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Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 1 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 2 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 3 Direito Civil Revisão Turbo | 42° Exame da OAB Sumário Aula 22/11/2024 – turno manhã ................................................................................................... 4 Aula 27/11/2024 – turno noite ...................................................................................................... 8 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 4 Aula 22/11/2024 – turno manhã Prof.ª Patricia Strauss 1) FGV – 2023 – OAB – 39º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Marcelo alugou um cavalo do haras Galopante para, com ele, disputar uma corrida no dia 15, comprometendo-se a devolvê-lo no dia seguinte à corrida (dia 16). Entretanto, Marcelo se afeiçoou pelo animal e não o devolveu no prazo estipulado, usando-o para passeios em sua fazenda. O haras, com isso, deixou de alugar o animal para outro jóquei que pretendia correr com ele no dia 18 e já o havia reservado. Para completar, no dia 20, em um dos passeios com Marcelo, o cavalo se assustou com uma cobra e sofreu uma queda. No acidente, fraturou a perna e teve que ser sacrificado. Diante disso, assinale a opção que indica os prejuízos que o haras Galopante pode exigir de Marcelo devido à falta do cavalo. A) Deve ser incluído o aluguel que deixou de receber do outro jóquei, mas não o equivalente do animal, porque Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. B) Devem ser excluídos tanto o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético, como o equivalente do animal, pois Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. C) Deve ser incluído o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da prestação enquanto estava em mora, mas excluído o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético. D) Devem ser incluídos tanto o aluguel que deixou de receber do outro jóquei como o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da prestação, enquanto estava em mora. 2) FGV – 2022 – OAB – 34º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Ivan, sócio da Soluções Inteligentes Ltda., celebra contrato de empreitada, na qualidade de dono da obra, com Demétrio, sócio da Construções Sólidas Ltda., tendo esta como a empresa empreiteira. A obra tem prazo de duração de 1 (um) ano, contratada a um custo de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), fracionados em 12 (doze) prestações mensais de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). O contratante, Ivan, necessita da obra pronta no prazo acordado. Em razão disso, acordou com Demétrio uma cláusula resolutiva expressa, informando que o atraso superior a 30 (trinta) dias importaria em extinção automática do contrato. Para se resguardar, Ivan exigiu de Demétrio que expusesse seu acervo patrimonial, mostrando o balanço contábil da empresa, de modo a ter convicção em torno da capacidade econômica da empreiteira para levar a cabo uma obra importante, sem maiores riscos. Transcorridos três meses de obra, que seguia em ritmo normal, em conformidade com o cronograma, Ivan teve conhecimento de que a empreiteira sofreu uma violenta execução judicial, impondo redução de mais de 90% (noventa por cento) de seu ativo patrimonial, fato que tornou ao menos duvidosa a capacidade da empreiteira de executar plenamente a obrigação pela qual se obrigou. Diante deste fato, assinale a afirmativa correta. A) Ivan pode se recusar a pagar o restante das parcelas da remuneração da obra até que Demétrio dê garantia bastante de satisfazê-la. B) O dono da obra pode requerer a extinção do contrato, ao fundamento de que há inadimplemento anterior ao termo, pela posterior redução da capacidade financeira da empreiteira. C) A cláusula resolutiva expressa prevista no contrato é nula, pois o ordenamento não permite a resolução automática dos contratos, por inadimplemento, impondo-se a via judicial. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 5 D) A parte contratante tem direito de invocar a exceção de contrato não cumprido, em face do risco iminente de inadimplemento. 3) FGV – 2021 – OAB – 33º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Matheus, médico clínico-geral, recebe para atendimento em seu consultório o paciente Victor, mergulhador profissional. Realizando a anamnese, Victor relata que é alérgico à ácido acetilsalicílico. Desatento, Matheus ministra justamente esta droga a Victor como parte de seu tratamento. Victor tem danos permanentes em razão do agravamento de sua asma pelo uso inadequado do medicamento, tendo que comprar novos medicamentos para seu tratamento e, ainda mais grave, fica impedido de trabalhar nos dois anos seguintes. A respeito da responsabilidade civil de Matheus, assinale a afirmativa correta. A) Ele responderá pelo regime objetivo de responsabilidade civil, tendo em vista que a atividade de Matheus é arriscada. B) Ele deverá indenizar Victor independentemente de culpa, isto é, de imperícia de sua parte, considerando existir relação de consumo. C) Ele, sendo profissional liberal, terá apurada sua responsabilidade mediante a verificação de culpa, responsabilizando-se unicamente pelos danos diretos verificados no caso. D) Ele deverá indenizar Victor pelas despesas do tratamento e pelos lucros cessantes até o fim da convalescença, além da pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou. 4) FGV – 2024 – OAB – 41º Exame da Ordem Unificado – Primeira Fase Aluísio concedeu um empréstimo a Fábio e, como garantia do empréstimo, Letícia concedeu a Aluísio fiança, renunciando ao benefício de ordem. Considerando essa hipótese, assinale a afirmativa correta. A) Letícia só pode conceder a Aluísio a fiança se houver o consentimento de Fábio. B) Se houver convenção expressa das partes, a fiança concedida por Letícia pode ser de valor superior à dívida de Fábio. C) Caso o empréstimo tenha sido verbal, a fiança também poderá sê-lo, pois, sendo contrato acessório, sua forma segue a do principal. D) Ao renunciar ao benefício de ordem, Letícia não poderá alegar que primeiro sejam executados os bens de Fábio. Prof.ª Carol Werle 5) FGV – 2016 – OAB – 20º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Manoel, em processo judicial, conseguiu impedir que fosse penhorado seu único imóvel, sob a alegação de que este seria bem de família. O exequente, então, pugna pela penhora da vaga de garagem de Manoel. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. A) A vaga de garagem não é considerada bem de família em nenhuma hipótese; portanto, sempre pode ser penhorada. B) A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não pode ser penhorada, por ser acessória ao bem principal impenhorável. C) A vaga de garagem só poderá ser penhorada se existir matrícula própria no Registro de Imóveis. D) A vaga de garagem que não possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 6 6) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Aline manteve união estável com Marcos durante 5 (cinco) anos, época em que adquiriram o apartamento de 80 m² onde residiam, único bem imóvel no patrimônio de ambos. Influenciado por tormentosas discussões, Marcosdo casamento permanecem sendo bens particulares e aqueles bens que forem adquiridos posteriormente, de forma onerosa, se comunicam (desde que o outro nubente comprove que contribuiu financeiramente para adquirir). Importante! Em fevereiro de 2024 o STF definiu que o regime de separação obrigatória de bens nos casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoas com mais de 70 anos pode ser alterado pela vontade das partes. Resultou na tese de repercussão geral, tema 1.236: “Nos Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 37 casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoa maior de 70 anos, o regime de separação de bens previsto no artigo 1.641, II, do Código Civil, pode ser afastado por expressa manifestação de vontade das partes mediante escritura pública". 9.6. Guarda O Código Civil regula a guarda junto aos artigos 1.583 a 1.590, de modo que tal diploma prevê duas modalidades de guardas, quais sejam: unilateral e compartilhada. Na guarda unilateral, um dos genitores detém a guarda física da criança ou do adolescente e o outro, por sua vez, detém o direito de visitas. É importante destacar que essa espécie de guarda será aplicável, via de regra, em três situações: quando um dos genitores manifestar que não tem interesse em deter a guarda do filho (artigo 1.584, §2º, do CC/02), quando um deles não tiver condições de exercer a guarda ou quando houver consenso. Com relação à guarda compartilhada, é imperioso destacar que tal espécie é considerada como regra no ordenamento jurídico, podendo inclusive ser estabelecida mesmo em caso de litígio entre os genitores (artigo 1.584, §2º, do CC/02). Conforme determina o artigo 1.583, §3º, do CC/02, a guarda compartilhada prevê a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos. Insta mencionar, ainda, que mesmo residindo em locais distintos, a guarda será compartilhada, fixando-se a residência base de moradia, no local que melhor atenda aos interesses dos filhos (artigo 1.583, §3º, do CC/02). Resolva a questão a seguir: 19) FGV – 2015 – OAB – 18º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto ganhou na loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos Bandeirantes. Em 2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da herança de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se separaram. Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa correta. A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por isso, deverão ser partilhados em virtude da separação do casal. B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel situado em Santa Teresa bem particular de Roberto. C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem advindo de fato eventual. D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens particulares de Roberto. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 38 Resolva a questão a seguir: 20) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame da Ordem Unificado – Primeira Fase Rodolfo e Marília estão casados desde 2005. Em 2010, nasceu Lorenzo, único filho do casal. No ano de 2020, eles resolveram se divorciar, após um período turbulento de discussões e mútuas relações extraconjugais. A única divergência entre o casal envolvia a guarda do filho, Lorenzo. Neste sentido, sublinhando-se que o pai e a mãe apresentam condições de exercício de tal função, relacionando-se bem com o filho e conseguindo separar seus problemas conjugais de seus deveres paternos e maternos – à luz do Código Civil, assinale a afirmativa correta. A) Segundo a lei, o juiz, diante do conflito, deverá aplicar a guarda alternada entre Rodolfo e Marília. B) Como os pais desejam a guarda do menor e estão aptos a exercer o poder familiar, a lei determina a aplicação da guarda compartilhada, mesmo que não haja acordo entre eles. C) A lei determina a fixação da guarda compartilhada, mas, tendo em vista cuidar-se de divergência sobre a guarda, ela deve ser atribuída a Rodolfo ou a Marília, mas, diante do conflito, a guarda não deve ser atribuída a eles, em nenhuma hipótese. D) Caso Rodolfo e Marília não consigam decidir de modo consensual a quem caberá a guarda de Lorenzo, o juiz será obrigado a atribuí-la ou a um genitor ou ao outro, uma vez que inexiste hipótese de guarda compartilhada na lei brasileira. 9.7. Autorização conjugal Autorização conjugal é a manifestação do consentimento entre os cônjuges para que determinados atos possam ser praticados, sob pena de invalidade (art. 1.647, CC). Exemplo: compra e venda de bem imóvel. Essa autorização é exigida quando um dos cônjuges praticar ato que afeta o patrimônio do casal (alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis, litigar em juízo acerca desses bens, prestar fiança ou aval, etc). Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. Diante disso, tem-se que a regra é justamente a necessidade de outorga. No entanto, existem duas exceções, quais sejam: no regime de separação convencional de bens (art. 1.647 do Código Civil) e no regime de participação final dos aquestos, quando o casal convencionar a livre disposição de bens particulares (art. 1.656 do Código Civil). Caso o cônjuge não possa dar a autorização (por estar doente, por exemplo) ou não queira, o suprimento será dado pelo juiz, conforme art. 1.648, CC. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 39 10. Direito Sucessório 10.1. Renúncia da herança É um ato jurídico pelo qual o herdeiro irá abdicar o direito hereditário conferido. Tem efeitos com efeitos retroativos e, assim sendo, excluem o sujeito da cadeia sucessória como se herdeiro nunca houvesse sido. Sobre esse assunto, pertinente é o art. 1.808 CC/02, que aduz que não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição ou a termo. Deste modo, ou se renuncia tudo, ou não se renuncia. Além disso, cabe destacar que a renúncia somente se opera por meio de instrumento público ou termo judicial (art. 1.806 CC/02); e, assim como os atos de aceitação, a renúncia é irrevogável (art. 1.812 CC/02). Cabe destacar que a renúncia não pode ser feita antes da abertura da sucessão, pois implicaria pacto sucessório, legalmente proibido (art. 426 CC/02). Quanto à renúncia, importante se revela o art. 1.810 CC/02, que afirma que na sucessão legítima, a parte do renunciante acresce à dos outros herdeiros da mesma classe e, sendo ele o único desta, devolve-se aos da subsequente. Isso significa dizer que os descendentes do herdeiro renunciante não herdam por representação. 10.2. Indignidade A indignidade tem natureza essencialmente punitiva, na medida em que visa a afastar da relação sucessória aquele que haja cometido ato grave que impacta a vida do autor da herança. As hipóteses autorizadoras da exclusão por indignidade estão taxativamente previstas em lei, quais sejam: Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: I - que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; II - que houverem acusado caluniosamente emjuízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro; III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. Por se tratar de uma sanção, são pessoais os efeitos da exclusão por indignidade, de maneira que os descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão (art. 1.816 do CC). Cuidar! Art. 1.815-A CC/02. Em qualquer dos casos de indignidade previstos no art. 1.814, o trânsito em julgado da sentença penal condenatória acarretará a imediata exclusão do Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 40 herdeiro ou legatário indigno, independentemente da sentença prevista no caput do art. 1.815 deste Código. Resolva a questão a seguir: 21) FGV – 2012 – OAB – 7º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Edgar, solteiro, maior e capaz, faleceu deixando bens, mas sem deixar testamento e contando com dois filhos maiores, capazes e também solteiros, Lúcio e Arthur. Lúcio foi regularmente excluído da sucessão de Edgar, por tê-lo acusado caluniosamente em juízo, conforme apurado na esfera criminal. Sabendo-se que Lúcio possui um filho menor, chamado Miguel, assinale a alternativa correta. A) O quinhão de Lúcio será acrescido à parte da herança a ser recebida por seu irmão, Arthur, tendo em vista que Lúcio é considerado como se morto fosse antes da abertura da sucessão. B) O quinhão de Lúcio será herdado por Miguel, seu filho, por representação, tendo em vista que Lúcio é considerado como se morto fosse antes da abertura da sucessão. C) O quinhão de Lúcio será acrescido à parte da herança a ser recebida por seu irmão, Arthur, tendo em vista que a exclusão do herdeiro produz os mesmos efeitos da renúncia à herança. D) O quinhão de Lúcio se equipara, para todos os efeitos legais, à herança jacente, ficando sob a guarda e administração de um curador, até a sua entrega ao sucessor devidamente habilitado ou à declaração de sua vacância. 10.3. Herdeiros necessários Os herdeiros necessários são aqueles que têm direito à legítima, e os facultativos, todos os demais. Em nosso atual sistema, por força do art. 1.845 CC/02, são herdeiros necessários: o descendente, o ascendente e o cônjuge. Dentro dessa perspectiva, entende-se por herdeiro necessário aquela classe de sucessores que têm, por força de lei, direito à parte legítima da herança (50%). Por exemplo, se João morre e deixa três filhos: Pedrinho, Marquinhos e Gabi, metade da sua herança (parte legítima) tocará necessariamente a esses herdeiros, podendo, em vida, o testador, se assim o quiser, fazer o que bem entender com a sua parte disponível (a outra metade de herança). Além disso, tem-se o art. 1.849 CC/02, que estabelece que o herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima. Por fim, havendo apenas herdeiros colaterais/facultativos, a liberdade de dispor será plena e o art. 1.850 CC/02 prevê que para excluir os colaterais da sucessão basta que o autor da herança disponha, por testamento, sem os contemplar. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 41 10.4. Sucessão legítima É a espécie de sucessão que decorre da lei. Prevista no art. 1.829 CC/02. Deve ser analisada sob dois prismas: se a pessoa era solteira ou se era casada/unida estavelmente. Caso a pessoa era solteira, aplica-se o seguinte esquema: No caso de a pessoa ser casada, é importante observar a situação pois o art. 1.829 CC/02 traz que haverá concorrência do cônjuge/companheiro sobrevivente com os descendentes e ascendentes do de cujus. 10.4.1. Concorrência com descendentes Os primeiros herdeiros a serem chamados são os descendentes e, de acordo com a redação do artigo 1829, eles concorrem com o cônjuge sobrevivente – dependendo do regime de bens do matrimônio. Verificar a tabela: Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 42 10.4.2. Concorrência com ascendentes Quando se trata sobre a concorrência do cônjuge com os ascendentes do de cujus, é preciso ter em mente que essa concorrência vai se operar sempre. Não importa o regime. Isso significa que, nesses casos, o cônjuge vai receber sua meação, se existirem bens comuns, e mais uma parte da herança por força da concorrência. Quando se fala em concorrência com ascendentes, é importante lembrar do artigo 1.837 do Código Civil, que diz o seguinte: “concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.” Então, tem-se 03 possibilidades: Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 43 E, se caso alguém falecer, sendo casado ou unido estavelmente, e não existir descendentes e ascendentes, a herança ficará na sua integralidade para o cônjuge sobrevivente, independentemente de qual seja o regime de bens. É o que preceitua o artigo 1.838 do Código Civil: “em falta de descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro ao cônjuge sobrevivente”. Resolva a questão a seguir: 22) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Matheus, sem filhos, casado com Jane, no regime de comunhão parcial de bens, falece após enfarto fulminante. De seu parentesco em linha reta são ainda vivos Carlos, seu pai, e Irene, sua avó materna. A partir da situação acima, assinale a opção que indica a sucessão de Matheus. A) Serão herdeiros Carlos, Irene e Jane, a última em concorrência, atribuído quinhão de 1/3 do patrimônio para cada um deles. B) Serão herdeiros Carlos e Jane, atribuído quinhão de 2/3 ao pai e de 1/3 à Jane, cônjuge concorrente. C) Carlos será herdeiro sobre a totalidade dos bens, enquanto Jane apenas herda, em concorrência com este, os bens particulares do falecido. D) Serão herdeiros Carlos e Jane, esta herdeira concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio para cada um destes. Resolva a questão a seguir: 23) FGV – 2019 – OAB – 29º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Mariana e Maurílio são filhos biológicos de Aldo. Este, por sua vez, nunca escondeu ser mais próximo de seu filho Maurílio, com quem diariamente trabalhava. Quando do falecimento de Aldo, divorciado na época, seus filhos constataram a existência de testamento, que destinou todos os bens do falecido exclusivamente para Maurílio. Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 44 A) O testamento de Aldo deverá ser integralmente cumprido, e, por tal razão, todos os bens do autor da herança serão transmitidos a Maurílio. B) A disposição de última vontade é completamente nula, porque Mariana é herdeira necessária, devendo os bens ser divididos igualmente entre os dois irmãos. C) Deverá haver redução da disposição testamentária, respeitando-se, assim, a legítima de Mariana, herdeira necessária, que corresponde a um quinhão de 50% da totalidade herança. D) Deverá haver redução da disposição testamentária, respeitando a legítima de Mariana, herdeira necessária, que corresponde a um quinhão de 25% da totalidade da herança. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 45 Gabarito das questões: 1 – D 2 – A 3 – D 4 – D 5 – C 6 – C 7 – C 8 – B 9 – C 10 – B 11 – A 12 – A 13 – D 14 – A 15 – D 16 – A 17 – D 18 – A 19 – B 20 – B 21 – B 22 – D 23 – D Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 46 https://ceisc.com.br/ Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 47abandonou o apartamento e a cidade, permanecendo Aline sozinha no imóvel, sustentando todas as despesas deste. Após 3 (três) anos sem notícias de seu paradeiro, Marcos retornou à cidade e exigiu sua meação no imóvel. Sobre o caso concreto, assinale a afirmativa correta. A) Marcos faz jus à meação do imóvel em eventual dissolução de união estável. B) Aline poderá residir no imóvel em razão do direito real de habitação. C) Aline adquiriu o domínio integral, por meio de usucapião, já que Marcos abandonou o imóvel durante 2 (dois) anos. D) Aline e Marcos são condôminos sobre o bem, o que impede qualquer um deles de adquiri-lo por usucapião. 7) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Márcia, adolescente com 17 anos de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua faixa etária. Seu maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu criar um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões de jovens seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir custear seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns desses contratos. Para facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de Márcia por seus pais, assinale a afirmativa correta. A) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente tem na internet. B) Não tem requisitos formais específicos, podendo ser concedida por instrumento particular. C) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. D) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria, o que ainda não aconteceu. 8) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana sempre considerou diversificar sua atividade profissional e pensa em se tornar sócia de uma sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para realizar esse investimento, pretende vender um apartamento adquirido antes de seu casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não concorda com a venda do bem para empreender. Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se ao incremento da renda familiar. B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da comunhão parcial de bens. C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de bem particular. D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, independentemente do regime de bens. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 7 9) FGV – 2022 – OAB – 35º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Renatinho, conhecido influencer digital, conquistou, ao longo dos anos, muitos seguidores e amealhou vultoso patrimônio. Renatinho é o único filho de Carla e Júlio, que se divorciaram quando Renatinho tinha três anos de idade. Carla nunca concordou com as atividades de influencer digital desenvolvidas pelo filho, pois achava que ele deveria se dedicar aos estudos. Júlio, por outro lado, sempre incentivou bastante o filho e, inclusive, sempre atuou como gestor da carreira e do patrimônio de Renatinho. Aos 15 de março de 2022, Renatinho completou 16 anos e, na semana seguinte, realizou seu testamento sob a forma pública, sem mencionar tal fato para nenhum dos seus pais. Em maio de 2022, Carla e Júlio, em comum acordo e atendendo ao pedido de Renatinho, emancipam seu único filho. E, para tristeza de todos, em julho de 2022, Renatinho vem a óbito em acidente de carro, que também levou o motorista à morte. Com a abertura da sucessão, seus pais foram surpreendidos com a existência do testamento e, mais ainda, com o fato de Renatinho ter destinado toda a parte disponível para a constituição de uma fundação. Diante da situação hipoteticamente narrada, assinale a afirmativa correta. A) O testamento de Renatinho é válido, pois em que pese a incapacidade civil relativa no momento da sua feitura, a emancipação concedida por seus pais retroage e tem o efeito de convalidar o ato. B) O testamento de Renatinho é válido em razão dos efeitos da emancipação concedida por seus pais, no entanto, a destinação patrimonial é ineficaz, visto que só podem ser chamadas a suceder na sucessão testamentária pessoas jurídicas já previamente constituídas. C) O testamento de Renatinho é válido, pois a lei civil assegura aos maiores de 16 anos a possibilidade de testar, bem como a possibilidade de serem chamados a suceder, na sucessão testamentária, as pessoas jurídicas cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação. D) A deixa testamentária para a constituição de uma fundação seria válida, no entanto, em razão de o testamento ter sido realizado quando Renatinho tinha apenas 16 anos e não emancipado, o testamento todo será invalidado. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 8 Aula 27/11/2024 – turno noite 1. Direito das obrigações: adimplemento e extinção das obrigações 1.1. Do pagamento Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação é necessário que se cumpra o pagamento com seus cinco requisitos: quem paga, para quem se paga, o que se paga, onde se paga e quando se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, teremos a extinção da obrigação através do pagamento. Se uma delas não for cumprida, poderá ser aplicado o ditado de que: “quem paga mal, paga duas vezes.” 1.1.1. De quem deve pagar: artigos 304 a 307 Outras pessoas, além do devedor, podem pagar e outras pessoas além do credor podem receber. Quem pode pagar: • Devedor; Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 9 • Terceiro interessado (por exemplo: fiador): ao pagar, se sub-roga nos direitos do credor primitivo; • Terceiro não interessado (amigo, por exemplo): ao pagar, não se sub-roga, mas tem direito de regresso contra o devedor, caso tenha feito o pagamento em seu nome; • Segundo o artigo 304 qualquer interessado poderá pagar a dívida e se o credor se opuser poderá o terceiro ajuizar ação de consignação em pagamento. Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ou em oposição ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este último tinha meios para ilidir a ação. 1.1.2. Para quem se paga O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. • Pagamento feito ao credor putativo terá validade se feito de boa-fé, ainda provado que depois não era credor; • Pagamento feito cientemente ao credor incapaz como regra não terá validade, mas se provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz, então será válido (artigo 310). 1.1.3. Objeto de pagamento e sua prova: artigos 313 a 326 Objeto do pagamento: arts. 313 a 318 do Código Civil. Prova: arts. 319 a 326 do Código Civil. Objeto: • Com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a pagar ou receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. Da mesma forma, sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar a prestação se assim não se estipulou; • Extremamente relevante o artigo317 que trata sobre a revisão contratual por fato superveniente: Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 10 Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. Prova: o devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se não lhe for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se encontram no artigo 320: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do “caput” do art. 320. Contudo, caso não possua todos requisitos, poderá ainda assim o pagamento ser comprovado por outros meios, como estipula o parágrafo único do art. 320 do CC. 1.1.4. Do lugar do pagamento: artigos 327 a 330 Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado o pagamento. Muito importante: “Artigo 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato.” Temos uma importante relação com o Princípio da boa-fé objetiva. Temos aqui a aplicação da “supressio” e da “surrectio”. “Supressio” significa supressão, por renúncia tácita, pelo não exercício com o passar do tempo. Já a “surrectio” significa que, ao mesmo tempo em que o credor, por exemplo, perde o direito do pagamento no domicílio estipulado, significa que o devedor ganha um novo domicílio para efetuar o pagamento. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 11 1.1.5. Do tempo do pagamento: artigos 331 a 333 Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá ser exigido à vista (cuidar o contrato de mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso ocorre: I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro credor; III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. Resolva a questão a seguir: 10) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a locação garantida por fiança prestada por seu pai, José. Certa vez, Jacira conversava com sua irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e declarou que temia não ser capaz de pagar o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da irmã, Laura procurou o locador do imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, o valor devido por Jacira, sem oposição desta. Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale a afirmativa correta. A) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em face de Jacira, inclusive a garantia fidejussória. B) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira. C) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de Jacira, mas não quanto à garantia fidejussória. D) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira. 1.2. Da consignação em pagamento: artigos 334 a 345 A consignação é o depósito feito pelo devedor ou terceiro de uma coisa devida, para que consiga se liberar da obrigação. É um instituto misto, já que também é tratado no Código de Processo Civil, artigos 539 e seguintes do CPC. Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequências do inadimplemento. As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 12 III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse realizado o pagamento, para que a consignação tenha então força de pagamento, é necessário que concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento. 1.3. Do pagamento com sub-rogação: artigos 346 a 351 A sub-rogação pode ser entendida como a substituição de uma pessoa por outra, realizada através do pagamento. O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para que não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação obrigacional, já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor (que não pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo fiador). Importante destacar que na sub-rogação não há a extinção da dívida e sim a substituição de uma pessoa por outra através do pagamento. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. Há dois grandes tipos de sub-rogação: legal e convencional. Veja o esquema na página a seguir... Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 13 1.4. Da imputação em pagamento: artigos 352 a 355 Imputar significa escolher, eleger, indicar. Quando um devedor tiver várias dívidas com um mesmo credor, sendo elas líquidas e vencidas, este mesmo devedor poderá escolher qual delas ele quer pagar. Requisitos para a imputação: • Mesmo credor e devedor; • Plural de dívidas; • Líquidas e vencidas; • Débitos da mesma natureza. Como regra, quem deverá escolher qual dívida será paga, é o devedor (artigo 352). Se o devedor nada fizer e a quitação for omissa quanto ao pagamento, então teremos a imputação legal, ou seja, a lei, no seu artigo 355, que diz quais serão as dívidas a serem pagas: Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. Assim: 1) Havendo capital e juros, primeiro se fará nos juros; Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 14 2) A imputação será feita na dívida vencida em primeiro lugar; 3) Se todas forem vencidas na mesma data, então a imputação deverá ser feita na mais onerosa. 1.5. Dação em pagamento: artigos 356 a 359 A dação ocorre quando o credor consente em receber objeto diferente do contratado. Muito importante: Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-áa obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros. 1.6. Novação: artigos 360 a 367 Através da novação temos a extinção da obrigação anterior, com a criação de uma nova. O principal efeito é a extinção da dívida antiga, com todos os seus acessórios e garantias. Como a novação extingue a obrigação primitiva, liberando as garantias, se o for feita novação sem o consentimento do fiador, ele estará exonerado. Além disso, é necessária a chamada “intenção de novar”. O animo de novar está expresso no artigo 361. Não é possível que haja novação de obrigações nulas e extintas (artigo 367). Assim, a obrigação meramente anulável pode ser objeto de novação. 1.7. Compensação: artigos 368 a 380 Quando duas ou mais pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedora umas das outras, extinguindo-se a obrigação até onde se compensarem. 1.8. Confusão: artigos 381 a 384 A confusão ocorre quando na mesma pessoa se confunde as figuras de credor e devedor. Ela pode ser total ou parcial, ou seja, ocorrer com relação a toda a dívida ou somente de parte dela. 1.9. Remissão de dívidas: artigos 385 a 388 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 15 A remissão é o perdão da dívida que é concedida pelo credor ao devedor. No entanto, para que se tenha a liberação do devedor, é necessário que ele aceite o perdão. Assim, é um negócio jurídico bilateral. A remissão pode recair sobre a dívida inteira ou sobre parte dela. Há formas de perdão expresso (escrito) e também tácito. Um exemplo de remissão tácita ocorre no artigo 386, em que o credor devolve o título da obrigação (cheque, por exemplo) ao devedor. No entanto, se devolver, restituir o objeto empenhado (garantia do penhor) não significa que perdoou a dívida, mas sim que não quer mais a garantia – artigo 387. 2. Direito das obrigações – inadimplemento Temos dois tipos de inadimplemento: 2.1. Cláusula penal: artigos 408 a 416 Cláusula penal é uma punição, penalidade de natureza civil e tem a ver com o inadimplemento obrigacional. Ela é contratada pelas partes e ocorre em caso de inadimplemento do contrato. É uma obrigação acessória. A cláusula penal pode ser classificada em: cláusula penal moratória e cláusula penal compensatória. 2.1.1. Cláusula penal moratória Caso de inadimplemento parcial, em que ainda é possível o cumprimento. Serve para a punição de quem está em mora. Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 16 Assim, quando houver clausula penal moratória, poderá o credor exigir o cumprimento da obrigação e o cumprimento da clausula penal moratória. 2.1.2. Cláusula penal compensatória Ocorre no caso de inexecução total da obrigação. Ela tem a função de antecipar as perdas e danos. Se a cláusula penal tiver um valor muito alto, deverá o juiz reduzir. Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. Ainda que o prejuízo exceda o previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Assim, não se pode cumular multa compensatória com indenização por perdas e danos decorrentes do inadimplemento da obrigação. Contudo, se no contrato estiver previsto tal possibilidade, a multa compensatória será já o mínimo de indenização. Cabe ao credor então comprovar o prejuízo excedente. Resolva a questão a seguir: 11) FGV – 2017 – OAB – 22º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário de 50 anos de existência da sociedade. No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega. Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas na data combinada, mas somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já havia acontecido, recusou-se a receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o produto vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação e a multa é uma cláusula penal compensatória. B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico ao valor da prestação principal, é abusiva. C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve a título de multa. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 17 D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código de Defesa do Consumidor. 3. Direito contratual – evicção: artigos 447 a 457 Evicção é a perda total ou parcial de um bem, em regra, por meio de uma sentença judicial ou ato administrativo. A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo princípio da garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. 3.1. Requisitos da evicção 3.2. Direitos do evicto A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Responsabilidade total (artigo 450 do CC) - salvo estipulação em contrário, o evicto tem direito: Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 18 Isenção da responsabilidade pelo vendedor (artigo 457 do CC): quando o comprador sabe que está adquirindo bem alheio ou litigioso, caso venha a perder, não poderá demandar contra quem lhe vendeu. Resolva a questão a seguir: 12) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção de sua falecida avó, Marta. Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como legado, em testamento, para sua neta, Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca, circunstância na qual se encantou com a coleção de clássicos franceses. Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara de Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade do testamento e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. Diante de tais situações, assinale a afirmativa correta. A) Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar Joana pela evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa. B) Com relação ao livro recebido em doação, Joana responde pela evicção, especialmente porque, na data da avença, Renata não sabia da existência de litígio. C) A informação prestada por Joana a Renata, acerca da existência de litígio sobre a biblioteca que recebeu em legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de reforço da responsabilidade pela evicção. D) O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana classifica-se como contratode natureza aleatória, pois Marta soube posteriormente do risco da perda do bem pela evicção. 4. Direito contratual – contrato de compra e venda: artigos 481 a 532 São dois os principais elementos da compra e venda: coisa e preço. 1) Preço: Há vários modos que o preço pode ser estabelecido. • A fixação do preço pode ser dada a taxa de mercado ou bolsa, em certo e determinado dia e lugar; • Pode ser estabelecido que terceiro fixe o preço; • Pode ser fixado em função dos índices ou parâmetros. Observação: preço que sua fixação fica ao livre arbítrio da outra parte - nulo, segundo artigo 489 do CC. 2) Coisa: pode ser a venda de algo que já existe ou de bens que virão a existir (coisa futura) conforme artigo 483 do CC. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 19 4.1. Limitações ao contrato de compra e venda 4.1.1. Venda de ascendente a descendente Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Caso não tenha o consentimento, será passível de anulação. O prazo para ajuizamento da ação anulatória é de 2 anos, segundo o artigo 179 do Código Civil. Resolva a questão a seguir: 13) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no RGI, de valores de mercado semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de mercado. No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendente comprador), um deles, Carlos, opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, seu filho que não concordou com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno. Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 20 A) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais descendentes e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. B) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do negócio. C) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. D) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. 4.1.2. Venda de parte indivisa de condomínio O condômino não pode alienar sua parte indivisa a terceira pessoa, se o outro condômino a quiser, tanto por tanto. O condômino que quiser pode exercer seu direito de preferência ou preempção, ajuizando ação no prazo decadencial de 180 dias contados da data em que teve ciência da alienação. No momento do ajuizamento, deve o condômino, efetuar a consignação do valor que deseja pagar. 5. Direito contratual: contrato de empréstimo – artigos 579 a 585 Duas são as espécies de empréstimos: mútuo e comodato. 5.1. Contrato de comodato Comodato é o empréstimo para uso, gratuito de coisas infungíveis. Pode ser bens móveis ou imóveis, mas precisa ser infungível. O contrato se perfectibiliza com a tradição da coisa. Características do comodato: a) Gratuidade do contrato; b) Infungibilidade do bem: restituição do mesmo objeto recebido como empréstimo; c) Contrato unilateral, já que após a tradição, só há obrigações para uma das partes, que é o comodatário (restituir a coisa) e não há obrigações para o comodante; d) Contrato não solene, já que não necessita forma especial para a sua celebração. Obrigações do comodatário: a) Conservar a coisa – art. 582: o comodatário deve conservar a coisa como se fosse sua. Deve responder pelas despesas de conservação; b) O comodatário não pode nunca tentar cobrar do comodante as despesas comuns, feitas com o uso e gozo da coisa emprestada; Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 21 c) Uso da coisa de forma adequada: responde por perdas e danos se usar o bem fora do que foi contratualmente previsto; d) Restituir a coisa: deve ser restituída a coisa no prazo convencionado e não havendo este prazo, finda a razão pela qual ocorreu, o empréstimo deve ser restituído (empresta livros para o trabalho de conclusão de curso, e quando passado o evento, deverão ser devolvidos, por exemplo. 5.2. Contrato de mútuo O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O bem é emprestado para consumo. É empréstimo para consumo, pois o mutuário não está obrigado a devolver o mesmo bem, do qual se torna dono. Ex.: dinheiro. Neste tipo de empréstimo, o mutuante transfere o domínio, a propriedade, do bem ao mutuário. Isso não acontece no comodato. Além disso, o mutuário se torna proprietário da coisa, correndo por conta desse, todos os riscos da tradição. Características do mútuo: o mútuo é temporário, se entende que em algum momento o que foi emprestado será devolvido. Mas e se não houver prazo para a restituição do bem? O CC determina que: • Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas; • De 30 dias, pelo menos, se o mútuo for de dinheiro; • Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. Obs.: mútuo para um menor. O Código Civil protege o menor, dizendo que quem empresta para um menor, não poderá reaver o que emprestou. Contudo, há várias exceções, de quando o mutuante pode, portanto, reaver o que foi emprestado. São elas: a) O representante do menor ratificar o empréstimo; b) Se o menor, em caso de ausência do representante, se viu obrigado a contraí‑lo para os seus alimentos habituais; c) Se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, caso em que a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; d) Se o empréstimo reverteu em benefício do menor; e) Se este obteve o empréstimo maliciosamente. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 22 Resolva a questão a seguir: 14) FGV – 2017 – OAB – 23º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário, cujo objeto era a quantia de R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de seis meses. Foi combinado que a entrega do dinheiro seria feita no parque da cidade. No entanto, Felipe, após receber o dinheiro, foi furtado no caminho de casa. Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou para Felipe para combinar o pagamento da quantia emprestada, mas este respondeu que não seria possível, em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. A) Cássio tem direito à devolução do dinheiro, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. B) Cássio tem direito à devolução do dinheiro e ao pagamento de juros, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do devedor, Felipe. C) Cássio tem direito somente à devolução de metade do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. D) Cássio não tem direito à devolução do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, Felipe. 6. Responsabilidade civil A responsabilidade civil subjetiva é baseada na “teoria da culpa”, já que é necessária a verificação de culpa, para que se possa configurar tal requisito. Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva é necessário: conduta humana, culpa, nexo causal e dano. Já para a responsabilidade objetiva são necessários: conduta humana, nexo causal e dano.Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC. 6.1. Casos de responsabilidade objetiva a) Responsabilidade civil por atos de terceiros: Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 23 O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que informa que os terceiros (pais, tutores, curadores, etc) serão responsabilizados, ainda que não haja culpa por parte deles. De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá direito de regresso contra o empregado que causou o dano. Há uma exceção: relações entre ascendentes e descendentes incapazes não haverá direito de regresso. Assim, o ascendente não tem regresso contra o descendente, se este for incapaz. Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no artigo 932. Observação: responsabilidade do incapaz (art. 928 do CC). De acordo com o referido artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, primeiro respondem os responsáveis pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições financeiras ou não forem obrigadas a tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo assim, de acordo com o parágrafo único, a indenização deverá ser equitativa e, se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do seu sustento, então tal indenização não terá lugar. b) Responsabilidade civil por fato de animal: prevista no art. 936 do CC. Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Atentar para as excludentes: nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa da vítima e força maior. c) Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína: o dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do CC. A responsabilidade é do dono do edifício ou da construção. d) Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio: prevista no art. 938 do CC. Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 24 Ponto muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem habita o prédio. Assim, seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário, enfim, quem estiver habitando o prédio. Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá ajuizar regresso contra o ofensor. Resolva a questão a seguir: 15) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Henrique, mecânico da oficina Carro Bom, durante a manutenção do veículo de Sofia, deixado aos seus cuidados, arranhou o veículo acidentalmente, causando danos materiais à mesma. Ciente de que Henrique não tinha muitos bens materiais e que a execução em face de Henrique poderia ser frustrada, Sofia pretende ajuizar ação indenizatória em face da oficina Carro Bom. A esse respeito, é correto afirmar que Carro Bom responderá A) pelos danos causados a Sofia, devendo-se perquirir se houve culpa em eligendo pela oficina de um preposto desqualificado. B) subsidiariamente pelos danos causados por Henrique, caso este não tenha bens suficientes para saldar a execução. C) objetivamente pelos danos, sendo vedado o regresso em face do mecânico que atuou culposamente, pois a oficina não poderá repassar o risco de seu negócio a terceiros. D) objetivamente pelos danos, sendo permitido o regresso em face do mecânico que atuou culposamente. 7. Parte geral 7.1. Personalidade jurídica A personalidade jurídica nada mais é do que a aptidão genérica para que alguém seja titular de direitos e para que possa contrair obrigações. Em outros termos, eu somente posso ser titular de direitos e contrair deveres na ordem civil caso eu tenha personalidade jurídica. É a partir desse marco que o indivíduo consegue praticar atos e negócios jurídicos. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 25 Sobre esse assunto é importante a análise do art. 2º do Código Civil brasileiro, que afirma o seguinte: “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Assim, tem-se que o marco inicial da personalidade é o nascimento com vida, que ocorre quando o bebê é separado do ventre materno, seja por parto natural ou cesárea. 7.2. Capacidade de direito e capacidade de fato Ao adquirir a personalidade jurídica, toda pessoa passa a ser um sujeito de direitos e obrigações. Isso significa que ela possui a capacidade de direito, ou seja, a aptidão reconhecida pelo ordenamento jurídico para ser titular de uma situação jurídica. Em razão disso, se nasceu com vida tem, portanto, personalidade jurídica e capacidade de direito. No entanto, nem todos conseguem exercer seus direitos pessoalmente, devido à falta de consciência necessária para realizar determinados atos. Essa falta pode ocorrer em virtude das mais diversas razões, tais como limitações relativas à idade ou até mesmo questões psicológicas. Dito isso, é certo concluir que algumas pessoas possuem apenas a capacidade de direito – mas não possui a capacidade de fato. Por sua vez, aqueles que podem atuar diretamente no exercício de seus direitos possuem, além da capacidade de direito, a capacidade de fato – também chamada de capacidade de exercício. Logo, aquelas pessoas que possuem tanto capacidade de direito quanto capacidade de fato acabam sendo consideradas plenamente capazes para o Direito Civil. 7.3. Teoria das incapacidades – incapacidade absoluta e incapacidade relativa As pessoas que não têm a capacidade de fato são consideradas incapazes, pois possuem uma capacidade limitada. Segundo o artigo 2º do Código Civil, todos que nascem com vida adquirem a capacidade de direito, mas não a de fato. Assim, as incapacidades se referem a restrições específicas impostas a pessoas que, devido a suas circunstâncias, necessitam de uma proteção especial. Quando ausente a capacidade de fato a consequência será uma dessas duas hipóteses: ou a pessoa será absolutamente incapaz, ou será relativamente incapaz. A única hipótese de absolutamente incapaz está prevista no artigo 3º do Código Civil, que afirma o seguinte: são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 26 (dezesseis) anos. Em virtude disso, a pessoa absolutamente incapaz não pode exercer pessoalmente os atos da vida civil, necessitando ser representada por seu representante legal – genitores ou tutor. Portanto, caso uma criança de 04 anos, por exemplo, queira ingressar com uma ação de alimentos em face de seu genitor, na petição inicial a qualificação será assim:fulana de tal, menor absolutamente incapaz, representada por sua mãe, fulana de tal. Insta mencionar que caso o ato seja praticado sem a devida representação ele será considerado nulo – artigo 166, I, CC/02. Por outro lado, há os relativamente incapazes. Tais hipóteses estão previstas junto ao artigo 4º do CC/02. Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico1; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade2; IV - os pródigos3. Em algumas situações, a pessoa incapaz pode realizar um ato sozinha – testamento, por exemplo. Em outros casos, é permitido que ela execute o ato, desde que esteja acompanhada por seu representante legal. Nesses casos, o indivíduo, considerado relativamente incapaz, age com a assistência do representante. Havendo a prática do ato pelo incapaz, sem o necessário suprimento através da assistência, o ato será anulável, nos termos do artigo 171, I, CC/02, devendo a ação ser proposta no prazo de quatro anos a contar do momento em que cessar a incapacidade (artigo 178, III, CC/02). Com a exceção do caso da idade – maiores de 16 e menores de 18 anos –, nas demais hipóteses, o indivíduo é maior de idade e para ser considerado relativamente incapaz deverá passar por processo de interdição, nos termos do artigo 747 e seguintes do CPC/15. Neste processo, haverá uma perícia, que fixará os atos que o incapaz poderá ou não praticar. Por fim, haverá a nomeação do curador, que será o representante legal do incapaz maior de idade. 1 Pessoas que fazem uso de bebida alcóolica ou substâncias tóxicas de forma descompensada. 2 Pessoas que por alguma razão não conseguem exprimir sua vontade. Exemplo: sujeito que sofre com a doença de Alzhaimer. 3 Pessoa que dissipa seu patrimônio desvairadamente, ou seja, que gasta de forma imoderada. Sua interdição refere-se tão somente a atos de disposição e oneração do patrimônio. Poderá, portanto, administrar seu patrimônio, mas não pode praticar atos que venham a desfalcá-lo. Os demais atos, como ser testemunha, por exemplo pode praticar sem problema algum. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 27 7.4. Emancipação De acordo com o artigo 5º do Código Civil, a incapacidade em virtude da idade é encerrada ao atingir a maioridade - que ocorre aos 18 anos -, ou por meio da emancipação, que antecipa a capacidade civil plena. A emancipação, uma vez efetivada, é irrevogável e irretratável, exceto em casos de vício de vontade, que podem levar à anulação de quaisquer negócios jurídicos ou atos praticados. Nesse contexto, o enunciado 397 das Jornadas de Direito Civil afirma que "a emancipação por concessão dos pais ou por decisão judicial pode ser anulada em razão de vício de vontade". Existem três espécies de emancipação: A emancipação voluntária é aquela que ocorre pela concessão dos pais, quando estes, em conjunto (ou um deles, na falta do outro), concedem, mediante escritura pública, independentemente de homologação judicial, a emancipação para o filho que tenha completado 16 anos. Deve ser registrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, Lei n° 6.015/1973. A emancipação judicial é aquela espécie concedida pelo juiz, nos casos em que o menor estiver sob tutela, sendo ouvido o tutor, se o menor contar com 16 anos completos. Pode ocorrer, Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 28 também, nos casos em que um dos genitores concordar e o outro discordar da emancipação. Deve ser registrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, Lei n° 6.015/1973. Por fim, a emancipação legal é aquela que advém da própria lei. Caso ocorrer alguma das situações previstas no artigo 5°, incisos II, III, IV e V, CC/02, o jovem estará automaticamente emancipado. São os casos de casamento, emprego público efetivo, constituição de empresa ou colação de grau em curso superior. Nesses casos não há necessidade de registro. 7.5. Bens Bem de família: o bem de família pode ser entendido como um bem que não pode ser penhorado, justamente porque serve de moradia para uma pessoa ou família, tendo como base o direito à moradia previsto no artigo 6º da CF/88. Bem de família voluntário: a instituição do bem de família de forma voluntária pode ser realizada pelo proprietário ou pela entidade familiar e deve recair sobre um bem que não ultrapasse 1/3 do patrimônio líquido (artigo 1.711, CC/02). Essa formalização pode ser feita por meio de testamento ou escritura pública, sendo necessário o registro no cartório de imóveis (artigo 1.714, CC/02). Uma vez estabelecido como bem de família, ele não poderá ser utilizado para quitar dívidas contraídas após sua instituição (artigo 1.715, CC/02), exceto aquelas relacionadas ao próprio imóvel. A proteção perdura enquanto os cônjuges (ou companheiros) estiverem vivos ou enquanto os filhos forem menores. Bem de família legal: a Lei n° 8.009/1990 institui o bem de família legal. Tal lei estabelece a impenhorabilidade do único bem imóvel de natureza residencial, urbano ou rural. Em virtude disso, este imóvel não responderá por qualquer tipo de dívida (civil, comercial, fiscal, previdenciária ou qualquer natureza), conforme dispõe o art. 1° da Lei n° 8.009/1990. Contudo, existem exceções, as quais estão previstas junto ao artigo 3º da referida lei. Sobre o assunto do bem de família, três súmulas se revelam importantes: Súmula nº 364 do STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. Súmula nº 449 do STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. Súmula nº 486 do STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 29 Resolva a questão a seguir: 16) FGV – 2015 – OAB – 16º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação. Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido: A) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as condições do tutelado. B) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação judicial. C) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário procedimento judicial. D) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de pessoas naturais. 8. Coisas 8.1. Posse A posse é o domínio físico que alguém tem sobre a coisa, que vem a ser protegido pelo Direito, sendo, portanto, concedido efeitos jurídicos a este domínio. Nada mais é do que o exercício de fato de um dos poderes inerentes à propriedade. Posse é diferente de detenção. Na posse, o sujeito que possui o domínio físico da coisa age como se dono fosse, pois objetiva ter a coisa para si. Já na detenção, embora tenha o domínio físico da coisa, o sujeito sabe que a coisa não é sua e pretende devolvê-la após o uso. O art. 1.198, CC prevê que “considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. Assim o detentor tem a coisa em razão de uma situação de dependência econômica ou de subordinação. Ex.: o caseiro de uma casa de praia. a) Posse direta e indireta: posse diretaou imediata é aquela que é exercida por quem tem a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato. A título de exemplificação, cite-se a posse exercida pelo locatário, por concessão do locador. Posse indireta ou mediata é aquela exercida por meio de outra pessoa, havendo mero exercício de direito, geralmente decorrente da propriedade. É o que se verifica em favor do locador, proprietário do bem. b) Posse justa e posse injusta: a posse justa, conforme a redação do art. 1200, CC é aquela que não for violenta, clandestina ou precária, ou seja, ela não ofende a previsão legal, tendo sido adquirida de forma legítima e merecendo proteção legal. Trata-se de uma posse limpa. A posse injusta, é aquela obtida de forma violenta, clandestina ou precária, de forma que sua aquisição tenha sido ilícita, ou seja, viciada por ter sido adquirida por violação da lei. Assim, Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 30 a posse violenta é a retirada da coisa do antigo possuidor contra a sua vontade, obtida por meio de esbulho, for força física ou violência moral. A posse precária é aquela adquirida a partir do abuso de confiança ou do abuso de direito, que resulta da retenção indevida da coisa que deve ser devolvida ao seu possuidor indireto. Por fim, a posse clandestina é aquela obtida de forma oculta, às escondidas. 8.1.1. Efeitos da posse O Código Civil estabelece, a partir do art. 1.210 os efeitos da posse. Tais efeitos podem ser de ordem material ou processual. Os efeitos materiais dizem respeito a percepção dos frutos, ao direito a indenização e retenção das benfeitorias, as responsabilidades e ao direito de usucapião. Já os efeitos processuais dizem respeito a possibilidade de utilização dos interditos possessórios, as ações possessórias e a legítima defesa da posse e do desforço imediato. Efeitos materiais: a) Percepção dos frutos – art. 1.214 e seguintes CC/02: quanto a percepção dos frutos, deve-se, por primeiro, considerar se a posse é de boa ou má-fé. Assim, o Código Civil prevê os seguintes dispositivos quanto ao recebimento (ou não) dos frutos. O possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos (colhidos). Já os frutos pendentes (ainda não colhidos) devem ser restituídos, assim como aqueles que tenham sido colhidos por antecipação. Já o possuidor de má-fé deve devolver todos os frutos colhidos ou pendentes, bem como aqueles que deixou de colher por culpa sua (art. 1.216, CC), devendo, neste último caso, ser responsabilizado no caso de perecimento dos frutos não colhidos por sua culpa (reparação de danos – responsabilidade civil). Mas tem direito, o possuidor de má-fé a ser indenizado pelas despesas de produção e custeio. b) Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa – art. 1.217 e seguintes CC/02: essa responsabilidade é somente do possuidor de má-fé, que deverá indenizar o proprietário em razão da perda ou da deterioração da coisa, mesmo que acidentais. Essa responsabilidade somente será afastada havendo prova de que a perda ou deterioração ocorreria mesmo que a coisa estivesse na posse do reivindicante (art. 1.218, 2ª parte). Exemplo: José se apossa da ovelha de Caio. Neste caso, se a ovelha morrer na posse de José por ter ingerido veneno, ele deverá indenizar a Caio. Contudo, se a morte do animal ocorrer por uma doença grave, ou seja, mesmo que estivesse na posse de Caio ele morreria, não terá José o dever de indenizar. Cuidado, pois, neste caso, depende de prova! Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 31 c) Retenção e indenização pelas benfeitorias – art. 1.217 e seguintes CC/02: as benfeitorias são bens acessórios que se agregam a coisa principal, ou seja, obras artificiais cujo propósito é conservar, melhorar ou embelezar o bem principal. Estas benfeitorias podem ser classificadas em necessárias, úteis e voluptuárias. Quanto a relação entre o exercício da posse e as benfeitorias, os arts. 1.219 a 1.222, CC/02 consideram a existência de uma posse de boa ou má-fé para autorizar (ou não) a indenização e a retenção das benfeitorias. Efeitos processuais: a) Usucapião: o principal efeito da posse é o direito de usucapião, ou seja, o exercício de posse de uma coisa por certo tempo gera a chamada prescrição aquisitiva, que dá direito ao titular a pleitear a propriedade da coisa através da pretensão de usucapião. b) Ações possessórias – art. 1.210 CC/02: dentro dos efeitos da posse encontra-se a possibilidade que o possuidor tem de se utilizar das ações possessórias para proteção e defesa de sua posse. Importante observar que as ações possessórias tanto podem ser exercidas pelo proprietário detentor da posse, como também por aquele que, embora não tenha a propriedade, se encontra na posse da coisa Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 32 Usucapião: a usucapião é a forma mais comum de aquisição originária de propriedade. Trata-se de forma de aquisição de propriedade ou outros direitos reais em face do decurso do tempo, condicionada à existência de posse e com a observância dos requisitos de lei para cada uma das modalidades/espécies. Para que se configure, deve-se ter: posse com a intenção de ser dono (posse ad usucapionem); posse deve ser mansa e pacífica, sem oposição; transcurso do lapso temporal prescrito em lei. Espécies de usucapião de bem imóvel: Usucapião extraordinária (art. 1.238 do CC): posse ad usucapionem e lapso temporal de 15 anos. Dispensa a existência de justo título e boa-fé. Redução de prazo: o prazo poderá ser reduzido para dez anos se o imóvel for utilizado para moradia habitual ou se tiver sido realizada obra ou serviço de caráter produtivo. Usucapião ordinária (art. 1.242 do CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de dez anos, justo título (título hábil a transferir a propriedade) e boa-fé (desconhecer ou inexistir eventuais vícios que maculem a posse). Redução de prazo: o prazo reduz-se para cinco anos se o imóvel tiver sido adquirido, de forma onerosa, devidamente registrado e, posteriormente, tiver o registro cancelado e desde que os possuidores tenham estabelecido lá sua moradia ou realizado investimentos de interesse social e econômico. Usucapião especial rural (art. 1.239, CC + art. 191, CF): posse ad usucapionem, lapso temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos, área rural de até 50 hectares, produtividade ou moradia, não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Usucapião especial urbana (art. 1.240, CC + art. 183, CF): posse ad usucapionem; lapso temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos; área urbana de até 250 m², usada para moradia; não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Usucapião especial urbana por abandono do lar conjugal (art. 1.240-A, CC): posse ad usucapionem exercida de forma direta; lapso temporal incontestado e ininterrupto de dois anos; área urbana de até 250 m², usada para moradia (posse direta), da qual o usucapiente seja Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 33 proprietário em conjunto com ex-cônjuge ou companheiro que tenha abandonado o lar; não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. A propriedade móvel também pode ser adquirida pela usucapião. Nesse caso, tem-se as seguintes espécies: • Usucapião ordinária (art. 1.260, CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de três anos, justo título e boa-fé; • Usucapião extraordinária (art. 1.261, CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de cinco anos. Não exige justo título e nem boa-fé. A posse direta é aquela em que o sujeito tem o controle material, físico e imediato do bem. E de locação, exerce a posse direta do imóvel, com autorização do locador. Resolva a questão a seguir: 17) FGV – 2018 – OAB – 25º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Jonas trabalha como caseiro dacasa de praia da família Magalhães, exercendo ainda a função de cuidador da matriarca Lena, já com 95 anos. Dez dias após o falecimento de Lena, Jonas tem seu contrato de trabalho extinto pelos herdeiros. Contudo, ele permanece morando na casa, apesar de não manter qualquer outra relação jurídica com os herdeiros, que também já não frequentam mais o imóvel e permanecem incomunicáveis. Jonas decidiu, por sua própria conta, fazer diversas modificações na casa: alterou a pintura, cobriu a garagem (que passou a alugar para vizinhos) e ampliou a churrasqueira. Ele passou a dormir na suíte principal, assumiu as despesas de água, luz, gás e telefone, e apresentou-se, perante a comunidade, como “o novo proprietário do imóvel”. Doze anos após o falecimento de Lena, seu filho Adauto decide retomar o imóvel, mas Jonas se recusa a devolvê-lo. A partir da hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A) Jonas não pode usucapir o bem, eis que é possuidor de má-fé. B) Adauto não tem direito à ação possessória, eis que o imóvel estava abandonado. C) Jonas não pode ser considerado possuidor, eis que é o caseiro do imóvel. D) Na hipótese indicada, a má-fé de Jonas não é um empecilho à usucapião. Resolva a questão a seguir: 18) FGV – 2014 – OAB – 15º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase Com a ajuda de homens armados, Francisco invade determinada fazenda e expulsa dali os funcionários de Gabriel, dono da propriedade. Uma vez na posse do imóvel, Francisco decide dar continuidade às atividades agrícolas que vinham sendo ali desenvolvidas (plantio de soja e de feijão). Três anos após a invasão, Gabriel consegue, pela via judicial, ser reintegrado na posse da fazenda. Quanto aos frutos colhidos por Francisco durante o período em que permaneceu na posse da fazenda, assinale a afirmativa correta. Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 34 A) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, mas tem direito de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio. B) Francisco tem direito aos frutos percebidos durante o período em que permaneceu na fazenda. C) Francisco tem direito à metade dos frutos colhidos, devendo restituir a outra metade a Gabriel. D) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, e não tem direito de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio. 9. Direito de família 9.1. Capacidade para o casamento O casamento, como muitos autores afirmam, é um negócio jurídico repleto de formalidades legais, as quais obrigatoriamente devem ser cumpridas para que o casamento tenha validade. Dentro dessas formalidades, há a questão da capacidade para casar. A maioridade civil é atingida aos 18 anos de idade completos, marco etário em que a pessoa está habilitada para a prática de todos os atos da vida civil. No âmbito matrimonial, a capacidade núbil (capacidade para casar) é atingida aos 16 anos completos, consoante dispõe o art. 1.517 do Código Civil. No entanto, é importante fazer uma ressalva: quando ainda estão na faixa da incapacidade relativa (entre 16 anos completos e 18 anos incompletos), os nubentes necessitam da autorização dos seus representantes legais ou, se for o caso, do próprio Juiz de Direito para casar. A autorização parental é conjunta, concedida pelos pais, ou por um deles na falta do outro (se um dos genitores é falecido, por exemplo). Abaixo dos 16 anos ninguém pode casar no país, conforme art. 1.520 CC/02. 9.2. Impedimentos matrimoniais Os impedimentos são causas que impossibilitam a realização do casamento por algum motivo. Caso o casal se enquadre em alguma das hipóteses de impedimento matrimonial, logicamente não poderão contrair o casamento. Os impedimentos matrimoniais estão expressamente previstos no artigo 1.521 do Código Civil e são os seguintes: Art. 1.521, CC/02. Não podem casar: I — os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II — os afins em linha reta; III — o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; IV — os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; V — o adotado com o filho do adotante; Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 35 VI — as pessoas casadas; VII — o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Observe-se, desde já, a forma verbal utilizada pelo legislador: “não podem” casar! Trata- se, pois, de uma locução imperativa, de modo que se o casamento ocorrer, será considerado nulo. 9.3. Casamento por procuração Alguns atos jurídicos têm a nota da pessoalidade, não admitindo representação, a exemplo do testamento ou do exercício do direito de voto. O casamento, no entanto, escapa a essa regra. Pode parecer esquisito à primeira vista, mas o nosso ordenamento jurídico admite o casamento por procuração. O art. 1.542/CC02 traz expressamente a possibilidade do casamento por meio de procuração. Tal dispositivo afirma que o casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público, com poderes especiais. Além disso, é importante mencionar que tal procuração somente valerá pelo prazo máximo de 90 dias. 9.4. Regime de comunhão parcial de bens Podemos definir o regime de comunhão parcial de bens como sendo aquele em que há, em regra, a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso na constância do matrimônio, por um ou ambos os cônjuges, preservando-se, assim, como patrimônio pessoal e exclusivo de cada um, os bens adquiridos por causa anterior ou recebidos a título gratuito a qualquer tempo. A definição proposta tem raiz no art. 1.658 do Código Civil de 2002, que afirma o seguinte: “no regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes”. Art. 1.659, CC/02. Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; III - as obrigações anteriores ao casamento; IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. Art. 1.660, CC/02. Entram na comunhão: Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem Direito Civil 36 I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 9.5. Regime de separação obrigatória de bens O regime de separação obrigatória de bens é imposto pelo legislador a determinadas pessoas. Mas quem são as pessoas obrigadas a casar nesse regime? O art. 1.641 CC/02 traz a resposta para essa pergunta. Esse regime atualmente é regido pela Súmula 377 do STF. Tal súmula afirma o seguinte: “no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”. Essa súmula dá a entender que bens que tivessem sido adquiridos de forma onerosa após o casamento seriam bens comuns do casal. Porém, atualmente a doutrina e a jurisprudência entendem esse regime da seguinte forma: os bens que os nubentes tinham antes