Prévia do material em texto
RESUMO DE CLINICA MEDICA DE PEQUENOS ANIMAIS Metabolismo de drogas e terapêutica no gato Biotransformação: é a transformação de um composto lipossolúvel em forma mais hidrossolúvel e mais polar para facilita a excreção do organismo. Fase 1: citocromo P-450 , reações de oxidação, redução ou hidrolise Fase 2: conjugação, em mamíferos conjugação com acido glicuronico, uridina- difosfato-glicuranil transferase Características da espécie felina: oxidação da hemoglobina Hemoglobina felina = maior suceptibilidade a injuria oxidativa Drogas que causam metahemaglobinemia: acetominofen, benzcoina Desnaturação oxidativa da hemoglobina ( corpúsculo de heins é irreversível e leva a hemólise) Dermatites Fungicas Dermatofitose= agente etilogico – ( microsporum canis, microsporum gypseum, trichophyon mentagrophytes) - incidência maior locais clima quente e úmido. - predisposição: anim. Jovens (de ate 12 anos , raça yorshire, gato (persa)) - transmissão: contato com pelos e caspas infectados, elementos fungicos nos amais ou fomites, é uma zoonose. Ex. físico: lesões extremamente variáveis a apresentação clinica – localizadas e generalizadas. Prurido evidenciado- alopecia circular, crostas e escasmas , lessoes irregulares, querion e lesões circulares - diagnostico: lâmpada de wood, cultivo fungico, coleta dos pelos da periferia por avulsão manual, PCR e exame histopatológico Terapia Topica: derivados imidazolicos, terbinafina spray,xampus ( banhos a cada 3 dias + terapia sitemica = cetoconazol 2% e clorexidine 2% + miconazol 2% - Manejo Ambiental: aparelhos de vapor, aspiradores, hipoclorido de sodeio 1:10 (cuidado), higienização semanal – ambientes, fomitws , caixas de transporte Malasseziose Malassezia pachydermatis: habitante comensal da pele de inúmeras espécies, alterações no microclima superficial ou de defesa dos hospedeiros Fatores predisponentes: aumento de sebo ou umidade, alergias, piodermites, predisposição genética. · Raças suscetíveis: Terrier Australiano, Maltês, Jack Russel, Basset, Poodle, Pastor Alemão, Cocker, entre outras. · Manifestações: prurido intenso, odor rançoso/seborreico, dermatite em orelhas, lábios, focinho, espaços interdigitais, pescoço ventral, coxas, axilas, região perianal; otite externa com meneios de cabeça, otorreia, hiperplasia ou estenose. · Diagnóstico: avaliação clínica, citologia (citologia ótica), cultura fúngica, PCR. · Tratamento: itraconazol ou cetoconazol 5–10 mg/kg SID; tópicos com xampus (clorexidina 3% ou clorexidina 2% + miconazol 2%) em banhos a cada 3–7 dias. Criptococose · Características: não é zoonótica. Afeta felinos, caninos, bovinos e equinos. · Sinais: lesões cutâneas (pápulas, nódulos, úlceras, fístulas, crostas), linfadenomegalia; sintomas respiratórios (espirros, corrimento nasal, dispneia), “nariz de palhaço” (deformidade nasal), manifestações neurológicas e oftálmicas. · Diagnóstico: cultivo microbiológico e histopatologia. · Tratamento: antifúngicos sistêmicos (ex.: itraconazol, fluconazol) conforme protocolo clínico. Esporotricose · Agente: Sporothrix schenckii, presente em solo e matéria orgânica. · Transmissão: inoculação em feridas; zoonose importante, principalmente em gatos. · Cães: · Forma cutânea: nódulos firmes múltiplos, placas ulceradas com bordas elevadas ou crostas anulares, principalmente em cabeça, orelhas e tronco. · Forma cutâneo-linfática: nódulos secundários flutuantes ou ulcerados com exsudato e linfadenopatia regional. · Gatos: infecção geralmente por mordidas/arranhões; lesões na cabeça, extremidades ou base da cauda. Evolui de · fúngica, exame histopatológico. Escabiose Canina Agente: Sarcoptes scabiei var. canis. Transmissão: Altamente contagiosa para cães e humanos. Sinais clínicos: Prurido intenso e contínuo; lesões principalmente em pavilhão auricular, articulações úmero-rádio-ulnar e tibiotársica. Máxima carga parasitária 21–30 dias após a infecção. Resposta ruim a corticoides. Diagnóstico: Anamnese, exame dermatológico, raspado de pele para visualizar ácaros/fezes. Diagnóstico terapêutico possível mesmo sem detecção do parasita. Diferenciais: Dermatite de contato, atopia, hipersensibilidade alimentar, Malassezia, otodécica. Tratamento: Lactonas macrocíclicas (ivermectina 0,2–0,4 mg/kg a cada 14 dias; cuidado em Collies e raças sensíveis), selamectina, moxidectina, milbemicina, isoxazolinas (afoxolaner, fluralaner, sarolaner). Contatos devem ser tratados. Escabiose Felina Agente: Notoedres cati. Hospedeiros: Gatos (principal), podendo afetar raposas, cães, coelhos e causar lesões transitórias em humanos. Transmissão: Contato direto, alta contagiosidade. Sinais clínicos: Lesões iniciam nas bordas das orelhas, espalhando-se para face, pálpebras, pescoço, patas e períneo. Pele espessada, enrugada, crostas aderentes, alopecia parcial e prurido intenso, podendo haver linfadenopatia. Diagnóstico: Distribuição típica das lesões, EPRC (raspado) para identificação do ácaro. Diferenciais: Otodectes, atopia, hipersensibilidade alimentar, pênfigo foliáceo/eritematoso, lúpus eritematoso sistêmico. Tratamento: Lactonas macrocíclicas (ivermectina 200–400 µg/kg SC a cada 15 dias, 2–3 aplicações; selamectina tópica 6 mg/kg em intervalos de 15–30 dias; fluralaner transdérmico Demodicidose (Sarna Demodécica) · Agente: Demodex canis, ácaro folicular. · Epidemiologia: Dermatopatia parasitária mais prevalente em cães; transmissão principalmente da mãe para filhotes. Predisposição genética, comum em raças de pelagem curta. · Patogenia: Envolvimento da imunidade celular. Formas em adultos associadas a imunossupressão, com prognóstico mais grave. · Formas clínicas: · Localizada: Alopecia circunscrita, escamosa, eritematosa, geralmente em face e patas anteriores, mais em filhotes. · Generalizada: Alopecia extensa, eritema ou melanodermia, espessamento da pele (edema, queratose, lignificação), pápulas, nódulos, crostas, foliculite e piodermite secundária (Staphylococcus, Pseudomonas, Proteus). · Pododermatite: Lesões restritas às patas, dolorosas e propensas a piodermites. · Diagnóstico: Raspado profundo, tricograma ou fita adesiva para visualização do ácaro. Avaliar doenças concomitantes. · Tratamento: · Continuar até 3 raspados negativos com intervalo de 2 semanas; reavaliar após 8 semanas e manter acompanhamento por 1 ano (recidiva ~10%). · Fármacos: amitraz, ivermectina (0,4–0,6 mg/kg VO sid; contraindicações em Collies, Sheepdogs, etc.), milbemicina (2,2 mg/kg VO diária por ≥3 meses), moxidectina (0,5 mg/kg VO a cada 72 h ou spot-on mensal), isoxazolinas (afoxolaner, fluralaner, sarolaner). · Cuidados: Castração de fêmeas, controle de estresse, boa nutrição, evitar corticoides. · Prognóstico: Favorável na forma juvenil; reservado nas formas generalizada ou em adultos imunocomprometidos. Leshimaniose Características gerais · Zoonose de distribuição mundial, acomete animais silvestres, cães domésticos e seres humanos. · Vetores: flebotomíneos do gênero Lutzomyia. · Em áreas endêmicas, cães frequentemente atuam como reservatórios. 2. Aspectos clínicos e dermatológicos · Em cães, lesões de pele são as manifestações mais comuns da leishmaniose visceral. · Lesões típicas: alopecia, dermatite esfoliativa ou ulcerativa, onicogrifose, pelame opaco, despigmentação nasal. · Evolução pode incluir disseminação do parasita para linfonodos, baço, fígado, medula óssea, rins, pâncreas, intestino, olhos, articulações etc., provocando reação granulomatosa. · Outros sinais: atrofia muscular, hepatomegalia, esplenomegalia e linfadenomegalia. 3. Agentes etiológicos · Cutânea: Leishmania (Viannia) braziliensis, L. (V) guyanensis, L. (V) amazonensis. · Visceral: L. (Leishmania) donovani e L. (L.) infantum. 4. Diagnóstico · Clínico: histórico, sinais e sintomas. · Laboratorial: · Parasitológico – observação de formas amastigotas em esfregaços de órgãos linfóides. · Sorológico – ELISA, RIFI (estágios avançados). · Molecular – PCR (estágios iniciais). 5. Tratamento · Humanos: Glucantime ou Pentostam (1ª escolha), Anfotericina B (2ª escolha) e Pentamidina.· Desafios: toxicidade, longa duração e resistência. · Cães: terapia menos eficaz; alguns respondem, mas podem permanecer como reservatórios. 6. Controle e prevenção · Diagnóstico e tratamento precoce em humanos. · Redução da população de flebotomíneos (Lutzomyia). · Eliminação de reservatórios infectados e educação em saúde. · Proteção dos cães: uso de coleiras ou produtos tópicos com piretróides (spot-on, sprays) e vacinação. · O tratamento canino deve ser avaliado com critério, pois cães tratados podem continuar transmitindo a doença. Dermatopatias Bacterianas PIODERMITES • Classificação etiológica: - Primárias (≈5%): surgem sem doença de base. - Secundárias (≈95%): associadas a alergopatias, endocrinopatias ou ectoparasitas. • Classificação clínica: - Superficiais: atingem apenas a epiderme (piodermite bacteriana superficial, dermatite úmida aguda e intertrigo). - Profundas: envolvem todas as camadas da pele, podendo ser secundárias à demodicidose ou ocorrer em calos de apoio. • Agentes: Staphylococcus pseudintermedius, S. schleiferi, S. aureus, S. lugdunensis. • Sinais clínicos (superficial): prurido moderado e intermitente, pápulas, pústulas e colaretes epidérmicos. Diagnóstico: investigar doença de base (alergias, endocrinopatias, ectoparasitas). Tratamento • Tópico: clorexidina 2% (solução ou xampu) + mupirocina para lesões focais. • Sistêmico: antibióticos por no mínimo 3 semanas (enrofloxacina, amoxicilina + clavulanato, cefalexina – esta última com cautela em raças Toy). DERMATITE ÚMIDA AGUDA (PIOTRAUMÁTICA) • Infecção bacteriana superficial de evolução rápida, causada por trauma autoinfligido (lambedura/mordedura em resposta a prurido ou dor). • Sintomas: prurido intenso e constante, erosão com exsudato piosanguinolento e crostas. • Diagnóstico: anamnese, exame clínico e citologia. • Tratamento: remover a causa, sedação, tricotomia, antissepsia, uso de colar elizabetano, terapia tópica (clorexidina + antibiótico) e antibiótico sistêmico por 14–21 dias. DERMATITE DAS PREGAS CUTÂNEAS (INTERTRIGO) • Infecção em dobras de pele por acúmulo de secreções. • Raças predispostas: Spaniels (dobra labial), braquicefálicos (facial), Pug (cauda em “saca-rolhas”). • Sinais: prurido, eritema e exsudação. • Tratamento: antissepsia regular e, em casos recorrentes, cirurgia corretiva (plastia). Anatomia do Conduto Auditivo · Externo: da pina até a membrana timpânica. · Médio: membrana timpânica, cavidade timpânica e tuba auditiva. · Interno: cóclea, vestíbulo e canais semicirculares. Otite Externa Inflamação aguda ou crônica do epitélio do conduto auditivo externo, podendo envolver a pina. · Doença multifatorial. Etiologia · Fatores predisponentes: excesso de pelos, orelhas pendulares, umidade, tratamentos prévios. · Fatores primários: parasitas (ácaros), microrganismos, hipersensibilidades (alergias), distúrbios de queratinização, corpos estranhos, alterações glandulares e autoimunes. · Fatores perpetuantes: bactérias, leveduras, alterações patológicas progressivas e otite média secundária. Manifestações clínicas Prurido auricular, dor, exsudato de discreto a intenso, movimentação da cabeça, escoriações, alopecia e possível inapetência. Diagnóstico · Anamnese detalhada: exposição à água, doenças endócrinas/metabólicas, prurido em outras regiões, uso prévio de medicamentos. · Exame físico e otoscópico. · Citologia (Gram, Giemsa), cultura e antibiograma, biópsia em casos de suspeita neoplásica. Tratamento · Identificar e controlar causas primárias e predisponentes. · Limpeza do conduto (soluções ceruminolíticas, antissépticas, soro fisiológico aquecido se membrana timpânica rompida). · Terapia tópica: · Antiparasitários: tiabendazol, triclorfon. · Antibacterianos: polimixina, cloranfenicol, neomicina. · Antifúngicos: nistatina, miconazol. · Anti-inflamatórios: glicocorticoides. · Anestésicos locais: lidocaína, tetracaína. · Agentes secantes: álcool, DMSO, ácido salicílico. · Terapia sistêmica quando necessário. · Cirurgia em casos graves ou refratários. Otite Média Inflamação do ouvido médio. · Etiologia: geralmente infecção bacteriana (Staphylococcus, Streptococcus, Pseudomonas, Escherichia, Proteus), podendo ser consequência de otite externa, via tuba auditiva ou hematógena. Sinais clínicos Semelhantes à otite externa: prurido, dor, movimento de cabeça; podem ocorrer sinais neurológicos (paralisia facial, ausência do reflexo palpebral, ptose da orelha e lábios, salivação excessiva). Diagnóstico Anamnese, exame físico, otoscopia (verificar ruptura da membrana), citologia, cultura e sensibilidade, exames de imagem (radiografia, tomografia, ressonância magnética). Tratamento · Limpeza do conduto e remoção de material infectado da bula timpânica. · Ventilação da cavidade. · Antibioticoterapia sistêmica baseada em cultura/antibiograma. · Glicocorticoides se houver disfunção neurológica. · Cirurgia: osteotomia da bula timpânica em casos refratários Otite Interna Inflamação do ouvido interno (cóclea, vestíbulo, canais semicirculares), frequentemente decorrente da otite média. Sinais clínicos: Inclinação de cabeça, orelha caída, nistagmo, quedas e rolamentos para o lado afetado, ataxia. Diagnóstico:Anamnese, exame físico, otoscopia, cultura e antibiograma, exames de imagem (radiografias, tomografia, ressonância magnética). Tratamento:Similar ao da otite média, com acréscimo de anti-inflamatórios (glicocorticoides) para controle da resposta vestibular. Dermatopatias Alérgicas Urticária e Angioedema · Definição: desordens cutâneas com prurido e edema variáveis, geralmente de hipersensibilidade. · Etiologia: medicamentos, vacinas, alimentos, picadas de insetos, plantas. · Patogênese: reações de hipersensibilidade. · Clínica: pápulas ou placas macias, formas serpiginosas/lineares/anulares, eritema, prurido e exsudação. Angioedema com tumefações localizadas ou generalizadas, podendo causar dispneia. · Diagnóstico: anamnese, exame físico, investigação da causa, biópsia cutânea. · Tratamento: eliminar o agente, adrenalina (2,5–5 mcg/kg SC/IV), corticoides (prednisona/prednisolona 1–2 mg/kg SID). 2. Dermatite Alérgica por Picada de Pulgas (DAPP) · Descrição: dermatite pruriginosa papulocrostosa em animais sensibilizados à saliva da pulga. · Patogênese: hipersensibilidade tipo I. · Clínica: lesões em região lombossacral, coxal, caudo-medial, abdome ventral, flancos e pescoço; alopecia, seborreia, dermatite úmida aguda e piodermite secundária. · Diagnóstico: histórico, exame físico, resposta à terapia. · Tratamento: controle ambiental e no animal (fipronil, lufenuron, selamectina, sarolaner), anti-histamínicos (hidroxizina, cetirizina), corticoides ou oclacitinib; antibióticos se infecção secundária. 3. Hipersensibilidade Alimentar · Definição: prurido não sazonal associado a antígenos da dieta. · Etiologia: proteínas/glicoproteínas (carne bovina, suína, frango, peixe, ovos, trigo, soja etc.). · Patogênese: hipersensibilidades tipos I, III e IV. · Clínica: prurido intenso em patas, orelhas, face e axilas, lesões secundárias, otite externa crônica, pápulas, pústulas, eritema, sintomas gastrointestinais (10–15%) e, raramente, neurológicos. · Diagnóstico: dieta de eliminação (4–8 semanas) com desafio posterior; testes intradérmicos, RAST ou ELISA (menos úteis); biópsia (dermatite perivascular). · Tratamento: evitar alimentos “agressores”, dietas hipoalergênicas, imunoterapia, corticoides para prurido intenso, antibióticos ou antifúngicos em infecções secundárias. 4. Hipersensibilidade Medicamentosa · Definição: reação pleomórfica de pele e/ou mucosas, pruriginosa, recidivante, podendo ser grave. · Etiologia: drogas por via oral, tópica ou parenteral. · Patogênese: hipersensibilidade tipos I a IV. · Clínica: erupções pruriginosas que mimetizam várias dermatoses, sem predileção por raça, idade ou sexo. · Diagnóstico: histórico detalhado, suspensão do fármaco, ausência de achados laboratoriais específicos. · Tratamento: suspensão imediata da droga; terapia tópica ou sistêmica de suporte; baixa resposta a corticoides.5. Dermatite Atópica · Definição: dermatite pruriginosa crônica, geneticamente determinada, por sensibilização a alérgenos ambientais. · Etiologia: predisposição genética; alérgenos inalados, ingeridos ou absorvidos; superantígenos (Staphylococcus intermedius, Malassezia pachydermatis). · Clínica: prurido predominante, sazonal ou não; lesões em face, patas e ventre; piodermite, dermatite úmida aguda, seborreia e otite externa. Raças predispostas: Golden Retriever, Cocker Spaniel, Scottish Terrier, Lhasa Apso, Pug, Dálmata, Fox Terrier, Schnauzer. Início entre 6 meses e 7 anos. · Diagnóstico: histórico, exame físico, exclusão de diferenciais, teste intradérmico, ELISA. · Tratamento: evitar alérgenos, controle do prurido (anti-histamínicos, corticoides, oclacitinib), imunoterapia (hipossensibilização), ciclosporina. 6. Complexo Granuloma Eosinofílico (Felinos) · Definição: padrão reacional cutâneo em gatos, de etiologia alérgica, infecciosa, parasitária ou idiopática. · Manifestações: · Placa eosinofílica: áreas alopécicas, bem delimitadas, brilhantes, erosadas ou ulceradas, pruriginosas. · Úlcera eosinofílica: úlceras bem delimitadas com bordas elevadas, geralmente em lábio superior, indolores. · Granuloma eosinofílico linear. · Tratamento: identificação e exclusão da causa, corticoides (prednisona 1–2 mg/kg), imunomoduladores como ciclosporina (7,5–10 mg/kg SID por 30 dias, depois em dias alternados). Afecções do Sistema Digestório I Cavidade Oral – Anatomia · Componentes: lábios, bochechas, língua (lambedura, sucção, deglutição, papilas), dentes, palato duro e glândulas salivares (parótida, mandibular, sublingual, zigomática e molar em gatos). · Dentição · Cães: · Decídua: 2×(I3/3, C1/1, PM3/3) = 28 dentes. · Permanente: 2×(I3/3, C1/1, PM4/4, M2/3) = 42 dentes. · Gatos: · Decídua: 2×(I3/3, C1/1, PM3/2) = 26 dentes. · Permanente: 2×(I3/3, C1/1, PM3/2, M1/1) = 30 dentes. Afecções Orais Glândulas Salivares · Mucocele/Rânula: acúmulo de saliva por ruptura de ducto. Afecções Dentárias · Tártaro e Placa Bacteriana: levam à gengivite, exposição de furca e destruição óssea. · Fraturas dentárias: podem expor a polpa e gerar fístula infraorbitária. · Hipoplasia de esmalte (ex.: cinomose). · Persistência de dente decíduo: favorece acúmulo de alimentos e tártaro. Periodontite · Inflamação do espaço periodontal (cemento, osso alveolar e ligamento). · Etiologia: restos alimentares, placa e tártaro. · Patogenia: bactérias Gram-negativas anaeróbias, abscesso apical, rinite e fístula infraorbitária. · Sinais: halitose, sangramento, dentes frouxos. · Tratamento: limpeza, exodontia, antibióticos (espiramicina+metronidazol, amoxicilina+clavulanato, etc.), gel de peróxido, escovação regular, exercícios de mastigação e dieta seca. Exodontia (extração dentária) · Indicações: cárie avançada, fraturas de coroa/raiz, periodontite grave, dentes supranumerários, maloclusão, dentes decíduos retidos, abscesso periapical. Neoplasias Orais · Cães: melanoma, carcinoma epidermóide. · Gatos: carcinoma epidermóide, fibrossarcoma. · Benignas: papiloma oral (etiologia viral, auto-limitante, vacinas autógenas), epúlides (fibrosa, ossificante, acantomatosa), ameloblastoma. · Malignas: melanoma maligno, carcinoma epidermóide, fibrossarcoma, tumor venéreo transmissível (tratamento com vincristina). Outras Afecções · Fenda palatina/lábio leporino, fístula oronasal, laceração de língua, queimaduras, úlceras (Candida, uremia, toxicidade por aminoglicosídeos). Antibioticoterapia Geral · Amoxicilina, sulfametoxazol+trimetoprim, cefalexina, cefalotina, ceftriaxona, metronidazol, espiramicina+metronidazol. Afecções do Esôfago – Megaesôfago · Definição: dilatação e hipomotilidade esofágica primária ou secundária (obstrução ou disfunção neuromuscular). · Etiologia: congênita, idiopática, adquirida (obstrução, miastenia gravis, cinomose, botulismo, trauma craniano). · Sinais Clínicos: regurgitação de alimento/água, hipersalivação, perda de peso, fraqueza, dispneia (pneumonia aspirativa). · Diagnóstico: histórico, exame clínico, hemograma, radiografia simples ou contrastada (esôfago dilatado, traqueia deslocada, sinal em “V”). · Tratamento: tratar causa primária; bloqueadores H2 (cimetidina, ranitidina), inibidores de bomba de prótons (omeprazol), procinéticos (metoclopramida, cisaprida), antibióticos (se pneumonia), cirurgia em casos selecionados, além de educação do tutor e alimentação pastosa com elevação (45–90°). Afecções do Sistema Digestorio II Gastrite · Causas: corpo estranho, imprudência ou intolerância alimentar, uso de medicamentos (ex.: AINES), uremia, agentes infecciosos (Helicobacter spp., Pythium insidiosum), ou idiopática. · Sinais clínicos: anorexia, vômito (com ou sem sangue/hematoêmese), perda de peso, melena, diarreia. · Diagnóstico: histórico alimentar, hemograma, bioquímica sérica, urinálise, radiografia simples/contrastada, endoscopia. · Tratamento: fluidoterapia; antieméticos (metoclopramida 0,25–0,5 mg/kg, maropitant 1–2 mg/kg); protetores gástricos (omeprazol 0,7 mg/kg, sucralfato 0,5–1 g a cada 12 h); antibióticos (amoxicilina, azitromicina, enrofloxacina) quando indicado. 2. Síndrome de Dilatação/Torção Gástrica (SDTG) · Definição: dilatação do estômago associada a rotação em torno do eixo central, provocando alterações locais e sistêmicas; emergência com alta mortalidade. · Fatores predisponentes: raças grandes/peitorais profundas (Pastor Alemão, São Bernardo, Dogue Alemão, Fila Brasileiro), dieta com grande volume de alimento, relaxamento dos ligamentos gástricos, exercício pós-prandial. · Fisiopatologia: formação de radicais livres (superóxido, peróxido de hidrogênio, hidroxila) → peroxidação lipídica, destruição de enzimas e DNA. · Sinais clínicos: ânsia de vômito não produtiva, distensão abdominal progressiva, dor, depressão, fraqueza, arritmias. · Diagnóstico: histórico (raça, alimentação, atividade), exame físico, radiografia abdominal. · Tratamento: descompressão (sondagem/punção gástrica); administração de deferoxamina 10 mg/kg antes da descompressão (inibe radicais livres); fluidoterapia; controle de arritmias; antibióticos; cirurgia (gastrotomia e gastropexia). 3. Neoplasias Gástricas · Benignas: · Pólipos – mais comuns; remoção cirúrgica. · Leiomiomas – em cães idosos (ex.: Beagles), geralmente na junção gastroesofágica; tratamento cirúrgico. · Malignas: · Adenocarcinoma gástrico – raças predispostas: Pastor Belga, Rough Collie, Bull Terrier. · Linfoma gástrico – mais comum em gatos, podendo se restringir ao estômago ou ser disseminado. · Diagnóstico: endoscopia com biópsia. · Tratamento: cirúrgico para benignas; para malignas, ressecção e quimioterapia, porém com prognóstico reservado. Afecções Intestinais Enterite · Causas principais: · Vírus: cinomose, parvovirose, coronavirose, panleucopenia felina. · Parasitas: Toxocara canis, Ancylostoma spp., Dipylidium caninum, Giardia spp., Isospora spp. · Bactérias: Salmonella spp., E. coli, Clostridium spp. · Outros fatores: corpo estranho (filhotes), doença renal/hepática, medicamentos (AINES, anti-helmínticos), alergia ou mudança brusca de dieta. Enterite Parasitária · Ancylostoma caninum/brasiliensis: hematófagos, causam anemia e melena; larva migrans cutânea (“bicho geográfico”). · Dipylidium caninum: transmitido por pulgas; prurido anal. · Toxocara canis: larva migrans visceral (fígado, pulmão); em filhotes pode causar obstrução intestinal e convulsões. · Trichuris vulpis: acomete intestino grosso/ceco; dor abdominal e diarreia. · Isospora spp.: diarreia recorrente amarelo-esverdeada. · Giardia lamblia: diarreia aquosa; tratamento com metronidazol 25 mg/kg BID por 7 dias. Enterite por Corpo Estranho · Sinais clínicos: anorexia, vômito, apatia, ausência de defecação. · Diagnóstico: histórico, palpação, radiografia simples/contrastada, ultrassonografia. · Tratamento: cirurgia (enterotomia ou enterectomia), antibioticoterapia e cuidados pós-operatórios. Enterites Virais · Parvovírus/Coronavírus canino, Panleucopenia felina: diarreia sanguinolenta, vômitos,desidratação. Diagnóstico por isolamento em fezes/soro. · Tratamento: jejum, antieméticos (maropitant), fluidoterapia (Ringer lactato), antibióticos para infecções secundárias. · Cinomose: tosse, conjuntivite, vômitos, diarreia, sinais neurológicos. Diagnóstico por hemograma e sorologia. · Tratamento: antibióticos de amplo espectro, suporte clínico e controle alimentar. Colites Crônicas · Etiologia: desconhecida; provável interação anormal entre microbiota intestinal e sistema imunológico. · Classificação histopatológica: linfocítica-plasmocítica, eosinofílica, granulomatosa. · Diagnóstico: colonoscopia com biópsia. · Tratamento: antibióticos (metronidazol, enrofloxacina), anti-inflamatórios (mesalamina 12 mg/kg TID, prednisona/prednisolona), imunomoduladores (azatioprina) e manejo dietético