Prévia do material em texto
1) Ao longo da história da Psicologia, consolidaram-se tanto linhas de inspiração positivista quanto fenomenológica. Sobre como cada uma entende “ser ciência”, considere: I. Para ambas, só há ciência quando o observador elimina seus valores e neutraliza toda subjetividade. II. A fenomenologia parte da descrição rigorosa da experiência vivida (epoché, intencionalidade) no mundo-da-vida, buscando elucidar significados. III. Por recusar naturalizações da subjetividade, a fenomenologia descarta qualquer procedimento descritivo ou observacional. IV. O positivismo busca explicação causal com operacionalização de variáveis e controle experimental; a fenomenologia prioriza a compreensão de sentidos, sem pretensão nomotética. Assinale a alternativa com as afirmativas corretas: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. 2) Um CREAS recebe jovens “muito agitados”. A gestão quer aplicar uma triagem padronizada e encaminhar só quem “atingir ponto de corte”. A equipe territorial propõe visitas, rodas com a comunidade e leitura das rotinas (quadra, igreja, batalha de rima, torcida). À luz do “espaço psicológico” e dos lugares da Psicologia, qual caminho preserva melhor o sentido do fenômeno? A) Apenas testes: a agitação é mensurável e independe do contexto. B) Nenhuma medida: só arte-educação. C) Integrar escalas como indícios, ancorando a compreensão em descrições situadas do mundo- da-vida (rotas, ritmos, co-presenças) e da rede territorial. D) Encaminhar todos a psicoterapia individual; o lugar da Psicologia é o consultório. E) Um grupo expositivo com slides sobre “gatilhos internos” resolve. 4) Em História da Psicologia, alguém afirma: “viramos ciência quando passamos a medir o que não se via”. Sobre modernidade e a formação do “espaço psicológico”, marque a correta: A) A modernidade abandona causalidade e adota só compreensão de sentidos. B) O “psicológico” se consolida com ideais de mensuração/controle, separando sujeito/mundo e priorizando variáveis internas operacionalizáveis. C) A modernidade torna laboratórios e testes supérfluos. D) O espaço psicológico nasce rejeitando qualquer estatística. E) A modernidade se define por abolir o método experimental. 5) Um hospital-escola quer instituir “protocolos emocionais” idênticos em todos os setores. Sobre vicissitudes do projeto moderno e a invenção do psicológico, assinale: A) O psicológico é dado bruto, pré-teórico. B) A “invenção do psicológico” recorta e instrumentaliza aspectos mensuráveis, mas também vela dimensões de sentido. C) Padronizar elimina a tensão entre método e singularidade. D) Separar fatos de valores resolve impasses éticos. E) “Vicissitudes” dizem respeito só a brigas entre escolas. 6) Em um estudo sobre “aperto no peito ao anoitecer”, a pesquisadora: (i) coleta descrição concreta; (ii) suspende teorias e explicita pressupostos; (iii) usa variação imaginativa para buscar invariantes. Esse percurso corresponde a: A) Introspeccionismo explicativo. B) Fenomenologia husserliana: epoché, intencionalidade, redução às essências. C) Naturalismo neuropsicológico estrito. D) Funcionalismo adaptacionista. E) Hermenêutica de suspeita marxista. 7) Num plano clínico de serviço-escola, propõe-se: (1) descrição do vivido; (2) análise do ser- no-mundo (projeto, facticidade, possibilidades); (3) atitude de consideração positiva incondicional e congruência. Essa sequência articula, respectivamente: A) Humanismo – Existencialismo – Fenomenologia. B) Fenomenologia – Humanismo – Existencialismo. C) Fenomenologia – Existencialismo – Humanismo (Rogers/Maslow). D) Existencialismo – Fenomenologia – Humanismo. E) Positivismo – Humanismo – Existencialismo. 8) Um pesquisador precisa justificar o método do estudo. A melhor síntese sobre método fenomenológico é: A) Conjunto de técnicas para medir estados internos. B) Doutrina metafísica da alma. C) Método descritivo que, via epoché e foco na intencionalidade, busca estruturas de sentido da experiência no mundo-da-vida. D) Behaviorismo “light”. E) Ecletismo clínico. 9) Uma docente comenta as raízes da ênfase humanista em pessoa, experiência e autorrealização. Assinale: A) O humanismo deriva apenas da psicanálise clássica. B) Matrizes românticas/pós-românticas (Dilthey, Kierkegaard, Nietzsche, Lebensphilosophie) valorizam historicidade, singularidade e sentido, influenciando Rogers/Maslow. C) O humanismo não tem base filosófica. D) O romantismo defendia o cálculo estatístico como via régia à pessoa. E) O humanismo resulta exclusivamente de pragmatismo + psicometria. 10) Classifique como (V)erdadeiro ou (F)also: ( ) A fenomenologia proíbe procedimentos empíricos e por isso não admite entrevistas. ( ) Intencionalidade supõe que haja atos de consciência sem qualquer referência ou direcionamento. ( ) Husserl enfatiza método e eidética; Heidegger desloca o foco para existência e ser-no-mundo. ( ) A psicologia humanista nasceu sem influências românticas/pós-românticas. A) F-F-V-F B) F-F-F-F C) F-F-V-V D) V-V-V-V E) V-F-V-F 11) Em um ambulatório do SUS, uma usuária chega com insônia, taquicardia e “medo de perder o controle”. A equipe considera exames, escalas e entrevista fenomenológica; há histórico familiar e uso recente de cafeína. Com base no pluralismo metodológico de Jaspers (Verstehen/Erklären e centralidade da pessoa), o mais adequado é: A) Utilizar apenas compreensão e abandonar causalidade. B) Validar somente causalidade. C) Articular compreensão de vivências e explicações causais, mantendo a pessoa no centro. D) Escolher um método único e fixo. E) Considerar a fenomenologia suficiente para abolir a anamnese. 12) Num experimento de realidade virtual que “simula” uma praça, discute-se presença/ausência. A noção de ser-no-mundo indica que: A) Primeiro há um sujeito isolado, depois o mundo. B) Existir é sempre já em relação; não há sujeito fora do mundo compartilhado. C) O mundo é mera representação interna. D) O humano é substância psíquica encapsulada. E) O mundo é apenas soma de estímulos processados. 13) Pesquisa fenomenológica sobre ansiedade em ônibus lotado: após descrever e fazer epoché, a equipe propõe variar imaginativamente elementos (horário, lotação, janela, conhecidos, trajeto, clima) para identificar invariantes. Esse passo é a: A) Ampliação da variância para estatística. B) Eliminação total da subjetividade. C) Redução eidética (variação imaginativa) para discernir essências. D) Geração de hipóteses causais concorrentes. E) Verificação interavaliadores. 14) Na UBS, uma usuária “se sente fora do mundo” após mudar de bairro; mudaram rotas, vizinhança e horários. À luz da fenomenologia existencial, ser-no-mundo implica: A) Sujeito isolado que depois se relaciona. B) A existência é sempre em relação e partilha de mundo. C) Mundo como representação interna. D) Substância psíquica encapsulada. E) Soma de estímulos processados. 15) Ao analisar “o corredor fica mais estreito quando volto do trabalho”, você distingue modos de vivenciar (noesis) e o sentido visado (noema). Esse procedimento é: A) Incompatível com fenomenologia. B) Análise noético-noemática. C) Explicação causal comportamental. D) Operacionalização de variável latente. E) Introspecção não controlada. 16) Em estudo sobre cansaço crônico de cuidadoras, como preservar a primazia da descrição fenomenológica? A) Definir categorias a priori e encaixar falas. B) Começar por “por quês” explicativos. C) Convidar a narrar um episódio concreto (corpo, tempo, espaço) e só depois trabalhar sentidos emergentes. D) Fazer psicoeducação e medir satisfação. E) Aplicar apenas escalas Likert e encerrar. 17) Em um CAPS, o protocolo manda iniciar pelo checklist diagnóstico. Você opta por ouvir “como a manhã pesa”, explicitando suspensão de hipótesesaté compreender o vivido. Isso exemplifica: A) Aplicação imediata do modelo biomédico. B) Epoché em ato, priorizando descrição antes da explicação. C) Explicação causal por história familiar. D) Hermenêutica de suspeita marxista. E) Observação naturalista passiva. 18) Uma prefeitura adota plataforma que “monitora saúde mental” por dashboards (humor 1– 5, sono, produtividade). Números “bons” não captam relatos de “tempo sem porvir” e “mundo sem apelo”. Redija um texto que articule: A) As vicissitudes desse projeto e a “invenção do psicológico” (o que aparece/some quando traduzimos a experiência em métricas); B) Uma crítica fenomenológica (Husserl: epoché, intencionalidade, mundo-da-vida) e propostas para reabrir o sentido do serviço. C) Analise o caso pela intencionalidade e temporalidade, sugerindo ajustes no serviço. D) Aponte limites das métricas e proponha mudanças no sistema para captar o horizonte de possibilidades (por exemplo, registros narrativos situados, marcadores de rotina/ritmo, eventos- gatilho contextuais). ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________