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DEPRESSORES DO SNC Anestésicos intravenosos • Primeira vez na Medicina Veterinária: administrado em equinos em 1875. • Durante várias décadas, o único agente injetável utilizado em animais, sobretudo nos bovinos e equinos. • Efeitos colaterais; • Passou a ser associado ao sulfato de magnésio: • Recuperação anestésica longa, acompanhada de fenômenos excitatórios e depressão respiratória intensa. • Efeitos nos receptores GABAA (semelhante aos barbitúricos); “Gotas de nocaute” Hidrato de cloral Anestésicos intravenosos • Derivados do ácido barbitúrico; • Diferenças entre as espécies: • Pentobarbital em pequenos animais; • Tiopental em grandes e pequenos. • Hidrato de cloral associado ao sulfato de magnésio, o pentobarbital e o tiopental reinaram quase que absolutos por muitos anos. BARBITÚRICOS • Potentes hipnóticos: depressão dose-dependente do SNC. • Efeitos depressores: Leve sedação e sono→ anestesia geral → completa depressão. • Deprimem o córtex, tálamo e áreas motoras do SNC. • Administração como anestésico geralmente é precedida de medicação pré- anestésica (fenotiazínicos, agonistas de α2, benzodiazepínicos ou associação destes agentes aos opioides). • Indução e recuperação anestésicas sem os fenômenos excitatórios observados quando são empregados como agentes únicos. • Redução da dose do agente: mais seguro. BARBITÚRICOS - Mecanismo de ação • Se ligam e modulam alostericamente o receptor GABAA; • Ligados em grande escala a proteínas plasmáticas, principalmente albumina (Tiopental 70-85%); • O grau de ligação é dependente do pH arterial e alcança um máximo de ligação a um pH de 7,6 ou maior. • Quando o pH diminui, há menos ligação proteica; • Sulfamidas e anti-inflamatórios não esteroides competem por sítios de ligação a proteínas plasmáticas; • Concentração... • Dose necessária para indução da anestesia....... BARBITÚRICOS FARMACOCINÉTICA Barbitúricos NH N H O O O CH3 NH N H O O O CH3 CH3 CH3 NH N H O O S CH3 CH3 CH3 Fenobarbital Início: 20-40 min Duração: 6 h Longa Pentobarbital Início: 20-30 min Duração: 3 h Curta Tiopental Início: 10-20 s Duração: 20-30 min Ultracurta • Absorção Sais são facilmente absorvidos no TGI • Uniformemente e rapidamente distribuídos • Tiopental Muito lipofílico, atinge rapidamente o SNC e se distribui no tecido adiposo. • A indução e a recuperação da anestesia são dependentes da redistribuição destes agentes nos tecidos. Indução da anestesia que será mantida por anestésico inalatório Barbitúricos • Metabolismo hepático • Indução enzimática Aceleram metabolismo de outros fármacos • Cloranfenicol promove inibição enzimática • Pentobarbital: em cães 15% por hora (30-45% recuperação) • Fenobarbital: Pouca biotransformação hepática • Excreção renal • Inalterado ou derivados inativos • Precauções: • Janela terapêutica estreita Insegurança • 1g – Séria toxicidade em adultos 2 - 10g – Letal • Efeito sinérgico com outros depressores do SNC; • Pode causar depressão respiratória grave; BARBITÚRICOS CUIDADOS: • Injeção no tecido perivascular: necrose (pH: 10-11); pode prejudicar a anestesia, tornando necessárias doses suplementares que são difíceis de adequar. • Repetição da dose para prolongar o período anestésico pode tornar a recuperação anestésica extremamente longa e acompanhada de excitação. • A solução de Tiopental deve permanecer refrigerada a 4°C, sendo estável por 1 semana. • Solução de Ringer lactato não deve ser usada para reconstituir os barbitúricos, e estes não devem ser misturados com soluções ácidas. Doses maiores do agente indutor ou bloqueadores neuromusculares 10 a 20s após administração de tiopental: perda da consciência e relaxamento muscular, fácil intubação traqueal: Contra-indicações • Instabilidade circulatória (choque hemorrágico, septicemia, arritmias, insuficiência cardíaca congestiva): administrado com grande cautela ou não ser utilizado. • Diminuem a pressão intracraniana e por este motivo são indicados em pacientes vítimas de traumatismo craniano. • Atravessam a barreira placentária causando efeitos depressores no feto, sendo estes efeitos dose-dependentes. • Não são recomendados como agentes de indução nas cesarianas ou em fêmeas no final da gestação. Compostos imidazólicos - Etomidato • Potente hipnótico, sem propriedades analgésicas, relaxamento muscular razoável; • Ausência de EA no sistema cardiovascular: escolha em animais portadores de cardiopatias. Mecanismo de ação Potencializa os efeitos do GABA no receptor: prolonga o tempo de abertura do canal de Cl- e aumenta a probabilidade da abertura destes canais. Aumenta o número de receptores GABA disponíveis, possivelmente deslocando inibidores endógenos da ligação com este neurotransmissor. • A duração da anestesia depende da redistribuição do agente: 10 a 15 min. • Dor à injeção, mioclonias, excitação e vômitos são episódios frequentes após a administração. Podem permanecer durante todo o ato cirúrgico; • Administração de metoclopramida junto com o pré-anestésico: Diminuir vômitos. • Midazolam antes da administração: ↓ incidência de excitação e mioclonias. • Administração lenta: • O etomidato deve ser aplicado lentamente, durante período de 30 a 60 s. ETOMIDATO - EA Administração de relaxante muscular para atenuá-las. • Não tem efeito cumulativo e não se observa tolerância adquirida após doses repetidas; • Reduz o fluxo sanguíneo cerebral, o metabolismo e a pressão intracraniana: indicado em neurocirurgia; • ↑ dos precursores e ↓ do cortisol e aldosterona por 6-8h; • Não causa qualquer alteração do ritmo cardíaco: • Comparado com propofol ou tiopental, não promove diminuição da PA e não altera a frequência cardíaca; • Não sensibiliza o miocárdio às catecolaminas. • Restrito aos cães ou gatos portadores de cardiopatias que justifiquem seu emprego, tendo-se em vista os efeitos desagradáveis observados após seu uso. ETOMIDATO ALQUILFENÓIS - PROPOFOL • Altamente lipofílico e rapidamente ativo; • Indução e manutenção de anestesia geral, bem como na manutenção de uma sedação a longo prazo. • Utilidade na sedação durante os cuidados intensivos e procedimentos de endoscopia gastrintestinal em humanos. • A depuração e a distribuição do propofol são rápidas Surgimento de sedação rapidamente • Pode ser empregado em pequenos e grandes animais e é especialmente útil em situações nas quais a administração de anestesia inalatória é difícil; Propofol - MECANISMOS DE AÇÃO Semelhante ao dos barbitúricos e benzodiazepínicos: Potencializa a ação do GABA em receptores GABAA, bem como age diretamente induzindo a corrente de cloro na ausência do GABA. • A indução e a recuperação da anestesia geralmente ocorrem de forma satisfatória; • Ausência de fenômenos excitatórios quando sedativos são utilizados na medicação pré-anestésica. Propofol • Biotransformação por vias hepática e extra-hepática devido à depuração do propofol ser mais rápida que o fluxo sanguíneo hepático: • Anestésico indicado para pacientes hepatopatas. • Pode induzir lesão oxidativa nas hemácias dos felinos quando administrado repetidamente por vários dias. • Habilidade reduzida dos felinos em conjugar fenóis; sinais clínicos de anorexia e diarreia. • Pode ocorrer dor à injeção quando é injetado em veia de pequeno calibre; • Não promove lesão tecidual se administrado fora da veia. • Não ocorre analgesia e o grau de relaxamento muscular é moderado. PROPOFOL • Por conter lecitina de ovo em sua composição, a emulsão comum de propofol possibilita o crescimento de microrganismos, de modo que, uma vez que a ampola foi aberta, é necessário seu consumo ou o descarteda mesma ao término do dia. Novas formulações: • Nanoemulsões óleo em água: • Emulsão termodinamicamente estável e transparente; • Menos dor à injeção; • Maior vida de prateleira e reduzida propensão ao crescimento bacteriano devido à ausência do óleo de soja como nutriente. EFEITOS COLATERAIS • Provoca hipotensão sistêmica resultante da redução da resistência vascular periférica. • Deve ser evitado em indivíduos com função cardiovascular comprometida, no paciente geriátrico ou hipovolêmico. • Atravessa a barreira placentária, não promovendo efeitos teratogênicos ou depressão importante que inviabilize os fetos. • Os filhotes de mães submetidas à cesariana com este agente mostram-se deprimidos, sendo o grau de depressão dose-dependente. Derivados da fenciclidina • Produzem um tipo distinto de anestesia: dissociativa. • Não há perda de reflexos protetores, olhos permanecem abertos, pupilas midriáticas e há ausência de relaxamento muscular. • Amplo emprego destes agentes em Medicina Veterinária: • Margem de segurança elevada; • Possibilidade de administração por outras vias além da intravenosa; • Utilizados em inúmeras espécies de animais domésticos e silvestres. Derivados da fenciclidina Cetamina • É hidrossolúvel, e uma solução aquosa a 10% tem pH de 3,5. • Irritante quando administrada pela via intramuscular. • Lipossolubilidade ≈10X a do tiopental, sendo rapidamente absorvida. • Hipertonia muscular é comum se administrada isoladamente. • Sialorreia é frequente, principalmente em felinos e ruminantes. Cloridrato de tiletamina • Comercialmente, está associado ao zolazepam, potente benzodiazepínico. • Ambas promovem analgesia intensa no sistema muscular esquelético. Derivados da fenciclidina MECANISMO DE AÇÃO Bloqueiam os receptores muscarínicos dos neurônios centrais; Potencializam os efeitos inibitórios do GABA. Bloqueiam o processo de transporte neuronal da serotonina, dopamina e norepinefrina. por bloquearem sua recaptação. • As doses necessárias para bloquear os receptores NMDA são menores que aquelas necessárias para induzir anestesia cirúrgica: conserva propriedades analgésicas mesmo em doses subanestésicas. • Aumento da atividade motora após a utilização: aumento de dopamina e serotonina. • A ação anestésica da cetamina requer a presença de córtex cerebral funcional. • Analgesia: Bloqueio da condução de impulsos dolorosos ao tálamo e áreas corticais. Derivados da Fenciclidina FARMACOCINÉTICA • Metabolismo hepático é importante na maior parte das espécies; • Norcetamina: metabólito importante, potência anestésica de aproximadamente 1/5 a 1/3 da cetamina. • Elevada lipossolubilidade; • Após a administração IM da associação tiletamina-zolazepam, o início da anestesia ocorre em 5 a 12 min e IV entre 30 e 90s. • Cães: meia-vida plasmática da tiletamina é de 1,2h, e zolazepam somente 1h. • Dependendo da dose, da via de administração, repetições e do procedimento cirúrgico, os animais poderão apresentar sinais de excitação na recuperação. • Gatos, a recuperação é bastante tranquila, pois a meia-vida plasmática do zolazepam é de 4,5 h e a da tiletamina é bem menor: 2,5 h. • Para ↑ o grau de relaxamento muscular geralmente associam-se benzodiazepínicos, agonistas de α2-adrenorreceptores ou, eventualmente, os fenotiazínicos; • Xilazina + cetamina é comum, embora o grau de analgesia obtido não seja intenso e possa ocorrer depressão cardiorrespiratória. • Acepromazina + opioide, seguida da administração de midazolam e cetamina, para indução da anestesia com anestésicos inalatórios ou procedimentos de curta duração. Derivados da fenciclidina Agonistas de α2 na medicação pré-anestésica e diazepam seguido da cetamina: ótima anestesia com indução e recuperação anestésicas suaves e excelente grau de relaxamento muscular. Efeitos sinérgicos de cada uma das classes Fenotiazínicos • Efeito tranquilizante em cães, não sendo muito eficaz em gatos e grandes animais. • Efeito não é dose-dependente; • Promove depressão cardiovascular, levando à hipotensão e inotropismo negativo: evitar esse grupo em animais instáveis em relação ao sistema cardiovascular. • Outros efeitos interessantes promovidos pela acepromazina são: efeito antisialagogo, antiarrítmico, antiemético e bloqueio do centro termorregulador. • Administração intramuscular (IM) pode diminuir a apreensão pré-cirúrgica do paciente e possibilitar a redução da dose de outros fármacos empregados como anestésicos gerais. • Pode possibilitar a redução da dose de outros anestésicos administrados simultaneamente. • Devido aos efeitos sedativos e extrapiramidais não é apropriada para uso prolongado. Acepromazina Derivados da fenciclidina • Como os anestésicos dissociativos estimulam determinadas áreas do SNC, são comuns reações de delírio e alucinações no despertar. • Em geral causam taquicardia, aumentam a PA, a resistência vascular periférica, a pressão intracraniana e a pressão intraocular. • Um dos possíveis mecanismos seria a inibição da captação de NE nas terminações nervosas. • Em animais com insuficiência cardíaca hipertrófica e com taquiarritmias deve- se evitar seu uso. EFEITOS COLATERAIS GERAIS • Podem promover os mais diferentes graus de depressão do SNC. • Desde leve sedação e sono até ausência total de reações do animal frente ao estímulo doloroso. • Importância de conhecer cada agente anestésico: Grande diversidade de ações: • Capacidade desses agentes de promover analgesia, relaxamento muscular, hipnose e graus variados de depressão dos aparelhos cardiovascular e respiratório. Por hoje é só pessoal!!