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Afecções Cirúrgicas do Trato Respiratório O trato respiratório divide-se em superior (narinas, cavidade nasal, nasofaringe, laringe e traqueia cervical) e inferior (traqueia intratorácica, brônquios e pulmões). As principais afecções tratáveis cirurgicamente estão associadas a alterações anatômicas, geralmente congênitas ou adquiridas. Trato Respiratório Superior Estenose das Narinas • Definição: Abertura nasal anormalmente estreita, causando colapso das cartilagens alares. • Etiologia: Congênita, comum em raças braquicefálicas. • Sinais Clínicos: Dispneia inspiratória, ruídos respiratórios, engasgos, cianose e intolerância ao exercício. • Diagnóstico: Exame físico e radiografia para avaliar estruturas associadas (palato mole e traqueia). • Tratamento: o Médico: Controle de peso, sedação e oxigenoterapia. o Cirúrgico: Ressecção tecidual em cunha para alargamento das narinas, frequentemente associada ao tratamento de outras alterações da síndrome braquicefálica. Referência: Fasanella et al. (2010) relatam que a correção cirúrgica melhora significativamente a qualidade de vida dos cães braquicefálicos. Alongamento de Palato Mole • Definição: Extensão do palato além da margem caudal da epiglote, obstruindo a nasofaringe. • Etiologia: Congênita, muito prevalente em braquicefálicos. • Sinais Clínicos: Estridor, engasgos, vômito, cianose e agravamento com estresse e calor. • Diagnóstico: Exame físico sob sedação/anestesia e, ocasionalmente, radiografia torácica. • Tratamento: o Médico: Controle de peso, restrição de exercícios e oxigenoterapia. o Cirúrgico: Ressecção do excesso do palato com bisturi ou tesoura; pós- operatório exige dieta pastosa fria e monitoramento para edema. Referência: According to Torrez & Hunt (2006), a intervenção precoce reduz o risco de pneumonia aspirativa e insuficiência respiratória crônica. Eversão dos Sacos Laringianos • Definição: Prolapso da mucosa das criptas laringianas, aumentando a resistência ao fluxo aéreo. • Predisposição: Raças braquicefálicas. • Sinais Clínicos: Estridor inspiratório, desconforto respiratório e ruído intenso. • Diagnóstico: Visualização direta da laringe sob anestesia. • Tratamento: o Associado à correção da estenose de narinas e alongamento do palato. o Ressecção dos sacos evertidos. Referência: Koch et al. (2003) destacam que a eversão é um sinal de progressão da obstrução respiratória crônica em braquicefálicos. Paralisia de Laringe • Definição: Falha na abdução das cartilagens aritenoides, gerando obstrução na inspiração. • Etiologia: Idiopática, neurogênica ou traumática. Frequente em cães de grande porte, principalmente labradores. • Sinais Clínicos: Estridor, alteração vocal, dispneia progressiva, intolerância ao exercício, hipertermia. • Diagnóstico: Exame físico, radiografia torácica, laringoscopia e endoscopia. • Tratamento: o Médico: Redução de peso, sedação, controle de desconforto agudo. o Cirúrgico: Lateralização unilateral da cartilagem aritenoide (técnica de tie- back). Referência: MacPhail (2020) afirma que o tie-back melhora a função respiratória, mas pode predispor à aspiração e pneumonia. Colapso de Traqueia • Definição: Obstrução dinâmica da traqueia por flacidez e achatamento dorsal das cartilagens. • Etiologia: Degeneração de glicoproteínas e glicosaminoglicanas da cartilagem. • Predisposição: Raças pequenas (Poodle, Yorkshire, Spitz) — idade média de 1 a 5 anos. • Sinais Clínicos: Tosse em "ganso", engasgos, dispneia, agravamento com estresse, calor e obesidade. • Diagnóstico: Radiografia (60% sensível), fluoroscopia e traqueoscopia. • Tratamento: o Médico: Controle de peso, broncodilatadores, antitussígenos, antibióticos (se infecção). o Cirúrgico: Colocação de anéis externos de polipropileno ou stent intraluminal. Referência: White et al. (2011) mostram que o uso de stents melhora a qualidade de vida, mas pode apresentar complicações como migração e formação de granulação. Trato Respiratório Inferior Toracotomia • Indicação: Acesso cirúrgico ao tórax para abordagem de pulmões, coração, esôfago, traqueia intratorácica. • Técnica: Incisão intercostal, dissecção muscular e abertura da pleura com uso de afastadores. Lobectomia Pulmonar • Indicação: Lesões pulmonares localizadas (neoplasias, abscessos, torsões). • Tipos: o Parcial: Ressecção de segmentos. o Total: Ligadura de artéria, veia e brônquio do lobo afetado. Referência: Brisson (2013) recomenda o uso de técnicas de sutura segura para minimizar risco de pneumotórax e vazamentos. Hérnia Diafragmática Traumática • Definição: Ruptura do diafragma com migração de órgãos abdominais para o tórax. • Etiologia: Trauma (atropelamento, quedas). • Sinais Clínicos: Dispneia, desconforto respiratório, em casos crônicos pode ser assintomática. • Diagnóstico: Radiografia torácica. • Tratamento: o Médico: Estabilização com oxigenoterapia, decúbito esternal. o Cirúrgico: Redução dos órgãos, sutura do defeito diafragmático, remoção do ar pleural. Referência: Gibson et al. (2005) relatam que a mortalidade é elevada se o paciente não for estabilizado antes da cirurgia. Cirurgias do Trato Reprodutivo em Pequenos Animais Sistema Reprodutivo Feminino Neoplasias Mamárias • Incidência: o Cadelas: 50% são malignas. o Gatas: 90% são malignas. • Disseminação: Via linfática para pulmões, fígado, rins, coração, cérebro, ossos e pele. • Fatores: Hormônio-dependente (presença de receptores de estrogênio e progesterona), uso de progestágenos, nuliparidade. • Tipos: Adenocarcinoma, carcinoma inflamatório, sarcoma. Diagnóstico: • Exame físico (massa, linfonodomegalia, ulceração). • Radiografia e ultrassonografia (avaliação de metástases). • Citologia (limitada) e histopatologia (essencial). • Imuno-histoquímica. Tratamento Cirúrgico: • Técnicas: o Lumpectomia. o Mastectomia simples, regional, unilateral ou bilateral. • Recomendação: Ovariohisterectomia (OHE) anterior à mastectomia pode reduzir risco de disseminação. • Prognóstico: o Tumores 3 cm: sobrevida reduzida (em gatas, sobrevida média de 6 meses). Referência: Cassali et al. (2014) reforçam que a castração precoce reduz em até 99% o risco de neoplasias mamárias em cadelas e em até 91% nas gatas. Neoplasias Uterinas • Tipos: Leiomioma (benigno), leiomiossarcoma e adenocarcinoma (malignos). • Raras: Mais associadas a hiperplasia endometrial cística e piometra. • Sinais: Corrimento vaginal, distensão abdominal, compressão de órgãos (cólon e bexiga). Diagnóstico: • Ultrassonografia, vaginoscopia e biópsia. • Radiografia torácica para metástase (raro). Tratamento: Ovariohisterectomia (OHE). • Prognóstico: Excelente quando benigno. Piometra • Definição: Infecção uterina com acúmulo de exsudato purulento. • Fisiopatologia: Relacionada à hiperplasia endometrial cística, ação da progesterona e colonização bacteriana (principalmente Escherichia coli). • Formas: Cérvix aberta (corrimento) ou fechada (mais grave). Diagnóstico: • Ultrassonografia (útero dilatado e com conteúdo). • Hemograma (neutrofilia com desvio à esquerda). • Citologia vaginal e cultura. Tratamento: • Cirúrgico: Ovariohisterectomia (definitivo). • Médico: Apenas para reprodução futura, com alto risco de recorrência. Referência: Bigliardi et al. (2004) demonstram que o risco de septicemia é significativamente maior nas piometras de cérvix fechada. Prolapso e Hiperplasia Vaginal • Fatores: Estimulação estrogênica no proestro ou estro. • Prolapso: Protrusão circular (360°) da mucosa vaginal. • Hiperplasia: Massa de tecido mucoso sem protrusão completa. Tratamento: •Médico: Casos leves e não circulares. • Cirúrgico: OHE e, se necessário, episiotomia e ressecção de tecido necrosado. Prolapso Uterino • Ocorre: Durante ou após o parto. • Tratamento: Redução via celiotomia + OHE. Sistema Reprodutivo Masculino Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) • Frequente: Cães inteiros, >8 anos. • Causa: Dependente de andrógenos. • Sinais: Tenesmo, constipação, alteração na forma das fezes, disúria. Tratamento: • Médico: Finasterida (bloqueia diidrotestosterona). • Cirúrgico: Orquiectomia (definitivo); prostatectomia subtotal em casos especiais. Abscessos Prostáticos e Prostatite • Origem: Ascendente (infecção urinária) ou hematógena. • Sinais: Febre, dor à palpação, hematúria, poliúria, sepse (em casos de ruptura). Diagnóstico: • Ultrassom (cavidades anecoicas). • Hemograma (leucocitose). • Cultura e antibiograma. Tratamento: • Antibióticoterapia, drenagem do abscesso e orquiectomia. • Prostatectomia subtotal nos casos refratários. Cistos Prostáticos • Característica: Cavidade não séptica com fluido. • Risco: Pode evoluir para abscessos. • Tratamento: Igual ao da HPB ou abscessos prostáticos. Neoplasias Prostáticas • Tipos: Carcinoma, leiomiossarcoma, hemangiossarcoma. • Frequente: Cães machos castrados — não hormônio-dependente. • Prognóstico: Ruim, com metástases frequentes (pulmões, ossos, linfonodos). Neoplasias Testiculares e Escrotais • Mais comuns: Sertolioma, seminoma e tumor de células de Leydig. • Risco: 13,6x maior em animais criptorquidas. • Complicações: Feminização por hiperestrogenismo (alopecia, ginecomastia, anemia). Diagnóstico: • Ultrassom escrotal e abdominal. • Citologia aspirativa. Tratamento: • Orquiectomia bilateral. • Ablação escrotal se tumor acomete tecido escrotal. • Mastocitoma: remoção com margem de 3 cm. Hérnias Abdominais e Escrotais Hérnias Umbilicais • Etiologia: Congênita, ligada à falha na embriogênese (defeito hereditário). • Risco: Estrangulamento intestinal. • Tratamento: Cirúrgico, geralmente após completar esquema vacinal. Hérnias Inguinais, Escrotais e Femurais • Etiologia: Congênita ou traumática. • Hérnia Inguinal: Mais comum em fêmeas. • Hérnia Escrotal: Protrusão adjacente ao cordão espermático. • Hérnia Femural: Mais rara, facilmente confundida com inguinal. Tratamento: Correção cirúrgica, recomendando castração para evitar transmissão genética. – Introdução • Urolitíases, traumas e neoplasias • Transplante renal ainda não representa uma realidade rotineira o Em felinos: resultados excelentes na literatura mundial o Em cães: inexistência de protocolos de imunossupressão eficazes, o transplante renal ainda não é uma realidade mundial, sendo realizado em condições específicas. – Cálculos Renais e Ureterais Fisiopatologia • 5 a 10% dos urólitos caninos, em gatos menos comum • Urólitos de estruvita mais comuns • Oxalato de cálcio • Urato • Silicato • Cistina • Mistos – Fatores de formação de urólitos • pH urinário • Infecção • Alta concentração de cristalóides na urina • Diminuição na concentração urinária de inibidores de cristalização – Fatores predisponentes • Raças com anormalidades metabólicas ou processos patológicos subjacentes: o Schnauzer miniatura, Shih tzu, Lhasa apso, Yorkshire terrier e Pug (fêmea) o Dálmata e Basset Hound (macho) Fatores predisponentes adicionais • Cães pequenos: fêmeas > machos • Idade: meia-idade a idosos • Exceção: o Uratos associados a desvio portossistêmico o Estruvita em Schnauzers Anamnese • Histórico depende de obstrução ou infecção • Sinais intermitentes — ATB (antibiótico) • Histórico anterior de urolitíase • Análise dos cálculos não realizada • Não instituição da terapia apropriada Exame físico • Assintomáticos • Hematúria (gatos) • Pielonefrite: poliúria, polidipsia, letargia, depressão, febre e anorexia • Destruição renal/obstrução: uremia • Cistite: disúria ou estrangúria Diagnóstico Radiografia: • Achados acidentais • Maioria dos cálculos é radiopaca • Avaliar ureteres, bexiga e uretra I. Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) • Complicações: o Insuficiência Renal o Hemorragia o Extravasamento urinário o Estenose ureteral II. Neoplasias Renais e Ureterais • Tipos de Neoplasias: o Nefroblastomas: ▪ Maligno de desenvolvimento rápido ▪ Surgem de elementos embrionários renais o Adenomiossarcomas embrionários o Nefromas o Tumores de Wilms • Fisiopatologia: o Tumores primários são incomuns em cães e gatos. o São malignos. o Em gatos: Linfoma (primário ou secundário). o Em Pastores Alemães: Dermatofibrose associada a cistoadenocarcinomas renais. o 30% de acometimento renal bilateral. o Metástases: ▪ Locais comuns: Fígado, glândulas adrenais, pulmões, linfonodos, ossos e cérebro. ▪ 50% de metástase pulmonar. ▪ Metástases renais de outros tumores são comuns. • Fatores Predisponentes: o Carcinomas Renais: ▪ Mais comuns em machos que fêmeas. ▪ Idade: Meia-idade a idosos. o Pastor Alemão: ▪ Cistoadenocarcinoma: ▪ Meia-idade, qualquer sexo. ▪ Herdada (autossômica dominante). o Nefroblastomas e Sarcomas Renais: ▪ Animais jovens. • Anamnese (História Clínica): o História vaga e inespecífica. o Sinais clínicos comuns: ▪ Anorexia ▪ Depressão ▪ Perda de peso ▪ Aumento do tamanho abdominal (massa renal) ▪ Dispneia (pode indicar metástase) ▪ Hematúria (se houver hemangiomas ou outras causas de sangramento) • Exame Físico: o Frequentemente massas palpáveis. o Rim aumentado, firme e nodular. o Achados inespecíficos: Claudicação (pode indicar metástase óssea). • Diagnóstico: o Radiografia: ▪ Aumento do tamanho renal. ▪ Avaliação do tórax para metástases. o Ultrassonografia: ▪ Mais específica e sensível. o Exames Laboratoriais (Inespecíficos): ▪ Azotemia e anemia. ▪ Hemograma. ▪ Perfil bioquímico. ▪ Urinálise: Hematúria macroscópica ou microscópica. • Diagnóstico Diferencial: o Rennomegalia (aumento do rim): ▪ Hidronefrose. ▪ Doença policística. ▪ Abscesso. o Aumento abdominal (geral): ▪ Baço aumentado. ▪ Fígado aumentado. Sure! Here's the information organized into topics, based on the provided text: I. Neoplasias Renais e Ureterais (Continuação) • Tratamento: o Tratamento Médico: ▪ Estabilização do paciente. o Tratamento Cirúrgico: ▪ Tumores Malignos e Unilaterais: Nefrectomia (remoção do rim). ▪ Metástase: Quimioterapia e radioterapia (questionamento sobre eficácia/indicação). ▪ Gatos com Linfomas: Quimioterapia (resposta variável). • Complicações (gerais das afecções urinárias ou pós-cirúrgicas): o Hemorragia. o Extravasamento urinário. o Insuficiência renal. • Prognóstico: o Natureza maligna e agressiva. o Raramente diagnosticados cedo. o Geralmente RUIM! o Exceção: Diagnóstico precoce e nefrectomia antes da ocorrência de metástases podem resultar em sobrevida longa (2 anos). II. Cirurgia da Bexiga Urinária e Uretra III. Uroabdômen (Uroperitônio) • Partes do Trato Urinário Envolvidas no Extravasamento: o Rins o Ureteres o Bexiga o Uretra proximal • Fisiopatologia: o Ruptura Vesical: Mais comum. ▪ Pode ocorrer espontaneamente devido a: ▪ Tumor ▪ Cistite grave ▪ Obstrução uretral o Traumatismo Abdominal: ▪ Contuso ▪ Penetrante ▪ Iatrogênica (causada por procedimento médico): ▪ Cistocentese ▪ Cateterização vesical ▪ Complicação cirúrgica. o TRAUMATISMO POR VEÍCULO!!!! (Ênfase) ▪ Necessário avaliar todo o trato urinário. ▪ O impacto pode causar rompimento ou necrose. ▪ Fraturas pélvicas (extremidades pontiagudas podem lesionar o trato urinário). o Diagnóstico: ▪ Quase sempre é retardadodevido à ausência de sinais clínicos no exame inicial. • Fatores Predisponentes: o Ruptura Vesical: Machos > fêmeas. o Fêmeas: Ruptura vesical > uretral. o Machos: Obstrução (uretral) - alto risco de ruptura vesical. Uroabdômen (Uroperitônio) • Histórico e Sinais Clínicos: o 1/3 dos casos não detectado clinicamente. o Sinais clínicos vagos. o Azotemia (com vômito, anorexia, depressão, letargia). o Hematúria. o Disúria. o Dor abdominal (inchaço, hérnia). o Equimoses (associadas a fraturas pélvicas), abdominais e perineais. o Vazamento urinário subcutâneo. o Podem apresentar urina em volume e aspecto normal!!! • Exame Físico: o Palpação abdominal (bexiga). o Inchaço ou acúmulo de fluido. o Avaliação da quantidade e caráter urinário (hematúria, disúria). o Presença de equimoses. • Diagnóstico: o Radiografia e Ultrassonografia: ▪ Redução ou ausência de bexiga. ▪ Falta de contraste (em exames contrastados). ▪ Aumento do espaço retroperitoneal. o Ruptura Vesical: CISTOURETROGRAMA é o exame de eleição. o Achados Laboratoriais: ▪ Hemograma. ▪ Perfil bioquímico com eletrólitos (destaque para hipercalemia e azotemia). ▪ Análise de fluido abdominal: Nível de creatinina no fluido é maior que no sangue. ▪ Obstrução pode preceder ruptura, levando à Insuficiência Renal (IR). ▪ Ruptura secundária à infecção pode levar à peritonite séptica. • Diagnóstico Diferencial: o Peritonite (geral): Vômito, desidratação e azotemia. o Vômito (causas não urinárias): Pâncreas, rins (outras afecções), baço, fígado, estômago, intestino. o Derrame abdominal: Uroabdômen, peritonite séptica, peritonite biliar. • Tratamento: o Tratamento Médico (estabilização): ▪ Realizar reparo cirúrgico em 12 a 18 horas após a estabilização. ▪ Manejar traumatismos intercorrentes (ex: miocardite traumática, contusão pulmonar). ▪ Drenagem abdominal para estabilização. ▪ Correção dos desequilíbrios eletrolíticos (antes da anestesia). ▪ Realizar cultura e antibiograma para infecção. o Tratamento Cirúrgico (reparo): ▪ Uretra: Anastomose primária. ▪ Ruptura ureteral: Anastomose ou reimplantação na bexiga (dependendo da localização da lesão). ▪ Ruptura vesical: Reparo (causas incluem tumor, cistite grave, obstrução). • Complicações (pós-tratamento ou da própria condição): o Vazamento urinário (deiscência da sutura). o Peritonite: Por urina infectada ou secundária à contaminação cirúrgica. • Prognóstico: o Excelente em casos de ruptura traumática. o Reservado em casos de necrose secundária à obstrução. Cálculos em Bexiga Urinária e Uretrais (Urolitíase do Trato Urinário Inferior) • Fisiopatologia Geral: o Urólitos Caninos: Predominantemente encontrados na bexiga e uretra. o Prevalência em Cães (ordem decrescente): Estruvita > Oxalato de Cálcio (Ca) > Urato > Silicato > Cistina > Mistos. • Fisiopatologia Específica por Tipo de Cálculo e Raça: o Urato: ▪ Dálmatas: Defeito no transporte hepático de ácido úrico. ▪ Representa 60% dos cálculos de urato em Dálmatas (machos). o Silicato: ▪ Pastor Alemão/Old English Sheepdog: Distúrbio hereditário de transporte tubular renal. o Oxalato de Cálcio: ▪ Mais comum em machos. ▪ Raças predispostas: Schnauzer, Poodle, Yorkshire Terrier, Lhasa Apso e Shih Tzu. o Cistina: ▪ Dachshunds machos de meia-idade. ▪ Outras raças predispostas: Basset Hound, Buldogue Inglês, Yorkshire Terrier, Irish Terrier e Chihuahua. o Em Gatos: ▪ Oxalato de Cálcio e Estruvita têm prevalência similar. ▪ 35% dos cálculos de Oxalato de Cálcio podem estar relacionados a um aumento na concentração de Cálcio. • Fatores Predisponentes: o Estruvita: Mais comum em cadelas, frequentemente associado a Infecção do Trato Urinário (ITU). o Obstrução por cálculos: Mais comum em machos. o Idade: Cães de meia-idade. o Estruvita em animais jovens: Em cães com menos de 1 ano, a estruvita é comum e associada a ITU. • Histórico (Sinais Clínicos): o Sinais clínicos de ITU: Hematúria (sangue na urina), Polaciúria (aumento da frequência de micção), Estrangúria (dificuldade e dor para urinar). o Obstrução (parcial ou completa): ▪ Distensão vesical. ▪ Dor abdominal. ▪ Estrangúria. ▪ Incontinência paradoxal (perda de urina em bexiga superdistendida). ▪ Azotemia pós-renal (com anorexia, vômito, depressão) devido à obstrução grave. • Exame Físico: o Parede vesical espessada. o Cálculos podem ser palpáveis. o Sinais compatíveis com ITU. o Em casos de obstrução: Dor abdominal, anorexia, vômito, depressão. • Diagnóstico: o Radiografia e Ultrassonografia: ▪ Determinam a quantidade e localização dos cálculos. ▪ Radiopacos (visíveis em raio-X): Oxalato de Cálcio e Estruvita. ▪ Radiotransparentes (não visíveis em raio-X simples): Urato e Cistina. ▪ Cistouretrografia Retrógrada: Utilizada para visualizar cálculos radiotransparentes. ▪ Ultrassonografia (USS): Ajuda a avaliar rins e ureteres, bem como a própria bexiga e uretra. o Achados Laboratoriais: ▪ Hemograma. ▪ Perfil bioquímico com eletrólitos. ▪ Urinálise. ▪ Cultura urinária (essencial para ITU). ▪ Sinais comuns de infecção urinária: Piúria (pus na urina), hematúria, proteinúria e/ou bacteriúria. ▪ Pode ocorrer Insuficiência Renal (IR) por pielonefrite crônica. ▪ Em casos de urato, pode-se observar sinais de insuficiência hepática. • Diagnóstico Diferencial: o Infecção crônica de trato urinário. o Neoplasias (tumores). o Inflamação granulomatosa. Resumo Detalhado – Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário Introdução As principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos animais envolvem: • Urolitíase (formação de cálculos urinários) • Traumas • Neoplasias O transplante renal em veterinária ainda não é uma prática comum. • Em felinos, apresenta resultados promissores, principalmente nos Estados Unidos. • Em cães, a ausência de protocolos eficazes de imunossupressão impede a adoção rotineira da técnica, restringindo-a a centros altamente especializados. Referência científica: Brown et al. (2011) demonstram que a sobrevida em gatos transplantados pode ser superior a 2 anos com manejo adequado de imunossupressores. Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) Frequência: • Representa 5 a 10% dos cálculos urinários em cães e é menos comum em gatos. Composição dos cálculos mais frequentes: • Estruvita: mais comum, geralmente associada a infecção urinária em cães. • Oxalato de cálcio: não dissolve, comum em ambiente urinário ácido. • Urato: associado a desvios portossistêmicos, mais frequente em Dálmatas. • Silicato: raro, mas observado em certas regiões. • Cistina: relacionada a defeitos genéticos no transporte de aminoácidos. • Mistos: combinação de dois ou mais tipos de minerais. Fatores que favorecem a formação: • Alterações no pH urinário (ácido ou alcalino). • Infecções urinárias (sobretudo por Staphylococcus e Proteus). • Alta concentração de solutos (cristalóides) na urina. • Baixa concentração de inibidores naturais de cristalização, como citrato e glicosaminoglicanos. Fatores Predisponentes • Raças: predisposição genética associada a distúrbios metabólicos: o Fêmeas: Schnauzer miniatura, Shih tzu, Lhasa apso, Yorkshire terrier, Pug. o Machos: Dálmata e Basset Hound. • Idade: mais comum em animais de meia-idade a idosos. • Exceções importantes: o Uratos relacionados a desvio portossistêmico (congênito ou adquirido). o Estruvita em Schnauzers, mesmo sem infecção associada. Anamnese O histórico clínico varia conforme a localização e gravidade dos cálculos: • Obstrução: dor, dificuldade para urinar, distensão abdominal. • Infecção: episódios de infecção urinária recorrente. • Muitos animais apresentam sinais intermitentes, tratados apenas com antibióticos, sem investigação da causa base. • Frequentemente, não é realizada análise dos cálculos, o que impedea prevenção da recorrência. Exame Físico • Pode ser assintomático. • Hematúria, mais evidente em gatos. • Pielonefrite: infecção renal associada a sinais sistêmicos como poliúria, polidipsia, letargia, febre, anorexia e depressão. • Destruição renal e obstrução: pode levar à uremia (acúmulo de resíduos nitrogenados no sangue). • Cistite: apresenta-se como disúria (dificuldade para urinar) ou estrangúria (esforço para urinar com pouco volume). Diagnóstico • Radiografia abdominal: o Detecta a maioria dos cálculos (radiopacos – como estruvita e oxalato). o Útil para avaliar ureteres, bexiga e uretra. o Cálculos de urato e cistina são radiotransparentes, sendo melhor visualizados na ultrassonografia ou urografia excretora. Exames complementares: • Urinálise (para detectar hematúria, cristais, infecção). • Cultura urinária. • Ultrassonografia abdominal. • Urografia excretora (em casos de suspeita de obstrução ureteral ou hidronefrose). Manejo e Tratamento Cirúrgico • Cálculos renais e ureterais: geralmente exigem cirurgia de remoção (nefrotomia, ureterotomia) devido à baixa taxa de dissolução. • Cálculos de estruvita: podem ser dissolvidos com dieta acidificante e manejo da infecção, se não houver obstrução. • Stents ureterais e SUB (subcutaneous ureteral bypass): alternativa minimamente invasiva, especialmente em gatos. Referência: Berent et al. (2014) relatam que o uso de stents ureterais e sistemas SUB aumentam a taxa de sucesso no tratamento de obstruções ureterais em gatos, com menor morbidade que as cirurgias tradicionais. Here's a detailed summary of the provided slides on "Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário," incorporating information from scientific articles to provide a comprehensive overview: Resumo Detalhado: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário em Cães e Gatos Este resumo aborda as principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos animais, com foco em urolitíases (cálculos) e neoplasias, e a realidade do transplante renal. As informações são complementadas com dados da literatura científica para oferecer um panorama detalhado. Slide 1 – Introdução As afecções cirúrgicas do sistema urinário em cães e gatos englobam principalmente urolitíases (formação de cálculos), traumas e neoplasias (tumores). A intervenção cirúrgica é frequentemente crucial para o manejo dessas condições, especialmente quando há obstrução, dor, ou comprometimento da função renal. O transplante renal em animais ainda não é uma realidade rotineira na prática veterinária geral. • Em felinos: A literatura mundial tem demonstrado resultados excelentes em transplantes renais. A taxa de sucesso em gatos é relativamente alta, com muitos centros reportando mais de 90% de sobrevida cirúrgica e cerca de 60-70% de sobrevida de um ano, com uma média de vida de 2 a 3 anos pós-transplante. A disponibilidade de doadores (muitas vezes gatos de abrigo) e a compatibilidade sanguínea mais simples em felinos contribuem para esses resultados. • Em cães: O transplante renal em cães enfrenta desafios significativos, principalmente devido à inexistência de protocolos de imunossupressão eficazes que evitem a rejeição do órgão sem causar morbidade ou mortalidade significativas. A complexidade imunológica em cães torna o transplante renal uma realidade menos difundida e geralmente restrita a condições muito específicas e centros especializados. A pesquisa contínua busca avanços nesse campo para cães, com o objetivo de desenvolver terapias celulares que induzam tolerância ao transplante. Slide 2 – Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) - Fisiopatologia A urolitíase é a formação de concreções sólidas (cálculos ou urólitos) no trato urinário. Embora os cálculos na bexiga urinária sejam mais comuns, os cálculos renais (nefrólitos) e ureterais são clinicamente importantes devido ao seu potencial de causar obstrução e danos renais. • Prevalência: Correspondem a 5 a 10% dos urólitos caninos. Em gatos, a ocorrência de cálculos renais é menos comum que em cães, mas os cálculos ureterais são mais frequentes em felinos do que em cães. • Tipos de Urólitos: o Estruvita (fosfato de amônio e magnésio): Mais comuns em cães e frequentemente associados a infecções do trato urinário por bactérias produtoras de urease. o Oxalato de Cálcio: Sua prevalência tem aumentado nas últimas décadas, e são comuns em ambas as espécies. Não podem ser dissolvidos por terapia médica e geralmente requerem remoção cirúrgica ou outras intervenções. o Urato: Relacionados a distúrbios do metabolismo de purinas, sendo classicamente associados a raças como o Dálmata e a condições como desvio portossistêmico. o Silicato: Menos comuns, frequentemente associados a dietas específicas. o Cistina: Urólitos de origem metabólica, resultantes de um defeito na reabsorção renal de cistina, comum em certas raças. o Mistos: Contêm mais de um tipo de mineral. Slide 3 – Fatores de Formação de Urólitos A formação de cálculos é um processo multifatorial que envolve a supersaturação da urina com cristais, a presença de nidus para cristalização e a deficiência de inibidores da formação de cálculos. • pH urinário: O pH da urina influencia a solubilidade de diferentes minerais. Por exemplo, a urina alcalina favorece a formação de cálculos de estruvita, enquanto a urina ácida pode predispor à formação de oxalato de cálcio e urato. • Infecção: Infecções do trato urinário, especialmente por bactérias que produzem urease (como Staphylococcus e Proteus), elevam o pH urinário e aumentam a concentração de amônio, promovendo a formação de estruvita. • Alta concentração de cristaloides na urina: A ingestão insuficiente de água ou a perda excessiva de água (por exemplo, por poliúria) pode levar a uma urina mais concentrada, aumentando a saturação de minerais e a chance de cristalização. • Diminuição na concentração urinária de inibidores de cristalização: A urina contém substâncias naturais que inibem a formação de cristais e a agregação de cálculos (ex: citrato, pirofosfato). A deficiência desses inibidores pode predispor à urolitíase. Slide 4 – Fatores Predisponentes (Raças) Algumas raças apresentam predisposição genética ou metabólica para o desenvolvimento de certos tipos de urólitos: • Schnauzer Miniatura, Shih Tzu, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier e Pug (fêmea): Frequentemente associados a cálculos de oxalato de cálcio e, no caso dos Schnauzers, também a estruvita. • Dálmata e Basset Hound (macho): Notoriamente predispostos a cálculos de urato devido a um defeito genético no transporte hepático e renal de ácido úrico. Slide 5 – Fatores Predisponentes Adicionais Além da raça, outros fatores demográficos e patológicos influenciam a ocorrência de urolitíase: • Cães pequenos: Fêmeas de raças pequenas são mais predispostas à urolitíase, em geral, do que machos. • Idade: A urolitíase é mais comum em animais de meia-idade a idosos. • Exceções: o Uratos associados a desvio portossistêmico: Animais com desvios portossistêmicos (congênitos ou adquiridos) podem ter metabolismo hepático alterado, levando ao acúmulo de amônia e urato, que podem formar cálculos em idades mais jovens. o Estruvita em Schnauzers: Embora a estruvita seja mais comum em fêmeas devido à maior incidência de infecções do trato urinário, os Schnauzers miniaturas apresentam uma predisposição para estruvita independentemente do sexo e podem desenvolvê-los em idade precoce. Slide 6 – Anamnese (Cálculos) O histórico clínico é fundamental para a suspeita de urolitíase, embora os sinais possam ser variáveis e inespecíficos. • Histórico depende de obstrução ou infecção: Os sinais apresentados pelo animal podem variar amplamente, desde ausência de sintomas até uma emergência obstrutiva grave. • Sinais intermitentes - ATB (antibiótico): Sinais como disúria ou hematúria podem ser intermitentes, e a administração de antibióticos(sem um diagnóstico definitivo) pode mascarar ou atrasar o diagnóstico de cálculos, pois a infecção subjacente (e os sintomas) podem melhorar temporariamente. • Histórico anterior de urolitíase: A recorrência é comum em urolitíase. Um histórico de episódios anteriores de cálculos, especialmente se não foram analisados, é um forte indicativo. • Análise dos cálculos não realizada / Não instituição da terapia apropriada: A falta de análise do tipo de cálculo (composicional) após a remoção cirúrgica ou a falha em instituir a terapia profilática adequada (dietas específicas, modificadores de pH urinário) aumenta significativamente o risco de recorrência. A análise da composição do cálculo é crucial para o manejo preventivo. Slide 7 – Exame Físico (Cálculos) Os achados do exame físico podem variar de ausência de anormalidades a sinais graves de doença. • Assintomáticos: Pequenos cálculos podem ser encontrados acidentalmente em exames de imagem, sem que o animal apresente quaisquer sintomas. • Hematúria (gatos): Sangue na urina é um sinal comum, especialmente em gatos com cálculos ureterais ou renais. • Pielonefrite (infecção renal): Sinais sistêmicos como poliúria (aumento da micção), polidipsia (aumento da sede), letargia, depressão, febre e anorexia podem indicar infecção renal ascendente (pielonefrite), uma complicação grave da urolitíase. • Destruição renal/Obstrução: A obstrução do fluxo urinário, especialmente se bilateral ou em um rim único, pode levar à uremia (acúmulo de toxinas no sangue devido à falha renal), que é uma emergência e pode se manifestar com vômitos, letargia e fraqueza. • Cistite: Sinais de trato urinário inferior, como disúria (dificuldade/dor ao urinar) ou estrangúria (esforço doloroso e prolongado para urinar, com pouca ou nenhuma produção de urina), indicam inflamação da bexiga urinária, frequentemente associada a cálculos vesicais ou infecções. Slide 8 – Diagnóstico (Cálculos) O diagnóstico definitivo de urolitíase requer exames de imagem e laboratoriais. • Radiografia: o Achados acidentais: Muitas vezes, os cálculos são descobertos incidentalmente em radiografias realizadas por outros motivos. o Maioria dos cálculos é radiopaca: A maioria dos tipos de cálculos (oxalato de cálcio, estruvita, fosfato de cálcio) é radiopaca (visível em radiografias), devido ao seu conteúdo mineral. Urólitos de urato e cistina são menos radiopacos e podem não ser visíveis ou serem difíceis de visualizar, exigindo outros métodos de imagem. o Avaliar ureteres, bexiga e uretra: As radiografias devem ser estendidas para avaliar todo o trato urinário, desde os rins até a uretra, para identificar a localização de todos os cálculos. • Ultrassonografia: o Mais específica e sensível: A ultrassonografia é superior para detectar cálculos pequenos, cálculos radioluscentes (não visíveis na radiografia, como uratos), e para avaliar a dilatação do trato urinário (hidronefrose, hidroureter) e o parênquima renal. Também é útil para guiar biópsias renais ou para aspiração de urina. o Outros métodos: Urografia excretora, uretrografia/cistografia de contraste e tomografia computadorizada (TC) são técnicas mais avançadas que podem ser usadas para detectar cálculos, avaliar o fluxo urinário e planejar a cirurgia, especialmente em casos complexos ou quando a radiografia e ultrassonografia não são conclusivas. Resumo Detalhado: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário em Cães e Gatos Este resumo integra as informações de todos os slides fornecidos, abordando as principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos animais: urolitíases (cálculos), neoplasias renais e ureterais, e uroabdômen (uroperitônio), com base nos dados apresentados. I. Introdução As afecções do sistema urinário que frequentemente requerem intervenção cirúrgica em cães e gatos incluem principalmente urolitíases (cálculos), traumas e neoplasias (tumores). A intervenção cirúrgica é essencial para manejar essas condições, especialmente em casos de obstrução, dor refratária ou comprometimento da função renal. II. Neoplasias Renais e Ureterais • Tipos de Neoplasias: o Nefroblastomas: São tumores malignos que se desenvolvem rapidamente e surgem de elementos embrionários renais. Incluem adenomiossarcomas embrionários e análogos dos Tumores de Wilms. o Nefromas: Termo geral para tumores renais. • Fisiopatologia: o Tumores primários renais são incomuns em cães e gatos. o São geralmente malignos. o Em gatos, o linfoma é a neoplasia renal mais comum, podendo ser primário ou secundário. o Pastores Alemães têm predisposição à dermatofibrose associada a cistoadenocarcinomas renais. o Há acometimento renal bilateral em 30% dos casos. o Metástases são comuns para fígado, glândulas adrenais, pulmões, linfonodos, ossos e cérebro. o A metástase pulmonar ocorre em 50% dos casos. o Metástases renais de outros tumores são também comuns. • Fatores Predisponentes: o Carcinomas renais: Mais comuns em machos do que em fêmeas. o Pastor Alemão: O cistoadenocarcinoma ocorre em animais de meia- idade de qualquer sexo e é uma condição herdada (autossômica dominante). o Idade: A maioria afeta animais de meia-idade a idosos. o Nefroblastomas e sarcomas renais são vistos em animais jovens. • Anamnese (Histórico Clínico): o A história clínica é frequentemente vaga e inespecífica. o Sinais podem incluir anorexia, depressão e perda de peso. o Pode haver aumento do tamanho abdominal devido a uma massa renal. o Dispneia (dificuldade respiratória) pode sugerir metástase pulmonar. o Hemangiomas podem causar hematúria. • Exame Físico: o Frequentemente, massas abdominais são palpáveis. o O rim pode estar aumentado, firme e nodular. o Achados inespecíficos como claudicação podem indicar metástase óssea. • Diagnóstico: o Radiografia: Pode revelar aumento do tamanho renal e metástase no tórax. o Ultrassonografia: É mais específica e sensível para avaliar a massa renal e estruturas adjacentes. o Exames Laboratoriais (inespecíficos): Incluem azotemia e anemia. Hemograma, perfil bioquímico e urinálise (com hematúria macroscópica ou microscópica) devem ser realizados. • Diagnóstico Diferencial: o Renomegalia: Hidronefrose, doença policística e abscesso. o Aumento abdominal: Pode ser devido a baço, fígado, entre outros. • Tratamento: o Tratamento Médico: Inicia com a estabilização do paciente. o Tratamento Cirúrgico: ▪ Para tumores malignos e unilaterais, a nefrectomia (remoção do rim) é o tratamento de escolha. ▪ Em casos de metástase, quimioterapia e radioterapia podem ser consideradas, mas a resposta é questionável. ▪ Em gatos com linfomas, a quimioterapia é utilizada, com resposta variável. • Complicações: o Hemorragia. o Extravasamento urinário. o Insuficiência renal. • Prognóstico: o É geralmente RUIM devido à natureza maligna e agressiva dos tumores e ao diagnóstico tardio. o No entanto, o diagnóstico precoce e a nefrectomia antes do desenvolvimento de metástases podem levar a uma sobrevida longa (até 2 anos). III. Cálculos em Bexiga Urinária e Uretrais (Urolitíase do Trato Urinário Inferior) • Fisiopatologia Geral: o Urólitos em cães são encontrados predominantemente na bexiga e uretra. o Em cães, a ordem de prevalência dos tipos de cálculos é: Estruvita > Oxalato de Cálcio (Ca) > Urato > Silicato > Cistina > Mistos. • Fisiopatologia Específica por Tipo de Cálculo e Raça: o Urato: Dálmatas possuem um transporte hepático de ácido úrico defeituoso, predispondo à formação de uratos. Cerca de 60% dos cálculos de urato são encontrados em Dálmatas machos. o Silicato: Pastores Alemães e Old English Sheepdogs podem ter um distúrbio hereditário de transporte tubular renal que predispõe à formação de sílica. o Oxalato de Cálcio: Mais comum em machos de raças como Schnauzer, Poodle, Yorkshire Terrier, Lhasa Apso e Shih Tzu. Em gatos, a prevalência deOxalato de Cálcio é igual à de Estruvita. Cerca de 35% dos casos de Oxalato de Cálcio em gatos podem estar relacionados ao aumento da concentração de cálcio. o Cistina: Comum em Dachshunds machos de meia-idade, e também em raças como Basset Hound, Buldogue Inglês, Yorkshire Terrier, Irish Terrier e Chihuahua. • Fatores Predisponentes: o Estruvita: Mais comum em cadelas, frequentemente associada a Infecções do Trato Urinário (ITU). o Obstrução por cálculos: Mais comum em machos. o Cães de meia-idade são comumente afetados. o Em animais com menos de 1 ano, a estruvita é comum e associada a ITU. • Histórico (Sinais Clínicos): o Sinais clínicos de ITU incluem hematúria, polaciúria e estrangúria. o Pode haver obstrução parcial ou completa, com distensão vesical e dor abdominal. o Estrangúria e incontinência paradoxal são possíveis. o A azotemia pós-renal (com anorexia, vômito, depressão) pode ocorrer devido à obstrução. • Exame Físico: o Pode-se palpar uma parede vesical espessada. o Cálculos podem ser palpáveis na bexiga. o Sinais compatíveis com ITU podem estar presentes. o Em casos de obstrução, o animal pode apresentar dor abdominal, anorexia, vômito e depressão. • Diagnóstico (Exames de Imagem e Laboratoriais): o Radiografia e Ultrassonografia: ▪ Determinam a quantidade e localização dos cálculos. ▪ Oxalato de Cálcio e Estruvita são radiopacos (visíveis em radiografias). ▪ Urato e Cistina são radiotransparentes (não visíveis em radiografias simples). ▪ A cistouretrografia retrógrada é útil para visualizar cálculos radiotransparentes. ▪ A ultrassonografia (USS) é usada para avaliar rins e ureteres. o Achados Laboratoriais: ▪ Hemograma e perfil bioquímico com eletrólitos. ▪ Urinálise e cultura urinária são essenciais. ▪ É comum a infecção urinária, com piúria, hematúria, proteinúria e/ou bacteriúria. ▪ Insuficiência Renal (IR) pode ocorrer devido a pielonefrite crônica. ▪ Em casos de urato, pode haver insuficiência hepática. • Diagnóstico Diferencial: o Infecção crônica do trato urinário. o Neoplasias. o Inflamação granulomatosa. • Tratamento: o Tratamento Médico: ▪ Descompressão vesical. ▪ Uroidropropulsão (para remoção não cirúrgica de cálculos pequenos). o Tratamento Cirúrgico: ▪ Cistotomia: Incisão na bexiga para remoção dos cálculos. ▪ Uretrostomia: Criação de uma nova abertura permanente na uretra, geralmente para evitar obstruções recorrentes. ▪ É crucial enviar o cálculo para análise laboratorial para determinar sua composição e planejar o manejo pós-operatório e preventivo. • Complicações (Pós-cirúrgicas): o Cistotomia: Complicações são incomuns, mas pode haver vazamento urinário. o Uretrostomia: Hemorragia pode ocorrer por até 7 dias. Estenose uretral é uma complicação incomum. • Prognóstico: o A recorrência de cálculos varia de 12 a 25%. o Os cálculos de cistina e urato são os mais comuns para recorrência. o Um tratamento médico adequado é fundamental para prevenir a recorrência. IV. Uroabdômen (Uroperitônio) O uroabdômen é uma emergência caracterizada pelo extravasamento de urina para a cavidade abdominal, resultando em peritonite química e distúrbios eletrolíticos. • Locais de Ruptura Comuns: Rins, ureteres, bexiga e uretra proximal. • Fisiopatologia: o A ruptura vesical é a causa mais comum. Pode ocorrer espontaneamente devido a tumor, cistite grave ou obstrução uretral. o Traumatismo abdominal é uma causa principal, podendo ser contuso, penetrante ou iatrogênico (causado por procedimentos como cistocentese ou cateterização vesical). Também pode ser uma complicação cirúrgica. o O TRAUMATISMO POR VEÍCULO é uma causa muito importante. O impacto pode causar rompimento ou necrose do tecido. Fraturas pélvicas, com suas extremidades pontiagudas, podem lesionar o trato urinário. O diagnóstico é frequentemente retardado devido à ausência de sinais clínicos no exame inicial. • Histórico e Sinais Clínicos: o Cerca de 1/3 dos casos não são detectados clinicamente de imediato. o Os sinais clínicos são vagos, incluindo azotemia (com vômito, anorexia, depressão e letargia), hematúria, disúria e dor abdominal (com inchaço ou hérnia). o Pode haver equimoses (associadas a fraturas pélvicas), abdominais e perineais, e vazamento urinário subcutâneo. o É importante notar que, apesar do extravasamento, o animal pode apresentar urina em volume e aspecto normal. • Exame Físico: o A palpação abdominal pode revelar inchaço ou acúmulo de fluido na bexiga. o É importante avaliar a quantidade e o caráter urinário (hematúria, disúria). o A presença de equimoses também é um achado relevante. • Fatores Predisponentes: o Ruptura vesical: Mais comum em machos do que em fêmeas. o Em fêmeas, a ruptura vesical é mais comum que a uretral. o Em machos, a obstrução (uretral) aumenta significativamente o risco de ruptura vesical. • Diagnóstico (Exames de Imagem e Laboratoriais): o Radiografia e Ultrassonografia: Podem mostrar redução ou ausência da bexiga, falta de contraste (em exames contrastados) e aumento do espaço retroperitoneal. Para confirmar uma ruptura vesical, o CISTOURETROGRAMA é o exame de escolha. o Achados Laboratoriais: ▪ Hemograma e perfil bioquímico com eletrólitos. ▪ Hipercalemia e azotemia são achados clássicos e indicam emergência. ▪ A análise do fluido abdominal é crucial: o nível de creatinina no fluido é significativamente maior do que no sangue, confirmando o uroabdômen. ▪ A obstrução pode preceder a ruptura, levando à Insuficiência Renal (IR). ▪ A ruptura secundária a uma infecção pode resultar em peritonite séptica. • Diagnóstico Diferencial: o Peritonite (geral): Apresenta vômito, desidratação e azotemia. o Vômito: Pode ter outras causas não urinárias, como afecções do pâncreas, rins (outras condições), baço, fígado, estômago ou intestino. o Derrame abdominal: Inclui uroabdômen, peritonite séptica e peritonite biliar. • Tratamento Médico (para Uroabdômen): o A estabilização do paciente é a prioridade. o A drenagem abdominal é importante para estabilização, aliviando a pressão e removendo a urina. o A correção dos desequilíbrios eletrolíticos (especialmente hipercalemia) deve ser feita antes da anestesia. o Traumatismos intercorrentes, como miocardite traumática ou contusão pulmonar, devem ser avaliados e tratados. o Cultura e antibiograma são necessários para controlar infecções. o O reparo cirúrgico deve ser realizado entre 12 a 18 horas após a estabilização do paciente. • Tratamento Cirúrgico (para Uroabdômen): o Uretra: Realiza-se anastomose primária. o Ruptura ureteral: Pode ser corrigida com anastomose ou reimplantação na bexiga, dependendo da localização da lesão. o Ruptura vesical: O reparo da bexiga é necessário, podendo ser causada por tumor, cistite grave ou obstrução. • Complicações (Pós-cirúrgicas ou da Condição): o Vazamento urinário (deiscência da sutura). o Peritonite: Pode ser causada por urina infectada ou ser secundária à contaminação cirúrgica. • Prognóstico (para Uroabdômen): o É excelente se a ruptura for de origem traumática e o paciente for estabilizado e tratado prontamente. o É reservado se houver necrose secundária à obstrução, indicando um dano tecidual mais extenso e potencial para complicações. V. Cirurgia da Bexiga Urinária e Uretra Esses procedimentos são cruciais para o manejo de diversas condições do trato urinário inferior, incluindo urolitíase, traumas (rupturas) e algumas neoplasias. A cistotomia (incisão na bexiga) é comum para remoção de cálculos ou biópsias. As uretrostomias (criação de uma nova saída permanente para a urina) são realizadas para evitar obstruções recorrentes. O sucesso desses procedimentos depende da técnica cirúrgica, do manejo das complicações e do controle das condições subjacentes.