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PRÁTICA DE ENSINO, METODOLOGIA 
E INSTRUMENTAÇÃO PARA O ENSINO 
DE HISTÓRIA
Professor Me. Guilherme Bertolin Silva
 REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
 DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima
 DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini
 DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel 
 SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho 
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Caroline da Silva Marques
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Kauê Berto
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos 
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 
 
 
 FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
S586p Silva, Guilherme Bertolin
 Prática de ensino, metodologia e instrumentação para o
 ensino de história / Guilherme Bertolin Silva. Paranavaí:
 EduFatecie, 2023.
 80 p.: il. Color.
 
1. História – Estudo e ensino. 2. História - Metodologia. 
 I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação
 a Distância. III. Título.
 
 CDD: 23. ed. 375.9
 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
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AUTOR
Professor Mestre Guilherme Bertolin Silva
 ● Mestrando em ensino e formação docente interdisciplinar pela UNESPAR 
 (Universidade Estadual do Paraná). 
 ● Licenciatura em Sociologia (Uniasselvi). 
 ● Licenciatura em História (UNESPAR-Campus de Paranavaí)
 ● Especialista em História das revoluções e dos movimentos sociais 
 (UEM – Universidade Estadual de Maringá). 
 ● Especialista em educação a distância (UNIBF).
 ● Especialista em Ensino Religioso (FAPAN).
 ● Especialista em educação especial e inclusiva (FAPAN).
Olá sou professor Guilherme Bertolin, sou participante do grupo de estudos e pes-
quisas em educação, teoria e prática - GEPE. Detenho experiência na área da educação 
a aproximadamente dez anos, atuando no ensino fundamental I, ensino fundamental II, 
ensino médio e ensino superior. Oportunizando a jovens, adolescentes e adultos o acesso 
às disciplinas de História, Sociologia e Filosofia. 
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/1988713421275242
http://lattes.cnpq.br/1988713421275242
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Seja muito bem-vindo (a)!
Prezado (a) aluno (a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é 
o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. A História, como 
disciplina, tem uma longa trajetória, e o estudo dessa construção, por si só, se mostra com 
muito entusiasmo e características que contemplam anos de estudo, prática e experiência. 
Compreender um pouco da história do ensino de História é fundamental para que se possa 
entender por que ela é assim hoje; por que existem permanências no cotidiano escolar, so-
bre o entendimento do que constitui essa disciplina; por que alguns conteúdos são sempre 
abordados, em detrimento de outros; o que comumente se entende como História a ser 
ensinada na escola; e como ela vem sendo ensinada e sua aprendizagem, avaliada. 
Na unidade I, vamos conhecer as considerações e teorias sobre o ensino de Histó-
ria, em que iremos compreender como se articulam e se orientam essas relações não é uma 
tarefa fácil. E esse é um dos objetos de estudo das Ciências Humanas, constituída como 
uma grande área de conhecimento que focaliza ou estuda a humanidade em sua totalidade, 
englobando reflexões variadas sobre sua vida social, psíquica, política, religiosa etc. Entre 
as Ciências Humanas, destacam-se a Filosofia, a Sociologia, a História, a Geografia, a 
Antropologia, a Psicologia, a Economia e outras. Apesar de possuírem características e 
metodologias próprias, as diferentes áreas contribuem para a ampliação do conhecimento 
a respeito do ser humano e das transformações sociais provocadas e vivenciadas por ele. 
Se pararmos para pensar sobre o significado da palavra história, surgirão algumas 
definições imediatas para o conceito: a história pode ser compreendida como uma simples 
narração, que pode ser ficcional ou baseada em fatos, contada em livros, filmes e séries, 
por exemplo; pode estar relacionada ao processo histórico, isto é, aos acontecimentos pas-
sados que, organizados a partir de um encadeamento cronológico, permitem compreender 
as transformações vivenciadas pela humanidade; e, por fim, ser associada à historiografia, 
ou seja, à produção de conhecimentos a respeito desse processo histórico. Nesta unidade, 
vamos explorar aspectos voltados às duas últimas definições.
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
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Já na unidade II, você irá saber mais sobre Parâmetros históricos sobre ensino 
de História e historiografia. Há uma infinita variedade de pistas e vestígios que podem 
ser coletados e estudados: documentos textuais, fotografias, pinturas, utensílios, jornais, 
entre outros. Ao serem selecionados pelos(as) estudiosos(as), esses vestígios transfor-
mam-se em fontes históricas e a elas são direcionadas diferentes indagações e questio-
namentos, visando a entender a origem de determinados fenômenos, a transformação 
das sociedades, as mentalidades de uma determinada época, entre outros aspectos da 
história da humanidade. 
Contudo, é importante ressaltar que o estudo da História não se limita a entender 
como as pessoas viveram no passado, mas é uma forma de ajudar os sujeitos a refle-
tir sobre suas próprias sociedades e a maneira como vivem no presente. É através das 
transformações sociais que aconteceram no decorrer do tempo que se pode, por exemplo, 
entender o sistema político vigente no Brasil ou a forma como essa sociedade está orga-
nizada e dividida, o funcionamento do sistema econômico na atualidade e as diferentes 
possibilidades de organização do trabalho e das atividades produtivas. Com a ascensão 
das ideias iluministas, a partir do século XVIII, modificaram-se, também, as perspectivas 
acerca da escrita da História. A partir de então, o processo histórico seria considerado um 
desdobramento da razão. Nesse cenário, os documentosfutebol, por exemplo, é possível entrar em contato com questões que 
envolvem a população brasileira em contextos e períodos distintos. Assim, agindo como 
historiadores(as), a partir da interpretação e análise de alguns documentos, vamos buscar 
verificar como o esporte nos permite acessar aspectos da política, sociedade e cultura 
brasileira no período descrito acima. 
35UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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O(A) historiador(a) é o(a) profissional que busca as informações sobre os grupos 
humanos que viveram em diferentes períodos históricos e elabora uma análise sobre o que 
foi estudado. Se você parar para analisar, vai perceber que o modo de trabalhar de um(a) 
historiador(a) lembra o de um(a) detetive. 
Veja só: se um(a) detetive estiver investigando um crime, por exemplo, ele(a) irá ao 
local onde o fato ocorreu em busca de pistas que podem ter sido deixadas pelo(a) crimino-
so(a). Essas pistas também são chamadas de evidências. Podem ser de qualquer tipo: um 
documento que caiu do bolso do(a) criminoso(a), um pedaço da roupa que ficou preso em 
uma cerca, uma pegada, uma impressão digital, um fio de cabelo etc. Como essas pistas 
nem sempre são suficientes para solucionar o caso, o(a) detetive também conversa com 
pessoas que trabalham ou moram nas proximidades do local do crime para tentar obter 
alguma informação relevante. Além disso, muitas vezes, o(a) detetive precisa recorrer à 
ajuda de profissionais de outras áreas, como um(a) cientista, por exemplo, para ajudá-lo(a) 
a solucionar o caso. A análise do DNA de um fio de cabelo feita por esse(a) cientista pode 
ser fundamental para ajudar o(a) detetive em suas investigações. 
O fato é que, com base em todas as evidências coletadas – pistas deixadas no local 
do crime, conversas com pessoas, análises laboratoriais etc. – o(a) detetive vai levantar 
uma hipótese sobre quem é o(a) autor(a) do crime e sobre como o fato ocorreu. Com a 
pesquisa histórica, o caminho é muito parecido. Para responder às questões referentes 
àquilo que se busca analisar, o(a) historiador(a) utiliza diversos métodos e técnicas de 
análise de vestígios e fontes históricas.
 4 O TRABALHO DO
 HISTORIADOR
TÓPICO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Mas o que seriam os vestígios e as fontes históricas? São as “pistas” deixadas por 
pessoas que viveram em diferentes momentos históricos, e todo o material produzido pela 
ação humana pode servir como fonte histórica. Na maioria das vezes, o(a) historiador(a) 
irá analisar um vestígio que não foi produzido com intenção de informar ou perpetuar a 
memória, mas todas as fontes permitem análise, e cabe ao(à) historiador(a) selecionar 
esse material a fim de investigar algum fato ou evento do passado. 
Mas por que estudamos História? Um dos objetivos do estudo de História relacio-
na-se ao interesse em responder às indagações dos dias atuais. O(A) historiador(a) parte 
do presente para investigar outros momentos históricos, identificando as permanências e 
mudanças ocorridas ao longo do tempo. No entanto, nem tudo que aconteceu no passado 
foi escrito ou registrado, e é impossível analisar toda a História, sendo viável apenas uma 
visão parcial daquilo que ocorreu. Isso porque o conhecimento histórico é lacunar, ou seja, 
sempre é possível descobrir novas informações acerca do passado, de acordo com as 
fontes encontradas e as perguntas a elas dirigidas.
Quando o(a) historiador(a) decide estudar algum evento do passado, ele(a) sele-
ciona, analisa e interpreta os vestígios e as fontes do período escolhido. Ao concluir sua 
pesquisa, elabora um texto que pode ser publicado em livro ou artigo científico e expõe 
sua interpretação acerca do material e período analisado. 
Como a História trabalha com a noção de interpretação, as conclusões sobre a 
fonte ou o vestígio podem variar de um(a) pesquisador(a) para outro(a). Portanto, deve-se 
considerar que a conclusão do trabalho não traz uma verdade única sobre aquilo que foi es-
tudado, mas, sim, uma perspectiva possível da História, considerando os dados analisados. 
Apesar de a análise das fontes ser passível de interpretações diferentes por parte 
dos(as) pesquisadores(as), seu processo fundamenta-se em métodos científicos, e isso 
torna o resultado do trabalho de um(a) historiador(a) bastante diferente do de um(a) escri-
tor(a). Uma história criada por um(a) romancista ou cineasta não tem compromisso com a 
verdade nem com os fatos ocorridos, enquanto o trabalho de um(a) historiador(a) só pode 
ser realizado de acordo com os dados de que dispõe, tendo como método a análise das 
fontes históricas, que direciona suas interpretações.
37UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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A temática religiosa estava presente na vida dos cidadãos romanos do Oriente, e 
era muito explorada na arte, na pintura e na arquitetura. O Império Romano do Oriente, 
também conhecido por Império Bizantino, caracterizou-se pela produção de ícones, ilumi-
nuras e mosaicos religiosos. A arte bizantina caracterizava-se por retratar de forma plana, 
rostos longos, estreitos e sérios de personagens bíblicos e figuras políticas. 
O Império Romano do Oriente sobreviveu até o século XV, quando em 1453 foi 
dominado pelos turcos. Sua origem remonta ao ano de 395, quando o imperador Teo-
dósio I dividiu o Império Romano em dois: o Império Romano do Ocidente e o Império 
Romano do Oriente. O cristianismo era considerado a religião oficial do Império desde 
o ano 380, e no século IV já havia conquistado muitos adeptos, tornando-se muito 
importante para esta sociedade.
A prosperidade vivida no Império Romano até o século II começou a declinar a partir 
do século III, e no século IV algumas medidas políticas foram adotadas pelos imperadores, 
com o objetivo de conter as crises que constantemente assolavam o Império. A grande 
extensão territorial e as invasões de suas fronteiras foram alguns dos motivos que levaram 
pouco a pouco ao declínio do Império Romano no lado ocidental. 
Até o ano de 330, a capital do Império Romano ficava no continente europeu, mas 
devido aos constantes ataques que a região vinha sofrendo por parte dos povos germânicos, 
o imperador Constantino I decidiu transferir a capital para a antiga cidade grega chamada 
Bizâncio. Em referência a seu nome, Constantino passou a chamá-la de Constantinopla, a 
cidade de Constantino.
 5 HISTÓRIA 
 E RELIGIÃO
TÓPICO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Essa decisão foi tomada porque a porção oriental do Impériogerava mais rique-
zas do que o lado ocidental, que vinha sofrendo com as constantes crises políticas e 
econômicas. A cidade de Constantinopla (antiga Bizâncio) era a mais próspera do Império 
Romano naquela ocasião, e o comércio terrestre e marítimo gerava muita riqueza. Atual-
mente, esta cidade se chama Istambul e fica na Turquia. 
A transferência da capital do Império Romano para Constantinopla não resolveu os 
problemas que existiam no lado ocidental, e, em mais uma tentativa de resolver a crise de 
Roma, em 395, o imperador Teodósio I optou por dividir o Império em duas partes: Império 
Romano do Ocidente (parte oeste do continente europeu) e Império Romano do Orien-
te (parte leste do continente europeu, norte da África e região mediterrânica).
Em 476, o Império Romano do Ocidente chega ao fim, enquanto o lado oriental 
continuou seu desenvolvimento, tornando-se uma grande potência na região mediterrânica. 
Dentre alguns fatores que explicam a permanência do Império no lado oriental, 
destaca-se sua posição geográfica privilegiada e a importância econômica de sua capital, 
Constantinopla. A cidade tornou-se um importante centro comercial que ligava os continen-
tes europeus e asiáticos por via terrestre e marítima, conectando povos e mercadorias que 
transitavam entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro. Por essas terras e mares transitavam 
produtos vindos de regiões da África, Europa e do Oriente, e em Constantinopla chegavam 
e saíam comerciantes dos mais variados lugares do mundo.
Para manter seu domínio na região, os funcionários do Império controlavam a en-
trada e a saída de mercadorias e mantinham um rígido controle de pagamento de impostos 
de quem comercializa no território. Além da posição geográfica e da rigorosa administração, 
o uso da diplomacia foi um importante aliado na manutenção da força política e econômica 
do Império Romano do Oriente.
O cristianismo era um dos elementos herdados do Império Romano Ocidental e, 
dada a sua importância para a sociedade, fazia-se presente em muitos aspectos da cultu-
ra e da sociedade bizantina, pois, como vimos, até a arte e a arquitetura eram fortemente 
marcadas pela temática religiosa.
A estrutura social do Império também manifestava a importância da religiosidade, 
pois o topo da pirâmide era ocupado por cargos do alto clero, abaixo apenas do imperador e 
da nobreza. Oficialmente o papa era o líder da Igreja católica romana, mas, na parte oriental 
do Império, era o patriarca quem respondia pelos assuntos religiosos. Entretanto, era o 
imperador que indicava a pessoa que ocuparia o cargo de patriarca.
39UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Desde o governo de Justiniano, o imperador passou a responder tanto pelos as-
suntos políticos como pelos religiosos, e, dessa maneira, a Igreja católica, na parte oriental 
do Império, perdia sua liberdade, ficando sujeita à autoridade do imperador bizantino. À 
prática de subordinação da Igreja católica ao imperador romano do oriente dá-se o nome 
de Cesaropapismo.
Ao todo 120 patriarcas chefiaram a Igreja católica em Constantinopla junta-
mente com o imperador, e, apesar de geralmente haver acordo mútuo entre ambos, 
em determinados momentos houve desentendimentos entre eles. No ano de 906, por 
exemplo, o imperador Leão VI chegou a depor o patriarca Nicolau I, porque este se 
opôs a seu quarto casamento.
O fato de haver duas lideranças religiosas para uma mesma igreja – o papa em 
Roma e o patriarca, em Constantinopla – gerou em muitos momentos rivalidade entre 
eles. Para os católicos romanos, por exemplo, a autoridade máxima do cristianismo era o 
papa, chefe da Igreja; enquanto, para os bizantinos, a autoridade máxima do cristianismo 
era Jesus Cristo. Os cristãos do Oriente respeitavam a figura do papa, mas não atribuíam 
a ele a mesma importância que os cristãos do Ocidente. 
As divergências entre os líderes religiosos (papa e patriarca) foram inúmeras, e, 
entre os anos de 325 a 787, ocorreram sete concílios na tentativa de uma interpretação 
comum da leitura da Bíblia. Nesses encontros, além dos assuntos bíblicos, também eram 
discutidas as regras e normas relacionadas à Igreja cristã. Porém, as disputas entre os 
papas e os patriarcas que ocuparam os cargos ao longo desses anos não cessaram, e isso 
ocasionou um distanciamento entre os líderes religiosos de Roma e Constantinopla.
A adoração de imagens dividia a sociedade bizantina. Havia os que não viam pro-
blemas no ato de adorá-las e os que eram contrários a isso. Aqueles que condenavam o 
culto aos ícones eram chamados de iconoclastas, e argumentam que isso era um ato de 
veneração, portanto, contrário aos princípios religiosos. 
Alinhando-se à perspectiva dos iconoclastas e motivado por razões religiosas (consi-
derar o culto aos ícones um pecado cristão) e políticas (considerar os monges pessoas muito 
influentes entre a população), o imperador Leão III em 726 decretou que a adoração estava 
proibida no Império Romano do Oriente e ordenou a destruição de ícones e imagens religiosas.
Parte da população não aceitou a proibição do culto às imagens e reagiu violenta-
mente. Os monges apoiaram a população e também se manifestaram contrários à proibi-
ção. Muitos deles foram perseguidos e expulsos do Império, e suas propriedades e seus 
mosteiros foram confiscados pelo imperador. 
40UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
O papa e a sede de Roma também se puseram contrários à determinação do 
imperador Leão III, e, assim como a maior parte da população do Império Bizantino, eles 
defendiam o direito à adoração de ícones e imagens sagradas. Esse fato levou a um 
desgaste político e religioso no Império Bizantino, e em 843, o poder imperial finalmente 
restabeleceu o direito de culto às imagens. Os conflitos entre o papa e o patriarca também 
se intensificaram após esse fato, e o afastamento entre eles se acentuou.
Em seu apogeu, sob o governo do imperador Justiniano, o Império Romano do Orien-
te incluía a Grécia, a Ásia Menor, a Itália, o sul da Espanha, partes do Oriente Próximo, do 
norte da África e a região sudeste da Europa. Ao longo dos séculos, os bizantinos sofreram 
ataques dos lombardos e visigodos germânicos, dos persas, dos árabes muçulmanos, dos 
turcos e dos cristãos latinos.
O golpe final foi desferido pelos turcos, originários da Ásia Central, que haviam 
adotado o islamismo e iniciado a construção de um novo império. Eles avançaram sobre 
os bizantinos a partir da Ásia Menor e conquistaram grande parte do sudeste europeu. 
Por volta do início do século XV, o Império Romano do Oriente era constituído apenas por 
dois pequenos territórios na Grécia e pela cidade de Constantinopla. Em 1453, os turcos 
destruíram as grandes muralhas de Constantinopla e saquearam a cidade. Depois de mais 
de dez séculos, o Império Romano do Oriente terminava. Nascia um novo império, o turco, 
de língua árabe e religião muçulmana no território do antigo Império da Roma Oriental.
A antiga Constantinopla, atual Istambul, foi o coração do Império e ainda hoje deixa 
evidente as marcas do período de apogeu dessa civilização. Em suas ruas podem ser 
apreciadas grandiosas obras públicas, como a magnífica Basílica (atual Museu) de Santa 
Sofia, assim como seus belos mosaicos religiosos.
Também não podemos deixar de mencionar as rotas comerciais, traçadas entre 
o Oriente e o Ocidente, que são utilizadas até hoje como pontos estratégicos de comér-
cio. Além disso, são inesgotáveis as contribuições deixadas por essa civilização nas áreas 
da literatura e religião, na legislação e no direito com a compilação das leis romanas e o 
Código de Justiniano. 
O Império Romano tanto do Ocidente como do Oriente, por meio da sua expansão 
territorial, propiciou o encontro de povos, línguas, religiões e culturas tão distintas entre si, 
promovendo assim encontros culturais que deixaram para o mundo muitasconcepções 
culturais e religiosas das quais até a contemporaneidade ainda se fazem presentes em 
nossa sociedade e são de extremo valor para a humanidade.
41UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
A religião judaica foi a primeira a ser desenvolvida. Foi a partir dela que o cristianismo 
surgiu, com princípios semelhantes, mas apoiado principalmente nos ensinamentos de Jesus 
Cristo. Aproximadamente 600 anos após o surgimento do cristianismo, nasceu o islamismo.
Durante a permanência de Maomé em Medina, o profeta e seus seguidores alcan-
çaram o fortalecimento da religião islâmica. Além da expansão em relação ao número de 
fiéis, a aceitação à crença religiosa foi integrada a uma perspectiva política, de integração 
entre os povos que passaram a compartilhar a religião islâmica.
Assim, o crescimento do islamismo ocorreu conjuntamente à iniciativa de expansão 
territorial e política, liderada por Maomé, objetivando a integração dos povos da Península 
Arábica sob um único governo. 
Alguns anos após a fundação da comunidade islâmica em Medina, Maomé e seus 
discípulos decidiram que retornariam a Meca, com o objetivo de conquistar a cidade. Por ser 
um local central para a integração dos povos árabes, que se reuniam em seu centro religio-
so, Meca era vista como um ponto fundamental a ser conquistado pelos islâmicos. Assim, 
uma comitiva foi enviada à cidade para viabilizar a sua integração ao mundo muçulmano.
Em Meca, a expansão da fé islâmica avançava antes mesmo do retorno do profeta. 
Diante dessa situação, os coraixitas estabeleceram um acordo com Maomé e seus segui-
dores, e, em 629, a cidade foi integrada aos territórios muçulmanos.
Com a expansão dos territórios ocupados pelos muçulmanos, começaram a ocorrer 
migrações de populações árabes, que deixavam a Península Arábica para fundar colônias 
e vilas nas regiões conquistadas, caso dos núcleos fundados em Basra e Kufa, atualmente 
localizados no Iraque. Os árabes-muçulmanos também estabeleceram acampamentos em 
cidades já existentes, como Damasco, na região da Síria. Esses assentamentos estimula-
vam a migração de novos grupos de origem árabe para essas regiões.
O poder político nas áreas conquistadas passou a ser exercido por líderes per-
tencentes aos grupos que haviam se aliado ao profeta Maomé para a constituição da 
comunidade islâmica em Medina e, posteriormente, em Meca. Ao longo do tempo, as áreas 
conquistadas passaram a atrair um grande número de pessoas, por serem regiões férteis e 
com áreas urbanas bastante desenvolvidas, além de possuírem localização relevante, que 
possibilita a participação dos muçulmanos nas trocas comerciais do Mediterrâneo. Essa 
questão passou a incomodar algumas lideranças que possuíam influência nas cidades 
árabes, pois a centralidade econômica e política dos domínios muçulmanos estava se 
deslocando para regiões externas à península.
42UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
43UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
DESTRUIÇÃO DE FONTES HISTÓRICAS NO BRASIL
Fotografia de Luís Eduardo Achutti, c. 1982. Acervo Memorial da Democracia, Brasil.
Na imagem, documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) gaúcho são incinerados em 
sítio próximo de Porto Alegre, após a extinção do órgão por Amaral de Souza (PDS), então governador do 
Rio Grande do Sul. 
Fonte: Luís Eduardo Achutti / Acervo Memorial da Democracia
A destruição de fontes históricas foi uma ação apoiada pelo Estado brasileiro em diversos períodos da 
nossa história. No contexto da Ditadura Civil-Militar (1984-85), por exemplo, os órgãos de repressão e 
censura promoveram a queima de documentos oficiais e inúmeras obras culturais, como filmes, gravações 
de shows e programas televisivos, exemplares de livros e jornais.
Inclusive, é possível localizar no acervo do Arquivo Nacional autos de incineração produzidos pela Polícia 
Federal, indicando os tipos de documentos queimados e os locais onde a incineração foi realizada. Em uma 
entrevista concedida à Revista Piauí, o historiador Lucas Pedretti, que localizou alguns dos autos durante 
uma pesquisa no acervo, afirmou que:
(...) os documentos são a comprovação cabal de que, além de proibir a 
publicação e a circulação de livros [e de outras obras culturais], a Ditadura 
Militar brasileira também os queimava usando fornos de aeroporto e de 
empresas privadas. Em alguns casos, ainda os transformava em pastas de 
papelão.
Fonte: FILGUEIRAS, M. A grande figueira. In: Revista Piauí. Publicado em 9 nov. 2017. Disponível em: 
https://piaui.folha.uol.com.br/a-grande-fogueira/ . Acesso em: 11 maio 2021.
https://piaui.folha.uol.com.br/a-grande-fogueira/
44UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
‘Seja a mudança que você quer ver no mundo’ 
 Mahatma Gandhi.
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Ao analisar vestígios do passado, os(as) pesquisadores(as) trazem à tona discus-
sões que permitem que as sociedades tenham respostas para muitas das suas indagações. 
Tanto a história de um tempo longo e distante quanto a história de um fato recente têm muito 
a nos revelar sobre nós mesmos(as) enquanto indivíduos, como comunidade e sociedade. 
Um(a) historiador(a), quando se debruça sobre o encontro dos povos ameríndios 
e europeus ocorrido entre os séculos XV (15) e XVI (16), por exemplo, acaba por revelar 
muito do nosso passado, do nosso presente e do porquê de nossa sociedade haver se 
estruturado dessa forma e não de outra. 
Do mesmo modo, ao estudar um fato ocorrido há 100 ou 200 anos, o(a) histo-
riador(a), também por meio de suas pesquisas, consegue compreender como e por que 
algumas situações, costumes, privilégios etc. se repetem e se perpetuam numa determi-
nada sociedade. Por exemplo, estudar a abolição da escravidão, ocorrida em 1888, ainda 
é relevante, pois o regime escravocrata deixou uma profunda herança de desigualdade na 
sociedade brasileira e, mesmo que tenha chegado ao fim, um século depois ainda podemos 
constatar muitas consequências negativas desse longo período em que se explorou a mão 
de obra africana. 
Os acontecimentos recentes também são passíveis de análise histórica, pois tam-
bém têm muito a revelar sobre a sociedade em que estamos inseridos(as). No ano de 
2006, por exemplo, foi criada a Lei Maria da Penha, que surgiu para garantir proteção às 
mulheres que sofrem violência doméstica. A criação dessa lei se deu em decorrência de 
a sociedade brasileira apresentar um alto índice de violência contra as mulheres e, desse 
modo, foi necessário criar mecanismos para defendê-las. Apesar de ser um evento recente 
na nossa história, esse fato é tão relevante quanto qualquer outro ocorrido há 100 ou 500 
anos. Portanto, a ciência histórica contribui não só para o entendimento do passado como 
também para a compreensão do nosso tempo presente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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As mulheres e a construção do conhecimento histórico
No século XIX, quando houve a institucionalização da História como ciência, o 
conhecimento histórico era produzido, majoritariamente, por historiadores do gênero mas-
culino. As mulheres, por sua vez, eram excluídas dessa ação, dado que eram impossibili-
tadas de acessar espaços como arquivos públicos, mosteiros e bibliotecas, onde as fontes 
escritas poderiam ser encontradas. 
Observe as reflexões da historiadora Carmem Silvia da Fonseca Kummer Liblik, 
presentes em um artigo publicado na Revista Feminismos, da Universidade Federal da 
Bahia (UFBA): 
“Torna-se muito claro, a partir deste cenário, compreender porque as histórias mais 
conhecidas diziam respeito aos homens, em especial os europeus. Ao privilegiar a história 
política, o Estado-nação, os grandes homens de ação e as guerras, a história definiu e elegeu 
seu campo de estudos, que, por sinal, caracterizou-se por ser notadamente masculino. Por 
muito tempo – até a década de1970 – a história cultural, das mulheres, das crianças, dos 
grupos étnicos, por exemplo, foram tratados como temas insignificantes, triviais, trazendo 
poucas contribuições para o entendimento da “verdadeira história dos homens”. 
Estranhamente essas escolhas, relacionadas ao gênero masculino por tradi-
ção e circunstância sócio-histórica, referem-se a uma história que pretendia 
ser “universal, total e próxima do real”. Foi desenvolvido, portanto, um imagi-
nário científico sobre os trabalhos históricos, marcado pelo gênero, classe e 
raça, sobretudo por representações de hierarquia e dicotomias, sendo parte 
constitutiva dos procedimentos adotados na prática histórica.” LIBLIK, Car-
mem Silvia da Fonseca Kummer. A participação das mulheres na construção 
do conhecimento histórico. 
Fonte: LIBLIK, C. S. F. K. A presença das mulheres na construção do conhecimento 
histórico. Revista Feminismos, [S. l.], v. 2, n. 3, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufba.
br/index.php/feminismos/article/view/30005 Acesso em: 10 jan. 2023. 
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/30005
https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/30005
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LIVRO 
Título: Apologia da História ou O Ofício do Historiador
Autor: Marc Bloch.
Editora: Zahar. 
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1949, o livro expõe 
elementos de metodologia de pesquisa em História, em diálogo 
com a perspectiva difundida pela Escola dos Annales. 
FILME / VÍDEO 
Título: Narradores de Javé
Ano: 2004.
Sinopse: Lançado em 2004, o filme dirigido por Eliane Caffé 
conta a história da pequena cidade de Javé, que corre o risco 
de desaparecer sob as águas de uma usina hidrelétrica. Os(As) 
moradores(as) do vilarejo terão que lidar com o despejo sem 
direito à indenização, dado que não possuem registros que 
comprovem a propriedade das terras. Desolados(as), desco-
brem que podem evitar o desaparecimento da cidade se en-
contrarem nela um patrimônio histórico de valor, possibilitando 
a sua preservação. Assim, os(as) moradores(as) tomam uma 
ousada iniciativa: decidem escrever a história de Javé. Contudo, 
a maioria deles(delas) é analfabeta, e o primeiro passo dessa 
aventura, portanto, é encontrar alguém que possa resgatar e 
registrar as memórias da cidade.
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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Plano de Estudos
• Dos primeiros tempos à estrutura da economia 
 colonial brasileira;
• Invasões no Brasil colônia;
• Brasil a caminho da emancipação política;
• O começo da república brasileira;
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o estudante para pensar 
 sobre os modos de produção do conhecimento 
 histórico e as práticas da escrita da história, 
 tanto no discurso histórico quanto nos materiais 
 de socialização;
• Compreender os tipos de conhecimento histórico, 
 com a produção do conhecimento histórico e o modo 
 de ensino;
• Estabelecer a importância de analisar as relações e 
 concepções da história.
3UNIDADEUNIDADE
O ENSINOO ENSINO
DE HISTÓRIADE HISTÓRIA
NO BRASILNO BRASIL
 Professor Me. Guilherme Bertolin Silva
49UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
A história como disciplina das escolas públicas ou particulares se tornou obrigató-
ria, somente com a criação do colégio D. Pedro II em 1837 na cidade do Rio de Janeiro, 
é a segunda instituição de ensino mais antiga do Brasil, fundada na época do período 
regencial, no mesmo ano foi criado o instituto histórico e geográfico brasileiro, que institui 
a história como disciplina acadêmica. No entanto, o modelo de ensino histórico foi mantido 
até o início da república 1889, e o colégio continuava a ter papel fundamental de influência 
e referência na organização educacional da disciplina. 
A história do Brasil foi adquirida nos currículos escolares como história universal 
apenas no governo de Getúlio Vargas, vinculado ao projeto político do Estado Novo. No 
entanto, o acesso a essa disciplina era restrito apenas para elite, preparando-as para 
conduzir o povo. A partir da década de 1960, o ensino de história apresentava baixo grau 
de profissionalização, os profissionais da área trabalhavam em condições precárias e não 
havia dedicação exclusiva. 
A dedicação se tornou exclusiva para o ensino de história quando houve a ideia 
de distribuir bolsas de estudo e pesquisa para docentes e alunos. Até então, a história era 
tratada de modo linear e cronológico conduzida por apenas alguns heróis com o ideal de 
progressão da nação, cabe ao aluno dissociar esses ideais como cidadão brasileiro rumo 
ao futuro da nação. 
O ensino de história voltou a ser debatido com mais ênfase após o fim da ditadura 
militar, em que aconteceu o processo de redemocratização do país, até então a disciplina 
era abordada em conjunto com a geografia, e privada de alguns assuntos. 
Nesta unidade, vamos aprofundar nossos conhecimentos acerca da história do Bra-
sil, conhecendo suas características e momentos históricos. Por meio de atividades práticas 
de reconhecimento, interpretação e análise de diversos tipos de fontes, vamos conhecer os 
diferentes momentos históricos do Brasil sempre em comparação com a atualidade.
 Prepare-se para essa aventura!
INTRODUÇÃO
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 1 DOS PRIMEIROS TEMPOS 
 À ESTRUTURA DA ECONOMIA
 COLONIAL BRASILEIRA
TÓPICO
50UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Nas três primeiras décadas do século XVI, além do lucrativo comércio de espe-
ciarias da África e da Ásia, que concentrava todas as atenções dos Estados ligados às 
práticas mercantes, o Brasil não possuía estrutura produtiva ou mercantil que despertasse 
o interesse de Portugal em colonizar as terras brasileiras de imediato.
Ao longo das primeiras investidas portuguesas no território que viria a ser chamado 
Brasil, não foram encontradas jazidas de metais ou pedras preciosas, gerando, assim, o 
desinteresse por parte da burguesia mercantil e da corte portuguesa. Esse período de re-
lativo desinteresse por parte de Portugal em relação ao território brasileiro ficou conhecido 
como Pré-Colonial.
Entre 1501 e 1503, foram enviadas duas expedições de reconhecimento ao litoral 
do Brasil. A primeira expedição foi comandada por Gaspar de Lemos, o mesmo que levou 
a carta do escrivão Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal,Dom Manuel. Essa expedi-
ção identificou alguns pontos geográficos que foram batizados com os nomes de Baía de 
Todos-os-Santos e São Vicente. A segunda expedição de reconhecimento foi comandada 
por Gonçalo Coelho e financiada por comerciantes interessados na descoberta de um novo 
produto que lhes garantisse lucro. Sua grande relevância está no fato de se ter identificado 
uma grande concentração de pau-brasil pela costa brasileira.
51UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
A presença de franceses e espanhóis no litoral brasileiro ameaçava o domínio 
português sobre o Brasil. Os espanhóis e os portugueses entravam em sérios conflitos pela 
conquista de território, sobretudo na região platina, enquanto os franceses simplesmente 
ignoravam os domínios estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, pois não o aceitavam.
Nos trinta primeiros anos do século XVI, a economia no Brasil foi baseada no extra-
tivismo do pau-brasil, uma madeira explorada por europeus desde a Idade Média. O líquido 
avermelhado extraído dessa árvore era amplamente empregado na tintura de tecidos e 
móveis, possuindo, portanto, alto valor no mercado internacional.
A extração da madeira do pau-brasil e sua condução até os navios eram realizadas 
pelos indígenas. Como recompensa pelos serviços prestados, eles recebiam bugigangas e 
quinquilharias ofertadas pelos portugueses.
O início da colonização efetiva do Brasil ocorreu apenas a partir de 1530. Portugal 
perdia o monopólio que até então exercia sobre o lucrativo comércio de especiarias nas 
Índias e, para agravar ainda mais a situação, a presença invasora de outros povos europeus 
em terras brasileiras ameaçava os interesses portugueses na colônia.
A colonização do Brasil significava, portanto, a solução desses dois problemas, 
pois haveria a proteção contra ataques invasores e a garantia de exploração das riquezas 
coloniais. Assim, em 1530, o rei de Portugal, dom João III, determinou o envio de uma ex-
pedição colonizadora comandada por Martim Afonso de Sousa, composta por cinco navios 
e cerca de quatrocentos homens.
As atribuições dadas a Martim Afonso foram amplas. Dentre elas, estavam 
proteger a costa e expulsar os invasores franceses, organizar expedições exploratórias 
pelo interior, dar início a uma organização administrativa na colônia, além de realizar 
experiências agronômicas e descobrir metais preciosos.
Ele percorreu grande parte do litoral, entre o Nordeste e o Rio da Prata, fixando-se, 
porém, no litoral sul do atual estado de São Paulo, onde foi fundada a vila de São Vicente 
em 1532. Além de fundar a primeira vila brasileira, Martim Afonso ergueu o primeiro enge-
nho açucareiro da colônia.
A expedição enviada sob o comando de Martim Afonso de Sousa, em 1530, preten-
dia dar início ao processo de colonização. Porém, as pretensões políticas e econômicas da 
Coroa ultrapassaram os limites que essa expedição poderia alcançar.
A solução encontrada, então, foi a adoção de um modelo aplicado nas ilhas do 
Atlântico (Madeira, Açores e Cabo Verde). Esse sistema dividia a colônia em unidades 
chamadas de capitanias hereditárias, cuja exploração e responsabilidade com investimen-
tos ou prejuízos caberiam a terceiros. Assim, o Brasil foi dividido em 15 faixas de terras, 
distribuídas a capitães donatários escolhidos entre pequenos nobres portugueses.
52UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Diante do insucesso das capitanias hereditárias, a Coroa portuguesa implementou 
em 1548 o Governo-geral, um modelo de administração mais centralizado. Esse sistema 
preservaria as capitanias, muito embora viesse a absorver boa parte das atribuições dos 
donatários. Assim, as capitanias hereditárias não foram extintas e continuaram existindo 
até 1759, quando foram totalmente confiscadas pela Coroa e transformadas em capita-
nias reais, por determinação do Marquês de Pombal.
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 2 INVASÕES NO
 BRASIL COLÔNIA
TÓPICO
UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
A divisão do continente americano entre portugueses e espanhóis, por meio do Tra-
tado de Tordesilhas (1494), nunca foi reconhecida de fato pelos demais países europeus. 
Por isso, até o século XVIII, as terras americanas foram alvo de vários ataques estrangeiros. 
As disputas em torno das terras americanas, em particular do Brasil, envolveram indígenas 
e africanos, quer lutando em favor das demais nações europeias contra os portugueses, 
quer lutando contra a escravidão de que eram vítimas. As invasões, sobretudo de franceses 
e holandeses, e os conflitos que ocorreram no Brasil Colônia serão estudados a seguir.
Ao longo de praticamente todo o Período Colonial, os franceses ocuparam a costa 
brasileira e mantiveram um comércio ilegal com os indígenas. A invasão francesa contava 
com o apoio do rei francês Henrique II e do influente almirante protestante Gaspar de 
Coligny. Naquele momento, os conflitos religiosos da Reforma e da Contrarreforma que 
assolavam a França eram muito graves e, por isso, era importante a colonização de uma 
região que geram riquezas para o Estado francês, e que, ao mesmo tempo, servisse de 
abrigo para os protestantes franceses, chamados huguenotes.
A invasão francesa coincidiu com o Governo-Geral de Duarte da Costa (), que pouco 
interferiu, pois possuía baixos recursos. O combate sistemático contra o invasor ocorreu a 
partir do governo de Mem de Sá (), decisivamente apoiado pela expedição comandada por 
seu sobrinho, Estácio de Sá. Outro interesse francês era a Amazônia, cuja porta de entrada, 
o Maranhão, também representava uma opção atrativa de conquista.
54UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
 No início do século XVII, em meio à União Ibérica, o comandante Daniel de La Tou-
che liderou uma grande expedição e invadiu o Maranhão, fundando o forte militar de São 
Luís (homenagem a Luís IX, rei canonizado e patrono da França, e ao então rei francês, na 
época, o rei menino Luís XIII). Essa conquista foi financiada por comerciantes franceses e 
apoiada pela Coroa francesa, representada pela rainha regente Maria de Médici.
Além de explorar economicamente as riquezas da Amazônia, que se estendia até 
a região do Peru, a invasão francesa incluía a fundação de uma verdadeira colônia de 
exploração, conhecida como França Equinocial, bem como a conversão dos nativos ao ca-
tolicismo, razão pela qual a expedição contava com a presença de religiosos capuchinhos 
entre seus membros. A reação luso-espanhola à presença francesa atingiu a vitória em 
1615, com a expulsão dos invasores.
Desde o século XVI, Portugal e Países Baixos mantinham intensas relações de ca-
ráter comercial. Com a colonização do Brasil, a parceria luso-holandesa também atravessou 
o Atlântico e, sob grandes investimentos, comerciantes holandeses financiavam a produção 
do açúcar nordestino.
Portugal consentia a participação holandesa no lucrativo mercado de açúcar brasi-
leiro, mediante o pagamento de tributos, o que não afetava os enormes lucros alcançados 
pelos comerciantes neerlandeses. Os holandeses obtinham vantagens porque realizavam 
o transporte, o refino e o comércio do açúcar pela Europa. 
O ataque holandês à região de Salvador fazia parte de um projeto mais amplo de 
expansão militar e comercial, que incluía outras colônias ibéricas situadasno Atlântico Sul. 
Antes mesmo do ataque, o governo espanhol já tinha conhecimento dos preparativos da in-
vasão e encarregou o governador-geral, Diogo de Mendonça Furtado, de organizar a defesa.
A esquadra holandesa chegou à Baía de Todos-os-Santos em maio de 1624, com 
26 navios, transportando cerca de 3 mil homens, comandados por Jacob Willekens e seu 
contra-almirante, Piet Heyn. A decisão de invadir Salvador se relacionava ao fato de a 
cidade ser a capital da colônia, como também um grande centro econômico, devido ao 
comércio de cana-de-açúcar e pau-brasil.
Diante do fracasso sofrido na invasão à Baía de Todos-os-Santos, a Holanda empreen-
deu um novo ataque, desta vez a Pernambuco, o maior centro açucareiro do Brasil. A esquadra 
holandesa contava com 67 navios e mais de 7 mil homens, liderados por Hendrick Corneliszoon 
Lonck. Como essa invasão também já era esperada pela Espanha e pela capitania, o governa-
dor Matias de Albuquerque foi designado para coordenar a defesa de Pernambuco.
55UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Em fevereiro de 1630, a esquadra holandesa foi avistada no litoral pernambucano. 
As primeiras tentativas de desembarque foram no Recife, mas a defesa montada por Matias 
de Albuquerque deteve os invasores, que navegaram mais para o norte, desembarcando 
na região de Pau Amarelo e, em seguida, conquistando a vila de Olinda. Para conter a 
ameaça sobre Recife, Matias de Albuquerque determinou a destruição de navios, enge-
nhos, produções de açúcar e madeiras de pau-brasil. No entanto, Recife foi dominado pelos 
holandeses em março.
Mais uma vez, a falta de recursos financeiros levava à precariedade da defesa na 
colônia. Apesar dos esforços em montar um forte aparato de contra-ataque, a superioridade 
bélica da Holanda foi notável.
A fim de preservar a unidade das conquistas e potencializar os lucros, a Companhia 
das Índias Ocidentais optou por centralizar a administração, enviando a Pernambuco, sede 
do governo holandês no Brasil, o conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen.
O governo de Nassau teve início com a sua chegada ao Brasil, em 23 de janeiro 
de 1637. Comandando a repressão aos últimos focos de resistência, Nassau determinou a 
expansão dos domínios holandeses pelo Nordeste a partir da conquista de outras capita-
nias, formando a chamada Nova Holanda. Dessa forma, ainda em 1637, foram tomadas as 
regiões de Porto Calvo – atualmente, um município alagoano –, um dos principais focos da 
resistência contra a dominação holandesa, de São Cristóvão (vila sergipana) e do Ceará.
Quando Portugal rompeu com os laços de dominação espanhola, por meio da 
Guerra de Restauração, em 1640, a nação portuguesa iniciou um período de negociações 
com a Holanda. Como os lusitanos enfrentavam problemas militares e diplomáticos com 
os espanhóis, era conveniente uma aliança com os holandeses. Assim, foi assinada uma 
trégua entre Portugal e Holanda, pelo período de dez anos (). Contudo, os holandeses não 
respeitaram o acordo.
Os índios escravos do século XVII e o gado do século XVIII, sendo ambos 
mercadorias que podiam transportar-se a si próprias ao mercado, por mais 
longínquo que fosse e através de qualquer caminho ou vereda, dariam ao 
extremo sul condições econômicas de vincular-se com o norte e com o centro 
do Brasil. (RIBEIRO, 1995, p. 10)
O domínio territorial da Holanda no Nordeste atingiu sua extensão máxima em 
1641. O Brasil holandês se estendeu desde o litoral da área que hoje corresponde a Ser-
gipe até o atual Maranhão. Em relação ao Nordeste, as conquistas neerlandesas não se 
firmaram ao sul do Rio São Francisco. Apesar das tentativas em 1638, a Bahia também 
não foi conquistada.
Os domínios holandeses, nesse momento, também se ampliaram para a África, 
com o monopólio de importantes centros comerciais de escravos. Por determinação da 
Companhia das Índias, foram ocupados Luanda (Angola) e a Ilha de São Tomé. 
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 3 BRASIL A CAMINHO
 DA EMANCIPAÇÃO
 POLÍTICA
TÓPICO
UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
O clima de liberdade, mesmo que aparente, estimulava os jornais, que circulavam 
livremente desde 1821 com o fim da censura. O Revérbero Constitucional Fluminense e A 
Malagueta falavam diariamente em emancipação. O Correio do Rio de Janeiro reivindicava 
uma Assembleia Constituinte. Já jornais como O Espelho, O Despertador Brasiliense e O 
Conciliador do Reino Unido anunciaram palavras ligadas à independência.
Sendo assim, ficava evidente que a independência do Brasil denotava um caráter 
cuja heterogeneidade acabava impedindo a ação de um processo de dimensões mais 
amplas. Para José Bonifácio de Andrada e Silva, o Brasil deveria constituir um governo 
próprio e autônomo, mas, ainda assim, atrelado às tradições e às relações de poder com 
Portugal. Esse era, portanto, um caminho mais conservador para o processo em si. Na 
visão de Gonçalves Ledo e Cipriano Barata, o caminho a ser seguido seria o da liberdade 
plena, econômica e política; para tanto, o rompimento total com a antiga metrópole por-
tuguesa era necessário.
Em outras palavras, os partidários de José Bonifácio estavam vinculados à pro-
priedade da terra, à mão de obra escravizada, ao comércio e à burocracia oficial, formando 
um grupo de cunhagem totalmente conservadora que desejava uma independência sem 
grandes transformações. A outra ala tinha a força da ação das lojas maçônicas, defendiam 
uma independência mais radical que pudesse, futuramente, auxiliar a implementação de 
um governo republicano. Apesar das divergências, as duas alas criaram uma sistemática 
de união para que a independência fosse concretizada e, a partir dela, novos caminhos 
pudessem ser trilhados. Nascia, assim, o Partido da Independência.
57UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Havia também um grupo formado por portugueses que lutaram inicialmente pelo 
processo de recolonização e que, quando perceberam a iminente derrota, por conveniên-
cia, tentaram uma aproximação com os ideais de independência. D. Pedro, apesar da sua 
inoperância como líder, era um obstáculo vivo às pretensões portuguesas de reagrupar 
as terras brasileiras à condição de colônia. A Corte insistia que D. Pedro voltou a Portugal 
para terminar seus estudos, o que gerava no imperador uma espécie de revolta, pois 
os membros da elite brasileira o enaltecem (devido ao jogo de interesses) e os da elite 
portuguesa o desvalorizavam.
O primeiro ato de pressão sobre D. Pedro I começou com uma petição com mais de 
oito mil assinaturas (muitas delas possivelmente forjadas) que pedia a sua permanência no 
Brasil e a ruptura com Portugal, levando o jovem imperador a proferir a famosa frase: “Se é 
para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico!”. O Dia 
do Fico marcava o primeiro momento de comunhão entre os grupos brasileiros e o príncipe.
A atitude de D. Pedro ao permanecer no Brasil era uma afronta à Corte portuguesa 
e ao seu pai. A reação se fez sentir imediatamente quando tropas portuguesas que estavam 
no Rio de Janeiro decidiram não acatar suas ordens, fato que permitiu aos brasileiros se 
aproveitarem da situação para reforçar seus laços com D. Pedro e, assim, expulsar essas 
forças militares do Brasil. A hostilidade em relação aos portugueses, já presenteem setores 
da sociedade brasileira, foi ampliada. Esse sentimento de lusofobia encontrou seu ponto 
máximo no Período Regencial.
Importante dentro de todo o processo de separação e de independência foi a 
atuação da maçonaria brasileira. Originária da Europa, em que já era atuante no século 
XVII, a maçonaria chegou ao Brasil nas últimas décadas do século XVIII, trazida pelos 
jovens filhos das elites que foram estudar nas universidades europeias. Mesmo sem provas 
concretas de sua presença na Inconfidência Mineira ou na Conjuração Baiana de 1798, ela 
foi atuante na Revolução de 1817, em Pernambuco. No Rio de Janeiro, a ação desse grupo 
cresceu muito a partir da vinda da Corte para o Brasil, mas foi após a Revolução do Porto, 
com a criação da Grande Loja do Oriente do Brasil, órgão que reunia as principais lojas 
brasileiras, que se destacava mais claramente no movimento de independência.
Em 1822, D. Pedro decreta o Cumpra-se, segundo o qual só vigoravam leis de 
Portugal no Brasil caso o príncipe regente desse o seu aval. A ligação com os brasileiros se 
estreitou ainda mais quando D. Pedro foi aclamado grão-mestre da loja maçônica, sem ter 
praticamente nenhum conhecimento de como funcionava tal instituição. No mesmo período, 
ele recebeu também o título de defensor perpétuo do Brasil. D. Pedro cedia, sem perceber 
claramente, um profundo espaço de ação para José Bonifácio, que incentivou o início dos 
trabalhos de criação de uma Assembleia Constituinte.
58UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Com a grande extensão territorial do país, era preciso levar a nova mensagem 
de liberdade para todos aqueles que dela quisessem participar. Assim, D. Pedro partiu 
em viagem por algumas regiões brasileiras. A história oficial e positivista conta da bravura 
de um príncipe que, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, teria recebido uma carta 
da princesa Leopoldina, sua esposa, que dizia: “O pomo está maduro, está na hora de 
colhê-lo, faça-o antes que outro o faça!”.
A razão da carta era simples: o clima de hostilidade aumentava a cada dia e a inde-
pendência deveria ser concretizada. Junto à carta vinham os conselhos de José Bonifácio e 
uma carta da Corte portuguesa reforçando a ideia que D. Pedro deveria retornar para Portugal 
e se submeter às instituições superiores, a fim de discutir a sua liderança sobre o Brasil.
Então, D. Pedro, segundo a visão do próprio quadro tradicionalista pintado por 
Pedro Américo no final do século XIX, teria levantado sua espada e gritando: “É tempo... 
Independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”. Os eventos ocorreram verda-
deiramente de uma forma muito mais simples, sem cavalos ou espadas, nem exército nem 
grito. O fato-chave é que D. Pedro, naquele momento, separava o Brasil da metrópole que 
o subjugou por praticamente trezentos anos.
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 4 O COMEÇO 
 DA REPÚBLICA
 BRASILEIRA
TÓPICO
UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
A Proclamação da República no Brasil deveu-se a duas forças: o Exército e os 
cafeicultores, que, por meio de um golpe, derrubaram o império. O primeiro grande entrave 
no processo se deu pelo fato de que os dois grupos não tinham o mesmo ideal político 
na condução do país. Mesmo com a pouca base de sustentação, temia-se que os mo-
narquistas contra-atacassem e pudessem impor a volta de D. Pedro II ao poder. Assim, o 
primeiro momento da república foi chefiado pelas forças militares e exatamente por isso 
ficou conhecido como a República da Espada (1889-1894).
Muitas linhas de pensamento permeiam essa fase inicial da história do Brasil, mas 
três delas foram as mais poderosas. O primeiro conceito foi encabeçado pelos cafeicultores 
que desejavam uma descentralização moldada em uma república federativa, como haviam 
feito os norte-americanos. Para eles, era importante que as decisões fossem tomadas de 
forma descentralizada, a fim de que sua força econômica organizasse o projeto social do 
país. Já o grupo ligado aos ideais jacobinos englobava setores médios e populares que, 
inspirados no ideário iluminista e nos preceitos das revoluções burguesas (em especial, 
a francesa), desejavam maior participação democrática na administração do país e nas 
decisões sobre o futuro da soberania nacional.
O terceiro grupo era formado pelos positivistas com raízes nos grupos militares. 
Para eles, a centralização era necessária para a condução do processo de crescimento do 
país, baseada claramente nas regras defendidas nos ideais militares. A ala que inicialmente 
comandou a república foi a positivista, presa aos alicerces militares. Para tanto, as forças
60UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
armadas começaram a construir o mito de serem os “salvadores da pátria”, resgatando, 
inclusive, para tal efeito, a figura-símbolo de Tiradentes, um militar que, nos tempos do 
Brasil colonial, lutou na Inconfidência Mineira propondo o ideal republicano. Era necessário 
dar ao Brasil uma direção diferente, que demonstrasse a todos que a população vivia uma 
nova era, com novos ideais. Inicialmente, no período do governo provisório, os militares 
mantiveram no poder a figura de Deodoro da Fonseca, um dos mentores da Proclamação.
Entre as expectativas dos republicanos estava o desejo de concessão de cidadania 
aos imigrantes, pois aos poucos eles se tornavam a principal força de trabalho no país, 
desempenhando importante papel no processo inicial de industrialização. O desejo era o 
de realizar um projeto de naturalização, em que se daria um prazo para os imigrantes se 
manterem em sua cidadania ou aceitarem a nacionalidade brasileira.
A expectativa prevista para afirmar a consolidação da república era a separação 
entre Estado e Igreja, posicionando o Brasil ao lado das nações modernas, as quais pre-
gavam o laicismo. Muitas das instituições, antes monopolizadas pela Igreja, perderam o 
caráter de beneficiamento econômico. Além de facilitar o casamento entre grupos religiosos 
distintos (pois as pessoas poderiam casar-se apenas no civil), muitos bens eclesiásticos 
seriam tomados pelo governo, e os cemitérios seriam secularizados.
As lideranças republicanas também articulavam outras ações, como a extinção das 
instituições imperiais, o banimento da família real e a convocação de eleições para uma 
Assembleia Constituinte (responsável por elaborar uma nova Constituição para o país).
Objetivando equilibrar o quadro econômico nacional, efetivar a consolidação da mão 
de obra assalariada e fomentar a industrialização do Brasil, foi emitido papel-moeda. Para 
isso, Deodoro da Fonseca convocou um intelectual de ideias progressistas e industriais 
chamado Rui Barbosa, o qual concedeu a possibilidade da emissão de moeda a alguns 
bancos privados e criou leis facilitadoras para o estabelecimento de sociedades anônimas. 
O país tentava ingressar no liberalismo. Novas taxas alfandegárias eram criadas com o 
objetivo de dificultar a entrada de produtos que poderiam ser fabricados no Brasil.
Parecia o cenário perfeito para o desenvolvimento. A emissão de papel-moeda, 
porém, só gerou especulação, com o surgimento de empresas “fantasmas” ou de fachada. 
Muitos empresários, para acessar as novas fontes de renda, geravam ações na bolsa de 
valores de empresas que, na verdade, não saíamdo papel. Dessa forma, os títulos de-
sequilibraram o orçamento, não geraram empregos, não fomentaram o desenvolvimento 
econômico e lançaram o país à primeira crise econômica republicana, conhecida como 
a Crise do Encilhamento.
61UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
A chamada “república do café” foi mantida por uma rede de interligações que pra-
ticamente impediam que outros grupos (que não aqueles ligados ao sistema) pudessem 
ascender socialmente. Essas oligarquias exerciam o poder em todos os níveis, fossem eles 
federais, estaduais ou locais. Uma das primeiras grandes armas usadas pelas oligarquias foi 
a da política do café com leite, criada no governo de Prudente de Morais. A política consistia 
na supremacia de poder do Partido Republicano Paulista e do Partido Republicano Mineiro, 
que se alternariam no poder sem uma necessidade sequencial, mas sim de valores, tanto 
que os três primeiros presidentes republicanos foram paulistas. Aliava-se, assim, a força 
do estado mais forte na produção de café (São Paulo) com o estado que detinha o maior 
número de votantes (Minas Gerais). Para garantir a legitimação oligárquica, era necessário 
contar com o apoio dos outros estados da federação.
Portanto, foi criada a segunda arma, já na época do governo do presidente Campos 
Sales, a política dos governadores, que consistia em um acordo entre o presidente e os 
governadores dos estados, em um jogo de troca de favores.
Os governadores dos estados apoiavam o presidente não só na sua eleição, mas nas 
ideias políticas e na bancada de deputados e senadores que se agruparam para fortalecer a 
máquina. Valia tudo para que esse quadro se perpetuasse, inclusive, ou principalmente, as 
fraudes eleitorais. Por outro lado, o presidente não interferia na política do estado, apenas 
destinar verbas para sustentá-la. Os estados tinham direito de contrair empréstimos no 
exterior sem passar pelo crivo do governo federal. A legitimação política ficava mais fácil de 
ser estruturada ao lembrar que os estados eram comandados pelo poder local exercido por 
grandes coronéis, remanescentes da Guarda Nacional dos tempos do Império, que ainda 
detinham em seus redutos um poder forte sobre seus trabalhadores.
Em troca de proteção e do mínimo da ajuda pessoal, os coronéis exigiam dos 
trabalhadores a obediência cega às suas ordens. Nos seus “currais eleitorais”, essa impo-
sição deu origem ao que ficou conhecido como voto de cabresto. Os que não o aceitavam, 
sofriam as consequências da força latifundiária, sendo espancados e, às vezes, até mortos.
62UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
QUESTÃO CHRISTIE
Desde o período colonial, a Inglaterra influenciou diversos aspectos da política, economia e sociedade 
brasileira. Sendo a maior potência do século XIX, manteve diversos acordos políticos e econômicos com o 
império brasileiro. Desde que reconheceu a Independência do Brasil, em 1826, a Inglaterra pressionava o 
país de vários modos.
Durante o Segundo Reinado, algumas pressões inglesas abalaram as relações diplomáticas entre ambos os 
países. Por exemplo: a pressão exercida pelos ingleses contra a escravidão; a elevação das tarifas sobre os 
produtos importados e um episódio que ficou conhecido como Questão Christie, o qual resultou em um 
rompimento diplomático entre Brasil e Inglaterra.
Em 1861, uma embarcação inglesa, o navio Prince of Wales, naufragou no litoral do Rio Grande do Sul, tendo 
parte de sua carga roubada e a tripulação, morta. O embaixador inglês William Christie exigiu uma indenização 
aos britânicos de 3 200 libras, além de autorização para que as autoridades britânicas investigassem o roubo da 
carga, alegando negligência nas investigações e compactação do governo brasileiro com o ocorrido. Enquanto 
a questão do navio inglês ainda era debatida, outro incidente ocorreu no Rio de Janeiro, agravando as relações 
diplomáticas entre os dois países. No mês de junho de 1862, três oficiais da marinha britânica à paisana foram 
presos pela polícia brasileira, na capital do Império.
Embriagados, foram acusados de promover arruaça nas ruas da cidade. Christie exigiu a libertação dos ingleses 
e a prisão dos policiais brasileiros, além da retratação pública pelo Império e desculpas às autoridades inglesas.
Dom Pedro II se recusou a atender a essas exigências. Insatisfeito com a atitude do imperador brasileiro, 
William Christie ordenou que a marinha inglesa apreendesse cinco navios brasileiros ancorados em portos 
nacionais. Esse fato gerou uma série de protestos nas ruas do Rio de Janeiro, nos quais os brasileiros recla-
mavam contra os ingleses. Dom Pedro II resolveu pagar a indenização, mas recusou-se a atender às outras 
exigências: expulsou o embaixador e rompeu a relação diplomática entre ambas as partes.
Buscando uma resolução para o conflito, foi escolhido como árbitro o rei Leopoldo I, da Bélgica, que deu 
razão ao Brasil em 1863. Ainda assim, as relações diplomáticas entre os dois países só foram restabelecidas 
em 1865, já no contexto da Guerra do Paraguai.
Fonte: SOUSA, R. G. Questão Christie. Mundo Educação, 2022. Disponível em: https://mundoeducacao.
uol.com.br/historiadobrasil/questao-christie.htm Acesso em: 10 set. 2022.
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/questao-christie.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/questao-christie.htm
63UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
“Você deve ser a mudança que deseja ver no mundo.” 
 Mahatma Gandhi.
64
Nesta unidade, vimos que é possível aprender muito conhecendo mais sobre a 
história das nossas cidades e dos importantes edifícios que compõem sua paisagem. Por 
exemplo: o que podemos aprender ao analisar a arquitetura do Rio de Janeiro e perceber 
que seu desenvolvimento está diretamente relacionado ao ambiente cultural promovido 
pela chegada e permanência da Coroa portuguesa na cidade?
Notamos, por exemplo, que as mudanças provocadas por esse fato ajudaram a 
fortalecer as elites locais, que passaram a viver em um ambiente culturalmente mais dinâ-
mico, no qual as ideias circulavam com mais rapidez. No entanto, os setores mais pobres 
da população não foram muito beneficiados por essas transformações.
Ao contrário. Para financiar as inovações e as reformas postas em prática no Bra-
sil, o governo ampliou a cobrança de impostos, provocando o empobrecimento de vários 
setores da sociedade brasileira. A população ainda sofria com a alta dos preços e a falta 
de empregos, fatores que aumentavam a insatisfação geral. Esses episódios, somados a 
outros que estudamos hoje, culminaram na independência do país.
Além disso, o fato de o Brasil ter sido sede do Império português fez com que 
vivenciássemos uma situação única nas Américas. Fomos o único país cuja metrópole se 
instalou na colônia para fazer dela sede de seu império, o que também nos ajuda a entender 
o nosso processo de independência. Mas no que, especificamente, a vinda da família real 
para o Brasil repercute atualmente? Como você viu, com a Corte portuguesa no país houve 
a criação de diversas instituições que permanecem até os dias atuais, como a Biblioteca 
Real, a Casa da Moeda, o Banco do Brasil, a Academia Real Militar e o Jardim Botânico.
Uma dessas instituições é o Museu Nacional do Rio de Janeiro, visto na foto acima. 
Esse prédio funcionou como moradia da família real quando a cidade carioca ainda era a 
capital do Império brasileiro, e era conhecido originalmente como Palácio de São Cristóvão, 
localizado no interior da Quinta de Boa Vista. Enquanto Museu, foi inaugurado em 1818, 
sendo palco de diversos eventos importantes para a história do Brasil: foi lá, por exemplo, 
que dom Pedro I assinou nossa Declaração de Independência em 1822.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
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LIVRO 
Título: Triste fim de Policarpo Quaresma.
Autor: Lima Barreto.
Editora: Editora Nova Fronteira. 
Sinopse: A partir da história de Policarpo, escritaem 1915 por 
Lima Barreto, é possível conhecer alguns dos ideais que marca-
ram os primeiros anos da República brasileira.   
FILME / VÍDEO
Título: A morte comanda o cangaço.
Ano: 1960.
Sinopse: Em 1929, um cangaceiro é protegido por um coronel 
latifundiário, o homem forte da região. Mas é dado como morto 
por seu bando, que organiza uma desforra. O filme mostra com 
impressionante realismo o cenário de horror e ódio pelo qual pas-
sou o Nordeste brasileiro na época do cangaço. Direção de Carlos 
Coimbra. 1960. Elenco: Alberto Ruschel, Aurora Duarte, Milton 
Ribeiro. Duração: 100 min. Classificação indicativa: 14 anos.
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
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Plano de Estudos
• A noção de interpretação na análise dos vestígios 
 e fontes históricas;
• A classificação das fontes históricas;
• A ciência histórica e suas contribuições 
 para o tempo presente;
• Avaliação em história.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o estudante para pensar sobre 
 os modos de produção do conhecimento histórico e as 
 práticas da escrita da história, tanto no discurso histórico 
 quanto nos materiais de socialização;
• Compreender os tipos de conhecimento histórico, com a 
 produção do conhecimento histórico, avaliação e o modo 
 de ensino;
• Estabelecer a importância de analisar as relações e 
 concepções da história.
4UNIDADEUNIDADE
PLANEJAMENTO EPLANEJAMENTO E
AVALIAÇÃO PARA OAVALIAÇÃO PARA O
ENSINO DE HISTÓRIAENSINO DE HISTÓRIA
 Professor Me. Guilherme Bertolin Silva
67
O(A) historiador(a) é o(a) profissional que busca as informações sobre os grupos 
humanos que viveram em diferentes períodos históricos e elabora uma análise sobre o que 
foi estudado. Se você parar para analisar, vai perceber que o modo de trabalhar de um (a) 
historiador (a) lembra o de um (a) detetive. 
Veja só: se um(a) detetive estiver investigando um crime, por exemplo, ele(a) irá ao 
local onde o fato ocorreu em busca de pistas que podem ter sido deixadas pelo(a) crimino-
so(a). Essas pistas também são chamadas de evidências. Podem ser de qualquer tipo: um 
documento que caiu do bolso do(a) criminoso(a), um pedaço da roupa que ficou preso em 
uma cerca, uma pegada, uma impressão digital, um fio de cabelo etc. Como essas pistas 
nem sempre são suficientes para solucionar o caso, o(a) detetive também conversa com 
pessoas que trabalham ou moram nas proximidades do local do crime para tentar obter 
alguma informação relevante. Além disso, muitas vezes, o(a) detetive precisa recorrer à 
ajuda de profissionais de outras áreas, como um(a) cientista, por exemplo, para ajudá-lo(a) 
a solucionar o caso. A análise do DNA de um fio de cabelo feita por esse(a) cientista pode 
ser fundamental para ajudar o(a) detetive em suas investigações. 
O fato é que, com base em todas as evidências coletadas – pistas deixadas no local 
do crime, conversas com pessoas, análises laboratoriais etc. – o(a) detetive vai levantar 
uma hipótese sobre quem é o(a) autor(a) do crime e sobre como o fato ocorreu. Com a 
pesquisa histórica, o caminho é muito parecido. Para responder às questões referentes 
àquilo que se busca analisar, o(a) historiador(a) utiliza diversos métodos e técnicas de 
análise de vestígios e fontes históricas. 
Mas o que seriam os vestígios e as fontes históricas? São as “pistas” deixadas por 
pessoas que viveram em diferentes momentos históricos, e todo o material produzido pela 
ação humana pode servir como fonte histórica. Na maioria das vezes, o(a) historiador(a) 
irá analisar um vestígio que não foi produzido com intenção de informar ou perpetuar a 
memória, mas todas as fontes permitem análise, e cabe ao(à) historiador(a) selecionar 
esse material a fim de investigar algum fato ou evento do passado. 
Mas por que estudamos História? Um dos objetivos do estudo de História relacio-
na-se ao interesse em responder às indagações dos dias atuais. O(A) historiador(a) parte 
do presente para investigar outros momentos históricos, identificando as permanências e 
mudanças ocorridas ao longo do tempo. No entanto, nem tudo que aconteceu no passado 
foi escrito ou registrado, e é impossível analisar toda a História, sendo viável apenas uma 
visão parcial ou avaliação daquilo que ocorreu. Isso porque o conhecimento histórico é 
lacunar, ou seja, sempre é possível descobrir novas informações acerca do passado, de 
acordo com as fontes encontradas e as perguntas a elas dirigidas.
INTRODUÇÃO
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
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Quando o(a) historiador(a) decide estudar algum evento do passado, ele(a) sele-
ciona, analisa e interpreta os vestígios e as fontes do período escolhido. Ao concluir sua 
pesquisa, elabora um texto que pode ser publicado em livro ou artigo científico e expõe sua 
interpretação acerca do material e período analisado. 
Como a História trabalha com a noção de interpretação, as conclusões sobre a 
fonte ou o vestígio podem variar de um(a) pesquisador(a) para outro(a). Portanto, deve-se 
considerar que a conclusão do trabalho não traz uma verdade única sobre aquilo que foi es-
tudado, mas, sim, uma perspectiva possível da História, considerando os dados analisados. 
Apesar de a análise das fontes ser passível de interpretações diferentes por parte 
dos(as) pesquisadores(as), seu processo fundamenta-se em métodos científicos, e isso 
torna o resultado do trabalho de um(a) historiador(a) bastante diferente do de um(a) escri-
tor(a). Uma história criada por um(a) romancista ou cineasta não tem compromisso com a 
verdade nem com os fatos ocorridos, enquanto o trabalho de um(a) historiador(a) só pode 
ser realizado de acordo com os dados de que dispõe, tendo como método a análise das 
fontes históricas, que direciona suas interpretações.
A Paleontologia e a Arqueologia são áreas científicas que, ao lado da História, 
são responsáveis pelo conhecimento que acumulamos sobre o passado. Tudo o que foi 
produzido pelo ser humano ou pela natureza é passível de análise pela ciência, e os ves-
tígios do passado, por apresentarem naturezas diferentes entre si, exigem abordagens de 
análise específicas. O(A) historiador (a) que decidir estudar ossadas humanas ou restos 
de cerâmicas de civilizações antigas precisará do auxílio de um(a) paleontólogo (a) ou de 
um arqueólogo(a). 
68
 1 A NOÇÃO DE INTERPRETAÇÃO
 NA ANÁLISE DOS VESTÍGIOS E
 FONTES HISTÓRICAS
TÓPICO
UNIDADE 4 PLANEJAMENTOE AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
Esses(as) profissionais fazem suas pesquisas em sítios paleontológicos ou arqueo-
lógicos e, quando um local de pesquisa é descoberto, ele é demarcado e isolado para que 
os(as) pesquisadores(as) possam escavar e pesquisar a possibilidade de mais vestígios. 
Geralmente, esses sítios estão localizados na superfície ou abaixo do solo e foram soter-
rados ao longo do tempo. Eles podem estar tanto em uma zona rural quanto em uma zona 
urbana, e não é raro serem descobertos durante as obras de escavação para a construção 
de metrôs nas grandes cidades.
Os(As) paleontólogos(as) são responsáveis por analisar restos petrificados de 
plantas, animais e seres humanos que viveram há milhares ou milhões de anos. 
Vestígios como esse são chamados de fósseis, e a identificação de sua idade é 
feita através do teste do Carbono 14. Ao longo da vida, todos os seres da Terra absorvem o 
carbono radioativo C14 por meio do gás carbônico atmosférico (CO2). Como ele é absorvi-
do pelas plantas na fotossíntese e pelos animais e humanos que se alimentam delas, estes 
passam também a ter as moléculas de carbono em seus organismos. Quando esses seres 
vivos morrem, permanece uma quantidade em seus corpos e, desse modo, o(a) cientista 
consegue calcular a quantidade de carbono existente no fóssil, identificando o período em 
que ele viveu na terra.
69UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
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Enquadram-se na categoria de fonte material os objetos (cerâmicas, moedas, 
móveis, roupas etc.), os monumentos (construções, prédios, ruas etc.), as fontes escritas 
(cartas, jornais, livros, revistas, documentos oficiais do governo etc.), as fontes visuais 
(quadros, fotografia, imagens etc.), audiovisuais (programas de televisão, cinema, vídeos 
gravados etc.) e sonoras (discos, CDs, DVDs, gravações em suporte de internet etc.). 
As fontes imateriais também são múltiplas e referem-se às tradições detectáveis 
através de lendas, festividades, músicas, relatos e costumes culturais de um povo. Cada 
categoria de fonte tem uma linguagem própria, e todas são passíveis de análise pelos(as) 
historiadores(as); entretanto, por apresentarem formatos e conteúdos diferentes, elas re-
querem abordagens específicas. 
Os jornais são um tipo de fonte material escrita muito utilizada por historiadores 
e, devido ao seu alcance entre a população, geralmente apresentam uma linguagem 
bastante acessível. As fontes visuais, assim como as fontes escritas, são muito diversas 
e abrangem imagens de todos os tipos, como: fotografias, cartazes, charges, quadros e 
pinturas. Elas também permitem ao(à) historiador(a) apreender informações da época e 
da sociedade em que foram produzidas.
As fontes audiovisuais compreendem grande parte dos programas de televisão – 
como telenovelas –, cinema, programas e acervos de vídeos disponíveis na internet. As 
fontes sonoras são gravações de músicas em formato de vinil, fitas cassetes, CDs e DVDs 
e músicas gravadas e disponibilizadas na internet. Como é possível observar, essas fontes
70
 2 A CLASSIFICAÇÃO
 DAS FONTES
 HISTÓRICAS
TÓPICO
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
fazem parte de uma temporalidade recente da história da humanidade, pois todos os exem-
plos citados precisaram de tecnologias modernas para serem criados. O uso da internet é 
algo novo na história da humanidade, portanto, a própria idade da fonte analisada já diz 
muito sobre a sociedade em que ela foi produzida. Entretanto, independente do período 
histórico em que essas fontes foram criadas, o(a) historiador(a) deve manter o mesmo rigor 
de análise que utiliza para as fontes de outros períodos, buscando sempre atentar para 
a data de produção e sua autoria, direcionando perguntas adequadas a fim de que estas 
possibilitem respostas durante a análise. 
A festa típica brasileira chamada de Boi-bumbá é bastante tradicional no estado 
do Amazonas. Ela é uma festa folclórica e envolve uma história encenada com dança e 
música. Acredita-se que tenha sido trazida ao Brasil pelos portugueses, modificando-se a 
partir da inserção de elementos das culturas indígena e africana. A lenda combina perso-
nagens humanos e animais e narra a história da morte e ressurreição de um boi. A festa foi 
levada à região do Amazonas por migrantes nordestinos, e lá sofreu algumas modificações. 
Na região Nordeste, em que a festa teve origem, ela é chamada de Bumba meu boi e 
apresenta pequenas diferenças na história da morte e ressurreição do boi se comparada 
ao festejo celebrado na região amazônica. Apesar disso, o festejo é igualmente importante 
nas duas regiões do país.
As fontes imateriais são expressões culturais transmitidas de uma geração para 
a outra e guardam muitas memórias da cultura de um povo. São chamadas assim porque 
se referem a práticas, saberes, costumes e manifestações que não podem ser associa-
das a um objeto ou espaço específico, por isso não têm uma dimensão material. A festa 
do Boi-bumbá é um bom exemplo de fonte imaterial e perpetuou-se na cultura da região 
amazônica do Brasil. Assim como ela, há outras manifestações culturais no país que tam-
bém permitem aos(às) historiadores(as) estudar e conhecer a história e as tradições de 
determinadas comunidades.
 
71UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
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Ao analisar vestígios do passado, os(as) pesquisadores(as) trazem à tona discus-
sões que permitem que as sociedades tenham respostas para muitas das suas indagações. 
Tanto a história de um tempo longo e distante quanto a história de um fato recente têm muito 
a nos revelar sobre nós mesmos (às) enquanto indivíduos, como comunidade e sociedade. 
Um(a) historiador(a), quando se debruça sobre o encontro dos povos ameríndios 
e europeus ocorrido entre os séculos XV (15) e XVI (16), por exemplo, acaba por revelar 
muito do nosso passado, do nosso presente e do porquê de nossa sociedade haver se 
estruturado dessa forma e não de outra. 
Do mesmo modo, ao estudar um fato ocorrido há 100 ou 200 anos, o(a) his-
toriador(a), também por meio de suas pesquisas, consegue compreender como e por 
que algumas situações, costumes, privilégios etc. se repetem e se perpetuam numa 
determinada sociedade. Por exemplo, estudar a abolição da escravidão, ocorrida em 
1888, ainda é relevante, pois o regime escravocrata deixou uma profunda herança de 
desigualdade na sociedade brasileira e, mesmo que tenha chegado ao fim, um século 
depois ainda podemos constatar muitas consequências negativas desse longo período 
em que se explorou a mão de obra africana.escritos passariam a ser valoriza-
dos como elementos centrais para a construção do conhecimento histórico. 
No século XIX, os Estados recém-formados, como França e Inglaterra, e aque-
les que experimentaram seu processo de unificação, como Alemanha e Itália, buscavam 
reconstruir seu passado com o objetivo de valorizar suas origens e se legitimar enquanto 
países. Para isso, iniciaram um trabalho de organização dos arquivos públicos, a fim de 
reunir documentos importantes para a construção de suas histórias nacionais.
Na sequência, na unidade III, falaremos a respeito do ensino de história no Brasil, 
embora a história como disciplina das escolas públicas ou particulares tenha se tornado 
obrigatória, somente com a criação do colégio D. Pedro II em 1837 na cidade do Rio de 
Janeiro, está a segunda instituição de ensino mais antiga do Brasil, fundado na época do 
período regencial, no mesmo ano foi criado o instituto histórico e geográfico brasileiro, que 
institui a história como disciplina acadêmica. No entanto, o modelo de ensino histórico foi 
mantido até o início da república 1889, e o colégio continuava a ter papel fundamental de 
influência e referência na organização educacional da disciplina. A história do Brasil foi 
adquirida nos currículos escolares como história universal apenas no governo de Getúlio 
Vargas, vinculado ao projeto político do Estado Novo. 
6
No entanto, o acesso a essa disciplina era restrito apenas para elite, preparando-
-as para conduzir o povo. A partir da década de 1960, o ensino de história apresentava 
baixo grau de profissionalização, os profissionais da área trabalhavam em condições 
precárias e não havia dedicação exclusiva. A dedicação se tornou exclusiva para o ensino 
de história quando houve a ideia de distribuir bolsas de estudo e pesquisa para docentes 
e alunos. Até então a história era tratada de modo linear e cronológico conduzida por 
apenas alguns heróis com o ideal de progressão da nação, cabe ao aluno dissociar esses 
ideais como cidadão brasileiro rumo ao futuro da nação. O ensino de história voltou a 
ser debatido com mais ênfase após o fim da ditadura militar, onde aconteceu o processo 
de redemocratização do país, até então a disciplina era abordada em conjunto com a 
geografia, e privada de alguns assuntos. 
Em nossa unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina com Planejamen-
to e avaliação ensino de história. Na avaliação e planejamento, primeiramente é preciso 
entender que o ensino de História deve efetivamente superar a abordagem informativa, 
conteudista, tradicional, desinteressante e não significativa, para professores, e que uma 
das possibilidades para essa superação é sua problematização a partir do que está próxi-
mo, do que é familiar e natural aos alunos. 
E problematizar o fato que a avaliação não somente é compreendida como uma 
prova. A concepção de avaliação aqui assumida é a de uma atividade que visa auxiliar o 
professor a averiguar se os alunos aprenderam o conteúdo proposto e se seu objetivo foi 
alcançado, se não foi, que possa identificar onde está a fragilidade dessa aprendizagem, 
para retomar a questão.
Muito obrigado e bom estudo !
SUMÁRIO
Considerações e Teorias 
Sobre o Ensino de História
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Plano de Estudos
• História: Conceito, Concepções e o trabalho com os 
 documentos; 
• As Primeiras Formas de Construção da História;
• A História Enquanto Ciência e a Perspectiva Positivista, 
 do Materialismo Histórico à Escola dos Annales;
• Noção de Tempo e Periodização da História.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o estudante para pensar 
 sobre os modos de produção do conhecimento 
 histórico e as práticas da escrita da história, tanto no 
 discurso histórico quanto nos materiais de socialização;
• Compreender os tipos de conhecimento histórico, com 
 a produção do conhecimento histórico e o modo de 
 ensino;
• Estabelecer a importância de analisar as relações e 
 concepções da história.
1UNIDADEUNIDADE
CONSIDERAÇÕES CONSIDERAÇÕES 
E TEORIAS SOBRE E TEORIAS SOBRE 
O ENSINO DE O ENSINO DE 
HISTÓRIAHISTÓRIA
 Professor Me. Guilherme Bertolin Silva
9
“O ser humano é um ser social.” A célebre frase atribuída ao filósofo grego Aristó-
teles nos leva a refletir sobre uma característica humana: as relações que estabelecemos 
conosco e com o mundo. A vida em sociedade nos possibilita construir relações sociais, 
sejam de afeto, de poder, de trabalho, em diferentes espaços e contextos.
Compreender como se articulam e se orientam essas relações não é uma tarefa 
fácil. E esse é um dos objetos de estudo das Ciências Humanas, constituída como uma 
grande área de conhecimento que focaliza ou estuda a humanidade em sua totalidade, 
englobando reflexões variadas sobre sua vida social, psíquica, política, religiosa etc. Entre 
as Ciências Humanas, destacam-se a Filosofia, a Sociologia, a História, a Geografia, a 
Antropologia, a Psicologia, a Economia e outras. Apesar de possuírem características e 
metodologias próprias, as diferentes áreas contribuem para a ampliação do conhecimento 
a respeito do ser humano e das transformações sociais provocadas e vivenciadas por ele.
Diferentemente das Ciências Exatas e da Natureza, as Ciências Humanas não são, 
necessariamente, passíveis de experimentações e de comprovações laboratoriais, dado 
que os seres humanos são seu próprio objeto de estudo, isto é, não há uma separação 
entre sujeito e objeto a ser estudado. Além disso, a área analisa alguns fenômenos que, 
muitas vezes, não se repetem ou cuja comprovação experimental é impossível.
É importante destacar que as diferenças entre Ciências Humanas, Exatas e da 
Natureza não devem ser utilizadas para julgar uma ciência como mais completa ou estru-
turada que a outra. Cada área possui seu campo de conhecimento e sua relevância, sendo 
complementares para o estudo da vida, do bem-estar e do convívio em sociedade.
O investimento em Ciências Humanas possibilita a superação de crises sociais, a 
elaboração de políticas públicas eficientes, o enfrentamento da violência, da pobreza e das 
desigualdades. Além disso, as Ciências Humanas têm um importante papel na formação 
de sujeitos críticos e conscientes, capazes de compreender seus direitos, deveres e os 
lugares que ocupam socialmente, para, assim, impulsionar transformações necessárias 
para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Neste capítulo, em especial, conheceremos algumas características da História, 
uma das componentes das Ciências Humanas. Vamos verificar como essa área se consti-
tui, quais são seus campos de estudo, suas metodologias e particularidades.
 
Bons estudos !!!
INTRODUÇÃO
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
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. . .Os acontecimentos recentes também são passíveis de análise histórica, pois 
também têm muito a revelar sobre a sociedade em que estamos inseridos(as). No ano de 
2006, por exemplo, foi criada a Lei Maria da Penha, que surgiu para garantir proteção às 
mulheres que sofrem violência doméstica. A criação dessa lei se deu em decorrência de 
a sociedade brasileira apresentar um alto índice de violência contra as mulheres e, desse 
modo, foi necessário criar mecanismos para defendê-las. Apesar de ser um evento recente 
na nossa história, esse fato é tão relevante quanto qualquer outro ocorrido há 100 ou 500 
anos. Portanto, a ciência histórica contribui não só para o entendimento do passado como 
também para a compreensão do nosso tempo presente.
72
 3 A CIÊNCIA HISTÓRICA
 E SUAS CONTRIBUIÇÕES
 PARA O TEMPO PRESENTE
TÓPICO
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
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O ensino da história hoje tem fundamental valor de impressões que, tal como ima-
gens, trazem à mente o conceito de currículo. Em algumas dessas impressões, a ideia de 
que o currículo é construído para ter efeitos sobre as pessoas fica reduzido ao seu caráter 
estrutural prescritivo. Nelas, parece não haver destaque para a discussão sobre como se 
dá, historicamente, a seleção do conhecimento, sobre a maneira como esse conhecimento 
se organiza e se relaciona na estrutura curricular e, consequência disso, o modo como as 
pessoas poderão compreender o mundo e atuar nele. 
A história inicia-se pelos aspectos cognitivos de se compreender como indivíduo 
inserido dentro da história, bem como sua importância sócio-cultural enquanto objeto de 
estudo para a compreensão do presente, nacional e internacional, e da história da huma-
nidade. É um importante instrumento de interpretação que permite o entendimento e a 
argumentação de forma clara, concisa, rigorosa e universal. 
É, portanto, instrumento essencial para promover a compreensão das relações 
políticas, econômicas, culturais e sociais. Este instrumento desenvolve o espírito de co-
letividade, de cooperação e de pertencimento cultural, pois tem forte caráter integrador 
e interdisciplinar, contribuindo assim para que o indivíduo se desenvolva em todos seus 
aspectos socioculturais. 
Para que o ensino de história seja efetivado, seguem as relações que permearam 
o desenvolvimento deste trabalho: 
73
 4 AVALIAÇÃO
 EM HISTÓRIA
TÓPICO
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
- Relações interdisciplinares; 
- Relações de contexto: 
• questões sociais, tecnológicas, políticas, culturais e éticas; 
• reconhecimento e a valorização da identidade e história das raízes africanas 
da nação brasileira, ao lado das indígenas, europeias e asiáticas extraídas da 
análise de gráficos, pesquisas, textos, filmes e/ou reportagens (Lei n° 10639/03 
e Lei n° 11645/06);
• diversidades (cultural, sexual, racial, entre outras); 
• inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência; 
• pluralidade cultural existente no Brasil provinda de credos e culturas, as mais diversas; 
• prevenção ao uso indevido de drogas; 
• educação tributária (Dec. N°1143/99); 
• sexualidade humana; 
• enfrentamento a violência contra a criança e ao adolescente; 
• Direito das Crianças e Adolescentes L.F. n°11525/07; 
• No caso do aluno que frequenta ou não a Sala Multifuncional I, terá flexibilização 
Curricular de acordo com suas necessidades. 
• Direitos humanos. 
• Bullying-Lei 13,185/2015. 
As relações interdisciplinares e de contexto estarão sendo contempladas no 
decorrer do ano letivo em sala de aula ou em projetos do cotidiano escolar, seja em 
comentários, palestras, passeios, textos, música, paródia, teatro, filmes, pesquisas e 
reportagens, entre outros.
74UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
75UNIDADE 3 O ENSINO DE HISTÓRIA NO BRASIL
Conexões com Ciências
As descobertas feitas pelos(as) cientistas são muito importantes para nós, pois nos permitem conhecer um 
pouco sobre como era a vida na Terra há milhares de anos. É através de pesquisas científicas que podemos 
conhecer as transformações da vida na Terra, como eram as primeiras espécies humanas e o modo como 
as antigas civilizações se organizavam. Além das descobertas relacionadas aos humanos, os(as) cientistas 
também se debruçam sobre a pesquisa de espécies animais extintas há muito tempo. 
Sabe-se que os dinossauros desapareceram há pelo menos 65 milhões de anos, muito antes de a primeira 
espécie humana habitar a Terra. Mas, apesar disso, ainda hoje os(as) cientistas se deparam com ossadas e 
vestígios desses animais. Em 1997, paleontólogos encontraram na região sul da Argentina ossos e dezenas 
de milhares de ovos, que permitiram aos(às) cientistas estudar os embriões de filhotes de dinossauros 
herbívoros que viveram entre 89 e 71 milhões de anos atrás. 
Fonte: AIRES. G. C. B. Dinossauros tinham hábitos sociais, diz pesquisador argentino. Folha de São Pau-
lo. São Paulo, 2013. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1305200005.htm Acesso 
em: 10 set. 2022.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1305200005.htm
76UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
“A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.” 
Albert Einstein
77
A origem da humanidade é sempre motivo de debate entre os cientistas, e embora 
não haja consenso entre os pesquisadores a respeito da data de alguns fenômenos e 
eventos, sabe-se que as descobertas são fundamentais para que se consiga chegar a 
algumas explicações sobre a origem dos seres humanos. 
Os ossos de Lucy, foram encontrados em 1974 pelo antropólogo Donald Johnson e 
o estudante Tom Gray na região de Afar, Etiópia. O esqueleto foi batizado de Lucy porque, 
no momento em que faziam a escavação do local e a encontraram, os cientistas escutavam 
a canção “Lucy in the sky with diamonds”, da banda The Beatles. 
A maioria dos cientistas acredita que os ossos pertenciam a uma fêmea hominídeo 
Australopithecus, que viveu provavelmente entre 4 e 3 milhões de anos atrás. As pesqui-
sas demonstram que Lucy pertencia a um grupo de mamíferos primatas e era capaz de 
caminhar sobre os dois pés, ainda que por vezes precisasse utilizar o apoio das mãos 
para garantir o seu equilíbrio. Os hominídeos possuíam características semelhantes aos 
humanos modernos, no entanto, tinham estatura e cérebro menos desenvolvidos.
No decorrer do desenvolvimento das espécies, surgiu o gênero Homo há pelo 
menos 2 milhões de anos. Esta espécie apresentava cérebro mais desenvolvido e maior 
habilidade com as mãos. A partir de seu desenvolvimento, teria surgido o Homo sapiens, 
espécie que deu origem aos humanos modernos.
A linguagem científica, porém, não é a única forma de explicar as origens da huma-
nidade. Em paralelo a ela, existem as narrativas religiosas e míticas, que, por meio de suas 
crenças e histórias, defendem o surgimento dos primeiros homens e mulheres como a ação 
de um Deus ou deuses. As explicações míticas e religiosas também são extremamente 
importantes para as sociedades e, tal como as explicações científicas, têm o seu valor na 
cultura de diferentes civilizações. 
Desse modo, a busca por explicações para a origem da humanidade por exemplo 
ainda é recheadade historicidades e não há um consenso sobre as datas e as condições 
que possibilitaram a origem da espécie humana. De todo modo, há que se respeitar todas 
as explicações existentes, sem, com isso, privar as pessoas do acesso às duas correntes 
explicativas: às mítico-religiosas e a científica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
78
LIVRO
Título: O futebol explica o Brasil – Uma história da maior ex-
pressão popular do país.
Autor: Marcos Guterman.
Editora: Editora Contexto.
Sinopse: O livro do jornalista e historiador Marcos Guterman 
apresenta a trajetória do futebol no Brasil, relacionando-a à 
própria história da nação. A frase “nunca foi/é só futebol” defi-
ne bem a obra, levando-nos a perceber que política, economia, 
sociedade e futebol estão mais conectados do que costuma-
mos imaginar. O autor descreve como a modalidade chegou ao 
país, a formação dos primeiros clubes, as principais estrelas, 
as derrotas, as peculiaridades, entre outras características que 
marcaram o percurso do futebol no Brasil. 
FILME / VÍDEO 
Título: Homo sapiens 1900
Ano: 1998.
Sinopse: O filme Homo sapiens 1900, do diretor Peter Cohen, 
aborda a eugenia e as teorias de “limpeza racial” que deram 
origem ao nazismo. Exibindo arquivos e cenas raras, o filme 
mostra as práticas nazistas utilizadas para justificar suas teorias 
de superioridade racial, como a medição de crânio e a fisiogno-
monia (a associação da aparência ao caráter). O documentário 
exibe a manipulação biológica como arma para eliminar aque-
les que não se adaptam ao padrão racial imposto pelo modelo 
fascista do ser humano. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 4 PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
79
BLOCH, M. Apologia da história, ou, O ofício do historiador. Rio de Janeiro. Zahar. 
2001.
BRASIL, Lei de Diretrizes e B. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 
DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Lei Federal n°. 10.639, de 09/01/2003. Estabelece a obrigatoriedade do ensino 
da História e Cultura Afro-brasileira no currículo da Rede de Ensino no Brasil. Brasília: 
Gráfica do senado, 2003.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: his-
tória, geografia / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.
COULANGES, F. A Cidade Antiga. Tradução de Fernando de Aguiar. São Paulo: Martins 
Fontes, 1998.
HERNANDEZ, F.; VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de traba-
lho. Trad. Jussara Haubert Rodrigues. 5ª ed. São Paulo: Editora Artes Médicas, 1998.
MARX, K; ENGELS, F. A ideologia alemã. Domínio Público, 2020. Disponível em: http://
www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000003.pdf Acesso em: 5 mai. 2021.
NADAI, E et al. O ensino de história e a criação do fato. São Paulo: Editora contexto, 
2009.
OLIVEIRA, R. S.; ALMEIDA, V. L.; FONSECA, V. A. A reflexão e a prática ensino de 
história. São Paulo: Blucher, 2012. 
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. Segunda edição. São 
Paulo, Companhia das Letras, 1995.
SEGANFREDO, C; FRANCHINI, A. S. As melhores Histórias da mitologia egípcia. L & 
PM, Porto Alegre: p. 10, 2006.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000003.pdf
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000003.pdf
80
Prezado (a) aluno (a),
Neste material, busquei trazer para você os principais conceitos a crítica, concepção 
e a compreensão do ensino de história, especialmente na educação básica, oportunizar 
pressuposto teóricos e metodológicos para relação com a complexa trajetória humana no 
mundo e abordagem do ensino de história na perspectiva da historiografia.
Para tanto abordamos as definições teóricas e problematização do uso de fontes 
históricas para a construção do conhecimento histórico, neste aspecto, acreditamos que 
tenha ficado claro para você o quanto é a história em todas as áreas do conhecimento e 
uma organização compreenderem os processos de identificação de necessidades e opor-
tunidades no mercado para a criação e de entendimentos que atendam as expectativas da 
vida em sociedade. 
Em cada sociedade, as narrativas tradicionais, fantásticas ou não, podem expres-
sar traços culturais, crenças religiosas, costumes e valores relacionados aos modos de 
vida de cada grupo social, povo ou comunidade. Dessa forma, elas nos fornecem pistas 
a respeito de seus modos de pensamento e das perguntas que os preocupam, e para as 
quais buscam respostas.
Além dos maias, diversos outros povos, que se desenvolveram em diferentes 
períodos históricos, criaram narrativas e formas de explicar os acontecimentos que lhes 
afetavam, além de elaborar explicações para questões profundas, como os mistérios sobre 
o surgimento do mundo e dos seres humanos. 
A partir de agora acreditamos que você já está preparado para seguir em frente 
desenvolvendo ainda mais suas habilidades para criar, conhecer e criticar as realidade no 
qual estamos inseridos.
 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!
CONCLUSÃO GERAL
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
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	Unidade 02: 
	Unidade 03: 
	Unidade 04:. . 
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Se pararmos para pensar sobre o significado da palavra história, surgirão algumas 
definições imediatas para o conceito: a história pode ser compreendida como uma simples 
narração, que pode ser ficcional ou baseada em fatos, contada em livros, filmes e séries, 
por exemplo; pode estar relacionada ao processo histórico, isto é, aos acontecimentos pas-
sados que, organizados a partir de um encadeamento cronológico, permitem compreender 
as transformações vivenciadas pela humanidade; e, por fim, ser associada à historiografia, 
ou seja, à produção de conhecimentos a respeito desse processo histórico. Neste capítulo, 
vamos explorar aspectos voltados às duas últimas definições.
A expressão “história” tem origem grega, e seu significado está ligado à ideia de “in-
vestigação”, no sentido de procurar saber sobre algo que ocorreu e, por meio da pesquisa, 
produzir um discurso sobre o acontecido. Nesse sentido, a História consiste no estudo das 
sociedades humanas ao longo do tempo e em determinado espaço geográfico. 
Os(As) historiadores(as), isto é, os(as) profissionais que se dedicam ao estudo da 
História, buscam analisar como os seres humanos viveram e se organizaram em diversos 
períodos e em diferentes regiões do planeta. Como não é possível recuperar e modificar o 
passado, nem saber como, de fato, ele se constituiu, os(as) historiadores(as) tentam recons-
truí-lo a partir da busca e da análise de diferentes pistas ou vestígios que possam ajudá-los(as) 
a compreender aspectos que marcaram as trajetórias de determinada sociedade.
 1 HISTÓRIA: CONCEITO, 
 CONCEPÇÕES E O TRABALHO
 COM OS DOCUMENTOS
TÓPICO
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
A Arqueologia é a ciência que estuda as culturas e os modos de vida das diferentes socie-
dades humanas a partir de coleta e análise de objetos materiais que resistiram ao tempo. Através da 
análise desses vestígios, os(as) historiadores(as) e os(as) arqueólogos(as) buscam compreender 
características de um povo ou sociedade. 
Há uma infinita variedade de pistas e vestígios que podem ser coletados e es-
tudados: documentos textuais, fotografias, pinturas, utensílios, jornais, entre outros. Ao 
serem selecionados pelos(as) estudiosos(as), esses vestígios transformam-se em fontes 
históricas e a elas são direcionadas diferentes indagações e questionamentos, visando a 
entender a origem de determinados fenômenos, a transformação das sociedades, as men-
talidades de uma determinada época, entre outros aspectos da história da humanidade.
Contudo, é importante ressaltar que o estudo da História não se limita a entender 
como as pessoas viveram no passado, mas é uma forma de ajudar os sujeitos a refle-
tir sobre suas próprias sociedades e a maneira como vivem no presente. É através das 
transformações sociais que aconteceram no decorrer do tempo que se pode, por exemplo, 
entender o sistema político vigente no Brasil, ou a forma como essa sociedade está orga-
nizada e dividida, o funcionamento do sistema econômico na atualidade e as diferentes 
possibilidades de organização do trabalho e das atividades produtivas. 
Portanto, quando estudamos a História, seja na escola ou na universidade, os 
temas e objetos de pesquisa surgem a partir das preocupações e dos anseios do presente. 
Nossas formas de olhar para o passado e refletir sobre ele se modificam ao longo do 
tempo, dado que os seres humanos vivenciam transformações em seus modos de vida 
e de pensamento. Assim, questões que não tinham relevância para uma sociedade, por 
exemplo, podem ser fundamentais para compreender o funcionamento de outra. Nesse 
sentido, considera-se que o conhecimento histórico é dinâmico, podendo ser modificado 
a partir dos recortes temáticos, das descobertas derivadas dos novos olhares e questões 
direcionadas aos documentos.
Ao estudar a História, precisamos ter cuidado para não cometer o chamado ana-
cronismo, isto é, considerar que povos e civilizações de outros períodos tinham concepções 
de mundo iguais àquelas vigentes no período em que a pesquisa está sendo constituída.
Para entender melhor o anacronismo, acompanhe este exemplo: a escravidão foi 
uma forma de trabalho forçado que existiu em diversas sociedades do passado, inclusive 
no Brasil. No entanto, não podemos comparar a escravidão que ocorreu na Grécia Antiga 
àquela praticada no Período Colonial da história brasileira. Apesar de ambos os casos 
terem como principal característica o trabalho forçado, a visão que os gregos tinham da 
escravidão era muito diferente em vários aspectos daquela que havia no Brasil colonial. 
Dizer que se tratava da mesma forma de escravidão é ignorar uma série de outros fatores 
históricos intrínsecos a cada momento histórico.
Ao tentar entender o passado, portanto, devemos considerar as perspectivas e os 
valores que regiam as sociedades que o vivenciaram, atentando-se para o modo como as 
relações políticas, econômicas e sociais se estruturam no período específico.
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O conceito de História, relacionado ao processo histórico e à historiografia, tal como 
estudamos na página anterior, constitui-se a partir das transformações sociais vivenciadas 
pela humanidade. Ao longo do tempo, os grupos humanos desenvolveram mecanismos 
para explicar suas origens e seu passado, baseados nas crenças, mentalidades e visões 
de mundo que vigoravam em determinado período e espaço.
Para os povos e as civilizações antigas, por exemplo, os deuses, responsáveis pela 
criação do Universo, podiam interferir nas ações das pessoas. Suas concepções de História, 
de passado e de origem das coisas eram transmitidas através das narrativas mitológicas, 
repassadas oralmente entre as diferentes gerações.
Leia a seguir um trecho do mito do nascimento do Universo da civilização egípcia:
Depois, os olhos do poderoso Rá fecham-se e seu pensamento se dedica a 
criar outras divindades que lhe façam companhia. Uma a uma elas vão sur-
gindo, nomeadas pelo deus solar: primeiro Tefnet, a deusa da água, e Chu, o 
deus do ar, que habitarão no firmamento, glorificando o deus supremo. Então, 
da união desses dois deuses nascem Geb, deus da terra, e a bela Nut, deusa 
do firmamento. Os últimos, por sua vez, dão origem à primeira geração de 
deuses a habitar a sagrada terra do Egito: as deusas Ísis e Néftis e os deu-
ses Seth e Osíris. Primogênito entre todos, o puro Osíris virá ao mundo para 
cumprir o ciclo inteiro da vida e da morte. Será o grande deus civilizador que 
ensinará aos homens, ainda imersos na barbárie e na ignorância, as sagra-
das artes da agricultura e do culto. Ele tornará próspero o Egito, espalhando 
a civilização por todo o mundo, além de ser o primeiro deus a possuir a forma 
humana e a reinar sobreas criaturas de forma inconteste. Ísis, sua irmã e es-
posa, reinará ao seu lado sobre as terras que circundam o majestoso Nilo, em 
paz e harmonia, ainda que sob os olhos amargos de inveja do sinistro Seth, 
sedento de maldade e poder. (SEGANFREDO; FRANCHINI, 2006, p. 10.)
 2 AS PRIMEIRAS FORMAS 
 DE CONSTRUÇÃO 
 DA HISTÓRIA
TÓPICO
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
Através do trecho, é possível observar que, para a sociedade egípcia, o Universo 
surge a partir das ações dos deuses. O deus solar Rá, um dos principais deuses da mito-
logia egípcia, criou diversas divindades, inclusive aquelas que desenvolveram a civilização 
egípcia: Osíris e Ísis.
Observe que, apesar de haver linearidade, não há uma noção precisa de tempo 
nos fatos mitológicos, dado que os relatos são constituídos a partir de realidades mágicas, 
não concretas, mas carregadas de muito sentido para os grupos que as compartilham.
Com o tempo, os mitos se juntaram às novas formas de explicar o passado e 
refletir sobre a realidade. A civilização grega, por exemplo, propagava seu passado atra-
vés dos poemas épicos, isto é, das narrativas heróicas de feitos e fatos históricos reais, 
lendários ou mitológicos, como retratado na Ilíada e na Odisséia, obras atribuídas ao 
poeta Homero (928-898 a.C.).
A Ilíada narra os acontecimentos ocorridos em torno do herói Aquiles no contexto 
da Guerra de Tróia, que, de acordo com a mitologia grega, foi um grande conflito bélico 
ocorrido entre os anos de 1300 e 1200 a.C., protagonizado pelos aqueus – um dos povos 
gregos que habitavam a Grécia Antiga – e pelos troianos, que habitavam a região da atual 
Turquia. A Odisseia, tida como uma sequência da Ilíada, narra as aventuras do herói Ulis-
ses, tentando voltar para sua casa, na ilha de Ítaca, após a Guerra de Tróia. 
Além dos poemas épicos, os gregos registravam e transmitiam o passado atra-
vés dos relatos, produzidos a partir da investigação, dos testemunhos oculares e das 
memórias daqueles que vivenciaram determinado fato ou fenômeno. Para compreender 
um pouco mais sobre esse tipo de registro, leia o trecho a seguir, escrito pelo historia-
dor Heródoto (485-425 a.C.):
Disseram-me também que os Egípcios haviam sido os primeiros a dar nome aos 
doze deuses e que os Gregos tinham adotado tais nomes; que foram também os primeiros 
a erguer aos deuses templos, altares e estátuas, bem como a gravar na pedra figuras de 
animais. Acrescentaram ter sido Menes o primeiro homem a reinar no Egito, e que, no seu 
tempo, todo o país, com exceção da parte denominada Tebaida, era um imenso pântano, 
pouco se sabendo das terras que hoje se estendem ao norte do lago Méris.
Podemos observar que as perspectivas apresentadas por Heródoto sobre o Egito 
partem da comparação que realiza entre a civilização egípcia e a civilização grega, da qual 
faz parte; e, também, dos relatos dos próprios egípcios. Durante muitos anos, o historiador 
realizou viagens para a Ásia Menor e pelo Mediterrâneo, conhecendo civilizações como 
a fenícia, a egípcia, entre outras. Nesse contexto, Heródoto estudou a cultura e o povo 
egípcio a partir da observação e dos relatos coletados entre aqueles(as) que encontrava.
13UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
Por tentar construir um estudo ordenado e objetivo das inter-relações entre os 
eventos, o filósofo grego ficou conhecido como o “pai da História”. Seu método de escrita e 
concepção histórica originou a obra História, um conjunto de nove livros que têm como foco 
os conflitos estabelecidos entre gregos e persas no início do século V a.C.
É importante destacar que, nesse período, os historiadores gregos estavam in-
teressados em entender questões relacionadas ao momento presente ou a um passado 
relativamente próximo. Assim, o estudo da História se concentrava em entender uma rea-
lidade concreta, que se desenvolvia em um período específico e em determinado espaço. 
Havia, nesse contexto, uma preocupação com a «verdade», isto é, com o registro exato 
dos eventos, tal como ocorreram ou se desenvolveram.
Com o domínio romano sobre os gregos, o nascimento e a difusão do cristianismo, 
ocorreram mudanças no modo de pensar o passado nas sociedades ocidentais. Nessa pers-
pectiva, as principais explicações para a história da humanidade encontravam-se na Provi-
dência Divina, que determinava a vinda do filho de Deus à Terra como marco central.
Nesse cenário, os fatos históricos eram narrados a partir de um tempo linear, e 
a realidade era determinada pelo plano espiritual, representado por Deus, e pelo plano 
terrestre, vivenciado pelas pessoas. Na época, a História era constituída a partir de crôni-
cas e anais – narração organizada ano por ano –, produzidos, em sua maioria, pela Igreja 
Católica, instituição que se fortaleceu e alcançou grande prestígio econômico e social 
entre os séculos V e X. Diferentemente dos historiadores gregos, os cronistas, geralmente, 
membros do clero contratados por um reino e/ou ducado para escrever a sua história, não 
tinham como foco o rigor de investigação ou preocupação com a veracidade dos fatos.
A partir do século XII, a Europa Ocidental vivenciou intensas transformações, 
derivadas da revitalização do comércio e da vida urbana, da formação das monarquias na-
cionais e da elevação da burguesia ao poder econômico. A ascensão de movimentos como 
o Humanismo e o Renascimento provocaram mudanças nas mentalidades das sociedades, 
que passavam a desenvolver novos olhares para seu passado e sua história. A partir de 
então, são valorizadas as capacidades dos seres humanos em contraste com a visão de 
mundo teocêntrica – ideia na qual Deus ocupava o centro de todas as coisas –, defendida 
pela Igreja Católica durante o Período Medieval. 
Nesse contexto, os intelectuais buscavam reconstituir o passado através da análise 
dos textos antigos, de inscrições, das obras de arte, entre outros documentos. Assim, os 
métodos de investigação e de busca pela “verdade”, desenvolvidos pelos filósofos e his-
toriadores antigos, são retomados com o objetivo de buscar explicações racionais para o 
passado e para a história da humanidade..
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Com a ascensão das ideias iluministas, a partir do século XVIII, modificaram-se, 
também, as perspectivas acerca da escrita da História. A partir de então, o processo 
histórico seria considerado um desdobramento da razão. Nesse cenário, os documentos 
escritos passariam a ser valorizados como elementos centrais para a construção do co-
nhecimento histórico. 
No século XIX, os Estados recém-formados, como França e Inglaterra, e aque-
les que experimentaram seu processo de unificação, como Alemanha e Itália, buscavam 
reconstruir seu passado com o objetivo de valorizar suas origens e se legitimar enquanto 
países. Para isso, iniciaram um trabalho de organização dos arquivos públicos, a fim de 
reunir documentos importantes para a construção de suas histórias nacionais.
Nesse contexto, a História passava a ser concebida como uma ciência, isto é, o 
conhecimento histórico passou a ser constituído a partir da investigação e de metodologias 
próprias. Observe um trecho da obra A Cidade Antiga, do historiador francêsNuma De-
nis Fustel de Coulanges (1830-1889), publicado pela primeira vez em 1864.
Suponhamos que, em vinte séculos, todo o conhecimento da Idade Média 
desaparecesse, e que não restasse nenhum documento sobre o que pre-
cedeu a revolução de 1789, e que, no entanto, um historiador desse tempo 
quisesse fazer ideia das instituições anteriores. Os únicos documentos que 
terá em mãos mostrarão a nobreza do século décimo nono, isto é, algo muito 
diferente do regime feudal. Mas o historiador haveria de imaginar que nesse 
intervalo dera-se uma grande revolução, e concluiria, com razão, que essa 
instituição, como todas as outras, deve ter-se transformado; a nobreza que 
os textos lhe mostrariam, não seria para ele mais que a imagem ou sombra, 
muito alterada, de outra nobreza incomparavelmente mais poderosa. Depois, 
examinando com atenção os escassos restos dos antigos documentos, algu-
 3 A HISTÓRIA ENQUANTO CIÊNCIA 
 E A PERSPECTIVA POSITIVISTA,
 DO MATERIALISMO HISTÓRICO 
 À ESCOLA DOS ANNALES
TÓPICO
15UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
mas expressões linguísticas, alguns termos escapados à lei, vagas lembran-
ças ou queixas estéreis, chegaria talvez a adivinhar alguma coisa do regime 
feudal, e conseguiria fazer das instituições da Idade Média uma ideia que 
não ficaria muito distante da verdade. A dificuldade seria realmente grande, 
e não é menor para o historiador de hoje, desejoso de conhecer antiga gens, 
porque não há outros ensinamentos a respeito além daqueles que datam de 
uma época em que ela não era mais que a sombra de si mesma. (COULAN-
GES, 1998, p.30)
No trecho em questão, o estudioso demonstra a grande importância dos documentos 
escritos para a reconstituição do passado e de um contexto específico, ilustrando muito bem 
a concepção de História do período. Assim como Coulanges, os historiadores dessa época, 
influenciados pelo positivismo, tinham a função de selecionar e ordenar os textos escritos, 
sobretudo de origens oficiais, como leis, decretos, certidões de nascimento, acordos diplomá-
ticos etc., com o objetivo de encadear os acontecimentos e constituir uma “história verdadei-
ra”. Para eles, cada fato histórico era único e não estava passível de repetição. Na construção 
do conhecimento histórico, os pesquisadores deveriam manter-se neutros e imparciais, para 
poderem explicar os acontecimentos do modo como, de fato, ocorreram.
Em diálogo com o contexto do período, havia uma valorização dos fatos políticos, 
das biografias dos grandes heróis e personalidades ilustres, atreladas às figuras nacionais, 
ligadas às elites. Os acontecimentos eram narrados de forma detalhada e romântica, visan-
do a caracterizar o espírito dos povos e das nações que se constituíam, de modo a criar e 
consolidar uma memória coletiva e uma identidade nacional.
O positivismo constituiu-se como uma corrente filosófica, originária da França, que 
se expandiu pela Europa no século XIX. O pensamento positivista privilegia o conhecimento 
científico em detrimento de outras formas do conhecimento humano. Assim, para garantir o 
conhecimento verdadeiro, o ser humano deveria desenvolver leis e regras para compreen-
der e explicar os fenômenos observáveis. O modelo científico defendido pelo positivismo é 
utilizado até hoje, principalmente nas Ciências Exatas.
Em um contexto marcado pela valorização da ciência, buscou-se estender o pensa-
mento positivista para refletir sobre as contradições da sociedade industrial. Nesse sentido, 
o filósofo francês Auguste Comte (1798-1857), tido como o “pai da Sociologia”, buscou 
criar uma ciência que pudesse explicar as leis que regiam as experiências dos indivíduos 
em sociedade. Assim como muitos intelectuais do seu tempo, Comte acreditava que, da 
mesma forma que as Ciências Naturais estudam os objetos físicos com base em leis gerais, 
isso poderia ser realizado pela Sociologia, tida como a física social.
16UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
Caso se chegasse a desvendar as leis gerais da sociedade, acreditava Comte, seria 
possível interferir nos destinos da sociedade e adequá-la aos propósitos que conviessem à 
determinada época, possibilitando, com isso, a elevação da humanidade a um estágio mais 
avançado de convívio social. Ao idealizar a sociedade como um corpo físico regulado por 
leis gerais, o intelectual negligenciava o aspecto social como algo imprevisível, marcado 
por contingências e pela contradição, ou seja, algo essencialmente móvel e um fenômeno 
que havia levado a sociedade moderna às transformações históricas e revolucionárias que 
se sucederam ao longo dos tempos.
Para além da Sociologia, o pensamento positivista foi incorporado em outras áreas 
de conhecimento das Ciências Humanas que, a partir de então, englobava diversos campos 
autônomos de conhecimento. Como vimos, na História, os pensadores adeptos dessa corren-
te filosófica defendiam a ideia de que o passado deveria ser reconstituído tal como aconteceu 
e, para isso, deveriam fazer uma análise neutra e imparcial dos documentos oficiais.
A Geografia positivista, conhecida como Geografia Tradicional, também consti-
tuía-se com base no argumento da neutralidade do discurso científico. Nesse contexto, 
o conhecimento geográfico se desenvolvia com base na observação, na descrição e na 
classificação dos fatos, sem propor uma análise das relações entre a natureza e a humani-
dade da forma como é feita atualmente, considerando-se o planeta Terra como um sistema 
semiaberto impactado, globalmente, pelas atividades do ser humano. 
Com a expansão industrial na segunda metade do século XIX, as nações europeias 
vivenciavam um período de profundas transformações: o surgimento de novos hábitos e 
modos de pensar, derivados do desenvolvimento tecnológico; o crescimento das cidades 
em ritmo acelerado; o fortalecimento político e econômico da burguesia e do capitalismo 
industrial, além do aumento significativo do proletariado.
Apesar do clima de otimismo, o capitalismo industrial contribuiu para intensificar as 
desigualdades sociais entre ricos e pobres. Nesse contexto, alguns intelectuais desenvol-
veram teorias que defendiam a reordenação das sociedades, objetivando a resolução dos 
problemas causados pela exploração capitalista sobre os(as) trabalhadores(as).
Os filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), 
idealizadores do socialismo científico – teoria política, social e econômica que buscava 
analisar científica e criticamente o sistema capitalista –, contribuíram para difundir uma 
nova perspectiva sobre a história da humanidade, desenvolvida a partir do método que 
ficou conhecido como materialismo histórico.
Para compreender essa perspectiva acerca do conhecimento histórico, leia o trecho 
a seguir, presente na introdução do livro A ideologia alemã, de Marx e Engels:
17UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
Pode-se referir a consciência, a religião e tudo o que se quiser como distin-
ção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa a existir 
quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida, passo em 
frente que é consequência da sua organização corporal. Ao produzirem os 
seus meios de existência, os homens produzem indiretamente a sua própria 
vida material. (MARX; ENGELS, 2000, p.10)
Através da leitura do trecho, é possível perceber que, para esses pensadores, a 
história real dos seres humanos deve partir das condições materiais nas quais eles vivem, 
sendo determinada, portanto, pela base econômica (ou modo de produção) de cada so-
ciedade e pela forma como se desenvolviam as relações entre as suas diferentes classes 
sociais e a natureza.
Nesse sentido, os processos históricos eram definidos pelas contradições internas 
de cada realidade social. Essas contradições, por sua vez, resultam da luta de classes, isto 
é, do conflito entre as classes dominantes– proprietários e controladores dos meios de 
produção – e as classes dominadas – os(as) trabalhadores(as), que vendem sua força de 
trabalho para garantir sua sobrevivência.
A concepção marxista trouxe para a discussão historiográfica algo aparentemente 
incontestável: a influência dos fatores econômicos na organização das sociedades e no 
desenrolar dos acontecimentos históricos. Contudo, tal ênfase levou à chamada Teoria do 
Reflexo, na qual todas as esferas da vida humana (política, leis, educação, religião, cultura 
etc.) seriam mero reflexo da estrutura produtiva, ou seja, daquilo que Marx chamava de su-
perestrutura, um aparato ideológico, político e institucional sem autonomia e submetido às 
transformações da base econômica, a denominada infraestrutura.
A partir das primeiras décadas do século XX, houve uma renovação e ampliação 
nas concepções de História e na produção historiográfica. Em 1929, os historiadores france-
ses Marc Bloch (1886-1944) e Lucien Febvre (1878-1956) fundaram a Escola dos Annales, 
um movimento marcado pela heterogeneidade e por suas origens ligadas a intelectuais de 
várias disciplinas das Ciências Humanas, que criticavam e buscavam combater a influência 
positivista nessa área de conhecimento.
As inovações propostas e defendidas pelos historiadores da Escola dos Annales ti-
veram impacto permanente na pesquisa histórica, com efeitos revolucionários para a cons-
trução do conhecimento e o modo de pensar a área de História. Primeiramente, defendiam 
a chamada História Total, que investigava as várias esferas da experiência humana, como 
a economia, a política, a sociedade e a cultura.
18UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
 Além de defender a interdisciplinaridade com outros campos do conhecimento, o 
grupo passou a defender que a História seria um conhecimento cientificamente conduzido 
(e não uma ciência, no sentido exato do termo) com base na “história-problema”, na qual 
o(a) historiador(a) propõe uma indagação sobre determinado aspecto do passado e busca, 
por meio da constante construção e reconstrução de hipóteses, obter respostas sobre tal 
aspecto, sempre apoiado(a) em fontes históricas.
Assim, o movimento atacou a ênfase positivista que priorizava o uso de textos 
escritos e ampliou a noção que se tinha acerca dos documentos históricos. A partir de 
então, não só os documentos escritos, mas também as fontes orais, pinturas, esculturas, 
vestimentas, ferramentas, moradias, vestígios arqueológicos e outros registros passaram 
a ser examinados para compreensão do passado. Além disso, o fato histórico não seria 
tido como uma “descoberta” ou um “resgate” (como diziam os positivistas), mas fruto da 
construção do(a) historiador(a), que realiza sua atividade, sob a influência de sua formação 
cultural e ideológica, e nunca de maneira neutra e imparcial.
19UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
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Nas páginas anteriores, refletimos sobre o conceito de História e os diferentes mo-
dos de explicar o passado e constituir a historiografia, isto é, a produção de conhecimento 
acerca do processo histórico. De modo geral, a História, enquanto área de conhecimento, 
pode ser compreendida como o estudo da ação dos seres humanos ao longo do tempo e 
em determinado espaço geográfico.
A Geografia, ciência humana que se constitui no século XIX, dialoga com os es-
tudos historiográficos à medida que se propõe a entender as relações que as sociedades 
estabelecem com o meio em que vivem. E o tempo? Como podemos definir esse conceito? 
Como o analisamos na perspectiva da História?
Os processos históricos se desenvolvem no transcorrer do tempo, por isso é impor-
tante para o conhecimento histórico refletir sobre a temporalidade e a contagem do tempo. 
Apesar de ser considerado um dado óbvio pelo senso comum, a existência do tempo é 
compreendida, pelas ciências em geral, como algo complexo e profundamente abstrato. 
Existem diversas formas de compreender, sentir e explicar a passagem do tempo.
A forma como os grupos humanos marcam o tempo variou bastante durante a 
história. Muitos registram sua passagem a partir das transformações da natureza, como 
as estações do ano, o período de seca e de chuvas, a época das colheitas e da plantação. 
Esse sistema de marcação pode ser encontrado, sobretudo, nas sociedades agrárias e foi 
chamado de tempo da natureza.
 4 NOÇÃO DE TEMPO
 E PERIODIZAÇÃO
 DA HISTÓRIA
TÓPICO
20UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
Outras sociedades desenvolveram sistemas de contagem que não estão inteira-
mente ligados às transformações ambientais. Muitos povos criaram maneiras de delimitar 
determinado período e, assim, tornar possível seu registro e seu controle. O tempo contado, 
por exemplo, a partir de calendários é chamado de tempo cronológico.
Povos como as astecas, os egípcios e os sumérios desenvolveram calendários 
próprios, o que evidencia que cada civilização possui uma percepção própria do tempo, 
determinada de acordo com seu modo de vida, suas necessidades e seus interesses par-
ticulares. Essa é uma lógica que persiste ao longo dos séculos. Os chineses, os judeus 
e os muçulmanos, por exemplo, possuem sistemas próprios de marcação do tempo, que 
dialogam com os marcos importantes para sua história.
O calendário gregoriano – criado a pedido do papa Gregório XIII no final do século 
XVI – é utilizado na Europa e no continente americano que, ao ser colonizado pelos euro-
peus, incorporou grande parte de sua cultura e valores. O marco central desse calendário 
é o nascimento de Jesus Cristo. As datas anteriores a esse acontecimento são abreviadas 
como a.C. - antes de Cristo – e as datas posteriores, como d.C. – depois de Cristo. No 
calendário cristão, assim como em outros calendários, o tempo é organizado em dias, 
semanas, meses e anos. Quando agrupados, os anos constituem décadas (período de dez 
em dez anos), séculos (período de cem em cem anos) e milênios (mil em mil anos).
21UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
22UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
O investimento em ciência é fundamental para o desenvolvimento de um país, tanto no plano econômico 
como no campo social. Através da ciência, podemos compreender um pouco mais sobre a natureza, a 
tecnologia e a vida em sociedade e, assim, produzir técnicas e estratégias para lidar com os mais diversos 
desafios que possam surgir.
Os países hoje considerados desenvolvidos investiram e investem muitos recursos em ciência, com o ob-
jetivo de dinamizar a economia e promover melhorias na qualidade de vida da população. De acordo com 
os(as) estudiosos(as), nos últimos 30 anos, o Brasil – considerado um país em desenvolvimento – avançou 
muito no campo da produção científica. Contudo, o contexto da pandemia da COVID-19 nos mostrou que a 
sociedade brasileira precisa ampliar significativamente seus investimentos em ciência, de modo a possibi-
litar que o país se recupere da crise econômica e social deflagrada no período.
Para ampliarmos nossas reflexões acerca do assunto, faremos uma rotina de pensamento “Pensar-Tro-
car-Compartilhar”. O trecho a seguir destaca a perspectiva da professora Karine Carvalho a respeito doinvestimento em Ciências Humanas no Brasil. 
Leia-o com atenção.
Estamos assistindo ao desmonte das instituições de financiamento à pesquisa em todas as áreas. Porém, 
no que diz respeito às Ciências Humanas, assistimos ao completo descaso e ao crescimento do discurso 
segundo o qual tal área não justifica o “volumoso financiamento” por não produzir o que o país precisa. 
Estamos diante de uma ideologia que acredita que o investimento em ciência deve ser direcionado às 
pesquisas que proporcionam retorno imediato. Assim, as Ciências Humanas são tratadas como algo dis-
pensável, não é importante para o desenvolvimento tecnológico e social do país [...].
Fonte: Adaptado de: CARVALHO, K. F. A mobilização das Entidades Científicas e das Instituições de Ensino 
Superior é fundamental. Associação de Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (APES), 2020. Dis-
ponível em: https://www.apesjf.org.br/a-mobilizacao-das-entidades-cientificas-e-das-instituicoes-de-ensi-
no-superior-e-fundamental-confira-entrevista-com-karine-carvalho-if-sudeste . Acesso em: 8 abr. 2022.
https://www.apesjf.org.br/a-mobilizacao-das-entidades-cientificas-e-das-instituicoes-de-ensino-superior-e-fundamental-confira-entrevista-com-karine-carvalho-if-sudeste
https://www.apesjf.org.br/a-mobilizacao-das-entidades-cientificas-e-das-instituicoes-de-ensino-superior-e-fundamental-confira-entrevista-com-karine-carvalho-if-sudeste
23UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
“O trabalho é como uma gota no oceano, mas sem essa gota o oceano seria menor.” 
Madre Teresa de Calcutá.
24
“Por que estudar História?”. Essa é uma pergunta que professores(as) e historiado-
res(as) ouvem com frequência. Uma das explicações para esse questionamento está relacio-
nada com as concepções que as pessoas normalmente têm do que é o conhecimento histórico.
Muitas acreditam que a História trata apenas das coisas que aconteceram em um 
passado longínquo e, por isso, não teria muita importância ou utilidade para o presente. 
Há também aquelas que entendem que estudar História se resume ao ato de decorar um 
grande número de nomes e datas, identificando, por exemplo, quando determinada batalha 
ocorreu ou quando um governo se formou e se desfez. Outra concepção comum sobre a 
História é que ela narra fatos inusitados e curiosos, sendo interessante apenas como forma 
de se distrair ou de se divertir com os casos e os contos do passado.
Embora todas essas concepções não sejam inteiramente falsas, não se pode afir-
mar que a História é um conhecimento dedicado apenas ao estudo das sociedades que 
viveram no passado, que para estudá-la é necessário decorar um grande número de datas 
ou nomes e que ela é formada apenas por narrativas curiosas, interessantes ou divertidas.
Como vimos ao longo do capítulo, o conhecimento histórico vai muito além de tudo 
isso. A História é uma das ciências mais fascinantes que existem. Os que aceitam enfrentar 
os desafios de estudá-la passam a entender a sociedade em que vivemos em seus mais 
variados aspectos: econômicos, políticos, sociais e culturais. Estudar História é adentrar 
nos bastidores do espetáculo da vida! É olhar o roteiro e entender por que os sujeitos his-
tóricos procedem de determinada forma em cada momento histórico. Afinal, nada acontece 
por acaso em nossa sociedade.
Além disso, a produção do conhecimento histórico é marcada por uma profunda 
relação entre passado e presente. Isso ocorre por duas razões: a primeira é que, frequen-
temente, as preocupações e os interesses do presente estimulam o estudo de temas e 
assuntos correlatos no passado; e a segunda é que, para entender a maneira como a 
sociedade está organizada, é necessário retomar o processo de transformação pelo qual 
ela passou no decorrer do tempo.
Esperamos que, ao longo das unidades, você tenha a oportunidade de ampliar 
seus conhecimentos acerca da história da humanidade e da sua própria história, desenvol-
vendo, também, habilidades como a argumentação, o pensamento crítico, a autonomia e a 
responsabilidade. Seja bem-vindo(a) e bons estudos!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
25
Precisamos das Ciências Sociais e Humanas para 
compreender e enfrentar a pandemia da COVID-19
[...] as consequências da pandemia de COVID-19 não serão interpretadas e com-
preendidas se, além da dimensão biológica, não houver um rigoroso exame dos diferentes 
grupos sociais. Nesse sentido, o caráter interdisciplinar desse objeto demanda uma inte-
gração no plano do conhecimento de profissionais com múltiplas formações, incluindo as 
ciências sociais e humanas (CSH).
Esta abordagem multiprofissional e interdisciplinar, que caracteriza a Saúde Co-
letiva, deve ser convocada neste grave momento. As CSH se somam a esse esforço de 
enfrentamento da pandemia, quando lhes cabe examinar um conjunto de novas situações 
sociais e suas dinâmicas, tais como:
 ● As múltiplas transformações sociais e a orientação tomada pelas mudanças 
sociais no pós-pandemia.
 ● O impacto do sofrimento sobre a saúde mental de indivíduos e grupos.
 ● As diferentes repercussões sobre distintos segmentos sociais em função das 
desigualdades sociais internas aos países e entre as nações.
 ● A acentuação da vulnerabilidade de grupos sociais específicos que já viviam 
situações agudas de exposição a outros fatores de risco socioambiental e eco-
nômico (como as populações indígenas, os imigrantes, as pessoas em situação 
de encarceramento).
 ● As variadas formas de violência desencadeadas ou intensificadas nesse 
momento de agravamento da crise econômica, de distanciamento social e de 
confinamento (violências estruturais, violências intrafamiliares, os suicídios).
 ● Os desfechos sobre as classes trabalhadoras (maior exposição à própria conta-
minação ao coronavírus, o risco de perda importante de renda e do desemprego).
 ● A ameaça de decisões autoritárias e extraconstitucionais com base na excep-
cionalidade da pandemia.
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
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Neste cenário em que fica destacada a importância estratégica dos saberes das 
CSH, no Brasil, observam-se ações que buscam desqualificar e alijar as CSH no interior do 
campo dos saberes científicos.
[...] Com base em análises incompletas, imprecisas ou, até mesmo, equivocadas, 
o Estado brasileiro não terá condições de formular políticas públicas e implementar ações 
que sejam capazes de mitigar e reparar os danos provocados por esta pandemia.
Fonte: Precisamos das Ciências Sociais e Humanas para compreender e enfrentar 
a pandemia de COVID-19. ABRASCO, Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://www.
abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Precisamos-das-Ci%C3%AAncias-Sociais-
-e-Humanas-para-compreender-e-enfrentar-a-pandemia-de-COVID-19.pdf . Acesso em: 24 
maio 2021. 
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Precisamos-das-Ci%C3%AAncias-Sociais-e-Humanas-para-compreender-e-enfrentar-a-pandemia-de-COVID-19.pdf
https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Precisamos-das-Ci%C3%AAncias-Sociais-e-Humanas-para-compreender-e-enfrentar-a-pandemia-de-COVID-19.pdf
https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Precisamos-das-Ci%C3%AAncias-Sociais-e-Humanas-para-compreender-e-enfrentar-a-pandemia-de-COVID-19.pdf
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LIVRO 
Título: A utilidade do inútil, um manifesto.
Autor: Nuccio Ordine.
Editora: Zahar.
Sinopse: O livro do filósofo italiano Nuccio Ordine busca questio-
nar a lógica utilitarista que desvaloriza os saberes considerados 
“inúteis”, geralmente associados à área das Ciências Humanas, 
para o desenvolvimento da sociedade. Em sua perspectiva, 
ao valorizar determinados conhecimentos em detrimento de 
outros, estamos colocando em risco a cultura, a criatividade, as 
instituições de ensino e valores fundamentais,como o amor, a 
verdade e a dignidade humana. Considerada um grito em favor 
da humanidade e do humanismo, a obra se apresenta como 
um sucesso de crítica e de público, sendo traduzida para mais 
de 15 idiomas.
FILME / VÍDEO
Título: A menina que roubava livros.
Ano: 2014.
Sinopse: O filme é baseado no livro de mesmo nome do autor 
Markus Zusak e conta a história de Liesel Meminger, uma ga-
rota de 9 anos, a partir do ano de 1938. Que mesmo de forma 
limitada manifesta seu amor pela leitura que mais tarde será de 
suma importância para retratar a história da Alemanha no pós 
segunda guerra mundial. 
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 CONSIDERAÇÕES E TEORIAS SOBRE O ENSINO DE HISTÓRIA
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Plano de Estudos
• Fontes históricas: matéria-prima da construção 
 do conhecimento histórico e os tipos de fontes 
 históricas e o trabalho de seleção do(a) historiador(a);
• Uma fonte, muitas possibilidades: interpretação 
 e análise das fontes históricas;
• A construção do conhecimento histórico e da 
 memória coletiva;
• O trabalho do(a) historiador(a) História e religião.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar o estudante para pensar 
 sobre os modos de produção do conhecimento histórico 
 e as práticas da escrita da história, tanto no discurso 
 histórico quanto nos materiais de socialização;
• Compreender os tipos de conhecimento histórico, com 
 a produção do conhecimento histórico e o modo de 
 ensino.
• Estabelecer a importância de analisar as relações e 
 concepções da história.
2UNIDADEUNIDADE
PARÂMETROS SOBREPARÂMETROS SOBRE
ENSINO DE HISTÓRIAENSINO DE HISTÓRIA
E HISTORIOGRAFIAE HISTORIOGRAFIA
 Professor Me. Guilherme Bertolin Silva
29
A História pode ser compreendida como a ciência que estuda a humanidade no 
tempo e no espaço. Para estudar os acontecimentos e processos históricos, os(as) his-
toriadores(as) precisam analisar diversos tipos de vestígios e evidências gerados pelas 
sociedades humanas no decorrer do tempo. Esses vestígios são chamados de documen-
tos ou fontes históricas.
Os documentos escritos são importantes fontes para o estudo da História. Por 
muito tempo, os(as) historiadores(as) privilegiaram registros como leis, decretos, jornais, 
decisões diplomáticas e obras literárias na construção do conhecimento histórico.
Porém, principalmente a partir do século XX, com base em novas reflexões his-
toriográficas, essa situação se modificou. Para ampliar o olhar acerca dos sujeitos e dos 
processos históricos e, com isso, trazer à tona outras visões e perspectivas acerca da 
História, os(as) pesquisadores(as) passaram a analisar, além das fontes escritas, muitos 
outros tipos de indícios, registros e produções das sociedades humanas. 
Foi assim que construções, monumentos, vestimentas, objetos cotidianos (talhe-
res, cerâmicas, móveis etc.), fotografias, festas, costumes, obras de arte, mapas e até 
mesmo fósseis preservados passaram a ser compreendidos como importantes recursos 
para analisar a vida, a organização social e os acontecimentos da sociedade. 
Nesta unidade, vamos aprofundar nossos conhecimentos acerca das fontes his-
tóricas, conhecendo seus tipos, e as possibilidades que elas nos oferecem. Por meio de 
atividades práticas de reconhecimento, interpretação e análise de diversos tipos de fontes, 
vamos nos colocar no papel de historiadores(as) para compreender como se constitui o 
saber histórico. 
Prepare-se para essa aventura !
INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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As fontes históricas são a matéria-prima dos(as) historiadores(as), dado que é a 
partir das evidências presentes nestes materiais que ele(ela) tem a possibilidade de recons-
tituir o passado e compreender aspectos importantes que marcaram um povo ou sociedade 
em um determinado período.
No processo de construção do conhecimento histórico, o(a) historiador(a) define seu 
tema de estudo, considerando as preocupações e os problemas vivenciados no presente. A 
partir dessa escolha, realiza o levantamento e a seleção das fontes que podem ajudá-lo(a) 
a compreender a questão-chave de sua pesquisa. 
Como vimos, todo vestígio produzido pela humanidade pode ser considerado 
um documento ou fonte histórica, por apresentar informações sobre o modo de vida, a 
cultura, a política, entre outras características que marcaram um povo ou sociedade em 
um determinado período. 
No processo de pesquisa, o(a) historiador(a) se depara com uma infinidade de 
fontes, que podem ser classificadas de várias formas: antigas ou recentes; públicas ou 
privadas; escritas e não escritas etc. Aqui vamos classificá-las como fontes materiais, 
compostas por diferentes documentos escritos, livros, pinturas, fotografias, vestimentas, 
utensílios domésticos, ferramentas de trabalho, monumentos, vídeos, discos, CDs, entre 
outras, e fontes imateriais, formadas pela cultura oral, por festas, tradições populares, 
saberes, costumes, hábitos alimentares e outras expressões.
 1
 FONTES HISTÓRICAS: MATÉRIA-PRIMA
 DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO 
 HISTÓRICO E OS TIPOS DE FONTES HISTÓRICAS 
 E O TRABALHO DE SELEÇÃO DO(A) 
 HISTORIADOR(A)
TÓPICO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Para analisar a história das sociedades humanas, os(as) historiadores(as) costu-
mam combinar fontes de naturezas diversas, cruzando as informações presentes em re-
gistros textuais, imagens e outras evidências para compreender as características dessas 
sociedades e o modo como elas se transformaram ao longo do tempo. 
Apesar das inúmeras possibilidades, o levantamento e a seleção de fontes pode ser 
uma tarefa desafiadora: o(a) pesquisador(a) pode ter dificuldade para encontrar algumas 
fontes, que podem ter se perdido ou ter se danificado em desastres ou fenômenos naturais, 
como incêndios, enchentes, ataques biológicos de fungos ou insetos, danos provocados 
pela má conservação etc. Outros documentos, inclusive, podem ter sido destruídos in-
tencionalmente, seja porque foram considerados irrelevantes ou porque havia interesse 
público/particular em ocultar as evidências de um determinado acontecimento.
 
31UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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É importante destacar que, nem sempre, a análise das fontes históricas ocorreu 
dessa forma. Até o século XIX, por exemplo, os documentos escritos constituíram-se como 
as fontes mais valorizadas para a construção do conhecimento histórico. No contexto em 
que a História se tornava uma ciência, foram desenvolvidos métodos científicos próprios a 
fim de constituir a «história verdadeira». 
Nesse sentido, cabia ao historiador a busca e a verificação de registros escritos fide-
dignos em arquivos. Esse material era analisado de forma objetiva: acreditava-se que, por meio 
da comparação e da ordenação entre os documentos, era possível reconstruir uma narrativa do 
passado tal como ele ocorreu. Para isso, o pesquisador deveria assumir uma postura neutra e 
imparcial, considerando apenas as informações explícitas presentes nas fontes. 
Aos poucos, durante o século XX, como vimos, a noção de fonte histórica foi se 
ampliando, o que modificou, inclusive, o olhar do historiador no momento de analisá-las. 
A partir de então, os documentos são percebidos como indícios do passado. Por meio de 
uma análise detalhada desses materiais, o pesquisador poderia compreender aspectos 
da sociedade que a produziu. Considera-se, também, que não há como produzir um co-
nhecimento histórico neutro ou imparcial, dado que o historiador é fruto do seu tempo e, 
no processo de análise de uma fonte histórica, é influenciado pelas suas experiências e 
perspectivas de mundo. 
 2 UMA FONTE, MUITAS POSSIBILIDADES:
 INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DAS 
 FONTES HISTÓRICAS
TÓPICO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Durante o processo de construção do conhecimento, o(a) historiador(a) realiza um 
minucioso trabalho de interpretação e de análise das fontes históricas selecionadas. Para 
tanto, o(a) pesquisador(a) direciona diversas perguntas ao documento, buscando conhecer 
a autoria da fonte; quando, como e por que ela foi produzida; se é autêntica ou não e se 
está relacionada a outro conjunto de documentos. Avalia, também, as informações e as 
ideias presentes na fonte, conectando-a com outros documentos e com seus conhecimen-
tos acerca do período e da sociedade em questão. 
Tomemos como exemplo o documento acima. Conforme informado, trata-se de um 
selo. Os selos são pequenas estampas adesivas, geralmente confeccionadas em papel, e 
são utilizados para comprovar o pagamento pelo envio de objetos ou prestação de serviços 
postais. Os selos são ilustrados com imagens ou fotografias, com valor artístico e cultural. 
Existem diferentes tipos de selos, sendo que o que analisamos acima constitui-se 
como um selo comemorativo, isto é, ele homenageia uma data relevante para a sociedade 
que o produziu. No caso, o selo em questão comemora o Centenário da Independência do 
Brasil. É possível chegar a essa conclusão porque a imagem que ilustra o selo corresponde 
à célebre obra de arte Independência ou Morte ! do artista Pedro Américo, que representa, 
de forma idealizada, o momento da emancipação política do Brasil em relação a Portugal.
No Brasil, a aquisição e o uso dos selos foram bastante comuns até o início do 
século XXI, dado que, nesse período, o envio de cartas era uma das principais formas 
de garantir a comunicação a distância. Assim, o documento permite compreender um dos 
modos pelos quais as pessoas se comunicavam no período em que o documento fora 
produzido, por exemplo. 
Além disso, a partir do valor do selo – 100 réis – é possível notar que, em 1922, 
a moeda nacional que circulava no país era o real, popularmente conhecido como réis. 
Apesar de ter o mesmo nome, a moeda que utilizamos hoje não é a mesma que a do 
período em questão. Réis foi utilizada por 400 anos no Brasil, da colonização até os anos 
1940, sendo substituída pelo cruzeiro em uma reforma monetária implementada pelo então 
presidente Getúlio Vargas. 
Por meio dessa breve atividade, foi possível perceber como uma única fonte his-
tórica oferece diversas possibilidades para compreender aspectos de uma sociedade em 
determinado período. Uma mesma fonte pode ser utilizada para a análise de diferentes 
perspectivas da história e interpretada de maneiras muito distintas por historiadores(as) 
diferentes. Quando se mudam os questionamentos, as informações fornecidas pelas fontes 
históricas também mudam e novos conhecimentos podem ser produzidos.
33UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
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Existe uma relação muito profunda entre o conhecimento histórico e a memória 
coletiva da sociedade. Por meio do estudo da História, a memória de acontecimentos, per-
sonagens, instituições e ações de grupos que marcaram e ajudaram a construir a sociedade 
é preservada. Nesse caso, pode-se dizer que o conhecimento histórico é uma peça-chave 
para o pleno exercício da cidadania. 
A lembrança de momentos importantes da história permite, por exemplo, a reflexão 
crítica sobre as lutas sociais e a ação de diferentes agentes históricos para a superação de 
problemas e desigualdades que se manifestaram em diferentes períodos históricos. Nesse 
contexto, o estudo da História e a produção da memória coletiva fornecem elementos para 
uma participação mais consciente dos indivíduos no presente, fortalecendo as práticas e os 
mecanismos democráticos e possibilitando um exercício mais pleno dos direitos e deveres 
de todos os cidadãos. 
O conhecimento histórico também é importante para evitar que determinados acon-
tecimentos e processos históricos sejam esquecidos. Por meio do trabalho de historiado-
res(as) e outros(as) agentes sociais, a escravização de africanos(as) e seus descendentes; 
os períodos autoritários da história do Brasil, os preconceitos e as desigualdades sociais 
continuam fortemente presentes na memória dos(as) brasileiros. Isso ajuda a refletir criti-
camente sobre uma história marcada por disparidades sociais e violências e estimula lutas 
para combater as características ainda desiguais da sociedade. 
 3 A CONSTRUÇÃO DO
 CONHECIMENTO HISTÓRICO
 E DA MEMÓRIA COLETIVA
TÓPICO
UNIDADE 2 PARÂMETROS SOBRE ENSINO DE HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
Além disso, o conhecimento histórico ajuda a lembrar a longa luta pela construção 
de um regime democrático no país e a valorizar a defesa desse regime no presente, o que 
também é fundamental para o fortalecimento da cidadania e para a construção de uma 
sociedade mais igualitária.
Como vimos, as fontes históricas são fundamentais para a construção do conheci-
mento histórico e da memória coletiva de um grupo ou sociedade. A partir das fontes históri-
cas, podemos refletir sobre diversos aspectos que marcaram e/ou marcam as mentalidades 
e o modo de vida de um grupo social e/ou de determinada época. 
Por meio do

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