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Doença Renal Crônica Definição Síndrome clínica secundária à alteração definitiva da função e/ou da estrutura do rim, e caracteriza-se por sua irreversibilidade com evolução lenta e progressiva. Em termos práticos, a doença renal crônica (DRC) é constatada se: · Taxa de filtração glomerularestágio 3) / 70 a 110 pg/mL (DRC estágio 4) / até 300 pg/mL (DRC estágio 5). Terapia Renal Substitutiva · Hemodiálise; · Diálise peritoneal (CAPD ou APD); · Transplante renal (doador vivo ou falecido). Transplante é o tratamento de escolha, particularmente em indivíduos jovens e com expectativa de vida longa, por melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade na maioria dos casos, em comparação com os métodos dialíticos. A escolha entre hemodiálise e diálise peritoneal depende de alguns fatores, como disponibilidade, conveniência, comorbidades associadas, situação socioeconômica, idade e gênero do paciente e tolerabilidade de perdas volêmicas. Outro fator fundamental é a vontade do paciente, que dentro das possibilidades técnicas, deve ser respeitada. Indicações de Diálise de Urgência · Pericardite ou pleurite (indicação de diálise de urgência); · Encefalopatia ou neuropatia urêmica progressiva (indicação de diálise de urgência); · Diátese hemorrágica clinicamente significativa atribuída à uremia (indicação de diálise de urgência); · Sobrecarga volêmica refratária a diuréticos; · HAS não responsiva a anti-hipertensivos; · Distúrbios metabólicos refratários, incluindo hipercalemia, hiponatremia, acidose, hipercalcemia e hiperfosfatemia; · Náuseas e vômitos persistentes; · Desnutrição. Diálise deve ser ponderada com base nos sintomas e na TFG do paciente. Manifestações clínicas de uremia indicam diálise, que também deve ser considerada em indivíduos assintomáticos com TFG extremamente baixa ( 60, nos seguintes casos: · Hipertensos; · Diabéticos; · Pacientes com doenças cardiovasculares. Acompanhamento na APS Intervenções para estágios 1 a 3 (TFG a partir de 30 mL/minuto/1,73 m2): · IECA e BRA reduzem incidência de doença renal terminal em pacientes diabéticos com albuminúria; · IECA reduzem mortalidade em pacientes com albuminúria e doença cardiovascular ou DM de risco; · Estatinas reduzem mortalidade e doenças cardiovasculares em pacientes com dislipidemia e TFG diminuída; · Betabloqueadores (Carvedilol, Succinato de metoprolol, Bisoprolol e Nebivolol) reduzem mortalidade e doenças cardiovasculares em pacientes com TFG diminuída e insuficiência cardíaca congestiva; · As gliflozinas (especialmente a Dapagliflozina) mostraram benefícios na redução da progressão da DRC com albuminúria (tanto em diabéticos quanto em não diabéticos). A introdução dessas medicações deve ser avaliada. O valor mínimo de ClCr para início de uso da medicação é de 25 mL/minuto. Estatinas devem ser sempre prescritas para pacientes com DRC? Para mais informações, acesso o vídeo. Intervenções desejáveis: · Evitar AINEs e antibióticos nefrotóxicos; · Ajustar dose de medicamentos conforme TFG; · Evitar desidratação ou hipotensão arterial; · Realizar profilaxia para nefropatia em exames com contraste; · Corrigir distúrbios metabólicos (acidose, hipercalemia, hipocalcemia, hiperfosfatemia, hipovitaminose D). Rotina de acompanhamento da DRC: · Se risco moderado: Acompanhar anualmente PA, peso, relação albumina/creatinina urinária, TFG e ureia, creatinina e eletrólitos; · Se risco alto: Acompanhar a cada 3 a 6 meses PA, peso, relação albumina/creatinina urinária, TFG e ureia, creatinina e eletrólitos; · Se risco muito alto: Acompanhar a cada 1 a 3 meses PA, peso, edema, albumina/creatinina urinária, TFG, ureia, creatinina, eletrólitos e hemograma, cálcio e fósforo. Encaminhamento ao Nefrologista O paciente deve ser encaminhado ao nefrologista se: · TFG 300 mg/g); · Hematúria persistente inexplicável; · Hiperparatireoidismo secundário, acidose metabólica ou anemia por deficiência de eritropoetina; · Doença renal hereditária ou causa desconhecida de DRC; · Nefrolitíase recorrente ou extensa; · HAS resistente ao tratamento com quatro ou mais agentes anti-hipertensivos – suspeita de estenose de artéria renal; · Hipercalemia refratária. Encaminhar emergencialmente ao especialista se: · Hiperpotassemia (> 6,5); · Sinais de nefrite aguda (hematúria, oligúria, edema). Prescrição Ambulatorial Ambulatório Orientações ao Prescritor · O objetivo do tratamento da doença renal crônica (DRC) é preservar ao máximo a função renal do paciente acometido por essa condição; · As condutas são adotadas para que a velocidade de queda do clearance de creatinina (ClCr) seja a menor possível; · Recomenda-se acompanhamento com especialista quando ClCr for menor que 30 mL/min/1,73m2, se taxa de perda de ClCr for ≥ 5 mL/min/1,73 m2 por ano ou se a causa não for bem estabelecida; · Quando o paciente estiver em estágio 4 da DRC, deve-se orientá-lo sobre as terapias renais substitutivas disponíveis (geralmente hemodiálise, diálise peritoneal, ou transplante renal) para poder fazer os preparativos necessários para a diálise, e esclarecer dúvidas sobre transplantes em tempo hábil. Recomendações gerais: · Controle dos fatores de risco: Hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes melito (DM), obesidade, tabagismo; · Evitar uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs); · Evitar uso contínuo de inibidor de bomba de prótons; · Evitar associação de bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou Alisquireno; · Tratar complicações da disfunção renal. Ex.: distúrbios hidroeletrolíticos (sobrecarga de volume, hipercalemia, acidose metabólica e hiperfosfatemia), HAS, anemia, doença óssea, infecções. Alvos do tratamento: · Proteinúria: 100 nos pacientes que não estão em diálise e > 200 nos pacientes que estão em diálise; · Índice de saturação da transferrina: > 20%. A Clortalidona é eficaz em pacientes com DRC avançada? Dieta e Hidratação 1. Dieta: · Restrição de sal: 500 mg/dia (ou 500 mg/g de creatinina no SPOT urinário) que estão em uso de IECA ou BRA, independentemente de DM: · Dapagliflozina 5 a 10 mg/dia em dose única diária; · Finerenona: Recomendada quando paciente com terapia para DM otimizada e uso de IECA ou BRA. Estudos iniciais sugerem que há benefício mesmo quando em associação a inibidores do cotransportador sódio-glicose (iSGLT2).Aguardam-se mais estudos para comprovar os resultados. 3. Tratamento da anemia – reposição de ferro: · Sulfato ferroso (300 mg/comprimido) 300 mg VO de 8/8 horas. No paciente com DRC avançada, a absorção de ferro pela via enteral é prejudicada pelo aumento dos níveis de hepcidina. Nesses casos, a suplementação de vitamina C é sugerida por algumas bibliografias (acidifica a urina e favorece a absorção intestinal); · Sacarato de hidróxido férrico (100 mg/5 mL) 1 ampola 5 mL + SF 0,9% 100 mL EV em, no mínimo, 15 minutos. A dose total poderá ser consultada na tabela disponível na bula e dependerá da deficiência de ferro do paciente e de seu nível de hemoglobina. Esquema comum é o uso de uma ampola de 100 mg EV 1x/semana, durante 4-12 semanas, e reavaliação. 4. Tratamento da anemia – agentes estimuladores da eritropoese (início após a correção da deficiência de ferro): · Eritropoetina recombinante (4.000 unidades/frasco) 50-100 unidades/kg de peso, até 3x/semana, via SC (ou EV em 2-3 minutos); · Se deficiência de folato: Ácido fólico 5 mg/dia. 5.Tratamento da acidose metabólica: Bicarbonato de sódio em pó 500 mg/cápsula . Iniciar com dose de 2 cápsulas (1 g) 1x/dia. As doses habituais são de 1-3 g diários, dependendo do paciente. O objetivo é manter o HCO3 acima de 22 mEq/L. 6. Tratamento da hiperfosfatemia: · Carbonato de cálcio (geralmente disponível no SUS) (500-1.500 mg/comprimido) 1 comprimido VO 1-3x/dia, junto às refeições; · Sevelâmer (800 mg/comprimido) 800-1.600 mg VO de 8/8 horas (se hipercalcemia associada e somente em pacientes que estão em diálise). 7. Tratamento do hiperparatireoidismo secundário: · Calcitriol dose inicial de 0,25 microgramas por dia em dose única. A dose pode ser aumentada conforme os níveis de paratormônio (PTH), cálcio e fósforo; · Paricalcitol 5 microgramas/mL (cada ampola). Dose inicial de 1 ampola por sessão de diálise. A dose deve ser ajustada conforme os níveis de PTH, cálcio e fósforo; · Cinacalcete 30 mg por dia. Dose inicial. A dose deve ser ajustada conforme os níveis de PTH, cálcio e fósforo. 8. Tratamento de hipervolemia: Furosemida (geralmente disponível no SUS) 40 mg/comprimido ou 20 mg/2 mL) 40-160 mg/dia VO. 9. Dislipidemia: com exceção dos pacientes em diálise, todo paciente com mais de 50 anos deve receber Estatina; para aqueles com idade inferior a 50 anos, apenas se houver um fator de risco cardiovascular adicional, como DM. Referências Bibliográficas Romagnani P, et al. Chronic kidney disease. Nat Rev Dis Primers 2017; 3:7088. Chen TK, Knicely DH, Grams ME. Chronic Kidney Disease Diagnosis and Management: A Review. JAMA. 2019; 322(13):1294-1304. image6.emf image7.emf image1.png image2.png image3.emf image4.emf image5.emf