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SOCIOLOGIA DO DIREITO
Sociologia do Direito não busca a solução do problema, mas somente relatar como a sociedade é e como funciona. Baseia-se no conhecimento empírico (observável e descritivo) da sociedade.
· DIREITO – O direito olha para as regras e procura compreender a relação entre as regras. Como elas se relacionam internamente. Quando os juristas se preocupam com essas regras eles estão preocupados com a decisão, ou seja, com a solução. O caso concreto é um problema que já foi depurado, e que já sabemos determinadas categorias jurídicas que serão usadas para dar uma decisão a partir das regras.
· Objetivo – Tomada de decisão. 
· Olhar Normativo sobre o Mundo – Para o direito se as pessoas se matam é crime, porque há regras afirmando isso. Ser crime não decorre diretamente do fato de matar alguém. 
· Sentido Instrumental e Ensino Instrucional – Ou seja, dota a pessoa de conhecimentos que deve ser aplicado na prática do trabalho, como meio de trabalho. O ensino jurídico tem uma faculdade. EX: ensina a fazer petição; a compreender a linguagem do Estado.
· SOCIOLOGIA – As ciências sociais produzem discursos compreensivos sobre a realidade social. 
· Objetivo – Compreender o significado da ação dos diferentes atores sociais. 
· Olhar Reflexivo sobre o Mundo – Para a sociologia, se as pessoas estão se matando, há a preocupação sobre como é possível entender isso como um fenômeno social, como isso pode ser explicado e o porquê de estar acontecendo. 
A sociologia serve para compreender a realidade social, os significados da ação e as formas de organização da sociedade. Então, existe a diferença entre um olhar normativo e um olhar compreensivo. A sociologia se pauta numa explicação das causas dos fenômenos sociais. São chamados de sociais porque não decorrem de desejos individuais, mas sim de consensos e práticas publicamente e explicitamente compartilhadas.
A sociologia vai perceber as mesmas questões que o direito se debruça, mas de uma outra maneira. Ela produz um discurso explicativo sobre as causa dos fenômenos sociais. Ex: na disputa entre o judiciário e a política, o objetivo da sociologia é compreender como esse conflito se produz, e não encontrar uma regra que solucione o conflito.
· Sentido não Instrumental e Ensino não Instrucional – A sociologia não tem um sentido instrumental, e o seu ensino não é instrucional. Ninguém precisa ler livro de sociologia para poder aprender a viver em sociedade. 
· SOCIOLOGIA DO DIREITO – A sociologia se preocupa com duas questões fundamentais: 
· A ordem e como ela se constitui na sociedade – Através das múltiplas interações e relações é possível observar determinados padrões, uma ordem. É essa ordem que os sociólogos buscam. Como a sociedade se organiza através dessas relações.
· Sentido da ação social – Relaciona-se com o significado daquilo que nós fazemos. O sentido daquilo que cada um faz.
A Sociologia do Direito nasceu da necessidade de um estudo sobre a eficácia das normas e as influências sociais que incidem sobre a produção do direito positivo – A Sociologia do Direito trabalha a relação entre a legalidade e a legitimidade, englobando o papel das instituições jurídicas e de sua correlação com o campo político. É a disciplina que nasceu nas Escolas de Direito, busca compreender as mudanças no ordenamento jurídico de acordo com condicionantes sociais, culturais e políticas.
A Sociologia Jurídica descreve a realidade social do direito sem levar em conta sua normatividade – Preocupa-se com a existência do direito como produto ou fenômeno social, decorrente das inter-relações sociais, e não como foi concebido ou equacionado pelo legislador. A sociologia deve apenas relatar e registrar o fato sem se envolver com valores, ideologias ou normas. É tarefa do sociólogo descrever os fatos.
O direito é percebido pela sociologia como um conjunto de práticas sociais organizadas e que possuem um sentido – Embora o direito seja para os juristas um conjunto de regras que determinam as ações das pessoas, não o é para a sociologia. A sociologia se preocupa em analisar/interpretar o direito como um conjunto de práticas inscritas no cotidiano das pessoas e das instituições (como se organizam). EX: interação no balcão do cartório; como as pessoas percebem o sentido de Justiça (como elas percebem o Direito).
Em relação ao direito, a sociologia do direito busca compreender como o direito orienta as pessoas, como as pessoas constroem o sentido de justiça e como as instituições reproduzem o sentido de justiça e formas de resolução de conflitos.
No âmbito do judiciário as pesquisas sobre o Poder Judiciário envolvem, basicamente, três temas centrais:
· Análises funcionais: diagnóstico no interior do órgão concentrados em problemas operacionais, ou seja, tratam de problemas operacionais e de administração. 
· Análises estruturais: tratam da relação entre os jurisdicionados e o órgão judiciário. O maior problema estrutural é quanto ao acesso à justiça. Estudos de Sociologia Jurídica constataram um excesso de formalismo e burocratização no Poder Judiciário, o que acaba por tornar ineficaz a resolução de problemas cotidianos e cada vez mais interdisciplinares. Tudo isso converge para a necessidade de reformas dentro do Poder Judiciário para adaptar suas rotinas às novas demandas sociais, incentivando a oralidade, informalidade e mecanismos não-judiciais de composição de litígios.
· Cultura institucional: diz respeito à formação de juízes, modo como são recrutados e à qualidade de suas decisões. As pesquisas em Sociologia Jurídica e em História do Direito colocam em pauta o distanciamento dos operadores do Direito que acontece na linguagem, na estética da profissão e até na arquitetura de seus prédios. 
KARL MARX
Para ele o capitalismo é uma deturpação estrutural e não moral. 
Mais Valia – É a diferença, entre o que é pago ao empregado na forma de salário e o valor, que ele agrega com o seu trabalho na mercadoria, que é extraído pelo empregador em razão de ser o proprietário dos bens de produção. 
Diferentemente do Weber (que entende que as normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada um dos indivíduos sob a forma de motivação), Marx tem uma concepção holística da realidade. Ele vê um todo social e tenta extrair maneiras de descrever a dinâmica social como um todo. Seu modelo teórico é baseado na distinção entre a infraestrutura e a superestrutura.
SUPER E INFRAESTRUTURA
Compõe um todo social chamado por Marx de modo de produção global. Não é só a maneira como as diferentes sociedades produzem a vida social e suas mercadorias. É mais complexo que isso. É como as sociedades produzem mercadorias, leis, religiões, afetos, formas de dominação política etc. 
Marx se vale de expressão da construção civil.
· DIFERENÇA ENTRE SUPER E INFRAESTRUTURA
· Superestrutura – É aquilo que é visível e pode ser tocado, descrito e percebido. São as dimensões sensíveis na vida social. Decorre da infraestrutura.
· Infraestrutura – É tudo aquilo que demanda um esforço suplementar para ser percebida. A infraestrutura, apesar de imaginada, é o que permite sustentar a superestrutura, instaurando relação de determinação (das demais formas). Aquilo que não se percebe a primeira vista é o que determinada a superestrutura.
Marx se debruçou sobre as seguintes atividades humanas: ideologia, política, econômica, direito e religião. Para efeitos de explicação do modelo, são esses os principais enfoques para divisão entre infra e superestrutura.
Modo de Produção Global
				Política, Direito,
				Ideologia, Religião						 
			
							Determinação
Superestrutura
Infraestrutura
Economia
OBS: Não é um modelo ideal, é um tipo teórico aplicado a uma determinada sociedade. O modelo teórico é uma abstração que explica tudo e nada ao mesmo tempo. Esse modelo foi feito para entender a dinâmica das relações sociais.
Marx sustenta a ideia de que toda a superestrutura é decorrência da infraestrutura e, para ele, a infraestrutura é a economia. Assim sendo, a política, religião, o direitoo século XX da mesma maneira que Hobsbaum, mas vai introduzir certos incrementos.
Ele argumenta que o poder judiciário está sobrecarregado. Ele tem na cabeça a divisão dos poderes da república. A república não foi projetada para que o judiciário não tivesse poder político. 
Para Werneck – Welfare brasileiro não passou do carisma da utopia. O executivo brasileiro não conseguiu construir efetivamente uma divisão de bens sociais. EX: Tem o hospital, mas não tem materiais. Tem escola, mas não tem professores.
O trabalho inacabado do executivo em distribuir bens sociais gera a sobrecarga do PJ atualmente. O argumento dele é que a judicialização é a sobrecarga do PJ, que faz com que ele ocupe espaço de criação e execução de leis, coisas que ele não foi criado ou tem legitimidade para fazer.
Por um lado o Welfare vem sendo degelado e o Poder Executivo falhou quando foi chamado a ser o protagonista da república, não acompanhou as nações desenvolvidas (contexto histórico). Por outro, a nova ordem jurídica ainda é permissiva e permeável a empurrar um programa político implícito para frente (fazer o que o tocqueville previu). E, ainda, há o empoderamento da magistratura ao investir no aumento do numero de juízes, infra estrutura etc.
OBS: Werneck é apreciado pelos magistrados, pois é um otimista. Ele diz que a judicialização representa um movimento de credenciamento à cidadania. Filia-se a Tocqueville nesse ponto. Ser cidadão é a obtenção dos efeitos imediatos. Se quer remédio não quer que o sus funcione, quer a obtenção do remédio.
Judicialização se refere a todo o sistema de justiça. Retira-se da família e coloca-se na mão do advogado a capacidade de administrar certos conflitos. Judicialização não se refere propriamente a poder judiciário somente, mas a todo o sistema de justiça que absorve conflitos sociais que antes não absorvia.
Do ponto de vista republicano, a ideia de divisão de poderes é uma ideia apregoada pelos estados ocidentes modernos. Esses poderes são independentes e harmônicos entre si na teoria. Se organizam em sistema de freios apenas na teoria. Na prática, toda república vai reconhecer um protagonismo diferente a depender do contexto histórico. A primeira fase no mundo e no BR é de codificação. Tínhamos um protagonismo legislativo, era esse poder que mais contribuía para organizar a vida das pessoas. 
No o período em que se começa a gerir políticas públicas de redistribuição, temos um protagonismo do PE.
Werneck olha para o mundo e diz que ao privatizar, ao aplicar conceitos neoliberais a economia, ao liberalizar a economia e a relação das pessoas com o estado, não apenas se tira do PE o poder de regular a vida e gera um déficit regulatório – não se dá a ninguém esse poder do Estado, no entanto, quem busca por esse poder vai buscar no PJ. 
· CONCEITO DE JUDICIALIZAÇÃO
Judicialização não é apenas sair o PE e entrar o PJ – O PJ está invadindo searas, ele se torna o superpoder dentro de um contexto onde ele não apenas será mais ativo, mas vai invadir searas, vai gerir políticas públicas e vai legislar.
No BR de hoje, o poder de dizer quem é bom pai ou boa mãe, o que é ser bom vizinho é o PJ. Há uma explosão de litigiosidade nos anos 90 que permitem o PJ ter esse poder. No século XX, se uma enxurrada de gente que vão ao PJ. Há movimento de busca e de acolhida. Esse fenômeno conjuntural tem por um lado a massa buscando o PJ, em razão da crise welfariana (o PE não tem mais condição de atender os anseios da população). 
· Há uma crítica feita pelos países da Europa no sentido de que a judicialização representa uma disfunção republicana – Juiz que legisla, que gere políticas públicas. Werneck diz que a Europa tem um motivo conjuntural para repudiar a judicialização. O welfare brasileiro não foi igual ao europeu, distribuindo bens sociais básicos para toda população. No BR, o PJ atua como uma válvula de deságue de cidadania reprimida. O fato de os movimentos sociais se organizarem e tentarem buscar a sua solução no PJ, isso é judicialização da política. Foi o STF que concedeu uma grande vitória ao movimento gay no BR. No final dos anos 90, tinha uma frase que “supremo só o de frango” de tão irrelevante era o STF. O PJ por uma proatividade e por uma necessidade conjuntural se torna protagonista da República. Werneck afirma que isso não é ideal.
Hoje em dia muita gente fala em judicialização num sentido leigo. Um conflito que não era levado ao PJ, agora é levado ao PJ. Falar em judicialização não quer dizer simplesmente coisas que não estavam na justiça e agora vai. 
Judicialização é um movimento contextual, um produto histórico e complexo que se torna um fenômeno – É um movimento social que ganhou força. É um fenômeno conjuntural onde uma das dimensões é que vários conflitos que o PJ não tratava e hoje trata. Até os anos 80 era inimaginável um juiz se meter em briga de partidos políticos. Desde os anos 80, as transformações na magistratura foram muito intensas. Ser juiz hoje é totalmente diferente de ser juiz no BR até 89. O conceito de judicialização é uma das peças fundamentais para explicar o que acontece com a magistratura hoje. 
Os partidos, os governantes eleitos davam a tônica do PJ. O PJ sempre foi procurado por classes médias e altas e que não se metiam em questões políticas. O PJ hoje é totalmente diferente. Sem o consenso do PJ, o BR hoje é ingovernável, porque o PJ está totalmente investido em questões políticas. 
A Europa entende que isso é um absurdo, porque é um desfuncionamento da República. Juiz aplica lei ao caso concreto, não podendo gerir política pública nem produzir leis.
· Esse fenômeno da judicialização tem duas dimensões: 
· Política – Existe uma ADI no final dos anos 90 dizendo que o SM é um absurdo, já que a CRFB deixa claro que o SM tem que dar conta de lazer, esporte. Pediu que o STF ajustasse o SM. Isso é forçar a barra. No entanto, na administração da justiça cotidiana, o PJ vem dando passos no sentido político.
· Social – Já se levou a possibilidade de uma decisão do PJ anular reformas votadas pelo Parlamento. Isso era inimaginável há 20 anos. Hoje é uma possibilidade, demonstrando o papel que o PJ hoje exerce na sociedade brasileira. A principal mudança no PJ recentemente foi a judicialização. 
O atual PJ brasileiro é fruto de um complexo processo histórico, que tem uma cara no mundo que tem particularidades no BR. É o PJ intervindo no cotidiano das pessoas e na política do BR. Há uma crítica da ciência política da Europa no sentido de que isso é uma disfunção da república. No entanto, Werneck entende que como historicamente, o PL e o PE já não se mostraram hábeis para solucionar o problema. Ele vê que o PJ é uma fonte hábil para o credenciamento da cidadania, sendo perfeitamente válida a judicialização. 
Werneck diz que não acha que as pessoas tem que procurar o PJ, mas acha positivo que pessoas individuais e os movimentos sociais encontrem em algum lugar no Estado um poder para desaguar seus conflitos, ainda que seja o PJ. 
Para o autor, o processo de judicialização (da política ou das relações sociais) tem uma questão, que ele identifica como um déficit democrático.
Ele diz que a busca da população de judicializar as questões, tanto da político-social quanto das diferentes relações sociais, é fruto de uma democracia que não está funcionando bem. Porque se a democracia funcionasse bem não seria preciso recorrer o Judiciário.
O autor identifica que isso é um pouco complicado, pois os juízes burocratas, não eleitos, passam a decidir sobre questões que em tese seriam atinentes ao processo democrático legislativo – isso do ponto de vista da judicialização da política.
Para o autor, tanto buscar o judiciário para conseguir uma política pública, ou submeter ao judiciário todas as relações sociais, tudo isso seria a demonstração da incapacidade do Executivo e Legislativo de fornecerem respostas efetivas a explosão das demandas sociais por justiça (quando ele identifica a judicialização da política e das relações sociais). 
Obs: a justiça se torna o lugar em que se exigea realização da democracia.
Ditado: o direito tem invadido as relações e o seu aplicador acaba sendo chamado a intervir a todo momento, mesmo em situações de natureza tipicamente privada (ex: relações familiares).
BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
O autor propõe que, para otimizar o serviço jurisdicional, deve-se dar mais poder ao juiz, visando estimular a oralidade e informalidade no processo – Somente assim as partes poderão ter participação mais ativa. Um meio de se alcançar isso seria ampliar o uso da conciliação.
O PLURALISMO JURÍDICO
Boaventura é um português, vivo ainda. Ele que vai capitanear o tema do pluralismo jurídico. Ele tem várias pesquisas sobre essa questão. Ele vai identificar a ideia de diferentes centros de normatividade na sociedade.
Como a ideia do pluralismo aparece? Como isso será fruto de modelos políticos – forma de tratamento de conflitos e reconhecimento de regras?
O pluralismo jurídico está fundado em modelos políticos.
Numa sociedade cada vez mais plural e complexa, os litígios que chegam aos juízes são cada vez mais específicos que exigem formação interdisciplinar - Como biotecnologia, internet, costumes e história de povos indigenistas e quilombolas. Isso reflete a necessidade de maior comunicação entre o Poder Judiciário e movimentos sociais, maior conhecimento humanista que permita o juiz dialogar com diferentes grupos sociais.
TRÊS QUADROS
· França. Na França, em 2004, foi proibido o uso do véu pelas mulheres muçulmanas nas escolas públicas. Em 2011, proibiram o uso da burca no espaço público sob dois argumentos: 1) segurança; 2) no espaço público, essa diferença religiosa não pode aparecer.
Estado deve tratar todos da mesma maneira. A identidade cultural não da direitos específicos no espaço público.
· Canadá. A província de Ontario propõe a aplicação da charia que é um texto religioso, aplicado entre os muçulmanos para dirimir os conflitos de direito de família. A charia que não é uma lei canadense, é uma lei religiosa, mas é usada para dirimir conflitos entre muçulmanos no Canadá.
Coloca-se que existem diferentes direitos que circulam na mesma sociedade.
· Brasil. Cada vez mais temos políticas publicas com redução de desigualdades, reconhecendo direitos às minorias. O Poder Público vem adotando cotas por critérios raciais.
O reconhecimento de algumas identidades culturais ao qual é atribuído determinados direitos, dentro do mesmo Estado.
No Brasil, como as pessoas são naturalmente desiguais e o estado deve reconhecer os direitos, os direito reconhecidos também devem ser desiguais.
Esses três quadros tratam a diferença de uma maneira bastante distinta. Como é possível esses três modelos políticos de tratamento das diferenças? Como esses modelos políticos se constroem? Não existe um modelo melhor que o outro, são modelos diferentes que pressupõem modelos políticos de diferença.
Universalismo: uma promessa republicana
O primeiro modelo é o modelo do universalismo. Esse modelo é derivado de uma ideia republicana de que todas as pessoas são iguais perante a lei. Essa igualdade é uma igualdade formal e essa igualdade formal é a única possível. Esse é o modelo francês. 
De onde deriva essa ideia? Da Revolução Francesa. A Revolução Francesa significou uma mudança do Estado. Antes, o Estado era absolutista, ou seja, o rei mandava. Não existia essa igualdade formal, existia uma desigualdade posta formalmente. O que existia era o reconhecimento da diferença entre os reis e os súditos. Então, a monarquia é uma forma de governo que estabelece uma desigualdade formal, porque os reis têm direitos que os súditos não têm e os súditos não podem chegar a monarquia. A Revolução Francesa serviu para estabelecer a igualdade formal, que é a única possível. Essas diferenças tinham fundamento religioso e natural – os reis eram vistos naturalmente diferente, por isso, tinham direitos diferentes. A Revolução Francesa estabelece a igualdade formal – todo mundo tem que ser tratado da mesma forma pelo Estado. Os franceses são muito apegados à ideia de igualdade formal.
O que significa viver na República? É o direito de eleger e ser eleito. A ideia de participação na República está ligada a ideia de participação das pessoas nos negócios públicos, sendo eleito ou elegendo. Na Monarquia, não é possível tal participação. A ideia de Republica se encaixa na ideia de universalismo.
Por que é universal? Por que se chama de universalismo? Porque é para todo mundo. A lei tem que ser igual para todo mundo e o Estado tem que tratar igualmente todas as pessoas.
O universalismo é aplicação de uma norma do Estado para todo mundo.
A ideia dos franceses é moldada historicamente, avesso a ideia de desigualdade formal, porque na monarquia, além dos súditos, se tem a aristocracia. O Estado vai estamentando a sociedade, ele vai dando tratamento diferenciado a diferentes tipos de pessoas. Os franceses tem horror a essa ideia. A diferença para os franceses não pode se manifestar, todos tem que se tratados igualmente pelo Estado, o Estado não pode reconhecer as diferenças. 
O Estado francês aponta para a ideia de que no espaço público as pessoas não podem manifestar sua religiosidade. Não é assim no BR, onde se pode ter símbolos religiosos nos tribunais, pode-se ter manifestação religiosa nas ruas, feriados religiosas. A forma de manifestação religiosa aqui no BR está no espaço público e é reconhecida institucionalmente pelo Estado.
A ideia da República é estabelecer uma identidade política para as pessoas chamada de cidadão. Cidadão é aquele que detém todos os direitos de todas as pessoas. A ideia da cidadania significa a ideia da identidade política. A ideia da cidadania está ligada a ideia de igualdade formal. No BR, não somos iguais perante a lei.
Esse universalismo vai opor o que o Estado pode reconhecer e o que ele não pode reconhecer. O Estado reconhece o que é universal, o que ele pode oferecer a todos os cidadãos e não pode reconhecer direitos diferentes.
Universalidade x Multiculturalidade
A ideia do universalismo se opõe ao multiculturalismo. Os franceses tem horror à ideia de multiculturalismo. É a ideia de reconhecimento de direitos das minorias. 
O multiculturalismo vai surgir do processo de imigração e do contato com o outro, do reconhecimento pelas pessoas que estão em lugar diferente. Isso vai trazer problemas para os diferentes Estados. É a imigração massiva no século XX, sobretudo no segundo pós-guerra. No BR, tivemos muitos imigrantes – sírios, italianos, japoneses. No BR, nós lidamos com as diferenças de outra maneira – não temos a menor dificuldade de reconhecer nessas pessoas, pessoas portadoras de direitos iguais aos brasileiros. No contexto europeu, as pessoas não tem a mesma relação com os imigrantes.
A ideia do multiculturalismo europeu tem a ver com a atribuição do direito. Aqui no BR o que temos não é multiculturalismo, é multiculturalidade. Temos diferentes culturas. Reconhecemos que tem maneiras diferentes das pessoas viverem, de atribuírem direitos e sabemos que todo mundo é brasileiro e que todo mundo tem os mesmos direitos. No caso do BR, isso tem problemas, porque do ponto de vista formal não somos iguais. A lei estabelece isso de diversas maneiras: prisão especial, foro privilegiado, diferentes direitos que são atribuídos para homens e mulheres. Forma de estabelecer direitos diferentes para as pessoas. Agravando hoje a questão da igualdade formal, temos a questão das cotas. Isso estabelece uma desigualdade formal. Formalmente, as pessoas são diferentes, porque vão ser tratadas diferentemente pelo Estado. A ideia de multiculturalidade coloca como ponto central da questão a questão da inclusão e da integração. Multiculturalidade significa o reconhecimento de diferentes culturais, mas isso não significa que vamos reconhecer direitos diferentes para cada uma das culturais.
Dois modelos que podemos separar são os modelos do Canadá e da França. O modelo canadense é um modelo do multiculturalismo em que são atribuídos direitos diferentes as pessoas em relação a sua identidade cultural.O multiculturalismo vai adotar a ideia de que reconhecemos a diversidade e atribuímos direitos diferentes para as minorias.
Na França, existe uma integração pela assimilação. Todas as pessoas que chegam ao território francês tinham que falar francês. Tinham que fazer um curso de cidadania. Os franceses faziam isso por conta de uma maneira de ver a sociedade de que todo mundo tinha que saber os direitos. O Estado não iria fazer qualquer tipo de concessão para tratamento diferenciado. Isso se agravava com a forma que os muçulmanos manifestam a sua religiosidade. O uso do véu está ligado a isso. Como o Estado é laico, o Estado não pode fazer concessões para a manifestação da religiosidade. A religiosidade fica no espaço privado. O espaço público é o espaço para manifestação da identidade política. A ideia do universalismo é o direito à indiferença. O modelo canadense afirma o direito à diferença.
	Universalismo - Modelo Francês 
	Multiculturalismo – Modelo canadense
	Assimilação: supressão do particular na esfera política
	Diversidade: afirmação política das particularidades
	Direito à indiferença
	Direito à diferença
	Oposição entre identidade privada e identidade pública
	Afirmação pública das identidades privadas
	Igualdade Formal
	Igualdade Material
	Ex.: o véu na escola, a francofonia
	Ex.: o kirpan no exército, o feliz natal dos políticos
No Canadá, há o reconhecimento do direito das primeiras nações. Lá são os esquimós. Eles reconhecem o direito de autogoverno e de gestão de território pelas primeiras nações. Eles afirmam que uma empresa só pode explorar o território se as pessoas que vivem aqui autorizarem a exploração do território. O caso canadense é de reconhecimento de diferença que passa pela atribuição de direitos, por isso, liga-se ao pluralismo jurídico.
O pluralismo jurídico significa o seguinte: cada grupo e cada comunidade acordam as regras que vai ser utilizadas para dirimir os conflitos. Comunitarismo tem a ver com identidade cultural homogênea. Um grupo de pessoas que se reconhecem e reconhecem uma norma para resolver os conflitos deles. 
No caso canadense, o reconhecimento da diferença passa pelo reconhecimento de diferentes direitos para comunidades diferentes.
O pluralismo jurídico se opõe a que? Ao monismo. A ideia do positivismo jurídico está ligada ao monismo de Kelsen. O positivismo diz que existem normas que são reconhecidas pelo Estado. Só o Estado diz quais são as normas. Não há outra fonte de normas. No pluralismo, são grupos de diferentes comunidades que vão dizer quais são as normas. Então, o pluralismo vai se opor a ideia de monismo. 
O que o BR tem a ver com universalismo? Por que se pode dizer que o BR é parecido com o universalismo? Temos a crença e está escrito na CRFB de que todas as pessoas são iguais perante a lei. O que o BR tem a ver com o multiculturalismo? Tratar diferentemente os desiguais. No BR, as pessoas são iguais, mas devem ser tratadas desigualmente, na medida de sua desigualdade. O Estado vai reconhecer que somos desiguais. É por isso que o Estado Brasileiro vai parecer com o modelo multiculturalista, já que vamos reconhecer pessoas alijadas de direito e atribuir direitos a essas pessoas. A ideia de cidadania no BR passa pelo reconhecimento desses direitos especiais. Isso se aplica aos quilombolas, aos negros, aos índios. Esse acesso aos direitos sempre foi vedado a essas pessoas, como essas pessoas nunca tiveram acesso a direitos são atribuídos direitos especiais.
Paradoxalmente, o BR tem um modelo que se diz universal, mas que estabelece direitos diferentes (multiculturalismo) com a ideia de que a lei pode acabar com a diferença cultural. O BR é um terceiro modelo. Temos o reconhecimento de que todas as pessoas são iguais perante a lei e também temos o reconhecimento de direitos diferenciados. O caso brasileiro é diferente dos dois modelos existentes (o francês e o canadense).
O caso brasileiro é bastante curioso. A questão das cotas é polemica. As cotas estabelecem uma desigualdade jurídica entre as pessoas. A lei vai dizer que as pessoas são diferentes. Mas, isso também serve para os índios, quilombolas. São pessoas com identidade cultural diferenciada e por isso, com direitos diferenciados. No caso dos índios e quilombolas, o reconhecimento de direitos é bastante desfavorável a eles, porque no BR, a propriedade sempre teve seu acesso restrito. Quando a CRFB reconhece o direito dos índios e dos quilombolas, reconhecem uma propriedade coletiva, inalienável e imprescritível. É um modelo que tira as terras do mercado. Quer dizer, eles podem ficar nesses locais. Mas, eles não podem dispor dessa propriedade. Eles estabelecem um direito diferente de uso da propriedade diferente que as demais pessoas possuem – uso pleno da propriedade. 
No caso brasileiro, o acesso a direitos passa pelo reconhecimento de direitos diferenciados. O modelo universal promete o tratamento igual, mas na nossa concepção temos a ideia de que a lei tem que corrigir nossas diferenças materiais. O problema é que o Estado é que vai dizer como essa desigualdade deve ser tratada. Por isso, no caso dos quilombolas e dos índios, foi atribuído direito, mas de forma limitada – propriedade coletiva, inalienável e imprescritível, sendo que tudo passa pela FUNAI. Esse é o nosso modelo de atribuição de direitos e de reconhecimento de direitos diferenciados, em função da ideia de que temos igualdade formal, mas que devemos reconhecer a desigualdade material das pessoas. No BR, as pessoas se vêm como diferentes, mas não como iguais.
O modelo brasileiro se parece tanto com o modelo canadense quanto com o modelo francês, mas não é nenhum dos dois.
O pluralismo
-> Reconhecimento de diferentes normas
-> É associado à crise do Estado social
-> Fragmentação das identidades
-> Diferentes formas de resolução de conflitos (Ex.: Timor Leste)
O pluralismo está ligado ao reconhecimento de diferentes normas, de atribuição de direitos especiais e está ligada a crise do Estado Social. O PJ se tornou o muro das lamentações da República, exatamente porque o PL prometeu muita coisa e o PE não cumpriu nada. A CRFB88 foi promulgada na época do fim de guerra fria, ou seja, o fim de dois modelos de gestão do Estado – modelo socialista e capitalista. Construiu-se a ideia do estado de bem estar social. O modelo do estado de bem estar social foi elaborado e é um estado que promete muita assistência social. Por isso, nossa CRFB prometeu muita coisa. Mas, quando há a queda do muro de Berlim, o comunismo perde, o capitalismo ganhou, logo, não se precisava mais oferecer o Estado do bem estar social. No BR, o período do FHC é o período neoliberal, trazendo a ideia de que o Estado não tinha que intervir na sociedade. O Estado se retira da saúde, da assistência pública. Quando o Estado se retira, as pessoas vão reclamar isso no PJ. O fenômeno da judicialização tem a ver com o BR. Tem a ver com o desequilíbrio dos poderes da República – porque o PJ tem ascensão política. Isso não ocorre nas demais democracias no mundo – caso francês, norte-americano. 
A ideia do pluralismo passa pela crise do Estado Social. Ligada a ideia de crise do Estado social se liga a ideia da fragmentação das identidades. É o Estado ruindo e todas as outras formas de identificação das pessoas vão desaparecer, por isso, o direito surge como opção de reconhecimento e de aparecer nos espaços públicos, sobretudo no BR. O reconhecimento dos direitos dos negros, das mulheres são frutos de movimentos sociais, de pessoas que foram alijadas de direitos e buscam tal reconhecimento perante o Estado. Uma forma de desigualdade jurídica no BR é a lei Maria da Penha. Outra desigualdade jurídica no BR é a ideia do trabalhador, a ideia do consumidor como uma identidade. É o direito atribuindo direitos diferenciados.
Há diferentes normatividades reconhecidas pelo Estado. Ex.: no Timor Leste, houve uma revolução, uma guerra civil e uma intervenção na ONU. Daniel Simeão pesquisou a ideia de violência domestica no Timor Leste. Havia duas formas de direito:1) forma local que tinha a ver com as diferentes comunidades existentes no Timor Leste. Cada uma delas geria a violência domestica de cada maneira. Ex.: mulher ao separar do marido, tinha o seu pai negociando com o seu marido a partilha de bens; 2) direito português. É a ideia de um direito universal. As pessoas diziam que para ir aos tribunais, tinha que ter dinheiro. Essa desconfiança dos tribunais afastava as pessoas. Depois da guerra civil, a ONU chega com a ideia de promoção dos direitos das mulheres. Teve que construir a ideia de violência doméstica. O problema é que as mulheres não querem discutir isso, porque elas não se viam como portadoras de tais direitos. Existiam no Timor Leste três centros de normatividade. As pessoas iam ao PJ e muitas vezes, tinham seu processo encerrado ou por acordo. Ou seja, a ideia de intervenção do Estado se operava, era sempre a forma local e comunitária de resolver os conflitos que eram usadas pelas mulheres. Os diferentes centros de normatividade - direito português, direito local e direitos humanos - estavam presentes no Timor Leste. Por isso, Boaventura diz que a nossa sociedade em função da pluralidade de identidades podemos reconhecer diferentes centros de normatividade em nossa sociedade.
A ideia da lex mercatoria do direito comercial é um monte de tratado que vai regular o comercio internacional que não foi estabelecido por nenhum Estado específico. Outro tipo de normatividade é a lei desportiva que não é uma lei feita pelo Estado nem aplicada pelo Estado. Ex.: comitê olímpico internacional, FIFA que regulam a participação dos atletas nos esportes.
A ideia do pluralismo está ligada ao reconhecimento de diferentes normas e de diferentes direitos. O Estado não é o único produtor de normatividade. O Estado não é o único produtor de normas.
MARIA TEREZA SADEK
A REFORMA DO JUDICIÁRIO
A Sadek é uma cientista política paulista e que nos últimos anos escreveu sobre a reforma do Judiciário. Como ela começa entendendo o papel das reformas do PJ? Como essas reformas foram orientadas no BR?
É a questão da crise do Estado Social – Essa crise tem um fundo econômico, pois o Estado Social custa caro para ser financiado. Todas as reformas que se deram após a CRFB foram tendentes a diminuir a atuação do Estado nos setores sociais. 
A VIRADA NEOLIBERAL E A REFORMA DO ESTADO
A virada neoliberal vai pautar toda a reforma do Estado. É a ideia de que o Estado deve ter intervenção mínima na vida das pessoas, pois o Estado tem um limite de gastos. Uma serie de reformas que se deu na década de 90, como a LRF, traz a ideologia de que o Estado não tem que intervir nas questões sociais, que ele deve assumir a postura de árbitro.
Assim sendo, a reforma do Estado tem escopo de garantir a ideia de eficiência e racionalização econômica, que tem a ver com o custo das coisas. O PJ não escapa disso.
A eficiência do Estado está relacionada à ideia de racionalização econômica das atividades do Estado. Custa caro intervir na sociedade, garantir todas as prestações sociais. Sadek diz que na década de 90 a reforma do Estado se deu com o viés de que o Estado deve sair da atividade econômica e deixando a atividade econômica para a sociedade, agindo como regulador da atividade econômica.
· A IMPORTÂNCIA DO JUDICIÁRIO – A CRFB promete várias coisas e há fragmentação dos estatutos jurídicos (CDC, ECA, leis do meio ambiente, estatuto do idoso), porém, o Estado se vê desengajado de cumprir. Assim sendo, cabe ao judiciário o papel de garantir esses direitos.
Durkheim diz que numa sociedade complexa, o direito também é complexo – Quando a relação é comercial, vai ser tratada de uma forma. Quando a relação é de trabalho, será tratada de outra forma. Tem regras diferentes e sensibilidades diferentes. A questão ligada à reforma é o acesso a justiça.
· O ACESSO À JUSTIÇA – Capelletti no “acesso à justiça” relata 3 ondas de acesso à justiça:
· Assistência Judiciária Gratuita – Para garantir o acesso à justiça, os custos se modificaram.
· Representação dos Interesses Difusos – o processo não está mais ligado a um único direito exclusivo, a um conflito individual, mas a conflitos metaindividuais, a direitos difusos. Alguns países modificaram procedimento para inserção de ações coletivas.
· Reforma Interna do Processo em busca da efetividade da tutela jurisdicional – deixá-lo mais inteligível para os jurisdicionados. Isso ocorreu no mundo inteiro.
Como isso acontece no Brasil? No BR, não tivemos três ondas, as reformas chegam juntas ao BR no contexto de reforma do Estado e inseridas num contexto institucional diferente. 
A década de 90 deve ser vista como um período de estabilização institucional. Houve um aumento de faculdades de direito em razão da necessidade de pessoas que conheçam o direito e reconheçam a legitimidade do direito posto.
Quem vai orientar as reformas do PJ? É uma reforma técnica, porque agora faz parte da técnica processual saber sobre sumula vinculante. Foram os juristas que conduziram tal reforma. Eram os juristas que compunham a comissão que redigia a EC. Eram discussões que permeavam pouco na seara política e muito mais na seara jurídica/técnica. Os juristas não queriam que o CNJ fosse um controle externo, por isso, eles redigiram isso e fizeram uma reforma inteiramente técnica. Essas reformas foram orientadas pela eficiência e pela celeridade – as pessoas queriam diminuir o tempo do processo e a capacidade de interpretação dos juízes.
A CELERIDADE COMO PARADIGMA DA JUSTIÇA
No BR, temos a ideia de que a celeridade vai orientar todas as nossas políticas públicas judiciárias. Ela vai dizer que o problema crônico da nossa justiça é de ineficácia, por isso, as reformas buscaram diminuir o tempo do processo. 
Temos os juizados especiais e hoje temos o CNJ que promovem os mutirões, as conciliações e a arbitragem. Como hoje temos o CNJ controlando a atividade do juiz, metas impostas ao PJ, a discussão é quanto ao tempo do processo.
Hoje a quantidade de juizados no BR que colocam para trabalhar juízes leigos que por sua vez tem estagiários de direito. Todas as pessoas que trabalham no PJ estão orientadas pela percepção de que o trabalho do PJ tem que ser rápido. Nesse contexto inserem-se a conciliação, arbitragem, mediação.
Essa ideologia de celeridade está presente na cabeça das pessoas. As pessoas e os juízes acreditam que não tem que lidar com determinados problemas menos complexos (ex.: briga de vizinho). O problema é que se não administrado o conflito pelo PJ, faz com que o conflito volte para a sociedade. No BR, isso faz com que o PJ assuma responsabilidade.
OBS: Capelletti quando pensa em acesso a justiça pensa fora do PJ e não acesso dentro do PJ. No BR, foi exatamente o contrário, pensou-se em acesso a justiça dentro do PJ.
A função política do judiciário
O PJ no BR tem uma importância hoje que é incomparável ao PJ em outros países. A nossa teoria política constitui a ideia de que o Judiciário é um poder. Poder significa autonomia, autogestão, autonomia financeira. Então, o Judiciário se constitui enquanto poder capaz de se autogerir. A autogestão nos leva a reflexão do papel político do PJ. 
As políticas públicas judiciárias são promovidas pelos próprios juízes. Essa autonomia chega até os juízes. Os juízes são autônomos, tem autonomia administrativa, tem uma autonomia de gestão que em outros modelos não existe. No BR, o juiz pode organizar a vara como quer. A função política do Judiciário é um tema discutido no BR.
Jacques Commaille diz como podemos entender a função política do PJ. Podemos entender de duas maneiras: 1) o juiz pode intervir na sociedade e funcionar como operador social. Essas ideias estão relacionadas ao ativismo judicial de que o juiz tem que intervir na sociedade; 2) o juiz que tem que aplicar normas e julgar de acordo com a lei. O juiz funciona como meta-garantidor do social. Essas ideologias profissionais nos ajudam a entender como o PJ funciona hoje. Ajuda a entender o conflito entre esses dois tipos de juízes, os que acreditam que tem que intervir e osque acreditam que não tem que intervir. 
O juiz boca da lei é uma expressão usada por Montesquieu justamente para dizer que o Judiciário não é um poder. Ele não tem capacidade de criar a lei – PL e não tem a capacidade de executar a lei – PE. O judiciário não é o poder, o poder que existe é o poder de julgar. No BR, temos o Poder Judiciário, porque os juízes tem um poder político. 
Os juízes ganham prêmios – innovare. Qual o problema disso? O mesmo caso terá tratamentos diferenciados pelo PJ. Apesar de todos serem iguais perante a lei e a justiça ser igual para todo mundo, temos tratamentos diferentes. Isso tem a ver com a função política do PJ no BR. O operador do social entende que a gestão é importante, ao passo que o meta-garantidor do social a questão da gestão fica em segundo plano, o importante é aplicar a lei a todo jurisdicionado.
Bibliografia
Maria Tereza Sadek, O Judiciário em debate. Os bacharéis em direito na reforma do judiciário: técnicos ou curiosos?
MARIA DA GLÓRIA BONELLI
A PROFISSÃO DE MAGISTRADO
É uma pesquisadora que trata da profissão de magistrado no Brasil. Maria da Glória Bonelli é uma socióloga paulista e trabalha com uma abordagem sócio-histórica sobre a magistratura do BR.
O que é profissional? 
É a definição de Weber de viver para e viver de. Está querendo apontar quando a pessoa tem uma relação direta de sobrevivência com a atividade. Profissional é aquele que vive com a atividade. Ele difere os cientistas e políticos. Ele diz que quando a atividade se seculariza, nós encontramos um processo de profissionalização, porque os políticos deixam de viver para política – defender ideais – para viver de política – o que interessa aos políticos é ganhar as eleições. O processo de profissionalização significa que a pessoa passa a depender economicamente da atividade. Profissional é aquele que tem uma relação econômica direta com a atividade. É a sociologia das profissões.
Os pesquisadores da Escola de Chicago desenvolveram um grande numero de pesquisas sobre atividades urbanas que não eram consideradas profissões, que eram estigmatizadas do ponto de vista social – bandidos, criminosos. Eles começaram a estudar como as pessoas entravam no mundo do crime e como eles desenvolviam conhecimento do mundo que o permitiam viver daquela atividade. O bandido identifica o mundo social, conseguindo distinguir as atividades mais arriscadas das menos arriscadas. A relação com a profissão não precisa estar ligado sobre a relação econômica, pode se ligar a um determinado conhecimento do mundo social. A crítica dessa Escola é a seguinte: quando se identifica uma atividade como profissão se dá um status, só que do ponto de vista social, as atividades marginalizadas também são profissões. Ex.: despachante. O conhecimento deriva do conhecimento que tem sobre o mundo social. Não precisa de diploma como o médico, o magistrado para exercer a profissão. Essa atividade não tem o estatuto social como um médico, um engenheiro. Na verdade, são ocupações, porque o sistema de proteção dessas atividades é um sistema fraco, dependendo do conhecimento que o despachante tem sobre o mundo social – funcionamento dos órgãos públicos, das secretarias. Pode-se pensar também sobre as atividades informas – as pessoas vivem disso, mas não é reconhecido como profissão. Ex.: camelo. A profissão tem a ver com o domínio sobre determinado conhecimento sobre o mundo social. É uma maneira de caracterizar a profissão.
Bourdieu entende que a profissão tem a ver com disputa de capital dentro de um campo de relações. Ex.: quem pode disputar capital jurídico? Ele tem que conseguir entrar no campo para tanto precisa saber o direito, portanto, tem que ter o diploma. Esse campo exige um ritual de iniciação. Ele exige um processo para entrar no campo. A faculdade de direito é um momento de socialização em que se aprende o capital jurídico em que se aprende a hierarquia, os dominantes e os dominantes e o capital a ser disputado. A ideia de profissão pode ser ligada a reprodução de um habitus, ou seja, das relações sociais que estão em um campo. Bourdieu diz que as pessoas para entrar no campo, tem que aprender as relações sociais, a estrutura social e elas reproduzem a estrutura social de alguma maneira. É um conhecimento que não é natural, é um conhecimento que aprendemos e reproduzimos. Essa forma de reprodução é chamada de habitus. É a forma pela qual reproduzimos a estrutura social.
São três perspectivas diferentes sobre o que é profissão.
A MAGISTRATURA NO BRASIL
-> Profissionalização precoce
-> Modificações no seu corpo advindos da abertura política
-> Feminização e jovens
-> Heterogeneidade ideológica
-> Neutralidade técnico-jurídico e o profissionalismo cívico
Como podemos caracterizar socialmente os magistrados no BR? É uma profissão? Sim. Os profissionais vivem dessa atividade, dominam conhecimento sobre o mundo social e reproduzem a estrutura social dentro do campo profissional. Em qualquer das definições, se identifica a mag8istratura como definição.
Quais são as características sociais da magistratura brasileira? Bonelli dá as características. 
A magistratura no BR passa por um processo de profissionalização precoce, porque desde que a magistratura foi criada no BR exige um requisito mínimo que é o bacharelado do direito. Quando a magistratura é criada ainda no Império exigiu-se o bacharelado do direito. Não havia faculdade de direito no BR. Os juristas se formavam em Portugal. A viagem era muito cara. A profissionalização precoce por exigir o diploma de bacharelado provocou uma homogeneização do corpo profissional. Os bacharelados no BR tinham as mesmas qualidades sociais – tinham uma mesma perspectiva sobre a sociedade. Era um corpo que socialmente era muito homogêneo e de uma certa maneira, aristocrático em relação a sociedade. Eram pessoas que tinham uma formação que a maior parte da população não tinha. Isso provocava uma homogeneização sociológica.
Esse cenário se modificou. Houve a justiça do trabalho, houve a instituição do concurso público como forma de recrutamento dos juízes. O concurso público vai permitir que aconteça dois fenômenos no corpo social da magistratura: 1) feminização. A magistratura que era reservada aos homens. A partir da CRFB88 temos um boom do número de faculdades no BR. Tem um acesso ao ensino jurídico mais facilitado. Ao mesmo tempo, as mulheres passam a ir para o mercado de trabalho. A faculdade de direito virou um lugar de mulheres. Essa feminização se reproduz na magistratura. O fenômeno da feminização tem uma consequência. A base da magistratura se feminiza. Só que a magistratura tem uma estrutura hierárquica: tem a base mais larga e os órgãos de cúpula. Observa-se que nos órgãos de cúpula a representação de mulheres é menor que na base. Como se explica isso socialmente? Segundo Bourdieu, as vias de acesso aos órgãos de cúpula são fechadas para as mulheres, fechada em relação ao que deve ser a profissão de magistrado para os órgãos de cúpula. Os juízes homens entendem que a magistratura não é uma profissão de mulher. Essa visão do que é a mulher pode se reproduzir nos órgãos de cúpula. Essas pessoas que reproduzem as concepções do que é o trabalho, estão reproduzindo uma estrutura social, como são eles que escolhem quem sobem, há uma sub-representação das mulheres nos órgãos de cúpula. 
Outra forma de entender a feminização da magistratura é o seguinte: a mulher passa por momentos na sua biografia pela qual os homens não passam – interromper a carreira profissional para ter um filho. Existem diferenças entre países desenvolvidos e não desenvolvidos. Quando as mulheres entram no mercado de trabalho e interrompem para ter filho, nos países desenvolvidos, depois elas conseguem voltar ao mercado de trabalho, nos países menos desenvolvidos, essa volta é mais difícil. Bonelli mostra num trabalho como nos escritórios médios existe uma resistência aos advogados, há um processo de apagamento do que se chama do script sexuado – qual o papel do homem e da mulher na sociedade. Nos escritórios médios,a mulher evita falar da sua vida pessoal por conta disso, para assumir a profissão da mesma forma que os homens. Nos escritórios médios, existe uma resistência de contratação de mulheres. Onde as mulheres saem melhores são nos escritórios pequenos, onde as mulheres chefiam o escritório. Há uma feminização da magistratura e do mundo jurídico.
2) O outro fenômeno é o rejuvenescimento do corpo dos magistrados. Os três anos depois de formado foi estabelecido por conta desse fenômeno. Foi identificado que os juízes estavam assumindo muito jovens O modelo de recrutamento por cooptação que é o modelo britânico em que a magistratura vai recrutar os juízes dentre os advogados mais velhos. O modelo de recrutamento por concurso que é o modelo francês. O nosso modelo mais se aproxima do francês.
O rejuvenescimento do corpo dos magistrados tem outra consequência. Identificaram numa pesquisa que os magistrados mais jovens tinham uma postura mais conservadora em relação ao direito – eram a favor da pena de morte. Os magistrados mais velhos tinham uma visão mais progressista da função do direito e da magistratura. Como se explica o fenômeno dos magistrados mais jovens serem mais conservadores que os mais velhos?
Bourdieu diz que os mais jovens quando entram na profissão tem que aprender como é a disputa do capital jurídico dentro da magistratura. Existe um conflito e eles vão disputar. Para fazer essa disputa, eles vão reproduzir algumas reproduções que tem do corpo da magistratura que sempre foi tido como conservador, fechado. Quando eles entram, eles vão tentar reproduzir o habitus que elas acreditam ser o habitus da magistratura. Por isso, serão mais conservadores que os mais velhos que por serem dominantes vão permitir ter outras opiniões sobre a função de magistrado.
O fenômeno do rejuvenescimento teve duas consequências: 1) a introdução da exigência de 03 anos de atividade jurídica; 2) são mais conservadores os jovens que entram na magistratura. Os mais jovens não viram a transformação da magistratura da década de 80 a 90.
A consequência da feminização e do rejuvenescimento dos magistrados é a heterogeneidade ideológica dos profissionais do direito. Hoje a magistratura é muito mais plural do que ela era. Isso se identifica no corpo da magistratura com a proeminência política do corpo de magistrados que representam essa heterogeneidade e os movimentos dentro da magistratura – direito alternativo. Como aparece o direito alternativo no corpo de magistrados? É o resultado da heterogeneidade ideológica. Temos juízes com origens sociais mais diversificadas. Os magistrados provêm de classes sociais diversificadas. Ainda a maior parte de magistrados provém da classe média, mas há mais classes. O direito alternativo surge da heterogeneidade ideológica. Como entender as disputas que o direito alternativo provocou? Os pensadores do direito alternativo tinham em mente de que eles poderiam desrespeitar a lei para fazer justiça. Poderiam ter uma atuação social diferente.
Bonelli desenvolve dois tipos ideais para explicar as tensões na magistratura. Existem dois tipos de magistrado: 1) o que prega uma neutralidade técnica-jurídica que é o magistrado que vai aplicar a lei e que acredita que não tem nenhum papel social a desempenhar; 2) e há o outro magistrado que tem a ver com o profissionalismo cívico que entende que ele tem um papel de intervenção na sociedade. Ela fala aqui de uma identidade profissional. 
Como se constitui uma identidade profissional no corpo da magistratura? Vai se construir ou em relação à neutralidade técnico jurídico ou em relação a um profissionalismo cívico. A identidade profissional liga o fazer profissional e como os profissionais querem ser vistos pela sociedade. Tem a ver com a manutenção do saber profissional e como eles vão se apresentar para a sociedade.
O caso da magistratura francesa
-> O fim dos juízes de paz
-> A criação de uma escola
-> O recrutamento acadêmico
O modelo da magistratura francesa se caracteriza por um modelo de profissionalização gradual dos magistrados. A magistratura francesa que instituiu os juízes de paz. Eram os notáveis, pessoas de reconhecimento social, escolhidos para ser juiz de paz. Existiam também os juízes togadas. 
Em 1958, há uma reviravolta da magistratura francesa. Acabou-se com os juízes de paz e instituíram a escola nacional da magistratura que passa a ser a escola que vai organizar o recrutamento dos magistrados. A magistratura francesa não é um poder como o nosso. O chefe da magistratura francesa é o ministro da justiça. Os juízes tem que ser independentes e não autônomos. Quando há greve da magistratura, todo o sistema de justiça para completamente. Os magistrados franceses só param para reivindicar melhores condições de trabalho e para lutar pela independência do PJ que tem a ver com o conteúdo do trabalho dos juízes. 
O que a escola da magistratura provoca? Uma homogeneização do corpo dos magistrados. O recrutamento é feito entre os melhores estudantes das faculdades. Na magistratura francesa, há nove vias de recrutamento. No BR, temos três: STF; quinto; concurso público. No caso francês, as formas de recrutamento têm a ver com a idade e só tem três chances, se não passar nas três tentativas, os franceses estimam que ela não possa entrar na magistratura. Pode entrar em outra forma de recrutamento: demonstrar 05 anos de experiência em escritório de advocacia. Existem outras maneiras. Existe a maneira de se tornar um juiz de proximidade, um juiz temporário.
A escola vai organizar a transmissão do conhecimento. Que conhecimento é esse? Não é o conhecimento do direito. Não se ensina na escola da magistratura o ensino jurídico (processo civil, processo penal etc.). Para os franceses, há uma divisão entre direito público (constitucional e administrativo) e privado (penal e civil). O direito privado vai para a jurisdição judiciária, porque os franceses também tem a jurisdição administrativa que é o direito público. Aqui no BR, o juiz acumula todas essas jurisdições. Na escola, eles aprendem exatamente como o trabalho se desenvolve. A escola da magistratura francesa fornece para os alunos uma formação para o trabalho judiciário. Em 01 ano, ele aprende o trabalho judiciário – faz audiência com atores, o juiz mais velho vai comentar, há uma transmissão organizada do conhecimento judiciário e ele faz estágio em escritórios de advocacia, repartição pública e dentro do tribunal e vai ser avaliado o tempo todo. Depois de 30 meses, ele passa a ser magistrado. Essa formação garante para esse corpo uma homogeneização ideológica. Por isso é dito um corpo fechado com a mesma concepção.
Isso tem a ver com o universalismo. Os franceses falam em serviço público de justiça. Os juízes franceses se consideram funcionários públicos prestando um serviço público. Quando eles passam pela escola, a primeira coisa que eles aprendem é que a justiça não pode ser uma justiça diferente para os jurisdicionados – o jurisdicionado do Norte e do Sul da França deve ter o mesmo tratamento. A lei deve ser aplicada da mesma forma, porque se a lei for aplicada diferentemente, a República francesa tratará diferentemente os seus cidadãos, o que não é admitido.
É diferente da nossa ideologia aqui no BR. Na França, o sistema de escola é o sistema que forma a alta burocracia do Estado – tem a escola nacional da magistratura; a escola nacional dos chefes de secretaria; escola nacional de administração que forma os políticos. Existe outro modelo no caso francês que é o modelo de treinamento – a transmissão organizada do pensamento tem a ver com o treinamento para o trabalho. A magistratura francesa é bem distinta do magistrado no BR. Os magistrados franceses na sua maioria são jovens.
Algo interessante no concurso público na França é que quando se tem um concurso, eles trazem uma lista de candidatos do 01 ao último colocado, se ele 200 vagas, eles vão recrutar todos. Não se tem nenhum tipo de previsibilidade em relação ao nosso tipo de recrutamento no BR. Ex.: prova oral, passa e não leva. A lógicados franceses é o seguinte: a magistratura pede 200 vagas, se eles recrutam 100 magistrados, o ministério de finanças vai pedir as 100 vagas de novo e no ano seguinte, o máximo que poderá pedir é 100. A lógica deles é que quando se tem as vagas, se tem que recrutar as vagas de acordo com a classificação. Não é a lógica brasileira que faz uma classificação tão somente entre os candidatos aprovados e não de todos os candidatos. 
Há um contraste entre a forma de recrutamento do BR e a forma francesa. O nosso modelo de recrutamento foi desenvolvida por nóis.
O conteúdo da profissão
As identidades profissionais que se desenvolvem em relação ao fazer profissional têm consequências políticas. Quando se caracteriza um juiz com profissionalismo cívico, ele quer transmitir algo para a sociedade sobre a sua função, tem a ver com o trabalho e de como ele vai se apresentar para a sociedade.
Houve um movimento mãos limpas na Itália. Foi um movimento que surgiu dentro da magistratura italiana para tentar acabar com a máfia italiana. Os magistrados de esquerda, ligados a sindicatos, começaram a se articular para editar leis que protegessem o magistrado. É o caso do juiz sem rosto. A finalidade disso é proteger o magistrado. Falconi que é um magistrado italiano foi o articulador de toda essa transformação na magistratura italiana. Foi no seu fazer profissional que ele conseguiu modificar do ponto político a função da magistratura na Itália. Hoje tudo que a magistratura italiana quer é condenar mafioso na Itália.
É um movimento político fundado no saber profissional. Se os juízes não se engajam na defesa dos direitos dessa forma, não se conseguiria identificar a função política da magistratura na sociedade.
As práticas profissionais
Outro exemplo é o caso da magistratura francesa em que há dois trabalhos sobre os juízes. Durante a 2 Guerra Mundial a França foi dividida do meio. Do meio para cima, era governada pelos alemães. Do meio para baixo, pelos franceses. Para que os judeus fossem mandados para cima, tinha um procedimento judiciário para mandar para a parte alemã. Dois trabalhos sobre tais práticas: 1) na verdade, os magistrados não resistiam politicamente à solicitação do governo alemão. Quando os procedimentos chegavam, era mais um processo na pilha, como os processos demoravam, a magistratura resistiam à deportação dos judeus em função do trabalho cotidiano. É o livro “exceção ordinária”. Essa resistência era fruto do trabalho cotidiano; 2) “As togas pretas e os anos sombrios”. A socióloga diz que havia uma resistência dos magistrados. Eles se organizavam em forma de rede, para trocar teses e evitar a deportação de judeus para território alemão. Havia uma rede de advogados, de magistrados para evitar a deportação de judeus.
Um desses trabalhos diz que é o trabalho ordinário que faz com que a magistratura impeça a prática da deportação, enquanto outro trabalho diz que existia uma ação entre os juízes e advogados de trocar teses para evitar a deportação, exigia um engajamento político desses profissionais. Nesse caso, o saber profissional era usado para uma atuação política. Existe um engajamento político dos profissionais. 
No caso do BR, as práticas profissionais tem se modificado. Hoje no BR tem uma nova figura do juiz. É a ideia dos juízes empreendedores. Eles aparecem no contexto do CNJ. Numa disputa acirrada com a associação dos magistrados para definir as competências do órgão. O CNJ tem como foco reduzir a autonomia dos juízes. Autonomia tem a ver com administração, com a gestão do poder judiciário. Independência tem a ver com o conteúdo do trabalho. Hoje a figura do juiz moderno é o juiz que presta conta. A figura do novo profissional aparece por conta do surgimento das novas instituições, sobretudo, com a criação do CNJ. Fernando Fontainha usa toda a construção do Weber para entender a magistratura brasileira e criar a figura do juiz empreendedor. 
ROBERTO KANT DE LIMA
A ADMINISTRAÇÃO INSTITUCIONAL DE CONFLITOS
É antropólogo. É um pesquisador. Ele tem dois temas de pesquisas: 1) pescador; 2) segurança pública. Ele fez a tese dele em Harvard e trabalhou com a polícia nos EUA e nos BR e estudou o sistema de justiça criminal nos EUA e no BR. Ele chega a conclusão da nossa forma de administrar conflitos no BR.
AS TRADIÇÕES JURÍDICAS
· CIVIL LAW x COMMON LAW
Kant começa tratando das diferentes tradições jurídicas: 1) civil law. Está ligada ao direito estatuído. Tradição continental europeia. É o Estado estabelecendo o direito por meio de códigos; 2) common law. Deu-se na Inglaterra. A forma de solucionar o conflito é reconhecida paulatinamente pelo Estado e o juiz tem que prestar contas da forma que decide. Está ligado ao direito costumeiro. É a concepção de que o Estado é constituído pela sociedade civil.
A tradição da common law é fundada em precedentes. Qual é o papel do precedente? O precedente tem a ver com a ideia de previsibilidade. Quando se tem o precedente, já se sabe o que esperar dos tribunais. No BR, há precedentes, mas não se sabe se o precedente será aplicado ou se a lei será interpretada. Esse saber vem do Estado e não da sociedade, que não tem a ver com o conhecimento da sociedade. 
Esses dois sistemas se opõem, porque têm lógicas diferentes, formas diferenciadas de estabelecer a aplicação do direito e de produzir a verdade judicial. É da produção da verdade judicial que Kant fala.
Essas tradições estão ligadas a maneira de administrar os conflitos.
A tradição inquisitorial ocorre quando a verdade é produzida por um agente, secretamente, arbitrariamente e a inquisição tem a ver com a avaliação das provas, com a comparação do que já se sabe com o que é apresentado ao inquisitor. O inquérito da polícia funciona dessa maneira. No interrogatório, a polícia pergunta e o sujeito vai respondendo, o sujeito tem que confirmar aquilo que a polícia já sabe. Isso decorre da nossa tradição católica.
No sistema acusatorial, o modo de produção de verdade pressupõe que a verdade só pode ser produzida publicamente e que vai ter um arbitro para decidir qual o valor daquilo que está sendo produzido.
Há esses dois sistemas de produção da verdade judicial.
Como é o sistema brasileiro? Tanto no inquérito quanto no processo é inquisitorial, porque quando o juiz inicia o interrogatório quer produzir prova para confirmar aquilo que ele já sabe. 
Qual o valor da confissão no sistema inquisitorial? Pode-se desconfiar da confissão no sistema inquisitorial. Pode-se desconfiar das formas de produção da verdade no sistema inquisitorial. O interrogatório é o mesmo.
Kant conta o seguinte exemplo: durante a inquisição, havia o processo em que o padre abusou de 03 crianças. O padre foi processado. Ele começou a ser torturado – método inquisitorial de produção da verdade em que a pessoa tem que falar o que o outro já sabe. Ele confessou que abusou de 60 crianças. O sistema continuou. Quando ele falou 03 crianças, ele parou de ser torturado. Nesse modelo de produção de verdade, se verifica aquilo que já se sabe.
Como o nosso sistema de justiça funciona? O inquérito policial é secreto, não tem a participação das pessoas na produção da verdade, ou seja, o que se leva até a polícia não vale exatamente nada. Da mesma forma, a polícia leva o conhecimento ao PJ. O PJ não quer saber do conhecimento produzido no inquérito, começa novo procedimento para saber aquilo que ele já sabe. Todo o procedimento vai funcionar dessa maneira. Todo o procedimento terá essa mesma lógica de produção de verdade. Então, pode-se desconfiar das pessoas. No BR, o réu pode mentir o tempo todo e pode usar todos os meios de defesa necessários. A testemunha não pode produzir. A prova produzida é do juiz, se ele mentir estará sendo infiel a justiça, porque ele vai produzir um acontecimento que vai ser testado em relação ao que aconteceu. Na justiça do trabalho, durante a audiência, cada um fala algo, o juiz fala que alguém está mentindo e vai sair preso. Se não tiver ameaça, as testemunhas não falam a verdade. Essa é uma forma inquisitorial de produçãode verdade.
No entanto, o processo não se opera da mesma forma que o IP. Temos o IP que funciona de um jeito, o processo que funciona de outro jeito e temos o tribunal do júri. No tribunal do júri, os jurados decidem por intima convicção. Eles são incomunicáveis, porque se tem a ideia de que cada um tem que assistir a audiência e produzir a sua convicção. Não se pode comunicar com o outro senão pode ser influenciado pela outra pessoa.
São três modelos de administração de conflitos criminais no BR que são abs9olutamente distintos e incomunicáveis: lógica do júri, lógica do PJ e lógica da polícia. Essas formas se produzem diferentemente em função dos agentes do Estado. Como mudam os agentes do Estado, temos produção distinta.
O problema da (des)igualdade
No modelo norte-americano inquisitorial, Kant vai dizer que existe a figura do due process of law. O due process of law significa que o Estado deve um processo as pessoas. Isso significa que quando a polícia identifica um fato, vai dizer para a pessoa se ela confessa. A pessoa participa da produção da verdade. A verdade deve ser publicizada. Só serve como evidencia no tribunal o que foi exposto publicamente para participes do processo. Isso é analisado pelo juiz. Se o juiz entende que a prova não foi produzida de forma pública e transparente no curso do processo, pode não admitir a prova. Quando a pessoa participa da produção da verdade, tem que ser instaurado um processo. Se o sujeito não aceitar o roubo e o homicídio com uma pena menor, o Estado deve o processo. O processo é um direito das pessoas. No nosso sistema, o processo é um dever do Estado. No BR, ninguém pode cumprir uma pena sem ser condenado. 
No sistema norte-americano, o processo é prescindível para punir. Se a pessoa aceitar a pena, pode cumprir a pena sem processo judicial. Por que as pessoas negociam e aceitam não ter um processo? Para não ter a sua vida exposta ao público. Eles barganham tipo penal, a quantidade de sanção, tudo é barganhado entre promotor, advogado e parte. Se o sujeito não aceitar a pena, o Estado deve um processo aos indivíduos. Nos EUA, isso é uma prática. Mesmo nos piores crimes, tem a barganha. Se o sujeito aceitar a barganha, cumprirá pena sem processo algum. O Estado faz isso, porque o processo custa muito caro. Se o sujeito não aceitar a barganha, o Estado deve o processo ao individuo. Essa não é uma etapa obrigatória, porque não há processo ainda. A lógica judicial é a produção de evidencias publicamente. No sistema norte-americano, não existe a ampla defesa. O réu não pode mentir porque ele faz parte da produção da verdade. Se ele está mentindo, está mostrando para todo mundo que está sendo desleal com todas as pessoas. 
Por que não existe a ampla defesa? Qual o papel do juiz no sistema acusatorial? Ele é um arbitro que vai negociar as regras e as provas com as duas partes – representante do Estado e da parte. Como se dá a negociação das regras? Elas são construídas publicamente. Nos EUA, o juiz não recebe o advogado de uma parte só. Quando recebe o advogado, tem que ser das duas partes, porque as regras são todas publicizada. No caso brasileiro, isso não ocorre – o advogado pode receber o advogado de uma parte só separadamente. O sistema está fundado que todo o procedimento está na lei. No caso americano, há a ideia de que as regras vão ser estabelecidas publicamente pelas partes. O sistema de produção de verdade engaja todas as pessoas e a verdade é produzida publicamente por todas as pessoas. É por isso que nos EUA o réu não pode mentir.
Nos EUA, se tem a polícia, com o sistema acusatorial, se tem o judiciário com o sistema acusatorial e o júri. Como funciona o júri? A deliberação é secreta, mas elas podem discutir, porque há a ideia de que todos sabem o mesmo sobre o procedimento, de que não existe um conhecimento particularizado. Essa deliberação serve para explicitar todos os pontos de vista para que se produza um consenso. Aqui no BR, podemos ter a polícia dizendo A, o judiciário dizendo B e o júri dizendo C. No sistema norte-americano, isso não é possível, porque no nosso sistema temos um dissenso sobre qual a verdade foi produzida, no caso norte-americano, eles prezam pela construção de um consenso sobre o que aconteceu. Como as regras são publicizadas e todo mundo tem acesso ao que aconteceu, todos os fatos são passiveis de verificação pelas pessoas, ninguém sabe mais que o outro sobre o que aconteceu, tudo que aconteceu foi exposto durante o procedimento.
A presunção da inocência existe nos EUA e por isso, o processo é um direito. No sistema brasileiro, as pessoas estão sob desconfiança do sistema de justiça. Ex.: blitz da lei seca. Significa o que sob o ponto de vista da presunção da inocência? O sujeito bebeu. Está dirigindo certinho. A polícia pode parar, te dar uma dura e ainda achar algo errado no carro. Esse modo de operar é todo inquisitorial, porque os sujeitos estão sempre sob desconfiança dos agentes públicos. O nosso sistema está todo montado dessa maneira. É o mesmo caso da testemunha. Ex.: A sofreu uma tentativa de homicídio. B era testemunha. Na hora da audiência, o juiz começou a perguntar as coisas para B, só que ele tinha lido algo errado. O juiz falou que ele poderia ser preso. Quer dizer, as pessoas estão sempre sob desconfiança, sob suspeita.
A presunção da inocência nos EUA é o seguinte: porque o sujeito diz que não praticou isso, não vou te dar o processo. O sistema de produção de verdade nos EUA é fundado no princípio da presunção da inocência ligada ao due process of law ao processo devido pelo Estado.
Por que se tem o júri nos EUA? É o júri que vai dar o direito para o sujeito. E o júri no BR? Ninguém quer participar do júri como jurado. É uma obrigação do Estado. Nos EUA, o jurado tem que estar presente, como o direito provém da sociedade, são as pessoas que dão o direito e não o juiz representando o Estado (Tocqueville). No BR, o júri é visto como algo arcaico.
A questão do BR tem a ver com a apropriação do espaço público e o saber que é particularizado pelos agentes públicos. Toda produção do direito tem a ver com o saber das pessoas ligadas ao Estado. Não é a toa que temos a expressão operador do direito. Os agentes do Estado aplicam o saber particularizado definindo a verdade. Existe uma lógica diferente de produção de saber no BR.
Kant usa uma representação geográfica para falar de dois sistemas: 1) paralelepípedo. A sociedade é composta por vários paralelepípedo. Dentro de cada um, há um consenso sobre as regras e conhecer as regras que são públicas. Todas as pessoas dentro de um conhecem as regras, porque o conhecimento protege as pessoas da violação dessas regras. O saber é importante e o valor é a igualdade, porque todos tem que ter o conhecimento das regras. As pessoas estão delimitadas dentro de um conjunto de regras que são estabelecidos pelos indivíduos; 2) pirâmide. A pirâmide tem estamentos complementares. Ter-se-ão direitos aplicados às pessoas diferentemente aos estamentos e o direito sempre vai vir de cima para baixo, ou seja, as pessoas de baixo sempre olham para o alto da pirâmide. Não existe uma modalidade dentro da pirâmide. O conhecimento sobre as regras é particularizado, mas a aplicação delas é sempre de cima para baixo. Esse conhecimento é particularizado. 
O sistema brasileiro é o da pirâmide, porque tem a ver com a aplicação do direito. Aplicar o direito significa passar pelo curso de direito que vai ensinar a conhecer as leis e a interpretar as leis ao caso concreto. Como essas normas não são consensuadas no todo, são aplicadas de forma diferente conforme os estamentos. Ter-se-á uma interpretação diferente em cada estamento. O valor principal na pirâmide não é a igualdade, a aplicação será sempre de cima para baixo, quem detém o conhecimento aplicará isso em relação a quem não detém o conhecimento. Ex.: sistema do mensalão. A única novidade nesse processo é que ele vai acabar. Os réus provavelmente não serão presos. Essa turma que nunca se submeteu ao procedimento dos outros estamentos,está passando. As provas indiciárias, tudo isso está sendo aplicado ao mensalão, mas sempre foi aplicado nos tribunais brasileiros. É a aplicação de uma regra que não era aplicável para tal estamento. Essas pessoas estão se submetendo a um processo que vai terminar e estão sofrendo as mesmas regras que as pessoas dos demais estamentos sofrem. 
A questão se relaciona ao saber particularizado. Qual é o saber particularizado no BR? É o saber jurídico. Tem que se conhecer as leis e as interpretações. Se não tiver o conhecimento particularizado e não se souber usar esse conhecimento, não se pode participar das discussões sobre o direito. Por isso, as pessoas que detém esse saber particularizado vão aplicar diferentemente o direito. Então, o conhecimento é aplicado de forma diversa para os diferentes estamentos. Ex.: a polícia aplica as regras de forma diferente. Essas regras informais são aplicadas para uma parte da sociedade. O sistema de justiça aplica as normas de outra maneira – somente se entra nesse sistema se tiver bom advogado. No júri, somente se será bem tratado se tiver bom advogado. 
A lógica do mensalão em considerar provas indiciárias é uma lógica inquisitorial. Eles estão se submetendo as mesmas regras dos demais estamentos.
Os dois modelos geométricos nos ajudam pensar a forma de resolução de conflitos. No paralelepípedo, temos a igualdade como valor fundamental. Já na pirâmide, temos a desigualdade como valor fundamental (foro privilegiado, prisão especial etc.). O sistema brasileiro está fundado na desigualdade.
A cultura da administração de conflitos
Como as conciliações têm sido organizadas no BR? Nos EUA e na FR, a conciliação é uma liberalidade, é visto como um direito. No caso Frances, no processo, tem que juntar uma carta que notificou a pessoa e tentou se fazer um acordo. Essa carta serve para mostrar que a pessoa está de boa-fé. Na audiência, o juiz pergunta as partes se existe possibilidade de conciliação. Se disser sim, haverá acordo, se disser não, instrui-se o processo. No caso brasileiro, a conciliação é uma etapa do processo. Essa é uma prática comum. Os acordos são forçados. Proposto pelo agente público. A conciliação se tornou uma etapa do procedimento. 
É diferente da conciliação nos outros sistemas, em que se tem a mediação, conciliação fora do PJ. O PJ é a última opção. É um sistema que vê a conciliação como direito, liberalidade das partes.
O que as UPPs têm a ver com isso tudo? UPP é uma política pública de segurança que é promovida pelo Estado. Essa política pública não é universal. É uma política pública que trata de forma diferente determinado grupo de pessoa da sociedade civil. O poder público sempre esteve nas comunidades, mas representava uma violência em relação a essas pessoas. O que existe em relação às UPPs é que se têm políticas de segurança pública especiais para determinado grupo de pessoas. São especiais porque o Estado vai organizar a sociedade civil. No caso norte-americano, o estado é organizado pela sociedade civil. É por isso que Tocqueville fala da força moral das decisões, é uma forma de o Estado prestar contas. No caso das UPPs, é o Estado dizendo que esse grupo de pessoas precisam ser pacificadas. Do ponto de vista do Estado, existe uma ideologia de que o Estado vai harmonizar a sociedade, vai tutelando a sociedade civil e organizando a sociedade. No caso brasileiro, a UPP é só um exemplo dessa forma de tutela do Estado. 
Os sindicatos são organizados pelo Estado no BR. Não se pode ter vários sindicatos da mesma categoria profissional no mesmo lugar. Se o sujeito não está de acordo com o seu sindicato, não pode fazer nada. O sindicato é uma forma de tutela do Estado.
Outra forma de tutela do Estado são as eleições inteiramente controladas pelo Estado, porque os partidos políticos dependem do Estado e o sistema político partidário está ligado ao Estado. Hoje o Estado controla inclusive as ideologias dos partidos.
Isso mostra a ideologia dos juristas de que o Estado vai organizar a sociedade civil.
Bibliografia
Roberto Kant de Lima, Ensaios de Antropologia e de Direito. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.
Luís Roberto de Oliveira. A dimensão simbólica dos direitos e a analise dos conflitos.
QUADRO ESQUEMÁTICO
	Autor
	Principais ideias
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Palavras Chave 
· Forma de inclusão no mercado de trabalho. 
· Infraestrutura e superestrutura.
· Luta de Classe. 
· Alienação.
	· Superestrutura – Parte de fora do prédio que se vê. POLÍTICA + DIREITO + RELIGIÃO + IDEOLOGIA
· Infraestrutura – A base do prédio, sem a qual a parte de fora não existe, mas que ninguém vê nem sente e determina tudo na sociedade. ECONOMIA.
· Módulo de Produção Capitalista – Capitalista e global. É como as sociedades produzem mercadorias, leis, religiões, afetos, formas de dominação política etc. Sendo que a sociedade se organiza de uma forma certa, obedecendo ortodoxamente a divisão apresentada acima.
Diferentemente do Weber (que entende que as normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada um dos indivíduos sob a forma de motivação), Marx tem uma concepção holística da realidade. Ele vê um todo social e tenta extrair maneiras de descrever a dinâmica social como um todo
· Direito x Economia – Determinação dos fenômenos jurídicos pela economia
· Luta de Classes – Proletariado contra burguês enquanto as classes fundamentais do modo capitalista. FORÇA DE TRABALHO x QUEM DETEM OS MEIOS DE PRODUÇÃO.
É o motor da história. O conflito move a história. É superável. Do ponto de vista do Marx, superado o capitalismo, teremos o comunismo.
· Ideologia – Conjunto de proposições elaborado, na sociedade burguesa, com a finalidade de fazer aparentar os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe.
A ideologia é um falso conhecimento sobre o mundo. Marx contrariava a filosofia alemã ao afirmar que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. Nossa percepção se desenvolve a partir da maneira como estou inserido nas relações sociais
Para Marx, é possível ter o verdadeiro conhecimento do mundo? Eles precisam ter conhecimento da luta de classes, da alienação, da exploração para poder para fazer a revolução. A organização de partido tem o papel importante porque vai trazer a ideia de luta de classe.
A intervenção tem que ser nas condições de vida, porque se transformarmos as condições de vida poderemos transformar as formas como as pessoas conhecem o mundo
· Alienação – O protelariado não tem consciência da luta de classes, que ele tem o seu trabalho explorado pela burguesia. O lucro é a mais valia e a mais valia é um dinheiro que vai para a burguesia. As pessoas como não têm condições sociais de ver o mundo de outra maneira.
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Palavras Chave 
· Força moral. 
· Igualdade. 
· Atuação Política do PJ. 
· Democracia.
	· Força Moral – Seria a eficácia. Seria a força de existir no mundo social. Só é alcançada com as práticas sociais se estiver calcada em uma cultura/estrutura que possibilitem a aplicação prática, influenciando diretamente na vida dos indivíduos. É na ponta da cadeia sancionatória que verifica-se a força moral.
Não tem nada a ver com o que está escrito na lei. A lei que tem sua força moral retirada pelo judiciário não existe moralmente, mas ainda existe faticamente, tem força política (tá lá, mas não se aplica. Não atinge o plano da eficácia).
O PJ tem que ter a cara da sociedade. É porque a sociedade reconhece que esta representada na magistratura que se tem a força moral.
· Democracia – Vontade da MAIORIA. Hoje esse conceito já não mais pode ser assim entendido, pois há a necessidade de se assegurar o direito da minoria.
· Igualdade (EUA x França) – Nos EUA Havia mais igualdade, pois havia outras formas de dominação que não o sangue (aristocracia). O desenvolvimento da igualdade nos EUA, para esse autor, foi favorecido porque lá nunca teve a figura de um rei. Em razão da igualdade as instituições não precisam se encarregar de ensinar às pessoasque elas iguais. Já na França o Estado deve ensinar que as pessoas são iguais. 
· Atuação Política do PJ – O poder político do juiz nos EUA é de interpretar para garantir o sentido dos direitos individuais, pois como todos são iguais as pessoas podem estabelecer um sentido de justiça dentro de um universo de pessoas.
O Tocqueville conheceu um judiciário nos EUA em que além da análise da constitucionalidade das leis no caso concreto, o poder judiciário tinha tamanha força, pois ele não arranha a política pública ou a lei, mas retira delas toda a força moral.
É uma cultura onde o direito atende aos interesses imediatos das pessoas. Ele disse, portanto, que “o judiciário somente se mete em política por acaso, mas é um acaso que ocorre diariamente. Ninguém pode acusar essa organização de atuar contra o poder legislativo ou executivo”.
Então, o papel do judiciário norte americano é político, de interpretação da constituição e de garantia dos direitos individuais. 
Já na França, os juízes não detêm poder político. O papel dos juízes é um papel pedagógico da sociedade, de instituir um tratamento igualitário. Mas os juízes franceses não podem interpretar a lei, sob pena de tratarem diferentemente as pessoas. O juiz é somente boca da lei.
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Palavras Chave 
· Anomia. 
· Mudança de Regras. 
· Divisão do Trabalho. 
· Fato Social. 
· Solidariedade.
	· Moral – A moralidade está ligada ao modo como as pessoas se relacionam entre si. Essa moralidade é o resultado dessa sociedade e de suas relações sociais. A moralidade determina a ideia de ordem.
· Ordem – Fazer sociologia é compreender a ordem na sociedade, essa ordem não está explicitada. Não é algo determinista, imposto. 
A ordem não é imposta a ninguém – Essas regras podem ser modificadas no curso das interações e vão variando. 
Durkheim é o autor que trata da questão da ordem e a ordem é estabelecida através das regras morais (fato social) e as regras morais estão explicitadas no direito. 
· Fato Social – O fato social são as regras de convívio, maneiras de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo. Para ele, o fato social deve ser considerado como uma coisa, quer dizer, como um objeto de estudo.
· É exterior aos indivíduos, observável e descritível – É exterior, pois não está na cabeça das pessoas, não depende única e exclusivamente da vontade, relaciona-se com o comportamento na frente do outro. Essas regras estabelecem a ordem.
· Constrange a ação das pessoas – Quando reconhecemos uma regra, podemos não respeitar a regra e se submeter às consequências ou se submeter à regra, se orientando por esse constrangimento.
· Caráter Geral – é geral, repete-se na maioria dos indivíduos.
· Utilizável para fins práticos – As pessoas podem utilizar a regra a seu favor. Beneficia o indivíduo pelo cumprimento da regra. Ex.: o advogado tem que tratar bem o serventuário, senão o processo não anda, isso tem a ver com reconhecer a regra que é social, exterior ao indivíduo, observável ao indivíduo e utilizável para fins práticos. Isso tem a ver com a forma que a sociedade acontece. 
A Ambiguidade do Fato Social – O fato social constrange a ação do indivíduo e ao mesmo tempo é uma fonte para a ação do indivíduo.
· O Social Cuida do Social – Durkheim busca construir a filosofia diferentemente das demais ciências. Sociologia deve ser constituída a partir de suas próprias explicações, não devemos utilizar outras disciplinas para explicar a sociologia. As relações sociais têm causas que também são sociais. 
· Instituições – Ditam a maneira de se comportar em determinados lugares. Suas regras fazem a sociologia. Exercem efeito moralizador ao estabelecerem sanções pelo descumprimento do fato social.
· Solidariedade – Laços que ligam os indivíduos
· Mecânica laços mais fortes, cada pessoa tem função específica e importância na sociedade. PENAL/PUNITIVO quando o indivíduo desfaz a ordem.
· Orgânica laços não tão fortes, referentes a valores privados. CIVIL/RESTITUTIVO, a punição pela quebra da ordem não é tão absurda.
· Anomia – Estado de falta de objetivos e perda de identidade provocado pelas transformações do mundo. É a perda de sentido das regras sociais que mantem os indivíduos ligados. Necessária uma reeducação das novas regras.
· Consciência Coletiva – Forma moral vigente na sociedade. Define o que é considerado “imoral”, “reprovável” ou “criminoso”. A consciência coletiva é o que vai expressar os valores que são comuns sobre o direito, sobre as instituições etc. O direito é diferente em cada país, já que as representações sobre justiça são diferentes.
· Direito – Para o autor, a regra jurídica explicita uma regra moral. Então, o direito será um reflexo das regras morais. Então, quanto mais complexo o direito, mais complexa a sociedade. Essa complexidade do direito tem a ver com o tipo de sanção que o direito utiliza. Nas sociedades primitivas, como as regras morais estão relacionadas aos valores comuns, se tem uma sociedade que não é complexa, logo, o direito não é complexo, porque o direito vai explicitar tão somente essas regras repressivas.
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Palavras Chave 
· Burocracia. 
· Tipo Ideal. 
· Racionalização. 
· Secularização. 
· Dominação. 
· Ação Social. 
· Explicação/Interpretação das ações.
	· Sociologia Compreensiva – Weber diferencia-se de Durkheim que estava preocupado em explicar as causas sociais e de Marx de explicar as causas econômicas dos fenômenos sociais. 
· Preocupa-se menos com as causas e mais com a produção de uma compreensão/explicação desses fenômenos e seus sentidos – Ele entendia que a sociedade tinha que ser interpretada por meio de pontos de vista e não existia lei (social ou térrea), tal qual nas ciências naturais, que determinava as condutas sociais. 
Essa compreensão necessariamente é uma interpretação dos cursos de ação para poder explicar o sentido das ações das pessoas (racionalidade)
· Ação Social – O comportamento só é ação social quando o ator atribui a sua conduta um significado ou sentido próprio, e esse sentido se relaciona com o comportamento de outras pessoas. Pode ter 4 tipos: 
· Racional aos fins – ideia de meios e fins
· Racional em valores – A compreensão da pessoa se dá pelo entendimento dos valores em que ela acredita
· Afetiva
· Tradicional/ritualística
Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem social tenha que se opor e se distinguir dos indivíduos como uma realidade exterior a eles. Weber entende que as normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação. Weber se preocupa em entender a ação das pessoas. Quanto mais entendemos, mais racionais são as ações.
· Tipos Ideais – Na visão de Weber, a função do sociólogo é compreender o sentido das ações sociais, e fazê-lo é encontrar os nexos causais que as determinam. Assim, o objeto da Sociologia é uma realidade infinita e para analisá-la é preciso construir tipos ideais, que não existem de fato, mas que norteiam a referida análise.
Os tipos ideais servem como modelos abstratos do que é cada uma das coisas, ferramentas intelectuais criadas para compreender a realidade e comparar situações
· Racionalização – É o porquê de alguma coisa, deve ter lógica. Processo de racionalização tem a ver com como orientar a tomada de decisão
Como ele é um sociólogo da racionalização, o que vai permitir racionalizar ação social é o direito. No estado moderno, o que racionaliza a ação das pessoas é o direito.
· Burocracia – Estrutura burocrática que orienta o funcionamento do Estado. Não tem conotação negativa. Marcada pela IMPESSOALIDADE. 
Ela se estrutura por hierarquia, aferição por diplomas, recrutamento por concurso, aplicação de regras impessoais e abstratas. 
· Secularização – A ação social volta-se para os fins, desgarrada de valores.
De acordo com esse conceito as pessoas passam a explicar os fenômenos sociais de forma mundana, porque deixa de ser voltadas para valores de outro mundo e passa a ser voltada para fins.
Secularização é a racionalizaçãoe a ideologia de uma sociedade são decorrências da economia. Para Marx as decisões nas diversas atividades decorrem daquilo que a economia determina. 
Para ele, por mais que acreditassem que determinada decisão fora tomada com base na religião ou ideologia, por exemplo, ela era tomada com base na economia. As pessoas não seriam livres para ter ideia, ter fé etc. Todas as atividades decorreriam da economia.
Em sua época, Marx observou que a burguesia já possuía uma dominação instaurada na economia, mas que não estava instaurada na superestrutura. Por tal razão, as relações foram aos poucos sendo modificadas de forma a corresponder à infraestrutura. A nova classe dominante na economia mudou a política, a ideologia, a religião e o direito.
Um exemplo dessa visão apresentada por Marx é a religião protestante. Marx achava que a aceleração do capitalismo (economia) permitiu o desenvolvimento do protestantismo (religião), ao contrário de Weber, por exemplo, que achava que a moral protestante foi fundamental para aceleração do capitalismo e não o contrário.
Em relação ao direito, que representa forma de legitimação e estabilização das relações, a burguesia o trouxe como um direito visto como fenômeno natural, o que contribuiu para a escalada da burguesia ao poder. Todavia, o direito, vindo da natureza (tal como permitiu que a burguesia toma-se o poder) e não do estado, poderia ser usado contra a burguesia em momento futuro, por um novo grupo. Por isso, a burguesia buscou instaurar novo pensamento jurídico, o positivismo, trazendo-se o direito para o Estado, como forma de perpetuar a legitimação e estabilidade da classe burguesa (dominante da economia) no poder.
Marx e A crítica da filosofia – Marx contrariava a filosofia alemã ao afirmar que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.
Marx dizia que não era mudando as ideias que mudaríamos o mundo, mas são as formas concretas que estamos inseridos na sociedade é que determinam a forma como compreenderemos o mundo. A nossa percepção se desenvolve a partir da maneira como estou inserido nas relações sociais. Por isso que Marx dizia que a vida é que determina as ideias, criticando a filosofia alemã (ideologia alemã).
Por isso é que para Marx a intervenção tem que ser nas condições de vida, porque se transformarmos as condições de vida poderemos transformar as formas como as pessoas conhecem o mundo.
Para Marx, o individuo tem que superar as condições em que ele vive, e ele supera conhecendo a infraestrutura da sociedade. Então, para Marx, o proletariado deveria tomar consciência da sua situação. Ele tomaria consciência conhecendo a estrutura da sociedade.
Aplicação da Visão de Marx no Cenário Jurídico Atual – É o argumento da determinação dos fenômenos jurídicos pela economia. O direito é forma de legitimação e estabilização das relações, mas essa legitimação e estabilização, contudo, ocorre em prol do que a economia determina. Os fenômenos jurídicos, em última análise, sempre decorrem, também, de um fundo econômico. 
Ou seja, para Marx, o direito visa garantir que a burguesia acumule propriedade. O direito reproduz como a burguesia (classe dominante) pretende manter e acumular a própria propriedade. Evidentemente, o proletariado reproduz essa ideologia.
EX: Lei anticorrupção, apesar de aparentemente reprimir a corrupção e aqueles que têm dinheiro, ela na verdade garante uma reserva de mercado aos que realmente possuem dinheiro. Não é mais qualquer um que poderá ser corrupto, mas apenas a pequena parcela mais sofisticada. EX2: Redução da maioridade penal. A maioria dos menores que são público alvo são os marginalizados. Isso torna ainda mais complicado realizar o tráfico, e faz com que menos consigam fazê-lo e torne-se mais rentável aos que o fazem. EX3: Casamento homoafetivo. Vedava-se o casamento homoafetivo, porque o sentido do casamento são os arranjos patrimoniais e a perpetuação dos empreendimentos para fora da vida natural de seus donos e não propriamente pela relação entre dois do mesmo sexo. Todavia, com a criação da figura da empresa, flexibilizou-se a perpetuação do patrimônio e, por tal razão, deixou de ser um instituto relevante para a economia. Assim sendo, tornou-se mais aceitável tal união.
ALEXIS DE TOCQUEVILLE
Atuante em meados do século XIX, mesma época do Marx (nasceu em 1805, Marx em 1818). Era um aristocrata que sabia que o tempo da aristocracia estava acabando. Como quase todo pensador do seu tempo, era ativista político. Foi deputado e senador, e era também senhor de terras, com escravos, na Argélia.
A importância de Aléxis de Tocqueville é que ele produz uma reflexão institucional sobre a França e o EUA do Séc. XIX.
Uma de suas inquietudes era pensar que a França era um país que cumpriu o sonho de Maquiavel, que montou um exército de analfabetos destreinados e dominou meio mundo, espalhando os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, mas se mantinha dependente da aristocracia. Ou seja, não havia renovação das formas de governo. Não havia de fato a liberdade, igualdade e fraternidade, mas tão somente a perpetuação da aristocracia.
Mais ou menos 5 anos antes da revolução francesa, nos EUA já estavam acontecendo diversas mudanças políticas. Assim sendo, ele entendeu que era necessário ir para os EUA estudar a democracia. Escreveu, então, “A Democracia na América”.
· IGUALDADE FRANÇA X EUA – Em sua viagem Tocqueville percebeu que, diferentemente da França, não havia aristocracia. Havia mais igualdade, pois havia outras formas de dominação que não o sangue (aristocracia). O desenvolvimento da igualdade nos EUA, para esse autor, foi favorecido porque lá nunca teve a figura de um rei. Tocqueville não está muito preocupado com as leis sociais, mas sim com a institucionalidade dos EUA e da França.
Na França, eles precisaram derrubar o rei e impor a igualdade. Então as pessoas não se viam como iguais, assim o Estado deve ensinar que as pessoas são iguais. Mas no EUA é diferente, pois as pessoas se percebem como iguais. Então as instituições são construídas a partir dessa concepção da igualdade. Então não é o Estado que tem que ensinar as pessoas que elas são iguais.
Apesar de não ter aristocracia, havia um grupo de pessoas que se parecia muito com a aristocracia, os magistrados. Em seu livro ele possui um capítulo dedicado ao Poder Judiciário nos EUA. Tocqueville tentou descrever qual era o status deontológico da magistratura americana. 
· JUDICIÁRIO FRANÇA X EUA – As características distintivas do judiciário eram as mesmas que na França – Apesar de possuir as mesmas características da França, Tocqueville concluiu que nos EUA o poder judiciário era a maior força política sem partido. Como tendo as mesmas características, na França poderia ser um grupo sem influência e nos EUA um grupo colossal de imensa influencia?
· Poder de resolução de conflitos – Tal como na França juiz não faz lei ou gerencia política pública, mas tão somente resolve casos concretos. 
· Efeitos Inter Partes das decisões – Era outro fator que limitava o poder do judiciário. 
· Inércia – O fato de a magistratura só poder agir quando provocada amordaça a magistratura e apequena a instituição.
Nos dois países o projeto da instituição é ser um poder muito menor que os demais. Um poder que decide apenas entre as partes e quando provocado. O que fez com que nos EUA o judiciário passasse a ter imensa força é a análise de constitucionalidade e a força moral das decisões.
O Tocqueville conheceu um judiciário em que os juízes poderiam deixar de aplicar uma lei se a considerassem inconstitucional. Na cabeça do Frances não pode haver uma lei inconstitucional. A análise da constitucionalidade das leis no caso concreto não é suficiente, por si só, para que o poder judiciário ganhe tamanha força. Segundo Tocqueville o poder político dos juízes está no fato de que ele não arranha a política pública ou a lei, mas retira delas toda a força moral.
É uma cultura onde o direito atende aos interesses imediatos das pessoas. Ele disse, portanto, queda vida social, e o direito faz parte disso, com a transição do jusnaturalismo para o juspositivsimo. As regras passam a ser públicas e explícitas. As pessoas não se orientam mais por valores ou questões extramundanas, mas sim porque existe um regra explicita que orienta a atuação das pessoas.
· Dominação – Dominação é poder legítimo sobre os outros Constitui-se na probabilidade de um indivíduo ter suas ordens obedecidas. É a oportunidade de encontrar uma pessoa determinada pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado. 
Legítima, pois é poder reconhecido ao qual todas as pessoas se submetem voluntariamente.
· Legal
Característica do estado moderno – Vão se orientar pela dominação racional legal. Para Weber o direito é mediador das relações sociais. É um direito estabelecido por um pacto (leis). As regras são impessoais e abstratas.
· Tradicional
· Carismática
· Burocrática Administrativa – A dominação legal impõe regras e orientações, que se tornam burocráticas. Dá-se pelo conhecimento que o indivíduo possui da própria atividade pública.
Weber diz que a dominação legal se torna uma dominação burocrática que se funda em saber.
Para Weber a forma de dominação racional legal depende da burocracia para ser exercida. Ele dizia que as regras de funcionamento devem ser cada vez mais especificas. Ele então traz a ideia da dominação burocrática. Ela tem a ver com o domínio das regras sobre os setores.
As pessoas vão reconhecer a dominação porque em determinado setor, apenas as pessoas que ali trabalham dominam o conjunto de regras para o funcionamento daquele setor. 
· Comparação com Durkheim
· Direito – Para Durkheim, o direito é um reflexo da moral, das regras sociais. Para Weber, o direito é uma racionalização das regras sociais. 
· Objeto de Estudo – Durkheim dirá que a Sociologia deve estudar os fatos sociais, que precisam ser: gerais, exteriores e coercitivos, além de objetivos, para esta ser chamada corretamente de “ciência”. Enquanto que Weber optará pelo estudo da ação social que, como descrita acima, é dividida em tipologias. 
Ademais, diferentemente de Durkheim, Weber não se apoia nas ciências naturais a fim de construir seus métodos de análises e nem mesmo acredita ser possível encontrar leis gerais que expliquem a totalidade do mundo social.
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Palavras Chave 
· Campo.
· Capital jurídico.
· Reconversão de Capital. 
· Conflito no Campo.
· Dominante e Dominado
	· Campo Social – Alusão ao campo de batalha. Cada pessoa se enquadra em determinada posição num campo social (EX: jurídico, político, social). O que estrutura a sociedade em campos são as disputas.
O campo social é um campo de batalha, é um espaço de relações sociais que disputam o capital. Para ascender no campo social haverá disputa e, para prevalecer nessa disputa, os indivíduos vão reproduzir algumas das posições já estabelecidas, o habitus.
· Violência simbólica – A violência simbólica se baseia na fabricação de crenças no processo de socialização, que induzem o indivíduo a se enxergar e a avaliar o mundo de acordo com critérios e padrões definidos por alguém. Trata-se da construção de crenças coletivas e faz parte do discurso dominante.
Diferente da violência física, a violência simbólica não é sentido por quem a sofre e também não é sentida por quem a exerce. É manifestação do discurso dominante através do reconhecimento da legitimidade deste discurso.
· Capital Simbólico – É o que determinará se a pessoa é dominante ou dominado. Quanto mais capital simbólico, maior será a posição da pessoa em seu campo social. EX: capital simbólico do campo jurídico é o PODER + SABER. Direito de dizer o Direito.
· Dominante x Dominado – Quem é dominante é elite num campo social, já o dominado é aquele visto como inferiror. Há autonomia entre as posições simbólicas das pessoas dentro de cada campo. Pode ser pica no campo político e um merda no campo artístico.
· Reconversão – Ocorre quando a pessoa se utiliza do seu capital para ocupar nova posição, seja num mesmo campo seja em campo diverso. Essa reconversão do capital não implica em mudança permanente de campo social.
“As relações sociais são determinadas por relações de poder e a manutenção de poder é a tônica da organização social. O que muda são as formas, não o conteúdo da sociedade”. 
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Palavras Chave 
· Jurisdicionalização.
· Protagonismo do PJ.
· Crise do Welfare.
	· Crise do Welfare – No Brasil o Welfare State (predominante na Era do Ouro de Eric Hobsbaum – PE como responsável por administrar recursos de modo a compartilhar bens sociais) não foi muito presente. Todas as promessas feitas não foram integralmente cumpridas.
O trabalho inacabado do executivo em distribuir bens sociais gera a sobrecarga do PJ atualmente.
· Judicialização – Consiste num desequilíbrio entre os poderes, com sobrecarga do PJ. O Judiciário passa a atuar em áreas que não atuava, visando suprir o vácuo deixado pelos outros poderes, resolvendo questões políticas e sociais e ocupando espaço de criação e execução de leis, coisas que ele não foi criado ou tem legitimidade para fazer.
Por um lado o Welfare vem sendo degelado e o Poder Executivo falhou quando foi chamado a ser o protagonista da república (contexto histórico). Por outro, a nova ordem jurídica ainda é permissiva e permeável a empurrar um programa político implícito para frente (fazer o que o tocqueville previu). E, ainda, há o empoderamento da magistratura ao investir no aumento do número de juízes, infra estrutura etc.
Retira-se da família e do Estado e coloca-se na mão do advogado/juiz a capacidade de administrar certos conflitos. Judicialização não se refere propriamente a poder judiciário somente, mas a todo o sistema de justiça que absorve conflitos sociais que antes não absorvia.
· Protagonismo do Judiciário – Magistrado como integrante da Democracia e República. O juiz como ator ativo na distribuição de bens sociais prometidos e nunca cumpridos no Welfare. 
No nosso modelo político, o PJ vai assumindo progressivamente funções que não eram atribuídas a ele e isso que vai gerar o protagonismo judicial e o desequilíbrio dos poderes da República.
· Déficit Democrático – Crítica feita por alguns sociólogos acerca da judicialização, pois os juízes, não eleitos, passam a decidir sobre questões relativas ao campo de distribuição de bens sociais, que em tese seriam atinentes ao processo democrático legislativo, para as quais há pessoas eleitas pela sociedade para agir.
Werneck reconhece que a busca da população de judicializar as questões é fruto de uma democracia que não está funcionando bem. Porque tudo isso seria a demonstração da incapacidade do Executivo e Legislativo de fornecerem respostas efetivas a explosão das demandas sociais por justiça.
NO ENTANTO, Werneck é apreciado pelos magistrados, pois é um otimista. Ele diz que democracia não é só representação, mas também participação. Para Werneck esse processo pode integrar as pessoas mais necessitadas e que não foram beneficias pelo Welfare e representa um movimento de credenciamento à cidadania. Filia-se a Tocqueville nesse ponto. Ser cidadão é a obtenção dos efeitos imediatos. 
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Palavras Chave 
· Direito das minorias.
· Pluralismo Jurídico.
· Multiculturalismo x Universalismo
	· Pluralismo Jurídico – Admite diferentes formas de resolução de conflitos proveniente de normas que não necessariamente são criadas pelo seu próprio Estado. Reconhecimento de uma identidade é uma forma de demonstrar o tratamento diferenciado dado pelo Estado.
O Estado não é o único regulador da vida social – Construção de identidades legais.
O pluralismo jurídico se opõe ao monismo – A ideia do positivismo jurídico está ligada ao monismo de Kelsen. O positivismo diz que existem normas que são reconhecidas pelo Estado. Só o Estado diz quais são as normas. Não há outra fonte de normas. No pluralismo, são grupos de diferentes comunidades que vão dizer quais são as normas. Então, o pluralismo vai se opor a ideia de monismo. 
Quando fala-se deregras quer saber sobre a validade das regras de acordo com o ordenamento. Essa questão da validade só faz sentido se ela for testada com o próprio ordenamento do qual faz parte. Quando há mais de um ordenamento não é possível falar de validade de um ordenamento em relação ao outro. A não ser que se relacionem de alguma forma.
Todavia, há sistema de validades concomitantes, como por exemplo os esportes e suas regras.
· Multiculturalismo – Há a permissão do reconhecimento de direitos especiais, permitindo o tratamento desigual. Permite a afirmação da identidade cultural em espaços públicos.
Estado reconhece as diferentes identidades e atribui direitos especiais. 
É a afirmação do direito à diferença e do direito das minorias.
· Universalismo – O universalismo é aplicação de uma norma do Estado para todo mundo. O Estado somente reconhece o que ele pode oferecer a todos os cidadãos e não reconhece direitos diferentes.
A lei tem que ser igual para todo mundo e o Estado tem que tratar igualmente todas as pessoas.
	Universalismo - Modelo Francês 
	Multiculturalismo – Modelo canadense
	Assimilação: supressão do particular na esfera política
	Diversidade: afirmação política das particularidades
	Direito à indiferença
	Direito à diferença
	Oposição entre identidade privada e identidade pública
	Afirmação pública das identidades privadas
	Igualdade Formal
	Igualdade Material
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Palavras Chave 
· Reforma do PJ.
· Celeridade. 
· Acesso à Justiça.
	· Crise do Estado + Reforma do Judiciário – Essa crise tem um fundo econômico, pois o Estado Social custa caro para ser financiado. Todas as reformas que se deram após a CRFB foram tendentes a diminuir a atuação do Estado nos setores sociais.
A virada neoliberal vai pautar toda a reforma do Estado – É a ideia de que o Estado deve ter intervenção mínima na vida das pessoas, pois o Estado tem um limite de gastos. Assim sendo, a reforma do Estado tem escopo de garantir a ideia de eficiência e racionalização econômica, que tem a ver com o custo das coisas. O PJ não escapa disso.
A justiça hoje serve, portanto, para tutelar ou proteger as massas contra abusos aos direitos e garantias fundamentais feitos pelo Estado ou pelo particulares. A reestruturação do judiciário ocorre com a fragmentação dos estatutos jurídicos, a justiça de massa e a garantia de direitos por meio de meios alternativos de resolução de conflitos. 
· Reforma do Judiciário – Essa reforma foi puramente técnica (feita por juristas e intervindo somente em aspectos técnicos), Os juristas não queriam que o CNJ fosse um controle externo, por isso, eles fizeram uma reforma inteiramente técnica. 
Essas reformas foram orientadas pela eficiência e pela celeridade – as pessoas queriam evitar que os processos subam para os Tribunais Superiores e diminuir o tempo do processo.
Temos, então, os Juizados Especiais, a súmula vinculante, a repercussão geral.
Criação do CNJ com objetivo de controlar as políticas públicas judiciárias (gestão dos recursos financeiros e humanos) e o juiz passou a ser gestor do procedimento todo. Isso acaba gerando desigualdade.
· Celeridade – A reforma pensou em celeridade e eficiência pela racionalidade econômica. Há um comprometimento com estatísticas. A celeridade se constitui como paradigma para a justiça.
Sadek vai dizer que o problema crônico da nossa justiça é de ineficácia, por isso, as reformas buscaram diminuir o tempo do processo. 
Temos os juizados especiais e hoje temos o CNJ que promovem os mutirões, as conciliações e a arbitragem. Como hoje temos o CNJ controlando a atividade do juiz, metas impostas ao PJ, a discussão é quanto ao tempo do processo.
Hoje a quantidade de juizados no BR que colocam para trabalhar juízes leigos que por sua vez tem estagiários de direito. Todas as pessoas que trabalham no PJ estão orientadas pela percepção de que o trabalho do PJ tem que ser rápido. Nesse contexto inserem-se a conciliação, arbitragem, mediação.
· Acesso à Justiça – O Judiciário passa a ser visto como um poder que dá acesso aos direitos do cidadão. Ondas de acesso à justiça (Capelletti). No Brasil as 3 ondas vieram no mesmo momento.
· Assistência judiciária gratuita;
· Representação dos interesses difusos.
· Reforma interna do processo em busca da efetividade da tutela jurisdicional
OBS: Capelletti quando pensa em acesso a justiça pensa fora do PJ e não acesso dentro do PJ. No BR, foi exatamente o contrário, pensou-se em acesso a justiça dentro do PJ.
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Palavras Chave 
· Profissionalização
· Limites da identidade profissional.
· Heterogeneidade
	· Identidade profissional – Vai se construir ou em relação à neutralidade técnico jurídico ou em relação a um profissionalismo cívico. A identidade profissional liga o fazer profissional e como os profissionais querem ser vistos pela sociedade. Profissionalização da magistratura
· Neutralidade x Profissionalismo Cívico – Bonelli desenvolve dois tipos ideais para explicar as tensões na magistratura. (i) o mais formal que se pauta na neutralidade técnica, é inerte e aplica a lei e que acreditando que não tem nenhum papel social a desempenhar, (ii) e o que acredita ter um papel social a cumprir, pautando-se no profissionalismo cívico.
· Feminização e Rejuvenescimento – A presença cada vez maior das mulheres nas carreiras jurídica tem relevância para o estudo social dessa profissão, que ainda tenta lidar com a intromissão das mulheres em áreas antes predominantemente masculinas. Há também cada vez mais jovens no universo jurídico.
A consequência da feminização e do rejuvenescimento dos magistrados é a heterogeneidade ideológica dos profissionais do direito. Hoje a magistratura é muito mais plural do que ela era.
· Heterogeneidade – A magistratura se torna um retrato mais fiel da sociedade, em oposição ao momento no qual nasceu.
· Competição Profissional
· Intraprofissional – Há disputa por recursos e por outras coisas entre profissionais da mesma carreira.
Segmentos divididos por gênero, etnia e gerações (heterogeneidade). Quando falam para fora falam como grupo homogêneo, mas dentro da carreira há diversas segmentações.
· Interprofissional – Disputas entre profissionais de carreiras diferentes. Ocorre, em geral, entre profissões próximas. EX: Juiz com escrivão.
Hierarquização – EX: Delegado com promotor; promotor com magistrado; magistrado com o legislativo.
OBS: Profissionais do direito culpam o legislativo, uniformemente.
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Palavras Chave 
· Busca da verdade.
· Igualdade e a estrutura da sociedade.
	· Produção da Verdade Judicial
· Inquisitorial – O Estado controla a produção de provas. Há dissenso entre as partes, fala-se em contraditório. Aqui cada um alega uma coisa e deve ser provada no bojo do processo.
Inquisitorialidade Brasileira – A inquisitorialidade brasileira é baseada no segredo, pois caso o procedimento fosse público a desigualdade, que não pode existir, seria explicitada.
Mais do que inquisitorial, a nossa inquisitorialidade não é a inquisitorialidade francesa. É a inquisitorialidade portuguesa. Ela se difere da francesa, pois na França há um juiz que faz a instrução e a prova e passa para outro juiz. O primeiro juiz não produz as provas em segredo, mesmo na fase da instrução há a publicização. Já em Portugal, as provas são produzidas em segredo e o julgamento também é em segredo.
Kant explica que a diferença de tratamento é o que alimenta a inquisitorialidade. Em razão da sociedade ser desigual e existir o tratamento desigual, se justifica a inquisitorialidade para que ninguém saiba que há tal tratamento diferente.
Lógica do Contraditório – É a maneira como o saber jurídico se forma em prol do dissenso infinito (sempre terá argumento para todos os lados), para ter uma tese vencedora acatada pelo juiz. Quando está inserido no contraditório está entre correntes doutrinárias e posições, muitas vezes, divergentes. A tarefa de um advogado é apresentar soluções e não em buscar o consenso.
Na lógica do contraditório as pessoas não querem ouvirumas as outras. O Estado puxa uma conciliação, mas não fornece propriamente a capacidade de ser feito acordo. A conciliação se apropria da lógica do contraditório.
OBS: Para Kant o direito não é uma ciência prática do dia a dia. É um saber baseado na lógica do contraditório. EX: Tal como o paciente não sabe a ciência na cabeça do médico. Apenas recebe o remédio.
· Acusatorial – Não há controle sobre a produção das provas. Baseia-se no consenso, num acordo entre as partes que pode, inclusive, suprir um processo.
No sistema acusatorial, o modo de produção de verdade pressupõe que a verdade só pode ser produzida publicamente e que vai ter um arbitro para decidir qual o valor daquilo que está sendo produzido.
· Igualdade
· Piramidal – Há faixas ocupadas por determinados tipos de pessoas que têm direitos diferentes, são tratados normativamente de formas distintas. O sonho de todo mundo é chegar ao topo da pirâmide.
Direito – Reforça desigualdades. Normas são aplicadas de forma diferente conforme os estamentos. O valor principal na pirâmide não é a igualdade, a aplicação será sempre de cima para baixo, quem detém o conhecimento aplicará isso em relação a quem não detém o conhecimento.
O caso brasileiro é particular – Há tratamento diferenciado não com base na riqueza, mas sim em quem a pessoa é (nos seus contatos/status). Nossa desigualdade é baseada na distinção entre pessoa e indivíduo. Indivíduo é mais um qualquer, enquanto que pessoa é um indivíduo com diferencial no caso concreto.
Há o discurso de Igualdade e prática de desigualdade. As instituições aplicam regras de formas particularizadas (olha-se para o caso e aplicam-se as regras). A lei é feita para os indivíduos, mas é aplicada a pessoas.
Kant diz que não há igualdade formal no Brasil em razão das inúmeras diferenciações, inclusive no ramo jurídico. EX: Foro por prerrogativa de função e Procedimentos diferenciados.
· Paralelepipedal – Pessoas no mesmo plano e se encaixam. É a forma sobre a qual se estrutura a sociedade norte americana. Cada paralelepípedo representa uma comunidade (de cada ente federativo) e todos são tratados da mesma forma de acordo com as leis daquela comunidade específica, não importante se você é um fodão ou um qualquer. 
Direito – Proteção dos indivíduos. EX: O júri nos EUA não é obrigatório. Há o plea bargain (negociação entre o defensor e o promotor). Nos EUA, o júri é um direito. Caso não aceite o plea bargain ele tem o direito de ir a júri e ser julgado pelos seus pares. 
No Brasil o júri é obrigatório. É o estado que decide quando o réu irá ou não a júri. Portanto, não é direito do réu.
APLICAÇÕES EM CASOS CONCRETOS
Identificar os temas de discussão.
Associar os temas aos conceitos.
Associar o conceito a algumas ideias.
· EFICIÊNCIA DO JUDICIÁRIO
Werneck. Jurisdicionalização. O PE não tem cumprido as suas funções, mas problemas chegam ao PJ. 
Maria Teresa Sadek. O paradigma da justiça brasileira hoje é a celeridade. O número de assistentes, de estagiários, de juízes leigos. Eficiência tem a ver com o custo do processo. A eficiência passa para dentro do PJ em termos de estatísticas – quantos processos entram e quantos saem. É a questão da meta. A eficiência é sempre medida por números. A eficiência aqui é da racionalidade econômica. Mede-se o trabalho do PJ por número.
Weber. Como se caracteriza o juiz moderno? A forma de racionalização da atividade. O juiz moderno não está preocupado em fazer justiça, mas em produzir. A produção dele se mede por sentença, acordo. O juiz moderno é o juiz que faz alguma coisa. Ele entende o direito como forma de racionalização da vida social. As instituições em geral racionalizam a vida social. A instituição judiciária hoje é racionalizada. O PJ hoje é voltado para fins que é cumprir metas. O que significa o controle por números? Antes da reforma, existia apenas uma avaliação política do trabalho do juiz. O juiz moderno é aquele que tem estatísticas no bolso. O trabalho dele está voltado para fins. Houve uma secularização da atividade judicial, porque a atividade passou a ser voltada para ela mesma. Uma das maiores revoluções no PJ foi o carimbo que é igual para todo mundo. O carimbo e os modelos facilitam o trabalho do PJ. É uma forma de racionalização do trabalho judiciário. 
Os tipos ideais de Weber traz o novo tipo de juiz – é o chamado juiz empreendedor. É o juiz que quer ascender na carreira, que quer ganhar visibilidade.
Bourdieu. Teoria dos campos. Qual o campo social? O campo tem a ver com o conflito. O conflito é dentro do campo jurídico entre o juiz antigo e o juiz moderno. O conflito é dentro dos campos. A reconversão de capital é quando sai de um campo e vai para outro. A acumulação de capital se dá dentro de um campo. Tem-se como campos: a mídia, a política e o Judiciário. Esse conflito se dá dentro do PJ. O capital político e midiático apoiam o juiz moderno. Qual é o capital que eles acumulam? É o capital jurídico que serve para dizer o direito. Serve para dizer como o Judiciário vai ser gerido, administrado. O juiz moderno está sendo apoiado por outros campos, por pessoas que tem capital midiático e jurídico. O juiz antigo está perdendo capital e o juiz moderno está acumulando capital. Como se dá o acúmulo de capital dentro do PJ? Com o campo acadêmico. Os juízes antigos possuem capital acadêmico. Esses campos são campos sociais. Essas pessoas também tem capital político, midiático. Nessa reportagem, é o juiz antigo que fala.
Durkheim. Houve uma anomia para os juízes velhos que não conseguem mais viver diante das novas regras e dessa forma se aposentam. Essa é uma forma de anomia social. Há uma transformação da divisão de trabalho, por conta da reforma do Estado. Tem que se pensar a estrutura do PJ com esse juiz empreendedor.
Marx. A infraestrutura influenciando a superestrutura, gerando mudanças no PJ. A reforma do Estado saindo do Estado do bem estar social e indo para o Estado neoliberal, pautado pelo paradigma da eficiência.
Tocqueville. Um conceito fundamental para Tocqueville é o conceito de igualdade. Na França, essa igualdade não existe, as pessoas não veem as outras como iguais. Ele vê uma França com a aristocracia que tinha um estatuto jurídico diferente. Nos EUA, todo mundo se vê como igual. O direito vai emanar da vontade das pessoas. Logo, o juiz não pode fazer algo diferente da expectativa das pessoas, porque o juiz é igual às demais pessoas, prestando contas do seu trabalho. É diferente da França em que se têm pessoas com estatutos jurídicos diferentes e o Estado que regula a sociedade civil. Como as pessoas se vêm como iguais, o Estado é constituído por elas. No BR, temos o Estado e a sociedade civil. Ele diz que o Judiciário francês vem de cima, é o direito do Estado e no judiciário americano vem das pessoas. É possível pensar em Tocqueville em termos de escolha dos desembargadores. Hoje o mérito é quantificável, antes era antiguidade e mérito para promoção dos juízes. Mérito era uma avaliação subjetiva e hoje é objetivo.
· CNJ VOTARÁ COTAS PARA ÍNDIOS E NEGROS NO JUDICIÁRIO
Boaventura. Reconhecimento do direito das minorias. 
Sadek. Reforma do PJ. 
Bourdieu. Há uma disputa dentro do campo jurídico.
Werneck Vianna. Aqui não há judicialização, porque aqui não se diz que o problema será decidido pelo PJ. A judicialização quer dizer que os juízes expandem as competências em termos de política judiciária. A advogada procurou o CNJ que é um órgão do PJ. 
Weber. A forma de recrutamento do tipo ideal de burocracia é por mérito e é testado por diplomas. Aqui se afirma que não é por mérito. É outro elemento que vai ser usado como recrutamento.
Marx. Índios. Forma de inclusão no mercado de trabalho.
Bonelli. Isso vai provocar em relação ao Judiciário uma heterogenização da identidade profissional. Corpo de magistrado mais plural.
Tocqueville. Pode falar da legitimidade do PJ. O PJ tem que ter a cara da sociedade. É porque a sociedade reconhece que esta representada na magistratura que se tem a força moral.
Kant de Lima. O nosso direito não trata todo mundoigual, vai estabelecer uma desigualdade formal, dando direitos para um grupo de pessoas.
No BR, apesar de estar escrito que as pessoas são iguais perante a lei, as pessoas não são iguais perante a lei, já que aqui se tem foro privilegiado, prisão especial etc. Existe uma ideologia de que isso vai corrigir a desigualdade substancial.
· NOVO CPC DÁ PODERES AOS JUÍZES E REDUZ DIREITOS DAS PARTES
Werneck. Jurisdicionalização.
Sadek. Reforma do PJ.
Bonelli. Profissionalização. Limites da identidade profissional.
Kant de Lima. Busca da verdade.
Weber. Burocracia.
Tocqueville. Força moral.
Durkheim. Anomia. Estado de mudança de regras. Pode-se provocar um período de incerteza.
Bourdieu. Campo. Quem escreve essa carta tem muito capital jurídico. Aqui há uma disputa sobre qual será a reforma do Código, ele está se posicionando contra esse tipo de reforma. Não é uma interpretação do direito, ele está fazendo uma disputa de como o processo civil tem que ser institucionalizado. No campo jurídico, temos o argumento de autoridade. Ele está usando a mídia para isso.
· INFANTICÍDIO INDÍGENA
O tema é a questão do homicídio. Por que os juristas reconhecem isso como homicídio? Certamente, a índia não terá direito a matar o filho. Na cosmologia indígena, a vida somente começa quando a mãe pega o filho da terra. Antes disso, na cosmologia indígena, não há crime algum, não há qualquer conduta a ser sancionada. Para eles, não há problema algum, se a mãe vai ao mato, tem o filho, se ela não volta com o filho, não há problema algum. O nosso direito vai classificar esses atos como infanticídio.
Boaventura. Há uma contradição no modelo brasileiro que ao adotar o universalismo, aceita criminalizar tais condutas e que ao adotar o multiculturalismo quer reconhecer as tradições das diferentes condutas.
Bourdieu. Essa força do direito de dizer o direito, de nomear as coisas, é do campo jurídico.
Durkheim. Poderia ser aplicado aqui no sentido de que o direito é o reflexo da moralidade. São regras sociais diferentes a do direito do Estado e a do direito dos índios. 
Marx. Luta de Classes. diz que a luta de classes é o motor da história. Só que uma fase da história vai superar a outra. O conflito tem que ser superável. Aqui o conflito é insuperável, porque o direito do Estado vai ver essa conduta de uma maneira, ao passo que os índios vão ver essa conduta de outra maneira.
Weber. Quando os índios admitem essa conduta estão voltados para a tradicionalidade, para valores. No caso do direito, não tem a ver com valores, mas é uma ação para fins. O direito racionaliza. O direito tem a ver com o respeito à lei. Não é porque a gente acredita, mas porque a lei tem que ser cumprida. O direito vai racionalizar as relações sociais, porque as pessoas vão deixar de se relacionar em função dos valores, mas em função da lei. A finalidade é cumprir a lei.
Werneck Vianna diz que quem vai reconhecer o direito é o PJ. 
 
image1.png“o judiciário somente se mete em política por acaso, mas é um acaso que ocorre diariamente. Ninguém pode acusar essa organização de atuar contra o poder legislativo ou executivo”.
Então, o papel do judiciário norte americano é político, de interpretação da constituição e de garantia dos direitos individuais. Já na França, o papel dos juízes é um papel pedagógico da sociedade, mas os juízes franceses não podem interpretar a lei, sob pena de tratarem diferentemente as pessoas.
A ideia central do autor é o poder político do juiz – o poder político do juiz nos EUA é de interpretar para garantir o sentido dos direitos individuais, pois como todos são iguais as pessoas podem estabelecer um sentido de justiça dentro de um universo de pessoas.
Já na França os juizes não detêm poder político, pois o Estado Francês está instituindo o tratamento igualitário. Logo, ele não pode interpretar a lei, porque se ele interpretar a lei ele está produzindo uma (nova) lei, trazendo tratamento desigual. Na França, o juiz é a boca da lei.
· FORÇA MORAL – Seria a eficácia. Seria a força de existir no mundo social. A aplicação prática. O que confere essa força moral é uma cadeia sancionatória que permite que algumas leis/políticas públicas existam de verdade e outras não. Se não estiver calcado numa cultura/estrutura social que possibilitam uma aplicação prática, não haverá efetividade. EX: Não é a lei seca que traz força moral, tampouco a existência de blitz, mas o fato de que tais blitz não podem ser corrompidas e pegam todos os tipos de pessoas. Todavia, nesse mesmo contexto, a existência de redes sociais que tornam possível burlar essas blitz retiram parte da força moral da lei seca.
A força moral se verifica na ponta da cadeia sancionatória. EX: Casamento Homoafetivo. A decisão do STF não valeu de nada, porque os cartórios não precisavam aplicar tal lei. Após pressão social e atuação da corregedoria, os cartórios tiveram que registrar e só passou a ter força moral após o primeiro casamento efetivado.
OBS: A força moral não está muitas vezes na lei, mas, às vezes, em outros aspectos culturais.
EMILE DURKHEIM
É considerado o fundador da sociologia. Autor do séc. XIX. Durkheim viveu em uma sociedade em transformação. Ele via como a sociedade se transformava e a ordem se mantinha. O autor está preocupado em saber como essa ordem acontece e formar uma ciência da moral para explicar isso. Seu trabalho estabeleceu a sociologia na condição de disciplina das ciências sociais.
· OBJETIVOS
· Compreender a Ordem na Sociedade – Para ele a ordem tem a ver com como as pessoas reconhecem o sentido daquilo que estão fazendo. É por isso que ele diz que fazer sociologia é compreender a ordem na sociedade, essa ordem não está explicitada.
A ordem é determinada pela moralidade (regras sociais e seus significados), que, por sua vez, é resultado da sociedade e suas relações.
· Construir a Ciência da Moral – Para o Durkheim era importante que a sociologia se constituísse como uma ciência diferente da psicologia, pois não se preocupava com explicações individuais, mas sim com explicações enquanto fenômenos sociais.
· “O social deve ser explicado pelo social” – Isso significa que a sociologia deve ser constituída a partir de suas próprias explicações, não devemos explicar as relações da vida em sociedade com base na psicologia, na filosofia, no direito. As relações sociais têm causas que também são sociais. EX: não é porque é proibido matar, que ninguém mata. O direito não serve para explicar o comportamento das pessoas. O direito é o lugar da normatividade, serve para produzir soluções jurídicas.
· Considerar o Fato social como Coisas 
· Fato Social – O fato social são as regras de convívio, maneiras de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo. Para ele, o fato social deve ser considerado como uma coisa, quer dizer, como um objeto de estudo. EX: a maneira de se relacionar é estudada em si. 
“O fato moral propriamente dito não consiste no ato conforme a regra, mas na própria regra” (O suicídio). Isso significa que quando descrevemos o fato moral/regra moral, passamos pela descrição da maneira de se relacionar. O fato moral tem a ver com descrever as regras e não descrever os atos que são conformes as regras. 
Ele quer entender a ordem da sociedade para construir a ciência da moral e, para tanto, ele olha os fatos sociais como coisas. A sociedade não se produz na cabeça das pessoas ou é o resultado da soma das nossas vontades. Para o autor, a sociedade é algo sui generes, algo diferente dos indivíduos ou da soma deles.
· É exterior aos indivíduos, observável e descritível – É exterior, pois não está na cabeça das pessoas, não depende única e exclusivamente da vontade, tem a ver com o comportamento na frente do outro (ex.: posso descrever que a regra é que enquanto o professor fala, o aluno ouve, produzindo uma sociologia leiga da relação entre professores e alunos); 
· Ele constrange a ação das pessoas – Quando reconhecemos uma regra, podemos não respeitar a regra e se submeter às consequências ou se submeter à regra, se orientando por esse constrangimento. Ex.: o dilema do aluno que está atrasado, se entrar, recebe bronca, se não entrar, perde conteúdo, porque o professor estabeleceu uma regra. Do ponto de vista sociológico, o aluno reconhecendo essas regras, ele poderia não entrar, ou seja, ele orientou sua ação, em função disso que ele sabia. Portanto, o fato social é observável. Essas regras que são descritivas podem constranger os indivíduos;
· Generalidade – É geral, repete-se na maioria dos indivíduos.
· Utilizável para fins práticos – As pessoas podem utilizar a regra a seu favor. EX.: o advogado tem que tratar bem o serventuário, senão o processo não anda, isso tem a ver com reconhecer a regra que é social, exterior ao indivíduo, observável ao indivíduo e utilizável para fins práticos. Isso tem a ver com a forma que a sociedade acontece. Ex.: todo ano na França tinha que pedir autorização para moradia. A mulher humilhou no primeiro ano. No segundo ano, cedeu o seu lugar na fila. Enfim, foram reconhecidas as regras e usadas às regras a seu favor. A regra foi utilizada a seu favor para finalidades práticas. 
Onde estão os fatos sociais? Na exterioridade do indivíduo. Os fatos sociais se produzem na relação regrada entre os indivíduos. A sociedade se produz enquanto as pessoas vivem em sociedade. 
Relação entre indivíduos 			Fatos Sociais (Regras – Coisas)			Sociedade.
O indivíduo não sofre o fato social – A sociedade produz regras que se mantem por meio de sanções que dizem o que é a moralidade da sociedade. As regras não são estranhas à sociedade. Não é, portanto, sofrer no sentido de punição, porque toda a sociedade, tal como compreendida por Durkheim, está submetida a essas regras morais. Não é porque as regras são exteriores aos indivíduos que não podemos conhecer tais regras e nos colocar diante dessas regras, sendo socialmente aceitas.
Essa ordem é construída o tempo todo por nós. Não é algo determinista, imposto. Essas regras podem ser modificadas no curso das interações. A sociologia busca entender como essa ordem é construída pelos indivíduos. EX: quando o professor entra na sala, todo mundo fica em silêncio. 
O direito é um fato social? Sim. Tem força sobre os indivíduos; é externo aos indivíduos e é geral. Para o autor, o direito expressa a moral dominante. Então, o direito é um reflexo da moral dominante.
· O Direito – Para Durkheim é uma dimensão mais afirmada das regras morais. Através do direito é possível conhecer as regras morais da sociedade. Não existe ruptura entre direito e moral para ele, assim como existe para o positivismo jurídico. O direito de uma sociedade não é diferente de como as pessoas se relacionam cotidianamente. O direito é expressão dessas regras morais.
A Ambiguidade do Fato Social – O fato social constrange a ação do indivíduo e ao mesmo tempo é uma fonte para a ação do indivíduo.
As regras nem sempre serão as mesmas. Vão variar de acordo com a pessoa, sobretudono Brasil, em que se tem uma sociedade bastante hierarquizada. No BR, as pessoas não são tratadas igualmente e isso tem a ver com a concepção que temos em relação às regras morais. Ex.: pessoa de terno não é sancionada toda hora, mas uma pessoa mal vestida pode ser mal tratada, isso tem a ver com a concepção que temos das regras sociais.
Para Durkheim, conhecer a sociedade, é descrever e as regras que geram a ordem.
A ANOMIA
No livro “o suicídio” ele vai desenvolver o conceito de anomia. Diferentemente do que os juristas interpretam como ausência de normas, para ele anomia é o individuo não saber quais regras deve seguir ou respeitar.
Para Durkheim as causas do suicídio são complexas e pode ser entendida a variação das taxas do suicídio em diferentes países da Europa em diferentes períodos da história. Podemos identificar pelo menos três causas sociais do suicídio: 
· SUICÍDIO EGOÍSTA – Quando os indivíduos se suicidam por questões relacionados a desagregação ao seu meio social, quando o indivíduo não se reconhece mais como parte integrante do grupo, quando ele corta todos os seus laços que o ligam a sociedade, ele se suicida. Isso tem a ver com uma questão relacionada a esse indivíduo. EX: sujeito que deixa a carta e diz que se matou, porque a esposa o largou. É quando o indivíduo está integrado de forma fraca ao grupo; 
“O suicídio varia em razão inversa ao grau de integração ao grupo social no qual o individuo faz parte”. No suicídio egoísta, quando o individuo está muito integrado, se suicida menos e quando o individuo está menos integrado, se suicida mais.
· SUICÍDIO ALTRUÍSTA – Ocorre quando o indivíduo que está tão ligado a sociedade que ele obedecendo as regras da sociedade dispõe da sua vida. EX: Kamikaze. Homem bomba que se suicida não porque ele acha que individualmente está defendendo uma causa, ele se suicida, porque acha que faz parte de um grupo e para defender as regras do grupo, se suicida. Ex.: os Kamikazes entravam no avião e depois jogava num navio. Aqui o indivíduo está fortemente integrado ao grupo; 
· SUICÍDIO ANÔMICO – O suicídio anômico não tem a ver com a vida sem regras. A vida é sempre regrada. Os indivíduos, simplesmente, não reconhecem a regra social que deve pautar a sua ação. Portanto, a anomia é o estado de mudança drástica das regras, que faz o indivíduo perder o norte.
É o único suicídio que é o fenômeno social, pois tem uma relação direta com a sociedade que o sujeito vive.
Depois desse período de anomia, segundo Durkheim, o individuo tem que passar por uma reeducação moral que significa aprender a reconhecer novas regras. É preciso aprender novamente o que esperar dos outros.
Desagregação x Agregação Social – Existem determinados momentos de forte desagregação social em que os indivíduos não se suicidam, como, por exemplo, durante a guerra, quando ele identificou baixo índice de suicídio. Enquanto que, em momentos de paz, mas havendo crise econômica (mudança drástica de regras), as pessoas se suicidam mais. Como explicar isso socialmente? 
Nos momentos desagregadores, de transformação da sociedade, os indivíduos buscam ser mais solidários entre si. Como eles vêm uma forte desagregação social, eles buscam se relacionar, se identificar mais com algum grupo e isso gera a integração com o grupo. Isso não significa que o suicídio não aconteça, apenas que a taxa é menor. No entanto, em momentos de paz, mas de crises econômicas, há maior índice de suicídio do que nas guerras, porque vão mudar de status social.
A questão da delinquência juvenil – Como usar Durkheim para entender essa questão? Pode-se usar a questão da anomia, por pensar que a delinquência juvenil, o menor em conflito com a lei, quando eles perdem todos os laços de solidariedade, a sociedade não faz mais sentido para esse indíviduo, quando a família, a escola não faz mais sentido para o menor, quando ele não tem outras formas de relação, é nesse momento que os menores entram em conflito com a lei. Então, quando há uma desagregação social em que nenhum tipo de sanção é mais eficaz, aí entra o Estado com intervenção policial. 
O menor entra num momento de forte desagregação social, é quando as regras sociais não fazem mais sentido para ele. Isso significa que ele não respeita mais nenhuma regra? Não. Há regras que ele utiliza para orientar a sua ação. 
A DIVISÃO DO TRABALHO SOCIAL
No livro “a divisão do trabalho social”, Durkheim vai observar a sociedade moderna, urbana francesa. Ele quer entender a relação que essas pessoas estabelecem na sociedade. Ele vai usar o direito para entender essas relações sociais. Ele diz que o direito não é diferente do que a sociedade acredita, é um reflexo das regras morais, é uma explicitação das regras morais, essas regras já estão na sociedade e o direito apenas explicita.
· A SOLIDARIEDADE MECÂNICA E ORGÂNICA 
Nas sociedades, as pessoas estabelecem laços de solidariedade em razão de suas relações. Nas sociedades complexas, a função das pessoas da sociedade será muito maior que nas sociedades primitivas, porque as pessoas terão laços de solidariedade múltiplos. EX: se eu deixar de pagar a conta do meu celular, isso não terá nenhum reflexo na EMERJ. Nas sociedades complexas, as relações sociais, os laços sociais são múltiplos.
	Mecânica
	Orgânica
	Laços fortes
	Laços fracos 
	Valores comuns
	Valores privados
	Sociedades primitivas
	Sociedades complexas
	Direito penal
	Direito civil
Durkheim diz que isso se reflete no direito. Nas sociedades complexas, o direito também será complexo – Nas sociedades primitivas, qualquer sanção será muito forte, porque ela tem laços fortes de solidariedade, porque ela compartilha valores com pessoas. Quando não há qualquer mediação entre a solidariedade e a sanção nesse tipo de sociedade, ele diz que é uma sanção mecânica. Ele afirma que isso é o direito penal – que vai proteger, vai sancionar mais fortemente as pessoas quando elas descumprem as regras. A solidariedade mecânica tem a ver com os valores fortes, de modo que o direito penal é repressivo, não tendo a ver com a restituição de um status quo ante.
Na sociedade complexa, se estabelece uma solidariedade orgânica, porque as pessoas tem função diferente. Então, o direito que vai regular a sociedade complexa também será complexo. Haverá o direito penal – que é repressivo – e um direito civil – que é restitutivo (ex.: descumpriu o contrato, não vai preso, mas tem sanção). As sanções na sociedade complexa se ligam tanto ao direito penal quanto ao direito civil. 
O direito será tão complexo quanto for a sociedade. Se o direito é um reflexo das regras sociais, quanto mais complexo for a sociedade, mais complexo será o direito. Então, olhando para o direito se consegue identificar como uma sociedade funciona. 
· CONSCIÊNCIA COLETIVA E INDIVIDUAL – Na cabeça do individuo, está a consciência coletiva, onde estão os valores comuns, e a consciência individual. Na sociedade complexa, a consciência individual é maior que a coletiva. A psicologia é que trata da consciência individual. Nas sociedades primitivas, menos evoluídas, temos uma consciência coletiva que é maior que a consciência individual. 
· Consciência Coletiva – Forma moral vigente na sociedade. Define o que é considerado “imoral”, “reprovável” ou “criminoso”. A consciência coletiva é o que vai expressar os valores que são comuns sobre o direito, sobre as instituições etc. O direito é diferente em cada país, já que as representações sobre justiça são diferentes. 
Conjunto de regras fortes estabelecidas que atribuem valor e delimitam os atos individuais. 
· Crime: aquilo que viola a consciência coletiva. Para o autor o crime não é um fenômeno patológico. Ele é um fenômeno normal, porque sempre terá alguém que pensa diferente da consciência coletiva. 
· Sanção: função não de reprimir, mas de satisfazer a consciência comum.
· Direito: expressão da moral (método) – Para Durkheim, o direito é um reflexo da moral. Do ponto de vista do autor, não temos regras morais que sejam diferentes do nosso direito. O direito vai, na verdade,explicitar as regras morais. O direito necessariamente faz parte da consciência coletiva. Ex.: no BR temos proteção ao direito à vida, ao direito de propriedade. Isso fala sobre as regras morais. Para ele, o direito não é diferente da moral e tem a ver com os valores, com as representações, com o que é considerado importante para a sociedade.
· Consciência Individual – Continua existindo, só tem força maior ou menor.
CONCLUSÃO
Durkheim é o autor que trata da questão da ordem e a ordem é estabelecida através das regras morais e as regras morais estão explicitadas no direito. 
Para o autor, a regra jurídica explicita uma regra moral. Então, o direito será um reflexo das regras morais. Então, quanto mais complexo o direito, mais complexa a sociedade. Essa complexidade do direito tem a ver com o tipo de sanção que o direito utiliza. Nas sociedades primitivas, como as regras morais estão relacionadas aos valores comuns, se tem uma sociedade que não é complexa, logo, o direito não é complexo, porque o direito vai explicitar tão somente essas regras repressivas.
MAX WEBER
Marx, Durkheim e Weber são os três pais fundadores da sociologia.
Weber é um sociólogo alemão que viveu o mesmo período que Durkheim. Weber via uma sociedade em transformação, de uma sociedade que era pouco industrializada para uma sociedade muito industrializada, urbanizada, o estado moderno se construindo.
· SOCIOLOGIA COMPREENSIVA – Weber diferencia-se de Durkheim que estava preocupado em explicar as causas sociais e de Marx de explicar as causas econômicas dos fenômenos sociais. 
· Preocupa-se com a produção de uma compreensão/explicação dos fenômenos e seus sentidos – Menor preocupação com as causas. Ele entendia que a sociedade tinha que ser interpretada por meio de pontos de vista e não existia lei (social ou térrea), tal qual nas ciências naturais, que determinava as condutas sociais. 
Não se trata de explicar as leis do mundo social, mas de compreender pela interpretação dos cursos de ação dos indivíduos. Essa compreensão necessariamente é uma interpretação dos cursos de ação para poder explicar o sentido das ações das pessoas (racionalidade)
· Social Pelo Social – Apesar de discordar de Durkheim no que se refere à existência e busca por causas sociais, ele se aproxima desse autor ao adotar a ideia de explicar o social pelo social. Weber não queria recorrer a psicologia. Ele diz que as causas são sempre sociais, produzindo interpretações, compreensões sobre o mundo social.
· TIPOS IDEIAIS – Na visão de Weber, a função do sociólogo é compreender o sentido das ações sociais, e fazê-lo é encontrar os nexos causais que as determinam. Assim, o objeto da Sociologia é uma realidade infinita e para analisá-la é preciso construir tipos ideais, que não existem de fato, mas que norteiam a referida análise.
Os tipos ideais servem como modelos abstratos do que é cada uma das coisas, ferramentas intelectuais criadas para compreender a realidade e comparar situações.
Exemplos
· nas ciências naturais, já temos o sistema de medidas que foram universalizados. Ex.: 10 cm. A régua é um tipo ideal.
· Na ciência política, se trabalha com três tipos políticos: democracia (participação popular e liberdades públicas), regimes autoritários (liberdades públicas limitadas e o uso da força policial não é controlado) e totalitários (uso exagerado das forças do estado, não tem proteção das liberdades públicas, mas tem participação popular). Por meio da comparação, se pode dizer se um regime é democrático, autoritário ou totalitário. Usamos os tipos ideais para medir as coisas. Ex.: Quando falo em democracia, falo em regime ideal, daí quando comparamos com a Síria, entendemos que não é democrático, porque não tem liberdade pública nem participação popular. Na democracia, temos liberdades públicas garantidas, participação popular e uso regulado da força do Estado. Agora podemos comparar. O BR é uma democracia? Sim, porque está de acordo com o tipo ideal. Ex.: Cuba. Tem participação popular? Sim. Não tem uso moderado da força do Estado. Não se tem todas as liberdades públicas. Logo, não é democracia. A Síria é um regime autoritário. Ex.: Alemanha nazista (não tinha liberdade pública, não tem uso moderado, tinha participação popular, logo, não é democracia), Itália fascista, regime ditatorial brasileiro.
· AÇÃO SOCIAL – Para Weber, a Sociologia é uma ciência que procura compreender a ação social. Ação social é um comportamento humano, ou seja, uma atitude interior ou exterior voltada para ação ou abstenção. Esse comportamento só é ação social quando o ator atribui a sua conduta um significado ou sentido próprio, e esse sentido se relaciona com o comportamento de outras pessoas.
Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem social tenha que se opor e se distinguir dos indivíduos como uma realidade exterior a eles, mas que as normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação. 
Para ele a ação difere do comportamento porque nela está contido um sentido dado a ela pelo próprio agente. Cabe a sociologia compreender ou captar este significado. É o sentido da ação que o sociólogo pode entender. E Weber distingue quatro tipos ideias de ação social que orientam as pessoas:
· Ação social racional a fins (meios e fins). É a chamada ação secular – na qual a ação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim.
· Ação social racional em valores – na qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético.
· Ação social afetiva – em que a conduta é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc.
· Ação social de maneira tradicional – que tem como fonte motivadora os costumes ou hábitos arraigados.
Então, para Weber, a ação social pode ter sentidos diferentes, ter racionalidades diferentes. A busca da racionalidade da ação é sempre na perspectiva do outro. O que Weber quer é interpretar as ações dos indivíduos do ponto de vista sociológico. Ex.: doido que matou uma pessoa. A ação do doido é racional, porque se consegue compreender que ele matou, porque é doido. 
Weber diz que produzir sociologia é compreender o que as pessoas estão fazendo. A interpretação é calcada no conhecimento que as pessoas têm sobre a sociedade. Não quer dizer que eles sejam desejáveis. São abstrações conceituais para compreender a realidade. Estes não estão na realidade nem são a realidade.
ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO
Ele quer entender como em sociedades protestantes o capitalismo se desenvolveu mais. Ele vai interpretar que quando a ética protestante se encontra com o espírito do capitalismo, isso vai gerar desenvolvimento do capitalismo. Quando o protestantismo se desenvolve, o capitalismo vai florescer muito mais do que em países católicos. Para entender, desenvolver essa compreensão, ele desenvolve dois tipos ideais: ética protestante e espírito do capitalismo.
Os religiosos têm ações voltadas para valores ou tradições, é uma ação extramundana, não está voltada para esse mundo. 
Mas ele percebe que os podem pecar a semana inteira e pedem perdão no domingo e o perdão do padre garante o perdão na outra vida. Então, a ação dos católicos de ser perdoado não está necessariamente ligada ao cumprimento de todas as regras sociais cotidianamente. Já para os protestantes o sujeito tem que ser perdoado todos os dias e só sabe se é perdoado, através da sua ação. Se ele está trabalhando corretamente e vem a recompensa, está trabalhando corretamente.
Weber percebe que o comerciante protestante que está sempre respeitando as regras sociais, isso permite o desenvolvimento do capitalismo, enquanto nas sociedades católicas, o respeito dos contratos não se liga a uma conduta religiosa, pois o perdão não vem do sucesso e da prosperidade no dia a dia, mas sim do padre. Os protestantes vão respeitar os contratos e trabalhar muito, porque isso para eles será um sinalde prosperidade e esse sinal significa que eles estão sendo perdoados. Esse trabalho contínuo, essa busca pela prosperidade tem reflexo no capitalismo.
Secularização – De acordo com esse conceito as pessoas passam a explicar os fenômenos sociais de forma mundana. A ação do protestante que inicialmente estava voltada para outro mundo com o passar do tempo, essa ação se seculariza, porque deixa de ser voltadas para valores de outro mundo e passa a ser voltada para fins. O protestante também trabalha para buscar o lucro, a finalidade lucrativa. A ação secular é aquela que deixa de ser voltada para valores e passa a ser voltada para fins. Ex.: a ação do homem bomba não é secular.
· No mesmo sentido ele explica o processo de profissionalização da política – Ele diz que existem dois tipos de políticos: aqueles que vivem para a política – não tiram da política o seu sustento, tem outro tipo de profissão e fazem política de forma acessória – e aqueles que vivem da política – tiram da política seu sustento. São tipos ideais. 
Quando passamos “de viver para política” para “da política” é um processo de secularização, porque o que vive “da política” vai se preocupar com todos os aspectos da política, porque quer ganhar as eleições, ao passo que o que vive “para política” tem a preocupação de publicização dos valores.
DA DOMINAÇÃO LEGAL À DIREÇÃO ADMINISTRATIVA BUROCRÁTICA
Weber traz a ideia de dominação legal. Para Weber, o direito não significa o mesmo que significa para Durkheim.
Vem à concepção de Weber de dominação legal. No livro “economia e sociedade”, ele vai falar como as formas de legitimidade do poder passam de dominação legal para a direção administrativa burocrática.
· CONCEITO – O que significa dominação? Dominação é poder legítimo sobre os outros. O conceito de dominação concebido por Weber constitui-se na probabilidade de um indivíduo ter suas ordens obedecidas. É a oportunidade de encontrar uma pessoa determinada pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado. 
Por que a dominação é legítima? Porque ela é aceita. Isto é, aqueles que obedecem, reconhecem as ordens que lhes são dadas.
· TIPOS DE DOMINAÇÃO – Weber identificou três tipos de dominação: a dominação legal, a dominação tradicional e a dominação carismática.
· Dominação legal. Tem a ver com a legalidade das regras. Respeitamos os textos da lei, porque está escrito; A dominação legal tem como característica o fato de estar explicitada em estatutos. A dominação legal vai impor um conjunto de regras impessoais e abstratas. Os indivíduos obedecem e agem em função do poder atribuído pela regra.
O Estado está dividido em repartições públicas. Do ponto de vista ideal, a administração pública é uma atividade voltada para o público, a competência dos agentes públicos está na lei, as regras são impessoais e abstratas, as carreiras públicas estão estabelecidas em hierarquia e existe o recrutamento pelo mérito. O que atesta nosso conhecimento são os diplomas. Essa maneira de organizar o estado depende do respeito a lei, tem a ver com a dominação legal.
· Dominação tradicional. Tem a ver com a tradicionalidade das instituições. Respeitamos o poder da igreja, por conta da santidade das tradições;
· Dominação carismática. Tem a ver com a virtude de uma pessoa, com os atributos pessoas. Respeitamos um líder político, em virtude de seus atributos pessoais. Ex.: quando um líder carismático sai de um partido, o prestígio vai com a pessoa. Isso são tipos ideais de dominação.
No caso brasileiro, o poder que a Dilma exerce é de que tipo? Pode ser legal (ganhou eleições), tradicional (tem que se respeitar o presidente) e carismático. Chaves é mais carismático, respeitou os procedimentos legais, também é tradicional.
A administração burocrática
O desenvolvimento das formas modernas do agrupamento se identifica com o desenvolvimento e o progresso constante da administração burocrática.
Weber diz que nos estados modernos vão se constituir, multiplicando as funções do Estado, construindo-se por meio de repartições, com atividades específicas e conhecimentos próprios. Portanto, é necessário saber as regras adotadas pela repartição e o reconhecimento das funções das instituições, não está pautado no conhecimento da lei tão somente, mas também do conhecimento que as pessoas têm da realidade. Isso é secular, pois relaciona-se com o fim da instituição.
A dominação burocrática tem a ver com o saber dentro da administração pública.
Para Weber, burocracia tem a ver com o conhecimento do funcionamento de repartição. Ex.: o escrevente é que faz o processo andar. 
Weber diz que esse é o caráter secular das instituições. Respeitam-se as instituições, porque elas exercem um poder sobre nós.
A secularização relaciona-se a racionalização. Para Weber, o direito é uma forma de racionalização da vida social. Por isso que ele relaciona isso com a ideia da modernidade, porque a vida social é racionalizada e quem racionaliza isso é o direito.
PERGUNTA DA PROVA – Em discussão em relação a princípios e normas. Como pode compreender isso do ponto de vista weberiano? A tomada de decisão com base em princípios não positivados não está orientada pelas regras explicitas e públicas, mas por um outra regra que sabe-se lá de onde veio. Para weber o processo de racionalização tem a ver com como orientar a tomada de decisão. A gente sabe as regras que a gente deve seguir. A gente sabe onde procurar o corpo de leis. Quando não tem como controlar de onde saem e não estão apoiadas na regra não pode-se dizer que há racionalização.
Deve-se aplicar as regras em primeiro lugar. Somente para os casos excepcionais que não tem regra é que deverão incidir os princípios.
CONCLUSÃO
Em suma, Weber vai produzir uma compreensão sobre o mundo social a partir de conceituações abstratas que são tipos ideais. O tipo ideal permite a comparação de coisas. Como ele é um sociólogo da racionalização, o que vai permitir racionalizar ação social é o direito. No estado moderno, o que racionaliza a ação das pessoas é o direito. 
Secularização é a racionalização da vida social, e o direito faz parte disso, com a transição do jusnaturalismo para o juspositivsimo. As regras passam a ser públicas e explícitas. As pessoas não se orientam mais por valores ou questões extramundanas, mas sim porque existe um regra explicita que orienta a atuação das pessoas.
Weber se preocupa em entender a ação das pessoas. Quanto mais entendemos, mais racionais são as ações. A sociedade moderna é uma sociedade que cada vez mais se racionaliza e o direito contribui para isso.
Para Durkheim, o direito é um reflexo da moral, das regras sociais. Para Weber, o direito é uma racionalização das regras sociais. 
Compare-se Durkheim e Weber, agora do ponto de vista do objeto de estudo sociológico. O primeiro dirá que a Sociologia deve estudar os fatos sociais, que precisam ser: gerais, exteriores e coercitivos, além de objetivos, para esta ser chamada corretamente de “ciência”. Enquanto o segundo optará pelo estudo da ação social que, como descrita acima, é dividida em tipologias. Ademais, diferentemente de Durkheim, Weber não se apoia nas ciências naturais a fim de construir seus métodos de análises e nem mesmo acredita ser possível encontrar leis gerais que expliquem a totalidade do mundo social.
PIERRE BOURDIEU
Pierre Bourdieu é um sociólogo francês que tem sua produção concentrada entre os anos 70 e 90. Ele diz que nós nos organizamos de tal maneira para viver em sociedade que isso produz força. Pode se pegar uma teoria dos campos ou paradigma da reprodução e tentar aplicar ao MST, PJ, aos movimentos sociais etc.
Bourdier Puxa o conflito de marx, de Weber a dominação e de Durkheim os diferentes campos de trabalho que fundam a dominação.
“A FORÇA DO DIREITO” in “O PODER SIMBÓLICO”
Ele escreveu um artigo “a força do direito” publicado no livro chamado “o poder simbólico”.
Bourdieu chega ao final dos anos 90 com a pecha de autor mais citado em todas as ciências do mundo. Ele conseguiu ultrapassar grandes figuras como Albert Einstein.
ArgumentoGeral – Ele olha para o mundo e diferente dos demais sociólogos, ele olha para um século XX pós guerra. Ele vê um mundo onde existe a superação da aristocracia (democracia estabilizada). O sonho de napoleão está concretizado. Na França ser cidadão é frequentar a escola.
O argumento do Bourdieu é que vivemos num mundo em que o sangue não garante mais a posição social da família. É necessário um esforço de certificação republicana. As pesquisas por ele realizadas revelaram que o processo de avaliação dos alunos está fortemente calcado na sua origem social. Ele diz que a atividade professoral é transformar em uma nota (conjunto de boletins e notas) a cultura dominante. Quem vem de uma casa onde se escuta jazz e música clássica, não terá am esma nota de quem gosta de samba e hip hop. Bourdieu diz que a cultura embarcada tem diferentes apreensões pelo corpo docente. Ele diz que é uma ilusão a escola republicana. O filho do proletariado não sai com nota para entrar nos melhores cursos. Entrará no máximo em um curso de menor prestígio ou direto para o mercado de trabalho. Somente aqueles que reproduzirem os ideais dominantes terão as notas maiores.
Ele acha que existe um padrões diferentes de acordo com a classe social (maneira de falar, se vestir, se comportar). Ele acha que na escola existe uma ideologia dominante que é certificada pelo corpo professoral. Aquele que conseguir reproduzir essa ideologia terá uma nota maior.
Violência Simbólica – Como que os professores, que não são aristocratas, reproduzirão os ideais aristocratas (ideologia dominante)? Eles farão isso por meio da violência simbólica e não explícita (como dita por Marx – Estado tem o monopólio da violência física, obrigando a fazer cosias que o sujeito não quer, como pela prisão, multas, tributos etc.).
A violência simbólica é mais forte em razão do seu caráter oculto. Diferente da violência física, a violência simbólica não é sentido por quem a sofre e também não é sentida por quem a exerce. 
O aluno que tira 3, não tem ideia que tirou 3 porque tem ideias culturais popular que reproduziu. O professor que deu 3 também não tem consciência que está avaliando a classe social e a cultura do aluno, ele acha que está fazendo uma análise de performance escolar. Por tal razão ela é mais forte porque ela é sentida por todos como legítima.
Os indivíduos que usam os mecanismos de dominação a seu favor são exceções que confirmam a regra. É o caso do aluno humilde que se destaca.
Toda sociedade tem elites. Democracia não é ausência de elites. Sociedade justa é aquela que seleciona suas elites com maior justiça. A meritocracia surge para superar a plutocracia (governo do direito). Isso, pois o país não pode desperdiçar talentos. A ideia de meritocracia está fundada na igualdade de ponto de partida. Todos partem do mesmo ponto e tem as mesmas condições de competir. É o binômio talento-esforço. 
Os processos que tem mais força são aqueles que se desenvolvem simbolicamente (EX: racismo, cotas etc.) ao longo da vida. Isso se relaciona com o direito, pois o direito se legitima por ser racional, impessoal e universal. O juiz acha que está fazendo justiça social e seguindo a lei. Mas na realidade o direito é uma máquina de reprodução de interesses seculares. Quem sofre as consequências do direito não imagina que está sofrendo uma arbitrariedade. Acredita que está sendo vítima de um sistema impessoal, objetivo, universal e racional. Quem exerce, também não sabe o que está fazendo. Por isso o direito é tão poderoso. 
Quando se fala de sociologia, se fala de certos laços que temos com as pessoas que não são afetivos ou psicológicos – Nós temos uma dimensão que organiza a vida de todos nós. Isso se dá dentro de uma dimensão que Bourdieu chama de campo social. 
O lugar que a pessoa ocupa dentro do campo social diz muito sobre a sua posição social. EX: dizer que é aluno da Emerj já dá pistas sobre o que se busca, que todo mundo que estuda aqui tem diploma de direito. Isso são traços sociais que posiciona cada um de nós em relação a todo mundo. 
Grande Campo Social – Bourdieu não dividia o mundo em disciplinas, porque a sociedade é fragmentada em campos. Esses campos vão se articular dentro do que ele vai chamar de grande campo social. Marx pensa modo de produção global. Bourdieu vai chamar a sociedade como um todo de campo social. Os campos mais recorrentes são: jurídico, político, religioso, econômico etc. Temos que imaginar uma sociedade com quantos campos a complexidade da sociedade demandar. Existem diversos outros campos: jornalístico, rural etc. EX: no campo jurídico se pode chegar sem ser jurista, como o dono da feira entra em tal campo por conta de uma ação proposta; EX2: Também se tem um campo religioso, pessoa que frequenta igrejas, reza, faz doações. EX3: Pode-se enxergar também um campo político, pessoa que vota. 
Bourdieu esmiúça uma relação traçada por Marx. Não traz apenas o operário e o proprietário. Para ter um sistema mais coerente deve-se analisar também o capital cultural e não só o econômico. Bourdieu vai além do modo de produção global e trata do Campo Social.
Campo Social		 $$$
		Elites Rurais	Empresário
					 Cultura
		Operários	Intelectuais
· Não é uma divisão disciplinar – O campo médico é de médicos que fazem medicina. Não é um campo da ciência médica. O campo jurídico é o campo onde estudantes, juízes, membros do MP e da DP interagem, são pessoas fazendo coisas. O campo jornalístico é o campo dos chefes de direção, dos repórteres, a interação deles faz o campo jornalístico. 
· O campo não é simplesmente uma divisão. Não é que ele divide a sociedade em setores para melhor entende-la. Bourdieu vai entender que existe uma lógica em cada um dos campos e uma lógica em dividir a sociedade em campos. 
· Bourdieu da mesma forma que Marx vai ver na sociedade mais conflito que solidariedade. De modo que campo também é uma metáfora usada por Bourdieu. 
OBS: Ele é um autor mais próximo da visão de Marx.
Que metáfora vem essa da palavra “campo”? Quando ele fala “campo”, é “campo” do que? Ele quer dizer que as pessoas por se organizarem de maneira diferente criam subculturas. 
Bourdieu diz que o campo não é um campo de lavanda, de futebol, na verdade, esse campo é um campo de batalha. Mais uma vez se vê o conflito estruturando a lógica da sociedade. Ex.: campo jurídico. No campo jurídico e em todos os outros, o conflito se dá entre dominantes e dominados. A lógica desse campo e de qualquer outro campo é se criar um espaço social que para penetração é necessária uma conversão do espaço mental. Ou seja, para sair do mundo leigo e entrar no campo jurídico, precisa-se muito mais do que conhecer a lei. É do campo jurídico que se formula uma versão do mundo social. Se o sujeito está no campo político, o sujeito vai descrever o mundo e elaborar explicações de uma maneira. Se o sujeito está no campo religioso, o sujeito vai descrever o mundo e elaborar explicações de outra maneira. O direito e os juristas também têm uma explicação e uma descrição para o mundo de forma diferente. Eles comungam de valores e visão de mundo e isso é necessário para entrar no campo.
Normalmente existe uma grande institucionalização dos meios de acesso. No campo político, essa institucionalização é menor. Para ser política, pode começar na militância. No direito, isso é mais regulado. Para ser jurista, tem que se matricular numa faculdade de direito, ser aprovado no exame da OAB. Uma vez dentro do campo jurídico, o que ocorre com o término da faculdade, pode-se concorrer a carreiras jurídicas. Existe uma serie de degraus que o sujeito sobe para ir de dominado a dominante no campo jurídico. Em qualquer campo é assim, mas no campo jurídico, isso é extremamente regulado. Dizer que se fez uma faculdade de direito de 05 anos diz muito sobre a personalidade social de cada um. Ex.: fiz a graduação, fiz pós, mestrado, doutorado, quero ser desembargador, ministro do STJ e ministro do STF. É diferente o ministro do STF que tem doutorado na Alemanha do ministrodo STF que tem doutorado na USP. Dos dois que fizeram doutorando na Alemanha, um foi orientado por Alexy e outro por um Zé Ruela qualquer. Apesar de ter uma escala formal de gradação, tem-se nuances. Pode acontecer de um juiz de primeira instância ter mais poder que um ministro do STF. A escala objetiva demonstra apenas um grau de institucionalização do capital jurídico. A escala formal não é absoluta. Estamos falando de um campo social.
Bourdieu diz que isso não é por acaso. O isolamento do campo jurídico possibilita a criação de compra e venda de serviços jurídicos. Bourdieu vai dizer que existe um aspecto técnico, quem não estudou direito não tem como se articular no campo jurídico. Mas, tem aspecto social no campo jurídico que é conhecer as fontes e trabalhá-las socialmente, articular isso numa linguagem pertinente, se vestir de forma adequada. Ex.: um jurista vai à rua e fala sobre agravo de instrumento, um leigo não saberá identificar tal conceito. A colisão sinonímica é uma das maneiras que Bourdieu vai usar para identificar o campo jurídico. Não é um apego ao vernáculo, mas o simples uso da palavra “olvidar” dá a entender que a pessoa no mínimo está fazendo faculdade de direito.
CAPITAL
A palavra chave de Bourdieu é capital – No caso do mundo jurídico, se fala em capital jurídico. Esse conceito é chave para entender a teoria dos campos. Pode-se falar em capital religioso, capital político, capital econômica. O capital jurídico é a moeda de troca dentro do campo jurídico. 
O excesso ou a falta de capital jurídico vai colocar o sujeito na posição de dominante ou de dominado. No campo econômico, temos o capital econômico que é quantidade de ativos mobilizáveis, pode ser imóveis, empresas, dinheiro etc. É fácil identificar o dominante e o dominado no campo econômico. Segundo José de Alencar, duas são chances de ser dominante no campo econômico: quando nasce e quando casa. Mas, não é bem assim. Pode-se ganhar dinheiro e galgar posição dominante no campo econômico de diversas formas. A depender da sociedade, o sujeito vai ser dominante ou dominado. 
Não é assim que funciona no campo jurídico. No campo jurídico, qual é a moeda de troca? Capital intelectual. Existe um campo intelectual, assim como todos os campos, tem interseções com o campo jurídico. Não necessariamente será dominante no mundo jurídico quem tem mais dinheiro, mas o dinheiro também não é irrelevante no campo jurídico. 
Campo Jurídico
		Dominantes
		 Capital Jurídico
		Dominados
· O fundamental no campo jurídico para ser dominante é o saber jurídico. Tem relação com dinheiro, com a política. É preciso títulos, diplomas, apadrinhamento, publicidade etc. Tem uma dinâmica absolutamente própria da ciência jurídica, mas tem outra concomitante que vai elaborar um vetor que não tem a ver com a ciência jurídica. Na ciência jurídica, a questão do poder é fundamental. No direito, não existe uma corrente mais certa que a outra, as duas correntes funcionam.
· O que Bourdieu chama de capital jurídico é o direito de dizer o Direito – Ou seja, é a capacidade que uma pessoa tem de opor a outras pessoas do campo jurídico a sua posição. 50% dessa capacidade vêm de quanto à pessoa sabe, os outros 50% vem de sua posição. EX: pode-se imaginar que um juiz de primeira instância saiba mais que o Tofoli, mas quem dá a palavra final é Tofoli. É uma mistura de coisas que vai dar a cada pessoa no campo jurídico, o direito de dizer o Direito. Tem prestígio, tem título, tem a forma de dizer o Direito.
No campo jurídico, dominantes e dominados são separados pelo acúmulo de capital jurídico que vem a ser definido por Bourdieu como o direito de dizer o Direito, opondo a outros sua posição.
O capital jurídico é muito importante. Todavia, existem fronteiras entre os diversos campos (jurídico, econômico, religioso, político etc.). Essas fronteiras estabelecem para cada campo uma autonomia relativa. Relativa, em primeiro lugar, porque se podem operar trocas entre os campos. Existe a permeabilidade intercampos que vai se operar. A sociedade é muito mais complexa que fronteiras instransponíveis. De modo que se terá a oportunidade de fazer a chamada reconversão de capital. 
· RECONVERSÃO DE CAPITAL – É por conta do fenômeno da reconversão de capital que Bourdieu também vai falar de dominantes e dominados no campo social como um todo. Pela necessária de reconversão de capital, pelo fato de os capitais serem estruturantes para um campo e serem cambiáveis, temos parentescos ideológicos entre dominantes e dominados de cada campo. Para o autor, se parecem os ministros do STF, com bispos da Igreja, com deputados e senadores. Para o autor, as elites se parecem. Haverá um parentesco não só pelo fato de serem todos da elite, mas porque esse capital se reconverte a todo o momento. 
Não há qualquer ilegitimidade em usar qualquer capital que não o jurídico para subir no campo jurídico. Ex.: sujeito que acumulou grande capital jurídico por inserção de capital econômico – pai, grande empresário, que compra um grande escritório para o filho. Sem dúvida é alguém que subiu no mundo jurídico com inserção de capital político. Ex.: Min. Tofoli. Também se pode reconverter capital jurídico em capital político. Ex.: Denise Froissard, Protogenes, Fausto. Que fenômeno é esse que queremos descrever? Reconversão de capital. Como isso se deu? Eles chamaram atenção da sociedade pela sua grande atuação no mundo jurídico. Os três vão tentar resignificar politicamente uma atuação que eles tiveram que é jurídica. 
Nem todos conseguem achar uma janela de oportunidade entre os dois campos e resignificam a sua atuação. Todos eles vão pegar o capital acumulado juridicamente e vão resignificar num discurso voltado para o campo político. Weber diz que capital político é uma quantidade de votos que se consegue mobilizar a seu favor seja para você mesmo ou para terceiros. Sai-se do campo jurídico, resignificando a sua atuação jurídica em torno de outro discurso – um discurso político. 
Reconverter capital é um processo que acontece o tempo inteiro. Conversão de capital jurídico em capital econômico. Ex.: a Pontes de Miranda foi encomendado um parecer sobre questão controvertida. Grande empresário da época leu o parecer e perguntou o preço. Ele cobrou 800mil reais. Pontes de Miranda falou que tem outro preço para lhe dar. Rasgou a parte do parecer que constava o seu nome e cobrou 10reais. O sujeito pagou 800mil reais no parecer. A forma mais simples de conversão de capital jurídico em capital econômica é pensar no mercado de compra e venda de serviços jurídicos. Pontes de Miranda por estar na posição de dominante no campo jurídico pode cobrar mais por um parecer. O sujeito alimenta com capital jurídico o campo social para trocar por capital econômico.
Ex. de questão de prova: Qualificação de fenômenos majoritários. Recentemente o STF, conferiu jurisdicidade à união estável a pessoas do mesmo sexo. Qualifique usando três autores do nosso curso. Qualificar é dizer qual é o fenômeno social. Ex. de qualificação sociológica da ascensão de Tofoli: A ascensão de Tofoli no STF evidencia a reconversão de capital em diversos campos, conforme diz Bourdieu. Trouxe capital político para dentro do campo jurídico. Compare Bourdieu com Marx. O que é o direito? Como a Lei Maria da Penha transformou a realidade brasileira? Quais princípios gerais da sociologia jurídica? 
Conversão de capital religioso em capital político. Ex.: padre que se tornou deputado. Crivella. Ele resignificou politicamente o trabalho religioso dele com a Fazenda Canaã na Bahia. Houve uma reconversão de capital. Ex.: divórcio. Uma vez casado na Igreja Católica, pode-se separar no mundo jurídico, no entanto, não se pode casar novamente na Igreja Católica, salvo anulação na própria igreja. Há um tribunal eclesiástico. Na Idade Média, qualquer tipo de conflito era levado para o bispo local. Para organizar as pessoas, surgiu o primeiro direito verdadeiramente internacional que foi o código canônico. Com o corpus iuris civile, o direito passou a convivercom o código canônico. Conversão de capital religioso em capital jurídico. Somente haverá reconversão quando essa fé entrar na doutrina. Ex.: discussões relativas ao aborto. São mais radicais se o religioso falar que vai excomungar quem aprove o aborto. Usa-se do poder do campo jurídico em campo religioso. As tensões existem e o capital se reconverte. Ex.: papa influenciando discussões jurídicas. Ex.: pedido de liminar para transfusão de sangue de testemunhas de Jeová. Aqui se tem a tensão entre dois campos: jurídico e religioso. A administração dessa tensão implica na intersecção do campo jurídico e religioso. Conversão do campo artística em campo jurídico. Ex.: tiririca. Esses fenômenos acontecem a todo tempo. Também há intersecções do mundo jurídico com o mundo político e econômico.
Há uma contradição na teoria de Bourdieu. Ex.: tiririca é um artista ou é político. Um deputado, em regra, não é jurista, mas pode ser um jurista ocupando um cargo político por reconversão. Porém, eles vão editar leis. Todos os produtos que são atribuídos os legisladores, mas que são jurídicos, qual o trabalho dos juristas para reforçar os limites do campo jurídico. A CRFB diz que homem e mulher é família. Os juristas disseram que pode ser homem com homem e mulher com mulher. O campo jurídico se torna independente a partir do momento em que o conteúdo e a aplicação prática da lei não está na mão dos políticos, mas na mão dos juristas. Isso é o que Bourdieu chama de poder do direito dentro do chamado poder simbólico. É o poder de dizer o direito. Quem diz o direito é o jurista e não o político.
LUIZ WERNECK VIANNA
-> Maria Alice Rezende de Carvalho
-> Marcelo Baumann Burgos
-> Manuel Palácios Cunha Melo
“A JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DAS RELAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL”
Luiz Werneck Vianna que atuava no IUPERJ (instituto de pesquisas do RJ), hoje atua no CEDES na PUC/RJ. O seu livro mais famoso é sobre sindicalismo. O livro “a judicialização da política e das relações sociais no Brasil” é de Werneck Vianna e seus coautores. Ele é um grande autor de sociologia. Ele é considerado um intelectual orgânico do PPS. 
Livro “a era dos extremos” de Eric Hobsbaum. É um historiador da escola inglesa marxista. Esse livro é uma grande leitura do século XX onde ele tenta contar a história do “breve século XX”. Ele conta essa história de maneira organizada. 
Era dos Extremos – Quando o autor diz que o século XX foi breve, o que ele quer dizer? Tem a ver com a intensidade das transformações. Ele diz que o início do século XX pode ser chamado de era da catástrofe. Ele vai dizer que entre 45 e 70 e poucos, o século XX conheceu a era de ouro. Por fim, da década de 80 e 90, ele vai chamar de era da decomposição. Ele diz que isso é comum na história, mas normalmente leva mais de um século e não só um, como ocorrido no século XX.
	
	Hobsbaum
	Mundo 
	Brasil
	República
	1900 – 1945
	Era da catástrofe 
	2 guerras mundiais
Crise de 29
Revolução Russa de 17
	Café com leite – República Velha
Revolução de 30 – Getúlio. Até 39 tinha aliança com governo alemão de Hitler. Ele colocou os partidos de esquerda na ilegalidade e exterminou os anarquistas.
	Legislativo
	1945 – 1970
	Era de ouro
	Guerra Fria.
Cortina de Ferro.
Plano Marshall.
Welfare State – Previdência, saúde, assistência etc. A construção do estado não está mais na mão do poder legislativo, mas sim do poder executivo, que é aquele que vai administrar os recursos de modo a compartilhar os bens sociais.
	Consequências do Estado Novo.
Nacional desenvolvimentismo – Industrialização substitutiva de importação. Direcionamento estatal de setores que seriam industrializados. Setores que o Brasil era obrigado a importar.
Welfare State – Aposentadoria, carreiras públicas, BNH, BNDE, ESTALEIROS
	Executivo
	1970 – 2000
	Era da decomposição
	Ronald Reagan/Margareth Tatcher 
Neoliberalismo – Dissolução do patrimônio herdado. É o degelo dos mecanismos estatais, com as privatizações, por exemplo.
	Collor/FHC/Lula
Direito Welfariano – Sobretudo com a CRFB. Marcada pelo ressentimento do período autoritário.
Isso coloca o aplicador do direito em posição de legislador implícito.
	Judiciário
De 1900-1945, Hobsbaum falou que foi a era da catástrofe, por conta das duas guerras mundiais (1914-1918; 1934-1935); crise econômica de 1929. 
De 1945-1970, por que o pós-guerra teria trazido para o mundo a era de ouro? Guerra fria. Há uma reorganização de poder do mundo e ficam claro dois polos de poder: temos de um lado um país (EUA) que conseguiu uma evolução tecnológica incrível, que conseguiu se reestruturar a ponto de emprestar dinheiro para a Europa Ocidental inteira se reconstruir, do outro lado temos um país (Rússia) que em 1917 era um país feudal e que em 1967 mandou o homem a Lua. O socialismo presume um tipo de investimento que é investimento em políticas sociais. Existe na mentalidade de gerar o estado socialista um componente que dá uma tônica diferente da relação das pessoas com o Estado. O que os países da Europa Ocidental, destruídos pela guerra, fizeram com o dinheiro que lhe foi emprestado? Em 1961, é criada a bolsa família na FR. Vem dessa era, o sistema de previdência, as empresas públicas e toda uma estrutura que vai construir o que se costuma chamar de Welfare State. Políticas redistributivas que perpassam tudo. Os produtos históricos da civilização são recentíssimos. Antes do século XX, ninguém se aposentava em lugar nenhum do mundo. A guerra fria significou o erguimento de duas potencias. Começa-se a dar aos Estados um caráter de redistribuidor de bens da sociedade, de gestor de bens sociais. 
De 1970-2000, é a chamada era da decomposição. Houve a queda do muro de Berlim que representa o fim da guerra fria. Foi precedida por dois mecanismos de degelo político e econômico. Houve a derrubada do governo de Gobachov. O ocidente capitalista ganhou a guerra fria. O lado vencedor se transformou profundamente. Que transformações podemos observar no capitalismo no período de 1970-2000? As duas grandes potências econômicas nessa época eram EUA e Inglaterra. O presidente norte-americano de maior proeminência é Ronald Reagan. A presidenta da Inglaterra é Margareth Tatcher – a dama de ferro. O que eles têm em comum? Neoliberalismo. É desestatização, menor intervenção. 
Temos um estado de desorganização que passa para um estado de extrema organização – os dois grandes polos organizam o estado em função da ideia de welfare state. Na era de decomposição, o que se decompõe é o estado de bem estar social, o que se decompõe são as conquistas do pós-guerra que podem ser reunidas dentro do conceito de welfare state.
No BR, de 1900-1945, na verdade, há uma república formal, mas quem governa são oligarquias. Esse período é chamado de república velha ou política de café com leite. Os grandes polos produtores no BR, um produzia café e outro produzia leite. O café com leite colocava o BR numa posição particular. 
No BR, de 1945-1970, temos o governo Vargas. Getúlio Vargas era tenente que representa as oligarquias gauchas. Getúlio Vargas fica no poder. O governo Vargas preparou a era de ouro no BR. Vargas trouxe a industrialização para o BR. Nessa época, o Estado era gestor de políticas públicas. Getúlio industrializou o BR. O que teve no BR foi o nacional-desenvolvimentismo que é um movimento de industrialização substitutiva de importação. Vargas criou o BNDE, o INSS, o FGTS, a CEF. Do ponto de vista econômico, se tem o nacional desenvolvimentismo. Vargas entra em 1930 e sai em 1945. Vargas volta e não só Vargas, mas também Kubitschek aceleram esse nacional desenvolvimentismo. Instaurou-se o welfare brasileiro. A ditadura militar tinha políticas nacionalizantes e estatizantes. O BR mudou, pode-se questionar se o welfare foi efetivo. 
O BR teve sua era de decomposição? Isso se iniciou com Collor/FHC e depois Lula. A política econômica que foi adotada no BR na virada da era de ouro para a era de decomposição reconhece no PT a sua continuação. É assim que se opera a era da decomposição.
Luiz Werneck Vianna concebe

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