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Lista de questões selecionadas DAULIA BRINGEL Questão 01 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) No primeiro parágrafo, a reformulação presente em “a aranha, aquela aranha” reforça o seguinte aspecto atribuído à personagem: A) seriedade B) irreverência C) singularidade D) desobediência Questão 02 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) No terceiro parágrafo, a respeito das características ressaltadas da personagem principal, a aranha mãe apresenta a seguinte avaliação: A) valorização de seu esforço B) exaltação de sua personalidade C) desconhecimento de suas atitudes D) desprezo por seu empreendimento Questão 03 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneioseria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) Nos dois primeiros parágrafos do texto, destaca-se a seguinte caracterização da personagem principal, a aranha jovem: A) insatisfeita B) submissa C) desatenta D) criativa Questão 04 Leia o texto abaixo e responda as perguntas a seguir: TRABALHAR FORA Um novo estudo da Harvard Bussiness School prova que ter uma mãe que trabalha fora de casa tem vantagens, ao contrário do que diz o senso comum. A pesquisa, liderada pela professora Kathleen McGinn, aponta que as filhas de mães que trabalham ganham salários 23% mais altos e 33% delas ocupam cargos de supervisão, contra apenas 25% das rebentas de mães que ficam em casa. Para os filhos de trabalhadoras, os efeitos são diferentes, mas ainda assim positivos: eles gastam mais tempo cuidando da casa e da família – uma média de 16 horas por semana, contra 8 horas do outro grupo. Fonte: FERNANDES, Ana Luísa, Revista Superinteressante, p.13, julho 2015. Assinale a alternativa correta segundo o texto: A) Os filhos e filhas das mulheres que trabalham fora são beneficiados. B) Os filhos são prejudicados e as filhas beneficiadas. C) As filhas são prejudicadas e os filhos beneficiados. D) Só as mulheres se beneficiam do fato de trabalhar fora. E) Só as filhas de mães que ficam em casa têm sucesso profissional. Questão 05 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) A fala “— Então, faz porquê?” retrata, no contexto do conto, o seguinte comportamento: A) resignação B) contrariedade C) concordância D) neutralidade Questão 06 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foiconvertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) O comentário final do narrador sugere uma narrativa que se organiza de modo: A) cíclico B) linear C) opositor D) retroativo Questão 07 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) Da primeira sequência de diálogo entre a personagem mãe e a personagem filha, depreende-se o seguinte pressuposto: A) sociedade modela os indivíduos B) pais compreendem sempre os filhos C) animais dispõem de raciocínio lógico D) aranhas agem por determinação biológica Questão 08 Texto I Existe amor em São Paulo A maior criação do Brasil é a cidade de São Paulo, e calma porque isso quem diz não sou eu, é o IBGE*. Da escala humana à escala financeira, São Paulo lidera. Mais de 10% das riquezas produzidas no Brasil são produzidas nesta cidade. Que família do país não tem um parente trabalhando aqui? Se São Paulo não tem mar, São Paulo tem um mar de ideias. O planejamento do Brasil passa tanto pelas torres dos complexos empresarias das avenidas Faria Lima e Berrini quanto pelos prédios da Esplanada dos Ministérios. O novo ciclo de desenvolvimento do Brasil tem tudo a ver com a cidade. Seu supermundo financeiro faz a cidade evoluir sempre de pilha nova, com carga máxima, conectada pelas antenas de seus 11 milhões de habitantes/seguidores. São pouquíssimas as metrópoles do mundo que contam com área tão extensa de massa cinzenta, com mistura tão completa de profissionais competentes, cada vez mais especializados. É um ciclo virtuoso: os serviços de alta qualidade atraem trabalhadores de alta qualificação e remuneração, que buscam mais serviços de ponta, como cultura, saúde, educação, luxo e alta gastronomia, que por sua vez atrairão consumidores de outras cidades e países. São Paulo hoje tem capital humano e capital financeiro para encubar qualquer empreendimento. Os galpões industriais que ficaram vazios com a transferência das indústrias da cidade para outras regiões do Estado e do país são rapidamente reocupados por atividades criativas e comerciais. A relativa menor atividade industrial (porque a cidade segue potência fabril) foi compensada pela maior atividade cultural, de feiras e de eventos. Não saí de Salvador para vir para São Paulo, mas acabei chegando à metrópole paulista e aqui me desenvolvi em plenitude, prosperei como tantos outros migrantes e imigrantes. Amo trabalhar e em São Paulo o trabalho sempre foi muito valorizado. Isso é fundamental, porque um dos grandes problemas dessa sociedade tão demandada é o desrespeito ao trabalho. Assim, quando as pessoas querem te ofender, elas dizem: “esse cara só pensa em trabalho”. Quando querem ofender São Paulo, dizem a mesma bobagem: que a cidade só é boa para trabalhar. Mas o que mais uma cidade precisa ser? Se ela é boa para trabalhar, o resto será consequência. (Nizan Guanaes, Folha de S. Paulo, 24.01.2012. Adaptado) * IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Texto II Não existe amor em SP* Não existe amor em SP Um labirinto místico Onde os grafites gritam Não dá pra descrever Numa linda frase De um postal tão doce cuidado com doce São Paulo é um buquê Buquês são flores mortas Num lindo arranjo Arranjo lindo feito pra você Não existe amor em SP Os bares estão cheios de almas tão vazias A ganância vibra, a vaidade excita Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel Aqui ninguém vai pro céu (Criolo, disponível em https://www.vagalume.com.br/criolo/nao-existe-amor-em-sp.html Acesso em: 27.01.2012. Adaptado) * Na letra da música, a sigla SP refere-se à cidade de São Paulo e não ao Estado. A letra da música de Criolo tem características literárias, pois Assinale a alternativa cujos termos podem substituir, correta, respectivamente e sem alteração do sentido do texto, as expressões em destaque selecionadas do texto I. É um ciclo virtuoso: os serviços de alta qualidade atraem trabalhadores de alta qualificação e remuneração... (7º parágrafo) ... porque um dos grandes problemas dessa sociedade tão demandada é o desrespeito ao trabalho. (10 º parágrafo) A) eficiente – que tem necessidades B) produtivo – que tem dinheiro C) pernicioso – que reivindica D) duradouro – que se omite E) complexo – que critica Questão 09 A infinita fiadeira A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabavaas suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. — Não faço teias por instinto. — Então, faz porquê? — Faço por arte. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: — Estamos recebendo queixas do aranhal. — O que é que dizem? — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor. A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? — Faço arte. — Arte? E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto (ln: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras) As críticas dirigidas à aranha se sustentam no seguinte pressuposto: A) a arte é uma atividade valorizada B) os objetos produzidos precisam ser úteis C) os seres humanos são superiores aos animais D) os insetos são capazes de enganar as aranhas Questão 10 Reduzir a poluição causada pelos aerossóis – partículas em suspensão na atmosfera, compostas principalmente por fuligem e enxofre – pode virar um enorme tiro pela culatra. Estudo de pesquisadores britânicos e alemães revelou que os aerossóis, na verdade, seguravam o aquecimento global. Isso porque eles rebatem a luz solar para o espaço, estimulando a formação de nuvens (que também funcionam como barreiras para a energia do sol). Ainda é difícil quantificar a influência exata dos aerossóis nesse processo todo, mas as estimativas mais otimistas indicam que, sem eles, a temperatura global poderia subir 4 C até 2100 – as pessimistas falam em um aumento de até 10, o que nos colocaria “dentro” de uma churrasqueira. Como os aerossóis podem causar doenças respiratórias, o único jeito de lutar contra a alta dos termômetros é diminuir as emissões de gás carbônico, o verdadeiro vilão da história. (Superinteressante, dez. 2005, p. 16.) Segundo o texto, “o verdadeiro vilão da história” é(são): A) o aquecimento global. B) as emissões de gás carbônico. C) a formação de nuvens. D) as doenças respiratórias. E) as barreiras para a energia do sol. Questão 11 Observe a charge que retrata uma família. Analisando essa charge, pode-se concluir corretamente que a personagem feminina representa as mulheres que A) precisam trabalhar até idade mais avançada para garantir a aposentadoria, pois somente entram no mercado de trabalho quando os filhos tornam-se adultos. B) são casadas com marido que prefere assumir as tarefas domésticas, uma vez que ele gosta de cuidar da casa e de ter bom relacionamento com os filhos. C) trabalham provavelmente porque, entre outros motivos, os rendimentos do marido são insuficientes ou por ele estar desempregado. D) são jovens e querem ter sucesso como empresárias no mundo da economia informal e, possivelmente, no setor de moda. E) desejam se realizar profissionalmente, embora não necessitem trabalhar fora e contribuir com o orçamento familiar. Questão 12 Leia o texto para responder à questão. Quando a rede vira um vício Com o título “Preciso de ajuda”, Carolina G. fez um desabafo aos integrantes da comunidade Viciados em Internet Anônimos, a que pertence: “Estou muito dependente da web. Não consigo mais viver normalmente”. Essas frases dão a dimensão do tormento provocado pela dependência da internet, um mal que começa a ganhar relevo estatístico, sobretudo entre jovens de 15 a 29 anos. Os estragos são enormes. Como ocorre com um viciado em álcool ou em drogas, o doente desenvolve uma tolerância que, nesse caso, o faz ficar on-line por uma eternidade sem se dar conta do exagero. Ele também sofre de constantes crises de abstinência quando está desconectado, e seu desempenho nas tarefas de natureza intelectual despenca. Diante da tela do computador, vive, aí sim, momentos de rara euforia, mas não percebe que vai, aos poucos, perdendo os elos com o mundo real até se aprisionar num universo paralelo e completamente virtual. Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer com ela uma relação doentia, porém, em todos os casos, a internet era apenas útil ou divertida e foi ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe da rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança tão drástica se deu sem que os pais atentassem para a gravidade do que ocorria. Para o psiquiatra Daniel Spritzer, “a internet faz parte do dia a dia dos adolescentes e o isolamento é um comportamento típico dessa fase da vida, por isso a família raramente detecta o problema antes de ele ter fugido ao controle”. A ciência, por sua vez, já tem bem mapeados os primeiros sintomas da doença. De saída, o tempo na internet aumenta até culminar, pasme-se, numa rotina de catorze horas diárias, e as situações vividas na rede passam, então, a habitar mais e mais as conversas. É típico o aparecimento de olheiras profundas e ainda um ganho de peso relevante, resultado da troca de refeições por sanduíches – que prescindem de talheres e liberam uma das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida social vai se extinguindo, como alerta a psicóloga Ceres Araujo: “Se a pessoa começa a ter mais amigos na rede do que fora dela, é um sinal claro de que as coisas não vão bem”. Com a rede, afinal, descortina-se uma nova dimensão de acesso às informações, à produção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em sociedades modernas, não faz sentido se privar, portanto toda a questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já existe um consenso acerca do razoável: até duas horas diárias, no caso de crianças e adolescentes. Desse modo, reduz-se drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados. (Silvia Rogar, João Figueiredo e Ronaldo Soares, revista Veja, 24.03.2010. Adaptado) Assinale a alternativa em que o termo em destaque no trecho pode ser substituído, corretamente e sem alteração de sentido, pelo termo entre parênteses. De acordo com as informações do texto, é correto afirmar que A) a rede é um eficazmeio de comunicação, mas os pais devem proibir qualquer acesso à internet, caso notem o uso demasiado. B) os médicos têm dificuldade em detectar a doença, pois os jovens que são dependentes da rede não apresentam alterações físicas. C) os dependentes da internet, se privados da conectividade, não passam por crises, ao contrário do que ocorre com viciados em álcool. D) os pais, por se preocuparem excessivamente com a vida profissional, não têm percebido quando os filhos tornam-se viciados na rede. E) as pessoas acessam a rede em busca de informação e de lazer, entretanto, ao substituírem a vida real pela virtual, inserem-se em situação de risco. Questão 13 Reduzir a poluição causada pelos aerossóis – partículas em suspensão na atmosfera, compostas principalmente por fuligem e enxofre – pode virar um enorme tiro pela culatra. Estudo de pesquisadores britânicos e alemães revelou que os aerossóis, na verdade, seguravam o aquecimento global. Isso porque eles rebatem a luz solar para o espaço, estimulando a formação de nuvens (que também funcionam como barreiras para a energia do sol). Ainda é difícil quantificar a influência exata dos aerossóis nesse processo todo, mas as estimativas mais otimistas indicam que, sem eles, a temperatura global poderia subir 4 C até 2100 – as pessimistas falam em um aumento de até 10, o que nos colocaria “dentro” de uma churrasqueira. Como os aerossóis podem causar doenças respiratórias, o único jeito de lutar contra a alta dos termômetros é diminuir as emissões de gás carbônico, o verdadeiro vilão da história. (Superinteressante, dez. 2005, p. 16.) Assinale a alternativa cuja afirmativa mantém relações lógicas de acordo com o texto. A) Os aerossóis seguram o aquecimento global porém estimulam a formação de nuvens. B) Os aerossóis seguram o aquecimento global mas estimulam a formação de nuvens. C) Os aerossóis seguram o aquecimento global pois estimulam a formação de nuvens. D) Os aerossóis seguram o aquecimento global e estimulam a formação de nuvens. E) Os aerossóis seguram o aquecimento global entretanto estimulam a formação de nuvens. Questão 14 Texto I Existe amor em São Paulo A maior criação do Brasil é a cidade de São Paulo, e calma porque isso quem diz não sou eu, é o IBGE*. Da escala humana à escala financeira, São Paulo lidera. Mais de 10% das riquezas produzidas no Brasil são produzidas nesta cidade. Que família do país não tem um parente trabalhando aqui? Se São Paulo não tem mar, São Paulo tem um mar de ideias. O planejamento do Brasil passa tanto pelas torres dos complexos empresarias das avenidas Faria Lima e Berrini quanto pelos prédios da Esplanada dos Ministérios. O novo ciclo de desenvolvimento do Brasil tem tudo a ver com a cidade. Seu supermundo financeiro faz a cidade evoluir sempre de pilha nova, com carga máxima, conectada pelas antenas de seus 11 milhões de habitantes/seguidores. São pouquíssimas as metrópoles do mundo que contam com área tão extensa de massa cinzenta, com mistura tão completa de profissionais competentes, cada vez mais especializados. É um ciclo virtuoso: os serviços de alta qualidade atraem trabalhadores de alta qualificação e remuneração, que buscam mais serviços de ponta, como cultura, saúde, educação, luxo e alta gastronomia, que por sua vez atrairão consumidores de outras cidades e países. São Paulo hoje tem capital humano e capital financeiro para encubar qualquer empreendimento. Os galpões industriais que ficaram vazios com a transferência das indústrias da cidade para outras regiões do Estado e do país são rapidamente reocupados por atividades criativas e comerciais. A relativa menor atividade industrial (porque a cidade segue potência fabril) foi compensada pela maior atividade cultural, de feiras e de eventos. Não saí de Salvador para vir para São Paulo, mas acabei chegando à metrópole paulista e aqui me desenvolvi em plenitude, prosperei como tantos outros migrantes e imigrantes. Amo trabalhar e em São Paulo o trabalho sempre foi muito valorizado. Isso é fundamental, porque um dos grandes problemas dessa sociedade tão demandada é o desrespeito ao trabalho. Assim, quando as pessoas querem te ofender, elas dizem: “esse cara só pensa em trabalho”. Quando querem ofender São Paulo, dizem a mesma bobagem: que a cidade só é boa para trabalhar. Mas o que mais uma cidade precisa ser? Se ela é boa para trabalhar, o resto será consequência. (Nizan Guanaes, Folha de S. Paulo, 24.01.2012. Adaptado) * IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Texto II Não existe amor em SP* Não existe amor em SP Um labirinto místico Onde os grafites gritam Não dá pra descrever Numa linda frase De um postal tão doce cuidado com doce São Paulo é um buquê Buquês são flores mortas Num lindo arranjo Arranjo lindo feito pra você Não existe amor em SP Os bares estão cheios de almas tão vazias A ganância vibra, a vaidade excita Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel Aqui ninguém vai pro céu (Criolo, disponível em https://www.vagalume.com.br/criolo/nao-existe-amor-em-sp.html Acesso em: 27.01.2012. Adaptado) * Na letra da música, a sigla SP refere-se à cidade de São Paulo e não ao Estado. A letra da música de Criolo tem características literárias, pois Pela leitura do texto I, é correto afirmar que o autor A) deixou sua cidade natal para dirigir-se a São Paulo, pois, como vários migrantes, acreditava que na capital paulista seria fácil encontrar emprego. B) descreve São Paulo como uma metrópole que oferece lojas de luxo e locais com alta gastronomia direcionados especificamente aos turistas estrangeiros. C) vê no descaso com o trabalho uma postura equivocada de alguns indivíduos, pois entende que o trabalho é um meio para a sociedade suprir suas demandas. D) explica que os galpões industriais, hoje reocupados por atividades comerciais, estavam vazios, pois algumas fábricas faliram e outras se transferiram para diferentes cidades. E) considera a cidade de São Paulo uma potência econômica devido ao valor dado à produtividade, porém sua opinião é contestável, pois não tem o respaldo de outras fontes de informação. Questão 15 Considere o texto para responder à questão. Homens recebem salários 30% maiores que as mulheres no Brasil Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que, apesar do recente crescimento econômico e das políticas destinadas a reduzir as desigualdades, as diferenças salariais relacionadas à etnia e ao gênero continuam sendo significativas nos países latino-americanos. De acordo com a pesquisa, os homens ganham mais que as mulheres em todas as faixas de idade, níveis de instrução, tipo de emprego ou de empresa. A disparidade é menor nas áreas rurais, em que as mulheres ganham, em média, o mesmo que os homens, independentemente da idade. Já nas áreas urbanas, a menor diferença salarial relacionada a gênero está na faixa mais jovem da população que possui nível universitário. As diferenças salariais variam muito também entre os 18 países pesquisados. O Brasil apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial. No país, os homens ganham aproximadamente 30% a mais que as mulheres, quase o dobro da média do grupo das nações pesquisadas, que é de 17,2%. Do grupo, o país que apresenta a menor diferença é a Bolívia. O documento traz ainda algumas recomendações para reduzir essas disparidades. Por parte dos governos, a implementação de políticas no sentido de aumentar o nível educacional da população e da implementação de um maior número de creches, o que permitiria às mulheres mais dedicação à sua vida profissional. Já no âmbito familiar, uma divisão de tarefas mais igualitária, com os pais dividindo a criação dos filhos, o que daria às mulheres a possibilidade de manter suas carreiras. (observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/homens-recebem-salarios-30-maiores-que-as-mulheres-no-brasil Acesso em: 03.02.2013. Adaptado) Com base nas informações do texto, pode-se afirmar corretamente que A) as mulheres trabalhadoras recebem, na Bolívia, 17,2% a menos nos rendimentos do que os homens queexercem a mesma função. B) a defasagem salarial atenua-se entre homens e mulheres que vivem em cidades, são jovens e têm formação acadêmica superior. C) os homens, com exceção dos que atuam em empresas multinacionais, recebem maiores salários do que as mulheres. D) as mulheres que trabalham no campo são aquelas que têm rendimento idêntico ao dos homens, pois é um direito garantido por lei. E) as diferenças salariais que envolvem gênero e etnia são consequência da economia estagnada e em retração dos países latino-americanos. Questão 1 C Questão 2 D Questão 3 D Questão 4 A Questão 5 B Questão 6 A Questão 7 D Questão 8 A Questão 9 B Questão 10 B Questão 11 C Questão 12 E Questão 13 C Questão 14 C Questão 15 B Modelo: 1 2 3 4 | lista_questoes_selecionadas_05-08-2024_19-27 1 Modelo: 1 2 3 4 | lista_questoes_selecionadas_05-08-2024_19-27 1 imgrId925666b151d24cca8.png