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ESCHERICHIA COLI
Escherichia coli: Da Flora Comensal aos Patótipos de Virulência
A Escherichia coli (E. coli) é um bacilo Gram-negativo, anaeróbio facultativo, conhecido por sua
impressionante adaptabilidade. Este microrganismo desempenha um papel duplo, existindo tanto como
um membro inofensivo da microbiota quanto como um patógeno perigoso.
O Papel Benéfico e Indicador
Presente majoritariamente como um comensal na microbiota intestinal de animais de sangue
quente, incluindo humanos, a E. coli desempenha funções benéficas. Algumas cepas são cruciais para
a síntese de vitamina K e ajudam a manter o equilíbrio do ecossistema intestinal, prevenindo a
colonização por bactérias patogênicas. Dada sua prevalência no trato gastrointestinal, a E. coli serve
como o principal indicador microbiológico de contaminação fecal em análises de água e alimentos,
sendo um pilar para a vigilância em saúde pública.
A Evolução para a Patogenicidade
A notável plasticidade genética da E. coli permite que certas cepas adquiram fatores de virulência,
transformando-se em patógenos. Uma E. coli comensal pode evoluir para diferentes patótipos através
da aquisição de elementos genéticos móveis por transferência horizontal de genes. Os principais
mecanismos incluem:
- Plasmídeos: DNA circular extracromossômico que pode carregar genes de toxinas (como em E. coli
enterotoxigênica - ETEC) ou de invasão (como em E. coli enteroinvasiva - EIEC).
- Bacteriófagos (Fagos): Vírus que infectam bactérias e podem integrar genes de toxinas potentes,
como a toxina Shiga (Stx), que define a E. coli entero-hemorrágica (EHEC).
- Ilhas de Patogenicidade (PAIs): Grandes segmentos de DNA inseridos no cromossomo bacteriano
que contêm múltiplos genes de virulência. O Locus of Enterocyte Effacement (LEE), por exemplo, é
essencial para a capacidade de adesão e lesão celular das cepas enteropatogênicas (EPEC) e
entero-hemorrágicas (EHEC).
Classificação e Sorotipagem
Para diferenciar as vastas populações de E. coli, utiliza-se a sorotipagem. Este método classifica as
cepas com base nos antígenos presentes em sua superfície:
• O: Antígeno somático (na parede celular)
• H: Antígeno flagelar
• K: Antígeno capsular
• F: Antígeno de fímbria (pili)
Um dos sorotipos mais conhecidos e perigosos é a E. coli O157:H7, uma cepa enterohemorrágica
(EHEC) que pode causar surtos graves de doenças gastrointestinais.
Escherichia coli Enteropatogênica (EPEC)
1. Introdução: O que é EPEC?
A Escherichia coli Enteropatogênica (EPEC) é um patógeno intestinal especializado, reconhecido
mundialmente como uma das principais causas de diarreia aquosa aguda. Seu impacto é
particularmente severo em lactentes e crianças com menos de dois anos, especialmente em regiões
com saneamento precário. A infecção pode variar de leve e autolimitada a quadros graves de
desidratação e desnutrição, representando um sério problema de saúde pública.
2. Epidemiologia: Os Dois Tipos de EPEC
As cepas de EPEC são classificadas em dois grandes grupos com base em seus fatores de
virulência e epidemiologia:
- EPEC Típica (tEPEC):
• Principal Alvo: Crianças com menos de 2 anos.
• Reservatório: Primariamente humano.
• Característica Chave: Possui o plasmídeo de virulência pEAF.
• Sorotipos Comuns: O55:H6, O86:H34, O111:H2.
- EPEC Atípica (aEPEC):
• Principal Alvo: Crianças e adultos.
• Reservatório: Humanos e diversos animais (caráter zoonótico).
• Característica Chave: Ausência do plasmídeo pEAF.
• Sorotipos Comuns: O26:H11, O55:H7, O128:H2.
3. Patogênese: O Ataque Celular em Etapas
A EPEC causa a doença através de um mecanismo complexo e engenhoso, resultando na lesão
de Aderência e Esfacelamento (A/E).
Passo 1: Adesão Inicial e Formação de Microcolônias
- Após sobreviver à acidez do estômago, a EPEC Típica utiliza a fímbria BFP (Bundle-Forming Pilus)
para se aderir às células do intestino (enterócitos).
- Essa fímbria permite que as bactérias se agrupem, formando microcolônias tridimensionais muito
densas. Esse padrão é chamado de Adesão Localizada (AL).
Passo 2: Injeção de Proteínas Efetoras
- A EPEC utiliza uma "seringa molecular" chamada Sistema de Secreção do Tipo III (SST3).
- Com essa estrutura, a bactéria perfura a membrana da célula hospedeira e injeta dezenas de
proteínas efetoras diretamente no citoplasma, que irão manipular as funções celulares.
Passo 3: Aderência Íntima e Formação do Pedestal
- Uma proteína efetora chave, a Tir, é injetada e se posiciona na membrana do enterócito, agindo
como um receptor para a própria bactéria.
- A proteína Intimina, localizada na superfície da EPEC, liga-se firmemente à Tir.
- Essa ligação dispara um sinal que sequestra o citoesqueleto de actina da célula, forçando sua
polimerização e reorganização para formar uma estrutura elevada sob a bactéria, conhecida como
pedestal ou "taça".
Passo 4: Destruição da Mucosa Intestinal
- A formação do pedestal causa a destruição física e o apagamento (esfacelamento) das
microvilosidades, que são vitais para a absorção.
- Outras proteínas efetoras injetadas causam mais danos: rompem as junções oclusivas (que unem as
células), geram disfunção nas mitocôndrias e podem induzir a apoptose (morte celular programada),
destruindo a barreira intestinal.
4. Principais Fatores de Virulência
As "armas" moleculares da EPEC são codificadas por genes específicos:
Ilha de Patogenicidade LEE (Locus of Enterocyte Effacement):
- É a região central da Virulência de EPEC.
- Contém os genes que codificam o SST3, a Intimina, a Tir e muitas outras proteínas efetoras
essenciais para a lesão A/E.
Plasmídeo pEAF (EPEC Adherence Factor):
- Presente apenas na EPEC Típica.
- Codifica a fímbria BFP, sendo crucial para a etapa inicial de formação de microcolônias.
5. Manifestações Clínicas e Sintomas
A destruição da arquitetura intestinal resulta em um quadro clínico característico:
- Sintoma Principal: Diarreia aquosa, secretora e abundante, que pode levar rapidamente à
desidratação.
- Características das Fezes: Presença de muco, mas com notável ausência de sangue.
- Sintomas Associados: Geralmente acompanhada de febre baixa e vômitos.
- Consequências Fisiológicas: Má absorção severa de nutrientes e intolerância alimentar, causando
desequilíbrio de eletrólitos e desnutrição.
6. Tratamento
O foco do tratamento é o manejo das consequências da diarreia, e não necessariamente a
eliminação da bactéria.
- Medida Principal: Terapia de Reidratação Oral (TRO) com soros específicos para repor a intensa
perda de fluidos e eletrólitos. É a medida que salva vidas.
- Uso de Antibióticos: Não é rotineiramente recomendado. Seu uso é restrito a casos de diarreia
persistente ou de extrema gravidade, devido à alta prevalência de cepas com resistência a múltiplos
fármacos.
- Recuperação: Pode ser um processo lento, pois depende da completa regeneração da mucosa
intestinal danificada.
7. Prevenção
A prevenção é a estratégia mais eficaz para combater as infecções por EPEC.
- Nível Individual: O aleitamento materno é a medida de proteção mais importante para lactentes,
fornecendo anticorpos e outros fatores imunes.
- Nível de Saúde Pública:
• Acesso universal a saneamento básico.
• Fornecimento de água potável e tratada.
• Práticas rigorosas de higiene pessoal e na manipulação de alimentos.
Escherichia coli Enterotoxigênica (ETEC)
A Escherichia coli (E. coli) é uma bactéria que habita normalmente o intestino de seres humanos e
animais. No entanto, existem diversas cepas, ou patótipos, capazes de causar doenças, conhecidas
como E. coli diarreiogênicas. Entre elas, a ETEC se destaca como uma das principais causas de
diarreia secretora em todo o mundo.
1. Epidemiologia e Relevância Global:
A ETEC é um patógeno de grande importância para a saúde pública global, com um impacto
desproporcional em duas populações principais:
- Criançasem Países em Desenvolvimento: A ETEC é responsável por centenas de milhões de
casos de diarreia e dezenas de milhares de mortes anualmente, principalmente em crianças com
menos de 5 anos na África, Ásia e América Latina. A diarreia recorrente nesta faixa etária não só
ameaça a vida pela desidratação, mas também contribui para a desnutrição e atrasos no
desenvolvimento.
- Viajantes Internacionais: É a principal causa da "diarreia do viajante", afetando de 30% a 70% das
pessoas que viajam de países industrializados para regiões de alto risco. A infecção ocorre
tipicamente na primeira semana da viagem.
Modo de Transmissão:
A transmissão é fecal-oral. A infecção ocorre pela ingestão de uma dose infecciosa da bactéria,
que pode ser relativamente alta, através de:
- Água contaminada: Consumo de água não tratada, gelo feito com água contaminada ou enxágue
de alimentos em água contaminada.
- Alimentos contaminados: Frutas e vegetais crus lavados em água contaminada, saladas, e
alimentos manuseados por pessoas infectadas que não higienizaram as mãos adequadamente.
2. Fisiopatologia: Como a ETEC Causa a Doença
A capacidade da ETEC de causar diarreia depende de um processo de duas etapas, orquestrado
por seus fatores de virulência, cujos genes estão contidos principalmente no plasmídeo pENT.
Etapa 1: Colonização Intestinal
Para iniciar a infecção, a bactéria precisa aderir firmemente à superfície das células epiteliais
(enterócitos) do intestino delgado. Isso impede que ela seja eliminada pelo peristaltismo (movimentos
intestinais). Essa adesão é mediada pelos Fatores de Colonização (CFs).
- Natureza dos CFs: São estruturas proteicas, semelhantes a pelos, que se projetam da superfície
bacteriana. Existem mais de 25 tipos diferentes de CFs descritos (ex: CFA/I, CS1-CS6), com
estruturas variadas (fimbriais, fibrilares). A diversidade de CFs é um dos maiores desafios para o
desenvolvimento de uma vacina universal.
Etapa 2: Produção e Ação das Enterotoxinas
Uma vez aderida, a ETEC libera duas poderosas enterotoxinas que desregulam o transporte de
íons e água nos enterócitos, levando à diarreia secretora.
- Toxina Termolábil (LT - heat-labile):
• Estrutura: É uma toxina complexa (tipo A-B₅) muito semelhante estrutural e funcionalmente à toxina
colérica. Possui uma subunidade A (ativa) e cinco subunidades B (de ligação).
• Mecanismo de Ação: As subunidades B se ligam a receptores (gangliosídeos GM1) na membrana
do enterócito, permitindo a entrada da subunidade A. Dentro da célula, a subunidade A ativa
permanentemente a enzima adenilato ciclase através de um processo chamado ADP-ribosilação da
proteína Gs. A adenilato ciclase superativada converte grandes quantidades de ATP em AMP cíclico
(AMPc). O acúmulo de AMPc ativa a Proteína Quinase A (PKA), que fosforila e abre canais de cloreto
(como o CFTR), resultando em uma secreção maciça de cloreto, sódio, bicarbonato e água para o
lúmen intestinal.
- Toxina Termoestável (ST - heat-stable):
• Estrutura: É um pequeno peptídeo resistente ao calor. A principal variante é a STa.
• Mecanismo de Ação: A toxina STa se liga e ativa diretamente a enzima guanilil ciclase C na
superfície do enterócito. Isso causa um aumento nos níveis de GMP cíclico (GMPc). Assim como o
AMPc, o GMPc em excesso também ativa vias de sinalização que resultam na secreção de íons e água.
• Resultado Final: A ação combinada (ou individual) dessas toxinas transforma o intestino delgado de
um órgão de absorção para um órgão de hipersecreção, resultando em uma perda de fluidos que
excede a capacidade de absorção do intestino grosso, manifestando-se como uma diarreia aquosa e
profusa.
3. Manifestações Clínicas
O quadro clínico da infecção por ETEC geralmente se desenvolve após um período de incubação
de 1 a 3 dias.
- Característica Principal: A doença é tipicamente autolimitada, resolvendo-se em 3 a 7 dias.
Sintomas Comuns:
- Diarreia aquosa abrupta: Geralmente sem sangue ou muco. O número de evacuações pode variar
de poucas a mais de dez por dia.
- Cólicas e desconforto abdominal.
- Náuseas e, ocasionalmente, vômitos.
- Mal-estar geral e dor de cabeça.
- Febre baixa ou ausente.
- Complicação Principal: A desidratação é a complicação mais séria, especialmente em crianças
pequenas e idosos. Sinais de desidratação incluem sede intensa, boca seca, diminuição da urina,
olhos fundos, perda de elasticidade da pele e letargia.
4. Diagnóstico
- Clínico e Epidemiológico: O diagnóstico é frequentemente presumido com base nos sintomas
característicos (diarreia aquosa aguda) e no histórico do paciente (viagem recente para área
endêmica).
- Laboratorial: A confirmação laboratorial é complexa, pois as culturas de fezes não conseguem
diferenciar a ETEC das E. coli não patogênicas. Métodos especializados são necessários:
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): É o padrão-ouro. Detecta os genes que codificam as
toxinas (lt, st) e os fatores de colonização.
- Imunoensaios (ELISA): Podem detectar a presença das toxinas LT ou ST diretamente nas amostras
de fezes ou em culturas bacterianas.
5. Tratamento e Prevenção
Tratamento
O tratamento é focado no manejo dos sintomas e na prevenção da desidratação.
1. Reidratação (Pedra Angular do Tratamento): É a medida mais essencial e urgente.
- Soluções de Reidratação Oral (SRO): Preparações contendo uma mistura equilibrada de água, sais
(sódio, potássio, cloreto) e glicose são a primeira linha para casos leves a moderados.
- Hidratação Intravenosa: Reservada para casos de desidratação grave, vômitos persistentes ou
quando o paciente não consegue ingerir líquidos.
2. Antibióticos:
- Uso restrito: Na maioria das vezes, não são necessários devido à natureza autolimitada da doença.
- Indicações: Podem ser considerados em casos graves (mais de 8 evacuações/dia, desidratação
severa) ou para reduzir a duração dos sintomas em viajantes.
- Resistência: A resistência antimicrobiana é um problema crescente. Se o tratamento for necessário,
a escolha do antibiótico (ex: azitromicina, rifaximina, fluoroquinolonas) deve considerar os padrões de
resistência locais. A realização de um antibiograma é fortemente recomendada.
3. Agentes Antidiarreicos: Medicamentos como a loperamida podem ser usados por adultos com
sintomas leves para reduzir a frequência das evacuações, mas devem ser evitados em casos de
febre alta ou diarreia com sangue, e não são recomendados para crianças pequenas.
Prevenção:
Medidas de Higiene Pessoal e Alimentar (especialmente para viajantes):
- Consumir apenas água engarrafada, fervida ou tratada com desinfetantes. Evitar gelo.
- Evitar alimentos crus ou malcozidos, especialmente saladas, frutas com casca e frutos do mar.
Lembre-se do lema: "Ferva, cozinhe, descasque ou esqueça".
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão.
Saúde Pública: Melhorias no saneamento básico, acesso à água potável e educação em higiene são
fundamentais para reduzir a incidência de ETEC em áreas endêmicas.
Vacinas: O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a ETEC é uma prioridade de saúde global.
Existem alguns produtos, como a vacina oral contra a cólera (Dukoral®), que oferece proteção parcial e
de curta duração contra a diarreia por ETEC produtora de LT, mas não há uma vacina amplamente
eficaz disponível devido à grande variedade de fatores de colonização.
Escherichia coli Enteroinvasiva (EIEC)
A Escherichia coli Enteroinvasiva (EIEC) é um patotipo de E. coli que causa uma doença intestinal
semelhante à disenteria bacilar. Geneticamente e clinicamente, a EIEC é tão parecida com as bactérias
do gênero Shigella que, muitas vezes, são indistinguíveis em laboratórios de rotina. A sua principal
característica é a capacidade de invadir e destruir as células do epitélio do cólon.
1. Epidemiologia e Transmissão
- População Afetada: A infecção por EIEC ocorre predominantemente em crianças maiores de 2 anos
e em adultos.- Reservatório: O único reservatório conhecido para a EIEC são os seres humanos.
- Modo de Transmissão: A transmissão acontece pela via fecal-oral. A bactéria é eliminada nas fezes
de uma pessoa infectada e pode contaminar alimentos, água ou ser transportada por moscas, sendo
posteriormente ingerida por uma nova pessoa.
2. Patogênese: O Processo de Invasão e Destruição
A doença causada pela EIEC é um resultado direto de sua capacidade de invadir o tecido
intestinal, multiplicar-se dentro das células e provocar uma forte reação inflamatória. O processo ocorre
da seguinte forma:
1. Ingestão e Chegada ao Cólon: Após a ingestão de água ou alimentos contaminados, a bactéria
sobrevive à passagem pelo estômago e chega ao cólon intestinal (intestino grosso).
2. Invasão Celular (O Passo Chave): Diferente de outras E. coli, a EIEC não permanece no lúmen
intestinal. Ela possui a habilidade de induzir sua própria entrada nas células epiteliais do cólon.
• Base Genética: Essa capacidade invasiva é codificada por um conjunto de genes localizados em um
grande plasmídeo de virulência, conhecido como pINV. Este plasmídeo é o mesmo encontrado em
Shigella.
• Mecanismo de Invasão: A bactéria primeiro atravessa a barreira intestinal através de células
especializadas (células M) e chega ao tecido subjacente, onde é capturada por macrófagos. A EIEC
consegue escapar dos macrófagos, matando-os, e então invade as células epiteliais pela sua base (lado
basolateral).
3. Multiplicação e Disseminação: Uma vez dentro da célula, a EIEC se multiplica. Em seguida, ela
utiliza a actina da própria célula hospedeira para criar uma espécie de "cauda de cometa", que a
impulsiona diretamente para as células vizinhas. Essa disseminação de célula para célula permite
que a bactéria se espalhe pelo tecido sem se expor ao sistema imune fora das células.
4. Destruição da Mucosa e Resposta Inflamatória: O processo de invasão, multiplicação e morte
celular leva à destruição da mucosa intestinal, formando úlceras. Essa destruição desencadeia uma
intensa resposta inflamatória, com a ativação de células epiteliais e a morte de fagócitos, liberando
grande quantidade de citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias.
5. Toxinas secundárias: Algumas cepas podem produzir a enterotoxina ShET2, cujos genes estão no
cromossomo. Embora o papel exato desta toxina na EIEC não seja totalmente elucidado, ela pode
contribuir para a fase aquosa inicial da diarreia.
3. Manifestações Clínicas e Doença Associada
A infecção por EIEC resulta em uma doença que pode ser autolimitada ou evoluir para uma
disenteria grave, muito semelhante à shigelose.
- Sintomas Iniciais: O quadro geralmente começa com febre, mal-estar e cólicas abdominais
intensas.
- Evolução da Diarreia: A doença tipicamente progride em duas fases:
1. Fase Aquosa: Inicialmente, o paciente apresenta uma diarreia aquosa, resultado da resposta
inflamatória inicial e, possivelmente, da ação da toxina ShET2.
2. Fase Disentérica: Em 1 a 2 dias, a diarreia evolui para a disenteria clássica. As fezes se tornam
escassas (pouco volume), mas frequentes, e são caracterizadas pela presença visível de muco,
leucócitos (pus) e sangue.
4. Tratamento
O manejo da infecção por EIEC depende da gravidade do quadro clínico.
- Formas Leves: O tratamento consiste principalmente em cuidados de suporte, com reposição de
líquidos e eletrólitos por via oral (ou parenteral/intravenosa, se necessário) para prevenir a
desidratação.
- Formas Graves e Casos Específicos: A antibioticoterapia é indicada em situações mais graves, ou
em pacientes com alto risco de complicações. As indicações incluem:
• Disenteria severa.
• Idade do paciente (extremos de idade).
• Crianças mal-nutridas, que têm maior risco de doença grave.
• Risco de transmissão futura (por exemplo, em surtos ou em manipuladores de alimentos).
Diagrama do Mecanismo de Invasão Celular:
1. Entrada: A bactéria (EIEC / Shigella) entra no tecido através
de uma célula M.
2. Transcitose e Escape: Ela é transportada para o outro lado
da célula M e liberada perto de um macrófago. O macrófago
fagocita a bactéria.
3. Morte do Macrófago: A EIEC/Shigella escapa do vacúolo
(fagossoma) dentro do macrófago e induz a morte celular
programada (apoptose/piroptose) do macrófago, liberando a
bactéria no tecido.
4. Invasão e Disseminação: A bactéria liberada agora invade
as células epiteliais (enterócitos) pela base. Dentro da célula,
ela usa a actina da célula hospedeira para formar uma "cauda"
("Actin tail"), que a impulsiona para as células adjacentes
("Lateral spread").
Escherichia coli Produtora de Toxina Shiga (STEC)
1. Introdução e Epidemiologia
- O que é STEC? É um tipo de E. coli que se caracteriza pela produção de citotoxinas potentes,
chamadas de toxinas Shiga (Stx) ou verotoxinas. Essas toxinas são capazes de bloquear a síntese
de proteínas dentro das células do hospedeiro, levando à morte celular.
- Distribuição e Surtos: A STEC tem distribuição mundial. Grandes surtos e infecções esporádicas
são comuns, especialmente em países desenvolvidos, onde o sorotipo O157:H7 é o mais conhecido.
No entanto, em países como Brasil, Argentina, Austrália e Chile, outros sorotipos (não-O157) são
frequentemente identificados.
Reservatórios e Transmissão:
- Principal Reservatório: O gado bovino é o principal reservatório natural da bactéria.
- Fontes de Infecção: A transmissão para humanos ocorre principalmente através do consumo de:
● Carne (especialmente moída) e leite (e seus derivados) crus ou mal cozidos.
● Vegetais e água contaminados com material fecal de animais.
Outras Vias de Transmissão:
● Interpessoal: A transmissão de pessoa para pessoa é bem estabelecida para o sorotipo O157:H7.
● Ambiental: Contato com ambientes contaminados (como fazendas) e água de recreação (lagos,
piscinas).
2. Fatores de Virulência (As "Armas" da Bactéria)
A capacidade da STEC de causar doença se deve a um arsenal de fatores de virulência:
2.1. Toxina Shiga (Stx): É o principal fator de virulência.
● Tipos: Existem dois tipos principais, Stx1 e Stx2 (com diversas variantes de a-g).
● Origem: Os genes que codificam essas toxinas estão localizados em bacteriófagos (vírus de
bactérias) do tipo Lambda, que se integram ao genoma da bactéria como profagos.
● Estrutura: São proteínas do tipo A-B, com uma subunidade A (a parte ativa/tóxica) e cinco
subunidades B (responsáveis pela ligação à célula hospedeira).
2.2 Lesão A/E (Attaching and Effacing):
- A bactéria forma uma lesão característica no epitélio intestinal chamada de "attaching and effacing"
(aderência e apagamento). Isso significa que ela se adere firmemente à célula intestinal e destrói as
microvilosidades (estruturas que absorvem nutrientes), formando uma espécie de "pedestal".
- Essa capacidade é codificada por um conjunto de genes localizados em uma Ilha de Patogenicidade
(PAI) chamada LEE (Locus of Enterocyte Effacement). Observação: Nem todos os sorotipos de
STEC possuem o LEE.
2.3. Outros Fatores:
• Adesinas: Proteínas que ajudam a bactéria a se aderir às células intestinais.
• Biofilmes: Comunidades de bactérias que formam uma camada protetora, aumentando sua
resistência.
Outras Toxinas:
• Hhx (Enterohemolisina): Ajuda a bactéria a obter ferro, um elemento essencial para seu
metabolismo. Está localizada em um plasmídeo de alto peso molecular.
• CDT (Toxina Citolegal Distensora): Ajuda a bactéria a escapar do sistema imune, bloqueando o ciclo
celular das células de defesa.
• SubAB (Subtilase): Causa danos microvasculares, trombose e necrose em órgãos como cérebro, rins
e fígado (observado em camundongos).
3. Patogênese (O Passo a Passo da Doença)
A patogênese da infecção por STEC é um processo complexo que pode ser dividido em etapas
intestinais e sistêmicas.
Etapa 1: Infecção Intestinal
1. Ingestão: A bactéria entra no corpo através de alimentos ou águacontaminados.
2. Barreira Gástrica: Ela sobrevive à acidez do estômago.
3. Colonização: Chega ao intestino grosso, onde adere firmemente às células epiteliais e as coloniza,
formando as lesões A/E.
4. Produção da Toxina: No intestino, a bactéria produz e libera a Toxina Shiga (Stx).
5. Absorção: A toxina atravessa a barreira intestinal e cai na corrente sanguínea (CS).
6. Transporte: A Stx é transportada pelo sangue, possivelmente ligada a Leucócitos Polimorfonucleares
(PMNs).
7. Liberação nos Órgãos-Alvo: A toxina é liberada em órgãos que possuem o seu receptor, o
globotriaosilceramida (Gb3).
8. Ligação ao Gb3: A Stx se liga fortemente ao receptor Gb3, que está presente em abundância em
pequenos vasos endoteliais dos rins, intestino e cérebro. Os túbulos renais, monócitos e plaquetas
também são alvos.
Etapa 2: Ação Celular e Complicações Sistêmicas
1. Mecanismo de Ação da Toxina (Diagrama):
- A subunidade B da toxina se liga ao receptor
Gb3 na superfície da célula hospedeira.
- A célula internaliza a toxina por endocitose
(forma uma vesícula).
- A toxina é transportada de forma retrógrada
através da Rede Trans-Golgi e do Retículo
Endoplasmático (ER).
- No ER, a subunidade A é clivada e liberada
no citosol.
- No citosol, a subunidade A inibe os
ribossomos, bloqueando a síntese de proteínas.
- Sem poder produzir proteínas, a célula entra
em apoptose (morte celular programada).
2. Desenvolvimento da Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU):
- Inflamação: O dano às células endoteliais causado pela toxina ativa a liberação de citocinas
pró-inflamatórias, como TNFα e IL-1β.
- Amplificação do Dano: Essas citocinas, por sua vez, induzem um aumento da expressão de
receptores Gb3 nas células, tornando-as ainda mais suscetíveis à toxina.
- Coagulação: Ocorre a ativação de processos de coagulação e inflamatórios nos pequenos vasos.
- Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU): Esta é a complicação mais grave. Caracteriza-se por:
. No Cólon: Rompimento de vasos.
. Nos Rins: Obstrução dos pequenos vasos nos glomérulos, levando à Insuficiência Renal Aguda.
. Microangiopatia Trombótica (MAT): É o processo subjacente à SHU. Pequenos trombos
(coágulos) de plaquetas e fibrina se formam nos vasos sanguíneos. Quando os glóbulos vermelhos
(eritrócitos) tentam passar por esses vasos obstruídos, eles se fragmentam, causando a hemólise
(destruição das hemácias).
4. Manifestações Clínicas
A infecção pode variar de assintomática a fatal:
- Assintomático: A pessoa não apresenta sintomas, mas pode transmitir a bactéria.
- Diarreia Leve: Diarreia aquosa, não sanguinolenta, com dor abdominal.
- Colite Hemorrágica: Quadro mais grave com dor abdominal intensa e fezes com sangue vivo.
Complicações Extraintestinais:
- Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU): A principal complicação (ocorre em ~10% dos pacientes),
definida pela tríade de anemia hemolítica, plaquetopenia (baixa de plaquetas) e insuficiência renal
aguda.
- Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT): Semelhante à SHU, mas com mais sintomas
neurológicos.
- Outras: Apendicite, cistite hemorrágica e anormalidades neurológicas.
5. Tratamento e Controle
Tratamento:
- Diarreia: O uso de antimicrobianos e agentes que diminuem o peristaltismo (movimento do intestino)
é controverso e pode ser prejudicial, pois pode aumentar a liberação de toxina e o risco de SHU.
- Colite Hemorrágica em Crianças: O tratamento é de suporte, focado em hidratação com
monitoramento hospitalar. Probióticos e substâncias que competem com a Stx estão sendo
estudados.
- SHU: Requer tratamento em centros especializados, que pode incluir diálise, hemofiltração e infusão
de plaquetas.
Controle e Prevenção:
- Higiene rigorosa em toda a cadeia de produção de alimentos.
- Cuidados no manuseio e descarte de dejetos de animais.
- Boas práticas de higiene no contato com animais, especialmente para crianças.
- Evitar a ingestão de produtos não pasteurizados e carne crua ou malcozida. A cocção adequada dos
alimentos é fundamental para destruir a bactéria.
EHEC (Enterohemorrhagic E. coli) - O Subgrupo Perigoso:
● Este é um subconjunto específico
dentro do grupo STEC. EHEC é o nome dado
às cepas de STEC que são
comprovadamente patogênicas para
humanos e causam a doença grave que vimos
no slide: a colite entero-hemorrágica (diarreia
com sangue) e que podem levar à Síndrome
Hemolítico-Urêmica (SHU).
● Além de produzir a toxina Shiga, as
cepas de EHEC também possuem os outros
fatores de virulência necessários para causar a
doença, como a capacidade de criar a lesão de
"Aderência e Apagamento" (lesão A/E) com o
pedestal
E. coli enteroagregativa (EAEC):
A Escherichia coli enteroagregativa, conhecida pela sigla EAEC, é um dos seis principais
tipos (patotipos) da bactéria E. coli capazes de causar diarreia em humanos. Ela é reconhecida
mundialmente como uma causa significativa de diarreia aquosa persistente, especialmente em
crianças (tanto em países em desenvolvimento quanto em países industrializados) e em viajantes
(causando a "diarreia do viajante"). Para entender melhor, vamos dividi-la em pontos-chave:
1. É um tipo específico de E. coli: A E. coli é uma bactéria que vive normalmente no intestino de
pessoas e animais saudáveis. A maioria das suas cepas são inofensivas. No entanto, algumas
cepas, como a EAEC, adquirem genes específicos que lhes dão a capacidade de causar doenças.
Esses genes extras são como "armas" que a bactéria usa para atacar o intestino.
2. Sua marca registrada é a "adesão agregativa": O nome "enteroagregativa" vem de sua
característica mais marcante. "Entero" se refere ao intestino e "agregativa" descreve sua
capacidade única de se agrupar de uma forma muito organizada. Como mostra a imagem anterior,
elas se empilham umas sobre as outras formando um padrão que lembra "tijolos empilhados"
ou um tapete bacteriano sobre as células intestinais.
3. Causa principal de diarreia persistente: Enquanto muitas bactérias causam diarreia aguda (que
dura alguns dias), a EAEC é famosa por causar uma diarreia persistente, que pode durar 14 dias
ou mais. Essa longa duração é especialmente perigosa para crianças pequenas, pois pode levar à
desidratação grave, desnutrição e atraso no crescimento.
4. Formadora de Biofilme: A sua capacidade de se agregar e formar a estrutura de "tijolos
empilhados" permite que ela crie um biofilme. Esse biofilme é uma camada viscosa e protetora
que ajuda a bactéria a se fixar firmemente ao intestino, a resistir às defesas do corpo e a se
multiplicar, perpetuando a infecção.
Em resumo, a EAEC não é a E. coli comum e inofensiva. É uma variante especializada,
equipada com ferramentas genéticas para colonizar o intestino de forma agressiva, construir uma
fortaleza (biofilme) e liberar toxinas, resultando em uma diarreia aquosa que pode ser teimosa e
durar muito tempo.
Escherichia coli em Infecções Extraintestinais (ExPEC)
1. Infecções do Trato Urinário (ITU) causadas por UPEC
A E. coli Uropatogênica (UPEC) é o subgrupo de ExPEC mais comum, sendo o principal agente
causador de infecções do trato urinário.
Fatores de Virulência da UPEC
A capacidade da UPEC de infectar o trato urinário depende de diversos fatores de virulência que
permitem sua adesão, invasão e dano tecidual:
• Adesinas: Proteínas gerais que promovem a adesão e invasão das células do trato urinário.
• Fímbrias do Tipo 1: Estruturas que se ligam a receptores de manose nas células epiteliais do trato
urinário, facilitando a adesão inicial, principalmente na bexiga.
• Fímbrias P: Essenciais para a infecção renal (pielonefrite). Elas se ligam ao receptor glicolipídeo
globotriaosilceramida (GbO3) presente no epitélio renal.
Toxinas:
• α-hemolisina: Uma proteína citolítica (que destrói células) formadora de poros. É comum em
pacientes com pielonefrite e causa dano direto às células renais.
•Fator Citotóxico Necrosante 1 (CNF1): Uma toxina que induz o rearranjo dos filamentos de actina (o
"esqueleto" da célula), levando à apoptose (morte celular programada) das células epiteliais da bexiga.
Patogênese da Infecção do Trato Urinário
1. Origem e Migração: A bactéria, que normalmente habita os intestinos, migra e coloniza a região
periuretral (ao redor da uretra).
2. Ascensão à Bexiga: A partir daí, as bactérias entram na uretra, sobem até a bexiga e, usando suas
fímbrias e adesinas, aderem firmemente ao epitélio da bexiga.
3. Invasão e Multiplicação: Após a adesão, a UPEC pode invadir as células epiteliais, onde se
multiplica de forma intracelular. Isso causa apoptose e esfoliação (descamação) das células
infectadas.
4. Ascensão aos Rins: Da bexiga, a bactéria pode subir pelos ureteres e chegar aos rins. Lá, ela adere
ao epitélio renal, principalmente através das fímbrias P.
5. Dano Renal e Invasão Sistêmica: Nos rins, a adesão e a produção de toxinas (como a
α-hemolisina) lesam os glomérulos e outras estruturas renais. Eventualmente, a bactéria pode
atravessar o epitélio danificado e cair na corrente sanguínea, causando bacteremia e sepse.
Manifestações Clínicas e Tratamento
As infecções do trato urinário são muito comuns, acometendo principalmente mulheres.
- Cistite (Infecção da Bexiga):
• Sintomas: Disúria (dor ou ardência ao urinar) e necessidade iminente de urinar.
• Tratamento: Ciprofloxacino por 3 dias.
- Pielonefrite (Infecção dos Rins):
• Sintomas: Quadro mais grave com dor intensa (lombar), náusea, vômito, febre, sudorese e
indisposição geral.
• Complicação: Em cerca de 30% dos casos, a pielonefrite pode evoluir para bacteremia (bactérias no
sangue) e sepse (infecção generalizada).
• Tratamento: Ciprofloxacino por 7 dias.
Atenção: Foi destacado um crescimento da resistência bacteriana aos antibióticos, o que pode
complicar o tratamento.
2. E. coli que causam Septicemia e Meningite Neonatal
Um subgrupo específico de ExPEC é um dos principais agentes de infecções graves em
recém-nascidos, como septicemia e meningite.
Fatores de Virulência Específicos
Essas cepas possuem fatores de virulência que as permitem sobreviver no sangue e atravessar a
barreira hematoencefálica:
- Antígeno K1: Uma cápsula polissacarídica que "camufla" a bactéria. Ela não desperta uma resposta
imunológica eficaz e protege a E. coli da fagocitose (ser "comida" por células de defesa) e do sistema
complemento.
- Fímbria S: Uma adesina especializada na adesão às células do endotélio microvascular cerebral
(BMEC), que formam a barreira hematoencefálica.
- OmpA e Proteínas Ibe: São proteínas da membrana externa da bactéria que mediam a invasão das
células do endotélio microvascular cerebral (BMEC).
Patogênese da Meningite Neonatal
O desenvolvimento da doença segue uma sequência clara, desde a aquisição até a invasão do
sistema nervoso central (SNC):
1. Aquisição: O recém-nascido adquire a E. coli durante a passagem pelo canal do parto a partir da
microbiota materna.
2. Colonização: A bactéria coloniza o intestino da criança.
3. Bacteremia: A partir do intestino, a E. coli entra na circulação sanguínea, onde prolifera e atinge altas
concentrações.
4. Invasão do SNC: Usando seus fatores de virulência (Fímbria S, OmpA, etc.), a bactéria atravessa o
endotélio microvascular cerebral (BMEC), geralmente dentro de um vacúolo (uma bolsa
membranosa), e invade o sistema nervoso central.
5. Doença: A presença e multiplicação da bactéria nas meninges (membranas que revestem o cérebro)
causam a inflamação característica da meningite.
Manifestações Clínicas e Tratamento
- Meningite Neonatal:
• Definição: É o agente mais comum de meningite em recém-nascidos (entre o nascimento e o 28º dia
de vida). Os agentes chegam ao SNC pela via hematogênica (através do sangue).
• Gravidade: A mortalidade é alta, variando de 15% a 40%, e os sobreviventes frequentemente
apresentam sequelas neurológicas.
• Sorotipos: A doença é causada por um número limitado de sorotipos específicos.
• Tratamento: A antibioticoterapia indicada é a combinação sulfametoxazol + trimetropim.
● Em diarreias agudas geralmente
evita-se o uso de antibióticos, há
preferência para a reidratação oral ou
venosa. O corpo geralmente consegue
solucionar sozinho.
E. coli enteroagregativa (EAEC):