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Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
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 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
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 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
3 
Direito Civil 
Revisão Turbo | 42° Exame da OAB 
 
 
Sumário 
 
Aula 22/11/2024 – turno manhã ................................................................................................... 4
Aula 27/11/2024 – turno noite ...................................................................................................... 8
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
4 
Aula 22/11/2024 – turno manhã 
Prof.ª Patricia Strauss 
 
1) FGV – 2023 – OAB – 39º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Marcelo alugou um cavalo do haras Galopante para, com ele, disputar uma corrida no dia 15, 
comprometendo-se a devolvê-lo no dia seguinte à corrida (dia 16). Entretanto, Marcelo se afeiçoou pelo 
animal e não o devolveu no prazo estipulado, usando-o para passeios em sua fazenda. 
O haras, com isso, deixou de alugar o animal para outro jóquei que pretendia correr com ele no dia 18 e 
já o havia reservado. Para completar, no dia 20, em um dos passeios com Marcelo, o cavalo se assustou 
com uma cobra e sofreu uma queda. No acidente, fraturou a perna e teve que ser sacrificado. 
Diante disso, assinale a opção que indica os prejuízos que o haras Galopante pode exigir de Marcelo 
devido à falta do cavalo. 
 
A) Deve ser incluído o aluguel que deixou de receber do outro jóquei, mas não o equivalente do 
animal, porque Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela impossibilidade da prestação a 
partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. 
B) Devem ser excluídos tanto o aluguel que receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético, 
como o equivalente do animal, pois Marcelo ficou liberado da responsabilidade pela 
impossibilidade da prestação a partir do dia 20, eis que decorrente de caso fortuito. 
C) Deve ser incluído o equivalente pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de 
Marcelo pela impossibilidade da prestação enquanto estava em mora, mas excluído o aluguel que 
receberia do outro jóquei, por se tratar de dano hipotético. 
D) Devem ser incluídos tanto o aluguel que deixou de receber do outro jóquei como o equivalente 
pecuniário do cavalo, tendo em vista a responsabilidade de Marcelo pela impossibilidade da 
prestação, enquanto estava em mora. 
 
2) FGV – 2022 – OAB – 34º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Ivan, sócio da Soluções Inteligentes Ltda., celebra contrato de empreitada, na qualidade de dono da obra, 
com Demétrio, sócio da Construções Sólidas Ltda., tendo esta como a empresa empreiteira. A obra tem 
prazo de duração de 1 (um) ano, contratada a um custo de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos 
mil reais), fracionados em 12 (doze) prestações mensais de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). 
O contratante, Ivan, necessita da obra pronta no prazo acordado. Em razão disso, acordou com Demétrio 
uma cláusula resolutiva expressa, informando que o atraso superior a 30 (trinta) dias importaria em 
extinção automática do contrato. Para se resguardar, Ivan exigiu de Demétrio que expusesse seu acervo 
patrimonial, mostrando o balanço contábil da empresa, de modo a ter convicção em torno da capacidade 
econômica da empreiteira para levar a cabo uma obra importante, sem maiores riscos. 
Transcorridos três meses de obra, que seguia em ritmo normal, em conformidade com o cronograma, 
Ivan teve conhecimento de que a empreiteira sofreu uma violenta execução judicial, impondo redução de 
mais de 90% (noventa por cento) de seu ativo patrimonial, fato que tornou ao menos duvidosa a 
capacidade da empreiteira de executar plenamente a obrigação pela qual se obrigou. 
Diante deste fato, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Ivan pode se recusar a pagar o restante das parcelas da remuneração da obra até que Demétrio 
dê garantia bastante de satisfazê-la. 
B) O dono da obra pode requerer a extinção do contrato, ao fundamento de que há inadimplemento 
anterior ao termo, pela posterior redução da capacidade financeira da empreiteira. 
C) A cláusula resolutiva expressa prevista no contrato é nula, pois o ordenamento não permite a 
resolução automática dos contratos, por inadimplemento, impondo-se a via judicial. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
5 
D) A parte contratante tem direito de invocar a exceção de contrato não cumprido, em face do risco 
iminente de inadimplemento. 
 
3) FGV – 2021 – OAB – 33º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Matheus, médico clínico-geral, recebe para atendimento em seu consultório o paciente Victor, 
mergulhador profissional. Realizando a anamnese, Victor relata que é alérgico à ácido acetilsalicílico. 
Desatento, Matheus ministra justamente esta droga a Victor como parte de seu tratamento. Victor tem 
danos permanentes em razão do agravamento de sua asma pelo uso inadequado do medicamento, tendo 
que comprar novos medicamentos para seu tratamento e, ainda mais grave, fica impedido de trabalhar 
nos dois anos seguintes. 
A respeito da responsabilidade civil de Matheus, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Ele responderá pelo regime objetivo de responsabilidade civil, tendo em vista que a atividade de 
Matheus é arriscada. 
B) Ele deverá indenizar Victor independentemente de culpa, isto é, de imperícia de sua parte, 
considerando existir relação de consumo. 
C) Ele, sendo profissional liberal, terá apurada sua responsabilidade mediante a verificação de culpa, 
responsabilizando-se unicamente pelos danos diretos verificados no caso. 
D) Ele deverá indenizar Victor pelas despesas do tratamento e pelos lucros cessantes até o fim da 
convalescença, além da pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou. 
 
4) FGV – 2024 – OAB – 41º Exame da Ordem Unificado – Primeira Fase 
Aluísio concedeu um empréstimo a Fábio e, como garantia do empréstimo, Letícia concedeu a Aluísio 
fiança, renunciando ao benefício de ordem. 
Considerando essa hipótese, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Letícia só pode conceder a Aluísio a fiança se houver o consentimento de Fábio. 
B) Se houver convenção expressa das partes, a fiança concedida por Letícia pode ser de valor 
superior à dívida de Fábio. 
C) Caso o empréstimo tenha sido verbal, a fiança também poderá sê-lo, pois, sendo contrato 
acessório, sua forma segue a do principal. 
D) Ao renunciar ao benefício de ordem, Letícia não poderá alegar que primeiro sejam executados os 
bens de Fábio. 
 
Prof.ª Carol Werle 
 
5) FGV – 2016 – OAB – 20º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Manoel, em processo judicial, conseguiu impedir que fosse penhorado seu único imóvel, sob a alegação 
de que este seria bem de família. O exequente, então, pugna pela penhora da vaga de garagem de 
Manoel. 
A esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A vaga de garagem não é considerada bem de família em nenhuma hipótese; portanto, sempre 
pode ser penhorada. 
B) A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não pode ser penhorada, 
por ser acessória ao bem principal impenhorável. 
C) A vaga de garagem só poderá ser penhorada se existir matrícula própria no Registro de Imóveis. 
D) A vaga de garagem que não possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de 
família para efeito de penhora. 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
6 
6) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Aline manteve união estável com Marcos durante 5 (cinco) anos, época em que adquiriram o apartamento 
de 80 m² onde residiam, único bem imóvel no patrimônio de ambos. 
Influenciado por tormentosas discussões, Marcosdo casamento permanecem sendo bens particulares e aqueles bens que forem adquiridos 
posteriormente, de forma onerosa, se comunicam (desde que o outro nubente comprove que 
contribuiu financeiramente para adquirir). 
Importante! Em fevereiro de 2024 o STF definiu que o regime de separação obrigatória 
de bens nos casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoas com mais de 70 anos pode ser 
alterado pela vontade das partes. Resultou na tese de repercussão geral, tema 1.236: “Nos 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
37 
casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoa maior de 70 anos, o regime de separação de 
bens previsto no artigo 1.641, II, do Código Civil, pode ser afastado por expressa manifestação 
de vontade das partes mediante escritura pública". 
 
9.6. Guarda 
O Código Civil regula a guarda junto aos artigos 1.583 a 1.590, de modo que tal diploma 
prevê duas modalidades de guardas, quais sejam: unilateral e compartilhada. 
Na guarda unilateral, um dos genitores detém a guarda física da criança ou do 
adolescente e o outro, por sua vez, detém o direito de visitas. É importante destacar que essa 
espécie de guarda será aplicável, via de regra, em três situações: quando um dos genitores 
manifestar que não tem interesse em deter a guarda do filho (artigo 1.584, §2º, do CC/02), 
quando um deles não tiver condições de exercer a guarda ou quando houver consenso. 
Com relação à guarda compartilhada, é imperioso destacar que tal espécie é 
considerada como regra no ordenamento jurídico, podendo inclusive ser estabelecida mesmo 
em caso de litígio entre os genitores (artigo 1.584, §2º, do CC/02). 
Conforme determina o artigo 1.583, §3º, do CC/02, a guarda compartilhada prevê a 
responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam 
sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos. Insta mencionar, ainda, que mesmo 
residindo em locais distintos, a guarda será compartilhada, fixando-se a residência base de 
moradia, no local que melhor atenda aos interesses dos filhos (artigo 1.583, §3º, do CC/02). 
 
 Resolva a questão a seguir: 
19) FGV – 2015 – OAB – 18º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto 
ganhou na loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos Bandeirantes. Em 
2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da herança de sua tia. 
Em 2015, Roberto e Ana se separaram. 
Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por isso, 
deverão ser partilhados em virtude da separação do casal. 
B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel situado em 
Santa Teresa bem particular de Roberto. 
C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no Recreio dos 
Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem advindo de fato 
eventual. 
D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens particulares de 
Roberto. 
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 Direito Civil 
 
38 
Resolva a questão a seguir: 
20) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame da Ordem Unificado – Primeira Fase 
Rodolfo e Marília estão casados desde 2005. Em 2010, nasceu Lorenzo, único filho do casal. No ano de 
2020, eles resolveram se divorciar, após um período turbulento de discussões e mútuas relações 
extraconjugais. A única divergência entre o casal envolvia a guarda do filho, Lorenzo. 
Neste sentido, sublinhando-se que o pai e a mãe apresentam condições de exercício de tal função, 
relacionando-se bem com o filho e conseguindo separar seus problemas conjugais de seus deveres 
paternos e maternos – à luz do Código Civil, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Segundo a lei, o juiz, diante do conflito, deverá aplicar a guarda alternada entre Rodolfo e Marília. 
B) Como os pais desejam a guarda do menor e estão aptos a exercer o poder familiar, a lei determina a 
aplicação da guarda compartilhada, mesmo que não haja acordo entre eles. 
C) A lei determina a fixação da guarda compartilhada, mas, tendo em vista cuidar-se de divergência sobre 
a guarda, ela deve ser atribuída a Rodolfo ou a Marília, mas, diante do conflito, a guarda não deve ser 
atribuída a eles, em nenhuma hipótese. 
D) Caso Rodolfo e Marília não consigam decidir de modo consensual a quem caberá a guarda de Lorenzo, 
o juiz será obrigado a atribuí-la ou a um genitor ou ao outro, uma vez que inexiste hipótese de guarda 
compartilhada na lei brasileira. 
 
 
9.7. Autorização conjugal 
Autorização conjugal é a manifestação do consentimento entre os cônjuges para que 
determinados atos possam ser praticados, sob pena de invalidade (art. 1.647, CC). Exemplo: 
compra e venda de bem imóvel. Essa autorização é exigida quando um dos cônjuges praticar 
ato que afeta o patrimônio do casal (alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis, litigar em 
juízo acerca desses bens, prestar fiança ou aval, etc). 
 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem 
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; 
III - prestar fiança ou aval; 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar 
futura meação. 
 
Diante disso, tem-se que a regra é justamente a necessidade de outorga. No entanto, 
existem duas exceções, quais sejam: no regime de separação convencional de bens (art. 1.647 
do Código Civil) e no regime de participação final dos aquestos, quando o casal convencionar a 
livre disposição de bens particulares (art. 1.656 do Código Civil). 
Caso o cônjuge não possa dar a autorização (por estar doente, por exemplo) ou não 
queira, o suprimento será dado pelo juiz, conforme art. 1.648, CC. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
39 
10. Direito Sucessório 
10.1. Renúncia da herança 
É um ato jurídico pelo qual o herdeiro irá abdicar o direito hereditário conferido. Tem 
efeitos com efeitos retroativos e, assim sendo, excluem o sujeito da cadeia sucessória como se 
herdeiro nunca houvesse sido. Sobre esse assunto, pertinente é o art. 1.808 CC/02, que aduz 
que não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição ou a termo. Deste modo, 
ou se renuncia tudo, ou não se renuncia. Além disso, cabe destacar que a renúncia somente se 
opera por meio de instrumento público ou termo judicial (art. 1.806 CC/02); e, assim como os 
atos de aceitação, a renúncia é irrevogável (art. 1.812 CC/02). 
Cabe destacar que a renúncia não pode ser feita antes da abertura da sucessão, pois 
implicaria pacto sucessório, legalmente proibido (art. 426 CC/02). 
Quanto à renúncia, importante se revela o art. 1.810 CC/02, que afirma que na sucessão 
legítima, a parte do renunciante acresce à dos outros herdeiros da mesma classe e, sendo ele o 
único desta, devolve-se aos da subsequente. Isso significa dizer que os descendentes do 
herdeiro renunciante não herdam por representação. 
 
10.2. Indignidade 
A indignidade tem natureza essencialmente punitiva, na medida em que visa a afastar da 
relação sucessória aquele que haja cometido ato grave que impacta a vida do autor da herança. 
As hipóteses autorizadoras da exclusão por indignidade estão taxativamente previstas em lei, 
quais sejam: 
 
Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: 
I - que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa 
deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente 
ou descendente; 
II - que houverem acusado caluniosamente emjuízo o autor da herança ou incorrerem em 
crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro; 
III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de 
dispor livremente de seus bens por ato de última vontade. 
 
 
Por se tratar de uma sanção, são pessoais os efeitos da exclusão por indignidade, de 
maneira que os descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes da 
abertura da sucessão (art. 1.816 do CC). 
Cuidar! Art. 1.815-A CC/02. Em qualquer dos casos de indignidade previstos no art. 
1.814, o trânsito em julgado da sentença penal condenatória acarretará a imediata exclusão do 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
40 
herdeiro ou legatário indigno, independentemente da sentença prevista no caput do art. 1.815 
deste Código. 
 
Resolva a questão a seguir: 
21) FGV – 2012 – OAB – 7º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Edgar, solteiro, maior e capaz, faleceu deixando bens, mas sem deixar testamento e contando com dois 
filhos maiores, capazes e também solteiros, Lúcio e Arthur. Lúcio foi regularmente excluído da sucessão 
de Edgar, por tê-lo acusado caluniosamente em juízo, conforme apurado na esfera criminal. Sabendo-se 
que Lúcio possui um filho menor, chamado Miguel, assinale a alternativa correta. 
 
A) O quinhão de Lúcio será acrescido à parte da herança a ser recebida por seu irmão, Arthur, tendo em 
vista que Lúcio é considerado como se morto fosse antes da abertura da sucessão. 
B) O quinhão de Lúcio será herdado por Miguel, seu filho, por representação, tendo em vista que Lúcio é 
considerado como se morto fosse antes da abertura da sucessão. 
C) O quinhão de Lúcio será acrescido à parte da herança a ser recebida por seu irmão, Arthur, tendo em 
vista que a exclusão do herdeiro produz os mesmos efeitos da renúncia à herança. 
D) O quinhão de Lúcio se equipara, para todos os efeitos legais, à herança jacente, ficando sob a guarda 
e administração de um curador, até a sua entrega ao sucessor devidamente habilitado ou à declaração 
de sua vacância. 
 
 
10.3. Herdeiros necessários 
Os herdeiros necessários são aqueles que têm direito à legítima, e os facultativos, todos 
os demais. Em nosso atual sistema, por força do art. 1.845 CC/02, são herdeiros necessários: o 
descendente, o ascendente e o cônjuge. 
Dentro dessa perspectiva, entende-se por herdeiro necessário aquela classe de 
sucessores que têm, por força de lei, direito à parte legítima da herança (50%). Por exemplo, se 
João morre e deixa três filhos: Pedrinho, Marquinhos e Gabi, metade da sua herança (parte 
legítima) tocará necessariamente a esses herdeiros, podendo, em vida, o testador, se assim o 
quiser, fazer o que bem entender com a sua parte disponível (a outra metade de herança). 
Além disso, tem-se o art. 1.849 CC/02, que estabelece que o herdeiro necessário, a quem 
o testador deixar a sua parte disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima. Por 
fim, havendo apenas herdeiros colaterais/facultativos, a liberdade de dispor será plena e o art. 
1.850 CC/02 prevê que para excluir os colaterais da sucessão basta que o autor da herança 
disponha, por testamento, sem os contemplar. 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
41 
10.4. Sucessão legítima 
É a espécie de sucessão que decorre da lei. Prevista no art. 1.829 CC/02. Deve ser 
analisada sob dois prismas: se a pessoa era solteira ou se era casada/unida estavelmente. 
Caso a pessoa era solteira, aplica-se o seguinte esquema: 
 
 
 
No caso de a pessoa ser casada, é importante observar a situação pois o art. 1.829 CC/02 
traz que haverá concorrência do cônjuge/companheiro sobrevivente com os descendentes e 
ascendentes do de cujus. 
 
10.4.1. Concorrência com descendentes 
Os primeiros herdeiros a serem chamados são os descendentes e, de acordo com a 
redação do artigo 1829, eles concorrem com o cônjuge sobrevivente – dependendo do 
regime de bens do matrimônio. Verificar a tabela:
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
42 
10.4.2. Concorrência com ascendentes 
Quando se trata sobre a concorrência do cônjuge com os ascendentes do de cujus, é 
preciso ter em mente que essa concorrência vai se operar sempre. Não importa o regime. Isso 
significa que, nesses casos, o cônjuge vai receber sua meação, se existirem bens comuns, e 
mais uma parte da herança por força da concorrência. 
Quando se fala em concorrência com ascendentes, é importante lembrar do artigo 1.837 
do Código Civil, que diz o seguinte: “concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge 
tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se 
maior for aquele grau.” 
Então, tem-se 03 possibilidades: 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
43 
 
 
E, se caso alguém falecer, sendo casado ou unido estavelmente, e não existir 
descendentes e ascendentes, a herança ficará na sua integralidade para o cônjuge 
sobrevivente, independentemente de qual seja o regime de bens. É o que preceitua o artigo 
1.838 do Código Civil: “em falta de descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por 
inteiro ao cônjuge sobrevivente”. 
 
Resolva a questão a seguir: 
22) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Matheus, sem filhos, casado com Jane, no regime de comunhão parcial de bens, falece após enfarto 
fulminante. De seu parentesco em linha reta são ainda vivos Carlos, seu pai, e Irene, sua avó materna. 
A partir da situação acima, assinale a opção que indica a sucessão de Matheus. 
 
A) Serão herdeiros Carlos, Irene e Jane, a última em concorrência, atribuído quinhão de 1/3 do patrimônio 
para cada um deles. 
B) Serão herdeiros Carlos e Jane, atribuído quinhão de 2/3 ao pai e de 1/3 à Jane, cônjuge concorrente. 
C) Carlos será herdeiro sobre a totalidade dos bens, enquanto Jane apenas herda, em concorrência com 
este, os bens particulares do falecido. 
D) Serão herdeiros Carlos e Jane, esta herdeira concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio 
para cada um destes. 
 
 
Resolva a questão a seguir: 
23) FGV – 2019 – OAB – 29º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Mariana e Maurílio são filhos biológicos de Aldo. Este, por sua vez, nunca escondeu ser mais próximo de 
seu filho Maurílio, com quem diariamente trabalhava. Quando do falecimento de Aldo, divorciado na 
época, seus filhos constataram a existência de testamento, que destinou todos os bens do falecido 
exclusivamente para Maurílio. 
Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
44 
A) O testamento de Aldo deverá ser integralmente cumprido, e, por tal razão, todos os bens do autor da 
herança serão transmitidos a Maurílio. 
B) A disposição de última vontade é completamente nula, porque Mariana é herdeira necessária, devendo 
os bens ser divididos igualmente entre os dois irmãos. 
C) Deverá haver redução da disposição testamentária, respeitando-se, assim, a legítima de Mariana, 
herdeira necessária, que corresponde a um quinhão de 50% da totalidade herança. 
D) Deverá haver redução da disposição testamentária, respeitando a legítima de Mariana, herdeira 
necessária, que corresponde a um quinhão de 25% da totalidade da herança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
45 
Gabarito das questões: 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 – D 2 – A 3 – D 4 – D 5 – C 6 – C 
7 – C 8 – B 9 – C 10 – B 11 – A 12 – A 
13 – D 14 – A 15 – D 16 – A 17 – D 18 – A 
19 – B 20 – B 21 – B 22 – D 23 – D 
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
46 
https://ceisc.com.br/
 Revisão Turbo | 42º Exame de Ordem 
 Direito Civil 
 
47abandonou o apartamento e a cidade, permanecendo 
Aline sozinha no imóvel, sustentando todas as despesas deste. Após 3 (três) anos sem notícias de seu 
paradeiro, Marcos retornou à cidade e exigiu sua meação no imóvel. 
Sobre o caso concreto, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Marcos faz jus à meação do imóvel em eventual dissolução de união estável. 
B) Aline poderá residir no imóvel em razão do direito real de habitação. 
C) Aline adquiriu o domínio integral, por meio de usucapião, já que Marcos abandonou o imóvel 
durante 2 (dois) anos. 
D) Aline e Marcos são condôminos sobre o bem, o que impede qualquer um deles de adquiri-lo por 
usucapião. 
 
7) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Márcia, adolescente com 17 anos de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua 
faixa etária. Seu maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu 
criar um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria elaboradas 
sobre conteúdos históricos. 
O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões de jovens seguidores e despertando o interesse de 
vários patrocinadores, que começaram a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora 
ainda não tenha obtido nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir 
custear seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns desses contratos. Para facilitar 
as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre negócios com 
futuros patrocinadores com mais agilidade. 
Sobre o ato de emancipação de Márcia por seus pais, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente tem 
na internet. 
B) Não tem requisitos formais específicos, podendo ser concedida por instrumento particular. 
C) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas 
Naturais. 
D) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria, o que 
ainda não aconteceu. 
 
8) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada, sob o regime de comunhão parcial de bens. 
Silvana sempre considerou diversificar sua atividade profissional e pensa em se tornar sócia de uma 
sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para realizar esse investimento, pretende vender um 
apartamento adquirido antes de seu casamento com Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, 
não concorda com a venda do bem para empreender. 
Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois destina-se ao 
incremento da renda familiar. 
B) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária, por conta do regime da 
comunhão parcial de bens. 
C) Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para alienar o apartamento, pois se trata de bem 
particular. 
D) A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é necessária e decorre do casamento, 
independentemente do regime de bens. 
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 Direito Civil 
 
7 
9) FGV – 2022 – OAB – 35º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Renatinho, conhecido influencer digital, conquistou, ao longo dos anos, muitos seguidores e amealhou 
vultoso patrimônio. Renatinho é o único filho de Carla e Júlio, que se divorciaram quando Renatinho tinha 
três anos de idade. Carla nunca concordou com as atividades de influencer digital desenvolvidas pelo 
filho, pois achava que ele deveria se dedicar aos estudos. Júlio, por outro lado, sempre incentivou 
bastante o filho e, inclusive, sempre atuou como gestor da carreira e do patrimônio de Renatinho. 
Aos 15 de março de 2022, Renatinho completou 16 anos e, na semana seguinte, realizou seu testamento 
sob a forma pública, sem mencionar tal fato para nenhum dos seus pais. Em maio de 2022, Carla e Júlio, 
em comum acordo e atendendo ao pedido de Renatinho, emancipam seu único filho. E, para tristeza de 
todos, em julho de 2022, Renatinho vem a óbito em acidente de carro, que também levou o motorista à 
morte. 
Com a abertura da sucessão, seus pais foram surpreendidos com a existência do testamento e, mais 
ainda, com o fato de Renatinho ter destinado toda a parte disponível para a constituição de uma fundação. 
Diante da situação hipoteticamente narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O testamento de Renatinho é válido, pois em que pese a incapacidade civil relativa no momento 
da sua feitura, a emancipação concedida por seus pais retroage e tem o efeito de convalidar o ato. 
B) O testamento de Renatinho é válido em razão dos efeitos da emancipação concedida por seus 
pais, no entanto, a destinação patrimonial é ineficaz, visto que só podem ser chamadas a suceder 
na sucessão testamentária pessoas jurídicas já previamente constituídas. 
 
C) O testamento de Renatinho é válido, pois a lei civil assegura aos maiores de 16 anos a 
possibilidade de testar, bem como a possibilidade de serem chamados a suceder, na sucessão 
testamentária, as pessoas jurídicas cuja organização for determinada pelo testador sob a forma 
de fundação. 
D) A deixa testamentária para a constituição de uma fundação seria válida, no entanto, em razão de 
o testamento ter sido realizado quando Renatinho tinha apenas 16 anos e não emancipado, o 
testamento todo será invalidado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Direito Civil 
 
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 Aula 27/11/2024 – turno noite 
1. Direito das obrigações: adimplemento e extinção das obrigações 
1.1. Do pagamento 
Para que se tenha a liberação do vínculo obrigacional, com a extinção da obrigação é 
necessário que se cumpra o pagamento com seus cinco requisitos: quem paga, para quem se 
paga, o que se paga, onde se paga e quando se paga. Uma vez cumpridas tais exigências, 
teremos a extinção da obrigação através do pagamento. Se uma delas não for cumprida, poderá 
ser aplicado o ditado de que: “quem paga mal, paga duas vezes.” 
 
 
 
 
1.1.1. De quem deve pagar: artigos 304 a 307 
Outras pessoas, além do devedor, podem pagar e outras pessoas além do credor podem 
receber. Quem pode pagar: 
• Devedor; 
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• Terceiro interessado (por exemplo: fiador): ao pagar, se sub-roga nos direitos do 
credor primitivo; 
• Terceiro não interessado (amigo, por exemplo): ao pagar, não se sub-roga, mas 
tem direito de regresso contra o devedor, caso tenha feito o pagamento em seu 
nome; 
• Segundo o artigo 304 qualquer interessado poderá pagar a dívida e se o credor se 
opuser poderá o terceiro ajuizar ação de consignação em pagamento. 
 
Se houver pagamento por terceiro não interessado, sem que o devedor saiba ou em 
oposição ao devedor não terá o terceiro direito de pedir o reembolso para o devedor, se este 
último tinha meios para ilidir a ação. 
 
1.1.2. Para quem se paga 
O pagamento será feito ao credor ou a quem de direito represente este credor. 
• Pagamento feito ao credor putativo terá validade se feito de boa-fé, ainda provado 
que depois não era credor; 
• Pagamento feito cientemente ao credor incapaz como regra não terá validade, mas 
se provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz, então será válido 
(artigo 310). 
 
1.1.3. Objeto de pagamento e sua prova: artigos 313 a 326 
Objeto do pagamento: arts. 313 a 318 do Código Civil. 
Prova: arts. 319 a 326 do Código Civil. 
Objeto: 
• Com relação ao objeto de pagamento, o devedor e credor não são obrigados a 
pagar ou receber um objeto diferente do contratado, ainda que sejam mais valiosos. 
Da mesma forma, sendo a obrigação divisível, não podem credor/devedor partilhar 
a prestação se assim não se estipulou; 
• Extremamente relevante o artigo317 que trata sobre a revisão contratual por fato 
superveniente: 
 
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Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o 
valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a 
pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. 
 
Prova: o devedor que paga, tem direito à quitação regular e pode reter o pagamento, se 
não lhe for entregue a quitação. Quitação é a prova efetiva do pagamento. Seus requisitos se 
encontram no artigo 320: 
 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o 
valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo 
e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se 
de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. 
 
 
Desta forma, preferencialmente se espera que a quitação preencha os requisitos do 
“caput” do art. 320. Contudo, caso não possua todos requisitos, poderá ainda assim o pagamento 
ser comprovado por outros meios, como estipula o parágrafo único do art. 320 do CC. 
 
1.1.4. Do lugar do pagamento: artigos 327 a 330 
Como regra geral, se nada for estipulado, o pagamento será feito no domicílio do devedor. 
Designados dois ou mais lugares, caberá ao credor escolher qual domicílio será efetuado 
o pagamento. 
 
Muito importante: 
“Artigo 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do 
credor relativamente ao previsto no contrato.” 
Temos uma importante relação com o Princípio da boa-fé objetiva. Temos aqui a aplicação 
da “supressio” e da “surrectio”. 
“Supressio” significa supressão, por renúncia tácita, pelo não exercício com o passar do 
tempo. 
Já a “surrectio” significa que, ao mesmo tempo em que o credor, por exemplo, perde o 
direito do pagamento no domicílio estipulado, significa que o devedor ganha um novo domicílio 
para efetuar o pagamento. 
 
 
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1.1.5. Do tempo do pagamento: artigos 331 a 333 
Como regra, a dívida deve ser paga no vencimento (artigo 331). No entanto, se não houver 
data de pagamento, o cumprimento da obrigação poderá ser exigido à vista (cuidar o contrato de 
mútuo, que tem regra própria no artigo 592 do CC). 
Já o artigo 333 trata sobre a possibilidade de vencimento antecipado da dívida. Isso 
ocorre: 
I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; 
II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em execução por outro 
credor; 
III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, fidejussórias, ou 
reais, e o devedor, intimado, se negar a reforçá-las. 
 
Resolva a questão a seguir: 
10) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a locação garantida por fiança prestada por seu pai, 
José. Certa vez, Jacira conversava com sua irmã Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e 
declarou que temia não ser capaz de pagar o próximo aluguel do imóvel. Compadecida da situação da 
irmã, Laura procurou o locador do imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou, em nome próprio, 
o valor devido por Jacira, sem oposição desta. 
Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele mês, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em todos os direitos que o locador tinha em face de 
Jacira, inclusive a garantia fidejussória. 
B) Laura, como terceira não interessada, tem apenas direito de regresso em face de Jacira. 
C) Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos direitos que o locador tinha em face de Jacira, mas 
não quanto à garantia fidejussória. 
D) Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem qualquer direito em face de Jacira. 
 
1.2. Da consignação em pagamento: artigos 334 a 345 
A consignação é o depósito feito pelo devedor ou terceiro de uma coisa devida, para que 
consiga se liberar da obrigação. É um instituto misto, já que também é tratado no Código de 
Processo Civil, artigos 539 e seguintes do CPC. 
Uma vez julgada procedente a ação de consignação, teremos a liberação do devedor, que 
não será inadimplente e, assim, não terá contra ele as consequências do inadimplemento. 
As hipóteses do pagamento em consignação são trazidas no artigo 335: 
 
Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar 
quitação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; 
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III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em 
lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
 
Como a consequência da consignação é a liberação do devedor, como se tivesse 
realizado o pagamento, para que a consignação tenha então força de pagamento, é necessário 
que concorram em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os 
quais não é válido o pagamento. 
 
1.3. Do pagamento com sub-rogação: artigos 346 a 351 
A sub-rogação pode ser entendida como a substituição de uma pessoa por outra, 
realizada através do pagamento. 
O exemplo que pode ser trazido é o caso do fiador que paga a dívida do devedor, para 
que não seja responsabilizado pelo pagamento. Ao fazer isso, o credor sai da relação 
obrigacional, já que recebeu o pagamento e o então fiador passa a ser o novo credor do devedor 
(que não pagou e então continuará devendo, mas agora para o novo credor, que era seu antigo 
fiador). 
Importante destacar que na sub-rogação não há a extinção da dívida e sim a substituição 
de uma pessoa por outra através do pagamento. A sub-rogação transfere ao novo credor todos 
os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor 
principal e os fiadores. 
Há dois grandes tipos de sub-rogação: legal e convencional. 
 
Veja o esquema na página a seguir... 
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13 
 
 
1.4. Da imputação em pagamento: artigos 352 a 355 
Imputar significa escolher, eleger, indicar. Quando um devedor tiver várias dívidas com 
um mesmo credor, sendo elas líquidas e vencidas, este mesmo devedor poderá escolher qual 
delas ele quer pagar. 
Requisitos para a imputação: 
• Mesmo credor e devedor; 
• Plural de dívidas; 
• Líquidas e vencidas; 
• Débitos da mesma natureza. 
 
Como regra, quem deverá escolher qual dívida será paga, é o devedor (artigo 352). Se o 
devedor nada fizer e a quitação for omissa quanto ao pagamento, então teremos a imputação 
legal, ou seja, a lei, no seu artigo 355, que diz quais serão as dívidas a serem pagas: 
 
Art. 355. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à 
imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas 
forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. 
 
Assim: 
1) Havendo capital e juros, primeiro se fará nos juros; 
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2) A imputação será feita na dívida vencida em primeiro lugar; 
3) Se todas forem vencidas na mesma data, então a imputação deverá ser feita na 
mais onerosa. 
 
1.5. Dação em pagamento: artigos 356 a 359 
A dação ocorre quando o credor consente em receber objeto diferente do contratado. 
Muito importante: 
 
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-áa 
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de 
terceiros. 
 
1.6. Novação: artigos 360 a 367 
Através da novação temos a extinção da obrigação anterior, com a criação de uma nova. 
O principal efeito é a extinção da dívida antiga, com todos os seus acessórios e garantias. 
Como a novação extingue a obrigação primitiva, liberando as garantias, se o for feita 
novação sem o consentimento do fiador, ele estará exonerado. 
Além disso, é necessária a chamada “intenção de novar”. O animo de novar está expresso 
no artigo 361. 
Não é possível que haja novação de obrigações nulas e extintas (artigo 367). Assim, a 
obrigação meramente anulável pode ser objeto de novação. 
 
1.7. Compensação: artigos 368 a 380 
Quando duas ou mais pessoas forem, ao mesmo tempo, credoras e devedora umas das 
outras, extinguindo-se a obrigação até onde se compensarem. 
 
1.8. Confusão: artigos 381 a 384 
A confusão ocorre quando na mesma pessoa se confunde as figuras de credor e devedor. 
Ela pode ser total ou parcial, ou seja, ocorrer com relação a toda a dívida ou somente de parte 
dela. 
 
1.9. Remissão de dívidas: artigos 385 a 388 
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A remissão é o perdão da dívida que é concedida pelo credor ao devedor. No entanto, 
para que se tenha a liberação do devedor, é necessário que ele aceite o perdão. Assim, é um 
negócio jurídico bilateral. A remissão pode recair sobre a dívida inteira ou sobre parte dela. Há 
formas de perdão expresso (escrito) e também tácito. Um exemplo de remissão tácita ocorre no 
artigo 386, em que o credor devolve o título da obrigação (cheque, por exemplo) ao devedor. No 
entanto, se devolver, restituir o objeto empenhado (garantia do penhor) não significa que perdoou 
a dívida, mas sim que não quer mais a garantia – artigo 387. 
 
2. Direito das obrigações – inadimplemento 
Temos dois tipos de inadimplemento: 
 
 
 
2.1. Cláusula penal: artigos 408 a 416 
Cláusula penal é uma punição, penalidade de natureza civil e tem a ver com o 
inadimplemento obrigacional. 
Ela é contratada pelas partes e ocorre em caso de inadimplemento do contrato. É uma 
obrigação acessória. A cláusula penal pode ser classificada em: cláusula penal moratória e 
cláusula penal compensatória. 
 
2.1.1. Cláusula penal moratória 
Caso de inadimplemento parcial, em que ainda é possível o cumprimento. Serve para a 
punição de quem está em mora. 
 
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança 
especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da 
pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal. 
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Assim, quando houver clausula penal moratória, poderá o credor exigir o cumprimento da 
obrigação e o cumprimento da clausula penal moratória. 
 
2.1.2. Cláusula penal compensatória 
Ocorre no caso de inexecução total da obrigação. Ela tem a função de antecipar as perdas 
e danos. 
Se a cláusula penal tiver um valor muito alto, deverá o juiz reduzir. 
 
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal 
tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente 
excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. 
 
Ainda que o prejuízo exceda o previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir 
indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como 
mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. Assim, não se pode 
cumular multa compensatória com indenização por perdas e danos decorrentes do 
inadimplemento da obrigação. Contudo, se no contrato estiver previsto tal possibilidade, a multa 
compensatória será já o mínimo de indenização. Cabe ao credor então comprovar o prejuízo 
excedente. 
 
Resolva a questão a seguir: 
11) FGV – 2017 – OAB – 22º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações paritárias, contrato de compra e venda com 
Chocolates S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de chocolate, pelo preço total de R$ 
1.000,00, a serem entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que se comemorou o aniversário 
de 50 anos de existência da sociedade. 
No contrato, estava prevista uma multa de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega. Chocolates 
S/A, devido ao excesso de encomendas, não conseguiu entregar as caixas na data combinada, mas 
somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a comemoração já havia acontecido, recusou-se a 
receber e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não aceitou pagar a multa, afirmando que 
o atraso de dois dias não justificava sua cobrança e que o produto vendido era o melhor do mercado. 
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento absoluto por perda da utilidade da prestação e 
a multa é uma cláusula penal compensatória. 
B) Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula penal, quantificada em valor idêntico ao valor 
da prestação principal, é abusiva. 
C) Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois dias depois, razão pela qual nada deve a título 
de multa. 
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D) Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto da cláusula penal, segundo o Código de 
Defesa do Consumidor. 
 
3. Direito contratual – evicção: artigos 447 a 457 
Evicção é a perda total ou parcial de um bem, em regra, por meio de uma sentença judicial 
ou ato administrativo. A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. Funda‑se no mesmo 
princípio da garantia em que se assenta a teoria dos vícios redibitórios. 
 
3.1. Requisitos da evicção 
 
 
 
3.2. Direitos do evicto 
A sentença judicial atribui a outra pessoa o bem. 
Responsabilidade total (artigo 450 do CC) - salvo estipulação em contrário, o evicto tem 
direito: 
 
 
 
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 Direito Civil 
 
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Isenção da responsabilidade pelo vendedor (artigo 457 do CC): quando o comprador 
sabe que está adquirindo bem alheio ou litigioso, caso venha a perder, não poderá demandar 
contra quem lhe vendeu. 
 
Resolva a questão a seguir: 
12) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção de sua falecida avó, Marta. 
Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como legado, em testamento, para sua neta, 
Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca, circunstância na qual se encantou com a 
coleção de clássicos franceses. 
Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, 
oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara de 
Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade do testamento 
e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por Joana. Mesmo assim, 
Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. 
Diante de tais situações, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar Joana pela 
evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa. 
B) Com relação ao livro recebido em doação, Joana responde pela evicção, especialmente porque, na 
data da avença, Renata não sabia da existência de litígio. 
C) A informação prestada por Joana a Renata, acerca da existência de litígio sobre a biblioteca que 
recebeu em legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de reforço da responsabilidade pela 
evicção. 
D) O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana classifica-se como contratode natureza aleatória, 
pois Marta soube posteriormente do risco da perda do bem pela evicção. 
 
4. Direito contratual – contrato de compra e venda: artigos 481 a 532 
São dois os principais elementos da compra e venda: coisa e preço. 
1) Preço: Há vários modos que o preço pode ser estabelecido. 
• A fixação do preço pode ser dada a taxa de mercado ou bolsa, em certo e 
determinado dia e lugar; 
• Pode ser estabelecido que terceiro fixe o preço; 
• Pode ser fixado em função dos índices ou parâmetros. 
 
Observação: preço que sua fixação fica ao livre arbítrio da outra parte - nulo, segundo 
artigo 489 do CC. 
2) Coisa: pode ser a venda de algo que já existe ou de bens que virão a existir (coisa 
futura) conforme artigo 483 do CC. 
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4.1. Limitações ao contrato de compra e venda 
4.1.1. Venda de ascendente a descendente 
 
Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros 
descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. 
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o 
regime de bens for o da separação obrigatória. 
 
Caso não tenha o consentimento, será passível de anulação. O prazo para ajuizamento 
da ação anulatória é de 2 anos, segundo o artigo 179 do Código Civil. 
 
Resolva a questão a seguir: 
13) FGV – 2020 – OAB – 31º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no RGI, de valores de mercado 
semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que 
mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de mercado. 
No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendente comprador), um deles, Carlos, 
opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, seu filho que não concordou 
com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno. 
Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. 
 
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A) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais descendentes 
e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. 
B) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para 
filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do negócio. 
C) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um 
de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. 
D) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, 
eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. 
 
4.1.2. Venda de parte indivisa de condomínio 
O condômino não pode alienar sua parte indivisa a terceira pessoa, se o outro condômino 
a quiser, tanto por tanto. O condômino que quiser pode exercer seu direito de preferência ou 
preempção, ajuizando ação no prazo decadencial de 180 dias contados da data em que teve 
ciência da alienação. No momento do ajuizamento, deve o condômino, efetuar a consignação do 
valor que deseja pagar. 
 
5. Direito contratual: contrato de empréstimo – artigos 579 a 585 
Duas são as espécies de empréstimos: mútuo e comodato. 
 
5.1. Contrato de comodato 
Comodato é o empréstimo para uso, gratuito de coisas infungíveis. Pode ser bens móveis 
ou imóveis, mas precisa ser infungível. O contrato se perfectibiliza com a tradição da coisa. 
Características do comodato: 
a) Gratuidade do contrato; 
b) Infungibilidade do bem: restituição do mesmo objeto recebido como empréstimo; 
c) Contrato unilateral, já que após a tradição, só há obrigações para uma das partes, 
que é o comodatário (restituir a coisa) e não há obrigações para o comodante; 
d) Contrato não solene, já que não necessita forma especial para a sua celebração. 
 
Obrigações do comodatário: 
a) Conservar a coisa – art. 582: o comodatário deve conservar a coisa como se fosse 
sua. Deve responder pelas despesas de conservação; 
b) O comodatário não pode nunca tentar cobrar do comodante as despesas comuns, 
feitas com o uso e gozo da coisa emprestada; 
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21 
c) Uso da coisa de forma adequada: responde por perdas e danos se usar o bem fora 
do que foi contratualmente previsto; 
d) Restituir a coisa: deve ser restituída a coisa no prazo convencionado e não havendo 
este prazo, finda a razão pela qual ocorreu, o empréstimo deve ser restituído 
(empresta livros para o trabalho de conclusão de curso, e quando passado o 
evento, deverão ser devolvidos, por exemplo. 
 
5.2. Contrato de mútuo 
O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O bem é emprestado para consumo. É 
empréstimo para consumo, pois o mutuário não está obrigado a devolver o mesmo bem, do qual 
se torna dono. Ex.: dinheiro. 
Neste tipo de empréstimo, o mutuante transfere o domínio, a propriedade, do bem ao 
mutuário. Isso não acontece no comodato. Além disso, o mutuário se torna proprietário da coisa, 
correndo por conta desse, todos os riscos da tradição. 
Características do mútuo: o mútuo é temporário, se entende que em algum momento o 
que foi emprestado será devolvido. Mas e se não houver prazo para a restituição do bem? O CC 
determina que: 
• Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas; 
• De 30 dias, pelo menos, se o mútuo for de dinheiro; 
• Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa 
fungível. 
 
Obs.: mútuo para um menor. O Código Civil protege o menor, dizendo que quem empresta 
para um menor, não poderá reaver o que emprestou. Contudo, há várias exceções, de quando 
o mutuante pode, portanto, reaver o que foi emprestado. São elas: 
a) O representante do menor ratificar o empréstimo; 
b) Se o menor, em caso de ausência do representante, se viu obrigado a contraí‑lo 
para os seus alimentos habituais; 
c) Se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, caso em que a execução do 
credor não lhes poderá ultrapassar as forças; 
d) Se o empréstimo reverteu em benefício do menor; 
e) Se este obteve o empréstimo maliciosamente. 
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22 
 Resolva a questão a seguir: 
14) FGV – 2017 – OAB – 23º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Cássio, mutuante, celebrou contrato de mútuo gratuito com Felipe, mutuário, cujo objeto era a quantia de 
R$ 5.000,00, em 1º de outubro de 2016, pelo prazo de seis meses. Foi combinado que a entrega do 
dinheiro seria feita no parque da cidade. No entanto, Felipe, após receber o dinheiro, foi furtado no 
caminho de casa. 
Em 1º de abril de 2017, Cássio telefonou para Felipe para combinar o pagamento da quantia emprestada, 
mas este respondeu que não seria possível, em razão da perda do bem por fato alheio à sua vontade. 
Acerca dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Cássio tem direito à devolução do dinheiro, ainda que a perda da coisa não tenha sido por culpa do 
devedor, Felipe. 
B) Cássio tem direito à devolução do dinheiro e ao pagamento de juros, ainda que a perda da coisa não 
tenha sido por culpa do devedor, Felipe. 
C) Cássio tem direito somente à devolução de metade do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa 
do devedor, Felipe. 
D) Cássio não tem direito à devolução do dinheiro, pois a perda da coisa não foi por culpa do devedor, 
Felipe. 
 
6. Responsabilidade civil 
A responsabilidade civil subjetiva é baseada na “teoria da culpa”, já que é necessária a 
verificação de culpa, para que se possa configurar tal requisito. 
Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva é necessário: conduta 
humana, culpa, nexo causal e dano. Já para a responsabilidade objetiva são necessários: 
conduta humana, nexo causal e dano.Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC. 
 
6.1. Casos de responsabilidade objetiva 
a) Responsabilidade civil por atos de terceiros: 
 
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: 
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; 
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas 
condições; 
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício 
do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; 
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por 
dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; 
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente 
quantia. 
 
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O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que 
informa que os terceiros (pais, tutores, curadores, etc) serão responsabilizados, ainda que não 
haja culpa por parte deles. 
De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá 
direito de regresso contra o empregado que causou o dano. 
Há uma exceção: relações entre ascendentes e descendentes incapazes não haverá 
direito de regresso. Assim, o ascendente não tem regresso contra o descendente, se este for 
incapaz. 
Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 
942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os 
co-autores e as pessoas designadas no artigo 932. 
Observação: responsabilidade do incapaz (art. 928 do CC). De acordo com o referido 
artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, primeiro respondem os responsáveis 
pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições financeiras ou não forem obrigadas a 
tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo assim, de acordo com o parágrafo único, a 
indenização deverá ser equitativa e, se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do 
seu sustento, então tal indenização não terá lugar. 
b) Responsabilidade civil por fato de animal: prevista no art. 936 do CC. 
 
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar 
culpa da vítima ou força maior. 
 
Atentar para as excludentes: nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa 
da vítima e força maior. 
c) Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína: o dono 
de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de 
falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do CC. A 
responsabilidade é do dono do edifício ou da construção. 
d) Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio: prevista no art. 938 
do CC. 
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das 
coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. 
 
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Ponto muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem habita o 
prédio. Assim, seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário, enfim, quem estiver 
habitando o prédio. 
Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido 
pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá 
ajuizar regresso contra o ofensor. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
15) FGV – 2022 – OAB – 36º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Henrique, mecânico da oficina Carro Bom, durante a manutenção do veículo de Sofia, deixado aos seus 
cuidados, arranhou o veículo acidentalmente, causando danos materiais à mesma. 
Ciente de que Henrique não tinha muitos bens materiais e que a execução em face de Henrique poderia 
ser frustrada, Sofia pretende ajuizar ação indenizatória em face da oficina Carro Bom. A esse respeito, é 
correto afirmar que Carro Bom responderá 
 
A) pelos danos causados a Sofia, devendo-se perquirir se houve culpa em eligendo pela oficina de um 
preposto desqualificado. 
B) subsidiariamente pelos danos causados por Henrique, caso este não tenha bens suficientes para 
saldar a execução. 
C) objetivamente pelos danos, sendo vedado o regresso em face do mecânico que atuou culposamente, 
pois a oficina não poderá repassar o risco de seu negócio a terceiros. 
D) objetivamente pelos danos, sendo permitido o regresso em face do mecânico que atuou culposamente. 
 
 
 
7. Parte geral 
7.1. Personalidade jurídica 
A personalidade jurídica nada mais é do que a aptidão genérica para que alguém seja 
titular de direitos e para que possa contrair obrigações. Em outros termos, eu somente posso ser 
titular de direitos e contrair deveres na ordem civil caso eu tenha personalidade jurídica. É a partir 
desse marco que o indivíduo consegue praticar atos e negócios jurídicos. 
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25 
Sobre esse assunto é importante a análise do art. 2º do Código Civil brasileiro, que afirma 
o seguinte: “a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a 
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. 
Assim, tem-se que o marco inicial da personalidade é o nascimento com vida, que ocorre 
quando o bebê é separado do ventre materno, seja por parto natural ou cesárea. 
 
7.2. Capacidade de direito e capacidade de fato 
Ao adquirir a personalidade jurídica, toda pessoa passa a ser um sujeito de direitos e 
obrigações. Isso significa que ela possui a capacidade de direito, ou seja, a aptidão reconhecida 
pelo ordenamento jurídico para ser titular de uma situação jurídica. Em razão disso, se nasceu 
com vida tem, portanto, personalidade jurídica e capacidade de direito. 
No entanto, nem todos conseguem exercer seus direitos pessoalmente, devido à falta de 
consciência necessária para realizar determinados atos. Essa falta pode ocorrer em virtude das 
mais diversas razões, tais como limitações relativas à idade ou até mesmo questões 
psicológicas. Dito isso, é certo concluir que algumas pessoas possuem apenas a capacidade de 
direito – mas não possui a capacidade de fato. 
Por sua vez, aqueles que podem atuar diretamente no exercício de seus direitos possuem, 
além da capacidade de direito, a capacidade de fato – também chamada de capacidade de 
exercício. Logo, aquelas pessoas que possuem tanto capacidade de direito quanto capacidade 
de fato acabam sendo consideradas plenamente capazes para o Direito Civil. 
 
7.3. Teoria das incapacidades – incapacidade absoluta e incapacidade 
relativa 
As pessoas que não têm a capacidade de fato são consideradas incapazes, pois 
possuem uma capacidade limitada. Segundo o artigo 2º do Código Civil, todos que nascem com 
vida adquirem a capacidade de direito, mas não a de fato. Assim, as incapacidades se referem 
a restrições específicas impostas a pessoas que, devido a suas circunstâncias, necessitam de 
uma proteção especial. 
Quando ausente a capacidade de fato a consequência será uma dessas duas hipóteses: 
ou a pessoa será absolutamente incapaz, ou será relativamente incapaz. A única hipótese de 
absolutamente incapaz está prevista no artigo 3º do Código Civil, que afirma o seguinte: são 
absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 
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26 
(dezesseis) anos. Em virtude disso, a pessoa absolutamente incapaz não pode exercer 
pessoalmente os atos da vida civil, necessitando ser representada por seu representante legal 
– genitores ou tutor. 
Portanto, caso uma criança de 04 anos, por exemplo, queira ingressar com uma ação de 
alimentos em face de seu genitor, na petição inicial a qualificação será assim:fulana de tal, menor 
absolutamente incapaz, representada por sua mãe, fulana de tal. Insta mencionar que caso o ato 
seja praticado sem a devida representação ele será considerado nulo – artigo 166, I, CC/02. 
Por outro lado, há os relativamente incapazes. Tais hipóteses estão previstas junto ao 
artigo 4º do CC/02. 
 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico1; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade2; 
IV - os pródigos3. 
 
Em algumas situações, a pessoa incapaz pode realizar um ato sozinha – testamento, por 
exemplo. Em outros casos, é permitido que ela execute o ato, desde que esteja acompanhada 
por seu representante legal. Nesses casos, o indivíduo, considerado relativamente incapaz, age 
com a assistência do representante. 
Havendo a prática do ato pelo incapaz, sem o necessário suprimento através da 
assistência, o ato será anulável, nos termos do artigo 171, I, CC/02, devendo a ação ser 
proposta no prazo de quatro anos a contar do momento em que cessar a incapacidade (artigo 
178, III, CC/02). 
Com a exceção do caso da idade – maiores de 16 e menores de 18 anos –, nas demais 
hipóteses, o indivíduo é maior de idade e para ser considerado relativamente incapaz deverá 
passar por processo de interdição, nos termos do artigo 747 e seguintes do CPC/15. Neste 
processo, haverá uma perícia, que fixará os atos que o incapaz poderá ou não praticar. Por fim, 
haverá a nomeação do curador, que será o representante legal do incapaz maior de idade. 
 
1 Pessoas que fazem uso de bebida alcóolica ou substâncias tóxicas de forma descompensada. 
2 Pessoas que por alguma razão não conseguem exprimir sua vontade. Exemplo: sujeito que sofre com a doença 
de Alzhaimer.
3 Pessoa que dissipa seu patrimônio desvairadamente, ou seja, que gasta de forma imoderada. Sua interdição 
refere-se tão somente a atos de disposição e oneração do patrimônio. Poderá, portanto, administrar seu patrimônio, 
mas não pode praticar atos que venham a desfalcá-lo. Os demais atos, como ser testemunha, por exemplo pode 
praticar sem problema algum. 
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27 
 
 
7.4. Emancipação 
De acordo com o artigo 5º do Código Civil, a incapacidade em virtude da idade é encerrada 
ao atingir a maioridade - que ocorre aos 18 anos -, ou por meio da emancipação, que antecipa 
a capacidade civil plena. A emancipação, uma vez efetivada, é irrevogável e irretratável, exceto 
em casos de vício de vontade, que podem levar à anulação de quaisquer negócios jurídicos ou 
atos praticados. Nesse contexto, o enunciado 397 das Jornadas de Direito Civil afirma que "a 
emancipação por concessão dos pais ou por decisão judicial pode ser anulada em razão de vício 
de vontade". 
Existem três espécies de emancipação: 
A emancipação voluntária é aquela que ocorre pela concessão dos pais, quando estes, 
em conjunto (ou um deles, na falta do outro), concedem, mediante escritura pública, 
independentemente de homologação judicial, a emancipação para o filho que tenha completado 
16 anos. Deve ser registrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, Lei n° 
6.015/1973. 
A emancipação judicial é aquela espécie concedida pelo juiz, nos casos em que o menor 
estiver sob tutela, sendo ouvido o tutor, se o menor contar com 16 anos completos. Pode ocorrer, 
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também, nos casos em que um dos genitores concordar e o outro discordar da emancipação. 
Deve ser registrada no Cartório do Registro Civil, nos termos do art. 107, § 1°, Lei n° 6.015/1973. 
Por fim, a emancipação legal é aquela que advém da própria lei. Caso ocorrer alguma 
das situações previstas no artigo 5°, incisos II, III, IV e V, CC/02, o jovem estará 
automaticamente emancipado. São os casos de casamento, emprego público efetivo, 
constituição de empresa ou colação de grau em curso superior. Nesses casos não há 
necessidade de registro. 
 
7.5. Bens 
Bem de família: o bem de família pode ser entendido como um bem que não pode ser 
penhorado, justamente porque serve de moradia para uma pessoa ou família, tendo como base 
o direito à moradia previsto no artigo 6º da CF/88. 
Bem de família voluntário: a instituição do bem de família de forma voluntária pode ser 
realizada pelo proprietário ou pela entidade familiar e deve recair sobre um bem que não 
ultrapasse 1/3 do patrimônio líquido (artigo 1.711, CC/02). Essa formalização pode ser feita por 
meio de testamento ou escritura pública, sendo necessário o registro no cartório de imóveis 
(artigo 1.714, CC/02). Uma vez estabelecido como bem de família, ele não poderá ser utilizado 
para quitar dívidas contraídas após sua instituição (artigo 1.715, CC/02), exceto aquelas 
relacionadas ao próprio imóvel. A proteção perdura enquanto os cônjuges (ou companheiros) 
estiverem vivos ou enquanto os filhos forem menores. 
Bem de família legal: a Lei n° 8.009/1990 institui o bem de família legal. Tal lei estabelece 
a impenhorabilidade do único bem imóvel de natureza residencial, urbano ou rural. Em virtude 
disso, este imóvel não responderá por qualquer tipo de dívida (civil, comercial, fiscal, 
previdenciária ou qualquer natureza), conforme dispõe o art. 1° da Lei n° 8.009/1990. Contudo, 
existem exceções, as quais estão previstas junto ao artigo 3º da referida lei. 
Sobre o assunto do bem de família, três súmulas se revelam importantes: 
 
Súmula nº 364 do STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. 
Súmula nº 449 do STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de 
imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora. 
Súmula nº 486 do STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja 
locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a 
subsistência ou a moradia da sua família. 
 
 
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29 
 Resolva a questão a seguir: 
16) FGV – 2015 – OAB – 16º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários 
para praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação. 
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido: 
 
A) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as condições do 
tutelado. 
B) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação judicial. 
C) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário procedimento 
judicial. 
D) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de pessoas naturais. 
 
 
8. Coisas 
8.1. Posse 
A posse é o domínio físico que alguém tem sobre a coisa, que vem a ser protegido pelo 
Direito, sendo, portanto, concedido efeitos jurídicos a este domínio. Nada mais é do que o 
exercício de fato de um dos poderes inerentes à propriedade. 
Posse é diferente de detenção. Na posse, o sujeito que possui o domínio físico da coisa 
age como se dono fosse, pois objetiva ter a coisa para si. Já na detenção, embora tenha o 
domínio físico da coisa, o sujeito sabe que a coisa não é sua e pretende devolvê-la após o uso. 
O art. 1.198, CC prevê que “considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou 
instruções suas”. Assim o detentor tem a coisa em razão de uma situação de dependência 
econômica ou de subordinação. Ex.: o caseiro de uma casa de praia. 
a) Posse direta e indireta: posse diretaou imediata é aquela que é exercida por quem 
tem a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato. A título de exemplificação, cite-se 
a posse exercida pelo locatário, por concessão do locador. Posse indireta ou mediata é aquela 
exercida por meio de outra pessoa, havendo mero exercício de direito, geralmente decorrente 
da propriedade. É o que se verifica em favor do locador, proprietário do bem. 
b) Posse justa e posse injusta: a posse justa, conforme a redação do art. 1200, CC é 
aquela que não for violenta, clandestina ou precária, ou seja, ela não ofende a previsão legal, 
tendo sido adquirida de forma legítima e merecendo proteção legal. Trata-se de uma posse limpa. 
A posse injusta, é aquela obtida de forma violenta, clandestina ou precária, de forma que 
sua aquisição tenha sido ilícita, ou seja, viciada por ter sido adquirida por violação da lei. Assim, 
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a posse violenta é a retirada da coisa do antigo possuidor contra a sua vontade, obtida por meio 
de esbulho, for força física ou violência moral. A posse precária é aquela adquirida a partir do 
abuso de confiança ou do abuso de direito, que resulta da retenção indevida da coisa que deve 
ser devolvida ao seu possuidor indireto. Por fim, a posse clandestina é aquela obtida de forma 
oculta, às escondidas. 
 
8.1.1. Efeitos da posse 
O Código Civil estabelece, a partir do art. 1.210 os efeitos da posse. Tais efeitos podem 
ser de ordem material ou processual. Os efeitos materiais dizem respeito a percepção dos frutos, 
ao direito a indenização e retenção das benfeitorias, as responsabilidades e ao direito de 
usucapião. Já os efeitos processuais dizem respeito a possibilidade de utilização dos interditos 
possessórios, as ações possessórias e a legítima defesa da posse e do desforço imediato. 
Efeitos materiais: 
a) Percepção dos frutos – art. 1.214 e seguintes CC/02: quanto a percepção dos frutos, 
deve-se, por primeiro, considerar se a posse é de boa ou má-fé. Assim, o Código Civil prevê os 
seguintes dispositivos quanto ao recebimento (ou não) dos frutos. 
O possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos (colhidos). Já os frutos pendentes 
(ainda não colhidos) devem ser restituídos, assim como aqueles que tenham sido colhidos por 
antecipação. Já o possuidor de má-fé deve devolver todos os frutos colhidos ou pendentes, bem 
como aqueles que deixou de colher por culpa sua (art. 1.216, CC), devendo, neste último caso, 
ser responsabilizado no caso de perecimento dos frutos não colhidos por sua culpa (reparação 
de danos – responsabilidade civil). Mas tem direito, o possuidor de má-fé a ser indenizado pelas 
despesas de produção e custeio. 
b) Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa – art. 1.217 e seguintes 
CC/02: essa responsabilidade é somente do possuidor de má-fé, que deverá indenizar o 
proprietário em razão da perda ou da deterioração da coisa, mesmo que acidentais. Essa 
responsabilidade somente será afastada havendo prova de que a perda ou deterioração 
ocorreria mesmo que a coisa estivesse na posse do reivindicante (art. 1.218, 2ª parte). 
Exemplo: José se apossa da ovelha de Caio. Neste caso, se a ovelha morrer na posse de 
José por ter ingerido veneno, ele deverá indenizar a Caio. Contudo, se a morte do animal ocorrer 
por uma doença grave, ou seja, mesmo que estivesse na posse de Caio ele morreria, não terá 
José o dever de indenizar. Cuidado, pois, neste caso, depende de prova! 
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31 
c) Retenção e indenização pelas benfeitorias – art. 1.217 e seguintes CC/02: as 
benfeitorias são bens acessórios que se agregam a coisa principal, ou seja, obras artificiais cujo 
propósito é conservar, melhorar ou embelezar o bem principal. Estas benfeitorias podem ser 
classificadas em necessárias, úteis e voluptuárias. Quanto a relação entre o exercício da posse 
e as benfeitorias, os arts. 1.219 a 1.222, CC/02 consideram a existência de uma posse de boa 
ou má-fé para autorizar (ou não) a indenização e a retenção das benfeitorias. 
 
Efeitos processuais: 
a) Usucapião: o principal efeito da posse é o direito de usucapião, ou seja, o exercício de 
posse de uma coisa por certo tempo gera a chamada prescrição aquisitiva, que dá direito ao 
titular a pleitear a propriedade da coisa através da pretensão de usucapião. 
b) Ações possessórias – art. 1.210 CC/02: dentro dos efeitos da posse encontra-se a 
possibilidade que o possuidor tem de se utilizar das ações possessórias para proteção e defesa 
de sua posse. Importante observar que as ações possessórias tanto podem ser exercidas pelo 
proprietário detentor da posse, como também por aquele que, embora não tenha a propriedade, 
se encontra na posse da coisa 
 
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32 
 
Usucapião: a usucapião é a forma mais comum de aquisição originária de propriedade. 
Trata-se de forma de aquisição de propriedade ou outros direitos reais em face do decurso do 
tempo, condicionada à existência de posse e com a observância dos requisitos de lei para cada 
uma das modalidades/espécies. Para que se configure, deve-se ter: posse com a intenção de 
ser dono (posse ad usucapionem); posse deve ser mansa e pacífica, sem oposição; transcurso 
do lapso temporal prescrito em lei. 
Espécies de usucapião de bem imóvel: 
Usucapião extraordinária (art. 1.238 do CC): posse ad usucapionem e lapso temporal 
de 15 anos. Dispensa a existência de justo título e boa-fé. Redução de prazo: o prazo poderá ser 
reduzido para dez anos se o imóvel for utilizado para moradia habitual ou se tiver sido realizada 
obra ou serviço de caráter produtivo. 
Usucapião ordinária (art. 1.242 do CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de dez 
anos, justo título (título hábil a transferir a propriedade) e boa-fé (desconhecer ou inexistir 
eventuais vícios que maculem a posse). Redução de prazo: o prazo reduz-se para cinco anos se 
o imóvel tiver sido adquirido, de forma onerosa, devidamente registrado e, posteriormente, tiver 
o registro cancelado e desde que os possuidores tenham estabelecido lá sua moradia ou 
realizado investimentos de interesse social e econômico. 
Usucapião especial rural (art. 1.239, CC + art. 191, CF): posse ad usucapionem, lapso 
temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos, área rural de até 50 hectares, produtividade 
ou moradia, não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião especial urbana (art. 1.240, CC + art. 183, CF): posse ad usucapionem; 
lapso temporal incontestado e ininterrupto de cinco anos; área urbana de até 250 m², usada para 
moradia; não ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Usucapião especial urbana por abandono do lar conjugal (art. 1.240-A, CC): posse 
ad usucapionem exercida de forma direta; lapso temporal incontestado e ininterrupto de dois 
anos; área urbana de até 250 m², usada para moradia (posse direta), da qual o usucapiente seja 
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proprietário em conjunto com ex-cônjuge ou companheiro que tenha abandonado o lar; não ser 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
A propriedade móvel também pode ser adquirida pela usucapião. Nesse caso, tem-se as 
seguintes espécies: 
• Usucapião ordinária (art. 1.260, CC): posse ad usucapionem, lapso temporal de 
três anos, justo título e boa-fé; 
• Usucapião extraordinária (art. 1.261, CC): posse ad usucapionem, lapso 
temporal de cinco anos. Não exige justo título e nem boa-fé. A posse direta é 
aquela em que o sujeito tem o controle material, físico e imediato do bem. E de 
locação, exerce a posse direta do imóvel, com autorização do locador. 
 
 Resolva a questão a seguir: 
17) FGV – 2018 – OAB – 25º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Jonas trabalha como caseiro dacasa de praia da família Magalhães, exercendo ainda a função de 
cuidador da matriarca Lena, já com 95 anos. Dez dias após o falecimento de Lena, Jonas tem seu contrato 
de trabalho extinto pelos herdeiros. Contudo, ele permanece morando na casa, apesar de não manter 
qualquer outra relação jurídica com os herdeiros, que também já não frequentam mais o imóvel e 
permanecem incomunicáveis. 
Jonas decidiu, por sua própria conta, fazer diversas modificações na casa: alterou a pintura, cobriu a 
garagem (que passou a alugar para vizinhos) e ampliou a churrasqueira. Ele passou a dormir na suíte 
principal, assumiu as despesas de água, luz, gás e telefone, e apresentou-se, perante a comunidade, 
como “o novo proprietário do imóvel”. 
Doze anos após o falecimento de Lena, seu filho Adauto decide retomar o imóvel, mas Jonas se recusa 
a devolvê-lo. 
A partir da hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Jonas não pode usucapir o bem, eis que é possuidor de má-fé. 
B) Adauto não tem direito à ação possessória, eis que o imóvel estava abandonado. 
C) Jonas não pode ser considerado possuidor, eis que é o caseiro do imóvel. 
D) Na hipótese indicada, a má-fé de Jonas não é um empecilho à usucapião. 
 
 
 Resolva a questão a seguir: 
18) FGV – 2014 – OAB – 15º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase 
Com a ajuda de homens armados, Francisco invade determinada fazenda e expulsa dali os funcionários 
de Gabriel, dono da propriedade. Uma vez na posse do imóvel, Francisco decide dar continuidade às 
atividades agrícolas que vinham sendo ali desenvolvidas (plantio de soja e de feijão). Três anos após a 
invasão, Gabriel consegue, pela via judicial, ser reintegrado na posse da fazenda. 
Quanto aos frutos colhidos por Francisco durante o período em que permaneceu na posse da fazenda, 
assinale a afirmativa correta. 
 
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A) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, mas tem direito de ser 
ressarcido pelas despesas de produção e custeio. 
B) Francisco tem direito aos frutos percebidos durante o período em que permaneceu na fazenda. 
C) Francisco tem direito à metade dos frutos colhidos, devendo restituir a outra metade a Gabriel. 
D) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, e não tem direito de ser 
ressarcido pelas despesas de produção e custeio. 
 
 
9. Direito de família 
9.1. Capacidade para o casamento 
O casamento, como muitos autores afirmam, é um negócio jurídico repleto de 
formalidades legais, as quais obrigatoriamente devem ser cumpridas para que o casamento 
tenha validade. Dentro dessas formalidades, há a questão da capacidade para casar. 
A maioridade civil é atingida aos 18 anos de idade completos, marco etário em que a 
pessoa está habilitada para a prática de todos os atos da vida civil. No âmbito matrimonial, a 
capacidade núbil (capacidade para casar) é atingida aos 16 anos completos, consoante dispõe 
o art. 1.517 do Código Civil. 
No entanto, é importante fazer uma ressalva: quando ainda estão na faixa da incapacidade 
relativa (entre 16 anos completos e 18 anos incompletos), os nubentes necessitam da 
autorização dos seus representantes legais ou, se for o caso, do próprio Juiz de Direito para 
casar. A autorização parental é conjunta, concedida pelos pais, ou por um deles na falta do outro 
(se um dos genitores é falecido, por exemplo). 
Abaixo dos 16 anos ninguém pode casar no país, conforme art. 1.520 CC/02. 
 
9.2. Impedimentos matrimoniais 
Os impedimentos são causas que impossibilitam a realização do casamento por algum 
motivo. Caso o casal se enquadre em alguma das hipóteses de impedimento matrimonial, 
logicamente não poderão contrair o casamento. 
Os impedimentos matrimoniais estão expressamente previstos no artigo 1.521 do Código 
Civil e são os seguintes: 
 
Art. 1.521, CC/02. Não podem casar: 
I — os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II — os afins em linha reta; 
III — o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do 
adotante; 
IV — os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; 
V — o adotado com o filho do adotante; 
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VI — as pessoas casadas; 
VII — o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio 
contra o seu consorte. 
 
Observe-se, desde já, a forma verbal utilizada pelo legislador: “não podem” casar! Trata-
se, pois, de uma locução imperativa, de modo que se o casamento ocorrer, será considerado 
nulo. 
 
9.3. Casamento por procuração 
Alguns atos jurídicos têm a nota da pessoalidade, não admitindo representação, a 
exemplo do testamento ou do exercício do direito de voto. O casamento, no entanto, escapa a 
essa regra. Pode parecer esquisito à primeira vista, mas o nosso ordenamento jurídico admite o 
casamento por procuração. 
O art. 1.542/CC02 traz expressamente a possibilidade do casamento por meio de 
procuração. Tal dispositivo afirma que o casamento pode celebrar-se mediante procuração, por 
instrumento público, com poderes especiais. Além disso, é importante mencionar que tal 
procuração somente valerá pelo prazo máximo de 90 dias. 
 
9.4. Regime de comunhão parcial de bens 
Podemos definir o regime de comunhão parcial de bens como sendo aquele em que há, 
em regra, a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso na constância do matrimônio, 
por um ou ambos os cônjuges, preservando-se, assim, como patrimônio pessoal e exclusivo de 
cada um, os bens adquiridos por causa anterior ou recebidos a título gratuito a qualquer tempo. 
A definição proposta tem raiz no art. 1.658 do Código Civil de 2002, que afirma o seguinte: 
“no regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na 
constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes”. 
 
Art. 1.659, CC/02. Excluem-se da comunhão: 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância 
do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar; 
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em 
sub-rogação dos bens particulares; 
III - as obrigações anteriores ao casamento; 
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; 
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; 
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. 
Art. 1.660, CC/02. Entram na comunhão: 
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I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em 
nome de um dos cônjuges; 
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa 
anterior; 
III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; 
IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; 
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na 
constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 
 
9.5. Regime de separação obrigatória de bens 
O regime de separação obrigatória de bens é imposto pelo legislador a determinadas 
pessoas. Mas quem são as pessoas obrigadas a casar nesse regime? O art. 1.641 CC/02 traz a 
resposta para essa pergunta. 
 
 
 
Esse regime atualmente é regido pela Súmula 377 do STF. Tal súmula afirma o seguinte: 
“no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do 
casamento”. Essa súmula dá a entender que bens que tivessem sido adquiridos de forma 
onerosa após o casamento seriam bens comuns do casal. Porém, atualmente a doutrina e a 
jurisprudência entendem esse regime da seguinte forma: os bens que os nubentes tinham antes

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