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PROFESSORA
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Elementos de 
Saúde Pública 
e Epidemiologia 
ACESSE AQUI O SEU 
LIVRO NA VERSÃO 
DIGITAL!
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15257
EXPEDIENTE
Coordenador(a) de Conteúdo 
Gustavo Affonso Pisano Mateus 
Projeto Gráfico e Capa
André Morais, Arthur Cantareli e 
Matheus Silva
Editoração
Alan da Silva Francisco e Larissa Luiz 
de Souza
Design Educacional
Letícia Matheucci Zambrana Grou
Curadoria
Emerson José Viera
Revisão Textual
Érica Fernanda Ortega
Ilustração
Andre Luis Azevedo da Silva
Fotos
Shutterstock
DIREÇÃO UNICESUMAR
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia 
Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de 
Design Educacional Paula R. dos Santos Ferreira Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas 
Thuinie M.Vilela Daros Head de Recursos Digitais e Multimídia Fernanda S. de Oliveira Mello Gerência de 
Planejamento Jislaine C. da Silva Gerência de Design Educacional Guilherme G. Leal Clauman Gerência de Tecnologia 
Educacional Marcio A. Wecker Gerência de Produção Digital e Recursos Educacionais Digitais Diogo R. Garcia 
Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Supervisora de Design Educacional e Curadoria Indiara Beltrame
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de 
Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino 
de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. 
Núcleo de Educação a Distância. BRANQUINHO, Nayra Thais 
Delatorre.
Elementos de Saúde Pública e Epidemiologia. Nayra 
Thais Delatorre Branquinho. Maringá - PR: Unicesumar, 
2022. 
184 p.
ISBN 978-85-459-2184-4 
“Graduação - EaD”. 
1. Saúde 2. Saúde pública 3. Epidemiologia. 4. EaD. I. Título. 
CDD - 22 ed. 614
FICHA CATALOGRÁFICA
02511253
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Vou contar um pouquinho da minha história para vocês. 
Eu sempre gostei muito de estudar. Gostava de todas as 
disciplinas e sempre procurava me dedicar ao máximo! 
Durante o Ensino Fundamental e Médio, a área de Ciên-
cias sempre chamou muito minha atenção. Sempre pro-
curava realizar leituras na área ambiental ou de saúde.
Minha professora de Ciências deixava que realizásse-
mos pesquisas e pudéssemos ler um pouco para a tur-
ma no começo da aula. Assim que recebia o material, eu 
me organizava para procurar qual seria o tema da aula e 
preparava um texto pequeno para ler na frente da turma 
para meus colegas, até ganhava uns pontinhos por isso 
na minha nota.
Escolhi Ciências Biológicas para cursar, pois era o meu 
sonho. Foi incrível a vivência em outra cidade. Durante a 
faculdade, fiquei dividida entre a Licenciatura e o Bachare-
lado, mas depois de muita pesquisa e conversa com meus 
veteranos, decidi que a Licenciatura era a mais completa 
titulação e que, depois, se quisesse, faria mais um ano de 
Bacharelado. O que acabei fazendo.
A oportunidade de continuar os estudos, o Mestrado 
e, mais tarde, o Doutorado, me pareceram adequadas.
Realizar leituras de artigos científicos, participar de con-
gressos internacionais, conhecer outras pessoas que tra-
balham com a sua linha de pesquisa em outros lugares 
do mundo é demais! Aprendi muito, convivi com profes-
sores incríveis. Essa vivência mudou muito minha forma 
de encarar a vida.
http://lattes.cnpq.br/9868070605680586
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11063
A qualidade de vida das pessoas reflete em sua saúde. Assim, a qualidade ambiental 
envolve processos econômicos, sociais e culturais do local onde vivem as pessoas. 
Um ambiente poluído pela poluição ocasionada pelas fábricas, ou mesmo pelos 
dejetos das pessoas, pode acarretar em um desequilíbrio ambiental podendo levar 
o indivíduo a adquirir uma doença.
Para se estabelecer uma doença, o estado de equilíbrio do corpo é alterado, seja 
devido a microrganismos, seja por uma má alimentação, doenças genéticas e contami-
nação, falta de conhecimentos que podem ocasionar determinados distúrbios. Assim, 
podemos ter doenças que podem ser transmissíveis ou não.
A saúde pública é importante para estabelecer políticas em saúde, melhorias, 
diagnóstico e também permite a coleta de dados para melhor compreensão das 
doenças e permite que estejamos mais protegidos contra determinados tipos de 
enfermidades. Neste sentido, pense em medidas para se alcançar uma qualidade 
de vida e saúde adequadas da população.
 Com o desenvolvimento de medicamentos ou vacinas, podem permitir o melhor 
tratamento para evitar o sofrimento ou mesmo de levar os indivíduos a óbito. Para que 
o tratamento seja eficaz, é necessário que o diagnóstico seja feito de forma adequada. 
Novos organismos surgem rapidamente e a ação adequada deve ser realizada. Para 
uma melhor tomada de decisões, uma gestão adequada em saúde e métodos eficientes 
para a coleta de dados é necessária.
Os patógenos denominados de oportunistas causam doença em seu hábitat nor-
mal em um indivíduo saudável, mas podem ocasionar um quadro de doença em um 
ambiente diferente. Por exemplo, micróbios que penetram no corpo através da quebra 
da barreira da pele ou das membranas mucosas podem causar infecções oportunistas. 
Alternativamente, se o hospedeiro se encontra enfraquecido ou comprometido por 
uma infecção, micróbios que normalmente são inofensivos podem causar doença.
O aumento de microrganismos em determinado ambiente é estudado por disci-
plinas como a Microbiologia. O conhecimento do crescimento bacteriano permitiu a 
criação de métodos de controle do crescimento microbiano. Assim como também o 
estudo sobre os vírus e sua capacidade em realizar mutações.
ELEMENTOS DE SAÚDE PÚBLICA E EPIDEMIOLOGIA
Por meio destes conhecimentos, as técnicas em Biologia Molecular fornecem rápido 
conhecimento sobre o tipo de microrganismo que estamos lidando, o que garante, caso 
já exista um tratamento para determinada doença, que seja realizado o tratamento 
deste mal, de forma adequada, sem perda de tempo.
Seja por falta de conhecimento na época, seja por descuidos na higiene da po-
pulação. A cultura da utilização de tabaco para se sentir mais elegante, ou mesmo 
devido à fome gerada durante o período de Guerra na Holanda, onde principalmente 
as gestantes não tinham o que comer e a falta de proteínas em sua dieta gerou con-
sequências permanentes em sua prole.
Reflita sobre como a falta de conhecimento pode promover o desenvolvimento 
de microrganismos, os quais podem causar doenças na população. Você acredita 
que o conhecimento em Epidemiologia pode ser a chave para a compreensão desta 
importância para a população?
O estudo da história nos auxilia a compreender como as doenças acometeram a 
população em diferentes localidades do mundo. A urbanização foi um processo pro-
movido pela industrialização, que impulsionou a população a migrar para as cidades, 
ocupando vagas em indústrias e fábricas.
Essa nova distribuição das pessoas levou ao crescimento das cidades e a presença 
de indústrias, houve aumento de renda das famílias, não ocorrendo a ocupação terri-
torial de forma homogênea. Ao longo dos anos, quais foram as mudanças relacionadas 
às taxas de nascimento e mortalidade.
A Epidemiologia, então, é uma disciplina necessária para compreender a sociedade, 
a organização humana, pois também envolve recursos sociais, econômicos e ideológicos 
para que haja a organização de políticas públicas no enfrentamento de diversas doenças.
A transiçãoanticorpos protetores específicos ou imunidade 
celular, sendo capaz de reagir eficazmente para prevenir uma infecção ou doença 
clínica quando exposto a seu agente infeccioso.
A Imunidade consiste no estado de resistência, estando, geralmente, asso-
ciada à presença de anticorpos com ação específica sobre o microrganismo 
responsável por determinada doença infecciosa ou sobre suas toxinas. 
51
Dessa forma, a imunidade de curta duração (passiva) pode 
ser obtida naturalmente, transferência de mãe para filho, ou 
artificialmente, pela inoculação de anticorpos protetores específi-
cos (soro hiperimune de convalescente ou imunoglobulina humana). 
Já a imunidade com duração de longo prazo (ativa), pode ser adquirida 
naturalmente, por uma infecção com ou sem manifestações clínicas, ou 
artificialmente por meio da inoculação de frações ou produtos do agente infec-
cioso do próprio agente, morto ou atenuado, ou de suas variantes.
Descrição da Imagem: a ima-
gem fotográfica, na posição fron-
tal, mostra uma criança de etnia 
oriental, do tórax para cima, foto-
grafado durante o dia, é possível 
visualizar a claridade ao fundo. 
A criança está posicionada mais 
para a esquerda da imagem, visto 
do tórax para cima, com o corpo 
projetado para frente, a cabeça 
virada em meio perfil com o olhar 
para o lado direito da imagem, tem 
a pele branca marcada por pontos 
escuros que pegam todo pescoço 
e rosto, cabelos pretos, lisos e cur-
tos, vestindo uma camiseta par-
cialmente branca onde o decote é 
careca e tem um viés em vermelho 
que pega toda circunferência de 
ombro a ombro, incluindo o de-
cote frente e costas, logo abaixo 
é vista uma listra estreita em azul 
marinho na horizontal e na parte 
frontal, a mesma listra é vista nas 
mangas, repetindo-se um pouco 
distante uma da outra. Ao fundo, 
a imagem apresenta-se totalmente 
desfocada, tudo sob a luminosida-
de de um dia ensolarado.
Figura 1 - Criança com varicela
UNIDADE 2
UNIDADE 2
52
Vamos discutir agora o que poderia ter no ambiente para induzir determinada 
patologia. O indivíduo será hospedeiro quando sua função for servir de subs-
trato onde evolua a infecção e se exteriorize a doença, e será tomado como fator 
ambiental ao participar como reservatório do bioagente.
O Reservatório de agentes infecciosos pode ser o ser humano ou animal, 
artrópode, planta, solo ou matéria inanimada (ou uma combinação desses), em 
que um agente infeccioso normalmente vive e se multiplica em condições de 
dependência primordial para a sobrevivência e no qual se reproduz de modo a 
poder ser transmitido a um hospedeiro suscetível (OPAS, 1983).
A fonte de infecção é a pessoa, animal, objeto ou substância da qual um agente in-
feccioso passa diretamente para o hospedeiro. Está entre o reservatório e o suscetível.
As vacinas podem ser preventivas ou terapêuticas. São preventivas para evitar doenças e 
terapêuticas quando usadas para tratar uma doença estabelecida. A vacinação teve seu 
destaque na erradicação da varíola em escala global. O benefício é direto de poder evitar 
um enorme custo humano e econômico, nos sistemas de saúde, prevenindo a morta-
lidade ou morbilidade associada às doenças infecciosas, quanto aos indiretos, no caso 
específico das vacinas antibacterianas, a utilização de antibióticos.
EXPLORANDO IDEIAS
53
Descrição da Imagem: a imagem mostra um esquema de transmissão de doença no ecossistema. Na 
esquerda, temos um retângulo indicando o “indivíduo infectado”, acima lê-se “saída”; deste retângulo sai 
uma seta diretiva preta para a direita, indicada pelo “estágio ambiental ”; o fundo é um quadrado irregular 
onde ele se apresenta com várias retas que se cruzam na diagonal para esquerda e direita e que acima 
lemos “ECOSSISTEMA” em letras garrafais na cor preta, em formato côncavo acima e convexo abaixo; 
outra seta diretiva preta apontando para um retângulo em que está escrito “indivíduo suscetível”, em que 
acima lê-se “entrada”, indica a transmissão no indivíduo. 
Figura 2 - Esquema da transmissão do indivíduo infectado, estágio ambiental até indivíduo saudável
Fonte: Rouquayrol e Gurgel (2017, p. 194).
A transmissão, na maioria dos casos, é efetivada em três etapas, todas elas atri-
buídas de importância epidemiológica: saída do agente infeccioso, estágio no 
ambiente e entrada num novo hospedeiro, verifique na Figura 2.
Alguns bioagentes, como vírus (sarampo, da caxumba, da varíola e da gripe, 
por exemplo), dependem estritamente da vida parasitária para sua sobrevivência. 
Desta forma, fora do hospedeiro, perecem em pouco tempo. Sua transmissão 
depende do agente infeccioso, que pouco resiste no ambiente, exige o contato 
direto entre infectado e infectável ou um vetor que o extraia do hospedeiro atual 
e o injete no novo hospedeiro (dengue e febre amarela, por exemplo).
No entanto, alguns vírus, por exemplo, o coronavírus (Figura 3), vírus da 
hepatite A e poliomielite, têm maior resistência à vida livre, propiciando que sua 
transmissão possa se dar por veículos como água e alimentos.
Algumas bactérias se especializaram de tal modo na vida parasitária que 
se tornaram sensíveis ao ambiente, exigindo que sua transmissão se dê por 
contágio. É o caso de bactérias responsáveis por doenças sexualmente trans-
missíveis. Há a possibilidade de que esse tipo de bioagente seja transmitido 
por contato direto, mas é bastante viável também sua transmissão indireta pela 
intermediação de veículos.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
54
Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração do coronavírus. Temos cinco representações, sendo 
uma no centro, ocupando a maior parte da imagem e as demais uma à esquerda para o canto superior, 
em tamanho médio, e outra menor no canto inferior esquerdo, já a menor de todas está no alto do lado 
direito da imagem indo em direção para o canto superior direito e, por fim, no canto inferior direito a 
projeção parcial de mais uma que por vez o tamanho se compara com a primeira projeção. A estrutura do 
vírus apresenta-se colorida, em formato de esfera cinza e as proteínas em sua superfície apresentam-se 
com coloração vermelha como pequenas erupções saindo de dentro da esfera, são observadas diversas 
proteínas incrustadas no envoltório do vírus.
Figura 3 - Vírus do coronavírus
Descrição da Imagem: na imagem, podemos ver metade do frasco de vidro, localizado na porção direita 
da imagem e, no lado direito, temos uma mão segurando a tampa, mostrando a porção interna dela. O 
conteúdo do frasco mostra-se de coloração amarronzada e pastosa. A tampa de metal está enferrujada 
e com vários pontos pretos na porção interna.
Figura 4 - Alimentos contaminados pela toxina Clostridium botulinum podem causar o botulismo
55
Muitos bioagentes têm possibilitado sua permanência por tempo prolongado no 
ambiente, assumindo formas nas quais o metabolismo é reduzido a determinadas 
formas de resistência. Existem bactérias que esporulam, e seus esporos, que são 
formas de resistência, podem permanecer viáveis no ambiente durante anos. São 
exemplos, entre outros, bactérias do gênero Clostridium, das espécies C. per-
fringens, C. tetani e C. botulinum, responsáveis, respectivamente, pela gangrena 
gasosa, pelo tétano e pelo botulismo.
Protozoários como a Entamoeba histolytica e a Giardia lamblia evoluem 
das formas trofozoíticas para formas císticas infectantes, de grande resistência.
Alguns protozoários da classe Sporozoa não têm existência livre; passam 
parte de seu ciclo biológico no hospedeiro definitivo e parte no hospedeiro 
intermediário. Este é o caso, por exemplo, de espécies do gênero Plasmodium 
(P. vivax, P. malariae, P. falciparum e P. ovale), agentes das várias formas de ma-
lária; dependem da ação de um mosquito para serem retirados de seu hospedeiro 
e passarem a outro.
No meio ambiente, o agente pode sofrer modificações, de acordo com seu 
ciclo de vida: maturação, multiplicação e desenvolvimento.
A maturação é o amadurecimento para se tornarem infectantes, seja para 
um hospedeiro definitivo,seja para um vetor biológico. A multiplicação, 
em bactérias, ocorre pela formação de colônias.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
56
O desenvolvimento em alguns parasitas deve ter parte de seu ciclo biológico 
passada no ecossistema. Veja no Quadro 3 alguns exemplos de agente e vetor de 
algumas doenças.
Doença Agente Vetor
Doença de Chagas Trypanosoma cruzi Triatomíneos
Febre amarela Flavivírus Culicídeos
Febre maculosa Rickettsia rickettsii Carrapatos
Febre recorrente Borrelia recurrentis Carrapatos
Filaríase Wuchereria bancrofti Culicídeos
Malária Plasmodium Anofelinos
Calazar Leishmania donovani Flebótomos
Peste bubônica Yersinia pestis Pulgas
Quadro 3 - Doenças e seus respectivos agentes e vetores / Fonte: Rouquayrol e Gurgel (2017, p. 202).
57
Vamos, agora, analisar as doenças transmissíveis, as infecções sexualmente trans-
missíveis (IST) clássicas são gonorreia, sífilis, cancro mole, linfogranuloma vené-
reo e dono-vanose. Essa transmissão ocorre de forma imediata (MINISTÉRIO 
DA SAÚDE, 2015), veja no Quadro 4, alguns vírus sexualmente transmissíveis e 
seus agentes patogênicos.
Síndrome 
clínica
Doença
Transmis-
são sexual
Tipo
Bioagente 
patogênico
-
Infecção 
pelo HIV/
AIDS
sim Vírus
Vírus da 
Imunode-
ficiência 
humana
Úlcera
Herpes 
genital
sim Vírus
Herpes vírus 
simplex 
Úlcera Donovanose sim Bactéria
Klebsiella 
granulomatis
Úlcera
Linfogranu-
loma
- Bactéria
Clhamydia 
trachomatis
Corrimento Gonorreia sim Bactéria
Neisseria 
gonorrhoeae
Corrimento
Uretrite 
clamidial
sim Bactéria
Chlamydia 
trachomatis
Corrimento
Tricomonía-
se
sim Protozoário
Trichomonas 
vaginalis
Corrimento
Candidíase 
vaginal
não Fungo
Candida 
albicans
Úlcera Sífilis sim Bactéria
Treponema 
pallidum
Quadro 4 - Doenças e suas síndromes clínicas, transmissão sexual, tipo e bioagente patogênico 
Fonte: adaptado de Rouquayrol e Gurgel (2017).
Agora, querido(a) estudante, vamos conhecer algumas das doenças apresen-
tadas na Tabela 4.
UNIDADE 2
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58
A gonorreia é transmitida por contato sexual, a bactéria (Figura 5) é um diplo-
coco gram-negativo altamente sensível à dessecação. A manifestação da doença 
difere em homens e mulheres, sendo comum em alguns apresentar uretrite com 
disúria. A maioria dos casos são assintomáticos, nestes casos podem ocorrer pru-
rido anal, dor retal com tenesmo e secreção anal purulenta ou até hemorrágica, 
quando há proctite grave. Em pessoas que praticam sexo oral, pode ocorrer fa-
ringite. Nos recém-nascidos, a contaminação no canal do parto pode ocasionar 
a oftalmia neonatorum. O tratamento da doença gonocócica consiste no uso de 
antibióticos. Nos casos de uretrites, quando não há disponibilidade do exame 
bacterioscópico da secreção uretral, deve ser instituída terapia antimicrobiana 
empírica, contemplando os dois agentes mais prevalentes: gonococo e clamídia 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).
Descrição da Imagem: a 
imagem apresenta a ilus-
tração da bactéria da gonor-
reia, representada em ama-
relo, o fundo da imagem é 
em azul marinho. É possível 
observar na imagem que a 
bactéria é um diplococo, ou 
seja, apresenta duas células 
esféricas em sua estrutura 
e diversos filamentos são 
projetados da célula, tam-
bém na coloração amarela e 
são muito finas. Na imagem 
estão sendo apresentadas 
oito bactérias, porém ape-
nas uma está em foco, as 
demais estão fora de foco.
Figura 5 - Bactéria da gonorreia
59
Descrição da Imagem: a imagem apresenta a ilustração da bactéria da sífilis, em vermelho. A bactéria 
apresenta sua estrutura em forma de espiral, o fundo da imagem apresenta a coloração roxa. É possível 
ver uma bactéria inteira e, ao redor dela, partes de outras seis bactérias, também da sífilis.
Figura 6 - Bactéria da sífilis
A Sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST), causada pela bac-
téria Treponema pallidum (Figura 6). Pode ser transmitida por transfusão san-
guínea ou por via transplacentária (da mãe infectada para o feto) ou, mais remo-
tamente, através de contato com fômites contaminados. Pode apresentar lesões 
dermatológicas variadas, denominadas sifílides que, muitas vezes, podem coexis-
tir com lesões primárias. Poderá haver, também, comprometimento ósseo com 
destruição de cartilagens e formação de fístulas. O aborto espontâneo, natimorto 
ou morte perinatal ocorrem em aproximadamente 40% das crianças infectadas 
a partir de mães não tratadas. O tratamento ocorre com antimicrobiano, sendo 
a penicilina benzatina o agente de escolha nas fases iniciais da doença (primá-
ria, secundária e latente sem comprometimento do sistema nervoso central). A 
prevenção deve ser feita permanentemente mediante educação sexual do jovem 
pela família, escola, centros de saúde e meios de comunicação.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
60
Descrição da Imagem: a imagem é a representação do vírus da herpes genital. Temos três representações 
mais ao fundo, sendo no canto inferior direito, no canto inferior esquerdo e no canto superior esquerdo, 
todas desfocadas e duas representações do vírus. A estrutura do vírus apresenta-se colorida, no centro 
da imagem para a esquerda vemos a maior delas com formato de esfera na cor laranja, com proteínas 
em sua superfície que apresentam-se com coloração também alaranjadas. Já a segunda esfera em foco 
para a direita e menor em tamanho, traz a mesma coloração, tendo as proteínas em tom azul claro. O 
fundo da imagem é visto com desfoque visual, com tons entre o azul, verde e preto.
Figura 7 - Vírus do herpes genital
O herpes genital (Figura 7) é muito frequente em indivíduos sexualmente ativos 
na faixa etária de 15 a 29 anos. O principal agente de herpes genital é o Herpesvi-
rus hominis sorotipo 2. O tipo 1 é mais frequentemente associado ao herpes labial 
(extravenéreo). Existem duas formas de herpes genital: a primária e a recorrente. 
O herpes genital primário é uma infecção exógena transmitida por contato sexual 
do parceiro infectado com o sadio. Existe evidência de que a presença de herpes 
genital resulta numa transmissão mais eficaz do HIV-1 e numa maior replicação 
deste último durante um episódio de reativação herpética, o que torna ainda mais 
importante a adoção de medidas preventivas eficazes. São elas: educação sexual 
ampla, uso de preservativos e tratamento com aciclovir, que reduz o período de 
eliminação dos vírus, o tempo de cicatrização e a duração dos sintomas.
As doenças cujos agentes causais são transmitidos por contato imediato ou por 
contato mediato são denominadas doenças contagiosas. Note-se que, em alguns 
dos processos transmissivos que obedecem a esse mecanismo de transmissão di-
reta mediata, o substrato deve oferecer ao agente infeccioso condições biológicas 
61
de sobrevivência no ecótopo por um lapso de tempo restrito. É possível propor 
uma lista de pelo menos três possibilidades gerais de veiculação do bioagente no 
contato mediato:
 ■ Por meio das mãos.
 ■ Por meio de fômites.
 ■ Por secreções oronasais.
Vamos citar como exemplo duas doenças na categoria de transmissão direta 
mediata: o sarampo e a tuberculose pulmonar.
O sarampo ocorre por meio da contaminação do vírus do gênero Morbilli-
virus, eliminado pelas secreções da nasofaringe. A via de inoculação e eliminação 
ocorre pelo trato respiratório superior. Ao penetrar no suscetível, passa a se multi-
plicar, na região da nasofaringe, e em seguida, espalha-se para os tecidos linfáticos 
vizinhos. Após um período de incubação de aproximadamente 10 dias, surge o 
período prodrômico, que se caracteriza clinicamente por mal-estar, febre, coriza, 
conjuntivite e fotofobia. No final do período prodrômico, surge o sinal de Koplik, 
que se caracteriza por pequenos pontos esbranquiçados envoltos por um halo 
avermelhado na região interna da mucosa bucal, no nível dos pré-molares. Entre 
o quarto e o sexto dia de doença surge exantema maculopapular, iniciando-se 
pela face e expandindo-se, posteriormente, por todo o corpo.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
62
Não há tratamento específico para o sarampo. Aprevenção é feita por meio 
de vacina eficiente e inócua, aplicada por via subcutânea, em crianças a partir 
do nono mês de vida. É feito um reforço com tríplice viral (sarampo, rubéola e 
caxumba) aos 15 meses de idade. O sarampo está em fase de erradicação, e para 
isso é necessário que seja feita a notificação imediata de todo caso suspeito, no 
nível hierárquico superior, no prazo máximo de 24 horas, com início simultâneo 
da investigação, inclusive com vacinação na área de residência.
A importância de conscientizar a população, informar e educar são os 
principais pontos para a prevenção. Para fins de Vigilância Epidemiológica, 
caso suspeito consiste em toda ocorrência de febre igual ou maior que 38,5°C, 
apresentando erupção cutânea, associada a um ou mais dos seguintes sintomas: 
tosse, coriza e conjuntivite.
Já a tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, bacilo 
veiculado entre os contatos e transmitido do doente ao sadio por meio de um 
dentre dois possíveis mecanismos:
 ■ Transmissão direta mediata por meio de aerossóis primários, gotícu-
las em suspensão no ar, produzidos no ato de falar, espirrar ou tossir.
 ■ Transmissão indireta através de aerossóis secundários, em suspen-
são no ar, nos quais os microrganismos, contidos no muco de escarro 
e envolvidos pela poeira, poderão rWesistir à dessecação.
 
A dessecação e a ação dos raios ultravioletas produzem uma assepsia específica 
relativa, diminuindo as probabilidades do mecanismo indireto.
Os modos de transmissão e as probabilidades relativas explicam a transmis-
são quase que exclusiva aos contatos diretos de pacientes portadores de escarros 
positivos em contato estreito e duradouro, especialmente intrafamiliar. A pre-
valência da doença está associada a desemprego ou subemprego, baixo grau de 
escolaridade, alimentação deficiente e insuficiente, habitação insalubre e a outros 
fatores relacionados com a pobreza.
A vacina BCG em dose única por via intradérmica, como medida preventiva, 
tem eficácia de cerca de 80% na prevenção da meningite tuberculosa (BARRE-
TO; PEREIRA; FERREIRA, 2006). Está confirmado, também, que o tratamento 
antibiótico e quimioterápico diminui o período de transmissibilidade, reduzindo 
a efetividade do doente como dispersor de bacilo. Entretanto, é de conhecimen-
63
to que a melhor prevenção reside nas 
ações que busquem erradicar a miséria 
e corrigir o desnível econômico a que 
está submetida a classe trabalhadora.
Até agora, vimos doenças de 
transmissão direta. Veremos, a seguir, 
doenças de transmissão indireta.
A cólera é uma doença causada 
pela enterotoxina Vibrio cholerae, en-
fermidade infecciosa aguda. No sécu-
lo XIX, a doença atingiu de maneira 
dramática os moradores da cidade de 
Londres. Data dessa época o tão cita-
do episódio da Broad Street onde, em 
espaço e tempo restritos, sucederam 
centenas de mortes por cólera. Os 
primeiros casos de cólera no Brasil 
ocorreram em 1991, tendo sido no-
tificados os primeiros casos em cida-
des amazônicas fronteiriças ao Peru 
e, daí, na rota dos rios Amazonas, 
Solimões e afluentes, a doença atin-
giu outras áreas da região Norte. Dadas 
as precárias condições de saneamento 
básico aliadas à elevada concentração 
demográfica e à existência de pobreza 
cronificada, era previsível um desfecho 
epidêmico de elevadas proporções.
Os modos mais frequentes de trans-
missão do Vibrio cholerae abrangem, 
entre outros, os seguintes: ingestão de 
água contaminada com fezes de pacien-
tes ou de portadores sãos; ingestão de 
alimentos mal lavados crus ou mal cozi-
dos (leite, legumes, verduras, hortaliças 
diversas, ostras e outros frutos do mar); 
mãos contaminadas no trato com pa-
cientes ou portadores ou no manuseio 
de materiais contaminados.
A cólera é uma doença diarreica 
aguda com curto período de incuba-
ção (poucas horas a 5 dias, no máxi-
mo). São múltiplas as manifestações 
decorrentes da profunda desidratação, 
UNIDADE 2
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64
como os distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos que a caracterizam: sede 
intensa, astenia, perda rápida de peso, de turgescência da pele, prostração, olhos 
encovados perdido e vago, voz sumidiça e câimbras musculares. O pulso é 
débil e rápido, às vezes imperceptível, e a pressão arterial é baixa ou não se 
pode determinar pelos métodos habituais. Há cianose, colapso periférico, 
taquicardia, anúria e coma.
Antibioticoterapia está indicada apenas nos casos graves. Apesar de não haver 
vacinas eficazes contra a cólera, podemos citar algumas medidas de prevenção e 
controle como o saneamento básico: água abundante e de boa qualidade; destino 
adequado dos dejetos; coleta de lixo; aterro e drenagem; notificação de casos 
suspeitos é outra medida fundamental no controle de surtos; lavar as mãos antes 
das refeições e após o trato com pacientes; lavar verduras, legumes e hortaliças; 
ferver o leite e a água (quando não tratados); cozinhar adequadamente os ali-
mentos (peixes, frutos do mar etc.); usar o hipoclorito de sódio na água de beber 
(duas gotas por litro); Desinfecção concorrente de fezes e vômitos (com o uso de 
hipoclorito de sódio a 5% ou hipoclorito de cálcio a 25%).
Outro tipo de transmissão é a chamada de transmissão vertical, que 
ocorre durante o processo de reprodução (esperma ou óvulo), desenvolvi-
mento fetal ou parto.
A sífilis pode ser transmitida da mãe para o concepto, como vimos, em qual-
quer fase da gestação. Entre as manifestações da sífilis congênita recente chamam a 
atenção: baixo peso ao nascer, secreção nasal serossanguinolenta, choro ao manu-
seio, hepatoesplenomegalia icterícia, anemia e lesões cutâneas. Na sífilis congênita 
tardia, podem ser encontrados: fronte olímpica, tíbia de sabre, nariz em cela, dentes 
deformados, mandíbula curta, dificuldade de aprendizado e retardo mental.
O diagnóstico baseia-se nos exames sorológicos. O tratamento do recém-
-nascido é à base de penicilina cristalina. A prevenção baseia-se no tratamento 
da gestante e de seu(s) parceiro(s). Implantada na rotina do pré-natal a solicitação 
de duas sorologias para sífilis durante a gestação: uma no primeiro e outra no 
terceiro trimestre da gravidez ou no momento do parto.
Ao pensarmos na tríade agente-hospedeiro-meio ambiente, comumente usa-
do nas doenças infecciosas, quanto à hipótese unicausal, em que uma causa única 
(microrganismos infeccioso) que leva a um efeito único, torna-se aqui incapaz 
de apreender sua complexa cadeia de causalidade.
65
Levando-se em conta a hipótese multicausal na determinação de saúde e 
doença, temos alguns elementos a serem analisados, como a Biologia humana, o 
ambiente, o estilo de vida e a organização da atenção à saúde. Quanto à Biologia 
humana, podemos incluir o tópico do indivíduo quanto à sua herança genética, 
mecanismos de defesa, susceptibilidade e resistência. O ambiente é composto 
do clima, água, radiações, além de aspectos sociais (renda, escolaridade), entre 
outros. O estilo de vida seriam decisões que o indivíduo toma a respeito de sua 
saúde (hábitos alimentares, prática de exercício físico). A Organização da Aten-
ção à saúde envolve a disponibilidade, a quantidade e a qualidade dos recursos 
destinados aos cuidados à saúde.
Neste sentido, podemos perceber que existem diversos fatores como os de-
terminantes sociais, os fatores de risco que podem, assim, levar às doenças não 
transmissíveis, como exemplo as doenças coronárias, cerebrovasculares, vascu-
lar periférica, renal crônica, a doença pulmonar obstrutiva (DPOC), diabetes e 
câncer, Quadro 5.
DETERMINANTES 
SOCIAIS
FATORES DE RISCO 
 INTERMEDIÁRIOS
DESFECHOS
Fatores não 
modificáveis:
Sexo
Genética
Idade
Fatores de risco 
modificáveis:
 Tabagismo
Alimentação 
inadequada
Álcool
Inatividade física
Hipertensão
Dislipidemia
Sobrepeso
Obesidade
Intolerância à 
glicose
 
Doença 
coronariana
Doença 
cerebrovascular
Doença vascular 
periférica
Doença renal 
crônica
DPOC/Enfisema
Diabetes
Cânceres
Quadro 5 - Relação entredeterminantes sociais, fatores de risco que podem, assim, levar às doenças 
não transmissíveis / Fonte: adaptado de Rouquayrol e Gurgel (2017).
UNIDADE 2
UNIDADE 2
66
Apesar de termos melhorias nos dias atuais quanto ao saneamento básico, temos 
outros fatores para nos preocupar, como obesidade, excesso de peso, tabagismo, 
entre outros, sem que tenham sido superados completamente os fatores de risco 
anteriores. Portanto, a atuação de agentes da saúde e prevenção pode resultar em 
benefícios para reduzir a presença de doenças crônicas.
OLHAR CONCEITUAL
67
Alguns termos utilizados em Epidemiologia nos fornecem informações da distribuição e 
acometimento de pessoas, apresentando a região e grau de distribuição da doença. A en-
demia é um termo em epidemiologia definido como a presença habitual de uma doença 
em determinada região geográfica. A epidemia é definida como a ocorrência em uma co-
munidade ou região de um grupo de doenças de natureza similar, excedendo claramente 
a expectativa normal, derivada de uma fonte comum de propagação. A pandemia refere-
-se a uma epidemia que atravessa fronteiras.
EXPLORANDO IDEIAS
O diagnóstico de uma determinada doença é uma decisão baseada em um con-
junto de informações clínicas obtidas de um dado paciente em uma ou mais 
ocasiões. Essas informações podem referir-se aos dados iniciais, aos resultados 
de exames complementares ou mesmo aos dados de evolução clínica, com ou 
sem tratamento.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
68
Neste sentido, dois aspectos são da maior relevância, em qualquer diagnóstico 
epidemiológico: a abrangência populacional que reflete sobre os dados amostrais 
e necessidade do uso de técnicas de amostragem aleatória, para complementar 
as informações rotineiras; a apropriada seleção de indicadores que bem retratem 
cada situação.
Nosso último tema nessa unidade é sobre riscos. Os riscos a que as pessoas 
estão expostas a determinado fator e surgimento da doença devem ser verificados.
O risco é o grau que está relacionado à probabilidade de um determinado 
evento, que pode variar para cada indivíduo. De forma geral, a probabilidade de 
se tornar doente ou incapacitado varia, tanto pela presença de um fator ou pela 
intensidade com que ocorre ou por sua combinação com outros.
Para que possamos utilizar os resultados epidemiológicos, é ne-
cessário precisão dos diagnósticos feitos em nível individual, de for-
ma que a soma deles leve ao diagnóstico coletivo correto. Des-
ta forma, podemos alcançar uma exata aferição e dados estatísticos 
sobre cada doença, isto se torna de extrema necessidade ao agente de 
saúde e para isso, é necessário:
 ■ o processo de mensuração e de observação da condição, em cada 
pessoa, exemplo a pressão arterial;
 ■ a reunião das observações isoladas, de modo a constituir indicadores 
que informem sobre as características do grupo observado, exemplo, 
a prevalência de 10 casos de hipertensão arterial por 100 adultos e um 
peso corporal médio de 70 kg, com desvio padrão de 7 kg.
Podemos compreender que a mensuração e observação de cada unidade que 
compõe o grupo visam alcançar a padronização adequada ou encontrar novas 
maneiras de detectar os eventos, de modo que as estatísticas resultantes repre-
sentam a realidade com precisão. É necessária a verificação da qualidade das 
informações coletadas, sendo estas colocadas em duas categorias: “validade” e 
“confiabilidade” das informações.
Caro(a) estudante, pudemos compreender que existem diversas doenças que 
podem ser classificadas como transmissíveis e não transmissíveis, algumas fo-
ram erradicadas, graças à imunização em massa, porém percebemos que novas 
doenças podem surgir. A partir deste conhecimento, podemos compreender e 
69
fornecer um diagnóstico 
adequado para, então, to-
marmos as medidas exatas 
para combater as doenças.
Como futuro(a) profis-
sional de saúde, você poderá 
atuar em estados e municí-
pios, a partir da composição 
multiprofissional das equi-
pes que têm saído às ruas 
para assegurar o cumpri-
mento da legislação vigen-
te no que tange às medidas 
restritivas ou ainda sobre a 
segurança relacionada aos 
produtos e serviços oferta-
dos à população. 
Temos a responsabili-
dade por zelar pelo bem-es-
tar das pessoas. Para isso, o 
conhecimento e a dedica-
ção ao trabalho serão ne-
cessários; é muito impor-
tante também a busca por 
aperfeiçoamento dentro da 
área de saúde e conhecer os 
riscos da população em de-
senvolver doenças.
UNIDADE 2
70
1. As doenças são o resultado da interação entre hospedeiro, agente e meio ambiente. 
Dentre estes bioagentes, podemos ter microrganismos como os vírus e bactérias, 
como agentes causadores de doenças. Neste sentido, cite 6 doenças causadas por 
bactérias e 6 doenças causadas por vírus.
Bactérias Vírus
 
 
 
 
 
 
2. Os termos epidemia e endemia são dos mais antigos em medicina. No Corpus 
Hippocraticum, há sete livros com o título de Epidemias e Galeno usou endemia 
com o mesmo significado atual. De acordo com essas informações e o conteúdo 
abordado na unidade, defina endemia, epidemia e pandemia e descreva uma doença 
que foi categorizada para cada uma destas definições.
3. As doenças, do ponto de vista etiológico, pertencem à categoria de doenças infec-
ciosas e não infecciosas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. Neste 
sentido, diferencie o termo infecção de uma doença infecciosa.
3Saúde Pública, 
Vigilância 
Epidemiológica e 
Indicadores de Saúde
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Olá, estudante! Nesta unidade, conheceremos a história que antece-
deu a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). Identificare-
mos os interesses, conflitos e necessidades sociais que deram origem 
ao SUS, assim como seus objetivos e princípios dentro da política pú-
blica, analisando as diretrizes contidas nos pactos intergestores: Pacto 
pela vida, Pacto em defesa do SUS e Pacto de gestão. Os indicadores 
de saúde serão apresentados visando a tomadas de decisões para 
melhorias na qualidade de saúde da população. Ao final da unida-
de, abordaremos o tema da vigilância epidemiológica como forma 
de reduzir o aparecimento de doenças e complicações, de forma a 
prolongar a vida e a qualidade de vida da população.
UNIDADE 3
72
No ano de 2020, o mundo foi atingido por uma pandemia e tivemos nossa rotina 
alterada para evitar aglomerações e, desta forma, diminuir o número de afetados 
pela doença ocasionada pela COVID-19.
Muitas pessoas foram contaminadas pelo vírus causador da COVID-19, al-
guns não resistiram, vindo a falecer. Vimos o colapso enfrentado pelo sistema de 
saúde, a falta de recursos financeiros, falta de leitos hospitalares. Foi muito triste!
Contudo, ao final do mesmo ano, a população começou a receber a va-
cina. Primeiramente, apenas os idosos, depois a população que apresentava 
comorbidades e, posteriormente, a população em geral. Foi um momento de 
grande alívio para todos os brasileiros!
A ciência conseguiu produzir uma vacina para imunizar a população e, as-
sim, salvar vidas. Você, como estudante da área da saúde, sabe a importância da 
imunização em massa. Mas você conhece o Sistema de Saúde do nosso país?
A saúde pública visa abordar diversas ações de caráter sanitário, com ob-
jetivo de prevenir ou combater doenças ou o risco à saúde da população. Na 
saúde pública, temos como aliado o conhecimento, médico ou não, com foco 
na organização dos serviços de saúde e do sistema, além de controlar os fatores, 
controlando a incidência de doenças por meio de vigilância sanitária.
73
Existem diversos desafios da saúde pú-
blica. A saúde pública é uma cons-
trução social e histórica, que depen-
de de valores. Assim, é necessário que 
profissionais de saúde assumam uma 
visão de defesa das pessoas.
As vacinas são a principal forma 
de prevenir doenças infectoconta-
giosas na população. Nenhuma outra 
modalidade, nem mesmo antibióticos, 
teve tanto efeito na redução da morta-
lidade e no crescimento da população 
comoas vacinas, o que demonstra a 
importância desse método de preven-
ção de doenças. A profilaxia contra 
doenças infecciosas é tão importante 
que a implementação de campanhas 
de vacinação foi capaz de eliminar 
uma doença que afligiu a humanida-
de por milênios: a varíola. Além disso, 
praticamente erradicou várias doen-
ças com prevenção vacinal. A cada 
ano, 2,5 milhões de mortes infantis 
são prevenidas por meio da vacinação.
Ao considerarmos um mecanismo 
de imunidade ativa artificial, a vacina 
permite que o organismo seja estimula-
do a produzir anticorpos, não pela infec-
ção natural, que poderia ocasionar sin-
tomas clínicos forte e até a morte, mas de 
forma artificial, através do contato entre 
antígenos dos microrganismos que não 
causam a doença. O planejamento do 
calendário vacinal leva em consideração 
uma série de aspectos epidemiológicos 
das doenças para evitar que o indiví-
duo entre em contato com o patógeno 
antes da vacinação. É por isso que esse 
calendário define diferentes idades para 
a administração de diferentes doenças, e 
deve ser seguido à risca.
As vacinas são especiais em relação 
a outras intervenções de saúde, pois 
ajudam pessoas saudáveis a se mante-
rem saudáveis. Além disso, elas benefi-
ciam não só os indivíduos, mas comu-
nidades e populações de países inteiros, 
além de ter um rápido impacto na po-
pulação e no sistema de saúde de um 
país. Por fim, as vacinas salvam vidas e 
custam muito mais barato do que o tra-
tamento das complicações, internações 
e mortes. Por todos esses motivos, elas 
figuram entre as 10 maiores conquistas 
em saúde pública do século XX.
Após o estabelecimento do Siste-
ma Único de Saúde no país, o cidadão 
passou a ter garantias de direitos. Os 
indicadores de saúde do país, como 
as taxas de mortalidade infantil, por 
exemplo, tiveram uma redução e a im-
plementação de programas como o de 
imunização, o que reorientou o modelo 
de atenção à saúde.
A vigilância em saúde é um traba-
lho do conjunto de ações com objetivo 
específico relacionado com a situação 
de saúde da população a nível regional, 
com o objetivo de controlar causas, ris-
cos e danos ao indivíduo, sendo oriun-
UNICESUMAR
UNIDADE 3
74
dos dos meios de trabalho, atividades 
executadas e relações sociais. Para isso, 
obter dados por meio dos indicadores 
de saúde são essenciais, pois contém 
informações sobre a população, si-
tuação socioeconômica, ambientais, 
abrangendo ainda os serviços de saúde 
de uma população. Assim, é possível 
avaliar as condições de saúde da po-
pulação ao longo do tempo e traçar 
diversos comparativos.
No meio ambiente, podemos ter 
o desenvolvimento de diversos mi-
crorganismos, podendo ou não serem 
nocivos ao homem. Neste sentido, pes-
quise a respeito de outras pandemias 
que atingiram o mundo no passado, 
e quais medidas foram adotadas para 
conter a contaminação da população. 
Após realizar sua pesquisa, anote os 
microrganismos e as respectivas doen-
ças e locais de ocorrência.
Caro(a) estudante, a história da 
humanidade está repleta de momen-
tos de descontrole da disseminação 
de doenças, que levaram morte e 
medo ao dia a dia da população. As 
pessoas convivem com os agentes que 
causam as doenças infecciosas (mi-
crorganismos como vírus, bactérias, 
fungos, parasitas etc.) durante toda a 
vida, por meio do contato com o am-
biente, com os animais, com o lixo ou 
com a água contaminada.
As infecções saem de controle 
quando esses microrganismos, além 
de se hospedarem no corpo humano, 
conseguem se reproduzir facilmen-
te e se transmitir entre as pessoas. 
Assim funciona o vírus do sarampo, 
por exemplo. Ao longo da história, 
atividades como viagens, comércio, 
guerras e invasões contribuíram para 
propagar essas doenças.
Convido você a refletir sobre a re-
lação entre as guerras e o aumento na 
distribuição das doenças em todo o 
mundo. Anote suas reflexões em seu 
Diário de Bordo.
O estudo da História nos ajuda 
a compreender como ocorreu o de-
senvolvimento do sistema de saúde 
no mundo, assim como sua relação 
com conceitos sociais, econômicos e 
políticos. Agora, convido você a com-
preender alguns pontos importantes 
dentro do sistema de saúde brasileiro, 
até chegarmos ao sistema da forma 
que o conhecemos hoje.
Iniciamos por volta do ano de 
1500, o Brasil era colônia de Portu-
gal, a saúde não era uma preocupação 
para a coroa portuguesa, sendo que 
Portugal aplicava com brutalidade o 
seu domínio em território brasileiro. 
Neste período, as doenças eram vistas 
como castigo divino. Os tratamen-
tos eram realizados por feiticeiros, 
75
curandeiros, boticários, padres ou militares. Desta forma, quem não tivesse 
condições de pagar ficava sem assistência. Doenças pestilentas eram tratadas 
por meio do confinamento, com a medicina de exclusão.
A partir do século XIX, temos uma preocupação maior com o país e sua 
estrutura sanitária com a vinda da família Real para o Brasil. A cidade do Rio de 
Janeiro passa a ser o palco desta mudança.
Por volta de 1850, a saúde pública estava limitada às juntas municipais e ao 
controle de navios e à saúde dos portos. 
A partir de 1889, temos a Proclamação da República, o Brasil adota uma organi-
zação capitalista. A Primeira República, iniciada entre 1889 e 1930, teve as primeiras 
indústrias e investimento estrangeiro (BAUER; FREITAS; CORDEIRO, 2021).
Rodrigues Alves governou o Brasil entre 1902 a 1906, na República Velha. 
Neste período, o modelo sanitário era caótico, com diversas doenças graves, den-
tre elas tuberculose, sífilis, varíola, febre amarela, entre outras. Oswaldo Cruz teve 
como responsabilidade erradicar a febre amarela. As condutas adotadas para isso 
foi a implantação da vacinação obrigatória, desinfecção de espaços públicos e 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
76
Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia em preto e branco da Revolta da Vacina em primeiro 
de novembro de mil novecentos e quatro, feita em perspectiva onde, em primeiro plano e ao centro da 
imagem, há um bonde tombado para a direita da imagem, com o número cinquenta e cinco apresentado 
em forma de numeral impresso na sua frente na parte inferior. Para ambos os lados, entre a rua e o in-
terior desta, são vistas dezenas de pessoas circulando aleatoriamente. Para o lado esquerdo da imagem, 
observa-se algumas edificações de dois pavimentos, com arquiteturas variadas sendo portas com vidros 
e madeiras na parte inferior, com meio arco sobreposto, e noutro momento portas de aspectos retangu-
lares no piso superior, sacadas com suas balaústres de formas arredondadas intercaladas lado a lado e 
expostas como guarda corpo. Ainda em ambos os lados da rua, a vegetação arbórea compõe a imagem 
que se finda como se fosse um túnel afunilado.
Figura 1 - Bonde virado/Revolta da vacina - 1 de novembro de 1904 / Fonte: Wikipedia (1904, on-line). 
domiciliares e outras ações de medicalização do espaço urbano que atingiram as 
camadas menos favorecidas da população. Estas estratégias ficaram conhecidas 
como Modelo Campanhista (BAUER; FREITAS; CORDEIRO, 2021).
Você percebeu como a Educação é importante para compreender e evitar a dissemina-
ção de doenças na população? Profissionais da área da saúde têm o papel de esclarecer 
a ação de vacinas, remédios e manter a limpeza do ambiente e do corpo do indivíduo, 
zelando pela saúde.
PENSANDO JUNTOS
Em 1904, a Lei federal 1.261 instituiu a vacinação obrigatória anti-varíola, cul-
minando em conflitos entre a população e as forças do governo (policiais e mi-
litares). Essa manifestação ficou conhecida como Revolta da Vacina (BAUER; 
FREITAS; CORDEIRO, 2021) (Figura 1).
77
Descrição da Imagem: a imagem fotográfica em preto e branco apresenta a enfermaria do Hospital 
Walter Reed do século XX, na cidade de Washington, durante a epidemia da gripe espanhola entre os 
anos de mil novecentos e dezoito a mil novecentos e dezenove. Na imagem, podemos observar diversos 
leitos hospitalares posicionados ao lado direito da imagem, com a cabeceira dascamas encostadas a uma 
parede em madeira de cor escura, um seguido do outro e separados por um lençol branco, presos acima 
e nas laterais por entre as camas fazendo a vez de divisórias. Em primeiro plano, na direita da imagem 
temos uma mulher de frente para a parede, com jaleco de manga longa e até os tornozelos em formato de 
vestido, máscara e touca, tudo branco, em pé ao lado de um leito onde temos um homem deitado tendo 
um lençol branco sobre seu corpo, seu braço direito está cruzado de forma que sua mão está tapando 
parcialmente sua testa e seu rosto, e seu braço esquerdo está sob o lençol. Ele veste uma camisa listrada 
em tons claros. À frente dos leitos vemos o chão amadeirado e claro, com um espaço que serve como 
corredor para movimentação. E à frente deste, à esquerda da imagem temos espaços com aberturas 
por onde entra toda luminosidade e onde vemos uma espécie de tecido, alguns enrolados mais ao alto, 
outros mais abaixo fazendo a função de cortina.
Figura 2 - Enfermaria do Hospital Walter Reed, durante a epidemia de gripe espanhola de 1918-19, em 
Washington, D.C.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
78
Apesar destes problemas, o modelo 
campanhista obteve conquistas no 
controle de epidemias, como a erra-
dicação da febre amarela, no Rio de 
Janeiro. Por meio deste modelo, foi 
possível incorporar o registro demo-
gráfico, permitindo conhecer a po-
pulação e suas necessidades, exames 
laboratoriais para auxiliar no diagnós-
tico das doenças, assim como a fabri-
cação de produtos profiláticos.
Na 1ª Guerra Mundial (1914-
1918), o Brasil sofreu consequências 
na economia, gerando desemprego, 
redução de salários e elevação do cus-
to de vida. Atrelado a isso, as péssimas 
condições de trabalho e a falta de di-
reitos trabalhistas deram origem às 
greves gerais. Na Figura 2, podemos 
observar a enfermaria de um hospital, 
durante a epidemia de gripe espanho-
la, em Washington DC.
Com a criação da Lei Eloy Cha-
ves (1923), o Sistema Único de Saúde 
(SUS), principal política pública de 
saúde do Brasil, estabelece as Caixas 
de Aposentadoria e Pensões (CAPs). 
Por meio deste novo sistema, temos o 
marco inicial da Previdência Social no 
Brasil. Este avanço dá início a discus-
sões sobre a importância de atender às 
necessidades dos trabalhadores.
Entre os anos de 1930 e 1945, Era 
Vargas, houve a criação dos Ministé-
rios da Educação e da Saúde Públi-
ca e o Ministério do Trabalho. Em 
1932, foram criados os Institutos de 
Aposentadoria e Pensões (IAPs), bus-
cando ampliar o papel das CAPs, os 
quais eram organizados por categoria 
profissional. Assim, foram criados o 
Instituto de Aposentadoria e Pen-
sões dos Marítimos (IAPM), dos 
Bancários (IAPB), dos Comerciários 
(IAPC), dentre outros; e o Estado 
passou a participar da sua adminis-
tração, controle e financiamento.
No ano de 1966, foi criado o Ins-
tituto Nacional de Previdência Social 
(INPS), que permitia que todo traba-
lhador urbano com carteira assinada 
se tornasse, automaticamente, contri-
buinte e beneficiário do sistema. Tal 
órgão gerou uma certa insatisfação 
nos contribuintes dos institutos com 
mais benefícios, pois, com a unifi-
cação, os mais pobres iriam receber 
mais benefícios.
Em 1977, criou-se o Institu-
to Nacional de Assistência Médica 
e Previdência Social (INAMPS), 
grande órgão governamental que 
prestava assistência médica apenas 
aos trabalhadores da economia for-
mal, com carteira assinada, e seus 
dependentes. Tal assistência à saúde 
estava atrelada basicamente à custa 
de compra de serviços médico hos-
pitalares e especializados do setor 
privado (BAPTISTA, 2003).
79
Na década de 80, temos movimentos de contestação ao sistema de saúde, evento 
que marcou a história da VIII Conferência de Saúde, que aconteceu em março de 
1986, presidida pelo médico Sérgio Arouca e que, pela primeira vez, contou com a 
participação da comunidade.
Do convênio entre o INAMPS e os governos estaduais, ocorreu a implantação 
do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), em 1987, avançando 
na política de descentralização da saúde, bem como na descentralização orça-
mentária, de forma que todo o poder conferido ao INAMPS era repassado às 
secretarias estaduais de saúde. O SUDS tinha como principal diretriz a universali-
zação e equidade no acesso aos serviços de saúde; a descentralização das ações de 
saúde, como citado anteriormente; a integralidade do cuidado; e a implementação 
de distritos sanitários.
A Constituição da República de 1988, denominada Constituição Cidadã, foi 
fundamental na definição de ações prioritárias na área da saúde pública (BRASIL, 
1990a). Vale relembrar que foi nessa Constituição que se estabeleceu que “a saúde 
é direito de todos e dever do Estado”.
O Sistema Único de Saúde (SUS) dá-se em setembro de 1990, com a lei 8.080, 
que “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saú-
de, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes” (BRASIL, 
1990a). Ainda nesse ano, foi criada a lei 8.142, que “dispõe sobre a participação 
da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transfe-
rências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras 
providências” (BRASIL, 1990b).
Essas duas leis (8.080 e 8.142), denominadas “Leis Orgânicas de Saúde”, foram 
objeto de muita disputa política.
NOVAS DESCOBERTAS
Caro(a) aluno(a), convido você agora a conhecer um pouco mais sobre 
um dos principais teóricos e líderes do movimento da reforma sanitária, 
Sérgio Arouca, reconhecido por sua importante participação na constru-
ção do Sistema Único de Saúde (SUS). Internacionalmente, foi consultor 
da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), atuando em vários paí-
ses da América Latina. Faleceu em agosto de 2003, aos 61 anos, devido a 
um câncer no intestino. Entre no QR Code para acessar o site.
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13504
UNIDADE 3
80
Os objetivos e princípios do SUS foram definidos pela Lei 8.080, dentre eles pode-
mos citar: a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes 
da saúde; a formulação de políticas de saúde; a assistência às pessoas por intermédio 
de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com realização integrada 
das ações assistenciais e das atividades preventivas (BRASIL, 1990a).
Por se tratar de um serviço gratuito, e como forma de organizar e viabilizar 
o serviço, o Brasil criou um cartão (Figura 3) com um número que contém in-
formações sobre o estado de saúde do indivíduo, sendo impresso pela Unidade 
Básica de Saúde (UBS). Em 2015, o governo lançou um aplicativo com o número 
de identificação chamado cartão SUS digital.
Descrição da Imagem: a imagem fo-
tográfica mostra o Cartão Nacional de 
Saúde sendo segurado pela mão de 
uma pessoa, que não aparece na foto. 
O cartão apresenta a bandeira do Bra-
sil pela metade, ao lado esquerdo está 
escrito “Cartão Nacional de Saúde”, 
o globo central em azul com a faixa 
branca ao meio, com três estrelas na 
parte inferior da faixa; a parte triangu-
lar em amarelo; ao centro em branco 
com fundo verde, logo acima temos a 
sigla SUS, ao lado o símbolo do SUS, ao 
lado da sigla está escrito Sistema Único 
de Saúde. Uma faixa em amarelo é vis-
ta verticalmente no lado esquerdo do 
cartão, onde também lemos na forma 
horizontal e escrito em verde os dizeres 
“Cartão do Usuário”, projetado próximo 
ao canto superior.
Figura 3 - Cartão nacional de Saúde
NOVAS DESCOBERTAS
Convido você, caro(a) estudante, a conferir a cronologia da história da 
saúde pública no nosso país, tema muito importante. Neste QR Code, 
você encontrará registros desde 1521 até o ano de 2011. Marcos im-
portantes são apresentados em tópicos para entendermos a evolução 
do processo de saúde pública no país.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13507
81
Descrição da Imagem: a imagem ilustrada mostra, do lado esquerdo, três pessoas de tamanhos diferen-
tes, viradas de costas para o observador, e com os braçoslevantados acima das cabeças, embaixo de um 
galho com folhas e frutas. Eles estão sobre dois caixotes cada um de cor azul escuro, sendo do mesmo 
tamanho, mas não alcançam as frutas da mesma forma. Este quadro mostra o princípio de igualdade. 
Já do lado direito da ilustração, temos essas mesmas pessoas, também viradas de costas e com os bra-
ços levantados, porém, da direita para o centro da imagem temos a pessoa de menor estatura que usa 
macacão de calça e de mangas longas de cor azul claro e cabelo chanel, estando sobre quatro caixotes, 
a pessoa de estatura média, sendo a do meio usa vestido trapézio de cor azul escuro e cabelo preso em 
coque, estando sobre três caixotes e, por fim, a pessoa de maior estatura, usa camiseta azul clara e calça 
azul escuro e cabelos curtos, estando sobre dois caixotes, todas agora estando alinhadas em altura para 
alcançar os galhos com as folhas e frutas que está acima de suas mãos, de acordo com a descrição do 
lado esquerdo. Esta segunda imagem é um exemplo do princípio de equidade. Toda imagem é a mesma, 
mudando somente a quantidade de caixotes do primeiro para o segundo momento para cada pessoa.
Figura 4 - Igualdade e Equidade 
É muito interessante vermos essas facilitações na área da saúde, pois como 
presente na Constituição, é direito do cidadão. Neste sentido, é necessário 
melhorias dentro do sistema e transparência com recursos financeiros. Afinal, a 
vida das pessoas é seu bem mais precioso.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
82
Quanto aos objetivos finalísticos do sistema de saúde são denominados doutrinários 
(ou éticos), sendo: universalidade, equidade e integralidade (PAIM; SILVA, 2010).
A universalidade refere-se ao previsto na Constituição de 1988, de que a 
saúde é um direito de todos e dever do Poder Público. Garantia de saúde de todos 
os cidadãos. “No SUS, a universalidade supõe que todos os brasileiros tenham 
acesso igualitário aos serviços de saúde e respectivas ações, sem qualquer barreira 
de natureza legal, econômica, física ou cultural” (BRASIL, 2020).
Já a integralidade fornece a garantia e promoção de ações de prevenção, pro-
moção, assistência e reabilitação. É compreender o homem como um ser integral, 
biopsicossocial, o que irá proporcionar um atendimento holístico (MACHADO 
et al., 2007). Visa à busca por uma assistência ampliada, transformadora, centrada 
no indivíduo e não aceita a redução dele nem à doença nem ao aspecto biológico. 
Envolve a valorização do cuidado e o acolhimento.
A equidade (Figura 4) é um princípio que visa diminuir as desigualdades, 
sociais ou econômicas.
Como podemos observar, os objetivos do SUS são dotados de valores e 
princípios éticos, tendo o objetivo na promoção do atendimento, sem distin-
ção social ou econômica. 
Equidade é diferente de igualdade. Por serem diferentes, as pessoas possuem necessida-
des diferentes. Desta forma, esse princípio busca a necessidade de assistência de saúde, 
de acordo com a igualdade de condições.
(Jairnilson Silva Paim e Lígia Maria Vieira da Silva)
PENSANDO JUNTOS
Os princípios que regem o SUS são chamados de Organizacionais ou Operati-
vos, são eles: Regionalização, Hierarquização, Resolubilidade, Descentralização 
e Participação Comunitária (BRASIL, 2001a).
A regionalização e hierarquização são as formas de organização dos serviços entre 
si e com a população. A Regionalização leva em conta a divisão político-administra-
tiva do país, já a hierarquização mostra que a organização de saúde deve acontecer 
em níveis crescentes de complexidade, considerando as características específicas de 
cada área geográfica (OLIVEIRA; GRABOIS; MENDES JÚNIOR, 2009).
A resolubilidade diz respeito à necessidade do serviço de saúde apresentar-se 
resolutivo até o nível de sua competência para aquilo que é proposto (BRASIL, 1990c).
83
A descentralização trata-se de 
uma forma de redistribuição das res-
ponsabilidades sobre a saúde da popu-
lação entre as três esferas do governo, 
acreditando que quanto mais perto a 
solução estiver do problema, maiores 
serão as chances de acerto.
Estes têm sido o eixo norteador 
para a operacionalização dos princí-
pios organizativos e diretivos do SUS. 
Nesse sentido, têm ênfase na munici-
palização, ou seja, os municípios as-
sumindo um papel cada vez mais im-
portante na prestação e gerenciamento 
dos serviços de saúde (BARATA; TA-
NAKA; MENDES, 2004).
Existe a participação comu-
nitária, de forma que a decisão da 
população seja valorizada nos pro-
cessos decisórios do país; teve reflexo 
no chamado “movimento sanitário”, 
o qual contou com a participação de 
intelectuais, usuários e trabalhadores 
de saúde na luta pela reforma do sis-
tema de saúde.
Os conselhos de saúde são colo-
cados em prática com a lei 8.142 (Lei 
Complementar da Saúde), os quais 
devem acontecer nas três esferas do 
governo e contar com a presença de 
representantes do governo, prestado-
res de serviços, profissionais de saúde 
e usuários (BRASIL, 1990b).
A organização operacional do 
SUS se deu pela criação das Normas 
Operacionais Básicas (NOB), as 
quais possuem três edições (1991, 
1993 e 1996), devido à necessidade 
de aperfeiçoamento ao longo dos 
anos (BRASIL, 1990b).
As negociações e pactuações acer-
ca da saúde ocorrem em três níveis de 
governo (nacional, estadual e muni-
cipal). Nesse sentido, em 1991, foram 
criadas a Comissão de Intergestores 
Tripartite (CIT), com representação 
do Ministério da Saúde (MS), do 
Conselho Nacional de Secretários 
Estaduais de Saúde (CONASS) e do 
Conselho Nacional de Secretários 
Municipais de Saúde (CONASEMS); 
e a Comissão Intergestores Bipartite 
(CIB), representada por integrantes 
da Secretaria Estadual de Saúde (SES) 
e do Conselho Estadual de Secretários 
Municipais de Saúde (COSEMS) ou 
órgão equivalente (BRASIL, 2000).
Para colocar em prática os prin-
cípios do SUS, as estratégias foram a 
criação dos distritos sanitários, dos 
sistemas locais de saúde e do Progra-
ma de Agentes Comunitários de Saú-
de (PACS). Estes agentes permitem 
que as ações sejam realizadas de acor-
do com cada realidade local. O agente 
comunitário é aquele profissional que 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
84
faz o acompanhamento das famílias que vivem no seu território de abrangência; 
ele faz uma ponte entre o serviço de saúde e a população, auxiliando nas ações 
de prevenção e promoção da saúde.
Não é fácil operacionalizar o sistema de saúde ao longo da história. Dentre as 
dificuldades enfrentadas dentro dos objetivos propostos pelo SUS, podemos citar 
a dificuldade de financiamento, a burocracia no gerenciamento público, o perfil 
do profissional incompatível com o proposto pelo sistema, assim como outros.
Apesar de inúmeras dificuldades, caro(a) estudante, o SUS também deve ser 
visto como motivo de conquistas que permitiram que os brasileiros tivessem 
melhores condições de vida. O SUS ainda está em processo de construção, 
constrói-se diariamente, e o conhecimento é uma boa forma de fortalecer a 
luta pela sua construção.
Como forma de consolidar o SUS, temos o Pacto pela Saúde. Os seus gestores 
assumem o compromisso em três dimensões: Pacto pela Vida; em Defesa do SUS; 
e de Gestão (FADEL et al., 2009).
O Pacto pela Vida tem sua relação com as necessidades prioritárias que possam 
gerar impacto na saúde da população brasileira. Suas prioridades são a saúde do 
idoso, o Controle do câncer do colo do útero e da mama; Redução da mortalidade 
Aprovada em 2006, a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) é uma estratégia 
que visa a organização da gestão e das práticas de saúde. Em 2015, a PNPS foi revisada, 
pretendendo destacar a necessidade de articulação com outras políticas públicas, incluin-
do a participação social e movimentos populares, no sentido de se fortalecer para o en-
frentamento dos determinantes sociais de saúde.
Foram elencadas, dentro da PNPS, temas transversais, os quais auxiliam na formação 
de agendas de promoção da saúde e adoção de estratégias, determinantes Sociais da 
Saúde (DSS), equidadee respeito à diversidade, desenvolvimento sustentável, produção 
de saúde e cuidado, ambientes e territórios saudáveis, vida no trabalho, cultura da paz e 
direitos humanos.
Com o intuito de promover a saúde, foram estabelecidos eixos operacionais, os quais são 
citados para melhor gestão do sistema: Territorialização; Articulação e cooperação intras-
setorial e intersetorial; Rede de Atenção à Saúde; Participação e controle social; Gestão; 
Educação e formação; Vigilância, monitoramento e avaliação; Produção e disseminação 
de conhecimentos e saberes; e Comunicação social e mídia. 
Fonte: adaptado de Brasil (2017).
EXPLORANDO IDEIAS
85
infantil e materna; Fortalecimento da capacidade de resposta às doenças 
emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, ma-
lária e influenza; Promoção da Saúde; e Fortalecimento da Atenção Básica 
(BRASIL, 2006).
O Pacto em Defesa do SUS busca discutir o sistema a partir dos seus 
princípios fundamentais, além de ampliar o diálogo com a sociedade, fa-
zendo com que a população se aproxime mais do SUS. As diretrizes desse 
Pacto, segundo o Ministério da Saúde, foram: Repolitização da saúde, como 
um movimento que retoma a Reforma Sanitária Brasileira aproximando-a 
dos desafios atuais do SUS; Promoção da Cidadania como estratégia de 
mobilização social tendo a questão da saúde como um direito; Garantia de 
financiamento de acordo com as necessidades do Sistema (BRASIL, 2006).
Na dimensão do Pacto de Gestão, são abordadas as seguintes diretrizes: 
Descentralização; Regionalização; Financiamento; Planejamento; 
Programação Pactuada e Integrada – PPI; Regulação; Participação e 
Controle Social; Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (BRASIL, 2006).
O Pacto de Gestão do SUS reafirma a importância da participação da 
comunidade na maneira de gerir o sistema. Para garantir que a participa-
ção da comunidade tenha melhores condições de atuação, é proposto um 
conjunto de ações e reconhece o dever dos gestores de destinar orçamento, 
cooperando técnica e financeiramente para sua qualificação.
Pudemos perceber que o Pacto pela Saúde representa mais uma luta no 
sentido de reafirmar a saúde como um direito de todos e dever do Estado, 
buscando garantir as conquistas do SUS até o momento.
No Brasil, por meio da Lei 6.259/75 e Decreto 78.231/76, torna-se 
obrigatória a notificação de doenças transmissíveis selecionadas, agravos 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
86
inusitados à saúde e situações de calamidade pública, instituindo-se o Sistema 
Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) (BRASIL, 1976). 
A estruturação dos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento do SNVE em 
todos os estados da Federação notifica e desencadeia ações para controle de pro-
blemas de saúde sob sua responsabilidade. Por meio destes dados, foi possível 
coletar, processar, analisar e interpretar os dados e executar medidas de controle.
No ano de 1991, foi criado o Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), 
em que foi impulsionado o alargamento do escopo de atuação da Vigilância Epi-
demiológica para além das doenças transmissíveis, na medida em que passou a 
incorporar nas suas práticas avanços científico-tecnológicos, que também es-
timulou Estados e municípios a trabalharem nesta mesma direção. Assim, foi 
possível estabelecer o desenvolvimento da Vigilância Epidemiológica, indicando 
a necessidade de atuação sobre determinantes e condicionantes.
Percurso político e organizacional do sistema de 
vigilância em saúde
Olá, aluno(a)! Acesse o QR Code para ouvir o podcast da 
disciplina. Nessa unidade, faremos uma reflexão sobre o 
percurso político e organizacional do sistema de vigilância 
em saúde. Aperte o play!”
NOVAS DESCOBERTAS
Livro: Caminhos da saúde pública no Brasil
Organizador: Jacobo Finkelman
Editora: Fiocruz
Sinopse: o livro traz a evolução do sistema público de saúde no Brasil, destacando 
os principais acontecimentos históricos que contribuíram para o desenvolvimento 
de ações e programas voltados para a melhoria da saúde do povo brasileiro.
De forma geral, o modelo de atuação da Vigilância Epidemiológica vem sendo mo-
dificado para atender às necessidades dos sistemas locais de saúde e buscar articula-
ção entre ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação nas dimensões 
individual e coletiva com vistas à prestação de atenção integral à saúde da população.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11060
87
Por meio de orientações técnicas 
aos profissionais de saúde que vi-
sam decidir sobre a execução de 
ações de prevenção e controle de 
doenças e agravos, podemos definir 
a Vigilância Epidemiológica como 
atividade de informação-decisão-a-
ção. O serviço de vigilância é um 
órgão das Secretarias de Saúde 
que monitora o comportamento 
das doenças e agravos importan-
tes para a Saúde Pública, bem 
como dos fatores que as condi-
cionam, em uma área geográfica 
ou população definida.
Desta forma, as informações e 
dados obtidos pelo Sistema de Vi-
gilância Epidemiológica podem ser 
usados como instrumento de plane-
jamento, organização e operaciona-
lização dos serviços de saúde, per-
mitindo, também, a normatização 
de atividades técnicas correlatas. 
Quanto a estes parâmetros, podem 
ser nacionais e internacionais. As-
sim, é possível analisar o passado 
e o futuro, assim como entre uma 
região e outra. É necessário que este 
parâmetro seja de alta confiabili-
dade e, ao ser repetido, forneça as 
mesmas condições e resultados, não 
havendo alterações, portanto, deve 
respaldar princípios éticos, meto-
dológicos e operacionais.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
88
Para se realizar estes estudos, é ne-
cessário coletar dados presentes nas 
amostras. Por meio de uma técnica de 
amostragem, obtém-se um processo 
adequado de seleção de unidades. Sua 
organização deve seguir aspectos éticos, 
mantendo sigilo, sem causar prejuízos às 
pessoas investigadas. Após esta seleção, 
é realizada a investigação e os cálculos, 
interpretação e obtenção de baixo cus-
to operacional. Para o armazenamento, 
organização e compilação destes dados, 
são utilizados computadores (GORDIS, 
2009; FRANCO; PASSOS, 2011, ME-
DRONHO et al., 2009).
A morbidade é um dos indicadores 
de saúde que permite inferir os riscos 
de o indivíduo adoecer, indicando os 
determinantes das doenças e a escolha 
das ações saneadoras adequadas. Os 
registros de doença ou outros agravos 
são coletados rotineiramente pelos 
serviços de saúde e, devido à sua faci-
lidade operacional de registro, este é o 
caminho mais simples para se verificar 
o estado de saúde das populações.
Dados podem ser obtidos dentro 
dos hospitais, por meio de arquivos, 
prontuários e laudos laboratoriais, 
atestados e notificação compulsó-
ria. Estes ainda podem ser registra-
dos em inquéritos epidemiológicos, 
uma vez que não existe um sistema 
rotineiro adequado para registro, ou 
usualmente isto não é requerido.
Para se calcular a taxa de morbi-
dade, utilizamos o número de indi-
víduos acometidos pela doença em 
dado período, multiplicado por 1000 
e dividimos o número de pessoas na 
população. Existe uma limitação para 
este cálculo que mostra que as pessoas 
muitas vezes não procuram os siste-
mas de saúde assim que apresentam 
os sintomas ou mesmo não percebem 
as anormalidades, isto altera as estatís-
ticas e a variabilidade dos registros de 
morbidade (PEREIRA, 2002).
Para medir a mortalidade, outro 
indicador de saúde, é de fácil cálcu-
lo. Sua quantificação é objetiva, sen-
do obrigatório a notificação do óbito 
e de sua causa. O registro ocorre de 
forma compulsória, a base de dados é 
mantida e atualizada constantemente 
(PEREIRA, 2002; FRANCO; PASSOS, 
2011; MEDRONHO et al., 2009). 
É necessário o número de óbitos na 
população em determinado período 
e área considerada multiplicado por 
1000 e dividindo-se pela população 
residente na área no mesmo período. 
Este indicador tem algumas variáveis, 
como o coeficiente de mortalidade 
por causas específicas, mortalidade 
materna, mortalidade infantil,morta-
lidade neonatal infantil, mortalidade 
neonatal infantil precoce, mortalida-
de neonatal infantil tardia, mortalida-
de neonatal infantil pós-neonatal.
89
Um dos maiores desafios da mortalidade é a alta taxa de óbitos por causas evi-
táveis, ou seja, óbitos que poderiam ser evitados quando tomada alguma medida 
preventiva. Essas mortes evitáveis geralmente estão relacionadas com os baixos 
níveis sanitários e sociais da população. Por exemplo, a taxa de óbitos materna 
é quase cinco vezes maior em países do Terceiro Mundo, e é considerada como 
morte evitável. Os óbitos por acidente de trânsito e outros também são conside-
rados evitáveis (PEREIRA, 2002).
Neste cálculo, a limitação acontece quando há subcontagens como mortes 
não informadas, registros de óbito inexistentes, cemitérios clandestinos e outras 
causas. Também sobre contagem do numerador por certidões duplicadas, por 
exemplo. O denominador exige uma estimativa correta da população. Ainda se 
perde qualidade quando o número de médicos é baixo para cada mil habitan-
tes, e quando se tem causas de óbito mal definidas (PEREIRA, 2002; FRANCO; 
PASSOS, 2011; MEDRONHO et al., 2009).
Existem outros indicadores que podem também ser utilizados para avaliação 
da situação de saúde e diagnóstico e prognóstico de populações. Dentre estas ta-
xas, podemos citar a taxa de letalidade, sobrevivência em cinco anos, sobrevivên-
cia observada, mediana do tempo de sobrevivência, taxa relativa de sobrevivência 
e índice de morbimortalidade. 
 ■ A taxa de letalidade envolve o número de pessoas que morrem por uma 
doença com relação ao número de pessoas com a doença no ano. 
 ■ A taxa de sobrevivência em cinco anos nos apresenta a relação entre o 
percentual de pessoas vivas em cinco anos após o início do tratamento ou 
cinco anos após o diagnóstico da doença. Esse coeficiente é muito utilizado 
para avaliação de tratamento para câncer.
 ■ A sobrevivência observada ao longo do tempo, relação entre o número 
de indivíduos vivos a cada ano após o início do tratamento ou da doença.
 ■ A mediana do tempo de sobrevivência é o cálculo de extensão do tempo 
em que a metade da população estudada sobrevive.
 ■ Já a taxa relativa de sobrevivência é a sobrevivência esperada em pes-
soas com a doença, dividido pela sobrevivência esperada em pessoas sem 
a doença.
 ■ O índice de morbimortalidade é chamado de multidimensional e incor-
pora tanto o impacto das doenças quanto o dos óbitos que incidem em 
uma população.
UNICESUMAR
UNIDADE 3
90
Você conhece os indicadores de saúde do seu município e como eles têm sido aplicados 
para a tomada de decisões?
PENSANDO JUNTOS
Como vimos nesta unidade, caro(a) estudante, muitos cálculos podem ser 
usados de acordo com as informações que você necessita. Além destes apre-
sentados, ainda podemos ter a taxa (%) de cobertura populacional, taxa de 
imunização em menores de um ano, o acesso à água potável, ao esgoto, serviços 
de saúde, entre outros (PEREIRA, 2002).
Desse modo, são funções da vigilância epidemiológica: a coleta de dados e informa-
ções, o processamento, análise e interpretação dos dados coletados, a tomada de de-
cisão, a ação, a avaliação, a divulgação de informações pertinentes e a normatização.
Quanto mais eficiente e capacitada, melhor serão executadas as medidas de 
controle. Para torná-los utilizáveis, é necessário que haja precisão com que o dado 
é gerado, da sua clareza, qualidade e fidedignidade, bem como de sua disponi-
bilidade em tempo hábil. Portanto, os responsáveis por esta atividade devem ser 
preparados para aferir a qualidade do dado obtido. Tratando-se, por exemplo, da 
notificação de doenças transmissíveis, é fundamental a capacitação para o diag-
nóstico de casos e a realização de investigações epidemiológicas correspondentes.
A Vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis tem como intuito 
controlar as doenças transmissíveis, estabelecendo medidas e práticas, levando-se 
em conta as doenças específicas para cada país. 
A coleta de dados é realizada por notificação compulsória, a partir da qual 
teremos o processo de informação-decisão-ação ocorrendo nos próprios serviços 
de vigilância. Entretanto, devemos destacar que diversas outras fontes de dados 
devem ser utilizadas, já que alguns dados são imprescindíveis, tanto no setor saú-
de (nascimentos, morbidade, infestação de vetores) como os produzidos em ins-
tituições extras setoriais como ambiental, socioeconômico e registro de acidentes.
É dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local a 
ocorrência de fato comprovado ou presumível de casos de doença trans-
missível, sendo obrigatório a médicos e outros profissionais de saúde, no 
exercício de sua profissão, bem como aos responsáveis por organizações 
e estabelecimentos públicos.
91
NOVAS DESCOBERTAS
Acesse o arquivo do Guia de Vigilância Epidemiológica, pelo QR Code, 
para conhecer a relação das doenças de notificação obrigatória e 
doenças e agravos selecionados para os quais são exigidos resultados 
de exames laboratoriais confirmatórios.
Os critérios a serem selecionados para avaliar as doenças de notificação compul-
sória envolvem: as Normas do Regulamento Sanitário Internacional vigente, as 
doenças de elevada incidência (Magnitude), o Poder de transmissão do agente 
etiológico (Potencial de Disseminação), as Doenças de elevada taxa de letalidade, 
hospitalizações e sequelas (Gravidade), as Doenças de relevância social e econô-
mica (Transcendência), as Doenças para as quais existem meios de prevenção 
e controle (Vulnerabilidade), as Doenças objeto de acordos internacionais que 
visam esforços conjuntos para alcance de metas continentais ou mundiais de 
controle, eliminação ou erradicação (Compromissos Internacionais).
A Vigilância Epidemiológica de Doenças não transmissíveis tem como obje-
tivo reduzir o aparecimento de complicações e incapacidades e prolongar a vida 
com qualidade. Isso só é possível por meio da conscientização da população uti-
lizando-se de técnicas pedagógicas de educação em saúde capazes de persuadir a 
população sobre o fato de que o perfil epidemiológico dessas enfermidades pode 
ser modificado por intervenções de promoção da saúde, de caráter multissetorial. 
Além disso, há necessidade de intervenções regulatórias e de políticas públi-
cas, além daquelas relativas à educação e mobilização comunitária para a adoção 
de hábitos saudáveis, tais como promulgação de leis restritivas ao consumo de 
álcool e tabaco e ações que promovam a prática de exercícios físicos.
Reduzindo-se os fatores de risco, associados com a incidência e prevalência, 
reduziremos os níveis desses indicadores.
UNICESUMAR
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0204_17_02_2016.html
UNIDADE 3
92
OLHAR CONCEITUAL
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Para que haja uma ação adequada de monitoramento de doenças e agravos não 
transmissíveis (DANT), é necessário o acompanhamento da evolução das curvas 
de tendência da morbidade e mortalidade, assim como da prevalência da exposi-
ção da população aos seus principais fatores de risco. Para isso, é imprescindível 
que se disponha de dados confiáveis e acessíveis, além de capacidade para se 
proceder às análises epidemiológicas de forma sistemática. 
Na medida em que não é necessário o conhecimento de todos os casos para o 
planejamento e a execução de intervenções coletivas ou individuais voltadas para 
a prevenção das DANT, seu monitoramento não está condicionado a sistemas 
de notificação compulsória, sendo os dados necessários para a construção dos 
indicadores obtidos em alguns dos sistemas nacionais de informações em saúde.
 O Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA-SUS) e o Sistema de 
Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS), mesmo não sendo universais, 
visto não registrarem os atendimentos da rede privada não conveniada ao SUS, 
têm cobertura abrangente. Ademais, informa sobre vários tipos de procedimen-
tos que, praticamente, só são realizados no SUS, como transplantes de órgãose 
terapias renais substitutivas.
NOVAS DESCOBERTAS
A vigilância está relacionada às práticas de atenção e promoção 
da saúde dos cidadãos e aos mecanismos adotados para preven-
ção de doenças. Conheça as áreas de abrangência em vigilância em 
saúde pelo QR Code.
Em 2005, foi aprovado o novo Regulamento Sanitário Internacional RSI, modifi-
cando a estratégia que, no momento anterior, baseava-se apenas em três doenças 
específicas: febre amarela, peste e cólera. Com o intuito de reduzir os casos de 
doenças, foi proposta uma notificação mais precoce de diversas entidades clínicas 
suspeitas (ALMEIDA FILHO, 2011). Desta forma, seguem as “Emergências de 
Saúde Pública de Importância Internacional”, determinadas por constituir risco 
de saúde pública para outro país por meio da propagação internacional de doen-
ças e requerer, potencialmente, resposta internacional coordenada.
No arquivo Do Regulamento Sanitário Internacional, apresenta-se o algorit-
mo de decisão, o qual considerava o evento como sendo “a manifestação de uma 
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/13514
UNIDADE 3
94
doença ou uma ocorrência que cria um potencial para uma doença”, o significado 
é amplo e incorpora, além de doenças manifestas, os fatores de risco.
NOVAS DESCOBERTAS
Convido você agora a realizar a leitura do Regulamento Sanitário In-
ternacional (RSI). Este arquivo foi aprovado pela quinquagésima oi-
tava Assembléia da Organização Mundial de Saúde, em 2005, para 
vigorar a partir de junho de 2007, e representou um marco para a 
Saúde Pública Internacional. Estruturado de forma a focar em apenas 
alguns agravos como motivos para alerta e mais adequado às realida-
des da comunidade sanitária internacional, ele traz inovações quanto 
às responsabilidades das autoridades nacionais frente a algum even-
to inusitado de saúde pública que possa representar ameaça para a 
população em qualquer parte do mundo. Acesse o QR Code e confira 
o arquivo.
Para a análise dos dados, é necessária a descrição e comparação. A relação entre 
tempo, lugar e pessoa tem o propósito de estabelecer as tendências da doença, 
com o intuito de detectar e antecipar a ocorrência de alterações em seu compor-
tamento. Desta forma, pode sugerir fatores associados com o possível aumento 
ou redução de casos e/ou óbitos e identificar os grupos sujeitos a maior risco e 
as áreas geográficas que requerem medidas de controle.
O parâmetro tempo pode ter a ocorrência de forma sazonal, com padrão 
regular de variação entre estações do ano, de forma secular em que o padrão de 
variação (regular ou não) ou comportamento geral ao longo do tempo, ou ainda 
de forma cíclica, padrão regular de variação em períodos maiores que um ano.
Quanto ao lugar, devemos levar em conta os sistemas de informação geo-
gráfica, que podem melhorar a descrição gráfica dos eventos sob vigilância com 
relação à variável lugar, como também a análise geoespacial desses eventos e a 
identificação de conglomerados e surtos. Assim, podemos estabelecer a localiza-
ção inicial da doença e do paciente.
Com relação à pessoa, é um importante dado, pois podemos identificar os grupos de 
risco, sendo muito comum utilizar informações por idade e sexo. Ainda assim, pode-se 
utilizar variáveis como: nacionalidade, nível de imunidade, nutrição, estilos de vida, 
escolaridade, área de trabalho, hospitalização, fatores de risco e nível socioeconômico.
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/regulamento-sanitario-internacional/arquivos/7181json-file-1
95
Os fatores ou características que podem ser usados para fazer a distinção 
entre as pessoas doentes ou não são de três tipos: 
1) características pessoais, 2) atividades e 3) condições de vida.
Para a identificação de uma epidemia é necessário conhecer a frequência prece-
dente da doença. Para isso, caro(a) estudante, é necessário construir uma curva 
epidêmica, que consiste na representação gráfica das frequências diárias, se-
manais ou mensais da doença em um eixo de coordenadas, no qual o eixo hori-
zontal representa o tempo e o vertical, as frequências. As frequências podem ser 
expressas em números absolutos ou em taxas e o tempo pode corresponder a dias, 
semanas, meses ou anos. O gráfico pode ser um histograma, conforme Figura 5.
Descrição da Imagem: o gráfico mostra um histograma, com colunas em azul, dos casos de cólera por 
semanas epidemiológicas, do ano de 1991. Na lateral direita escrita na vertical, temos o parâmetro Casos, 
iniciando em zero, com intervalos de três mil até vinte e um mil. Na parte inferior da imagem, temos as 
Semanas epidemiológicas de um a cinquenta com intervalos de duas semanas, porém os dados do grá-
fico se iniciam na semana três, com casos inferiores a três mil. A partir da semana seis, temos aumentos 
consideráveis de casos, de até dez mil, chegando a dois mil na semana dez. Na semana sete, os casos 
diminuem a metade, registrando dezessete casos. Na semana vinte e sete, foram registrados três mil 
casos, se mantendo estáveis até a semana cinquenta e um.
Figura 5 - Histograma de casos de cólera por semanas epidemiológicas, em 1991 
Fonte: adaptada de OPAS (2010). 
UNICESUMAR
UNIDADE 3
96
No gráfico, podemos perceber que se trata de uma curva assimétrica, sendo pos-
sível notar três pontos importantes para serem analisados:
 ■ O primeiro seria a curva ascendente, que representa a fase de crescimen-
to da epidemia, cujo grau de inclinação indica a velocidade de propagação 
da epidemia, associada ao modo de transmissão do agente e ao tamanho 
da população suscetível. 
 ■ O segundo, o ponto máximo ou pico, em que pode ser alcançado natu-
ralmente ou interrompido por uma intervenção precoce. 
 ■ Já a curva descendente, que representa a fase de esgotamento da epi-
demia, cujo grau de inclinação é descendente, indica a velocidade de es-
gotamento da população suscetível. Esta inclinação descendente pode 
ter ocorrido de forma natural ou por efeito ou, ainda, por impacto das 
medidas de controle estabelecidas.
Posteriormente, temos uma estabilização do número de casos. Esta estabilização 
está relacionada também às medidas de prevenção adotadas.
Caro(a) estudante, nesta unidade pudemos acompanhar as transformações 
ocorridas no campo da Saúde Pública nos últimos anos, as quais impulsionaram 
mudanças estruturais e a proposição de modelos inovadores de gestão, objetivan-
do a melhoria da qualidade dos serviços e da assistência destinados à população, 
em sintonia com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas há ainda desafios que permeiam a vigilância e que precisam ser enfren-
tados. Considerando que existem muitos outros, destacamos os que seguem:
1. A tomada de decisão com base na informação. Apesar dos avanços da tec-
nologia de informação e o imenso benefício dos sistemas nacionais de infor-
mação na vigilância epidemiológica, ainda se faz necessário o aperfeiçoamento 
desses sistemas, bem como o relacionamento e compatibilidade entre as bases 
de dados e o desenvolvimento de alguns sistemas específicos.
Quando se desenvolve um sistema de vigilância, implica-se o acesso à elevada 
gama de informações, especialmente as relativas à morbidade, à mortalidade, à 
estrutura demográfica, ao estado imunitário e nutricional da população, à situa-
ção socioeconômica e ao saneamento ambiental, sendo que a saúde, atualmente, 
tem sido a porta de entrada para vários sistemas, tendo íntima relação com a 
situação social regional. É necessário integrar todas as unidades de saúde, tanto 
intersetorialmente e intersecretarialmente (SETA; REIS; DELAMARQUE, 2010).
97
A utilização das informações para 
tomada de decisão requer que todo 
o processo de Vigilância, da coleta, 
consolidação, planejamento, controle 
e disseminação de informações seja 
monitorado e conte com um sistema 
de informação consistente e integrado.
Ainda existe uma grande necessi-
dade de ampliar a utilização de dados 
produzidos pelos sistemas de informa-
ção, no sentido de subsidiar a tomadademográfica, devido, por exemplo, à Revolução Industrial, mostrou gerar 
mais empregos nas cidades, dentro das fábricas. Contudo, o conhecimento sobre o 
ambiente em que estes trabalhadores estavam expostos não era muito bem conhecido, 
assim, muitos desenvolveram doenças devido a esta exposição.
Você, como profissional de saúde, será questionado(a) sobre as diversas doenças, 
técnicas de diagnóstico e tratamentos. Para isso, qual será sua estratégia para sua 
melhor compreensão e para orientar a população que muitas vezes desconhece sobre 
o mal que possam estar expostas no ambiente?
Qual atitude você tomará dentro de um ambiente tão adverso, seja na falta de 
recursos nos sistemas de saúde, seja na falta de informação da população?
Ao final das unidades, você terá atividades para reforçar e revisar os conteúdos. 
Organize seu tempo com disciplina e realize uma leitura atenta das unidades.
IMERSÃO
RECURSOS DE
Ao longo do livro, você será convida-
do(a) a refletir, questionar e trans-
formar. Aproveite este momento.
PENSANDO JUNTOS
NOVAS DESCOBERTAS
Enquanto estuda, você pode aces-
sar conteúdos online que amplia-
ram a discussão sobre os assuntos 
de maneira interativa usando a tec-
nologia a seu favor.
Sempre que encontrar esse ícone, 
esteja conectado à internet e inicie 
o aplicativo Unicesumar Experien-
ce. Aproxime seu dispositivo móvel 
da página indicada e veja os recur-
sos em Realidade Aumentada. Ex-
plore as ferramentas do App para 
saber das possibilidades de intera-
ção de cada objeto.
REALIDADE AUMENTADA
Uma dose extra de conhecimento 
é sempre bem-vinda. Posicionando 
seu leitor de QRCode sobre o códi-
go, você terá acesso aos vídeos que 
complementam o assunto discutido.
PÍLULA DE APRENDIZAGEM
OLHAR CONCEITUAL
Neste elemento, você encontrará di-
versas informações que serão apre-
sentadas na forma de infográficos, 
esquemas e fluxogramas os quais te 
ajudarão no entendimento do con-
teúdo de forma rápida e clara
Professores especialistas e convi-
dados, ampliando as discussões 
sobre os temas.
RODA DE CONVERSA
EXPLORANDO IDEIAS
Com este elemento, você terá a 
oportunidade de explorar termos 
e palavras-chave do assunto discu-
tido, de forma mais objetiva.
Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar 
Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do 
aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881
APRENDIZAGEM
CAMINHOS DE
1 2
3 4
5
CONCEITO 
DE SAÚDE-
DOENÇA E 
EPIDEMIOLOGIA
11
DOENÇAS 
TRANSMISSÍVEIS, 
NÃO TRANSMISSÍVEIS 
E DIAGNÓSTICO 
DA DOENÇA
43
71
SAÚDE PÚBLICA, 
VIGILÂNCIA 
EPIDEMIOLÓGICA 
E INDICADORES 
DE SAÚDE
101
TRANSIÇÃO 
DEMOGRÁFICA E 
EPIDEMIOLÓGICA, 
EPIDEMIOLOGIA 
AMBIENTAL E SOCIAL
133
EPIDEMIOLOGIA 
APLICADA 
EM SAÚDE, 
PLANEJAMENTO 
E GESTÃO EM 
SAÚDE
1Conceito de 
Saúde-Doença e 
Epidemiologia
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Na Unidade 1, discutiremos sobre o tema Saúde e Doença, bem como 
estudaremos a respeito da distribuição da doença na população. Tam-
bém veremos o conceito de Epidemiologia, como disciplina básica e 
fundamental para os cursos da área da saúde. Para a compreensão 
do desenvolvimento da Epidemiologia, será apresentado o histórico 
da Epidemiologia e suas aplicações. Além da distribuição das doenças, 
veremos o processo em que o indivíduo saudável se torna um doente, 
compreendendo todo o processo saúde-doença, descrito como Histó-
ria Natural da Doença. Os fatores etiológicos (preditores de risco ou 
proteção) e sobre a causalidade serão investigados para a compreen-
são de como as doenças ocorrem.
UNIDADE 1
12
Olá, estudante! Antigamente, pensava-se que uma pessoa que apresentava 
sobrepeso ou obesidade era a que tinha mais saúde. Atualmente, pesquisas 
sobre o metabolismo e qualidade de vida têm mostrado que as pessoas com 
essas condições apresentam mais chances de desenvolver doenças, algumas 
que podem até ocasionar a morte.
O aumento no número de alimentos industrializados associados à vida mo-
derna, falta de tempo e estresse do dia a dia têm promovido a alteração no padrão 
alimentar da população mundial. Esta alteração está fortemente relacionada à 
inadequada ingestão de nutrientes necessários à qualidade de vida.
Pensando nisso, o que significa apresentar um quadro de saúde ou de 
doença para você? Você acredita que uma doença possa ocorrer com a 
mesma frequência na população? 
A obesidade é uma doença crônica multifatorial condicionada por fatores 
biológicos, ambientais, socioeconômicos, psicossociais e culturais.
No Brasil e no mundo, esta doença aumentou consideravelmente e, segundo 
a Organização Mundial da Saúde, o excesso de peso e obesidade já atinge cerca 
de 2 milhões de pessoas. Para evitarmos o desenvolvimento e agravamento 
deste quadro, é necessário manter uma vida saudável, porém a população, de 
forma geral, não adota esta prática.
Dentre as complicações referentes à obesidade, podemos citar as cardio-
vasculares e metabólicas, como hipertensão, dislipidemia, infarto agudo do 
miocárdio e diabetes mellitus tipo II, além de diversos tipos de câncer em cólon, 
mama, rins, vesícula biliar e endométrio.
A obesidade leva a um aumento substancial na utilização dos recursos de saúde 
com elevados custos econômicos, uma vez que contribui para a carga global de doen-
ças crônicas e incapacidade. Os custos da obesidade e suas consequências negativas 
para a saúde foram estimados entre 0,7% e 7,0% dos gastos nacionais com saúde em 
todo o mundo. Existem inúmeros métodos de tratamento para a obesidade. 
Convido você, aluno(a), a procurar por propagandas e embalagens de mer-
cados e observar como a indústria alimentícia tem nos bombardeado com ali-
mentos coloridos, com excesso de sal, açúcar e gordura, que os torna mais pala-
táveis. Você pode observar o quão saborosos parecem ser esses alimentos? Você 
já percebeu que o barulho gerado ao comer uma batata frita, por exemplo, pode 
provocar uma sensação de prazer em algumas pessoas?
13
Levando-se em consideração a saúde das pessoas, você já pensou o quanto isso 
implica nos gastos aos cofres públicos? Com base nesses pensamentos, pesquise 
medidas que podem ser adotadas para a manutenção da saúde da população, que 
visam a redução nas taxas de obesidade e sobrepeso.
Pense nos alimentos que possuem embalagens atrativas e gostos mais pala-
táveis, aqueles que são difíceis de comer apenas um, e como o consumo destes 
alimentos pode induzir à obesidade e como consequência levar o indivíduo a 
outras complicações. Reflita sobre as medidas a serem adotadas e o que pode ser 
feito para evitar o sobrepeso e a obesidade. Quais seriam os resultados frente a 
essa mudança de hábitos para a saúde? Após realizar sua reflexão, liste suas ideias, 
para isso, utilize o Diário de Bordo.
UNICESUMAR
UNIDADE 1
14
A obesidade tem acometido pessoas do mundo inteiro, tendo maior destaque em 
países desenvolvidos. A grande preocupação é que a obesidade acarreta diversas 
outras doenças, como, por exemplo, doença renal crônica, osteoartrose, câncer, 
diabetes mellitus, apneia do sono, hipertensão arterial e doença cardiovascular, 
podendo levar à incapacidade funcional, redução da qualidade e expectativa de 
vida e o aumento da mortalidade.
O termo saúde-doença tem diferentes significados para cada pessoa. São pa-
râmetros que refletem a um conjunto social, econômico, político e cultural e, desta 
forma, pessoas que apresentam diferentes experiências de vida terão diferentes 
respostas para a pergunta, assim como a época, lugar e classe social.
 Os valores individuais e as concepções científicas, religiosas e filosóficas tam-
bém estão associados a esse conceito.
Segundo a etimologia, a palavra “saúde”, do latim salutis, derivado do radical salus, significa 
“salvar”, “livrar do perigo”, “afastar riscos e/ou saudar”, “cumprimentar”, “desejar saúde”.
O termo “doença” também provém do latim, dolentia, derivadode decisão de gestores e ações dos pro-
fissionais de saúde, acreditando que as 
informações, se adequadamente utili-
zadas, podem contribuir para a redu-
ção de desigualdades e melhoria das 
ações de saúde em nosso país.
É de responsabilidade de todo 
profissional zelar pela qualidade 
da informação prestada em seus 
atendimentos, orientar a equipe 
na coleta, no processamento, na 
tomada de decisão e no controle dos 
dados produzidos.
2. Quanto à estruturação e quali-
ficação das equipes. A colaboração e 
a coparticipação de gestores, técnicos, 
trabalhadores de todos os níveis e ato-
res sociais é essencial para o desenvol-
vimento do trabalho na Vigilância em 
saúde, bem como ter pessoal suficien-
te e com qualificação para o desenvol-
vimento das ações. Tal necessidade se 
dá devido à dinâmica do processo 
de trabalho da Vigilância, exigindo, 
também, educação permanente dos 
profissionais envolvidos, que deve ser 
planejada de forma estratégica e inte-
gral, visando à melhoria da promoção 
da saúde, à prevenção das doenças, ao 
diagnóstico, ao tratamento e a medidas 
de controle, debelando surtos e epide-
mias e melhorando a qualidade de vida 
e de saúde da comunidade.
Nesse sentido, o gestor deve desen-
volver uma dinâmica de aprendizagem 
e inovação, cujo primeiro passo deve 
ser a capacidade crescente de adapta-
ção às mudanças, comprometimento, 
busca de trabalho integrado, saber pro-
por e desenvolver projetos, bem como 
competência técnica e disciplina.
3. A pesquisa e a produção do 
conhecimento. A cooperação entre 
serviços, universidades e institutos 
de pesquisa no desenvolvimento de 
pesquisas e na formação de recursos 
humanos para a vigilância em saúde 
constitui um desafio.
Percebemos, assim, a importân-
cia do sistema público de saúde para 
a população. Neste sentido, a respon-
sabilidade em alertar a população 
sobre a importância da imunização 
frente à pandemia cabe ao profis-
sional de saúde, além de esclarecer 
e estabelecer estratégias eficazes na 
promoção da saúde.
UNICESUMAR
98
1. Com a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o Brasil sofre consequências na economia, ge-
rando desemprego, redução de salários e elevação do custo de vida. Atrelado a isso, 
as péssimas condições de trabalho e a falta de direitos trabalhistas deram origem 
às greves gerais. O Sistema Único de Saúde (SUS) principal política pública de saúde 
do Brasil, com a criação da Lei Eloy Chaves – estabelece as Caixas de Aposentadoria 
e Pensões (CAPs) – estabelece o marco inicial da Previdência Social no Brasil.Assim, 
assinale verdadeiro (V) ou falso (F):
( ) Com a criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs), não houve preo-
cupação em atender às necessidades dos trabalhadores.
( ) Entre 1930 e 1945, na Era Vargas, foram criados o Ministério da Educação e da 
Saúde Pública e o Ministério do Trabalho.
( ) Em 1932, foram criados os Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs).
( ) Em 1966, foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS)
( ) A criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) gerou uma certa 
insatisfação nos contribuintes dos institutos com menos benefícios, pois, com a 
unificação, os mais pobres iriam receber mais benefícios.
2. Quanto aos princípios do SUS, os objetivos finalísticos do sistema de saúde são deno-
minados doutrinário (ou éticos), sendo: universalidade, equidade e integralidade (PAIM; 
SILVA, 2010). Desta forma, explique cada um dos objetivos do Sistema Único de Saúde.
99
3. Para comparar parâmetros entre regiões e períodos, os agentes de saúde utilizam-se 
de parâmetros nacionais e internacionais para verificação da situação de saúde de 
populações, sob o ponto de vista sanitário. Com isso, estes parâmetros são indica-
dores do passado e do presente que auxiliam a prever o futuro e a tomar decisões 
de forma racional e bem fundamentada (PEREIRA, 2002; ROUQUAYROL; ALMEIDA 
FILHO, 1999; MEDRONHO et al., 2009). Assim, discorra sobre como é feita a seleção 
dos indicadores e dê três exemplos.
4. Em 1991, foi criado o Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), impulsionando o 
alargamento do escopo de atuação da Vigilância Epidemiológica para além das doen-
ças transmissíveis, na medida em que passou a incorporar nas suas práticas avanços 
científico-tecnológicos e também estimulou Estados e municípios a trabalharem nesta 
mesma direção. Desse modo, o conhecimento epidemiológico passou a ser reconhe-
cido como estratégico para o desenvolvimento da VE, que, conforme exigido pela Lei 
do SUS, deveria ir muito além das doenças transmissíveis, indicando a necessidade 
de se atuar sobre determinantes e condicionantes dos problemas de saúde das 
populações. Explique qual a função do sistema de vigilância epidemiológica.
4Transição 
Demográfica e 
Epidemiológica, 
Epidemiologia 
Ambiental e Social
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Nesta unidade, compreenderemos a contribuição da industrializa-
ção para o processo de transição demográfica mundial e detalhes da 
transição demográfica brasileira. Por meio do estudo de mudanças 
ocorridas nos padrões de mortalidade, morbidez e invalidez, acom-
panharemos parâmetros de transformações demográficas, sociais e 
econômicas. Compreenderemos como a Transição Demográfica pode 
acarretar a distribuição das doenças, tema abordado pela Transição 
Epidemiológica. Apresentarei como a exposição ambiental, geralmen-
te no ambiente de trabalho, pode contribuir para o desenvolvimento e 
agravamento de doenças e como questões sociais e socioeconômicas 
podem contribuir para o acometimento de doenças.
UNIDADE 4
102
O processo de urbanização é promovido pela industria-
lização, que impulsiona a população a migrar para as 
cidades, ocupando vagas em indústrias e fábricas. 
No Brasil, temos vários períodos históricos de altera-
ções na distribuição geográfica dentro do território na-
cional, sendo que, no período do pré-descobrimento, o 
processo de urbanização tem início no litoral, seguindo 
para o interior do território. Posteriormente, temos o êxo-
do rural, em que as pessoas do campo passam a morar em 
cidades, nos centros urbanos (FAGUNDES et al., 2021).
Com o crescimento das cidades e a presença de indús-
trias, houve aumento de renda das famílias, mudanças na 
distribuição das pessoas no território nacional, não ocor-
rendo a ocupação de forma homogênea. 
Ao longo dos anos, quais foram as mudanças relacio-
nadas às taxas de nascimento e mortalidade? Você acredita 
existir uma relação entre os dados socioeconômicos e o aco-
metimento de doenças no território nacional?
Em meados do século XX, houve certa preocupação 
acerca da explosão demográfica e seus impactos sobre a 
oferta de alimentos e recursos naturais. Na Europa, as ta-
xas de natalidade e fecundidade foram reduzidas, gerando 
baixo crescimento populacional. Alterações na faixa etária 
da população geraram a redução das taxas de natalidade 
e mortalidade, o que levou ao aumento da expectativa de 
vida, aumento na quantidade de pessoas idosas e redução 
de pessoas jovens. Isto é visto com muita preocupação, pois 
a produtividade da mão de obra será reduzida em relação à 
produtividade do trabalho (FAGUNDES et al., 2021).
Já no Brasil, temos um atraso neste processo. Além 
disso, o país também tem diferenças regionais ocasio-
nadas devido ao maior desenvolvimento de algumas re-
giões em relação a outras. Isto ocorre devido ao tamanho 
territorial e muitas diferenças sociais ocasionadas em 
âmbito econômico e cultural. 
103
Estas diferenças nas taxas de nascimento e mortalidade variam muito, princi-
palmente se pensarmos na diversidade territorial que temos no Brasil e suas dife-
renças. Para compreender mais sobre o tema, pesquise sobre as taxas de natalidade 
e mortalidade no estado em você mora e compare com as taxas a nível nacional.
Existem diversos fatores que podem determinar aumento ou redução das taxas, sejam 
as de mortalidade ou de natalidade na população. Por exemplo, a violência é um fenômenosocial e histórico e afeta significativamente a saúde da população, pois provoca mortes, 
lesões, traumas (físicos e mentais), diminui a qualidade de vida, requer uma adequação 
dos serviços de saúde, coloca novos problemas ao cuidado preventivo e curativo e, por fim, 
determina uma atuação mais específica, interdisciplinar, multiprofissional e intersetorial.
Reflita sobre outros fatores que podem levar à alteração nestas taxas e, em 
seguida, anote suas conclusões no Diário de Bordo.
UNIDADE 4
UNIDADE 4
104
Caro(a) aluno(a), quando falamos na palavra transição, referimo-nos ao ato 
ou efeito de transitar, passagem de uma condição à outra, de forma lenta, de 
um lugar, estado ou assunto para outro. Remete, desta forma, à noção de pas-
sagem, trajeto ou trajetória, sobressaindo o caráter processual, de movimento.
A transição demográfica é a passagem de um contexto populacional 
em que há valores elevados dos indicadores de mortalidade e natalidade 
para valores reduzidos. 
Como isso pode acontecer?
É necessário entender como se deu o crescimento histórico mundial. A po-
pulação mundial levou séculos para atingir o patamar e apresentar diferentes 
ritmos de crescimento ao longo da história. No período da caça e agricultura, 
a população mundial correspondia a 8 milhões de habitantes. No começo 
da Era Cristã (ano I d.C.), a população mundial correspondia a cerca de 300 
milhões de habitantes (MEDRONHO et al., 2009).
No ano de 1650, 500 milhões; em 1800, 1 bilhão; 1930, 2 bilhões, 1975, 4 
bilhões. No ano 2000, chegamos a cerca de 6 bilhões, a estimativa é que che-
guemos a 9 bilhões em 2050 (MEDRONHO et al., 2009).
A partir do século XVIII, temos um incremento acelerado na popu-
lação mundial, principalmente devido à universalização do capitalismo 
industrial para os países europeus mais desenvolvidos. As razões desse 
comportamento demográfico podem ser devido a forças produtivas ge-
radas pelo capitalismo, de forma particular o capitalismo industrial e o 
modelo de sociedade por ele gerado, a saber, urbanizada e industrializada 
(MEDRONHO et al., 2009).
Dentre as possibilidades que essas mudanças proporcionaram, podemos 
citar o crescimento da produção e da riqueza, o desenvolvimento da técnica e 
da ciência moderna, no qual consta um certo conhecimento e domínio sobre 
a natureza, controle sobre doenças, fecundidade humana (MEDRONHO 
et al., 2009). Tais transformações refletem nos indicadores de saúde, como 
taxas de natalidade, mortalidade e fecundidade.
Neste contexto histórico, houve a necessidade em elaborar uma lei universal, 
em que poderíamos identificar padrões diferenciados de crescimento populacio-
nal mundial, durante séculos. Assim, podemos destacar as projeções de Thomas 
Robert Malthus de um lado e de Engels e Marx (Figura 1) do outro.
105
A teoria Malthusiana afirmava que as populações crescem geometricamente e os 
recursos necessários à sobrevivência (como o alimento), cresce aritmeticamente. 
Isto poderia limitar a população.
Já a teoria Marxista defendia que não havia uma lei universal, porém, cada fase 
do desenvolvimento social teria sua própria lei populacional, de acordo com suas 
condições socioeconômicas, e que o desenvolvimento de forças produtivas forneceria 
os meios materiais para o incremento da produção de acordo com as necessidades 
sociais. A miséria é explicada pelas condições criadas pela sociedade capitalista, con-
sequentemente, a distribuição desigual da riqueza (MEDRONHO et al., 2009).
Nos séculos subsequentes, a discussão sobre esses referenciais perdurou entre 
malthusianos e marxistas. Por volta do século XX, a teoria da transição demo-
gráfica dominaria esta discussão.
Descrição da Imagem: a imagem fotográfica mostra uma estátua, composta por dois homens de idade 
avançada, sentados em um banco de praça, como se estivessem conversando. Ambos vestem calça e 
casaco do século XVIII, apresentam barbas longas e cabelos curtos. O homem da esquerda está virado 
para o da direita, com sua mão direita posicionada na coxa. O homem da direita está virado para o da 
esquerda, com as pernas cruzadas, cruzando os dedos das duas mãos em seus joelhos. O fundo da ima-
gem está desfocado, mas percebe-se uma vegetação. 
Figura 1 - Engels e Marx
UNIDADE 4
UNIDADE 4
106
A teoria da transição demográfica, formulada por Frede-
riksen, em 1969, propõe uma análise sobre as relações entre 
modificações de cada sociedade e as mudanças no padrão de 
morbimortalidade através do tempo. Esta transição da socie-
dade tradicional para a modernidade acarretaria a redução das 
doenças infecciosas e parasitárias e o aumento das doenças 
crônico-degenerativas (MEDRONHO et al., 2009).
Esta teoria teve grande consolidação como modelo expli-
cativo abrangente para mudanças demográficas verificadas 
no decorrer da história das sociedades e seus determinantes 
históricos, sociais e econômicos. Alguns afirmam que essa 
teoria de modernização, englobava a teoria malthusiana, e 
outros autores também acreditavam que incorporava aspec-
tos da teoria marxista.
Sua base é que a fecundidade era elevada em sociedades de 
base rural, não industriais, constituindo-se o número elevado 
de filhos e seguridade, numa realidade onde prevalecem altas 
taxas de mortalidade.
A modernização teria outras características, provenien-
tes da industrialização e urbanização, reduzindo a fecundi-
dade, pelas mudanças culturais e econômicas decorrentes, 
promovendo alterações no padrão de família, em que a in-
tervenção de políticas de controle da natalidade tinha papel 
relevante. Desta forma, a transição demográfica, desde seus 
primórdios, tem possibilitado um importante papel na di-
nâmica da população.
A transição demográfica ocorre por um processo dentro do 
contexto populacional em que prevalecem altos coeficientes de 
mortalidade e natalidade, para então alcançar baixos coeficientes.
Por meio de observações relacionadas às transformações 
demográficas quanto ao processo de industrialização, de for-
ma geral, podemos ter quatro fases relacionadas neste período 
de transição clássico: Fase Pré-Transição, Fase de Aceleração 
Demográfica, Fase de Desaceleração Demográfica e Fase de 
Estabilização da população. Verifique a Figura 2.
107
TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA
ta
xa
 p
or
 h
ab
ita
nt
es taxa de natalidade
taxa de mortalidade
crescimento vegetativo
tempo
Fase 1
Pré-transição
Fase 2
Aceleração
Demográ�ca
Fase 3 
Desaceleração
Demográ�ca
Fase 4
Estabilização
da população
Descrição da Imagem: a imagem mostra o gráfico da Transição demográfica, demonstrando as taxas de 
natalidade, em vermelho, e de mortalidade, em azul. Na lateral esquerda, temos a taxa por habitantes e na 
parte inferior, o tempo. O gráfico está dividido em 4 colunas (4 fases), divididas em tamanhos semelhantes. 
Na Fase 1, temos a Fase de pré-transição, a taxa de natalidade está muito elevada e de mortalidade um pouco 
mais abaixo; na Fase 2, temos a Fase de Aceleração Demográfica, a taxa de natalidade continua estável, com 
uma leve redução ao final da fase 2, a taxa de mortalidade com uma redução abrupta ao meio da mesma fase; 
na Fase 3, temos a Desaceleração Demográfica em que temos uma redução abrupta das taxas de natalidade, 
as taxas de mortalidade são apresentadas a níveis reduzidos; na Fase 4, temos a Estabilização da população 
em que ambas as taxas reduziram e se estabilizaram. O crescimento vegetativo é apresentado em uma linha 
tracejada de cor preta, ao longo das 4 fases, na Fase 1 com níveis reduzidos, aumento de seus níveis na Fase 2, 
com redução de seus níveis na Fase 3, na Fase 4 continua reduzindo seus níveis atingindo a sua estabilização.
Figura 2 - Transição demográfica / Fonte: adaptada de Rosa (2006).
Como percebemos na Figura 2, o esquema da transição demográfica passa por 
quatro estágios antes de alcançar uma sociedade plenamente pós-industrial.
A Fase 1, Fase de pré-transição, é caracterizada por sociedades com altas 
taxas de natalidade e mortalidade, tornando o crescimentopopulacional lento, 
principalmente relacionado a elevadas taxas de natalidade e mortalidade infantil. 
UNIDADE 4
UNIDADE 4
108
Podemos perceber que esta alteração está historicamente relacionada à Revolu-
ção Industrial, em meados do século XVIII (BUSATO, 2016).
A Fase 2, Fase de Aceleração Demográfica, é uma fase intermediária, própria 
de países em processo de industrialização, apresenta redução da mortalidade, com 
natalidade ainda elevada, provocando grande crescimento populacional. No século 
XVIII, países conhecidos como desenvolvidos passaram para a fase 2 (MEDRONHO 
et al., 2009). Alguns países ricos a iniciaram apenas no século XX (BUSATO, 2016). 
A Fase 3, Fase de Desaceleração Demográfica, se dá com o início da redução 
da natalidade e a decrescente mortalidade. Desta forma, acompanhamos o en-
velhecimento populacional. Os países ricos completaram a passagem da fase 2 
para a 3 no século XX (BUSATO, 2016). Já em países da América Latina, Ásia e 
África, esse processo tende a ocorrer mais tardiamente.
A Fase 4, Fase de Estabilização da população e também conhecida como 
fase da modernidade ou da pós-transição, é típica de sociedades pós-indus-
triais, e se distingue por indicadores de mortalidade e natalidade reduzidos e 
crescimento populacional em equilíbrio. Caracterizada por apresentar aumento 
da expectativa de vida e envelhecimento da população, típica das sociedades 
pós-industriais (BUSATO, 2016). É representada pela aproximação dos níveis 
de fecundidade com os de reposição, gerando aumento da expectativa de vida 
e envelhecimento da população em geral.
As pirâmides populacionais mostram em que estágio ou fase de transição 
demográfica determinado espaço geográfico se encontra. Dentro destes estágios, 
é possível identificar os anos em que o Brasil passou por cada fase. Desta forma, 
em 1970 e 1980, encontrava-se na Fase 1, com taxas de natalidade e mortalidade 
altas; na Fase 2 nos anos de 1991 a 2000; em 2007, na Fase 3, continuando até o 
ano de 2010 neste estágio. Observe os dados da população brasileira quanto à 
Distribuição da população por sexo, segundo os grupos de idade, no ano de 2010.
A transição demográfica no Brasil tem sido marcada pela redução dos níveis 
de fecundidade e do ritmo de crescimento demográfico, mas, mesmo assim, apre-
senta-se expressiva. Neste sentido, o envelhecimento da população caracteriza-se 
pela maior participação de adultos e idosos. Vários processos podem estar envol-
vidos no processo de envelhecimento da população, dentre eles, podemos citar a 
redução da mortalidade, como a queda da mortalidade em geral e da mortalidade 
infantil, com o consequente aumento da expectativa de vida (PINTO et al., 2021).
109
No entanto, isoladamente, a redução da mortalidade geral teria impacto em todas 
as idades, apresentando reduzida influência no sentido do envelhecimento da popu-
lação e diminuição da mortalidade infantil, que tenderia a aumentar os contingentes 
populacionais mais jovens, em um primeiro momento. Considera-se, portanto, a que-
da da fecundidade como um dos fatores mais importantes nesse processo, que levaria 
a uma diminuição gradativa das faixas etárias mais jovens e ao consequente envelheci-
mento populacional, especialmente quando associada a baixos níveis de mortalidade.
Com a redução dos níveis da natalidade e mortalidade no Brasil, tivemos a 
transformação da estrutura por idade e sexo, como podemos observar na pirâ-
mide etária da população, no infográfico a seguir.
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OLHAR CONCEITUAL
QUANTIDADE DE PESSOAS NO BRASIL NOS ANOS
1900, 1950, 1980, 2000 E 2050.
Nos anos de 
1900, 1950 e 
1980, tivemos 
altas taxas de 
nascimentos, 
porém as taxas 
de mortalidade 
eram altas, isto 
indica que havia 
baixa qualidade 
de vida para a 
população que 
ocasionava em 
óbito.
No ano de 1900, 
apenas metade 
da população 
atingia a idade 
adulta, com 
progressiva 
redução
nos anos
posteriores.
No ano de 1950, 
entre 10 e 30 
anos e 30 e 65 
anos de idade,
a população
se reduz à 
metade.
No ano de 1980, 
a quantidade de 
nascimento não 
se alterou, porém 
aos 20 anos, a 
população teve 
uma redução no 
seu percentual 
devido a óbitos.
A quantidade 
continua 
reduzindo 
progressivamente
após atingirem
os 35 anos em 
diante. Ao longo 
destes períodos, 
poucos 
chegavam aos
80 anos ou mais.
Já no ano 2000, 
tivemos uma 
redução na 
quantidade de 
nascimentos. As 
taxas se mantêm 
até os 15 anos de 
idade, reduzindo 
à metade até os 
40 anos e, apesar 
de ainda termos 
uma redução nos 
valores de 80 
anos ou mais, são 
maiores que os 
anos anteriores. 
Isto mostra 
melhorias na 
qualidade de 
vida das pessoas, 
como aumento 
da longevidade.
A projeção feita 
para o ano de 
2050, indica que 
o percentual da 
população 
brasileira deverá 
alterar, sendo 
que o número 
de nascimentos 
foi reduzido à 
metade do que 
tínhamos em 
anos anteriores. 
Estes valores 
serão mantidos 
ao longo dos 
anos, mostrando 
que a qualidade 
de vida da 
população será 
melhor. Um 
declínio ocorrerá 
quando a 
população 
atingir os 70 
anos de idade, 
porém mesmo 
aos 80 anos ou 
mais teremos 
um percentual 
maior de 
pessoas.
Fonte: adaptado de Medronho et al. (2009).
111
Por volta dos anos de 1900 e 1950, a pirâmide etária 
populacional foi substituída por pirâmides populacio-
nais características de uma população em processo de 
envelhecimento entre 1980, 2000 e 2050. Assim como 
o processo de envelhecimento tem sido observado 
na população brasileira, o de feminização reflete o 
diferencial de mortalidade entre os sexos, além da in-
tensificação do envelhecimento entre os mais idosos 
(MEDRONHO et al., 2009).
De forma geral, as mudanças ocorridas nos pa-
drões de mortalidade, morbidez e invalidez ocorre-
ram devido a dois fatores principais: (a) alterações 
associadas à estrutura etária da população, ocorri-
das ao longo do processo de transição demográfi-
ca; (b) alterações de longa duração nos padrões de 
morbidade e de mortalidade, havendo a substituição 
gradual das doenças infecciosas e parasitárias e das 
deficiências nutricionais pelas doenças crônico-de-
generativas e aquelas relacionadas a causas externas 
(MEDRONHO et al., 2009).
Em 1971, a transição epidemiológica proposta por 
Abdel Omran representou uma tentativa mais siste-
matizada de representar importantes e complexas mu-
danças quanto ao tema saúde/doença das populações 
nos países industrializados em diferentes períodos 
históricos (MEDRONHO et al., 2009), assim como a 
interação entre eles (PEREIRA et al., 2015).
Omran propõe 3 grandes eras, ou estágios, para a 
transição epidemiológica. Esta divisão facilita o enten-
dimento dos problemas enfrentados em cada período 
histórico. Estes períodos seriam a Era de Pestilências e 
da Fome; a Era do Declínio das Pandemias; e a Era das 
doenças degenerativas e das provocadas pelos homens. 
Discorreremos sobre cada uma dessas Eras ou estágios 
com mais detalhes.
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A Era da Pestilência e da Fome se estenderia até o final da Idade Média, com 
altas taxas de mortalidade. Neste período, temos problemas relacionados à desnu-
trição, doenças reprodutivas e infecciosas, além de caráter endêmico e epidêmico.
A Era do Declínio das Pandemias se estenderia da Renascença até o início 
da Revolução Industrial, caracterizada pela redução das pandemias, porém o 
principal motivo de mortes continuou sendo as doenças infecciosas e parasitárias. 
Neste período, temos uma melhora na qualidade de vida, de 40 a 50 anos de idade.
A Era das Doenças Degenerativas e das Provocadas pelo Homem é 
caracterizada pela redução ou estabilização da mortalidade em níveis baixos, 
pela queda relativa da importância das doenças crônico-degenerativas (doenças 
cardiovasculares e neoplasias) e as causas externas se tornaram cada vez mais 
frequentes. Neste período, houve o envelhecimento da população.
No entanto, essa teoria das 3 eras recebeu críticas, principalmentedevido à 
generalização ter sido realizada com enfoque em países europeus, levando a uma 
certa limitação. Esta generalização deixou de fora outros países e seus subgrupos 
populacionais. Desta forma, essa teoria seria insuficiente e parcial, não levando 
em conta os processos histórico particulares, socioeconômicos, dada a hetero-
geneidade das sociedades contemporâneas.
Assim, a transição epidemiológica se desenvolveu de forma intrincada e ligada 
a processos históricos, sociais, econômicos, de gênero e raça (PINTO et al., 2021).
113
Existe, ainda, a proposta de outros modelos comple-
mentares ou tardios, alternativos à teoria original. Den-
tre eles, podemos citar o da Revolução Cardiovascular, 
o Modelo Tardio-Polarizado e a “Nova” Transição para 
as Enfermidades Infecciosas e Parasitárias.
Em 1970, é proposta a ideia de que a expectativa de vida 
parecia aumentar com avanços na prevenção e no trata-
mento das doenças cardiovasculares. Houve o declínio dos 
coeficientes de mortalidade por doenças crônico-degene-
rativas entre a população adulta de ambos os sexos.
Em 1989, o modelo tardio-polarizado foi sugerido para 
países de economias intermediárias, em relação ao modelo 
proposto por Omran. Isto ocorreu principalmente devido à 
ausência de uma resolução do processo transicional frente à 
justaposição de processos infecciosos e parasitários e crôni-
co-degenerativos, levando uma dupla carga de doenças. Nes-
te modelo, são consideradas as diferenças sociais e regionais 
na distribuição de bens e serviços de promoção da saúde.
Na “Nova” Transição para as Enfermidades Infeccio-
sas e Parasitárias, a partir do momento em que as doenças 
transmissíveis não mais dominavam o quadro de doenças 
letais, foi anunciado o fim de doenças infecciosas. Contudo, 
em 1980, houve a caracterização da epidemia da Síndrome 
da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
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Hiroshi Nakajima, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma Reunião Cien-
tífica Internacional da Associação Internacional de Epidemiologia (AIE, 1990), comentou 
sobre a importância da Epidemiologia quanto à compreensão da AIDS. Leia sua reflexão 
sobre o descobrimento desta enfermidade:
 “ A AIDS foi reconhecida pela primeira vez como uma enfermidade em 1981, 
antes que o vírus da imunodeficiência humana, dois anos mais tarde, fosse 
identificado ou que se suspeitasse que era o agente causador da AIDS. A ob-
servação epidemiológica anotou a prevalência de uma combinação curiosa 
e inexplicável de manifestações clínicas de outros estados patológicos: as-
tenia, perda de peso, dermatose, deterioração do sistema imunológico e 
o sarcoma de Kaposi, assim como a presença de “infecções oportunistas”, 
como a pneumonia por Pneumocystis carinii. Ainda hoje, é este complexo de 
sinais clínicos, em combinação com o resultado positivo da prova de HIV, 
que define um “caso de AIDS”.
O indivíduo pode ser HIV-positivo e não apresentar a doença. Desta forma, 
por meio de análise epidemiológica, esta síndrome passa a ser relacionada 
a grupos e comportamentos dentro da população.
Ao analisarmos a AIDS no âmbito de uma pandemia, trata-se de algo novo, 
porém, a análise como a doença AIDS e seu vírus, temos uma doença não 
muito nova, datando por volta de 1950. Podemos notar que, a falta de 
ferramentas dentro da epidemiologia para coleta e análise de dados, nos 
fornece dados para análise e compreensão de que se tratava de uma pato-
logia discreta e letal.
Fonte: adaptado de Rouquayrol e Almeida Filho (1999, p. 600).
EXPLORANDO IDEIAS
Ao reconhecermos que não temos controle sobre as doenças infecciosas e para-
sitárias emergentes e reemergentes, um novo cenário se formava, em que acres-
centava um número cada vez maior de agentes infecciosos que adquiriram resis-
tência a uma série de agentes microbianos, como consequência de um processo 
de seleção gerado pelo uso desenfreado de antibióticos.
Neste contexto, alguns exemplos podem ser citados, como o surto de doença 
grave nos Estados Unidos, no ano de 1993, em que ocorreu a infecção por Esche-
richia coli, a partir de investigações epidemiológicas, que comprovaram a relação 
115
com o consumo de carne moída industrializada, em hambúrgueres fast-food. A 
doença ficou conhecida como “mal da vaca louca”, enfermidade relacionada a 
doenças infecciosas.
NOVAS DESCOBERTAS
Olá, caro(a) aluno(a)!! É muito importante a compreensão das causas 
das doenças para adotarmos medidas para um diagnóstico mais efi-
ciente e transmissão. A partir destes estudos, podemos traçar formas 
de prevenção e vigilância epidemiológica. Neste momento, convido 
você a fazer a leitura do material sobre a Encefalopatia Espongifor-
me Bovina (EEB). Neste material produzido pelo MAPA (Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento), podemos ver as diretrizes da 
Política Sanitária do MAPA na Prevenção da EEB, o que é, formas de 
transmissão, causas, diagnóstico, controle e prevenção.
Realize a leitura para complementar seu conhecimento a respeito 
desta enfermidade. Acesse o QR Code!
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No Brasil, o perfil epidemiológico apresenta-se de forma diferente ao 
dos países industrializados, assim como os países da América Latina. 
É observado uma superposição e não transição, em que temos doen-
ças parasitárias, infecciosas, como, também, crônico-degenerativas e 
outros agravos não infecciosos. Isso mostra padrões distintos em que 
o perfil de morbimortalidade se mantém característico de distintos 
padrões, fruto da desigualdade, acarretando uma transição prolongada 
ou polarizada (MEDRONHO et al., 2009; PINTO et al., 2021).
Autores como Barreto e Carmo (1998) destacam a necessidade 
de revisar a teoria da transição epidemiológica, levando-se em conta 
características dos países da América Latina. Desta forma, alguns pon-
tos para isso seriam: a permanência de grandes endemias em algumas 
regiões do país; coeficientes de mortalidade ainda elevados quando 
comparados com países desenvolvidos e importantes variações geo-
gráficas quanto aos padrões epidemiológicos e aos serviços de saúde.
Agora, convido você a analisar a transição epidemiológica no 
Brasil. Tivemos a Era das pestilências, as crônico-degenerativas e das 
causas externas (acidentes e violência) e de doenças cardiovasculares. 
Na teoria da transição epidemiológica, ao final do século XIX, o Bra-
sil passava pela Era das pestilências. Neste período, o país enfrentou 
diversas dificuldades, pois tínhamos precárias condições sanitárias. 
Dentre as doenças que assolavam a população, podemos citar: febre 
amarela, varíola, peste bubônica, malária, ancilostomose, tuberculose, 
hanseníase, esquistossomose, cólera, leishmaniose, Doença de Chagas 
(recebeu esse nome em 1909).
Além dessas enfermidades, o país apresentava também problemas 
sociais, como a fome, desnutrição, baixo nível de escolaridade, pobreza, 
desigualdades e falta de saneamento.
Em 1930, 45,7% da causa de óbito ocorria devido a doenças parasitárias, 
houve uma redução pronunciada, principalmente em meados de 1960. A 
partir do ano de 1980, apresentou redução, chegando a 4,6% dos óbitos. 
Entre os anos de 1930 a 2003, as causas da mortalidade demonstram a mu-
dança deste perfil do país, vemos uma tendência à redução por doenças 
infecciosas e parasitárias com o aumento das crônico-degenerativas e das 
causas externas (acidentes e violência) (MEDRONHO et al., 2009).
117
A mortalidade por doenças cardiovasculares, que em 1980 era de 11,8%, passou, 
em 2003, para 27,3% dos óbitos, com aumento em 1950 e uma tendência de 
estabilização/queda a partir do final da década de 80.
As neoplasias, em 1930, atingiram a marca de 2,7%, passando a 12,6%, em 
2003, correspondendo à segunda principal causa de óbito no Brasil. Desde 1930, 
existe uma tendência ao aumento desta causa, ocorrendo uma estabilização e 
desaceleração em 1980.
Quanto às causas relacionadas a acidentes e violências, apresentavamuma pro-
porção de 2,6% dos óbitos em 1930. Um aumento considerável ocorreu até meados 
dos anos 80, tendendo à estabilização, chegando em 2003 a 12,6% de óbitos.
No Brasil, as doenças são classificadas pelo Ministérios da Saúde como sendo 
de três categorias: as doenças com tendência decrescente, com quadro de persis-
tência, emergentes e reemergentes.
Na década de 70, houve um cenário de crise no setor da Saúde no Brasil, as medidas 
adotadas foram muito limitadas, a crise se expressava pela baixa eficácia da assistência 
médica, pelos altos custos do modelo médico-hospitalar e pela baixa cobertura dos servi-
ços de saúde em função das necessidades da população. A partir disso, o Sistema Único 
de Saúde (SUS) começou a ser estruturado e, com a alta demanda e pouca organização, 
o sistema ficou independente e os planos de saúde começaram a surgir discretamente.
PENSANDO JUNTOS
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118
Doenças classificadas com tendência decrescente são 
aquelas compostas por doenças imunopreveníveis e que apre-
sentam redução nos coeficientes de incidência. No grupo, in-
clui-se a varíola, erradicada no país em 1978, e a poliomielite, 
em 1989, após um surto ocorrido no ano de 1999, no estado 
de Santa Catarina, que se disseminou para outros estados.
Espera-se que na primeira metade do século XXI se 
alcance o controle da raiva humana (transmitida por 
animais domésticos), da rubéola congênita e do tétano 
neonatal, além de endemias como a doença de Cha-
gas, a febre tifoide, a oncocercose, filariose e peste.
Dentre as doenças com tendência de persistência, incluem-
-se a malária, a leishmaniose visceral e tegumentar, esquistos-
somose, doença de Chagas, febre amarela silvestre, hanseníase 
e acidentes por animais peçonhentos.
Quanto às doenças emergentes e reemergentes, podemos 
citar a Aids, a dengue, a cólera pelo vírus Vibrio cholera, El 
Tor e hantavírus em São Paulo; a rápida disseminação da 
Aids, associada a outras doenças infecciosas e parasitárias, 
particularmente a tuberculose.
Algumas destas doenças ainda foram sendo incluídas em 
eventos de condições emergentes dos últimos 50 anos, como: 
antraz, cólera, doença de Creutzfeldt-Jakob, febre do Nilo Oci-
dental, febre maculosa, hantavirose, hepatites virais, infecção 
pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em crianças e 
gestantes expostas ao risco de transmissão vertical, Influenza 
humana, Aids, Síndrome febril íctero-hemorrágica aguda e 
síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Podemos perceber que determinado país, estado ou região 
pode ser mais suscetível em desenvolver determinado agente 
etiológico ou, ainda, facilitar o desenvolvimento de determina-
das doenças por falta de informação, como a falta de higiene. 
Desta forma, podemos incluir hábitos e comportamentos prati-
119
cados por um grupo de pessoas que podem ser determinantes para o surgimento 
de doenças.
Vamos analisar, agora, como ocorre a relação entre o ambiente exógeno (Epidemio-
logia Ambiental) e os seres humanos (Epidemiologia Social). No ambiente, temos fato-
res que podem ser biológicos, físicos (ruídos, vibrações, iluminação, descargas elétricas 
etc.) e químicos (radiações, metais pesados, compostos orgânicos voláteis, pesticidas, 
hormônios adicionados à alimentação e outros) (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; 
ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011; MEDRONHO et al., 2009). Estes fatores 
afetam ou podem afetar padrões de saúde e doenças. Dentre eles, ainda podemos citar 
os fatores políticos, sociais ou culturais que facilitam ou dificultam o contato com aque-
les fatores ambientais. Neste sentido, temos também a Epidemiologia Social.
Por meio da identificação e do conhecimento de como atua esse complexo 
conjunto de fatores, medidas de prevenção e proteção podem ser concebidas e 
a saúde das populações humanas pode ser mais adequadamente promovida e 
protegida (ALMEIDA FILHO; BARRETO 2011).
A Epidemiologia Ambiental nasce com o papel em discutir e elucidar eventos 
como catástrofes (queimadas, guerras, enchentes, tsunamis, furacões, terremotos), 
com os esforços de traçar os cenários futuros sobre os efeitos da mudança climá-
tica na saúde (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011). Como exemplo, temos um 
estudo publicado no ano de 1938, que revelou a relação do flúor na água com a 
cárie dentária em crianças. Este estudo mostrou a importância do uso do flúor 
na água como fator de proteção à cárie dentária no mundo.
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A partir do ano de 1960, temos tido muita atenção sobre a melhoria dos marcos 
tecnológicos ambientais, levando-se em conta a promoção de políticas de redução 
de poluentes, seja no ar, na água ou no solo. A disciplina de Epidemiologia Am-
biental tem assumido um papel importante para a construção da agenda global de 
sustentabilidade ambiental e das Metas do Milênio (Nações Unidas), na perspec-
tiva da saúde e da equidade (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROTHMAN; 
GREENLAND; LASH, 2011; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
Para analisarmos a complexidade e multiplicidade de exposições, dentro da 
Epidemiologia, temos que utilizar princípios e métodos de medição da exposição, 
precisão, medição e riscos específicos. É necessário avaliar a multicausalidade 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011). 
Ainda neste contexto, podemos inserir a teoria da multicausalidade na ocor-
rência de doenças, intervalo entre início da exposição e cessação, sobre o agente 
da doença e outros indicadores como fatores de dieta, metabólicos e psicosso-
ciais. Cabe ao investigador o desafio em medir ou estimar a magnitude, frequên-
cia e duração da exposição aos potenciais fatores de risco (ALMEIDA FILHO; 
BARRETO, 2011). Esta análise é muito importante pois influenciará na escolha 
do desenho de estudo. Podemos citar alguns pontos que podem influenciar na 
mensuração da exposição:
121
 ■ A complexidade dos compostos complexos de agentes causais como pes-
ticidas, solventes, partículas atmosféricas.
 ■ O comportamento e hábitos humanos que podem influenciar ou alterar 
a exposição na medida em que a exposição pode ocorrer pela ingestão 
(alimentos e líquidos), por inalação através da pele, entre outros.
 ■ Pode estar relacionada em situações de níveis baixos de exposição, na 
medida em que ela varia com suscetibilidade, genética, idade, presença 
de doenças crônicas, entre outras.
Para a coleta de dados, as ferramentas podem variar desde questionários, ins-
trumentos de mensuração química ou física e outros meios. Os dados devem 
ter alto grau de precisão, sensibilidade e especificidade. As medidas podem ser 
realizadas diretamente nos indivíduos (ex.: dosagem de chumbo no sangue; or-
ganoclorados, mercúrio), no seu microambiente (ex.: concentração de monóxido 
de carbono no domicílio), macroambiente (nível de cloro em reservatórios de 
água; saneamento dos municípios), e marcadores biológicos (por exemplo, coti-
nina medida no sangue, na saliva ou urina após a exposição ambiental ao cigar-
ro) (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 
2011; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999; MEDRONHO et al., 2009).
Dentre os estudos epidemiológicos utilizados, podem ser realizados a nível 
ecológico (populacional), até os ensaios clínicos randomizados, em que os gru-
pos utilizados nos experimentos são escolhidos de forma aleatória (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011; MEDRONHO et al., 2009).
Estima-se que 25 a 33% da carga global de doenças seja atribuída aos fatores 
de risco ambientais, e que esses riscos tendem a diminuir com o desenvolvimento 
econômico. Dentre os fatores que ameaçam a vida humana estão: má qualidade do 
ar, da água e solo, agentes infecciosos (leptospirose, doenças de transmissão vetorial, 
malária, dengue, entre outras), alterações ambientais (inundações, secas, terremo-
tos, incêndios etc.), mudanças ambientais globais (aquecimento global, redução 
da camada de ozônio, acidentes industriais e nucleares, derramamento de óleo e 
outros) e perturbações sociais (guerras, terrorismos, armas químicas e biológicas) 
(ALMEIDAFILHO; BARRETO, 2011; ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011).
Tais dados contribuem para prevenir e controlar os efeitos na saúde relacio-
nados ao ambiente: melhorias como saneamento básico ou medidas de higiene. 
Temos ainda a contaminação por alimentos e os alimentos transgênicos (que 
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122
são geneticamente modificados), que podem ocasionar a resistência de plantas a 
insetos, fungos, microrganismos e outros (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Desta forma, podemos medir a exposição, gerando doses-resposta; o uso de 
variáveis contínuas para a quantificação de uma exposição é preferida e serve de 
parâmetro para a elaboração de medidas de natureza regulatória.
Para adequar o estudo de uma associação causal, é necessário identificar a na-
tureza do potencial fator de risco em foco (exposição biológica, física ou química), 
bem como medida da sua intensidade e duração. Para isso, são necessários diver-
sos estudos em Epidemiologia e outras disciplinas. Um exemplo que podemos 
citar é a Toxicologia como disciplina, muito utilizada para gerar hipóteses pela 
experimentação em animais realizadas por toxicologistas, mas que necessitam de 
investigações epidemiológicas para o estabelecimento da relevância desses acha-
dos em seres humanos, assim como para determinar as doses que causam danos.
NOVAS DESCOBERTAS
Título: Erin Brockovich
Ano: 2000
Sinopse: Julia Roberts interpreta Erin, uma mulher divorciada, com 
três filhos e sem um tostão no bolso que, depois de sofrer um aci-
dente, implora ao seu advogado para trabalhar com ele. Ela descobre uma 
história de cair o queixo e começa a investigar a ocultação de um incidente 
envolvendo casos de água contaminada que causava graves doenças nos 
moradores das redondezas. A história é baseada em fatos verídicos. O acor-
do a que os advogados chegaram foi a maior indenização já paga num litígio 
direto na história dos Estados Unidos, cerca de US$ 333 milhões.
A Epidemiologia Ambiental tem grande importância na Saúde Coletiva como 
rede de segurança para identificar danos que comprometam a saúde das po-
pulações humanas. No mercado de químicos, temos cerca de 80 mil produtos 
químicos e outros milhares entrando, com fontes emissoras de radiações cada 
vez maiores. As mudanças climáticas, entre outros riscos potenciais para a saú-
de humana, fazem da Epidemiologia Ambiental uma disciplina extremamente 
relevante para as próximas décadas. A tendência é que o seu estudo evolua para 
evitar a introdução de novas ameaças para a saúde (MEDRONHO et al., 2009). 
123
A poluição química afeta diretamente o ambiente de trabalho envolvendo 
a saúde do trabalhador. Possui, portanto, relação com processos produtivos que 
compreendem desde a extração das matérias-primas, sua transformação em pro-
dutos, até seu destino final sob a forma de resíduos (MEDRONHO et al., 2009).
A construção e elaboração de indicadores de exposição é um trabalho muito 
complexo, pois temos variados graus de toxicidade e efeitos de interação adversos 
ao homem. O grau e efeito pode variar de acordo com o tipo de compartimen-
to, por exemplo, ar e água. Alguns poluentes podem participar de processos de 
biomagnificação, ou seja, a capacidade em se transformar por meio da cadeia 
biológica em substância de maior grau de toxicidade. Além disso, o limitado co-
nhecimento toxicológico e os tipos de efeitos adversos são geralmente crônicos, 
genéticos, irreversíveis, neurológicos, cancerígenos (MEDRONHO et al., 2009).
“Olá, aluno(a)! Acesse o QR Code para ouvir o podcast da 
disciplina. Nessa unidade, falaremos sobre a Epidemiologia 
Ambiental, relatando sobre alguns casos históricos de 
poluição que levaram pessoas até mesmo a óbito ou al-
terando a ecologia de ambientes e a vida presente nestes 
ambientes. Aperte o play para conhecer mais!”
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Para se avaliar a exposição, o dado de maior interesse para epidemio-
logistas é a dose. Existem diversas variáveis relacionadas a substâncias 
químicas, a população exposta, o ambiente e a infraestrutura de apoio 
para caracterizar a exposição no desenho e desenvolvimento dos es-
tudos. Desta forma, o epidemiologista conseguirá responder questões 
como: qual a fonte de exposição? Em quais locais está a substância? 
Como as pessoas podem estar expostas? Através de quais vias de pe-
netração a substância atinge as pessoas? Quem está exposto?
Neste sentido, após obter respostas a estas perguntas, poderemos 
agir de forma mais eficaz para solucionar os problemas de saúde. Fazer 
uma investigação cautelosa sobre aspectos de localidade, exposição, 
tipo de substâncias e os indivíduos envolvidos, já que alguns indi-
víduos podem apresentar maior risco que outros, como crianças e 
adolescentes, gestantes e idosos. 
Dados sobre poluentes químicos e características do ambiente 
normalmente não existem, são escassos ou desatualizados. Será ne-
cessário ao epidemiologista estabelecer um levantamento de dados 
sobre estes parâmetros. Para se obter dados demográficos e socioe-
conômicos, pode ser utilizadas bases de dados disponíveis como as 
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para dados 
sobre o ambiente pode-se utilizar os dados do Ministério do Meio 
Ambiente (MMA) e ainda do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), 
Agência Nacional de Energia e Eletricidade (ANEEL).
A informação toxicológica sobre os efeitos à saúde é inexistente 
ou escassa, por isso difícil de ser analisada.
Os principais locais do organismo atingidos por poluentes são 
os parênquimas (pulmão, rins, fígado) e o sistema nervoso (central e 
periférico). Além destes, ainda podemos citar os efeitos que causam al-
terações de comportamento, imunológicos (depressão e autoimunida-
de), da pele e das mucosas, efeitos no crescimento e desenvolvimento, 
mutagênicos, teratogênicos e carcinogênicos. Podem ser reversíveis ou 
irreversíveis, dependendo da capacidade de regeneração dos tecidos 
(MEDRONHO et al., 2009).
Em se tratando de intoxicações por substâncias químicas, identi-
ficam-se 4 fases, desde a exposição ao quadro clínico.
125
1. Fase da exposição que pode ter ocorrido pelo ar, água, poeira, solo;
2. Fase toxicocinética que é representada pela absorção, transformação, dis-
tribuição, armazenamento ou eliminação da substância química;
3. Fase da toxicodinâmica em que o poluente interage com moléculas específicas;
4. Fase clínica primeiros efeitos sob a forma de sinais e sintomas e eviden-
ciando a ocorrência da intoxicação.
Para a avaliação da toxicidade de uma substância, utilizamos de critérios científi-
cos, a Dose Letal 50 (DL50) e a Concentração Letal 50 (CL50). A DL50 representa 
a dose ingerida por via oral única, capaz de matar 50% de uma amostra determi-
nada de cobaias; a concentração letal 50 indica a concentração no meio ambiente, 
que mata 50% dos animais utilizados como cobaias (MEDRONHO et al., 2009).
Observe, na Tabela 1 que quanto maior a dose, menor a toxicidade de uma subs-
tância, verifique, também, o Grau de Toxicidade por métodos de Avaliação de Toxi-
cidade. Os graus de toxicidade foram divididos em Extremamente tóxico, Altamente 
tóxico, Moderadamente tóxico, Ligeiramente tóxico, Praticamente não tóxico, Relati-
vamente atóxico, de acordo com a Dose Letal 50 e a Concentração Letal 50.
Grau de Toxicidade por métodos de avaliação toxicológica
Grau de toxicidade DL50 CL50
Extremamente tóxico
Menos de 1 mg/
kg
Menos de 50 ppm
Altamente tóxico 1-50mg/kg 50-100 ppm
Moderadamente tóxico 50-500 mg/kg 100-1000 ppm
Ligeiramente tóxico 0,5- 5g/kg 1000-10000 ppm
Praticamente não tóxico 5-15 g/kg 10000-100000 ppm
Relativamente atóxico Mais de 15 g/kg Acima de 100000 ppm
Tabela 1 - Grau de Toxicidade por métodos de avaliação toxicológica
Fonte: adaptado de Salgado e Fernícola (1989).
 ■ 1 ppm= partes por milhão
UNIDADE 4
UNIDADE 4
126
O sistema de medições de rotina tem como objetivo detectar alterações no ambiente 
(monitoramento ambiental)e no estado de saúde das populações expostas (monitora-
mento biológico) (MEDRONHO et al., 2009). Para se chegar em ações de prevenção 
e controle, a medição de emissão de poluentes é necessária, dentro do monitoramento 
ambiental. O monitoramento biológico tem início na fase da toxicocinética, através 
da dosagem do poluente em tecidos e fluidos do organismo humano.
Após a fase da toxicocinética, pode ocorrer as primeiras reações do poluente 
no organismo, representados pela toxicodinâmica, evoluindo posteriormente 
para a evolução do quadro clínico de doença, constituindo o monitoramento 
clínico (MEDRONHO et al., 2009).
De forma geral, os sistemas de vigilância adotam os índices de morbidade e mor-
talidade da população. Por meio destes, podemos chegar ao foco de interesse dos 
profissionais de saúde para, então, avaliar e atuar na fase mais precoce possível deste 
processo, ou seja, desde a emissão até as fases seguintes (MEDRONHO et al., 2009).
Alguns elementos apresentam prioridade para o monitoramento de subs-
tâncias químicas selecionadas. Dentre estes elementos, podemos citar o chum-
bo, cuja emissão pode ocorrer por meio da emissão da indústria (bateria, vidro, 
tintas), cigarro, água, sendo o ambiente atmosférico, água, solo e alimentos. Já 
os biológicos seriam a dosagem no sangue, urina e cabelo, podendo apresentar 
alterações hematopoiéticas (anemia), alterações no sistema nervoso periférico e 
central, gastrointestinais ou urinários, dentre outros.
Outro exemplo são as substâncias organocloradas, cuja emissão ocorre pela in-
dústria de pesticidas, agricultura, em alimentos, ar e água contaminados. O monito-
ramento biológico pode ser realizado por meio da dosagem de poluentes no sangue, 
leite materno ou no tecido adiposo e seus efeitos podem ser alterações no sistema 
nervoso, gastrointestinal (fígado), cardiovasculares, endócrinos, câncer e mutagênese.
A implantação de sistemas de vigilância em saúde ambiental não é uma tarefa 
fácil, visto que a vigilância epidemiológica dos sistemas municipais e estaduais 
geralmente fica limitada a doenças infecciosas e pouquíssimos serviços têm enfo-
que em problemas ambientais. Alguns exemplos que elucidam a dificuldade para 
a implantação dos sistemas de vigilância são o aumento de substâncias tóxicas, 
dificultando o desenvolvimento de metodologias para obtenção e análise da in-
formação; legislação inadequada ou não cumprimento da legislação existente ou 
mesmo a falta de capacitação dos profissionais de saúde, notadamente médicos 
no diagnóstico clínico das intoxicações.
127
No Brasil, a instituição responsável pela Epidemiologia Ambiental é o Sistema 
Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental, que compreende um sistema articulado 
de instituições dos setores público e privado componentes do Sistema Único de Saúde. 
Esses sistemas constituem a Vigilância em Saúde Ambiental, que é responsabilidade da 
Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MEDRONHO et al., 2009).
Podemos observar que existe uma grande contribuição da sociedade, envol-
vendo conceitos políticos, na problematização da saúde, que estão relacionados às 
classes sociais, poder, justiça e desigualdades que afetam a saúde das populações. 
A disciplina que envolve esta temática é conhecida como Epidemiologia Social. O 
seu objetivo é estudar explicitamente os determinantes sociais do processo saúde-
-doença, como raça, etnia, classe, grau de escolaridade e posição socioeconômica 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011).
Sabe-se que indivíduos pobres vivendo em ambientes degradados apresentam 
piores condições de saúde que os que vivem em ambientes melhores. Portanto, 
o estudo de questões sociais também está envolto na análise da distribuição das 
doenças, nas taxas de mortalidade e morbidade com renda e condições de mora-
dia, por exemplo (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROTHMAN; GREEN-
LAND; LASH, 2011).
UNIDADE 4
UNIDADE 4
128
O Estilo de vida, as escolhas individuais, os 
hábitos e comportamentos são indicadores de 
doenças ou saúde. É perceptível que o hábito 
das pessoas é dependente de grupos sociais, por 
isso é importante conhecer os determinantes 
mais complexos do comportamento humano 
e condições materiais, para que as práticas de 
promoção e prevenção possam ser efetivas 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Ao estudarmos o processo saúde-doença 
levando em consideração os grupos sociais, po-
demos estabelecer alguns questionamentos, por 
exemplo ao estudarmos a AIDS e o HIV, a nível 
da Epidemiologia Clínica: o que coloca a pessoa 
em risco de adquirir a infecção? No âmbito social, 
perguntaríamos: quais características populacio-
nais aumentam a vulnerabilidade a epidemias de 
HIV? (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
A trajetória pessoal, moldada no contexto 
social e condições materiais de vida, determina 
o estado de saúde de uma população. Efeitos 
cumulativos que resultam da intensidade e du-
ração das exposições nocivas ao longo da vida 
(da infância à senescência) também estão envol-
vidos. Neste caso, não só os aspectos materiais 
são levados em consideração, mas também o psi-
cossocial, que leva em conta o sucesso, o fracasso 
ou frustração, a exclusão social, o racismo, o de-
semprego, que podem produzir doenças como 
resultado de múltiplos estressores e falta de ha-
bituação (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; 
ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011).
A mensuração de fatores de risco e méto-
dos de análise, como questionários e outros, 
129
parecem ser ineficientes para a abordagem 
correta desses problemas complexos. Desta 
forma, é necessário desenvolver novas técnicas 
e ferramentas para estabelecer novas estraté-
gias de análise dos fatores sociais no processo 
de saúde-doença. Assim, poderemos reduzir 
as desigualdades sociais a partir da elabora-
ção de intervenções sociais, com a formula-
ção de políticas públicas, tendo como base 
o reconhecimento dos direitos do cidadão, a 
liberdade democrática e melhorar a qualida-
de de vida da população (ALMEIDA FILHO; 
BARRETO, 2011; MEDRONHO et al., 2009).
Nesta unidade, vimos que a transição de-
mográfica acompanha a transição epidemio-
lógica, assim como os fatores ambientais po-
dem ser determinantes no acometimento por 
doenças. Os óbitos por doenças transmissíveis, 
como também das doenças não transmissíveis 
ocasionadas devido ao envelhecimento da po-
pulação, estão presentes em nosso território. 
Desta forma, concluímos que o Brasil convive 
com uma transição prolongada, com a perma-
nência de doenças transmissíveis e não trans-
missíveis por todo o território.
Esta conclusão mostra os desafios en-
frentados por gestores públicos e profissio-
nais da saúde. Verifique quais os fatores que 
impulsionam a transição epidemiológica em 
nosso país, anotado em seu Diário de Bordo, 
no início da unidade, e pense em propostas 
para solucionar as dificuldades enfrentadas 
em seu município/estado, visando a saúde da 
população.
UNIDADE 4
130
1. A proposta de uma lei universal, com padrões diferenciados de crescimento po-
pulacional mundial, existiu durante séculos. Neste sentido, podemos destacar as 
projeções de Malthus de um lado e de Engels e Marx do outro.
Explique qual a diferença entre as três teorias: Teoria malthusiana, marxista e tran-
sição demográfica. Dentre elas, qual é a mais aceita nos dias de hoje?
2. A transição demográfica ocorre por um processo dentro do contexto populacional 
onde prevalecem altos coeficientes de mortalidade e natalidade, para, então, alcan-
çar baixos coeficientes. Essa teoria tem como pressupostos a teoria malthusiana e 
marxista.
Por meio de observações relacionadas às transformações demográficas quanto ao 
processo de industrialização, de forma geral, podemos ter quatro fases relacionadas 
neste período de transição clássico: fase Pré-Transição, Fase de Aceleração Demo-
gráfica, Fase de Desaceleração Demográfica e Fase de Estabilização da população. 
Explique cada uma delas.
3. Omran propõe 3 grandes eras, ou estágios,para a transição epidemiológica. Esta 
divisão facilita o entendimento dos problemas enfrentados em cada período histó-
rico. Estes períodos seriam a Era de Pestilências e da Fome; a Era do Declínio das 
Pandemias e a Era das doenças degenerativas e das provocadas pelos homens. 
Explique cada uma delas.
4. No Brasil, o perfil epidemiológico apresenta-se de forma diferente ao dos países in-
dustrializados, assim como os países da América Latina. É observado uma superposi-
ção e não transição, em que temos doenças parasitárias, infecciosas, como, também, 
crônico-degenerativas e outros agravos não infecciosos. Este perfil mostra padrões 
distintos em que o perfil de morbimortalidade se mantém característico de distintos 
padrões, fruto da desigualdade, acarretando uma transição prolongada ou polarizada 
(MEDRONHO et al., 2009; PINTO et al., 2021).
Explique quais são esses períodos e o porquê de o Brasil não se encaixar no modelo 
proposto para países industrializados.
131
5. Para esse tópico, “o ambiente será definido como o espaço ou contexto de atuação 
dos fatores exógenos aos seres humanos que afetam os padrões de saúde e de 
doença” (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011, p. 363). Logo, a Epidemiologia Ambiental 
estuda a distribuição dos eventos relacionados à saúde em populações de acordo 
com os determinantes ambientais. Este ramo da Epidemiologia é capaz de mensurar 
os fatores:
a) Químicos, físicos e biológicos.
b) Moleculares e genéticos.
c) Clínicos, mutagênicos e biológicos.
d) Genéticos, econômicos e físicos.
e) Econômicos, físicos e biológicos.
6. Sobre Epidemiologia Ambiental, temos fatores exógenos com os seres humanos, 
podendo ser físicos, químicos ou biológicos. Mas também podemos ter os fatores 
políticos, sociais, ou culturais que facilitam ou dificultam o contato com aqueles fa-
tores ambientais. Qual é a função da Epidemiologia Social?
5Epidemiologia 
Aplicada em Saúde, 
Planejamento e 
Gestão em Saúde
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Olá, querido(a) aluno(a)! Nesta unidade, abordaremos sobre como 
as ferramentas da Biologia Molecular podem atuar no aprimoramen-
to para um diagnóstico adequado, por meio de técnicas que podem 
auxiliar na investigação da incidência de doenças na população e a 
relação gene-gene ou gene-ambiente. Diferentes tipos de estudos 
ou delineamentos epidemiológicos, suas vantagens e desvantagens, 
assim como seus métodos. A Epidemiologia Nutricional e Perinatal, 
dependendo da alimentação, pode afetar o desenvolvimento fetal, ou 
mesmo posteriormente, em sua vida adulta. Finalizaremos abordando 
o planejamento de serviços de saúde
UNIDADE 5
134
No ano de 1946, na cidade de 
Zanzibar na Tanzânia, nascia Far-
rokh Bulsara, filho de Bomi e Jer 
Bulsara. O menino começou a to-
car piano aos 7 anos de idade em 
Mumbai, na Índia. Aos 18 anos de 
idade, sua família mudou-se para 
Middlesex, um condado no leste 
da Inglaterra, onde o garoto ini-
ciou seus estudos em Design Grá-
fico, vindo a se formar em 1969.
O jovem Farrokh era apaixo-
nado por música, tocando piano e 
cantando. Contava com algumas 
vantagens pessoais, pois tinha 4 
dentes (incisivos) a mais em sua 
boca, alguns diziam que a largura 
da boca o ajudava a potencializar 
a sua voz.
Não sei se você já identificou 
quem é este artista, mas durante os 
anos em que cursava Design Gráfico, o rapaz começou a cantar em uma banda 
chamada Wreckage. Roger Taylor (1949) e Brain May (1947), por sua vez, tinham 
uma banda chamada Smile. Quando o vocalista do Smile saiu, Farrokh o substituiu 
e os rapazes decidiram alterar o nome do conjunto. Farrokh utilizava o nome artís-
tico de… Freddie Mercury! Ele anunciou o novo nome da banda, Queen, em 1970.
Muitos devem conhecer o sucesso da banda nos anos subsequentes. Após 
conhecer Mary Austin, com quem teve um relacionamento amoroso que se trans-
formou numa enorme amizade, os dois foram viver juntos em Kensington e, em 
1973, Freddie pediu Mary em casamento. O casamento jamais aconteceu porque, 
em determinado momento da relação, o cantor assumiu a sua bissexualidade. O 
relacionamento amoroso acabou, mas a amizade seguiu em frente.
Grandes sucessos acompanharam a banda, porém em 1987, Freddie foi diag-
nosticado com AIDS. No ano de 1991, ele fez este anúncio: 
135
 “ Desejo confirmar que fui testado como soropositivo e tenho AIDS. 
Achei correto manter essa informação em sigilo para proteger a 
privacidade das pessoas ao meu redor. No entanto, chegou a hora 
dos meus amigos e fãs ao redor do mundo saberem a verdade e 
espero que todos se unam aos meus médicos e a todos os que estão 
no mundo na luta contra essa terrível doença.
No dia seguinte à publicação do comunicado, Freddie morreu de pneumonia na 
sua mansão situada em Kensington (Londres). A morte prematura, aos 45 anos de 
idade, foi consequência de complicações provocadas pelo HIV. O mundo perdia 
um grande artista! Assim como muitas outras pessoas que morreram com esta 
doença ou ainda sofrem sintomas decorrentes dela.
Como profissionais da área da saúde, sabemos que a AIDS é uma doença sexual-
mente transmitida e seu agente causador é o vírus (vírus da imunodeficiência humana). 
A área da saúde conta com diversas técnicas ou ferramentas utilizadas para 
realizarem um diagnóstico de um paciente. Ao identificar um indivíduo portador 
de AIDS, existem técnicas que permitem a identificação correta desta doença 
para o direcionamento de um tratamento mais apropriado. Quais as técnicas 
envolvidas no diagnóstico da AIDS?
Em 1981, nos Estados Unidos, houve o aumento no uso de um fármaco uti-
lizado no tratamento da pneumonia. Uma doença desconhecida surgia, após 
diversos estudos, uma infecção rara tornou-se epidemia e foi batizada com o 
nome de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Em 1984, os estudos 
indicaram que a causa da doença era um vírus, conhecido como HIV (vírus da 
imunodeficiência humana), contendo RNA e enzima transcriptase reversa. 
Essa enzima permite que o vírus copie seu RNA em DNA, integrando-o ao 
núcleo das células infectadas, atacando principalmente as células T auxiliares e 
macrófagos, processo ainda não compreendido. Contudo, sabe-se que provoca o 
desaparecimento de células T auxiliares e desorganização de todo sistema imune, 
desenvolvimento de infecções oportunistas e tumores que ameaçam a vida do 
hospedeiro (PLAYFAIR; CHAIN, 2013).
Existe uma hipótese para a origem do vírus ter se disseminado a partir de chim-
panzés, talvez pelo consumo humano de carne contaminada. Tem sido feito grandes 
esforços para desenvolver vacinas contra o HIV. Foram identificados dois tipos de 
HIV, os tipos I e II, que estão estreitamente relacionados ao vírus símio (de macaco) 
UNICESUMAR
UNIDADE 5
136
e mais distantes do retrovírus causador de leucemias de 
células T. Seu genoma é uma fita dupla de RNA.
Ao infectar o indivíduo, o vírus provoca uma forte imu-
nidade celular e respostas de anticorpos. No entanto, essas 
respostas não são o suficiente para eliminar completamente 
o vírus ou interromper a divisão. A enzima transcriptase 
reversa também varia o antígeno, dificultando a obtenção 
de imunidade protetora ou de uma vacina efetiva.
O HIV usa de genes isolados para produzir poli-
poproteínas longas, que são cortadas por uma enzima 
(protease) encontrada no próprio vírus. O resultado é 
diversas unidades funcionais produzidas. Fármacos que 
bloqueiam a protease constituem uma classe importante 
de inibidores de HIV.
A transcriptase reversa permite que ocorram erros 
de transcrição (geralmente, uma mutação de par de 
base para cada ciclo de replicação viral). Tal fenômeno 
permite que ocorra rápido desenvolvimento de novas 
variantes virais ao longo do curso de uma infecção. 
Em 2006, as estimativas indicaram que 32 milhões de 
indivíduos foram infectados pelo HIV, em todo o mundo, 
com mais de 2 milhões de mortes decorrentes. Em sua 
maioria, são pessoas que vivem na África subsaariana.
Os últimos anos têm acompanhado grandes melho-rias dentro da área médica. Os profissionais da saúde 
contam com grandes avanços tanto em pesquisas, quan-
to em inovações na tecnologia, atuando a favor do com-
bate às doenças. Para manter toda essa inovação, todos 
os profissionais, entidades de saúde precisam manter a 
organização e capacitação no tratamento hospitalar.
Para que alcance seus objetivos, é necessário que a 
administração realize a gestão, vindo a funcionar de for-
ma eficiente. Isto é muito importante, pois os desafios são 
vistos e acompanhados por nós, acompanhamos a luta 
de um conhecido, amigo ou familiar, ou até mesmo nós, 
137
que enfrenta longas filas para que consiga o atendimento adequado. A gestão en-
volve uma diversidade de fatores e, ainda, conta com uma equipe multidisciplinar, 
podemos citar o gerenciamento dos mais variados sistemas de saúde, incluindo 
colaboradores, materiais, processos e equipamentos.
Seja em hospitais públicos e privados, unidades de saúde, laboratórios, seja 
em casas de repouso, clínicas e consultórios, são ambientes onde o profissional 
de saúde pode atuar e o foco deve ser em obter bons resultados para que realizem 
esta demanda. Pensando em desafios como: a qualidade dos serviços prestados, 
a satisfação dos pacientes e, consequentemente, o bom faturamento, pense em 
maneiras que você poderia apresentar, como colaborador, para contornar estes 
desafios fornecendo soluções para eles.
A contaminação pelo Vírus da Imunodeficência Adquirida, AIDS, atingiu 
o mundo de forma gradativa. No ano de 2005, foi estabelecido um Plano para 
alcançar os objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). Dentre estes 
objetivos estavam combater o HIV e a AIDS, seja em países pobres ou ricos, até 
o ano de 2015. Reflita se houve um efetivo combate e redução deste parâmetro 
em nosso país e anote no Diário de Bordo.
UNICESUMAR
UNIDADE 5
138
A Epidemiologia tem tido grande importân-
cia nas ciências da saúde, expandindo-se entre 
todos que procuram entender o processo de 
saúde-doença, assim como a distribuição das 
doenças na população. Assim, a Epidemiologia 
consegue responder diversos questionamentos 
sobre a saúde humana e animal, além de de-
monstrar associações entre diversos eventos, 
seja no passado ou no presente. 
Conseguimos, caro(a) aluno(a), por meio da 
Epidemiologia, estabelecer medidas de preven-
ção, proteção e recuperação à saúde e avaliar a 
eficácia na tomada de decisão. A disciplina apre-
senta ampla utilização, sendo difícil, muitas vezes, 
entender como uma mesma matéria pode receber 
diferentes denominações, como Epidemiologia 
Molecular, Genética, Hospitalar e Clínica.
Diante das diversas denominações, podemos 
considerar a complexidade dos determinantes da 
saúde-doença, das diversas causalidades e dos fe-
nômenos biológicos, físicos, químicos e sociais. A 
seguir, temos os mais importantes níveis de determi-
nações reconhecidos e estudados na Epidemiologia 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Por meio da Biologia Molecular, desenvolveu-se 
métodos para identificar moléculas relacionadas 
com eventos de saúde que possam ocorrer no or-
ganismo, análises de ácidos nucleicos e seus produ-
tos de expressão (como as proteínas). Também foi 
possível desenvolver estudos dos efeitos genéticos 
e epigenéticos, o que pode potencializar a decifra-
ção do genoma humano e desenvolver a Epidemio-
logia Genética (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
139
NOVAS DESCOBERTAS
O desenvolvimento de técnicas de amplificação de segmentos de DNA, 
utilizando a reação de cadeia de polimerase (PCR), permite amplificar 
moléculas de DNA milhares ou milhões de vezes de forma rápida. É 
uma técnica sensível que permite a amplificação de DNA a partir de uma 
quantidade mínima de amostra. Que tal conhecer como é realizada a 
análise em laboratório da PCR em tempo real quantitativa (qPCR)? Den-
tre as etapas que serão apresentadas no vídeo, temos a: Extração; Prepa-
ro do mix; Pipetagem das amostras; Amplificação e a Leitura. Assista ao 
vídeo para conhecer mais o passo a passo para realizar a técnica de PCR. 
Além de auxiliar no diagnóstico de doenças infecciosas, na Epidemio-
logia Molecular, a técnica de PCR pode ser utilizada em outras áreas, 
como em testes de identificação genética, medicina forense, controle 
de qualidade industrial, entre outros (ZAHA; FERREIRA; PASSAGLIA, 
2014). Acesse o QR Code e assista ao vídeo.
Um exemplo de técnica molecular é a denominada RT-PCR, polymerase chain 
reaction associada a transcriptase reversa, utilizada para detectar o material viral 
do HIV (RNA e proteínas retrovirais) no sangue humano, permitindo determinar 
a distribuição da infecção por HIV nas populações.
Dentro da Epidemiologia Molecular, podemos empregar técnicas para outros 
agravos também, como para as doenças neoplásicas e nutricionais. A interação 
gene-ambiente se sutiliza também de técnicas moleculares como determinantes 
para o desenvolvimento de doenças (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011). 
UNICESUMAR
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14229
UNIDADE 5
140
 ■ Genotipagem: processo que determina o genótipo, as características ge-
néticas de uma célula ou organismo, que pode ser realizado para todo o 
genoma ou para regiões específicas do genoma;
 ■ Fenotipagem: processo que determina o fenótipo, características obser-
vadas e expressas por uma célula ou organismo, como a morfologia, a 
suscetibilidade antimicrobiana e a virulência.
Desta forma, os epidemiologistas podem identificar doenças na população por meio 
de padrões de ocorrência. Técnicas de tipagem molecular são capazes de identificar 
subtipos de agentes infecciosos os quais não seriam permitidos com o uso apenas de 
técnicas convencionais (fenotipagem) (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011). 
Dentro da Epidemiologia, os estudos, em sua maioria são observacionais. Nos 
estudos observacionais descritivos, pesquisadores identificam a frequência da 
ocorrência de eventos em saúde, tanto em um indivíduo, quanto em um grupo. 
Em estudos epidemiológicos analíticos, as técnicas moleculares têm papel de 
destaque. Neste estudo, podemos testar hipóteses e avaliar a existência de asso-
ciações entre exposições e desfechos. Por exemplo, muitos ensaios clínicos foram 
conduzidos para verificar a eficácia de medicamentos antivirais contra o HIV 
em pacientes com AIDS. Nesses casos, foi verificada a supressão da carga viral 
do indivíduo utilizando métodos moleculares para determinar a carga de RNA 
do vírus no sangue de cada participante (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Numerosas técnicas moleculares são aplicadas para diagnóstico e genotipa-
gem de doenças em estudos epidemiológicos, principalmente para doenças in-
fecciosas. Por isso é importante que você entenda a diferença entre genotipagem 
e fenotipagem (RILEY, 2004):
Desta forma, a Epidemiologia Molecular permite que dados genotípicos de doen-
ças infecciosas sejam identificados por subtipos de agentes infecciosos que não 
poderiam ser identificados por técnicas convencionais. Isto permite identificar 
subtipos de agentes infecciosos que não seriam possíveis pela utilização de técni-
cas convencionais (fenotípicas) de tipagem. A partir do conhecimento de subtipos 
de microorganismos causadores da infecção, é possível criar novas definições de 
caso e identificar fatores associados a subtipos específicos.
141
No exemplo do vírus do HIV, ao realizarmos a técnica de genotipagem, po-
demos identificar o tipo viral, tipo 1 ou 2, assim como também a carga viral do 
HIV e mutações relacionadas. Já na técnica convencional de microscopia ele-
trônica, podemos apenas identificar a presença do vírus, mas não seu subtipo. A 
identificação do tipo viral pode auxiliar no tratamento, por isso, sua importância.
As características comuns aos microrganismos causadores de doenças são 
chamadas de taxonomia, dados sobre a linhagem de descendência ou desenvol-
vimento evolutivo destes microrganismos que são definidos como filogenia. São 
técnicas usadas a favor da Epidemiologia. 
Apesar das técnicasmoleculares a favor da Epidemiologia, ainda se utili-
za em grande escala métodos convencionais de fenotipagem (como o Teste de 
Susceptibilidade aos Antimicrobianos), sendo corriqueiro este uso, pois fornece 
características morfológicas, bioquímicas, sorológicas e funcionais. 
O Teste de Susceptibilidade aos Antimicrobiana (TSA) é um exemplo de teste fenotípico 
frequentemente utilizado em estudos epidemiológicos. Este teste é usado pelo laborató-
rio de Microbiologia. No entanto, o isolamento e a identificação do agente responsável 
por um processo infeccioso dependem da integração de diversos profissionais: médi-
cos, microbiologistas, farmacêuticos-clínicos e serviço de controle de infecção hospitalar 
(SCIH). Todos deverão participar na definição dos grupos de antimicrobianos utilizados 
nos testes de uma instituição.
Além de orientação terapêutica, o TSA é uma ferramenta essencial no monitoramento 
da resistência bacteriana e é um recurso auxiliar na implantação de medidas eficazes 
de controle que evitem a disseminação de bactérias multirresistentes. Para a liberação 
e a utilização adequada de todas as possíveis informações que um TSA pode oferecer, é 
fundamental que os microbiologistas, enfermeiros e médicos tenham um conhecimento 
mínimo sobre as metodologias disponíveis e os recursos de cada método
EXPLORANDO IDEIAS
Técnicas de tipagem molecular são utilizadas na análise de diferenças ou sequên-
cias do DNA cromossômico ou extracromossômico e de moléculas de RNA. Os 
sistemas de genotipagem podem ser agrupados em três tipos de análise: padrão 
de bandas de eletroforese; e por meio de hibridização de ácidos nucleicos ou pelo 
sequenciamento de ácidos nucleicos.
Na Figura 1, podemos ver que a partir da eletroforese em gel de agarose, o 
DNA de menor tamanho percorre maior distância no gel (porção inferior da ima-
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UNIDADE 5
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gem). Na primeira coluna, temos o DNA com tamanhos de fragmentos conhe-
cidos, que foi utilizado como referência. Nas demais colunas, bandas diferentes 
indicam diferentes tamanhos de fragmentos; e diferentes intensidades indicam 
diferentes concentrações (quanto mais brilhante, mais DNA). As bandas de DNA 
tornam-se visíveis usando brometo de etídio e luz ultravioleta.
Descrição da Imagem: na imagem, temos um teste de eletroforese em gel de agarose mostrando as 
diferenças nos tamanhos da molécula de DNA. As bandas de DNA presentes no teste estão na coloração 
rosa e o fundo da imagem é azul. As bandas estão apresentadas em 30 colunas. Ao realizar este teste, as 
moléculas de DNA iniciam seu movimento de cima para baixo, as bandas, então, parecem se arrastar pelo 
gel, deixando uma impressão mais clara e cintilante. 
Figura 1 - Padrão de bandas moleculares de eletroforese em gel de agarose
Fonte: Kasvi (2017, on-line).
143
As técnicas permitem a utilização de equipamentos comuns e padronização de 
reagentes. Desta forma, é possível realizar análises de diferentes agentes infeccio-
sos e outros agentes de interesse.
A eletroforese de DNA convencional permite separar as moléculas de 500 a 20 kb. 
Os métodos mais conhecidos são: polimorfismo de tamanho do fragmento de res-
trição (RFLP, restriction fragmente legnt plymorphism) e métodos baseados na PCR.
A técnica de RFLP baseia-se na digestão da molécula de DNA com endo-
nucleases de restrição (enzimas específicas que cortam o DNA em fragmentos), 
com posterior separação dos fragmentos obtidos por meio da eletroforese em gel 
de agarose (Figura 1), originando padrões de eletroforese baseados no número 
e tamanho dos fragmentos.
Diferentes fragmentos são gerados pelo reconhecimento de sequências úni-
cas de DNA pelas endonucleases que as cortam em sequências únicas. Em cada 
microrganismo, esses fragmentos são diferentes, permitindo, então, diferenciá-los 
de acordo com os fragmentos expressos.
Atualmente, as técnicas baseadas em PCR são muito utilizadas. Estas técnicas 
envolvem a síntese de milhões de cópias de um segmento específico de DNA na 
presença da enzima DNA polimerase. A técnica RT-PCR inclui uma fase anterior à 
PCR de incorporação da enzima transcriptase reversa, cuja função é caracterizar e 
detectar as moléculas de RNA mensageiro (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
No processo de transcrição reversa, a partir de um RNA, é formado o DNA com-
plementar, que é amplificado na reação de PCR. A técnica permite o estudo de orga-
nismos à base de RNA, como o HIV e análises de expressão gênica. Nestas técnicas 
convencionais, os produtos da PCR são revelados em gel de agarose em eletroforese.
O PCR em tempo real possibilita a detecção e amplificação do ácido nuclei-
co alvo em um aparelho termociclador especial contendo amostras. A técnica 
tem sido utilizada por possuir baixo risco de contaminação do laboratório com 
amplicons (material amplificado) e permitir estudos de padrão de expressão gê-
nica, sequenciamento direto de produtos amplificados, estudos diagnósticos de 
doenças parasitárias, virais e bacterianas, monitoramento de carga viral e outros.
As técnicas moleculares apresentam certas limitações. Por exemplo, não é 
possível aplicar técnicas se não houver um material biológico de quantidade e 
qualidade adequados. A amostra deve ser padronizada, podendo ser sangue total, 
soro, fragmentos de tecido, microrganismos isolados de pacientes ou outra amos-
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UNIDADE 5
144
tra. O laboratório deve ser muito bem equipado e os reagentes e equipamentos 
podem ter altos custos de aquisição e manutenção.
Com os avanços tecnológicos e redução de custos de técnicas, espera-se que 
essas técnicas sejam aplicadas rotineiramente. Muitas vezes, são indispensáveis 
para os diagnósticos de determinadas doenças, como o vírus HIV e hepatites vi-
rais; no estudo de doenças emergentes e reemergentes; na identificação de novos 
patógenos; estabelecimento de infecções e elucidação de mecanismos patogêni-
cos (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
A partir de técnicas moleculares, podemos identificar genes envolvidos com neoplasias 
malignas, como no caso do câncer de mama. O primeiro gene de predisposição ao câncer 
de mama (BRCA1) foi mapeado no braço longo do cromossomo 17, em 1994, a partir da 
participação de muitas famílias. No ano seguinte, foi mapeado o segundo gene de suscep-
tibilidade ao câncer de mama (BRCA2) no braço curto do cromossomo 13. A prevalência 
de câncer de mama foi estimada em 0,11% para portadores de mutações em BRCA1/2 na 
população geral, e entre 13% e 16% em famílias de alto risco com três ou mais casos de 
câncer de mama ou ovário.
Fonte: adaptado de Amendola e Vieira (2005).
EXPLORANDO IDEIAS
A Epidemiologia Genética ou Genômica tem como fundamentação a identifi-
cação de genes como fatores de risco para doenças humanas. Doenças comuns 
podem ter um componente genético por agregação familiar, por apresentarem 
restrição étnica ou evidência em modelos animais. Por exemplo: doenças do cora-
ção, diabetes, hipertensão e o câncer possuem complexas características genéticas 
em comum e têm se tornado um dos principais focos da Epidemiologia Genética 
moderna (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; GORDIS, 2009).
145
O estudo das funções e interações de todos os genes do genoma é chamado de 
Genômica. Muitas outras disciplinas com o sufixo “ômicas” têm surgido para es-
tudar expressões, produtos e interações de genes, como a Proteômica, a Transcrip-
tômica, a Metabolômica, a Nutrigenômica, a Farmacogenômica e a Toxicogenô-
mica. Muitas doenças crônicas comuns foram descobertas com o estudo de caso 
controle em grande escala, fornecendo resultados sobre as variações genéticas 
relativas às doenças (ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011; GORDIS, 2009).
A identificação da ordem dos nucleotídeos em um fragmento de DNA per-
mite mapear genes para a identificação de marcadores de doenças. Desta forma, 
a Epidemiologia Genética é baseada no que compreendemos sobre Genoma 
Humano. Sabemos que a transmissão e expressão da informação genética é mais 
complexa do que se acreditavade dolor e dolore, que sig-
nificam “dor” e “doer”. A doença constitui falta ou excesso de excitação dos tecidos abaixo 
ou acima do grau que constitui o estado normal (COELHO; ALMEIDA FILHO, 1999)..
EXPLORANDO IDEIAS
Desta forma, o corpo humano saudável apresenta a habilidade de manter o meio 
interno em equilíbrio quase constante, independentemente das alterações que 
ocorram em ambiente externo, habilidade denominada de homeostase. Para 
manter a homeostasia, o meio interno deve manter certos valores sem alterações. 
Isto só é possível graças a diversos processos fisiológicos que ocorrem de maneira 
coordenada e que garantem o equilíbrio homeostático.
Caso não seja restabelecida, pode resultar em patologia, levando o indivíduo a 
óbito. Entre as variáveis que devem permanecer em equilíbrio, podemos destacar 
a temperatura corpórea, o pH (potencial hidrogeniônico) dos líquidos corporais, 
pressão arterial e frequência cardíaca.
Na Antiguidade greco-romana, acreditava-se que os elementos terra, ar, fogo 
e água estavam associados ao modelo médico, sendo atribuído suas característi-
cas a fluidos corporais, os humores, Teoria dos Humores, a saúde decorreria de 
equilíbrio e excessos e faltas explicariam a doença. Com o desenvolvimento da 
15
anatomia, identificou-se que a doença era localizada nos órgãos (SCLIAR, 2007). 
No final do século XIX, com os estudos de Louis Pasteur (1822-1895) e a desco-
berta do microscópio, revelou-se a existência de microrganismos causadores de 
doença e possibilitou-se a introdução de soros e vacinas.
Olá, pessoal! Podemos compreender como o desenvolvi-
mento de instrumentos possam nascer de uma neces-
sidade de trabalho e que o seu aprimoramento possa 
mudar a forma que vemos o mundo. A descoberta de 
instrumentos como o microscópio permitiu esse novo olhar! 
Hoje em dia, é muito corriqueiro o uso deste instrumento, 
mas estudar o contexto social e científico em que surgiu e 
se desenvolveu a Microscopia permite que possamos com-
preender a configuração deste cenário intelectual que, mais 
tarde, construiria a Biologia como a conhecemos.
Assim, instrumentos em áreas como a da Física contribuem 
para diversas outras áreas, permitindo uma verdadeira 
revolução nas disciplinas de Histologia e Citologia.
Se você quer aprender mais sobre em que contexto e 
momento histórico deu-se esta mecanização, libertando a 
Biologia e tornando-a uma ciência imprescindível na expli-
cação do mundo, corra para ouvir o Podcast desta unidade, 
pois ele aborda justamente este tema!
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UNIDADE 1
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Foi uma revolução, pois, pela primeira vez, fatores causais, até então desconhe-
cidos, estavam sendo identificados; as doenças agora poderiam ser prevenidas 
e curadas. Para cada doença, um agente etiológico era identificado e combatido 
por meio de vacinas ou produtos químicos (SCLIAR, 2007).
Nessa perspectiva, a doença está dentro do indivíduo e pode ser definida 
como um fenômeno isolado, com causas biológicas e, muitas vezes, a ser 
tratado com medicamentos.
Do ponto de vista social, a melhor forma de comprovar empiricamente o caráter 
histórico da doença não é conferida pelo estudo de suas características nos indiví-
duos, mas sim quanto ao processo que ocorre na coletividade humana. A natureza 
social da doença não se verifica no “caso clínico”, mas no modo característico de 
adoecer e morrer nos grupos humanos (LAURELL, 1976).
Desse modo, a doença não é mais do que um constructo que guarda re-
lação com o sofrimento, com o mal, mas não lhe corresponde integralmente. 
Quadros clínicos semelhantes, com os mesmos parâmetros biológicos, prog-
nóstico e implicações para o tratamento, podem afetar pessoas diferentes de 
forma distinta, resultando em diferentes manifestações de sintomas e des-
conforto, com comprometimento diferenciado de suas habilidades de atuar 
na sociedade (OLIVEIRA; EGRY, 2000).
17
O processo saúde-doença da coletividade pode ser entendido como o modo 
específico pelo qual ocorre, nos grupos, o processo biológico de desgaste e repro-
dução, destacando como momentos particulares a presença de um funcionamen-
to biológico diferente, com consequências para o desenvolvimento regular das 
atividades cotidianas, isto é, o surgimento da doença (LAURELL, 1983).
Com relação ao estudo de doenças, é necessário um olhar relacionando a natureza 
de determinadas doenças e suas inter-relações, denominado de História Natural da 
Doença, tratando-se do conjunto de processos que interagem, compreendendo
 “ [...] as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente 
que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as pri-
meiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, 
ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do ser humano 
ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, re-
cuperação ou morte (LEAVELL; CLARK, 1976).
Desta forma, podemos notar que as condições socioeconômicas favorecem 
as anomalias ecológicas e alguns agentes que causam a doença. Sua utilidade 
maior é a de apontar os diferentes métodos de prevenção e controle, servin-
do de base para a compreensão de situações reais e específicas e tornando 
operacionais as medidas de prevenção.
O período inicial é chamado de período de pré-patogênese e envolve as inter-
-relações dinâmicas quanto aos condicionantes sociais e ambientais e os fatores 
próprios do suscetível, favorecendo a instalação da doença. A relação entre os 
agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais estimulam 
o desenvolvimento da enfermidade e condições socioeconômico-culturais que 
possibilitam a existência desses fatores. A segunda refere-se à doença em si e é 
chamado de período de patogênese.
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UNIDADE 1
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OLHAR CONCEITUAL
Estes diversos fatores que podem provocar a perda da homeostase, gerando de-
terminadas patologias e diferenças na distribuição de doenças a nível mundial, 
são listados no infográfico a seguir:
Fonte: a autora.
19
Portanto, os fatores econômicos, políticos, culturais e psicológicos estão dentro 
de uma grande esfera de fator social, que mostram como a individualidade e 
coletividade podem interferir no comportamento das pessoas em determinada 
localidade. Além disso, fatores externos, como os ambientais, e fatores internos, 
como a predisposição genética, a que estamos expostos também podem inter-
ferir, podendo gerar certas doenças. 
NOVAS DESCOBERTAS
Filme: Ilha das Flores 
Ano: 1989
Direção: Jorge Furtado 
Sinopse: este documentário retrata a sociedade atual, tendo como 
enfoque seus problemas de ordem sociais, econômicas e culturais, na medida em que 
contrasta a força do apelo consumista, os desvios culturais retratados no desperdício e 
o preço da liberdade do homem, enquanto um ser individual e responsável pela própria 
sobrevivência. Por meio da demonstração do consumo e desperdício diários de materiais 
(lixo), o autor aborda toda a questão da evolução social do indivíduo, em todos os senti-
dos. Torna evidente ainda todos os excessos decorrentes do poder exercido pelo dinhei-
ro, numa sociedade onde a relação opressão e oprimido é alimentada pela falsa ideia de 
liberdade de uns, em contraposição à sobrevivência monitorada de outros. 
Comentário: o documentário de curta duração conta a trajetória de um tomate. É interes-
sante a narrativa em que o tomate segue desde a sua colheita, o descarte por uma dona 
de casa, até a chegada ao lixão da ilha, onde crianças disputam alimentos que sequer 
serviam de alimento para os porcos. Podemos observar a crítica às desigualdades sociais 
geradas pelo sistema capitalista e a ausência de políticas públicas para solucionar a misé-
ria de parte da população brasileira. Podemos ver seres humanos numa condição abaixo 
de porcos. Vale a pena assistir!
Com os estudos na área da microbiologia, pudemos compreender melhor 
sobre o modo de vida e desenvolvimento de determinados agentes patogê-
nicos, permitindo,há poucos anos atrás. Além das mutações genéti-
cas, a expressão de um gene é ainda influenciada pelo número de variantes, pela 
NOVAS DESCOBERTAS
Título: Biologia Molecular Básica 
Editora: Grupo A
Autores: Arnaldo Zaha, Henrique Bunselmeyer Ferreira e Luciane M. 
P. Passaglia
Ano: 2014
Sinopse: na biologia molecular, os últimos 12 anos foram marcados por 
novidades tecnológicas espetaculares, que aumentaram muito os conheci-
mentos sobre como os genes funcionam e como suas atividades estão in-
tegradas em uma rede que permite o desenvolvimento e o funcionamento 
correto de um organismo completo, seja ele uma bactéria, um vegetal ou um 
animal. Para acompanhar todos esses avanços, esta 5ª edição do livro Biolo-
gia Molecular Básica foi elaborada, contando com a ampla experiência dos 
autores em sala de aula para abordar o tema de forma acessível e didática.
Comentário: escrita por profissionais brasileiros, esta 5ª edição foi elaborada 
para acompanhar os avanços na área, contando com a ampla experiência dos 
autores em sala de aula para abordar o tema de forma acessível e didática. 
Estudos em Epidemiologia Molecular em suas análises de dados utilizam-se 
dos mesmos desenhos de estudo da Epidemiologia clássica. Em sua maioria, 
estes estudos são observacionais, tanto podendo ser descritivo quanto ana-
lítico. Estudos experimentais com a alocação dos participantes a diferentes 
intervenções de acordo com a determinação dos investigadores que também 
podem utilizar técnicas moleculares para concluir seus trabalhos.
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UNIDADE 5
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conformação do DNA e pelas modificações químicas, como a metilação. Desta 
forma, muitos métodos ainda devem ser aprimorados e ainda estão em desenvol-
vimento. Apesar de avanços na genotipagem, a avaliação das interações gene-gene 
e gene-ambiente ainda são rudimentares (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; 
ROTHMAN; GREENLAND; LASH, 2011).
O epidemiologista precisa buscar respostas às diversas questões relacionadas 
aos agravos à saúde. Decisões clínicas devem estar relacionadas com a saúde das 
populações e devem ser fundamentadas numa investigação científica rigorosa, 
seguindo etapas. A tomada de decisões pelo epidemiologista deve levar a ações 
imediatas para minimizar danos (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
“Olá, aluno(a)! Acesse o QR Code para ouvir o podcast da 
disciplina. Nessa unidade, falaremos sobre as técnicas molec-
ulares que podem auxiliar no diagnóstico de patologias, 
auxiliando o tratamento. Aperte o play para conhecer mais!”
Existe uma alta complexidade quanto ao desenvolvimento de estudos. Esta com-
plexidade está relacionada a diversas etapas que envolvem:
01
De�nição da
questão de
pesquisa
02
De�nição 
das variáveis
de estudo
Construção
do instrumento
de coleta
de dados 
03
04
Estabelecimento 
do delineamento
05
De�nição da 
população-alvo e 
amostragem
Coleta e análise 
de dados
06
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147
Agora, vamos analisar os tipos de estudos empregados em Epidemiologia, bem 
como seus métodos, vantagens e desvantagens. Sua finalidade é descrever/carac-
terizar o processo saúde-doença. Podem ser classificados didaticamente quanto 
à unidade em estudo, interrupção do investigador e o propósito geral.
Podemos dividi-los em:
1. Relato de caso;
2. Série de casos;
3. Correlação (Ecológico);
4. Transversal;
5. Caso controle;
6. Coorte;
7. Ensaios clínicos.
Os estudos que envolvem uma descrição são chamados descritivos e informam 
sobre a distribuição de um evento na população, em termos quantitativos. Não 
há formação de grupo-controle. A população estudada pode ser composta apenas 
de doentes ou exclusivamente sadias ou uma mistura dos dois (PEREIRA, 2003).
Desta forma, as perguntas que este estudo espera responder são: QUE, 
QUEM, QUANDO, ONDE, COMO e POR QUÊ.
As variáveis relacionadas às pessoas são: sexo, idade, estado civil, grupo étnico, 
religião, renda, ocupação, classe social, história familiar, peso, altura, grupo san-
guíneo, estilo de vida. Temos também variáveis relacionadas a lugar: país, região, 
município, distrito, bairro, rua, instituição; e as variáveis relacionadas a tempo: hora, 
dia, mês, trimestre, semestre, ano, década.
Os principais estudos descritivos são os relatos de casos e séries de casos. São 
muito úteis em situações de detecção de epidemias, descrição de características 
de novas doenças, formulação de hipóteses sobre possíveis doenças, descrição de 
resultados de terapias propostas para doenças raras e de efeitos adversos raros em 
doenças comuns. Por exemplo, a incidência de infecção chagásica em habitan-
tes rurais; as características demográficas e socioeconômicas dos pacientes que 
sofrem de artrite reumatoide ou das pessoas que fumam; a variação regional na 
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148
utilização de serviços de saúde; a tendência do coeficiente de mortalidade por 
tuberculose, de uma cidade, nos últimos anos (PEREIRA, 2003).
Estudos analíticos permitem o levantamento de hipóteses, as quais relacio-
nam o evento: causa e efeito, ou ainda como exposição e doença, ou pode não 
haver uma hipótese, mas a busca por fatores que contribuam para o aparecimento 
de doenças, observe a Figura 2. 
MODELO DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS
ANALÍTICOS
CAUSA EFEITO
Obesidade
Fumo
Toxoplasmose
Vacina
Medicamento
Diabetes
Câncer
Anomalia genética
Prevenção
Cura
Descrição da Imagem: a imagem mostra um esquema de causa e efeito dos estudos epidemiológicos ana-
líticos. Na parte superior da imagem, temos escrito, em caps lock, Estudos Epidemiológicos Analíticos. Logo 
abaixo, ao lado esquerdo, está escrito Causa e, no lado direito, Efeito. Temos duas setas de flechas, uma na 
esquerda de coloração azul piscina com ícone de lupa, que aponta para a direita e outra com coloração azul 
claro e ícone de relatório, também apontando para a direita da imagem. Logo abaixo da seta da esquerda, 
referente à Causa está listado um abaixo do outro: Obesidade, Fumo, Toxoplasmose, Vacina, Medicamento. 
Já abaixo da seta da direita sobre Efeito temos também um abaixo do outro: Diabetes, Câncer, Anomalia 
congênita, Prevenção e Cura.
Figura 2 - Modelo com ilustrações da relação investigada em estudos epidemiológicos analíticos, a 
causa (exposição) e o efeito (doença) / Fonte: adaptada de Pereira (2003).
149
O estudo analítico difere do descritivo principalmente devido à presença de um 
grupo controle. A análise que envolve exposição e doença pode ter como primeira 
possibilidade iniciar com a causa da exposição, investigando-se posteriormente 
o aparecimento da doença, estudo de caso controle.
Podemos subdividi-los, ainda, de forma que a exposição seja aleatoriamente 
aplicada (estudo experimental randomizado) ou não (estudo de coorte). Em am-
bos os casos, teremos dois grupos: os grupos “expostos” e “não expostos”.
Na segunda possibilidade do estudo, o ponto de partida é o efeito, ou seja, a 
doença, de modo a investigar retrospectivamente os fatores causais (estudo de 
caso controle), na Figura 3. 
Na terceira possibilidade, a exposição (causa) e doença (efeito) são detectadas 
simultaneamente e os grupos serão formados ao final, após a coleta de dados 
(estudo transversal).
Estudo de
coorte
Exposição Doença
Estudo de
caso-controle
Estudo transversal
Descrição da Imagem: a imagem mostra dois retângulos alinhados horizontalmente, em que o que se apre-
senta à esquerda está em azul royal, com a palavra Exposição em preto. Para a direita e em azul piscina, o 
outro retângulo com a escrita Doença em preto. Entre ambos os retângulos, temos duas setas diretivas: a de 
cima apontando para o retângulo azul royal e a de baixo apontando para o retângulo em azul piscina. Acima 
da seta diretiva e centralizado na imagem, temos as palavras Estudo de coorte. Na parte inferior da segunda 
seta, está escrito Estudo de Caso-controle. Interligando os retângulos há uma reta que desce na vertical sain-
do das laterais destes e se apresenta na horizontal próxima à margem inferior tendoabaixo dela a escrita 
Estudo transversal.
Figura 3 - Tipos de estudos de acordo com a exposição (causa) e o efeito (doença)
Fonte: adaptada de Pereira (2003).
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UNIDADE 5
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Dentro destas três possibilidades analíticas, temos ainda mais uma possibilidade 
relacionada ao estudo randomizado, ou seja, aleatório ou não randomizado, não 
aleatório. Neste sentido, podemos ter o total de quatro estudos.
Os estudos prospectivos têm início do tempo presente, concluído no tempo 
futuro (avaliação se inicia no início do tempo). 
São os estudos retrospectivos que resgatam informações passadas dos pacien-
tes (como exemplo, a avaliação de prontuários) tentando entender qual atributo 
em comum conduz a tal desfecho (doença) em determinado grupo.
Os estudos observacionais são estudos que observam grupos com ou sem o atri-
buto estudado, sem realizar intervenção ativa na interação analisada. Estes estudos 
permitem o entendimento de efeitos colaterais e contraindicações de tratamentos e 
medicamentos. Como acompanha a evolução dos grupos, já existe o prévio conheci-
mento de quais pessoas têm ou não o atributo. A presença ou ausência dos atributos 
nas relações estudadas determina a distribuição dos indivíduos entre os grupos.
A intervenção é a capacidade de generalização, complexidade e força. O objetivo 
da intervenção é de padronizar as terapias em estudo para que sejam facilmente 
reproduzidas em outro cenário. 
A prevalência é a probabilidade de um indivíduo, dentro da população estudada, possuir 
ou desenvolver determinada enfermidade.
EXPLORANDO IDEIAS
Devem ser comparadas com outras alternativas terapêuticas existentes, a fim de 
determinar a efetividade clínica entre elas. Abrangem pacientes experimentais e 
controle, podendo ser reunidos em diferentes lugares e momentos, por mais que 
essa abordagem corresponda ao cenário que comumente é utilizado.
Os estudos transversais são observacionais, realizados com mais frequência, ocor-
rem de forma pontual, analisam a exposição e o desfecho, é um estudo retrospectivo. 
Desta forma, pode-se compreender a relação entre a doença e fatores de risco.
Fornece informações sobre situação de saúde da população, avalia a eficácia 
dos programas de promoção de saúde, com dados de prevalência. Podemos men-
surar a frequência do evento (MEDRONHO et al., 2009; HULLEY et al., 2015; 
ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; FRANCO; PASSOS, 2011).
151
Delineamento de um estudo transversal
Não tem a doença Não tem a doençaTem a doença
População de risco
Descrição da Imagem: a imagem mostra o desenho representativo de pessoas. Neste desenho, pode-
mos perceber a cabeça representada por um círculo, os braços representados por dois traços e o tronco 
representado até a cintura. Temos dezenove indivíduos, na porção superior do quadro está escrito Deli-
neamento de um estudo transversal. Nas laterais esquerda e direita, temos indivíduos com a coloração 
azul marinho, sendo representados por cinco do lado esquerdo e cinco do lado direito e acima lemos Não 
tem a doença. No centro, temos nove indivíduos que são representados pela coloração azul claro, onde 
acima destes lemos Tem a doença e abaixo destes temos a escrita População de risco.
Figura 4 - Delineamento de um estudo transversal / Fonte: a autora.
Dentre as vantagens deste tipo de estudo, podemos citar a metodologia prática, o 
baixo custo, capacidade descritiva em que temos um meio de compreensão entre 
doenças e identificação de fatores de risco.
A respeito das desvantagens, temos o fato de se tratar de um estudo retrospec-
tivo, ou seja, é necessário conhecer o histórico de doenças presentes na família. 
Dados que são dificilmente fornecidos integralmente, pois não há registro ou 
lembrança de sua existência, veja na Figura 4.
Por não haver a identificação da incidência de doenças, pois trata-se de um es-
tudo que parte da comparação entre indivíduos que apresentam a doença, não 
é possível estimar o número de casos previamente identificados (causa-efeito). 
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Outra desvantagem é a impossibilidade dos testes de 
hipóteses.
O estudo de caso controle é um estudo de caráter 
observacional e retrospectivo.
 Verifica-se fatores de risco e de prognóstico. A partir 
da definição da doença, ocorre a comparação entre, 
no mínimo, 4 grupos, o grupo que contém a doença 
(dividido entre aqueles com a doença que tem ou não 
o atributo estudado) e o controle (sem a doença) divi-
dido em dois grupos com e sem o atributo investigado.
O objetivo é avaliar se os atributos estudados 
ocorrem em número maior ou menor nos grupos 
que apresentam a doença em relação ao controle. 
Os resultados possibilitam a identificação do risco 
relativo que determinados fatores representam no 
estabelecimento de uma doença. As vantagens deste 
estudo são quanto à avaliação das doenças raras, por-
que o número de participantes é reduzido. Também 
apresenta como vantagens a curta duração e baixo 
custo por ter menor período de duração.
A multicausalidade permite avaliar se existe mais 
de um fator associado a ela, já que existe acesso ao 
histórico do paciente. Quanto às desvantagens, temos 
as dificuldades na seleção dos grupos-controle já que 
precisam ser compostos por pessoas que apresentam 
características em comum (faixa etária, gênero, condi-
ções sociais, região geográfica semelhante aos do gru-
po investigado). Por não identificar também a taxa de 
incidência de doenças, não é possível estimar o núme-
ro de novos casos, pois já existem casos previamente 
identificados nos grupos, Figura 5.
153
Delineamento de estudo de caso controle
Expostos
Doentes
Não Expostos
Expostos
Não Expostos
Sofreu exposição no
passado?
Não Doentes
Descrição da Imagem: a imagem mostra o desenho representativo de pessoas. Neste desenho, 
podemos perceber a cabeça representada por um círculo, os braços representados por dois traços 
e o tronco representado até a cintura em formato de retângulo. Os indivíduos estão distribuídos no 
lado direito da imagem entre doentes, representados em azul claro, e não doentes, representados 
em azul escuro, tendo cada grupo quatro indivíduos. A partir do grupo dos doentes, temos uma linha 
reta de cor azul escuro que vai em direção ao lado esquerdo que se ramifica em bifurcação, sendo 
em duas setas diretivas e aponta para o grupo dos expostos, com três indivíduos em azul claro, e os 
não expostos, dois indivíduos em azul piscina. Já o grupo dos não doentes parte de outra linha reta, 
abaixo da anterior e de formato igual em bifurcação, aponta para outros dois grupos, o grupo dos 
expostos, representados por um indivíduo em azul claro, e não expostos, dois indivíduos em azul 
piscina. No centro da imagem, temos a pergunta: sofreu exposição no passado? E no topo central da 
imagem, lemos Delineamento de estudo de caso controle.
Figura 5 - Delineamento de estudo de caso controle / Fonte: a autora.
Não é possível determinar o momento da exposição ou presença de determinado 
atributo, pois as informações são colhidas após o estabelecimento da doença.
É utilizado para doenças de baixa incidência (raras) ou com longo período de 
latência, como as malformações congênitas e a infecção pelo HIV (AIDS), respec-
tivamente. Também pode ser indicado para a pesquisa de surtos epidêmicos, ou 
diante de agravos desconhecidos. De forma rápida e pouco dispendiosa, permite 
a investigação de fatores de risco associados a esses problemas.
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UNIDADE 5
154
Coorte significa unidades de combate das legiões romanas, unificadas pelo uni-
forme padronizado, e descreve um grupo de pessoas que têm algo em comum ao 
serem reunidas e que são observadas por um período de tempo para ver o que 
acontece com elas (PEREIRA, 2003).
Este estudo apresenta caráter observacional, longitudinal (os indivíduos são ob-
servados no mínimo duas vezes ao longo do tempo) e podem ser prospectivos 
ou retrospectivos. Durante certo período de tempo, ocorre a comparação entre 
um tipo de intervenção ououtro fator de interesse.
155
Este é o estudo mais adequado para descrição de incidência e história natural 
de uma condição. Analisa os grupos de indivíduos com a mesma condição ou 
atributo, durante determinado período de tempo, com tentativas para entender 
os desfechos associados entre eles. Sendo necessários 3 itens:
1. Ao selecionar os indivíduos para estudo, não podem apresentar o 
resultado que está sendo estudado. 
2. A duração do acompanhamento do estudo deve ser compatível com 
o tempo necessário para que o fator de risco seja declarado. 
3. O acompanhamento de todos os ingressantes no estudo deve ser 
contínuo.
As vantagens estão quanto ao método para estabelecer a relação entre provável 
fator de risco e o desfecho de interesse. Há possibilidade de relacionar um atributo 
com o desenvolvimento de uma doença (efeito), dentro de determinado intervalo 
de tempo. Existe a possibilidade de acompanhar os pacientes (desde o diagnóstico 
até os diferentes estágios da doença). Não há fatores éticos envolvidos. Os grupos 
de estudos são definidos com e sem o atributo.
As desvantagens são o longo período de estudos e necessidade de grande 
investimento para a manutenção, o que pode comprometer a continuidade do 
estudo. Também é necessário o acompanhamento periódico da situação de saú-
de de todos, o que pode interferir no comportamento dos pacientes. Podem ser 
ineficientes, dependendo do desfecho estudado: em se tratando de doenças ra-
ras, são ineficazes por exigirem grande número de participantes. Para que haja 
a comprovação de um estudo, o número de participantes deve ser o mesmo (o 
indivíduo desiste ou vem a óbito).
Na Figura 6, temos um delineamento de estudo de caso que acompanha a 
população ao longo de 1 ano. O pesquisador deve selecionar a população a ser 
estudada; por exemplo: na cidade X foram selecionados aleatoriamente 100.000 
habitantes, que foram acompanhados por um ano. Todos foram submetidos a 
exames laboratoriais e clínicos para a detecção de doença cardíaca (desfecho), 
e observou-se também o consumo de alimentos e de bebidas, atividade física 
regular e outros preditores da doença (fatores de risco ou proteção; exposição). 
Ao final de um ano, ocorreram 10 casos novos de doença cardíaca na cidade X, 
ou a incidência da doença foi de 10 casos a cada 100.000 habitantes.
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UNIDADE 5
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Delineamento de um estudo de caso
População sadia= 100.000 Incidência= 10 novos casos
de doentes/100.000/ano
Tempo
1 ano ou mais
Descrição da Imagem: a imagem mostra o desenho representativo de pessoas, onde temos a cabeça 
representada por um círculo, os braços representados por dois traços e o tronco representado por um 
retângulo até a cintura. Temos um grupo à esquerda, com catorze indivíduos na cor azul escuro, que 
representa a População sadia = cem mil, descrito abaixo da imagem, e um grupo à direita, com dez indi-
víduos em azul escuro e quatro em azul claro espalhados entre os demais, que representa a incidência de 
indivíduos de dez novos casos de doentes/cem mil/ano, descrito abaixo da imagem. Na parte inferior do 
esquema do centro para a lateral direita, temos o Tempo e uma tarja chanfrada na ponta direita e escrito 1 
ano ou mais. Acima no topo da imagem e centralizado, temos os dizeres Delineamento de estudo de caso.
Figura 6 - Delineamento de um estudo de caso / Fonte: a autora.
Um outro exemplo referente ao estudo de coorte está representado na Figura 7, o 
pesquisador pode dividir a população a ser estudada em dois grupos, desde o início 
da pesquisa, em indivíduos que são expostos a fatores de risco e os que não sofrem 
exposição a esse determinado fator. Ambos os grupos são acompanhados por um 
período (um ano ou mais), e observa-se o aparecimento de doenças em cada grupo.
157
Estudos experimentais realizados em seres humanos são chamados de ensaios 
clínicos, e podem ser randomizados ou não randômicos. Realizam intervenção 
na saúde do indivíduo participante da pesquisa. Eles são sempre prospectivos, e 
não existe estudo experimental retrospectivo. 
Os indivíduos são alocados aleatoriamente para grupos, chamados de estudo 
(ou experimental, teste) e controle (ou testemunha, de referência), de modo a 
serem submetidos ou não a uma vacina, um medicamento, um diagnóstico, um 
outro produto ou procedimento, para terem seus efeitos avaliados em condições 
Tempo
1 ano ou mais
População
Doentes
Não DoentesNão expostos
Expostos
Delineamento de estudo de coorte
Descrição da Imagem: a imagem é um desenho representativo em que no topo desta e centralizado temos 
os dizeres Delineamento de estudo de coorte. Neste desenho, podemos perceber a cabeça representada 
por um círculo, os braços representados por dois traços e o tronco representado por retângulo até a cintura. 
Na parte esquerda, temos doze indivíduos em azul escuro, com a palavra População escrita abaixo destes. 
Partindo deste grupo, temos uma flecha bipartida em azul piscina com suas setas direcionadas para a direita 
em dois grupos. Na parte superior e em azul claro, temos quatro indivíduos e abaixo deles lemos Expostos. 
A partir deles, uma seta em azul piscina aponta para a direita onde temos mais quatro indivíduos, sendo 
dois em azul claro e dois em azul royal com o dizer Doentes escrito abaixo destes. Na parte inferior, e em 
azul escuro, temos quatro indivíduos e abaixo deles lemos Não Expostos. A partir deles, uma seta em azul 
royal aponta para a direita onde temos mais quatro indivíduos, sendo dois em azul escuro e dois em azul 
piscina com os dizeres Não doentes escrito abaixo destes. Na parte inferior do esquema, do centro para a 
lateral direita temos o Tempo e uma tarja chanfrada na ponta direita e escrito 1 ano ou mais.
Figura 7 - Delineamento de estudo de coorte / Fonte: a autora.
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UNIDADE 5
158
controladas de observação, Figura 8 (PEREIRA, 2003; GORDIS, 2009; MEDRO-
NHO et al., 2009; HULLEY et al., 2015).
Os estudos experimentais em seres humanos são considerados o padrão-
-ouro dos estudos epidemiológicos, ou seja, o melhor tipo de estudo, aquele que 
é uma referência em afirmar causa e efeito. Além dos estudos experimentais em 
humanos, podemos realizar estudos sobre microrganismos, células e moléculas 
(in vitro) e em animais (in vivo). Os estudos com drogas, vacinas e outros testes 
in vivo e os ensaios clínicos devem obedecer às regras e leis internacionais e na-
cionais das instituições de Ética em Pesquisa com Seres Vivos (PEREIRA, 2003; 
GORDIS, 2009; MEDRONHO et al., 2009; HULLEY et al., 2015; ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011).
Tempo
População
Delineamento de um ensaio clínico randomizado.
Aleatória
Grupo controle Não doentes
Placebo
Vacina Doentes
Grupo teste (intervenção)
Descrição da Imagem: a imagem é um desenho representativo em que no topo desta e centralizado 
temos os dizeres Delineamento de um ensaio clínico randomizado. Neste desenho, podemos perceber 
a cabeça representada por um círculo, os braços representados por dois traços e o tronco representado 
por retângulo até a cintura. Na parte esquerda, temos catorze indivíduos em azul escuro, com a palavra 
População escrita abaixo destes. Partindo deste grupo, temos uma flecha bipartida em azul piscina com 
suas setas direcionadas para a direita em dois grupos, o grupo teste (intervenção), em azul claro, e o 
grupo controle, em azul escuro. Do grupo teste, parte para a direita uma flecha em sentido ao grupo 
doentes, representado por quatro indivíduos, três em azul claro e um em azul royal. Do grupo controle, 
parte uma flecha em direção ao grupo não doente, representados por quatro indivíduos, três em azul 
royal e um em azul escuro.
Figura 8 - Delineamento de um ensaio clínico randomizado / Fonte: a autora.
159
O ensaio clínico controlado e randomizado estabelece a causa da doença e os 
sintomas e, a partir disso, partimos para a obtenção do tratamento adequado. As 
evidências são utilizadas para determinar o melhor tratamento. Assim, é possível 
obter a informaçãosobre a eficácia para posterior aplicabilidade.
É necessária a realização de estudos, sendo que as informações que serão 
divulgadas devem ser obtidas de fontes confiáveis e que sejam reproduzíveis.
Os fatores que devem ser observados são os relatos de casos, biologia de cada 
indivíduo acometido, epidemiologia da doença, observação clínica dos acome-
tidos com os sintomas presentes, imaginação para propor o novo tratamento e 
raciocínio para ser possível colocar em prática o que se espera como estudo.
A partir destes fatores, poderão ser geradas ideias que estarão relacionadas a 
hipóteses de introdução de novo tratamento para cura da doença. O tratamento 
será realizado de acordo com as evidências de melhora ou não dos pacientes com 
relação ao novo tratamento.
Os estudos clínicos podem ser randomizados e não randomizados, veja a seguir a dife-
rença entre eles:
- Randomizado: seleção de indivíduos para formação dos grupos dentro de um ensaio 
clínico. Esses grupos poderão receber diferentes tratamentos, placebo ou até nenhuma 
intervenção. São considerados ideais para avaliar a efetividade de uma intervenção ou ou-
tro desfecho esperado. O estudo do tipo clínico randomizado é o de maior credibilidade e 
confiabilidade no campo científico. Este estudo é o que possui maior evidência em avaliar 
as políticas públicas e clínicas em saúde (GORDIS, 2009).
- Não randomizado: grupo de indivíduos submetidos ao grupo de intervenção e grupo 
controle, porém sua distribuição não ocorre de forma aleatória para cada grupo.
EXPLORANDO IDEIAS
Quanto à amostragem, os ensaios clínicos exigem critérios rigorosos de inclusão 
e exclusão. São planejados para aumentar a homogeneidade dos pacientes que es-
tão no estudo, fornecendo validade interna e facilitando a detecção dos efeitos do 
tratamento. Geralmente, tais critérios são baseados em características em comum 
entre a população. Os critérios de exclusão são as comorbidades individuais que 
possam surgir como baixa esperança de vida ou idade avançada do indivíduo em 
estudo, negação na participação do estudo ou não seguir as instruções para estudo.
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UNIDADE 5
160
A amostra é de extrema importância para a execução do ensaio clínico. Será 
realizada a primeira seleção, que será quanto a indivíduos que apresentam a doen-
ça. A segunda característica será dar continuidade ao estudo visando a interven-
ção. A heterogeneidade da amostra envolvida no estudo é de extrema importância 
para que haja validação interna dos resultados, que podem ser comparados e 
aplicados na população.
Alguns países permitem que os participantes da pesquisa recebam algum 
tipo de pagamento (até em dinheiro), mas no Brasil isso não é permitido. Em 
nosso país, as pesquisas devem subsidiar todos os gastos do paciente em relação 
à intervenção e garantir um seguro saúde. As substâncias e procedimentos devem 
ser altamente seguros para experimentação em seres humanos, com protocolos 
de experimentação aprovados pelos Comitês em Pesquisa com Seres Humanos.
Mesmo com todos os cuidados, ainda podem ocorrer problemas durante a pes-
quisa, como efeitos indesejados, desde uma toxicidade até o óbito do indivíduo 
submetido à experimentação. Isto tem gerado muitas indenizações às instituições. 
Além disso, existe uma burocracia para se obter um parecer favorável para a rea-
161
lização da pesquisa, que pode demorar até 
anos para ser obtido. É por isso que muitas 
pesquisas não continuam ou nem chegam a 
ser propostas, tendo apenas resultados dos 
estudos transversais ou de caso controle.
No estudo experimental, a pergunta 
que deve ser feita é: quais são os efeitos da 
intervenção? Os resultados da interven-
ção podem ser analisados pela compara-
ção das taxas de incidência dos desfechos 
nos grupos de estudo (teste) e controle. 
Por exemplo: taxas de doença, óbitos, 
reações colaterais, elevação do nível de 
anticorpos, ou outro desfecho clínico e 
laboratorial. É particularmente indicado 
para a avaliação de eficácia de vacinas, 
medicamentos, procedimentos, diagnós-
ticos laboratoriais e outros (PEREIRA, 
2003; GORDIS, 2009; MEDRONHO et 
al., 2009; HULLEY et al., 2015).
Convido você, agora, a conhecer um 
ramo de Epidemiologia denominado Epi-
demiologia Nutricional. No século XVIII, 
o médico naval James Lind conduziu um 
estudo sobre o escorbuto. O escorbuto é ca-
racterizado por hemorragias, alteração das 
gengivas e queda da resistência às infecções, 
Figura 9. Lind percebeu que a causa desta 
doença estava relacionada à carência de 
vitamina C. Apesar de seu estudo ter sido 
conduzido com a participação de apenas 12 
pessoas, permitiu comprovar que a doença 
poderia ser prevenida com o consumo de 
frutas cítricas, batata, brócolis e morangos 
(PEREIRA, 2003).
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UNIDADE 5
162
Para a avaliação do estado nutricional de um indivíduo, os métodos mais uti-
lizados são os antropométricos, exames clínicos e as dosagens bioquímicas. O 
método antropométrico consiste na obtenção de medidas das dimensões físicas 
e de composição corporal em diferentes estágios da vida e na comparação com 
padrões que reflitam o crescimento e o desenvolvimento do indivíduo. 
A ingestão alimentar tem sido obtida por inquéritos dietéticos, os quais 
podem ser tanto retrospectivos (por exemplo, questionário de frequência ali-
mentar – QFA) como prospectivos, envolvendo dados de consumo atual (ROU-
QUAYROL; GURGEL, 2017). 
Apesar de a maioria dos estudos que envolvem a área de Epidemiologia Nu-
tricional basear-se no efeito específico de nutrientes ou alimentos isolados, a 
complexa combinação de compostos químicos presentes na dieta humana di-
ficulta o exame isolado do efeito de alimentos e nutrientes no risco de doenças. 
Descrição da Imagem: a imagem fotográfica mostra a boca de uma pessoa branca. Podemos ver na 
imagem as bochechas da pessoa, a boca, a gengiva e oito dentes da parte superior, onde também temos 
detalhes de uma mão vista parcialmente vestindo uma luva azul, que com um dedo empurra o lábio 
superior da pessoa para cima, tornando possível verificar sangue na gengiva e por entre os dentes.
Figura 9 - Escorbuto
163
Para tentar contornar esta dificuldade, os padrões alimentares ganharam des-
taque, ao expressar melhor a complexidade envolvida no ato de se alimentar. Para 
que se identifique os padrões alimentares, são obtidos por inquéritos, relacionando 
uma correlação entre os alimentos. Faz-se uma descrição de toda a dieta e, por meio 
de análises estatísticas, realiza-se a associação ao risco de desenvolver doenças.
Este método não é recomendado quando o efeito é causado por um nutriente 
específico, como, por exemplo, o defeito no tubo neural devido à deficiência de 
ácido fólico. No entanto, é muito útil na análise tradicional, quando forem reali-
zadas associações, como para doenças como o câncer e doenças cardiovasculares.
Apesar de tantas formas para analisar a dieta, evidências de associação de 
padrões alimentares com biomarcadores e ingestão de nutrientes e a relação com 
doenças, ainda são necessários mais estudos. A longo prazo, poderemos obter 
uma avaliação para predizer o risco de doenças em diversas populações.
Existem diversas doenças que estão associadas a aspectos nutricionais, sendo sua 
causa devido ao estado nutricional de indivíduos ou grupos populacionais ou devido 
ao impacto da falta de nutrientes nos fatores de risco, os quais possam desencadear no 
desenvolvimento de determinada patologia. Dentre as doenças carenciais, podemos 
citar a desnutrição energética-proteica, a anemia e a hipovitaminose A. Quanto às 
doenças crônicas, temos a obesidade, diabetes mellitus tipo 2, doença cardiovascular, 
síndrome metabólica, câncer e osteoporose (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
Uma das metas defendidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, no ano 
2000, era reduzir pela metade o número de pessoas que passavam fome até 2015. 
No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria 2.715, de 17 de novem-
bro de 2011, atualizou sua PolíticaNacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), 
aprovada inicialmente nos anos 90 (BRASIL, 2012). Destaca-se o seu papel como 
interlocutora entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Política e Sistema Nacional 
de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
É necessário lembrar que a saúde nutricional dos indivíduos não depende 
apenas de escolhas individuais, mas também de um contexto social, econômico 
e político, os quais contribuam para a mudança no estilo de vida.
As diretrizes que integram a atual PNAN são assim agrupadas: organização 
na atenção nutricional; promoção da alimentação adequada e saudável; vigilân-
cia alimentar e nutricional; gestão das ações de alimentação e nutrição; partici-
pação e controle social; qualificação da força de trabalho; controle e regulação 
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UNIDADE 5
164
dos alimentos; pesquisa, inovação e conhecimento em alimentação e nutrição; 
cooperação e articulação para segurança alimentar e nutricional (BRASIL, 2012). 
A vigilância alimentar e nutricional é importante no contexto da epidemiolo-
gia nutricional, pois avalia as condições atuais de nutrição e alimentação, prevê as 
tendências dessas condições, bem como suas repercussões, e identifica os fatores 
determinantes. Para tanto, é fundamental que haja uma produção científica di-
recionada para esses aspectos.
A obesidade tem sido um grande problema de saúde pública. A obesidade é 
uma epidemia global, ocorre quando há um aumento na ingesta de nutrientes 
além das demandas para o gasto energético, gerando acúmulo de gorduras. Isto 
pode levar o indivíduo a desenvolver um quadro clínico em que temos doenças 
cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes mellitus, osteoartrite, osteoporose 
e câncer de mama, de endométrio e de cólon (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017). 
No Brasil, o Ministério da Saúde publicou, em 2014, a nova versão do Guia Alimen-
tar para a População Brasileira. Este documento se apresenta como um instrumento 
de educação alimentar e nutricional com princípios e recomendações de alimentação 
adequada e saudável para a população brasileira por meio de um conjunto de infor-
mações, análises e recomendações sobre a escolha, preparo e consumo de alimentos. O 
guia aborda grupos alimentares com base no nível de processamento a que foram sub-
metidos, porém não há recomendação quantitativa sobre o consumo desses alimentos.
Toda cooperação pública e privada necessita de fiscalização para evitar que o 
setor público deixe de cumprir seu papel ou que o privado extrapole o seu. É uma 
cooperação, e não uma substituição de papéis (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
A saúde perinatal tem como causa diversos fatores, como as condições da 
gestação, história reprodutiva e nutrição maternas, intercorrências obstétricas 
na gravidez e acesso aos serviços de atenção pré-natal e ao parto. As condições 
perinatais têm consequências a longo prazo definindo a vida adulta do indivíduo. 
O termo período perinatal se refere à 22ª semana completa de gestação (peso fetal 
de aproximadamente 500 g) e os 6 dias completos de vida após o nascimento. Este 
conceito passa a ser utilizado universalmente para o registro dos óbitos fetais.
Existe uma variação entre os países, pois alguns utilizam de 16 a 28 semanas de 
gestação, tornando difícil a comparação com as estatísticas internacionais. O Brasil 
utiliza o critério da OMS (22 semanas de gestação ou 500 g ou mais). No Brasil, a 
cada ano nascem três milhões de crianças; cerca de 60 mil delas, 2%, morrem antes 
de completar o primeiro ano de vida (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017). 
165
Assim como outras áreas da saúde pública, não existe um indicador adequado 
para aferição da saúde perinatal. Desta forma, é avaliada pelo inverso de doença 
e morte. A mortalidade perinatal é o indicador mais utilizado para quantificar os 
problemas perinatais. As principais causas das mortes perinatais são: as afecções 
maternas relacionadas com a gravidez/parto, hipoxia intrauterina, complicações 
maternas relacionadas e as complicações relacionadas com a placenta e cordão 
umbilical (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
Os principais determinantes da mortalidade perinatal são a prematuridade, 
o baixo peso ao nascer e as infecções, todos estes problemas passíveis de serem 
minimizados por meio da atenção pré-natal e da assistência ao parto adequado. 
As condições de saúde e nutrição maternas pregressas e durante a gestação 
são fatores que influenciam diretamente as condições de nascimento. A assistên-
cia pré-natal é considerada um fator de proteção para a saúde da mãe e do filho, 
porque inclui procedimentos rotineiros, preventivos, curativos e de promoção da 
saúde. Quando bem conduzida, pode contornar problemas obstétricos, prevenir 
danos e assegurar um parto e nascimento saudáveis. 
Vamos, agora, compreender a aplicação da Epidemiologia dentro dos parâ-
metros, planejamento, gestão e avaliação dos serviços de saúde.
O planejamento em saúde é um dos pilares disciplinares da saúde coletiva, rela-
cionado à prática técnica e social que contribui para a transformação de uma situação 
em outra. Não está livre de influências e determinações que estruturam a sociedade, 
ou seja, tem influências de determinantes econômicos, políticos e ideológicos, os 
quais influenciam a metodologia de gestão (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Ao planejar, assume-se o compromisso de ação, requerendo prever antecipa-
damente, utilizando-se da criatividade e inventividade. Desta forma, é possível 
identificar problemas e necessidades, assim como formas de melhorias. 
As respostas que poderão ser respondidas neste processo serão o que vai ser feito, 
quando, onde, como, com quem e para que, permitindo o acompanhamento público 
e democrático das políticas de saúde e o acompanhamento e avaliação das ações do 
governo (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; GORDIS, 2009; PEREIRA, 2003).
Após a identificação dos problemas e necessidades de saúde, o planejamento 
estabelece as prioridades, identifica as tecnologias necessárias para o enfrentamento 
e os recursos que deverão ser acionados, facilitando a organização do trabalho e 
atividades dos agentes de saúde. O plano reunirá os objetivos e ações para a tomada 
de decisões. Ao se formular o plano, pode-se executá-lo e avaliar seus resultados. 
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UNIDADE 5
166
Podemos perceber que o papel da Epidemiologia é produzir conhecimento sobre 
a situação de saúde e orientar as ações para modificá-la no sentido de melhorar a qua-
lidade de vida da população, diminuindo os riscos e a incidência de doenças e óbitos 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; FRANCO; PASSOS, 2011; PEREIRA, 2003).
Os Planos Diretores para o desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil esti-
mularam a elaboração de planos de saúde estaduais e municipais, isto intensificou a 
aproximação da Epidemiologia com o planejamento de saúde. Para o planejamento, 
o administrador da instituição pública ou privada recorre aos sistemas de informa-
ção para obter os dados de indicadores, pesquisas, inquéritos e outros (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011; FRANCO; PASSOS, 2011; PEREIRA, 2003).
Os planejadores são profissionais seja de órgãos públicos ou privados, profissionais 
de saúde, assim como a participação social. Essa equipe estabelece relações profissio-
nais, éticas e produtivas com propósitos de identificação do que deve e pode ser feito 
em relação às informações epidemiológicas (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Gestão refere-se à administração em relação às ações de planejamento, organização, 
direção e controle. A gestão é um componente do planejamento em saúde, especifica-
mente utilizado no momento tático-operacional (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Na gestão em saúde, a Epidemiologia contribui para: elaborar diagnósticos 
e análises da situação de saúde (necessidades e serviços); definir critérios para 
a repartição de recursos; auxiliar na elaboração de políticas públicas de saúde; 
elaborar planos e programas; organizar ações e serviços; e avaliar sistemas, polí-
ticas, programase serviços.
Portanto, a Epidemiologia contribui para o desenho e implantação de pro-
cessos de produção de ações de saúde, auxiliando o gestor na atuação sobre o 
processo saúde-doença-cuidado, desde a identificação dos determinantes de 
saúde, passando pelos riscos, até os danos; na mobilização de tecnologias médi-
co-sanitárias para atender às necessidades e demandas. Quanto às intervenções 
sobre as relações de trabalho, a Epidemiologia tem pouco a oferecer ao gestor 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
A avaliação dos serviços de saúde é importante para a determinação da efetivi-
dade e impacto das atividades relacionadas à saúde. Aspectos que podem ser ava-
liados são: os serviços, programas, políticas ou sistemas de saúde. A avaliação deve 
ser vinculada ao processo decisório da gestão como ferramenta estratégica para o 
planejamento e a elaboração de intervenções; como formativo com o objetivo de 
fornecer informação para melhorar uma intervenção no seu decorrer; como soma-
167
tivo para determinar os efeitos de uma intervenção e decidir se ela deve ser mantida, 
transformada ou interrompida. É de fundamental contribuição para o progresso 
dos conhecimentos (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; GORDIS, 2009).
A intervenção consiste em meios, seja físico, humano, financeiro e simbólico, 
organizados em um contexto específico, que em um dado momento produz bens 
e serviços com o objetivo de modificar uma situação problemática. Uma inter-
venção pode ser uma técnica (medicamentos, testes de diagnóstico e outros), uma 
prática (protocolos de tratamento de uma doença), uma organização (unidade de 
tratamento), um programa (desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos) ou 
mesmo uma política (promoção da saúde) (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Dentre os atributos da avaliação em saúde estão (ALMEIDA FILHO; BARRE-
TO, 2011; FRANCO; PASSOS, 2011; GORDIS, 2009; MEDRONHO et al., 2009):
 ■ Equidade: verificar se a distribuição dos serviços está de acordo com 
as necessidades da população, sem distinção de classe social ou outra 
razão.
 ■ Cobertura: identificar se a extensão de um programa alcança toda a 
população-alvo.
 ■ Acessibilidade: extensão na qual os arranjos estruturais e organizacio-
nais de um programa facilitam a participação dos usuários.
 ■ Aceitabilidade: fornecimento de serviços de acordo com as normas 
culturais, sociais e de outra natureza, e com as expectativas dos usuá-
rios em potencial.
 ■ Adequação: suprimento de número suficiente de serviços em relação 
às necessidades e à demanda. A demanda é a necessidade da popu-
lação transformada em ação.
 ■ Qualidade técnico-científica: oferta de serviços em conformidade com 
os padrões técnicos-científicos de acordo com o conhecimento e a 
tecnologia disponíveis.
 ■ Eficácia: capacidade de produzir o efeito desejado quando o serviço 
é colocado em condições ideais de uso.
 ■ Efetividade: capacidade de produzir o efeito desejado quando em uso 
rotineiro. É a relação entre o impacto real e o potencial.
 ■ Eficiência: relação entre o impacto real e o custo das ações.
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UNIDADE 5
168
Existem 3 perguntas básicas para avaliação de resultados de intervenção: a inter-
venção pode alcançar os resultados pretendidos (eficácia)? A intervenção 
alcança os resultados pretendidos (efetividade)? Qual é a relação custo-be-
nefício da intervenção (eficiência)? Todos os estudos epidemiológicos podem 
responder essas questões, tanto os observacionais quanto os experimentais (AL-
MEIDA FILHO; BARRETO, 2011; FRANCO; PASSOS, 2011).
Atualmente, os estudos observacionais são os mais aplicados, enquanto que 
estudos experimentais têm uma aplicação mais limitada. Isso porque os pro-
blemas de saúde contemporâneos, objetos de intervenções, são de grande com-
plexidade, uma vez que são influenciados por questões políticas, econômicas e 
conflitos de interesses. Desta forma, a avaliação pode ser insuficiente para lidar 
com essas complexidades das relações entre os fatores de risco e o impacto das 
ações e políticas de saúde.
Caro(a) aluno(a), os temas abordados nesta unidade são temas básicos para 
o entendimento sobre temas como Epidemiologia Genética, Molecular, Perinatal 
e Nutricional, assim como alguns pontos importantes dentro do Planejamento 
e gestão e avaliação em saúde. 
Vimos que, para o estudo e diagnóstico de doenças infecciosas, são utilizadas 
técnicas moleculares, que podem auxiliar no melhor tratamento. Importantes 
medidas de decisão podem ser tomadas frente ao combate destas doenças. Vi-
mos também os tipos de estudos dentro da grande área de Epidemiologia, seus 
métodos, vantagens e desvantagens na aplicação e viabilidade de cada um deles.
A dieta da população também é de grande preocupação, visto que desde o perío-
do gestacional, os indivíduos são programados a desenvolver determinadas doenças, 
assim como a carência de certos nutrientes pode acarretar em malformação fetal.
O planejamento e gestão em saúde é complexo e envolve diversos profissio-
nais que devem acompanhar os casos com responsabilidade e profissionalismo 
para a melhor tomada de decisões.
Além disso, o profissional deve estar atento a novos estudos, métodos e equipa-
mentos, em busca de sua capacitação e aprimoramento em novas técnicas que envol-
vem a área da saúde, de forma a garantir o conhecimento e a qualidade nos serviços 
de saúde. Esta disciplina pode ser aplicada por diversos profissionais, até mesmo pela 
comunidade. Espero que você pratique os conceitos no seu cotidiano. Sucesso!
169
1. Por meio da Biologia Molecular, desenvolveu-se métodos para identificar moléculas relacio-
nadas com eventos de saúde que possam ocorrer no organismo, análises de ácidos nuclei-
cos e seus produtos de expressão (como as proteínas). Também foi possível desenvolver 
estudos dos efeitos genéticos e epigenéticos, o que pode potencializar a decifração do ge-
noma humano e desenvolver a Epidemiologia Genética (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Dentre as técnicas estudadas, qual seria a mais adequada para detectar o material 
viral do HIV (RNA e proteínas retrovirais) no sangue humano, permitindo determinar 
a distribuição da infecção por HIV nas populações?
a) Sequenciamento Sanger.
b) Sequenciamento de ácidos nucleicos.
c) Clonagem.
d) Restriction Fragmente Legnt Plymorphism (RFLP).
e) Transcriptase reversa-Polymerase Chain Reaction (RT-PCR).
2. Moradores de três bairros com três diferentes tipos de abastecimento de água foram 
requisitados para participar de uma pesquisa para identificar cólera. Como várias 
mortes por cólera ocorreram recentemente, praticamente todos foram submetidos 
ao exame. A proporção de moradores em cada bairro que era portadora foi computa-
da e comparada. Classifique esse estudo assinalando a alternativa correta. Lembre-se 
de que a causa e o efeito foram identificados ao mesmo tempo.
a) Estudo transversal.
b) Estudo de caso controle.
c) Estudo experimental.
d) Estudo de coorte.
e) Ensaio clínico não randomizado.
3. Em um estudo de caso controle que está sendo planejado, pacientes com infarto 
agudo do miocárdio servirão como casos. Qual dos seguintes tipos de pessoas seria 
uma má escolha para servirem como controles?
a) Sujeitos que não têm história de infarto do miocárdio.
b) Sujeitos que foram admitidos no hospital por doença não cardíaca.
c) Sujeitos cuja distribuição etária é semelhante à dos casos.
d) Sujeitos cujos fatores de risco cardíaco são semelhantes aos dos casos.
e) Sujeitos cujas características sociodemográficas são similares às dos casos.
170
4. Leia o enunciado e identifique o tipo de estudo assinalando a alternativa correta: 
Foram identificadas 500 mulheres durante um período de 2 anos que apresentavam 
alterações nos exames de rotina de prevenção de câncer de colo uterino (citologia 
cérvico-vaginal pela técnica de Papanicolau), sugestivas de infecção pelo papiloma-
vírus humano (HPV), e outras 500 mulheres com exames normais. Os dois grupos 
foram acompanhados durante dez anos, sendo diagnosticadosos casos de neopla-
sia de colo uterino. O tratamento foi realizado nas pacientes com a doença, mas os 
resultados dessa intervenção não foram avaliados. Observou-se que a ocorrência de 
câncer foi muito maior nas mulheres com infecção pelo HPV.
Neste sentido, classifique o estudo, lembrando que neste caso temos em nossa 
amostra indivíduos que já apresentam a doença:
a) Estudo transversal.
b) Estudo caso controle.
c) Estudo de coorte.
d) Ensaio clínico randomizado.
e) Ensaio clínico não-randomizado.
5. O planejamento em saúde é um dos pilares disciplinares da saúde coletiva, relaciona-
do à prática técnica e social que contribui para a transformação de uma situação em 
outra. Não está livre de influências e determinações que estruturam a sociedade, ou 
seja, tem influências de determinantes econômicos, políticos e ideológicos, os quais 
influenciam a metodologia de gestão (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Assinale a afirmativa correta:
a) Ao planejar, não se assume o compromisso de ação, requerendo prever anteci-
padamente, utilizando-se da criatividade e inventividade. 
b) Com o planejamento, não é possível identificar problemas e necessidades para 
se chegar em formas de melhorias.
c) Não permite o acompanhamento público.
d) Permite o acompanhamento público, políticas em saúde e avaliação das ações 
do governo.
e) As respostas do processo – quando, onde, como, com quem e para que – não 
serão respondidas.
173
UNIDADE 1
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179
UNIDADE 1
1. O conceito de saúde e doença depende da conjuntura social, econômica, política e 
cultural, além de valores individuais e as concepções científicas, religiosas e filosóficas 
também estarem associados a esse conceito. O corpo humano saudável apresenta 
a habilidade de manter o meio interno em equilíbrio quase constante, independen-
temente das alterações que ocorram em ambiente externo. Esta manutenção só é 
possível graças a diversos processos fisiológicos que ocorrem de maneira coordenada 
e que garantem o equilíbrio homeostático. Caso não seja restabelecida, pode resultar 
em patologia, levando o indivíduo a óbito. Já a doença seria a alteração destes pa-
râmetros, resultando em diferentes manifestações de sintomas e desconforto, com 
comprometimento diferenciado de suas habilidades de atuar na sociedade. 
2. A Epidemiologia seria o estudo da distribuição e de determinantes de estados ou 
eventos relacionados com a saúde em populações específicas e com a aplicação desse 
estudo para controlar problemas de saúde.
3. a. (V).
b. (F). Na História Antiga, é possível encontrar relatos associados à Epidemiologia.
c. (V).
d. (V).
e. (F). Oswaldo Cruz foi um médico sanitarista que estudou as principais endemias 
da cidade do Rio de Janeiro, como a febre amarela, varíola e pestebubônica. Estudou 
também o agente etiológico da Doença de Chagas, o Trypanosoma cruzi.
4. A. O período inicial é chamado de período de pré-patogênese e envolve as inter-re-
lações dinâmicas quanto aos condicionantes sociais e ambientais e os fatores pró-
prios do suscetível, favorecendo a instalação da doença. A relação entre os agentes 
etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais estimulam o desen-
volvimento da enfermidade e condições socioeconômico-culturais que possibilitam 
a existência desses fatores. A segunda refere-se à doença em si e é chamado de 
período de patogênese.
5. D. Dentre os objetivos da Epidemiologia, podemos citar:
180
- Descrever as condições de saúde da população, como a distribuição e a magnitude 
dos eventos, de forma a determinar a extensão da doença na comunidade.
- Investigar os fatores determinantes (preditores) da situação de saúde, ou seja, iden-
tificar os fatores etiológicos na gênese das enfermidades em um contexto coletivo.
- Estudar a história natural e o prognóstico da doença, a fim de desenvolver novos 
modelos de intervenção a partir de tratamentos ou medidas preventivas e, assim, 
comparar com os modelos de referência para verificar se foram efetivos.
- Reduzir ou eliminar a exposição aos fatores de risco a partir do desenvolvimento 
de uma base para programas preventivos.
 - Reduzir os problemas de saúde a partir do conhecimento de sua distribuição e das 
medidas de intervenção.
 - Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação das 
ações de prevenção, controle e tratamento das doenças, assim como estabelecer 
prioridades.
 - Proporcionar bases para desenvolver as políticas públicas de saúde relacionadas 
aos problemas genéticos, ambientais ou de outra natureza.
 - Avaliar o impacto das ações dos serviços de saúde, assim como tecnologias e pro-
cessos no campo da saúde (ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999; PEREIRA, 2002; 
GORDIS, 2009; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
UNIDADE 2
1. Bactérias Vírus
 Botulismo Catapora
 Cólera Herpes
 Tétano Sarampo
 Gonorreia Varíola
 Sífilis Dengue
Tuberculose Febre amarela
181
2. - Endemia é um termo em epidemiologia definido como a presença habitual de uma 
doença em determinada região geográfica. Ex: Febre amarela.
- Epidemia é definida como a ocorrência em uma comunidade ou região de um grupo 
de doenças de natureza similar, excedendo claramente a expectativa normal, derivada 
de uma fonte comum de propagação. Ex: Dengue.
- Pandemia refere-se a uma epidemia que atravessa fronteiras. Ex: COVID-19.
3. A infecção ocorre quando um agente infeccioso penetra em nosso corpo, desenvolven-
do-se e multiplicando-se. Já quando um agente infeccioso causa dano ao organismo, 
dizemos que ocorreu uma doença infecciosa, portanto, é uma doença clinicamente 
manifesta do ser humano, resultado de uma infecção. Contudo, nem toda infecção 
resultará em uma doença infecciosa.
UNIDADE 3
1. F, V, V, V, F.
2. A universalidade supõe que todos os brasileiros tenham acesso igualitário aos serviços 
de saúde e respectivas ações, sem qualquer barreira de natureza legal, econômica, 
física ou cultural. A integralidade fornece a garantia e promoção de ações de pre-
venção, promoção, assistência e reabilitação. É compreender o homem como um 
ser integral, biopsicossocial, o que irá proporcionar um atendimento holístico. Visa 
à busca por uma assistência ampliada, transformadora, centrada no indivíduo e não 
aceita a redução dele nem à doença nem ao aspecto biológico. Envolve a valorização 
do cuidado e o acolhimento. A equidade é um princípio que visa diminuir as desigual-
dades, sociais ou econômicas.
3. A seleção de unidades componentes de amostras segue uma técnica de amostragem 
para se obter um processo adequado. Sua organização deve seguir aspectos éticos, 
mantendo o sigilo, sem causar malefícios ou prejuízos às pessoas investigadas. Res-
peitado estes pontos, é feita a investigação e podemos realizar os cálculos, a inter-
pretação e obtenção, de baixo custo operacional (PEREIRA, 2002; FRANCO; PASSOS 
2011; MEDRONHO et al., 2009). Para se trabalhar, organizar e armazenar estes dados, 
têm-se utilizado com frequência computadores (GORDIS, 2009; FRANCO; PASSOS, 
2011, MEDRONHO et al., 2009). Exemplo: taxa de morbidade, mortalidade e natalidade.
182
4. Dentre as funções da Vigilância Epidemiológica, podemos citar a comparação entre 
parâmetros de regiões e períodos. Os agentes de saúde utilizam-se de parâmetros 
nacionais e internacionais para verificação da situação de saúde de populações, sob 
o ponto de vista sanitário. Com isso, estes parâmetros são indicadores do passado 
e do presente que auxiliam a prever o futuro e a tomar decisões de forma racional 
e bem fundamentada.
UNIDADE 4
1. A teoria Malthusiana afirmava que as populações crescem geometricamente e os 
recursos necessários à sobrevivência (como o alimento), cresceriam aritmeticamente. 
Isto poderia limitar a população.
Já a teoria Marxista defendia que não havia uma lei universal, porém, cada fase do de-
senvolvimento social teria sua própria lei populacional, de acordo com suas condições 
socioeconômicas e que o desenvolvimento de forças produtivas forneceria os meios 
materiais para o incremento da produção de acordo com as necessidades sociais. A 
miséria é explicada pelas condições criadas pela sociedade capitalista, consequente-
mente, a distribuição desigual da riqueza (MEDRONHO et al., 2009).
A Teoria de transição demográfica é a mais aceita hoje em dia, propõe uma análise 
sobre as relações entre modificações de cada sociedade e as mudanças no padrão 
de morbimortalidade através do tempo. Esta transição da sociedade tradicional para 
a modernidade acarretaria a redução das doenças infecciosas e parasitárias e o au-
mento das crônico-degenerativas (MEDRONHO et al., 2009).
2. A Fase 1, Fase de pré-transição, é caracterizada por sociedades com altas taxas de 
natalidade e mortalidade, tornando o crescimento populacional lento, principalmente 
relacionado a elevadas taxas de natalidade e mortalidade infantil. Historicamente 
relacionada à Revolução Industrial, em meados do século XVIII (BUSATO, 2016).
A Fase 2, Fase de Aceleração Demográfica, é uma fase intermediária, própria de países 
em processo de industrialização, apresenta redução da mortalidade, com natalidade 
ainda elevada, provocando grande crescimento populacional. No século XVIII, países 
conhecidos como desenvolvidos passaram para a fase 2 (MEDRONHO et al., 2009). 
Alguns países ricos a iniciaram apenas no século XX (BUSATO, 2016). 
A Fase 3, Fase de Desaceleração demográfica, se dá com o início da redução da nata-
lidade e a decrescente mortalidade. Desta forma, acompanhamos o envelhecimento 
183
populacional. Os países ricos completaram a passagem da fase 2 para a 3 no século 
XX (BUSATO, 2016). Já países da América Latina, Ásia e África esse processo tende a 
ocorrer mais tardiamente.
A Fase 4, Fase de Estabilização da população, também conhecida como fase da mo-
dernidade ou da pós-transição, é típica de sociedades pós-industriais se caracteriza 
por indicadores de mortalidade e natalidade reduzidos e crescimento populacional 
em equilíbrio. Caracterizada por apresentar aumento da expectativa de vida e en-
velhecimento da população. Típica das sociedades pós-industriais (BUSATO, 2016). 
Representada pela aproximação dos níveis de fecundidade com os de reposição, 
gerando aumento da expectativa de vida e envelhecimento da população em geral.
3. A Era da Pestilência e da Fome se estenderia até o final da Idade Média, com altas 
taxas de mortalidade. Neste período, temos problemas relacionados à desnutrição, 
doenças reprodutivas e infecciosas, além de caráter endêmico e epidêmico.
A Era do Declínio das Pandemias se estenderia da Renascença até o início da Revolução 
Industrial, caracterizada pela redução das pandemias, porém o principal motivo de 
mortes continuou sendo as doenças infecciosas e parasitárias. Neste período,temos 
uma melhora na qualidade de vida, de 40 a 50 anos de idade.
A Era das Doenças Degenerativas e das Provocadas pelo Homem, caracterizada pela redução 
ou estabilização da mortalidade em níveis baixos, pela queda relativa da importância das 
doenças crônico-degenerativas (doenças cardiovasculares e neoplasias) e as causas externas 
se tornaram cada vez mais frequentes. Neste período, houve o envelhecimento da população.
4. A permanência de grandes endemias em algumas regiões do país; coeficientes de mor-
talidade ainda elevados quando comparados com países desenvolvidos e importantes 
variações geográficas quanto aos padrões epidemiológicos e aos serviços de saúde.
5. A. A Epidemiologia Ambiental estuda a distribuição dos eventos relacionados à saúde em 
populações de acordo com os determinantes ambientais, tais como os biológicos, físicos (ruí-
dos, vibrações, iluminação, descargas elétricas etc.) e químicos (radiações, metais pesados, 
compostos orgânicos voláteis, pesticidas, hormônios adicionados à alimentação e outros).
6. A Epidemiologia Social estuda os fenômenos que pertencem ao âmbito coletivo e, 
portanto, remetem ao social. No conceito da Epidemiologia Social, incorporamos os 
conceitos políticos na problematização da saúde, como as classes sociais, o poder, 
a justiça e as desigualdades que afetam a saúde das populações. Nesta disciplina, 
a preocupação é a de estudar explicitamente os determinantes sociais do processo 
saúde-doença, como raça, etnia, classe, grau de escolaridade, posição socioeconômica.
184
UNIDADE 5
1. E. No processo de transcrição reversa, a partir de um RNA, é formado o DNA com-
plementar, que é amplificado na reação de PCR. A técnica permite o estudo de orga-
nismos à base de RNA, como o HIV e análises de expressão gênica. Nestas técnicas 
convencionais, os produtos da PCR são revelados em gel de agarose em eletroforese 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
2. A. A exposição (causa) e doença (efeito) são detectadas simultaneamente e os grupos 
serão formados ao final, após a coleta de dados (estudo transversal).
3. D. Os sujeitos cujos fatores de risco cardíaco são semelhantes aos dos casos. Os 
objetivos de um estudo de casos e controles são determinar diferenças nos fatores 
de risco observados em indivíduos com um efeito particular. Entretanto, se os casos 
e os controles forem extremamente parecidos uns com os outros, haverá o risco de 
sobreposição, com o resultado de que nenhuma diferença será detectável e o estudo 
se tornará inútil.
4. C, pois descreve a incidência e história natural de uma condição. Analisa os grupos 
de indivíduos com a mesma condição ou atributo, durante determinado período de 
tempo, com tentativas para entender os desfechos associados entre eles.
5. D. É possível identificar problemas e necessidades, assim como formas de melho-
rias. As respostas que poderão ser respondidas neste processo, serão o que vai ser 
feito, quando, onde, como, com quem e para que, permitindo o acompanhamento 
público e democrático das políticas de saúde e o acompanhamento e avaliação das 
ações do governo.
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	Botão 22: 
	Button 24:com isso, o entendimento sobre as causas da ocorrência 
de algumas patologias. Neste sentido, podemos determinar que a causalidade 
pode ser compreendida como:
 ■ Unicausalidade: as doenças começam a ser vistas como uma causa ex-
terna, bactérias, parasitas e vírus são os agentes patogênicos que podem 
ser combatidos com produtos químicos e vacinas.
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UNIDADE 1
20
 ■ Multicausalidade: múltiplas causas estão envolvidas com um evento 
ou uma única causa está envolvida com muitos danos à saúde. Exem-
plo: as doenças coronarianas estão associadas a múltiplos fatores, como 
a obesidade, nível sérico (sanguíneo) de colesterol aumentado (acima 
do considerado normal), ao sedentarismo, tabagismo, estresse e outros. 
Múltiplos fatores também requerem múltiplos esforços para controle e 
prevenção do evento.
Assim, vimos que o estudo do conjunto que compõe a História Natural da Doen-
ça permite entendermos fatores comportamentais, o meio ambiente e genético 
que podem ter efeitos na saúde populacional. O entendimento da existência do 
sinergismo multifatorial é importante, mas não deve obscurecer a causa mais 
profunda da manutenção do status quo da morbidade por diarreias, a qual reside 
no desnível econômico existente entre as classes sociais.
É necessário evidenciar os fatos, como um diagnóstico clínico e laborato-
rial que confirmem este caso. Essa ciência é denominada medicina baseada em 
evidência. Essas evidências podem ser obtidas de diferentes fontes, como as ex-
periências em animais, observações clínicas adquiridas com os anos, achados 
laboratoriais, análises comparativas de estatísticas e inquéritos populacionais 
(PEREIRA, 2002; FRANCO; PASSOS, 2011; BENSEÑOR; LOTUFO, 2005).
21
Caso as evidências apontem uma relação causal, gera-se uma hipótese e 
procura-se confirmar essa causa ou descartá-la por uma simples coincidência 
(PEREIRA, 2002; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999; GORDIS, 2009).
A Epidemiologia é o estudo da distribuição das doenças nas populações e 
os fatores que influenciam ou determinam esta distribuição. A palavra “Epide-
miologia” deriva dos vocábulos gregos prefixo epi, que significa “em cima de” ou 
“sobre”; radical demos, que significa “população”; e o sufixo logos, que significa 
“discurso”, “estudo” (BONITA; BEAGLEHOLE; KJELLSTROM, 2010). Apesar 
de explicações mais conservadoras tratá-la como uma ciência das coletivida-
des humanas, vale ressaltar que a disciplina não está presente somente na saúde 
humana. A Epidemiologia foi, a princípio, desenvolvida no campo da Medicina 
Veterinária, segundo o que explica Almeida Filho (1986). Atualmente, a Epide-
miologia aplicada à veterinária é vastamente utilizada em questões que envol-
vem morbidades animais transmitidas a seres humanos (zoonoses) ou mesmo a 
questões exclusivas da saúde animal.
Você acredita que a doença seja manifesta da mesma forma em todas as 
pessoas?
UNICESUMAR
UNIDADE 1
22
As doenças, enfermidades e problemas de saúde não são distribuídos aleatoria-
mente em populações humanas. Ao contrário disso, cada um de nós tem deter-
minadas características que nos predispõem ou protegem de uma variedade de 
diferentes doenças. Essas características podem ser, primeiramente, de origens 
genéticas ou o resultado de exposições a determinados riscos ambientais. Talvez, 
mais frequentemente, estejamos lidando com uma interação de fatores genéticos 
e ambientais no desenvolvimento das doenças (GORDIS, 2017).
A Epidemiologia seria, então, “o estudo da distribuição e de determi-
nantes de estados ou eventos relacionados com a saúde em populações 
especificadas e com a aplicação desse estudo para controlar problemas de 
saúde” (GORDIS, 2017). Tendo suas raízes dentro da História da Medicina 
e da Evolução das causas das doenças, no campo científico, a Epidemiologia 
emergiu no final do século XIX e se consolidou como ciência em meados 
do século XX (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Na História Antiga, já é possível encontrar relatos associados a esta disciplina, existindo 
uma tensão entre medicina curativa e preventiva e entre a medicina individual e 
coletiva. Na mitologia grega, cultuava-se o deus da saúde, Asclépios, também cha-
23
mado de Esculápio, concomitantemente conhecido como 
deus da medicina (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; 
MEDRONHO et al., 2009; BUSATO, 2016).
Esse antagonismo entre a medicina curativa e a 
medicina preventiva é encontrado na figura das filhas 
e herdeiras de Asclépios: Panacéia e Higéia. Este para-
doxo entre a medicina individual/curativa e coletiva/
preventiva é ainda um pensamento predominante até 
os dias de hoje. Panacéia era considerada a “padroeira” 
da medicina individual curativa, a qual representava a 
prática terapêutica baseada em intervenções por ma-
nobras físicas, encantamentos, preces e uso de medica-
mentos (pharmakon=fármacos) em indivíduos doentes 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; MEDRONHO 
et al., 2009; BUSATO, 2016). A irmã, Higéia (que deu 
origem ao termo higiene), era venerada por aqueles que 
consideravam a saúde resultante da harmonia entre os 
homens e o ambiente. Os chamados higeus buscavam 
promover a saúde e evitar as doenças por meio de ações 
preventivas, a partir da manutenção do equilíbrio en-
tre os elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. A 
sobrevivência dessas crenças e práticas levou à deriva-
ção da palavra higiene e ao seu conceito no sentido de 
promoção da saúde, principalmente em âmbito coletivo 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; MEDRONHO et 
al., 2009; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
UNICESUMAR
UNIDADE 1
24
Considerado o pai da Epidemiologia, Hipócrates de Cós antecipou o raciocínio 
epidemiológico a partir de seus estudos sobre as epidemias (termo criado por ele) 
e a distribuição das enfermidades nos ambientes. No seu escrito Corpus Hippo-
craticus, fica clara a visão racional da medicina, afastando as teorias sobrenatu-
rais, bem diferente da concepção mágico-religiosa predominante na antiguidade 
(PEREIRA, 2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Descrição de imagem: 
a imagem é a ilustração 
de um homem branco de 
idade mais avançada, vis-
to parcialmente de frente 
para o(a) observador(a), ele 
possui cabelos brancos, sua 
barba também é branca, 
cheia e comprida. Ele veste 
uma túnica marrom. Segu-
ra com sua mão direita uma 
pena, que toca um caderno 
de anotações com linhas, 
que está sobre uma base 
de aspecto amadeirado, 
que sugerem sua escrita. 
Ao lado de seu caderno, há 
uma jarra e outros uten-
sílios menores, parecidos 
com pequenos copos.
Figura 1 - Hipócrates de Cós
Hipócrates (Figura 1) definiu que a saúde depende da:
 ■ Harmonia entre os fluidos (bile amarela e negra, linfa e sangue) e do equi-
líbrio destes elementos naturais, ou seja, as doenças eram produto da rela-
ção complexa entre a constituição do indivíduo e do ambiente que o cerca.
 ■ Orientação do médico, que é sempre considerar os fatores ambientais 
como o clima, a maneira de viver, os hábitos de comer e de beber, durante 
a avaliação clínica do indivíduo.
 ■ Realização do exame clínico minucioso e sistemático dos pacientes, que con-
siste em base para o diagnóstico e descrição da História Natural das Doenças.
25
Hipócrates defendia o conceito ecológico da saúde-enfermidade, utilizado até os 
dias de hoje. Suas observações não se limitavam apenas ao paciente em si, mas 
sim à coletividade. A partir daí surgiu a ideia do miasma (emanação), em que a 
doença era originada de situações insalubres, como a má qualidade do ar. Essas 
emanações insalubres seriam capazes de causar doenças como malária, que vem 
do latim maus ares (junção de mal e ar), que se relaciona com a crença sobre o 
modo de transmissão da doença.
As emanações passariam do doente para os indivíduos suscetíveis, o que ex-
plicava a origem das epidemias de doenças contagiosas da época (PEREIRA, 
2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Na Roma Antiga, Claudius Galeno (138-201 a.C.), natural de Bergama 
(Turquia), foi um dos médicos mais famosos da época. Galenosustentou a 
teoria humoral de Hipócrates e a ampliou (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 
2011; MEDRONHO et al., 2009; BUSATO, 2016; ROUQUAYROL; ALMEIDA 
FILHO, 1999). Na era romana, foi acrescentado um legado à Epidemiologia, 
pelas mãos do imperador Marco Aurélio, o qual solicitava censos periódicos 
e de um registro compulsório de nascimentos e óbitos. O império romano 
tinha o que podemos chamar de infraestrutura sanitária, formada por aque-
dutos que levavam água de melhor qualidade para Roma, e por esgotos, que 
até hoje são preservados (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; BUSATO, 
2016; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
No Ocidente, predominou-se o cristianismo e as práticas mágico-religiosas, 
com o propósito de salvação da alma. Os adeptos da prática clínica da época 
eram religiosos, barbeiros, boticários, entre outros. Apesar de o mundo ociden-
tal se preocupar mais com medidas individuais e práticas baseadas em magia, 
no mundo árabe destacavam-se o avanço tecnológico e o caráter coletivo da 
medicina. Os médicos muçulmanos respeitavam os princípios hipocráticos, 
realizavam a prática da higiene, precursora da saúde pública, com levantamen-
tos de dados populacionais e sanitários, assim como a vigilância demográfica. 
Tais medidas são essenciais para o controle de epidemias e doenças (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011; MEDRONHO et al., 2009; BUSATO, 2016; ROU-
QUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
UNICESUMAR
UNIDADE 1
26
Houve, entre os séculos XVI e XVIII uma nova organização nos campos cultu-
ral, filosófico e social, articulado à emergência de um novo modo de produção, 
um enorme e complexo esforço para a produção de dados, informações e 
conhecimento em todos os níveis do saber e localidades em que se expandia 
a civilização ocidental (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011). No século XVI, 
o médico espanhol Angelério descreveu um estudo sobre as pestes, denomi-
nado Epidemiologia, tendo, então, criado o termo. No final do século XVIII 
e início do século XIX, iniciando com a Revolução Francesa, as epidemias 
como cólera, febre tifoide e febre amarela eram graves problemas de saúde 
nas cidades, aumentando as preocupações com higiene, o aprimoramento da 
legislação sanitária e a criação de estruturas administrativas para controle e 
prevenção das doenças (PEREIRA, 2002).
Todos esses avanços e o impacto dos movimentos renascentistas na formação 
da Epidemiologia permitem dizer que ela surgiu da consolidação de um tripé 
de elementos conceituais (saberes sobre a doença), metodológicos (diretrizes 
Perspectiva Histórica quantitativas) e ideológicos (práticas de transformação da 
sociedade): Clínica, estatística e Medicina Social, respectivamente (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011; BUSATO, 2016).
Em Londres, o precursor da clínica médica foi Thomas Sydenham (1624-
1689), segundo os anglo-saxões. Sydenham era um médico e um precursor da 
27
ciência epidemiológica que estabeleceu uma teoria sobre epidemias e elaborou 
o conceito “História Natural das Enfermidades” (MEDRONHO et al., 2009; AL-
MEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
A medicina científica moderna de Michel Foucault, na Sociedade de Me-
dicina de Paris, fundou a clínica moderna no século XVIII, e organizou-se a 
partir da Ordem Real para que os médicos investigassem uma doença em um 
rebanho que gerou grandes perdas para a indústria têxtil francesa. Nessa in-
vestigação, estava incluída a contagem do número de casos, mesmo que não 
humanos, o que contribuiu grandemente para a Epidemiologia metodológica 
(ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 
1999; MEDRONHO et al., 2009).
O aperfeiçoamento técnico de instrumentos permitiu aprimorar instrumen-
tos ópticos de razoável potência, desta forma, a identificação de microrganismos 
e sua relação com a gênese das doenças, sendo possível compreender as doenças 
e formas de combatê-las (PEREIRA, 2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
Um dos clínicos mais conhecidos por explorar problemas de saúde pública na 
época foi Ignaz Semmelweis (1818-1865). Ele comandou a maternidade do hos-
pital geral de Viena (Áustria), que na época tinha duas clínicas obstétricas. A 
primeira, composta de médicos e estudantes de medicina, a segunda clínica era 
composta por parteiras. Os médicos e estudantes da primeira clínica iniciaram 
UNICESUMAR
UNIDADE 1
28
realizando autópsias em mulheres que haviam morrido de febre puerperal 
(febre pós- parto), em seguida, prestavam cuidados clínicos às mulheres 
hospitalizadas na Primeira Clínica para seus partos. As parteiras, na Se-
gunda Clínica, não faziam autópsias. Semmelweis observou que a taxa de 
mortalidade em 1842 na Primeira Clínica foi cerca de duas vezes mais alta 
do que a mortalidade na Segunda Clínica.
Semmelweis acreditava que a taxa de mortalidade da Primeira clínica era 
mais alta que a segunda, porque os médicos e estudantes de medicina vinham 
diretamente das autópsias para atender suas pacientes. Essas mulheres rece-
beram atendimento de vários médicos e estudantes, concluindo, então, que as 
mãos dos médicos e estudantes estavam transmitindo partículas causadoras 
da doença, dos cadáveres para as mulheres que estavam prestes a parir.
Em 1847, são confirmadas suas suspeitas, pois seu colega Jakob Kol-
letschka morreu de uma infecção contraída quando ele foi puncionado, 
acidentalmente, por uma lâmina de um estudante que fazia uma autóp-
sia. Sua autópsia mostrou uma patologia muito similar à das mulheres 
que estavam morrendo de febre puerperal. As taxas de mortalidade na 
Segunda Clínica continuaram baixas, pois as parteiras que lá trabalha-
vam não tinham contato com a sala de autópsias (GORDIS, 2017).
Outra contribuição importante foi a de Louis Pasteur (1822-1895) 
(Figura 2), que estudou o motivo pelo qual o vinho e a cerveja azedam. 
Pasteur, que era químico, iniciou a teoria da pasteurização, na qual 
alguns microrganismos eram destruídos pelo aquecimento (GORDIS, 
2009; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011; PEREIRA, 2002).
Robert Koch (1843-1910) (Figura 3), que em 1882 descobriu o agente 
causador da tuberculose e escreveu os postulados da teoria microbiana 
da doença (“teoria do germe”), afirmou que o microrganismo deveria ser 
isolado em cultura, em cada caso da doença. Uma vez isolado, deveria ser 
inoculado em um animal para reproduzir a doença experimentalmente. 
Aplicando-se os métodos de Koch, em 1880 e 1989 foram descobertos 
os agentes da febre tifóide, hanseníase, malária, cólera, erisipela, difteria, 
brucelose, pneumonia e outros (ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
29
Descrição da imagem: a 
imagem fotográfica, em 
preto e branco, apresenta
o busto de um homem 
branco, com cabelos e 
barba curtos e grisalhos, 
olhando para a direita, 
vestindo camisa branca, 
terno, colete e gravata 
borboleta pretos; o fundo 
da imagem é neutro em 
tom acinzentado. 
Figura 2 - Louis Pasteur, cientista
francês
Descrição da imagem: a 
imagem fotográfica, em 
preto e branco, apresenta
o busto de um homem de 
idade avançada, pele bran-
ca, pouquíssimo cabelo e 
barba e bigode mais cheios 
e grisalhos, usa óculos de 
grau com lentes ovais. O 
homem está com a cabe-
ça voltada levemente para 
o lado direito e olhando 
para frente, vestindo cami-
sa branca, terno, colete e 
gravata borboleta pretos; o 
fundo da imagem é neutro 
em tom acinzentado.
Figura 3 - Robert Koch / Fonte: 
Wikimedia Commons (1912, on-line).
UNICESUMAR
UNIDADE 1
30
Descrição de imagem: a imagem mostra uma pintura em preto e branco, de três homens e três mulheres 
e um menino chamado Edward Jenner com 8 anos sendo vacinado. Todos estão vestindo roupas antigas 
do século XVIII. Dois homens posicionados na esquerda da imagem seguram o menino que está sentado 
em uma cadeira. O menino está tentando descer da cadeira, um dos homens está com uma seringa na 
mão. Uma das mulheres está atrás da cadeira do menino olhando para o menino, ela veste um vestido 
branco. O terceiro homem está posicionado ao centro da imagem, ao lado dele, duas mulheres vestidasde preto, uma olhando para o menino e a outra para o chão.
Figura 4 – Edward Jenner (1749-1823), pioneiro da vacinação. Nesta figura, está o menino James Phipps 
de 8 anos de idade sendo imunizado contra varíola, em 1796
31
Quanto às imunizações, destaca-se Edward Jenner (1749) (Figura 4). Estudou 
a varíola; na época, sabia-se que os sobreviventes à doença estariam imunes, e 
tornou-se uma prática comum infectar indivíduos saudáveis administrando um 
material retirado de pacientes com varíola. Esse procedimento ficou conhecido 
como variolização, e tornou-se um método preventivo muito comum na prática 
médica. No entanto, muitos indivíduos foram a óbito, ou alguns desenvolveram 
a doença ou ainda outras infecções (GORDIS, 2009).
Para desenvolver um método mais seguro, Jenner passa a estudar a varíola 
bovina. Neste período, as mulheres ordenhadoras de vacas desenvolveram a va-
ríola bovina, forma mais branda da varíola. Contudo, após surtos dessa doença, 
essas mulheres não desenvolvem a infecção. Em 1967, a Organização Mundial 
da Saúde (OMS) realizou uma intensa campanha internacional para erradicar a 
varíola, usando vacinas contendo vírus da varíola bovina. Em 1980, a OMS emitiu 
um certificado de erradicação da doença (GORDIS, 2009). O termo “vacina” é 
derivado de vacca, a palavra latina para “vaca”.
Com o estudo da saúde ambiental, pudemos ter mais informações a respeito 
de transmissão das enfermidades, como a presença de vetores e reservatórios 
de agentes. Desta forma, foi possível entender o ciclo de vida de parasitas e de 
mosquitos na transmissão de doenças infecciosas. Com essas novas evidências, 
os germes passaram a aplicar a teoria da multicausalidade para a ocorrência de 
doenças, ou seja, as doenças são resultantes da interação entre o agente, homem 
e meio. A doença seria consequência de qualquer perturbação dessa complexa 
interação de múltiplos fatores, e não só de um fator unificado (PEREIRA, 2002).
NOVAS DESCOBERTAS
Com a comprovação de seres microscópicos e seu papel no início das enfermidades, a 
clínica e a patologia tornaram-se subordinadas aos laboratórios, que também ditavam as 
normas de higiene e legislação sanitária. As escolas de saúde pública e os ensinos passa-
ram a se concentrar em laboratórios. Foram fundados diversos institutos de pesquisas 
aplicadas à prática e, consequentemente, aumentou-se o número de produções cientí-
ficas com progresso na ciência e tecnologia. Não somente os avanços da bacteriologia, 
houve uma significativa consolidação dos métodos de prevenção de doenças, como as 
imunizações e a promoção da saúde ambiental.
Fonte: adaptado de Pereira (2002).
UNICESUMAR
UNIDADE 1
32
Resultados clínicos aprimoram a avaliação da distribuição das doenças e a 
efetividade das medidas preventivas. A quantificação das enfermidades passa a 
ser uma nova ciência da saúde, surgindo a estatística (PEREIRA, 2002). Desta 
maneira, a clínica contribui para a descrição das doenças, diagnóstico e trata-
mento de doenças, agravos e outros eventos de saúde que acometem pessoas ou 
populações, sendo importante para o avanço das pesquisas e desenvolvimento 
da tecnologia médica (BUSATO, 2016).
NOVAS DESCOBERTAS
Título: A História e suas Epidemias: a convivência do homem 
com os microrganismos
Ano: 2003
Autor: Stefan Cunha Ujvari
Editora: Senac SP
Sinopse: o autor faz o resgate da luta travada pela humanidade contra os germes ao lon-
go dos séculos, desde a tentativa de compreensão das primeiras epidemias da História, 
passando pela descoberta dos microrganismos como causadores de infecção e também 
dos antibióticos e das vacinas que levaram ao controle ou à extinção de alguns deles.
Comentário: fatores que permitem a disseminação de doenças são citados no livro, de-
monstrando dentro do âmbito histórico. São citadas doenças como o vírus antraz e o Ebo-
la, mostrando como a manifestação da doença em poucas pessoas pode ser seguida por 
milhares de mortes. O conhecimento do histórico da vida das sociedades no momento 
em que surge cada uma das epidemias descreve detalhes fundamentais para esclarecer 
que a transmissão de doenças infecciosas está longe de ser consequência de maldições 
divinas, como supunham nossos ancestrais.
No Brasil, a Epidemiologia segue a urbanização, inicialmente, na cidade do Rio 
de Janeiro que ocorreu com a drenagem de pântanos e demolição de morros. 
Profissionais de saúde e sanitaristas lutavam pela ampliação do saneamento 
ambiental, como forma de enfrentar as doenças contagiosas. No entanto, estu-
dos mais profundos na biologia e medicina colocaram em destaque o papel na 
transmissão, fornecendo o conhecimento de agente de produção de doenças e 
hospedeiros susceptíveis. Por meio destas informações, era possível esclarecer o 
ciclo dos parasitas, ampliando as possibilidades de prevenção (PEREIRA, 2000).
33
Em 1903, o médico Oswaldo Cruz (1872-1917), 
egresso do Instituto Pasteur de Paris, ocupou o cargo 
de Diretor Geral de Saúde Pública. Oswaldo Cruz ti-
nha como tarefa sanear a capital (Rio de Janeiro, naque-
la época) e combater as principais endemias da cidade, 
como a febre amarela, varíola e peste bubônica.
Oswaldo Cruz impôs a notificação compulsória e me-
didas rigorosas para controle das doenças, como a aplica-
ção de multas e vacinação nos moldes militares. Em 1904, 
a capital sofreu uma grave epidemia de varíola, e obrigou 
a vacinação contra a doença a partir de um projeto de lei 
do Congresso, a qual previa sanções para quem desobede-
cesse. O autoritarismo da vacina levou à insatisfação po-
pular que deu origem à Revolta das Vacinas. No início do 
século XX, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, Oswaldo 
Cruz fundou um Instituto de pesquisa, que hoje leva o seu 
nome e se tornou um dos laboratórios mais importantes 
do país (PEREIRA, 2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 
2011; MEDRONHO et al., 2009).
Após Oswaldo Cruz, destacou-se Carlos Chagas, 
médico sanitarista e campanhista. Em 1909, em Las-
sance (Minas Gerais), enquanto combatia o surto de 
malária, Chagas descobriu o agente da tripanossomíase 
americana (mundialmente conhecida como Doença de 
Chagas), o protozoário Trypanosoma cruzi, nome dado 
em homenagem ao Oswaldo Cruz (MEDRONHO et al., 
2009; PEREIRA, 2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 
2011). Do Instituto Manguinhos, também merece des-
taque o protozoologista Adolfo Lutz (1855-1940), que 
trabalhou com febre amarela e outras endemias. Lutz 
ocupou o cargo de diretor do Instituto Bacteriológico 
em São Paulo, e descobriu a relação do vetor Aedes ae-
gypti como transmissor da febre amarela (PEREIRA, 
2002; ALMEIDA FILHO; BARRETO, 2011).
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UNIDADE 1
34
Em meados de 1950, foram criados os departamen-
tos de Medicina Preventiva (ou Social) em faculdades 
de Medicina, e a disciplina de Epidemiologia foi inseri-
da nos cursos de medicina. Em 1960, foram realizadas 
campanhas de vacinação para a erradicação da varío-
la, e em 1970, contra a poliomielite. Juntamente com a 
epidemia de doença meningocócica, as campanhas e a 
epidemia contribuíram para a consolidação do Sistema 
Nacional de Vigilância Epidemiológica do Brasil. Ainda 
em 1970, foram criados núcleos de saúde coletiva, e em 
1979 criou-se a Associação Brasileira de Pós-graduação 
em Saúde Coletiva (ABRASCO), atuando também nos 
serviços de saúde (MEDRONHO et al., 2009; ALMEI-
DA FILHO; BARRETO, 2011).
Na 8ª Conferência Nacional de Saúde, denominada 
Conferência Pré-Constituinte, realizada de 17 a 21 de 
março de 1986, o conceito de saúde foi ampliado e re-
gistrado. Saúde seria, então, a resultante das condições 
de alimentação, habitação, educação, renda, meio am-
biente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, 
acesso e posse da terra, bem como acesso a serviços 
de saúde. Seria, assim, o resultado das formas de orga-
nização social da produção que podem gerar grandes 
desigualdades nos níveis de vida.
O grande mérito da concepção presente na Cons-
tituição de 1988 reside, justamente, na explicitação dos 
determinantessociais da saúde e da doença, muitas ve-
zes negligenciados nas concepções que privilegiam a 
abordagem individual e subindividual.
Em 7 de abril de 1948, temos o Dia Mundial da Saú-
de, implicando o reconhecimento do direito à saúde 
e da obrigação do Estado na promoção e proteção da 
saúde. “Saúde é o estado do mais completo bem-estar 
físico, mental e social e não apenas a ausência da en-
fermidade” (SCLIAR, 2007, p. 37).
35
Segundo a Constituição Brasileira de 1988, “a saúde é direito de todos e dever 
do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução 
do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e 
aos serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988, on-line).
O questionamento sobre a doença, Qual, Onde, Quando e Porquê alguma 
doença ou outro evento em saúde acomete um indivíduo ou uma população, 
são a base da disciplina Epidemiologia. Desta forma, esta análise nos fornece 
a informação se a doença, moléstia, agravo óbito e ausência de saúde não são 
distribuídas ao acaso em uma população (GORDIS, 2009).
Dentre as doenças existentes, temos doenças infecciosas (malária, saram-
po, infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida/HIV, entre outras), 
doenças não infecciosas (diabetes, hipertensão arterial, depressão e outras) 
e agravos à integridade física (acidentes, homicídios, suicídios, óbito) (ROU-
QUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999).
No estudo epidemiológico, ainda, podemos citar o estudo etiológico, que é 
o estudo das causas das doenças, na gênese das enfermidades, que quantifica os 
fenômenos de saúde e doença, usando cálculos matemáticos e técnicas estatísticas 
(GORDIS, 2009). Podemos inferir que a Epidemiologia é uma ciência aplicada 
e dirigida para a solução de problemas de saúde, e trata-se de uma ferramenta 
UNICESUMAR
UNIDADE 1
36
poderosa e de grande utilidade para a área da saúde. Atualmente, ela ocupa cada 
vez mais um lugar privilegiado como fonte de desenvolvimento metodológico 
para todas as ciências da saúde e subsidiando as práticas de saúde (ALMEIDA 
FILHO; BARRETO, 2011).
Para realizar as investigações epidemiológicas, vários métodos são utilizados, 
estes métodos estão divididos dentro de dois estudos, conforme o Quadro 1:
Epidemiologia Descritiva Epidemiologia Analítica
Tempo, lugar e pessoas. Hospedeiro, ambiente e agente.
Descrições gerais.
Identifica subconjuntos de uma po-
pulação definida, classificando quem 
esteve, está ou estará exposto ou 
não exposto – ou exposto em dife-
rentes graus – a um ou mais fatores 
que acarretarão no desfecho final – 
seja ele saúde ou doença. 
Relacionar determinada doença 
com características básicas (idade, 
sexo, etnia, ocupação, classe social 
e localização geográfica) dentro de 
determinado período de tempo.
Estuda os possíveis fatores relacio-
nados à enfermidade.
Quadro 1 - Métodos de investigação epidemiológica / Fonte: a autora.
Ao longo dos anos, pesquisadores e epidemiologistas observaram que houve 
uma redução do número de óbitos e doentes por doenças infecciosas, enquanto 
aumentaram os casos de doenças crônicas (como o câncer, diabetes e hipertensão 
arterial). O estudo de doenças crônicas dirigiu as pesquisas para investigações 
de condições etiológicas preexistentes (presentes antes do aparecimento das al-
terações clínicas ou anatomopatológicas), como os fatores de risco e os estados 
fisiológicos. Assim, a Epidemiologia passou a estudar qualquer evento relacio-
nado à saúde das populações, não só a doença, mas também os fatores de risco 
e de proteção aos quais os indivíduos se expõem, e outros fatores que afetam os 
índices de morbidade e mortalidade (PEREIRA, 2002).
A partir da assistência aos doentes e da prática de medidas preventivas, 
destacou-se o papel dos serviços de saúde para a detecção da distribuição e 
37
ocorrência das doenças, e esses serviços passaram a ser utilizados como re-
ferência para obtenção de dados e informações para a Epidemiologia, assim 
como a disciplina Epidemiologia passou a ser utilizada pelos serviços como 
um método de avaliação dos serviços prestados, como, por exemplo, a auxiliar 
as instituições de saúde, a verificar a cobertura populacional dos serviços, a 
qualidade do atendimento e outros (PEREIRA, 2002).
Dentre os objetivos da Epidemiologia, podemos citar:
- Descrever as condições de saúde da população, como a distribuição e a mag-
nitude dos eventos, de forma a determinar a extensão da doença na comunidade.
- Investigar os fatores determinantes (preditores) da situação de saúde, ou seja, iden-
tificar os fatores etiológicos na gênese das enfermidades em um contexto coletivo.
- Estudar a história natural e o prognóstico da doença, a fim de desenvolver 
novos modelos de intervenção a partir de tratamentos ou medidas preventivas 
e, assim, comparar com os modelos de referência para verificar se foram efetivos.
- Reduzir ou eliminar a exposição aos 
fatores de risco a partir do desenvolvimento 
de uma base para programas preventivos.
- Reduzir os problemas de saúde a 
partir do conhecimento de sua distribui-
ção e das medidas de intervenção.
- Proporcionar dados essenciais 
para o planejamento, execução e ava-
liação das ações de prevenção, controle 
e tratamento das doenças, assim como 
estabelecer prioridades.
- Proporcionar bases para desenvolver 
as políticas públicas de saúde relaciona-
das aos problemas genéticos, ambientais 
ou de outra natureza.
- Avaliar o impacto das ações dos ser-
viços de saúde, assim como tecnologias 
e processos no campo da saúde (ROU-
QUAYROL; ALMEIDA FILHO, 1999; 
PEREIRA, 2002; GORDIS, 2009; ALMEI-
DA FILHO; BARRETO, 2011). 
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UNIDADE 1
38
Desta forma, po-
demos perceber que a 
Epidemiologia é o estu-
do da distribuição das 
doenças, que podem ser 
causadas, por exemplo, 
por agentes patogênicos, 
estilo de vida, predispo-
sição genética.
Caro(a) aluno(a), os 
temas abordados nesta 
unidade puderam te for-
necer a base para o en-
tendimento sobre temas 
como saúde e doença, 
assim como perpassar 
conhecimentos mais 
básicos na área da saúde 
39
para reconhecermos um indivíduo saudável de um doente, assim como identifi-
carmos patologias que possam perturbar a homeostasia do corpo.
Ao identificarmos este indivíduo doente, podemos analisar cada caso para 
verificarmos o grau de acometimento, o tipo de doença, se é um caso isolado ou 
pode ainda ser transmitido, gerando riscos à saúde humana.
O estudo da História e as doenças as quais acometeram a humanidade ao 
longo dos anos, assim como o desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecno-
logias e ferramentas, que permitiram conhecer melhor os microrganismos, 
como o microscópio, são importantes para compreensão das pesquisas e do 
desenvolvimento da medicina.
Além disso, o estudo da distribuição de patologias para levantar dados fiéis 
para a compreensão de suas causas permite que o profissional tome as providên-
cias necessárias que estejam dentro de seu alcance para solucionar os problemas 
dentro de seu ambiente de trabalho.
O profissional da saúde deve alertar a população sobre os riscos de adquirir 
certas doenças, como por exemplo, a obesidade. Alertar a população sobre os 
riscos do consumo de alimentos altamente palatáveis e promover campanhas 
para a conscientização, com o objetivo de esclarecer as informações.
UNICESUMAR
40
1. A visão de mundo é um sistema de pontos de vista sobre a realidade que leva o ho-
mem a elaborar uma atitude diante dessa realidade. As diferentes visões de mundo 
nada mais são do que diferentes compreensões e, consequentemente, ações do 
homem. As teorias que interpretam o processo saúde-doença são meramente as 
diferentes formas de pensar do ser humano em relação aos fatos sociais, sejam 
estes determinados pelo desenvolvimento das forças produtivas, das relações de 
produção, das relações de poder, ou seja, tudo aquilo relacionado ao trabalho e à 
organização da sociedade.
GALLEGUILLOS, T. G. B. Epidemiologia:indicadores de saúde e análise de dados. 
São Paulo: Érica, 2014. 
Neste sentido, explique o termo saúde e doença.
2. O que determina as doenças ou os agravos à saúde pode ser genético, resultan-
te de exposição a perigos ambientais, exposição a determinadas atividades de 
trabalho ou apenas cotidianas, e, de forma direta ou indireta, da forma como a 
sociedade se organiza.
GALLEGUILLOS, T. G. B. Epidemiologia: indicadores de saúde e análise de dados. 
São Paulo: Érica, 2014.
De acordo com essas informações, conceitue a ciência Epidemiologia.
3. As raízes históricas da ciência epidemiológica podem ser identificadas em uma trilogia 
de elementos conceituais, metodológicos e ideológicos representados pela clínica, 
pela estatística e pela medicina social. Considerando a significativa importância nesse 
campo, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) para as afirmações abaixo, em seguida, 
justifique as falsas:
( ) A Epidemiologia tem suas raízes dentro da História da Medicina e da Evolução 
das causas das doenças.
( ) Na História Antiga, não é possível encontrar relatos associados à Epidemiologia.
( ) Na mitologia grega, cultuava-se o deus da saúde, Asclépios (também chamado 
de Esculápio), concomitantemente conhecido como deus da medicina.
( ) Roberto Koch descobriu o agente causador da tuberculose e escreveu os postu-
lados da teoria microbiana da doença (“teoria do germe”), postulou que o micror-
41
ganismo deveria ser isolado em cultura, em cada caso da doença, de mortalidade, 
como prematuridade e raquitismo.
( ) Oswaldo Cruz foi um médico sanitarista que estudou apenas agente etiológico 
da Doença de Chagas, o Aedes aegypt.
4. O processo em que o indivíduo saudável se torna um doente, compreendendo todo 
o processo saúde-doença, é descrito como História Natural da Doença. Assinale a 
alternativa correta quanto à História Natural das Doenças (HND):
a) A HND é dividida em período pré-patogênico e patogênico. O primeiro refere-se 
à fase que antecede a doença, e o segundo, à doença propriamente dita.
b) A HND estuda a tríade ecológica que envolve apenas os aspectos do hospedeiro, 
do agente e do ambiente, e não o social.
c) Na fase pré-patogênica, além da doença, tem-se a preocupação com as suas 
sequelas, com a incapacidade e até com o óbito.
d) Na fase patogênica, não temos a instalação da doença ainda.
e) Um dos períodos da HDN é o de patogênese, porém, nesta fase não existem 
perturbações bioquímicas em nível celular que possam evoluir a defeitos perma-
nentes, cronicidade, morte ou cura.
5. A Epidemiologia é uma ciência de ação e, em vista disso, consensualmente de cará-
ter utilitário. Os seus conhecimentos destinam-se à solução prática de problemas 
concernentes à Saúde Pública. O objetivo principal da Epidemiologia é:
I - Identificar fatores etiológicos dos problemas de saúde.
II - Estudar a distribuição das doenças e outros danos à saúde.
III - Propor medidas de prevenção em saúde e até de planejamento.
IV - Reformar as políticas públicas de saúde e interferir nas ações dos gestores.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas I, II e III estão corretas.
e) Apenas I e IV estão corretas.
2Doenças transmissíveis, 
não transmissíveis e 
Diagnóstico da Doença
Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho
Olá, aluno(a)! Discutiremos, na Unidade 2, sobre as doenças transmis-
síveis e não transmissíveis. Veremos os agentes patogênicos envolvi-
dos em determinadas doenças e acerca do processo de imunização 
referente às doenças. A partir desta análise, poderemos compreender 
como a doença pode ser contida, para reduzir os casos dentro da 
população. Vamos falar, também, sobre o conceito de risco, para co-
nhecermos a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença. 
Desta forma, finalizaremos a unidade discutindo o diagnóstico de cada 
doença, analisando dados para o diagnóstico correto.
UNIDADE 2
44
Querido(a) estudante, imagine o se-
guinte cenário: você liga o rádio e es-
cuta que, com o aumento das chuvas, é 
preciso ampliar o cuidado com possí-
veis focos de Dengue. O locutor refor-
ça que é necessário manter quintais e 
terrenos baldios limpos para evitar o 
acúmulo de água parada em superfí-
cies e, assim, diminuir o aumento de 
casos desta doença.
Uma simples tampinha de garrafa 
pode servir de depósito para a fêmea 
do mosquito Aedes aegypti, que pro-
cura depositar seus ovos nas bordas 
dos recipientes que contenham água 
parada. A dengue é uma doença mui-
to conhecida e muito falada pelas 
pessoas hoje em dia, estima-se que o 
Brasil enfrentou diversas epidemias 
em um padrão cíclico. Na última 
epidemia, no ano de 2019, foram 
contabilizados 2,3 milhões de ca-
sos no país (LORENZ; AZEVEDO; 
CHIARAVALLOTI-NETO, 2020).
Desta forma, diversas doenças 
como a dengue ocorrem no mundo. 
As doenças podem ser classificadas 
como transmissíveis e não transmissí-
veis. Você saberia classificar as doenças 
e como chegar ao diagnóstico correto?
Para entendermos sobre as di-
versas patologias, é necessário estu-
darmos os primeiros casos da doen-
ça, o ciclo de vida de protozoários, 
vírus, bactérias e formas de contá-
gio, por exemplo.
A dengue é uma doença muito 
antiga. Existem relatos clínicos e epi-
demiológicos em uma enciclopédia 
chinesa datada de 600 d.C. Casos de 
uma doença febril no oeste da Índia 
Francesa, em 1635 e, no Panamá, em 
1699, mas existem dúvidas se real-
mente tratava-se de dengue.
O isolamento do microrganis-
mo causador da dengue ocorreu em 
1950. Anteriormente a este período, 
os relatos eram realizados com base 
em critérios clínico-epidemiológicos. 
Os casos que se seguiram em 1779, na 
ilha de Java, em Jacarta e no Egito, se-
guidos da Filadélfia, EUA, e chegando 
até a Austrália, podem ser enquadra-
dos como epidemia.
Um destaque chocante foi quan-
do atingiu a Grécia, por volta de 1929, 
cerca de 90% da população de Atenas 
ficou infectada, com 1 milhão de casos 
notificados e 1250 óbitos. Registros 
realizados após a II Guerra Mundial 
mostraram surtos de uma febre he-
morrágica severa, sendo identificada, 
posteriormente, como dengue hemor-
rágica, e o primeiro caso descrito foi 
nas Filipinas em 1953.
Na rotina de campo do controle Na rotina de campo do controle 
de Dengue, o objetivo é a elimina-de Dengue, o objetivo é a elimina-
ção de focos e criadouros do ção de focos e criadouros do Aedes Aedes 
45
aegyptiaegypti em todos os imóveis (residências, terrenos baldios, comércios, indús- em todos os imóveis (residências, terrenos baldios, comércios, indús-
trias, entre outros) do município, orientação à população casa a casa, salien-trias, entre outros) do município, orientação à população casa a casa, salien-
tando a necessidade de manutenção da limpeza dos imóveis com eliminação tando a necessidade de manutenção da limpeza dos imóveis com eliminação 
de criadouros dos vetores, para diminuição do índice vetorial.de criadouros dos vetores, para diminuição do índice vetorial.
Assim, pesquise na internet se em seu município existe alguma estratégia ou 
Normas Técnicas a respeito do Plano de Gerenciamento e Controle da Dengue.
A prevenção de doenças é fundamental na comunidade por meio de mobi-
lização social. Temos, ainda, a responsabilidade em ampliar nossos conhe-
cimentos sobre a doença, pois, desta forma, podemos reduzir a incidência 
de casos.
UNIDADE 2
UNIDADE 2
46
Ações com enfoque na educação podem diminuir o impacto 
econômico para a saúde da população. O convívio diário com 
o elevado número de casos de determinada doença, a pesqui-
sa e o conhecimento de medidas preventivas, apesar de serem 
simples, podem ser muito eficazes para a prevenção delas. 
Os cuidados direcionados a esta doença, sua etiolo-
gia, modo de transmissão, período de incubação, perío-
do de transmissibilidade, manifestações clínicas, trata-
mento, notificação, medidas de prevenção e educaçãoe avaliação do impacto da mobilização da população 
para redução da incidência, no cenário da prática da Es-
tratégia de Saúde da Família, devem ser considerados. 
Neste sentido, convido você a refletir e listar alguns sintomas 
que você ou seus familiares e amigos apresentaram após con-
trair determinada doença. 
Caro(a) estudante, é muito importante, neste momento, 
entender que as doenças são o resultado da interação entre 
hospedeiro, agente e meio ambiente, podendo levar o indiví-
duo a adquirir doenças transmissíveis ou não transmissíveis. 
É preciso compreender, também, que existem doenças de 
origem genética, como câncer e diabetes.
A doença pode ser transmitida direta (de pessoa para 
pessoa) ou indiretamente (veículo comum como a contami-
nação atmosférica). Diferentes organismos disseminam-se 
de maneiras variadas, e deve-se levar em consideração a taxa 
de crescimento e a via pela qual é transmitido. As patologias 
surgem de uma interação de um hospedeiro humano susce-
tível, um agente infeccioso ou de outro tipo e o ambiente que 
promove a exposição (GORDIS, 2017).
47
Dentre alguns fatores que podem estar associados ao aumento de risco de 
doença humana, podemos citar as características do hospedeiro, os tipos de 
agentes físicos, químicos e biológicos e nutricionais, além dos fatores ambientais 
(consulte o Quadro 1).
Características do 
hospedeiro
Tipos de agentes 
e exemplos
Fatores ambientais
Idade Biológicos: Temperatura
Sexo Bactérias, vírus Umidade
Raça Químicos: Altitude
Religião Veneno, álcool, fumo Aglomeração
Hábitos Físicos: Moradia
Ocupação Trauma, radiação, fogo Vizinhança
Perfil genético Nutricionais: Água
Estado civil
Deficiência, 
excesso
Leite
Antecedentes 
familiares
Alimentação
Doenças anteriores Radiação
Estado imunológico Poluição atmosférica
Ruído
Quadro 1 - Fatores que podem ser associados a aumento de risco de doença humana. 
Fonte: a autora.
As doenças transmissíveis constituem importante causa de morte e ainda afli-
gem milhões de pessoas em numerosas regiões, especialmente nos países em 
desenvolvimento. Os microrganismos desenvolveram mecanismos de sobrevi-
vência, que podem romper barreiras ambientais. Dentre essas, podemos citar as 
mutações, o oportunismo de hospedeiros susceptíveis.
As doenças, do ponto de vista etiológico, pertencem à categoria de doenças 
infecciosas e não infecciosas. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde 
UNIDADE 2
UNIDADE 2
48
(1983), é a “doença, clinicamente manifesta, do homem ou dos animais, resultante 
de uma infecção”. Assim, doenças não infecciosas, também chamadas de doenças 
não transmissíveis, serão todas aquelas que não resultarem de infecção: doença 
coronariana, diabetes e outras.
De acordo com a duração, ainda podemos classificá-las em: crônicas, doenças 
de longo prazo, e agudas, de curto prazo, conforme o Quadro 2.
Categorias Fundamentais de Doenças
Etiologia Duração
Agudas Crônicas
Infecciosas
Tétano, raiva, sarampo, 
gripe, dengue.
Tuberculose, calazar, 
hanseníase, doença de 
Chagas, AIDS.
Não infecciosas
Envenenamento por 
picada de cobra.
Diabetes, doença 
coronariana, cirrose 
alcoólica. 
 
Quadro 2 - Categorias fundamentais de doenças / Fonte: adaptado de Rouquayrol e Gurgel (2017).
Vamos compreender agora a diferença entre doença infecção e doença infecciosa. A in-
fecção ocorre quando um agente infeccioso penetra em nosso corpo, desenvolvendo-se 
e multiplicando-se. Já quando um agente infeccioso causa dano ao organismo, dizemos 
que ocorreu uma doença infecciosa, portanto, é uma doença clinicamente manifesta do 
ser humano, resultado de uma infecção. No entanto, nem toda infecção resultará em uma 
doença infecciosa.
A doença contagiosa seria uma subcategoria da doença infecciosa. Neste caso, temos os 
agentes etiológicos atingindo o indivíduo sadio mediante contato direto com indivíduos 
infectados. Exemplos: sarampo (transmitido por secreções oronasais), gonorreia (trans-
missão por contato sexual). Um exemplo de doença infecciosa que não é contagiosa é 
o tétano, porque não se transmite diretamente de pessoa a pessoa, mas é transmissível 
porque os esporos dispersos no meio ambiente podem ser transmitidos às pessoas sa-
dias através de solução de continuidade de pele ou mucosa.
EXPLORANDO IDEIAS
49
Doença transmissível é um termo técnico de uso generalizado, definido como 
qualquer doença causada por um agente infeccioso específico, ou seus produtos 
tóxicos, que se manifesta pela transmissão desse agente ou de seus produtos, de 
uma pessoa ou animal infectados ou de um reservatório a um hospedeiro sus-
cetível, direta ou indiretamente, por meio de um hospedeiro intermediário, de 
natureza vegetal ou animal, de um vetor ou do meio ambiente inanimado.
Doenças infecciosas
Olá, aluno(a)! Acesse o QR Code para ouvir o podcast da dis-
ciplina. Nessa unidade, falaremos sobre doenças infecciosas, 
uma das áreas mais tradicionais da Epidemiologia, as taxas 
de mortalidade referentes a algumas doenças, sendo que 
algumas destas já apresentam vacinas eficazes. Vamos con-
hecer um pouco mais sobre estas doenças? Aperte o play!
Agora, o agente infeccioso é um ser vivo, vírico, rickettsial, bacteriano, fúngico, 
protozoário ou helmíntico que, por meio de uma das formas que assume em seu 
ciclo reprodutivo (adulto, larva, cisto, ovo, esporo etc.), pode ser introduzido em 
outro ser vivo. Ao se introduzir dentro deste organismo, será capaz de se desen-
volver ou de se multiplicar, e, dependendo das predisposições intrínsecas do novo 
hospedeiro, pode gerar ou não um estado patológico manifesto, denominado 
doença infecciosa, que também é doença transmissível.
Os bioagentes e hospedeiro interagem entre si, desta relação surge como pro-
duto a infectividade, a patogenicidade, a virulência, o poder invasivo e o poder 
imunogênico, podendo ser amplificadas de acordo com as condições ambientais 
do hospedeiro (ROUQUAYROL; GURGEL, 2017).
Para que possamos entender o início de uma infecção por meio de agente 
etiológico, é necessário conhecer a dose infectante dele. Desta forma, pode va-
riar com virulência e a resistência do acometido. Quanto maior a quantidade de 
parasitos infectados, maior a probabilidade de infectá-lo.
UNIDADE 2
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UNIDADE 2
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Vamos compreender, agora, alguns termos usados dentro da grande área da Epidemiologia:
A Infectividade é o nome que se dá à capacidade de certos organismos de penetrar e se 
desenvolver ou se multiplicar no novo hospedeiro, ocasionando infecção. Nesse caso, o 
agente etiológico é também chamado agente infeccioso.
A patogenicidade é a qualidade que tem o agente infeccioso de, uma vez instalado no 
organismo do ser humano e de outros animais, produzir sintomas em maior ou menor 
proporção dentre os hospedeiros infectados.
Para isso, podemos realizar um cálculo:
Patogenicidade= casos de doença/n° total de infectados X 100
A virulência é a capacidade de um bioagente de se multiplicar dentro de um organismo, 
podendo produzir casos graves ou fatais. Alta virulência indica uma grande proporção de 
casos fatais ou graves.
Virulência= casos graves ou fatais/ total de casos de doença X 100
Estes cálculos fornecem percentuais de algumas das propriedades dos bioagentes que 
podem ser amplificadas ou não, dependendo da resposta do hospedeiro e do ambiente 
em que estão inseridos.
EXPLORANDO IDEIAS
O bioagente pode induzir imunidade no hospedeiro, capacidade denominada 
de imunogenicidade. Alguns vírus, como os da rubéola, do sarampo, da caxum-
ba e da varicela (Figura 1), entre outros, apresentam o poder imunogênico. 
Pessoas infectadas por estes microrganismos, em geral, ficam imunes para o 
resto da vida. Outros vírus com baixo poder imunogênico são os vírus da ri-
nofaringite aguda, as salmonelas e as shigelas, que conferem imunidade apenas 
temporária aos susceptíveis.
Após o contato com estes bioagentes, o indivíduo suscetível torna-se imune. 
Para isso, o indivíduo contém

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