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11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 1/34 INFÂNCIA NA HISTÓRIA E NA CULTURA CONTEMPORÂNEA CAPÍTULO 2 - CRIANÇA PRODUZ CULTURA? Suellen Irene Pereira Pierri INICIAR 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 2/34 Introdução Você já parou para pensar sobre a infância hoje? Será que a criança de hoje é diferente da de ontem e da que virá nos próximos anos? Quando pensamos em cultura, temos que levar em consideração que ela é um organismo vivo que está sempre mudando e tomando rumos outros a partir das pessoas que vivem suas vidas de determinadas maneiras e pensam de determinadas formas. Todas essas falas e vivências vão se entrelaçando e contando a história de cada um, ao mesmo tempo em que contam a história de uma comunidade ou de um conjunto de pessoas. Mas será que a influência dos que vieram antes de nós e daqueles que vivem conosco pode mudar toda uma conjuntura espaço-temporal de forma a influenciar os indivíduos em uma escala ainda maior do que imaginamos? O antropólogo Lévi-Strauss (1976, p. 19) afirma que cultura “[...] é este conjunto complexo que inclui conhecimento, crença, arte, leis, costumes e várias outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. Dessa forma, pensar na criança como um indivíduo passando por mudanças no decorrer dos tempos, e a partir da influência das pessoas que vieram antes e convivem agora para juntas transformarem o amanhã, é premissa que se prova a partir de pesquisas antropológicas, sociológicas e histórias contadas entre gerações. Neste capítulo, você entenderá melhor as leis que regem a infância no país, assim como conhecerá o conceito de cultura em que se baseiam as literaturas sobre a infância, e de que forma a 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 3/34 interação entre as gerações influencia a criança e a infância. Além disso, aprenderá que a cultura também é constituída por outros conceitos como educação, diversidade, cidadania, identidade, e que ela se constrói a partir das relações entre as pessoas dos diferentes grupos etários, seus contextos e suas relações com o meio. Bom estudo! 2.1 Infância na contemporaneidade a partir das crianças e dos adultos (gerações) Quando tratamos de conceitos e concepções sobre um determinado tema, temos de levar em conta que não há uma verdade única, mas sim teorias e pensamentos nos quais as pessoas acreditam, se identificam ou aceitam – e que acabam por transformar essas ideias em verdades. Bourdieu (1998) alerta-nos sobre a “ilusão biográfica”, ou seja, para o entendimento de que a unidade do “eu” de cada um nada mais seria do que sua apresentação sociocultural. Dessa forma, seríamos influenciados, de forma consciente ou não, por conceitos, ideias, pensamentos e atitudes que ocorrem em conjunto com os outros com os quais nos relacionamos, e é a partir disso que recriamos nossos próprios conceitos, ideias, pensamentos e atitudes. Nesse sentido, podemos concluir que a criança é o indivíduo que também ouve, entende e cria conceitos, já que está imersa e atuante na cultura desde o nascimento. Essas ressignificações da criança, ou seja, sua maneira de ver, entender e dar sua própria significação aos fatos, é o que também perpetua as constantes mudanças que ocorrem na sociedade. A infância, nessa perspectiva, refere-se a uma determinada classe de idade, porém revestida pelo conceito de geração, num viés histórico e também relacional, na diferenciação com as outras classes de idade, ou seja, outras gerações. A partir desses pressupostos, a infância é considerada uma categoria geracional de caráter 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 4/34 relacional, pois é histórica e socialmente construída, por meio da participação das crianças em suas culturas e de sua geração com as dos adultos, instâncias mutuamente entrelaçadas. Note que, por meio dessa análise, entende-se que as crianças vivem suas vidas como parte de um grupo social – a geração –, que por sua vez, faz parte de uma estrutura social mais ampla: a sociedade. Nesse âmbito, a infância pode ser reconhecida como a fase de descobertas do indivíduo, um período em que a criança, desde que nasce, é apresentada e inserida em um grupo cultural, com costumes e ideias específicas do contexto em que vive. Assim, desde que nasce, o indivíduo é inserido em um grupo social, é um integrante da sociedade cuja cultura, costumes e valores lhe são passados por aqueles que nela convivem, em uma relação primeiramente de transmissão, realizada pelos demais integrantes do grupo, como seus familiares e outras pessoas. À medida que o indivíduo convive com seu grupo cultural, também recria as influências e os hábitos recebidos, estabelecendo relações de recriação e trocas. A partir dessas informações e trocas, que são oriundas do convívio com o grupo cultural no qual estão inseridas, as crianças também vão se constituindo e se reconhecendo como cidadãos com direitos e deveres. Nesse sentido, você consegue perceber a importância do outro na constituição do ser criança e do viver a infância? Isso porque a criança se constitui a partir das múltiplas relações que estabelece com as pessoas às quais se relaciona, e com elas determina formas de interação com o mundo. Observe o exemplo ilustrado pela figura a seguir. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 5/34 Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 6/34 Apoiada na perspectiva das pessoas que fazem parte de seu convívio, a criança vai estabelecendo formas de criar seus próprios entendimentos e suas concepções sobre o mundo. Dessa maneira, quando se pensa na concepção de infância hoje, não se pode tratá-la como momento isolado, já que “[...] não pode ser entendida fora da relação com a vida adulta, configurando-se também como uma categoria de caráter relacional.” (SALGADO, 2014, p. 67). Esse caráter relacional se estende ao convívio entre a criança e todos aqueles que compartilham sua vida social, como representa a figura a seguir. Figura 1 - Os vínculos com a criança permitem que ela estabeleça relações de afeto desde os primeiros anos de idade. Fonte: Sunnystudio, Shutterstock, 2017. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 7/34 Você pode imaginar que a escola, por sua vez, é o local em que as relações estabelecidas são as mais diversificadas, é onde a criança estabelecerá, obrigatoriamente, vínculos com várias pessoas à sua volta – das mais variadas idades –, permitindo relações intergeracionais que irão agregar conhecimento ao seu entendimento de mundo. O “fazer-fazendo”, que acontece na escola e na vida cotidiana das crianças a partir da relação que elas estabelecem com o outro, deve ser levado em conta ao se construir o currículo escolar (MARTINS FILHO, 2013).Assim, deve-se garantir à criança que seja ela mesma na escola, mas em interação com os outros alunos da sua Figura 2 - A infância é cercada de diversidade de ideias, pessoas, histórias, permitindo inúmeras possibilidades relacionais para a criança. Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2017. Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 8/34 faixa etária e com os professores. A proposta pedagógica, portanto, deve levar em consideração os conhecimentos prévios e os saberes trazidos pelas crianças, considerando-se seu contexto social e cultural. De acordo com essa visão da infância, deve-se criar, então, situações de aprendizagens nas quais as crianças, a partir dos conhecimentos adquiridos em seu meio social, poderão ampliar e reconstruir conceitos e habilidades. Essas vivências devem também levar em consideração as aprendizagens coletivas, entendendo que é coletivamente e nas relações entre as pessoas que o conhecimento se amplia. No filme Mogli: o menino lobo, fica evidente quanto se aprende no contexto natural e/ou cultural em que se vive a infância. Depois de ter sua vida ameaçada por um temível tigre, Mogli, um menino criado por lobos, deixa o seu lar na selva e parte em uma viagem de autodescoberta, guiado por uma pantera austera e um urso alegre e independente. Para assistir à versão dublada, acesse o endereço: . Dessa forma, é possível compreender quanto a multiplicidade de encontros, trocas e experiências durante a vida da criança – comcoetâneos, familiares, professores e pessoas das mais diversas idades, ou seja, trocas intergeracionais – agregam conhecimento de mundo e permitem à criança se apropriar da sociedade a partir da realidade em que vive. Ademais, note quanto a escola é local privilegiado para se estabelecer essas trocas, seja em momentos de escolha entre as próprias crianças, seja a partir da mediação do professor, como você pode inferir a partir do exemplo de relação que consta na figura a seguir. VOCÊ QUER VER? http://filmesonlinegratisahd.com/mogli-o-menino-lobo-dublado-online/ 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 9/34 Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 10/34 Quando tratamos da importância da mediação do professor, é conveniente ressaltar que ele é mais um dos mediadores entre a criança e o conhecimento, e que este se faz também a partir das relações estabelecidas entre a criança e todos os outros com os quais ela faz contato durante sua vida, permitindo a elacompreendero mundo a partir de inúmeras perspectivas. [...] é básico que a escola, as crianças, os jovens e os adultos recuperem, aprendam, descubram a paixão pelo conhecimento, porque só o ser humano pode conhecer e, nesse processo – de construção de conhecimento – o papel do outro e da coletividade é fundamental (KRAMER; LEITE, 1998, p. 20). Figura 3 - A professora também é quem faz a mediação entre o conhecimento dos alunos e as propostas de ensino da escola e oportuniza a troca de conhecimentos entre os atores sociais. Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2017. VOCÊ QUER LER? 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 11/34 No livro “As Marcas do Humano: as origens da constituição cultural da criança na perspectiva de Lev S. Vigotski”, você pode conferir como o professor Angel Pino (2005) explana sobre a constituição do ser cultural e social da criança desde seu nascimento e a influência do outro no entendimento de mundo da criança. É muito importante que você compreenda, como já explicamos, que a criança traz seus conhecimentos prévios e diferentes de acordo com o seu grupo social. Estando na escola, ela terá contato com outras crianças com diferentes conhecimentos, além do contato com os saberes das ciências e os conceitos científicos. Assim, na escola, através da mediação dos professores e das outras crianças, serão construídos outros conhecimentos, a partir daqueles que a criança já carrega consigo. É na troca que está o entendimento, a partir do outro e com o outro os saberes se entrelaçam e se multiplicam, dando forma a uma cultura multifacetada e viva. No próximo tópico, você continuará a aprender sobre os diferentes modos de viver a infância, bem como os modos de se estabelecer relações com as crianças no contexto geracional. 2.2 Infância na contemporaneidade a partir das experiências das crianças e dos adultos (gerações) Quando tratamos do conceito de infância, nos referimos também à maneira pela qual a sociedade vê essa criança e ao que espera dela.Nesse sentido, se entrecruzam as expectativas das diferentes gerações: das crianças e dos adultos. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 12/34 De acordo com Shultz e Barros (2011, p. 139) “[...] a infância é ligada diretamente às outras fases da vida e construída ao longo do tempo.” Dessa forma, relaciona-se com o entendimento que se tem também sobre as outras gerações ao longo da história e os papéis assumidos pelos integrantes de cada uma. A partir desses pressupostos, podemos concluir que ser integrante da categoria geracional da infância indica assumir diferentes comportamentos e atitudes de acordo com o contexto histórico e cultural vivido. Nos itens a seguir serão exploradas mais detidamente a questão geracional e suas implicações. 2.2.1 Relações intergeracionais Como você já pôde perceber, as relações intergeracionais são múltiplas e inevitáveis quando pensamos na criança e em seu círculo social. Quando a criança é muito pequena, essas relações se limitam a seus familiares e amigos próximos;mas, conforme vai crescendo, as suas conexões aumentam, e a criança começa a frequentar outros lugares e a conhecer outras pessoas. Cada pessoa é produto das relações que estabelece desde o nascimento, entre as pessoas com quem convive em casa, na escola, no trabalho e nos locais que frequenta. Seja por muito, seja por pouco tempo, cada interação que ocorre durante a vida acaba por montar um pouco do que forma cada indivíduo. “[A] socialização é um termo amplo que indica que o ser humano, desde que nasce, não apenas está sujeito a influências da sociedade de que participa e ajuda a construir, como também a influencia.” (MORAGAS, 1997, p. 101). Assim, cabe nos perguntarmos: de que forma se dão essas relações intergeracionais? Dessa forma, o que acontece são interações baseadas em trocas e assimilação de regras de conduta e formas de viver em determinada sociedade. Essas trocas acontecem – ou deveriam acontecer – de forma que a transmissão de memórias e experiências permita que as várias gerações se respeitem e se compreendam em um processo recíproco de aprendizagens. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 13/34 No livro “Vidas Compartilhadas: cultura e relações intergeracionais na vida cotidiana”, de Paulo de SallesOliveira (2011), você pode ter acesso a um estudo do dia a dia de crianças cuidadas por seus avós, nas classes populares. Esse estudo mostra o encontro de sujeitos sociais diferentes e o caminho que passam a construir juntos, buscando cultivar interações igualitárias, nos direitos e nos deveres. Você pode imaginar como, para a criança, qualquer evento, a exemplo da ida para a creche, abre um novo mundo de possibilidades relacionais entre gerações, tanto com coetâneosquanto com adultos ou crianças mais novas ou mais velhas,e essas relações oferecem aprendizagem e ampliação de conhecimento de mundo da criança. Assumindo a visão de que as crianças são seres sociais desde que nascem, vemos que elas continuam, na creche, sua busca por socialização com o outro, e essas relações devem ser otimizadas na instituição, de forma que se priorizem princípios baseados em respeito às diferenças, solidariedade e troca de experiências, ampliando o bem-estar entre as gerações, e garantindo que as trocas sejam feitas de forma constante e harmoniosa, em que todos ganham e doam seu conhecimento.Dessa forma, pode-se caminhar para uma sociedade mais igualitária, justa e respeitosa, tendo a instituição educacional como ponto chave desse caminhar. Por tudo o que já expomos a respeito do tema, você deve ter em vista que essa troca deve ser via de mão dupla, na qual adultos, jovens, crianças e idosos compartilham experiências.Porém, é inegável o fato de que os papéis de cada envolvido na relação diferem, sendo que “há posições geracionais de uma geração sobre a outra” (LIBARDI, 2016, p. 53), ou seja, aos adultos e idosos cabe uma responsabilidade com a geração mais nova de VOCÊ QUER LER? 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 14/34 jovens e crianças.Então, tanto nas instituições de educação quanto nas relações que se estabelecem em qualquer âmbito social, cabe aos mais velhos proteger os mais novos e passar a eles determinados conhecimentos. Por outro lado, também deve ser permitido aos mais novos contribuir com a sociedade a partir daquilo que recebem dela, pois também os menores têm algo a compartilhar e aplicar perante as informações a que foram expostos. Consequentemente, essas relações intergeracionais devem ser baseadas em fatores de reciprocidade e interdependência, de forma que crianças, jovens, adultos e idosostroquem compreensões e entendimentos, cada um à sua maneira, dentro daquilo que veja como verdade, na percepção de que são muitas histórias e muitas verdades existentes. 2.2.2 A geração como um constructo sociológico Como já expusemos brevemente, a questão das gerações e todas as implicações relacionais entre elas é um constructo sociológico. Essa afirmação se baseia na ideia de que há interações dinâmicas a todo momento entre as gerações, ou seja, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos se relacionam das mais diversas maneiras em suas interações (SARMENTO, 2005). No entanto, é importante destacar que em cada geração hápapéis constituídos socialmente no transcorrerhistórico. É importante que você perceba que as dinâmicas intergeracionais acontecem quando os mais velhos trocam informações e conhecimentos com os mais novos, e estes os ressignificam. CASO Sabemos que, paracrianças de quatro a cinco anos, todas as descobertas são interessantes, pois são movidas pela curiosidade pelas coisas do mundo, e que as brincadeiras têm valor simbólico a partir da tentativa de entender esse mundo que as 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 15/34 rodeia.Numa escola pública, em sala de aula com crianças dessa idade, como um professor ou professora deve agir? Nesse caso que trazemos, a professora está participando de uma conversa com as crianças, a quem eles fazem perguntas e explicam a partir do seu entendimento e de suas hipóteses sobre a metamorfose e o ciclo de vida das borboletas. Nesse momento, uma criança diz ter visto minhocas em sua casa e que elas ficam na terra.A professora aproveita essa fala e questiona sobre o ambiente em que vivem as borboletas e as minhocas. As crianças falam animadamente e escutam o que os colegas pensam sobre isso. A professora propõe que juntos possam descobrir mais informações e façam investigações. Dessa forma, a professora leva em consideração oque as crianças têm como hipóteses e também se propõe a criar condições de ampliar esses conhecimentos. É muito provável que, juntos, aprendam muito. Com base no exemplo analisado e no que já discutimos anteriormente, é importante que você perceba que as relações intergeracionais ultrapassam a transmissão de valores e conhecimento, agindocomo uma forma de se estabelecer a mediação entre diferentes conhecimentos, sendo as crianças respeitadas em seu processo de busca por esses conhecimentos. A professora não impõe o conhecimento, mas parte do interesse e da curiosidade das crianças. Tanto na escola quanto fora dela, as relações entre os indivíduos de diferentes gerações devem acontecer a partir do respeito pelo conhecimento do outro, buscando um convívio colaborativo e de trocas entre os envolvidos. Como você pode perceber, a imagem a seguir ilustra a ideia de quanto as crianças podem participar da tomada de decisões e envolver-se em situações de aprendizagem. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 16/34 Além da relação intergeracional em si, você precisa ter em mente a existência de fatores externos que a influenciam. Deve-se levar em conta que a mudança de entendimento sobre o mundo, que também perpassa as gerações, é fator relevante para a troca de ideias intergeracional. Por outro lado, no mundo contemporâneo estão disponíveis elementos diferentes em relação a outras épocas; a tecnologia é um desses fatores e influencia diretamente as vivências diárias das crianças dentro e fora da escola: “Para as professoras, a tecnologia também aparece como um significativodiferencial entre a infância de sua geração e a das crianças hoje [...]” (SALGADO, 2014, p. 74). Esse fato precisa ser levado em consideração na mediação dos processos de aprendizagem. Nesse sentido, entende-se que,pelo fatode as crianças e os jovens serem indivíduos que nasceram emum contexto com mais acesso a novos recursos tecnológicos, têm mais facilidade para utilizar computadores, celulares, tablets etc. do que os adultos.Assim, este é um desafio para o professor:que sejam implementadas propostas em que a tecnologia seja um recurso utilizado na escola, a fim de transformar informações em conhecimentos. Perceba que a tecnologia, então, não pode ser considerada apenas algo que separa gerações, mas também pode ser vista como uma ferramenta a partir da qual outras interações permitiriam aproximações. Dessa forma, as relações intergeracionais, independentemente de seu tempo, são capazes de proporcionar uma aprendizagem recíproca que valoriza as diferenças e as histórias dos envolvidos. No próximo tópico, você irá aprender mais sobre a infância como um direito, sabendo analisar criticamente esses direitos, assim como reconhecer a visibilidade social da infância e a criança como produtora de cultura. Figura 4 - Crianças atuantes em sala de aula desenvolvem o convívio colaborativo. Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2017.D e sl iz e s o b r e a i m a g e m p a r a Z o o m 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_117/34 2.3 Infância como um direito da criança Ao entendermos que a visão do que hoje compreendemos por infância é uma construção histórica, podemos perceber quenão é estáticanem imutável. Nesse sentido, também os direitos relacionados às crianças foram constituídos ao longo de processos de defesa da infância. Atualmente, temos a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, como os pilares legais dos direitos das crianças no Brasil. Mas será que essas leis protegem todas as crianças da mesma forma? O que pode ser feito para permitir aos pequenos gozarem desses direitos de maneira plena, como cidadãos que são desde o nascimento? 2.3.1 Visibilidade social da infância Qual o papel social da criança na sociedade de hoje? Para responder essa questão, você precisa ter em mente que esse papel mudou consideravelmente conforme os anos e séculos foram passando. Assim, pode-se dizer de forma introdutória que, atualmente,pelomenos no mundo das ideias e teorias, a criança tem um papel atuante socialmente, ela é entendida como indivíduo participante da sociedade. Observe a imagem a seguir antes de continuarmos a discussão. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 18/34 Figura 5 - A imagem revela uma criança que não tem direito à infância. Fonte: Gallery 3.0.9 (Chartres), Shutterstock, 2017. Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 19/34 Com base nesse sentimento de infância,histórica e socialmente construído, você podeobservar essa imagem e perceber que esse menino, aparentemente ainda tão pequeno, não está vivendo sua infância. O ato de pedir esmola leva a crer que esse menino, muito provavelmente, não frequenta a escola e não leva uma vida que o permita gozar de seus direitos comocidadão. Assim, sua cidadania, ao mesmo tempo que garantida por lei, está lhe sendo retirada, por motivos imbricados por questões sociais, econômicas e políticas.Sendo assim, o fato de ser criança não garante uma infância digna e com os direitos básicos garantidos. Crianças do Brasil é um roadmovie filmado em muitas cidades brasileiras. O Brasil, do extremo Norte (Oiapoque) ao extremo sul (Chuí), é visto sob a ótica das crianças. Trata-se de uma série de 10 programas de 12 minutos de duração sobre várias regiões do Brasil mostradas por crianças de diferentes classes sociais, etnias, sotaques e culturas. Trailer disponível em: . Ainda analisando o exemplo da figura anterior, podemos pensar que a visibilidade sobre a infância muitas vezes está pautada em uma visão unilateralde criança, ou seja, o olhar das pessoas hoje já está acostumado a ver crianças pelas ruas ou como pedintes. Assim, esse fato passa a ser banalizado, e nem sempre se exigem mudanças. Destarte, se faz importante que você – e todas as pessoas – compreenda os direitos e deveres constitucionais, participando da busca por diminuições das barreiras que impedem o acesso às condições mínimas de vida para todos os cidadãos brasileiros. VOCÊ QUER VER? https://youtu.be/LKQaRhKpG2k 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 20/34 Perceba, dessa forma, que ser criança no Brasil e no mundo não implica, necessariamente, gozar plenamente da infância e de todos os direitos que derivam do fato de ser criança. A execução na práticadesses direitos, de forma que sejam realmente garantidos a todas as crianças do país, ainda está em pauta e será ainda uma luta a ser travada por muito tempo. Estar criança não é direito, é condição; o indivíduo nasce e passa, obrigatoriamente, pela fase da infância, não sendo possível a mudança por nenhum ator social. Contudo, para que seja permitido à criança o direito ao ser plenamente criança, deve-se entendê-la em suas particularidades e garantir seus direitos legais e constitucionais, sendo este dever político e social. Na esfera política, cabe aos legisladores fazerem valer os direitos das crianças não apenas no papel, mas igualmente em seu dia a dia. Na esfera social, é importante que todos os indivíduos tenham um olhar sensível voltado à criança, a todas as crianças, independentementede sua condição social. Observe a imagem e reflita sobre o direito que esse menino tem de ser criança. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 21/34 Figura 6 - Muitas famílias de baixa renda dependem do trabalho infantil para garantir sustento. Fonte: Zzvet, Shutterstock, 2017. Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 22/34 Com uma leitura mais atenta da imagem, pode-se supor que esse menino não faz parte de uma família que mantém uma renda sustentável para uma vida que lhe permita gozar dos direitos à alimentação, saúde e habitação dignas, devendo, por isso, complementar a renda familiar à custa da venda de sua própria força de trabalho. O ser criança deve levar em conta todos os direitos que permitam viver a infância: [...] a existência de um direito, seja em sentido forte ou fraco, implica sempre a existência de um sistema normativo, onde por "existência" deve entender-se tanto o mero fator exterior de um direito histórico ou vigente quanto o reconhecimento de um conjunto de normas como guia da própria ação. A figura do direito tem como correlato a figura da obrigação. (BOBBIO, 1992, p. 79-80). Você deve se lembrar, pois já tratamos desse assunto, que as leis mais importantes que delineiam a criança são a Constituição de 1988 e o ECA, de 1990.A Constituição do país assegura inúmeros direitos a todo brasileiro.Em seu artigo 6º, caput, dispõe: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” (BRASIL, 1988, s. p.). Além disso, a mesma Carta também trata sobre o direito à educação de todas as crianças de zero a seis anos, conforme análise de Kramer (1999, s. p.): A população brasileira, a partir da progressiva consciência de seus direitos e da participação em movimentos sociais, teve papel central numa das maiores conquistas da educação infantil no Brasil: o reconhecimento, na Constituição de 1988, [...] do dever do Estado de oferecer creches e pré-escolas para tornar fato este direito. Movimentos sociais e instâncias públicas 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 23/34 (municipais e estaduais) vêm se esforçando no sentido de expandir com qualidade a educação infantil e enfrentar os desafios que se colocam. Pela primeira vez na história da educação brasileira, foi formulada uma política nacional de educação infantil, com diretrizes para a formação dos profissionais. Dessa forma, a criança, assim como todo cidadão brasileiro, tem direito a uma vida plena, com boa moradia, saúde e educação de qualidades, lazer e assistência. A luta, da qual trata Kramer (1999), fez valer as leisno mundo das ideias, mas ainda temos que fazê-las valer para todas as crianças, não apenas para aquelas cujas famílias conseguiram se adequar à desigual sociedade em que vivemos, mas também as ditas marginais, às quais foi negado o direito de viver e ser criança. O ECA foi criado com o objetivo de proteger integralmente crianças e adolescentes. Em seu artigo 7º o estatuto prevê que a criança e o adolescente “[...] têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.” (BRASIL, 1990, s. p.). Infelizmente, não é essa a realidade das crianças brasileiras, pois as manchetes do ano de 2017 de jornais e revistas do país sobre a infância contam outra história. A história contada é de um país em que milhões de crianças vivem em situação de extrema pobreza (LAMBERT, 2017), com o retorno à condição de “país da miséria” (O BRASIL…, 2017), local em que 40% das crianças até 14 anos vivem em situação de risco e desamparo (CRUZ, 2017). Essas são histórias de um país que não se preocupa com sua infância, um país que mantém leis de proteção à criança apenas no papel e que permite à criança estar criança, mas não permite a todas o ser criança e aproveitar o que esse ato traz em sua plenitude. Apenas a luta da sociedade, assim como o trabalho do professor na sala de aula e fora dela, permitirá relevantes mudanças no panorama social e político do país.Se foi com luta que se garantiu as leis, também com luta se garantirá a efetivação dessas leis para todas as crianças e todos os adolescentes brasileiros, assim como para todos os cidadãos do país. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 24/34 No próximo tópico, vamos abordar a questão das culturas infantis, para que você possa reconhecê-las e detectar aspectos que indicam a relação entre concepções de infância, educação, cultura, conhecimento, diversidade, cidadania e identidade. 2.4 Culturas infantis As pesquisas com crianças aumentaram, assim como o conceito de criança e a concepção de infância foram se transformando. Hoje aceita-se que a criança, para além de ser influenciada pela cultura que a cerca, também produz cultura a partir das relações com seus pares e adultos. Corsaro (2002) apresenta o conceito de “reprodução interpretativa (p. 115), construindo a ideia de que as crianças contribuem ativamente para a preservação social, assim como para sua mudança. E são essas mudanças que acontecem coletivamente que permitem reconhecermos a participação das crianças na construção cultural da sociedade. Nos itens a seguir, você entenderá melhor a visão da criança como produtora de cultura, além de conhecer a área de estudo da Sociologia da Infância. 2.4.1 Criança como produtora de cultura Como você já pôde constatar a partir da visão atual de infância, é indiscutível que a criança influencia e é influenciada pelo grupo cultural que integra. O que ainda é objeto de estudo é o olhar para a criança como produtora de cultura, sob uma perspectiva pela qual a criança cria sobre aquilo que absorve.Ou seja, primeiramente ela age concretamente sobre a realidade que a cerca, levando em consideração todos os aspectos da cultura e as relações entre seus pares; a partir disso, ela também reelabora as influências recebidas e assim produz cultura. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 25/34 Elas [as crianças] elaboram sentidos para o mundo e suas experiências compartilhando plenamente de uma cultura. Esses sentidos tem uma particularidade, e não se confundem nem podem ser reduzidos àqueles elaborados pelos adultos; as crianças têm autonomia cultural frente ao adulto. Essa autonomia deve ser reconhecida e também relativizada: digamos, portanto, que elas têm uma relativa autonomia cultural. Os sentidos que elaboram partem de um sistema simbólico compartilhado com os adultos (COHN, 2005, p. 35). Dessa forma, entende-se que as crianças produzem cultura a partir daquilo que vivenciam e aprendem,conforme o grupo cultural em que nascem, as conversas com as pessoas com quem convivem, brincando com outras crianças, enfim,emvariadas formas de interação com o meio e as pessoas. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 26/34 Porém, há uma complexidade no entendimento dessas dinâmicas infantis (SARMENTO; PINTO, 1997), já que é necessário escutar e observar a criança,estimulando o seu protagonismo. Para tanto, você deveter em mente que as infâncias são vividas das mais diversas formas, dependendo dos contextos sociais e culturais; assim,não há apenas um tipo de criança ou um tipo de infância. Figura 7 - As inúmeras relações disponíveis para a criança durante suas vivências formam o seu mundo. Fonte: Guz Anna, Shutterstock, 2017 Deslize sobre a imagem para Zoom 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 27/34 Sendo assim, as pesquisas que se debruçam sobre a infância devem levar em consideração os contextos nos quais as crianças estão imersas para entender a complexidade dos envolvidos. Somente dessa forma há a possibilidade de compreender as culturas infantis de determinado grupo partindo da estrutura social que o cerca, das relações que se estabelecem e das suas visões de mundo. Esse estudo mais aprofundado a partir do entendimento da criança como produtora de cultura é considerado como fazendo parte de uma linha de pesquisa denominada Sociologia da Infância, uma ramificação da sociologia determinada a estudar a criança imersa em seus constructos culturais, sociais e históricos, e será tratada no próximo item. 2.4.2 A Sociologia da Infância Pode-se afirmar que a Sociologia da Infância é uma área de estudo relativamente nova, que busca compreender a condição social da infância e as relações das crianças com os adultos e entreseuspares. Como forma de ampliar essa interpretação, segue trecho de uma explicação do professor Sarmento (2005, p. 361): A sociologia da infância propõe-se a constituir a infância como objecto sociológico, resgatando-a das perspectivas biologistas, que a reduzem a um estado intermédio de maturação e desenvolvimento humano, e psicologizantes, que tendem a interpretar as crianças como indivíduos que se desenvolvem independentemente da construção social das suas condições de existência e das representações e imagens historicamente construídas sobre e para eles. Porém, mais do que isso, a sociologia da infância propõe-se a interrogar a sociedade a partir de um ponto de vista que toma as crianças como objecto de investigação sociológica por direito próprio, fazendo acrescer o conhecimento, não apenas sobre infância, mas sobre o conjunto da sociedade globalmente considerada. Dessa forma, a Sociologia da Infância não procura estudar as crianças per se, mas sim em sociedade, e busca posicioná-las como atores sociais, tanto no campo teórico como no metodológico. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 28/34 VOCÊ SABIA? A Sociologia da Infância surgiu no Brasil em meados da década de 1980, contrapondo-se às teorias biológicas e higienistas que entendiam a criança como um vir a ser, um indivíduo simplesem constante maturação. Porém, foi somente no final da década de 1990 que pesquisas relevantes na área começaram a ser publicadas, o que coloca essa área do estudo ainda como algo novo e em ascensão no país. Essa área de estudo busca transpor o pensamento adultocêntrico, ainda tão vigente na sociedade, assim como convida estudiosos e profissionais da educação a pensar a infância sob outroângulo: o da criança por ela mesma, ou seja, entender que há uma criança que é sujeito de sua aprendizagem e de seu conhecimento, ao mesmo tempo em que também é motivada a partir das atitudes do outro. Além disso, os professores Manuel Sarmento e Manuel Pinto (1997) atentam para o fato de que estudar as infâncias, para além de aumentar a compreensão sobre o ser criança, também auxilia na compreensão de toda a sociedade: O olhar das crianças permite revelar fenômenos sociais que o olhar dos adultos deixa na penumbra ou obscurece totalmente. Assim, interpretar as representações sociais das crianças pode ser não apenas um meio de acesso à infância como categoria social, mas às próprias estruturas e dinâmicas sociais que são desocultadas no discurso das crianças (SARMENTO; PINTO, 1997, p. 25). Essa explanação permite destacar ainda mais importância ao estudo sociológico da infância, já que legitima a importância do estudo da criança não apenas por ela mesma, mas em uma perspectiva mais ampla, de entendimento social, cultural e histórico. 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 29/34 Ana Lúcia Goulart de Faria é professora doutora da Faculdade de Educação da Unicamp, grande precursora da Sociologia da Infância no Brasil, com inúmeros textos e livros publicados sobre o tema. Para mais informações e acesso a publicações da professora, veja: . Estudos na área da Sociologia da Infância são como uma “[…] retomada do movimento de luta a favor das crianças, da infância e da educação.” (ROCHA, 2011, p. 3). Para além da criança vista através da psicologia, medicina ou psicanálise, a infância observada sob a lente das ciências sociais vem ganhar uma nova forma, permitindo aos profissionais da área e a toda a sociedade um melhor agir sobre a infância. VOCÊ O CONHECE? Síntese Concluímos o segundo capítulo relativo aos diferentes modos de viver a infância e às culturas infantis. Agora você já sabe como é entendida a infância no mundo contemporâneo, sua relação com a educação e as gerações. Além disso, é de seu conhecimento que a cultura infantil é algo socialmente definido e que esse aspecto da infância deu início a uma nova vertente sociológica conhecida como Sociologia da Infância. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4793285J1 11/04/2021 Infância na História e na Cultura Contemporânea https://anhembi.blackboard.com/webapps/late-course_content_soap-BBLEARN/Controller?ACTION=OPEN_PLAYER&COURSE_ID=_666438_1&PARENT_ID=_15933537_1&CONTENT_ID=_15933547_1 30/34 compreender que o entendimento da infância pela sociedade é uma construção política e social; perceber o que são relações intra e intergeracionais e no que elas influenciam a criança de seu tempo; conhecer as mais importantes leis que regem a educação e o bem-estar de crianças e jovens no Brasil; aprender que a criança pequena, para além de compreender a cultura do grupo que a cerca, também produz cultura; identificar que existe uma vertente da sociologia que se dedica a estudar a infância: a Sociologia da Infância. Referências bibliográficas BOBBIO, N. A Era dos Direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992. BOURDIEU, P. A ilusão biográfica. 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