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CICLO GRÁVIDO PUERPERAL - 50H TERMINOLOGIAS MEMBRANAS FETAIS ÂMNIO: Membrana interna que envolve o feto e contém o líquido amniótico, protegendo-o contra traumas e ajudando no seu desenvolvimento. CÓRIO (ou Córion): Membrana externa que envolve o âmnio e participa da formação da placenta. CLASSIFICAÇÕES RELACIONADAS AO PESO E IDADE GESTACIONAL BAIXO PESO AO NASCER (BPN): Recém-nascido (RN) com peso inferior a 2.500 g no momento do nascimento. GESTAÇÃO PRÉ-TERMO: Bebê nascido antes de completar 37 semanas de gestação. IDADE GESTACIONAL: Tempo decorrido desde o primeiro dia da última menstruação da gestante até a data de avaliação, medido em semanas. PESO AO NASCER: Peso registrado logo após o nascimento do bebê CONDIÇÕES FETAIS E DO LÍQUIDO AMNIÓTICO NATIMORTO: Bebê que nasce sem sinais vitais após 20–22 semanas de gestação. AMENORREIA: Ausência de menstruação, que pode ser fisiológica (gravidez, lactação, menopausa) ou patológica. APRESENTAÇÃO FETAL: Parte do feto que está mais próxima do canal de parto (cefálica, pélvica ou cómica). ADRAMNIA: Ausência de líquido amniótico. OLIGODRAMNIA: Redução do volume de líquido amniótico. POLIDRAMNIA: Excesso de líquido amniótico. LÍQUIDO AMNIÓTICO: Fluido que envolve e protege o feto no útero. Pode ser classificado: Claro (normal) Meconial (verde, indica presença de mecônio) Sanguinolento (misturado com sangue) OUTROS TERMOS ANATÔMICOS E CLÍNICOS Rede de Haller: Rede de vasos sanguíneos visíveis nas mamas durante a gestação devido ao aumento da vascularização. Víbices: Pequenas manchas arroxeadas na pele (petéquias alongadas), geralmente causadas por ruptura de capilares. Polaciúria: Aumento da frequência urinária. Contrações de Braxton Hicks: Contrações uterinas irregulares e indolores que ocorrem durante a gestação, conhecidas como “contrações de treinamento”. Dismenorreia: Dor pélvica ou cólica associada à menstruação. 1 Lóquios fisiológicos (loquiação): Secreção vaginal que ocorre após o parto, composta por sangue, muco e restos teciduais. Evolui de avermelhado para amarelado/esbranquiçado ao longo de semanas. TERMOS GINECOLÓGICOS MENARCA: Primeira menstruação da vida. COITARCA: Primeira relação sexual. INSUFICIÊNCIA istmo-cervical: Fraqueza do colo uterino, levando à dilatação prematura e risco de parto prematuro. PUERPÉRIO: Período após o parto, até que o organismo retorne às condições pré-gestacionais. HISTERECTOMIA: Cirurgia de remoção do útero. MASTECTOMIA: Cirurgia de remoção da mama. HISTÓRIA OBSTÉTRICA Gesta (G): Número total de gestações, incluindo a atual. Para (P): Número de partos ocorridos (independente do resultado, desde que acima de 20–22 semanas). Aborto (A): Número de gestações interrompidas antes de 20–22 semanas. Uso de numerais romanos ou por extenso: Ex.: II G, I P e 0 A → secundigesta, primípara e nuliaborto. Na anamnese obstétrica, considerar: - Tipo de parto (normal, cesárea, fórceps) - Intervalo interpartal (tempo entre partos) - Complicações anteriores - Em casos de perda fetal, registrar a idade gestacional no momento da perda EXEMPLOS: Caso Paolla Oliveira: Segunda gestação, sem partos, com 1 aborto → G II, P 0, A I. Caso Ivete Sangalo: Três filhos (última gestação gemelar), sem abortos, possivelmente grávida → G IV, P III, A 0. CICLO MENSTRUAL Contexto da mulher no Brasil: Mulheres são 51,03% da população brasileira. - Vivem mais do que os homens, mas adoecem mais frequentemente. - A vulnerabilidade feminina está mais ligada a desigualdade social e discriminação do que a fatores biológicos. SISTEMA REPRODUTOR FEMININO Função: produção dos óvulos, fecundação e desenvolvimento do feto. Órgãos internos: ovários, tubas uterinas, útero e vagina. Órgão externo: vulva. CICLO MENSTRUAL Representa a capacidade reprodutiva da mulher. Inicia no 1º dia da menstruação e termina no 1º dia da menstruação seguinte. Caracteriza-se pela ovulação (liberação do óvulo). Fecundação/concepção: união do 2 espermatozoide (sobrevive até 72h, mas fértil por ~24h) com o óvulo (fértil por ~24h). GRAVIDEZ Duração média: 280 dias (40 semanas). Dividida em trimestres: 1º: até 13 semanas 2º: 14–27 semanas 3º: a partir de 28 semanas DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ Pode ser feito por métodos clínicos, hormonais e ultrassonográficos. Classificação dos sinais e sintomas: ● Presunção (suspeita) ● Probabilidade ● Certeza (positivos) SINAIS DE PRESUNÇÃO 4ª semana: amenorreia (sinal mais precoce). 5ª semana: náuseas, vômitos, congestão mamária. 6ª semana: polaciúria (urinar muitas vezes). Alterações de humor, sono excessivo, fadiga, tontura, irritabilidade. Alteração do muco cervical, pigmentação cutânea, estrias, aréolas escuras com tubérculos de Montgomery. Percepção subjetiva de movimento fetal. SINAIS DE PROBABILIDADE ● Amenorreia confirmada (10–14 dias de atraso). ● Aumento das mamas e do volume uterino. ● Alterações na consistência do útero (sinal de Goodell) e na cérvice. ● Contrações de Braxton Hicks. ● Rechaço fetal (movimento ao toque). ● Delimitação do feto na palpação. ● Testes hormonais positivos (hCG). SINAIS DE CERTEZA Palpação: movimentos fetais ativos (16–20 semanas). Ausculta: batimentos cardiofetais. Ultrassonografia: visualização do embrião/feto. SINAIS E SINTOMAS COMUNS NA GRAVIDEZ - Sangramento leve (3ª–4ª semana, nem sempre identificado). - Cólicas/dor abdominal (4ª–5ª semana, semelhante a TPM). - Dor nas mamas (5ª semana). - Náuseas e vômitos (5ª–6ª semana, até 70% das gestantes → pode evoluir para hiperêmese gravídica). 3 - Excesso de salivação (sialorréia) (5ª–6ª semana). - Constipação intestinal (pela ação da progesterona). - Sono e cansaço (1º trimestre). - Urinar com frequência (quase 100% das gestantes). - Desejos alimentares e aversões (6ª semana, ligados a hormônios). - Pica: desejo de substâncias não alimentares (ex: terra, gelo), associado a deficiência nutricional. - Gases, tontura, dor de cabeça, corrimento vaginal (comum até a 8ª semana). MÉTODOS DIAGNÓSTICOS Exame hormonal: detecção do hormônio hCG no sangue ou urina (produzido pela placenta a partir do 10º dia da fecundação). Ultrassonografia: 4 semanas → saco gestacional. 5–6 semanas → vesícula vitelina. 6–7 semanas → eco fetal com batimentos. 11–12 semanas → cabeça fetal. 12 semanas → placenta. Gravidez Psicológica (Pseudociese) A mulher acredita estar grávida, apresenta sintomas típicos, mas exames confirmam ausência de gestação. Causa rara, geralmente relacionada a fatores emocionais. Resumo Final: O ciclo menstrual é fundamental para a fertilidade feminina, tendo como evento central a ovulação. A gravidez dura 40 semanas e pode ser diagnosticada por sinais clínicos (presunção, probabilidade e certeza), testes hormonais (hCG) e ultrassonografia. Os sintomas variam desde náuseas, alterações mamárias, cansaço e desejos alimentares até sinais mais objetivos como batimentos fetais e visualização do embrião. Existe também a pseudociese, quando a mulher acredita estar grávida sem realmente estar. CÂNCER DE MAMA Conceito e Epidemiologia: A mama é um órgão endócrino influenciado por hormônios sexuais femininos. Quanto maior o estímulo hormonal → maior replicação celular → maior risco de mutações e tumores. Tipo mais comum de câncer no mundo desde 2012, ultrapassando o de pulmão. - No Brasil, é a principal causa de morte por câncer em mulheres (16,1% dos óbitos). - Em 2022 → estimados 66.280 casos novos (INCA). - Mortalidade maior nas regiões Sudeste e Sul. - Homens também podem ter câncer de mama (≈1% dos casos). FATORES DE RISCO - Idade (maior após 50 anos). - História familiar de câncerde mama/ovário. 4 - Menarca precoce e menopausa tardia. - Nuliparidade ou primeira gestação tardia. - Uso prolongado de hormônios (anticoncepcionais/terapia de reposição). - Obesidade, sedentarismo, etilismo, dieta inadequada. - Radiação torácica prévia. SINAIS DE ALERTA ● Nódulo endurecido, fixo, indolor. ● Alterações na pele: retração, “casca de laranja”, vermelhidão, ulceração. ● Alterações no mamilo: retração, secreção, principalmente sanguinolenta. ● Aumento de gânglios axilares. ● Alteração no formato ou volume da mama. DIAGNÓSTICO Autoexame das mamas: mensal, após a menstruação (ou dia fixo p/ não menstruar antes). Detecta alterações iniciais. Exame clínico das mamas (ECM): por profissional de saúde, a cada 2 anos antes dos 40 anos, anual após. Mamografia: principal exame de rastreamento; deve ser realizada a partir dos 40 anos (ou antes em casos de alto risco). Pode detectar tumores até 2 anos antes de serem palpáveis. Ultrassonografia, biópsia e ressonância complementam a investigação. ESTADIAMENTO (INCA) ● I: Tumor pequeno, sem linfonodos. ● IIA/IIB: Tumor médio, com ou sem linfonodos. ● III: Qualquer tamanho com invasão de pele/parede torácica ou múltiplos linfonodos. ● IV: Metástases à distância (ossos, fígado, pulmão, cérebro). TRATAMENTO Cirúrgico: Conservador (quadrantectomia). Radical (mastectomia – retirada da mama, linfonodos e, em casos antigos, músculo peitoral). Radioterapia e Quimioterapia: adjuvantes ou coadjuvantes. Hormonoterapia: em casos com receptores hormonais positivos. Terapia-alvo / imunoterapia: conforme perfil tumoral. Cuidados paliativos: quando não há possibilidade curativa. 5 PREVENÇÃO ● Realizar consulta de enfermagem. ● Orientar sobre fatores de risco e estilo de vida saudável. ● Estimular o autoexame das mamas e consultas periódicas. ● Encaminhar para rastreamento adequado (mamografia). Diagnóstico: Anamnese detalhada (histórico familiar, sintomas, queixas). Exame físico das mamas (inspeção e palpação). Pré-operatório: Apoio psicológico e preparo para cirurgia. Orientar sobre próteses, reconstrução mamária e recursos disponíveis. Pós-operatório: ● Cuidar do curativo e prevenir infecções. ● Monitorar drenos. ● Estimular deambulação precoce. ● Prevenir linfedema e perda funcional do braço homolateral. ● Preparar paciente e família para a alta. Importância da Detecção Precoce Tumor de 0,5 cm detectado precocemente → chance de cura muito maior. Quanto menor o tamanho e menos linfonodos comprometidos, melhor o prognóstico. CAMPANHAS ● Outubro Rosa: movimento internacional de conscientização. ● Objetivo: educação da mulher e capacitação dos profissionais para reconhecer sinais e sintomas suspeitos. ● Garantir acesso rápido a diagnóstico e tratamento no SUS. MODIFICAÇÕES GERAIS E LOCAIS DO ORGANISMO MATERNO ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DA GESTAÇÃO Causas principais: alterações hormonais, hormônios placentários, ajustes mecânicos do crescimento fetal, aumento da circulação uterina e maior demanda de O₂ e nutrientes. São temporárias, inevitáveis e desaparecem após o parto. SISTEMA MÚSCULO ESQUELÉTICO Postura: abdome aumentado → centro de gravidade alterado, pés afastados, lordose acentuada, marcha anserina. Sintomas: dores cervicais e lombares. Articulações: embebição gravídica (relaxamento p/ estrogênio), relaxamento das sacroilíacas e sínfise púbica. 6 Orientações: dobrar joelhos p/ abaixar, evitar ganho de peso excessivo, compressas mornas, sapatos baixos, exercícios leves (fortalecimento, natação = melhor opção). SISTEMA CÁRDIO CIRCULATÓRIO Débito cardíaco ↑: + volume sistólico e FC (até +16 bpm). PA: ↓ no 2º trimestre, depois ↑ gradualmente. Coração: deslocado pelo diafragma (rotação p/ frente e esquerda). Desconfortos: edema em MMII, varizes (MMII, vulva, ânus). Orientações: evitar cintas, usar meias elásticas, repouso em DLE, pés elevados, evitar longos períodos em pé, combater constipação, banho de assento para/ em hemorróidas. SISTEMA HEMATOLÓGICOS Volume sanguíneo ↑ até 40% (máx. 34ª sem). ↑ plasma > ↑ eritrócitos → anemia fisiológica (Hbbaixo risco pode ser acompanhado inteiramente pelo enfermeiro, o que reforça o papel essencial da enfermagem nesse cuidado. METAS DO PRÉ - NATAL - Início precoce, de preferência até a 12ª semana de gestação. - Estímulo à gestação planejada, ao uso de ácido fólico e ao controle do peso materno. - Realização de pelo menos 6 consultas (OMS): Mensais até 32 semanas. Quinzenais de 32 a 36 semanas. Semanais de 36 semanas até o parto. - Após 41 semanas, avaliar o bem-estar fetal (ILA e batimentos cardiofetais), podendo ser indicada indução do parto. PRÉ - NATAL DE QUALIDADE 10 PASSOS 1. Iniciar o pré-natal até a 12ª semana. 2. Garantir recursos humanos, materiais e técnicos. 3. Solicitar e avaliar exames no tempo oportuno. 4. Praticar escuta ativa, considerando aspectos emocionais, sociais e culturais (ex.: rodas de gestantes). 5. Assegurar transporte gratuito quando necessário. 6. Incluir o pré-natal do parceiro(a). 7. Garantir encaminhamento para serviços especializados. 8. Estimular o parto fisiológico e elaborar o plano de parto. 9. Possibilitar visita prévia ao local do parto. 9 10. Orientar sobre os direitos da gestante no período gravídico-puerperal. AVALIAÇÃO DE RISCO REPRODUTIVO A gestante pode ser classificada como baixo ou alto risco conforme quatro critérios: CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS - Idade 35 anos. - Baixa escolaridade, condições ambientais desfavoráveis. - Trabalho com esforço físico, agentes químicos, biológicos ou estresse. - Peso 75 kg, altura 5 anos. - Nuliparidade ou multiparidade. - Cirurgias uterinas prévias. DOENÇAS OBSTÉTRICAS NA GRAVIDEZ - Alterações no crescimento uterino ou no volume de líquido amniótico. - Trabalho de parto prematuro ou gestação prolongada. - Pré-eclâmpsia/eclâmpsia. - Diabetes gestacional. - Hemorragias, aloimunização ou amniorrexe prematura. INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS - Hipertensão, cardiopatias, pneumopatias, nefropatias. - Endocrinopatias, hemopatias, epilepsia. - Doenças infecciosas (HIV, sífilis, hepatite). - Doenças autoimunes (como lúpus). - Ginecopatias (miomas, malformações uterinas). ROTEIRO DE CONSULTAS PRIMEIRA CONSULTA Anamnese completa: identificação, dados socioeconômicos, antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos, obstétricos e hábitos de vida. Exame físico geral: peso, altura, PA, frequência cardíaca, pele e mucosas, ausculta, pesquisa de edema. 10 Exame gineco-obstétrico: avaliação das mamas, inspeção abdominal, altura uterina, batimentos cardíacos fetais, exame especular e toque (quando necessário). Orientações: alimentação, atividade física, riscos, calendário vacinal, educação em saúde. Encaminhamentos: odontologia, vacinação antitetânica, exames laboratoriais, ultrassonografia, citologia oncótica. CONSULTAS SUBSEQUENTES ● Reavaliação da anamnese. ● Controle do peso e estado nutricional. ● Medição da pressão arterial. ● Altura uterina e BCF. ● Interpretação de exames laboratoriais. ● Ações educativas individuais e em grupo. ● Encaminhar-se ao pré-natal de alto risco quando necessário. IMUNIZAÇÃO As vacinas durante a gestação são fundamentais para proteger mãe e bebê contra doenças imunopreveníveis. - Hepatite B: 3 doses (se esquema incompleto). - dT (difteria e tétano): completar esquema com reforços. - dTpa (difteria, tétano, coqueluche): uma dose a cada gestação (≥20ª semana). - Influenza: indicada em qualquer período. - COVID-19: conforme protocolo vigente. EXAMES COMPLEMENTARES Ultrassonografia ● 11 a 13 semanas: confirmar idade gestacional, translucência nucal. ● 20 a 22 semanas: avaliar órgãos fetais e malformações. ● 34 a 37 semanas: avaliar crescimento fetal, placenta e líquido. Exames especiais: Morfológico (20-24 semanas). - 3D. - Ecodopplercardiografia (ideal 28 semanas, avalia coração fetal). CARDIOTOCOGRAFIA: A partir de 28 semanas: avalia BCF, movimentação fetal e contrações uterinas. LÍQUIDO AMNIÓTICO Funções: movimentação fetal, proteção contra traumas, manutenção de temperatura e desenvolvimento pulmonar. Oligoâmnio: 2000 ml. 11 EXAMES LABORATORIAIS E CONDUTAS Hemograma: avaliar anemia; ferro iniciado a partir da 20ª semana. Tipagem sanguínea/Rh: risco de incompatibilidade e aloimunização (Coombs indireto). GLICEMIA - Primeira consulta →