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QUESTÕES E COMENTÁRIOS; 
 
1. Em sua obra Teoria Geral do Direito e do Estado, ao analisar o Estado como entidade 
sociológica ou entidade jurídica, Hans Kelsen afirma que o: 
Resposta: Estado como comunidade jurídica não é algo separado de sua ordem jurídica. 
Comentário: O tema central da questão aborda a tese da identidade entre Estado e Direito, 
uma das formulações mais célebres de Hans Kelsen em sua obra Teoria Geral do Direito e do 
Estado. Kelsen rompe com o dualismo da doutrina tradicional — que enxergava o Estado 
como uma entidade sociológica ou uma força política preexistente que criava o Direito para se 
legitimar — e demonstra que, sob uma perspectiva puramente científica, o Estado e a ordem 
jurídica são exatamente a mesma coisa. Para o autor, o Estado nada mais é do que a 
personificação da totalidade do ordenamento jurídico positivo que regula a conduta humana 
em um determinado território por meio da coerção. Ele argumenta que o que une os 
indivíduos em uma comunidade chamada "Estado" não é um vínculo místico ou puramente 
social, mas sim o fato de o comportamento de todos estar submetido às mesmas normas 
legais. Portanto, desmistificando qualquer separação entre poder e norma, a teoria kelseniana 
conclui que o Estado como comunidade jurídica não é algo separado de sua própria ordem 
jurídica. 
 
2. A derrotabilidade das normas, fenômeno identificado e descrito por Karl Lorenz: 
Resposta: Parte da ideia de que normas jurídicas são defaults (e não regras estritas), de 
modo que permite conformação à altura dos desafios postos pela complexidade da 
dinâmica fática e prática. 
Comentário: A derrotabilidade é a ideia de que as normas jurídicas não são absolutas, mas 
sim regras padrão. Elas se aplicam à maioria dos casos, mas podem ser afastadas (derrotadas) 
se surgir uma exceção excepcional no caso concreto que o legislador não previu. 
• Não é inconstitucionalidade: Afastar uma norma por derrotabilidade não significa 
que ela é inconstitucional; ela continua válida no sistema, apenas não se aplica àquele 
caso específico. Por isso, não viola a reserva de plenário do STF. 
• Aplica-se ao Direito Penal: Mesmo em ramos estritos, ela pode ser usada se for para 
beneficiar o réu, como no reconhecimento de excludentes de ilicitude supralegais. 
Em suma, é o mecanismo que impede que a aplicação literal e cega da lei gere uma injustiça 
absurda diante da realidade fática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Sobre a ética e a moral. Assinale a alternativa CORRETA. 
Resposta: Moral é um conjunto de regras, princípios e valores que orientam o 
comportamento dos indivíduos na sociedade. 
Comentário: A moral é o conjunto prático de regras, costumes e valores de uma sociedade 
que define o que é "certo" ou "errado" no dia a dia. Ela é histórica e varia conforme a cultura 
e a época. 
A ética é a reflexão filosófica e crítica sobre a moral. Enquanto a moral dita as regras, a ética 
questiona os porquês dessas regras, buscando princípios universais de justiça. 
Nenhuma das duas é imutável ou inquestionável: ambas evoluem conforme a humanidade e a 
sociedade se transformam. 
 
4. Durante a fiscalização tributária de uma empresa, o Auditor Fiscal constata que (I) a 
receita declarada é inferior à movimentação bancária; (II) o contador alega que é 
injusto exigir o cumprimento integral das obrigações acessórias porque a carga 
tributária brasileira é excessiva; e (III) o administrador afirma que empresas que 
sonegam em crise econômica estão apenas se defendendo. Considerando a distinção 
filosófica entre juízos de fato e juízos de valor, o que consta em: 
 
Resposta: I é um juízo de fato, pois se baseia em dados verificáveis e contestáveis, 
enquanto II e III são juízos de valor, por exprimirem avaliações normativas. 
 
Comentario: I é juízo de fato é uma constatação objetiva e verificável (comparação entre 
números concretos). 
II e III são juízos de valor expressam opiniões subjetivas sobre justiça, defesa e moralidade, 
que não podem ser comprovadas ou refutadas com dados 
fato é o que é (verificável); valor é o que deveria ser (opinião). 
 
5. Ao discutir as implicações entre "justiça" e "contrato social", Otfried Höffe, em sua 
obra Justiça política, destaca os três pontos de vista essenciais para que o contrato 
represente um acordo com valor jurídico, ao contrário de constituir-se numa promessa 
puramente informal. A partir da explicitação desses pontos, o autor indica que, na 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
teoria da legitimação política por ele desenvolvida, os três pontos de vista que são 
característicos para o conceito de contrato podem ser encontrados tal como se segue: 
Resposta: A livre concordância corresponde à vantagem distributiva, 
respectivamente à liberdade de dominação como premissa de legitimação; a 
transferência dos direitos e dos deveres corresponde às renúncias recíprocas à 
liberdade, respectivamente à justiça natural como troca (negativa); e a validade 
com força de direito corresponde às condições de realidade das renúncias à 
liberdade. 
Comentário; Höffe parte da ideia de que o contrato só é legítimo se houver 
consentimento livre dos envolvidos. Esse consentimento não é vazio: ele visa uma 
vantagem distributiva, ou seja, a distribuição justa de direitos e deveres entre os 
cidadãos. A "liberdade de dominação" aqui significa que ninguém pode ser submetido 
a um poder político sem que, de alguma forma, tenha anuído a ele — essa é a base da 
legitimação do Estado. 
O contrato implica que cada parte cede algo (parte de sua liberdade absoluta) em troca 
de segurança e garantias mútuas. Höffe chama isso de "troca negativa": não se trata de 
um ganho positivo imediato, mas de uma renúncia recíproca à liberdade ilimitada para 
evitar o estado de guerra ou insegurança. Essa troca é fundamentada em uma justiça 
natural, anterior ao direito positivo, que exige reciprocidade. 
 
	Questões e comentários;

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