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Afecções Cirúrgicas do Trato Respiratório 
O trato respiratório divide-se em superior (narinas, cavidade nasal, nasofaringe, laringe e 
traqueia cervical) e inferior (traqueia intratorácica, brônquios e pulmões). As principais 
afecções tratáveis cirurgicamente estão associadas a alterações anatômicas, geralmente 
congênitas ou adquiridas. 
 
 
 Trato Respiratório Superior 
 Estenose das Narinas 
• Definição: Abertura nasal anormalmente estreita, causando colapso das 
cartilagens alares. 
• Etiologia: Congênita, comum em raças braquicefálicas. 
• Sinais Clínicos: Dispneia inspiratória, ruídos respiratórios, engasgos, cianose e 
intolerância ao exercício. 
• Diagnóstico: Exame físico e radiografia para avaliar estruturas associadas (palato 
mole e traqueia). 
• Tratamento: 
o Médico: Controle de peso, sedação e oxigenoterapia. 
o Cirúrgico: Ressecção tecidual em cunha para alargamento das narinas, 
frequentemente associada ao tratamento de outras alterações da 
síndrome braquicefálica. 
Referência: Fasanella et al. (2010) relatam que a correção cirúrgica melhora 
significativamente a qualidade de vida dos cães braquicefálicos. 
 
 Alongamento de Palato Mole 
• Definição: Extensão do palato além da margem caudal da epiglote, obstruindo a 
nasofaringe. 
• Etiologia: Congênita, muito prevalente em braquicefálicos. 
• Sinais Clínicos: Estridor, engasgos, vômito, cianose e agravamento com estresse 
e calor. 
• Diagnóstico: Exame físico sob sedação/anestesia e, ocasionalmente, radiografia 
torácica. 
• Tratamento: 
o Médico: Controle de peso, restrição de exercícios e oxigenoterapia. 
o Cirúrgico: Ressecção do excesso do palato com bisturi ou tesoura; pós-
operatório exige dieta pastosa fria e monitoramento para edema. 
Referência: According to Torrez & Hunt (2006), a intervenção precoce reduz o risco de 
pneumonia aspirativa e insuficiência respiratória crônica. 
 
 Eversão dos Sacos Laringianos 
• Definição: Prolapso da mucosa das criptas laringianas, aumentando a resistência 
ao fluxo aéreo. 
• Predisposição: Raças braquicefálicas. 
• Sinais Clínicos: Estridor inspiratório, desconforto respiratório e ruído intenso. 
• Diagnóstico: Visualização direta da laringe sob anestesia. 
• Tratamento: 
o Associado à correção da estenose de narinas e alongamento do palato. 
o Ressecção dos sacos evertidos. 
Referência: Koch et al. (2003) destacam que a eversão é um sinal de progressão da 
obstrução respiratória crônica em braquicefálicos. 
 
 Paralisia de Laringe 
• Definição: Falha na abdução das cartilagens aritenoides, gerando obstrução na 
inspiração. 
• Etiologia: Idiopática, neurogênica ou traumática. Frequente em cães de grande 
porte, principalmente labradores. 
• Sinais Clínicos: Estridor, alteração vocal, dispneia progressiva, intolerância ao 
exercício, hipertermia. 
• Diagnóstico: Exame físico, radiografia torácica, laringoscopia e endoscopia. 
• Tratamento: 
o Médico: Redução de peso, sedação, controle de desconforto agudo. 
o Cirúrgico: Lateralização unilateral da cartilagem aritenoide (técnica de tie-
back). 
Referência: MacPhail (2020) afirma que o tie-back melhora a função respiratória, mas 
pode predispor à aspiração e pneumonia. 
 
 Colapso de Traqueia 
• Definição: Obstrução dinâmica da traqueia por flacidez e achatamento dorsal 
das cartilagens. 
• Etiologia: Degeneração de glicoproteínas e glicosaminoglicanas da cartilagem. 
• Predisposição: Raças pequenas (Poodle, Yorkshire, Spitz) — idade média de 1 a 5 
anos. 
• Sinais Clínicos: Tosse em "ganso", engasgos, dispneia, agravamento com 
estresse, calor e obesidade. 
• Diagnóstico: Radiografia (60% sensível), fluoroscopia e traqueoscopia. 
• Tratamento: 
o Médico: Controle de peso, broncodilatadores, antitussígenos, antibióticos 
(se infecção). 
o Cirúrgico: Colocação de anéis externos de polipropileno ou stent 
intraluminal. 
Referência: White et al. (2011) mostram que o uso de stents melhora a qualidade de vida, 
mas pode apresentar complicações como migração e formação de granulação. 
 
 Trato Respiratório Inferior 
 Toracotomia 
• Indicação: Acesso cirúrgico ao tórax para abordagem de pulmões, coração, 
esôfago, traqueia intratorácica. 
• Técnica: Incisão intercostal, dissecção muscular e abertura da pleura com uso de 
afastadores. 
 
 Lobectomia Pulmonar 
• Indicação: Lesões pulmonares localizadas (neoplasias, abscessos, torsões). 
• Tipos: 
o Parcial: Ressecção de segmentos. 
o Total: Ligadura de artéria, veia e brônquio do lobo afetado. 
Referência: Brisson (2013) recomenda o uso de técnicas de sutura segura para minimizar 
risco de pneumotórax e vazamentos. 
 
 Hérnia Diafragmática Traumática 
• Definição: Ruptura do diafragma com migração de órgãos abdominais para o 
tórax. 
• Etiologia: Trauma (atropelamento, quedas). 
• Sinais Clínicos: Dispneia, desconforto respiratório, em casos crônicos pode ser 
assintomática. 
• Diagnóstico: Radiografia torácica. 
• Tratamento: 
o Médico: Estabilização com oxigenoterapia, decúbito esternal. 
o Cirúrgico: Redução dos órgãos, sutura do defeito diafragmático, remoção 
do ar pleural. 
Referência: Gibson et al. (2005) relatam que a mortalidade é elevada se o paciente não 
for estabilizado antes da cirurgia. 
 
 
 Cirurgias do Trato Reprodutivo em Pequenos Animais 
 
 Sistema Reprodutivo Feminino 
 Neoplasias Mamárias 
• Incidência: 
o Cadelas: 50% são malignas. 
o Gatas: 90% são malignas. 
• Disseminação: Via linfática para pulmões, fígado, rins, coração, cérebro, ossos e 
pele. 
• Fatores: Hormônio-dependente (presença de receptores de estrogênio e 
progesterona), uso de progestágenos, nuliparidade. 
• Tipos: Adenocarcinoma, carcinoma inflamatório, sarcoma. 
 Diagnóstico: 
• Exame físico (massa, linfonodomegalia, ulceração). 
• Radiografia e ultrassonografia (avaliação de metástases). 
• Citologia (limitada) e histopatologia (essencial). 
• Imuno-histoquímica. 
 Tratamento Cirúrgico: 
• Técnicas: 
o Lumpectomia. 
o Mastectomia simples, regional, unilateral ou bilateral. 
• Recomendação: Ovariohisterectomia (OHE) anterior à mastectomia pode reduzir 
risco de disseminação. 
• Prognóstico: 
o Tumores 3 cm: sobrevida reduzida (em gatas, sobrevida média de 6 
meses). 
Referência: Cassali et al. (2014) reforçam que a castração precoce reduz em até 99% o 
risco de neoplasias mamárias em cadelas e em até 91% nas gatas. 
 
 Neoplasias Uterinas 
• Tipos: Leiomioma (benigno), leiomiossarcoma e adenocarcinoma (malignos). 
• Raras: Mais associadas a hiperplasia endometrial cística e piometra. 
• Sinais: Corrimento vaginal, distensão abdominal, compressão de órgãos (cólon e 
bexiga). 
 Diagnóstico: 
• Ultrassonografia, vaginoscopia e biópsia. 
• Radiografia torácica para metástase (raro). 
 Tratamento: Ovariohisterectomia (OHE). 
• Prognóstico: Excelente quando benigno. 
 
 Piometra 
• Definição: Infecção uterina com acúmulo de exsudato purulento. 
• Fisiopatologia: Relacionada à hiperplasia endometrial cística, ação da 
progesterona e colonização bacteriana (principalmente Escherichia coli). 
• Formas: Cérvix aberta (corrimento) ou fechada (mais grave). 
 Diagnóstico: 
• Ultrassonografia (útero dilatado e com conteúdo). 
• Hemograma (neutrofilia com desvio à esquerda). 
• Citologia vaginal e cultura. 
 Tratamento: 
• Cirúrgico: Ovariohisterectomia (definitivo). 
• Médico: Apenas para reprodução futura, com alto risco de recorrência. 
Referência: Bigliardi et al. (2004) demonstram que o risco de septicemia é 
significativamente maior nas piometras de cérvix fechada. 
 
 Prolapso e Hiperplasia Vaginal 
• Fatores: Estimulação estrogênica no proestro ou estro. 
• Prolapso: Protrusão circular (360°) da mucosa vaginal. 
• Hiperplasia: Massa de tecido mucoso sem protrusão completa. 
 Tratamento: 
•Médico: Casos leves e não circulares. 
• Cirúrgico: OHE e, se necessário, episiotomia e ressecção de tecido necrosado. 
 
 Prolapso Uterino 
• Ocorre: Durante ou após o parto. 
• Tratamento: Redução via celiotomia + OHE. 
 
 Sistema Reprodutivo Masculino 
 Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) 
• Frequente: Cães inteiros, >8 anos. 
• Causa: Dependente de andrógenos. 
• Sinais: Tenesmo, constipação, alteração na forma das fezes, disúria. 
 Tratamento: 
• Médico: Finasterida (bloqueia diidrotestosterona). 
• Cirúrgico: Orquiectomia (definitivo); prostatectomia subtotal em casos especiais. 
 
 Abscessos Prostáticos e Prostatite 
• Origem: Ascendente (infecção urinária) ou hematógena. 
• Sinais: Febre, dor à palpação, hematúria, poliúria, sepse (em casos de ruptura). 
 Diagnóstico: 
• Ultrassom (cavidades anecoicas). 
• Hemograma (leucocitose). 
• Cultura e antibiograma. 
 Tratamento: 
• Antibióticoterapia, drenagem do abscesso e orquiectomia. 
• Prostatectomia subtotal nos casos refratários. 
 
 Cistos Prostáticos 
• Característica: Cavidade não séptica com fluido. 
• Risco: Pode evoluir para abscessos. 
• Tratamento: Igual ao da HPB ou abscessos prostáticos. 
 
 Neoplasias Prostáticas 
• Tipos: Carcinoma, leiomiossarcoma, hemangiossarcoma. 
• Frequente: Cães machos castrados — não hormônio-dependente. 
• Prognóstico: Ruim, com metástases frequentes (pulmões, ossos, linfonodos). 
 
 Neoplasias Testiculares e Escrotais 
• Mais comuns: Sertolioma, seminoma e tumor de células de Leydig. 
• Risco: 13,6x maior em animais criptorquidas. 
• Complicações: Feminização por hiperestrogenismo (alopecia, ginecomastia, 
anemia). 
 Diagnóstico: 
• Ultrassom escrotal e abdominal. 
• Citologia aspirativa. 
 Tratamento: 
• Orquiectomia bilateral. 
• Ablação escrotal se tumor acomete tecido escrotal. 
• Mastocitoma: remoção com margem de 3 cm. 
 
 Hérnias Abdominais e Escrotais 
 Hérnias Umbilicais 
• Etiologia: Congênita, ligada à falha na embriogênese (defeito hereditário). 
• Risco: Estrangulamento intestinal. 
• Tratamento: Cirúrgico, geralmente após completar esquema vacinal. 
 
 Hérnias Inguinais, Escrotais e Femurais 
• Etiologia: Congênita ou traumática. 
• Hérnia Inguinal: Mais comum em fêmeas. 
• Hérnia Escrotal: Protrusão adjacente ao cordão espermático. 
• Hérnia Femural: Mais rara, facilmente confundida com inguinal. 
 Tratamento: Correção cirúrgica, recomendando castração para evitar 
transmissão genética. 
 
– Introdução 
• Urolitíases, traumas e neoplasias 
• Transplante renal ainda não representa uma realidade rotineira 
o Em felinos: resultados excelentes na literatura mundial 
o Em cães: inexistência de protocolos de imunossupressão eficazes, o 
transplante renal ainda não é uma realidade mundial, sendo realizado em 
condições específicas. 
 
– Cálculos Renais e Ureterais 
Fisiopatologia 
• 5 a 10% dos urólitos caninos, em gatos menos comum 
• Urólitos de estruvita mais comuns 
• Oxalato de cálcio 
• Urato 
• Silicato 
• Cistina 
• Mistos 
 
– Fatores de formação de urólitos 
• pH urinário 
• Infecção 
• Alta concentração de cristalóides na urina 
• Diminuição na concentração urinária de inibidores de cristalização 
 
– Fatores predisponentes 
• Raças com anormalidades metabólicas ou processos patológicos subjacentes: 
o Schnauzer miniatura, Shih tzu, Lhasa apso, Yorkshire terrier e Pug (fêmea) 
o Dálmata e Basset Hound (macho) 
 
Fatores predisponentes adicionais 
• Cães pequenos: fêmeas > machos 
• Idade: meia-idade a idosos 
• Exceção: 
o Uratos associados a desvio portossistêmico 
o Estruvita em Schnauzers 
 
Anamnese 
• Histórico depende de obstrução ou infecção 
• Sinais intermitentes — ATB (antibiótico) 
• Histórico anterior de urolitíase 
• Análise dos cálculos não realizada 
• Não instituição da terapia apropriada 
 
Exame físico 
• Assintomáticos 
• Hematúria (gatos) 
• Pielonefrite: poliúria, polidipsia, letargia, depressão, febre e anorexia 
• Destruição renal/obstrução: uremia 
• Cistite: disúria ou estrangúria 
 
Diagnóstico 
Radiografia: 
• Achados acidentais 
• Maioria dos cálculos é radiopaca 
• Avaliar ureteres, bexiga e uretra 
 
 
I. Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) 
• Complicações: 
o Insuficiência Renal 
o Hemorragia 
o Extravasamento urinário 
o Estenose ureteral 
II. Neoplasias Renais e Ureterais 
• Tipos de Neoplasias: 
o Nefroblastomas: 
▪ Maligno de desenvolvimento rápido 
▪ Surgem de elementos embrionários renais 
o Adenomiossarcomas embrionários 
o Nefromas 
o Tumores de Wilms 
• Fisiopatologia: 
o Tumores primários são incomuns em cães e gatos. 
o São malignos. 
o Em gatos: Linfoma (primário ou secundário). 
o Em Pastores Alemães: Dermatofibrose associada a cistoadenocarcinomas 
renais. 
o 30% de acometimento renal bilateral. 
o Metástases: 
▪ Locais comuns: Fígado, glândulas adrenais, pulmões, linfonodos, 
ossos e cérebro. 
▪ 50% de metástase pulmonar. 
▪ Metástases renais de outros tumores são comuns. 
• Fatores Predisponentes: 
o Carcinomas Renais: 
▪ Mais comuns em machos que fêmeas. 
▪ Idade: Meia-idade a idosos. 
o Pastor Alemão: 
▪ Cistoadenocarcinoma: 
▪ Meia-idade, qualquer sexo. 
▪ Herdada (autossômica dominante). 
o Nefroblastomas e Sarcomas Renais: 
▪ Animais jovens. 
• Anamnese (História Clínica): 
o História vaga e inespecífica. 
o Sinais clínicos comuns: 
▪ Anorexia 
▪ Depressão 
▪ Perda de peso 
▪ Aumento do tamanho abdominal (massa renal) 
▪ Dispneia (pode indicar metástase) 
▪ Hematúria (se houver hemangiomas ou outras causas de 
sangramento) 
• Exame Físico: 
o Frequentemente massas palpáveis. 
o Rim aumentado, firme e nodular. 
o Achados inespecíficos: Claudicação (pode indicar metástase óssea). 
• Diagnóstico: 
o Radiografia: 
▪ Aumento do tamanho renal. 
▪ Avaliação do tórax para metástases. 
o Ultrassonografia: 
▪ Mais específica e sensível. 
o Exames Laboratoriais (Inespecíficos): 
▪ Azotemia e anemia. 
▪ Hemograma. 
▪ Perfil bioquímico. 
▪ Urinálise: Hematúria macroscópica ou microscópica. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Rennomegalia (aumento do rim): 
▪ Hidronefrose. 
▪ Doença policística. 
▪ Abscesso. 
o Aumento abdominal (geral): 
▪ Baço aumentado. 
▪ Fígado aumentado. 
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I. Neoplasias Renais e Ureterais (Continuação) 
• Tratamento: 
o Tratamento Médico: 
▪ Estabilização do paciente. 
o Tratamento Cirúrgico: 
▪ Tumores Malignos e Unilaterais: Nefrectomia (remoção do rim). 
▪ Metástase: Quimioterapia e radioterapia (questionamento sobre 
eficácia/indicação). 
▪ Gatos com Linfomas: Quimioterapia (resposta variável). 
• Complicações (gerais das afecções urinárias ou pós-cirúrgicas): 
o Hemorragia. 
o Extravasamento urinário. 
o Insuficiência renal. 
• Prognóstico: 
o Natureza maligna e agressiva. 
o Raramente diagnosticados cedo. 
o Geralmente RUIM! 
o Exceção: Diagnóstico precoce e nefrectomia antes da ocorrência de 
metástases podem resultar em sobrevida longa (2 anos). 
II. Cirurgia da Bexiga Urinária e Uretra 
III. Uroabdômen (Uroperitônio) 
• Partes do Trato Urinário Envolvidas no Extravasamento: 
o Rins 
o Ureteres 
o Bexiga 
o Uretra proximal 
• Fisiopatologia: 
o Ruptura Vesical: Mais comum. 
▪ Pode ocorrer espontaneamente devido a: 
▪ Tumor 
▪ Cistite grave 
▪ Obstrução uretral 
o Traumatismo Abdominal: 
▪ Contuso 
▪ Penetrante 
▪ Iatrogênica (causada por procedimento médico): 
▪ Cistocentese 
▪ Cateterização vesical 
▪ Complicação cirúrgica. 
o TRAUMATISMO POR VEÍCULO!!!! (Ênfase) 
▪ Necessário avaliar todo o trato urinário. 
▪ O impacto pode causar rompimento ou necrose. 
▪ Fraturas pélvicas (extremidades pontiagudas podem lesionar o 
trato urinário). 
o Diagnóstico: 
▪ Quase sempre é retardadodevido à ausência de sinais clínicos no 
exame inicial. 
• Fatores Predisponentes: 
o Ruptura Vesical: Machos > fêmeas. 
o Fêmeas: Ruptura vesical > uretral. 
o Machos: Obstrução (uretral) - alto risco de ruptura vesical. 
Uroabdômen (Uroperitônio) 
• Histórico e Sinais Clínicos: 
o 1/3 dos casos não detectado clinicamente. 
o Sinais clínicos vagos. 
o Azotemia (com vômito, anorexia, depressão, letargia). 
o Hematúria. 
o Disúria. 
o Dor abdominal (inchaço, hérnia). 
o Equimoses (associadas a fraturas pélvicas), abdominais e perineais. 
o Vazamento urinário subcutâneo. 
o Podem apresentar urina em volume e aspecto normal!!! 
• Exame Físico: 
o Palpação abdominal (bexiga). 
o Inchaço ou acúmulo de fluido. 
o Avaliação da quantidade e caráter urinário (hematúria, disúria). 
o Presença de equimoses. 
• Diagnóstico: 
o Radiografia e Ultrassonografia: 
▪ Redução ou ausência de bexiga. 
▪ Falta de contraste (em exames contrastados). 
▪ Aumento do espaço retroperitoneal. 
o Ruptura Vesical: CISTOURETROGRAMA é o exame de eleição. 
o Achados Laboratoriais: 
▪ Hemograma. 
▪ Perfil bioquímico com eletrólitos (destaque para hipercalemia e 
azotemia). 
▪ Análise de fluido abdominal: Nível de creatinina no fluido é maior 
que no sangue. 
▪ Obstrução pode preceder ruptura, levando à Insuficiência Renal 
(IR). 
▪ Ruptura secundária à infecção pode levar à peritonite séptica. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Peritonite (geral): Vômito, desidratação e azotemia. 
o Vômito (causas não urinárias): Pâncreas, rins (outras afecções), baço, 
fígado, estômago, intestino. 
o Derrame abdominal: Uroabdômen, peritonite séptica, peritonite biliar. 
• Tratamento: 
o Tratamento Médico (estabilização): 
▪ Realizar reparo cirúrgico em 12 a 18 horas após a estabilização. 
▪ Manejar traumatismos intercorrentes (ex: miocardite traumática, 
contusão pulmonar). 
▪ Drenagem abdominal para estabilização. 
▪ Correção dos desequilíbrios eletrolíticos (antes da anestesia). 
▪ Realizar cultura e antibiograma para infecção. 
o Tratamento Cirúrgico (reparo): 
▪ Uretra: Anastomose primária. 
▪ Ruptura ureteral: Anastomose ou reimplantação na bexiga 
(dependendo da localização da lesão). 
▪ Ruptura vesical: Reparo (causas incluem tumor, cistite grave, 
obstrução). 
• Complicações (pós-tratamento ou da própria condição): 
o Vazamento urinário (deiscência da sutura). 
o Peritonite: Por urina infectada ou secundária à contaminação cirúrgica. 
• Prognóstico: 
o Excelente em casos de ruptura traumática. 
o Reservado em casos de necrose secundária à obstrução. 
 
Cálculos em Bexiga Urinária e Uretrais (Urolitíase do Trato Urinário Inferior) 
• Fisiopatologia Geral: 
o Urólitos Caninos: Predominantemente encontrados na bexiga e uretra. 
o Prevalência em Cães (ordem decrescente): Estruvita > Oxalato de Cálcio 
(Ca) > Urato > Silicato > Cistina > Mistos. 
• Fisiopatologia Específica por Tipo de Cálculo e Raça: 
o Urato: 
▪ Dálmatas: Defeito no transporte hepático de ácido úrico. 
▪ Representa 60% dos cálculos de urato em Dálmatas (machos). 
o Silicato: 
▪ Pastor Alemão/Old English Sheepdog: Distúrbio hereditário de 
transporte tubular renal. 
o Oxalato de Cálcio: 
▪ Mais comum em machos. 
▪ Raças predispostas: Schnauzer, Poodle, Yorkshire Terrier, Lhasa 
Apso e Shih Tzu. 
o Cistina: 
▪ Dachshunds machos de meia-idade. 
▪ Outras raças predispostas: Basset Hound, Buldogue Inglês, 
Yorkshire Terrier, Irish Terrier e Chihuahua. 
o Em Gatos: 
▪ Oxalato de Cálcio e Estruvita têm prevalência similar. 
▪ 35% dos cálculos de Oxalato de Cálcio podem estar relacionados 
a um aumento na concentração de Cálcio. 
• Fatores Predisponentes: 
o Estruvita: Mais comum em cadelas, frequentemente associado a Infecção 
do Trato Urinário (ITU). 
o Obstrução por cálculos: Mais comum em machos. 
o Idade: Cães de meia-idade. 
o Estruvita em animais jovens: Em cães com menos de 1 ano, a estruvita é 
comum e associada a ITU. 
• Histórico (Sinais Clínicos): 
o Sinais clínicos de ITU: Hematúria (sangue na urina), Polaciúria (aumento 
da frequência de micção), Estrangúria (dificuldade e dor para urinar). 
o Obstrução (parcial ou completa): 
▪ Distensão vesical. 
▪ Dor abdominal. 
▪ Estrangúria. 
▪ Incontinência paradoxal (perda de urina em bexiga 
superdistendida). 
▪ Azotemia pós-renal (com anorexia, vômito, depressão) devido à 
obstrução grave. 
• Exame Físico: 
o Parede vesical espessada. 
o Cálculos podem ser palpáveis. 
o Sinais compatíveis com ITU. 
o Em casos de obstrução: Dor abdominal, anorexia, vômito, depressão. 
• Diagnóstico: 
o Radiografia e Ultrassonografia: 
▪ Determinam a quantidade e localização dos cálculos. 
▪ Radiopacos (visíveis em raio-X): Oxalato de Cálcio e Estruvita. 
▪ Radiotransparentes (não visíveis em raio-X simples): Urato e 
Cistina. 
▪ Cistouretrografia Retrógrada: Utilizada para visualizar cálculos 
radiotransparentes. 
▪ Ultrassonografia (USS): Ajuda a avaliar rins e ureteres, bem como a 
própria bexiga e uretra. 
o Achados Laboratoriais: 
▪ Hemograma. 
▪ Perfil bioquímico com eletrólitos. 
▪ Urinálise. 
▪ Cultura urinária (essencial para ITU). 
▪ Sinais comuns de infecção urinária: Piúria (pus na urina), 
hematúria, proteinúria e/ou bacteriúria. 
▪ Pode ocorrer Insuficiência Renal (IR) por pielonefrite crônica. 
▪ Em casos de urato, pode-se observar sinais de insuficiência 
hepática. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Infecção crônica de trato urinário. 
o Neoplasias (tumores). 
o Inflamação granulomatosa. 
 
 Resumo Detalhado – Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário 
 
 Introdução 
As principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos animais envolvem: 
• Urolitíase (formação de cálculos urinários) 
• Traumas 
• Neoplasias 
O transplante renal em veterinária ainda não é uma prática comum. 
• Em felinos, apresenta resultados promissores, principalmente nos Estados 
Unidos. 
• Em cães, a ausência de protocolos eficazes de imunossupressão impede a 
adoção rotineira da técnica, restringindo-a a centros altamente especializados. 
Referência científica: Brown et al. (2011) demonstram que a sobrevida em gatos 
transplantados pode ser superior a 2 anos com manejo adequado de imunossupressores. 
 
 Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) 
Frequência: 
• Representa 5 a 10% dos cálculos urinários em cães e é menos comum em gatos. 
Composição dos cálculos mais frequentes: 
• Estruvita: mais comum, geralmente associada a infecção urinária em cães. 
• Oxalato de cálcio: não dissolve, comum em ambiente urinário ácido. 
• Urato: associado a desvios portossistêmicos, mais frequente em Dálmatas. 
• Silicato: raro, mas observado em certas regiões. 
• Cistina: relacionada a defeitos genéticos no transporte de aminoácidos. 
• Mistos: combinação de dois ou mais tipos de minerais. 
Fatores que favorecem a formação: 
• Alterações no pH urinário (ácido ou alcalino). 
• Infecções urinárias (sobretudo por Staphylococcus e Proteus). 
• Alta concentração de solutos (cristalóides) na urina. 
• Baixa concentração de inibidores naturais de cristalização, como citrato e 
glicosaminoglicanos. 
 
 Fatores Predisponentes 
• Raças: predisposição genética associada a distúrbios metabólicos: 
o Fêmeas: Schnauzer miniatura, Shih tzu, Lhasa apso, Yorkshire terrier, Pug. 
o Machos: Dálmata e Basset Hound. 
• Idade: mais comum em animais de meia-idade a idosos. 
• Exceções importantes: 
o Uratos relacionados a desvio portossistêmico (congênito ou adquirido). 
o Estruvita em Schnauzers, mesmo sem infecção associada. 
 
 Anamnese 
O histórico clínico varia conforme a localização e gravidade dos cálculos: 
• Obstrução: dor, dificuldade para urinar, distensão abdominal. 
• Infecção: episódios de infecção urinária recorrente. 
• Muitos animais apresentam sinais intermitentes, tratados apenas com 
antibióticos, sem investigação da causa base. 
• Frequentemente, não é realizada análise dos cálculos, o que impedea 
prevenção da recorrência. 
 
 Exame Físico 
• Pode ser assintomático. 
• Hematúria, mais evidente em gatos. 
• Pielonefrite: infecção renal associada a sinais sistêmicos como poliúria, 
polidipsia, letargia, febre, anorexia e depressão. 
• Destruição renal e obstrução: pode levar à uremia (acúmulo de resíduos 
nitrogenados no sangue). 
• Cistite: apresenta-se como disúria (dificuldade para urinar) ou estrangúria 
(esforço para urinar com pouco volume). 
 
 Diagnóstico 
• Radiografia abdominal: 
o Detecta a maioria dos cálculos (radiopacos – como estruvita e oxalato). 
o Útil para avaliar ureteres, bexiga e uretra. 
o Cálculos de urato e cistina são radiotransparentes, sendo melhor 
visualizados na ultrassonografia ou urografia excretora. 
Exames complementares: 
• Urinálise (para detectar hematúria, cristais, infecção). 
• Cultura urinária. 
• Ultrassonografia abdominal. 
• Urografia excretora (em casos de suspeita de obstrução ureteral ou hidronefrose). 
 
 Manejo e Tratamento Cirúrgico 
• Cálculos renais e ureterais: geralmente exigem cirurgia de remoção 
(nefrotomia, ureterotomia) devido à baixa taxa de dissolução. 
• Cálculos de estruvita: podem ser dissolvidos com dieta acidificante e manejo da 
infecção, se não houver obstrução. 
• Stents ureterais e SUB (subcutaneous ureteral bypass): alternativa 
minimamente invasiva, especialmente em gatos. 
Referência: Berent et al. (2014) relatam que o uso de stents ureterais e sistemas SUB 
aumentam a taxa de sucesso no tratamento de obstruções ureterais em gatos, com 
menor morbidade que as cirurgias tradicionais. 
 
 
Here's a detailed summary of the provided slides on "Afecções Cirúrgicas do Sistema 
Urinário," incorporating information from scientific articles to provide a comprehensive 
overview: 
 
Resumo Detalhado: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário em Cães e Gatos 
Este resumo aborda as principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos 
animais, com foco em urolitíases (cálculos) e neoplasias, e a realidade do transplante 
renal. As informações são complementadas com dados da literatura científica para 
oferecer um panorama detalhado. 
Slide 1 – Introdução 
As afecções cirúrgicas do sistema urinário em cães e gatos englobam principalmente 
urolitíases (formação de cálculos), traumas e neoplasias (tumores). A intervenção 
cirúrgica é frequentemente crucial para o manejo dessas condições, especialmente 
quando há obstrução, dor, ou comprometimento da função renal. 
O transplante renal em animais ainda não é uma realidade rotineira na prática veterinária 
geral. 
• Em felinos: A literatura mundial tem demonstrado resultados excelentes em 
transplantes renais. A taxa de sucesso em gatos é relativamente alta, com muitos 
centros reportando mais de 90% de sobrevida cirúrgica e cerca de 60-70% de 
sobrevida de um ano, com uma média de vida de 2 a 3 anos pós-transplante. A 
disponibilidade de doadores (muitas vezes gatos de abrigo) e a compatibilidade 
sanguínea mais simples em felinos contribuem para esses resultados. 
• Em cães: O transplante renal em cães enfrenta desafios significativos, 
principalmente devido à inexistência de protocolos de imunossupressão eficazes 
que evitem a rejeição do órgão sem causar morbidade ou mortalidade 
significativas. A complexidade imunológica em cães torna o transplante renal uma 
realidade menos difundida e geralmente restrita a condições muito específicas e 
centros especializados. A pesquisa contínua busca avanços nesse campo para 
cães, com o objetivo de desenvolver terapias celulares que induzam tolerância ao 
transplante. 
Slide 2 – Cálculos Renais e Ureterais (Urolitíase) - Fisiopatologia 
A urolitíase é a formação de concreções sólidas (cálculos ou urólitos) no trato urinário. 
Embora os cálculos na bexiga urinária sejam mais comuns, os cálculos renais (nefrólitos) 
e ureterais são clinicamente importantes devido ao seu potencial de causar obstrução e 
danos renais. 
• Prevalência: Correspondem a 5 a 10% dos urólitos caninos. Em gatos, a 
ocorrência de cálculos renais é menos comum que em cães, mas os cálculos 
ureterais são mais frequentes em felinos do que em cães. 
• Tipos de Urólitos: 
o Estruvita (fosfato de amônio e magnésio): Mais comuns em cães e 
frequentemente associados a infecções do trato urinário por bactérias 
produtoras de urease. 
o Oxalato de Cálcio: Sua prevalência tem aumentado nas últimas décadas, 
e são comuns em ambas as espécies. Não podem ser dissolvidos por 
terapia médica e geralmente requerem remoção cirúrgica ou outras 
intervenções. 
o Urato: Relacionados a distúrbios do metabolismo de purinas, sendo 
classicamente associados a raças como o Dálmata e a condições como 
desvio portossistêmico. 
o Silicato: Menos comuns, frequentemente associados a dietas específicas. 
o Cistina: Urólitos de origem metabólica, resultantes de um defeito na 
reabsorção renal de cistina, comum em certas raças. 
o Mistos: Contêm mais de um tipo de mineral. 
Slide 3 – Fatores de Formação de Urólitos 
A formação de cálculos é um processo multifatorial que envolve a supersaturação da 
urina com cristais, a presença de nidus para cristalização e a deficiência de inibidores da 
formação de cálculos. 
• pH urinário: O pH da urina influencia a solubilidade de diferentes minerais. Por 
exemplo, a urina alcalina favorece a formação de cálculos de estruvita, enquanto 
a urina ácida pode predispor à formação de oxalato de cálcio e urato. 
• Infecção: Infecções do trato urinário, especialmente por bactérias que produzem 
urease (como Staphylococcus e Proteus), elevam o pH urinário e aumentam a 
concentração de amônio, promovendo a formação de estruvita. 
• Alta concentração de cristaloides na urina: A ingestão insuficiente de água ou a 
perda excessiva de água (por exemplo, por poliúria) pode levar a uma urina mais 
concentrada, aumentando a saturação de minerais e a chance de cristalização. 
• Diminuição na concentração urinária de inibidores de cristalização: A urina 
contém substâncias naturais que inibem a formação de cristais e a agregação de 
cálculos (ex: citrato, pirofosfato). A deficiência desses inibidores pode predispor à 
urolitíase. 
Slide 4 – Fatores Predisponentes (Raças) 
Algumas raças apresentam predisposição genética ou metabólica para o 
desenvolvimento de certos tipos de urólitos: 
• Schnauzer Miniatura, Shih Tzu, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier e Pug (fêmea): 
Frequentemente associados a cálculos de oxalato de cálcio e, no caso dos 
Schnauzers, também a estruvita. 
• Dálmata e Basset Hound (macho): Notoriamente predispostos a cálculos de urato 
devido a um defeito genético no transporte hepático e renal de ácido úrico. 
Slide 5 – Fatores Predisponentes Adicionais 
Além da raça, outros fatores demográficos e patológicos influenciam a ocorrência de 
urolitíase: 
• Cães pequenos: Fêmeas de raças pequenas são mais predispostas à urolitíase, 
em geral, do que machos. 
• Idade: A urolitíase é mais comum em animais de meia-idade a idosos. 
• Exceções: 
o Uratos associados a desvio portossistêmico: Animais com desvios 
portossistêmicos (congênitos ou adquiridos) podem ter metabolismo 
hepático alterado, levando ao acúmulo de amônia e urato, que podem 
formar cálculos em idades mais jovens. 
o Estruvita em Schnauzers: Embora a estruvita seja mais comum em fêmeas 
devido à maior incidência de infecções do trato urinário, os Schnauzers 
miniaturas apresentam uma predisposição para estruvita 
independentemente do sexo e podem desenvolvê-los em idade precoce. 
Slide 6 – Anamnese (Cálculos) 
O histórico clínico é fundamental para a suspeita de urolitíase, embora os sinais possam 
ser variáveis e inespecíficos. 
• Histórico depende de obstrução ou infecção: Os sinais apresentados pelo animal 
podem variar amplamente, desde ausência de sintomas até uma emergência 
obstrutiva grave. 
• Sinais intermitentes - ATB (antibiótico): Sinais como disúria ou hematúria podem 
ser intermitentes, e a administração de antibióticos(sem um diagnóstico 
definitivo) pode mascarar ou atrasar o diagnóstico de cálculos, pois a infecção 
subjacente (e os sintomas) podem melhorar temporariamente. 
• Histórico anterior de urolitíase: A recorrência é comum em urolitíase. Um histórico 
de episódios anteriores de cálculos, especialmente se não foram analisados, é 
um forte indicativo. 
• Análise dos cálculos não realizada / Não instituição da terapia apropriada: A falta 
de análise do tipo de cálculo (composicional) após a remoção cirúrgica ou a falha 
em instituir a terapia profilática adequada (dietas específicas, modificadores de 
pH urinário) aumenta significativamente o risco de recorrência. A análise da 
composição do cálculo é crucial para o manejo preventivo. 
Slide 7 – Exame Físico (Cálculos) 
Os achados do exame físico podem variar de ausência de anormalidades a sinais graves 
de doença. 
• Assintomáticos: Pequenos cálculos podem ser encontrados acidentalmente em 
exames de imagem, sem que o animal apresente quaisquer sintomas. 
• Hematúria (gatos): Sangue na urina é um sinal comum, especialmente em gatos 
com cálculos ureterais ou renais. 
• Pielonefrite (infecção renal): Sinais sistêmicos como poliúria (aumento da 
micção), polidipsia (aumento da sede), letargia, depressão, febre e anorexia 
podem indicar infecção renal ascendente (pielonefrite), uma complicação grave 
da urolitíase. 
• Destruição renal/Obstrução: A obstrução do fluxo urinário, especialmente se 
bilateral ou em um rim único, pode levar à uremia (acúmulo de toxinas no sangue 
devido à falha renal), que é uma emergência e pode se manifestar com vômitos, 
letargia e fraqueza. 
• Cistite: Sinais de trato urinário inferior, como disúria (dificuldade/dor ao urinar) ou 
estrangúria (esforço doloroso e prolongado para urinar, com pouca ou nenhuma 
produção de urina), indicam inflamação da bexiga urinária, frequentemente 
associada a cálculos vesicais ou infecções. 
Slide 8 – Diagnóstico (Cálculos) 
O diagnóstico definitivo de urolitíase requer exames de imagem e laboratoriais. 
• Radiografia: 
o Achados acidentais: Muitas vezes, os cálculos são descobertos 
incidentalmente em radiografias realizadas por outros motivos. 
o Maioria dos cálculos é radiopaca: A maioria dos tipos de cálculos (oxalato 
de cálcio, estruvita, fosfato de cálcio) é radiopaca (visível em radiografias), 
devido ao seu conteúdo mineral. Urólitos de urato e cistina são menos 
radiopacos e podem não ser visíveis ou serem difíceis de visualizar, 
exigindo outros métodos de imagem. 
o Avaliar ureteres, bexiga e uretra: As radiografias devem ser estendidas para 
avaliar todo o trato urinário, desde os rins até a uretra, para identificar a 
localização de todos os cálculos. 
• Ultrassonografia: 
o Mais específica e sensível: A ultrassonografia é superior para detectar 
cálculos pequenos, cálculos radioluscentes (não visíveis na radiografia, 
como uratos), e para avaliar a dilatação do trato urinário (hidronefrose, 
hidroureter) e o parênquima renal. Também é útil para guiar biópsias 
renais ou para aspiração de urina. 
o Outros métodos: Urografia excretora, uretrografia/cistografia de contraste 
e tomografia computadorizada (TC) são técnicas mais avançadas que 
podem ser usadas para detectar cálculos, avaliar o fluxo urinário e 
planejar a cirurgia, especialmente em casos complexos ou quando a 
radiografia e ultrassonografia não são conclusivas. 
 
 
Resumo Detalhado: Afecções Cirúrgicas do Sistema Urinário em Cães e Gatos 
Este resumo integra as informações de todos os slides fornecidos, abordando as 
principais afecções cirúrgicas do sistema urinário em pequenos animais: urolitíases 
(cálculos), neoplasias renais e ureterais, e uroabdômen (uroperitônio), com base nos 
dados apresentados. 
 
I. Introdução 
As afecções do sistema urinário que frequentemente requerem intervenção cirúrgica em 
cães e gatos incluem principalmente urolitíases (cálculos), traumas e neoplasias 
(tumores). A intervenção cirúrgica é essencial para manejar essas condições, 
especialmente em casos de obstrução, dor refratária ou comprometimento da função 
renal. 
II. Neoplasias Renais e Ureterais 
• Tipos de Neoplasias: 
o Nefroblastomas: São tumores malignos que se desenvolvem 
rapidamente e surgem de elementos embrionários renais. Incluem 
adenomiossarcomas embrionários e análogos dos Tumores de Wilms. 
o Nefromas: Termo geral para tumores renais. 
• Fisiopatologia: 
o Tumores primários renais são incomuns em cães e gatos. 
o São geralmente malignos. 
o Em gatos, o linfoma é a neoplasia renal mais comum, podendo ser 
primário ou secundário. 
o Pastores Alemães têm predisposição à dermatofibrose associada a 
cistoadenocarcinomas renais. 
o Há acometimento renal bilateral em 30% dos casos. 
o Metástases são comuns para fígado, glândulas adrenais, pulmões, 
linfonodos, ossos e cérebro. 
o A metástase pulmonar ocorre em 50% dos casos. 
o Metástases renais de outros tumores são também comuns. 
• Fatores Predisponentes: 
o Carcinomas renais: Mais comuns em machos do que em fêmeas. 
o Pastor Alemão: O cistoadenocarcinoma ocorre em animais de meia-
idade de qualquer sexo e é uma condição herdada (autossômica 
dominante). 
o Idade: A maioria afeta animais de meia-idade a idosos. 
o Nefroblastomas e sarcomas renais são vistos em animais jovens. 
• Anamnese (Histórico Clínico): 
o A história clínica é frequentemente vaga e inespecífica. 
o Sinais podem incluir anorexia, depressão e perda de peso. 
o Pode haver aumento do tamanho abdominal devido a uma massa renal. 
o Dispneia (dificuldade respiratória) pode sugerir metástase pulmonar. 
o Hemangiomas podem causar hematúria. 
• Exame Físico: 
o Frequentemente, massas abdominais são palpáveis. 
o O rim pode estar aumentado, firme e nodular. 
o Achados inespecíficos como claudicação podem indicar metástase 
óssea. 
• Diagnóstico: 
o Radiografia: Pode revelar aumento do tamanho renal e metástase no 
tórax. 
o Ultrassonografia: É mais específica e sensível para avaliar a massa renal e 
estruturas adjacentes. 
o Exames Laboratoriais (inespecíficos): Incluem azotemia e anemia. 
Hemograma, perfil bioquímico e urinálise (com hematúria macroscópica 
ou microscópica) devem ser realizados. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Renomegalia: Hidronefrose, doença policística e abscesso. 
o Aumento abdominal: Pode ser devido a baço, fígado, entre outros. 
• Tratamento: 
o Tratamento Médico: Inicia com a estabilização do paciente. 
o Tratamento Cirúrgico: 
▪ Para tumores malignos e unilaterais, a nefrectomia (remoção do 
rim) é o tratamento de escolha. 
▪ Em casos de metástase, quimioterapia e radioterapia podem ser 
consideradas, mas a resposta é questionável. 
▪ Em gatos com linfomas, a quimioterapia é utilizada, com resposta 
variável. 
• Complicações: 
o Hemorragia. 
o Extravasamento urinário. 
o Insuficiência renal. 
• Prognóstico: 
o É geralmente RUIM devido à natureza maligna e agressiva dos tumores e 
ao diagnóstico tardio. 
o No entanto, o diagnóstico precoce e a nefrectomia antes do 
desenvolvimento de metástases podem levar a uma sobrevida longa (até 2 
anos). 
III. Cálculos em Bexiga Urinária e Uretrais (Urolitíase do Trato Urinário Inferior) 
• Fisiopatologia Geral: 
o Urólitos em cães são encontrados predominantemente na bexiga e uretra. 
o Em cães, a ordem de prevalência dos tipos de cálculos é: Estruvita > 
Oxalato de Cálcio (Ca) > Urato > Silicato > Cistina > Mistos. 
• Fisiopatologia Específica por Tipo de Cálculo e Raça: 
o Urato: Dálmatas possuem um transporte hepático de ácido úrico 
defeituoso, predispondo à formação de uratos. Cerca de 60% dos cálculos 
de urato são encontrados em Dálmatas machos. 
o Silicato: Pastores Alemães e Old English Sheepdogs podem ter um 
distúrbio hereditário de transporte tubular renal que predispõe à formação 
de sílica. 
o Oxalato de Cálcio: Mais comum em machos de raças como Schnauzer, 
Poodle, Yorkshire Terrier, Lhasa Apso e Shih Tzu. Em gatos, a prevalência 
deOxalato de Cálcio é igual à de Estruvita. Cerca de 35% dos casos de 
Oxalato de Cálcio em gatos podem estar relacionados ao aumento da 
concentração de cálcio. 
o Cistina: Comum em Dachshunds machos de meia-idade, e também em 
raças como Basset Hound, Buldogue Inglês, Yorkshire Terrier, Irish Terrier e 
Chihuahua. 
• Fatores Predisponentes: 
o Estruvita: Mais comum em cadelas, frequentemente associada a 
Infecções do Trato Urinário (ITU). 
o Obstrução por cálculos: Mais comum em machos. 
o Cães de meia-idade são comumente afetados. 
o Em animais com menos de 1 ano, a estruvita é comum e associada a ITU. 
• Histórico (Sinais Clínicos): 
o Sinais clínicos de ITU incluem hematúria, polaciúria e estrangúria. 
o Pode haver obstrução parcial ou completa, com distensão vesical e dor 
abdominal. 
o Estrangúria e incontinência paradoxal são possíveis. 
o A azotemia pós-renal (com anorexia, vômito, depressão) pode ocorrer 
devido à obstrução. 
• Exame Físico: 
o Pode-se palpar uma parede vesical espessada. 
o Cálculos podem ser palpáveis na bexiga. 
o Sinais compatíveis com ITU podem estar presentes. 
o Em casos de obstrução, o animal pode apresentar dor abdominal, 
anorexia, vômito e depressão. 
• Diagnóstico (Exames de Imagem e Laboratoriais): 
o Radiografia e Ultrassonografia: 
▪ Determinam a quantidade e localização dos cálculos. 
▪ Oxalato de Cálcio e Estruvita são radiopacos (visíveis em 
radiografias). 
▪ Urato e Cistina são radiotransparentes (não visíveis em radiografias 
simples). 
▪ A cistouretrografia retrógrada é útil para visualizar cálculos 
radiotransparentes. 
▪ A ultrassonografia (USS) é usada para avaliar rins e ureteres. 
o Achados Laboratoriais: 
▪ Hemograma e perfil bioquímico com eletrólitos. 
▪ Urinálise e cultura urinária são essenciais. 
▪ É comum a infecção urinária, com piúria, hematúria, proteinúria 
e/ou bacteriúria. 
▪ Insuficiência Renal (IR) pode ocorrer devido a pielonefrite crônica. 
▪ Em casos de urato, pode haver insuficiência hepática. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Infecção crônica do trato urinário. 
o Neoplasias. 
o Inflamação granulomatosa. 
• Tratamento: 
o Tratamento Médico: 
▪ Descompressão vesical. 
▪ Uroidropropulsão (para remoção não cirúrgica de cálculos 
pequenos). 
o Tratamento Cirúrgico: 
▪ Cistotomia: Incisão na bexiga para remoção dos cálculos. 
▪ Uretrostomia: Criação de uma nova abertura permanente na 
uretra, geralmente para evitar obstruções recorrentes. 
▪ É crucial enviar o cálculo para análise laboratorial para 
determinar sua composição e planejar o manejo pós-operatório e 
preventivo. 
• Complicações (Pós-cirúrgicas): 
o Cistotomia: Complicações são incomuns, mas pode haver vazamento 
urinário. 
o Uretrostomia: Hemorragia pode ocorrer por até 7 dias. Estenose uretral é 
uma complicação incomum. 
• Prognóstico: 
o A recorrência de cálculos varia de 12 a 25%. 
o Os cálculos de cistina e urato são os mais comuns para recorrência. 
o Um tratamento médico adequado é fundamental para prevenir a 
recorrência. 
IV. Uroabdômen (Uroperitônio) 
O uroabdômen é uma emergência caracterizada pelo extravasamento de urina para a 
cavidade abdominal, resultando em peritonite química e distúrbios eletrolíticos. 
• Locais de Ruptura Comuns: Rins, ureteres, bexiga e uretra proximal. 
• Fisiopatologia: 
o A ruptura vesical é a causa mais comum. Pode ocorrer espontaneamente 
devido a tumor, cistite grave ou obstrução uretral. 
o Traumatismo abdominal é uma causa principal, podendo ser contuso, 
penetrante ou iatrogênico (causado por procedimentos como 
cistocentese ou cateterização vesical). Também pode ser uma 
complicação cirúrgica. 
o O TRAUMATISMO POR VEÍCULO é uma causa muito importante. O 
impacto pode causar rompimento ou necrose do tecido. Fraturas pélvicas, 
com suas extremidades pontiagudas, podem lesionar o trato urinário. O 
diagnóstico é frequentemente retardado devido à ausência de sinais 
clínicos no exame inicial. 
• Histórico e Sinais Clínicos: 
o Cerca de 1/3 dos casos não são detectados clinicamente de imediato. 
o Os sinais clínicos são vagos, incluindo azotemia (com vômito, anorexia, 
depressão e letargia), hematúria, disúria e dor abdominal (com inchaço ou 
hérnia). 
o Pode haver equimoses (associadas a fraturas pélvicas), abdominais e 
perineais, e vazamento urinário subcutâneo. 
o É importante notar que, apesar do extravasamento, o animal pode 
apresentar urina em volume e aspecto normal. 
• Exame Físico: 
o A palpação abdominal pode revelar inchaço ou acúmulo de fluido na 
bexiga. 
o É importante avaliar a quantidade e o caráter urinário (hematúria, disúria). 
o A presença de equimoses também é um achado relevante. 
• Fatores Predisponentes: 
o Ruptura vesical: Mais comum em machos do que em fêmeas. 
o Em fêmeas, a ruptura vesical é mais comum que a uretral. 
o Em machos, a obstrução (uretral) aumenta significativamente o risco de 
ruptura vesical. 
• Diagnóstico (Exames de Imagem e Laboratoriais): 
o Radiografia e Ultrassonografia: Podem mostrar redução ou ausência da 
bexiga, falta de contraste (em exames contrastados) e aumento do espaço 
retroperitoneal. Para confirmar uma ruptura vesical, o 
CISTOURETROGRAMA é o exame de escolha. 
o Achados Laboratoriais: 
▪ Hemograma e perfil bioquímico com eletrólitos. 
▪ Hipercalemia e azotemia são achados clássicos e indicam 
emergência. 
▪ A análise do fluido abdominal é crucial: o nível de creatinina no 
fluido é significativamente maior do que no sangue, 
confirmando o uroabdômen. 
▪ A obstrução pode preceder a ruptura, levando à Insuficiência 
Renal (IR). 
▪ A ruptura secundária a uma infecção pode resultar em peritonite 
séptica. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Peritonite (geral): Apresenta vômito, desidratação e azotemia. 
o Vômito: Pode ter outras causas não urinárias, como afecções do 
pâncreas, rins (outras condições), baço, fígado, estômago ou intestino. 
o Derrame abdominal: Inclui uroabdômen, peritonite séptica e peritonite 
biliar. 
• Tratamento Médico (para Uroabdômen): 
o A estabilização do paciente é a prioridade. 
o A drenagem abdominal é importante para estabilização, aliviando a 
pressão e removendo a urina. 
o A correção dos desequilíbrios eletrolíticos (especialmente hipercalemia) 
deve ser feita antes da anestesia. 
o Traumatismos intercorrentes, como miocardite traumática ou contusão 
pulmonar, devem ser avaliados e tratados. 
o Cultura e antibiograma são necessários para controlar infecções. 
o O reparo cirúrgico deve ser realizado entre 12 a 18 horas após a 
estabilização do paciente. 
• Tratamento Cirúrgico (para Uroabdômen): 
o Uretra: Realiza-se anastomose primária. 
o Ruptura ureteral: Pode ser corrigida com anastomose ou reimplantação 
na bexiga, dependendo da localização da lesão. 
o Ruptura vesical: O reparo da bexiga é necessário, podendo ser causada 
por tumor, cistite grave ou obstrução. 
• Complicações (Pós-cirúrgicas ou da Condição): 
o Vazamento urinário (deiscência da sutura). 
o Peritonite: Pode ser causada por urina infectada ou ser secundária à 
contaminação cirúrgica. 
• Prognóstico (para Uroabdômen): 
o É excelente se a ruptura for de origem traumática e o paciente for 
estabilizado e tratado prontamente. 
o É reservado se houver necrose secundária à obstrução, indicando um 
dano tecidual mais extenso e potencial para complicações. 
V. Cirurgia da Bexiga Urinária e Uretra 
Esses procedimentos são cruciais para o manejo de diversas condições do trato urinário 
inferior, incluindo urolitíase, traumas (rupturas) e algumas neoplasias. A cistotomia 
(incisão na bexiga) é comum para remoção de cálculos ou biópsias. As uretrostomias 
(criação de uma nova saída permanente para a urina) são realizadas para evitar 
obstruções recorrentes. O sucesso desses procedimentos depende da técnica cirúrgica, 
do manejo das complicações e do controle das condições subjacentes.

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