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MÓDULO VII – SISTEMA CARDIOVASCULAR TUTORIA 05 OBJETIVOS: 1. Descrever a circulação linfática relacionando com a circulação arterial e venosa (troca de líquidos, composição da linfa e histologia dos vasos). 2. Explicar a fisiologia da drenagem linfática (porque há vontade de urinar?) 3. Explicar a fisiologia do edema de origem cardíaca. 4. Explicar como ocorre a dispneia de origem cardíaca. 5. Conceituar insuficiência cardíaca relacionado com trabalho cardíaco. 6. Explicar medidas compensatórias a curto e longo prazo para IC. (relacionar com Frank- Starling e reflexo de Bambridge; pré-carga e pós-carga para IC direita, esquerda e global) 7. Qual o mecanismo de ação das drogas utilizadas no tratamento? INTRODUÇÃO: → TROCA NOS CAPILARES: - Uma vez que o sangue alcança os capilares, o plasma e as células trocam materiais a partir das finas paredes de capilares. - As células estão localizadas próximas a esses capilares (0,1mm aproximadamente), o que favorece a difusão entre a parede capilar fina. → ESTRUTURA DOS CAPILARES: - Parede mais fina de todos os vasos sanguíneos. - Única camada de células endoteliais sustentadas por uma lâmina basal. - As junções celulares entre as células endoteliais nas diferentes regiões determinam a permeabilidade do capilar. • Capilares contínuos: - Células unidas por junções permeáveis. - Locais: músculo, tecido conjuntivo e tecido neural (barreira hematoencefálica). • Capilares fenestrados: - Possuem poros que permitem a passagem de substâncias do plasma para o líquido intersticial. - Locais: rim e intestino. • Capilares sinusóides: - Podem ser até cinco vezes mais largos que um capilar normal. - Possuem poros e fenestrações. - Estão em locais em que é necessária a passagem de substâncias entre o plasma e o interstício. - Locais: medula óssea, fígado e baço. OBS: A VELOCIDADE DO FLUXO SANGUÍNEO É MENOR NOS CAPILARES. - O determinante principal da velocidade do fluxo em um vaso não é seu diâmetro, mas sua área de secção transversal. - Os capilares, entre todos os vasos, tem a maior área, portanto, o fluxo é reduzido nesses vasos. - Tal característica possibilita uma troca mais eficiente entre interstício e plasma, a partir do maior tempo disponível para que ela ocorra. → DIFUSÃO E TRANSCITOSE: - As trocas entre o plasma e o interstício ocorrem via paracelular(entre as células) ou via transendotelial (através das células). - Geralmente, solutos menores e gases movem-se por difusão, já solutos maiores por transcitose. - A taxa de difusão é determinada pelo gradiente de concentração, já a transicote ocorre pela formação de vesículas na parede do capilar. → FLUXO DE MASSA: ◦ Conceito: é o movimento do líquido que ocorre devido ao gradiente de concentração das pressões hidrostáticas e coloidosmóticas. • Absorção: direção do fluxo para dentro dos capilares. • Filtração: direção do fluxo para fora dos capilares. - A maioria dos capilares apresenta uma constância de filtração na extremidade arterial e absorção na extremidade venosa. • Forças de Starling: regulam o fluxo de massa nos capilares. ◦ Pressão hidrostática: componente da pressão lateral do fluxo sanguíneo que força o sangue contra a parede do vaso, empurrando o líquido contra os poros dos capilares. ◦ Pressão coloidosmótica: determinada pela pressão de soluto em um compartimento, nesse caso, por causa das proteínas, que estão mais presentes no plasma em relação ao interstício. (OBS: não é equivalente à pressão osmótica total no capilar). - A pressão coloidosmótica é maior no plasma que no líquido intersticial, favorecendo a passagem do líquido no movimento de absorção. - A pressão hidrostática no líquido intersticial é praticamente zero, portanto, favorece a passagem de líquido do plasma para o interstício, caracterizando a filtração. - O fluxo resultante do líquido através do capilar é resultante da diferença entre a pressão hidrostática (∆P), que favorece a filtração, e a pressão coloidosmótica, que favorece a absorção. - Portanto, na extremidade arterial ocorre filtração e na extremidade venosa a absorção. - A filtração geralmente é maior que a absorção, gerando um fluxo de massa do plasma para o líquido intersticial. - O fluxo de massa (linfa) chega a ser de 3 litros por dia, equivalendo ao volume total do plasma, justificando a necessidade da volta deste para o sangue, já que sem essa volta, tal sangue seria constituído apenas de células sanguíneas e proteínas. ① CIRCULAÇÃO LINFÁTICA: - O sistema linfático consiste em um líquido chamado de linfa, vasos sanguíneos, chamados de vasos linfáticos, que transportam a linfa, inúmeras estruturas e órgãos contendo tecido linfático e medula óssea vermelha, na qual as células-tronco se desenvolvem em diversos tipos de células sanguíneas, incluindo linfócitos. - Após a passagem do líquido intersticial para os vasos linfáticos, ele é chamado de linfa. A principal diferença entre o líquido intersticial e a linfa é a localização: o líquido intersticial é encontrado entre as células e a linfa está localizada no interior dos vasos e tecidos linfáticos. O sistema linfático possui três funções primárias: 1. Drenagem do excesso de líquido intersticial: os vasos linfáticos drenam o excesso de líquido intersticial dos espaços teciduais, retomando-o para o sangue. 2. Transporte de lipídios da dieta: os vasos linfáticos transportam lipídios e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) absorvidos pelo trato gastrointestinal. 3. Execução das respostas imunes: o tecido linfático inicia respostas muito específicas, direcionadas contra micróbios específicos ou células anormais. → VASOS LINFÁTICOS E CIRCULAÇÃO LINFÁTICA: - Os vasos linfáticos começam como capilares linfáticos. Estes minúsculos vasos, localizados nos espaços entre as células, são fechados em uma das extremidades. Assim como os capilares sanguíneos convergem para formar as vênulas e, em seguida, as veias, os capilares linfáticos se unem para formar vasos linfáticos maiores, que se assemelham às veias em estrutura, mas possuem paredes mais finas e mais válvulas. - Na pele, os vasos linfáticos se situam no tecido subcutâneo e, geralmente, acompanham as veias; os vasos linfáticos das vísceras, normalmente, acompanham as artérias, formando plexos (redes) em tomo delas. → CAPILARES LINFÁTICOS: - Possuem diâmetro ligeiramente maior do que os capilares sanguíneos e têm uma estrutura única unidirecional, que permite o fluxo do líquido intersticial para dentro, mas não para fora. - As extremidades das células endoteliais que formam a parede de um capilar linfático se sobrepõem. ▫ Quando a pressão é maior no líquido intersticial do que na linfa, as células se separam ligeiramente, como a abertura de uma porta de vaivém unidirecional, e o líquido intersticial entra nos capilares linfáticos. ▫ Quando a pressão é maior dentro do capilar linfático, as células ficam mais justapostas e a linfa não flui de volta para o líquido intersticial. → DUCTOS E TRONCOS LINFÁTICOS: - A linfa passa dos capilares linfáticos para os vasos linfáticos e, em seguida, pelos linfonodos. - À medida que os vasos linfáticos deixam os linfonodos, em uma região específica do corpo, se unem para formar troncos linfáticos. - Os principais troncos são os troncos lombar, intestinal, broncomediastinal, subclávio e jugular. -Os troncos lombares drenam a linfa dos membros inferiores, da parede e vísceras da pelve, dos rins, das glândulas suprarrenais e da parede abdominal. - O tronco intestinal drena a linfa do estômago, intestinos, pâncreas, baço e parte do fígado. - O tronco broncomediastinal drena a linfa da parede do tórax, pulmão e coração. - Os troncos subclávios drenam os membros superiores. - Os troncos jugulares drenam a cabeça e o pescoço. - A linfapassa dos troncos linfáticos para dois canais principais, o dueto torácico e o dueto linfático direito e, em seguida, drena para o sangue venoso. - O ducto torácico (linfático esquerdo) é o principal ducto para o retomo da linfa para o sangue. No pescoço, o ducto torácico recebe a linfa dos troncos jugular esquerdo, subclávio esquerdo e broncomediastinal esquerdo. Consequentemente, o ducto torácico recebe a linfa do lado esquerdo da cabeça, pescoço e tórax, do membro superior esquerdo e de todo o corpo abaixo das costelas. O ducto torácico drena a linfa para o sangue venoso, na junção das veias subclávia e jugular interna esquerdas. - O ducto linfático direito mede aproximadamente 1,2 cm de comprimento e recebe a linfa dos troncos jugular direito, subclávio direito e broncomediastinal direito. Portanto, o ducto linfático direito recebe a linfa do lado superior direito do corpo. Do ducto linfático direito, a linfa drena para o sangue venoso, na junção das veias subclávia e jugular interna direitas. → FORMAÇÃO E FLUXO DA LINFA: - A maioria dos componentes do plasma sanguíneo se infiltra livremente pelas paredes dos capilares para formar o líquido intersticial, porém, mais líquido é removido dos capilares sanguíneos do que retorna para eles, por meio da reabsorção. - O excesso de líquido filtrado - aproximadamente 3 litros por dia - drena para os vasos linfáticos e torna-se linfa. - Como a maioria das proteínas do plasma sanguíneo é muito grande para deixar os vasos sanguíneos, o líquido intersticial contém apenas uma pequena quantidade de proteína. - As proteínas que deixam o plasma sanguíneo não retornam para o sangue por difusão, porque o gradiente de concentração (concentração elevada de proteínas dentro dos capilares sanguíneos, concentração baixa do lado de fora) se opõe a esse movimento. As proteínas, contudo, se movem facilmente pelos capilares linfáticos mais permeáveis para dentro da linfa. Portanto, uma função importante dos vasos linfáticos é levar as proteínas plasmáticas perdidas de volta para a corrente sanguínea. - Como as veias, os vasos linfáticos contêm válvulas que asseguram o movimento unilateral da linfa. - A sequência de fluxo de líquido é: capilares sanguíneos (sangue) → espaços intersticiais (líquido intersticial) → capilares linfáticos (linfa) → vasos linfáticos(linfa) → ductos linfáticos (linfa) → junção das veias subclávia e jugular interna (sangue). → CARACTERÍSTICAS GERAIS DA LINFA: - Em termos gerais, obviamente a composição da linfa é próxima do plasma sanguíneo, mas possuindo menor concentração de proteínas totais (2,5 g% em relação a 5, 7 g%), bem como de lipoproteínas e frações lipídicas, como o colesterol total (67 mg%, em relação a 250 mg% do plasma do sangue). - Isto poderia ser explicado devido a sua formação no interstício, sendo o endotélio linfático muito permeável a água, eletrólitos, proteínas, lipídeos ou macromoléculas em geral, podendo ditas substâncias penetrar com facilidade no capilar linfático, mas sem sair ulteriormente dele. Isso permite estimar a linfa como uma via direta da derivação dos espaços intersticiais. ② DRENAGEM LINFÁTICA: • O que é? - É uma técnica de massagem que tem por objetivo estimular o sistema linfático - uma rede complexa de vasos que movem fluidos pelo corpo - a trabalhar de forma mais acelerada. Entre os principais benefícios do método estão a redução da retenção de líquido, ativação da circulação sanguínea, combate à celulite e até o relaxamento corporal. • Quais os objetivos? - A função da drenagem linfática é retirar a linfa que fica acumulada entre as células, o que pode ser ocasionado por um retardo da pessoa na produção da linfa, por exemplo, ou por dificuldades da absorção por parte das células. Com essa estimulação, há a diminuição do inchaço e melhora da celulite. O procedimento melhora também a circulação em geral, relaxa o corpo e pode atuar discretamente no combate a gordura localizada - uma vez que a massagem aumenta o metabolismo do local. • Como é feita? - Deve ser feita sobre o trajeto dos vasos linfáticos, no sentido do gânglio linfático. Quando feita de forma manual, os movimentos são leves, com pressão em bracelete. - Cada região do corpo pede movimentos diferentes, sempre terminando em algum gânglio linfático. Nas pernas, os movimentos são ascendentes: da perna até a fossa poplítea (parte posterior do joelho), da coxa até a virilha. Na barriga o movimento deve ser feito até a virilha. Já nos braços e tórax, os movimentos vão a caminho das axilas. - Também é possível fazer drenagem linfática no rosto, sempre indo em direção aos gânglios linfáticos, dessa vez do pescoço. Por fim, o couro cabeludo também pode ser algo da massagem, principalmente em dois pontos: na parte alta do crânio e o segundo um pouco mais abaixo em direção as têmporas. - A drenagem linfática pode ser feita com ajuda de aparelhos da endermologia, que possuem mecanismos de vácuo e rolamento - mas não é tão eficiente quanto a manual, uma vez que na última o profissional consegue inspecionar a área a ser massageada e trabalhar mais as áreas mais necessitadas. • Contraindicações: - A drenagem linfática está contraindicada para pessoas com infecção, pois as células infecciosas podem cair no sistema linfático e se espalhar mais facilmente pelo corpo. Pacientes com risco vascular, como insuficiência cardíaca, trombose e hipertensão descompensada também devem evitar o tratamento. • Efeitos: → Efeitos diretos: - aumento da capacidade de admissão dos capilares linfáticos. - aumento da velocidade da linfa transportada. - aumento da quantidade de linfa processada pelos gânglios linfáticos. - estímulo fortalecedor sobre a musculatura lisa de arteríolas, metarteríolas e vasos linfáticos. - aumento da oxigenação e desintoxicação da musculatura esquelética. - aumento da motricidade intestinal. - otimização das imunoreações humorais e celulares. - normalização do sistema nervoso vegetativo. → Efeitos indiretos: - maior eficiência da nutrição celular. - maior eficiência da oxigenação dos tecidos. - desintoxicação da substância fundamental. - maior eficiência na distribuição dos hormônios. - aumento da quantidade de líquidos excretados. ③ FISIOLOGIA DO EDEMA: - Edema é definido como acúmulo de líquido no espaço intersticial. - Para que o edema ocorra, deve haver uma quebra dos mecanismos que controlam a distribuição do volume de líquido no espaço intersticial. - Essa desregulação pode ser localizada e envolver apenas os fatores que influenciam o fluxo de fluido ao longo do leito capilar, ou, ainda, pode ser secundária a alterações dos mecanismos de controle do volume do compartimento extracelular e do líquido corporal total, o que, na maioria das vezes, ocasiona edema generalizado. → ASPECTOS FISIOPATOLÓGICOS (EQUILÍBRIO DE STARLING): - Em resumo, o fluxo dos fluidos, no nível capilar, depende da permeabilidade da parede capilar, definida pela constante Kf, e pela diferença entre as variações das pressão hidrostática e da pressão coloidosmótica ao longo do leito capilar. - Assim: Fluxo = Kf . (∆Pc - ∆c) - Perturbações nas variáveis que regem o equilíbrio de Starling poderão ocasionar edema. - Caso ocorram em um território capilar restrito, haverá formação de edema localizado. Os grandes edemas envolvem, geralmente, alterações sistêmicas mais complexas, sendo ocasionados, na maioria das vezes, por perturbações nos mecanismos de controle do volume extracelular. Nesse caso, haver· aumento do volume extracelular e do peso corpóreo. - O aparecimento de edema é consequência de alterações na homeostase do sódio e da água. - Como ocorre na fisiopatologia das doenças, os processos mórbidos são multifatoriais, ou seja, vários fatores atuam simultânea e conjuntamente para desencadear um determinadoquadro patológico. O edema não foge à tal regra. - Os principais sistemas de regulação, ou seja, o sistema nervoso autônomo simpático (SNAS) e o sistema reninangiotensina-aldosterona (SRAA) atuam ou dependem do envolvimento renal. - Os rins são, dessa forma, não só o principal efetor no balanço de água e sódio, mas, também, um importante sensor, levando ao SNC informações sobre o volume extracelular através das aferências nervosas das arteríolas renais (início da via SRAA). - Em adição aos sensores de volume e pressão, localizados nas arteríolas aferentes, a mácula densa também é um importante sensor da concentração de sódio no interior dos túbulos renais e, em conjunto com o SNAS, controla a liberação de renina do aparelho justaglomerular renal. - Além disso, o volume de sangue arterial efetivo (VSAE), um parâmetro de difícil mensuração, representa o volume de sangue necessário para manter o retorno venoso, a perfusão tecidual e o débito cardíaco dentro dos valores normais. - O VSAE depende do volume de sangue ejetado pelo coração (volume sistólico), que é diretamente influenciado pelo retorno venoso ao átrio direito (lei de Frank-Starling), que, por sua vez, depende do tônus das grandes veias e, principalmente, do volume de sangue intravascular. A redução do VSAE ativará os mecanismos de controle de volume no sentido da retenção renal de água e sódio. → EDEMA DE ORIGEM CARDÍACA: - Fundamentalmente, o que leva à formação desse edema é a queda do débito cardíaco, em consequência da falência do miocárdio. - Como resultado, eleva-se a pressão venosa sistêmica ao mesmo tempo em que se reduz o volume arterial efetivo de sangue (VAES). - O volume de sangue, que banha os átrios cardíacos, o ventrículo esquerdo (VE), o arco ártico, o seio carotídeo e a arteríola aferente renal, é crítico para o controle da volemia, pois esses são segmentos providos de receptores de volume e mecanorreceptores que acusam um maior ou menor enchimento do lado arterial da circulação. - Desse modo, fala-se em repleção vascular, overfilling, ou depleção vascular arterial, underfilling. - Quando se fala em redução do volume arterial efetivo de sangue (VAES), entende-se um enchimento deficiente do leito vascular arterial; expansão do VAES corresponde a um enchimento supérfluo do leito cardiovascular arterial. - A queda do débito cardíaco (DC) na insuficiência cardíaca congestiva (ICC) acarreta uma elevação da pressão venosa sistêmica e distúrbio do equilíbrio das forças de Starling nos capilares periféricos. Prevalecendo a pressão hidráulica intravascular na extremidade venosa do capilar, fica dificultado o retorno do líquido intersticial para o capilar, e água acumula-se no interstício. - Essa redistribuição do fluido extracelular concorre para a formação de edemas. - Outra consequência da queda no DC é a diminuição do VAES, ou seja, ocorrerá um enchimento deficiente do leito vascular arterial, com sensibilização de volumerreceptores e/ou mecanorreceptores. - Clinicamente, é um edema gravitário por excelência, por causa da pressão venosa elevada nas extremidades e, portanto, acentua-se com a ortostase, no correr do dia (edema vespertino). OBS: outros tipos de edemas → nefrítico, nefrótico e cirrótico. ④ DISPNEIA: - Dispneia é o termo usado para designar a sensação de dificuldade respiratória, experimentada por pacientes acometidos por diversas moléstias, e indivíduos sadios, em condições de exercício extremo. - Ela é um sintoma muito comum na prática médica, sendo particularmente referida por indivíduos com moléstias dos aparelhos respiratório e cardiovascular. - A compreensão dos mecanismos relacionados com a gênese da dispneia envolve o conhecimento detalhado dos sistemas de controle da ventilação e das alterações da mecânica respiratória e das trocas gasosas observadas, tanto em condições fisiológicas como em patológicas. - A atividade motora respiratória emana de grupos de neurônios, localizados no bulbo. - As descargas respiratórias eferentes ativam os músculos respiratórios, que expandem a caixa torácica, inflam os pulmões e levam à ventilação. - Quimiorreceptores, localizados nos vasos e cérebro, bem como mecanorreceptores, localizados nas vias aéreas, pulmões, caixa torácica e músculos respiratórios, estão envolvidos na regulação automática da respiração e também parecem desempenhar um papel em promover as sensações de dispneia. - Mudanças na PCO2 e PO2 são detectadas pelos quimiorreceptores centrais, localizados no bulbo, e pelos quimiorreceptores periféricos, localizados na carótida e aorta. Sinais originados nesses quimiorreceptores são transmitidos de volta para o tronco cerebral, para o ajuste da respiração e manutenção da homeostase acidobásica. - Impulsos aferentes a partir de receptores vagais também interferem no padrão respiratório: receptores pulmonares de estiramento são estimulados à medida que o pulmão se expande; receptores de irritação, localizados no nível do epitélio brônquico, são ativados pela estimulação mecânica da mucosa brônquica, altas taxas de fluxo aéreo e elevações do tônus da musculatura brônquica; as chamadas fibras C, localizadas no interstício pulmonar, em proximidade aos alvéolos, respondem a elevações das pressões intersticiais e capilares. - A sensação de dispneia parece surgir pela ativação de sistemas sensoriais, envolvidos com a respiração. - A informação sensorial, por sua vez, seria enviada para centros cerebrais superiores, onde o processamento dos sinais modularia a expressão da sensação evocada, sob a influência de fatores cognitivos e comportamentais. - Uma teoria geral para o surgimento de dispneia, comumente aceita, é a chamada teoria da dissociação eferente-reaferente. A dispnéia resultaria de uma dissociação ou desequilíbrio entre a atividade de neurônios motores, respiratórios, localizados no sistema nervoso central e a correspondente informação sensorial aferente, captada pelos receptores especializados, localizados nas vias aéreas, pulmões e caixa torácica. O contínuo feedback aferente, a partir desses receptores sensoriais, permitiria ao cérebro avaliar a efetividade da resposta aos comandos neurológicos, motores, enviados para os músculos respiratórios, sob a forma do surgimento de fluxos, volumes e pressões, proporcionais ao estímulo inicial. Quando as respostas aferentes não fossem proporcionais aos estímulos motores iniciais, a respiração tornar-se-ia consciente e desconfortável. - É possível que ocorra a ativação do córtex insular em resposta à dispneia provocada por elevações discretas da PaCO2 e baixos volumes correntes. Tal área do cérebro faz parte do sistema límbico e costuma ser ativada por estímulos desconfortáveis, como dores e náuseas. → DISPNEIA: DENOMINAÇÕES ESPECIAIS ◦ Dispnéia de Esforço: É o nome dado ao surgimento ou agravamento da sensação de dispnéia por atividades físicas. É uma queixa bastante comum e inespecífica entre portadores de pneumo e cardiopatias. ◦ Ortopnéia: É a denominação dada ao surgimento ou agravamento da sensação de dispnéia com a adoção da posição horizontal. Classicamente, surge em pacientes portadores de insuficiência cardíaca esquerda e é associada com o estabelecimento de congestão pulmonar. Nessas condições, a presença de congestão pulmonar leva a rápidas alterações da complacência pulmonar, promovendo aumento do trabalho dos músculos respiratórios, com consequente surgimento de dispneia. A queda da complacência pulmonar é atribuída a elevações da pressão hidrostática intravascular (coluna de sangue situada abaixo do nível cardíaco) nas regiões dependentes do pulmão, que acabam por ocupar áreas mais extensas, quando a posição deitada é assumida. ◦ Dispnéia paroxística noturna: É o nome dado à situação na qual o paciente tem seu sono interrompido por uma dramática sensaçãode falta de ar, levando-o a sentar-se no leito, ou mesmo levantar-se e procurar uma área da casa mais ventilada, visando obter alívio da súbita sensação de sufocação. Pode estar presente ainda sudorese profusa. Dispnéia paroxística noturna é uma condição comum em pacientes portadores de insuficiência cardíaca esquerda. Nesses casos, admite-se que, durante o sono, a reabsorção do edema periférico leve à hipervolemia sistêmica e pulmonar, com conseqüente agravamento da congestão pulmonar. As sobrecargas hemodinâmicas, que ocorrem em uma fase particular do sono, chamada de fase dos movimentos rápidos dos olhos (REM), podem contribuir para o agravamento da congestão pulmonar e facilitar o surgimento desse tipo de dispneia. No sono REM, documenta-se grande estimulação dos nervos simpáticos sobre o sistema cardiovascular. Asma cardíaca: É um termo inapropriado, usado para designar a queixa de chiado no peito e a presença de sibilos em pacientes com insuficiência cardíaca esquerda e sintomas de dispneia. Habitualmente, tais achados são encontrados em indivíduos com ortopneia e dispneia paroxística noturna. Admite-se que o estreitamento das pequenas vias aéreas por edema da mucosa e reflexos gerados a partir de receptores nervosos, localizados no interstício pulmonar, com consequente broncoespasmo, estejam envolvidos na gênese de tais fenômenos. Platipnéia: É o nome dado à sensação de dispneia, que surge ou se agrava com a adoção da posição ortostática, particularmente em pé. Classicamente, esse fenômeno ocorre em pacientes com quadros de pericardite ou na presença de shunts direito-esquerdos. Nesta situação, pode vir acompanhada de ortodeoxia, ou seja, queda acentuada da saturação arterial de oxigênio com a posição em pé. Platipnéia e ortodeoxia são achados clássicos da síndrome hepatopulmonar, que se estabelece secundariamente à presença de dilatações vasculares intrapulmonares. Trepopnéia: É a sensação de dispneia, que surge ou piora em uma posição lateral, e desaparece ou melhora com o decúbito lateral oposto. É uma queixa não específica, que pode surgir em qualquer doença, comprometendo um pulmão mais intensamente do que o outro. Exemplos dessa condição seriam a ocorrência de derrame pleural unilateral ou paralisia diafragmática unilateral. OBS: ritmo respiratório na doença cardíaca: Ritmo de Cheynes-Stockes: Caracteriza-se pela alternância de períodos de apnéia, seguidos por hiperpnéia crescente e decrescente, até a instalação de nova apnéia, e, assim, sucessivamente. Esse ritmo respiratório ocorre mais comumente em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave, podendo também estar presente em vigência de lesões do sistema nervoso central e hipertensão intracraniana. Nos casos de insuficiência cardíaca, sua gênese é explicada pelo aumento do retardo circulatório dos pulmões para o cérebro. Nessa situação, ocorre uma dissociação entre os valores de pH e PaCO2 no nível pulmonar e no nível dos quimiorreceptores centrais, levando ao surgimento da respiração periódica. ⑤ INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: ◦ Definição: é a disfunção do coração que leva à inabilidade deste órgão de prover um DC que seja suficiente para suprir a demanda metabólica no corpo por oxigênio e nutrientes. - A principal causa é a contratilidade reduzida do miocárdio, resultante do fluxo coronariano diminuído. - A insuficiência pode ser causada também por lesão das valvas cardíacas, pressão externa em torno do coração, deficiência de vitamina B etc. → DINÂMINA CIRCULATÓRIA NA IC: • Efeitos agudos: ocorrem em coração subitamente lesado. - Os principais são: débito cardíaco reduzido e aumento da pressão venosa. ◦ Compensação simpática: - Sinais advindos dos barorreceptores, por exemplo, ou dos quimiorreceptores ativam os reflexos autônomos em poucos segundos, aumentando a atividade simpática e reduzindo a parassimpática. - Os estímulos geram duas consequências principais: sobre o próprio coração e sobre a vasculatura periférica. - A musculatura cardíaca é estimulada, de forma que o coração se torne uma bomba mais forte, aumentando o débito cardíaco. No caso de áreas extremamente lesionadas, a prioridade é pelo estímulo das áreas menos prejudicadas adjacentes. - Há também o aumento do retorno venoso por aumento do tônus dos vasos sanguíneos, principalmente das veias, elevando a pressão média de enchimento sistêmico. - O coração passa a ter uma tendência maior de receber o sangue vindo das veias. Consequentemente, ocorre um maior aumento da pressão atrial direita, ajudando o coração a bombear quantidades maiores de sangue. - Cerca de 30 segundos é o tempo máximo para que o estímulo nervoso esteja plenamente desenvolvido, o que pode levar a pessoa com IC a sentir, no máximo, dor cardíaca e uma breve sensação de desmaio. • Efeito crônicos: após os primeiros minutos do ataque agudo. - Caracteriza-se principalmente por dois eventos: retenção de líquidos pelos rins e variados graus de recuperação do próprio coração por períodos de semanas a meses. - O baixo débito cardíaco exerce efeito sobre a função renal, causando baixo volume de urina até, em certos casos, anúria. Em geral, o débito urinário permanece baixo enquanto o débito cardíaco e a pressão arterial permanecem abaixo do normal. ◦ Retenção moderada de líquidos: - O aumento moderado dos líquidos corporais e do volume sanguíneo é um fator importante para compensar a diminuição da capacidade de bombeamento do coração pelo aumento do retorno venoso. - O aumento do volume do sangue aumenta o retorno venoso por meio de duas maneiras: primeira, aumenta a pressão média de enchimento sistêmico, que aumenta o gradiente de pressão, responsável pelo fluxo venoso de sangue para o coração; segunda, distende as veias, o que reduz a resistência venosa. - Nos casos em que o coração não for lesado de forma excessiva, esse aumento do retorno venoso pode, muitas vezes, compensar de forma completa a capacidade de bombeamento cardíaco. ◦ Retenção excessiva de líquidos: - Pode ter consequências fisiológicas séria. Exemplo: 1- distenção excessiva do coração, enfraquecendo-o; 2- filtração do líquido pelos pulmões, causando edema pulmonar; 3- desenvolvimento de edema extenso na maior parte do corpo. → ALTERAÇÕES QUE OCORREM NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA (COMPENSADA): - Pode ser dividida nos seguintes estágios: (1) efeito instantâneo da lesão cardíaca (2) compensação pelo SNAS (30seg-1min) (3) compensação crônica resultante da recuperação parcial do coração e da retenção renal de líquido - Quando a pessoa está em insuficiência compensada, qualquer tentativa de realizar exercícios intensos em geral causa retorno imediato dos sintomas da insuficiência aguda, pois o coração não é capaz de aumentar sua capacidade de bombeamento até os níveis necessários para o exercício. Diz-se que a reserva cardíaca está reduzida na insuficiência compensada. → INSUFICIÊNCIA CARDÍACA GRAVE (DESCOMPENSADA): - Se o coração for gravemente lesado, nenhum tipo de compensação, seja pelo SNAS ou pela retenção de líquido, pode fazer com o que o coração enfraquecido bombeie um débito cardíaco normal. - Por conseguinte, o rim não consegue excretar a quantidade normal de líquido, aumentando a retenção, levando à formação de edema generalizada. - Portanto, a principal causa da insuficiência cardíaca descompensada é a incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para fazer com que os rins excretem, diariamente, as quantidades necessárias de líquido. ◦ Análise gráfica da insuficiência descompensada: - A curva do débito cardíaco diminui de modo acentuado após o coração ficar gravemente enfraquecido. *PONTO A: estado da circulação antes de qualquer compensação. *PONTO B: poucos minutos após a estimulação simpática ter ocorrido, antes do inícioda retenção de líquido. - A pessoa parece estar em condição razoavelmente boa, porém sem instabilidade, já que o débito cardíaco não se elevou o suficiente para promover a excreção renal adequada de líquido. *LINHA RETA: nível crítico do débito cardíaco, no adulto, para fazer com que os rins estabeleçam o equilíbrio hídrico normal (débito de sal e água tão grande quanto a ingestão). - Em qualquer valor abaixo desse nível, todos os mecanismos de retenção de líquido permanecem em ação, e o volume do líquido corporal aumenta progressivamente. *PONTO C: débito cardíaco continua aumentando, juntamente com a pressão atrial direita, entretanto, ainda não é suficiente para promover a excreção renal normal de líquido, perpetuando a retenção. Após poucos dias de retenção líquida, a pressão atrial direita aumentou ainda mais, mas agora a função cardíaca começa a declinar para um nível mais baixo. Esse declínio é causado ela distenção excessiva do coração, edema do miocárdio e outros fatores que diminuem o desempenho do músculo cardíaco. - Gradativamente, a retenção de líquido vai acelerando, devido à própria redução do débito cardíaco. *PONTO F: estado de incompatibilidade com a vida, levando o paciente à morte. - Conclui-se que a incapacidade do débito cardíaco (e da PA) de aumentar o nível crítico necessário à função renal normal, resulta em: retenção progressiva de líquidos, elevação da pressão média de enchimento sistêmico e elevação progressiva da pressão atrial direita até o coração ser distendido ou edemaciado, não bombeando nem quantidades moderadas de sangue. - Essas condições sérias geralmente levam ao edema pulmonar e à dispneia. ⑥ INSUFICIÊNCIA CARDÍACA ESQUERDA: - Ocorre na maioria dos pacientes com quadro de IC. - Predomina em relação à do lado direito, sendo difícil encontrar casos de falência do lado direito sem a ocorrência no esquerdo primeiramente. - Quando ocorre a insuficiência unilateral esquerda, o sangue continua a ser bombeado para os pulmões com o vigor cardíaco normal, enquanto não é bombeado para fora dos pulmões para o lado esquerdo. Como resultado, a pressão média de enchimento pulmonar aumenta, devido ao deslocamento de grandes volumes de sangue da circulação sistêmica para a pulmonar. - A disfunção ventricular esquerda pode ocorrer em consequência de: fraqueza da contração ventricular (disfunção sistólica), relaxamento ventricular anormal (disfunção diastólica) ou espessamento anormal do ventrículo (obstrução da via de saída). • DISFUNÇÃO SISTÓLICA: alteração da contratilidade miocárdica com pressão ventricular reduzida, consequentemente débito cardíaco reduzido. MEDIDAS COMPENSATÓRIAS: ▪ Aumento da pré-carga: sangue residual (pós-carga elevada) + fluxo sanguíneo normal. ▪ Aumento do estado inotrópico: via aumento da ativação simpática, ativação de receptores B-adrenérgicos (B2) do ventrículo aumentam a concentração de Ca+2 intracelular, aumentando a contratilidade miocárdica. ▪ Aumento da FC: estimulação dos B-adrenérgicos (B1) do NSA, mantendo o débito já que este é o produto do volume sanguíneo (débito sistólico) e da frequência cardíaca. ▪ Dilatação e hipertrofia ventriculares: se a depressão da contratilidade for grave e duradoura, o ventrículo esquerdo desenvolverá hipertrofia e dilatação em resposta ao aumento do estresse. OBS: a hipertrofia, nesse caso, será a excêntrica (miócitos em série), devido à pressão de volume aumentada. Com a contínua exposição à sobrecarga de volume, o ventrículo dilata-se desproporcionalmente em relação ao aumento da espessura da parede, devido à morte de miócitos e substituição destes por colágeno e outros tipos de tecido conjuntivo. A proporção de mitocôndrias por miofibrilas também diminui, levando à redução do suprimento sanguíneo para o miócito. • DISFUNÇÃO DIASTÓLICA: enchimento anormal do ventrículo esquerdo, devido à complacência reduzida ou distensibilidade anormal deste. CAUSAS MAIS COMUNS: ▫ Hipertensão (aumento da pós-carga): aumento constante da tensão sistólica da parede levará à hipertrofia concêntrica dos miócitos, a partir da replicação paralela dos sarcômeros. ▫ Hipertrofia primária do ventrículo: causas genéticas; ocorre principalmente hipertrofia do septo interventricular. ▫ Isquemia: a diminuição da concentração dos fosfatos de alta energia, em decorrência da isquemia, resulta em concentrações altas de Ca+2 intracelular e ligações cruzadas residuais. Ocorre, dessa forma, uma diminuição da distensão devido à contração latente. ▫ Cardiomiopatia infiltrativa: infiltração do miocárdio por substâncias anormais. Ex: sarcoidose, amiloidose e hemocromatose. • CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA (OBSTRUÇÃO DA VIA DE SAÍDA): - Doença autossômica dominante caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda na ausência de qualquer sobrecarga externa. - É relativamente rara, com ocorrência de 0,1% na população. - Frequentemente, a hipertrofia é assimétrica e mais proeminente no septo ventricular. - Os miócitos ficam dispostos em um padrão irregular, aleatório e desorganizado, ao invés do paralelo habitual (concêntrica). - As paredes miocárdicas apresentam um grau significativo de fibrose. FISIOPATOLOGIA: - Estreitamento da via de saída do ventrículo esquerdo e rápida velocidade de ejeção. - A via de ejeção é relativamente próxima da válvula anterior e pode puxar essa estrutura em direção ao septo pelo efeito Venturi(quando um líquido flui através de um tubo estreito, se a velocidade do fluxo aumenta, diminui a pressão dentro do tubo). EDEMA NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: →AGUDA: - A insuficiência cardíaca aguda esquerda é capaz de levar ao edema pulmonar. - Entretanto, as insuficiências cardíacas esquerda ou direita é lenta para causar o edema periférico. A pressão aórtica cai e a pressão atrial se eleva, ocorre a redução do débito cardíaco gradativamente e, consequentemente, queda na pressão capilar periférica. → CRÔNICA: - Ocorre pela retenção de líquido pelos rins. - Essa retenção aumenta a pressão média de enchimento sistêmico, resultando em tendência aumentada do sangue para retornar ao coração. Essa tendência aumentada eleva a pressão atrial direita para um valor ainda maior e faz com que a pressão arterial volte ao normal. Desse modo, a pressão capilar também aumenta de forma acentuada, causando a saída de líquido para os tecidos e o desenvolvimento de edema grave. - As principais causas de produção renal reduzida de urina durante a IC são: ▫ Filtração glomerular diminuída: a diminuição do débito cardíaco tende a reduzir a pressão glomerular nos rins em razão da PA reduzida e da constrição simpática das arteríolas. ▫ Ativação do SRAA e aumento da reabsorção de água e de sal pelo tubos renais: aumento da secreção de renina, pelos rins, aumentando a produção de angiotensina, que medeia a redução do fluxo nos rins, reduzindo a pressão nos capilares e promovendo grande reabsorção de água e sal pelos túbulos. ▫ Aumento da secreção de aldosterona: é secretada pelo córtex adrenal e aumenta a absorção de sódio pelos túbulos renais. OBS: O papel do PNA no retardo do início da descompensação cardíaca - Com o estiramento dos átrios na IC, é criado o estímulo para liberação do PNA, que atua sob efeito direto nos rins, promovendo a maior excreção de sal e água. - Ajuda a prevenir sintomas extremos durante a IC. DISPNEIA NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: - A elevação das pressões diastólicas finais direita e esquerda pode ser transmitida ao átrio esquerdo, às veias e capilares pulmonares. - Se a elevação da pressão for suficientemente alta para suplantar a pressão coloidosmótica plasmática, o líquido deixa os capilares em direção aos alvéolos (edema). - O líquido intersticial em abundância pode ser drenado pelo sistema linfático, no entanto, esse aumentode fluxo, com o sequestro de líquido nos espaços intersticiais, causa hipóxia e taquipneia em consequências de alterações na relação perfusão- ventilação, bronconstrição reacional e compressão direta dos bronquíolos e de pequenas dimensões pelo fluido intersticial. - A falta de ar de evolução crônica, associada à insuficiência cardíaca, é devida com maior frequência ao aumento do “espaço morto” pulmonar e alterações crônicas da relação perfusão-ventilação. ⑦ INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DIREITA: - A insuficiência do ventrículo direito é análoga à do ventrículo esquerdo em vários aspectos. - Ocorre principalmente sob a forma de disfunção sistólica e a causa mais comum é a sobrecarga pressórica secundária à elevação da pressão da artéria pulmonar. - A causa mais comum deste quadro é a própria insuficiência cardíaca esquerda, pelo aumento das pressões de enchimento do lado esquerdo, que é transmitido através da vasculatura pulmonar até o lado direito. - Consequentemente, o coração direito sofre um aumento de pós-carga de maneira semelhante à do esquerdo. ⑧ REFLEXO DE BAINBRIDGE: - Responde às variações da PVC e do átrio direito via mecanorreceptores da parede atrial e da junção cavo-atrial. - Impulsos seguem via nervo vago ao centro cardiovascular. - Estímulos: aumento no volume intravascular e nas pressões de enchimento, inibição parassimpática, aumento da FC via SNAS. ⑨ TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DA IC: → FATORES NEURO-HUMORAIS ENVOLVIDOS NA IC: → OBJETIVOS DO TRATAMENTO: - Reduzir o estresse na parede ventricular - Inibir SNA e SRAA - Diminuir pré-carga e pós-carga - Aumentar o inotropismo → FÁRMACOS UTILIZADOS: 1. DIURÉTICOS • Mecanismo de ação: aumenta a eliminação renal de sal e água, reduzindo o volume de fluido intravascular intersticial e a pressão de enchimento ventricular (pré-carga), diminuindo, em consequência, a retenção de fluido e eliminando a congestão pulmonar e os edemas periféricos. DIURÉTICOS DE ALÇA: Atuam inibindo o ion transportador NaK2Cl encontrado na membrana apical de células epiteliais renais no ramo ascendente da alça de HENLE. A inibição do NaK2Cl resulta em aumento acentuado da excreção de Sódio e Cloro, indiretamente de Ca e Mg e com a queda de concentração de solutos no interstício medular diminui a reabsorção de água no túbulo coletor, aumentando a sua eliminação. A eliminação de sódio e água aumenta a eliminação de K+ e H+, processo acelerado pela aldosterona. EX: Furosemida. DIURÉTICOS TIAZÍDICOS: inibe a ação do ion transportador Na+CL- no túbulo distal com aumento de eliminação de Na+, Cl-, K+ e água. 2. INIBIDORES DO SRAA INIBIDORES DA ECA: - Indicados em todos os estágios da IC 9 - ↓ RVP - ↓ pré- e pós-carga - ↓ aldosterona - ↓ remodelamento cardíaco (uso crônico) 3. ANTAGONISTAS ADRENÉGICOS Benefício: - ↓ atividade de catecolaminas - ↓ trabalho cardíaco - ↓ renina, remodelamento 4. CARDIOTÔNICOS - Aumentam a força de contração e o débito cardíaco. 5. VASODILATADORES: - Compensação para o aumento da PA. - Aumenta o retorno venoso. - Diminui pré-carga. RESUMO DA ATUAÇÃO DOS FÁRMACOS: EFEITO DOS GLICOSÍDEOS CARDÍACOS SOBRE A CONTRATILIDADE: - Atuam como agentes inotrópicos positivos. - Sua ação é a inibição da Na+K+ATPase. - Menos Na+ é bombeado para fora da célula, aumentando sua concentração intracelular. - A troca de Ca+2Na+ é um dos mecanismos que eliminam o Ca+2 que entra durante o platô. Como não existe mais energia advinda do gradiente de Na+, o Ca+2 fica preso no meio intracelular. - Esses fármacos atuam, portanto, aumentando a contratilidade do miocárdio.