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Anatomia Interna
 Câmara Pulpar
Dentes anteriores: nos incisivos, a câmara pulpar é 
triangular, estreita no sentido vestibulolingual e ampla em 
sentido mesiodistal.Nos caninos, a câmara apresenta seu 
maior diâmetro no sentido vestibulolingual na altura da 
região cervical, afilando-se em direção à ponta da cúspide, 
onde apresenta um divertículo pronunciado;
Dentes posteriores: a parede oclusal se relaciona com a 
face oclusal e denomina-se teto da câmara, enquanto a 
face cervical é o assoalho da câmara. A câmara 
geralmente é estreita no sentido mesiodistal e ampla na 
direção vestibulolingual;
Em dentes multirradiculares podem existir canais 
acessórios no assoalho conectando a câmara pulpar ao 
ligamento periodontal na região da furca, denominados 
canais cavointer-radiculares (áreas de rarefação óssea). 
Krasner e Rankow, avaliaram e descobriram preceitos que 
orientam o clínico na localização desses orifícios:
 Istmos
Área estreita, em forma de fita, que conecta dois ou mais 
canais radiculares;
A limpeza e a desinfecção dos istmos representam um 
desafio clínico, uma vez que todas as técnicas de preparo 
de canais radiculares geram detritos que podem se 
acumular nessas áreas de difícil acesso, reduzindo ou 
impedindo a ação efetiva das soluções irrigantes e 
afetando diretamente o prognóstico do tratamento;
Classificação de Hsu e Kim:
 Canal Radicular
Classificação de Vertucci:
Tipo I: um canal se estende da câmara pulpar ao ápice 
(configuração 1);
Tipo II: dois canais distintos deixam a câmara pulpar, mas 
convergem perto do ápice para formar um canal radicular 
(configuração 2-1);
Tipo III: um canal deixa a câmara pulpar e se divide em 
dois no corpo da raiz; então, os dois se fundem para 
formar um canal (configuração 1-2-1);
Tipo IV: dois canais distintos se estendem da câmara 
pulpar ao ápice (configuração 2);
Tipo V: um canal deixa a câmara pulpar e se divide, 
próximo ao ápice, em dois canais distintos (configuração 
1-2);
Tipo VI: dois canais distintos deixam a câmara pulpar, 
fundem-se no corpo da raiz e se dividem novamente em 
dois canais próximo ao ápice (configuração 2-1-2);
Tipo VII: um canal deixa a câmara pulpar e se divide em 
dois, que então se fundem, no corpo da raiz, e se dividem 
novamente em dois canais distintos próximo ao ápice 
(configuração 1-2-1-2);
Tipo VIII: três canais distintos que se estendem da câmara 
pulpar ao ápice (configuração 3).
Lopes e Siqueira- Capítulo 7
 Istmos na raiz mesial de molares inferiores (Fan)
Tipo I (conexão em folha): conexão estreita, mas 
completa, existente entre os canais em toda a extensão 
da raiz. Às vezes, pequenas fusões de dentina podem ser 
observadas;
Tipo II (conexão dividida): conexão estreita, mas 
incompleta, existente entre os canais. Seções transversais 
de modelos tridimensionais de molares inferiores 
mostrando a presença de istmos com diferentes 
configurações e posições (setas brancas) na raiz mesial. 
Tipo III (conexão mista): istmo incompleto presente acima 
e/ou abaixo de um istmo completo;
Tipo IV (conexão em cânula): comunicação estreita em 
forma de cânula entre dois canais.
 Canais em C
Principal característica anatômica: presença de um ou 
mais istmos conectando canais individuais ao longo de 
toda a raiz;
Comumente encontrada em dentes com raízes fusionadas 
(primeiros pré-molares e segundos molares inferiores), 
mais comum em asiáticos;
Nos molares superiores, a literatura relata uma 
prevalência de canais em C abaixo de 1%; no entanto, 
estudo realizado com a micro-TC identificou essa 
configuração em 22% dos segundos molares superiores 
com raízes fusionadas. 
Segundo Schneider, o grau de curvatura do canal pode 
ser classificado como suave (≤ 5 graus), moderado (10 a 
20 graus) ou severo (> 20 graus). Segundo Pruet, quanto 
mais abrupta a curvatura, menor o seu raio. De acordo 
com esses dois parâmetros, quanto menor o raio e 
maior o ângulo de curvatura, mais curvo será o canal;
O maior grau de curvatura foi observado no canal 
mesiovestibular do molar superior e nos canais mesiais 
do molar inferior, na visão clínica.
 Canal Radicular Apical
A porção apical do canal radicular que apresenta menor 
diâmetro e que, às vezes, coincide com a zona de união 
entre a dentina e o cemento é chamada constrição apical 
ou forame menor (se localiza de 0,5 a 1,5 mm a partir de 
um ponto de referência virtual no centro do forame);
O forame apical é a principal abertura do canal radicular 
na região apical através do qual os tecidos da polpa e do 
ligamento periodontal se comunicam e por onde 
penetram os vasos sanguíneos que vão suprir a polpa 
dentária, enquanto o ápice anatômico é a ponta ou a 
extremidade da raiz;
Dependendo do elemento dentário, o forame apical pode 
coincidir com o ápice anatômico em 6,7 a 46% das vezes;
A maior prevalência de forames múltiplos foi observada 
na raiz mesial dos molares inferiores (50%), seguida pelos 
pré-molares superiores (48,3%) e pela raiz mesiovestibular 
dos molares superiores (41,7%).
Morfologia da Cavidade Pulpar
Considerações Clínicas
 Incisivos Centrais Superiores
O ápice radicular pode apresentar curvatura abrupta para 
vestibular, a qual pode não ser identificada no exame 
radiográfico;
Os eixos da coroa e da raiz não coincidem, exigindo 
cuidado durante o procedimento de acesso coronário 
para não promover perfuração.
 Canino Superior e Inferior
Superior: maior dente permanente;
Inferior: menor do que o canino superior em todas as 
dimensões, sua raiz apresenta formato similar ao canino 
superior, contudo, muito mais achatada na direção 
mesiodistal e mais alongada na direção vestibulolingual.
 Primeiro Pré Molar Superior
Porção mesial da raiz pode ser um pouco mais fina, risco 
de perfuração;
A seção transversal do canal palatino apresenta-se 
ligeiramente maior que a do canal vestibular. Na altura da 
junção cemento-esmalte tem formato de rim, com maior 
diâmetro na direção mesiodistal, em razão da 
concavidade existente no aspecto mesial da raiz.
 Primeiro e Segundo Pré Molar Inferior
O canal lingual, quando presente, tende a divergir do 
canal principal em um ângulo agudo, exigindo adequação 
na forma de conveniência do acesso coronário.
 Primeiro Molar Superior
A raiz palatina apresenta maior volume e oferece o 
acesso mais fácil; porém, sua porção apical 
frequentemente se curva no sentido vestibular (54,6% 
dos casos),
A raiz mesiovestibular frequentemente apresenta dois 
canais que se conectam por meios de istmos, podendo se 
unir na porção apical ou ter saídas foraminais 
independentes;
Os canais MVS podem apresentar curvaturas severas na 
direção vestibulopalatina e que não são evidentes 
radiograficamente.
 Primeiro Molar Inferior
Raramente, uma terceira raiz mais curta e com curvatura 
acentuada no sentido vestibular pode estar presente, 
principalmente no seu aspecto distolingual (radix 
entomolaris), tendo maior incidência nos povos de 
origem asiática;
Os dois canais mesiais podem convergir apicalmente, 
apresentando forame único em 45% dos casos. Em 55% 
das vezes, há presença de anastomoses complexas entre 
eles.
 Segundo Molar Inferior
As raízes são mais curtas, com os ápices mais próximos e 
canais mais curvos, havendo alta prevalência de 
anomalias de desenvolvimento, incluindo a presença de 
canais em forma de C e radix entomolaris. Além disso, há 
maior tendência à fusão radicular parcial ou total.
 Terceiros Molares
Anatomia variada; Geralmente com 3 raízes fusionadas e 
3 ou 4 canais.
 Segundo Molar Superior
As raízes são mais curtas, menos divergentes e curvas, 
com maior tendência à fusão parcial ou total, 
principalmente entre as raízes mesiovestibular e palatina.
 Segundo Pré Molar Superior
Maior diâmetro na direção vestibulopalatina.
 Incisivos Inferiores
Frequentemente, dois canais (vestibular e lingual) se 
originam da câmara pulpar e se unem no terço apical. A 
presençade dois canais é mais frequente no incisivo 
lateral;
Curvatura distal da raiz.
 Incisivos Laterais Superiores
Comum curvatura para distal (pode levar à formação de 
degrau;
Situado em uma área de risco embriológico, 
apresentando diferentes anomalias anatômicas.
Anomalias Dentais
Fusão: dois germes dentários se unem parcial ou 
totalmente, formando um dente com dupla coroa, duas 
cavidades pulpares separadas e dois canais radiculares 
distintos;
Geminação: dente com coroa dupla, cavidade pulpar 
única e canal radicular único;
Radix entomolaris: raiz supranumerária localizada na 
posição distolingual dos molares inferiores;
Radix paramolaris: raiz supranumerária localizada na 
posição mesiovestibular dos molares inferiores;
Taurodontismo: caracteriza-se pelo desenvolvimento 
avantajado da porção coronária da cavidade pulpar, na 
qual o assoalho da câmara pulpar está deslocado 
apicalmente;
Sulco radicular: depressão radicular que pode se iniciar 
na coroa, estendendo-se em direção apical e que 
predispõe a problemas periodontais sérios;
Dens invaginatus (dens in dente): anomalia de 
desenvolvimento resultante da invaginação do epitélio 
interno do órgão dental, em direção à papila dentária, 
durante a fase de proliferação (capuz). Embora sejam 
mais frequentes nos incisivos laterais superiores, também 
podem ser observados nos centrais superiores, incisivos 
inferiores e outros dentes, em menor proporção.
tipo I — invaginação restrita à coroa; 
tipo II — invaginação além da junção amelocementária 
sem comunicação com o ligamento periodontal; 
tipo III — invaginação além da junção amelocementária, 
com comunicação lateral com o ligamento periodontal; e 
tipo IV — invaginação além da junção amelocementária, 
com comunicação apical com o ligamento periodontal;
Dens evaginatus (cúspide talão): proliferação anormal do 
epitélio de esmalte no interior do retículo estrelado do 
órgão de esmalte, resultando em uma protuberância na 
face palatina dos dentes anteriores ou oclusal dos dentes 
posteriores. Essa evaginação do epitélio e células da 
papila subjacente formam um tubérculo de esmalte e 
dentina, com um canal central conectado à polpa. Em 
caso de desgaste ou fratura, a polpa pode ser exposta e 
se necrosar. É mais frequente em pré-molares inferiores, 
sendo descrito com maior incidência na população 
asiática.