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Banco de Sangue Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dra. Rosalina Guedes Donato Santos Prof.ª Dra. Bruna Amorin Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Hemovigilância e Substitutos do Sangue Hemovigilância e Substitutos do Sangue • Compreender o ciclo do sangue e o papel do Biomédico no Banco de Sangue; • Reconhecer a produção e o controle de qualidade de hemocomponentes; • Verificar a importância do Biomédico na liberação do sangue para transfusão. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Hemovigilância; • Embalagem, Transporte e Descarte de Hemocomponentes; • Substitutos do Sangue. UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Contextualização As transfusões de sangue, em algumas situações, podem ser evitadas se forem ado- tadas estratégias otimizadas para controlar a perda de sangue, gerenciar o sangue autó- logo, aumentar a hematopoiese e maximizar a tolerância à anemia. Pode-se conseguir isso por meio de uma combinação apropriada de Técnicas Médicas e Cirúrgicas para a conservação de sangue, aparelhos e fármacos. Equipes interdisciplinares que fazem uso planejado e sistemático de várias opções te- rapêuticas às transfusões de sangue conseguem evitar a transfusão de sangue alogênico de modo simples, seguro e eficaz. Nesse contexto, lançamos o seguinte questionamento: como pode ser substituída a utilização do sangue? 8 9 Hemovigilância Hemovigilância é o conjunto de procedimentos de vigilância que abrange todo o ciclo do sangue (Figura 1), com o objetivo de obter e disponibilizar informações sobre os eventos adversos ocorridos em suas diferentes etapas para prevenir seu aparecimento ou recorrência, melhorar a qualidade dos processos e produtos e aumentar a segurança do doador e do receptor. Ciclo do Sangue Totalmente monitorizado por um sistema informatizado, que acompanha cada etapa, desde a captação dos doadores, exames sorológicos e imunohematológicos, testes de compatibilidade até o ato transfusional. Etapas da Doação de Sangue Transfusão Quando solicitada a transfusão, o sangue passa por novos exames a �m de testar a perfeita compatibilidade. Armazenamento Estando todos os exames isentos de qualquer anormalidade é colocado a disposição para transfusão. Testes Sorológicos e Imunohematológicos O sangue é coletado e encaminhado ao laboratório para separação dos hemocomponentes. Mobilização de Doadores Recepção e cadastro do doador em sistema informatizado com código de barras. Triagem Além dos sinais vitais e teste de anemia, o doador responde a questões visando sua segurança e do receptor. Coleta A coleta é realizada em bolsa plástica estéril e descartável. Fracionamento O sangue é coletado e encaminhado ao laboratório para separação dos hemocompenentes. Figura 1 – Ciclo do Sangue Fonte: Adaptada de transfusão.srv.br A hemovigilância do doador é importante porque avalia as reações adversas no pro- cesso de doação de sangue. Hemovigilância: conjunto de procedimentos de vigilância que abrange todo o ciclo do san- gue com o objetivo de obter e disponibilizar informações sobre eventos adversos ocorridos nas suas diferentes etapas, para prevenir seu aparecimento ou recorrência, melhorar a quali- dade dos processos e produtos e aumentar a segurança do doador e do receptor. As reações adversas podem ser classificadas quanto ao tempo de ocorrência da gravidade, à correlação com a doação e ao tipo de doação e quanto à extensão. Todos esses acontecimentos são chamados de incidentes. Todos os serviços de hemoterapia que realizam procedimentos integrantes do pro- cesso do ciclo de sangue deverão se organizar para que tenham controle informatizado do processo do ciclo do sangue, da distribuição e da utilização da bolsa de sangue que devem participar da hemovigilância. O que é Incidente Transfusional ou Reações Transfusionais? Reações transfusionais são os eventos adversos resultantes do uso terapêutico de sangue e hemocomponentes. Para implantação de um Sistema de Hemovigilância, deve-se estar atento à monitorização dos incidentes transfusionais imediatos e tardios: • Incidente transfusional imediato: Aquele que ocorre durante a transfusão ou em até 24 horas após; 9 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue • Incidente transfusional tardio: Aquele que ocorre após 24 horas da transfusão re- alizada. Nesse caso, tem especial importância a transmissão de doenças por meio da transfusão de sangue. A hemovigilância faz parte das ações de Vigilância em Saúde no Brasil e representa uma das áreas estratégicas da Anvisa. Para que o processo ocorra de maneira eficaz, é necessário que haja coordenação, processamento e análises das informações, além de monitoramento e rastreabilidade de todo o processo. Os objetivos principais são identificar os riscos, melhorar a qualidade dos produtos, aumentar a segurança do paciente, monitorar e gerar ações para correção das não conformidades (situações que estejam fora do escopo das normatizações) e, por fim, monitorar o processo desde a captação até a transfusão sanguínea. As notificações dos eventos adversos ao uso terapêutico de sangue e hemocompo- nentes devem ser realizadas pelos Profissionais de Saúde vinculados à Unidade de Saúde em que foi realizada a transfusão sanguínea, sendo este estabelecimento devidamente cadastrado no Sistema Notivisa. Você Sabia? O Notivisa é um Sistema informatizado desenvolvido pela Anvisa para receber notifica- ções de incidentes, Eventos Adversos (EA) e Queixas Técnicas (QT) relacionadas ao uso de produtos e de serviços sob Vigilância Sanitária, dentre eles a reação transfusional decorrente de uma transfusão sanguínea. É importante ressaltar que a Notificação Compulsória de Doenças transmitidas pelo sangue, ou a soro, de um doador e/ou receptor, para a Coordenação de Vigilância Epi- demiológica, também deve ser feita. Outro aspecto fundamental para um Sistema de Hemovigilância é a garantia da rastreabilidade de um hemocomponente, ou seja, saber com precisão em quem foram transfundidos os hemocomponentes e quais hemocomponentes os pacientes transfun- didos receberam. A rastreabilidade permite que se realize tanto a investigação ascendente – do receptor ao doador – quanto a investigação descendente – do doador ao receptor. Observe os Informes técnicos da hemovigilância acessando cada um deles (1 ao 37) no site da Secretaria de Estado de Saúde. Disponível em: https://bit.ly/3mDnrRS Em caso suspeito de incidente, deve ser feita a investigação do caso com base na che- cagem dos registros, indicação da transfusão nos registros ou no prontuário do paciente, conferência dos hemocomponentes solicitados, enviados e administrados, além da checa- gem das condições da administração. 10 11 Caso a investigação demande a realização de exames no paciente, deve ser recolhi- da a bolsa juntamente com os anexos dos hemocomponentes envolvidos com o inci- dente transfusional amostras do sangue do receptor e do doador para a realização dos Exames Laboratoriais. Leia capítulo 8 – Hemovigilância do Manual Técnico de Hemovigilância – Investigação das reações transfusionais imediatas e tardias não infecciosas. Disponível em: https://bit.ly/3DpHN6M Importância da hemovigilância no ciclo do sangue A hemovigilância é crucial porque, mesmo com os testes executados no doador, ainda podem ocorrer erros humanos inerentes à manipulação ou a não detecção de patógenos como HIV, HTLV I/II e Hepatite B/C devido à janela imunológica (apesar de que muito se reduziram esses casos em função de novas Tecnologias Diagnósticas, como o teste NAT). O estudo sobre as variáveis que podem contribuir com os efeitos indesejáveis da transfusão sanguínea e o seu controle ajudam a gerenciar o risco bem como a minimizar os eventos adversos. A qualidade do serviço é avaliada por meio do monitoramento do processo, bem como das ações corretivas feitas a fim de evitar, minimizar ou diminuir a reincidência desses eventos. Assim, a notificação é umserviço de extrema importância na garantia da qualidade e na eficiência do processo transfusional. Outro ponto crucial da hemovigilância é a prevenção de erros administrativos, como digitação, registro e conferência. Esses erros podem levar à troca de sangue, sobretudo, com a tipagem ABO incompatível entre receptor e doador. Comissão permanente de hemovigilância A Comissão Permanente de Hemovigilância tem a atribuição de assessorar de forma técnica a Equipe responsável pela hemovigilância da Anvisa. Assim, segundo a Portaria n. 1.454, de 27 de novembro de 2015, compete à Comis- são contribuir (caráter consultivo) para a implementação das ações da área, participar da regulamentação, do monitoramento, da avaliação e, até mesmo, quando solicitada, da investigação de eventos relacionados ao ciclo do sangue. Isso deve ocorrer em parceria com a Vigilância Sanitária e junto aos Serviços de Saúde e de hemoterapia. A Comissão também é responsável por produzir análises e relatórios para a Gerência-Geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária, assim como dar suporte técnico na proposição de ações que visem a aumentar a segu- rança transfusional, a auxiliar a comunicação de informações técnicas e subsidiá-la no acompanhamento do conhecimento de segurança em todas as etapas do ciclo do sangue. Ela deve participar da formação e da atualização de recursos humanos em hemotera- pia e Hemovigilância quando solicitada, deve participar do processo de integração dos 11 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue diferentes atores envolvidos no processo, e do intercâmbio com instituições nacionais e internacionais para a vigilância. A Comissão também participa da elaboração de material técnico-científico para a notificação, da elaboração e da padronização de indicadores, de estudos e pesquisas de interesse do Sistema Único de Saúde, e da identificação de mecanismos de controle e avaliação de riscos. Subsidia a Gerência-Geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária em outras ações necessárias e pertinentes ao tema da hemovigilância. Os níveis de atuação e responsabilidade de alguns dos principais profissionais relacio- nados à hemovigilância estão descritos no Quadro 1. Quadro 1 – Níveis de atuação e responsabilidades na hemovigilância Enfermeira (ou auxiliar) • Comunica o incidente transfusional imediato ao médico do paciente (ou plantonista). Médico responsável • Pede exames complementares; • Informa o responsável hospitalar pela hemovigilância, em até 24 horas; • Preenche a parte da FIT correspondente à notificação. Responsável pela Hemovigilância no Hospital • Completa a FIT*, juntamente com o médico do paciente; • Dá ciência à Comissão Hospitalar de Hemoterapia, caso exista; • Envia a FIT à Secretaria de Saúde (municipal ou estadual) – Responsável pela hemovigilância. *Ficha de Notificação e Investigação de Incidentes Transfusionais – FIT. Fonte: Adaptado de ANVISA, 2003 Por sua vez, o Comitê Transfusional é responsável por realizar o censo e analisar os problemas transfusionais recentes, propor medidas corretivas em médio e longo prazos, e avaliar a eficácia das medidas propostas. Caso não exista uma comissão hospitalar, o representante da hemovigilância deverá realizar tais atividades. Na esfera municipal de hemovigilância, deve ser feita a verificação da FIT, bem como a sua análise. Depois, as fichas devem ser enviadas ao coordenador estadual de hemovigilância. Na esfera estadual de hemovigilância, as responsabilidades são a verificação com- pleta da FIT, análise e envio das FITs para a Comissão Nacional de Hemovigilância e inserção de medidas corretivas e preventivas no âmbito nacional. Comitê transfusional A responsabilidade do comitê transfusional é implantar, implementar e aprovar os Protocolos de indicações dos hemocomponentes elaborados pelo Serviço de Transfusão. Além disso, deve documentar, avaliar e solucionar os casos de prescrição inadequada de produtos hemoterápicos, analisar a estatística enviada pelo Serviço de Transfusão referente à utilização de hemocomponentes pelas diversas especialidades do ambiente hospitalar, criar e monitorar os indicadores para a avaliação dos hemocomponentes, analisar o relatório 12 13 mensal das reações transfusionais reportadas ao Serviço de Transfusão e, além disso, deve propor medidas para a diminuição das ocorrências nos casos de reações evitáveis. Também deve sugerir e participar de Programas de Educação Continuada em Medicina Transfusional, com foco nos profissionais responsáveis pela análise, processamento, dis- pensa e transfusão da bolsa de sangue. Retrovigilância A retrovigilância (Figura 2) é a parte da hemovigilância que se trata da investigação retrospectiva relacionada à rastreabilidade das bolsas de doações anteriores de um doa- dor que apresentou soroconversão de um marcador ou relacionada a um receptor de san- gue que veio a apresentar marcador reagente/positivo para uma doença transmissível. Também é possível utilizar esse termo nos casos de detecção de amostras positivas microbiológicas de componentes sanguíneos e investigação de quadros infecciosos bac- terianos em receptores, sem manifestação imediata, mas potencialmente responsabili- zada pela transfusão. O serviço de hemoterapia deve comunicar ao Órgão de Vigilância Sanitária compe- tente os casos instaurados de retrovigilância para acompanhamento e apoio nas investi- gações, a exemplo da investigação de casos por Yersinia enterocolitica em talassêmicos. Caso haja um teste de triagem positivo ou inconclusivo em um doador de sangue que outrora apresentava teste negativo, o serviço de hemoterapia deve verificar o estoque para identificar hemocomponentes oriundos dessa doação e, caso seja identificada, a bolsa deve ser descartada imediatamente. Depois, deve ser feito o teste com a mesma amostra para confirmar o resultado. Viragem Laboratorial/Soroconversão de doadores de repetição/Esporádico Retestagem na amostra da doação para con�rmar resultado inicial Iniciar a Retrovigilância Convocar doador para coleta da 2ª amostra Convocar doador para coleta da 2ª amostra Comunicação a vigilância em saúde de referência (Visa e VE) Descartar e Registrar Fim Sim Sim Não Não Teste positivo ou inconclusivo em uma ou ambas as duplicatas Resultado Reagente Há bolsa em estoque? Figura 2 – Fluxograma Etapas da Retrovigilância *Visa (Vigilância Sanitária) e VE (Vigilância Epidemiológica) Fonte: Adaptada de ANVISA, 2015 13 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Teste o seu conhecimento: • Cite exemplos de reações adversas ao doador de sangue e exemplos de reações adversas ao receptor. Dica: Leve em consideração o material complementar Guia de Hemovigilância; • A quem deve ser notificado um Incidente com reação adversa? • O que difere uma reação transfusional imediata de uma tardia? Embalagem, Transporte e Descarte de Hemocomponentes A embalagem, transporte e descarte de hemocomponentes deve seguir as normati- zações contidas na Norma Regulamentadora 32 (NR32), que versa sobre segurança e saúde no trabalho em Serviços de Saúde, a RDC 34, de junho de 2014, que dispõe so- bre as boas práticas no ciclo do sangue, a RDC 20, de 10 de abril de 2014, que informa sobre o Regulamento Sanitário de Material Biológico Humano e a Portaria Conjunta n. 370, de maio de 2014, que traz informações acerca do regulamento técnico-sanitário para o transporte de sangue e hemocomponentes. Além disso, é importante ter conhecimento das normas RDC 222, de 28 de março de 2018, que regulamenta as boas práticas de Gerenciamento de Resíduos. Requisitos de embalagem de hemocomponentes A Portaria Conjunta n. 370, de 7 de maio de 2014, define que os hemocomponentes devem ser enquadrados em três categorias: • Categoria A; • Categoria B; • Categoria Espécime Humana de Risco Mínimo (material isento). Deve se enquadrar na categoria A todo material biológico infeccioso cuja exposiçãopode causar incapacidade permanente ou morte, colocando em risco a vida humana ou de outros animais. Na categoria B são enquadradas amostras de pacientes ou de doadores de sangue com resultados reagentes ou positivos para marcadores de agentes infecciosos. Na categoria de espécime humana de risco mínimo devem ser enquadrados, por exemplo, os materiais biológicos advindos de indivíduos sadios que foram submetidos a juízo profissional baseado na história clínica, sinais e sintomas individuais, assim como condições endêmicas locais que assegurem a probabilidade mínima de o material conter microrganismos patogênicos, mesmo que essa espécime clínica não tenha passado por exames para detectar a presença de patógenos, seguindo os requisitos da Organização 14 15 Mundial de Saúde (OMS), o que inclui, também, o sangue de doadores considerados aptos à coleta no âmbito da hemoterapia. Quanto à embalagem, a embalagem primária é aquela que está em contato direto com o material biológico a ser transportado, podendo ser recipiente ou tubo de amos- tras, envoltório, ou qualquer outra forma de proteção, removível ou não, ou bolsas de sangue, que se destinem a envasar, a manter, a cobrir ou a empacotar o sangue e os componentes, também chamadas de embalagem interna. Quanto ao transporte de materiais biológicos classificados como categoria A, deve-se solicitar aos órgãos reguladores de transporte orientações detalhadas de como proceder o adequado acondicionamento desses materiais. A Figura 3 representa as embalagens para a categoria A, B e risco mínimo: Receptáculo primário (tubo com amostra) Embalagem secundária (estanque) Material absorvente Registro do espécime (inclui a lista enumerada do conteúdo) Embalagem externa Etiqueta de orientação do pacote (não imperativa quando o receptáculo primário não exceder 50ml) Marcação da especi�cação da ONU Tampa impermeável Receptáculo primário (estanque a líquidos e sólidos) Grade ou similar (esponja ou isopor) Lista detalhada de itens contidos no pacote (registro de espécime) Embalagem externa rígida Designação correta da remessa (PSN) Código numérico da ONU (UN Number) Material absorvente para embalagem Embalagem secundária (estanque a líquidos e sólidos) Etiquetas De/Para Figura 3 – (a) Representação geral de embalagens. (b) Categoria A Fonte: Adaptado de ANVISA, 2013 15 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Embalagem externa rígida Embalagem secundária não rígida e estanque Espécime no receptáculo primário estanque Receptáculo primário (estanque a líquidos e sólidos) Receptáculo secundário estanque a líquidos e sólidos (p. ex., saco de plástico fechado) Embalagem exterior Espécime Designação correta da remessa (PSN) Código numérico da ONU (UN Number) Material absorvente para embalagem Material absorvente e amortecedor Etiquetas De/Para Figura 4 – (c) Categoria B. (d) Risco mínimo Fonte: Adaptado de ANVISA, 2013 Importante! Leia o trecho a seguir: Portaria conjunta nº 370, de 7 de maio de 2014, a respeito do Transporte de Amostras de Sangue para Triagem Laboratorial de Doadores e Receptores: Seção III Do Transporte de Amostras de Sangue para Triagem Laboratorial de Doadores e Receptores Subseção I Disposições Gerais Art. 36. O transporte de amostras biológicas para triagem laboratorial de doadores e receptores será realizado de forma a garantir a segurança em casos de acidentes e a conservação das propriedades biológicas do material transportado. Art. 37. A embalagem interna (recipiente ou tubo) que contenha a amostra de san- gue para triagem laboratorial de doadores e receptores será impermeável e herme- ticamente fechada. Parágrafo único. O recipiente ou tubo de que trata o caput será acondicionado em embalagem intermediária, organizada de forma a evitar o derramamento do ma- terial biológico e o impacto entre si, caso sejam 2 (dois) ou mais recipientes ou tubos transportados juntos. Art. 38. A embalagem externa será impermeável e resistente a rupturas e perfu- rocortantes. Art. 39. Será de uso único a embalagem que não permita higienização. Art. 40. As etiquetas dos tubos deverão estar firmemente aderidas e preencher os re- quisitos para rastreabilidade de amostras de sangue do doador e do receptor de acor- do estabelecido no regulamento técnico sobre procedimentos hemoterápicos e nas Boas Práticas do Ciclo do Sangue definidos pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa.] 16 17 As embalagens devem conter informações de nome e endereço do remetente e do destinatário, nome e número de telefone da pessoa responsável (que deve ficar de pron- tidão 24 horas por dia, até o material chegar ao local). Essa pessoa deve ser capaz de fornecer as informações técnicas sobre o material biológico transportado. É obrigatória a seguinte informação: “substância infectante que afeta seres humanos”, adicionar o Código da ONU (UN2814), além da marca da embala- gem homologada (ANAC/certificada, Inmetro-ANTT) e adicionar as setas de orientação quando a embalagem primária contiver mais de 50ml. A embalagem para o transporte, conhecida como embalagem tríplice ou embalagem tripla, deve ser composta por três componentes: • Recipiente primário estanque; • Embalagem secundária estanque; • Embalagem externa (terciária) rígida e de resistência adequada para sua capacidade, massa e intenção de uso. A embalagem primária deve ter um dispositivo que garanta vedação à prova de vaza- mento e deve ser impermeável para amostras líquidas. No caso de amostras sólidas ou semissólidas, deve ser constituída por recipiente resistente, dotado de mecanismo de fechamento que impeça o extravasamento do material. Por exemplo, tubos de amostras e bolsas plásticas de coleta são as consideradas embalagens ou recipientes primários. A embalagem secundária, impermeável e à prova de vazamento, deve ser fabricada com material resistente, de forma a conter a embalagem primária. Sacos plásticos são muito utilizados como embalagens secundárias. A embalagem terciária rígida deve ser resistente, de tamanho adequado ao material biológico transportado e dotada de dispositivo de fechamento, observando-se que mate- riais laváveis e resistentes a desinfetantes podem ser reutilizados. Para transporte aéreo, as dimensões mínimas desta embalagem são de 100mm x 100mm. Caixas plásticas (PVC), papelão, metal, tambores ou outros materiais rígidos são exemplos de embalagens terciárias que podem ser usadas. A embalagem externa de transporte de unidades de sangue total e hemocomponentes para procedimentos de transfusão deve ser identificada com a descrição de que se trata de hemocomponentes para transfusão (MATERIAL ISENTO). A Figura 5 representa um desenho esquemático desse tipo de embalagem: Caixa externa rígida Tipo de isolante (Ex: poliuretano) Gelo reciclável (quantidade de refrigerante de�nido) Divisor de papelão (dispositivo separador gelo/hemácias ou plaquetas) Saco plástico (embalagem secundária) Termômetro (dispositivo de monitoramento de temperatura) Bolsa de sangue total/hemocomponentes (embalagem primária) Figura 5 – Desenho esquemático da embalagem para hemocomponentes Fonte: Adaptada de ANVISA, 2013 17 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Na montagem da embalagem, é importante lembrar que o material refrigerante (por exemplo, gelo, gelox) em hipótese alguma deve ficar em contato direto com as unidades de hemácias e plaquetas e a temperatura de conservação do sangue e dos hemocompo- nentes deve ser registrada durante o processo de transporte e monitorada por mecanis- mos que possibilitem a verificação de seus valores fora dos limites estabelecidos. Independentemente do conjunto de embalagens utilizadas no transporte de sangue e dos componentes, devem ser desenhadas de forma a permitir a manutenção das pro- priedades biológicas, de acordo com cada material transportado. Transporte de hemocomponentes O transporte de hemocomponentes pode ser interno ou externo. Quando interno, o fluxo deve ser unidirecional,de forma a evitar o cruzamento de amostra com doadores e receptores. O material deve estar acondicionado com Sistema de Embalagens duplas (recipiente/ embalagem interna + embalagem externa). O recipiente (tubo primário) deve ficar acondicionado de forma a se manter fixado à embalagem externa durante o trânsito no ambiente do serviço de hemoterapia/hospital. Caso o ambiente tenha temperatura controlada (ambiente laboratorial), não há neces- sidade da utilização de isolante térmico. Porém, se o transporte de amostras biológicas para triagem laboratorial for externo, deve ser utilizado o sistema de embalagens triplas primária, secundária e externa (material biológico de risco mínimo – material isento). Caso haja necessidade de transporte interestadual de sangue e componentes, deve-se solicitar permissão para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa autorização terá validade de um ano a partir da data de concessão. O serviço de hemoterapia autorizado a realizar o transporte interestadual pode contratar uma Empresa transportadora para esse fim, seguindo os requisitos estabelecidos de contratação. Independentemente da forma pela qual o deslocamento do material é realizado, o responsável por solicitar a autorização é o serviço de hemoterapia remetente. Adequação junto à Visa Adequação junto à Visa Particionar junto à Anvisa Adequação Processo de Transporte Rotineiro Emissão o�cial da autorização ao SH para exercer suas atividades de transporte interestadual Envio à Anvisa: – Cópia licenciamento SH remetente e SH destinatário – AValiação do processo feito pela Visa: parecer, relatório – Formulário de peticionamento devidamente assinado Não Não Não Sim Sim Sim Tem licensa? Aprovado pela Visa? SH Remetente SH Destinatário Solicitar a Visa, avaliação do processo de transporte Aprovado pela Anvisa? Figura 6 – Fluxo de autorização de transporte interestadual de sangue Fonte: Adaptado de ANVISA, 2016 18 19 O formulário do roteiro de inspeção sanitária para liberação do transporte pode ser acessado no site do Ministério da Saúde. Os meios de transporte utilizados podem ser automóveis próprios dos Serviços de Saúde. Caso seja terceirizado, deve ter o documento formal de terceirização (pessoa jurídica regularizada junto à Vigilância Sanitária). No transporte terrestre, não há limitação da quantidade de gelo seco como material refrigerante, no entanto, no transporte aéreo, a quantidade máxima permitida de gelo seco contida em uma única embalagem é de 200kg, tanto para aeronaves de passageiros como para aeronaves cargueiras. Não devem ser utilizados para transporte desses materiais táxis, ônibus circulares, metrôs, micro-ônibus ou bondes, pois eles não considerados transportadores de cargas. Descarte de hemocomponentes O descarte de sangue total, componentes e amostras laboratoriais deve obedecer às Legislações vigentes. No entanto, todo serviço de hemoterapia deve fazer um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) que contenha os itens refe- rentes à geração, à segregação, ao acondicionamento, à coleta, ao armazenamento, ao transporte, ao tratamento e à disposição final dos resíduos gerados, bem como às ações referentes à proteção de saúde pública e do meio ambiente. Além disso, o serviço de hemoterapia deve executar um programa de Capacitação e de Educação Continuada envolvendo todos os profissionais, com a inclusão dos co- laboradores de Empresas contratadas (terceirizadas) no gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Caso haja tratamento interno de resíduos, deve ser realizado em sala específica com equipamentos qualificados e com procedimentos validados. No caso de terceirização, a Empresa contratada para o transporte, o tratamento e a destinação final deve estar regularizada junto aos órgãos de vigilância ambiental. Quer Saber Mais? leia o manual “Gerenciamento de Resíduos em Serviços de Saúde“. Disponível em: https://bit.ly/3gBW1aS Teste o seu Conhecimento: • Diferencie embalagem primária, intermediária e terciária. • Amostras de sangue de um hemocentro se enquadram em qual categoria de material biológico? Explique. 19 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Substitutos do Sangue Substitutos do sangue são tratamentos alternativos às transfusões de sangue. São comumente chamados de sangue artificial. Os métodos mais usados são os expansores de volume e as terapias de oxigênio. Os expansores de volume são chamados de cristaloides (incluindo a solução salina , lactato de ringer e a solução salina hipertônica), os quais são fluidos intravenosos com- postos por água, com vários sais e açúcares, que têm por função a manutenção do volume circulatório do sangue no corpo. Coloides e cristaloides Cristaloides são substâncias homogêneas não cristalinas compostos à base de água com moléculas pequenas permeáveis à membrana capilar, sendo a sua osmolaridade definida por sua concentração de sódio e glicose. As soluções isotônicas são o cloreto de sódio 0,9%, ringer lactato e a solução plasma Lyte. As soluções hipertônicas são o cloreto de sódio 7,5%, cloreto de sódio a 10% e cloreto e sódio a 20%. Os cristaloides têm a capacidade de atravessar a barreira endotelial e se acumulam em maior quantidade no interstício e, depois de uma hora apenas 20 a 25% do volume infundido permanece no espaço intravascular. As vantagens da utilização do soro fisiológico são os baixos riscos de eventos adver- sos, baixo custo. Como desvantagem, pode-se citar a hipernatremia (diminuição da concentração sérica do sódio) e acidose metabólica hiperclorêmica. Para entender sobre a utilização dos cristaloides no choque séptico, leia o Artigo Cristaloides balanceados para ressuscitação do choque séptico, publicado na Revista Brasileira de Te- rapia Intensiva. Disponível em: https://bit.ly/3Dl7RQA A utilização do ringer, ringer lactato e plasma lyte traz vantagens como composição balanceada de eletrólitos, funções similares ao sistema tampão, baixo risco de eventos adversos, não produz distúrbios de coagulação sanguínea, tem efeito diurético e é de baixo custo. Contudo, traz como desvantagens amplas quantidades no seu uso, redução de pressão coloido-osmótica, risco de super-hidratação, edema e hiponatremia. A utilização do cloreto de sódio a 7,5%, 10% e 20% é indicada em casos de choque hemorrágico, politrauma e hipertensão craniana. Esses produtos, mesmo em pequenas quantidades, conseguem expandir o volume intravascular elevando a pressão arterial e o débito cardíaco, favorecendo o fluxo de água do interstício para o espaço intravascular. 20 21 Conseguem expandir a volemia em até 10 vezes a mais quando comparados à solu- ção de ringer lactato. Assim, sua principal vantagem é ser de baixo custo e ter necessi- dade de pouco volume, entretanto, tem como desvantagens flebite em vasos de pequeno calibre, hipertensão quando a infusão for feita de maneira rápida, ou seja, menor que cinco minutos, hipernatremia, hipercloremia e hiperosmolaridade, o que traz risco de convulsões e, por fim, têm efeito benéfico de curta duração. Os coloides são moléculas maiores que não ultrapassam a membrana capilar. Podem ser divididos em naturais e sintéticos. Os coloides naturais são administrados como plasma fresco ou congelados, sangue total, concentrado de albumina e oxiemoglobina, e os sintéticos são grandes moléculas manipuladas diluídas em salina normal. Os coloides proteicos são a albumina e os não proteicos são as gelatinas, dextrans e amidos. A albumina é um produto obtido a partir do fracionamento do plasma. Tem meia-vida de 15 horas e a meia-vida biológica de 19 dias, aproximadamente. As principais indicações de uso são aumento da pressão oncótica e intolerância a cris- taloides ou a coloides sintéticos. Quando administrado em conjunto com a furosemida, tem boa resposta de diurese. As principais desvantagens de seu uso são alto custo, risco de reações anafiláticas, riscos de infecções como hepatitesA, B e C, bem como HIV e distúrbios da coagu- lação sanguínea. As gelatinas são produzidas a partir de colágeno hidrolisado de bovinos, com efeito ex- pansor entre quatro e seis horas. As principais desvantagens são as reações anafiláticas, distúrbios da coagulação sanguínea e insuficiência renal aguda. Dextran são polímeros de glicose produzidos a partir de bactérias cultivadas em meio de sacarose. As principais desvantagens são reações anafiláticas, distúrbios da coagulação e insuficiência renal aguda. Como pacientes com grandes traumas podem repor o volume de plasma sem utilizar sangue? Produtos baseados na hemoglobina Os produtos baseados na hemoglobina têm por função o transporte do oxigênio. As terapias de oxigênio podem ser divididas em: perflurocarbono e hemoglobina. Carreadores de oxigênio à base de hemoglobina utilizam como substrato a mólecula de hemoglobina advinda de unidades de sangue com data de validade expirada, de sangue bovino ou obtidas por meio de Engenharia Genética. As desvantagens de seu uso são a auto-oxidação, que ocorre pela formação de meta- -hemoglobina. A meia vida intravascular é curta, não ultrapassando 24 horas. Tem efeito vasoconstritor, principalmente, pela ação do óxido nítrico que promove vasodilatação e, como consequência, redução da pressão arterial pelo relaxamento da musculatura lisa vascular e a produção de radicais livres. 21 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Contudo, as principais vantagens da utilização da hemoglobina são a não transmissão de doenças, a ausência da necessidade de provas cruzadas, por serem desprovidas de antígenos e o fato de poderem ter tempo de armazenamento maior do que as hemácias obtidas de doadores, interferindo minimamente na coagulação sanguínea e, por fim, possuírem uma menor viscosidade e tamanho molecular, o que favorece a distribuição do oxigênio na microcirculação. Perfluorocarbonos Os Perfluorocarbonos (PFCs) líquidos são carreadores de oxigênio e gás carbônico e, quando administrados diretamente nas vias aéreas, recrutam alvéolos colapsados, me- lhorando a oxigenação, fornecem proteção à arquitetura pulmonar e têm propriedades anti-inflamatórias. São um composto derivado do hidrocarboneto, em que há substituição do átomo de hidrogênio pelo flúor. Esse líquido é misturado a antibióticos, vitaminas, nutrientes e sais. Os perflurocarbonos não são metabolizados e excretados na urina. São eliminados pelos pulmões por evaporação e, em pequena quantidade, pela pele por transpiração. Não causam alterações histológicas no fígado, baço, rins, coração ou cérebro e tampou- co alterações bioquímicas e hematológicas que sugerem efeitos deletérios permanentes no organismo humano. Células sanguíneas artificiais Uma célula artificial ou uma célula mínima é uma partícula que simula uma ou mais funções de uma célula biológica. Novos estudos apontam o desenvolvimento de células artificiais a fim de suprir os hemocomponentes do sangue. Destacam-se a expansão ex-vivo e diferenciação a partir de células-tronco hematopoi- éticas, com o objetivo de produzir células sanguíneas maduras em larga escala, porém, a desvantagem é que seu custo ainda é muito alto. Cientistas criam glóbulos vermelhos sintéticos com todos os atributos dos reais! Disponível em: https://bit.ly/3Djqx3c Teste o seu Conhecimento: Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesta Unidade! Elabore um resumo destacando as principais ideias abordadas ao longo da Unidade. Ao pro- duzir seu resumo, considere as leituras básicas e complementares realizadas. 22 23 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Leitura Manual Técnico de Hemovigilância – Investigação das Reações Transfusionais Imediatas e Tardias Não Infecciosas https://bit.ly/3DpHN6M Marco Conceitual e Operacional de Hemovigilância: Guia para a Hemovigilância no Brasil https://bit.ly/3BdvB7m Sistema Nacional de Hemovigilância https://bit.ly/3gCoHAB Resolução – RDC 34, de 11 de junho de 2014 Dispõe sobre as Boas Práticas no Ciclo do Sangue. https://bit.ly/3gCeEfb 23 UNIDADE Hemovigilância e Substitutos do Sangue Referências ANVISA – AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Manual de notifica- ção. Formulário para notificação de eventos adversos do ciclo do sangue: Reação Tranfu- sional – Quase-erro – Incidente. Brasília: Anvisa, s.d. Disponível em: . Acesso em: 11/07/2019. ________. Roteiro de inspeção sanitário para autorização de transportes interes- taduais de sangue e componentes. Brasília: Anvisa, s.d. Disponível em: . Acesso em: 13/07/2019. ________. Guia de transporte de sangue e componentes. Brasília: Anvisa, 2013. Disponível em: . Acesso em: 11/07/2019. ________. Hemovigilância: Manual Técnico de Hemovigilância. Brasília, DF: Anvisa, 2003. Disponível em: . Acesso em: 12/08/2019. ________. Manual de vigilância sanitária para o transporte de sangue e componen- tes no âmbito da hemoterapia. 2. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2016. Disponível em: . Acesso em: 12/08/2019. ________. Marco conceitual e operacional de hemovigilância: Guia para a Hemo- vigilância no Brasil. Brasília, DF: Anvisa, 2015. Disponível em: Acesso em: 12/08/2019. COICO, R. Imunologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. CORRÊA, T. D.; CAVALCANTI, A. B.; ASSUNÇÃO, M. S. C. Cristaloides balancea- dos para ressuscitação do choque séptico. Rev. Bras. Ter. Intensiva, São Paulo, v. 28, n. 4, p. 463-471, jun. 2016. FREITAS, E. O. Imunologia, parasitologia e hematologia aplicadas à biotecnologia. São Paulo: Erica, 2015. LEVINSON, W. Microbiologia médica e imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. MARTINS, M. A. Clínica médica: alergia e imunologia clínica, doenças da pele, doenças infecciosas e parasitárias. 2. ed. São Paulo: Manole, 2016. v. 7. MCPHERSON, R. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais de Henry. 21. ed. São Paulo: Manole, 2012. PALADINI, E. P. Gestão estratégica da qualidade: princípios, métodos e processos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 24 25 SILVA, A. G. T. Imunologia aplicada: fundamentos, té cnicas laboratoriais e diagnó sticos. Sã o Paulo: Erica, 2014. VIZZONI, A. G. Fundamentos e té cnicas em Banco de Sangue. Sã o Paulo: Erica, 2015 25