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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Unidade 1
Conceitos e de�nições em crescimento e desenvolvimento humano
Aula 1
De�nindo Crescimento Humano
De�nindo crescimento humano
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Olá! 
Nesta videoaula, você compreenderá a importância de estudar o crescimento e o
desenvolvimento humano, entendendo como esses processos acontecem. 
Este conteúdo permitirá a você se aprofundar no crescimento e na maturação dos diferentes
sistemas corporais, tornando-se capaz de reconhecer e aplicar tais conceitos em outras
situações importantes.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
A disciplina de Crescimento e Desenvolvimento Humano explica os conceitos e as de�nições de
crescimento, desenvolvimento e maturação e apresenta como esses processos acontecem em
cada um dos sistemas humanos. Além disso, essa disciplina abarca conteúdos importantes
sobre o desenvolvimento motor e como ele se dá nas diferentes fases da vida. Assim, ao se
aprofundar nos estudos sobre o crescimento e o desenvolvimento humano, você será capaz de
compreender os fenômenos que acontecem a cada idade e a in�uência da atividade física nesse
contexto. 
Imagine que você já tem seu diploma de Educação Física em mãos e trabalha como coordenador
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u1a1_cre_hum_liberado.pdf
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
de esportes e atividades físicas em uma escola. Sua função é coordenar uma equipe de
professores de Educação Física e de pro�ssionais de Educação Física que trabalham no
contraturno com atividades físicas e esportivas. No �m do ano letivo, os professores da área da
Educação Física comentam com você que, durante o ano, muitas dúvidas surgiram por parte dos
alunos, dos pais e de outros professores a respeito do crescimento infantil, do processo de
maturação e do desenvolvimento dos alunos. Por exemplo: basquete e vôlei fazem a criança
crescer em estatura? Ginástica deixa a criança pequena? Meninos são mais fortes que meninas? 
Diante dessas dúvidas, você decide convocar todos os professores e pro�ssionais de Educação
Física para um debate. Ao perceber que algumas dúvidas são mais básicas, você resolve
“começar do começo”. 
Você saberia dizer a importância de estudar crescimento e desenvolvimento humano? Você
conseguiria explicar o conceito de crescimento e como crescemos? 
Para liderar o debate, essas respostas devem estar na ponta da língua.
Vamos Começar!
Você já parou para pensar que, desde nossa concepção até a fase adulta, crescer, amadurecer e
desenvolver são processos centrais de nossa vida? Crescemos em estatura, nossos sistemas
amadurecem e nos desenvolvemos nos aspectos cognitivos, motores, emocionais e afetivos.
Todo esse processo tem íntima relação com a prática de exercício físico, seja em aspectos
físicos, como estatura e massa corporal; nos aspectos emocionais, como motivação; e aspectos
motores, na aprendizagem e no controle de movimentos e no desenvolvimento motor. Com isso,
surge a pergunta: por que devemos estudar crescimento e desenvolvimento humano?
Bom, então vamos à resposta.
O tornar-se adulto perpassa pelos processos de crescimento, maturação e desenvolvimento.
Assim, todo ser humano adulto viveu esses processos que são in�uenciados pelas condições do
próprio indivíduo e do ambiente em que vive. Dessa maneira, estudar crescimento e
desenvolvimento humano permite compreender os processos e todos os fatores que podem
in�uenciá-lo e, assim, intervir com a atividade física da melhor maneira possível e analisar sua
in�uência no crescimento e no desenvolvimento. A seguir, os principais motivos para estudarmos
crescimento e desenvolvimento humano (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
1. Compreender a variabilidade humana: é importante compreender que cada ser humano é
único; os efeitos se manifestam de forma diferente e ainda podem ser in�uenciados por
fatores ambientais. Assim, é possível compreender a variação biológica evidente durante
os anos de crescimento, levando em consideração sua origem, distribuição entre diferentes
populações e signi�cância. 
2. Status: signi�ca a estatura atingida, o nível de maturidade ou de desempenho alcançado
em dado espaço temporal. Ao compreender o status de uma criança ou de um grupo de
crianças, podemos comparar com outras crianças da mesma idade e do mesmo sexo. 
3. Progresso: de acordo com dados atuais, é possível compreender o progresso futuro de
uma pessoa. Por exemplo: a taxa de crescimento de uma criança no ano.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
4. Prognóstico: o status e o progresso permitem um prognóstico. Por exemplo: quanto a
criança terá de altura quando adulta. 
5. Monitoramento: é o acompanhamento da estabilidade de uma característica, da
manutenção de uma classi�cação e do posicionamento em um grupo no decorrer do
tempo. Por exemplo: uma criança ou um adolescente obeso poderá ser um adulto obeso?
�. Comparação: os dados referentes a uma pessoa ou um grupo de pessoas podem ser
comparados com padrões ou valores normativos de grupos de pessoas de idade e sexo
iguais. 
7. Interpretação da atividade física e desempenho: compreender o crescimento e o
desenvolvimento normal permite entender os efeitos de uma intervenção. Ou seja, quando
conhecemos o processo normal de crescimento, podemos entender os efeitos da atividade
física.
Existem diferentes tipos de estudos que buscam analisar os motivos listados; os mais comuns
são estudos transversais, longitudinais e longitudinais mistos. 
Nos estudos transversais, cada indivíduo é analisado somente uma vez. Por exemplo, se a ideia é
analisar a estatura de crianças de 7 anos de idade, selecionamos uma turma de crianças com
essa idade (chamamos de amostra) e medimos uma única vez a estatura de cada uma delas.
Esses tipos de estudos nos fornecem informações a respeito do status de crescimento atingido
na época da pesquisa, mas não nos permitem obter informações exatas sobre a taxa de
progresso. Em contrapartida, em estudos longitudinais repetimos essa mesma avaliação em
períodos especí�cos. Assim, analisamos essa mesma amostra (as mesmas crianças) aos 7
anos, depois aos 12 e aos 16 anos, por exemplo. Esses estudos fornecem informações não só
do status, mas também das alterações no decorrer do tempo. Por sua vez, os estudos
longitudinais mistos mesclam os estudos transversais e longitudinais: dados de indivíduos que
foram medidos em todas as ocasiões são combinados com dados de indivíduos medidos em
apenas uma ocasião. Esse tipo de estudo fornece informação a respeito do status de
crescimento, maturação e desenvolvimento e da taxa de progressão (Malina; Bouchard; Bar-Or,
2009).
Siga em Frente...
Mas a�nal, o que crescimento, maturação e desenvolvimento signi�cam? Essas de�nições serão
apresentadas no decorrer desta unidade; a cada aula você verá uma de�nição, e no �m �cará
mais clara a interação entre esses três conceitos. Já adiantamos aqui que esses termos são
muito confundidos, ao ponto de serem utilizados como sinônimos. No entanto, não é o caso. 
Vamos começar pelo termo “crescimento”. O crescimento físico é de�nido como o aumento
quantitativo do tamanho do corpo ou de partes especí�cas (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013;
Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). Nos seres humanos, esse crescimento acontece desde a
concepção até o �nal da adolescência ou início dos 20 anos. Assim, conforme ocorre o
crescimento das crianças, elas se tornam mais altas e pesadas devido ao aumento de tecidos
magros e gordos e dos próprios órgãos. É importante ressaltar que as mudanças observadas
após o período de crescimento recebem outros nomes; por exemplo, o aumento de massa
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
muscular não entra na de�nição de crescimentoimpulsos elétricos entre os neurônios não seja e�ciente; por isso, o bebê responde a estímulos
somente por movimentos re�exos. Esses movimentos re�exos acontecem devido ao fato de o
estímulo ir somente até a medula espinhal e retornar como um movimento involuntário como
resposta, sem que o bebê tome consciência do estímulo (Haywood; Getchell, 2010; Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Conforme o bebê se desenvolve no meio externo, interage com o mundo e recebe estímulos, a
bainha de mielina começa a ser formada em um processo de mielinização; células da glia
especí�cas, chamadas de células de Schwann, surgem e se enrolam ao redor do axônio. Os
axônios mielinizados permitem que os impulsos elétricos sejam disparados com mais
velocidade e maior frequência, viabilizando a realização de movimentos rápidos e de controle
postural. O funcionamento da porção superior do encéfalo, onde ocorrem o processamento das
informações e a tomada de decisão, é possível somente quando os neurônios envolvidos nesse
comportamento estão mielinizados. Esse aumento de neurônios mielinizados tem início duas ou
três semanas após o nascimento e continua até o segundo ou terceiro ano de vida (Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Na idade adulta, começam a acontecer declínios gradativos do sistema nervoso, como perdas de
neurônios, a�namentos das rami�cações dendríticas, declínio no número de sinapses, mudanças
nos neurotransmissores e reduções de mielina. No entanto, sabe-se que, dependendo do estilo
de vida, o sistema nervoso tem capacidade de passar por um processo de plasticidade, ou seja,
de se modi�car, de forma estrutural ou funcional, em resposta a uma experiência ou lesão. Além
disso, em algumas áreas do cérebro pode ocorrer a neurogênese — a divisão e a propagação de
neurônios. Esses processos são in�uenciados por fatores extrínsecos, como alimentação, sono,
estresse e, o mais importante deles, exercício físico (Haywood; Getchell, 2010).
Siga em Frente...
Sistema endócrino
O sistema endócrino tem como função controlar funções especí�cas das células por meio dos
hormônios. Assim, esses hormônios são secretados por glândulas e levados até as células
especí�cas por meio da circulação sanguínea. Dizemos células especí�cas porque todas as
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
células do corpo estão expostas à ação do hormônio que circula livremente pelo corpo, no
entanto somente as células que possuem receptor hormonal daquele hormônio produzirão
resposta (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). As principais glândulas envolvidas no crescimento
estão apontadas na Figura 1.
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 1 | Representação das principais glândulas responsáveis pelo crescimento e maturação (*presentes nos indivíduos do
sexo masculino, **presentes nos indivíduos do sexo feminino)
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
O crescimento humano por meio do sistema endócrino é complexo e depende tanto dos fatores
hormonais, que devem estar equilibrados, quanto dos fatores nutricionais, ambientais e
genéticos. Assim, podemos dizer que as ações hormonais funcionam em cascata: uma glândula
produz hormônios que estimulam a secreção de hormônios de outras glândulas.
Hormônios do crescimento
O hipotálamo secreta o GHRH, que estimula a secreção do hormônio GH (growth hormone –
hormônio de crescimento) na hipó�se. O GH tem sua ação após o nascimento, durante o
crescimento na infância e na adolescência. Uma criança com de�ciência ou ausência desse
hormônio pode apresentar problemas de crescimento, podendo chegar à interrupção do
crescimento linear (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009¬). 
Hormônios da tireoide
A tireoide é uma glândula localizada à frente da traqueia, abaixo da laringe. A cascata começa no
hipotálamo, que libera o hormônio TRH, que estimula a secreção de tirotropina (TSH – hormônio
estimulante da tireoide) na hipó�se. A tirotropina, ao ser liberada pela hipó�se, estimula a
produção de dois hormônios na tireoide: a tiroxina (T4) e a tri-iodotironina (T3). Esses hormônios
contribuem para o crescimento do corpo todo, o crescimento e a maturação dos ossos e
músculos, a maturação sexual e o desenvolvimento mental. Outro hormônio importante
produzido na tireoide é a calcitonina, que tem uma relação interessante com os hormônios
produzidos na paratireoide (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Hormônios da paratireoide
As glândulas da paratireoide estão localizadas na parte de trás da tireoide. Elas produzem o
hormônio da paratireoide (paratormônio) que regula a concentração de cálcio, deixando-o
estável. Assim, o hormônio da paratireoide aumenta o cálcio circulante quando necessário,
enquanto a calcitonina, produzida na tireoide, diminui. Eles trabalham em conjunto, em um
esquema de retroalimentação; ou seja, quando os níveis de cálcio estão muito baixos, o
hormônio da paratireoide é secretado. Caso ocorra uma elevação fora dos níveis normais, a
calcitonina é secretada para que o cálcio circulante diminua. Como o cálcio é importante o
crescimento ósseo, esses dois hormônios podem ser considerados essenciais (Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Hormônios das supra-adrenais
As glândulas adrenais estão localizadas na porção superior dos rins e são compostas de duas
glândulas distintas: a medula adrenal e o córtex adrenal. A medula adrenal secreta epinefrina
(adrenalina), noraepinefrina (noradrenalina) e catecolaminas, que agem de diversas maneiras no
crescimento e na maturação. Por outro lado, os hormônios do córtex adrenal estão diretamente
ligados ao crescimento e à maturação; são eles: aldosterona, cortisol e andrógenos adrenais. A
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
aldosterona regula o volume de �uidos extracelulares e a homeostase do sódio e do potássio. O
cortisol tem participação na realização do metabolismo de carboidratos e gorduras e no
estresse. Já os andrógenos adrenais estimulam o desenvolvimento das características
masculinas e, nas mulheres, produzem pequenas quantidades de estrogênio (Malina; Bouchard;
Bar-Or, 2009).
Hormônios gonadais
As glândulas gonadais se diferenciam entre homens e mulheres em testículos e ovários,
respectivamente. Os hormônios produzidos nessas glândulas afetam o crescimento e a
maturação sexual, com atuação maior na adolescência, fase em que ocorre o desenvolvimento
das características sexuais secundárias e dos órgãos sexuais. Nos homens, a síntese de
testosterona acontece nos testículos e no córtex adrenal. Nas mulheres, a produção de
estrogênio e outros hormônios menos potentes ocorre nos ovários, sendo que pequenas
quantidades são secretadas pelo córtex adrenal. Tanto os homens quanto as mulheres
sintetizam testosterona e estrogênio, mas em quantidades diferentes; a testosterona é muito
maior em homens e o estrogênio, em mulheres (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Insulina e glucagon
A insulina e o glucagon são produzidos pelas ilhotas de Langerhans, situadas no pâncreas. O
pâncreas é um órgão localizado próximo ao duodeno do intestino delgado e tem a função
primária de digestão. A insulina e o glucagon são hormônios antagonistas, ou seja, a insulina tem
a função de baixar a taxa de glicose no sangue e o glucagon, a de aumentar. No crescimento, a
insulina interage de forma complexa com o GH, sendo essencial para a expressão dos efeitos do
GH. Além disso, a insulina tem uma potente função associada à hiperplasia e à hipertro�a,
mecanismos celulares importantes para o crescimento.
Assim, a produção hormonal em todas as glândulas mencionadas sofre mudanças com a idade
devido às perdas de funcionalidades decorrentes do processo de envelhecimento. Assim, notam-
se disfunções na tireoide, diminuição dos níveis de hormônios gonadais e utilização ine�caz da
insulina (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Sistema ósseo
Quando falamos em crescimento ósseo, duas células são importantes: (1) os osteoblastos,
células formadoras dos ossos encontradas em superfícies e cavidades; e (2) os osteoclastos,
células que reabsorvem o tecido ósseo. Emuma criança em crescimento, ocorre mais formação
dos ossos do que reabsorção, ou seja, mais ação de osteoblastos do que de osteoclastos. Em
adultos, as taxas de formação óssea e reabsorção se encontram em equilíbrio. Já em idosos, a
reabsorção é maior que a formação, pois ocorrem uma diminuição dos osteoblastos e a
manutenção dos osteoclastos (Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
O osso é um tecido poroso formado por carbonato de cálcio, fosfato de cálcio, colágeno e água,
revestido pelo periósteo. A parte central do osso é denominada diá�se, enquanto as
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
extremidades são denominadas epí�ses. No interior do osso existe a medula óssea, revestida
pelo endósteo. 
O desenvolvimento ósseo se inicia na vida embrionária, quando o sistema esquelético é formado
por cartilagens. A Figura 2 representa a formação óssea a partir da cartilagem.
Figura 2 | Processo de ossi�cação. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
O crescimento longitudinal (ou seja, em comprimento) do osso ocorre nas epí�ses; quando o
crescimento cessa, por volta dos 18 anos, a placa de crescimento desaparece, e a epí�se se
funde com a diá�se. Em contrapartida, os ossos crescem em diâmetro durante a maior parte da
vida; os osteoblastos formam o tecido ósseo, e os osteoclastos o reabsorvem (Haywood;
Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Durante o processo de envelhecimento, ocorrem perdas de colágeno, e a formação do osso �ca
mais lenta, não acompanhando o ritmo de absorção. Assim, o osso se torna mais fraco e mais
poroso, sendo mais suscetível a fraturas, o que pode levar à osteoporose. Além disso, fatores
externos podem contribuir para esse processo, tais como as mudanças hormonais geradas pela
idade, a de�ciência alimentar e a diminuição de exercício físico. Essas mudanças na composição
do tecido ósseo são muito mais pronunciadas em mulheres, principalmente no período pós-
menopausa.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Gabriel é formado em Educação Física e decide trabalhar
com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais e�caz, ele opta por
fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e desenvolvimento humano”. Por
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de retomar alguns assuntos aprendidos
na graduação sobre crescimento e desenvolvimento humano para acompanhar melhor a turma.
Ele decide começar pelos sistemas nervoso, endócrino e ósseo. E, assim, surgem suas primeiras
dúvidas: como acontece a formação do sistema nervoso? Como o sistema endócrino atua desde
a concepção até a fase adulta? Como os ossos crescem?
A formação do sistema nervoso se inicia no período pré-natal, quando ocorrem a diferenciação e
a especialização celular. Ao nascer, o bebê apresenta o tronco encefálico e a medula espinhal
bem desenvolvidos; já o encéfalo passa a se desenvolver após o nascimento. O sistema
endócrino tem uma importante atuação ao produzir hormônios do crescimento, como o GH, e
outros. O funcionamento do sistema endócrino acontece em cascata: uma de�ciência na
produção de algum hormônio pode acarretar problemas para outros hormônios.
Saiba mais
Para se aprofundar mais sobre o desenvolvimento do sistema nervoso, leia o artigo
Embriologia do sistema nervoso central: aspectos clínicos.
Sobre o sistema endócrino, consulte o livro Fisiologia humana: uma abordagem integrada,
disponível na biblioteca digital. 
Para saber mais sobre os aspectos morfológicos e histológicos do sistema ósseo, leia o
artigo Tecido ósseo: aspectos morfológicos e histo�siológicos.
Referências
ANDIA, D. C.; CERRI, P. S.; SPOLIDORIO, L. C. Tecido ósseo: aspectos morfológicos e
histo�siológicos. Revista de Odontologia da Unesp, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 191-198, 2006.
Disponível em: https://revodontolunesp.com.br/article/588017da7f8c9d0a098b493d. Acesso
em: 28 maio 2024.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HALL, S. J. Biomecânica básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
SILVEIRA, F. M. da; SAMUEL, B. Embriologia do sistema nervoso central: aspectos clínicos.
Revista Cientí�ca Cognitions, Miami, v. 4, n. 1, 2021. Disponível em:
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/93/91
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/0
https://revodontolunesp.com.br/article/588017da7f8c9d0a098b493d
https://revodontolunesp.com.br/article/588017da7f8c9d0a098b493d
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/93/91. Acesso em: 28 maio 2024.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Aula 2
Crescimento e Desenvolvimento dos Sistemas: Parte II
Crescimento e desenvolvimento dos sistemas: Parte II
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Olá! 
Nesta videoaula, você compreenderá como acontecem o crescimento, o desenvolvimento e a
maturação dos sistemas muscular, adiposo e cardiorrespiratório. 
Esse conteúdo tem grande importância para a sua atuação pro�ssional, pois o auxiliará a
prescrever a intervenção por meio de exercícios físicos levando em consideração as
características do desenvolvimento em cada fase da vida.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
Além dos sistemas nervoso, endócrino e ósseo, o processo de desenvolvimento humano envolve
os sistemas muscular, adiposo e cardiorrespiratório. A interação entre esses sistemas promove a
maturação e o crescimento do ser humano e a possibilidade de praticar atividades físicas e
exercícios físicos.
Esta aula lhe permitirá aprofundar-se no desenvolvimento dos sistemas muscular, adiposo e
cardiorrespiratório. Para isso, vamos dar continuidade à situação apresentada. Gabriel possui
formação em Educação Física e pretende trabalhar com crianças e adolescentes. Para preparar
suas aulas de maneira mais e�caz, ele opta por fazer um curso chamado “Módulos avançados
do crescimento e desenvolvimento humano”. Por ser um módulo avançado, Gabriel percebe a
necessidade de retomar alguns assuntos aprendidos na graduação sobre crescimento e
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/93/91
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u2a2_cre_hum_liberado.pdf
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
desenvolvimento humano para poder acompanhar melhor a turma. Depois de revisar os sistemas
nervoso, endócrino e ósseo, Gabriel quer avançar para os sistemas muscular, adiposo e
cardiorrespiratório. As dúvidas são: os músculos de crianças e adolescentes são diferentes dos
de adultos? A porcentagem de gordura varia entre crianças, adolescentes, adultos e idosos?
Como é formado o sistema cardiorrespiratório?
E aí, como podemos ajudar o Gabriel nesse momento?
Vamos Começar!
O processo de desenvolvimento humano in�uencia e é in�uenciado pelo exercício físico.
Portanto, compreender como acontece o desenvolvimento dos sistemas corporais auxilia na
intervenção e�caz. Nesta aula, vamos falar sobre o desenvolvimento dos sistemas muscular,
adiposo e cardiorrespiratório.
Sistema muscular
O corpo humano é formado por três tipos de tecidos musculares: o músculo esquelético, o
músculo liso e o músculo cardíaco. O músculo cardíaco é encontrado no coração, e o músculo
liso é encontrado em órgãos e estruturas tubulares internas, como bexiga, estômago e vasos
sanguíneos. Para falarmos do sistemamuscular, vamos abordar neste tópico o músculo
esquelético.
O músculo esquelético se conecta aos tendões que são ligados aos ossos e é formado por um
conjunto de fascículos envolvidos por tecido conectivo, onde encontramos �bras colágenas e
elástica. Esses fascículos são compostos de várias células longas e cilíndricas, conhecidas
como �bras musculares, organizadas em paralelo (Figura 1) (Fox, 2017).
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 1 | Representação dos componentes do músculo
Há três tipos principais de �bras musculares: tipo I, tipo IIa e tipo IIb. As �bras do tipo I são
chamadas de �bras de contração lenta; ou seja, quando recrutadas para algum movimento,
demoram mais tempo para se contraírem. Por resistem em contração por mais tempo, são muito
utilizadas em atividades que exigem resistência. Já as �bras do tipo II são �bras de contração
rápida, pois contraem-se rapidamente quando recrutadas, mas não permanecem assim por
muito tempo, então são adequadas para atividades de intensa e curta duração (Haywood;
Getchell, 2010).
A formação do músculo acontece por um processo de miogênese, no qual as células
embrionárias se diferenciam em mioblastos e depois se fundem para formar miotubos. No
citoplasma dos miotubos são desenvolvidos os mio�lamentos para, então, desenvolver as
mio�brilas, que são as unidades contráteis do músculo, presentes na �bra muscular. Durante a
vida pré-natal, as �bras musculares crescem por hiperplasia e hipertro�a. Após o nascimento, a
hiperplasia continua por um período curto e, a partir daí, o crescimento do músculo acontece
predominantemente por hipertro�a (Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
As �bras musculares crescem em comprimento e diâmetro e, de forma natural, os músculos
aumentam em comprimento conforme os ossos vão crescendo. Quanto à diferenciação celular,
no nascimento, 15% a 20% das �bras não se diferenciam quanto ao tipo, e 15% não são
claramente tipo IIa ou IIb. Após aproximadamente um ano do nascimento, a diferenciação do tipo
de �bra é semelhante à de um adulto, e a proporção dos tipos de �bra varia de indivíduo para
indivíduo (Haywood; Getchell, 2010).
Quanto à massa muscular em meninos e meninas, na infância as diferenças são bem pequenas;
mostra-se um pouco maior em meninos. Na adolescência, as meninas ganham massa muscular
até os 13 anos em média, e os meninos têm um rápido aumento até os 17 anos (Haywood;
Getchell, 2010). 
No início da vida adulta, a composição corporal começa a mudar: a proporção de massa
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CRESCIMENTO E
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muscular diminui, e a de gordura aumenta. A perda de massa muscular é mais lenta até os 50
anos, e, a partir dessa fase, a taxa de perda é maior, podendo variar entre as pessoas
dependendo da alimentação e da prática de exercício físico. Essa diminuição da massa muscular
acontece em virtude de uma redução do número e do diâmetro das �bras musculares (Haywood;
Getchell, 2010). 
Um fato interessante é que a massa óssea e a massa muscular se relacionam ao longo da vida: a
utilização dos músculos estimula a formação óssea. Podemos dizer, então, que a prática de
exercício físico auxilia no processo de ganho de massa muscular e na formação óssea,
favorecendo o não aparecimento de doenças como a osteoporose (perda do conteúdo ósseo,
que provoca fraturas e difícil regeneração) e a sarcopenia (perda da massa muscular e,
consequentemente, da força).
Sistema adiposo
Embora muito se propague que a massa de gordura é indesejável, o tecido adiposo tem funções
importantíssimas no corpo, como a regulação do equilíbrio de energia, o metabolismo da glicose,
da insulina e de lipídeos, a imunidade, a produção de hormônios, a regulação da pressão
sanguínea, dentre outros. O sistema adiposo é formado por células de lipídeos (adipócitos), que
possuem uma estrutura complexa (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
O processo de diferenciação das células adiposas no período pré-natal é chamado de
adipogênese. Inicia-se com as células precursoras, os adipoblastos, que se diferenciam e
progridem para o estágio de pré-adipócitos. A partir daí, adipócitos muito pequenos tornam-se
evidentes e se diferenciam em adipócitos maduros. No feto, o tecido adiposo aparece aos três
meses e meio e aumenta rapidamente nos últimos meses antes do nascimento, sendo
responsável por 0,5 kg do peso corporal no nascimento (Haywood; Getchell, 2010; Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009).
Na fase pós-natal, ocorre um acelerado aumento de gordura nos primeiros 6 meses, e depois ela
cresce gradualmente até os 8 anos. A distribuição da gordura pelo corpo é diferente ao longo dos
anos. Na infância, ocorre um rápido aumento da gordura visceral (gordura interna em torno das
vísceras) e uma diminuição da gordura subcutânea até por volta dos 7 anos. Depois disso, ocorre
um aumento da gordura subcutânea até por volta dos 13 anos. Na adolescência, as meninas
continuam com o aumento da gordura subcutânea, e os meninos perdem a gordura subcutânea.
Nos meninos, a maior concentração de gordura subcutânea ocorre no tronco e nas meninas, no
tronco e nos membros (Haywood; Getchell, 2010). 
Na fase adulta, ambos os sexos tendem a ganhar massa de gordura entre 20 e 50 anos. A partir
dos 50 anos, a massa corporal total passa a diminuir, mas isso ocorre pela diminuição da massa
magra e óssea, pois a massa de gordura continua a aumentar com a idade. Os idosos acumulam
menos gordura subcutânea nos membros e mais gordura visceral na região do abdômen, o que
pode ser associado ao risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A taxa de
aumento da massa de gordura e a diminuição das massas muscular e óssea dependem do estilo
de vida do indivíduo, o que inclui alimentação e exercício físico (Haywood; Getchell, 2010).
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Siga em Frente...
Sistema cardiorrespiratório
Entender como acontece o desenvolvimento do sistema cardiorrespiratório permite compreender
seu funcionamento e as respostas dos indivíduos aos exercícios físicos nas diferentes faixas
etárias. Os sistemas cardiovascular e respiratório funcionam em conjunto formando o sistema
cardiorrespiratório. Para melhor entendimento, vamos abordar um sistema de cada vez.
Sistema cardiovascular
O coração e os vasos sanguíneos surgem a partir de células embrionárias que dão origem aos
tubos endocárdicos, que se fundem para formar o tubo cardíaco primitivo, cujos batimentos
começam pouco tempo depois. Esse fenômeno acontece cerca de três semanas após a
fertilização. Assim, o tubo cardíaco primitivo se transforma na cavidade pericárdica, e células
angiogênicas crescem em tamanho e migram para várias direções, compondo os vasos
sanguíneos. O coração adquire sua forma de�nitiva ao �nal da sexta semana após a concepção,
e os principais vasos sanguíneos se estabelecem por volta da oitava semana. Para a formação
das quatro câmaras do coração, o tubo cardíaco primitivo dobra e se retorce sobre si mesmo
(Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). A circulação do feto é realizada pela veia umbilical, que carrega
oxigênio e nutrientes da placenta para o feto, e pelas duas artérias umbilicais, que transportam
sangue venoso do feto à placenta, para a reoxigenação e a eliminação de metabólitos para a
circulação materna (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Logo ao nascer, o bebê experimenta a mudança do ambiente aquoso para o ambiente externo e o
rompimento da via metabólica estabelecida com mãe, sendo necessários ajustes não só no
coração, mas também nos sistemas circulatório e respiratório, pois o bebê passa a respirar pelos
pulmões (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Assim, nos primeiros meses ocorre um aumento do volume do coração, sendo que seu valor
duplica nos primeiros 6 meses, quadruplica até os 2 anos e se torna entre três e cinco vezes
maior na fase adulta. A massa do coração aumenta do nascimento até a terceira ou quarta
década de vida.
São notadas também alterações nas funções cardíacas. É veri�cada uma diminuição da
frequência cardíaca basal(medida dormindo) com o passar dos anos, sendo que a frequência
cardíaca basal no nascimento é de 140 bpm e diminui aproximadamente 100 bpm até 1 ano de
idade. Durante a infância, a redução continua, sendo de 80 bpm por volta dos 6 anos de idade e
de 70 bpm por volta dos 10 anos. Após os 10 anos de idade, notam-se também diferenças entre
a frequência cardíaca basal de meninos e meninas: em meninas é em média 3 a 5 bpm maior do
que em meninos. No �nal da adolescência, os homens apresentam frequência cardíaca basal
entre 57 e 60 bpm e mulheres, entre 62 e 63 bpm (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Por sua vez, o volume de pulsação — o volume de sangue ejetado do ventrículo esquerdo durante
a contração — aumenta consideravelmente na infância e na adolescência. Já o débito cardíaco
(resultado do débito do ventrículo esquerdo em 1 minuto, sendo o produto do volume de
pulsação e da frequência cardíaca) aumenta de 0,5 litro de sangue/min em recém-nascidos para
5 litro de sangue/min em jovens adultos do sexto masculino (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
No caso da pressão sanguínea, é necessário analisar a pressão arterial sistólica (PAS), a mais
alta nas artérias durante a fase de contração, e a pressão arterial diastólica (PAD), a mais baixa
nas artérias durante a fase de relaxamento. A PAS do recém-nascido varia de 40 a 75 mmHg.
Com 1 ano, a PAS atinge entre 85 e 90 mmHg, e a PAD atinge entre 45 e 50 mmHg. A partir dos
10 anos de idade, é notada uma diferença entre os sexos; o aumento da PAS é maior em
meninos, e a PAD não apresenta diferenças (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Com o envelhecimento, ocorrem degeneração do músculo cardíaco, diminuição da elasticidade
do coração e dos vasos e alterações nas �bras das válvulas cardíacas, que fazem com que haja
um aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, podendo ocasionar doenças como
hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio, entre outras
cardiopatias.
Sistema respiratório
Os pulmões são formados a partir da fertilização e, durante as primeiras semanas, são como
bolsa única, que depois se divide. Por volta da 16a semana, a diferenciação até a árvore
brônquica é estabelecida, e, nas últimas semanas de vida fetal, os alvéolos começam a se
desenvolver, mas sua total formação acontece no período pós-natal. Os pulmões são
preenchidos por um �uido amniótico, que durante o nascimento é expelido com a compressão
torácica que acontece pela passagem pelo canal (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Quanto ao desenvolvimento das funções respiratórias (FR) ao longo da vida, são veri�cadas
mudanças na frequência respiratória com a idade, sendo que ao nascer a FR é aproximadamente
40/min. Assim, no primeiro ano de vida, diminui para 30/min e com 5 ou 6 anos de idade, a FR é
de aproximadamente 22/min, não apresentando diferenças entre os sexos. Os volumes, os �uxos
e as capacidades respiratórias também mudam em crianças e adolescentes e estão associados
à altura, aumentando proporcionalmente com a elevação da altura (Malina; Bouchard; Bar-Or,
2009).
No processo de envelhecimento, ocorre uma diminuição das trocas respiratória devido à redução
das paredes torácicas e à perda da elasticidade dos tecidos pulmonares. Assim, os
comprometimentos nas funções cardiovasculares também irão comprometer as trocas
respiratórias em indivíduos mais velhos.
Vamos Exercitar?
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Voltemos à situação do início da aula. Gabriel possui formação em Educação Física e pretende
trabalhar com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais e�caz, ele
opta por fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e desenvolvimento
humano”. Por ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de retomar alguns
assuntos aprendidos na graduação sobre crescimento e desenvolvimento humano para poder
acompanhar melhor a turma. Depois de revisar os sistemas nervoso, endócrino e ósseo, ele quer
avançar para os sistemas muscular, adiposo e cardiorrespiratório. As dúvidas são: os músculos
de crianças e adolescentes são diferentes dos de adultos? A porcentagem de gordura varia entre
crianças, adolescentes, adultos e idosos? Como é formado o sistema cardiorrespiratório?
Durante o desenvolvimento muscular, a diferença entre crianças e adolescentes é a quantidade
dos tipos de �bras, que in�uencia a capacidade de realizar movimentos de resistência muscular
ou força muscular e a capacidade de hipertro�a. Ocorre uma variação natural da gordura corporal
com a idade e existe, também, a in�uência da alimentação e do exercício físico. O sistema
cardiovascular é formado logo após a fertilização e ocorrem mudanças ao longo da vida na
frequência cardíaca, no volume de pulsação, no débito cardíaco e na pressão arterial. O sistema
pulmonar é formado logo após a fertilização, mas os pulmões �cam preenchidos por �uidos que
são expelidos durante e após o processo de nascimento. A frequência respiratória, o �uxo, o
volume e a capacidade pulmonares também sofrem mudanças ao longo da vida.
Saiba mais
Quer saber mais sobre o sistema adiposo? Leia o artigo O tecido adiposo como centro
regulador do metabolismo.
Para saber mais sobre o treinamento de força para crianças e adolescentes, leia o artigo
Treinamento de força para crianças e adolescentes: benefícios ou malefícios?
E para saber das adaptações cardiorrespiratórias diante o exercício físico, leia o artigo
Adaptações cardiorrespiratórias em crianças e adolescentes: efeitos do treinamento físico
sistemático.
Referências
FONSECA-ALANIZ, M. H. et al. O tecido adiposo como centro regulador do metabolismo.
Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, São Paulo, v. 50, n. 2, 2006. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/#. Acesso em: 28 maio 2024.
FOX, S. I. Fisiologia humana. Barueri, SP: Manole, 2007.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/#
https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/#
https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/49474533/Treinamento_de_forca_muscular_para_criancas_e_adolescentes_-_beneficios_ou_maleficios-libre.pdf?1476017306=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DTreinamento_de_forca_muscular_para_crian.pdf&Expires=1716916748&Signature=KVx7iuhb7VW0Un7RpPzkLwiAXFAqtYJuto~FUKpmjKnmNJ1Iu9eqlRxSLxqJXeH2gvlkyjbiZWQHvTQCQOpTrWm4hFj6MfAo3GK1stk02wDMTJEDno3LUPxgmpNgC6-AkwxhIpKUf094w6zCU3gns9MhcaDwmrRWRR4K6JBHAunDELQT9527WCwIvnI-dZCRHs8OSD024ND1uv1HZ6AqCf7EMFk0vAmbn9-38wIPfi9aimeo~JjIfKet8BIfnZqGoSk68VG0fN8YcGodGi7EYK8vlVo600sSpi-35mLf5xQcyENW6Mxb2QZpBHlve41WcfZlsSC8~CLvdEsKpKJnRQ__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA
https://www.efdeportes.com/efd142/adaptacoes-cardiorrespiratorias-em-criancas.htm
https://www.efdeportes.com/efd142/adaptacoes-cardiorrespiratorias-em-criancas.htm
https://www.scielo.br/j/abem/a/htcRSX7FjpchRd4gHNkg7VR/#
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
MODOLO, V. B.; RIGOLIN, L. R.; PRADO, W. L. do. Adaptações cardiorrespiratórias em crianças e
adolescentes: efeitos do treinamento físico sistemático. Efdeportes, Buenos Aires, ano 14, n. 142,
2010. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd142/adaptacoes-cardiorrespiratorias-em-
criancas.htm. Acesso em: 28 maio 2024.
PERFEITO, R. S.; SOUZA, W. M. M. de; ALVES, D. G. de S. Treinamento de força para crianças e
adolescentes: benefícios ou malefícios. Adolescência e Saúde, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 54-62,
2013. Disponível em:
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_e_adolescentes_-_bene�cios_ou_male�cios-libre.pdf?1476017306=&response-content-disposition=inline%3B+�lename%3DTreinamento_de_forca_muscular_para_crian.pdf&Expires=17
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35mLf5xQcyENW6Mxb2QZpBHlve41WcfZlsSC8~CLvdEsKpKJnRQ__&Key-Pair-
Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA. Acesso em: 28 maio 2024.
Aula 3
Avaliação Maturacional e Curva de Crescimento
Avaliação maturacional e curva de crescimento
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https://www.efdeportes.com/efd142/adaptacoes-cardiorrespiratorias-em-criancas.htm
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Olá! 
Nesta videoaula, você verá como podemos avaliar o crescimento humano e quais são os
métodos de avaliação da maturidade. Além disso, aprenderá como analisamos os dados da
avaliação do crescimento por meio de curvas de crescimento.
Esse conteúdo tem um grande valor para sua formação pro�ssional, pois lhe permitirá tomar a
decisão correta na hora de avaliar o crescimento e a maturação de crianças e adolescentes e
traçarsuas medidas de intervenção.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
Ponto de Partida
Você sabia que é possível medir o processo de crescimento e maturação de crianças e
adolescentes para entendermos em que estágio estão e se estão dentro de um padrão de
normalidade? Isso mesmo! Existem técnicas e métodos de avaliação que te ajudam a planejar
uma intervenção de acordo com os resultados obtidos. Além disso, é importante que você saiba
analisar esses resultados por meio de grá�cos e tabelas normativas.
Para compreender esse conteúdo, vamos à situação proposta. Gabriel possui formação em
Educação Física e pretende trabalhar com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de
maneira mais e�caz, ele opta por fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento
e desenvolvimento humano”. Por ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de
retomar alguns assuntos aprendidos na graduação sobre crescimento e desenvolvimento
humano para acompanhar melhor a turma. Ele começou revisando os sistemas nervoso,
endócrino, ósseo, muscular, adiposo e cardiorrespiratório. Agora, Gabriel quer rever os conteúdos
sobre a avaliação do crescimento e da maturação de crianças e adolescentes. As dúvidas são:
como posso avaliar o crescimento de crianças e adolescentes? Como avalio a maturidade dos
alunos se cada sistema tem seu timing de maturação? Como posso analisar os dados obtidos
nas avaliações?
Vamos Começar!
Para de�nir a intervenção em crianças e adolescentes por meio do exercício físico, é necessário
obter algumas medidas de crescimento e da maturação. Mas o mais importante é a análise
desses resultados; ou seja, o que tais medidas signi�cam? Estudaremos isso nesta aula.
Medidas de crescimento
Existe uma similaridade do padrão de crescimento entre os indivíduos no período pós-natal, no
entanto é possível notar uma variabilidade do crescimento nas diferentes idades, que acontece
no corpo como um todo ou em segmentos. Aqui vamos descrever as medidas mais comuns para
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u2a3_cre_hum_liberado.pdf
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analisar o crescimento. 
Para medir o corpo humano, utilizamos a antropometria, que consiste em um conjunto de
técnicas padronizadas de medição sistemática do corpo e de suas partes. Assim, para a
medição corporal são utilizados pontos anatômicos de referência, instrumentos especí�cos e
posicionamento ideal do indivíduo. A seguir, você verá métodos antropométricos usados para
medir o corpo e suas partes; a escolha do método depende da �nalidade.
1. Medida de tamanho corporal total
a. Massa corporal: a medida de todos os componentes do corpo. Pode ser obtida por meio de
uma balança, com a pessoa vestindo roupas comuns (se possível, homens de shorts e
mulheres de top e shorts), sem calçados.
b. Estatura (ou altura em pé): a medida do corpo ereto, do vértex (topo) do crânio até o chão
ou a superfície em que está de pé, sem sapatos. Crianças de até 2 ou 3 anos são medidas
deitadas.
Ambas as medidas sofrem in�uência do horário do dia. A estatura à noite é menor devido à
compressão dos discos entre as vértebras; e a massa corporal é menor de manhã ao levantar-se,
principalmente se esvaziar a bexiga. Para garantir que não ocorra esse tipo de interferência, é
importante que as medidas sejam realizadas pela manhã e, em caso de reteste, no mesmo
horário. Outro fator que pode in�uenciar a medida da massa corporal é o período menstrual. 
2. Componentes da estatura
a. Altura sentado: a distância entre o vértex da cabeça e a superfície na qual a pessoa está
sentada. A medida da estatura menos a altura sentado é igual ao comprimento dos
membros inferiores.
  3. Diâmetros corporais: medidas transversais a partir de um ponto de referência ósseo
especí�co, por meio de um paquímetro
a. Diâmetro biacromial: fornece um indicativo do diâmetro dos ombros, pois mede a distância
do processo acromial do lado direito até o processo acromial do lado esquerdo.
b. Diâmetro bicristal: fornece um indicativo do diâmetro do quadril; a distância entre a porção
mais lateral das cristas ilíacas. 
c. Diâmetro biepicondilar do fêmur: fornece um indicativo do diâmetro do joelho, medido a
partir dos epicôndilos lateral e medial do joelho.
d. Diâmetro biepicondilar do úmero: fornece um indicativo do diâmetro do cotovelo, medido a
partir dos epicôndilos lateral e medial do cotovelo.
4. Circunferência dos membros: um indicativo do desenvolvimento muscular, medido com uma
�ta antropométrica
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a. Circunferência do braço: localiza-se o ponto entre o processo acromial da escápula e o
processo olecraniano do cúbito (extremidade do cotovelo).
b. Circunferência da panturrilha: medida no local de máxima circunferência da panturrilha,
com a pessoa na posição padrão, com o corpo distribuído em ambas as pernas.
5. Dobras cutâneas: fornecem informações sobre o tecido adiposo subcutâneo (porção de
gordura localizada abaixo da pele). Com um compasso de dobras cutâneas, é medida a
espessura da dobra
a. Dobra do tríceps: medida na parte superior do braço acima do tríceps, no mesmo nível da
medida de circunferência do bíceps. 
b. Dobra subescapular: medida nas costas, no ângulo inferior da escápula.
c. Dobra da panturrilha medial: medida na parte interna da panturrilha na região de maior
circunferência. 
d. Dobra suprailíaca: medida acima da crista ilíaca, na linha axilar média. 
e. Dobra abdominal: medida a 3 cm ao lado e 1 cm abaixo do umbigo.
Em bebês e crianças até 3 ou 4 anos de idade, é medida a circunferência da cabeça, que
monitora o crescimento do cérebro no início da vida; a �ta antropométrica é colocada acima das
sobrancelhas, passando pela protuberância occipital e dando a volta na cabeça.
Siga em Frente...
Razões e proporções
Com base nas medidas é possível obter outras informações por meio de cálculos matemáticos.
Assim, podemos calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), dividindo a massa corporal pela
estatura ao quadrado. Essa medida é utilizada para classi�car em sobrepeso e obesidade. Pode-
se calcular também a altura sentado/razão da estatura, dividindo a altura sentado pela estatura e
multiplicando por 100. Essa razão fornece uma estimativa do comprimento relativo do tronco. E,
por �m, temos a relação entre ombro e quadril, na qual o diâmetro bicristal é dividido pelo
diâmetro biacromial e multiplicado por 100. Essa razão fornece informações sobre as alterações
proporcionais do ombro com o quadril, que são mais aparentes na adolescência.
Avaliação da maturidade
Como o processo de maturação varia entre os sistemas corporais, é necessário avaliá-los
individualmente. 
1. Avaliação da maturidade esquelética: já sabemos que o osso se desenvolve a partir de um
centro primário de ossi�cação, no qual sofre calci�cação e remodelação, evoluindo para uma
forma adulta quando ocorre a fusão das epí�ses ósseas com a diá�se. A avaliação da maturação
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esquelética é feita por meio de radiogra�a, que permite analisar o processo de ossi�cação. Dois
métodos são mais comuns:
a. Método Greulich-Pyle: consiste em comparar radiogra�as da mão e do punho com
radiogra�as-padrão, de acordo com a idade cronológica. A idade esquelética da criança é a
idade identi�cada na radiogra�a-padrão. O atlas desse método inclui radiogra�as de
referência de mão e punho esquerdo do nascimento até 19 anos (homens) e 18 anos
(mulheres).
b. Método Tanner-Whitehouse: avalia escores de maturidade em radiogra�as que, em seguida,
são atribuídos a uma idade óssea. É um sistema de pontuação de 20 ossos da mão e do
punho, no qual, por meio de uma minuciosa avaliação individual, é atribuído um estágio
maturacional para cada um associado à sua respectiva pontuação. A soma total dessa
pontuação é comparada a valores de uma tabela que mostra a associação a uma idade
esquelética especí�ca. 
A avaliaçãoda maturidade esquelética é a mais utilizada e a que melhor representa o processo
de maturação, no entanto é realizada somente por médicos e expõe o indivíduo a radiação. 
2. Avaliação da maturidade sexual: baseia-se nas características sexuais secundárias, ou seja, no
desenvolvimento dos seios e na menarca nas meninas e no desenvolvimento de pênis e
testículos nos meninos, assim como no aparecimento dos pelos pubianos em ambos. Para as
mulheres, a menarca é um indicador �siológico de fácil identi�cação, o que não pode ser
analisado em homens. O método mais utilizado para avaliar o aparecimento das características
sexuais secundárias masculinas e femininas foi descrito por Tanner em 1962. Por requerer
observação visual e invadir a privacidade de crianças e adolescentes, só é realizado por médicos
e quando existe a necessidade.
3. Avaliação da maturidade somática: baseia-se nas alterações da velocidade de crescimento e
na porcentagem da estatura adulta.
a. Idade do pico da velocidade de crescimento: a idade de máximo crescimento em estatura
durante o estirão de crescimento na adolescência. 
b. Porcentagem de estatura adulta: determina o quão perto a criança está de sua estatura
adulta ou madura. 
4. Avaliação da maturidade dental: veri�ca a idade de surgimento dos dentes de leite e dos
dentes permanentes. É realizada uma radiogra�a de sete dentes em um quadrante da boca; estes
são avaliados de acordo com critérios comuns a um dente de acordo com seus estágios
especí�cos. São atribuídas pontuações para cada estágio, e a soma dessas pontuações estima a
maturidade dental. 
De maneira geral, os indicadores de maturidade somática, sexual e esquelética relacionam-se
entre si, ou seja, quando há um avanço em um aspecto, ocorre o avanço em outros também. No
entanto, a maturidade dental é independente. A maturidade sexual e a idade do pico de
velocidade de crescimento se limitam a caracterizar a puberdade e adolescência, enquanto a
maturidade esquelética abrange os anos pré-púberes e púberes.
É importante ter em mente que as medidas antropométricas de crescimento podem ser
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realizadas por pro�ssionais de Educação Física, no entanto, quando se trata de medidas de
maturidade, somente as medidas somáticas (idade do pico de velocidade de crescimento e
porcentagem da estatura) podem ser veri�cadas por esses pro�ssionais. As medidas de
maturidade esquelética, sexual e dental devem ser efetuadas por médicos ou dentistas. Por mais
que os pro�ssionais de Educação Física não as utilizem, conhecer as técnicas e as análises dos
resultados é importante para analisar o diagnóstico médico ou odontológico e intervir de maneira
positiva com o exercício físico. 
Curvas de crescimento
As curvas de crescimento são capazes de representar a evolução de variáveis como peso,
estatura, IMC e velocidade de crescimento em relação a idades especí�cas para meninos e
meninas, conforme mostrado na Figura 1.
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Figura 1 | Estatura de meninos e meninas com relação à idade
O grá�co mostra que o aumento da estatura com a idade é igual entre meninos e meninas até
aproximadamente 13 ou 14 anos. Depois desse período, ocorre um maior aumento da estatura
em meninos. Além disso, pode-se notar um crescimento mais acelerado até os 2 anos de idade;
depois, o crescimento acontece de maneira mais lenta e volta a acelerar na adolescência. Esse é
o padrão de curva considerado normal para a população em geral. Também existem grá�cos
com valores de referência para massa corporal, IMC e velocidade de crescimento, entre outros. 
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Os grá�cos trazem dados de referência (sugerem como as coisas devem ser) com uma medida
chamada percentil, que consiste em um ponto especí�co de uma distribuição que pode
determinar que a criança esteja abaixo ou acima de uma porcentagem da população.
Normalmente, as tabelas de crescimento utilizam os percentis 5, 10, 25, 50, 75, 90 e 95 (algumas
apresentam 3, 5, 10, 25, 50, 75, 90, 95 e 97). E o que isso signi�ca? Quando uma menina tem
percentil 50 para a estatura, signi�ca que 50% das meninas são mais altas do que ela, e 50% são
mais baixas, ou seja, ela está na média. Agora, se outra menina apresenta percentil 5, signi�ca
que somente 5% das meninas são menores do que ela, e 95% são maiores do que ela, então
pode-se dizer que ela está abaixo da média. 
A Figura 2 apresenta no círculo amarelo uma menina de 12 anos com aproximadamente 1,50
metro (150 cm) que se encontra na linha verde, ou seja, percentil 50. No círculo alaranjado, há
outra menina da mesma idade com aproximadamente 1,65 metro (165 cm), que se encontra na
linha vermelha, no percentil 97. Isso signi�ca que a menina do círculo amarelo está dentro da
média da população, e a menina do círculo alaranjado está muito alta para a idade, porque
somente 3% da população com essa idade é mais alta que ela e 97% da população é mais baixa
do que ela. 
Figura 2 | Altura pela idade de meninas. Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os grá�cos com as curvas de crescimento nos ajudam a visualizar o desenvolvimento das
crianças e a compará-las com o ideal, permitindo criar estratégias para contornar qualquer
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eventualidade.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Gabriel possui formação em Educação Física e pretende
trabalhar com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais e�caz, ele
opta por fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e desenvolvimento
humano”. Por ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de retomar alguns
assuntos aprendidos na graduação sobre crescimento e desenvolvimento humano para poder
acompanhar melhora a turma. Ele começou revisando os sistemas nervoso, endócrino, ósseo,
muscular, adiposo e cardiorrespiratório. Agora, Gabriel quer rever os conteúdos sobre avaliação
do crescimento e da maturação de crianças e adolescentes. As dúvidas são: como posso avaliar
o crescimento de crianças e adolescentes? Como avalio a maturidade dos alunos se cada
sistema tem seu timing de maturação? Como posso analisar os dados obtidos nas avaliações?
O crescimento é avaliado por medidas antropométricas (massa corporal, estatura, diâmetros,
comprimentos, dobras cutâneas), e as razões e proporções podem ser calculadas a partir de
algumas dessas medidas. Já a maturação pode ser analisada em cada sistema com a avaliação
da maturidade esquelética, somática, sexual e dental, sendo a somática mais aplicada ao
pro�ssional de Educação Física. Esses dados podem ser analisados a partir de grá�cos que
apresentam as curvas de crescimento pela idade.
Saiba mais
Para entender como é feita a avaliação do crescimento, leia o artigo Avaliação do per�l
antropométrico em escolares no município de Vila Velha, Brasil.
Para se aprofundar mais a respeito da relação entre maturação esquelética e esporte, leia o
artigo Relação entre maturação esquelética e orientação esportiva de jovens futebolistas.
Para conhecer as curvas de crescimento, acesse o site da Sociedade Brasileira de
Pediatria.
Referências
COSTA, J. C. da et al. Relação entre maturação esquelética e orientação esportiva de jovens
futebolistas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Brasília, v. 42, 2020. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/rbce/a/53mhX7yQ95fZRmG4rfCmc5p/#. Acesso em: 28 maio 2024.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
https://icesp1.websiteseguro.com/revistas/index.php/RBPeCS/article/view/1515/1661
https://icesp1.websiteseguro.com/revistas/index.php/RBPeCS/article/view/1515/1661
https://www.scielo.br/j/rbce/a/53mhX7yQ95fZRmG4rfCmc5p/#
https://www.sbp.com.br/departamentos/endocrinologia/graficos-de-crescimento/
https://www.scielo.br/j/rbce/a/53mhX7yQ95fZRmG4rfCmc5p/#
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HAYWOOD,K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
LOPES, G. B. et al. Avaliação do per�l antropométrico em escolares no município de Vila Velha,
Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Ciências da Saúde, Brasília, v. 8, n. 16, 2021. Disponível
em: https://icesp1.websiteseguro.com/revistas/index.php/RBPeCS/article/view/1515/1661.
Acesso em: 28 maio 2024.
MALINA, R.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Grá�cos de crescimento. Disponível em:
https://www.sbp.com.br/departamentos/endocrinologia/gra�cos-de-crescimento/. Acesso em:
28 maio 2024.
Aula 4
O Desenvolvimento das Capacidades Físicas
O desenvolvimento das capacidades físicas
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Olá!
Nesta videoaula, você aprenderá como acontece o desenvolvimento das capacidades físicas.
Você verá como se manifestam a força, a resistência aeróbia, a �exibilidade, o equilíbrio e a
velocidade na infância, na adolescência, na fase adulta e na senescência.
Esse conteúdo é importante para sua formação pro�ssional, pois lhe dará embasamento para
prescrever exercícios adequados às diferentes faixas etárias, contribuindo para o
desenvolvimento dos alunos.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
https://icesp1.websiteseguro.com/revistas/index.php/RBPeCS/article/view/1515/1661
https://www.sbp.com.br/departamentos/endocrinologia/graficos-de-crescimento/
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u2a4_cre_hum_liberado.pdf
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Ponto de Partida
Quais são os exercícios ideais para cara cada faixa etária? Quando falamos em desenvolvimento
de capacidades físicas, é necessário compreender como se dá sua manifestação ao longo da
vida, pois assim conseguimos criar um planejamento mais adequado e efetivo para os alunos.
Nesta aula, você verá mais detalhes sobre as capacidades físicas desenvolvidas ao longo da
vida.
Para ajudá-lo nessa jornada, vamos à situação proposta. Gabriel é formado em Educação Física
e decide trabalhar com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais
e�caz, ele opta por fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e
desenvolvimento humano”. Por ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de
retomar alguns assuntos aprendidos na graduação sobre crescimento e desenvolvimento
humano para poder acompanhar melhora a turma. Ele começou revisando os sistemas nervoso,
endócrino, ósseo, muscular, adiposo e cardiorrespiratório. Também viu como aplicar as
avaliações do crescimento em curvas e já compreendeu como se avalia a maturidade. Chegou o
momento de relembrar como acontece o desenvolvimento das capacidades físicas ao longo da
vida. Suas principais dúvidas são: o que faz a força aumentar ao longo da vida e quando ela
declina? Como ocorre o desenvolvimento da resistência aeróbia? A �exibilidade, o equilíbrio e a
velocidade mudam com a idade? Como?
Vamos Começar!
A atividade física e o exercício não são in�uenciados somente por estatura, massa corporal e
processo de maturação. Durante o desenvolvimento humano, há mudanças nas capacidades
físicas que in�uenciam o desempenho motor em atividades físicas, exercícios físicos, esportes e
até mesmo brincadeiras na infância. Nesta aula, você compreenderá como acontece o
desenvolvimento de força, resistência aeróbica, �exibilidade, equilíbrio e velocidade ao longo da
vida. 
Força
A força está presente em muitas atividades do cotidiano e esportivas. Precisamos de força para
carregar as sacolas do supermercado, afastar um móvel da parede, segurar uma criança no colo.
As ginastas precisam de força para executar movimentos perfeitos, o jogador de basquete
imprime força na bola para acertar a bola na cesta. Dessa maneira, podemos dizer que a força é
um elemento essencial para nosso desempenho motor; trata-se da capacidade de desenvolver
tensão contra uma resistência externa. Podemos classi�cá-la de cinco maneiras (Haywood;
Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009):
1. Força estática ou isométrica: aquela que exercemos contra uma resistência externa sem
que ocorra mudança no comprimento muscular; um exemplo é quando �camos na posição
de prancha.
2. Força explosiva ou potência: a capacidade de nosso músculo realizar um movimento com
força máxima no menor tempo possível. Está presente em saltos verticais ou horizontais,
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por exemplo.
3. Força dinâmica: aquela em que ocorre mudança no comprimento muscular repetidamente.
Um exemplo é a série de rosca direta na academia.
4. Força isocinética: é exercida em velocidade constante, normalmente com a ajuda de um
aparelho isocinético que controla a velocidade. 
5. Resistência muscular: nossa capacidade de manter contrações musculares durante um
período. Assim, em vez de dez repetições de rosca direta, o foco é efetuar o máximo
possível de repetições em determinado tempo.
Você sabia que a força tem relação direta com a massa muscular? A quantidade de força que um
grupo de músculos consegue exercer vem da contração muscular. Assim, a contração muscular
depende das �bras musculares ativadas, que, por sua vez, dependem da área transversal do
músculo e do grau de coordenação na ativação das �bras. Durante o crescimento humano,
ocorre um aumento da área transversal do músculo, então podemos dizer que a força aumenta à
medida que o músculo cresce. Porém, além do tamanho do músculo, a força depende de fatores
neuromusculares, como a adaptação neural, a quantidade de sinapses realizadas por neurônios
motores e a capacidade de recrutamento de �bras musculares (Haywood; Getchell, 2010; Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). 
E como acontece o desenvolvimento da força ao longo da vida? 
A força aumenta constantemente conforme as crianças avançam na idade. Os níveis de força
são semelhantes entre meninos e meninas até aproximadamente 13 anos de idade, com os
meninos sendo um pouco mais fortes. Já na adolescência, os meninos apresentam um aumento
brusco da força, e as meninas mantêm um aumento constante. Entre 20 e 30 anos, os níveis de
força permanecem estáveis e, após essa idade, inicia-se um declínio lento da força que após os
50 anos se torna mais acentuado, devido à perda de massa muscular e de funcionalidade do
sistema neuromuscular (Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Os exercícios que envolvem força podem elevar a força em qualquer idade, e isso se deve não
somente ao aumento da massa muscular (hipertro�a), mas também a fatores neurológicos na
adaptação neural e na maior capacidade de recrutamento das �bras musculares para a
contração. Ao brincarem e desenvolverem novas habilidades, as crianças aprendem a coordenar
os movimentos para utilizar a força de forma mais e�caz. Na adolescência, as mudanças
hormonais permitem o aumento da massa muscular diante do treinamento, mas os fatores
neurológicos do aprendizado de habilidades também têm sua importância. Por outro lado, o
envelhecimento provoca perda da massa muscular e da funcionalidade do sistema
neuromuscular, causando uma diminuição da força. Por isso é importante treinar força na idade
adulta e na terceira idade, a �m de atenuar as perdas e retardar os efeitos do envelhecimento
(Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
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Resistência aeróbia
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Trata-se da capacidade de realizar exercícios submáximos por um período prolongado. Uma
atividade de longa duração depende do transporte de oxigênio até os músculos por mais tempo.
Para que isso ocorra, a frequência cardíaca aumenta a �m de levar mais oxigênio para os
pulmões, e a quantidade de sangue bombeado do coração(débito cardíaco) cresce para que
mais oxigênio chegue aos músculos. O que impede uma pessoa de continuar em uma atividade
prolongada, como a corrida, é a capacidade do coração de bombear sangue su�ciente para as
necessidades dos músculos (Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Temos uma capacidade máxima de energia para nos mantermos em exercício; tal capacidade é
mensurada pelo consumo de oxigênio, o que chamamos de VO2máx. O VO2máx é nossa
capacidade de captar, transportar e absorver o oxigênio durante o exercício aeróbico (Haywood;
Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
As crianças apresentam uma circulação hipocinética, ou seja, ejetam menos sangue do coração,
no entanto compensam com uma frequência cardíaca mais baixa do que a dos adultos. Por
outro lado, elas têm maior capacidade de extrair oxigênio circulante para os músculos em
atividade e mobilizam o sistema aeróbico de maneira mais rápida do que os adultos. Assim, as
crianças toleram menos o exercício prolongado; à medida que crescem, a circulação hipocinética
se reduz. Na adolescência, aparecem as diferenças de capacidade aeróbica entre os sexos. Na
idade adulta, o consumo máximo de oxigênio tem seu pico entre os 20 e 30 anos e depois
começa a cair com a idade (Haywood; Getchell, 2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
O VO2máx máximo aumenta de forma linear dos 4 anos até o �nal da adolescência. Em meninos,
o aumento linear acontece até aproximadamente 16 anos; em meninas, até os 13 anos, depois
mantém um platô durante a adolescência. Com o envelhecimento, o VO2máx diminui, então é
importante praticar exercícios aeróbicos para atenuar as perdas (Haywood; Getchell, 2010;
Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Flexibilidade
A �exibilidade é a capacidade de mover as articulações em total amplitude de movimento. A
�exibilidade é especí�ca, ou seja, cada articulação tem um grau de �exibilidade. Isso quer dizer
que uma pessoa pode ser �exível em uma articulação e não ser �exível em outra (Haywood;
Getchell, 2010). 
As meninas são mais �exíveis do que os meninos em todas as idades, com maiores diferenças
entre os sexos na adolescência e maturação sexual. A �exibilidade diminui nos adultos como
resultado da limitada atividade diária e da falta de exercício físico. No entanto, o treinamento de
�exibilidade pode melhorar a amplitude de movimento em qualquer idade (Haywood; Getchell,
2010; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Equilíbrio
O equilíbrio é a capacidade de manter o corpo estabilizado em várias posições, algo importante
para a realização de muitas habilidades motoras. Os testes para medir o equilíbrio são realizados
por meio de trave de equilíbrio: a criança deve andar o comprimento da trave sem pisar fora e por
meio de saltos em um pé só. 
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Os estudos têm demonstrado que o equilíbrio melhora com a idade, e as meninas são melhores
que os meninos até 7 ou 8 anos e depois podem apresentar desempenho similar. Na
adolescência, alguns autores sugerem um período de inaptidão que acontece durante o período
de estirão dos meninos, atribuído ao fato de haver um ritmo diferente de crescimento dos
membros inferiores e da massa corporal, que atrapalha não só o equilíbrio, mas também a
agilidade e a coordenação (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013; Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Com o envelhecimento, a manutenção do equilíbrio e o controle postural se tornam menos
e�cientes devido às mudanças nas respostas do sistema nervoso e à perda de visão,
funcionalidades do sistema vestibular e somatossensorial e força muscular. A falta de equilíbrio
e a capacidade de recuperação do controle postural após perturbação são fatores que
contribuem para quedas dos idosos, as quais podem gerar outros problemas de saúde e até levar
a óbito (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013). 
Velocidade
A velocidade é a capacidade de percorrer uma distância curta no menor tempo possível; é
in�uenciada pelo tempo de reação e pelo tempo de movimento. O tempo de reação compreende
desde a apresentação do estímulo até o início do movimento. E o tempo de movimento vai desde
a apresentação do sinal até o �m do movimento. 
Os dados indicam que a velocidade dos movimentos melhora até os 13 anos de idade para
ambos os sexos, com uma melhora um pouco maior em meninos; depois disso, as meninas
tendem a estabilizar ou regredir, e os meninos continuam melhorando ao longo da adolescência.
Essa estabilização precoce em meninas pode ser explicada, em parte, pela maturação precoce e
pelos baixos níveis de motivação. A partir da adolescência, a diferença entre homens e mulheres
amplia-se de forma considerável a favor dos homens (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013). Em
idosos, a velocidade �ca comprometida pelas perdas das funcionalidades do sistema
neuromuscular e pelo aumento do tempo de reação aos estímulos (Gallahue; Ozmun; Goodway,
2013).
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Gabriel é formado em Educação Física e decide trabalhar
com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais e�caz, ele opta por
fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e desenvolvimento humano”. Por
ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de retomar alguns assuntos aprendidos
na graduação sobre crescimento e desenvolvimento humano para acompanhar melhor a turma.
Ele começou revisando os sistemas nervoso, endócrino, ósseo, muscular, adiposo e
cardiorrespiratório. Também viu como aplicar as avaliações do crescimento em curvas e já
compreendeu como se avalia a maturidade. Chegou o momento de relembrar como acontece o
desenvolvimento das capacidades físicas ao longo da vida. Suas principais dúvidas são: o que
faz a força aumentar ao longo da vida e quando ela declina? Como ocorre o desenvolvimento da
resistência aeróbia? A �exibilidade, o equilíbrio e a velocidade mudam com a idade? Como?
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A força aumenta ao longo da vida pois ocorre o aumento da massa muscular. Mas não é só isso;
existem fatores neuromusculares que permitem que o movimento aconteça de forma mais
efetiva. A resistência aeróbia aumenta com a idade, tendo o pico de VO2máx entre 20 e 30 anos,
seguido por um declínio. A �exibilidade melhora com a idade e na vida adulta depende das
atividades diárias que promovam uma maior amplitude. O equilíbrio também melhora com a
idade; no entanto, com as perdas de funcionalidades no processo do envelhecimento, os idosos
tendem a cair mais. A velocidade se eleva com a idade e também diminui com o envelhecimento.
É importante ressaltar que o exercício físico in�uencia as capacidades físicas e atenua as perdas
do envelhecimento.
Saiba mais
Para se aprofundar mais no desenvolvimento das capacidades físicas ao longo da vida, consulte
o livro Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos,
disponível na biblioteca digital.
O capítulo 13 aborda o desenvolvimento físico na infância. Já no capítulo 17, você lerá sobre as
mudanças na aptidão física na adolescência e, no capítulo 18, sobre o desenvolvimento
�siológico em adultos.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Olá!
Nesta videoaula, você verá como acontecem o crescimento, o desenvolvimento e a maturação
dos sistemas corporais. Além disso,conhecerá as ferramentas para avaliar o crescimento e a
maturação e entenderá como analisar os resultados pela curva de crescimento. Por �m,
aprenderá como ocorre o desenvolvimento das capacidades físicas de força, resistência aeróbia,
�exibilidade, equilíbrio e velocidade e sua in�uência no desempenho.
Esse conteúdo o ajudará a entender aspectos que podem in�uenciar o planejamento de suas
intervenções motoras nas diferentes fases da vida. Além disso, permitirá a você avaliar o
desempenho dos alunos e compreender os resultados.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Chegada
A competência de�nida para esta unidade é compreender o crescimento e o desenvolvimento
dos sistemas corporais. Para que alcancemos esse objetivo, você aprenderá como se
desenvolvem os sistemas nervoso, endócrino, ósseo, muscular, adiposo e cardiorrespiratório,
desde a concepção até o envelhecimento. 
Além disso, você estudará as avaliações antropométricas: compreensão dos métodos, utilização
dos materiais e instrumentos e análise dos resultados. Ainda, aprenderá sobre a avaliação da
maturidade de todos os domínios do processo da maturação: esquelético, somático, sexual e
dental.
Ao entender como escolher entre os métodos de avaliação do crescimento e da maturação, você
saberá como os resultados são analisados e aprenderá a interpretá-los dentro de uma curva de
crescimento. Por �m, você aprenderá sobre o desenvolvimento das capacidades física que
in�uenciam a aprendizagem e a realização de habilidades motoras. Essas capacidades são:
força, resistência aeróbia, �exibilidade, equilíbrio e velocidade. Ao compreender como acontece o
desenvolvimento dessas capacidades, você será capaz de planejar as intervenções levando em
consideração as mudanças ao longo da vida.
É Hora de Praticar!
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
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Você foi convidado para palestrar, para professores de Educação Física de escolas estaduais de
sua cidade, sobre crescimento e desenvolvimento dos sistemas corporais na infância e na
adolescência. Ao elaborar o conteúdo, você pensa em três perguntas norteadoras: Quais são os
sistemas corporais mais importantes no crescimento e na maturação? Como posso deixar claros
os métodos de avaliação do crescimento e da maturação? Quais são as capacidades físicas
mais importantes a serem abordadas?
Como os sistemas corporais in�uenciam o crescimento, o desenvolvimento e a maturação?
Como posso avaliar o crescimento dos alunos?
O desenvolvimento das capacidades físicas é diferente entre meninos e meninas?
Dê o Play
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É muito importante falar sobre os sistemas nervoso, endócrino, ósseo, muscular, adiposo e
cardiorrespiratório e mencionar as principais in�uências de cada sistema no crescimento e na
maturação, ressaltando a importância do exercício físico no desenvolvimento desses sistemas.
Os métodos mais importantes e possíveis de serem realizados são os que avaliam o
crescimento físico, como massa corporal, estatura, diâmetros, circunferências e dobras
cutâneas. Quanto à avaliação da maturidade, seria possível avaliar somente a maturidade
somática, que envolve a idade do pico da velocidade de crescimento e a porcentagem da
estatura adulta. As capacidades físicas mais importantes são: força, resistência aeróbia,
�exibilidade, equilíbrio e velocidade. É relevante também mencionar a in�uência do exercício
físico no desempenho dessas capacidades ao longo da vida.
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
,
Unidade 3
Desenvolvimento motor
Aula 1
Conceitos e De�nições
Conceitos e de�nições
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Olá!
Nesta videoaula, você começará a adentrar nos conteúdos relacionados ao desenvolvimento
motor. Inicialmente, você estudará a grande área do comportamento motor, que inclui o
desenvolvimento motor. Além disso, aprenderá as terminologias importantes para a área e os
aspectos que in�uenciam o desenvolvimento motor.
Esse conteúdo lhe permitirá compreender as bases do desenvolvimento motor, ampliar os
conhecimentos e colocá-los em prática em sua atuação pro�ssional. 
Bons estudos!
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Ponto de Partida
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
O ser humano se desenvolve em seus diferentes domínios: social, afetivo, cognitivo e motor. O
desenvolvimento motor está intimamente relacionado ao movimento, e conhecer bem esse
domínio o ajudará a compreender o comportamento motor e suas mudanças ao longo da vida.
Imaginemos uma situação.
Você inicia seu estágio de observação visitando um centro de educação infantil e uma escola
municipal. O objetivo desse primeiro contato é observar as crianças nas instituições para
compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. No primeiro dia, você nota que as
crianças da educação infantil realizam tarefas de maneira diferente das crianças do ensino
fundamental, e existem crianças da mesma turma mais desenvolvidas do que outras. Isso
chama sua atenção e desperta várias dúvidas. Então, você decide conversar com a professora de
Crescimento e Desenvolvimento Humano, levando as seguintes dúvidas: qual área da Educação
Física estuda mudanças e diferenças dos movimentos nas diferentes faixas etárias? Quais
terminologias dessa área são importantes? O que in�uencia as crianças a apresentarem
desempenhos diferentes, nas diferentes faixas etárias?
Vamos Começar!
O desenvolvimento humano contempla as mudanças contínuas que acontecem no
funcionamento do corpo ao longo do ciclo da vida (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013), as quais
podem estar relacionadas a fatores somáticos, biológicos e �siológicos, sexual, afetivo, cognitivo
e motor. Assim, o desenvolvimento motor diz respeito às mudanças no comportamento motor
desde a concepção até a morte, as quais são causadas pela interação entre a biologia do
indivíduo, as exigências da tarefa motora e as condições do ambiente de aprendizado. 
Quando falamos em comportamento motor, estamos falando das mudanças no desenvolvimento
motor e da forma como controlamos o movimento a partir da aprendizagem. Dessa maneira,
podemos dizer que comportamento motor é uma grande área de estudo, subdividida em:
aprendizagem motora, controle motor e desenvolvimento motor (o assunto desta unidade). 
A aprendizagem motora pode ser de�nida como as mudanças relativamente permanentes no
comportamento motor, como resultado da prática ou da experiência já vivenciada. O controle
motor explica a aprendizagem e o desenvolvimento motor a partir dos mecanismos neurais e
físicos subjacentes ao movimento humano. Por �m, o desenvolvimento motor consiste nas
mudanças que acontecem no movimento ao longo da vida, desde a concepção até a morte
(Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013).físico, e sim de hipertro�a muscular.
O processo de crescimento físico envolve diversas ações dos mais diversos sistemas de nosso
corpo, incluindo ósseo, muscular, endócrino, adiposo e nervoso. Em nível celular, de maneira
geral, as alterações do crescimento ocorrem por três processos celulares: hiperplasia, hipertro�a
e agregação.
A hiperplasia é o aumento no número de células que ocorre como resultado da divisão celular
(mitose). Já a hipertro�a acontece pelo aumento de unidades funcionais dentro da célula
(proteínas e substratos). Por �m, a agregação ocorre pela capacidade das substâncias
intercelulares de se ligarem às células em redes complexas (Figura 1).
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 1 | Crescimento celular
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Esses três processos celulares ocorrem durante o crescimento, mas não de forma igual; a
predominância de um ou outro processo varia de acordo com a idade e o tecido envolvido. Por
exemplo, o número de células cerebrais, os neurônios, é estabelecido na metade da gravidez; por
outro lado, o número de células musculares é estabelecido após o nascimento. No entanto, tanto
o tecido nervoso quanto o muscular crescem primeiro por hipertro�a.
Além disso, o crescimento obedece a direções: cefalocaudal e próximo-distal. O crescimento
cefalocaudal signi�ca que crescemos da cabeça em direção aos pés; já o próximo-distal é o
crescimento do centro do corpo às extremidades (Figura 2).
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 2 | Direções do crescimento humano
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Crescimento é o aumento quantitativo do corpo todo ou de partes especí�cas dele que ocorre
devido à hiperplasia, à hipertro�a e à agregação de células de nosso sistema. Esse crescimento
acontece nos sentidos cefalocaudal e próximo-distal, ou seja, da cabeça aos pés e do centro do
corpo às extremidades. Dessa maneira, podemos dizer que compreender crescimento e
desenvolvimento humano nos possibilita entender a variabilidade humana, conhecer o estado
atual da criança e compará-la com padrões e valores normativos, fazer um prognóstico,
monitorar e interpretar a in�uência da atividade física — tudo isso por meio de estudos
transversais, longitudinais e longitudinais mistos.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Você se formou e está coordenando uma equipe de
professores e pro�ssionais de Educação Física em uma escola. No �m do ano letivo, os
professores comentam que, durante o ano, surgiram várias dúvidas sobre crescimento e
maturação entre os alunos, pais e outros professores. Para sanar essas dúvidas, você decide
promover um debate iniciando com assuntos mais básicos. 
Você saberia explicar por que estudar crescimento e desenvolvimento humano é importante? O
que é crescimento físico e como crescemos? 
Agora, essas respostas já estão na ponta da língua. Estudar crescimento e desenvolvimento
humano permite entender a variabilidade humana, o status do indivíduo, compará-lo a padrões ou
valores normativos, compreender o progresso, fazer um prognóstico, monitorar o processo e
interpretar os efeitos de atividade física e desempenho. Sabe-se que o crescimento é o aumento
quantitativo do corpo todo ou de partes especí�cas dele que ocorre devido à hiperplasia, à
hipertro�a e à agregação de células de nosso sistema. Esse crescimento acontece nos sentidos
cefalocaudal e próximo-distal, ou seja, da cabeça aos pés e do centro do corpo às extremidades.
Saiba mais
Para se aprofundar mais nos conhecimentos sobre crescimento físico, leia as páginas 14 a 17 do
livro Crescimento e desenvolvimento humano e aprendizagem motora, disponível na biblioteca
digital.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595025714/pageid/0
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
MALINA, R. M.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
SILVA, J. V. da et al. Crescimento e desenvolvimento humano e aprendizagem motora. Porto
Alegre: Grupo A, 2018.
Aula 2
Compreendendo a Maturação
Compreendendo a maturação
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
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Olá! 
Nesta videoaula, você aprenderá os conceitos de maturação e maturidade, as diferenças entre
crescimento e maturação e o signi�cado de idade cronológica e idade biológica. 
Esse conteúdo lhe possibilitará compreender que crescimento e maturação, apesar de serem
utilizados conjuntamente, não são sinônimos. Verá também que a idade cronológica não nos diz
muito a respeito do processo maturacional. Esse aprofundamento permitirá uma melhor atuação
pro�ssional com diferentes faixas etárias, entendendo a in�uência da atividade física.
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
Ponto de Partida
Crescimento, maturação e desenvolvimento caminham juntos e, quando pensamos na
intervenção por meio de exercício físico, compreender cada um desses termos é muito
importante. Vimos na aula anterior que crescimento é o aumento do corpo todo ou de partes
especí�cas, que acontece desde a concepção até o início da fase adulta. E maturação, o que
seria?
Vamos dar continuidade à situação proposta. Você já está formado em Educação Física e
trabalha como coordenador de esportes e atividades físicas em uma escola. Sua função é
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
coordenar uma equipe de professores de Educação Física e de pro�ssionais de Educação Física
que trabalham no contraturno com atividades físicas e esportivas. No �m do ano letivo, os
professores da área da Educação Física comentam com você que, durante o ano, muitas dúvidas
surgiram por parte dos alunos, dos pais e de outros professores a respeito do crescimento
infantil, do processo de maturação e do desenvolvimento dos alunos. Por exemplo: basquete e
vôlei fazem a criança crescer em estatura? Ginástica deixa a criança pequena? Meninos são
mais fortes que meninas? Diante dessas dúvidas, você decide convocar todos os professores e
pro�ssionais de Educação Física para um debate. 
Primeiramente, você enxerga a necessidade de retomar alguns conceitos básicos, abordando a
importância de estudar crescimento e desenvolvimento humano. Depois, para dar continuidade
ao debate, você decide falar sobre maturação, explicando o que é maturação, a diferença entre
crescimento e o signi�cado de idade cronológica e idade biológica.
Vamos Começar!
A maturação envolve aspectos qualitativos na constituição biológica no que se refere a célula, ao
órgão e ao avanço dos sistemas corporais no que diz respeito a sua composição bioquímica
(Teeple, 1978). Segundo Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), maturação refere-se a “mudanças
qualitativas, que permitem a progressão até níveis elevados de funcionamento”. Assim, podemos
dizer que a maturação é o processo para o estado maduro, a qual é determinada geneticamente,
ou seja, é inata. No entanto, ela também pode ser in�uenciada pelo ambiente (alimentação, estilo
de vida, uso de drogas etc.). 
A ordem dos acontecimentos no processo de maturação é �xa, mas o ritmo pode variar devido
às in�uências externas, como estímulos e aprendizagem (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). Um
exemplo disso é a progressão do bebê ao sentar-se, �car de pé e engatinhar. Essa sequência
acontece em uma ordem (primeiro o bebê se senta, depois �ca de pé e depois anda) de acordo
com a idade aproximada; no entanto, entre os bebês essa idade varia dentro de uma amplitude, e
o tempo deA seguir, uma breve descrição dos termos mais utilizados na
área.
Movimento: mudança na posição de qualquer parte do corpo. 
Padrão de movimento: representa somente uma série de um movimento organizado.
Exemplo: quando a ideia é arremessar uma bola, apenas levantar o braço acima da cabeça
não caracteriza um arremesso; isso seria somente uma série do movimento organizado
(arremesso). Assim, podemos dizer que o arremesso é um padrão de movimento
fundamental, pois refere-se ao desempenho observável de movimentos fundamentais
(básicos), que envolvem a locomoção, a manipulação (no caso do arremesso) e a
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
estabilização. Contudo, os padrões de movimentos fundamentais englobam combinações
de padrões de movimento de dois ou mais segmentos do corpo.
Habilidade motora: refere-se à tarefa ou à ação de um movimento voluntário. A habilidade
motora é aprendida, orientada para um propósito e desempenhada por uma ou mais partes
do corpo. 
Habilidade de movimento especializado: a forma, a precisão e o controle no desempenho
de um movimento; por exemplo, acertar uma bola de papel no lixo, cortar lenha. 
Habilidade esportiva: combinação de padrões de movimento fundamental com forma,
precisão e controle no desempenho de uma atividade esportiva; por exemplo, arremessar a
bola no handebol.
Desempenho motor: ação de colocar em prática uma habilidade motora.
Capacidade motora: traços herdados, estáveis e duradouros, que embasam o desempenho
de uma habilidade motora; por exemplo, força muscular, �exibilidade e resistência aeróbia.
O desenvolvimento motor é in�uenciado por diversos fatores que trabalham em conjunto ou
isoladamente. Para o entendimento �car mais fácil, vamos dividi-los em fatores do indivíduo, do
ambiente e da tarefa.
Siga em Frente...
Fatores do indivíduo
Direção do desenvolvimento: o desenvolvimento motor acontece no sentido da cabeça para
os pés (cefalocaudal) e do centro do corpo para as extremidades (próximo-distal). Essa
in�uência é bem notada no bebê, cuja estabilização do corpo se inicia na cabeça e depois
segue para pescoço, tronco, braços e pernas. E o aparecimento dos movimentos
controlados são in�uenciados pela sequência também: o bebê rola, se senta, engatinha e
anda. Assim, acredita-se que essas direções (cefalocaudal e próximo-distal) permanecem
em operação até o envelhecimento, quando a tendência é fazer o caminho inverso: os
membros inferiores são os primeiros a regredir.
Taxa de crescimento: a taxa de crescimento é universal para todos os indivíduos e
resistente às in�uências externas. Assim, a criança abaixo da taxa de crescimento pode
alcançar a estatura de crianças da mesma idade. No entanto, quando existe um problema
que possa interferir no crescimento (peso ou estatura), como alimentação inadequada,
baixo peso ao nascer e problemas hormonais, e ele não é sanado, a criança pode
apresentar problemas no desenvolvimento motor e cognitivo.
Prontidão: ocorre quando as exigências da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições da
tarefa se convergem, fazendo com que o domínio de uma habilidade aconteça. A prontidão
depende da combinação da maturidade do indivíduo, das oportunidades do ambiente e da
sensibilidade do professor em reconhecer que o aluno está pronto para aprender
determinada habilidade, e isso pode gerar diversas implicações nas oportunidades de
aprendizagem durante a vida.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Períodos sensíveis de aprendizagem: períodos em que o aprendizado de determinadas
tarefas acontece de maneira mais e�ciente e e�caz. Podemos dizer que os períodos
sensíveis estão associados à prontidão, ou seja, acontecem quando a criança está pronta
para aprender determinada habilidade. 
Diferenças individuais: cada pessoa é única e se desenvolve dentro de seu próprio
cronograma, in�uenciado pela hereditariedade e pelos fatores ambientais. Existem idades
médias para a aquisição de todo tipo de habilidade, porém podem ocorrer desvios dessa
média. As diferenças individuais explicam por que algumas pessoas estão prontas para o
aprendizado de novas habilidades e outras não. 
Fatores do ambiente
Interação entre pais e �lhos: acredita-se que exista um amplo período sensível em que
ocorre a ligação entre pais e bebês nos primeiros meses de vida. A ausência dessa
interação entre pais e bebê pode afetar tanto o ritmo quanto a extensão do
desenvolvimento motor. 
Estímulo e privação: os indivíduos que não têm oportunidades, apoio dos pais, familiares e
amigos e espaços adequados para as práticas motoras têm sua relação com o exercício, o
esporte, a composição corporal e o desempenho motor afetada negativamente. Outros
fatores importantes que in�uenciam negativamente o desempenho motor são o tempo
excessivo gasto com tarefas sedentárias, a baixa participação em atividades físicas
moderadas e vigorosas e poucas experiências vivenciadas em seus ambientes do dia a dia
(escola, casa, bairro, comunidade) (Duarte et al., 2022). Atualmente, com o crescimento da
internet, dos recursos eletrônicos e o uso por parte de crianças, diminui-se o tempo de
práticas motoras e aumenta-se o tempo do sedentarismo, in�uenciando negativamente o
desenvolvimento motor (Yuan et al., 2024). Assim, podemos dizer que indivíduos mais
estimulados à prática têm maiores chances de apresentar desempenho motor superior em
comparação com aqueles com pouca ou nenhuma estimulação. 
Fatores da tarefa
Nível de aptidão física: a interação entre genética, nutrição e atividade física sugere os
pontos de corte máximos e mínimos do que se pode esperar dos indivíduos em termos de
aptidão física. A aptidão física pode ser subdividida em aptidão física relacionada à saúde
e aptidão física relacionada ao desempenho ou ao esporte. A aptidão física relacionada à
saúde contempla a força, a resistência muscular, a resistência aeróbia, a �exibilidade e a
composição corporal. O grau de cada um desses fatores pode in�uenciar o potencial do
desempenho das tarefas motoras. Por exemplo, para conseguir sacar uma bola no voleibol,
a criança deve ter um nível de força que permita que o saque aconteça. Já a aptidão física
relacionada ao desempenho (ou ao esporte) contempla todas as citadas anteriormente que
compõem a saúde, além de velocidade, agilidade, equilíbrio, coordenação e potência,
necessárias para a realização de tarefas esportivas. 
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Biomecânica: a realização de tarefas motoras emprega uma mecânica e�ciente aprendida
com a prática. Podemos citar o equilíbrio, que envolve a capacidade de balancear todas as
forças aplicadas no corpo nas diferentes posições, e a força, que pode ser aplicada ao
corpo ou a objetos ou recebidas pelo corpo ou por objetos. 
Todos esses fatores interagem entre si e podem contribuir de forma positiva ou negativa para o
desenvolvimento motor ao longo da vida.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação inicial. Você inicia seu estágio de observação visitando um centro de
educação infantil e uma escola municipal. O objetivo desse primeiro contato é observar as
crianças nas instituições para compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. No
primeiro dia, você nota que as crianças da educação infantil realizam tarefas de maneira
diferente das crianças do ensino fundamental, e existem crianças da mesma turma mais
desenvolvidas do que outras. Isso chama sua atenção e desperta várias dúvidas. Então, você
decide conversar com a professora de Crescimento e Desenvolvimento Humano, levando as
seguintes dúvidas: qual área da Educação Física estuda mudanças e diferenças dos movimentos
nas diferentes faixas etárias? Quais terminologias dessa área são importantes? O que in�uencia
as crianças a apresentarem desempenhos diferentes, nas diferentes faixas etárias? 
A subárea que estuda as mudanças no comportamento motor ao longo da vida é o
desenvolvimento motor. É uma subárea pois está dentro da grande área do comportamento
motor, que contempla também as subáreas de aprendizagem motora e controlemotor.
Compreender bem o que são movimento, habilidade motora, capacidade motora e padrão de
movimento auxilia no entendimento de todos os tópicos relacionados ao desenvolvimento motor,
visto que são conceitos básicos. O desenvolvimento motor é in�uenciado por fatores do
indivíduo, do ambiente e da tarefa.
Saiba mais
Para saber mais sobre os conteúdos desta aula, consulte o livro Compreendendo o
desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos, disponível na biblioteca digital.
No capítulo 1, você terá uma visão geral da área de comportamento motor e, no capítulo 4,
poderá se aprofundar nos fatores que afetam o desenvolvimento motor.
Referências
DUARTE, M. G. et al. Contextual factors and motor skills in indigenous Amazon Forest and urban
indigenous children. Frontiers, [S. l.], v. 10, 2022. Disponível em:
https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.858394. Acesso em: 29 maio 2024.
https://doi.org/10.3389/fpubh.2022.858394
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
YUAN, R. et al. The relationship between screen time and gross motor movement: a cross-
sectional study of pre-school aged left behind children in China. Plos One, [S. l.], v. 19, n. 4, 2024.
Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0296862. Acesso em: 29 maio 2024.
Aula 2
Desenvolvimento das Categorias de Movimento
Desenvolvimento das categorias de movimento
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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Olá! 
Nesta videoaula, você aprenderá que as habilidades motoras dividem-se em três categorias:
estabilização, locomoção e manipulação. É importante conhecer cada uma e aprender como
acontece o desenvolvimento delas ao longo da vida.
Esse conteúdo é muito importante para sua formação, pois assim você será capaz de
compreender o desenvolvimento típico e atípico e traçar planos para a intervenção quando
necessário.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
Ponto de Partida
Algumas habilidades envolvem principalmente o equilíbrio; por exemplo, uma ginasta na trave. Já
outras envolvem deslocamentos, como a corrida. Ainda, outras demandam destreza com a bola,
https://doi.org/10.1371/journal.pone.0296862
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Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
como os malabares. Por outro lado, realizamos atividades que envolvem o equilíbrio, a corrida e
manipulação da bola, como por exemplo, no jogo de basquete. Assim, permanecer em equilíbrio,
se movimentar pelo ambiente ou manipular objetos podem estar presentes individualmente ou
em conjunto em uma habilidade.
Para compreender melhor esse conteúdo, vamos à situação da aula. Você inicia seu estágio de
observação visitando um centro de educação infantil e uma escola municipal. O objetivo desse
primeiro contato é observar as crianças nas escolas para compreender suas práticas corporais e
seu desenvolvimento. Após conhecer a área que estuda as mudanças no comportamento motor
ao longo da vida, as terminologias dessa área e os fatores que in�uenciam o desempenho das
habilidades, você volta ao estágio e começa a observar as habilidades motoras das crianças.
Com novas dúvidas, você retorna à professora de Crescimento e Desenvolvimento Humano e
pergunta: por que alguns bebês já engatinhavam e outros não? Quando a criança começa a
andar? Tentei dar um brinquedo na mão de uma criança de 5 meses, e ela pegou, mas depois
começou a chorar; por que isso aconteceu?
Vamos Começar!
Quando falamos de desenvolvimento motor, estamos falando das mudanças que acontecem no
comportamento motor ao longo da vida. Isso inclui o desenvolvimento e a aprendizagem de
habilidades motoras, que podem ser adquiridas ou aprendidas no decorrer dos anos. Um bebê de
6 meses adquire a habilidade de se sentar, algo decorrente do processo maturacional alcançado
nessa idade. No entanto, aos 5 anos de idade, habilidades como chutar, arremessar e saltar
podem ser ensinadas e aperfeiçoadas por meio da prática. Assim, para se sentar sem apoios, um
bebê de 6 meses precisa estabilizar a coluna até a altura da cintura. A locomoção não acontece
(engatinhar, andar), pois nessa idade seus membros inferiores ainda não atingiram a maturidade
su�ciente para promover a estabilização necessária. Em contrapartida, o bebê inicia a
manipulação consciente e rudimentar de objetos com as mãos, pois seus membros superiores
atingiram a maturidade para isso. Por sua vez, uma criança mais velha já tem uma melhor
estabilidade, que lhe permite aprender outras habilidades motoras mais complexas de
locomoção e manipulação de objetos.
Diante desses exemplos, podemos observar que as habilidades motoras que podem ser
aprendidas ao longo da vida possuem três características: estabilização, locomoção e
manipulação. O sentar-se, aos 6 meses de idade, envolve somente a estabilização, mas o ato de
segurar um objeto demanda a estabilização e a manipulação. Já uma criança de 5 anos que,
parada, arremessa uma bola precisa de estabilização e manipulação da bola. Caso a criança
arremesse a bola andando pela quadra, também será necessária a locomoção. 
E como acontece o desenvolvimento dessas características das habilidades? É o que vamos ver
nesta aula. 
Desenvolvimento da estabilização
A estabilização é a classe mais simples e mais importante das habilidades; envolve o controle da
musculatura em oposição à gravidade. Seu desempenho, muitas vezes, é fácil, e, sem ela, outras
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habilidades não acontecem. A estabilização envolve o �car de pé, o sentar-se, o �car em um pé
só, a inversão (parada de mãos), o agachar, e assim por diante. O desenvolvimento de um bom
repertório de habilidades motoras requer o amadurecimento da estabilização, para que o
movimento primário seja sustentado.
Para compreendermos mais a fundo, precisamos nos lembrar que boa parte do desenvolvimento
do sistema nervoso acontece após o nascimento conforme a maturação e obedece a uma
direção que vai da cabeça aos pés (cefalocaudal) e do centro do corpo às extremidades
(próximo-distal). Assim, a estabilização inicia-se pela cabeça e depois segue para pescoço,
tronco, pernas e pés (cefalocaudal). Quando ocorre a estabilização do tronco, a criança vai se
desenvolvendo para estabilizar braços e, depois, antebraços, mãos e dedos (próximo-distal).
Conforme a estabilização vai acontecendo, movimentos de manipulação e locomoção se
apresentam também. Mas, primeiramente, é necessário que a estabilização ocorra. 
Assim, ao estabilizar o pescoço e o tronco, a criança consegue se sentar sem apoios. Quando ela
estabiliza a parte superior das pernas (coxa), consegue inclinar o tronco para engatinhar. Nesse
momento, os braços já estão desenvolvidos para serem estabilizados ao engatinhar. Quando a
porção inferior da perna está amadurecida, a criança consegue �car de pé, o que permite,
posteriormente, iniciar a marcha. 
Alguns autores sugerem que exista uma sequência previsível de comportamentos motores,
denominados marcos motores (Shumway-Cook; Woolacott, 2003). Esses marcos motores são
comuns na maioria das crianças e acontecem dentro de uma faixa etária, como mostra a Figura
1.
Figura 1 | Marcos motores que surgem com a estabilização. Fonte: adaptada de Shumway-Cook; Woolacott (2013).
Com 2 meses, a estabilização de cabeça e pescoço permite o rastejar. Entre 6 e 7 meses, a
estabilização do tronco permite o sentar-se. Entre 8 e 10 meses, a estabilização da porção
superior de coxa permite o engatinhar. Entre 9 e 10 meses, a estabilização de membros inferiores
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permite o �car em pé com apoio. Entre 12 e 13 meses, ocorre o �car em pé independente e, entre
14 e 18 meses, o caminhar.
O desenvolvimento de cada habilidade acontece pelo processo maturacional da criança e
envolve também a aprendizagem da coordenação das informações sensório-motoras. Por
exemplo, quando a criança começa a se sentar sem apoio, aprende a coordenar informações
sensório-motoras associadas à cabeça e ao tronco, ou seja, adquire controle da inclinação
espontânea do corpo, contribuindo para que �que ereta.
Desenvolvimento da locomoção
A locomoção pode ser de�nida como o ato ou a capacidade de se mover de um lugar para outro
(Haywood; Gretchell, 2010). As primeiras formas de locomoção acontecem com o rastejar e
depois o engatinhar, para então evoluir para a caminhada (Figura 2). Depois, a locomoção pode
progredir para corrida, galope e salto, conforme as restrições do indivíduo, do ambiente e da
tarefa.
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Figura 2 | Criança caminhando. Fonte: Pexels.
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Os primeiros passos da criança são marcados por uma pequena extensão de pernas e quadril; a
pisada é com os pés chapados e afastados um do outro sem rotação de tronco. Os braços �cam
levantados em guarda alta.
Durante a vida, a maioria das pessoas apresentam uma sincronia fundamental do caminhar, que
consiste em uma alternância das pernas, de forma que a perna direita esteja no meio de seu
movimento quando a perna esquerda iniciar o seu, com um período em que as duas pernas estão
apoiadas no solo, seguido de apoio único. Essa organização temporal relativa parece não mudar
muito durante a vida. No entanto, conforme o corpo ou o ambiente se modi�ca, o tempo absoluto
(rapidez ou lentidão) e a altura ou o tamanho do passo podem mudar.
Outra forma de locomoção iniciada na infância é a corrida, que também apresenta alternância
das pernas, mas com uma fase aérea, em que os dois �cam fora do solo. Assim, conforme a
criança vai crescendo, desenvolve também o saltitar, o galopar, o deslizar e outros tipos de
saltos. Essas formas de locomoção são muito utilizadas em brincadeiras e outras atividades. A
criança, naturalmente, consegue mudar sua locomoção de uma corrida para um galope, por
exemplo. No entanto, sua capacidade de desenvolver essas habilidades depende muito de suas
próprias características (restrições do indivíduo), como estatura, peso, medo, motivação, e
também do ambiente (espaço, tipo de solo, incentivo, características da prática).
Com o envelhecimento, as mudanças na locomoção não seguem um padrão como na infância,
pois dependem de fatores próprios de cada indivíduo, como lesão, perda ou ganho de peso,
mudanças na força e no equilíbrio e nível de condicionamento físico. Assim, os padrões de
caminhada e corrida variam de indivíduo para indivíduo. Além disso, os adultos deixam de utilizar
outras formas de locomoção, como o galope e o deslize, ou muitas vezes as utilizam somente
em atividades especí�cas, como a dança.
Siga em Frente...
Desenvolvimento da manipulação
As habilidades de manipulação são aquelas que envolvem aplicar forças em um objeto. O bebê
inicia suas atividades manipulativas com habilidades mais básicas, como alcançar, pegar e
soltar. Ao nascer, o bebê é capaz de segurar objetos, no entanto isso é um movimento re�exo, ou
seja, involuntário. A manifestação de alcance voluntário se inicia por volta do quarto mês de vida,
quando o bebê consegue fazer contato com o objeto por meio de ajustes mais �nos dos olhos e
das mãos. Esses movimentos se iniciam lentos e estranhos, envolvendo o ombro e os cotovelos.
E, por volta do quinto mês, a criança já é capaz de alcançar o objeto e fazer contato tátil com ele.
A habilidade de alcance é desenvolvida antes de a criança conseguir pegar o objeto, ou seja,
segurá-lo na mão. Depois de desenvolver a habilidade de alcance, ela é capaz de pegar o objeto
com a mão inteira e sem muita �rmeza. Por volta do sétimo mês, a palma da mão e os dedos se
tornam mais coordenados, mas ainda não ocorre a pegada envolvendo o polegar e os dedos;
isso só se manifesta por volta do 12º mês (Figura 3). 
Por mais que com 5 meses a criança consiga alcançar e pegar um objeto, ela ainda não sabe
soltá-lo, pois não tem maturidade para comandar os �exores dos dedos para relaxá-los. A
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habilidade de soltar objetos é dominada somente por volta dos 14 meses, e com 18 meses ela já
tem um controle bem coordenado de alcançar, pegar e soltar.
Figura 3 | Etapas do desenvolvimento infantil. Fonte: Pexels.
No primeiro quadro da Figura 3, o bebê já adquiriu a habilidade de alcançar um objeto. No
segundo quadro, ele já pega o objeto. O soltar acontece um pouco depois, por volta dos 14
meses.
Conforme a criança vai crescendo e amadurecendo, desenvolve outros tipos de habilidades
manipulativas, muitas delas englobando o controle de bola, como arremessar por sobre o ombro,
chutar, rebater, driblar e lançar por baixo. Estas entram na lista de habilidades motoras
fundamentais que são mais bem desenvolvidas na infância para depois serem utilizadas em
atividades esportivas e práticas de exercício físico (Figura 4).
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CRESCIMENTO E
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Figura 4 | Habilidades manipulativas de controle de bola. Fonte: Pexels.
O desenvolvimento das habilidades de estabilização, locomoção e manipulação é in�uenciado
pela maturação e pelo aprendizado. Além disso, as restrições do próprio indivíduo, da tarefa e do
ambiente podem in�uenciar de maneira positiva, sendo encorajadoras/facilitadoras, ou de
maneira negativa, sendo desencorajadoras/di�cultadoras.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Você inicia seu estágio de observação visitando um centro
de educação infantil e uma escola municipal. O objetivo desse primeiro contato é observar as
crianças nas escolas para compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. Após
conhecer a área que estuda as mudanças no comportamento motor ao longo da vida, as
terminologias dessa área e os fatores que in�uenciam o desempenho das habilidades, você volta
ao estágio e começa a observar as habilidades motoras das crianças. Com novas dúvidas, você
retorna à professora de Crescimento e Desenvolvimento Humano e pergunta: por que alguns
bebês já engatinhavam e outros não? Quando a criança começa a andar? Tentei dar um
brinquedo na mão de uma criança de 5 meses, e ela pegou, mas depois começou a chorar; por
que isso aconteceu?
Os bebês engatinham quando ocorre a estabilização de cabeça, pescoço e tronco, e eles são
capazes de se apoiarem com as mãos, joelhos e pés. O marco motor para o engatinhar
normalmente acontece entre 8 e 10 meses, sendo variável de criança para criança e in�uenciado
pelo ambiente. O andar depende da estabilização de membros inferiores, o que normalmente
acontece entre 14 e 18 meses, mas também varia de criança para criança e sofre in�uência do
ambiente. Com 5 meses, a criança consegue segurar um objeto de maneira bem rudimentar, no
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entanto não é capaz de relaxar os músculos da mão para soltar, o que acontece por volta dos 14
meses.
Saiba mais
Na estabilização ocorre um fenômeno chamado controle postural. Para se aprofundar mais
nesse tema, consulte o capítulo 8 do livro Controle motor: teorias e aplicações práticas,
disponível na biblioteca digital. 
Para ler mais sobre as habilidades de locomoção e manipulação, consulte as páginas 162 a
166 do livro Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e
adultos, disponível na biblioteca digital.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. Controle motor: teoria e aplicaçõespráticas. Barueri:
Manole, 2003.
Aula 3
O Desenvolvimento Motor de Crianças com Transtornos
O desenvolvimento motor de crianças com transtornos
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Olá!
Nesta videoaula, você aprenderá sobre os transtornos que afetam o desenvolvimento motor.
Como se manifestam na infância, são chamados de transtornos do neurodesenvolvimento.
Estudaremos o transtorno de desenvolvimento da coordenação (TDC), o transtorno do espectro
autista (TEA), o transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH) e os transtornos de
aprendizagem.
Esse conteúdo é muito importante para sua atuação pro�ssional, pois auxilia na identi�cação de
crianças que precisam de uma avaliação médica e psicológica para diagnóstico de transtornos e
no preparo para intervir por meio do exercício físico voltado a pessoas com algum transtorno. 
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
Ponto de Partida
O desenvolvimento motor acontece em conjunto com o desenvolvimento humano, englobando
os aspectos sociais, cognitivos e afetivos. Dessa maneira, pessoas que apresentam transtornos
de desenvolvimento podem ter prejuízos em diferentes aspectos, inclusive no motor. Sabendo
que a intervenção cabe aos pro�ssionais e professores de Educação Física, é importante
conhecer os transtornos e as possíveis intervenções. 
Para compreender melhor, vamos à situação da aula. Você inicia seu estágio de observação
visitando um centro de educação infantil e uma escola municipal, com o objetivo de observar as
crianças para compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. Após conhecer a
área que estuda as mudanças no comportamento motor ao longo da vida, as terminologias
dessa área, os fatores que in�uenciam o desempenho das habilidades e os marcos de
desenvolvimento das classes das habilidades motoras, você volta ao estágio e escuta relatos
das professoras sobre alunos com laudo indicando algum transtorno. Mais uma vez, você volta a
conversar com a professora de Crescimento e Desenvolvimento Humano e pergunta: a quais
transtornos elas se referem? Os transtornos in�uenciam o desenvolvimento motor? O exercício
físico pode bene�ciar as crianças que apresentam transtornos?
Vamos Começar!
O desenvolvimento humano é um fenômeno complexo in�uenciado por aspectos relacionados
ao indivíduo, ao ambiente e às tarefas por ele realizadas. Em algumas pessoas, por razões
genéticas e ambientais, o desenvolvimento se apresenta de forma atípica, acarretando
transtornos. Entre os transtornos existentes estão os transtornos do neurodesenvolvimento,
cujos sintomas se expressam na infância e na puberdade e acontecem dentro de um continuum
de gravidade. São classi�cados dessa forma o transtorno do espectro autista (TEA), o transtorno
de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH), os transtornos especí�cos de aprendizagem,
de�ciências intelectuais, transtornos de comunicação e transtornos motores (Lage, 2020).
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u3a3_cre_hum_liberado.pdf
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Em transtornos, veri�cam-se atrasos no desenvolvimento de habilidades cognitivas e
comportamentais, que geram prejuízos na infância. Esses atrasos inibem os marcos de
desenvolvimento (marcos motores, por exemplo) em comparação com indivíduos da mesma
faixa etária. As causas exatas dos transtornos ainda não são conhecidas, mas acredita-se que
exista uma grande in�uência genética, e os fatores ambientais podem alterar qualitativamente a
expressão dos sintomas (ou seja, fatores ambientais podem piorar os sintomas, mas não fazem
os sintomas surgirem). A intervenção deve ser realizada precocemente, ainda na pré-escola,
antes que todos os sintomas se manifestem por completo (Lage, 2020).
Esse assunto é importante, pois 5% a 10% das crianças com transtornos de
neurodesenvolvimento apresentam um repertório motor pobre. Assim, uma avaliação motora e
um tratamento adequado podem evitar que haja comprometimento das relações sociais e
bullying e aumentar a chance de participação em esportes e atividades físicas (Lage, 2020).
Os transtornos perduram por toda a vida e, na idade adulta, podem causar prejuízos nos
relacionamentos interpessoais, no trabalho, na educação e na saúde mental. Depois da
adolescência, a intensidade, a frequência e os efeitos adversos podem se manifestar de
maneiras diferentes devido ao amadurecimento cerebral, às in�uências socioambientais (como
nível de renda familiar, acesso a serviços de saúde e nível de escolaridade dos pais), à adaptação
ao transtorno e ao avanço das tecnologias.
Transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC)
O TDC se manifesta como uma di�culdade de executar diversas habilidades motoras, inclusive
aquelas atividades da vida diária, como alimentar-se, vestir-se, abotoar, amarrar cadarço e andar,
e não está associado a condições médicas ou a alguma doença neurológica (Lage, 2020; Weber
et al., 2023).
Dessa maneira, a criança com TDC apresenta uma coordenação motora abaixo da expectativa
para sua idade, muitas vezes é chamada de desajeitada e pode ter atrasos nos marcos motores
iniciais. As di�culdades de coordenação de habilidades motoras amplas e �nas podem acarretar
prejuízos acadêmicos ou di�culdades na realização de atividades do dia a dia, por gerarem
di�culdades de equilíbrio, coordenação e destreza (Lage, 2020). Além disso, para conseguirem
controlar os movimentos, crianças com TDC precisam de um maior nível de concentração e
ajuste antecipatório e tempo de reação. O problema é que esses ajustes podem não ser
su�cientemente e�cientes para que o movimento aconteça de forma coordenada, o que leva à
frustração (Weber et al., 2023).
Estudos têm demonstrado que o TDC pode causar prejuízos no desempenho acadêmico, nas
escolhas vocacionais e na busca por momentos de lazer (Purcell et al., 2023). Ainda, como
consequências secundárias, pode haver diminuição da autoestima, depressão, ansiedade,
isolamento social, problemas com colegas e não participação em atividades físicas, o que pode
impactar negativamente a qualidade de vida (Purcell et al., 2023). O TDC persiste pela vida
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adulta, e tem-se notado que pessoas com TDC apresentam baixa aptidão física, são menos
ativas �sicamente e têm baixa percepção de competência atlética (Purcell et al., 2023).
O diagnóstico do TDC é feito com base na avaliação de quatro critérios, de�nidos no DSM-V-TR
(Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders): (1) desempenho motor abaixo do
esperado para a idade cronológica; (2) prejuízo na realização de tarefas motoras em casa e nas
atividades escolares diárias da criança; (3) dé�cit nas habilidades motoras no período inicial do
desenvolvimento; e (4) dé�cits não inerentes a condições neurológicas ou de�ciência visual ou
intelectual (American Psychiatric Association, 2022).
Ao pro�ssional de Educação Física, cabe estar atento aos sinais apresentados pelo aluno e
incentivar os pais e responsáveis (e até mesmo o aluno) a procurarem médicos e psicólogos
para efetuar o diagnóstico. O pro�ssional de Educação Física pode trabalhar com intervenção
motora para crianças que têm TDC, visto que isso tem mostrado benefícios na melhoria da
coordenação motora dessas crianças.
Transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH)
O TDAH se manifesta pela di�culdade de foco de atenção em um estímulo ou uma atividade
particular, pela hiperatividade e pela impulsividade, de forma excessiva, persistente e
inapropriadapara a idade. A pessoa com TDAH pode ter predominância de dé�cit de atenção,
predominância de hiperatividade, ou os dois em conjunto.
A di�culdade de atenção provoca um tempo de reação mais lento, devido à menor capacidade de
processamento de informação. Assim, pessoas com TDAH demoram mais para responder a um
estímulo do que pessoas sem TDAH. A falta de atenção pode se manifestar na escola, no
trabalho ou em relacionamentos sociais, sendo comum a mudança fácil de foco em função da
sensibilidade excessiva aos estímulos.
A hiperatividade é caracterizada por uma atividade motora ou mental excessiva e inadequada, ou
seja, a criança hiperativa está sempre em movimento e apresenta di�culdade em reduzir a
atividade, mesmo quando isso é solicitado. Já a impulsividade se manifesta na tomada de
decisão, sem considerar todas as implicações da situação e possíveis consequências.
Há uma estimativa de que 70% das crianças diagnosticadas com TDAH na infância continuam a
apresentar desatenção inapropriada, mas em menor grau, e impulsividade e hiperatividade na
adolescência e na fase adulta (Lage, 2020).
Além do dé�cit de atenção, da hiperatividade e da impulsividade, pessoas com TDAH podem
apresentar dé�cits na coordenação motora ou desempenho motor inferior comparado ao de
indivíduos sem transtorno. Alguns estudos clínicos apresentam que 30% a 50% das crianças com
TDAH têm problemas motores, a depender do tipo de avaliação, referências e pontos de corte
utilizados (Lage, 2020). No caso da hiperatividade, caracterizada por agitação, inquietação e
movimentação corporal desnecessária, têm sido identi�cadas di�culdades na execução de
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habilidade motoras grossas e �nas, no equilíbrio, no controle postural e na caminhada. Acredita-
se que a di�culdade motora de pessoas com TDAH tenha relação com a desatenção e a
di�culdade no controle inibitório decorrente da impulsividade.
O diagnóstico é feito por cinco critérios de acordo com o DSM-V-TR (American Psychiatric
Association, 2022), e o tratamento do TDAH pode ser realizado por meio de medicamentos
especí�cos prescritos por médicos e terapia cognitivo-comportamental com psicólogos. Além
disso, estudos têm demonstrado benefícios da atividade física para crianças com TDAH, mas
ainda são necessárias mais pesquisas sobre esse tema.
Siga em Frente...
Transtorno do espectro autista (TEA)
O termo TEA é utilizado para um grupo de diversas condições do neurodesenvolvimento que se
manifestam na capacidade de relacionamento e comunicação. Esse transtorno consiste em
distúrbios com gravidades diversas que aparecem por volta dos 3 anos de idade. A pessoa com
TEA tem di�culdade de comunicação/linguagem, aprendizado e interação social recíproca,
comportamentos repetitivos e estereotipados e pouca capacidade de adaptação.
O diagnóstico é feito por critérios de acordo com o DSM-V-TR (American Psychiatric Association,
2022); há três níveis:
1. Nível 1 – é necessário algum tipo de suporte para intermediar as relações com os outros e
com objetos. 
2. Nível 2 – é necessário um suporte substancial devido a dé�cits acentuados das habilidades
verbais e não verbais de comunicação social, interesses não �exíveis e respostas anormais
a situações sociais.
3. Nível 3 – é necessário muito suporte, devido a graves dé�cits das habilidades verbais e não
verbais de comunicação social, grandes limitações nas interações sociais, �xação e rituais
repetitivos, que comprometem fortemente seu funcionamento em outras esferas,
apresentando acentuado sofrimento quando rituais e rotinas são interrompidos.
Além disso, é possível classi�car em diferentes grupos: aqueles com ou sem de�ciência
intelectual, com ou sem comprometimento da linguagem associado a uma condição médica
conhecida, fator ambiental relacionado a outra desordem de desenvolvimento comportamental
ou mental, e aqueles com catatonia (American Psychiatric Association, 2022).
As crianças com TEA apresentam maior predisposição a doenças, como eczema, asma, alergias,
infecções respiratórias, otites, cefaleias fortes, problemas gastrointestinais, distúrbios do sono e
hiperatividade. Ainda, podem ser perceptíveis na infância: dé�cit motor, comportamento
autoagressivo e desa�ador, insônia, padrões anormais de alimentação, oscilação do humor,
ausência de medo e atraso no controle do esfíncter. 
Quanto aos aspectos motores, as pessoas com TEA apresentam uma variedade de movimentos
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atípicos comuns, como maneirismos motores estereotipados e sem objetivo (agitação das
mãos, espremer-se, correr de um lado para outro, agitar os braços e andar nas pontas dos pés),
di�culdade de efetivação da marcha, falha na motricidade �na avaliada pela escrita. Além disso,
são sintomas associados e muitas vezes sutis: instabilidade postural, assimetria motora,
hipotonia, atrasos no controle motor �no e no desenvolvimento das habilidades motoras
fundamentais, padrão incomum na marcha, dé�cits de coordenação motora e movimentação
ocular. 
Uma pessoa pode apresentar mais de um transtorno, sendo um principal e outro uma
comorbidade associada. Além disso, estudos têm demonstrado que tanto crianças com TDAH
quanto crianças com TEA apresentam comprometimento motor, e crianças com TEA apresentam
maiores dé�cits. 
Transtornos de aprendizagem
Acontecem quando a aprendizagem não se dá dentro do esperado, ocorrendo um atraso ou uma
di�culdade de aprendizagem que pode ser resultado de uma possível disfunção do sistema
nervoso central, a qual se manifesta em privações de percepção, atenção, memória, linguagem e
funções motoras (Pereira, 2018). 
Os transtornos de aprendizagem podem ser causados por fatores orgânicos (doenças),
cognitivos, neurológicos, psicológicos, pedagógicos, emocionais, socioeconômicos ou
socioculturais (Pereira, 2018).
Pereira (2018) explica que os transtornos de aprendizagem são divididos em:
1. Dislexia: di�culdade na �uência correta na leitura e escrita e na habilidade de decodi�cação
e soletração, apresentando inversões, omissões e substituição de letras ou sílabas. 
2. Disgra�a: di�culdade na execução da escrita, caracterizada por alterações na pressão da
letra, signos grá�cos indiferenciados, falta de harmonia e movimentos dissociados. 
3. Disortogra�a: incapacidade de escrever corretamente a linguagem oral, apresentando
trocas ortográ�cas, confusão de letras, problemas de ligação lógica de ideias. 
4. Discalculia: distúrbio do pensamento quantitativo, apresentando di�culdades para
processar números e resolver problemas.
O TDAH, TEA e transtornos de aprendizagem acometem o desenvolvimento de maneira geral e
em diferentes níveis de gravidade, com os mais diversos sintomas, sendo comum notar
di�culdades motoras nessa população. O TDC, por sua vez, é um transtorno relacionado ao
desempenho motor e muitas vezes está associado a TDAH, TEA e transtornos de aprendizagem.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Você inicia seu estágio de observação visitando um centro
de educação infantil e uma escola municipal, com o objetivo de observar as crianças para
compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. Após conhecer a área que estuda
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as mudanças no comportamento motor ao longo da vida, as terminologias dessa área, os fatores
que in�uenciam o desempenho das habilidades e os marcos de desenvolvimento das classes
das habilidades motoras, você volta ao estágio e escuta relatos das professoras sobre alunos
com laudo indicando algum transtorno. Mais uma vez, você volta a conversar com a professora
de Crescimento e Desenvolvimento Humano e pergunta: a quais transtornos elas estavam se
referindo? Os transtornos in�uenciam o desenvolvimento motor? O exercício físico pode
bene�ciar as crianças que apresentam transtornos?
Possivelmente, as professoras estavam falando do transtorno de desenvolvimento da
coordenação (TDC), do transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH),do transtorno do
espectro autista (TEA) e de transtornos de aprendizagem. O TDC afeta a coordenação motora,
então in�uencia muito no desenvolvimento motor. Já pessoas com TDAH, TEA e transtornos de
aprendizagem podem ter dé�cits no desenvolvimento motor, e estudos têm mostrado que a
prática de exercício físico e atividade física gera benefícios para essa população.
Saiba mais
Para saber mais sobre os transtornos de desenvolvimento, consulte o livro Comportamento
motor nos transtornos de desenvolvimento.
LAGE, G. M. Comportamento motor nos transtornos de desenvolvimento. Belo Horizonte: Ampla,
2020.
Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders.
5. ed. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022.
HARRIS, S. R.; MICKELSON, E. C. R.; ZWICKER, J. G. Diagnosis and management of developmental
coordination disorder. Canadian Medical Association Journal, [S. l.], v. 187, n. 9, p. 659-665, 2015.
Disponível em: https://doi.org/10.1503/cmaj.140994. Acesso em: 30 maio 2024.
LAGE, G. M. Comportamento motor nos transtornos de desenvolvimento. Belo Horizonte: Ampla,
2020.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2018.
PURCELL, C. et al. Understanding factors that in�uence physical activity behavior in people with
developmental coordination disorder (DCD): a mixed-methods convergent integrated systematic
review. Frontiers in Human Neuroscience, [S. l.], v. 17, 2023. Disponível em:
https://doi.org/10.3389/fnhum.2023.1274510. Acesso em: 30 maio 2024.
https://doi.org/10.1503/cmaj.140994
https://doi.org/10.3389/fnhum.2023.1274510
Disciplina
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WEBER, M. D. et al. Health related quality of life in children with developmental coordination
disorder: a systematic review. Health and Quality of Life Outcomes, [S. l.], v. 21, n. 1, 2023.
Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12955-023-02146-6. Acesso em: 30 maio 2024.
Aula 4
Modelo Teórico
Modelo teórico
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Olá!
Nesta videoaula, você terá a oportunidade de aprender um modelo que busca explicar o
desenvolvimento motor e faz uma analogia com uma ampulheta. Isso mesmo, aquela ampulheta
que usamos para contar o tempo nos jogos de tabuleiro.
Você deve estar se perguntando: “O que isso tem a ver com a disciplina?”. A resposta está nesta
aula, que o ajudará a compreender como ocorre a aquisição das habilidades motoras nas
diferentes faixas etária e trará uma luz sobre como elaborar uma intervenção a partir dessa
ideia. 
Bons estudos!
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Ponto de Partida
Durante o processo de desenvolvimento motor, passamos por marcos motores importantes
relacionados à idade, apesar de não depender dela. Assim, para explicar como acontecem as
mudanças no comportamento motor ao longo da vida, alguns autores criaram uma teoria que faz
uma analogia com uma ampulheta. Por meio desse conhecimento, você compreenderá as
mudanças no movimento desde a vida intrauterina até o envelhecimento.
Vejamos a situação da aula. Você inicia seu estágio de observação visitando um centro de
educação infantil e uma escola municipal, com o objetivo de observar as crianças para
https://doi.org/10.1186/s12955-023-02146-6
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u3a4_cre_hum_liberado.pdf
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. Após conhecer a área que estuda
as mudanças no comportamento motor ao longo da vida, as terminologias dessa área, os fatores
que in�uenciam o desempenho das habilidades, os marcos de desenvolvimento das classes das
habilidades motoras e os transtornos de neurodesenvolvimento, você percebe que existe uma
sequência comum de desenvolvimento de habilidades na maioria das crianças e volta a
questionar sua professora: como acontece o desenvolvimento motor da concepção até a
adolescência? E na fase adulta, somos capazes de aprender novas habilidades?
Vamos Começar!
As teorias são elaboradas e estudadas para organizar fatos já existentes ou informações
pesquisadas, fornecendo signi�cado ou explicação para algo. Dentro da área de comportamento
motor, as teorias desempenham um papel crucial na tentativa de explicar fenômenos observados
e testados. Na subárea do desenvolvimento motor, pesquisadores buscam entender como
nossos movimentos se desenvolvem durante a vida. Ao longo dos anos, foram descritas e
catalogadas informações sobre o desenvolvimento motor, no entanto nenhuma delas visava
estabelecer modelos teóricos sobre o desenvolvimento motor ao longo da vida. Na década de
1980, porém, surgiu um modelo teórico em forma de ampulheta que busca explicar, de maneira
abrangente, o desenvolvimento motor.
No desenvolvimento motor, podemos observar mudanças no comportamento motor ao longo da
vida. Passamos por um processo de aprendizagem sobre como nos movimentar com
competência e controle em diferentes ambientes. Dessa forma, tanto o processo quanto o
produto (desempenho) são observados, fornecendo-nos informações para os processos motores
subjacentes.
O movimento observável recai nas três categorias funcionais de movimento vistas
anteriormente: estabilização, locomoção e manipulação. A estabilização diz respeito a qualquer
movimento que envolva a manutenção ou o ganho de equilíbrio em relação à força da gravidade.
Já a locomoção envolve movimentos com mudanças na localização do corpo em relação a um
ponto �xo na superfície. E a manipulação signi�ca conferir ou receber força de objetos utilizando
grande grupos musculares (manipulação ampla) ou pequenos grupos musculares (manipulação
�na). As habilidades motoras podem envolver uma das três categorias (�car em um pé só), a
combinação de duas categorias (correr) ou a combinação das três categorias (pular corda).
Podemos dizer que o movimento é o incentivo para que o processo de desenvolvimento motor
aconteça; uma das maneiras para estudar esse processo é examinar a progressão sequencial
das habilidades motoras ao longo da vida.
Gallahue, Ozmum e Goodway (2013) �zeram uma analogia com uma ampulheta para explicar
como acontece o desenvolvimento motor, ou seja, o ganho de habilidades motoras (Figura 1).
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Figura 1 | Fases e estágios do desenvolvimento motor. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
A primeira fase é a motora re�exa, que acontece desde a vida pré-natal até aproximadamente 1
ano de idade. Compreende dois estágios: o estágio de codi�cação de informações (de
movimentos fetais até 4 meses) e o estágio de decodi�cação de informações (de 4 meses a 1
ano). Essa fase é caracterizada por movimentos involuntários, controlados subcorticalmente,
pela medula espinhal. O bebê responde a estímulos de toque, luz, sons e pressão de forma
involuntária, ou seja, não intencional.
A segunda fase é a motora rudimentar, que acontece desde o nascimento até 2 anos de idade e
se caracteriza pelas primeiras formas de movimento, que são consideradas rudimentares e
obedecem a uma sequência previsível. Os movimentos adquiridos nessa fase são de
estabilização, como controle de cabeça, pescoço e tronco; manipulação, de alcançar e pegar
objetos; e de locomoção, de arrastar-se, engatinhar e caminhar. A fase de movimentos
rudimentares possui dois estágios: o estágio de inibição do re�exo (do nascimento até 1 ano) e o
estágio de pré-controle (de 1 a 2 anos de idade).
A terceira fase é a motora fundamental, que acontece dos 2 aos 7 anos e possui três estágios: o
estágio inicial (entre 2 e 3 anos); o estágio elementar emergente (entre 3 e 5 anos); e o estágio
pro�ciente (entre 5 e 7 anos). Nessa fase, as crianças estão envolvidas com a experimentação e
a exploração do potencialde movimento do corpo, descobrindo modos de execução de
diferentes movimentos de estabilização, locomoção e manipulação, primeiramente isolados e
depois em combinação com outros. É uma fase importante para o desenvolvimento do controle
dos movimentos fundamentais, como chutar, arremessar, correr, saltar, galopar e rebater.
Por �m, a quarta fase é a motora especializada, que acontece dos 7 anos em diante. Essa fase
possui três estágios: o estágio de transição (entre 7 e 10 anos); o estágio de aplicação (entre 11
Disciplina
CRESCIMENTO E
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e 13 anos); e o estágio de utilização ao longo da vida (a partir de 14 anos). Essa fase é o produto
da fase anterior (fundamental) e quando as habilidades de manipulação, estabilização e
locomoção são progressivamente re�nadas, combinadas e reelaboradas para uso em demanda
crescente. Dessa maneira, os movimentos fundamentais de pular e saltar podem ser aplicados
na atividade de pular corda, assim como os movimentos de driblar uma bola, correr, saltar e
arremessar serão utilizados na bandeja do basquetebol. As habilidades aprendidas nessas
quatro fases são utilizadas em atividades da rotina diária, atividades recreativas ou atividades
competitivas.
Siga em Frente...
Para compreender melhor como acontece a aquisição de habilidades motoras ao longo da vida
— ou seja, de onde vem a areia, segundo o modelo da ampulheta —, vamos ao modelo
triangulado dela (Figura 2).
Figura 2 | Modelo da ampulheta triangulada. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
Nesse modelo, a areia que cai na parte de baixo da ampulheta representa a vida, que vem de dois
recipientes que in�uenciam o desenvolvimento motor: o hereditário e o ambiental. O recipiente
hereditário é determinado no momento da concepção, ou seja, a quantidade de areia nele é �xa.
Já ao recipiente ambiental pode ser acrescentada mais areia. Ou seja, nosso desenvolvimento
motor, representado pela areia, é in�uenciado pela hereditariedade (determinada ao nascer) e
pelo ambiente (mutável). Além disso, esse modelo de ampulheta triangulada demonstra que o
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preenchimento da areia na ampulheta depende dos fatores de restrição do indivíduo, do
ambiente e da tarefa. 
E o que acontece na fase adulta e no processo de envelhecimento?
Em determinada idade, a ampulheta vira. Para alguns adultos, ela vira de uma vez, ou seja, as
pessoas entram para o mercado de trabalho, constituem família e abandonam a prática de
exercício físico; consequentemente, não adquirem novas habilidades. A Figura 3 demonstra a
ampulheta invertida.
Figura 3 | Ampulheta invertida na vida adulta e no envelhecimento. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
Assim, vemos que a areia (habilidades aprendidas até a fase adulta) escoa por dois �ltros
distintos: o �ltro da hereditariedade, que não podemos mudar (predisposição genética para
doenças) e o �ltro do estilo de vida, sobre o qual temos controle (aptidão física, estado
nutricional, dieta, exercício físico e qualidade de vida). Assim, essa areia pode escoar de forma
rápida ou lenta, a depender desses �ltros. Nada poderá impedir a areia de escoar, mas o �ltro do
estilo de vida pode reduzir a taxa desse escoamento, por ter sua base ambiental.
No topo da ampulheta da Figura 3, há um recipiente que introduz novos aprendizados ao longo
da vida (mais areia). Isso signi�ca que temos sempre a oportunidade de adquirir novos
aprendizados ao longo da vida, por meio de novas experiências. No entanto, não é possível
acrescentar mais areia do que a que escoa, pois assim estaríamos em busca da imortalidade.
É importante ressaltar que o desenvolvimento motor a partir da análise dessa ampulheta não
acontece de maneira contínua e ordenada, pois ao virar a ampulheta a areia é distribuída
formando um monte na região mais central e se espalhando nas extremidades. Isso signi�ca que
a aquisição de habilidades motoras não acontece regularmente em todos os estágios, ou seja,
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uma pessoa pode estar na fase motora rudimentar para o arremesso e fundamental para a
corrida. Ou uma criança pode se apresentar nos estágios mais pro�cientes para algumas
habilidades e mais elementar para outras. Portanto, podemos dizer que a ampulheta apresenta
um desenvolvimento motor descontínuo, ou seja, variável em suas fases e seus estágios.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da aula. Você inicia seu estágio de observação visitando um centro de
educação infantil e uma escola municipal, com o objetivo de observar as crianças para
compreender suas práticas corporais e seu desenvolvimento. Após conhecer a área que estuda
as mudanças no comportamento motor ao longo da vida, as terminologias dessa área, os fatores
que in�uenciam o desempenho das habilidades, os marcos de desenvolvimento das classes das
habilidades motoras e os transtornos de neurodesenvolvimento, você percebe que existe uma
sequência comum de desenvolvimento de habilidades na maioria das crianças e volta a
questionar sua professora: como acontece o desenvolvimento motor da concepção até a
adolescência? E na fase adulta, somos capazes de aprender novas habilidades?
O desenvolvimento motor pode ser explicado por meio da teoria da ampulheta, que descreve que
o desenvolvimento acontece em quatro fases: motora re�exa, motora rudimentar, motora
fundamental e motora especializada. Esse desenvolvimento acontece nas diferentes faixas
etárias, desde a concepção até a adolescência. Na vida adulta, as habilidades aprendidas são
utilizadas em atividades da vida diária, lazer e práticas competitivas. A hereditariedade e o estilo
de vida podem in�uenciar esse desenvolvimento. Se continuamos a praticar atividades e a
aprender novas habilidades, continuamos a nos desenvolver; em contrapartida, quando paramos,
não aprendemos coisas novas e perdemos consideravelmente o que ganhamos até então.
Saiba mais
Para saber mais sobre o modelo teórico da ampulheta, leia o capítulo 3 do livro Compreendendo
o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos, disponível na biblioteca
digital.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
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ROMANHOLO, R. A. et al. Estudo do desenvolvimento motor: análise do modelo teórico de
desenvolvimento motor de Gallahue. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, [S.
l.], v. 8, n. 45, p. 313-322, 2014.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Olá!
Nesta videoaula, você estudará os conceitos e as terminologias referentes ao desenvolvimento
motor, bem como as três classi�cações das habilidades motoras presentes no movimento.
Também compreenderá como alguns transtornos podem in�uenciar o desenvolvimento motor e
como acontece o desenvolvimento motor ao longo da vida, por meio de um modelo teórico. 
Esse conteúdo é muito relevante para sua atuação pro�ssional, pois impacta o trabalho com o
exercício físico voltado a pessoas com desenvolvimento típico e atípico. 
Bons estudos!
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Ponto de Chegada
A competência de�nida para esta unidade é compreender os conceitos referentes ao
desenvolvimento motor em pessoas com desenvolvimento típico e atípico, suas classes de
movimento e o modelo teórico que explica como acontece o desenvolvimento motor ao longo da
vida.
A �m de que esse objetivo seja alcançado, você estudaráos conceitos relacionados ao
desenvolvimento motor, sua área de inserção na Educação Física, as terminologias importantes
para o entendimento do conteúdo (movimento, habilidade motora, padrão de movimento,
capacidades motoras e desempenho motor) e quais fatores in�uenciam o desenvolvimento
motor. A partir daí, você compreenderá que as habilidades motoras dividem-se em três
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categorias: estabilização, locomoção e manipulação. Para você compreender o desenvolvimento
motor de pessoas com um desenvolvimento típico, será apresentado um modelo teórico que faz
uma analogia com uma ampulheta. E, para compreender o desenvolvimento motor de pessoas
com desenvolvimento atípico, você terá informações a respeito de alguns transtornos que podem
in�uenciar a execução de movimentos. Serão abordados o transtorno de desenvolvimento da
coordenação (TDC), o transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH), o transtorno do
espectro autista (TEA) e os transtornos de aprendizagem.
É Hora de Praticar!
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Mariana é formada em Educação Física e está fazendo mestrado na área de comportamento
motor, estudando o desenvolvimento motor de crianças. A diretora e os professores da escola de
sua cidade estão preocupados com o desempenho dos alunos nas aulas de Educação Física,
pois percebem baixo interesse e muito uso de eletrônicos. Por isso, gostariam de mais
informações sobre o desenvolvimento motor das crianças, a �m de realizar uma intervenção.
Para isso, eles convidam Mariana para palestrar sobre desenvolvimento motor. Quais temas
Mariana poderia abordar?
O que é desenvolvimento motor?
Quais são as classes das habilidades motoras?
Quais transtornos podem afetar o desenvolvimento motor?
Como explicar o desenvolvimento motor ao longo da vida?
Dê o Play!
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Mariana poderia abordar os fatores que afetam o desenvolvimento motor, falar das classes das
habilidades motoras, explicar como alguns transtornos podem in�uenciar o desenvolvimento
motor e como acontece o desenvolvimento motor ao longo da vida, apresentando a ampulheta
proposta por Gallahue, Ozmun e Goodway (2013).
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Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
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GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle motor: teoria e aplicações práticas. Barueri:
Manole, 2003.
,
Unidade 4
Fases do desenvolvimento motor
Aula 1
Fase de Movimentos Re�exos e Rudimentares
Fase de movimentos re�exos e rudimentares
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Olá!
Nesta videoaula, você entenderá como os bebês se movimentam dentro da barriga da mãe e ao
nascer e como são os movimentos das crianças até 2 anos de idade. Utilizando a ampulheta de
Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) como referência, você estudará os estágios das fases
motora re�exa e rudimentar.
Esse conteúdo é importante para sua atuação pro�ssional, pois lhe permite planejar uma
intervenção com mais e�cácia. Além disso, conhecendo o desenvolvimento motor típico, torna-
se mais fácil identi�car o desenvolvimento motor atípico. 
Bons estudos!
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Ponto de Partida
Compreender como os bebês e as crianças se movimentam é se preparar para um ambiente com
mais estímulos e tarefas mais especí�cas para cada faixa etária. Assim, ao se aprofundar nas
fases e nos estágios do desenvolvimento motor, você se torna capaz de planejar suas aulas
buscando um melhor desenvolvimento motor durante a infância. 
Vamos à situação desta aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como professor
de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros docentes
sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra abordará os movimentos dos bebês e
de crianças até 2 anos; a segunda, o desenvolvimento motor de crianças de 2 a 7 anos; a terceira,
o de crianças de 7 a 14 anos; e a quarta e última, os testes motores. 
O que Gabriel pode abordar na primeira palestra?
Vamos Começar!
Como os bebês se movimentam? E como esses movimentos evoluem para os movimentos mais
coordenados de uma criança de 2 anos? 
Dentro da barriga da mãe, o bebê realiza movimentos re�exos, que continuam ao nascer,
acontecendo de forma predominante até por volta dos 4 meses, mas ainda sendo registrados em
menor frequência até 1 ano de idade. 
Os movimentos re�exos são atividades involuntárias aos estímulos externos. Controlados
subcorticalmente, constituem a base para o desenvolvimento motor. O controle subcortical diz
respeito ao controle via medula espinhal, sem que chegue aos centros superiores, ou seja, ao
encéfalo. Isso acontece porque a bainha de mielina, que envolve os neurônios (células nervosas)
e é responsável pela condução do impulso nervoso, não está desenvolvida, então o impulso não
chega ao encéfalo (nível de consciência). Dessa forma, quando o estímulo acontece, o impulso
vai até a medula espinhal, e uma resposta involuntária e estereotipada acontece como forma de
movimento, o que chamamos de movimento re�exo.
Os bebês apresentam dois tipos de movimentos re�exos: os primitivos e os posturais. Os
re�exos primitivos estão relacionados com a sobrevivência do bebê, como a obtenção de
nutrição e proteção. Um exemplo é o re�exo de busca e sucção: quando a área ao redor da boca
é estimulada, o bebê vira a cabeça em direção à fonte de estímulo (re�exo de busca) e, quando
estimulado nos lábios, nas gengivas, na língua ou no palato duro, realiza movimentos de sucção
(re�exo de sucção). O re�exo de busca é mais forte nos três primeiros meses de vida e pode
persistir até 1 ano. Já o re�exo de sucção desaparece por volta do terceiro mês, quando esse
movimento se torna voluntário.
Outro re�exo primitivo é o de preensão palmar, que acontece quando há estimulação na palma
da mão, e o bebê fecha com força em torno do objeto. Esse re�exo permanece até por volta do
quarto mês. Nos membros inferiores, são percebidos os re�exos de Babinski e o de preensão
plantar. O re�exo de Babinski é o movimento a partir do toque na sola dos pés, que causa a
extensão dos dedos do pé. Esse re�exo se manifesta do nascimento até aproximadamente 4
meses e cede espaço ao re�exo de preensão plantar, que acontece quando os polegares reagem
a uma pressão contra o terço anterior do pé, provocado pelo toque. O re�exo de preensão plantar
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permanece até por volta dos 12 meses de vida. 
Já os re�exos posturais remetem aos movimentos que o bebê e a criança fazem de forma
voluntária posteriormente e estão relacionados à manutenção da postura ereta no ambiente. Um
exemplo de re�exo postural é o de engatinhar quando o bebê é colocado de barriga para baixo
(posição pronada): se recebe uma pressão na sola do pé, ele assume a posição de engatinhar,
utilizando os membros superiores e inferiores. Esse re�exoestá presente no nascimento e
desaparece por volta do terceiro ou quarto mês. Outro re�exo interessante é o da marcha
automática que acontece quando sustentamos o bebê em pé e ele realiza a marcha como se
estivesse caminhando. Esse re�exo está presente ao nascer e permanece até por volta do quinto
mês de vida.
Esses são alguns exemplos de movimentos re�exos, tanto primitivos quanto posturais. O bebê
com desenvolvimento típico deve apresentar todos os re�exos comuns para cada faixa etária.
Caso algum movimento esteja ausente, desigual ou irregular, é levantada a suspeita de disfunção
ou dano neurológico, sendo necessários mais exames para o diagnóstico.
Siga em Frente...
Conforme o sistema nervoso amadurece após o nascimento, os movimentos re�exos vão se
enfraquecendo, e os movimentos voluntários começam a acontecer. Por volta de 1 ano de idade,
a criança não apresenta mais movimentos re�exos primitivos ou posturais e responde com
intenção, mas ainda aprendendo a lidar com a força da gravidade. 
Como essa troca de movimentos re�exos para movimentos voluntários acontece desde o
nascimento e de forma gradual, a partir daí a criança já inicia a fase de movimentos
rudimentares. A partir do nascimento, o bebê começa a perceber a relação entre seu corpo e a
gravidade nas diferentes posturas, desenvolvendo a estabilidade. A estabilização permite que o
bebê rasteje, engatinhe e realize a marcha ereta, ou seja, desenvolva os elementos da
locomoção, assim como os da manipulação, como alcançar um objeto, segurá-lo e soltá-lo.
A fase dos movimentos rudimentares acontece do nascimento até os 2 anos de idade e é
caracterizada por movimentos voluntários grosseiros, com tentativa de controle e coordenação.
Tanto a fase motora re�exa quanto a fase motora rudimentar passam por estágios comuns no
desenvolvimento dos bebês, que veremos a seguir (Figura 1).
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Figura 1 | Fases e estágios do desenvolvimento motor.Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
A fase motora re�exa apresenta dois estágios: o estágio de codi�cação de informações (da vida
fetal até 4 meses após o nascimento); e o estágio de decodi�cação de informações (de 4 meses
a 1 ano).
O estágio de codi�cação de informações é caracterizado pela fase observável de movimentos
involuntários. Isso acontece devido ao melhor desenvolvimento dos centros cerebrais inferiores
que comandam os movimentos fetais e neonatais, em comparação com o córtex motor
(cérebro). Essas atividades re�exas servem para coletar informações, buscar proteção e nutrição
por meio do movimento.
Por sua vez, o estágio de decodi�cação de informações é marcado por um período de inibição
gradual das atividades re�exas, conforme os centros cerebrais superiores vão se desenvolvendo.
Assim, os centros cerebrais inferiores vão deixando de controlar os movimentos re�exos, e o
córtex cerebral começa a mediar as atividades motoras voluntárias. Nesse estágio, a atividade
que antes era sensório-motora passa a ser perceptivo-motora, ou seja, envolve o processamento
dos estímulos e o armazenamento das informações.
A fase motora rudimentar apresenta dois estágios: o estágio de inibição do re�exo (do
nascimento até aproximadamente 1 ano); e o estágio de pré-controle (de 1 ano a 2 anos).
O estágio de inibição do re�exo é caracterizado pelo desaparecimento gradativo dos movimentos
re�exos e pela in�uência do córtex motor na realização de movimentos voluntários, que
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inicialmente são descontrolados e não re�nados. Nessa fase, tanto o processo biológico do
amadurecimento do sistema nervoso quanto os estímulos ambientais favorecem o
desenvolvimento dos movimentos rudimentares.
No estágio de pré-controle, as crianças desenvolvem a capacidade de se manter em equilíbrio, de
locomover-se pelo ambiente e manipular objetos com maior precisão e controle. Isso acontece
devido ao desenvolvimento cognitivo e motor mais elevado, que estimula o ganho de
movimentos de forma mais rápida.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como
professor de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros
docentes sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra abordará os movimentos
dos bebês e de crianças até 2 anos; a segunda, o desenvolvimento motor de crianças de 2 a 7
anos; a terceira, o de crianças de 7 a 14 anos; e a quarta e última, os testes motores. O que
Gabriel pode abordar na primeira palestra?
Gabriel pode seguir as fases do desenvolvimento motor propostas por Gallahue, Ozmun e
Goodway (2013), abordando primeiramente as fases motora re�exa e rudimentar. Dessa maneira,
pode falar das características de cada fase, apresentando as diferenças e as relações com os
processos maturacionais da criança, descrevendo os estágios de cada fase.
Saiba mais
Para saber mais sobre as fases motora re�exa e motora rudimentar, leia os capítulos 7 e 8 do
livro Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos,
disponível na biblioteca digital.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
TANI, G. Comportamento motor: conceitos, estudos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2016.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
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Aula 2
Fase de Movimentos Fundamentais
Fase de movimentos fundamentais
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Olá!
Nesta videoaula, você compreenderá como acontece o desenvolvimento motor de crianças entre
2 e 7 anos. Nessa fase, conhecida como motora fundamental, a crianças passam por três
estágios que dependem do processo maturacional, dos estímulos do ambiente e da
apresentação da tarefa. 
Esse conteúdo é muito importante para seu crescimento acadêmico, pois fornece a base do
processo de aprendizagem das habilidades motoras fundamentais, que se re�ete no
desenvolvimento ao longo da vida. Assim, você terá ferramentas para trabalhar de maneira
adequada, propiciando um ambiente enriquecedor aos alunos.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
Os momentos de aprendizagem motora para crianças de 2 a 7 anos podem ajudar seu repertório
motor ao longo da vida. O pro�ssional de Educação Física que trabalha no desenvolvimento de
habilidades motoras fundamentais para a vida está plantando uma semente para que a
adolescência e a vida adulta sejam mais ativas. Assim, aprender sobre a fase motora
fundamental lhe permitirá planejar suas aulas de maneira mais direcionada e com objetivo.
Para isso, vamos a situação da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como
professor de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros
docentes sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra foi sobre os movimentos
dos bebês e de crianças até 2 anos. Os professores adoraram e estão esperando ansiosamente a
segunda, que será sobre o desenvolvimento motor de crianças de 2 a 7 anos.
O que de interessante Gabriel pode falar nessa palestra?
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u4a2_cre_hum_liberado.pdf
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Vamos Começar!
Dentro do útero da mãe e após nascer, o bebê se movimenta por atividades re�exas, ou seja,
involuntárias. Esses movimentos re�exos vão se enfraquecendo após o nascimento, dando lugar
aos movimentos voluntários, que são bem rudimentares até aproximadamente 2 anos de idade. 
O processode maturação e a interação da criança com o ambiente permitem que seus
movimentos �quem cada vez mais controlados e coordenados. Depois dos 2 anos de idade, ela é
capaz de aprender novos movimentos com a prática e os ensinamentos. Assim, de 2 e 7 anos, a
criança desenvolve as habilidades motoras fundamentais, que embasam as habilidades
combinadas e mais complexas após os 7 anos. De acordo com o modelo teórico proposto por
Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), as crianças entre 2 e 7 anos deveriam estar na fase motora
fundamental.
Figura 1 | Fases e estágios do desenvolvimento motor. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
Na fase motora fundamental, as crianças aprendem as habilidades motoras fundamentais, que
são resultados da fase motora anterior, a rudimentar. Chamamos de habilidades motoras
fundamentais aquelas mais básicas que embasam habilidades motoras mais complexas, como
correr, arremessar, galopar, saltar, saltar em um pé só, deslizar, segurar uma bola, rebater, chutar
e driblar. 
Durante essa fase, as crianças estão explorando e experimentando o potencial de seus corpos.
Isso é marcado por um período de descoberta de três tipos de movimento: movimentos de
deslocamento, de equilíbrio e de manipulação. Inicialmente, eles ocorrem de forma isolada e, em
seguida, começam a ser combinados. Por exemplo, uma criança de 3 anos aprende a driblar
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(quicar) uma bola estando parada. Com 4 anos, consegue andar e driblar a bola. Com 5 anos, é
capaz de correr e driblar a bola ao mesmo tempo. Assim, com a prática e o passar dos anos, a
criança aprimora a capacidade de realizar habilidades com mais controle e competência.
As habilidades motoras fundamentais aprendidas nessa fase (entre 2 e 7 anos) são
componentes importantes para a vida diária, tanto de crianças e adolescentes quanto de adultos.
Diante disso, a prática das habilidades motoras fundamentais é muito importante, assim como
as aulas de Educação Física na escola e as atividades esportivas realizadas fora da escola. É
essencial que essas habilidades sejam trabalhadas com as crianças, de maneira orientada e com
o objetivo de gerar a aprendizagem, com instrução, correção e feedback corretos.
A fase motora fundamental é constituída de três estágios: estágio inicial, estágios elementares
emergentes e estágio pro�ciente. 
O estágio inicial acontece entre 2 e 3 anos e é caracterizado pelas primeiras tentativas de
executar as habilidades motoras fundamentais. As tarefas motoras são caraterizadas por
ausência de algumas partes ou sequência inapropriada, congelamento ou uso exagerado do
corpo, coordenação motora e �uxo rítmico ruins. 
Os estágios elementares emergentes acontecem entre 3 e 5 anos. Como pode haver vários,
nesse caso o plural é necessário. Nessa fase, a criança já adquire as habilidades motoras
fundamentais com maior controle motor e coordenação, no entanto os padrões de movimentos
ainda podem se apresentar congelados ou exagerados. As crianças típicas avançam entre os
estágios elementares dentro do processo de maturação. Entretanto, muito indivíduos, crianças
ou adultos, não conseguem ultrapassar esse estágio em uma ou mais habilidades motoras
fundamentais, o que di�culta a utilização em habilidades mais complexas, como as esportivas
na adolescência e na fase adulta.
O último estágio da fase motora fundamental é o estágio pro�ciente, que acontece entre 5 e 7
anos, quando o desempenho é mecanicamente e�ciente, controlado e coordenado. O padrão de
movimento é maduro e melhora cada vez mais com a prática, o estímulo e a instrução. O alcance
da pro�ciência tem relação com o processo maturacional da criança, no entanto um ambiente
que oferece estímulo, com as instruções e correções adequadas, favorece o desenvolvimento
das habilidades. Quando não há estímulo, o indivíduo apresenta maior di�culdade de avançar
para a próxima fase, a de movimentos especializados. Dessa maneira, alguns autores referem-se
a essa di�culdade como barreira de pro�ciência. 
Siga em Frente...
Barreira de pro�ciência
A ideia da barreira de pro�ciência foi proposta por Seefeldt (1980), ao alegar que as crianças
privadas do aprendizado de habilidades motoras fundamentais apresentam di�culdades quando
tentam aprender as habilidades mais especí�cas. Caso a criança não aprenda as habilidades
Disciplina
CRESCIMENTO E
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motoras fundamentais, �cará barrada nesse ponto e terá di�culdades de realizar habilidades
mais complexas e combinadas.
Além disso, a barreira de pro�ciência pode ter implicações depois da infância com relação à
participação em atividades físicas vigorosas, como jogos e esportes. Malina (2014) aponta que
deve haver um nível de competência motora superior, que deixa a criança mais suscetível à
prática de atividades físicas, e inferior, que a deixa menos suscetível à prática.
E como fazer com que a criança supere essa barreira e tenha uma maior participação em
atividades físicas?
É necessário que a criança se envolva em práticas e experiências especí�cas consistentemente
durante a infância, em um ambiente de aprendizagem positivo e desa�ador. Quando as crianças
têm a oportunidade de praticar habilidades desde tenra idade, elas tendem a se envolver mais
em atividades em idades posteriores. A barreira é superada com a prática, com a experiência e
com a instrução e feedbacks adequados, visando a melhoria do padrão de movimento e não o
fazer por fazer.
Quando as habilidades são desenvolvidas nos primeiros anos da infância, a criança adquire uma
base mais sólida de habilidades que podem contribuir para uma trajetória mais positiva na
aprendizagem de habilidades ao longo da vida. Além disso, crianças que não aprenderam as
habilidades na infância podem necessitar de muito mais prática do que crianças que tiveram
experiências precoces no aprendizado de habilidades mais avançadas.
Diante disso, o papel do pro�ssional e professor de Educação Física no desenvolvimento dessa
fase motora é de grande importância. Praticar as habilidades motoras fundamentais, como
correr, saltar, saltitar, galopar, arremessar, chutar, driblar uma bola etc. é facilitar o aprendizado de
habilidades mais complexas posteriormente e contribuir para o nível de atividade física na
adolescência e fase adulta, diminuindo o sedentarismo, a obesidade e o acometimento por
doenças. Portanto, crianças a partir dos 2 anos devem ser incentivadas ao aprendizado de
habilidades motoras fundamentais dentro de suas capacidades, com o avanço do grau de
di�culdade conforme a idade.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como professor
de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros docentes
sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra foi sobre os movimentos dos bebês e
de crianças até 2 anos. Os professores adoraram e estão esperando ansiosamente a segunda,
que será sobre o desenvolvimento motor de crianças de 2 a 7 anos. O que de interessante Gabriel
pode falar nessa palestra?
Seria interessante Gabriel caracterizar a fase motora fundamental (de 2 a 7 anos), apresentando
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
seus estágios e abordando principalmente o conceito de barreira de pro�ciência, suas
consequências e como superá-la.
Saiba mais
Para saber mais sobre a fase motora fundamental, leia os capítulos 11 e 12 do livro
Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos, disponível
na biblioteca digital.
Referências
BRIAN, A. et al. Reconceptualizing and operationalizing Seefeldt´s pro�ciency barrier: applications
and future directions. Sports Medicine, Auckland, v. 50, n. 11, p. 1889-1900, 2020. Disponível em:
https://doi.org/10.1007/s40279-020-01332-6. Acesso em: 30 maio 2024.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
MALINA, R. M. Top ten research questioncada fase é diferente para cada bebê.
A maturação refere-se a dois conceitos importantes: (1) o período em que ocorrem os eventos de
maturação especí�cos (timing); e (2) a taxa em que ocorrem os progressos de maturação
(tempo). Por exemplo, a idade em que o adolescente atinge o crescimento máximo durante seu
crescimento acelerado é o timing, e a velocidade com que ele cresce na adolescência é o tempo.
Tanto o timing quanto o tempo variam consideravelmente entre as pessoas. Duas crianças
podem apresentar a mesma estatura, mas uma delas pode ter atingido 65% de sua estatura
adulta e a outra, 75% (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Como comentamos anteriormente, a maturação acontece nas células, nos órgãos e nos
sistemas. No entanto, cada um de nossos sistemas progride para o estado maduro em
diferentes momentos da vida. Assim, podemos estudar a maturação esquelética, sexual,
somática e dental. Vejamos cada um destes:
A maturação esquelética envolve o processo de ossi�cação e de crescimento ósseo para atingir
a estatura adulta. Assim, o bebê nasce com o esqueleto formado por cartilagens, e até a fase
adulta ocorre a ossi�cação (processo em que a cartilagem se torna osso); na fase adulta, é
atingido seu crescimento máximo (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
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CRESCIMENTO E
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Por sua vez, a maturação sexual consiste em um processo contínuo cujo início acontece com a
diferenciação sexual no período embrionário (pré-natal), passando pela puberdade na
adolescência e atingindo a maturidade completa e a fertilidade. Assim, o bebê nasce com as
características sexuais primárias (órgãos genitais masculinos ou femininos), e na adolescência
surgem as características sexuais secundárias (por exemplo, seios e menarca nas meninas,
mudança da voz e aumento do tamanho do pênis nos meninos, e crescimento dos pelos
pubianos em ambos). Sendo assim, na puberdade ocorrem a maturação do sistema reprodutivo
e o crescimento adolescente acelerado (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Já a maturação somática permite analisar o processo ao estado maduro além das medições do
tamanho do corpo, pois só o tamanho do corpo em si não é um indicativo de maturidade. Assim,
a maturação somática está ligada a dados longitudinais, como o início do estirão de crescimento
e a idade no pico de velocidade de crescimento durante o estirão (que seria a idade na taxa
máxima de crescimento durante o estirão) (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Por �m, a maturação dental está relacionada com o processo de dentição, do surgimento dos
dentes de leite e dos dentes permanentes. De maneira semelhante à maturação esquelética, é
determinada pela calci�cação dos dentes (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Sendo a maturação considerada um processo ao estado maduro, podemos dizer que a
maturidade é esse estado maduro. Assim, a maturação ocorre em direção à maturidade; e a
maturidade varia de acordo com o sistema biológico estudado. Com isso, ao estudarmos a
maturação óssea, vamos perceber que a maturidade acontece em determinada idade que é
diferente da maturidade sexual, dental ou somática. A Figura 1 esquematiza os conceitos de
maturação e maturidade. 
Figura 1 | Maturação e maturidade
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CRESCIMENTO E
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Com base nessas de�nições, podemos destacar que, apesar de os termos “crescimento” e
“maturação” referirem-se às atividades biológicas, essas atividades são especí�cas de cada um.
Enquanto o crescimento envolve o aumento do corpo ou de partes especí�cas, a maturação
consiste no processo dos sistemas corporais de se tornarem maduros, ou seja, atingirem seu
estado ótimo de funcionamento. De todo modo, podemos dizer que o crescimento e a maturação
estão intimamente relacionados e devem ser vistos como dinâmicos, uma vez que o produto
�nal é o estado adulto, e ambos se movimentam para atingi-lo desde a concepção.
Siga em Frente...
Ao compreendermos que o processo maturacional é diferente entre os sistemas e entre as
próprias crianças, conseguimos explicar por que duas crianças de uma mesma turma, com a
mesma idade, apresentam processos maturacionais e de crescimento diferentes. Por mais que a
idade cronológica seja igual, elas podem não apresentar a mesma idade biológica.
A idade cronológica é a idade da pessoa em meses e anos, levando em consideração o dia, o
mês e o ano em que nasceu. Assim, ao saber a data de nascimento de uma pessoa, calculamos
a idade em anos, meses e dias. Porém, essa idade cronológica é apenas uma estimativa bruta do
nível de maturação de um indivíduo. Por sua vez, a idade biológica nos fornece a taxa de
progressão de uma pessoa em direção à maturidade, é variável e corresponde a uma idade
aproximada à idade cronológica. Podemos determinar a idade biológica por meio da medição
das idades morfológica, esquelética, sexual e dental (Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013).
A idade morfológica pode ser estimada pela comparação da estatura e da massa corporal de
uma pessoa com padrões normativos. Para isso, utilizamos os grá�cos de crescimento físico do
Centro Nacional de Estatística em Saúde (National Center for Health Statistics, 2009[D1] ). Já a
idade esquelética fornece a idade biológica do crescimento e do desenvolvimento dos ossos,
sendo determinada por raio X das mãos e dos punhos. A idade sexual é determinada pelas
características sexuais primárias e secundárias. E, por �m, a idade dentária é usada com menos
frequência e baseia-se na calci�cação dos ossos nas diferentes dentições (Gallahue; Ozmun;
Goodway, 2013). A Figura 2 demonstra a diferença entre idade cronológica e idade biológica. Os
métodos de avaliação da idade biológica em cada sistema ainda serão mais aprofundados na
disciplina mais adiante.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 2 | Diferença entre idade cronológica e idade biológica
No primeiro caso, a idade cronológica de Amanda é estabelecida a partir de sua data de
nascimento. No segundo, tanto João quanto Carol têm 12 anos (idade cronológica), mas as
idades morfológica, esquelética, dentária e sexual indicam que Carol tem uma idade biológica de
14 anos e João, de 11 anos. Assim, a maturação é o avanço qualitativo para os níveis mais
elevados de funcionamento.
Você pode perceber que nesse avanço acontecem atividades celulares que são diferentes em
cada sistema, fazendo com que a maturidade aconteça em momentos distintos entre eles.
Diante disso, a idade cronológica não é capaz de predizer os processos de crescimento e
maturação de cada sistema, visto que se trata de uma estimativa bruta do nível de
desenvolvimento geral de uma pessoa. Dessa maneira, é importante analisar as idades
morfológica, esquelética, sexual e dental para compreender a idade biológica.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Você já está formado em Educação Física e trabalha como
coordenador de esportes e atividades físicas de uma escola. No �m do ano letivo, os professores
comentam que, durante o ano, surgiram várias dúvidas sobre crescimento e maturação entre os
alunos, pais e outros professores. Para sanar essas dúvidas, você decide retomar alguns
conceitos mais básicos. Depois, para dar continuidade ao debate, você decide falar sobre
maturação, explicando o que é maturação, a diferença entre crescimento e o signi�cado de idade
cronológica e idade biológica.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Maturação é o avanço qualitativo para os níveis mais elevados de funcionamento. Difere-se de
crescimento, pois o crescimento refere-se somente ao aumento do corpo todo ou de parte dele,
enquanto a maturação analisa o processo até a maturidade dos sistemas morfológicos, sexual,
dental e esquelético. Assim, para compreender a maturação de cada um dos sistemas, é
importante analisar a idade biológica (a taxa de progressão de uma pessoa em direção à
maturidade de cada sistema), e não a idade cronológica (medida em meses e anos).
Saiba mais
Para saber mais sobre os conceitos de maturação e idade cronológica e biológica, leia as
páginas 28 a 30 dorelated to growth and maturation of relevance to
physical activity, performance e �tness. Research Quaterly for Exercise and Sport, [S. l.], v. 85, n. 2,
p. 157-163, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1080/02701367.2014.897592. Acesso em: 30
maio 2024.
SEEFELDT, V. Developmental motor patterns: implications for elementary school physical
education. In: NADEAU, C.; HOLLIWELL, W.; ROBERTS, G. (ed.). Psychology of motor behavior and
sport. Champaign: Human Kinects, 1980.
Aula 3
Fase de Movimentos Especializados
Fase de movimentos especializados
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https://doi.org/10.1080/02701367.2014.897592
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Olá!
Nesta videoaula, você verá como acontece o desenvolvimento motor de crianças a partir de 7
anos e de adolescentes e como um bom repertório motor será importante na vida adulta e no
processo de envelhecimento. 
Ao compreender esses conteúdos, você será capaz de aplicá-los na elaboração de suas aulas e
no ensino de novas habilidades. Um bom repertório motor adquirido na infância pode in�uenciar
a prática de atividade física na infância e na vida adulta, evitando o sedentarismo. 
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
 
Ponto de Partida
As habilidades motoras aprendidas na infância contribuem para o repertório motor na vida
adulta. Um indivíduo que recebe estímulos e aprende uma variedade de habilidades motoras na
infância tem um repertório motor mais rico na fase adulta. O contrário também acontece:
indivíduos que não aprendem habilidades motoras e não são incentivados à prática não dispõem
de um repertório motor bom para a realização das atividades esportivas, da vida diária e de lazer.
Diante disso, compreender como acontece o desenvolvimento motor em cada fase da vida
permitirá a você elaborar uma intervenção prática mais direcionada e com objetivos especí�cos
na busca de um repertório motor mais rico.
Vamos à situação da aula de hoje. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como
professor de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros
docentes sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra teve como foco os
movimentos dos bebês e de crianças até 2 anos e foi um sucesso. Na segunda palestra, Gabriel
explicou o desenvolvimento motor na primeira infância, um conteúdo bem enriquecedor. A
terceira palestra será sobre o desenvolvimento motor a partir dos 7 anos. Como Gabriel poderá
abordar esse assunto?
Vamos Começar!
O desenvolvimento motor é contínuo e progressivo, está relacionado ao processo de maturação
e sofre in�uência do ambiente e dos estímulos proporcionados. De acordo com a ampulheta de
Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), o desenvolvimento motor divide-se em quatro fases: re�exa,
rudimentar, fundamental e a especializada (foco desta aula). Ao �nal da fase motora
fundamental, a maioria das crianças apresentam potencial para realizar, de forma pro�ciente, a
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/CRESCIMENTO_E_DESENVOLVIMENTO_HUMANO/PPT/u4a3_cre_hum_liberado.pdf
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CRESCIMENTO E
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maioria das habilidades motoras fundamentais; inicia-se então a transição para a fase motora
especializada (Figura 1).
Figura 1 | Fases e estágios do desenvolvimento motor. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
Dessa maneira, podemos dizer que a fase motora especializada (a partir de 7 anos) é um produto
das habilidades desenvolvidas na fase motora fundamental. As habilidades de locomoção,
estabilização e manipulação são re�nadas pouco a pouco, combinadas e reelaboradas para
formar habilidades esportivas e outras habilidades de movimento complexas e especí�cas. Por
exemplo, a criança que desenvolve a habilidade fundamental de saltar poderá aplicá-la ao pular
corda ou realizar um salto triplo (Figura 2). 
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CRESCIMENTO E
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Figura 2 | Habilidades motoras fundamentais no dia a dia. Fonte: adaptada de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
No entanto, elementos como práticas irregulares, de má qualidade, falta de instrução adequada
ou pouco ou nenhum incentivo podem acarretar atrasos na execução de alguns movimentos na
adolescência, gerando uma diminuição da participação em atividades físicas. Por exemplo, será
muito difícil uma pessoa conseguir jogar vôlei se suas habilidades motoras fundamentais de
arremesso com uma mão e recepção não estiverem em níveis pro�cientes, pois a manchete e o
saque são tipos de especialização da recepção e do arremesso por cima com uma mão,
respectivamente.
Podemos analisar essa situação pela hipótese da barreira de pro�ciência entre a fase motora
fundamental e a especializada, caso a criança não aprenda as habilidades motoras fundamentais
(Seefeldt, 1980). Dessa forma, a criança terá maior di�culdade em re�nar, combinar e realizar
habilidades mais complexas, devido ao fato de estar “bloqueada” na barreira de pro�ciência.
É importante ressaltar que a criança pode estar pronta com relação aos aspectos afetivos e
cognitivos; no entanto, para avançar nessa fase, ela precisa �nalizar, de maneira bem-sucedida,
os aspectos especí�cos da fase anterior. Outro ponto importante é que não podemos aplicar “a
lei do tudo ou nada”, deduzindo que ou a criança está no estágio pro�ciente para todas as
habilidades ou não está para nenhuma. A�nal, um adolescente pode estar no estágio pro�ciente
nas habilidades de locomoção e chute, por praticar futsal, mas ser incapaz de arremessar uma
bola.
Siga em Frente...
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A fase motora especializada apresenta três estágios: estágio de transição, estágio de aplicação e
estágio de uso ao longo da vida.
O estágio de transição acontece entre 7 e 10 anos e é caracterizado pelas primeiras tentativas de
re�nar e combinar as habilidades motoras fundamentais pro�cientes e aplicá-las ao esporte e a
jogos. As crianças se atraem por uma variedade de esportes e não se sentem intimidadas por
fatores anatômicos, �siológicos ou ambientais. Além disso, têm o desejo de entender a ideia de
como executar as habilidades esportivas. É importante que o pro�ssional ou professor de
Educação Física proporcione experiências com a �nalidade de auxiliar as crianças a aumentarem
o controle motor e a competência dos movimentos nas mais diversas atividades. Não seria
interessante o foco restrito em uma modalidade, pois não aumentaria o repertório motor.
O estágio de aplicação acontece entre 11 e 13 anos e é caracterizado por interessantes
mudanças no desenvolvimento de habilidades, devido ao aumento da so�sticação cognitiva e da
base de experiências que capacitam o adolescente a aumentar o aprendizado e tomar decisões
de acordo com o ambiente, a tarefa e ele próprio. Então, é o momento em que habilidades mais
complexas devem ser re�nadas e utilizadas em atividades mais avançadas e esportes
especí�cos.
Por �m, o estágio de utilização ao longo da vida, que começa por volta dos 14 anos e se estende
pela vida adulta, é o ápice do processo de desenvolvimento motor: o repertório de movimentos
adquiridos ao longo da vida são utilizados nas atividades do dia a dia, na recreação e nos
esportes. Poucas atividades são escolhidas para a prática, geralmente com base em a�nidades,
uma vez que o indivíduo já está mais consciente de seus valores e de suas limitações físicas,
bem como de suas responsabilidades e seus compromissos.
De maneira geral, o desenvolvimento motor nessa fase depende de uma série de fatores
relacionados ao próprio indivíduo, à tarefa e ao ambiente; por exemplo: força muscular, aptidão
cardiorrespiratória, tempo de reação, altura e peso, costumes, apoio dos pais, sentimentos,e
assim por diante.
Esses limites etários representam uma orientação, ilustrando um conceito mais amplo apenas.
Também vale lembrar que as experiências da vida e a constituição genética são diferentes e
in�uenciam o desenvolvimento. Além disso, a areia na ampulheta não cai na base de maneira
linear; na verdade, realiza uma curva. Essa curva signi�ca que a criança ou o adulto pode estar na
fase motora fundamental para determinada habilidade motora e na fase motora especializada
para outra.
Na vida adulta, essa ampulheta vira, e os ganhos (areia) obtidos na infância e na adolescência
são utilizados nas atividades esportivas, do dia a dia e recreativas. Além disso, ao longo da vida,
é possível aprender novas habilidades, e a capacidade de aprender depende das habilidades
motoras adquiridas durante a infância e a adolescência. Por exemplo, um adulto que aprendeu os
movimentos fundamentais de chute na infância e os aperfeiçoou na adolescência terá mais
facilidade para jogar futebol com os amigos. Já um o adulto que não desenvolveu os
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movimentos fundamentais de chute e não praticou na adolescência terá di�culdade para jogar
com os amigos. No entanto, esse adulto com di�culdade pode aprender a jogar, se os
movimentos fundamentais forem ensinados e os especializados praticados, mas a chance de
esse adulto não jogar com pro�ciência é grande.
Já no idoso, por apresentar diminuição da funcionalidade, os movimentos aprendidos se tornam
mais lentos e imprecisos, devido à perda das capacidades físicas de força, potência, agilidade,
velocidade e resistência aeróbia, por exemplo. Com o envelhecimento, ocorrem várias mudanças
�siológicas, como a redução da massa óssea e muscular, levando a uma diminuição da força
muscular. As articulações também se tornam mais rígidas em virtude da diminuição da elastina,
o que resulta em menor �exibilidade. Os sistema nervoso e cardiorrespiratório sofrem diversas
modi�cações, que geram redução de várias funções. Ocorrem perdas na visão, audição e
propriocepção, que in�uenciam no movimento, além de alterações psicológicas e sociais e de
doenças crônico-degenerativas, como diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, doenças
cardiovasculares, cerebrovasculares e respiratórias.
O indivíduo idoso pode apresentar padrões de movimento diferentes dos mais jovens na
recuperação da estabilidade após uma perturbação do equilíbrio. A caminhada do idoso se torna
mais lenta, com redução no comprimento da passada e aumento do tempo dos dois pés no
chão. As atividades da vida diária, como se levantar da cama, vestir-se, tomar banho, preparar
refeições, limpar a casa e ir às compras, se tornam mais difíceis, com padrões de movimentos
menos e�cientes. Dessa maneira, o foco dos exercícios físicos nessa faixa etária é desenvolver
as capacidades físicas para que seja possível realizar as atividades diárias com mais autonomia
e independência. É importante incluir exercícios que trabalhem força muscular (treinamento
resistido), para o ganho de força, resistência muscular e potência, e resistência aeróbica
(exercícios aeróbicos), para aprimorar o funcionamento do sistema cardiorrespiratório.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como professor
de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros docentes
sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra teve como foco os movimentos dos
bebês e de crianças até 2 anos e foi um sucesso. Na segunda palestra, Gabriel explicou o
desenvolvimento motor na primeira infância, um conteúdo bem enriquecedor. A terceira palestra
será sobre o desenvolvimento motor a partir dos 7 anos. Como Gabriel poderá abordar esse
assunto?
Gabriel pode caracterizar a fase motora especializada (a partir de 7 anos) e abordar seus
estágios, descrevendo cada um. Além disso, seria interessante falar sobre como as experiências
e a aprendizagem de habilidades motoras podem in�uenciar a vida adulta.
Saiba mais
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Para saber mais sobre a fase motora especializada, consulte o capítulo 16 do livro Conhecendo o
desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos, disponível na biblioteca digital.
 
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SEEFELDT, V. Developmental motor patterns: implications for elementary school physical
education. In: NADEAU, C.; HOLLIWELL, W.; ROBERTS, G. (ed.). Psychology of motor behavior and
sport. Champaign: Human Kinects, 1980.
Aula 4
Avaliação do Desenvolvimento Motor
Avaliação do desenvolvimento motor
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Nesta videoaula, você aprenderá sobre os testes motores para avaliar o desenvolvimento motor.
Uma boa bateria de testes pode auxiliar na identi�cação dos padrões motores que precisam de
atenção e na elaboração de um plano de intervenção.
Conhecer os testes motores é importante para sua formação pro�ssional para garantir uma
aplicação mais precisa e uma melhor análise dos resultados. 
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Ponto de Partida
Você já viu como acontece o desenvolvimento motor ao longo da infância e da adolescência.
Agora é hora de aprender como avaliar o desenvolvimento motor, para elaborar aulas que visam à
solução de algum problema ou ao aperfeiçoamento e à aprendizagem de novas habilidades. Uma
boa avaliação fornece a você ferramentas para pensar em uma aula voltada para o crescimento
dos alunos e prepará-los para as atividades físicas ao longo da vida. 
Vamos à situação da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como professor de
Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros docentes
sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra teve como foco os movimentos dos
bebês e de crianças até 2 anos e foi um sucesso. Na segunda palestra, Gabriel explicou o
desenvolvimento motor na primeira infância, um conteúdo bem enriquecedor. A terceira palestra
foi sobre o desenvolvimento motor a partir dos 7 anos e acrescentou muito aos professores. A
quarta e última palestra tratará da avaliação do desenvolvimento motor. Quais são os melhores
testes para avaliar o desenvolvimento motor?
Vamos Começar!
Por meio das atividades físicas, realizadas na escola ou fora dela, a criança e o adolescente são
instigados a desenvolver boa parte de seu repertório motor, com aulas planejadas e
programadas pelo pro�ssional e professor de Educação Física. Assim, as práticas corporais,
compostas de atividades adequadas ao desenvolvimento motor da criança, podem auxiliar seu
desenvolvimento e sua participação em atividades físicas ao longo da vida.
Para intervir de maneira correta e e�caz, é possível realizar testes motores voltados a analisar o
desenvolvimento motor e identi�car padrões de movimentos. A maioria dos testes disponíveis
avaliam as habilidades motoras fundamentais, para identi�car os movimentos que não foram
aprendidos e podem gerar di�culdades no aprendizado de habilidades mais complexas ao longo
da vida.
Nesta aula, veremos o teste de desenvolvimento motor amplo (TGMD-3) e a bateria de avaliação
do movimento para crianças (MABC-2).
Teste de desenvolvimento motor amplo – terceira versão
(TGMD-3)O TGMD, em sua terceira versão, é amplamente utilizado em vários países e foi validado no Brasil
(Valentini; Zanella; Webster, 2016). Seu objetivo é avaliar 13 habilidades motoras: 6 habilidades
locomotoras (correr, galopar, saltar com um pé, passo saltado, salto horizontal e deslizar) e 7
habilidades de controle de bola (rebater com as duas mãos, rebater com uma mão, quicar, pegar,
chutar, arremesso por cima e lançamento por baixo), por meio de pontuação com escores
previamente de�nidos e parametrizados em uma tabela referenciada (Ulrich, 2013).
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
A criança realiza duas tentativas de cada habilidade, as quais são �lmadas; depois, as gravações
são avaliadas por meio de uma tabela de critérios. Quando a criança consegue fazer o que está
apontado no critério, recebe 1; quando não consegue, recebe 0 (zero). É feita a somatória dessa
pontuação, por classes de habilidades (locomotoras e controle de bola) e as duas classes em
conjunto, e um coe�ciente motor geral e percentis são obtidos por meio de tabelas
referenciadas.
Habilidades locomotoras
1. Correr: após a criança realizar uma breve corrida em linha reta, deve-se analisar se por um
breve momento ambos os pés estão fora do chão, se os braços estão em oposição às
pernas com os cotovelos �exionados, se ela apoia nos calcanhares ou dedos ao realizar o
movimento e se a perna de não suporte realiza uma �exão por volta de 90°.
2. Galopar: �exionar os braços e levá-los à altura da cintura durante a decolagem, realizar um
passo à frente com a perna de liderança enquanto a de arrasto permanece atrás da que
lidera, permanecer com os dois pés fora da superfície por um breve período e realizar
quatro galopes consecutivos.
3. Saltar com um pé: a perna que não está saltando é lançada para a frente em um balanço
pendular para produzir força, o pé que não está saltando permanece atrás da perna que
salta, os braços são �exionados e balançam para a frente produzindo força, realizar quatro
saltos consecutivos.
4. Skip: realizar um passo para a frente seguido de um salto com o mesmo pé, �exionar os
braços e movê-los em oposição às pernas para produzir força, completar quatro saltos com
sobrepassos contínuos e alternados ritmicamente.
5. Salto Horizontal: antes da decolagem, �exionar ambos os joelhos e estender os braços
atrás das costas; durante a decolagem, estender os braços forçadamente para a frente e
para cima, alcançando acima da cabeça; ambos os pés devem sair e chegar ao chão juntos
e, após a decolagem, ambos os braços são forçados para baixo (durante a aterrissagem).
�. Deslizar: o corpo deve estar virado para o lado a �m de que os ombros estejam alinhados
com a linha do chão; realizar um passo para o lado com um pé liderando seguido por um
deslize com o pé de arrasto; por um breve momento, ambos os pés saem da superfície.
Realizar quatro deslizes contínuos para o lado preferido e quatro deslizes contínuos para o
lado não preferido.
Habilidades de controle de objetos
1. Rebater com as duas mãos: a mão preferida faz preensão no taco (bastão) acima da mão
não preferida; quadril e ombros não preferidos da criança devem estar voltados para a
frente e realizar rotação e de-rotação durante o balanço, dar passos em direção à bola com
o pé não preferido e bater na bola enviando-a para a frente.
2. Rebater com uma mão: realizar um balanço para trás com a raquete quando a bola é
arremessada, além de dar passos em direção à bola com o pé não preferido. Após o
lançamento, bater na bola para a frente enviando-a em direção à parede, além de realizar
um movimento contínuo em direção ao ombro não preferido.
Disciplina
CRESCIMENTO E
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3. Quicar: fazer contato com a bola com uma mão ao redor da altura da cintura, empurrar a
bola com a ponta dos dedos e manter o controle da bola por quatro quiques consecutivos
sem mover os pés para recuperar a bola.
4. Pegar: posicionar as mãos em frente ao corpo com os ombros �exionados, estender os
braços para alcançar a bola conforme ela chega e pegá-la somente pelas mãos.
5. Chutar: realizar uma aproximação rápida e contínua em direção à bola, dar um passo largo
ou salto antes de entrar em contato com a bola, o pé que não está quicando se posiciona
perto da bola, o chute deve ocorrer com o peito do pé preferido.
�. Arremesso por cima: a preparação começa com um movimento para baixo da mão e do
braço. Rotação do quadril e dos ombros para um ponto em que o lado de não arremesso se
volta para a parede, além de passos com o pé em oposição à mão que está em direção a
parede. A mão que está jogando segue o movimento contínuo ao longo do corpo após a
liberação da bola em direção ao quadril do lado que não está jogando.
7. Lançamento por baixo: a mão preferida balança para baixo e para trás alcançando atrás do
tronco, são realizados passos para frente com o pé em oposição à mão de lançamento, a
bola é lançada para a frente batendo na parede sem quicar, e a mão faz o movimento
contínuo depois que a bola alcança o nível do peito.
O TGMD-3 é voltado para a faixa etária de 3 a 10 anos, pode ser utilizado em crianças com
desenvolvimento atípico e leva em torno de 15 minutos. É necessário utilizar materiais e
instrumentos com medidas especi�cadas no manual.
Siga em Frente...
Bateria de avaliação do movimento para crianças – segunda
edição (MABC2)
É aplicada a indivíduos de 3 a 16 anos e 11 meses para identi�car possíveis problemas ou
atrasos de domínio de movimento. Esse teste é padronizado e dividido em duas etapas: (1) teste
de desempenho motor e (2) checklist. Na etapa do desempenho, há oito tarefas motoras
distribuídas em três grupos: destreza manual, objetivo e pegada e equilíbrio. O teste é dividido
nas seguintes faixas etárias:
3 a 6 anos
7 a 10 anos
11 a 16 anos.
A etapa do checklist é realizada por um adulto (cuidador, pais ou professores) que avalia a
competência motora em uma escala de 30 itens.
Sua aplicação leva em torno de 20 a 40 minutos, a depender da idade e do grau de di�culdade da
criança, bem como da experiência do avaliador. Esse teste apresenta con�abilidade e validade e
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CRESCIMENTO E
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é utilizado para identi�car, planejar a intervenção e avaliar o programa.
O teste possui um kit de instrumentos, materiais e tabelas, que deve ser comprado dos
desenvolvedores do teste.
Outros testes
Sequência de Desenvolvimento das Habilidades Motoras Fundamentais (Seefeldt;
Haubenstricker, 1982)
Utilizado para descrever os padrões típicos das habilidades especí�cas de manipulação e
locomoção de crianças. Com uma abordagem que foca o processo, ou seja, os aspectos
qualitativos do movimento, podemos observar a sequência do desenvolvimento de duas
maneiras: sequência do corpo inteiro e sequência dos componentes. Na sequência do corpo
inteiro, é observado o movimento do corpo como um todo. Já na sequência dos componentes,
são observados os movimentos de segmentos corporais, como braços, tronco e pernas. Neste
último, o indivíduo pode se encontrar no estágio inicial para os movimentos do tronco e no
estágio emergente para os movimentos dos braços, por exemplo.
A avaliação consiste em análise do movimento e comparação com uma �gura-padrão, contendo
de quatro a cinco estágios. Os movimentos de manipulação analisados são: arremesso, pegada,
chute, voleio e rebatida. Os movimentos de locomoção são: corrida, galope, skipping (passo
saltado), salto horizontal e saltito.
Após a análise do movimento e sua comparação com as �guras, os movimentos podem ser
classi�cados em estágios: o estágio 1, inicial; os estágios 2 a 4, emergentes; e o último,
pro�ciente, que se refere à mecânica e�ciente na realização do movimento. Esse teste pode ser
realizado com o auxílio de uma câmera de vídeo e ser visto diversas vezes por diferentes
avaliadores.
Teste de coordenação corporal para crianças (Körperkoordinationstest Für Kinder – KTK)
(Kiphard; Schilling, 1974).
É uma bateria de testes utilizada em crianças de 5 a 14 anos e 11 meses.Avalia o equilíbrio
dinâmico, por meio de uma tarefa de andar na trave de equilíbrio; a força de membros inferiores,
por meio de saltos monopedais; a velocidade, por meio de saltos laterais; e a lateralidade e a
organização espaço-temporal, por meio de transferência sobre a plataforma.
Teste de pro�ciência motora de Bruininks-Oseretsky
É um teste utilizado com crianças entre 4 e 14 anos; tem como �nalidades mensurar importantes
aspectos do comportamento motor e avaliar a pro�ciência motora.
Escala de avaliação motora intrarrudimentar da Universidade de Ohio
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Avalia habilidades manipulativas e locomotoras básicas de crianças de 2 anos e meio a
adolescentes de 14 anos.
Escala de Desenvolvimento Motor – EDM (Rosa Neto, 1996)
Compreende uma bateria de testes que avalia motricidade �na, motricidade global, equilíbrio,
esquema corporal, organização espacial, organização temporal e lateralidade. Esse instrumento
determina uma idade motora obtida por meio de pontos alcançados nos testes e um quociente
motor obtido pela divisão da idade motora pela idade cronológica, multiplicando por 100. A partir
dessas informações, é possível detectar transtornos de coordenação motora, desvios do
desenvolvimento neuropsicomotor e desvios de aprendizagem. É realizado em crianças com
idade pré-escolar, primeiro ciclo do ensino fundamental e educação especial.
A escolha do teste depende do público a ser avaliado, dos materiais e do espaço disponíveis e do
número de avaliadores. Para a população adulta, são realizados testes físicos como de força,
agilidade e velocidade. Já em idosos, são realizados testes funcionais, para avaliar suas
capacidades na realização das atividades da vida diária.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da aula. A coordenadora da escola em que Gabriel trabalha como professor
de Educação Física solicita que ele prepare uma sequência de palestras para os outros docentes
sobre o desenvolvimento motor infantil. A primeira palestra teve como foco os movimentos dos
bebês e de crianças até 2 anos e foi um sucesso. Na segunda palestra, Gabriel explicou o
desenvolvimento motor na primeira infância, um conteúdo bem enriquecedor. A terceira palestra
foi sobre o desenvolvimento motor a partir dos 7 anos e acrescentou muito aos professores. A
quarta e última palestra tratará da avaliação do desenvolvimento motor. Quais são os melhores
testes para avaliar o desenvolvimento motor?
Gabriel pode abordar os dois testes mais utilizados e que possuem validade e con�abilidade: o
TGMD-3 e o MABC-2. O TGMD-3 pode ser realizado com crianças de 3 a 10 anos, e os materiais
podem ser improvisados segundo os critérios do manual. Já o MABC-2 é realizado com crianças
de 2 a 16 anos e 11 meses e precisa de equipamento padronizado. Além disso, existem outros
testes, então é sempre necessário observar o objetivo, o espaço, os materiais e os avaliados.
Saiba mais
Para saber mais sobre o teste TGMD-3, leia o artigo Teste de desenvolvimento motor
grosso: validade e consistência interna para uma população gaúcha.
E sobre o teste MABC-2, leia o artigo Prevalência de desordem coordenativa
desenvolvimental em crianças com 7 a 10 anos de idade.
https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2008v10n4p399/5871
https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2008v10n4p399/5871
http://dx.doi.org/10.5007/1980-0037.2013v15n2p233
http://dx.doi.org/10.5007/1980-0037.2013v15n2p233
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CRESCIMENTO E
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Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
KIPHARD, E. J.; SCHILLING, F. Der hamm-marburger-koordinationstest fur kinder (HMKTK).
Monatszeitsschrift fur kinderheil kunde, n. 118, p. 4730479, 1974.
ROSA NETO, F. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SANTOS, V. A. P. dos; VIEIRA, J. L. L. Prevalência de desordem coordenativa desenvolvimental em
crianças com 7 a 10 anos de idade. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho
Humano, Florianópolis, v. 15, n. 2, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5007/1980-
0037.2013v15n2p233. Acesso em: 31 maio 2024.
SEEFELDT, S.; HAUBENSTRICKER, J. Patterns, phases, or stages: an analytic model for study of
developmental movement. In: KELSO, J. A. S.; CLARK, J. E. The development of movement control
and co-ordination. New York: Wiley, 1982. p. 309-318.
ULRICH, D. A. The test of gross motor development - 3 (TGMD-3): administrations, scoring, and
international norms. Hacettepe Journal of Sports Sciences, v. 24, n. 2, p. 27-33, 2013.
VALENTINI, N. C.; ZANELLA, L. W.; WEBSTER, E. K. Test of motor development – Third edition:
establishing content and construct validity for Brazilian children. Journal of Motor Learning and
Development, [S. l.], v. 5, n. 1, p. 15-28, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1123/jmld.2016-
0002. Acesso em: 31 maio 2024.
VALENTINI, N. C. et al. Teste de desenvolvimento motor grosso: validade e consistência interna
para uma população gaúcha. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano,
Florianópolis, v. 10, n. 4, p. 399-404, 2008. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2008v10n4p399/5871.
Acesso em: 31 maio 2024.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
http://dx.doi.org/10.5007/1980-0037.2013v15n2p233
http://dx.doi.org/10.5007/1980-0037.2013v15n2p233
https://doi.org/10.1123/jmld.2016-0002
https://doi.org/10.1123/jmld.2016-0002
https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/1980-0037.2008v10n4p399/5871
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Olá! 
Nesta videoaula, você aprenderá as fases e os estágios do desenvolvimento motor teorizados
em um modelo de ampulheta. Estudará as características das fases motoras re�exa, rudimentar,
fundamental e especializada e entenderá quais testes podem ser utilizados para avaliar o
desenvolvimento motor e como aplicá-los.
Esse conteúdo é muito importante para sua formação, pois o ajudará a compreender como
acontecem os movimentos desde a concepção até a fase adulta. Isso lhe permitirá elaborar
intervenções adequadas às capacidades dos indivíduos em cada faixa etária, favorecendo um
melhor aprendizado e enriquecendo o repertório motor. 
Bons estudos!
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Ponto de Chegada
A competência desta unidade é compreender as fases e os estágios do movimento, bem como
as formas de avaliar o desenvolvimento motor. Para isso, será apresentado um modelo teórico
do desenvolvimento motor que leva em consideração a faixa etária e faz uma analogia com uma
ampulheta. 
Dessa maneira, você compreenderá as características das fases motoras re�exa e rudimentar,
assim como de seus estágios. Você aprenderá sobre a fase motora fundamental e seus estágios
e entenderá sua importância para o desenvolvimento motor. Depois, estudará a fase motora
especializada e seus estágios, bem como seu impacto na vida. Por �m, você conhecerá alguns
dos testes mais con�áveis para avaliar em que fase um indivíduo se encontra em seu
desenvolvimento motor.
É Hora de Praticar!
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Você está trabalhando em um projeto social em sua comunidade e terá um dia temático
intitulado “Conhecendo seu corpo”, no qual os pais e as famílias receberão orientações sobre
avalições práticas paraacompanhar o desenvolvimento motor das crianças. Diante desse
contexto, quais métodos de avaliação podem ser utilizados?
Como ocorrem os movimentos dos bebês?
Quais movimentos devem ser ensinados para crianças de 2 a 7 anos?
O que é a barreira de pro�ciência?
Como avalio o desenvolvimento motor dos alunos? 
Dê o Play!
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Há dois testes bastante con�áveis e válidos para avaliar o desenvolvimento motor: o teste de
desenvolvimento motor amplo – terceira versão (TGMD-3) e a bateria de avaliação do movimento
para crianças – segunda versão (MABC-2). Além disso, outros testes podem ser utilizados, como
a sequência de desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais, o teste de coordenação
corporal para crianças, o teste de pro�ciência motora de Bruininks-Oseretsky e a escala de
desenvolvimento motor (EDM).
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Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
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GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SEEFELDT, V. Developmental motor patterns: implications for elementary school physical
education. In: NADEAU, C.; HOLLIWELL, W.; ROBERTS, G. (ed.). Psychology of motor behavior and
sport. Champaign: Human Kinects, 1980.
ULRICH, D. A. The test of gross motor development - 3 (TGMD-3): administrations, scoring, and
international norms. Hacettepe Journal of Sports Sciences, v. 24, n. 2, p. 27-33, 2013.
VALENTINI, N. C.; ZANELLA, L. W.; WEBSTER, E. K. Test of motor development – Third edition:
establishing content and construct validity for Brazilian children. Journal of Motor Learning and
Development, [S. l.], v. 5, n. 1, p. 15-28, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1123/jmld.2016-
0002. Acesso em: 31 maio 2024.
https://doi.org/10.1123/jmld.2016-0002
https://doi.org/10.1123/jmld.2016-0002livro Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças,
adolescentes e adultos, disponível na biblioteca digital.
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R. M.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
TEEPLE, J. B. Physical growth and maturation. In: RIDERNOUR, M. Motor development: issues and
applications. Princeton: Princeton book, 1978.
Aula 3
O Desenvolvimento Humano
Desenvolvimento humano
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Olá!
Nesta videoaula, você compreenderá o signi�cado de desenvolvimento e entenderá como
acontece o desenvolvimento nos domínios físico, motor, cognitivo e socioemocional desde a
concepção até a terceira idade.
Esse conteúdo é de grande importância para sua atuação pro�ssional, pois o preparará para a
intervenção prática por meio de exercícios físicos ponderando os aspectos do desenvolvimento
humano e compreendendo o que acontece em cada fase da vida. Assim, sua intervenção poderá
ser mais e�ciente.
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
O crescimento humano é de�nido como o aumento quantitativo do corpo ou de partes
especí�cas. Já a maturação diz respeito aos aspectos qualitativos na constituição biológica no
que se refere à célula, ao órgão e ao avanço dos sistemas corporais em termos de composição
bioquímica. E desenvolvimento humano, o que seria?
Para descobrir isso, vamos à situação da aula de hoje. Você já �nalizou o tão sonhado curso de
Educação Física e começou a trabalhar na coordenação de esportes e atividades físicas de uma
escola. Sua função é coordenar uma equipe de professores de Educação Física e de
pro�ssionais de Educação Física que trabalham no contraturno com atividades físicas e
esportivas. No �m do ano letivo, os professores da área da Educação Física comentam com você
que, durante o ano, muitas dúvidas surgiram por parte dos alunos, dos pais e de outros
professores a respeito do crescimento infantil, do processo de maturação e do desenvolvimento
dos alunos. Por exemplo: basquete e vôlei fazem a criança crescer em estatura? Ginástica deixa
a criança pequena? Meninos são mais fortes que meninas?
Diante dessas dúvidas, você decide convocar todos os professores e pro�ssionais de Educação
Física para um debate. Inicialmente foram discutidos os temas de crescimento humano e
maturação, e agora chegou o momento de falar sobre desenvolvimento humano. 
Você consegue explicar o que é desenvolvimento humano e quais domínios são englobados? E
como acontece o desenvolvimento nos períodos pré-natal e pós-natal?
Depois desta aula, a resposta estará na ponta da língua.
Vamos Começar!
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Para começar, precisamos estar atentos ao fato de que, apesar de crescimento, desenvolvimento
e maturação possuírem diferentes de�nições, são termos utilizados sempre em conjunto. Dessa
maneira, desenvolvimento tem um signi�cado mais amplo, e sua duração se estende pela vida
inteira. Considerado um processo contínuo, o desenvolvimento acontece desde a concepção,
passa pela maturidade e vai até a morte. Assim, podemos de�nir desenvolvimento como as
mudanças no nível de funcionamento ao longo da vida.
O termo “desenvolvimento” pode ser utilizado em contextos distintos. O primeiro refere-se ao
contexto biológico, envolvendo os processos de diferenciação e especialização das células
embrionárias de tecidos e órgãos. A diferenciação acontece no período pré-natal, e a
especialização continua após o nascimento conforme a variação dos sistemas corporais. O
segundo contexto refere-se ao desenvolvimento de competências comportamentais nos
diferentes domínios: físico, cognitivo, socioemocional e motor.
Desenvolvimento pré-natal
O desenvolvimento pré-natal se apresenta no contexto biológico, em que acontece o crescimento
do bebê na gestação. Assim, o período pré-natal consiste em nove meses de gestação, ou
quarenta semanas, em média. O cálculo da idade gestacional é feito a partir do último dia
menstrual da mãe; até que ocorram a ovulação e a fecundação, isso signi�ca em média duas
semanas. Esse período é composto de três estágios: (1) zigótico (fertilização do óvulo), (2)
embrionário e (3) fetal.
O estágio zigótico consiste nas duas primeiras semanas após a fertilização. Nesse período,
acontece uma rápida divisão celular, chamada mitose. Durante a segunda semana após a
fertilização, é formado o blastocisto, que é implantado na parede do útero, e suas camadas
celulares se tornam diferenciadas. Ao �nal da segunda semana, o embrião se torna diferenciado,
iniciando assim o segundo estágio: o embrionário. Esse estágio consiste em oito semanas de
gestação e caracteriza-se por um rápido aumento no número de células e pela diferenciação de
células-tronco, que vão dar origem aos tecidos, órgãos e sistemas. Ou seja, as células que
formarão o coração e o sistema cardíaco se diferenciam para formar esse órgão e sistema
especí�co. Já as células que vão formar a pele se diferenciam de maneira especí�ca para esse
objetivo, e assim acontece com todos os sistemas do corpo. Tal período é marcado pela
formação dos órgãos e sistemas e apresenta uma sequência de acontecimentos bem de�nidas.
Ao �m desse estágio, as características anatômicas e �siológicas básicas estão formadas. A
Figura 1 representa a diferenciação celular a partir da célula-tronco do blastocisto.
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Figura 1 | Diferenciação celular a partir da célula-tronco. Fonte: adaptada pela autora.
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O último estágio da gravidez é o fetal, quando ocorre um rápido crescimento em tamanho e
massa; nenhuma característica anatômica se manifesta. O nascimento do bebê acontece por
volta da 40ª semana, sendo considerada uma gestação a termo, ou seja, entre 38 e 42 semanas.
Antes desse período, é considerado prematuro. A Figura 2 representa os três estágios de
crescimento e desenvolvimento do bebê na gestação.
Figura 2 | Crescimento e desenvolvimento pré-natal
Siga em Frente...
Desenvolvimento pós-natal
Ao estudarmos o desenvolvimento pós-natal, precisamos levar em consideração os quatro
domínios citados anteriormente: físico, cognitivo, socioemocional e motor. O domínio físico inclui
as mudanças no tamanho, na forma e nas características do corpo. O domínio cognitivo engloba
as mudanças no pensamento, na memória, na resolução de problemas e nas demais habilidades
intelectuais. O domínio socioemocional compreende as mudanças associadas ao
relacionamento do indivíduo com ele mesmo e com os outros. E o domínio motor abarca as
mudanças no comportamento motor ao longo da vida.
1. Do nascimento aos 3 anos
Desenvolvimento físico: rápido crescimento nos primeiros dois anos. 
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Desenvolvimento motor: os movimentos são re�exos nos primeiros meses e vão se
tornando voluntários até 1 ano de vida, porém esse movimento é rudimentar.
Desenvolvimento cognitivo: inicia-se com a ausência de coordenação dos sentidos. A partir
dos 4 meses, as informações sensoriais começam a ser coordenadas com os movimentos,
e isso evolui até a representação mental de eventos, a utilização de símbolos como gestos
e palavras, e o uso da fantasia.Desenvolvimento socioemocional: os bebês demonstram as emoções desde o nascimento
de forma re�exa e difusa; depois elas se transformam em emoções verdadeiras, que
evoluem para a capacidade de avaliar seus próprios pensamentos, planos e desejos.
Grande proximidade com as pessoas que cuidam. Até os 3 meses, respondem de forma
aberta aos estímulos ambientais; depois, passam a demonstrar sentimentos (alegria, raiva,
tristeza) e aumentam gradativamente a interação com os cuidadores e outros bebês.
2. Dos 3 aos 6 anos
Desenvolvimento físico: o crescimento é mais lento, e as crianças vão perdendo as
características de bebês; ocorre um avanço no crescimento muscular e ósseo que torna os
indivíduos mais fortes. 
Desenvolvimento motor: as crianças apresentam uma melhor coordenação motora e
grandes avanços nas habilidades motoras grossas, como correr e saltar. 
Desenvolvimento cognitivo: grande expansão do pensamento simbólico; as crianças
começam a ter compreensão de causa-efeito e compreensão numérica, conseguem
organizar objetos, pessoas e eventos em categorias e atribuem vida a objetos inanimados
(animismo).
Desenvolvimento socioemocional: as crianças se tornam capazes de imaginar como os
outros podem se sentir. Presumem que todas as pessoas pensam, percebem e sentem
como elas. Aprendem a regular, controlar e compreender as próprias emoções.
Proximidade com os cuidadores, porém interagem com outras crianças. Tem início o
processo de conhecimento de seu senso de identidade; já conseguem descrever a si
próprios. Demonstram a autoestima em seus comportamentos.
3. Dos 6 aos 12 anos
Desenvolvimento físico: o crescimento é ainda mais lento.
Desenvolvimento motor: melhora na coordenação motora, boa oportunidade para a
aprendizagem de habilidades motoras fundamentais, como chutar, saltar, correr,
arremessar etc.
Desenvolvimento cognitivo: melhora no entendimento de conceitos espaciais, raciocínio
dedutivo e indutivo, categorização, causa-efeito e números.
Desenvolvimento socioemocional: podem regular e controlar melhor suas emoções e
responder ao sofrimento emocional alheio. Aprendem o signi�cado de seus sentimentos e
o que os desencadeiam. Demonstram grande afetividade aos amigos. Os julgamentos
sobre si mesmos se tornam mais realistas, conscientes, abrangentes e equilibrados. Seu
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autoconceito é amplo e inclusivo, integrando vários aspectos da identidade. Mais desapego
da família e apego aos amigos.
4. Adolescência
Desenvolvimento físico: puberdade leva à maturidade sexual e acarreta muitas mudanças
físicas. Período do estirão (rápido crescimento em estatura). 
Desenvolvimento motor: fase motora em que as habilidades fundamentais aprendidas são
re�nadas e combinadas para formar habilidades mais complexas e esportivas.
Desenvolvimento cognitivo: capacidade de pensar de maneira abstrata. Raciocínio
hipotético-dedutivo, lidando com problemas de modo �exível, testando hipóteses.
Desenvolvimento socioemocional: possíveis crises em relação aos sentimentos e à
identidade. Menor afetividade com os pais e maior afetividade com os amigos. Busca da
identidade; fase de confusão e con�ito.
5. Fase adulta
Desenvolvimento físico: cessa o crescimento em estatura, no entanto os hábitos de vida
vão determinar o aumento, a diminuição ou a manutenção do peso. 
Desenvolvimento motor: utilização das habilidades motoras aprendidas para atividades da
vida diária, lazer e recreação ou esporte.
Desenvolvimento cognitivo: pensamento lógico que envolve avaliação contínua e ativa das
informações e crenças, levando em conta as evidências e implicações.
Desenvolvimento socioemocional: surgimento de sentimentos como estresse, ansiedade,
depressão e medo. Por outro lado, melhor manejo das emoções, com per�l mais analítico
quanto às opções e aos acontecimentos da vida. Busca da construção de uma família.
Menor número de amigos. Busca de intimidade em relacionamentos amorosos. Tempo
limitado para passar com os amigos.
6. Terceira idade
Desenvolvimento físico: perdas de funcionalidades devido ao processo de envelhecimento,
in�uenciado pela genética e pelo estilo de vida. 
Desenvolvimento motor: utilização das habilidades motoras aprendidas, mas as perdas das
funcionalidades prejudicam sua realização. Pode haver incapacidade, falta de autonomia e
independência.
Desenvolvimento cognitivo: diminuição da capacidade de processamento de informação
devido às perdas de funcionalidades do SNC. Memória menos e�ciente.
Desenvolvimento socioemocional: lidam com a morte de amigos e parentes. A afetividade
vem do cônjuge, dos �lhos ou dos cuidadores. Buscam a aposentadoria. Os contatos
sociais diminuem na velhice. A interação social está relacionada com a saúde e a qualidade
de vida. Os relacionamentos que duram até a velhice tendem a ser satisfatórios.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Assim, podemos dizer que desenvolvimento são as mudanças que acontecem ao longo da vida
nos domínios físico, motor, cognitivo e socioemocional. Nesta aula, vimos como acontece o
desenvolvimento durante a gestação (pré-natal) e entre o nascimento e a terceira idade.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação do início da aula. Você já �nalizou o tão sonhado curso de Educação Física
e começou a trabalhar como coordenador de esportes e atividades físicas de uma escola. No �m
do ano letivo, os professores comentam que, durante o ano, surgiram várias dúvidas sobre
crescimento e maturação entre os alunos, pais e outros professores. Para sanar essas dúvidas,
você decide retomar alguns conceitos mais básicos. Já foram discutidos os temas referentes a
crescimento humano e maturação, e agora chegou o momento de falar sobre desenvolvimento
humano. Você consegue explicar o que é desenvolvimento humano e quais domínios são
englobados? E como acontece o desenvolvimento nos períodos pré-natal e pós-natal?
Desenvolvimento motor engloba as mudanças que acontecem ao longo da vida nos domínios
físico, motor, cognitivo e socioemocional. No desenvolvimento pré-natal, ocorre o crescimento do
bebê em três fases: zigótica, embrionária e fetal. Esse período dura em média 40 semanas.
Podemos analisar o desenvolvimento do indivíduo em seus respectivos domínios, e cada fase é
marcada por mudanças especí�cas.
Saiba mais
Para se aprofundar ainda mais no desenvolvimento humano ao longo da vida, leia o livro A
criança em crescimento, disponível na biblioteca digital. A unidade 1 descreve os
fundamentos; a unidade 2 traz o desenvolvimento nos dois primeiros anos de vida; a
unidade 3 apresenta a segunda infância; a 4, a pré-adolescência; e a 5, a adolescência. 
Para entender mais sobre o desenvolvimento humano na fase adulta, as partes 6, 7, 8 e 9
do livro Desenvolvimento humano oferecem um aprofundamento muito interessante. O livro
também está disponível na biblioteca digital.
Referências
BOYD, D.; BEE, H. A criança em crescimento. Porto Alegre: Artmed, 2011.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536325415/pages/recent
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536325415/pages/recent
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040132/pages/recent
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
MALINA, R. M.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
MARTORELL, G. O desenvolvimento da criança: do nascimento à adolescência. Porto Alegre:
AMGH, 2014.
PAPALIA, D. E.; MARTORELL, G. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: AMGH, 2021.
Aula 4
Interação entre Crescimento, Desenvolvimento e Maturação
Interação entre crescimento, desenvolvimento e maturação
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Olá! 
Nesta videoaula, você aprenderá como o crescimento humano, a maturação e o desenvolvimento
humano interagem entre si na formação do ser humano. Você compreenderá os fatores que
in�uenciam o crescimento, o desenvolvimento e a maturação, bem como os efeitos da atividade
física e do esporte nesses aspectos. 
Esse conteúdo é muito importante para sua formação pro�ssional, pois permitirá que você
intervenha com o exercício físico de maneira correta, compreendendo como sua contribuição
promoverá efeitos diante do processo maturacional, levando em consideração os fatores
internos e externos ao indivíduo. 
Bons estudos!
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Ponto de Partida
Você já sabe que crescimento, maturação e desenvolvimento humano são conceitos diferentes,
porém são sempre usados em conjunto. Crescimento é o aumento do corpo todo ou de partes
especí�cas; maturação engloba os aspectos qualitativos na constituição biológica no que se
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
refere à célula, ao órgão e ao avanço dos sistemas corporais em termos de composição
bioquímica; e desenvolvimento consiste nas mudanças no nível de funcionamento ao longo da
vida, as quais acontecem nos domínios físico, motor, cognitivo e socioemocional. Agora, nesta
aula, você vai compreender a interação entre esses três conceitos, os fatores que os in�uenciam
e os efeitos da atividade física e da prática esportiva. 
Imagine que, com o diploma do curso de Educação Física em mãos, você começa a trabalhar
como coordenador de esportes e atividades físicas em uma escola. Sua função é coordenar uma
equipe de professores de Educação Física e de pro�ssionais de Educação Física que trabalham
no contraturno com atividades físicas e esportivas. Os alunos, pais e outros professores trazem
para você, no �m do ano, algumas dúvidas a respeito do crescimento infantil, do processo de
maturação e do desenvolvimento dos alunos. As principais dúvidas são: treinar basquete e vôlei
faz a criança crescer em estatura? A ginástica deixa a criança pequena? Os meninos são mais
fortes que as meninas? 
Diante dessas dúvidas, você decide convocar todos os professores e pro�ssionais de Educação
Física para um debate. Inicialmente foram discutidos os temas de crescimento humano,
maturação e desenvolvimento, e agora você decide abordar a interação entre esses conceitos, os
fatores que os in�uenciam e os efeitos da atividade física no crescimento, no desenvolvimento e
na maturação. Como você faria isso?
Vamos Começar!
Interação entre crescimento, desenvolvimento e maturação
O crescimento humano e a maturação são considerados processos biológicos, enquanto o
desenvolvimento abrange diversos domínios comportamentais, ou seja, é um conceito mais
amplo. De todo modo, podemos perceber que o crescimento e a maturação não acontecem
isoladamente; é necessária uma análise dos aspectos pessoais e comportamentais, ou seja, dos
aspectos do desenvolvimento. Assim, podemos dizer que tanto os aspectos biológicos quanto
os comportamentais interagem na formação do indivíduo na progressão ao estado maduro. 
O crescimento, a maturação e o desenvolvimento trabalham em conjunto para moldar a
autoconsciência da criança e desenvolver a autoestima, que podem in�uenciar sua percepção
com relação à própria competência nos diversos domínios, inclusive na atividade física e no
esporte. A Figura 1 exempli�ca essa interação.
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Figura 1 | Interações entre crescimento, maturação e desenvolvimento. Fonte: adaptada de Malina; Bouchard; Bar-Or (2009, p.
23).
Assim, uma dissociação entre crescimento, maturação e desenvolvimento social, pessoal e
emocional pode afetar o desenvolvimento da autoconsciência e da autoestima da criança, o que
afetará a percepção de suas competências. Por isso, o indivíduo não pode ser visto apenas como
um ser biológico ou comportamental; é importante que seja analisado como um ser biocultural,
reconhecendo as interações entre as exigências sociais e biológicas a respeito do crescimento,
da maturação e do desenvolvimento (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Fatores que in�uenciam o crescimento e o desenvolvimento
O crescimento e o desenvolvimento são in�uenciados por fatores intrínsecos (próprios do
indivíduo) ou extrínsecos (externos).
Os fatores intrínsecos são a genética e a regulação hormonal. A genética é a herança biológica
dos pais. Na formação das células do bebê, 50% do código genético originam-se da mãe, e 50%
originam-se do pai, formando assim o DNA da criança. Nesse processo, características dos pais
passam para os �lhos e se manifestam no crescimento, no desenvolvimento e na maturação,
como a estatura, por exemplo.
A regulação hormonal é realizada pelo sistema endócrino, que produz uma série de hormônios,
sendo que vários deles in�uenciam o crescimento. Essa regulação hormonal acontece em
cascata, ou seja, a produção de um hormônio é consequência da produção de outro hormônio.
Assim, uma falha na produção de um dos hormônios pode prejudicar toda a produção de outros
hormônios. São hormônios envolvidos no crescimento, desenvolvimento e maturação:
somatotropina (GH), tirotropina (TSH), gonadotropina (GSH e LH), testosterona, estrogênio,
tiroxina, dentre outros. 
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Por sua vez, os fatores extrínsecos são nutrição, prática de atividade física ou esporte, condição
socioeconômica, contexto familiar, ambiente social, contexto climático e geofísico e cultura. 
Siga em Frente...
Crescimento, desenvolvimento, maturação e atividade física
Você já deve ter escutado falar que crianças que praticam basquete crescem mais, ou que as
ginastas são baixinhas devido à prática intensa da atividade. Mas será que isso é verdade? A
atividade física pode, sim, in�uenciar o desenvolvimento humano, e isso tem sido estudado há
anos. Contudo, antes de apresentarmos os resultados dos estudos, vamos de�nir aqui atividade
física, exercício físico e esporte. 
Atividade física é qualquer movimento corporal realizado pelos músculos esqueléticos que
requer gasto de energia. Já exercício físico é uma subcategoria de atividade física que é
planejada, estruturada, repetitiva e tem como objetivo a melhoria ou a manutenção de um ou
mais componentes da aptidão física (World Health Organization, 2022). Por sua vez, esporte é
um tipo de atividade física competitiva que envolve esforço físico vigoroso ou habilidades
motoras complexas, no qual a participação do indivíduo acontece pela combinação de fatores
intrínsecos e extrínsecos (De Rose Jr.; Deschamps; Korsakas, 2001).
A seguir, veremos a in�uência da atividade física e do esporte nas diferentes variáveis do
crescimento e desenvolvimento humano e da maturação. 
1. Estatura
A prática de atividade física regular não tem efeito aparente, negativo ou positivo, sobre a
estatura obtida e a taxa de crescimento em altura; ou seja, a estatura de um indivíduo na idade
adulta não sofre in�uência da prática de atividade física na infância ou adolescência. Em relação
ao esporte, os dados longitudinais obtidos em pesquisas apontam estaturas dentro da média
para crianças e adolescentes. Ao longo do tempo, esses valores são mantidos em relação aos
valores de referência, sugerindo que a estatura não é in�uenciada pelo treinamento regular no
esporte (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). Portanto, os atletas não se tornam altos ou baixos por
praticar determinado esporte; o que acontece é que o próprio esporte seleciona os atletas com
estatura apropriada. 
2. Composição corporal
As diferenças entre o peso de crianças ativas e inativas apresentam-se como pequenas ou
insigni�cantes (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). No entanto, os componentes do peso corporal,
como a massa livre de gordura (massa magra) e a massa gorda,podem sofrer in�uências da
prática de atividade física, sendo esta sistematizada ou recreacional, em crianças obesas e com
sobrepeso — crianças mais ativas apresentam menores índices de gordura corporal e maiores
índices de massa magra (Soares et al., 2023). Com isso, acredita-se que programas de exercício
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
físico moderado reduzem a porcentagem de gordura total e visceral de crianças e adolescentes
com sobrepeso e obesos.
Os atletas do sexo masculino apresentam menos gordura corporal em comparação com não
atletas durante a adolescência. Em meninas atletas, é veri�cado que o aumento da gordura
relativa que ocorre na adolescência é menor quando comparado ao de meninas não atletas.
Assim, para ambos os sexos, o treinamento esportivo é associado com a diminuição da gordura
e, ocasionalmente, com o aumento da massa magra (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
A prática regular de atividade física durante a infância e adolescência contribui para o aumento
do conteúdo mineral ósseo, especi�camente nos ossos em que são realizadas as compressões
mecânicas durante o exercício. Essas compressões em conjunto com as forças elásticas
aplicadas, associadas à contração muscular e ao suporte do peso, fornecem estímulos para a
formação do tecido esquelético ou do osso, contribuindo assim para o crescimento normal do
osso (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). Em adultos e idosos, também é notado o aumento do
conteúdo mineral ósseo com a prática de exercícios físicos que produzem impacto, auxiliando na
prevenção de osteoporose, doença causada pela diminuição do conteúdo mineral ósseo. 
Sabe-se que o treinamento esportivo de forma regular contribui para o aumento do conteúdo
mineral ósseo em crianças e adolescentes. Entretanto, em algumas meninas, o treinamento
excessivo causa alteração no ciclo menstrual, o que pode acarretar a perda de conteúdo mineral
ósseo. Ainda, quando esses fatores são associados a dietas restritivas ou alimentação
desordenada, pode ocorrer a osteoporose (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
3. Tecido musculoesquelético
Em adultos, algumas formas de atividade física, como o treinamento com pesos, podem resultar
em hipertro�a dos músculos esqueléticos e aumento de proteínas contráteis e concentrações de
enzimas. Em crianças pré-púberes, o treinamento de resistência resulta no ganho de força sem
hipertro�a. No entanto, em meninos na puberdade, a hipertro�a ocorre juntamente com o ganho
de força (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
4. Tecido adiposo
Normalmente, o tecido adiposo é medido a partir das espessuras das dobras cutâneas. Diante
disso, pequenas diferenças nas espessuras das dobras cutâneas de crianças e adolescentes
ativos e não ativos são observadas em alguns estudos — crianças e adolescentes ativos
apresentam menor espessura das dobras cutâneas. Entretanto, ainda faltam informações sobre
o efeito da prática da atividade física nas células de gordura e no metabolismo de crianças e
adolescentes (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Na literatura cientí�ca, ainda não existe informação da in�uência do treinamento esportivo nos
tecidos musculoesquelético e adiposo. 
5. Maturidade
Não há in�uência da atividade física sobre a maturidade esquelética da mão e do punho (Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). Em atletas, observa-se um status avançado de maturidade esquelética
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
em meninos durante a puberdade. Em meninas, a idade cronológica e a idade esquelética
apresentam progresso no mesmo ritmo desde o �nal da infância até a puberdade. Assim, a
avaliação de exames de raio X de mão e punho indica que o treinamento esportivo não impacta a
maturidade esquelética (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009).
Na maturidade somática, a idade do pico da velocidade de crescimento (PVC) e sua magnitude
não são afetados pelo nível de atividade física regular de meninos. Porém, ainda não há
evidências disponíveis para a in�uência da atividade física regular de meninas (Malina; Bouchard;
Bar-Or, 2009). Para meninos atletas, a idade do PVC acontece mais cedo ou próxima à média.
Para as meninas, esses dados são mais limitados; poucos esportes pesquisados demonstraram
que a idade do PVC se aproxima da média em meninas atletas. Entretanto, quando observamos a
idade do PVC em ginastas, veri�ca-se uma idade tardia no PVC, sendo este menor ou menos
intenso quando comparado ao de não atletas (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). 
Na maioria das vezes, a in�uência da atividade física na maturação sexual está relacionada à
menarca das mulheres, no entanto os estudos são contraditórios (Malina; Bouchard; Bar-Or,
2009). No esporte, é veri�cada uma maturidade precoce ou dentro da média em meninos que
praticam regularmente alguma modalidade esportiva. Contudo, ginastas do sexo masculino
apresentam um amadurecimento sexual tardio. A maturação sexual em meninos não é um
aspecto tão estudado quanto em meninas, pois eles não apresentam um resultado variável de
puberdade (Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). As meninas pré-puberes, quando submetidas ao
treinamento esportivo, podem ter o início da menarca atrasado (Alves; Lima, 2008; Pardini, 2001).
No entanto, esse atraso da puberdade também pode acontecer devido a outros aspectos, como
genética e alimentação, e não somente pelo início do treinamento precoce (Alves; Lima, 2008;
Malina; Bouchard; Bar-Or, 2009). Ainda, existe uma relação entre a porcentagem de gordura
corporal e a manutenção do ciclo menstrual; para desencadear a menarca, a quantidade mínima
de gordura seria 17% (Alves; Lima, 2008). As meninas e adolescentes atletas podem apresentar
diversas alterações menstruais, tais como: atraso puberal, menarca tardia, amenorreia (ausência
de menstruação) e oligomenorreia (frequência anormal da menstruação). As alterações
dependem da intensidade e do tipo de atividade física praticada (Alves; Lima, 2008).
6. Desenvolvimento motor
As práticas esportivas sistematizadas contribuem para a ampliação do repertório motor das
crianças, permitindo que aprendam as habilidades motoras fundamentais para a realização de
atividades recreativas e jogos e, ainda, sua especialização esportiva. Assim, a prática de
habilidades motoras fundamentais reduzida na infância pode acarretar prejuízo no
desenvolvimento motor e, consequentemente, um afastamento da prática de atividades físicas
na adolescência e na vida adulta devido à di�culdade para realizar o movimento (Gallahue;
Ozmun; Goodway, 2013).
Ainda, atletas apresentam melhor desempenho motor em virtude da quantidade de prática de
habilidades no esporte, entretanto é importante lembrarmos que cada esporte exige uma
especi�cidade, o que signi�ca que um atleta de determinada modalidade pode apresentar melhor
desempenho em certas habilidades motoras quando comparado a um atleta de outra
modalidade diferente. Por exemplo, atletas de vôlei e basquete têm melhor controle manual de
bola, enquanto jogadores de futebol se destacam pelo controle podal de bola, e ginastas se saem
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
melhor nas habilidades de estabilização e manipulação.
É importante destacar que, na fase adulta e no processo de envelhecimento, não crescemos
mais em estatura, e nossos sistemas já atingiram a maturidade, no entanto continuamos nos
desenvolvendo em outros aspectos até vivenciarmos os declínios. A �m de adiarmos os
declínios e envelhecermos com qualidade de vida, os exercícios físicos são recomendados.
Exercícios de resistência muscular promovem ganho de massa muscular e força, e exercícios
aeróbicos promovem a resistência cardiovascular. Ambos auxiliam na manutenção do peso
corporal, na diminuição da gordura ou no emagrecimento.
Ao longo da vida, o crescimento, a maturação e o desenvolvimento interagem entre si, sempre na
direção de um ser humano maduro em todos os domínios: físico, motor, cognitivo e
socioemocional. Além disso, diversos fatores podem in�uenciar o crescimento, a maturação e o
desenvolvimento, inclusive a prática de atividade física e otreinamento esportivo.
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da aula de hoje. Com o diploma do curso de Educação Física em mãos,
você começa a trabalhar como coordenador de esportes e atividades físicas em uma escola. Sua
função é coordenar uma equipe de professores de Educação Física e de pro�ssionais de
Educação Física que trabalham no contraturno com atividades físicas e esportivas. Os alunos,
pais e outros professores trazem para você, no �m do ano, algumas dúvidas a respeito do
crescimento infantil, do processo de maturação e do desenvolvimento dos alunos. As principais
dúvidas são: treinar basquete e vôlei faz a criança crescer em estatura? A ginástica deixa a
criança pequena? Os meninos são mais fortes que as meninas?
Diante dessas dúvidas, você decide convocar todos os professores e pro�ssionais de Educação
Física para um debate. Inicialmente foram discutidos os temas de crescimento humano,
maturação e desenvolvimento, e agora você decide abordar a interação entre esses conceitos, os
fatores que os in�uenciam e os efeitos da atividade física no crescimento, no desenvolvimento e
na maturação. Como você faria isso?
O crescimento e a maturação englobam atividades biológicas, enquanto o desenvolvimento
abrange os aspectos biológicos e os comportamentais. Entendendo que o indivíduo é um ser
biológico e comportamental, os três conceitos interagem entre si em direção ao amadurecimento
do indivíduo. Sendo assim, o crescimento, a maturação e o desenvolvimento moldam a
autoconsciência da criança e desenvolvem a autoestima, o que pode in�uenciar sua percepção
com relação à própria competência nos diversos domínios, inclusive na atividade física e no
esporte. Além disso, outros aspectos podem in�uenciar o crescimento, a maturação e o
desenvolvimento: intrínsecos (genética e regulação hormonal) e extrínsecos (nutrição, prática de
atividade física, cultura, aspectos econômicos, sociais, geográ�cos etc.). A prática de atividade
física e esportiva in�uencia de maneira positiva, melhorando a composição corporal, o tecido
musculoesquelético e adiposo, alguns aspectos maturacionais e o desenvolvimento motor.
Saiba mais
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DESENVOLVIMENTO HUMANO
Quer saber mais sobre o impacto da atividade física no crescimento? Leia o artigo Impacto da
atividade física e esporte sobre o crescimento e a puberdade de crianças e adolescentes. Lá
você encontrará uma revisão de diversos estudos que buscaram veri�car a in�uência da
atividade física no crescimento e desenvolvimento.
Referências
ALVES, C.; LIMA, R. V. B. Impacto da atividade física e esporte sobre o crescimento e a puberdade
de crianças e adolescentes. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 26, n. 4, p. 383-391, 2008.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpp/a/ydDHN9Khrjv4tFQ9xNmGBwp/?
format=pdf&lang=pt. Acesso em: 27 maio 2024.
DE ROSE Jr., D.; DESCHAMPS, S.; KORSAKAS, P. Situações causadoras de stress no basquetebol
de alto rendimento: fatores extracompetitivos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília,
v. 9, n. 1, p. 25-30, 2001.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
MALINA, R. M.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
PARDINI, D. P. Alterações hormonais da mulher atleta. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e
Metabologia, São Paulo, v. 45, n. 4, 2001. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/abem/a/zwPzH3Xbn3v7wWxrF3RZYpd/. Acesso em: 27 maio 2024.
SOARES, R. et al. Effects of physical activity on body mass and composition of school-age
children and adolescents with overweight or obesity: systematic review focusing on intervention
characteristics. Journal of Bodywork and Movement Therapy, v. 33, p. 154-163, 2023. Disponível
em: https://doi.org/10.1016/j.jbmt.2022.09.004. Acesso em: 27 maio 2024.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Physical activity, 5 out. 2022. Disponível em:
https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity. Acesso em: 27 maio
2024.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
https://www.scielo.br/j/rpp/a/ydDHN9Khrjv4tFQ9xNmGBwp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/rpp/a/ydDHN9Khrjv4tFQ9xNmGBwp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/rpp/a/ydDHN9Khrjv4tFQ9xNmGBwp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/rpp/a/ydDHN9Khrjv4tFQ9xNmGBwp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/abem/a/zwPzH3Xbn3v7wWxrF3RZYpd/
https://doi.org/10.1016/j.jbmt.2022.09.004
https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity
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Olá! 
Nesta videoaula, você verá por que estudar crescimento e desenvolvimento humano é tão
relevante. Ao estudar crescimento, maturação e desenvolvimento, você compreenderá como
crescemos, as diferenças entre idade cronológica e idade biológica e como acontece o
desenvolvimento pré-natal e pós-natal. Ainda, entenderá a interação entre os termos
“crescimento”, “desenvolvimento” e “maturação”, os fatores que os in�uenciam e os efeitos da
atividade física e da prática esportiva.
Com esses conteúdos, você será capaz de pensar na intervenção como pro�ssional a partir do
processo de crescimento e maturação, levando em consideração os aspectos do crescimento
que envolvem os domínios físico, motor, cognitivo e socioemocional. 
Bons estudos!
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Ponto de Chegada
A competência de�nida para esta unidade é compreender os conceitos de crescimento,
desenvolvimento e maturação, seus fatores de in�uência e a inter-relação entre os termos. 
Para que esse objetivo seja alcançado, você verá os conceitos e as diferenças entre os termos
“crescimento”, “maturação” e “desenvolvimento humano”, compreendendo em seguida como
acontecem o crescimento e o desenvolvimento pré-natal e pós-natal. Após esse aprendizado,
�cará mais clara a interação entre o crescimento e a maturação, que são atividades biológicas, e
o desenvolvimento, que compreende atividades biológicas e comportamentais. Nesse contexto,
você aprenderá os fatores que impactam o crescimento e o desenvolvimento e, em particular, a
in�uência da atividade física e do esporte. Ao �nal da aula, você será capaz de responder se
práticas esportivas como vôlei e basquete fazem a criança crescer mais e se a ginástica deixa as
pessoas mais baixas.
É Hora de Praticar!
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Em sua comunidade, existe um projeto social chamado “Crescendo e desenvolvendo juntos”, que
tem como objetivo promover a educação sobre crescimento e desenvolvimento humano por
meio de práticas motoras para a comunidade. Por ser uma oportunidade de aprendizagem
pro�ssional, você procura esse projeto para auxiliar no desenvolvimento das atividades. Sua
primeira responsabilidade é desenvolver um encontro de formação para pais, visando oferecer
orientações sobre o crescimento e o desenvolvimento de seus �lhos. Você decide estruturar os
encontros em dois módulos: 1. Descobrindo o crescimento humano e 2. Descobrindo o
desenvolvimento humano. Nesse processo, surgem as seguintes dúvidas: quais conteúdos
podem ser abordados nesses encontros? Quais seriam relevantes para o conhecimento dos
pais? Como tornar esse encontro interessante para eles?
Crescimento, maturação e desenvolvimento podem ser considerados sinônimos?
Como crescemos e desenvolvemos desde a concepção até a idade adulta?O exercício físico na infância in�uencia o crescimento e a maturação?
Dê o Play
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Seria interessante você partir dos conhecimentos prévios do público que gostaria atingir. Um
caminho para isso seria apresentar uma dinâmica de perguntas e respostas para levantar o que
os pais já sabem sobre crescimento e desenvolvimento. Em seguida, caberia apresentar os
principais conceitos sobre o tema. Tendo em vista que se trata de um projeto de conscientização,
não há necessidade de aprofundamento. Então, apresente os conceitos de crescimento,
desenvolvimento e maturação, abordando os cuidados que devem ser tomados com os fatores
que in�uenciam o crescimento e o desenvolvimento.
O infográ�co mostra que o crescimento e a maturação acontecem até a fase adulta, quando o
crescimento em estatura cessa, e os sistemas já atingiram a maturidade. Contudo, o
desenvolvimento ocorre ao longo da vida, mesmo após a fase adulta e durante o processo de
envelhecimento.
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Figura | Crescimento e maturação
 
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HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
MALINA, R. M.; BOUCHARD, C.; BAR-OR, O. Crescimento, maturação e atividade física. São Paulo:
Phorte, 2009.
MARTORELL, G. O desenvolvimento da criança: do nascimento à adolescência. Porto Alegre:
AMGH, 2014.
,
Unidade 2
Crescimento e desenvolvimento dos sistemas corporais
Disciplina
CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Aula 1
Crescimento e Desenvolvimento dos Sistemas: Parte I
Crescimento e desenvolvimento dos sistemas: Parte I
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Olá!
Nesta videoaula, você aprenderá como acontecem o crescimento, a maturação e o
desenvolvimento dos sistemas nervoso, endócrino e ósseo, desde o período pré-natal até o
envelhecimento.
Esse conteúdo é importante para sua atuação pro�ssional, pois o ajudará a compreender a
in�uência desses sistemas em cada faixa etária, permitindo que você planeje a intervenção com
base nos aspectos �siológicos e biológicos do desenvolvimento humano. 
Bons estudos!
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Ponto de Partida
O desenvolvimento acontece ao longo da vida, no entanto o crescimento humano e a maturação
dos sistemas ocorrem em determinados momentos especí�cos para que cheguemos à idade
adulta amadurecidos e prontos para iniciar o processo de envelhecimento. Dessa maneira,
nossos sistemas corporais não se desenvolvem ao mesmo tempo e da mesma forma. Nesta
aula, você terá a oportunidade de se aprofundar no processo de desenvolvimento e maturação
dos sistemas nervoso, endócrino e ósseo.
Vamos imaginar a seguinte situação: Gabriel é formado em Educação Física e decide trabalhar
com crianças e adolescentes. Para preparar suas aulas de maneira mais e�caz, ele opta por
fazer um curso chamado “Módulos avançados do crescimento e desenvolvimento humano”. Por
ser um módulo avançado, Gabriel percebe a necessidade de retomar alguns assuntos aprendidos
na graduação sobre crescimento e desenvolvimento humano para poder acompanhar melhor a
turma. Ele decide começar pelos sistemas nervoso, endócrino e ósseo. E, assim, surgem suas
primeiras dúvidas: como acontece a formação do sistema nervoso? Como o sistema endócrino
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
atua desde a concepção até a fase adulta? Como os ossos crescem?
E aí, você saberia as respostas para essas perguntas?
Vamos Começar!
Os sistemas nervoso e endócrino regulam as células de nosso corpo, agindo de forma
importante no desenvolvimento dos outros sistemas. O sistema nervoso é responsável por
controlar os movimentos e a fala, além de ser o local do pensamento, da memória e de
processamento das informações, internas e externas. Por sua vez, o sistema endócrino é
responsável por controlar o funcionamento das células por meio da secreção de hormônios. Já o
sistema ósseo é responsável por nos dar sustentação, de�nir nossa estrutura e auxiliar em
movimentos, além de conter a medula óssea, que produz componentes do sangue.
Sistema nervoso
O sistema nervoso é formado pelo sistema nervoso central (SNC) e pelo sistema nervoso
periférico (SNP). O SNC é composto do encéfalo e da medula espinhal. O encéfalo, por sua vez,
inclui o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico. Já o SNP é formado pelos nervos e pelos
gânglios. As células que compõem o sistema nervoso são chamadas de neurônios e células da
glia. Formados por dendritos, corpo celular e axônio, os neurônios são responsáveis por
transmitir impulsos elétricos provenientes do corpo e/ou do ambiente para o SNC e do SNC para
os músculos ou as glândulas. As células da glia dão suporte aos neurônios, que são conectados
entre si por meio de sinapses, nas quais ocorre a liberação de neurotransmissores responsáveis
por disparar os impulsos elétricos. 
Para que o sistema nervoso chegue a essa formação, ele passa por uma transformação que se
inicia no período pré-natal; após a divisão celular, as células são diferenciadas e migram para a
posição �nal no sistema nervoso. Assim, acontece uma proliferação de neurônios, que se
especializam em suas funções. Por exemplo, os neurônios visuais migram para uma localização
cerebral destinada para a recepção de informações visuais e se especializam em células para
essa função, de acordo com seu gene. Quando cada neurônio se encontra em seu devido lugar,
eles desenvolvem um axônio para se conectarem entre si por meio de sinapses. Esses neurônios
disparam impulsos elétricos que fortalecem as conexões. Esses disparos na vida pré-natal são
aleatórios e vão se organizando à medida que os indivíduos interagem com o ambiente (Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009). 
O desenvolvimento do sistema nervoso ocorre a partir da interação de fatores genéticos
ambientais. No entanto, a migração dos neurônios e as rami�cações são in�uenciadas por
fatores ambientais, como uso de cigarro, álcool e drogas, que são levados por meio do sistema
de nutrição do feto.
Um fato interessante é que, no nascimento, o tronco encefálico é a porção mais desenvolvida no
sistema nervoso, pois é responsável pelo controle da frequência cardíaca e da respiração, duas
ações vitais para o bebê. As outras porções do encéfalo já possuem suas células migradas para
a região determinada e especializadas, porém pouco desenvolvidas. Além disso, a porção mais
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CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO HUMANO
inferior do SNC, a medula espinhal, já está bem formada e tem grande importância para os
movimentos do bebê do nascimento até 1 ano de vida. Assim, ao nascer, o bebê apresenta a
porção inferior do encéfalo e os centros inferiores (a medula espinhal) desenvolvidos, mas o
desenvolvimento completo só acontece mediante a interação com o meio externo (Malina;
Bouchard; Bar-Or, 2009).
Quando o bebê nasce, o cérebro tem cerca de 25% de seu peso na fase adulta. Para você ter uma
ideia, até os 4 anos de idade, o cérebro atinge 80% do peso adulto — resultado do aumento do
tamanho dos neurônios, de suas rami�cações e do aumento de células da glia e da mielina. A
mielina é uma bainha que circunda o axônio e funciona como um isolante, permitindo maior
rapidez na transmissão dos impulsos elétricos entre os neurônios. Quando o bebê nasce, seus
axônios não possuem a bainha de mielina em seu entorno, fazendo com que a transmissão dos

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