pois ao traçarmos uma linha na vertical, verificaremos que ambos os lados, esquerdo e direito, são iguais. Diferente da Figura 4 que possui pesos visuais diferentes já que o lado direito é diferente do lado esquerdo e, portanto, temos um equilíbrio assimétrico. 1.2 Contraste Esse princípio volta-se para basicamente para as cores e texturas. Duas cores quentes e fortes causam esse efeito, dois tipos de texturas como um tecido pesado e um tecido leve ou um áspero e outro liso, também dão a sensação de contraste. Sobre esse princípio, Treptow (2013, p. 130) colabora ao dizer que o contraste faz com que o olhar humano divida seu foco de atenção sobre duas áreas, avaliando a qual delas dar maior importância”. Gomes Filho (2009) teoriza: A importância e o significado do contraste começam no nível básico da visão pela presença ou ausência de luz. É a força que torna visível as estratégias da composição visual. É de todas as técnicas a mais importante para o controle visual de uma mensagem [...] é também um processo de articulação visual e uma força vital para a criação de um todo coerente. (GOMES FILHO, 2009, p. 62). A partir dessa conceituação podemos analisar as aplicações práticas do contraste nos designs de moda, interiores e produto como explicita nosso subtópico: 71PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 1.2.1 Aplicação prática do contraste As Figuras 5 e 6 apresentam exemplos práticos da aplicação do contraste no design de moda e interiores/produtos. FIGURA 5 - LOOKCOLOR BLOCK Fonte: SHUTTERSTOCK (2021) No look da Figura 5, podemos notar o princípio do contraste nas cores do look que possui bolsa e blusa amarela, blazer vermelho e calça branca. Esse jogo de cores fortes provoca o impacto visual no observador. FIGURA 6 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021) 72PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 O mesmo efeito se aplica na sala de estar da Figura 6, o princípio do contraste é percebido nos sofás e parede azuis que contrastam com as almofadas e poltrona amarela. Nessa altura da nossa unidade você pode estar se perguntando: “Professor, só existe um princípio do design em cada ambiente, produto ou look?” A resposta é não! Em um ambiente é possível detectar mais de um princípio do design, como, também, mais de um elemento do design! Lembram dos elementos que vimos na unidade anterior? Pois é, podemos encontrá-los nos exemplos dessa unidade também! Desafio você a distinguir os elementos do design em cada aplicação prática que fizermos nessa unidade. 1.3 Harmonia O princípio da harmonia é muito parecido com o equilíbrio, com a diferença que ele trabalha com a disposição dos elementos que constituem um todo. A harmonia causa ainda uma sensação de unificação, ou seja, todas as partes de um look, ou de um ambiente, se unem e formam um todo bem definido. Gomes Filho (2009, p. 51) explica este princípio: A harmonia diz respeito à disposição formal, bem-organizada e proporcional no todo ou entre as partes de um todo. Na harmonia plena, predominam os fatores de equilíbrio, de ordem e de regularidade visual inscritos em um objetivo ou numa composição, possibilitando, geralmente, uma leitura simples e clara. A imagem de abertura do nosso subtópico 1.3 expõe como o princípio da harmonia pode ser percebido. Temos uma praia de areia marrom em que a água e a areia criam uma harmonia que visualmente se integram uma na outra. Com base nesse exemplo, vamos compreender a aplicação prática do princípio da harmonia. 1.3.1 Aplicação prática da harmonia Ao conceituarmos a harmonia, não podemos ter em mente que ela vai se referir apenas às cores e espaços monótonos e simples, pelo contrário, podemos ter a harmonia em diversos espaços e look. As Figuras 7, 8, 9 e 10, apresentam as diferentes aplicações: 73PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 7 - LOOK HARMÔNICO Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 8 - LOOK HARMÔNICO Fonte: PEXELS (2021) Na Figura 7, podemos analisar a presença da harmonia nas cores do look da modelo que possuem a mesma tonalidade. O mesmo princípio pode ser visto na Figura 8 que contém um look estampado. As cores e disposição das estampas são unificadas de forma coerente podendo ser analisada de forma harmônica em seu todo. 74PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 9 - COZINHA MINIMALISTA Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 10 - SALA ESTILO VITORIANO Fonte: PIXABAY (2021) Nos ambientes das Figuras 9 e 10 analisamos o princípio da harmonia em diferentes aplicações. A harmonia é percebida na Figura 9 através da utilização das cores e dos materiais que constituem o ambiente e garante essa unificação visual, já na Figura 10, mesmo sendo um ambiente mais complexo visualmente e com muitas informações, existe uma coerência na forma de ser exposto/apresentado. Ou seja, todo o mobiliário e cores provocam uma unificação visual e, consequentemente, acabam sendo harmônicos. 75PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 Como está sua compreensão até aqui? Está conseguindo acompanhar a aplicação prática dos princípios expostos? Lembrando que só é possível aprender a ler/interpretar ambientes, looks e produtos praticando! Nos próximos tópicos vamos conhecer mais princípios do design. 76 Vamos prosseguir com os estudos sobre os princípios do design? Neste tópico, vamos discutir sobre os conceitos e aplicações práticas dos princípios da repetição e do ritmo. E para começar, a imagem que abre o nosso tópico já ilustra de forma irreverente como que os nossos olhos podem detectar a repetição, através de uma sequência ordenada de coisas aqui, no caso, bananas! 2.1 Repetição O princípio da repetição manifesta-se de diversas formas no design, desde a simples repetição visual de botões, passando pela repetição de estamparias, ou efeitos na modelagem. No design de interiores/produtos, a repetição pode ser encontrada em uma escada, na repetição de objetos, nos padrões do papel de parede ou nos sofás e poltronas. Leborg (2015, p. 40) orienta que a repetição é observada “quando diversos objetos com uma mesma característica são dispostos em uma composição”. A partir desses conhecimentos vamos conhecer a aplicação prática dos princípios da repetição e do ritmo nos looks e ambientes. 2.1.1 Aplicação prática da repetição A partir da definição do princípio da repetição vamos verificar sua aplicabilidade no design de moda, interiores/produtos. As Figuras 11 e 12, ilustram as aplicações práticas: PRINCÍPIOS DO DESIGN: REPETIÇÃO E RITMO2 TÓPICO PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 77PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 11 - LOOK COM LISTRAS Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 12 - MAIÔ COM ESTAMPA ANIMAL PRINT Fonte: PEXELS (2021) Na Figura 11, temos na camisa do modelo uma sequência de listras que se repetem de forma ordenada e que provam o princípio da repetição. Já na Figura 12 observamos uma mesa que possui cadeiras, pratos, talheres, guardanapos e demais objetos que se repetem de forma ordenada e espaçada e cujo princípio da repetição pode ser detectado. 2.2 Ritmo O ritmo pode acontecer de diversas formas, desde a sequência de botões que se multiplicam, em um casaco ou vestido, de forma padronizada, ou em uma estampa que também possui um padrão. No design de interiores também não é diferente, o ritmo pode 78PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 vir desde cores que respeitam um padrão, passando por uma escadaria, até chegar na fachada de um edifício. Lupton e Philips (2008, p. 29) sobre o ritmo vai dizer que é um “padrão forte, constante e repetido, assim como o toque dos tambores, o cair da chuva, os passos no chão”. Sendo assim, o ritmo e o princípio do equilíbrio trabalham juntos para criar algo com vida e repleto de estabilidade. Na imagem de abertura do nosso tópico 2.2 podemos observar o princípio do ritmo na organização visual das janelas que estão dispostas de duas em duas. Além do princípio do ritmo também temos a repetição que segue a mesma proposta. 2.2.1 Aplicação prática do ritmo As Figuras 13 e 14 ilustram de forma prática a presença do ritmo no design de interiores/produto e moda, respectivamente. Vamos analisá-las a partir de agora: FIGURA 13 - QUARTO Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 14 - TRENCH COAT 79PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 Fonte: SHUTTERSTOCK (2021) Na Figura 13, observamos o princípio do ritmo na parede do quarto, feito a partir de tijolos de decoração. A disposição tanto superior, quanto inferior dos tijolos possuem uma sequência ordenada onde é possível perceber qual vai ser a próxima ordenação dos tijolos, portanto, é nesse efeito visual que está o ritmo. O mesmo princípio podemos observar no look da Figura 14, temos a organização dos botões que se dispõem de forma dupla no trench coat, essa ordenação provoca o princípio do ritmo. 80 Iniciando mais um tópico, vamos conhecer dois princípios que podem provocar o desenvolvimento de produtos com uma estética mais complexa, porém, bonita e que preenche os olhos dos observadores. Eles são os princípios da Gradação e da Radiação. 3.1 Gradação O princípio da gradação se assemelha muito com o princípio da repetição com uma diferença em particular, na gradação nós temos uma evolução crescente ou decrescente na padronagem seja das roupas ou dos componentes de um ambiente. Treptow (2013) sobre a gradação diz: É uma repetição complexa, em que cada vez que o padrão se apresenta com uma dimensão maior ou menor que a anterior e em sequência. Os tecidos degradês são um exemplo degradação, pois as cores apresentam-se em maior concentração nas extremidades, diminuindo em intensidade à medida que se aproximam. (TREPTOW, 2013, p. 129). Por repetição complexa, entende-se essa ordem que indica ser crescente e/ou decrescente que detectamos em roupas, mobiliário, ambientes entre outros. (TREPTOW, 2013), e a partir disso, vamos conhecer a aplicabilidade do princípio da gradação. 3.1.1 Aplicação prática da Gradação Podemos encontrar a Gradação na forma dos materiais/produtos ou através das cores que provocam um efeito conhecido como degradê. As Figuras 15 e 16 apresentam, PRINCÍPIOS DO DESIGN: GRADAÇÃO E RADIAÇÃO3 TÓPICO PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 81PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 respectivamente, um ambiente e um look de moda onde podemos detectar na prática a gradação. FIGURA 15 - SALA ESTILO VITORIANO Fonte: PEXELS (2021). Na Figura 15, podemos observar as escadarias de um hall de entrada. A repetição dos degraus, que de cima para baixo, acontecem de forma crescente é o que chamamos de gradação. FIGURA 16 - VESTIDO DE NOIVA Fonte: SCHUTTERSTOCK (2021). Na Figura 16, a Radiação pode ser observada na saia do vestido de noiva da modelo. O volume crescente que sai da altura da cintura da modelo até o chão, acontece de forma crescente e, portanto, se enquadra neste princípio. 82PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 3.2 Radiação O efeito da Radiação pode parecer, em um primeiro momento, com a Gradação, mas, esse princípio não possui ligação direta com a radiação, pois sua intenção segundo Treptow (2013) é trabalhar com linhas que tem um único ponto como referencial. Um exemplo prático para fixar é a radiação do Sol – um único ponto (o sol) emite raios que saem dele e se espalham por todos os lugares – a radiação provoca o mesmo sentido. No design de moda Treptow (2013) reforça que a radiação é frequentemente utilizada nos efeitos de drapeados e franzidos, que geram linhas em um ponto de origem, mas seguem direções distintas. No caso do ambiente, a radiação está presente no teto, ou seja, de uma única viga saem todas as outras e vão para direções opostas. 3.2.1 Aplicação prática da radiação A partir do conceito de radiação, observamos a aplicação prática no design de moda e interiores, nas Figuras 17 e 18 a seguir: FIGURA 17 - TETO CATEDRAL Fonte: PEXELS (2021) 83PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 FIGURA 18 - LOOK Fonte: PEXELS (2021) Na Figura 17, observamos um teto estilo catedral com várias linhas (vigas) que saem de um único ponto do teto. Esse efeito provoca a ideia do princípio da radiação, quando falamos de um ponto de partida da qual saem outras linhas, já na Figura 18, observamos a radiação provocada pelas linhas do efeito drapeado da blusa da modelo que saem de uma única linha que corta a blusa. A partir desses exemplos é possível detectarmos os princípios da radiação e da gradação nos designs de moda e interiores/produtos. 84 O foco visual está ligado à nossa percepção visual e como olhamos para as coisas. Gibbs (2015) vai dizer que as pessoas têm interesse por um ponto dentro de uma composição, essa ênfase visual acontece de diversas maneiras. Como designers, podemos trabalhar o foco visual a favor das criações de moda e interiores, enfatizando algum elemento que se deseja apresentar, isso proporciona riqueza de detalhes e, em desfiles de moda e exposições de interiores, as pessoas esperam ver fatores surpresas como estes. 4.1 Aplicação prática do foco visual Conhecendo o conceito de foco visual, analisamos as Figuras 19 e 20 que apresentam, respectivamente, exemplos do design de moda e interiores. FIGURA 19 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021) PRINCÍPIOS DO DESIGN: FOCO VISUAL4 TÓPICO PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 85UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DO DESIGN Na Figura 19, da sala de estar, o foco visual está no sofá e puff de cor azul que se destaca das demais cores do ambiente. Logo, ao olharmos para a imagem a primeira coisa que se destaca é a cor e, portanto, aqui temos o princípio do foco visual FIGURA 20 - LOOK DE MODA Fonte: PEXELS (2021) Ao olharmos para a Figura 20, da modelo com óculos e T-shirt, a primeira coisa que vemos, antes de ver o todo, é a estampa da camiseta, ele é o destaque dentro da imagem – só depois conseguimos olhar a imagem por inteiro e os demais detalhes. Assim, com esses exemplos, conseguimos analisar todos os princípios do design e sua aplicação prática em cada uma das áreas que o design atua. Agora é sua vez de praticar! 86 REFLITA SAIBA MAIS O princípio do equilíbrio atua ainda na relação entre tops e botttoms, (parte de cima e parte de baixo), quando o corpo é dividido por um eixo imaginário horizontal no nível da cintura. Nesse caso, o equilíbrio é obtido compensando-se com maior riqueza de detalhes a parte superior, cuja área na figura é proporcionalmente menor que a inferior. Fonte: Treptow, 2013, p.131. A tendência de moda, muito conhecida nos anos 80, chamada de color block é um bom exemplo da utilização do contraste. Tínhamos mais de uma cor forte compondo o visual e isso atraía os olhares de quem olhava. Fonte: O autor (2021). UNIDADE 3 PRINCÍPIOS DO DESIGN 87 Chegamos ao final de mais uma unidade! Tenho certeza de que você já não tem mais as mesmas ideias que tinha quando começou a estudar os conteúdos apresentados na nossa disciplina. E isso é muito bom, só prova que você está se aprofundando no universo do design e sendo lapidado para se tornar um excelente design, certo? E o que levamos de conhecimento da nossa terceira unidade? Que os princípios do design são ferramentas poderosas para construir um projeto em design, independente se ele for um produto de moda, interiores ou produto. Princípios do design atraem o olhar dos consumidores e são responsáveis por prender a atenção, mesmo que o consumidor não saiba quem são eles! Seja o equilíbrio, contraste, harmonia, gradação, radiação ou qualquer outro, nossa missão é conhecê-los para que o nosso processo criativo seja rico e garanta um elo entre consumidores e produtos. Portanto, seus estudos não podem, e nem devem, parar por aqui! Agora é sua vez procurar livros, revistas, pesquisa em sites, museus de arte entre tantas outras fontes, inspiração para se alfabetizar visualmente e produzir produtos com densidade e significado. E aí? Aceita o desafio de continuar pesquisando? Mãos à obra! Te vejo na próxima unidade! Abraço, Prof. Gabriel CONSIDERAÇÕES FINAIS PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 PLANO DE ESTUDO 88 Criatividade e Design: uma análise da habilidade criativa no processo projetual RESUMO: O artigo aborda o tema criatividade no que se refere à sua expressão conceitual na área do Design. Este último, por ser um processo extremamente criativo, neste estudo reflete a importância de entender ou mesmo relacionar o que envolve a criatividade nesse campo, principalmente por uma análise ao sentido prático deste processo. Com o objetivo de relacionar o conceito e habilidades da criatividade em geral, direcionado, portanto para a prática do design de produto é investigada a ocorrência do ato criativo no processo projetual, assim como técnicas de geração de ideias, obstáculos comuns a este processo e meios de lidar com eles e ainda os níveis do processo criativo e suas particularidades. A envolvente reflexão sobre a criatividade na prática do design se torna ainda mais interessante ao percebê-la como uma habilidade de possível crescimento e aprimoramento. A capacidade criativa mostra-se, dessa forma, e não como algo estático, por estar amplamente ligada ao repertório cultural do indivíduo. Entender todas as peculiaridades desta habilidade, bem como o modo em que ocorrem os níveis criativos, proporciona ao designer um maior controle dos caminhos que a mente percorre no processo projetual. O artigo encontra-se no link: https://core.ac.uk/works/70621704/ Fonte: ROHENKOHL, R. A. S. Criatividadee Design: uma análise da habilidade criativa no processo projetual. Unoesc & Ciência – ACSA, Joaçaba, v. 3, n. 1, p. 45-54, jan./jun. 2012 PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 89 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: 10 princípios do bom design • Ano: 2014. • Sinopse: O vídeo a seguir é Dieter Rams, um dos maiores designers industriais dos últimos tempos, ele vai dizer quais são as 10 características para se produzir um bom design. • Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=oS7TL_ xp8F4 LIVRO • Autor: João Gomes Filho. • Editora: Escrituras. • Sinopse: O livro de João Gomes Filho é um manual completo sobre os princípios e elementos do design aplicado de diferentes formas, e nas mais diversas áreas do design. É uma ótima indicação para aprofundar seus estudos acerca do design e da organização visual que ele produz no desenvolvimento criativo de moda. PRINCÍPIOS DO DESIGNUNIDADE 3 Professor Me. Gabriel Coutinho Calvi MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGN4UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 91 Plano de Estudos • Estilos: Clássico, provençal, contemporâneo/moderno; • Estilos: Minimalista, maximalista, retrô e vintage; • Movimentos do design: arts ands crafts e art noveau; • Movimentos do design: art deco. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a constituição histórica e especificidades dos estilos e movimentos do design MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 92 A quarta unidade da nossa disciplina de Fundamentos do Design vai fazer você mergulhar no universo do estilo e dos movimentos do design. Enquanto escrevo nossa introdução, fico pensando no quão importante é para um designer saber distinguir os estilos e movimentos ligados ao design, para compreender melhor àquilo que os consumidores/ clientes precisam. Vou mais fundo! Imagina iniciar um projeto, seja ele de moda, interiores ou produto, e não conhecer nada sobre estilo ou sobre a influência do design para criar um projeto ou produto?! Não seria possível, certo? É por isso que nesta unidade você vai conhecer alguns estilos que mais aparecem em projetos de design como o clássico, contemporâneo, provençal, minimalista entre outros. A partir dos exemplos que vamos analisar, conseguiremos distinguir as especificidades de cada um eles e, com isso, vamos aumentar nosso repertório de criação. Além dos estilos, veremos também quais os primeiros movimentos do design que surgiram após a revolução industrial e a produção seriada dominarem o mercado. Vamos compreender que os movimentos como o arts and crafts, art noveau e art decó, contribuíram fortemente para que o trabalho manual recebesse um status de exclusividade, valorizando o designer como profissional. A partir de todos esses conhecimentos, espero que você se sinta motivado para aprofundar suas pesquisas entre um tópico e outro conhecendo um pouco mais sobre esses estilos e movimentos e, também, para descobrir outros movimentos que vieram depois e que tiveram grande relevância para a história do design e para o amadurecimento do designer enquanto profissional capaz de transformar a vida das pessoas. Bons estudos! INTRODUÇÃO MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 93 Em diversos momentos da sua vida, ao procurar uma roupa, um acessório, um móvel ou qualquer outro objeto que gostou, você já deve ter usado como justificativa para não levar um produto a seguinte frase: achei bonito, mas não é o meu estilo! As pessoas utilizam muito essa expressão seja com elas mesmo, ou para dizer a outras pessoas que elas possuem uma identidade firmada e, devido a isso, algumas coisas não trazem harmonia para suas vidas, para sua forma de vestir, decorar a casa, ou de se posicionar socialmente e culturalmente. Mas afinal, o que é estilo? Segundo Linke, Calvi e Bem (2020, p. 42): O estilo é fundado por elementos que particularizam roupas, acessórios, arquiteturas, layouts entre outros. E que se destaca dos demais, pois, possui uma série de códigos de identificação que são facilmente reconhecidos e associados ao estilo ao qual pertencem. Dessa forma, o estilo é uma forma de reconhecer o contexto histórico, os materiais, processo criativo e de agregar valor ao produto. A partir disso, neste tópico vamos conhecer os estilos clássico, provençal, contemporâneo/moderno, minimalista, maximalista, retrô e vintage. ESTILOS: CLÁSSICO, PROVENÇAL, CONTEMPORÂNEO/MODERNO1 TÓPICO MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 94MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 1.1 Estilo Clássico O estilo clássico é marcado por elementos de requinte e elegância, assim como se apresentam as imagens acima. Nesse estilo, as cores podem ser variadas, desde tons escuros como o vinho, até cores claras e que resgatam nobreza. Silva (2017) apud Rosenfeld e Guinsburg (1978) falam que a origem do termo clássico pressupõe preceitos da arte grega e a tornam padrão do estilo. Esse tipo de nomeação teve mais relevância durante o período do renascimento, quando resgataram as características do comportamento grego. Devido a esse fator histórico, candelabros, cadeiras, lustres, corrimão, portas e uma infinidade de objetos possuem como atributo motivos florais, linhas curvas, arabescos e outros que são fáceis de serem decodificados como pertencentes ao estilo clássico. A partir da definição do estilo clássico, vamos analisar a aplicação do estilo clássico no design de moda, interiores e produto. As Figuras 1 e 2 apresentam os exemplos: FIGURA 1 - TERNO FEMININO Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/beautiful-fashion-woman-full-length-portrait-1766265995 FIGURA 2 - SALA DE ESTAR Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/luxurious-interior-50679316 95MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 Na Figura 1, observamos uma mulher vestindo um terno feminino, esse look remete ao estilo clássico. Como característica do estilo clássico para o design de moda temos que este estilo não foca em tendências, é conservador, elegante e traz peças com conceito de alfaiataria e tecidos de seda, linho entre outros. Na Figura 2, observamos essa sala de estar com todo o requinte e elegância. Além disso, como característica do estilo clássico para o design de interiores/produto, nota-se que ele trabalha com cores como vermelho, dourado e tons pastel. As linhas são mais rebuscadas e traz detalhes com motivos florais e arabescos como observamos no abajur. 1.2 Estilo Provençal A identidade mais forte do estilo provençal é o romantismo, o nome provençal deriva de Provença, uma região da França ligado a nobreza, requinte e belas paisagens. Os elementos mais fortes desse estilo na moda são os babados, as estampas florais, as linhas curvas e a cartela de cores que explora os tons claros em geral. No design de interiores temos os mesmos códigos aplicados aos móveis, papéis de parede e construções em geral. A partir dessas definições, analisamos as Figuras 3 e 4 que trazem exemplos do estilo provençal: FIGURA 3 - VESTIDO DE FESTA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/summer-portrait-young-beautiful-lady-wearing-607849496 96MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 4 - QUARTO Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/luxury-bedroom-nice-decoration-190678676 Na Figura 3, analisamos no vestido as características do estilo provençal a começar pela cor do vestido que é rosa, pelo drapeado da saia rodada e pelo decote em formato de coração. Já no quarto da Figura 4, verificamos o estilo romântico no papel de parede em motivo floral, nas linhas curvas da cabeceira que também apresenta estampa floral, na mesa de cabeceira com cantos arredondados e puxadores desenhamos, assim como no abajur que está sobre a mesinha. 1.3 Estilo Moderno/Contemporâneo Ao pensarmos em algo moderno construímos em nossas mentes ambientes grandes, uma cartela de cores que mistura branco e preto, linhas retas e formas geométricas bem definidas. Essa imagem que temos unida ao que Dormer(1990) diz sobre o estilo moderno colabora no entendimento do estilo: [...] O Estilo Moderno (modern style), sobretudo no que se refere ao mobiliário e serviços de mesa, tem linhas finas, depuradas e é, frequentemente, rematado a metal. Podemos dizer que esse estilo recebeu um impulso considerável da Bauhaus, lançada pelo arquitecto Walter Gropius (1883-1969) em Weimar, na Alemanha, em 1919; em 1925, mudou-se para Dessau e o design industrial desenvolveu-se como disciplina autónoma. (DORMER, 1990, p. 128) O estilo moderno está ligado a tecnologia e a novos tipos de matéria-prima para o desenvolvimento de produtos, pensando na execução do projeto e visando sua funcionalidade e utilidade, garantindo a clareza visual composta pelo cenário moderno. Ressaltando os aspectos modernos na moda, temos as mesmas regras – logo, as roupas do estilo moderno exploram a tecnologia em novos tipos de tecidos e aviamentos, valorizando as formas simples e de fácil assimilação. As Figuras 5 e 6 indicam exemplos no design de moda e interiores: 97MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 5 - LOOK MODERNO Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/parisoctober-4-2016-dutch-trendwatcher-linda-711480847 FIGURA 6 - SALA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/stylish-interior-design-neutral-modular-sofa-1929872726 Ao analisar as Figuras 5 e 6, podemos perceber que tanto no ambiente de interiores quanto no look que a mulher utiliza, temos cores sóbrias linhas simples atribuídas pela forma dos objetos e das roupas, características dos materiais utilizados, mistura de peças e texturas que configuram as imagens ao estilo moderno. Além disso, esse estilo está ligado as tendências tanto de moda quanto de interiores. Fim do primeiro tópico! Tudo bem? Como estão seus estudos? Agora é hora de praticar! Continue pesquisando exemplos para fixar o que vimos até aqui. 98 ESTILOS: MINIMALISTA, MAXIMALISTA, RETRÔ E VINTAGEM2 TÓPICO MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 Este tópico apresenta as especificidades dos estilos minimalista, maximalista, retrô e vintage, com exemplos práticos a partir da análise de Figuras. 2.1 Estilo Minimalista A regra geral do estilo minimalista é a simplicidade ou em inglês less is more (menos é mais). É na década de 60 que o minimalismo surge com força em um movimento que preza pela clareza visual e pelo arranjo simples dos produtos em geral (CALDAS, 1999). A partir disso, explicita-se o contexto histórico do surgimento do minimalismo: Buscavam uma postura universal na arte, justificando suas formas geométricas e materiais industriais como sendo universais, e de apreensão quase que instantânea por qualquer cultura ou pessoa, onde a pessoa abstraia de instantâneo o sentimento proveniente da combinação de certo espaço, cor e material. Por esse motivo muitas vezes executavam trabalhos com linhas decididas, numa gestalt extremamente forte, ausência de adornos e qualquer informação supérflua para a pura apreciação de determinada obra (FERREIRA, 2008, p. 03). Dessa forma, o minimalismo é empregado por designers de moda, interiores, produto e por todos aqueles que defendem a simplicidade. Além de influenciar a criação de produtos, o estilo minimalista também se torna um recurso para promover atitudes sustentáveis, buscando reduzir os impactos ambientais nas formas de viver e de consumo. Como características do estilo minimalista temos uma cartela de cores sóbrias como branco, 99MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 cinza e tons pastel, utilização de linhas simples, retas e curvas, assim como apresentam as Figuras 7 e 8: FIGURA 7 - COZINHA MINIMALISTA Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/cadeiras-e-mesa-pretas-e-brancas-6283960/ FIGURA 8 - LOOKS MINIMALISTAS Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/vestuario-vestimenta-indumentaria-roupa-6626999/ A cozinha da Figura 7, apresenta cores sóbrias como o branco e o preto, linhas retas nos móveis e na arquitetura dos móveis e linhas curvas nos pendentes, além da clareza visual. Na Figura 8, observamos looks que seguem a mesma proposta, cores simples, linhas retas e clareza visual. É válido ressaltar, que as cores não precisam ser, obrigatoriamente, sóbrias para caracterizar como parte do estilo minimalista. A imagem do ambiente que abre o nosso 100MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 tópico 2, apresenta estilo minimalista mesmo que a cor predominante do ambiente seja o rosa. 2.2 Estilo Maximalista Diferente do estilo minimalista, o maximalismo trabalha com complexidade visual e riqueza de detalhes dos produtos. Esse estilo é observado principalmente na década de 90 e, segundo Caldas (1999, p. 108) “encontra espaço como uma espécie de antídoto ao extremo nivelamento das propostas minimalistas”. Dessa forma, o maximalismo trabalha o exagero tanto no design de moda, quando no design de interiores e produto. Neste ponto, cabe salientar que mesmo o maximalismo estar ligado ao exagero, ele não é totalmente oposto ao viés sustentável que o minimalismo traz consigo. É possível criar produtos maximalistas focando na sustentabilidade. As Figuras 9 e 10 trazem exemplos do maximalismo. FIGURA 9 - LOOK MAXIMALISTA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/rihanna-attends-2017-metropolitan-museum- art-655010689 101MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 10 - BIBLIOTECA MAXIMALISTA Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/golspie-scotland-aug-2018beautiful-old-style-1406760776 Na Figura 9, podemos notar o maximalismo presente no look da cantora Rihanna devido a sua complexidade visual, ou seja, as informações de cores, estampas, recortes e texturas que visualmente se torna difícil de visualizar em um primeiro momento. Já na Figura 10, temos uma biblioteca/escritório de estilo maximalista que segue a mesma proposta. A quantidade de objetos, junto com as cores dos livros e do mobiliário, torna o ambiente difícil de ser interpretado em um primeiro momento. 2.3 Estilo Retrô e Vintage A primeira impressão que temos é que as palavras vintage e retrô são utilizadas para referenciar coisas antigas. Essa ideia não está totalmente errada, entretanto, a definição de vintage é diferente da definição de retrô. Rohenkohl (2011) aponta no esclarecimento das terminologias: [...] Vintage é o objeto que foi do passado, incorporado no repertório atual. É um fato muito presente do segmento da moda; [...] retrô: é o objeto produzido hoje, inspirado nas características formais do estilo do passado, com processos de fabricação atuais. De modo geral, indica em uma peça algumas características do passado, ou seja, envolve uma reciclagem de estilos. (ROHENKOHL, 2011, p.151). O objeto vintage é o objeto real, é como pegar um rádio de trinta anos atrás e utilizá-lo na atualidade ou, como diz a teoria, incorporá-lo a moda atual. É por isso que os produtos vintage são extremamente difíceis de serem encontrados, dado ao seu caráter de originalidade. Logo, quando alguém se referir a alguma roupa ou a um objeto dizendo que 102MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 que ele é vintage, provavelmente será a peça real com mais de 20 anos de existência. As Figuras 11 e 12 apresentam objetos vintage do design de moda, interiores e produto: FIGURA 11 - TELEFONE VINTAGE Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ligar-chamar-chamada-ligacao-6975997/ FIGURA 12 - VESTIDO POÁ VINTAGE DÉCADA DE 60 Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-beautiful-sexy-woman-pin-style-1862686090 No caso do estilo retrô temos o contrário, ele é um produto ou uma peça de roupa produzido atualmente, mas com referências do passado. Dessa forma, posso criar um rádio moderno com um design de uma vitrola que remete às décadas passadas e denominá-la de retrô. As Figuras 13 e 14 explicitam objetos retrô: 103MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 13 - TELEFONE RETRÔ Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-com-vestido-de-bolinhas-sentada-na-grama-verde-fazendo- piquenique-3968442/ FIGURA 14 - VESTIDO POÁ RETRÔ Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/telefone-de-base-vermelho-em-superficie-de-madeira- marrom-209663/ Dessa forma, conseguimos distinguir os estilos do design e aprender um pouco mais como os elementos estudados até esta unidade estão conectados a proposta da linguagem visual. 104 MOVIMENTOS DO DESIGN: ARTS ANDS CRAFTS E ART NOVEAU3 TÓPICO MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 Para entendermos como surge os movimentos do design, precisamos citar a Revolução Industrial que estudamos na Unidade I, pois foi nesse período que as mudanças sociais desencadearam os movimentos do design e o surgimento do profissional como designer. Logo, temos aqui o aparecimento da classe média, que antes possuía produtos exclusivos originados do trabalho manual, garantindo a singularidade, a ascensão e o status. Com a produção em série, os produtos tornam-se mais acessíveis e, consequentemente, todas as pessoas poderiam adquiri-los – neste momento, a preocupação com a aparência e com a manutenção do posicionamento social, provocaram uma transformação na formação dos significados e dos valores dos objetos ligados ao termo riqueza, assim, a preocupação da classe média está voltado para a manutenção desse padrão, ou de como atingi-lo. Nesse instante, surge o designer e o seu papel em transformar as coisas esteticamente, garantindo a funcionalidade e o posicionamento social. Portanto, nestes tópicos veremos os primeiros movimentos do design como o arts and crafts, art noveau e art deco. 3.1 O Movimento Arts and Crafts O apogeu da Revolução Industrial trouxe novas formas de manifestação no olhar para os produtos e, também, para fabricá-los. O movimento arts and crafts (artes e ofícios em português) surgiu como reação a revolução industrial e saiu em defesa da valorização do design, e do ofício do artesão, contra a produção em série que se tentava emplacar. Podemos dizer que o movimento arts and crafts é um dos primeiros movimentos estéticos 105MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 em defesa da arte e, também, da singularização do design. Este movimento surgiu na metade do século XIX e teve dois principais precursores, William Morris e John Ruskin. Sobre o arts and crafts, Burdek (2006, p. 19) contribui: [...] Só podemos falar, desde a idade da revolução industrial na metade do século 19, do design industrial em seu sentido atual. Ele começa com o fato de que a divisão do trabalho separa o projeto da manufatura, o que até ali era feito pela mesma pessoa. Esta especialização se estabeleceu no decorrer o tempo de tal forma que hoje designer e grandes fabricantes passaram a ser responsáveis apenas por partes de um produto. O que o arts and crafts fez foi garantir a valorização do design e do profissional, diferenciando os produtos que eram produzidos em escala daqueles produzidos artesanalmente, garantindo o estilo, a exclusividade e uma série de outros elementos. Dessa forma, o movimento teve seu ápice, segundo Burdek (2006), em 1851 quando Joseph Paxton recebeu a missão de projetar um pavilhão da Feira Mundial – também conhecida como Grande Exposição de 1851 – conhecido como Palácio de Cristal, sua arquitetura feita de metal de vidro apresentando linhas retas e angulosas permaneceu montada no mesmo lugar durante muitos anos e, depois foi desmontado e montado posteriormente em outro lugar de forma fixa. Essas grandes feiras apresentavam ano a ano novos materiais e novas formas de fazer o design. A imagem que abre o tópico 3.1 é do palácio de cristal. Outro símbolo do movimento arts and crafts é a Torre Eiffel localizada em Paris, ela começou a ser erigida em 1887 e foi finalizada em 1889. FIGURA 15 - TORRE EIFFEL Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/eiffel-tower-progressive-construction-675595498 106MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 Ao falar dessas grandes exposições de máxima relevância para a história do design não podemos deixar de falar de William Morris (1834-1896) e John Ruskin (1819-1900), que foram os principais pilares desses avanços. John era historiador da arte, filósofo e um grande interessado em descobrir um movimento que fosse contrário a revolução industrial, para que fosse possível restaurar os processos de produção predominantes antes da industrialização. Amaral (2005, p. 143) salienta: [...] a opinião ruskiniana não se resumiu a exigir um desenho bem feito, queria um outro tipo de relacionamento no trabalho. Para Ruskin não é a função do desenho agregar qualidade ao produto, essa função é atribuída à maneira como o produto é produzido. [...] Por isso, a estética ruskiniana fala de uma visão do pensar com o fazer e foi assim que o movimento Arts and Crafts viabilizou a sua proposta de fábrica. Logo, John Ruskin era favorável ao trabalho artesanal e acreditava que ele poderia propiciar condições mais aceitáveis para a vida dos trabalhadores, restaurando a estética que entrou em decadência após a inserção das máquinas no processo de confecção dos produtos. Willian Morris é outro contemporâneo e defensor do movimento arts and crafts. O designer também era poeta e teórico social e resgatou a valorização da tipografia clássica na impressão. Em 1851 ele fundou sua empresa para renovar as artes aplicadas e formou o movimento propriamente dito, validando-se como um reformador social e do estilo. A nova junção do projeto e produção dos produtos condizia a um movimento de renovação das artes e ofícios. Ele se voltava particularmente contra a estética das máquinas. (BURDEK, 2006, p. 23). Diante disso, Amaral (2005) relata: Morris não foi contra o uso da máquina, dizia que esta poderia, ao invés de acirrar a divisão do trabalho desqualificando e alienando o operário, auxiliar a emancipá-lo. Criticou o tipo de máquina que explora o trabalho humano, dizendo que o homem deve dominá-lo ao invés de ser dominando por ela. (AMARAL, 2005, p. 190). Os objetivos de Morris era resgatar o artesanato criativo, recuperando a unificação entre artesãos e os artistas-designers, valorizando os produtos vindos do trabalho manual. Com esses desejos, o designer garantiu a evolução do movimento e o espaço do designer dentro da sociedade, diferenciando-o dos demais trabalhadores da revolução industrial, elevando-o ao posto de designer-artista. Essas ações asseguraram o surgimento de outros movimentos no final do século XIX e, posteriormente, no século XX. 107MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 3.2 O Movimento Art Noveau O art noveau, também conhecido como arte nova, é um movimento que surge na última década do século XIX, com influência do movimento arts and crafts, esse movimento tinha o interesse em resgatar a vida simples que existia antes da revolução industrial, falando de temas como a natureza e resgatando elementos de uma vida campestre. Azevedo (2014) sobre o art nouveau explica: O art noveau surge em 1893, da necessidade de exaltar a natureza e principalmente falar da vida bucólica que começava a desaparecer com a rápida industrialização da Europa. Seus desenhos imitavam folhas, troncos, caules, insetos, filamentos de flores e às vezes ressaltavam o próprio desenho, com vinhetas – desenho ornamental, qual tinham a intenção de circundar o desenho principal. (AZEVEDO, 2014, p. 22). Dessa forma, o estilo art noveau faz referência a temas da natureza, e podem ser facilmente identificados pelos arabescos, folhagens e cores vivas e marcantes que contribuem para retratar sua temática. As ilustrações do estilo art nouveau ficaram conhecidas na época e o avanço do trabalho utilizado com outros tipos de materiais como vidro, o ferro que ornamentava a arquitetura em formato de arabescos. A Figura 16 apresenta um vitral do estilo art noveau: FIGURA 16 - VITRAL ART NOVEAU Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/art-nouveau-window-prague-97598210Os vitrais do art noveau como apresenta a Figura 16, geralmente possuem esses temas florais e resgatam a natureza. No design de interiores, moda e produto, os motivos trabalham com a mesma harmonia. As Figuras 17 e 18 apresentam as fachadas de prédios com estilo noveau. 108MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 17 - FACHADA ESTILO ART NOVEAU Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/fragment-art-nouveau-architecture-style-riga-1368366026 FIGURA 18 - FACHADA ESTILO ART NOVEAU Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/art-noveau-balcony-odessa-ukraine-94340464 Cardoso (2004) explica a importância do surgimento e popularização do movimento e de como ele contribui para as contradições que caracterizam a era moderna. Quando o autor fala em contradições ele se refere aos avanços da revolução industrial e a da produção seriada que caminha paralelamente aos princípios de uma vida mais amena e que valoriza a natureza e o bucolismo. Dessa forma, Cardoso (2004) presta grande colaboração para definirmos as principais características do movimento: • Motivos florais e femininos; • Curvas assimétricas; • Cores Vivas; • Riqueza botânica de formas; • Utilização de arabescos. 109MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 19 - ENTRADA DO METRÔ DE PARIS EM ESTILO NOVEAU Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/paris-france-june-18-2018-close-1175559421 O movimento art nouveau ainda trouxe grandes referências para a indústria gráfica, influenciando o estilo que eram produzidos os livros e cartazes e, consequentemente consolidando-se como um estilo estético. O estilo art nouveau ainda se emancipou devido as suas características e anseios em resgatar as formas de produzir do passado, e tornou- se ainda uma manifestação artísticas reconhecida internacionalmente, tendo como ponto máxima a exposição de 1900 em Paris. 110 MOVIMENTOS DO DESIGN: ART DÉCO4 TÓPICO MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 O Art Déco teve seu início aproximadamente por volta de 1925 em Paris e, segundo teóricos como Fiell (2001) era um estilo mais decorativo internacional do que um movimento de design. Ainda a respeito do estilo, o mesmo autor menciona: O Art Déco foi buscar suas referências estilísticas a um eclético leque de fontes, incluindo a civilização egípicia, arte tribal, Surrealismo, Futurismo, Construtivismo, Neo-Classicismo, Abstracionismo geométrico, Cultura popular e Movimento Moderno. (FIELL, 2001, p. 15). Todas as obras tanto de arte quando de arquitetura do art déco são trabalhadas utilizando-se desses elementos que unem os estilos dos movimentos descritos acima, entretanto, o art déco também é facilmente reconhecimento pelas suas linhas e formas exatas com ângulos retos e evidentes. Nunes (2015) coopera na definição histórica dessa manifestação artística: Devido às muitas influências o Art Déco foi um novo estilo de design requintado e elegante, popularizado pela forma de estilizar os contornos, geometrizando superficialmente as imagens representadas em objetos de decoração de interiores como tapetes, vasos, luminárias, vitrais e até mesmo o mobiliário. Essa estilização de imagens e a utilização dos traços geométricos também foram introduzidas nas artes gráficas, no design de joias, na propaganda, estamparias, arranjos florais e na moda, relação que abordaremos mais à frente. (NUNES, 2015, p. 17). O espírito do art déco é classificado como totalmente modernista, e durante o período em que esteve dominante, era comum ver, construções, mobílias, louças e demais 111MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 artefatos sendo representados em formato de navios, serpentes etc. Na pintura, não se encontra quadros que tiveram influência deste movimento ornamental, entretanto, em cartazes o estilo predominou nas formas de divulgação. FIGURA 20 - CARTAZES DO ESTILO DÉCO Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/art-deco-aesthetics-retro-futurism-posters-1175675818 Os cartazes do estilo art déco, como apresenta a Figura 20, possuíam grande influência do movimento cubista trabalhando linhas e formas, apresentando um estilo mais construtivo e com sobreposição de planos. Na arquitetura temos famosas construções que exemplificam bem o estilo déco como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro e o Edifício Chrysler Building em Nova York. FIGURA 21 - EDIFÍCIO CHRYSLER BUILDING Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/new-york-march-6-chrysler-building-79845742 112MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 FIGURA 22 - CRISTO REDENTOR Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/rio-de-janeiro-brazil-april-20-2003230256 O Cristo Redentor, localizado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro e o edifício Chrysler Building localizado nos Estados Unidos, na Cidade de Nova York são exemplos de arquitetura do estilo art déco, contendo linhas retas e angulosas com sobreposições curvilíneas que juntas compõe um todo harmônico. Até agora nossos estudos exploraram as vertentes dos movimentos que permitiram que o design pudesse perpetuar nas mais diversas áreas. Outros movimentos e escolas vieram posteriormente e contribuíram para a evolução dos designers e de suas respectivas manifestações através da arte, arquitetura, mobiliário, moda entre outras. É importante ressaltar como o design é essencial para o processo criativo quando bem fundamentado e explorado pode trazer manifestações ricas da cultura, dos costumes e da expressão de povos e nações. 113 O Art Déco se desenvolveu em uma época onde o lazer, a velocidade, as viagens, o luxo, as festas e o jazz auxiliavam as pessoas a esquecer os traumas da Primeira Guerra Mundial, divertirem-se e olhar esperançosamente para o futuro. O estilo foi amplamente aplicado na arquitetura e na configuração e promoção de produtos como fonógrafos, aparelhos de rádio, automóveis, transatlânticos, aviões, cosméticos e filmes de Hollywood Fonte: Pisseti e Souza (2011) apud Dempsey (2003). Para esclarecer mais a diferença entre vintage e retrô, vamos supor que você seja convidado para uma festa cuja temática é anos 80 e precisa de um vestido para ir ao evento. Se sua mãe possuir um vestido da época de juventude dela e te emprestar, você estará com um visual vintage. Caso você pegue um modelo da internet e pedir a uma costureira para fazer um modelo semelhante, o seu visual será retrô. Fonte: O autor (2021). REFLITA SAIBA MAIS As primeiras feiras mundiais, entre elas a de 1873 em Viena, a de 1876 na Filadélfia ou a de 1889 em Paris, com a Torre Eiffel produzida por Gustave Eiffel, eram enormes coleções de produtos e, em última instância, uma feira de amostras do design, onde o estágio de desenvolvimento da época era exposto. Fonte: BURDEK (2006). SAIBA MAIS MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 114 Chegamos ao final da nossa quarta e última unidade! E aí, o que você achou da nossa trilha de aprendizagem até aqui? Enquanto escrevo nossas considerações finais fico pensando nas possibilidades que você terá para continuar seus estudos e descobrir tantos outros estilos e movimentos do design. Ao olhar para nossos tópicos da unidade, percebemos o quanto os estilos e movimentos do design que estudamos, estão presentes nas criações e nos projetos dos produtos da atualidade. Isso nos permite compreender que o nascimento e desenvolvimentos desses estilos e movimentos perpetuam o tempo, fornecendo um grande repertório para que a história seja contada na contemporaneidade. Com isso, podemos dizer que é essencial que um designer conheça a história daquilo com que ele trabalha, para poder estabelecer novas narrativas a partir dos produtos que irá criar e, consequentemente, consiga despertar o interesse de seus consumidores. No final, os designers se tornam contadores de histórias através de seus projetos e produtos. E o que tudo isso quer dizer é que seus estudos não param por aqui! Nossa apostila servepara te dar a base para conhecer sobre os fundamentos do design e ir em busca de mais estudos. Bons profissionais são para sempre estudantes, estão constantemente se aperfeiçoando e indo em busca de inovação! Portanto, aproveite tudo que aprendeu aqui e procure por mais conhecimento, amplie seu repertório cultural e criativo e isso irá impactar na criação de seus produtos, ok? Nos vemos em uma outra oportunidade! CONSIDERAÇÕES FINAIS MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 115 LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Linguagem Visual: design e estilo Autor: Paula Piva Linke, Gabriel Coutinho Calvi, Natani Aparecida do Bem Resenha: Ao reconhecermos a moda enquanto um fenômeno de comunicação, devemos levar em consideração que ele pode também construir identidades visuais. O artigo objetiva apresentar a moda como linguagem, assim como a construção do estilo e o seu simbolismo, explorando especificamente os estilos retrô, vintage e minimalista. Para isso, utilizou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica, com o intuito de compreender a moda enquanto linguagem visual atrelada aos diversos estilos. Fonte: LINKE, P. P. CALVI, G. C. BEM, N. A. Linguagem Visual: Design e estilo. Revista Projética, v. 11, n. 1supl, 2020. Link de acesso: https://www.uel.br/revistas/uel/index.php/projetica/article/ view/34731 MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 116 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Art Nouveau - História da Arte e da Arquitetura • Ano: 2013 • Sinopse: O vídeo apresenta de forma dinâmica o contexto do movimento Art Nouveau e os principais elementos que caracterizam esse movimento. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/ watch?v=pKMGHA9akM8 LIVRO • Título: A História da Arte • Autor: E. H. Gombrich. • Editora: LTC. • Sinopse: O livro A história da arte, conduz você ao conhecimento da formação da arte e sua transformação em objeto de expressão e comunicação humana. Com esse livro, você conhecerá todos os períodos da arte criando um repertório cultural para o desenvolvimento criativo. MOVIMENTOS E ESTILOS DO DESIGNUNIDADE 4 117 CONCLUSÃO GERAL O processo de aprendizagem nunca se encerra! Estamos em constante construção! Chegamos ao final do nosso material de fundamentos do design. Espero que você tenha aprendido os principais conceitos debatidos aqui sobre esse universo encantador de criação e desenvolvimento de produtos de moda, interiores e produtos, que possuem apelo estético e funcional com o propósito de estabelecer vínculos entre usuários e produtos. Lembre-se que enquanto futuro designer, você terá como missão utilizar o design emocional visto na primeira unidade e dos elementos e princípios do design estudados na segunda e terceira unidade, respectivamente, para projetar produtos com apelo visual, que tenha conforto ergonômico e provoque sentido na vida daqueles que o consumirem. Dessa forma, entendemos que para um designer adquirir essa sensibilidade na hora de projetar é preciso desenvolver um repertório cultural através de pesquisas e na busca constante de referências que contribuirão em seu processo criativo. Verificamos na quarta unidade que os estilos do design, bem como os movimentos do design, também se constituem de elementos que provocam um reconhecimento visual, por meio da utilização das matérias-primas como tecidos, metais, aviamentos, cores, estampas, bordados e pedrarias. Dessa forma, compreendemos novamente a relevância de pesquisar e planejar cada uma das etapas desse processo, já que a partir dessas matérias-primas o designer contará a história do produto. Desejo a você caro(a) aluno(a) sucesso em sua jornada de conhecimento! Não pare de se atualizar! Os profissionais de destaque estão em constante processo de construção! Sucesso! 118 REFERÊNCIAS AMARAL, C. S. John Ruskin e o desenho no Brasil. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005. Disponível em: www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/ tde-11092006.../Amaral_tese.pdf Acesso: 02 de outubro de 2021. AZEVEDO, W. O que é design? São Paulo: Editora Brasiliense, 2014. BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. São Paulo: Zahar, 2008. BAXTER, M. Projeto de produto. Guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. BRASIL, Ministério da Educação. Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia. Esplanada dos Ministérios, bloco–Brasília/DF,2016. BRASIL, Ministério da Educação. Referenciais curriculares para a educação profissional. Esplanada dos Ministérios, bloco–Brasília/DF, 2000. BURDEK, B. E. Design: História, teoria e prática do design de produtos. São Paulo: Blucher, 2006. CALDAS, D. Universo da moda: curso online. São Paulo: Anhembi Morumbi, 1999. CÂNDIDO, M. O. Design contemporâneo presente nas estampas de camisetas da Galeria do Rock. Design, arte e tecnologia. São Paulo: Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, PUC-Rio, Unesp-Bauru, p. 1- 16, 2008. Disponível em: http://portal.anhembi.br/sbds/ pdf/11. pd. Acesso em: 07 jan. 2018 119 CÂNDIDO, M. O. Design contemporâneo presente nas estampas de camisetas da Galeria do Rock. Design, arte e tecnologia. São Paulo: Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, PUC-Rio, Unesp-Bauru, p. 1- 16, 2008. Disponível em: http://portal.anhembi.br/sbds/ pdf/11. pdf. Acesso em: 02 out. 2021. CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. CIDREIRA. R. P. Estilo, moda e consumo: por uma poética do precário. V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Salvador, BA, 2009. Disponível em: http://www.cult. ufba.br/enecult2009/19637-4.pdf Acesso: 07 jan. 2018. CIDREIRA. R. P. Estilo, moda e consumo: por uma poética do precário. V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Salvador, BA – 2009. Disponível em: http://www.cult. ufba.br/enecult2009/19637-4.pdf. Acesso: 02 out. 2021. DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1998. DORMER, P. O significado do design moderno: a caminho do século XXI. São Paulo: Editora Porto, 1990. FERREIRA, Eduardo Camillo Kasparevicis. Minimalismo, design minimalista e suas influências. 2008. Disponível em: https://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ ld/Arquitetural/ design%20de%20lumin%E1rias/minimalismo_design_minimalista_e_suas_influencias.pdf. Acesso em: 20 out. 2021. FIELL, C. Design do século XX. São Paulo: Taschen, 2001. GIBBS, J. Design de interiores: Guia útil para estudantes e profissionais. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. 120 GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras, 2004. GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma. 9. ed. São Paulo: Escrituras, 2009. GOWING, L. et al. História da Arte: Roma e Bizâncio. Barcelona: Folio, 2008. INDUSTRIAL Designers Society of America. What is Industrial Design? Disponível em: http:// www.idsa.org/education/how-they-do-it#field--how-they-do-it-1. Acesso em: 02 ago. 2021. JONES, S. J. Fashion Design: manual do estilista. São Paulo: Cosac Naify, 2015. LEBORG, C. Gramática Visual. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. LINKE, P. P.; CALVI, G.; BEM, N. A. Linguagem visual: design e estilo. Projética, Londrina, v. 11, n. 1, p. 32-56, 2020. LÖBACH, B. Desenho industrial: bases para a configuração dos produtos industriais. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda, 2001. LUPTON, E.; PHILLIPS, J. C. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008. NORMAN, D. Design emocional: porque adoramos ou detestamos os objetos do dia a dia. Rio de Janeiro: Rocco, 2008. NORMAN, D. O design do dia a dia. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. NUNES, P. M. O art déco da arquitetura para a moda: um caso carioca. Dissertação: Moda, cultura de moda e arte – UFJF. Minas Gerais, 2015. 121 ONO, M. M. Design, Cultura e Identidade, no contexto da globalização. Revista Design em Foco. Curitiba, v. 1, 2004. Disponível em: http://www.redalyc.org/html/661/66110107/Acesso em: 02 ago. 2021. PAZMINO, A. V. Uma reflexão sobre Design Social. Eco Design e Design Sustentável. I Simpósio Brasileiro de Design Sustentável, Curitiba, 2007. Disponível em: http:// naolab.nexodesign.com.br/wp-content/uploads/2012/03/pazmino2007-dsocial-ecod-e- dsustentavel.pdf Acesso: 02 ago. 2021. ROHENKOHL, R. A. S. Design retrô: um desafio da contemporaneidade em reconhecimento ao passado. Unoesc & Ciência: ACSA, Joaçaba, v. 02, n. 02, p. 147-153, jul./dez. 2011. Disponível em: http://editora.unoesc.edu.br/index.php/acsa/article/view/1085/ pdf_229. Acesso em: 3 de Jan de 2018. ROHENKOHL, R. A. S. Design retrô: um desafio da contemporaneidade em reconhecimento ao passado. Unoesc & Ciência: ACSA, v. 2, n. 2, p. 147-153, Joaçaba, jul./dez. 2011. Disponível em: http://editora.unoesc.edu.br/index.php/acsa/article/view/1085/ pdf_229. Acesso em: 02 de out. 2021. ROSENFELD, A. GUINSBURG, J. Romantismo e Classicismo. In: GUINSBUG, J. O Romantismo. São Paulo: Perspectiva, 1978. SILVA, P. O. O Romance como antídoto em Jean-Jacques Rousseau. Dissertação em Cultura e Sociedade – UFMA. Maranhão, 2017. Disponível em: http://www.pgcult.ufma.br/ wp-content/uploads/2017/09/PriscilaSilva.pdf. Acesso: 09 jan. 2018. SILVA, P. O. O Romance como antídoto em Jean-Jacques Rousseau. Dissertação em Cultura e Sociedade – UFMA. Maranhão, 2017. Disponível em: http://www.pgcult.ufma.br/ wp-content/uploads/2017/09/PriscilaSilva.pdf. Acesso em: 02 out. 2021. TREPTOW, D. Inventando moda: Planejamento de Coleção. 5. ed. São Paulo: Doris Elisa Treptow, 2013. ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898estética entre outros atributos. E, com base nisso, no primeiro tópico da nossa unidade vamos voltar até o início das civilizações para compreender como os homens dos períodos paleolítico e neolítico fizeram para dominar e sobreviver ao ambiente que se estabeleceram. Nosso primeiro tópico apresenta, ainda, como a revolução industrial impactou no desenvolvimento e status do design. No segundo tópico, avançamos nas discussões para compreender o que é, de fato, o design, fazendo a distinção entre o profissional e a profissão, além de estudar as funções que o design desempenha sobre nosso ambiente e escolhas. O que nos leva ao assunto do tópico três que apresenta as áreas do design e o papel do designer em cada uma delas. No quarto e último tópico vamos aprofundar em nossa introdução para o universo do design emocional, apresentando como o estilo e a atratividade são importantes na criação e desenvolvimento dos produtos, como também, entender o universo do usuário/consumidor para atrair sua atenção e despertar boas emoções que o leve a realizar boas experiências. Está preparado?! Então vem comigo! Bons estudos! INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 9 Para entendermos como o design foi criado ao longo das décadas é necessário entender o contexto histórico da época que envolve os cenários político, cultural e econômico. Para toda pesquisa, seja ela em design ou não, compreender a situação de uma época nos permite adentrar na história daquilo que pesquisamos. Sendo assim, iremos voltar ao início da formação das civilizações para estudarmos a evolução do design. Dois períodos se destacam no início das civilizações – paleolítico e neolítico. Isso porque o homem desses períodos demonstrou uma grande capacidade de dominar seu meio de subsistência ao criar recursos para caçar, pescar, plantar ou expressar sua história e aprendizado. Nestas ações, temos rastros de um processo de design que se desenvolveu para melhorar a vida dos indivíduos. O homem do período paleolítico superior (30.000 a.C) fazia pinturas nas paredes das cavernas, como maneira de se comunicar. A partir dessa atividade, temos uma forma rudimentar do conceito de design já que este homem, antes de começar a marcar sua experiência nas paredes das cavernas, era um andarilho que vagava de um local para o outro, consumindo todos os recursos dos locais que encontrava. Assim, nas pinturas realizadas em cavernas há representações por motivos naturalistas e esquemáticos. O primeiro inclui animais, como grandes herbívoros: cavalos, bisões e mamutes. O segundo motivo consiste em símbolos” (GOWING et al. 2008, p. 06). A Figura 1 apresenta um exemplo desse período. ASPECTOS HISTÓRICOS DO DESIGN 1 TÓPICO INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 10 FIGURA 1 - PINTURA NAS PAREDES DAS CAVERNAS Fonte: Shutterstock O período neolítico (10.000 a.C) é conhecido como idade da pedra, já que neste momento o homem desenvolveu a técnica de produzir suas ferramentas para caça e pesca através do atrito de pedra (GOWING et al. 2008). Dessa forma, ele já não precisa vagar de um local para o outro, agora com o desenvolvimento das ferramentas já pode criar seu espaço de moradia. A Figura 2 apresenta um machado de mão dessa época. FIGURA 2 - MACHADO DE MÃO PERÍODO NEOLÍTICO Fonte: Shutterstock Você pode estar se perguntando: mas o que o isso tem a ver com o design? A resposta é: Tudo! Considerando que o design surge para melhorar/agregar a vida das pessoas trazendo um apelo formal-estético, temos nesses dois períodos um esforço do INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 11 homem de produzir ferramentas para facilitar sua vida (LOBACH, 2001). Dessa forma, ao analisar, por exemplo, o machado de mão da Figura 2, percebemos que suas linhas e suas formas pontiagudas lembram as facas e instrumentos que utilizamos hoje. O design também tem em si a missão de comunicar uma mensagem carregada de significações. Nesse processo evolutivo foram várias as descobertas e criação de peças e materiais para facilitar a vida do homem (CARDOSO, 2004). Antes de chegarmos ao período em que a história do design começa a acontecer de fato, precisamos falar do trabalho de um dos maiores cientistas/artistas da história e que apresentou noções de design mesmo antes dessa terminologia existir, trata-se de Leonardo Da Vinci, e todo seu potencial criativo. Leonardo Da Vinci (1452-1519) era cientista, pintor, escultor entre outros atributos, ele desenvolveu uma série de pesquisas que colaboraram para o progresso das ciências e das artes. Uma de suas pesquisas mais interessantes é a máquina de voar, e o processo o seu processo de criação, Da Vinci passou um longo tempo observando o comportamento das aves e toda a sua estrutura anatômica com o desejo de desenvolver um aparelho que fosse capaz de voar, veja o resultado do processo: FIGURA 3 - MÁQUINA DE VOAR – LEONARDO DA VINCI Fonte: Pixabay (2023) Toda a engenhosidade de Da Vinci e a curiosidade consagraram seu nome e suas invenções, sendo reconhecidas até os dias de hoje. O mais importante das descobertas do cientista é perceber que, mesmo sem o conceito de design ainda existir, ele o explora INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 12 por meio de análises do mundo à sua volta e identifica as necessidades de criar algo que proporcione comodidade para a vida das pessoas. 1. 1 A Revolução Industrial O trabalho até no final do século XVIII e a primeira metade do século XIX era predominantemente manual, todo o processo de confecção dos materiais nas indústrias ou no campo dependia unicamente da mão de obra humana. A revolução industrial em 1845 surge e, com ela, a criação da máquina a vapor e da automatização das empresas – a partir daí homem e máquina integram o mesmo processo. Cardoso (2004) orienta que a expressão revolução industrial está ligada a todas as mudanças que ocorram na época, sendo uma das primeiras mudanças analisadas nesse período a criação das máquinas de tecelagem e fiação. Essas mudanças proporcionaram a evolução do comércio e, consequentemente, do capitalismo. Cardoso (2004, p. 18) explica as mudanças desse período: [...] Essas mudanças acabaram ficando conhecidas como revolução industrial, justamente como forma de chamar atenção para o impacto tremendo que exerceram sobre a sociedade [...] O termo se refere essencialmente à criação de um sistema de fabricação que produz em quantidades tão grandes e a um custo que vai diminuindo tão rapidamente que passa a não depender mais da demanda existente mas gera o seu próprio mercado. Neste período surge também a máquina de costura e grandes avanços. Entre as invenções mais importantes dessa fase estão: • Criação do telefone; • O motor a diesel; • O barco a vapor; • Criação da rádio. O advento da Revolução Industrial garantiu a evolução da economia, entretanto, para a classe operária não houve grandes benefícios, pois com a revolução vieram jornadas de trabalho exaustivas que muitas vezes excedia 16 horas e com baixo salário, sendo exploradas pelos grandes empresários da indústria. Discutimos até agora sobre o contexto em que se situa o nascimento do design propriamente dito ou a consciência de que as formas de expressão analisadas poderiam apresentar um método capaz de desenvolver produtos e materiais sob uma nova visão. Para entendermos como surge a ideia de design, precisamos citar a revolução industrial, pois INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 13 foi nesse período que as mudanças sociais desencadearam no surgimento do profissional como designer. Logo, temos aqui o aparecimento da classe média, que antes possuía produtos exclusivos originados do trabalho manual, garantindo a singularidade, a ascensão e o status. Com a produção em série, os produtos tornam-se mais acessíveis e, consequentemente, todas as pessoas poderiam adquiri-los – neste momento, a preocupação com a aparência e com a manutenção do posicionamento social geraramuma transformação na formação dos significados e valores dos objetos ligados ao termo riqueza, assim, a preocupação da classe média está voltado para a manutenção desse padrão, ou de como atingi-lo. Nesse instante, surge o designer e o seu papel em transformar as coisas estéticamente, garantindo a funcionalidade e o posicionamento social. Nesse contexto, os produtos que eram criados através do trabalho artesanal antes da revolução industrial são, inicialmente, desvalorizados pela produção seriada e, posteriormente após a massificação e acesso aos mesmos, o trabalho artesanal passa a ser consumido pelos mais ricos como símbolo de exclusividade e como distinção social. Na Unidade IV veremos cada uma desses movimentos e suas características. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 14 Todos os dias ao acordar, levantamos da cama, vestimos nossas roupas e calçamos nossos sapatos e, desde o primeiro momento, o design se faz atuante e presente em nossas vidas. A simples realização de nossas necessidades fisiológicas e básicas como ir ao banheiro, alimentação e locomoção até o trabalho, para todas essas ações existe um produto que nasceu do esforço humano em tornar nossa vida confortável e prática. O design no século XXI está em toda parte e, em inúmeros casos, se torna banalizado por quem não compreende o seu real significado e deseja agregar valor ao produto que é ofertado ou adquirido, perdendo de vista a ideia de como acontece o seu processo de concepção (NORMAN, 2006). O design dominou todas as áreas do desenvolvimento de produtos, e está ligado diretamente à palavra criatividade, pois para ser concebido carece de esforço mental e de habilidades técnicas que possibilitarão que um produto, da arte ou da necessidade humana, seja gestado. Logo, podemos entender que o design não está ligado somente ao serviço de conveniência dos indivíduos, ele também contempla a dimensão artística e como ela presta contributo para que o profissional apresente sua expressão. Diante de nossas indagações iniciais, é relevante compreendermos o real significado da palavra design e suas ocorrências, assim, somos apoiados na definição de Cardoso (2004) que diz que o termo design vem o latim e significa designare: O QUE É DESIGN?2 TÓPICO INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 15 A origem imediata da palavra está na língua inglesa, na qual o substantivo design se refere à ideia de plano, desígnio, intenção, quanto à de configuração, arranjo, estrutura (e não apenas de objeto de fabricação humana, pois é perfeitamente aceitável, em inglês, falar design do universo ou de uma molécula). A origem mais remota da palavra está no latim designare, verbo que abrange os sentidos, o designar e o de desenhar. (CARDOSO, 2004, p. 14) Com essa descrição podemos, em um primeiro momento, afirmar que o design não está ligado a palavra desenho como muitos de nós imaginamos, até porque o termo inglês para desenho é drawing, dessa forma, o design está diretamente conectado a uma intenção, a um desejo de elaborar e estruturar objetos e elementos que compõem o cenário da vida humana. O conceito de design para Azevedo (2014) é semelhante ao de Cardoso (2004), confirmando que o intento do design é projetar e compor visualmente ou colocar em prática um plano que visa um anseio maior. A Sociedade Industrial de Designers da América – Industrial Designer Society of America – (IDSA, 2015) aponta que em toda atividade em que o design está presente são exploradas a criação e o desenvolvimento de conceitos que aperfeiçoam a função, o valor e aparência dos produtos e sistemas sempre visando o bem-estar das pessoas que o recebem e, também, das que a fabricam. O design para Burdek (2006) é comunicação e, portanto, espera ser lido e compreendido. Assim, o design assume várias facetas proporcionando o progresso no mundo material e artístico das pessoas, transportando uma mensagem funcional, como no caso dos produtos utilizados para o serviço e bem-estar do homem, e uma mensagem simbólica dotada de valor, como no caso do design explorado em favor da arte. A definição de design não pode ser desvencilhada do termo designer, essas duas andam juntas e uma está em função da outra. Entretanto, por diversas vezes, são usadas de forma equivocada, alterando-se o sentido real na hora de nomear o profissional e a profissão. Dessa forma, o termo design está ligado à profissão. Já o termo designer é para denominar o profissional que estuda e trabalha com o design. Ou seja, o criador e executor. Se o design para Burdek (2006) está ligado aos meios da vida social e individual, é crucial identificar quais são as características que colaboram para que seja criado um INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 16 bom design. Dessa forma, podemos nos apropriar do que Burdek (2006, p. 15) diz quando menciona quais são os elementos do bom design: 1º O bom design não se limita apenas às técnicas. É imprescindível que ele expresse as particularidades de cada produto por meio de uma configuração singular. 2º Ele deve apontar de forma visível a função do produto, para que seja possível uma leitura clara pelo usuário. 3º O bom design deve tornar transparente o estado mais atual do desenvolvimento da técnica. 4º O bom design não se limita apenas ao produto, mas está engajado em responder os questionamentos do ambiente, da economia, da ergonomia e da reutilização. 5º O bom design estabelece uma boa relação entre o homem e o objeto, tendo isso como premissa para aplicar suas teorias na execução do trabalho e da percepção. A capacidade que o design tem de se apresentar de diversas formas o torna multifacetado, configurando-se como essencial para áreas como o vestuário, a educação, as artes, a arquitetura, interiores, produtos, saúde entre outras. Como discutimos anteriormente, o design está em todos os lugares, atendendo necessidades ou cooperando para que uma mensagem seja transmitida de forma eficiente. Burdek (2006) orienta que o design possui quatro funções: social, funcional, significativa e objetiva. A função social presta serviço na dimensão singular e plural da vida em sociedade, acreditando que todos os elementos que o design constitui aprimoram a vida em comunidade. Pazmino (2007) sustenta essa realidade falando sobre o design social: O design para a sociedade, consiste em desenvolver produtos que atendam às necessidades reais específicas de cidadãos menos favorecidos, social, cultural e economicamente; assim como, algumas populações como pessoas de baixa-renda ou com necessidades especiais devido à idade, saúde ou inaptidão. O design social implica atuar em áreas onde não há atuação do designer, e nem interesse da indústria com soluções que resultem em melhoria da qualidade de vida, renda e inclusão social. Conduzir para uma produção solidária é uma responsabilidade moral do design. (PAZMINO, 2007, p. 03). O processo de solução das atividades humanas do design social nos inspira para o discernimento do design de forma global, esclarecendo como ele se firma dentro dessa esfera. Na segunda função sobre o design está a funcionalidade, que é incorporado pelo design em todas as suas vertentes e está a serviço de sanar as necessidades, apresentando- se como efetivo e passível de ser executado ou de ser utilizado de uma maneira que otimize a vida das pessoas que dele fazem uso. Ono (2004) vai dizer: INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 17 O design tem como função básica tornar os produtos comunicáveis, em relação às funções simbólicas, de uso e técnicas dos mesmos. Deste modo, a prática profissional dos designers é decisiva no desenvolvimento de suportes materiais, relações simbólicas e práticas dos indivíduos nas sociedades. Entretanto, o design em si não garante uma boa ou má adequação das funções de um objeto, pois a percepção e avaliação do mesmo pelos usuários podem variar, mesmo quando desenvolvidos especificamente para estes. (ONO, 2004,p. 60-61). Na função significativa o design é apresentado como dotado de valores, possuindo uma mensagem a ser transmitida. Nesse aspecto Ono (2004, p. 61) contribui: [...] E, considerando-se que todo objeto é um signo cultural e faz parte de um contexto, pode-se compreender a natureza paradoxal da atuação do designer: Por um lado, ele cria signos, e, por outro, reproduz signos de uma sociedade, dentro de um determinado contexto. Assim, mesmo levando-se em conta todos os aspectos racionais de um objeto (econômicos e técnicos, por exemplo), restam sempre aspectos subjetivos, que ultrapassam a sua objetividade funcional. A parte significativa do design apresenta o produto não apenas a partir de suas usabilidades, mas também do contexto que foi pensado para que a criação o concretize. Ou seja, quando falamos de contexto, nos referimos a cultura em que o design é criado e, consequentemente, a cultura do designer que o pensa e desenvolve. Portanto, ao pensar no produto, o designer deve ter em mente para quem ele está criando, quais os costumes e tradições que essas pessoas possuem, e porque elas irão adquirir esse produto. Neste sentido, os signos a que Ono (2004) se refere estão ligados às características comportamentais da sociedade e compreende o âmbito social, psicológico e econômico. A quarta, e última função é a objetiva. A objetividade e a funcionalidade caminham unidas, já que a primeira está voltada para aquilo que o objeto representa sem necessidade de interpretações. Logo, a objetividade apresenta o objeto sem maiores mensagens, em que o seu papel é cumprir sua funcionalidade de maneira objetiva, sem exigir muito esforço mental e criativo para produzi-lo ou manuseá-lo. Dessa forma, as funções do design, juntamente com o seu papel, prestam grande contribuição para compreendermos os papéis que designers e profissionais que se utilizam da metodologia do design precisam para desenvolver seu processo de criação. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 18 O design pode ser explorado pelas mais diversas áreas que se engajam em trazer inovação, conforto e bem-estar. Lobach (2001, p. 141) explicita que “todo processo de design é um tanto processo criativo como um processo de solução de problemas”. Isso quer dizer que um dos papéis do design é solucionar problemas por meio de um processo criativo, inteligente, organizado e que visa agregar valor e estética ao produto. Cada área do design tem como propósito desenvolver produtos que buscam algum tipo de inovação. Vamos procurar entender quais são as áreas de atuação do design e qual o papel do designer em cada uma delas. Os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação (RCNE) do Ministério da Educação (MEC) faz uma caracterização profissional do design: Compreende o desenvolvimento de projetos de produtos, de serviços, de ambientes internos e externos, de maneira criativa e inovadora, otimizando os aspectos estético, formal e funcional, adequando-os aos conceitos de informação e comunicação vigentes, e ajustando-os aos apelos mercadológicos e às necessidades do usuário. O desenvolvimento de projetos implica na criação (pesquisa de linguagem, estilos, ergonomia, materiais, processos e meios de representação visual); no planejamento (identificação da viabilidade técnica, econômica e funcional, com definição de especificidades e características) e na execução (confecção de desenhos, leiautes, maquetes e protótipos, embalagens, gestão da produção e implantação do projeto). (RCNE, 2000, p. 118). Compreende-se que o profissional da área de design explora a criação, planejamento e desenvolvimento de produtos e serviços com foco no aspecto funcional, formal, estético ÁREAS DO DESIGN E O PAPEL DO DESIGNER3 TÓPICO INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 19 e considerando os benefícios que esse processo pode proporcionar como ergonomia e funcionalidade. Assim, conseguimos analisar o papel do designer em cada uma das áreas de atuação conforme o Quadro 1: QUADRO 1 – PERFIL PROFISSIONAL DO DESIGNER E SUAS ÁREAS Área Perfil Profissional Campo de atuação DESIGN DE INTERIORES Cria e desenvolve projetos de espaços internos, considerando fatores estéticos, simbólicos, ergonômicos, socioculturais e produtivos. Realiza pesquisa de tendências. Planeja, desenvolve e gerencia projetos de interiores com o uso de materiais e recursos sustentáveis. Desenha, representa e expressa o projeto de interiores graficamente de forma bi e tridimensional. Elabora maquetes e modelos volumétricos com uso de técnicas diferenciadas de expressão gráfica. Avalia e emite parecer técnico em sua área de formação. - Construtoras. - Empresas de decoração. - Escritórios de Design e Arquitetura. - Indústrias de mobiliário. - Lojas. - Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente. DESIGN DE MODA Cria e desenvolve produtos para a indústria da moda. Analisa e aplica fatores estéticos, simbólicos, ergonômicos, socioculturais e produtivos. Realiza pesquisa de moda. Planeja, gerencia e articula coleções de moda com processos de fabricação, matérias-primas e viabilidade técnica e sustentável. Elabora protótipos, modelos, croquis, fichas técnicas e portfólios com uso de técnicas diferenciadas de expressão gráfica. Avalia e emite parecer técnico em sua área de formação. - Ateliês e Confecções. - Bureaus de Pesquisa e Criação em Moda. - Escritórios de Design. Indústrias de Moda. - Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente. DESIGN DE PRODUTO Projeta produtos industriais como móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, objetos pessoais e equipamentos de saúde, de segurança e de transporte. Produz criações integradas aos sistemas de fabricação, produção e viabilidade técnica com o uso de materiais adequados. Desenha, representa e expressa o projeto de produto de forma bi e tridimensional. Elabora modelos volumétricos, reduzidos e protótipos com uso de técnicas diferenciadas de expressão gráfica. Especifica equipamentos para projeto de produtos. Avalia e emite parecer técnico em sua área de formação. - Escritórios de Design. - Estúdios de Design. - Laboratórios de Design. - Oficinas de Modelos e Protótipos. Setores de Design em Indústrias. - Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente. DESIGN GRÁFICO Projeta a programação visual em meios físico e digital. Desenvolve linguagens visuais. Supervisiona a funcionalidade e usabilidade dos projetos adaptados aos diversos tipos de processos e produção gráfica. Produz criações integradas aos sistemas de comunicação e da arte. Elabora portfólios, com uso de técnicas diferenciadas de expressão gráfica. Avalia e emite parecer técnico em sua área de formação. - Agências de Comunicação. -Departamentos de Marketing. - Empresas de Publicidade. - Escritórios de Design. - Estúdios de Design. - Gráficas e Bureaus de Impressão. Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente. Fonte: Brasil (2016, p. 102-105) INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 20 A partir desse desenho da área profissional do designer, o catálogo nacional de cursos superiores em tecnologia do MEC posiciona a área do design no eixo de produção cultural e design que contempla “criação, desenvolvimento, produção, edição, difusão, conservação e gerenciamento de bens culturais e materiais, ideias e entretenimento aplicadas em multimeios, objetos artísticos, rádio, televisão, cinema, teatro, ateliês, editoras, vídeo, fotografia, publicidade e projetos de produtos industriais” (BRASIL, 2016, p. 98). Isso nos permite compreender que as possibilidades de atuação são múltiplas mantendo sempre o foco na criação, projeto, planejamento e desenvolvimento de produtos e serviços. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 21 Toda experiência de compra é pautada por estimulações internas ou externas do ser humano que tendem a comprar de formaracional ou impulsiva. Bauman (2008) indica que, na dualidade sujeito-objeto prevalece a soberania do consumidor que passa por esse processo de ressignificação para representar uma posição de sujeito que consome e domina os objetos que consome. Nessa relação se edifica um universo pautado pelas emoções e pela racionalidade que vão determinar nossas relações com os artefatos que compramos por diversos motivos. Você pode estar se perguntando neste momento: Qual a relação entre o design emocional e o consumo de produtos? A resposta para essa pergunta é que vai nortear nosso tópico, pois é neste entendimento que vamos nos debruçar para compreender a relação entre sujeito-design-emoções-consumo, que o design emocional se estabelece e procura oferecer produtos que atraiam os consumidores/usuários. Cabe ressaltar que quando citarmos consumidores, vamos utilizar sinônimos como usuários e clientes. Para entender todo esse processo vamos estruturar nosso tópico em duas partes; a primeira fala sobre o estilo dos produtos e sua configuração estético-formal, cujo entenderemos como o processo de criação impacta no desenvolvimento de produtos que realmente despertem desejo nos consumidores; a segunda tem como propósito definir o que é design emocional e como trabalhar nos níveis formulados por Donald Norman (2006). O DESIGN EMOCIONAL4 TÓPICO INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 22 4. 1 Estilo, atratividade e configuração estético-formal dos produtos Você provavelmente já utilizou do seu tempo de lazer ou hora vaga para passear em um shopping e foi atraído por algum objeto em uma vitrina que “tinha a sua cara”. Ou então, já foi fazer compras com um amigo ou familiar e a pessoa olhou para uma peça e disse “esse produto tem a sua cara”. Essas expressões retratam bem a ideia da importância que o estilo tem para o desenvolvimento de novos produtos. Quando você acha que um produto tem “a sua cara” ou a “cara de alguém” que você conhece, significa que essa pessoa tem um gosto pela forma e estética daqueles produtos. É através desse feedback dos consumidores/usuários que marcas e empresas se pautam para projetar o estilo e a forma de novos produtos. O estilo é uma forma de agregar valor ao produto, já que ele trabalha com linhas, formas, cores, texturas e demais elementos que garantem um senso estético ao produto ligada a aparência. Neste sentido, Gomes Filho (2006, p. 99) relata: O estilo pode ser definido como uma qualidade intrínseca do produto e, preferencialmente, deve conter algo a mais que concorra para provocar uma atração agradável e admiração imediata, chamando atenção para sua aparência. Pode agregar uma série de valores ao produto, inclusive, dependendo de sua natureza, valores de ordem sensível e emocional que toquem o usuário. Se o estilo deve apresentar algo a mais a fim de despertar o interesse dos usuários, o processo de criação do designer deve considerar alguns elementos que circundam o universo do usuário e que integram a relação entre design-produto-usuário. Neste sentido, o de design fica de responsabilidade do designer projetar considerando o universo do usuário, o contexto na qual ele está inserido que compreende sua bagagem cultural, os fatores comerciais, socioculturais e perceptivos que farão parte da mensagem que irá constituir os produtos. Vamos conhecer mais sobre cada um deles. A bagagem cultural está vinculada ao sistema de crenças, hábitos e comportamentos que os usuários carregam consigo. A cultura define nosso gosto por determinados objetos e, também, nosso comportamento (BAUMAN, 2008). Ao projetar o designer deve considerar onde os usuários se encontram e quais são seus hábitos culturais. Além disso, no projeto também estão expressos a bagagem cultural do designer e sua visão de mundo. O estilo do produto deveria ser uma atividade integrada, trabalhando junto com as áreas técnicas, em todas as fases do projeto. As decisões sobre o estilo precisam ser tomadas em todas as fases, desde o planejamento do produto até a engenharia de produção (BAXTER, 1998, p. 45). INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 23 Os fatores comerciais estão ligados aos feedbacks que as marcas e designers têm sobre a aceitação de produtos que já existem no mercado e que servem como dados para a criação de novos produtos. Ou seja, se um produto lançado teve boa aceitação e adesão dos usuários, o designer pode, e deve, considerar esses dados para criar produtos com base nessas referências coletadas. Essa ação também se enquadra nos fatores socioculturais e perceptivos. Por exemplo, se uma marca atende todo o território nacional, ao criar um produto ela pode verificar a aceitação deste nas diferentes regiões do país e adaptá-lo considerando essas informações. A realidade é que o projetar novos produtos envolve as percepções e impressões que usuários têm dos produtos, vinculada a bagagem do designer para que a atratividade do produto atraia o consumidor. No âmbito da atratividade dos produtos Baxter (1998, p. 46) aponta: 1. Um objeto pode ser considerado atrativo quando chama a sua atenção, por ser visualmente agradável. Quando você está dirigindo ou andando pela rua, uma casa bem projetada pode chamar a sua atenção. Da mesma forma, um produto pode chamar a sua atenção quando você anda no shopping center ou vê a sua foto em uma revista [...]. 2. Um objeto atraente é um objeto desejável. Fazendo com que o consumidor deseje possuir o produto, estará vencida mais da metade da batalha de marketing deste produto. Se um produto pode ser transformado em um objeto desejável, simplesmente pelo seu aspecto visual, então terá um forte poder de marketing [...]. 3. Juntando-se essas duas qualidades – um produto que é capaz de chamar a atenção e se torna desejável – faz com que os consumidores se sintam ‘arrastados’ em direção ao produto – o significado literal do termo atrativo. Compreendemos, portanto, que para um objeto/produto ser desejado ele precisa ter um bom aspecto visual e ser atraente. Mas como isso pode ser feito? Como trabalhar a aparência, funcionalidade e a simbologia do produto? Para essas perguntas temos como resposta a experiência do design emocional de Donald Norman que conheceremos a seguir. 4. 2 Design emocional Quando falamos de emoções é recorrente pensar em sentimentos como alegria, tristeza, raiva, indiferença entre outros. Contudo, precisamos entender que emoções e sentimentos são distintos. Emoções estão ligadas a reações imediatas de estímulo e que não envolve a razão, isso pertence a natureza dos sentimentos que estão ligados a cognição e a capacidade de julgar se algo ou alguma coisa pode ser boa ou ruim. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 24 As emoções são inseparáveis da cognição e fazem parte de um sistema de julgamento do que é bom ou ruim, seguro ou perigoso e de formulação de juízos de valor que nos permite sobreviver melhor. Elas são guiar constantes em nossas vidas, afetando a maneiro como nos comportamos, pensamos, tomamos decisões e interagimos uns com os outros (NORMAN, 2008, p.13) Isso quer dizer que não podemos separar sentimentos de emoções, contudo as emoções são uma resposta automática daquilo que acontece conosco, enquanto os sentimentos usam mais da razão. Mas como as emoções podem ajudar na criação do design de novos produtos? A resposta é que o design emocional tem como propósito ajudar na interpretação dos sentimentos dos usuários que se dá através da interação com os objetos. Desta forma, os designers devem direcionar sua atenção para as formas como as pessoas se comportam e como interpretam o mundo a sua volta para, a partir desse ponto, projetar com foco na emoção e em experiências agradáveis. Tendo esse entendimento como ponto de partida, aprofundamos nossos estudos, trazendo os níveis nos quais o designer pode projetar, considerando as emoções. Esses níveis foram elaborados por Donald Norman, que possui Ph.D.em psicologia e atuou como vice-presidente da Apple. Norman (2008) apresenta os três níveis do design emocional, representados na Figura 4: FIGURA 4 – NÍVEIS DO DESIGN EMOCIONAL Fonte: Adaptado por Tonetto e Costa (2011, p. 135) e Norman (2008, p. 42) Objetos atraentes funcionam melhor. Essa é a proposta dos níveis do design emocional de Norman (2008). A Figura 4 nos indica os três níveis: visceral, comportamental e reflexivo. Os três são guiados pelas interações sensório e motor, responsáveis por nosso contato com os objetos seja de forma visual ou através do seu manuseio. Isso nos possibilita compreender que nossas emoções surgem do contato com os objetos e se eles INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 25 têm atratividade para nos persuadir. Diante disso, vamos conhecer os três níveis do design emocional. 4. 2. 1 Design visceral: trabalhando com a aparência O design visceral é o mais simples de todos, pois está ligado à aparência. Criar um produto nesse nível é explorar todo o potencial estético a fim de provocar um impacto visual. Norman (2008, p. 14) pontua que este nível “diz respeito aos aspectos físicos e ao primeiro impacto causado por um produto”. Portanto, o design visceral é automático e pré- programado. Retomamos o exemplo do shopping; você está passeando pelas vitrinas e se depara com um produto que te chama a atenção, este produto se destaca porque apresenta em sua configuração elementos como matéria-prima, forma, cores, linhas, texturas que te chamam a atenção e que em diversas ocasiões te faz entrar na loja, provar e, às vezes, comprar! FIGURA 5 – O DESIGN VISCERAL EXPLORA A APARÊNCIA DOS PRODUTOS Fonte: Shutterstock No caso de uma roupa, sapato, eletrodoméstico, smartphone ou qualquer outro objeto que precise manusear ou conhecer seu funcionamento, o design visceral conquista o usuário pela aparência/estética, mesmo que em um segundo momento, a funcionalidade/ usabilidade do produto não seja boa, como no caso de um sapato ou roupa apertada, o usuário provavelmente não vai adquirir. Isso nos transporta para o segundo nível do design emocional: o comportamental. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 26 4. 2. 2 Design comportamental: trabalhando com a usabilidade e funcionalidade No nível comportamental o designer projeta novos produtos considerando sua aparência e, principalmente, sua usabilidade, ergonomia e funcionalidade. Para Norman (2008, p. 14) o design comportamental “diz respeito ao uso sob o ponto de vista objetivo e refere-se à função que o produto desempenha, à eficácia com que cumpre sua função, à facilidade com que o usuário o compreende e o opera”. FIGURA 6 - O DESIGN IMPECÁVEL DO SMARTPHONES DA APPLE QUE POSSUI UMA LEGIÃO DE USUÁRIOS FIÉIS Fonte: PIXABAY. (2021). Projetar nesse nível é considerar toda a experiência do usuário/consumidor com o produto. É por isso que os designers estão atentos a todo o momento com o feedback de usabilidade e ergonomia do produto. Ninguém quer comprar uma poltrona que não seja confortável, ou comprar um smartphone que seja difícil de manusear. O propósito do nível comportamental é garantir que os produtos tenham esse apelo estético, mas também que sejam fáceis de usar/operar. 4. 2. 3 Design reflexivo: acessando o pensamento das pessoas Esse é o nível mais alto que o designer pode projetar, já que o nível reflexivo segundo Norman (2008, p. 14) “diz respeito ao uso sob o ponto de vista subjetivo e abrange particularidades culturais e individuais, memória afetiva e os significados atribuídos aos produtos e a seu uso, entre outros aspectos de ordem intangível”. Projetar de forma reflexiva é aprofundar no universo do usuário procurando compreender o seu contexto e o mundo INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 27 que o circunda, possibilitando uma conexão que vai além do consumo pelo consumo, mas cria uma ligação intrínseca entre objeto e usuário. FIGURA 7 - A FERRARI TEM UMA LEGIÃO DE FÃS QUE NEM SEMPRE PODE ADQUIRIR O PRODUTO, MAS QUE CRIA UM IMAGINÁRIO DE STATUS E QUALIDADE INQUESTIONÁVEIS. Fonte: PIXABAY (2021). É o caso de marcas consagradas que possuem tradição e exclusividades como a Ferrari ou a Harley Davidson, que possuem estética, funcionalidade e provoca impressões subjetivas em todos que admiram carros e motos. Marcas de outros segmentos podem provocar a mesma sensação como marcas de moda, mobiliário, produtos para casa entre outros. A ideia do nível reflexivo é provocar despertar um vínculo emocional que agregue valor ao produto. Esses três níveis nos permitem compreender que a nossa missão enquanto designers é projetar produtos que façam a diferença na vida das pessoas, criando conexões emocionais fortes a ponto de fidelizar os usuários. Para isso, conhecer o universo de quem vai consumir os produtos que criamos é o primeiro passo para o sucesso. UNIDADE 1 INTRODUÇÃO AO DESIGN 28 REFLITA SAIBA MAIS Os bons designers se preocupam muito com a sensação física de seus produtos. O toque e a sensação física podem fazer enorme diferença na avaliação que os usuários fazem das criações. Fonte: (NORMAN, 2008, p. 102). Todo projeto de design de um novo produto se inicia pela identificação do problema e a possibilidade de saná-lo. Para isso, é desenvolvida uma pesquisa com os usuários da marca e/ou do produto para verificar as expectativas e percepções que eles têm. A partir disso as equipes responsáveis começam o planejamento e a busca por alternativas. Não existe produto sem design, assim como não existe produto sem ouvir o consumidor. Fonte: O autor (2021). UNIDADE 1 INTRODUÇÃO AO DESIGN 29 Chegamos ao final da nossa primeira unidade! Espero que você tenha aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Você sabe que seus estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né?! Agora é o momento de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos científicos, livros e vídeos, a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto! Sabendo que você vai continuar seus estudos depois de finalizar a leitura da nossa unidade, precisamos fechar nossas discussões, entendendo que mesmo o termo design ter surgido após a revolução industrial, tínhamos com os homens das cavernas, e com Leonardo da Vinci, um interesse em desenvolver ferramentas para solucionar problemas e facilitar a vida das pessoas, que são algumas das características do design. Além disso, entendemos que a palavra design se refere à profissão e a palavra designer, ao profissional. Assim, quando alguém pergunta o que você estuda, você poderá dizer: eu estudo design, para ser um futuro designer! Independentemente se você será um designer de moda, interiores, produto, gráfico ou qualquer outro profissional da área. Nossa missão enquanto futuros designers, é compreender o universo que cerca os usuários/consumidores, a fim de criar produtos e serviços com estilo e atratividade. Para isso, é necessário pensar na aparência/estética do produto, sua funcionalidade e ergonomia e na forma como ele vai tocar na subjetividade dos usuários, tendo a certeza que boas experiências formam boas conexões entre usuários e seus produtos. Obrigado pela companhia e até a próxima unidade! Abraço! CONSIDERAÇÕES FINAIS INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 LEITURA COMPLEMENTAR 30 Artigo: Design Emocional: conceitos, abordagens e perspectivas de pesquisa Resenha: O artigo de Tonetto e Costa traz uma relevante pesquisa a respeito do design emocional e de como ele está presente em nossas vidas e no processo criativo dos designers em geral. Dessa forma, o texto nos ajuda entender como projetar considerando o desejo e necessidades dos usuários que devem ser o ponto de partida para o desenvolvimento de novos produtos. Fonte: TONETTO, L. M; COSTA, F., C. X. da. Design Emocional: conceitos, abordagens e perspectivas de pesquisa. Strategic Design Research Journal, p. 132-140, 2011. DOI: 10.4013/sdrj.2011.43.04. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 31 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: O design do dia a dia • Autor: Donald Norman. • Editora: Rocco. • Sinopse: Donald Norman traz uma relevante discussão sobre o design do dia a dia sobre como os produtos afetam nossas interações com as pessoas e com o mundo ao nosso redor. O livro é indicado para designers que desejam projetar produtos que possam significar a vida das pessoas estabelecendo uma conexão com elas. FILME/VÍDEO • Título: Jobs • Ano: 2013. • Sinopse: O filme conta a história de sucesso de Steve Jobs e o processo de criação de uma das maiores marcas de computadores e eletrônicos: a Apple. A jornada de Jobs que se preocupava com o design perfeito e em como impactar a vida das pessoas leva a uma reflexão sobre como o processo criativo do design deve acontecer para que marcas sejam reconhecidas. INTRODUÇÃO AO DESIGNUNIDADE 1 Professor Me. Gabriel Coutinho Calvi ELEMENTOS DO DESIGN2UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 33 Plano de Estudos • Elementos do design: ponto, linha e plano; • Elementos do design: forma, espaço, direção e movimento; • Elementos do design: volume, dimensão, escala e proporção; • Elementos do design: textura, padronagem, luz e cor. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a relevância dos elementos do design para o desenvolvimento de produto; • Analisar a aplicabilidade dos elementos do design para o design de moda, interiores e gráfico. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 34 Olá Pessoal! Vamos iniciar mais uma unidade?! Na segunda unidade da nossa disciplina de Fundamentos do Design, vamos aprofundar nossos estudos visuais e entender como os produtos do design são produzidos a partir de seu processo criativo. Para isso, vamos abrir as portas dos elementos do design e compreender como o entendimento de cada um deles é crucial para desenvolver os projetos. Portanto, eu preciso nesse momento de sua atenção máxima, pois este conteúdo vai exigir 100% da sua atenção. Todo produto do design é composto de linhas, formas, cores, texturas, dimensão entre outros elementos. Para identificar cada um desses elementos o designer precisa continuamente enriquecer seu repertório com pesquisas que irão treinar o seu olhar e aumentar sua sensibilidade para que, ao criar, ele traga essas referências e enriqueça suas criações. Entendendo a importância do estudo contínuo do designer, apresentamos no decorrer dos quatro tópicos da nossa unidade os elementos do design para entendimento e reconhecimento de vocês, futuros designers! Diante disso, no primeiro tópico faremos uma breve introdução sobre o que são os elementos do design e aprenderemos a aplicabilidade dos elementos ponto, linha e plano. Continuando as discussões, no segundo tópico conheceremos os conceitos dos elementos forma, espaço, direção e movimento e sua aplicabilidade no design de moda, interiores e produtos. Repetiremos nossa dinâmica de estudos nos tópicos três e quatro que apresenta os elementos volume, dimensão, escala e proporção, textura, padronagem, luz e cor. Ao final da segunda unidade, eu espero que você consiga distinguir cada uma desses elementos e sua aplicabilidade na criação dos produtos do design. Lembrando que qualquer dúvida, é sempre importante pesquisar em outras fontes. Vem comigo! Bons Estudos ;) INTRODUÇÃO ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 35 A atração pelos produtos é determinada pelas características que constituem o seu desenvolvimento e explorada pelo designer. Isso nos permite compreender que todos os produtos são compostos por elementos e princípios do design que vão gerar reconhecimento, identificação e afinidade por parte dos usuários. Sendo assim, é tarefa do designer saber interpretar esses elementos para que possam incluir em seu processo de criação (DONDIS, 1998). Dentro dessa perspectiva, o designer trabalha com elementos e princípios do design que prestam um suporte para criação. Os elementos do design estão ligados a uma série de características visuais que constituem os objetos. Logo, ao desenvolver um produto, seja de moda, interiores ou produto, ele virá carregado de informações que ajudam em sua decodificação visual e, consequentemente, em sua assimilação (TREPTOW, 2013). Os elementos que compõem o design são: • Ponto, linha e plano; • Forma e espaço; • Direção e movimento; • Volume e dimensão; • Escala e proporção; • Textura e padronagem; • Luz e cor. ELEMENTOS DO DESIGN: PONTO, LINHA E PLANO1 TÓPICO ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 36 Vamos trabalhar cada um desses elementos descritos e sua aplicação nas áreas do design de moda, interiores e gráfico. Os exemplos da aplicabilidade dos elementos permitirão compreender como eles estão presentes em tudo que criamos enquanto designers. Antes de começarmos você pode estar pensando: em todas as criações que fizer preciso inserir todos os elementos do design? Tenho que criar um produto a partir de elementos do design? A resposta para essas perguntas está na capacidade do designer em desenvolver um repertório cultural a partir dos seus estudos e pesquisas que irão aguçar/ despertar o seu olhar e sua sensibilidade ao projetar novos produtos. Isso quer dizer que quando um designer cria ele não precisa, necessariamente, pensar em quais elementos vai utilizar, pois isso já faz parte da constituição dos produtos que irá conceber. O mais importante é que ele saiba reconhecer onde estão esses elementos. 1.1 O ponto O ponto é considerado por Leborg (2015) como um elemento visual simples e pequeno que não possui composição de outras unidades. O ponto possui visibilidade e no design, é um elemento visual que não pode ser medido. Sobre o ponto Dondis (1998, p. 53) explicita “o ponto tem grande poder de atração visual sobre o olho, exista ele naturalmente ou tenha sido colocado pelo homem em resposta a um objeto qualquer”. Como características do ponto podem ser destacados ainda: a. Uma série de pontos podem conduzir o olhar que se intensifica devido a aproximação entre eles. b. Dois pontos distantes podem se transformar em elemento de medição, pois, eles se comportam como o início e o fim de uma linha. c. Vários pontos unidos transformam-se em uma linha. A imagem que abre nosso subtópico explicita bem a ideia apresentada até aqui. Um ponto sozinho pode não significar muitas coisas, entretanto, um conjunto de pontos podem construir uma forma clara e sólida como é o caso das peças do jogo de dominó. 1.1.1 Aplicação prática do ponto Agora, vamos compreender como o ponto se aplica no design de moda, interiores e produtos, a partir da aplicação prática. Antes de iniciarmos precisamos entender que o ponto vai além de uma bolinha, no design ele também pode ser algo que se destaca em um ambiente, arte ou peça de roupa. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 37 No design de moda, o ponto pode ser visto através das estampas de bolinhas (também conhecida como poá), ou em um acessório que se destaca visualmente na composição do look, conforme as Figuras 1 e 2: FIGURA 1 –VESTIDO DE POÁ FIGURA 2 - LOOK COM BOTA PINK Fonte: PEXELS (2021). PEXELS (2021). Os looks das Figuras 1 e 2 representam bem a ideia do ponto aplicado ao design de moda. Na Figura 1 temos um vestido com estampa de poá, e na Figura 2 o blazer, blusa e calça são pretos e a bota pink é o ponto, se destacando na composição do look (ponto focal, neste caso). No design de interiores/produto o ponto pode ser entendido como ponto focal na composição de um ambiente. Ou seja, algum elemento que se destaca/desperta a atenção diante dos demais. Como indicam as Figuras 3 e 4: ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 38 FIGURA 3 - COZINHA COM BANQUETAS AZUIS Fonte: PEXELS (2021). FIGURA 4 - SALA COM SOFÁ VERDE Fonte: PEXELS (2021). As Figuras 3 e 4 representam a ideia de ponto nodesign de interiores. Na Figura 3, temos uma cozinha que possui todos os seus móveis e eletrodomésticos em uma mesma cartela de cores, a não ser pelas banquetas que se destacam por serem azuis e se tornam o ponto do ambiente. Na Figura 4, o ponto está no sofá que é da cor verde e se destaca dos outros elementos que estão na imagem. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 39 1.2 A linha FIGURA 5 – FACHADA DE EDIFÍCIO Fonte: PEXELS (2021). A linha pode ser considerada a trajetória que o ponto faz. Leborg (2015) orienta que a linha é a trajetória de um ponto em movimento. Na dimensão das medidas, tem-se a ideia de que a linha representa o comprimento, além da direção e posição dentro da análise de imagens e projetos. As linhas são constituídas de pesos, texturas, trajetos e espessuras, podendo ser retas ou curvas, contínua ou tracejada. As linhas também trazem uma representatividade, por exemplo; as linhas curvas estão ligadas ao corpo da mulher já que apresenta suavidade. Já as linhas retas estão ligadas ao masculino. Além disso, as linhas retas e verticais dão a sensação de amplitude e formalidade e as linhas horizontais de largura e/ou comprimento. Por último, as linhas diagonais estão ligadas a inquietação e instabilidade (JONES, 2015). Dessa forma, a linha pode estar presente por meio de estampas (listras) em uma peça de roupa ou em uma mobília, nas formas de um ambiente ou na fachada de uma casa e/ou edifício, entre outras aplicações. A linha pode trazer a noção de alongamento ou achatamento de um espaço ou mobiliário (no caso dos interiores/produtos), e em um look através de estampas ou a ausência delas (no caso do design de moda). Um exemplo é a imagem de abertura do nosso subtópico apresenta a fachada de uma construção que é formada por linhas retas e diagonais, trazendo a aplicação prática. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 40 1.2.1 Aplicação prática da linha Trabalhando exemplos da linha no design de moda, podemos entender as sensações visuais que ela pode provocar, como apresenta as Figuras 6 e 7: FIGURA 6 - VESTIDO COM LISTRAS COLORIDAS Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 7 - VESTIDO BRANCO FRANZIDO Fonte: PEXELS (2021) Os vestidos apresentados nas Figuras 6 e 7 evidenciam a aplicação das linhas retas e verticais na composição de moda. Na Figura 6, as listras de diferentes cores ajudam a perceber as diferentes espessuras e deixam a modelo mais longilínea (alongada). Na Figura 7, temos um vestido monocrático (uma única cor) e as linhas retas e verticais, são ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 41 percebidas pelos franzidos do vestido. Outras aplicações com linhas podem acontecer como em um terno, por exemplo, onde o corte é determinado pelas linhas retas, ou em uma estampa na horizontal que pode produzir um volume visual. No design de interiores/produto as linhas produzem uma sensação visual semelhante às do design de moda. Dessa forma, linhas na vertical podem produzir um ambiente com a sensação visual de amplitude, e linhas na horizontal com a percepção visual de redução do espaço. As Figuras 8 e 9 exemplificam nossa teoria: FIGURA 8 - BANHEIRO Fonte: PEXELS (2021) FIGURA 9 - SALA DE JANTAR Fonte: PEXELS (2021) ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 42 Na Figura 8, as linhas retas são formadas pelo design e pelos tons de cores dos aparelhos e mobiliários que compõem o ambiente. As linhas da banheira dão a sensação de amplitude do ambiente, assim como a cor dos azulejos que permitem perceber a altura do mesmo ambiente. Na Figura 9, as linhas da janela fornecem a percepção de altura e amplitude, e a linhas diagonais da estampa que corta o ambiente possibilitam verificar a dimensão do local. 1.3 O plano FIGURA 10 - EDIFÍCIO Fonte: PEXELS (2021). A trajetória de uma linha transforma-se em um plano. Segundo Jones (2015) o plano apresenta uma superfície lisa que é composto por largura e comprimento. Dessa forma, “o plano pode ser paralelo à superfície da imagem ou inclinar-se e recuar no espaço”. (LUPTON e PHILLIPS, 2008, p.18). O plano é, portanto, composto de linhas e pontos, e são todos unificados para apresentar um ambiente, um objeto ou uma roupa. A imagem da abertura do subtópico é composta por pontos, linhas que formam o plano da fachada do prédio. O plano do prédio é composto de linhas que são compostas de pontos que delimitam o início e o fim de cada uma delas. 1.3.1 Aplicação prática do plano No design de moda o plano é representado pela composição de um look que pode conter estampas, pedrarias e outros tipos de aviamentos. No design de interiores/ produto, o plano segue a mesma proposta e é composto por linhas e pontos que constituem ambiente. A Figura 9 unifica os exemplos para moda e interiores: ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 43 FIGURA 11 - MULHER COM VESTIDO ROSA SENTADA EM UMA SALA Fonte: PEXELS (2021). Na Figura 11, podemos perceber que o vestido é formado por diversas camadas de babados que, visualmente, apresentam linhas e dão a sensação de volume. Já no caso do design de interiores as linhas integram assoalho do ambiente, as janelas e confere amplitude dimensão ao ambiente local. O entendimento dos elementos ponto, linha e formas contribuirá para a análise e percepção de outros elementos do design que iremos estudar nos tópicos a seguir e que utilizam dos mesmos princípios. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 44 Neste tópico, vamos prosseguir apresentando a aplicabilidade dos elementos do design nas áreas de moda, interiores e produto. Portanto, vamos discutir sobre os elementos de forma e espaço, direção e movimento. 2.1 A Forma e o espaço Todos os objetos possuem uma forma que possibilita aos usuários identificarem e interpretá-lo. Assim, por forma entendemos como um elemento constitutivo que possui características físicas específicas e se situa em um espaço. Segundo Jones (2015), o círculo, o quadrado e o triângulo são tidos como as três formas básicas que apresentam significados e características específicas, por exemplo; o círculo está ligado a calor e proteção; o quadrado com quatro lados iguais indica honestidade e retidão e o triângulo está ligado a ação, conflito e tensão. Dentro de um plano, as formas podem ser combinadas formando outras novas formas. No design o espaço é visto de maneiras diferentes, sendo ele o território onde nasce as diferentes formas. 2.1.1 Aplicação prática de forma e espaço Com base nas definições de forma e espaço, iremos encontrar esses elementos nas composições de fachada de edificações e ambientes internos, assim como na modelagem e estamparia das peças de roupas. Para isso, a Figura 12 apresenta um vestido onde a forma e o espaço estão presentes: ELEMENTOS DO DESIGN: FORMA, ESPAÇO, DIREÇÃO E MOVIMENTO2 TÓPICO ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 45 FIGURA 12 - RELEITURA DO VESTIDO MONDRIAN DE YVES SAINT LAURENT Fonte: SHUTTERSTOCK (2021). No vestido da Figura 12, podemos verificar que existem várias formas distintas no modelo como o quadrado e retângulo; quadrado representado pela estampa, e retângulo representado na forma (modelagem) do vestido como um todo. O espaço que essa forma ocupa é o corpo das mulheres que estão usando o vestido. No design de interiores as formas seguem a mesma proposta de ocupar um espaço. A Figura 13 apresenta a fachada o Museu Guggenheim localizado na cidade de Bilbao, Espanha: FIGURA 13 - MUSEU GUGGENHEIM, BILBAO - ESPANHA Fonte: PEXELS (2021). ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 46 A imagem acima é composta de formas distintas. No caso da arquitetura, se desmembrarmos as formas que compõe a fachada do museu teremos o quadrado, retângulo e círculo, presentes na fachada e a forma da edificação. 2.2 A Direção FIGURA 14 - EDIFÍCIO VISTO DEBAIXO Fonte: PEXELS (2021). A direção é outro elemento do design que tem comocaracterística indicar não apenas a direção que um objeto, ambiente ou roupa, segue, mas, também, garantir o equilíbrio entre eles. Jones (2015, p.48) indica que “as formas básicas representam direções visuais fundamentais e significativas: o quadrado, a horizontal e vertical; o triângulo, a diagonal; o círculo, a curva”. Em cada uma das direções existe um significado que compreende um todo, por exemplo: a forma de direção horizontal e vertical dão a sensação de estabilidade. A forma de direção diagonal se opõe a estabilidade. A forma de direção curva representa a repetição e o calor. 2.2.1 Aplicação prática da direção Os elementos direção e movimento estão ligados ao elemento linha já que são elas que indicam para onde um objeto de dirige. No design de moda a direção está presente nas estampas e na modelagem das roupas e no design de interiores/produto a direção está presente na fachada dos edifícios e ambientes internos. As Figuras 15 e 16 exemplificam a aplicação do elemento direção. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 47 FIGURA 15 - VESTIDO BRANCO COM BORDADO Fonte: PEXELS (2021). Na Figura 15, podemos analisar que os bordados no vestido branco se direcionam de baixo para cima. Essa sensação visual é provocada pelas linhas e cores presente no modelo. FIGURA 16 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021). Na Figura 16, temos um ambiente que apresenta tons claros. As linhas presentes neste ambiente que une sala a cozinha, permitem verificar a direção do ambiente, com foco na escada que atravessa de uma ponta a outra da figura, indicando a direção e amplitude do local. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 48 2.3 O Movimento FIGURA 17 - FACHADA DE EDIFÍCIO VISTA DEBAIXO Fonte: PEXELS (2021). O movimento representa um tipo de mudança e pode estar ligado a objetos estáticos que possuem uma configuração que deixa implícito a capacidade de produzir essa sensação. Assim: o movimento numa composição só existe por causa dos elementos compositivos empregados e pelo modo como foram aplicados. [...] uma linha sinuosa ou uma forma pontuda e triangular e composições diagonais sugerem movimento, em contrapartida, as configurações retilíneas parecem estáticas. (JONES, 2015, p. 45). Tanto no design de moda, quanto no design de interiores/produto, o movimento pode ser representado pelas linhas curvas e sinuosas e as linhas diagonais. Essas formas dão dinamismo para ambientes, looks e produtos em geral. 2.3.1 Aplicação prática do movimento Agora que compreendemos o que é o movimento, vamos analisar algumas aplicações deles voltadas para o design de moda e interiores/produto. Assim, as figuras 18 e 19, ilustram essa representação ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 49 FIGURA 18 - VESTIDO ESVOAÇANTE Fonte: PEXELS (2021). Na Figura 18 podemos observar que o movimento é atribuído pela leveza do tecido e na ação da modelo ao mexer seus braços. Essa é a proposta desse elemento aplicado a moda. O movimento não está ligado somente a leveza dos tecidos, mas, também, na elaboração de estampas que podem provocar essa sensação. FIGURA 19 - RESTAURANTE Fonte: PEXELS (2021). A Figura 19 tem como ambiente um restaurante que possui formas/linhas arredondadas. Essa característica pressupõem o movimento já que as linhas circundam todo o ambiente, direcionando o olhar ao observador. Assim como na imagem que abre ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 50 nosso subtópico 2.3, que expõe a facha de um prédio com linhas curvas e sinuosas, conferindo a mesma sensação de movimento. E ai?! O que você está achando das nossas discussões? Está claro até aqui?! Para compreender melhor cada elemento do design é preciso exercitar! Portanto, convido você a fazer pesquisas de imagens e praticar. Esse processo de identificação e leitura visual só é possível com exercícios. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 51 Neste tópico, vamos dar continuidade nas discussões sobre os elementos do design e sua aplicabilidade no design de moda, interiores e produto. Vamos analisar os conceitos de volume e dimensão; escala e proporção, procurando entender que são elementos conectados, a existência de um pressupõe a existência do outro. 3.1 Volume e Dimensão O volume está presente nos objetos de design. Ele pode ser físico, real, sólido e pode ser criado nas artes e em projetos de superfícies planas. Leborg (2015, p. 13) conceitua o volume como “um espaço vazio definido por pontos, linhas e planos que se expressa por projeções nas três dimensões do espaço”. Conciliado ao elemento volume está dimensão, já que as coisas que passam pelos nossos sentidos possuem altura, largura e profundidade. Dondis (1998, p. 78) sobre dimensão orienta que “a dimensão real é o elemento dominante no design, na escultura e na arquitetura, e em qualquer material visual em que se lida com o volume total e real”. 3.1.1 Aplicação prática do volume e da dimensão No design de moda o volume e a dimensão podem ser percebidos através dos babados e camadas de saias, vestidos e decotes. Além da modelagem de ombreiras e calças boca de sino. A Figura 20, indica a aplicação do volume e da dimensão: ELEMENTOS DO DESIGN: VOLUME, DIMENSÃO, ESCALA E PROPORÇÃO3 TÓPICO ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 52 FIGURA 20 - VESTIDO PRETO E ROXO COM BABADOS Fonte: PEXELS (2021). Observarmos os elementos volume e dimensão no efeito visual que os babados e as camadas da saia do vestido provocam. O mesmo pode ser aplicado na Figura 21 que representa uma sala de estar. FIGURA 21 - SALA DE ESTAR Fonte: PEXELS (2021). A grande intervenção nessa figura que possibilita identificar o volume e a dimensão do ambiente é a estante em madeira com diversos nichos. Os dois elementos são percebidos através da amplitude da sala espaçosa e, também, pela disposição dos móveis. ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 53 3.2 Escala e Proporção FIGURA 22 – OVOS DECORATIVOS EM DIFERENTES ESCALAS Fonte: PEXELS (2021). A escala diz respeito às dimensões de um objeto ou diz respeito a sua representação e o objeto real que ele representa (JONES, 2015). A escala está vinculada ao contexto em que ela está inserida. “O controle da escala pode fazer uma sala grande parecer pequena e aconchegante, e uma sala pequena, aberta e arejada. Esse efeito se estende a toda a manipulação do espaço por mais ilusório que possa ser” (DONDIS, 1998, p. 75). A escala é utilizada baseando-se em um referencial. Dessa forma, quando o design cria um projeto ele deve estar embasado por um objeto/produto referencial. Que permite desenvolver todos os outros produtos. Tanto para o design de moda quanto para o design de interiores e produto, escala e proporção podem ser percebidos em um projeto. Na moda, utiliza-se para o desenvolvimento da modelagem/criação técnica das roupas, e no design de interiores e produto, para o desenvolvimento de ambientes e objetos e, também, das plantas em três dimensões do projeto. No entanto, não é apenas no projeto que esses elementos podem ser analisados, como também no tamanho de um objeto em relação a um ponto ou outro objeto. 3.2.1 Aplicação prática da escala e da proporção A aplicação prática da escala e da proporção podem ser percebidas nas Figuras 23 e 24, respectivamente: ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 54 FIGURA 23 - VITRINA Fonte: PEXELS (2021). FIGURA 24 - MESA COM OBJETOS Fonte: PEXELS (2021). ELEMENTOS DO DESIGNUNIDADE 2 55 Na Figura 23, podemos observar a vitrina de uma loja. Em um primeiro momento conseguir analisar que a proporção do espaço, que neste caso é amplo, devido a comparação visual que realizamos em relação a disposição dos manequins. Além disso, observa-se que as roupas em exposição possuem proporções diferentes. Essa análise da proporção é possível porque os manequins estão no mesmo nível do chão. Na Figura 24, temos um exemplo semelhante, os objetos que estão sobre a mesa possuem proporções diferentes e isso, também, é possível ser percebido