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APG – SOI VI S3P1 - HELMINTOS INTESTINAIS OBJETIVOS DE ESTUDO - ESTUDAR A EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA, PATOGENIA, CICLO DE VIDA, TRANSMISSÃO, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO, E TRATAMENTO DOS HELMINTOS INTESTINAIS: ASCARIS LUMBRICOIDES, ENTEROBIUS VERMICULARES, ANCYLOSTOMA DUODENALIS E STRONGYLOIDES STERCORALIS , ASCARIS LUMBRICOIDES Ascaridíase é a denominação da doença causada pelo parasita Ascaris lumbricoides. Trata-se do maior nematódeo intestinal que parasita o intestino humano, de formato cilíndrico, medindo cerca de 20 a 40 cm quando adulto, sendo a fêmea maior e mais robusta que o macho. É uma das infecções humanas helmínticas mais comuns em todo o mundo. TRANSMISSÃO A transmissão da ascaridíase ocorre principalmente pela ingestão de solo, água ou alimentos contaminados com ovos de Ascaris. Um dos fatores que contribuem para a disseminação dessa infecção é o hábito de utilizar fezes como fertilizantes, a ausência de saneamento básico adequado e higiene inadequada. CICLO DE VIDA HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 PATOGÊNESE Após a ingestão, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que penetram na mucosa intestinal e são transportadas via corrente sanguínea para os pulmões. As larvas amadurecem nos pulmões por alguns dias, migram para a faringe e são engolidas, retornando ao intestino delgado onde se tornam vermes adultos. A presença de vermes adultos pode causar obstrução intestinal e malabsorção, enquanto a migração larval pode resultar em sintomas respiratórios. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A maioria dos pacientes apresenta quadros assintomáticos. Como os vermes adultos não se multiplicam no hospedeiro humano, os sintomas são proporcionais a carga parasitária. Em alguns pacientes, inicialmente pode ocorrer um quadro de pneumonite eosinofílica, com sintomas respiratórios transitórios como tosse seca, causada pela migração das larvas de Ascaris pelos pulmões. Ao retornarem ao intestino delgado, após 6 a 8 semanas após a ingestão do ovo, sintomas inespecíficos podem ocorrer a depender da carga parasitária, como desconforto abdominal, anorexia, náuseas, vômitos e diarreia. DIAGNÓSTICO - Parasitológico de Fezes – O quadro clínico da Ascaridíase não a distingue de outras verminoses, motivo pelo qual seu diagnóstico só é confirmado através do achado de ovos do parasito nos exames parasitológicos de fezes. Como esses ovos são eliminados diariamente e são facilmente identificados, não há necessidade de nenhum método de exame específico, podendo utilizar as técnicas de sedimentação espontânea, sedimentação por Centrifugação, Kato-Katz e FLOTAC. - Achados de imagem – A radiografia simples do abdômen pode demonstrar grandes coleções de vermes Ascaris adultos em indivíduos fortemente infectados, principalmente em crianças. A massa de vermes contrasta com o gás no intestino, produzindo um efeito de “redemoinho”. HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 - Exames Laboratoriais: não são satisfatórios e não podem dispensar a coproscopia. Suas indicações estão restritas às fases de migração larvária, nas infecções só por machos, ou quando, por outras razões, o exame de fezes não for conclusivo. Nesses casos, será possível identificar eosinofilia periférica, que normalmente são de valores de 5 a 12%, mas pode chegar até 50% a depender do grau de infecção. TRATAMENTO Todos os pacientes com infecção por Ascaris requerem tratamento anti-helmíntico, mesmo aqueles com infecção assintomática. As principais drogas de escolha são: Albendazol (droga padrão ouro para tratamento de ascaridíase), Mebendazol e Levamizol. Para o tratamento da obstrução intestinal o esquema terapêutico inclui Piperazina que pode ser associada ao uso de óleo mineral 40 a 60ml/dia + antiespasmódicos + hidratação ENTEROBIUS VERMICULARES A enterobíase é uma doença que, antes conhecida como oxiuríase, é provocada pelo parasito Enterobius vermiculares. É uma infecção intestinal provocada por helmintos e afeta todas as classes sociais. É bastante frequente na infância e causa muito incômodo provocado pelo prurido (coceira) característico. TRANSMISSÃO O período de transmissão do parasita ocorre apenas enquanto as fêmeas grávidas expulsam ovos na região perianal cutânea. Os ovos tornam-se infectantes em poucas semanas após oviposição. Dentre os mecanismos de transmissão tem-se: - Heteroinfecção: ou primo-infecção, quando ovos presentes na poeira ou em alimentos interceptam novos hospedeiros. - Indireta: quando os ovos que estavam em alimentos ou na poeira alcançam o mesmo hospedeiro que os eliminou - Autoinfecção externa: quando o indivíduo contaminado leva os ovos da região perianal à boca - Autoinfecção interna: quando as larvas eclodem ainda no reto e migram para o ceco, e se transformam em adultos. (Salvo que esta forma de transmissão acontece raramente) - Retroinfecção: quando as larvas eclodem dos ovos na região perianal, entram no ânus, migram pelo intestino grosso até atingir o ceco e transformam-se em vermes adultos. CICLO DE VIDA HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 PATOGÊNESE Após a ingestão, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que migram para o intestino grosso. Lá, elas se desenvolvem em vermes adultos. As fêmeas grávidas migram para a região perianal à noite para depositar seus ovos, causando prurido (coceira anal intensa). Este ciclo contribui para a autoinfecção e transmissão para outras pessoas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS É geralmente assintomática, mas o sintoma mais característico é o prurido anal intenso – provocando grande desconforto, noites mal dormidas e tenesmo. Sintomas inespecíficos do aparelho digestivo são registrados, como vômitos, dores abdominais, puxo e, raramente, fezes sanguinolentas. Outras manifestações, como vulvovaginites, salpingites, ooforite e granulomas pelvianos ou hepáticos, têm sido registradas esporadicamente. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é geralmente clínico, por possuir um sinal patognomônico que é justamente o prurido anal. Já o diagnóstico laboratorial é realizado na busca do parasita na região perianal, usualmente pelo método de Graham, por ser visível ao olho nu. Não é possível encontrar normalmente o parasita ou seus ovos nas fezes, apenas quando há parasitismo intenso, sendo identificado em apenas 5 a 15% das vezes nos exames parasitológicos de fezes. TRATAMENTO O tratamento inclui medicamentos antiparasitários, como mebendazol, albendazol ou pamoato de pirantel, administrados em dose única e repetidos após duas semanas para eliminar qualquer infecção subsequente por ovos que não foram mortos inicialmente. A higiene pessoal e a limpeza ambiental são essenciais para prevenir a reinfecção e a disseminação para outros. É comum tratar todos os membros da família ou do grupo convivente devido à alta transmissibilidade do parasita. ANCYLOSTOMA DUODENALIS O Ancylostoma duodenale é um parasito nematódeo responsável por uma das formas de ancilostomíase, uma doença parasitária que afeta principalmente populações em regiões tropicais e subtropicais com condições sanitárias precárias. HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 EPIDEMIOLOGIA A ancilostomíase é endêmica em muitas partes do mundo, especialmente em áreas com clima quente e úmido, incluindo partes da Ásia, África, América Latina e regiões subtropicais e tropicais, em geral. A infecção é mais comum em áreas com saneamento deficiente, onde o solo pode ser contaminado com fezes humanas contendo os ovos do parasita. TRANSMISSÃO A principal forma de transmissão é através da penetração do parasita pela pele. Ao andar descalço em solo com fezes contaminadas, por exemplo, há grandes chances de contaminação. Outras formas de se contaminar são via alimentos e água contaminada.Quando ocorre, a penetração dura cerca de 30 minutos. Após passarem pela pele, as larvas alcançam a circulação sanguínea e/ou linfática, chegam ao coração, seguindo para os pulmões e por fim, para o intestino delgado. No intestino, a larva começa a exercer o parasitismo hematófago, fixando a cápsula bucal na mucosa. CICLO DE VIDA PATOGÊNESE O A. duodenale penetra na pele do hospedeiro, geralmente através do contato com solo contaminado. Após a penetração, migra através da corrente sanguínea para os pulmões, ascende para a traqueia, é engolido e alcança o intestino delgado, onde se fixa à mucosa intestinal para se alimentar de sangue, causando perda de ferro e proteínas, podendo levar a anemia ferropriva e hipoproteinemia. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Quando o indivíduo é contaminado, minutos depois da penetração das larvas na pele, surgem sintomas como: ● Prurido; ● Eritema edematoso ou erupção pápulo vesicular que duram alguns dias. Além desses, há também sintomas pulmonares e gastrointestinais como: ● Tosse; ● Diarreia; ● Perda de apetite e perda de peso; ● Anemia, caracterizada por fraqueza e cansaço excessivo HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 DIAGNÓSTICO O primeiro passo é fazer uma anamnese e um exame físico detalhado. Ao desconfiar de infecção por ancylostoma, é necessário solicitar um exame de fezes. Através desse exame será possível identificar os ovos do parasita. Além disso, a eosinofilia (aumento do número de eosinófilos) também é um achado laboratorial quase sempre presente em pessoas infectadas por ancilóstomos. TRATAMENTO O tratamento inclui o uso de medicamentos antiparasitários, como o mebendazol, albendazol ou pirantel pamoato, eficazes na eliminação do parasita. Suplementação de ferro e tratamento de suporte para a anemia podem ser necessários. STRONGYLOIDES STERCORALIS Strongyloides stercoralis é um parasito intestinal que causa a estrongiloidíase, uma doença que pode variar de assintomática a severamente debilitante, dependendo da carga parasitária e do estado imunológico do hospedeiro. EPIDEMIOLOGIA A estrongiloidíase é endêmica em áreas rurais de regiões tropicais e subtropicais; nessas áreas, a prevalência regional geral pode exceder 25%. A prevalência global é estimada em pelo menos 100 milhões de casos. As regiões do Sudeste Asiático, da África e do Pacífico Ocidental são responsáveis por aproximadamente três quartos de todas as infecções em todo o mundo. A estrongiloidíase também ocorre esporadicamente em áreas temperadas, como América do Norte, sul da Europa, Japão e Austrália. TRANSMISSÃO A principal via de transmissão é o contato da pele com solo contaminado por larvas infectantes. A autoinfecção é um mecanismo importante que pode levar a infecções persistentes e complicações graves em indivíduos imunocomprometidos. HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1 CICLO DE VIDA PATOGÊNESE O S. stercoralis penetra na pele humana, geralmente através do contato com solo contaminado. As larvas migram então para os pulmões, onde penetram nos alvéolos, ascendem pela árvore brônquica, são deglutidas e finalmente chegam ao intestino delgado. No intestino, elas se fixam à mucosa, onde podem viver e se reproduzir. A capacidade do parasita de se reproduzir internamente e causar autoinfecção o torna particularmente perigoso, podendo resultar em infecções crônicas que duram décadas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações variam desde assintomáticas até sintomas graves, incluindo: ● Dermatite no local de entrada das larvas. ● Tosse, desconforto torácico e pneumonite durante a migração pulmonar. ● Dor abdominal, diarreia e perda de peso no envolvimento intestinal. ● Em casos de hiperinfecção ou disseminação, podem ocorrer manifestações graves, como sepse e insuficiência respiratória. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é feito pela detecção de larvas nas fezes, escarro ou, em casos graves, em outros tecidos. Métodos diagnósticos incluem exame direto, cultura de fezes e técnicas moleculares como a PCR. A eosinofilia é comum, mas não universal entre os infectados. TRATAMENTO O tratamento envolve o uso de anti-helmínticos, como o ivermectina ou o albendazol, HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO - 2024/1