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TUTORIAL 06- HEMATO INFLAMAÇÃO A inflamação é uma resposta protetora (parte da imunidade inata) que envolve células do hospedeiro, vasos sanguíneos, proteínas e outros mediadores. Ela é destinada a eliminar a causa inicial da lesão celular, bem como as células e tecidos necróticos que resultam da lesão original e começar o processo de reparo A inflamação realiza sua função diluindo, destruindo ou neutralizando os agentes nocivos. Sem inflamação, as infecções prosseguiriam sem controle e as feridas jamais cicatrizariam Normalmente os leucócitos circulam na corrente sanguínea e o objetivo da reação inflamatória é leva-los para o local infectado em um movimente conhecido como diapedese. Além disso, as células das paredes vasculares e algumas proteínas da matriz extracelular (MEC) também auxiliam no processo de inflamação e reparo Esse processo também pode causar danos consideráveis, quando há reação: Muito forte- infecção acentuada Prolongada- agente resiste a erradicação Inapropriada- direcionada contra antígenos próprios ou contra antígenos ambientais pois os componentes que lesam os agentes podem lesar tecidos normais ETAPAS DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA (5Rs) 1- Reconhecimento do agente lesivo 2- Recrutamento dos leucócitos 3- Remoção do agente 4- Regulação (controle) da resposta 5- Resolução (reparo) SINAIS CARDINAIS São as manifestações externas da inflamação, consequência das alterações vasculares e do recrutamento e ativação dos leucócitos · Dor, Rubor, Calor, Tumor e perda de função CONTROLE E AUTOLIMITAÇÃO A inflamação é normalmente controlada e autolimitada. As células e mediadores são ativadas apenas em resposta a lesão, e como tem vida curta, são degradados e tornam-se inativos quando o agente agressor é eliminado CARACTERÍSTICAS BÁSICAS Pode ser aguda ou crônica INFLAMAÇÃO AGUDA- Início rápido e curta duração (poucos minutos a poucos dias) Estímulos para inflamação aguda: Infecções- vírus, bactérias, fungos, parasitas Trauma- corte e penetração, ou/e agente químicos e físicos (lesão térmica, radiação) Necrose tecidual- qualquer (como isquemia) e lesão química ou física Corpos estranhos- farpas, suturas, poeira Reações imunológicas (hipersensibilidade)- contra substâncias ambientais ou contra os próprios tecidos Esses estímulos são reconhecidos por fagócitos, células dendríticas e outras células, que expressam receptores para sentir a presença de patógenos infecciosos e substancias liberadas pelas células. Esses receptores são chamados de receptores padrão de reconhecimento, mas duas famílias mais importantes são os tipo Toll e o inflamossomo. ALTERAÇÕES VASCULARES Vasodilatação- (causando eritrema e calor) Aumento da permeabilidade vascular- células endoteliais dos vasos se contraem (histamina, bradicinina e leucotrienos), criando espaços entre elas, para que proteínas plasmáticas deixem a circulação (EXSUDAÇÃO). Causando EDEMA, pois as prot do fluido exsudado puxam agua para o espaço intersticial por osmose Isso deixa as hemácias mais concentradas, + visc do sangue, - fluxo. (ESTASE). EVENTOS CELULARES : recrutamento e ativação celular dos leucócitos (princ neutrófilos). Eles se acumulam ao longo da superfície do vaso (MARGINAÇÃO) Os leucócitos podem se acumular na parede dos vasos danificados. Liberando substâncias tóxicas que danificam ou causam o desprendimento das células endoteliais, piorando a lesão e aumentando o extravasamento. RESPOSTA DOS VASOS LINFÁTICOS: fluxo da linfa aumenta e auxilia a drenagem do fluido do edema Na linfa podem caminhar leucócitos, restos celulares e até o agente lesivo Linfadenite reativa- Linfangite- RECRUTAMENTO DOS LEUCÓCITOS : para a função normal dos leucócitos na defesa, é necessário assegurar que o recrutamento e ativação ocorram apenas quando necessário MARGINALIZAÇÃO E ROLAGEM Marginalização é o acumulo de leucócitos na periferia dos vasos e a rolagem é que eles vão rolando na superfície endotelial com adesões fracas e transitórias envolvidas na rolagem, mediadas pelas selectinas ADESÃO E TRANSMIGRAÇÃO Quando ocorre uma inflamação, os leucócitos se movem para o local da lesão. As quimiocinas (substâncias que atraem leucócitos) ajudam a ativar as células, fazendo com que suas integrinas (proteínas de adesão nas células) se mudem para uma forma de alta afinidade. Isso faz com que os leucócitos se adiram firmemente às células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos. Após a adesão, os leucócitos migram para fora dos vasos sanguíneos, guiados pelas quimiocinas que orientam o movimento das células. Elas atravessam as paredes dos vasos, através de pseudópodes (o processo é chamado de diapedese) em direção aos locais da inflamação. Quando os leucócitos passam pela parede do vaso, eles secretam colagenases (enzimas) que quebram a membrana basal do vaso, permitindo a passagem para os tecidos inflamatórios. PECAM-1 (CD31): é uma proteína presente tanto nos leucócitos quanto nas células endoteliais, que facilita a adesão e a passagem dos leucócitos através da parede do vaso. QUIMIOTAXIA Migração dos leucócitos, após o extravasamento, em direção ao local da lesão ou lesão, ao longo de um gradiente químico Mediadores que atuam como fatores quimiotáxicos 1- Produtos bacterianos 2- Citocinas 3- Componentes do sistema complemento 4- Produtos da via lipoxigenase do metabolismo do ácido araquidônico FAGOCITOSE Consiste em 3 etapas inter-relacionadas 1- Reconhecimento e fixação da partícula ao linfócito fagocítico 2- Engolfamento com formação do vacúolo fagocítico 3- Destruição e degradação do material ingerido Os leucócitos reconhecem e capturam micróbios ou células mortas usando receptores específicos na sua superfície. Esses receptores identificam opsoninas, que são proteínas que revestem os micróbios ou células mortas e as tornam mais fáceis de serem ingeridas. Principais Opsoninas: •Anticorpos IgG: Eles se ligam aos micróbios e os marcam para a fagocitose. •Proteína C3: Produtos de degradação da proteína C3, que fazem o micróbio se tornar um alvo. •Colectinas: Proteínas que se ligam a açúcares nas paredes celulares dos micróbios. Quando os leucócitos reconhecem as partículas opsonizadas, eles engolem o micróbio ou célula morta. Isso acontece quando pseudópodes (projeções da célula) se estendem ao redor da partícula e a envolvem, formando um vacúolo fagocítico. O vacúolo fagocítico se funde com lisossomos (organelas que contêm enzimas digestivas), formando o fagolisossomo. No fagolisossomo, as enzimas digestivas quebram o micróbio ou célula morta, eliminando-os do corpo. DESTRUIÇÃO E DEGRADAÇÃO DOS MICRO-ORGANISMOS Depois que os leucócitos ingerem os microrganismos, eles precisam destruí-los (no fagolisossomo). Isso acontece expondo as partículas ingeridas a substâncias que as destroem. Dentro dos lisossomos, são produzidas substâncias que matam os microrganismos, como espécies reativas de oxigênio (ERO) e enzimas lisossômicas. Durante a fagocitose, ocorre um aumento do consumo de oxigênio, que leva à produção de ERO. A glicose é metabolizada (através da glicogenólise e oxidação) para fornecer energia e gerar essas substâncias microbicidas. Os microrganismos mortos são degradados por enzimas, como a elastase (uma das principais hidrolases) presentes nos lisossomos. Além das ERO e enzimas, outros componentes dos grânulos dos leucócitos, como lisozima, proteína básica principal e defensinas, também ajudam a destruir os patógenos. LESÃO TECIDUAL INDUZIDA POR LEUCÓCITOS Infecções difíceis de erradicar (como tuberculose e algumas doenças virais): Em certos casos, a resposta imune do hospedeiro pode ser mais prejudicial do que o próprio agente infeccioso. Durante a tentativa de eliminar o patógeno, a inflamação pode se intensificar, levando a danos significativos nos tecidos. No caso da tuberculose, os macrófagos ativados podem gerar lesões adicionais ao tentar conter a bactéria, resultando em áreas de necrose e dano tecidual. Processos inflamatórios exacerbados (como infarto e reperfusão):A tentativa de reparo de um infarto por meio da inflamação pode piorar o quadro, uma vez que a reentrada de sangue (reperfusão) pode liberar citocinas e leucócitos que geram danos adicionais aos tecidos comprometidos. Reações autoimunes ou hipersensibilidade excessiva: Em doenças autoimunes, como lupus ou artrite reumatoide, ou em condições de hipersensibilidade como asma alérgica, a resposta imune é inadequada, dirigindo-se contra os próprios tecidos do hospedeiro ou substâncias inofensivas (como pólen ou poeira). No caso da asma, por exemplo, os leucócitos infiltram os pulmões e liberam mediadores inflamatórios que danificam os tecidos pulmonares, resultando em broncoespasmo e inflamação crônica. Em todas essas situações os mecanismos pelos quais os leucócitos lesam os tecidos normais são os mesmos: uma vez ativados eles não distinguem entre o agente ofensivo do hospedeiro, podendo liberar produtos tóxicos nos fagolisossomos e espaço extracelular DEFEITOS DA FUNÇÃO LEUCOCITÁRIA São genéticos ou adquiridos, aumentam a suscetibilidade às infecções. Causas mais comuns: · Supressão da medula óssea por tumores e quimioterapia/radiação (diminuem o número de leucócitos) · Doenças metabólicas como diabetes (causam funções anormais dos leucócitos RESULTADOS DA INFLAMAÇÃO AGUDA RESOLUÇÃO- normal quando a lesão é limitada ou breve, quando há pouca destruição tecidual e quando o tecido é capaz de substituir qualquer célula lesada irreversivelmente. PROGRESSÃO PARA INFLAMAÇÃO CRÔNICA- se o agente nocivo não for removido Dependendo a extensão da lesão inicial e da sua continuidade, e da capacidade de regeneração dos tecidos afetados, depois da inflamação pode haver restauração da estrutura e função normais, ou resultar em cicatrização CICATRIZAÇÃO OU FIBROSE- ocorre após destruição tecidual substancial ou quando a inflamação atinge tecidos que não regeneram Extensos exsudatos fibrinosos podem não ser completamente absorvidos e o tecido conjuntivo (composto principalmente por fibroblastos) começa a crescer e se desenvolver dentro desse exsudato, resultando em fibrose MORFOLOGIA INFLAMAÇÃO SEROSA- Infecção leve. Extravasamento de fluido aquoso pobre em proteína, originado do plasma ou das secreções de células mesoteliais Ex: bolha de queimadura ou infecção viral INFLAMAÇÃO FIBRINOSA- lesões mais graves, que permitem a saída não só de plasma, mas de fibrinogênio, que se transforma em fibrina Ex. pleurite fibrinosa e pericardite fibrinosa INFLAMAÇÃO SUPURATIVA (PURULENTA)- presença de muito exsudato purulento (pus) que consiste em: Neutrófilos, células necróticas e liquido de edema Ex. abcesso e infecções bacterianas (princp estafilococos) Abcessos- coleção localizada de pus formada em um tecido do corpo em resposta a uma infecção. O corpo cria o abcesso como uma maneira de conter a infecção, formando uma parede ao redor do pus (uma cápsula de tecido inflamatório), para evitar que a infecção se espalhe ÚLCERA É uma lesão aberta na pele ou em uma mucosa, produzida por necrose ou desprendimento do tecido inflamatório necrótico. Lesão fundada ou escavada, pode haver dor, sangramento e saída de secreção. Bordas geralmente elevadas e vermelhas. MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO Podem ser prod localmente pelas células (no sitio de inflamação) ou estar circ no plasma de forma inativa (sintet pelo fígado) sendo ativados no local da inflamação Derivados do plasma: Sistema complemento (C3a, C5a)- aumentam a permeabilidade vascular e atraem leucócitos (quimiotaxia) Sistema de coagulação- fibrina e prod de coagulação que ajudam a conter a infecção Cinasas (ex. bradicinina)- causam vasodilatação e dor Derivados das células: Histamina- causa vasodilatação e aumenta a permeab Serotonina- causa vasodilatação e aumenta a permeab Prostaglandinas- causa febre, dor e vasodilatação Leucotrienos- aumenta a perm vasc e atraem leucócitos Citocinas (TNF-α e IL-1)- aumentam a expressão de moléculas de adesão nos vasos, promovem febre e ativam outras células do sistema imune. Quimiocinas- atrai leucócitos para o local da inflam Radicais livres de 02 (ERO)- matam micro-org. Podem danificar tecidos Oxido nítrico (NO)- vasodilatação e inibição da agreg plaq INFLAMAÇÃO CRÔNICA- mais insidiosa (age de maneira lenta, oculta), duração mais longa (dias a anos), caracterizada pelo influxo de linfócitos e macrófagos com cicatrização. Ocorre simultaneamente: Infiltração de células mononucleares- macrófagos, linfócitos e plasmócitos Destruição tecidual- induzida pelos produtos das células inflamatórias Reparo- envolvendo proliferação de novos vasos (angiogênese) e fibrose ORIGEM Infecções persistentes por micro-organismos difíceis de erradicar Tendem também a originar resposta imune mediada pelo linfócito T A maioria das infecções virais causa reações inflamatórias crônicas Doenças inflamatórias imunomediadas (distúrbio de hipersensibilidade) Quando o sist. Imune ataca os próprios tecidos, causado doenças autoimunes Misturam caract da inflamação aguda e crônica, com crises que se repetem Como o corpo não consegue eliminar o antígeno, essas doenças são geralm crônicas e difíceis de curar Exposição prolongada a agentes tóxicos Exógenos não degradáveis como a sílica, e endógenos como os lipídios plasmáticos elevados que contribuem para aterosclerose CELULAS MEDIADORAS DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA MACRÓFAGOS- dominantes na inf crônica Filtro de partículas, micróbios e células senescentes Migram para o local da lesão 24 a 48hr após o inicio da inf aguda. Quando ativados, secretam produtos que causam lesão tecidual e fibrose (proteases, ERO, NO, citocinas) LINFÓCITOS- interagem com macrófagos Macrófagos apresentam os antígenos às células T e produzem citocinas que ativam eles. Esses linfócitos T ativados produzem citocinas que ativam macrófagos. Esses macrófagos vão cada vez mais apresentar antig e secretar citocinas. O resultado é um ciclo que mantém a inflamação crônica PLASMÓCITOS- desenvolvem-se a partir de linfócitos B ativados Produzem anticorpos dirigidos contra antígenos presentes no local inflamatório ou contra componentes teciduais alterados EOSINÓFILOS- Encontrados em tomo das infecções parasitárias ou como parte de reações imunes mediadas pela IgE, associadas às alergias Seus grânulos possuem uma proteína tóxica para parasitas, que também causa necrose epitelial MASTÓCITOS- Distribuídos nos tecidos conjuntivos e atuam nas inflamações aguda e crônica Possuem IgE para certos antígenos ambientais, e quando os antígenos são encontrados os mastócitos INFLAMAÇÃO GRANULOMATOSA- há acumulo de macrófagos ativados, que mudam sua aparência e ficam parecidos com células epiteliais (ocorre em poucas doenças, mas graves, como tuberculose) O processo é guiado por células T que mantêm os macrófagos ativados O corpo forma granulomas para tentar isolar o agente infeccioso que é difícil de eliminar EFEITOS SISTÊMICOS DA INFLAMAÇÃO FEBRE Acontece quando o corpo produz muitos pirogênios, que converte acido araquidônico em prostaglandinas Essas prostaglandinas agem no hipotálamo e fazem ele aumentar a temperatura Aspirina e outros anti-inflamatórios baixam a febre bloqueando a ciclo-oxigenase (impedindo a prod de prostaglandinas) PROTEINAS DE FASE AGUDA AUMENTADAS Fígado começa a produzir proteínas especiais como: · PCR · Fibrinogênio · Proteína amiloide sérica (SAA) Elas ajudam a combater infecções, sinalizar inflamação e facilitar a remoção de micro-organismos (níveis altos de PCR indicam risco aumentado de doenças cardiovasculares como infarto e AVC LEUCOCITOSE Citocinas: fazem a medula óssea liberar mais glóbulos brancos (leucócitos) no sangue. Infecções bacterianas: aumentam neutrófilos (neutrofilia), inclusive liberando neutrófilos imaturos. Infecções virais: aumentam linfócitos (linfocitose). MECANISMO DA CICATRIZAÇÃO Formação da cicatriz ocorre se: · Lesão do tecido é grave ou crônica e resulta em danos às células do parênquima e do tecido conjuntivo · Se células que não se dividem forem lesadasNesses casos o reparo não pode ser feito só por regeneração. O reparo ocorre por substituição das células não regeneradas por tecido conjuntivo, levando a formação de uma cicatriz. O reparo se inicia dentro de 24hr da lesão por migração e proliferação de fibroblastos e células endoteliais Em 3 a 5 dias o tecido de granulação é formado, que é: · Rico em fibroblastos · Cheio de novos capilares · Contém macrófagos e uma matriz extracelular frouxa Aos poucos, os fibroblastos produzem colágeno, tranf o tecido de granulação em uma cicatriz Depois a cicatriz passa por remodelação para ficar mais forte e organizada ETAPAS NA FORMAÇÃO DE CICATRIZ ANGIOGÊNESE- formação de novos vasos a partir de vasos preexistentes, primeiramente vênulas. A nova vasc traz O2 e nutrientes pra ferida, fundam para o cresc de tecido novo Os fatores de crescimento mais importante são os da família VEGF e o fator de crescimento fibroblástico básico (FGF-2), eles vão estimular as células endoteliais dos vasos próximos a se proliferar, migrar para a área ferida e formar novos vasos ATIVAÇÃO DE FIBROBLASTOS E DEPOSIÇÃO DO TECIDO CONJUNTIVO- fibroblastos são células que produzem a estrutura do novo tecido, como colágeno e outras proteínas da matriz Na cicatriz, a deposição de tec conjuntivo ocorre em duas etapas 1- Migração e prolif de fibroblastos para o local 2- Deposição de prot da MEC prod por essas células Fatores como o TGF-beta (fator de cresc tranf beta) ativam fibroblastos. Esses fibroblastos se proliferam, migram para a área da lesão e começam a sintetizar proteínas da MEC, princ colágeno tipo 3 no início A deposição do tec conjuntivo constrói um nova matriz para restaurar a estrutura do tecido Fibroblastos vao depositar colágeno tipo 3 e proteínas como fibronectina e proteoglicanos Com um tempo o colágeno 3 é substituído pelo colágeno 1 (mais resistente) formando uma cicatriz sólida REMODELAÇÃO DO TECIDO CONJUNTIVO- fase final da cicatrização onde o tecido que foi rapidamente formado (tec de granulação) é substituído e reorganizado para formar uma cicatriz forte e funcional A matriz inicial (rica em colágeno 3) é degradada Uma nova matriz é sintetizada, fibroblastos passam a produzir colágeno 1 (mais resistente) Diminuição de vasos sanguíneos formados na angiogênese (por isso a cicatriz é mais pálida, tem menos vascularização) Os fibroblastos se tornam miofibroblastos (que se contraem), isso faz a ferida diminuir de tamanho EXEMPLOS CLINICOS SELECIONADOS DE REPARO TECIDUAL E FIBROSE CURA DE FERIDAS CUTÂNEAS POR 1RA INTENÇÃO Reparo de incisão cirúrgica limpa, não infectada, aproximada por suturas cirúrgicas. Chamada de cura por união primaria ou primeira intenção. 1-O pequeno espaço da incisão é preenchido com por um coagulo sanguíneo contendo fibrina 2-Dentro de 24hr os neutrófilos migram para a ferida, e em 48 a 74hr eles são subst. por macrófagos 3-A partir do terceiro dia o tecido de granulação é formado (rico em novos vasos e fibroblastos) 4-fibroblast prod colágeno e prot da matriz para reforçar o local, ferida é fechada 5-Remodelação começa por volta da 2nda semana, colágeno tipo 3 é subst por colágeno tipo 1 e os vasos sanguíneos regridem CURA DE FERIDAS CATÂNEAS POR 2NDA INTENÇÃO Ocorre quando há grandes feridas, em locais de formação de abcessos, ulcerações e na necrose isquêmicas de órgãos A reação inflamatória é mais intensa, com formação de abundante tecido de granulação, acumulação de MEC e form de uma enorme cicatriz. PRIMARIA X SECUNDÁRIA Um coágulo maior e rico em fibrina e fibronectina se forma na superf da ferida A inflamação é mais intensa pois uma maior quant de restos necróticos, exsudato e fibrina devem ser removidos A cura por união sec envolve contração de ferida, pela presença de miofibroblastos EXSUDATO Liquido rico em em proteínas e células inflamatórias (como leucócitos) Formado durante inflamações, pois ela danifica/abre o endotélio dos vasos, permitindo a saída de proteínas grandes e células para o tecido ao redor Indica que houve aumento da permeabilidade vascular Aparência: turva, espessa e as vezes purulenta Existem vários tipos: seroso, fibrinoso e purulento Quando ele seca na pele, forma aquela crostinha da cicatrização TRANSUDATO Liquido pobre em proteínas e quase sem células (aquoso) Formado sem inflamação, geralmente por alterações mecânicas no equilíbrio da pressão dentro dos vasos - Aumento da pressão hidrostática (insuf card congestiva) - Diminuição da pressão oncótica (cirrose) Aparência: claro, aquoso NECROSE É um dos dois tipos de morte celular. Quando o dano às membranas é grande e irreversível. Comum em casos de: · Isquemias · Exposição a toxinas · Infecção · Trauma físico A célula sofre um estresse tão intenso que não consegue mais manter sua estrutura e funções normais. Há perda de energia (ATP), acúmulo de cálcio, rompimento de membranas. Alterações celulares iniciais Inchaço celular: entrada de água descontrolada pela membrana danificada. Alterações nucleares: devido a degradação da cromatina e do DNA Picnose: núcleo se condensa (fica pequeno e escuro). Cariórrexe: núcleo se fragmenta. Cariólise: núcleo desaparece (dissolução completa). Perda da integridade da membrana As membranas plasmática e das organelas rompem. Isso libera conteúdos tóxicos no tecido, o que estimula inflamação intensa. Digestão enzimática do tecido As enzimas liberadas dos lisossomos (da célula morta e dos leucócitos recrutados) começam a digerir o tecido. NECROSE DE COAGULAÇÃO- A estrutura do trecido morto fica preservada por alguns dias, o tecido fica firme. As proteínas e enzimas se desnaturam, impedindo que a célula morta se dissolva rápido. Comum em áreas de infartos de órgãos sólidos (menos cérebro) NECROSE LIQUEFATIVA- Acontece em infecções bacterianas e raramente em fúngicas, também em hipóxia cerebral. Muitos leucócitos chegam e liberam enzimas que digerem complet as células (o tecido vira uma massa liquida e viscosa) Se for causada por infecção gera pus NECROSE GANGRENOSA- Não é um tipo específico de necrose, é um termo clínico usado para tecidos mortos (geralmente em membros, como pernas) que perderam o suprimento sanguíneo. Começa como necrose de coagulação (tecido firme e seco). Se houver infecção bacteriana secundária, vira gangrena úmida: As bactérias e leucócitos causam liquefação do tecido (vira úmido, com mau cheiro e secreção). NECROSE CASEOSA- Típica da tuberculose. O nome “caseosa” vem da aparência de “queijo” — tecido morto fica friável (esfarelento) e branco-amarelado. Microscopia: células mortas rompidas Sempre cercada por uma borda inflamatória bem delimitada, formando um granuloma (aglomerado de células imunes tentando conter a infecção). NECROSE GORDUROSA -Acontece principalmente na pancreatite aguda (inflamação grave do pâncreas). Lipases (enzimas digestivas) escapam e digerem a gordura dos tecidos próximos. A gordura se combina com cálcio, formando áreas brancas endurecidas (chamado de saponificação). Microscopia: adipócitos mortos com depósitos de cálcio e reação inflamatória ao redor. NECROSE FIBRINOIDE- Ocorre em reações imunológicas, especialmente nas paredes das artérias. Complexos de anticorpos + antígenos se depositam e danificam as paredes dos vasos. Resultado: parede do vaso fica rosada, amorfa e brilhante na microscopia (parecendo fibrina — por isso “fibrinoide”). Associada a doenças autoimunes como a poliarterite nodosa. TECIDO DE GRANULAÇÃO É um tecido novo que se forma durante a cicatrização das feridas, ele aparece depois que a inflamação inicial foi controlado e é essencial para controlar o dano Composição: Fibroblastos, matriz extracelular, capilares recém-formados, macrófagos e leucócitos Aparência: vermelha ou rosada (por conta dos novos vasos formados), superfície úmida e granulosa (como um morango), tecidos friáveis (sangram facilmente) Funções principais: •Preencher a ferida. •Formar a base para o crescimento de novo tecido epitelial. •Proteger a ferida contra infecção.•Orientar a remodelação da cicatriz. Processo de formação: 1.Fibroblastos migram para a ferida e começam a depositar colágeno. 2.Fatores de crescimento (como VEGF) estimulam a formação de novos vasos. 3.O tecido fica progressivamente mais organizado para suportar a fase de epitelização. TECIDO DE EPITELIZAÇÃO Tecido de epitelização refere-se ao crescimento das células epiteliais sobre o tecido de granulação, recobrindo a ferida e restaurando a barreira protetora da pele ou da mucosa. Composição: Queratinócitos, Novas camadas epiteliais (camada basal, espinhosa, granulosa e córnea), matriz basal. Aparênicia: Inicialmente, a borda fica brilhante, perolada ou rosada (indica migração de queratinócitos). Depois, a superfície fica mais seca e resistente. Funções principais: •Fechar a ferida. •Restaurar a função de barreira contra infecção, perda de água e agressões físicas. •Iniciar a maturação final da cicatriz. Processo de epitelização: 1.Queratinócitos da borda da ferida se ativam e mudam de forma para poder migrar. 2.Eles se deslocam pela superfície do tecido de granulação (não invadem a profundidade). 3.Após cobrirem toda a área, começam a proliferar para formar camadas múltiplas de células. 4.Finalmente, ocorre a reformação da camada córnea (parte mais externa da pele). image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg