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enquanto apresenta uma nova visão e to" e suas circunstâncias. Surge. a pri- concepção da realidade projetada para o futu- meira provocação: é possível uma ciência do direito? Para definirmos a cientificidade do di- LUMIA. Giuseppe. Empirismo Lógico Posi- reito devemos. antes de considerar solo tivismo Milano, 1963. epistemológico sobre o qual se formam essas práticas teóricas. Essa provocação é digna de Norberto. "Scienzi del Diritto e discussões acaloradas controversas. Não foi Analisi del Linguaggio". in Revista Trimestrale di Diritto e Procedura Roma. sempre evidente que pudesse ser ver- a. 31 124 out./dez. 1994 105 dadciramente o objeto de uma mas sim do-se para as ciências sociais. Pode-se exem- uma técnica de controle social. Em atenção a plificar brevemente por uma diferença funda- essa problemática. o Professor Clemerson Mer- mental entre o jurídico e o científico: trata-se da lin Clève expressa que "o jurídico atual nasceu situação do legislador (teórico-político) e o Juiz sob o signo da cientificidade. sendo que várias sendo que este pode teorias jurídicas não passam de discursos justi- flexionar a mas não pode refazê-la. Contudo. ficadores do estatuto de sua a experiência pode e deve auxiliar a transformar Atualmente. duas correntes justificam o di- a lei (nomos). Como demarcamos acima outros reito como ciência. quais sejam. sucintamente: o objeto do direito (norma jurídica) não é um aquelas que socorrem-se da epistemo- dado, mas sim um ente construído pelo homem. logia das ciências naturais sociologismos o cientista do direito, além de construir o seu ali encontram os fundamentos para descobrir objeto de estudo, restabelece a relação entre certo dircito dado pela natureza ou pela socie- sujeito cognoscente e o objeto dade. o qual deve ser observado pelas normas baseando-se na teorização do direito. para sub- técnicas e leis construídas. A ciência do direi- metê-lo à epistemológica em que cons- to nesse caso, uma sociologia jurídica trói. permanentemente, o objeto científico. o submetida às ciências naturais; Doutor de Viena Hans Kelsen. por sua vez. limi- aquelas que assumem o aspecto tec- ta o objeto da ciência do dircito (norma jurídica) nológico e nascem a partir da separação entre o apenas ao objeto apreendido juridicamente. ou reino do ser e dever-ser. para proclamar a ciên- seja. do ponto de vista do direito. desfaz com- cia do como ciência da norma uma dis- pletamente a idéia de que as relações inter-hu- ciplina do dever-ser. Desta concepção decor- manas. como relações econômicas e políticas, rem os posicionamentos lógicos de Hans Kel- são objeto de direito. Sem dúvida, é mais uma sen. os deslocamentos ontológicos de Cóssio, redução teórica de Kelsen e de sua escola o e o Tridimensionalismo de Miguel Reale. e con- "positivismo jurídico". forme referencial epistemológico. estas teori- A análise científica do direito atinge sua as assumirão esta ou aquela posição frente à maturidade quando o sistema normativo é con- dogmática. frontado. analiticamente. com a realidade soci- Assim. para a primeira teoria. a dogmática é al, além do estudo das regras jurídicas. do seu simples técnica decorrente da ciência jurídica, funcionamento orgânico e de sua vin- enquanto para a segunda. a ciência do direito é culados às condições de produção econômica, a ciência dogmática jurídica. Estas colocações sistema político e relações sociais. direito, são severamente questionadas pela filosofia nesta perspectiva. concretiza-se como conjun- mais recente. as quais reclamam um "Novo Es- to de regras (leis e regulamentos) que têm como tatuto objeto o comportamento inter-subjetivo dos Na estrutura do saber. segundo o pensador homens em determinada sociedade. Michel demonstra-se a impossibili- Na história do pensamento jurídico e filosó- dade de dircito constituir ciência, diante da sucederam-se ou entrecruzaram-se quatro episteme A ciência do dircito (pelo menos) concepções fundamentais quan- deve abandonar a justificação do monopólio to à validade do direito: da produção do saber jurídico para buscar a Direito Positivo conjunto de direito verdade. De todo modo. reconhecimento de que a sociedade reconhece. fundado no direito uma ciência do direito atualmente. considera- natural imutável e da como possível. A de que a ciência jurí- Dircito como Moral julga e consi- dica é uma "ciência normativa" encerra uma que freqüentemente se traduz por dera uma forma diminuída ou imperfeita de mo- um contra-senso: trata-sc de um alargamento das fronteiras do "mundo espraian- 0 como força reduz direito a uma realidade histórica. politicamente organi- Clemerson Merlin. Direito e Di- zada. tendo presente a relação legalidade ver- reitos. São Paulo. Ed. Acadêmica. 1988. sus legitimidade. mediante emprego da força Michel. A Verdade as Formas jurídicas. Caderno 1974. 0 Dircito como Técnica Social di- Michel. Microfisica do Poder. Rio. Graal. 1979. 106 de Informação reito como função exclusiva de controle social entra em cena um novo ator, "cientista políti- (assistência e conformidade social). co", para enquadrar os sistemas políticos de Em todo caso. o direito caracteriza-se pela fato, bem como sua conexão com o sistema eco- vinculação à realidade social. Com efeito, a rea- jurídico, social. cultural-ideológico. com lidade social constitui-se de pressupostos da as conseqüentes análises do Estado. do poder norma e a ela se dirige com objetivo de produ- e dos respectivos atores políticos. zir determinados resultados materiais. A norma 4. Dogmática jurídica constitui-se de objeto de investigação e instru- A dogmática jurídica é o objeto de análise mento de interpretação da realidade social. A epistemológica desta última seção, findando a análise global do fenômeno jurídico tem de ser caminhada. o conteúdo material da dogmática necessariamente interdisciplinar, isto é, buscar jurídica é indicativo do tipo de Estado que a referências explícitas e implícitas dos resulta- emite e da forma de estruturação do convívio dos oferecidos por outro ramo do saber. Em seu societário. aspecto existencial. a norma caracteriza-se como A dogmática a menos que se con-

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