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Psicopatologia Geral 
Linha do tempo da psicopatologia 
O fenômeno da loucura 
• A loucura enquanto fenômeno 
psicossocial acompanha o homem em 
sua trajetória histórica. 
• Em quase todas as sociedades há 
indícios da existência de pessoas que 
perderam o controle de suas emoções 
e alteraram o seu comportamento a 
ponto de causar estranheza em seus 
semelhantes. 
• a loucura é um fenômeno tipicamente 
humano, pois é somente quando 
afetado em seu devir que o sujeito põe 
em questão seu ser, constituindo a 
psicopatologia. 
• Nos animais pode haver alteração de 
comportamento, de hábitos, mas não 
psicopatologia. 
• O animal não põe em questão seu ser, 
não havendo, portanto, aquilo que 
caracteriza as complicações 
psicológicas no homem: o 
arrependimento, a culpa, o 
inconformismo, o ódio, o vazio, enfim, 
o sofrimento psíquico 
Antiguidade (A.C) 
• Eixo central= pensamento mítico 
• Grécia pré-socrática: tinham causas e 
curas sobrenaturais (deuses). 
• Hipócrates, pai da Medicina: buscou 
uma causa física: trepanação. 
Cérebro, o lugar da loucura. 
• Teoria dos humores (sangue, fleuma, 
bílis amarela e bílis negra) 
Idade média 
• Eixo central = Religião 
• Loucura como possessão demoníaca; 
• Loucura cuidada pela Igreja; 
• Tratados pela caridade; 
• Loucos errantes, nau dos loucos. 
• Perseguição e Punição 
• Asilos- exilados. 
• Limpeza social- infratores, adúlteros, 
bruxos, deficientes e etc 
Idade moderna 
• Eixo central = Racionalismo e 
Empirismo 
• Loucura como desrazão; 
• Cuidado passa a ser médico; 
• Início Séc XVII - Grande Internação – 
mendigos, pobres, bêbados, loucos, 
deficientes; 
• Final Séc XVII e início do XVIII – Rev. 
Indust. Internação somente dos 
improdutivos (loucos e deficientes) – 
início da era manicomial. 
• Era das grandes classificações 
psicopatológicas; 
Philippe Pinel (1745-1826) 
• Foi um médico francês que retirou 
grilhões e correntes dos pacientes dos 
hospícios, tornando a loucura uma 
doença mental e a psiquiatria uma 
especialidade médica. 
• O tratamento moral consistia em uma 
ampla pedagogia normalizadora com 
horários e rotina rigidamente 
estabelecidos 
• O médico deveria observar 
cuidadosamente o comportamento do 
paciente, entrevistá-lo, ouvir 
atentamente e tomar notas 
Método de Pinel 
• O tratamento moral consistia em uma 
ampla pedagogia normalizadora com 
horários e rotina rigidamente 
estabelecidos 
• O médico deveria observar 
cuidadosamente o comportamento do 
paciente, entrevistá-lo, ouvir 
atentamente e tomar notas 
• Classificação de Pinel 
• Pinel criou uma classificação que foi 
hegemônica durante a primeira 
metade do século XIX 
• As quatro grandes espécies de 
alienação mental seriam: a mania, a 
melancolia, a demência e o idiotismo 
Idade Contemporânea 
• A loucura deixou de ser vista como um 
crime e passou a ser vista como uma 
doença. 
• O louco passou a ser visto como um 
doente mental, e não mais como 
alguém destituído de razão. 
• As descobertas científicas começaram 
a ser aplicadas à compreensão das 
doenças mentais. Médicos e 
psicólogos começaram a buscar 
explicações biológicas, psicológicas e 
sociais para os transtornos mentais. 
• Emil Kraepelin: um psiquiatra alemão, 
desenvolveu um sistema de 
classificação dos transtornos mentais 
que ainda influencia a psiquiatria 
moderna. Ele distinguiu entre 
diferentes tipos de psicose, como a 
esquizofrenia e o transtorno bipolar. 
• O desenvolvimento de medicamentos 
psiquiátricos, como os antipsicóticos, 
antidepressivos e ansiolíticos, mudou 
significativamente o tratamento dos 
transtornos mentais 
• DSM: Nos Estados Unidos, a 
classificação dos transtornos mentais 
foi sistematizada no Manual 
Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais (DSM), que 
começou a ser publicado em 1952. Ele 
serviu como uma ferramenta para o 
diagnóstico e categorização dos 
transtornos mentais. 
• O confinamento do louco passou a ser 
visto como uma violação de direitos 
(Reforma Psiquátrica) 
Normal e patológico 
Critérios de normalidade: A adoção de um 
ou outro depende, entre outras coisas, de 
opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas 
do profissional ou da instituição em que 
ocorre a atenção à saúde (Canguilhem, 
1978) 
O que te faz ser normal? 
 O que nos faz ser “normal”, é algo que 
construímos a partir das nossas 
experiencias e das nossas relações com 
os outros. Depende do contexto em que 
vivemos, aos hábitos que cultivamos e 
das expectativas das pessoas ao nosso 
redor. A normalidade tem a ver como a 
nos sentimos no mundo. Se estamos 
confortáveis e tudo faz sentido, nos 
sentimos normais. Mas se algo parece 
fora do lugar ou estranho, a sensação de 
normalidade some. 
Critérios de normalidade 
1. Normalidade como ausência de 
doença. 
2. Normalidade ideal 
3. Normalidade estatística 
4. Normalidade como bem-estar 
5. Normalidade funcional. 
6. Normalidade como processo. 
7. Normalidade subjetiva. 
8. Normalidade como liberdade. 
9. Normalidade operacional 
O pensamento de Canguilhem 
Normalidade: Capacidade de adaptação e 
flexibilidade frente a mudanças e variações. 
Não é uma condição fixa, mas sim um 
processo dinâmico de interação com o meio 
Norma: Padrão ou regra que orienta o 
funcionamento ou comportamento. Pode ser 
tanto biológica quanto social, e está 
relacionada à expectativa de como algo deve 
funcionar 
Patológico: Estado em que a norma se torna 
inflexível e incapaz de adaptação, impedindo 
o organismo de lidar com as variações ou 
mudanças no ambiente. A pessoa doente, 
portanto, é aquela que não consegue criar ou 
seguir novas normas de vida. 
A principal ideia de Canguilhem é que a 
saúde e a doença estão mais relacionadas à 
capacidade de adaptação e de criação de 
novas normas, e não a um simples 
cumprimento de padrões fixos de 
"normalidade". 
O pensamento de Foucault 
Norma: É uma construção social e histórica, 
que emerge a partir das práticas de poder. A 
norma não é algo natural, mas um 
mecanismo de controle social e disciplinar 
que regula os corpos e comportamentos 
dentro da sociedade. 
Normal: Refere-se à categoria construída 
socialmente para descrever comportamentos 
ou condições que estão em conformidade 
com as normas estabelecidas. Ser normal é 
se ajustar ao que é considerado aceitável 
dentro de um determinado contexto social, e 
essa normalidade é uma forma de 
normalização que se dá por meio do controle. 
Patológico: Em Foucault, o patológico é algo 
que se desvia da norma, mas esse desvio é 
socialmente construído. O patológico não é 
simplesmente uma condição biológica, mas 
uma categoria imposta pelas instituições e 
pelo poder. O "patológico" muitas vezes é 
tratado como algo que precisa ser corrigido, 
reabilitado ou punido, o que reflete a lógica 
de controle social. 
Foucault entende as categorias de "normal" e 
"patológico" como construções sociais e 
históricas, profundamente influenciadas pelas 
relações de poder e pelas instituições de 
controle. Ele destaca como essas categorias 
são moldadas pelo discurso médico, jurídico 
e social, e como elas funcionam para 
disciplinar os indivíduos e garantir a 
conformidade com as normas estabelecidas 
Medicalização 
É “o processo pelo qual problemas não 
médicos passam a ser definidos e tratados 
como problemas médicos, frequentemente 
em termos de doenças ou transtornos” 
Implica o processo ideológico e político de 
rotular comportamentos desviantes, 
moralmente repreensíveis ou mal adaptados 
e transgressivos como doença, como 
transtorno mental, e, assim, monitorar, 
regular e controlá-los melhor, ou desqualificar 
as pessoas que recebem tal rótulo. 
Na atualidade, a noção de medicalização se 
tornou mais problemática e complexa, 
sobretudo pela busca que pessoas não 
profissionais fazem por identidadesrelacionadas a certas condições médicas e 
pela apropriação de categorias médicas pela 
população em geral. 
Biopoder 
O biopoder é um conceito desenvolvido por 
Foucault para descrever um tipo de poder 
que não se exerce diretamente sobre as 
pessoas por meio da violência ou repressão, 
mas de uma forma mais sutil, regulando e 
controlando a vida dos indivíduos e das 
populações. Esse poder se manifesta na 
gestão da vida e saúde das pessoas, 
buscando otimizar a produtividade, controlar 
o comportamento e moldar as normas 
sociais. 
Foucault argumenta que, ao longo do tempo, 
o poder deixou de ser exercido apenas 
através da violência física e passou a se 
infiltrar nas esferas mais íntimas da vida dos 
indivíduos, regulando aspectos como a 
saúde, a reprodução, a sexualidade e até os 
comportamentos cotidianos. 
Biopoder e Medicalização 
A medicalização pode ser vista como uma 
das ferramentas através das quais o 
biopoder se exerce. Quando 
comportamentos e condições humanas são 
medicalizados, o biopoder se manifesta ao 
regular e controlar os corpos, emoções e 
comportamentos dos indivíduos sob o 
pretexto de "tratamento" ou "cura". A partir 
dessa perspectiva, a medicina e outras 
instituições de saúde se tornam instrumentos 
de controle social, moldando o que é 
considerado "normal" e "patológico" e 
regulando a vida das pessoas de maneira 
detalhada 
Reforma psiquiátrica 
• Linhas do tempo – Reforma 
Psiquiátrica 1978 
• Início efetivo do movimento social 
pelos direitos dos pacientes 
psiquiátricos no Brasil. 
• Movimento dos Trabalhadores em 
Saúde Mental (MTSM) é protagonista 
nesse processo. 1987 
• II Congresso Nacional do MTSM adota 
o lema "Por uma sociedade sem 
manicômios". 
• Realização da I Conferência Nacional 
de Saúde Mental no Rio de Janeiro. 
• Surgimento do primeiro CAPS no 
Brasil, em São Paulo. 1988 
• Criação do SUS (Sistema Único de 
Saúde) pela Constituição de 1988, 
com a articulação federal, estadual e 
municipal. Esse sistema alicerça-se 
nos princípios de acesso universal, 
público e gratuito às ações e serviços 
de saúde. Princípios do SUS: 
integralidade, equidade, 
descentralização e controle social 
1989 - Experiência de Santos-SP. 
• Marco na Reforma Psiquiátrica com a 
intervenção no hospital psiquiátrico 
Casa de Saúde Anchieta em Santos. 
• Criação de cooperativas e residências 
para egressos de hospitais 
psiquiátricos. Linhas do tempo – 
Reforma Psiquiátrica 1991 
• Lei nº 10.216 de 06/04/2001 é 
sancionada, estabelecendo novos 
parâmetros para a reforma 
psiquiátrica. 1992-2000 
• Implantação da rede extra-hospitalar, 
com substituição progressiva dos 
leitos psiquiátricos por uma rede 
integrada de atenção à saúde mental. 
• Expansão de CAPS, NAPS, RT e 
Hospitais-dia. 2001-2005 
• Lei Paulo Delgado é sancionada, 
impulsionando a desinstitucionalização 
com a criação do Programa "De Volta 
para Casa". 
• 2004: 1º Congresso Brasileiro de 
Centros de Atenção Psicossocial, 
reunindo dois mil trabalhadores e 
usuários de CAPS. Linhas do tempo – 
Reforma Psiquiátrica 2004 
• III Conferência Nacional de Saúde 
Mental consolida a Reforma 
Psiquiátrica como política de governo, 
destacando os CAPS como 
fundamentais para a mudança do 
modelo de assistência. 2013-2023 
• Redução de 53,7% nos leitos 
psiquiátricos no SUS. 
• Aumento de 42,7% no número de 
CAPS. 
• Implementação da Política 
Antimanicomial do Poder Judiciário 
com a Resolução CNJ nº 487/2023, 
visando à desinstitucionalização e 
reabilitação. Linhas do tempo – 
Reforma Psiquiátrica 2024 
• Resolução nº 572/2024 altera a 
resolução CNJ nº 487/2023 e permite 
a prorrogação da redução de leitos 
psiquiátricos. 2022 
• O Programa "De Volta para Casa" 
completou 20 anos, com mais de 8 mil 
pessoas atendidas. Presente (2024) 
• Mais de 60 mil vagas de manicômios 
fechadas e mais de 3 mil CAPS 
abertos. 
• A Rede de Atenção à Saúde Mental, 
composta por CAPS, SRTs e outros 
serviços, continua sendo ampliada e 
aprimorada. 
Conselho Nacional de Saúde (CNS) 
• É composto por 48 conselheiros 
titulares e seus respectivos suplentes. 
Os membros são eleitos a cada três 
anos. A composição do CNS é a 
seguinte: 
• 50% de representantes de 
movimentos sociais de usuários do 
SUS 
• 25% de representantes de 
profissionais de saúde e comunidade 
científica 
• 25% de representantes de entidades 
nacionais de prestadores de serviços 
de saúde e entidades empresariais 
nacionais com atividades na área da 
saúde O CNS é um órgão do 
Ministério da Saúde e tem como 
missão fiscalizar, acompanhar e 
monitorar as políticas públicas de 
saúde. 8 As principais atribuições do 
CNS são: 
o Realizar conferências e fóruns 
de participação social 
o Aprovar o orçamento da saúde 
e acompanhar a sua execução 
o Avaliar o Plano Nacional de 
Saúde 
o Garantir que o direito à saúde 
integral, gratuita e de qualidade 
seja efetivado a toda a 
população no Brasil 
o O CNS é uma instância 
colegiada, deliberativa e 
permanente do Sistema Único 
de Saúde (SUS). 
Centros de atenção psicossocial - CAPS 
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou 
Núcleo de Atenção Psicossocial é um serviço 
de saúde aberto e comunitário do Sistema 
Único de Saúde (SUS). Ele é um lugar de 
referência e tratamento para pessoas que 
sofrem com transtornos mentais, psicoses, 
neuroses graves e demais quadros, cuja 
severidade e/ou persistência justifiquem sua 
permanência num dispositivo de cuidado 
intensivo, comunitário, personalizado e 
promotor de vida. 
Realiza acompanhamento clínico e a 
reinserção social dos usuários pelo acesso 
ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis 
e fortalecimento dos laços familiares e 
comunitários. É um serviço de atendimento 
de saúde mental criado para ser substitutivo 
às internações em hospitais psiquiátricos. 
CAPS I e CAPS II: são CAPS para 
atendimento diário de adultos, em sua 
população de abrangência, com transtornos 
mentais severos e persistentes. 
CAPS III: são CAPS para atendimento diário 
e noturno de adultos, durante sete dias da 
semana, atendendo à população de 
referência com transtornos mentais severos e 
persistentes. 
CAPSi: CAPS para infância e adolescência, 
para atendimento diário a crianças e 
adolescentes com transtornos mentais. 
CAPSad: CAPS para usuários de álcool e 
drogas, para atendimento diário à população 
com transtornos decorrentes do uso e 
dependência de substâncias psicoativas, 
como álcool e outras drogas. Esse tipo de 
CAPS possui leitos de repouso com a 
finalidade exclusiva de tratamento de 
desintoxicação. 
Caps ad III (Álcool e Drogas): atende adultos 
crianças e adolescente com sofrimento 
psíquico intenso e necessidade de cuidados 
contínuos. Possui até 12 leitos para 
observação e monitoramento funcionando 24 
horas. 
Declaração de caracas 
Signatário da Declaração de Caracas 
(OMS/OPS) – 1990: compromisso de 
reestruturar a assistência psiquiátrica no 
país; 
Lei Federal 10216/2001: dispõe sobre os 
direitos das pessoas com transtornos 
mentais e sobre a mudança do modelo de 
atenção 
Do cuidado centrado num único dispositivo 
(hospital psiquiátrico) para o cuidado nos 
diferentes dispositivos da rede aberta e 
comunitária. 
Contextualizando a Declaração de 
Caracas (OMS/OPS) – 1990 
A Conferência Regional para a 
Reestruturação da Atenção Psiquiátrica na 
América Latina dentro dos sistemas locais de 
saúde (Silos). O evento resultou na 
Declaração de Caracas. 
• Momento em que o continente e o 
mundo estavam pensando na 
reestruturação do sistema de saúde 
como um todo, pensando nos 
sistemas locais de saúde, que se 
refere à descentralização dos modelos 
de saúde. 
• Uma organização regionalizada e 
baseada nos atendimentos local e 
rede de serviços locais, ou seja, 
organizada por territórios.• Assistência era centralizada no 
modelo hospitalar. E 
consequentemente a assistência 
psiquiátrica também. 
• Declaração de Caracas foi um pacto 
entre os organismos de cooperação 
internacional, como a OPAS. 
• Promovem arranjos institucionais 
pactuados democraticamente através 
das representações de cada país. 
• Declaração de Caracas constata que 
há a centralização de recursos 
financeiros, humanos e físicos no 
atendimento de saúde mental em 
hospitais psiquiátricos. 
• Produzia uma desassistência para a 
maior parte da população. • Dificultava 
o acesso aos serviços, além de ser um 
atendimento inadequado. 
(Institucionalização e tratamentos 
desumanos 
• Declaração de Caracas constata que 
há a centralização de recursos 
financeiros, humanos e físicos no 
atendimento de saúde mental em 
hospitais psiquiátricos. 
• Produzia uma desassistência para a 
maior parte da população. 
• Dificultava o acesso aos serviços, 
além de ser um atendimento 
inadequado. (Institucionalização e 
tratamentos desumanos, ineficazes 
para a recuperação) 
• A assistência em saúde mental ia de 
encontro ao que a OMS preconizava 
para os atendimentos em saúde (Silos 
baseado no território). Saúde mental 
comunitária. 
• Reestruturação democrática dos 
países da América Latina. O Brasil 
tinha 2 anos da promulgação da sua 
Constituição. 
• Carta de Brasília – 15 anos pós 
Declaração de Caracas. 
Lei N°10.216 
Dispõe sobre a proteção e os direitos das 
pessoas portadoras de transtornos mentais e 
redireciona o modelo assistencial em saúde 
mental. 
Dispõe sobre a proteção e os direitos das 
pessoas portadoras de transtornos mentais e 
redireciona o modelo assistencial em saúde 
mental. 
SÃO DIREITOS DA PESSOA PORTADORA 
DE TRANSTORNO MENTAL: 
I - ter acesso ao melhor tratamento do 
sistema de saúde, consentâneo às suas 
necessidades; 
II - ser tratada com humanidade e respeito e 
no interesse exclusivo de beneficiar sua 
saúde, visando alcançar sua recuperação 
pela inserção na família, no trabalho e na 
comunidade; 
III - ser protegida contra qualquer forma de 
abuso e exploração; 
IV - ter garantia de sigilo nas informações 
prestadas; 
V - ter direito à presença médica, em 
qualquer tempo, para esclarecer a 
necessidade ou não de sua hospitalização 
involuntária; 
VI - ter livre acesso aos meios de 
comunicação disponíveis; 
VII - receber o maior número de informações 
a respeito de sua doença e de seu 
tratamento; 
VIII - ser tratada em ambiente terapêutico 
pelos meios menos invasivos possíveis; IX - 
ser tratada, preferencialmente, em serviços 
comunitários de saúde mental. 
Art. 6o A internação psiquiátrica somente 
será realizada mediante laudo médico 
circunstanciado que caracterize os seus 
motivos. Parágrafo único. São considerados 
os seguintes tipos de internação psiquiátrica: 
I - internação voluntária: aquela que se dá 
com o consentimento do usuário; 
II - internação involuntária: aquela que se dá 
sem o consentimento do usuário e a pedido 
de terceiro; 
III - internação compulsória: aquela 
determinada pela Justiça. 
Serviços substitutos do hospital 
psiquiátrico 
• Desenvolver projetos terapêuticos e 
comunitários, 
• Dispensação de medicamentos 
• encaminhando e acompanhando 
usuários que moram em residências 
terapêuticas; 
• assessorar e ser retaguarda para o 
trabalho dos Agentes Comunitários de 
Saúde e Equipes de Saúde da Família 
no cuidado domiciliar 
Estamira 
Estamira é um documentário produzido e 
dirigido por Marcos Prado em 2006. Esse 
filme surge como um subproduto de um 
ensaio fotográfico denominado Jardim 
Gramacho. Durante a captura de imagens do 
aterro sanitário de Jardim Gramacho, 
conheceu Estamira que trabalhava há vinte 
anos neste local, 
Narrativa: A narrativa é contada por 
Estamira, sua família e amigos. O 
documentário permite que Estamira como 
protagonista seja agente de sua própria 
história. 
Uso enriquecido da linguagem: Trocadilhos: 
“esperto ao contrário” Grande capacidade 
narrativa Olhar crítico sobre o mundo 
Consciência do Transtorno Mental 
A doutora me perguntou se eu ainda tava 
escutando as vozes que eu escutava. E eu 
escuto os astros, as coisas, os 
pressentimentos das coisas. Tem hora que 
eu fico pensando como é que eu sou lúcida? 
(1h 01min) 
Minha mãe mais perturbada do que eu, eu 
sou perturbada, mais sei distinguir a 
perturbação (1h19 min) 
A minha depressão é imensa, a minha 
depressão não tem cura (1h 23min) 
Perturbação não é deficiência, deficiência é 
que é imprestável, a perturbação também, 
perturbação é perturbação, qualquer um 
pode ficar perturbado. (1h37min) 
Quadro psicótico de evolução crônica, 
exibindo alucinações auditivas, ideias de 
influência e discurso místico, portanto, 
deverá permanecer em tratamento 
psiquiátrico (1h36min) 
A medicalização 
Quadro psicótico de evolução crônica, 
exibindo alucinações auditivas, ideias de 
influência e discurso místico, portanto, 
deverá permanecer em tratamento 
psiquiátrico (1h36min) 
Agora tem um zumbido no meu ouvido, eu 
acho que é do remédio. Eu bebo muito 
remédio. Eu acho que é por isso que eu 
estou com a língua assim. (1h34mmin) Ela [a 
médica] é uma copiadora. 
Pensando em uma clínica ampliada como 
base no território e lógica antimanicomial, 
como poderia ser traçado um cuidado para 
Estamira? 
Estigma de loucura 
Erving Goffman Principal teórico do conceito 
de estigma; Autor do livro Estigma: Notas 
sobre a Manipulação da Identidade 
Deteriorada (1963) 
O CONCEITO DE ESTIGMA 
• Goffman (1982), define estigma como 
uma discrepância entre a identidade 
social real de alguém, aquilo que ele 
é, e a identidade social virtual, o 
caráter imputado ao indivíduo pelos 
outros, ou seja, uma caracterização 
com base nas expectativas de como 
ele deve ser. 
• Torna-se uma linguagem de relações 
e não especificamente se refere a um 
atributo físico, psíquico, moral, de 
raça, nação ou religião. 
LINGUAGEM DE RELAÇÕES 
Refere-se à maneira como o estigma é 
construído socialmente através das 
interações entre indivíduos e grupos. Em vez 
de ser uma característica intrínseca ou fixa 
(como um atributo físico ou psíquico), o 
estigma é algo que surge a partir das 
expectativas sociais e das relações 
estabelecidas entre as pessoas. 
O estigma social ou público é uma crença 
errônea acerca da identidade de uma 
pessoa, em que ela é considerada como 
menor, menos igual e pertencente a um 
grupo inferior, o que produz uma 
incorporação no âmbito social e cria a 
inferioridade 
O estigma internalizado ocorre quando o 
indivíduo tem consciência do estigma a ele 
atribuído, concordando e aplicando a si 
próprio os estereótipos negativos sobre sua 
doença 
É a discriminação e exclusão social que 
resulta de leis, políticas e práticas 
institucionais. Essas práticas podem ser 
formais ou informais, e podem ocorrer em 
sistemas como o educacional, o de saúde ou 
o de emprego. 
Ex: leis de segregação racial nos EUA. Leis 
sobre casamento entre pessoas 
homoafetivas 
Estigma e saúde Mental 
O estigma internalizado agrava os sintomas 
do transtorno mental, levando ao isolamento 
na tentativa de evitar a rejeição e ao não 
investimento em capacidades 
compensatórias ao transtorno, o que produz 
ainda mais solidão 
Thornicroft (2006) relaciona o estigma à 
combinação de três elementos: Ignorância no 
sentido da falta de conhecimento e 
desinformação acerca da doença mental; 
Nunes e Torrenté (2009, p.104), “estigmas 
ancorados no imaginário social acerca da 
loucura manifestam se sob a forma de 
diversos tipos de violência, exercidos em 
várias esferas da vida das pessoas” 
Família 
“pode contribuir para a vulnerabilidade, para 
a internalização de atitudes estigmatizantes, 
além de fazer com que os indivíduos 
percebam mais fortemente a desvalorização 
ea discriminação” (Sibitz citado em Ferreira 
et al., 2014, p.78). 
Relação com a família como uma barreira 
para a recuperação e para o convívio social 
em comum, sugerindo que os familiares não 
estão preparados para lidar com a situação e 
acolher esse indivíduo 
1.Percepção negativa do transtorno mental: 
E2: "Muito ruim... Péssimo, não gosto." E3: 
"Não é fácil, é muito complicado... Você 
enfrenta uma barreira muito grande, né?" E4: 
"É muito complicado, é uma situação difícil 
porque a gente vive numa sociedade muito 
rígida com as pessoas." 
2.Percepção de si antes e depois do 
transtorno mental: A mudança na percepção 
de si mesmos é um tema recorrente nos 
depoimentos. Os participantes sentem que o 
transtorno mental altera não apenas sua 
saúde, mas também sua identidade pessoal 
e a autopercepção. Isso leva a sentimentos 
de tristeza, baixa autoestima e incapacidade 
3. Sentimentos de incapacidade e 
autocensura: A pesquisa destaca a sensação 
de incapacidade para o trabalho e a 
autocensura, sentimentos que são 
internalizados devido ao estigma social. 
Esses sentimentos são indicativos de como 
os participantes veem a si mesmos de 
maneira negativa e acreditam que a 
sociedade também os vê dessa forma 
• Estigma 
• Diminuição da autoestima 
• Diminuição da atoeficacia 
• Culpa 
• Angustia 
• Raiva 
• Autorreprovação 
Como superar o estigma? 
A produção de práticas capazes de reduzir 
preconceitos e o estigma em torno da loucura 
ainda são desafios no contexto da atenção 
psicossocial. Nesse sentido, mudanças no 
imaginário social sobre a loucura podem 
ocorrer por meio da construção cotidiana de 
novas relações, sociais no território.

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