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Aspectos e conceitos ecológicos fundamentais

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CAPÍTULO 1 
ASPECTOS E CONCEITOS ECOLÓGICOS FUNDAMENTAIS 
A palavra “ecologia” deriva do grego (oikos, casa e logos, estudo), significando então 
“estudo da casa”. Literalmente, então, a ecologia é o estudo do “lugar onde se vive” 
(WEBSTER’S UNABRIDGED DICTIONARY, s.d. apud ODUM, 1988). 
Ernst Haeckel deu à palavra Ecologia, um significado mais abrangente em 1870, 
dizendo que “por ecologia, quer-se dizer o corpo de conhecimento referente à economia da 
natureza”, além das relações dos animais e plantas com o ambiente (AVILA-PIRES, 1999). 
Odum (1988) ainda compara a palavra “economia” com a ecologia, já que derivam da 
mesma palavra (oikos), e nomia significa manejo; economia seria o manejo da casa. Entende-
se então o porquê de “economia da natureza”. 
A palavra ecologia passou a ter uso geral somente no fim dos anos 1800, quando os 
cientistas americanos e europeus começaram a se autodenominar ecólogos. As 
primeiras sociedades e periódicos dedicados à Ecologia apareceram nas primeiras 
décadas do século vinte. Desde então, a Ecologia tem passado por um enorme 
crescimento e diversificação, e os ecólogos profissionais agora são em número de 
dezenas de milhares. (RICKLEFS, 2003) 
 
O estudo da ecologia sempre foi fundamental desde muito cedo na história humana. 
Para sobrevivência, é necessário conhecimento do ambiente. E segundo Ricklefs (2003), a 
ecologia é a ciência pela qual se estuda (além da “casa”), como os organismos (animais, 
plantas e micróbios) interagem entre si e com o mundo natural. 
A ciência da ecologia estuda todas as interações entre os seres vivos, incluídos os seres 
humanos e seu ambiente. O ar e até algumas rochas que funcionam como partes dos ciclos da 
vida também estão incluídos. Quando os ecologistas examinam [por exemplo] uma minhoca, 
o objetivo consiste em compreender suas funções em seu ecossistema. (CALLENBACH, 
2001) 
 
 
Quando se fala em ecologia, muito é dito a respeito dos Ecossistemas, que é um 
sistema ecológico, assim como podem ser muitos outros. Ricklefs (2003) diz que os sistemas 
ecológicos podem ser tão pequenos quanto os organismos ou tão grandes quanto à biosfera 
inteira. E ainda completa: pode ser um organismo, uma população, um conjunto de 
populações vivendo juntos (freqüentemente chamados de comunidade), um ecossistema [ou a 
biosfera inteira da Terra]. 
Segundo Odum (1988, p. 9): 
Os organismos vivos e o seu ambiente não-vivo (abiótico) estão inseparavelmente 
inter-relacionados e interagem entre si. Chamamos de sistema ecológico ou 
ecossistema qualquer unidade (biosfera) que abranja todos os organismos que 
funcionam em conjunto (a comunidade biótica) numa dada área, interagindo com o 
ambiente físico de tal forma que um fluxo de energia produza estruturas bióticas 
claramente definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não-vivas. 
 
O primeiro entre os proponentes desse novo ponto de vista ecológico, durante os anos 
1920, foi o ecólogo inglês Charles Elton. Uma década mais tarde, o ecólogo vegetal Arthur 
George Tansley avançou com a idéia de Elton. Porém foi Raymond Lindeman, um ecólogo 
aquático, que em 1942 trouxe o conceito de ecossistema como um sistema transformador de 
energia (RICKLEFS, 2003). 
Um ecossistema é considerado unidade funcional na ecologia, pois contém tanto os 
organismos (biótico) quanto o ambiente abiótico. Ainda, têm-se três componentes básicos: (1) 
a comunidade, (2) o fluxo de energia e (3) a ciclagem de materiais (ODUM, 1988). Uma 
representação de um ecossistema e seus componentes básicos pode ser vista na figura 1. 
 
 
Figura 1 – Representação gráfica de um ecossistema, segundo Odum (1988, p. 11). 
 
Um ecossistema não é um ambiente fechado: inclui ambientes de entrada e de saída 
junto com o sistema delimitado. Caso a “caixa” central (observando a figura 1) fosse um 
recipiente impermeável, o seu conteúdo vivo (um lago, uma cidade, etc.) não sobreviveria a 
tal fechamento. Essa mesma “caixa” central não precisa ser um local específico como uma 
cidade ou um lago, podendo ter limites arbitrários (eventuais), porém precisam ser definidos 
geometricamente falando. Um ecossistema funcional ou do mundo real precisa de uma 
entrada para manter os processos vitais e, na maioria dos casos, um meio de exportar a 
energia e os materiais já processados. Tanto ambiente de entrada quanto de saída são 
essenciais para que um ecossistema funcione e se mantenha (ODUM, 1988). 
O tamanho dos ambientes de entrada e saída pode variar e depende de alguns fatores 
como, por exemplo: 1) tamanho do sistema, 2) intensidade metabólica, 3) equilíbrio 
autotrófico-heterotrófico (relação com a cadeia alimentar e o fluxo de energia (RICKLEFS, 
2003) e 4) estádio do desenvolvimento. Pensando assim, uma grande serra florestada 
apresenta ambientes de entrada e saída muito menores do que um riacho ou uma cidade. 
(ODUM, 1988) 
 
Sob o ponto de vista trófico um ecossistema apresenta um estrato (camada) autotrófico 
(auto-alimentador) e heterotrófico (necessidade de alimentos já elaborados), além de 
outros componentes: 1) substâncias inorgânicas (C, N, CO2, H2O e outras, envolvidas 
nos ciclos de materiais); 2) compostos orgânicos (proteínas, carboidratos, lipídios, 
substâncias húmicas, etc.) que ligam o biótico e o abiótico; 3) o ambiente atmosférico, 
hidrológico e do substrato, incluindo o regime climático e outros fatores físicos; 4) 
produtores, organismos autotróficos (plantas verdes); 5) macroconsumidores ou 
fagótrofos, organismos heterotróficos; 6) microconsumidores, saprótrofos, 
decompositores ou osmótrofos, organismos heterotróficos (bactérias e fungos) que 
obtém sua energia através da degradação de tecidos mortos ou absorvendo matéria 
orgânica dissolvida. Uma característica dos ecossistemas é a interação dos 
componentes autotróficos e heterotróficos (ODUM, 1988, p. 11). 
 
Dentro dos ecossistemas, é fundamental a existência de três itens, como já falado. Se 
tratando de comunidade, há vários conceitos. Pinto-Coelho (2002) define como uma unidade 
ecológica, sendo que os organismos interagem com o meio físico, sofrendo influências do 
mesmo; é a reunião entre a totalidade dos organismos. Ricklefs (2003), diz que muitas 
populações de diferentes tipos que vivem no mesmo lugar formam uma comunidade 
ecológica. Tais comunidades não possuem fronteiras definidas. É uma abstração, 
representando um nível de organização mais do que uma unidade discreta de estrutura na 
Ecologia. 
As comunidades exibem certas propriedades estruturais e funcionais: 1) presença de 
muitas espécies em uma determinada área; 2) recorrência (ou repetição) da 
“comunidade” no tempo e no espaço e 3) a presença de mecanismos de controle, 
homeostase (PINTO-COELHO, 2002). 
 
 Portanto, comunidade dentro de ecologia visa o estudo das interações entre as 
populações componentes além das interações com o meio físico, possuindo mecanismos 
internos de “controle” destas populações (RICKLEFS, 2003). 
 Foi dito que o ecossistema pode ser do tamanho de uma comunidade ou tão grande 
quanto à biosfera inteira. A própria comunidade pode ser aplicada de tal conceito. Uma 
comunidade pode ser tão pequena como um emaranhado microbiano ao longo do leito dos 
rios ou tão grande como uma floresta tropical (CALLENBACH, 2001). 
 Deve-se lembrar que todos que participam de um ecossistema estão inseridos na 
comunidade. Seja ele produtor, consumidor ou decompositor, independente do nível trófico 
 
em que se encontra. Todos são organismos participantes de uma unidade maior, a 
comunidade. E não há como negar a inter-relação entre eles: somente o fato da energia passar 
por entre os organismos (fixada pelos produtores – autótrofos), já os põe numa relação 
(CALLENBACH,