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Página 1 de 5 APA (ATIVIDADE PRÁTICA DE APRENDIZAGEM) Curso: Licenciatura em Ciência da Computação Discente: David Tobias Nunes Enunciado: FREUD O ENSINO E APRENDIZAGEM Para Freud (1969), as áreas de ação psíquica são compostas de Id, Ego e Superego. O Id contém o que é herdado com o nascimento, compreende os instintos. É um complexo de excitação insaciável, operando em referência ao princípio do prazer. É a fonte de todas as pulsões básicas, em que buscamos a satisfação imediata de nossas necessidades (alívio e diminuição de tensão) e de nossos desejos (como se alimentar), sem considerar a realidade. É definida como a parte mais primitiva e de mais acesso da personalidade. O ego administra a relação do indivíduo com o meio, onde os conteúdos mentais conscientes e subconscientes são acessíveis voluntariamente pelo sujeito tornando possível saber o que está sendo pensado ou sentido a respeito dos conteúdos que estão em sua consciência, ou seja, sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do id, as exigências da realidade e as ordens do superego. O Superego vai funcionar como censura ao conteúdo do id. Ele origina-se com o complexo de Édipo, a partir da internalização das proibições, dos limites e da autoridade. Esta instância é constituída a partir do moralismo e das repressões no meio social em que vive. Freud (1969) considera que no desenvolvimento há uma zona específica que se destaca e desta surge o prazer, em uma busca por objetos ou modos de gratificação correspondente. E ao mesmo tempo, é possível, encontrar conflitos que está interligado a fixação em determinadas fases, em que a criança fica detida na mesma, ou seja, uma parte da libido fica investida num nível de desenvolvimento específico. E compreendendo estes fatores destacados por Freud (1969), e analisando também que ao longo do desenvolvimento, os indivíduos são influenciados por outras referências, além das dos pais. Pois ao começar a frequentar as escolas, a criança vai se relacionar com outras crianças, professores, pessoas que também se tornam modelos ideais na sua formação. Diante disso, podemos notar que a escola é um espaço de formação da personalidade, e que de modo geral, quando se trata do ensino e aprendizagem, o olhar se volta sobre a dimensão cognitiva, nos aspectos intelectuais do ser humano implicados nesse processo. Porém, para melhor compreender o comportamento humano, é preciso considerar outras variáveis que influenciam no processo de aprendizagem. Com isso, construa um texto embasado na teoria de Freud, sobre quais os aspectos que também devem ser levados em consideração na construção do conhecimento no ser humano. FREUD, Sigmund. Prefácio a juventude desorientada, de AICHHORN, 1925 / Sigmund Freud: v. 19, 1923-1925. – Rio De Janeiro: Imago, 1969. Página 2 de 5 Aspectos Psíquicos na Construção do Conhecimento: Uma Perspectiva Freudiana A teoria psicanalítica de Sigmund Freud oferece uma base fundamental para compreender os processos de ensino e aprendizagem, indo além da dimensão cognitiva e considerando as dinâmicas inconscientes que influenciam o comportamento humano. Segundo Freud (1969), a psique é estruturada em três instâncias – Id, Ego e Superego –, que atuam de forma integrada, embora muitas vezes conflituosa, na formação da personalidade e, consequentemente, no modo como o indivíduo aprende e se relaciona com o conhecimento. 1. O Id e a Motivação para Aprender O Id representa as pulsões primitivas, buscando sempre a satisfação imediata. No contexto educacional, isso se traduz na necessidade de prazer e curiosidade inata da criança, que a impulsiona a explorar o mundo. Se o processo de aprendizagem não for significativo ou prazeroso, o Id pode levar à resistência, desinteresse ou evasão. Portanto, um ensino que estimule a curiosidade e o engajamento emocional facilita a internalização do conhecimento, pois atende ao princípio do prazer, base do funcionamento psíquico inicial. 2. O Ego e a Mediação com a Realidade O Ego atua como mediador entre as demandas do Id, as exigências da realidade e as normas do Superego. Na escola, essa instância é crucial para desenvolver habilidades como concentração, tolerância à frustração e adaptação às regras sociais. Quando o Ego não consegue equilibrar essas forças, surgem dificuldades de aprendizagem, como dispersão ou ansiedade. Um ambiente escolar que ofereça estrutura, mas também flexibilidade, auxilia o Ego a organizar os impulsos e a realidade externa, favorecendo a construção do conhecimento. 3. O Superego e a Internalização de Valores O Superego, formado a partir das interações sociais, internaliza normas, censuras e ideais morais. Na educação, ele se manifesta na aceitação (ou rejeição) Página 3 de 5 das regras escolares, na relação com figuras de autoridade (professores) e na autoavaliação. Um Superego muito rígido pode gerar perfeccionismo ou medo de errar, inibindo a criatividade. Já um Superego pouco desenvolvido pode levar à indisciplina. Assim, a escola deve trabalhar não apenas conteúdos, mas também a formação ética, ajudando a construir um Superego saudável, que oriente sem reprimir excessivamente. 4. As Fases do Desenvolvimento e a Aprendizagem Freud destaca que o desenvolvimento psicossexual ocorre em fases (oral, anal, fálica, latência e genital), e fixações em alguma delas podem influenciar o comportamento na vida adulta, inclusive na aprendizagem. Por exemplo: • Fase Anal (controle vs. descontrole): Crianças com dificuldades nessa fase podem ter problemas com organização ou autoridade na escola. • Fase Fálica (complexo de Édipo/Electra): A relação com figuras de autoridade (como professores) pode reproduzir conflitos parentais. • Fase de Latência (6-12 anos): Período em que a energia psíquica se volta para aprendizagens sociais e intelectuais, sendo crucial para a consolidação de conhecimentos. 5. A Influência do Inconsciente e das Relações Sociais Freud mostra que desejos, medos e conflitos inconscientes afetam a aprendizagem. Uma criança que associa estudo a punição, por exemplo, pode desenvolver bloqueios. Além disso, a escola introduz novos modelos identificatórios (colegas, professores), que complementam ou contestam as referências familiares. Essas interações são essenciais para a formação da identidade e do repertório cognitivo-emocional. Página 4 de 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para Freud, a construção do conhecimento não se limita à racionalidade, mas envolve pulsões, conflitos e mediações psíquicas. Uma educação eficaz deve considerar: • O equilíbrio entre prazer (Id) e disciplina (Superego); • O papel do Ego na adaptação à realidade escolar; • As fases do desenvolvimento e suas implicações emocionais; • A influência do inconsciente e das relações sociais na motivação para aprender. Assim, a escola não é apenas um espaço de transmissão de saberes, mas um ambiente de formação integral, onde aspectos emocionais, sociais e cognitivos se entrelaçam na constituição do sujeito. Página 5 de 5 REFERÊNCIA FREUD, Sigmund. Prefácio a Juventude Desorientada, de Aichhorn. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas, v. 19. Rio de Janeiro: Imago, 1969. APA (ATIVIDADE PRÁTICA DE APRENDIZAGEM) Aspectos Psíquicos na Construção do Conhecimento: Uma Perspectiva Freudiana 1. O Id e a Motivação para Aprender 2. O Ego e a Mediação com a Realidade 3. O Superego e a Internalização de Valores 4. As Fases do Desenvolvimento e a Aprendizagem 5. A Influência do Inconsciente e das Relações Sociais CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIA