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MECANISMOS DE DEFESA 
 
quando um ag entra no organismo ele já ultrapassou as barreiras: físicas (pele), químicas (muco) e biológica 
(microbiota) e as células de defesa como os macrófagos e células dendríticas (que fazem fagocitose e 
também são APC) vão tentar eliminar o ag. 
também pode ocorrer um processo inflamatório (lesão tecidual) ou infeccioso (se tiver presença de agente 
causar) 
todos esses mecanismos juntamente com a ação das células NK e sistema complemento fazem parte dos 
mecanismos INATOS de defesa 
 
● inespecífico, rápido, não deixa memória imunológica 
 
quando esses mecanismos não são suficientes para eliminar ou neutralizar os ag são utilizados os 
mecanismos ADAPTATIVOS (adquiridos) de defesa 
 
● específico, demorado, deixa memória imunológica 
 
 
 
 
 
 
Barreiras da imunidade adaptativa 
 
 
Imunidade inata - quebra de barreiras 
 
 
IMUNIDADE INATA – PROCESSO INFLAMATÓRIO 
 
A inflamação é uma resposta dos tecidos vascularizados a infecções e tecidos lesados. 
Consiste em recrutar células e moléculas de defesa do hospedeiro da circulação para os locais 
onde são necessárias, com a finalidade de eliminar os agentes agressores 
 
 
CAUSAS DA INFLAMAÇÃO 
 
❖ INFECÇÕES – infecções de qualquer natureza (bacteriana, virótica,fúngica ou parasitária) e toxinas 
microbianas, e a resposta depende do tipo de patógeno, podendo ser aguda leve ou reações sistêmicas 
severas. 
❖ NECROSE DE TECIDOS – Propicia a inflamação devido a morte celular que pode ser por isquêmica, 
trauma, lesões físicas ou químicas. 
❖ CORPOS ESTRANHOS – lascas de madeira, cacos de vidro, sujeita,suturas, Cristais de urato (gota), 
lipídeos (aterosclerose), por gerarem lesão tecidual traumática e recrutamento de leucócitos para o local. 
❖ REAÇÕES AUTO-IMUNES – Reações de hipersensibilidade e doenças auto-imunes. 
 
 
 
 
RECRUTAMENTO DE LEUCÓCITOS PARA O LOCAL DA LESÃO 
 
• No processo inflamatório, ocorre a migração de leucócitos para o local da inflamação → QUIMIOTAXIA. 
• Mudanças no fluxo sanguíneo e na permeabilidade vascular são rapidamente seguidas por influxo de 
leucócitos, que são recrutados a partir do sangue para dentro do tecido extravascular. 
• Os principais leucócitos envolvidos são os fagócitos: Macrófagos e Neutrófilos. 
 
❖ Etapas do recrutamento de leucócitos: 
1 –Marginação, Rolamento e Adesão ao endotélio (dentro do vaso). 
2 – Diapedese: Migração através da parede do endotélio. 
3 – Quimiotaxia: Migração dos leucócitos para os tecidos. 
 
RESPOSTA CELULAR - QUIMIOTAXIA 
 
Quimiotaxia: processo de migração celular que ocorre mediante participação de agentes exógenos e 
endógenos. 
 
RECRUTAMENTO DE LEUCÓCITOS PARA O LOCAL DA LESÃO 
 
 
 
 
FAGOCITOSE E LIBERAÇÃO DO AGENTE AGRESSOR 
 
 
 
A fagocitose envolve três fases sequenciais: 
• Reconhecimento e ligação da partícula a ser ingerida pelo leucócito; 
• Englobamento por pseudópodes (extensões do citoplasma); 
• Ingestão; 
• Morte ou degradação do material ingerido por enzimas lisossômicas. 
 
 
 
RESUMO - ETAPAS DO PROCESSO INFLAMATÓRIO 
 
1 – Reconhecimento do agente agressor pelas células e moléculas hospedeiras (proteínas do sistema 
complemento e mediadores inflamatórios). 
2 – Recrutamento de leucócitos da circulação para o local onde o agente agressor está localizado. 
3 – Os leucócitos e as proteínas são ativados e trabalham juntos para destruir e eliminar a substância 
agressora → Processo Inflamatório com fagocitose (macrófagos, neutrófilos e células dendríticas) 
4 – A reação é controlada e concluída e o tecido lesado é recuperado. 
 
SINAIS CLÁSSICOS DA INFLAMAÇÃO 
 
 
 
CALOR E RUBOR 
 
 
 
EDEMA (INCHAÇO) 
 
Se dá pelo aumento da permeabilidade vascular que permite o extravasamento de células e líquidos e, 
portanto, o edema que é sinônimo de inchaço. 
 
 
 
DOR 
 
Devido a compressão dos nervos pelo edema e por mediadores químicos liberados (moléculas químicas 
produzidas nos tecidos). 
Dor → Compressão dos nervos e receptores de dor das extremidades. 
 
ETAPAS DO PROCESSO INFLAMATÓRIO 
 
 
 
INFLAMAÇÃO AGUDA - RESUMO 
 
 
• Ao contato com um agente agressor externo, há um recrutamento de leucócitos para 
o local da lesão (fagócitos), para que haja a eliminação do agente. 
• Ao mesmo tempo, os fagócitos e outras células do hospedeiro reagem a presença da 
substância estranha através da liberação de mediadores de inflamação, que são substâncias que iniciam e 
finalizam o processo inflamatório, desencadeando os eventos para que ele seja possível. 
• A liberação destes mediadores geram alterações vasculares e hemodinâmicas que são responsáveis pelos 
sinais e sintomas da inflamação. 
• Os leucócitos recrutados para o local são ativados e removem o agente por fagocitose. 
• A medida que o agente é eliminado, o hospedeiro retorna ao estado normal de saúde. 
• Se o agente lesivo não pode ser eliminado, o resultado pode ser uma inflamação crônica. 
 
IMUNIDADE ADAPTATIVA 
 
 
 
 
 
 
IMUNIDADE ADAPTATIVA OU ADQUIRIDA 
 
• É desencadeada quando a Imunidade Inata não conseguiu combater totalmente o patógeno e este 
permaneceu no organismo, instalando-se e causando uma doença. 
• É um mecanismo de defesa mais robusto e específico (identificar qual tipo de microrganismo está causando 
a doença). 
• Produz anticorpos e células de memória → Imunidade a médio ou longo prazo contra o patógeno. 
• Atuação dos LINFÓCITOS especializados. 
 
• Linfócitos são os principais responsáveis pela Imunidade Adquirida, que é aquela desencadeada 
se a infecção persiste no organismo, desencadeando então mecanismos mais específicos de 
reconhecimento. 
• São produzidos para reconhecerem Antígenos (Ag) de agentes invasores e 
produzirem anticorpos (Ac). 
 
 
 
MECANISMOS DE RECONHECIMENTO DE LINFÓCITOS 
 
LINFÓCITOS B e LINFÓCITOS T 
 
• Ambos produzidos na medula óssea 
• Linfócitos B – Maturação na Medula Óssea 
• Linfócitos T – Maturação no Timo 
• Após a maturação (recebimento de receptores), são encaminhados até os órgãos linfóides (baço, timo, 
medula óssea, linfonodos...), onde ficam até que ocorra sua ativação (1º contato com Ag). 
• A ativação ocorre no contato pela primeira vez com um Antígeno (Ag), que pode ser através de uma célula 
apresentadora de antígenos (APC – Células dendríticas, macrófagos), no caso de 
Linfócitos T, ou reconhecimento direto, no caso de linfócitos B. 
 
 
 
 
 
AÇÕES DOS LINFÓCITOS B 
 
 
• A principal finalidade das células B é produzir anticorpos. 
• As células B são formadas na medula óssea. 
• As células B possuem receptores compostos por anticorpos conjugados a 
peptídeos, aos quais os antígenos podem aderir. 
• Quando as células B se deparam com um antígeno, o antígeno adere ao receptor, ativando-as. 
• Algumas células B se transformam em células de memória (lembrando aquele antígeno específico), e outras 
se transformam em células efetoras (plasmócitos). 
• Os plasmócitos produzem anticorpos que são específicos para os antígenos que estimulam a sua produção. 
• Depois disto, no entanto, sempre que as células B se depararem com o antígeno novamente, as células B 
de memória rapidamente reconhecem um antígeno, se multiplicam, se transformam em plasmócitos e 
produzem anticorpos. Esta resposta é rápida e eficaz. 
 
PLASMÓCITO = Célula efetora proveniente dos Linfócitos B 
Função = produção de anticorpos específicos 
 
TIPOS DE LINFÓCITOS T 
 
•Células T citotóxicos (CD8) - Reconhecem e destroem células infectadas ou anormais (cancerígenas, por 
exemplo), fazendo furos em suas membranas e introduzindo enzimas tóxicas (morte por citotoxicidade). 
•Células T auxiliares (CD4) - se ligam aos receptores de antígenos através das células apresentadoras de 
antígenos (APC1s – células dendríticas). Auxiliam outras células imunológicas. Algumas células T auxiliares 
ajudam as células B a reconhecerem antígenos e produzirem anticorpos. Outras ajudam a ativar as células T 
killer para matar células infectadas ou anormais, ou ainda ajudam a ativar os macrófagos, permitindo queeles 
ingiram células infectadas ou anormais de forma mais eficaz. 
•Células T supressoras (reguladoras) - produzem substâncias que ajudam a encerrar a resposta imunológica 
ou, por vezes, evitam que ocorram certas respostas prejudiciais, como o câncer. 
 
 
 
 
 
• Algumas células B se transformam em células de memória, lembrando aquele antígeno específico, e outras 
se transformam em plasmócitos. 
• Os plasmócitos produzem anticorpos que são específicos para os antígenos que estimulam a sua produção. 
 
 
MEDIADORES INFLAMATÓRIOS 
 
As cascatas de eventos do processo inflamatório ocorrem após a produção e/ou liberação de substâncias 
químicas pelas células de defesa diante da ação do agente inflamatório, chamadas de mediadores 
inflamatórios. Estas substâncias atuam principalmente nas alterações vasculares. 
 
 
Existem outros mediadores químicos liberados pelas células e tecidos de ação prolongada, que continuam 
atuando por bastante tempo no processo inflamatório. 
 
 
PROTEÍNAS DO SISTEMA COMPLEMENTO 
 
• O Sistema Complemento (SC) é constituído por uma família de mais de 20 glicoproteínas plasmáticas, 
sintetizadas principalmente no fígado, mas também por macrófagos e fibroblastos. 
• Cada componente ativado no SC adquire atividade proteolítica, ativando os elementos seguintes em 
cascata. 
• Ao longo do processo, ocorre a produção de diversos mediadores que alteram a permeabilidade vascular e 
contribuem para o desenvolvimento da resposta inflamatória. 
• Finalmente, ocorre a formação do complexo de ataque à membrana (MAC) do patógeno, que promove a lise 
osmótica da célula-alvo, favorecendo a eliminação do agente infeccioso. 
 
PRINCIPAIS MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO 
 
 
REAÇÕES DE AGLUTINAÇÃO: HEMOAGLUTINAÇÃO E AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX 
 
SISTEMA ABO e RH 
 
Os grupos sanguíneos de maneira geral são constituídos por antígenos presentes na membrana da 
hemácia que são a expressão de genes herdados da geração anterior. 
 
O tipo de antígeno presente na membrana indica o tipo sanguíneo, exemplo: 
 
• Sangue tipo A: contém antígeno A 
• Sangue tipo B: contém antígeno B 
• Sangue tipo O: não contém nenhum antígeno. 
 
 
 
Não há ocorrência natural para estes anticorpos, somente ocorrência de anticorpos imunes que podem 
aparecer após transfusões sanguíneas ou gestações onde haja incompatibilidade. 
 
REAÇÕES DE AGLUTINAÇÃO 
 
- Quando uma suspensão de partículas que apresenta antígenos em sua superfície é misturada com 
um anticorpo específico, formam-se grumos mais ou menos volumosos, que logo sedimentam no fundo do 
tubo ou na placa. 
 
- AGLUTINAÇÃO ATIVA OU DIRETA - Se a reação ocorrer com determinantes antigênicos naturais de 
microorganismo ou células. Ex: Quando se empregam hemácias para detecção da tipagem sanguínea, 
esse processo é chamado HEMAGLUTINAÇÃO. 
 
- AGLUTINAÇÃO PASSIVA OU INDIRETA - Se forem utilizadas partículas inertes (látex) acrescentadas 
a um Ac ou Ag para visualização do complexo. Ex: aglutinação em látex (diagnóstico de artrite reumatóide, 
proteína c reativa, meningite...) 
 
- São testes rápidos, porém menos sensíveis que outros métodos. 
 
A determinação do grupo sanguíneo desse sistema é feita usando dois tipos de teste: 
 
Tipagem direta: determina a presença ou ausência de antígenos nas hemácias, empregando como reativos 
anticorpos purificados (anti-A e anti-B). → Mais utilizado, técnica simples, lâmina ou tubo. 
 
Tipagem reversa: através da identificação de anticorpos no soro/plasma, usando como reativos antígenos 
conhecidos (hemácias A e hemácias B). 
 
AGLUTINAÇÃO DIRETA - HEMAGLUTINAÇÃO 
 
Ou seja, pode-se detectar os antígenos (aglutinogênios) e anticorpos (aglutininas) através de técnicas que 
provoquem reação (ligação) entre os dois: 
 
 
 
 
TESTE DE TIPAGEM SANGUÍNEA - MÉTODO DIRETO 
 
 
 
AGLUTINAÇÃO DIRETA - HEMAGLUTINAÇÃO 
 
 
• Sangue A: Aglutina com anticorpo anti-A pois possui antígeno A. 
• Sangue B: Aglutina com anticorpo anti-B pois possui antígeno B. 
• Sangue AB: Aglutina com anti-A e anti-B pois tem os dois tipos de antígenos. 
• Sangue O: como não possui antígenos, não reage com anti-A e anti-B. 
 
TRANSFUSÕES SANGUÍNEAS 
 
A escolha do sangue se baseia no fato de que o indivíduo não pode ser transfundido com um 
sangue que possua um antígeno que ele não tem, pois o anticorpo presente no seu plasma contra esse 
antígeno iria reagir com essas hemácias transfundidas. 
 
 
 
IMPORTÂNCIA DO FATOR RH 
 
 
 
• Transfusão sanguínea 
• Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN) 
 
DOENÇA HEMOLÍTICA DO RECÉM NASCIDO 
 
A condição para a ocorrência dessa anomalia é a seguinte: 
● Pai é Rh+ 
● Mãe é Rh- 
● Filho herda Rh+ do pai, que interage com o sangue da mãe que possui Rh - e começa a produzir 
anticorpos para o fator Rh. 
 
 
 
 
 
AGLUTINAÇÃO INDIRETA - LÁTEX 
 
O teste de aglutinação indireta ou passiva emprega a adsorção de anticorpos ou antígenos solúveis proteicos 
ou polissacarídeos na superfície de micropartículas inertes (suportes) que não interferem na interação 
antígeno-anticorpo, como plásticos (látex), gelatina, carvão e hemácias formolizadas de aves e carneiros. 
 
 
 
• Um suporte muito utilizado são micropartículas de poliestireno (látex), homogêneas quanto ao tamanho, 
com a vantagem de permitir a realização de testes rápidos de aglutinação em lâminas ou placas planas e 
com leitura em minutos. 
• Suportes com antígeno adsorvido são utilizados na pesquisa de anticorpos específicos. 
• A aglutinação do látex pode ser observada a olho nu após homogeneização. Há também a 
possibilidade de empregar métodos automatizados quantitativos como a absorção da luz (turbidimetria) ou a 
dispersão da luz (nefelometria), melhorando a sensibilidade do teste. 
 
AGLUTINAÇÃO LÁTEX – FATOR REUMATÓIDE 
 
O fator reumatóide está presente em numerosas patologias onde o sistema imunológico é altamente 
estimulado. Nessas doenças, os anticorpos IgG produzidos pelos linfócitos nas articulações sinoviais reagem 
com outros anticorpos IgG ou IgM, produzindo complexos imunes, ativação do complemento e destruição 
tecidual. Ainda não se sabe como as moléculas de IgG tornam-se antigênicas, porém elas podem ser 
alteradas pela agregação com vírus ou outros antígenos. 
 
PRINCÍPIO 
 
O kit contém uma suspensão de partículas de látex recobertas com gammaglobulina humana (IgG). Com a 
adição do kit ao soro com “fator reumatoide” presente, desenvolve-se uma reação antígeno-anticorpo. Esta se 
exterioriza pela aglutinação das partículas de látex formando agregados facilmente visíveis. 
 
PROTEÍNA C REATIVA 
 
A proteína C reativa é uma glicoproteína produzida pelos hepatócitos, usada como indicador de 
processos inflamatórios agudos de origem bacteriana, ou ainda, de destruição de tecido. 
 
PRINCÍPIO 
 
O kit contém uma suspensão de partículas de látex de poliestireno recobertas com anticorpos anti-Proteína C- 
Reativa (PCR). Esta suspensão, em contato com amostras contendo Proteína C Reativa produz uma 
aglutinação das partículas de látex, visíveis macroscópicamente.. 
 
- Para cada exame, utiliza-se uma fileira do teste. 
- Pipetar 25 uL de cada reagente do kit e do soro teste em cada círculo. Evitar encostar a 
extremidade da ponteira na superfície da lâmina. 
- Adicionar 25 uL do látex com Ac anti-PCR ou anti-FR em cada círculo, trocando a ponteira a cada vez. 
- Homogeneizar misturas com um bastão com leves movimentos circulares na lâminas e verificar 
presença de aglutinação no soro teste (comparar com controle positivo). 
 
 
 
 
RESPOSTA IMUNOLÓGICA CONTRA TRANSPLANTES 
 
 
O QUE É TRANSPLANTE? 
 
O transplante é a tentativa de substituição de um órgão ou tecido, irremediavelmente doente, que 
compromete a vida de um receptorpor outro sadio vindo de um doador. Para isso, o doador e o receptor 
devem ter algumas características biológicas em comum, a fim de diminuir ou neutralizar o obstáculo da 
rejeição. 
❖ Doador: fornece o enxerto. 
❖ Receptor ou hospedeiro: indivíduo no qual o enxerto é colocado. 
 
Quase todas as doenças que levam a uma situação de falência completa de um órgão ou de um tecido, e 
quando as terapias médicas ou cirúrgicas convencionais já não são mais eficazes, têm como última 
alternativa de tratamento um transplante. 
 
QUANDO SE FAZ UM TRANSPLANTE? 
 
1. Doenças renais, hepáticas e cardíacas 
2. Doenças hematológicas: anemia aplástica 
3. Doenças autoimunes 
4. Doenças genéticas 
5. Doenças malignas: leucemias 
 
*Anemia aplástica é quando a medula óssea produz em 
quantidade insuficiente os três diferentes tipos de elementos 
figurados do sangue existentes: glóbulos vermelhos, glóbulos 
brancos e plaquetas. 
 
 
 
 
ÓRGÃOS E TECIDOS QUE PODEM SER DOADOS 
 
• Órgãos: coração, pulmão, fígado, pâncreas, rim, estômago e intestino. 
• Tecidos: sangue, córneas, ossos do ouvido, dura-máter, válvulas cardíacas, crista ilíaca, fáscia lata, cabeça 
do fêmur, ossos longos, patela, costelas, safena, pele, medula. 
 
 
 
DOADORES 
 
1. Doador cadáver: a doação “post mortem” deve ser precedida de diagnóstico de morte encefálica, 
constatada e registrada por uma equipe de médicos não participantes das equipes de remoção e transplante. 
Alguns órgãos são exclusivamente retirados desse tipo de doador, como por exemplo o coração, o pulmão e o 
pâncreas. 
2. Doador vivo (relacionado ou não): é permitido o transplante consentido com doador vivo quando se tratar 
de órgãos duplos, tecidos ou partes do corpo cuja retirada não traga risco à integridade, comprometimento às 
aptidões vitais e saúde mental, mutilação ou deformação inaceitável e que 
seja de necessidade indispensável ao receptor. 
 
Estudos desde a década de 1940 e 1950 estabeleceram que a rejeição do enxerto é mediada pelo SI 
adquirido, porque mostra especificidade e memória e é dependente dos linfócitos. 
 
 
 
 
SISTEMA IMUNE X TRANSPLANTE 
 
 
 
COMPLEXO DE HISTOCOMPATIBILIDADE (MHC) 
 
As moléculas MHC são proteínas presentes na membrana das APC que apresentam antígenos peptídicos 
para o reconhecimento pelos linfócitos T, o que caracteriza a primeira etapa nas respostas imunes mediadas 
pela célula T aos MO. 
 
ACEITAÇÃO OU REJEIÇÃO DO ENXERTO! 
 
Indivíduos que são idênticos no locus MHC (gêmeos idênticos) aceitarão os enxertos uns dos outros, e os 
indivíduos que diferem no locus do MHC rejeitarão esses enxertos! 
 
MHC 
 
O complexo principal de histocompatibilidade (MHC) é uma grande região encontrada na maioria das células 
que possui importante papel na resposta imune. 
As proteínas codificadas pelo MHC são expressas na membrana das células e apresenta tanto antígenos 
próprios (fragmentos de peptídeos da própria célula) e antígenos externos (fragmentos de microorganismos 
invasores) para células T que tem a capacidade de matar células infectadas ou com função prejudicada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPLEXO DE HISTOCOMPATIBILIDADE (MHC) 
 
O locus do MHC é uma coleção de genes encontrada em todos os mamíferos e inclui os genes que codificam 
o MHC e outras proteínas. 
Proteínas do MHC humano são chamadas de ANTÍGENOS LEUCOCITÁRIOS HUMANOS 
 
 
Em todas as espécies , o locus MHC contém dois conjuntos de genes polimórficos, chamados de genes do 
MHC de classe I e MHC de classe II. 
Contém também genes não polimórficos que codificam proteínas envolvidas na apresentação de antígenos 
(MHC de classe III). 
 
 
 
IMUNOLOGIA DOS TRANSPLANTES 
 
1. SINGÊNICOS: animais que são idênticos uns aos outros. 
2. ALOGÊNICOS: animais de uma espécie que difere de outros animais da mesma espécie. 
3. XENOGÊNICOS: animais de diferentes espécies. 
 
Os antígenos que servem como alvos de rejeição são chamados aloantígenos e xenoantígenos, e os 
anticorpos e células T que reagem contra esses antígenos são denominados alorreativos e xenorreativos, 
respectivamente. 
 
TIPOS DE TRANSPLANTES 
 
 
 
 
COMO O SISTEMA IMUNOLÓGICO REAGE CONTRA OS TRANSPLANTES ? 
 
Antígenos de Transplantes 
 
❖ Os antígenos de aloenxertos que servem como os alvos principais de rejeição são proteínas codificadas no 
MHC. 
❖ Os genes do MHC são altamente polimórficos, esses alelos podem ser herdados e expressos em 
praticamente qualquer combinação, por esse motivo, cada indivíduo pode expressar algumas proteínas do 
MHC que se diferenciam daqueles outros indivíduos e que se manifestam como estranhas ao SI de outro 
indivíduo, exceto no caso de gêmeos idênticos. 
❖ As respostas imunológicas aos antígenos de MHC em células de outros indivíduos é uma das respostas 
imunes mais fortes conhecidas. 
 
1. Células T maduras que têm alta afinidade pelas moléculas de MHC próprio, irão reconhecer os peptídeos 
estranhos expostos pelo MHC. 
 
 
 
 
2. Moléculas alogênicas do MHC contendo peptídeos derivados de células alogênicas assemelham-se a 
moléculas do MHC próprio mais peptídeos estranhos ligados. 
 
 
 
Uma simples célula alogênica do enxerto irá expressar milhares de moléculas de MHC, cada uma das quais 
pode ser reconhecida como estranha por células T do receptor. 
 
3. O complexo formado por moléculas alogênicas do MHC contendo peptídeos estranhos derivados de 
células alogênicas são reconhecidos pelas células T do receptor. 
 
 
 
Embora as proteínas do MHC sejam os principais antígenos que estimulam a rejeição do enxerto, outras 
proteínas também podem ter um papel na rejeição. 
Nome: ANTÍGENOS DE HISTOCOMPATIBILIDADE SECUNDÁRIA 
 
Definição: Proteínas celulares normais que diferem entre doador e receptor. 
 
Reações de rejeição: Não são tão fortes quanto as reações contra proteínas do MHC estranhas. 
 
Situações clínicas: Transfusão de sangue e transplante de células-tronco. 
 
INDUÇÃO DAS RESPOSTAS IMUNOLÓGICAS CONTRA TRANSPLANTES 
 
Células T no receptor podem reconhecer de diferentes maneiras aloantígenos do doador nos enxertos, 
dependendo de quais células no enxerto estão exibindo esses aloantígenos. 
 
Existem três tipos diferentes de reconhecimento: 
- Alorreconhecimento direto 
- Alorreconhecimento indireto 
- Reação linfocitária mista (MLR) 
 
Esses mecanismos de indução das respostas imunológicas das células T aos aloenxertos, assim como os 
tumores, exigem a coestimulação. 
 
Reconhecimento Direto 
 
Células T podem reconhecer as moléculas do MHC no enxerto exibidas por células dendríticas do doador no 
enxerto ou aloantígenos do enxerto podem ser processados e apresentados pelas células dendríticas do 
hospedeiro. 
Muitos tecidos contém células dendríticas, e quando os tecidos são transplantados, as células dendríticas são 
transportadas para o receptor do enxerto. Quando as células T no receptor reconhecem as moléculas 
alogênicas do MHC do doador nas células dendríticas do enxerto, as células T são ativadas, esse processo é 
chamado de RECONHECIMENTO DIRETO. 
 
 
 
Reconhecimento Indireto 
 
Os aloantígenos podem ser reconhecidos pelo receptor por uma via secundária, que é similar ao 
reconhecimento de qualquer antígeno estranho. 
Se as células do enxerto ou aloantígenos são englobados pelas células dendríticas do receptor, os 
aloantígenos do doador são processados e apresentados pelas moléculas do MHC próprio nas APC do 
receptor. Esse processo é chamado de RECONHECIMENTO INDIRETO. 
 
 
 
Reação Linfocitária Mista (MLR) 
 
Modelo in vitro de reconhecimento de antígenos: Células T de um indivíduo são cultivadas junto com 
leucócitos de outro indivíduo, e as respostas das células T são avaliadas. 
A magnitude dessa resposta é proporcional à extensão das diferenças de MHC entre esses indivíduos, e é 
uma previsão superficial dos resultados das trocas de enxerto entre esses indivíduos. 
 
MECANISMOS IMUNOLÓGICOS DE REJEIÇÃO DOS ENXERTOS 
 
A rejeição do enxerto é classificada como HIPERAGUDA, AGUDA E CRÔNICA, base nas características 
clínicase patológicas. 
Cada tipo de rejeição é mediado por um tipo particular de resposta imunológica. 
 
Rejeição Hiperaguda 
 
Este tipo de rejeição ocorre minutos após o transplante e é caracterizada pela trombose de vasos do enxerto 
e necrose isquêmica. 
Mediada por AC circulantes específicos para AG nas células endoteliais do enxerto (IgM naturais específicos 
para AG do grupo sanguíneo ou AC específicos para a s moléculas de MHC alogênicas, 
devido a gravidez, transfusão ou transplante de órgãos). 
 
Esse tipo de rejeição não é um problema para transplantes porque todo doador e receptor são testados para 
anticorpos contra as células de potenciais doadores (teste chamado de prova cruzada). 
Esse tipo de reação é uma barreira para o xenotransplante. 
 
Rejeição Hiperaguda 
 
Quase imediatamente após o transplante, os AC se ligam a AG no endotélio vascular do enxerto, ativam o 
sistema complemento e a coagulação, levando à lesão do endotélio e à formação do trombo. 
 
 
Rejeição Hiperaguda 
 
A falta de doadores de órgãos adequados pode ser solucionada pelo xenotransplante. 
 
Válvulas Biológicas: Há uma grande variedade de válvulas biológicas. Como por exemplo: Xenoenxerto – 
válvulas ou tecidos preservados retirados de animais, como, por exemplo, vaca ou porco. 
 
Rejeição hiperaguda pelos xenotransplantes: Os indivíduos contém AC que reagem com células de outras 
espécies, e as células do xenoenxerto não têm proteínas reguladoras que possam inibir a ativação do sistema 
complemento. 
Esses AC são chamados de AC NATURAIS porque sua produção não requer exposição prévia aos 
xenoantígenos. 
 
Rejeição Aguda 
 
Este tipo de rejeição ocorre dias ou semanas após o transplante devido a uma resposta imunológica ativa do 
hospedeiro estimulada pelos aloantígenos no enxerto, é a principal falha precoce do enxerto. 
 
Mediada por células T CD4 + (auxiliar) ou CD8 + (citotóxico) e AC específicos para os aloantígenos no 
enxerto. A lesão mediada pelo AC aos vasos do enxerto é provocada, principalmente, pela ativação do 
complemento pela via clássica. 
A terapia imunossupressora atual é planejada principalmente para evitar e reduzir a rejeição aguda ao 
bloquear a ativação das células T alorreativas. 
 
 
SISTEMA COMPLEMENTO 
 
 
 
 
Rejeição Aguda 
 
Dias ou semanas após o transplante, as células T podem ser CTL CD8+ que destroem diretamente as células 
do enxerto, ou células CD4+ que secretam citocinas e induzem a inflamação, que destrói o enxerto. As 
células T também podem reagir contra as células nos vasos do enxerto, levando ao dano vascular. 
 
 
Rejeição Crônica 
 
Este tipo de rejeição é decorrente da lesão do enxerto que ocorre por meses ou anos e leva à perda 
progressiva da função do enxerto. A rejeição crônica pode se manifestar como fibrose ou estenose gradual 
dos vasos do enxerto, chamada arteriosclerose do enxerto. 
Mediada por células T CD4+ (auxiliar) que reagem contra os aloantígenos do enxerto e secretam citocinas 
que estimulam a proliferação de fibroblastos e células musculares lisas no enxerto. 
 
*principal causa de falha nos enxertos 
 
 
 
PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA REJEIÇÃO DO ENXERTO 
 
A base da prevenção e do tratamento da rejeição de transplante de órgãos é a imunossupressão, 
desenvolvida primeiramente para inibir a ativação de células T e funções efetoras. 
Mais usados: Ciclosporina e Tacrolimo. 
 
Todos esses fármacos imunossupressores apresentam o problema da imunossupressão inespecífica, 
portanto, os pacientes tratados com esses fármacos como parte de seu regime pós-transplante tornam-se 
suscetíveis a infecções e têm uma incidência aumentada de neoplasias, especialmente tumores causados por 
vírus. 
 
O casamento de alelos HLA do doador e do receptor por tipagem tecidual teve um importante papel na 
minimização da rejeição ao enxerto. 
Embora a combinação do MHC seja essencial para o sucesso do transplante de alguns tipos de tecido (ex: 
enxertos alogênicos de medula óssea) e melhore a sobrevida de alguns outros tipos de enxertos (ex: 
aloenxertos renais), a imunossupressão é tão eficaz que a combinação do HLA não é considerada necessária 
para muitos tipos de transplante de órgãos (ex: coração). 
 
IMPORTÂNCIA: O número de doadores é limitado e os receptores muitas vezes estão muito doentes para 
aguardar a disponibilidade de órgãos bem combinados! 
INDUZIR TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA PARA ALOANTÍGENOS DE ENXERTOS! 
 
 
TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA 
 
É a falta de resposta aos antígenos que são induzidos pela exposição dos linfócitos a esses antígenos. 
 
AG não-próprios: são considerados imunogênicos – podem ativar linfócitos para que proliferem e se 
diferenciam em células efetoras e células de memória, levando a uma resposta imune produtiva. 
 
AG próprios: são considerados tolerogênicos – podem inativar linfócitos ou eliminá-los, resultando na 
tolerância. 
 
Os antígenos próprios normalmente induzem tolerância, e a falha da autotolerância é a causa principal de 
doenças autoimunes. 
 
Por outro lado, a indução da tolerância para um AG particular é capaz de controlar as reações imunes 
indesejáveis (doenças alérgicas ou autoimunes e prevenir a rejeição em transplantes de órgãos). 
 
 
RESPOSTAS IMUNOLÓGICAS CONTRA TUMORES 
 
 
O QUE É O CÂNCER? 
 
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o 
crescimento desordenado de células , que invadem tecidos e órgãos (METÁSTASES) . Dividindo - 
se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a 
formação de tumores malignos, que podem espalhar - se para outras regiões do corpo . 
 
CÉLULAS NORMAIS x CÉLULAS TUMORAIS 
 
 
 
METÁSTASES 
 
 
 
TUMORES BENIGNOS x TUMORES MALIGNOS 
 
 
 
 
 
umas das principais causas de morte por câncer é a formação de metástases! 
 
QUAIS AS PRINCIPAIS CAUSAS? 
 
As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo , estando 
inter - relacionadas . As causas externas referem - se ao meio ambiente e aos hábitos ou 
costumes próprios de uma sociedade . As causas internas são, na maioria 
das vezes, geneticamente pré - determinadas, e estão ligadas à capacidade do organismo de 
se defender das agressões externas . 
 
RELAÇÃO ENTRE FATORES EXTERNOS E A OCORRÊNCIA DO CÂNCER 
 
 
 
 
RELAÇÃO ENTRE FATORES INTERNOS E A OCORRÊNCIA DO CÂNCER 
 
A origem do câncer está relacionada com mutações genéticas : 
- 5 % mutações hereditárias 
- 95 % mutações adquiridas 
 
BRCA1 e BRCA2 - Os genes BRCA1 e BRCA2 produzem proteínas que reparam o DNA danificado e agem 
como supressores de tumores, ajudando a regular a divisão celular para prevenir o crescimento 
descontrolado e o câncer 
 
 
 
 
SISTEMA IMUNOLÓGICO 
 
No câncer é amplamente reconhecido que o aperfeiçoamento do sistema imunológico contra os 
tumores é um procedimento promissor para o tratamento . 
 
MECANISMO PRINCIPAL : pelo qual o SI elimina células tumorais e as células dos 
transplantes teciduais é por meio de linfócitos T citotóxicos (CTL) . 
 
 
Linfócitos T CD4 ligam - se a MHC classe II( células dendríticas , macrófagos , fagócitos e 
Linfócitos B) 
Linfócitos T CD8 + (citotóxicas) ligam - se a MHC classe I( células infectadas ) . -> 1° a ser reconhecida -> 
elimina qualquer célula infectada/defeituosa 
 
 
O controle e a eliminação das células tumorais pelo SI são chamados de VIGILÂNCIA 
IMUNOLÓGICA . 
 
SISTEMA IMUNE X TUMOR 
 
Um requisito para a aceitação da hipótese de que o papel do sistema imune no 
desenvolvimento do tumor é mediado pelos Linfócitos T citotóxicos ... seria a observação 
experimental de que animais imunodeficientesapresentam incidência maior de neoplasias . 
 
 
 
 
 
COMO O SISTEMA IMUNOLÓGICO REAGE CONTRA OS TUMORES ? 
 
Antígenos Tumorais 
 
❖ Tumores expressam antígenos que são reconhecidos como estranhos (não próprios) pelo 
sistema imunológico daquele indivíduo . 
❖ Tumores comuns armazenam um grande número de mutações em diversos genes alterados, 
e os produtos desses genes alterados podem funcionar como antígenos tumorais (produto de 
oncogene ou gene supressor de tumor mutado, proteína própria 
super expressa ou vírus oncogênico) . 
 
Estes antígenos podem ser divididos em: 
 
1. TSA ( Tumor specific antigens ) - únicos da célula tumoral e possuem epítopos capazes de serem 
reconhecidos pelas CTLs. Esses antígenos são identificados através do uso de anticorpos monoclonais. 
 
 São produtos de oncogenes que sofreram mutação ou genes supressores de tumores que 
estão envolvidos no processo de transformação maligna, chamada mutação condutora . Algumas 
mutações podem resultar de defeitos no reparo do DNA – comuns em câncer . 
 
 
 
 
2 . TATAs ( Tumor associated antigens ) – Proteínas normais (não mutadas) com expressão 
limitada em tecidos, que são expressas aberrantemente em tumores . Exemplo : Tirosinase 
 
células localizadas na camada inferior da epiderme 
 
 
 
 
3 . Antígenos Virais - DNA e RNA viral oncogênico codificam para antígenos virais expressos 
pelo tumor e induzidos por vírus . 
 
Exemplo: HPV (papiloma vírus humano) 
No pequeno número de casos nos quais a infecção persiste e, especialmente, é causada por 
um tipo viral oncogênico (com potencial para causar câncer), pode ocorrer o desenvolvimento de 
lesões precursoras, que se não forem identificadas e tratadas podem progredir para o câncer, 
principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca . 
 
vacinação 
 
 
 
 
 
 
 
MECANISMOS IMUNOLÓGICOS DE REJEIÇÃO TUMORAL (ANTITUMORAL) 
 
A maioria dos antígenos tumorais que provoca respostas imunológicas em indivíduos portadores 
de tumor é de proteínas sintetizadas de maneira endógena que são apresentados como 
peptídeos associados ao MHC de classe I reconhecidos por LT CD8, 
cuja função é a eliminação de células que produzem antígenos estranhos ao organismo . 
 
 
 
 
As células tumorais são capazes de apresentar peptídeos associados ao MHC de classe I 
(porque todas as células nucleadas expressam MHC de classe I) . Mas a ativação das células 
T CD8 + virgens para proliferação e diferenciação requer não apenas o reconhecimento do 
antígeno pelo MHC de classe I . Mas também coestimulação de células 
T CD 4 + . 
 
 
 
Quando um tipo de célula (célula dendrítica ) apresenta antígenos de outra célula (célula 
tumoral) e ativa os linfócitos T CD8 + específicos para um segundo tipo de célula, o 
processo recebe o nome de APRESENTAÇÃO CRUZADA! 
 
 
 
 
UMA VEZ QUE AS CÉLULAS T VIRGENS SE DIFERENCIAM EM CTL EFETORES, 
ELAS SE TORNAM CAPAZES DE EXTERMINAR CÉLULAS QUE EXPRESSAM ANTÍGENOS SEM A 
NECESSIDADE DA COESTIMULAÇÃO . 
 
O fato dos tumores malignos se desenvolverem em indivíduos imunocompetentes indica que o sistema 
imunológico é, muitas vezes, incapaz de evitar o crescimento do tumor ou é facilmente sobrepujado por 
tumores de crescimento rápido! 
 
EVASÃO DA RESPOSTA IMUNE PELOS TUMORES 
 
As respostas imunes falham em verificar o crescimento tumoral, porque os tumores evoluem 
no hospedeiro para escapar do reconhecimento imunológico ou resistir aos mecanismos efetores 
imunológicos . 
1. Alguns tumores param de expressar antígenos que são alvos do ataque imunológico . Esses 
tumores são chamados de VARIANTES COM PERDA DE ANTÍGENOS 
 
AS CÉLULAS VARIANTES CONTINUAM A CRESCER E SE ESPALHAR! 
 
EVASÃO DA RESPOSTA IMUNE PELOS TUMORES 
 
2 . A expressão do MHC I poderá ser regulado negativamente nas células 
tumorais de modo que não possa ser reconhecida pelos CTLs (linfócitos T CD8 +) 
 
O Interferon gama é responsável por estimular a expressão do complexo principal de 
histocompatibilidade (MHC) 
 
MHC 
 
O complexo principal de histocompatibilidade (MHC) é uma grande região genômica encontrada 
na maioria das células que possui importante papel na resposta imune . 
As proteínas codificadas pelo MHC são expressas na membrana das células e apresenta tanto 
antígenos próprios (fragmentos de peptídeos da própria célula) e antígenos externos (fragmentos 
de microorganismos invasores) para células T que tem a capacidade de matar 
células infectadas ou com função prejudicada . 
 
 
 
EVASÃO DA RESPOSTA IMUNE PELOS TUMORES 
 
3 . Tumores expressam ligantes para os receptores inibitórios da célula T . 
Alguns tumores podem induzir as células T reguladoras, que também 
suprimem as respostas imunológicas antitumorais . 
 
 
 
 
como o tumor evade? 
 
ABORDAGENS IMUNOLÓGICAS PARA A TERAPIA DO CÂNCER 
 
A principal razão para o interesse na abordagem imunológica é que as terapias atuais para 
o câncer baseiam - se em drogas que matam as células em divisão ou bloqueiam a divisão 
das células, e essas terapias exercem severos efeitos sobre as células normais que estão 
proliferando nos pacientes de câncer . 
 
ABORDAGENS TERAPÊUTICAS : 
- Quimioterapia 
- Radioterapia 
 
IMUNOTERAPIA 
 
As respostas imunes aos tumores deverão ser específicas para os antígenos 
tumorais e não deverão lesar a maioria das células normais . 
Por isso, a IMUNOTERAPIA tem o potencial de ser o tratamento mais específico para os 
tumores . 
 
1. Imunização passiva : em que efetores imunológicos são injetados em pacientes com câncer . 
Linfócitos T podem ser isolados do sangue ou de infiltrados tumorais do paciente, expandidos 
por cultura e injetados de volta no mesmo paciente . 
 
 
 
As respostas imunes aos tumores podem ser estimuladas pela administração local de 
substâncias anti - inflamatórias ou pelo tratamento sistêmico com agentes que atuam como 
ativadores dos linfócitos . 
 
Terapia Celular: A imunoterapia celular consiste em cultivar células imunes que tenham atividade 
antitumoral e injetá - las em um hospedeiro portador de tumor . 
 
 
2 . Imunidade ativa contra tumores : vacinar os pacientes com as próprias células tumorais ou 
os antígenos dessas células . Exemplo : retirada de células dendríticas de indivíduos, é realizada 
a exposição dessas células à células tumorais ou aos antígenos e o uso dessas células 
como vacinas, gerando CTL contra as células tumorais . 
Assim, os tumores causados por vírus oncogênicos podem ser prevenidos com a vacinação 
contra esses vírus . Exemplo : vírus da Hepatite B (a causa de uma forma comum de câncer 
de fígado) e o HPV (a causa de câncer cervical) .3 . Imunidade ativa reforçada : impulsionar as respostas imunológicas do hospedeiro contra os 
tumores ao bloquear sinais inibitórios normais para os linfócitos, removendo assim, os freios na 
resposta imunológica . 
Exemplo : Tratar pacientes com citocinas que promovem a ativação linfocitária (IL - 2 ) . 
 
 
 
Terapia com anticorpos antitumorais 
 
Os anticorpos antitumorais erradicam os tumores pelos mesmos mecanismos efetores que são 
usados para erradicar microrganismos : opsonização e fagocitose, ativação do complemento . 
Os anticorpos monoclonais tumor - específicos podem ser conjugados a moléculas, a 
radioisótopos e a drogas antitumorais para promover a liberação desses agentes citotóxicos 
especificamente no tumor . 
 
 
 
Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa 
 
Reação Ag -Ac in vitro 
 
Uso de soro ou outros fluidos biológicos de paciente para diagnóstico laboratorial 
 
*soro é preferido porque é mais estável 
 
Testes sorológicos 
 
Reação Ag Ac in vitro 
 
Demonstração de anticorpos específicos = diagnóstico presuntivo (indireto) → Ac 
 
Demonstração de agente infeccioso ou antígeno do agente = diagnóstico direto —> Ag (tipagem sanguínea 
na lâmina) 
 
Anticorpo 
 
Moléculas secretadas pelas células B em resposta a um imunógeno (RIH) 
 
 
 
Antígeno/Epítopo 
 
Antígenos moléculas reconhecidas pelo sistema imune. 
 
Epítopos ou determinantes antigênicos são sítios nos antígenos aos quais os receptores de antígenos 
reconhecem/ligam 
 
 
 
Interação Ag Ac: Conceito Inicial 
 
É uma associação bimolecular semelhante à interação de enzimas com seus substratos ou de hormônios com 
seus receptores, com uma distinção bem evidente o Ac não provoca nenhuma alteração química irreversível 
na molécula de Ag, podendo, portanto, o produto formado (Ag Ac) se dissociar nos seus 2 componentes isto 
é, Ag e Ac livres na solução 
 
Ag + Ac —> AgAc (imunocomplexos) 
 
Forças de ligação envolvidas nas reações: 
 
Conjunto de reações fracas que estabilizam a ligação entre moléculas de antígenos e de anticorpos: 
 
● Pontes de hidrogênio 
● Ligações iônicas 
● Forças hidrofóbicas 
● Forças de Van der Waals 
 
 
 
 
Afinidade 
 
 
 
 
 
Ac de baixa afinidade ligam se de modo fraco e tendem a se dissociar com facilidade Ac de alta afinidade 
estabelecem ligações fortes e mais duradouras 
 
 
 
 
 
 
Em geral quanto maior a avidez, melhor seu efeito biológico final (ex: reconhecimento de Ag complexos sobre 
a superfície dos patógenos A baixa afinidade de um Ac pode ser compensada por sua elevada avidez 
 
Especificidade 
 
é a habilidade do anticorpo em distinguir seu imunógeno de outros antígenos 
 
● conceito de chave e fechadura 
 
sempre que tiver excesso de anticorpo em relação ao antígeno: pré zona ou pró zona de equilíbrio (efeito 
prozona) 
muito antígeno: pós zona 
 
Equilíbrio de ação de Ag e Ac 
 
 
Fatores que afetam as Reações Ag/Ac 
 
 
 
Fatores que interferem na ligação entre Ag e Ac 
 
Concentração dos anticorpos (equilíbrio entre concentração de Ag e Ac) 
pH do meio de reação: pH ácido=desfaz reação 
Temperatura de reação: em geral o aumento de temperatura torna a reação mais rápida. 
Cuidado: não deixar desnaturar os componentes da reação. Reações com complemento devem ser à baixa 
temperatura. 
Tempo de reação: Quanto maior o tempo, mais fortes as ligações Ag Ac e maior a probabilidade 
de dar reação positiva. Algumas reações ocorrem em minutos, outros requerem muitas horas. Em 
geral dependem da quantidade de reagentes usados na reação. 
 
Título🔥 
 
Título de uma soro ou solução de anticorpos (Igs), refere se à máxima diluição na qual um 
teste continuando dando reação positiva. 
Por exemplo, quando dizemos que um soro deu título de 1:5000 para toxoplasmose, significa que 
mesmo diluindo se a amostra 5000 vezes, a mesmo diluindo se a amostra 5000 vezes, a reação continua 
positiva. 
Uma mesma amostra pode ter título de 1:100 em um tipo de teste (por exemplo no teste de precipitação) e 
título de 1:10.000 em outro teste (por exemplo ELISA). Isso dependerá do limiar de detecção de cada ensaio. 
 
Teste de referência 
 
Teste já conhecido e usado para um determinado propósito, com o qual uma nova metodologia deve ser 
comparada durante sua padronização. São chamados também de padrão ouro. 
Por exemplo, qualquer teste sorológico proposto para o diagnóstico da doença de Chagas, deve ser 
comparado com o xenodiagnóstico, baseado na demonstração de que o paciente tem o parasita circulante. 
 
Sensibilidade de um teste sorológico 🔥 
 
A sensibilidade de um teste sorológico refere-se à percentagem de resultados positivos na população 
sabidamente doente, isto é, a proporção de resultados positivos verdadeiros. 
Resultado falso positivo = refere se a reações positivas em indivíduos sabidamente sadios 
O termo sensibilidade é também usado para definir o limiar de detecção de um método, isto é a quantidade 
mínima de Ac detectável. 
 
Especificidade de um teste sorológico 
 
A especificidade é definida pela percentagem de resultados negativos em pacientes sabidamente sadios, isto 
é, à proporção de resultados negativos verdadeiros. 
Resultados falso negativos : corresponde às reações negativas em pacientes sabidamente doentes. 
 
resumindo: um teste com alta especificidade fornece poucos dados falso positivos 
 
Reação - cruzada 
 
Uma reação cruzada é resultado da similaridade tridimensional entre duas moléculas de antígenos diferentes 
moléculas de antígenos diferentes 
 
Assim, um Ac gerado contra uma das moléculas pode reagir com a outra, ainda que sua afinidade seja mais 
baixa. Um exemplo prático das reações cruzadas é a que se observa entre alguns anticorpos 
contra leishmania que reagem cruzadamente com antígenos de tripanossomas 
 
Reatividade cruzada 
 
 
 
 
 
Precisão 
 
Expressa a concordância dos resultados obtidos após várias repetições e traduz a 
possibilidade de erro acidental do método. 
Quanto maior a precisão do teste, menor a influência que sofre das condições de influência 
que sofre das condições de execução (temperatura, pH, manuseio,tempo, etc) 
 
Exatidão ou acurácia 
 
Determina a capacidade do teste em fornecer resultados muito próximos ao verdadeiro valor 
do que está sendo medido. Detecta erro do sistema ou tendência de desvio. 
 
Reprodutibilidade 
 
Refere se à obtenção de resultados iguais em testes realizados com a mesma amostra, por pessoas 
diferentes em locais diferentes 
 
Limiar de reatividade (“cut off”) 
 
O limiar de reatividade ou cut off de um teste é entendido como o ponto de corte de um teste, isto é, o valor 
acima do qual se deverá considerar o resultado como positivo. 
 
 
 
IMUNODIAGNÓSTICO 
 
Diagnóstico laboratorial realizado por meio de técnicas imunológicas. 
 
Busca Anticorpo ou Antígeno no organismo vertebrado suspeito de estar infectado usando ensaios reações 
sorológicas 
 
ENSAIOS SOROLÓGICOS 
 
Primários: detectam a interação direta entre antígeno e anticorpo Ex: Radioimunoensaio, Imunofluorescência, 
ELISA 
Secundários detectam conseqüências da interação entre antígeno e anticorpo mudanças no estado físico do 
antígeno Imunodifusão, Aglutinação, Precipitação, Fixação de Complemento 
 
 
 
•Todos os testes baseados nas reações Ag/Ac dependerão da formação de rede ou eles 
terão de utilizar outras vias para detectar pequenos complexos imunes 
• Todos testes baseados nas reações Ag/Ac podem ser usados para detectar o Ag ou Ac 
 
Testes de Aglutinação: qualitativo ou quantitativo 
 
Existem Vários Tipos: 
a)Hemaglutinação de Eritrócitos 
b)Aglutinação Bacteriana 
c)Aglutinação Passiva 
d)Inibição da Aglutinação ( Hemaglutinação HI) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGLUTINAÇÃO PASSIVA 
 
 
 
AGLUTINAÇÃO INDIRETA PASSIVA 
 
Ag solúveis associados a outras superfícies (Partículas de látex ou superfície de hemácias)Exemplo: Hemaglutinação Passiva para a Doença de Chagas: 
 
•As hemácias são revestidas com Ag do T. cruzi (ligação covalente) e então distribuídas nos poços da placa. 
• O soro teste e os controles positivos e negativos, devidamente diluídos, são adicionados aos poços da 
referida placa. 
• Se houver Ac específico contra o Ag, as hemácias se aglutinam e formam uma camada no fundo do poço. 
Quando não existe Ac específico, as células formam um botão no fundo do poço. 
 
INIBIÇÃO DA AGLUTINAÇÃO 
 
 
Resultado negativo(ausência de hCG na urina) 
Ocorre aglutinação, pois os anticorpos anti hCG não são bloqueados na incubação inicial, porque não havia o 
hormônio na urina. 
Livres, podem aglutinar as partículas revestidas de hCG. 
 
Aglutinação Bacteriana 
 
-As infecções bacterianas frequentemente induzem a produção de Acs séricos específicos para Ags de 
superfície das bactérias. 
-A presença de tais Acs pode ser detectada pelas reações de aglutinação bacteriana. 
- Os títulos dos Acs séricos de um indivíduo suspeito é definido como a recíproca da maior diluição do soro 
que produz uma reação positiva de aglutinação. 
- O título aglutinante de um soro pode ser usado para o diagnóstico de infecções bacterianas. 
 
 
 
Testes de Precipitação 
 
-Formação de rede 
-Tipo de Ags: Macromoléculas Solúveis 
-Principais Acs envolvidos: IgG* e IgM 
-Formação de Precipitado dos Imunocomplexos 
-Maior formação de precipitado de imunocomplexos na zona de equivalência entre as concentrações de Ag e 
de Ac 
 
Reações de Precipitação 
 
-Acs e Ags em soluções aquosas formam uma rede/malha Precipitação 
 
A formação da rede requer: 
1)Acs polivalentes 
2)Ags devem ser bivalentes polivalentes 
 
 
 
Curva de precipitação 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE DIFUSÃO EM GEL 
 
IMUNODIFUSÃO 
 
 
 
•As soluções sofrem difusão e, quando o Ag e o Ac se encontram em zona de equivalência se observa a 
reação pela formação de uma linha de precipitação 
• Pode ser visualizada pós lavagem do gel para remoção das proteínas solúveis, por coloração dos arcos de 
precipitação com corante 
 
Utilização: muito usada em pesquisa e diagnóstico de algumas doenças, como cisticercose

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