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Francisco Navarro Francisco Luciano Pontes Júnior Mario Augusto Charro Reury Frank Pereira Bacurau Manual de 128 Avaliação Física 146 145 MARIO A. CHARRO P rofissionais de Educação Física ou Saúde, que trabalham ou pretendem REURY F.P. BACURAU trabalhar com medidas e avaliação física, devem estar preparados a ofe- FRANCISCO NAVARRO recer aos seus alunos (ou clientes) respostas rápidas e precisas. Contrariamente a FRANCISCO LUCIANO PONTES JR. isso, a literatura que trata do assunto apresenta obras que tentam esgotar tema, com uma abordagem extremamente científica, atitude que, muitas vezes, não faci- lita a vida do profissional. Este livro é um manual prático de referência, baseado na literatura atual, sem- pre focado em oferecer ao leitor agilidade e objetividade na aplicação de testes e medidas, tratando dos critérios e dos principais objetivos da avaliação física, das medidas antropométricas, das principais estratégias para a avaliação da composi- ção corporal, da avaliação postural, das medidas neuromotoras e medidas metabó- licas, e da avaliação do consumo alimentar. Manual de Avaliação Física edito Phort Phorte 796.012.1 M294 editora Phorte editoraClassificação das medidas que podem ser realizadas Sumário (separadas de acordo com OS objetivos) Estética e Saúde Desempenho 1 Critérios e objetivos 15 Anamnese Anamnese 1.1 Objetivos das medidas e das avaliações 18 Geral Geral 1.2 Tipos de avaliação 18 Específica (grupos especiais) Específica (grupos esportivos) Medidas antropométricas Medidas antropométricas 1.3 Critérios de seleção dos testes 19 Estatura Estatura 1.4 Organização e administração dos testes 22 Peso corporal Peso corporal 1.5 Precisão das medidas 23 Diâmetros ósseos Envergadura Referências 24 Circunferências Comprimento de membros Composição corporal Comprimento troncoencefálico Avaliação da postura Diâmetros ósseos 2 Medidas antropométricas 25 Medidas neuromotoras Circunferências 2.1 Estatura 29 Avaliação da força Composição corporal 2.2 Comprimento troncoencefálico 33 Avaliação da flexibilidade Avaliação da postura 2.3 Comprimento de membros 35 Medidas metabólicas Medidas neuromotoras 2.4 Peso corporal 42 Avaliação aeróbia Avaliação da força Avaliação anaeróbia Avaliação da flexibilidade 2.5 Envergadura 46 Avaliação da agilidade 2.6 Diâmetros ósseos 48 Avaliação da velocidade 2.7 Perímetros 53 Avaliação da coordenação 2.8 Dobras cutâneas 60 Avaliação do equilíbrio Referências 68 Avaliação do ritmo Medidas metabólicas Avaliação aeróbia 3 Avaliação da composição corporal 69 Avaliação anaeróbia alática 3.1 Retrospectiva histórica 72 Avaliação anaeróbia lática 3.2 Técnicas utilizadas na avaliação da composição corporal 77 Referências 113 4 Avaliação da postura 121 4.1 A postura ideal 123 4.2 Os desequilíbrios e as disfunções posturais 126 4.3 A avaliação postural 147 Referências 158 5 Medidas neuromotoras 161 5.1 Força muscular 1635.2 Flexibilidade 201 5.3 Agilidade 252 5.4 Velocidade 256 5.5 Coordenação motora 267 5.6 Equilíbrio 269 5.7 Ritmo 272 Referências 273 Anexo: fichas de avaliação 279 97 148 147 146 145 144 6 Testes para avaliação cardiorrespiratória 281 6.1 Avaliação aeróbia 283 6.2 Avaliação anaeróbia 391 Referências 401 7 Avaliação do consumo alimentar 409 7.1 Métodos retrospectivos 413 7.2 Métodos prospectivos 419 7.3 Avaliação dos dados do consumo alimentar 421 Referências 421 CRITÉRIOS E OBJETIVOS Mario Augusto Charro Reury Frank Pereira Bacurau Francisco Navarro 1Medir 0 movimento não é uma tarefa simples. Todas as formas de medir movimento devem ser defendidas pelos avaliadores com respeito à sua validade e fidedignidade. Por exemplo, a distância que uma pessoa pode saltar pode ser avaliada por uma trena e todos a aceitam como medida válida e fidedigna, assim como a quantidade de força que uma pessoa pode aplicar em um dado movimento pode ser medida precisa e diretamente por meio de um teste de repetição máxima. Porém, a obtenção desta medida envolve procedimentos que devem ser sistematicamente seguidos. Quando a tarefa é usualmente complexa, a padronização para a obtenção destas medidas é dificultada. Cada tipo de medida tem as suas próprias dificulda- des metodológicas, que colocam problemas para avaliador com relação à validade e à fidedignidade. Após a obtenção da medida, geralmente fazemos uma comparação com uma escala de valores populacionais e emitimos um laudo dando um parecer ou, normalmente, apenas emitindo juízo sobre 0 resultado. Veremos neste capítulo que avaliar é muito mais do que apenas emitir juízo sobre a medida. Avaliar 0 movimento exige síntese de elementos quantitativos, impressões subjetivas e outras evidências que podem ter e atender propósitos diferentes. entendimento deste conceito de uma forma mais ampla é fundamental para seu desenvolvimento.18 19 1.2.1 Diagnóstica Manual de avaliação física 1.1 Objetivos das medidas e das avaliações Critérios e objetivos Medidas e avaliações são processos de muitas possibilidades, cada uma Serve de ajuda para avaliador, ou 0 profissional que prescreverá 0 exercí- destas determinando um objetivo único ou somando-se a outras para determi- cio físico, poder determinar as necessidades dos indivíduos e elaborar a sua pro- nar 0 objetivo geral. Entre elas, destacam-se: gramação ou, ainda, quando se está trabalhando em grupos, poder realizar uma divisão homogênea ou heterogênea, de acordo com seus objetivos (Johnson e Determinar nível de aptidão física geral: determinada a condição Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987). física do aluno em cada uma das qualidades testadas, oferece ao profissional as melhores condições para prescrição do programa de 1.2.2 Formativa treinamento. Determinar progresso: após as reavaliações, torna-se possível ob- servar as melhoras obtidas pelo avaliado. Determina progresso dos indivíduos durante a realização do programa Determinar estado de saúde: observando durante a anamnese ou de treinamento, dando subsídios tanto para avaliador quanto para avaliado OS testes de condicionamento a presença de sinais, sintomas, ca- de saber se OS resultados estão sendo atingidos no tempo certo e da maneira racterísticas ou comportamentos de estilo de vida que demonstrem correta, servindo, ainda, como referência para observar pontos fortes e fracos risco de problemas de saúde. do treinamento, dando condições de reformular até atingir 0 objetivo proposto Selecionar indivíduos: com resultados obtidos nas medidas, (Johnson e Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987). podemos relacionar sujeitos que possuem as melhores caracterís- ticas para determinada atividade ou situação. 1.2.3 Somativa Classificar OS indivíduos: quando existe a necessidade de dividir os avaliados em grupos, que podem ser homogêneos ou não. Motivar: avaliado pode ser motivado a melhorar sua condição físi- É 0 resultado de todas as avaliações realizadas, na intenção de observar ca se for informado e aconselhado sobre seu estado atual. a evolução do indivíduo, no geral e por unidade de treinamento (Johnson e Diretriz para pesquisa: OS dados obtidos para a pesquisa devem Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987). ser avaliados pela sua significância e, com isso, levar esses conhe- cimentos adquiridos a outras pessoas (Johnson e Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987; Safrit e Wood, 1989). 1.3 Critérios de seleção dos testes 1.2 Tipos de avaliação 1.3.1 Seleção dos testes Após determinar porquê e 0 que testar, devem-se selecionar OS melhores Dependendo do objetivo, avaliador pode utilizar-se dos seguintes tipos testes encontrados na literatura, ou seja, OS que apresentam OS melhores resul- de avaliação. tados de validade, fidedignidade e objetividade.21 20 1.3.1.1 Validade 1.3.1.3 Objetividade ou reprodutibilidade Manual de avaliação física Critérios e objetivos É a determinação do grau em que 0 teste mede aquilo a que se propõe É a consistência nos resultados. Deve ser observada com um único ava- medir. Segundo Safrit e Wood (1989), existem quatro formas principais para se liador (intra-avaliador) ou com vários 0 procedimento esta- determinar se um teste realmente mede 0 que deve medir, que são: validade de tístico se concentra no coeficiente de correlação (r). Com um único avaliador, conteúdo, de critério, de predição e de construção. A validade de conteúdo (ou são realizadas medidas repetidas nos mesmos avaliados, e com dois ou mais avaliadores, cada um deles fornecerá um valor de medida dos mesmos ava- lógica) indica que 0 teste parece ser bom quando baseado na lógica; represen- ta a análise dos valores obtidos em determinados testes, quando comparados liados. Assim, a reprodutibilidade é quando o(s) teste(s) é(são) aplicado(s) com a variável morfológica ou fisiológica que se pretende analisar, podendo ser nos mesmos indivíduos e se obtêm OS mesmos resultados (Guedes e Guedes, baseado, por exemplo, no testemunho de um especialista ou ainda na sua larga 2007; Johnson e Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987; Safrit e Wood, 1989). utilização. A validade de critério (ou concorrente) mostra a relação estatística entre OS valores obtidos no teste utilizado, quando comparados com outros tes- tes que têm indicações favoráveis (já validados) que avaliam O mesmo atributo; Tabela 1.1 Parâmetro para seleção dos testes, elaborados por Safrit e Wood (1989) por exemplo, a pesagem hidrostática serve como medida de critério para validar Validade Fidedignidade Objetividade um protocolo de dobras cutâneas como avaliação de gordura corporal (composi- Excelente 0,80 1,00 0,90 1,00 0,95 1,00 ção corporal). Com a validade de predição, está relacionada a probabilidade do Bom 0,70 0,79 0,80 0,89 0,85 0,94 valor obtido em determinada medida; prediz estatisticamente 0 atributo que se Regular 0,50 0,69 0,60 0,79 0,70 0,84 pretende avaliar, mostrando que um teste responde do modo que se esperaria, Fraco 0,00 0,49 0,00 0,59 0,00 0,69 baseado na compreensão teórica da característica; por exemplo, a goniometria pendular (flexímetro) tem validade, porque pessoas fisicamente ativas apresen- 1.3.2 Padronização de instruções tam melhores resultados do que pessoas inativas, ou quando critério é medido em algum ponto no futuro, como fatores de risco para doença coronariana. Já a validade de construção é fornecida mostrando-se que um teste responde do Para podermos comparar OS resultados de diferentes locais, devemos modo que se esperaria baseado na compreensão teórica da característica; por observar: descrição do teste, validade, fidedignidade para grupo e obje- exemplo, 0 teste de banco tem validade, porque pessoas fisicamente ativas tividade, bem como detalhes do objetivo, da descrição e das condições de apresentam melhores resultados do que pessoas inativas (Johnson e Nelson, realização dos testes, incluindo local, vestimenta, formas de motivação para 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987; Safrit e Wood, 1989). a obtenção de resultados reais, cuidados a serem tomados e erros mais frequentes a serem evitados. 1.3.1.2 Fidedignidade ou confiabilidade 1.3.3 Padrões Se 0 teste for repetido sem alterações na condição física do avaliado e OS mesmos resultados forem encontrados, então teste é confiável (Johnson São valores obtidos por meio de amostras específicas da população, repre- e Nelson, 1986; Kirkendall, Gruber e Johnson, 1987; Safrit e Wood, 1989). sentando-as de forma mais precisa.22 23 Manual de avaliação física 1.4 Organização e administração dos testes Calibração: mesmo com muito cuidado durante 0 uso, com passar do tempo, OS equipamentos perdem sua calibração, por Critérios e objetivos Vários são OS fatores que interferem na realização de uma boa avaliação: isso, recomenda-se a aferição ou, quando isto não é possível, a troca a cada período que varia de seis meses a um ano, Procedimento do avaliador: deve estar consciente dos propósitos gerais conforme a indicação do fabricante de cada um deles (Scott e do teste, dos detalhes técnicos, das padronizações, bem como ter um French, 1972). razoável conhecimento da anatomia e dos instrumentos de medida. Mecanismos de aplicação: OS fatores que influenciam a aplicação do Informações ao avaliado: deve estar ciente dos processos de medida teste são número de avaliados, número necessário de avaliadores, e ter uma boa motivação, para que possa ter melhores resultados; demonstração, ordem dos testes, duração da avaliação e coleta de deve ser informado sobre 0 intervalo adequado entre a última refei- dados (folha de anotação). ção e a vestimenta adequada, além de ficar pelo menos 72 horas, antes do teste máximo ou submáximo de esforço, sem realizar qual- quer esforço físico. 1.5 Precisão das medidas Local: deve ter condições adequadas, como dimensão, luz, som, tem- peratura, vento, condições do solo, segurança e trânsito de pessoal. Depende, em primeiro lugar, da exatidão dos instrumentos. Segundo Horário: reteste não precisa necessariamente ser realizado no mes- Marins e Giannichi (2007), existem dois tipos de erros comuns: de medida e mo horário do primeiro teste, mas pelo menos no mesmo período do sistemático. dia, para evitar variações ocasionadas por alterações posturais ou de cansaço ocorridas durante dia e por hormônios, pois eles têm uma 1.5.1 Erros de medida secreção em um ritmo biológico circadiano e ultradiano. Vestimenta: a vestimenta recomendada para que se obtenham melhores resultados é calção, camiseta, meia e tênis, além de biquí- Erro de equipamento: equipamento não é adequado ou não está ni para gênero feminino e maiô (sunga) para 0 masculino. calibrado. Instrumental: instrumentos de medida merecem atenção especial Erro do medidor: avaliador erra ao fazer alguma leitura. quanto a: Erro de administração: existe algo errado no procedimento de apli- Aquisição: escolher cuidadosamente equipamentos que ad- cação do teste. quirirá, pois nem sempre 0 mais caro é 0 mais adequado para 0 seu uso, assim como escolher pelo menor preço pode ser sinôni- 1.5.2 Erro sistemático mo de equipamento de baixa precisão. Manipulação e conservação: equipamentos utilizados para as medidas geralmente são muito sensíveis; portanto, Como erros sistemáticos, existem as diferenças biológicas ou ambientais, para se poder utilizar por um tempo prolongado e sem a como as alterações ocasionadas por horário do dia na estatura, força, flexibili- perda fácil da aferição, deve-se ter cuidado com sua mani- dade ou pulação e sua conservação.24 Manual de avaliação física Referências GUEDES, D. GUEDES, J. E.R. P. Manual Prático para Avaliação Física. Barueri: Manole, 2007. JOHNSON, B. L.; NELSON, J. K. Practical Measurements for Evaluation in Physical Education. 4. ed. Edina: Burgess Publishing, 1986. KIRKENDALL, D.; GRUBER, J.; JOHNSON, R. Measurement and Evaluation for Physical Educators. Champaign: Human Kinetics, 1987. 146 145 144 MARINS, J.C. B.; GIANNICHI, R.S. Avaliação e Prescrição de Atividade Física guia prático. 3. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2007. SAFRIT, M. J.; T.M. Measurement Concepts in Physical Education and Exercise Science. Champaign: Human Kinetics, 1989. G.; FRENCH, E. Measurement and Evaluation in Physical Education. 9. ed. Dubuque: Wm. C. Brown, 493, 1972. MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS Mario Augusto Charro Carlos Cintra Francisco Luciano Pontes Junior 2Essa divisão da avaliação física sempre teve importante papel na carac- terização dos indivíduos, mais especificamente quanto às dimensões e às pro- porções do corpo e/ou de seus segmentos. Determina as relações existentes na estética, na saúde, nas características étnicas ou no desempenho e atualmente está sendo muito utilizada na análise da composição corporal total e regional. Podemos atribuir medidas aos segmentos corporais com intuito de esta- belecer padrões de proporcionalidade necessários às artes, como em esculturas, desenhos e pinturas, à produção de vestimenta e calçados, ou como mais nos interessa orientar a prescrição do exercício físico e acompanhar a evolução do trabalho. Por meio das medidas antropométricas, podem ser estudadas as variações individuais ou as características de um grupo e, com relações estatísticas, te- mos a melhor maneira de sua utilização na pesquisa científica. Outro referencial importante é a seleção esportiva, pois, por meio dessas medidas, podemos determinar um perfil antropométrico específico para cada modalidade esportiva e, caracterizando 0 perfil do indivíduo que está iniciando uma vida esportiva, indicar as modalidades esportivas em que este tem maior possibilidade de obter melhores resultados. Neste capítulo descreveremos as padronizações das medidas antropomé- tricas que consideramos de maior aplicabilidade à prática do exercício físico,29 28 Manual de avaliação física com conceito, material utilizado, procedimento e precauções. Essas medidas são: estatura, comprimento troncoencefálico, comprimento (total e parcial) de membros superiores e inferiores, peso corporal, envergadura, diâmetros ósseos Medidas antropométricas e circunferências. Paquímetro Trena antropométrica com hastes - segmômetro Sanny 2 Trena antropométrica Antropômetro metálico de Martin Compasso de dobras cutâneas FIGURA 2.1 utilizados para as medidas antropométricas. 2.1 Estatura É a distância compreendida entre planos que tangenciam respectiva- mente a planta dos pés e vértex (ponto mais alto da cabeça), podendo ser determinada em decúbito dorsal ou na posição ortostática (em pé com bra- ços ao longo do corpo). A primeira posição normalmente é utilizada quando Esquadro antropométrico Balanças (mecânica e digital) avaliado não consegue manter a postura ereta. Exemplos: antes do primeiro ano de vida e/ou quando se está excessivamente obeso (à exceção desses casos, a FIGURA 2.1 Materiais utilizados para as medidas antropométricas. determinação da estatura na posição ortostática é a mais utilizada). A estatura permite acompanhar crescimento do indivíduo (Figuras 2.2 e 2.3), podendo também ser relacionada com outras medidas (por exemplo: peso ou idade) ou ainda utilizada em cálculos (por exemplo: determinação do somatotipo, da massa livre de gordura, da densidade corporal, entre outros).30 31 cm cm Manual de avaliação física 200 200 - 195 190 185 Medidas antropométricas - P75 180 Pso 175 170 160 155 105 110 100 200 145 115 120 130 125 cm 185 180 170 140 195 150 135 190 165 155 160 175 cm 85 90 95 80 75 130 145 115 165 150 125 155 200 110 140 120 195 160 100 135 175 185 cm 170 180 190 cm 85 80 75 95 90 165 P10 150 145 140 135 130 125 120 115 110 105 100 140 115 150 145 180 100 130 160 195 190 175 185 155 105 125 120 110 135 165 170 cm 80 90 85 95 75 95 90 85 80 75 cm 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 2 3 4 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 FIGURA 2.2 - Percentual da estatura para idade (gênero masculino) (Adaptado de FIGURA 2.3 Percentual da estatura para idade (gênero feminino) (Adaptado de Kuczmarski et al., 2000). Kuczmarski et al., 2000).32 33 Manual de avaliação física 2.1.1 Materiais que podem ser utilizados indivíduo em apneia inspiratória. A cabeça deve estar orientada no plano de Frankfurt (paralela ao solo) e com 0 cursor em ângulo de 90° em relação à antropômetro de parede; escala. São realizadas três medidas, considerando-se a média como valor real Medidas antropométricas estadiômetro de madeira ou alumínio; da estatura total. antropômetro metálico de trena antropométrica fixada na parede e um cursor ou esquadro antropométrico. 2.1.3 Precauções 0 avaliador deve posicionar-se preferivelmente à direita do avaliado e evi- tar contrações indesejadas do indivíduo quando cursor tocar sua cabeça. indivíduo deve sair e voltar à posição entre as medidas. 2.2 Comprimento troncoencefálico É a distância compreendida entre dois planos que tangenciam respectiva- mente 0 plano de apoio do quadril (espinhas isquiáticas) e vértex (ponto mais alto da cabeça), podendo ser determinada somente na posição sentada e com braços ao longo do corpo. Serve como forma de acompanhar 0 crescimento desses segmentos de um indivíduo ou para relacioná-lo com outras medidas (exemplo: comprimento dos membros). FIGURA 2.4 Medida de estatura. 2.2.1 Materiais que podem ser utilizados² 2.1.2 Descrição da medida de estatura realizada na posição ortostática banco e antropômetro de parede; banco e estadiômetro de madeira ou alumínio; 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com OS pés unidos, man- banco, trena antropométrica fixada na parede e um cursor ou es- tendo contato com a parede ou 0 equipamento nas regiões posterior do calcâ- quadro antropométrico. neo, glútea, posterior dos ombros e occipital. A medida deverá ser feita com 0 Muito utilizado por ser acoplado à balança mecânica de algumas marcas, porém é de pouca preci- são, por não oferecer encosto para a região posterior do corpo e ter sua base fixa, enquanto a base 2 Esses materiais deverão estar acompanhados de um banco de 50 cm de altura para 0 avaliado de apoio dos pés do avaliado é móvel. permanecer sentado.34 35 de avaliação física 2.2.3 Precauções 0 avaliador deve posicionar-se preferivelmente à direita do avaliado e evi- Medidas antropométricas tar contrações indesejadas quando 0 cursor tocar sua cabeça. 0 indivíduo deve sair e voltar à posição entre as medidas. Deve-se tomar 0 cuidado de subtrair a altura do banco (50 cm) do valor encontrado. 2.3 Comprimento de membros 0 comprimento dos membros corresponde à distância entre as extremida- des dos segmentos a serem medidos, medidas estas realizadas no sentido do maior eixo do segmento, utilizadas para acompanhar 0 crescimento corporal, suas relações e também para projetos de ergonomia. Essas medidas podem ser realizadas tanto na posição ortostática (descritas a seguir) como na posição sentada, utilizando-se sempre mesmos pontos de referência. 2.3.1 Materiais que podem ser utilizados FIGURA 2.5 Medida de comprimento troncoencefálico. antropômetro portátil; paquímetro antropométrico; trena antropométrica com hastes. 2.2.2 Descrição da medida de comprimento troncoencefálico 2.3.2 Precauções 0 avaliado deverá estar sentado 0 mais próximo possível do instrumento de medida, com 0 quadril formando um ângulo de 90°, tendo em contato com Fazer indivíduo sair da posição e relaxar antes de voltar à posição instrumento as regiões glútea, posterior dos ombros e occipital. A medida para que seja feita a próxima medida do mesmo segmento; deverá ser realizada com indivíduo em apneia inspiratória. A cabeça deve evitar contrações indesejadas (como elevação de escápulas) du- estar orientada no plano de Frankfurt (paralela ao solo) e 0 cursor em ângulo de rante as medidas. 90° em relação à escala. São realizadas três medidas, considerando-se a média como valor real do comprimento troncoencefálico.36 37 2.3.3 Comprimento de membros superiores Manual de avaliação física medida deverá ser feita posicionando uma haste do instrumento no ponto acro- mial (superior à articulação do ombro) e a outra no ponto olecraniano (inferior 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com cúbitos e dedos es- à articulação do cúbito). Medidas antropométricas tendidos, braços ao longo do corpo e palmas das mãos voltadas para corpo. A medida deverá ser feita posicionando uma haste do instrumento no ponto acro- mial (superior à articulação do ombro) e a outra no ponto dáctilo (extremidade distal do dedo médio). FIGURA 2.7 Medida de comprimento do braço. FIGURA 2.6 Medida de comprimento do membro superior. 2.3.5 Comprimento de antebraço avaliado deverá estar na posição ortostática, com cúbitos flexionados 2.3.4 Comprimento de braço formando um ângulo de 90° e as palmas das mãos voltadas medialmente. A medida deverá ser feita posicionando uma haste do instrumento no ponto pro- 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com cúbitos flexionados ximal do rádio (lateral à articulação do cúbito) e a outra no ponto estiloidiano formando um ângulo de 90° e as palmas das mãos voltadas medialmente. A (localizado na ulna medialmente à articulação do punho).38 39 Manual de avaliação física 2.3.7 Comprimento de membros inferiores 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com 0 peso distribuído Medidas antropométricas nas duas pernas afastadas aproximadamente na largura dos ombros. A medi- da deverá ser feita posicionando uma haste do instrumento no ponto trocan- térico (trocânter major lateral à articulação do quadril) e a outra na região plantar (plano de apoio dos pés). Esta medida deve ser realizada com uma trena antropométrica. FIGURA - Medida de comprimento do antebraço. 2.3.6 Comprimento da mão 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com cúbitos flexiona- dos formando um ângulo de 90°, dedos estendidos e as palmas das mãos voltadas medialmente. A medida deverá ser feita posicionando uma haste do instrumento no ponto estiloidiano (localizado na ulna medialmente à articula- ção do punho) e a outra no ponto dáctilo (extremidade distal do dedo médio). FIGURA 2.10 Medida de comprimento de membro inferior. 2.3.8 Comprimento de coxa 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com peso distribuído nas FIGURA 2.9 - Medida de comprimento da mão. duas pernas, afastadas aproximadamente na largura dos ombros. A medida de-40 41 Manual de avaliação física verá ser feita posicionando-se uma haste do instrumento no ponto trocantérico (trocânter maior lateral à articulação do quadril) e a outra no ponto condilar (côndilo lateral do fêmur lateral à articulação do joelho). Medidas antropométricas FIGURA 2.12 Medida de comprimento da perna. 2.3.10 Comprimento do pé FIGURA 2.11 Medida de comprimento da coxa. avaliado deverá estar deitado, com OS joelhos estendidos, pé tocando plano de apoio com a região da tuberosidade calcânea e OS dedos direciona- dos para cima. A medida deverá ser feita posicionando-se uma extremidade do 2.3.9 Comprimento de perna instrumento no plano de apoio do pé (região calcânea) e a outra na extremidade distal da falange mais proeminente. Esta medida deve ser realizada com uma 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com peso distribuído nas trena antropométrica. duas pernas, afastadas aproximadamente na largura dos ombros. A medida deverá ser feita posicionando-se uma haste do instrumento no ponto condilar da tíbia (côndilo lateral da tíbia lateral à articulação do joelho) e a outra no ponto maleolar (maléolo lateral da tíbia lateral à articulação do tornozelo).42 43 Manual de avaliação física percentual de gordura corporal total; com isso 0 peso total pode manter-se inalterado ou até mesmo aumentar, dependendo do exercício realizado. Nesse caso, uma avaliação da composição corporal pode ser um indicador mais pre- Medidas antropométricas ciso (Capítulo 3). FIGURA 2.13 Medida de comprimento do pé. 2.4 Peso corporal É a resultante da ação da gravidade exercida sobre a massa do corpo. Contudo, pode-se admitir peso em valor absoluto como sendo igual à massa. Podendo ser determinada em decúbito dorsal ou na posição ortostática, a pri- meira posição normalmente é utilizada quando avaliado não consegue manter a postura ereta (utiliza-se, então, uma balança de prato longo; isso ocorre ao pe- sar indivíduos extremamente obesos ou crianças recém-nascidas). Geralmente a posição ortostática é mais utilizada. É útil na comparação com outras medidas para fazer relações (exemplo: peso corporal versus estatura) e para a realização de cálculos (exemplo: inten- FIGURA 2.14 Medida de peso corporal. sidade de impactos sobre articulações). Existe uma tendência natural dos avaliados compararem valor do peso corporal da avaliação com 0 das reavaliações, contudo, peso corporal não é um bom indicador de emagrecimento. Somente por meio do fracionamento do peso corporal em suas diferentes partes (percentual de gordura e massa livre de gordura) é que podemos observar com clareza quais componentes sofreram modificações. A adoção de um programa de exercícios físicos pode ter como consequência um aumento da massa livre de gordura e uma diminuição do44 45 Manual avaliação física Para percentual do peso corporal por idade, ver Figuras 2.15 e 2.16. kg kg 105- kg 105 kg 105 105 Medidas antropométricas 100 100 100 95 95 95 90 90 Pgo 90 85 85 80 80. 80 75 75. 75 70 70 65. 65 65- 65 60 55 55 50 50- 50 45 45 45 40- 40 40 35 35- 35 30- 30 30- 30 25- 25 25 20- 20 20 15 15 10 10 10 10 2 3 4 6 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 13 14 15 16 17 18 19 20 2.15 Percentual de peso corporal para idade (gênero masculino) (Adaptado de FIGURA 2.16 Percentual do peso corporal para idade (gênero feminino) (Adaptado de Kuczmarski et al., 2000). Kuczmarski et al., 2000). 2.4.1 Materiais que podem ser utilizados balança mecânica com precisão de 100 g; balança digital com precisão de 10 g ou menos.46 47 2.4.2 Descrição da medida de peso corporal realizada 2.5.1 Materiais que podem ser utilizados Manual de avaliação física na posição ortostática antropômetro de prancha de madeira horizontal; Medidas antropométricas avaliado deve posicionar-se em pé, de costas para a balança, com afas- trena antropométrica fixada na parede e um cursor ou esquadro tamento lateral dos pés, estando à plataforma entre eles. Nesse momento a antropométrico. balança deverá estar travada, tendo avaliador regulado OS cilindros em um peso aproximado ao do avaliado. Em seguida este se coloca sobre e no centro da plataforma, ereto e com 0 olhar em um ponto fixo à sua frente, quando 2.5.2 Descrição da medida de envergadura avaliador destravará a balança e fará OS ajustes finais de peso. Será realizada apenas uma medida, e esta considerada como peso corporal total. 0 mesmo 0 avaliado deverá estar na posição ortostática, com OS pés unidos, com procedimento de calibração deverá ser feito para a balança digital, e a leitura 0 posterior do calcâneo, glúteo, posterior dos ombros e 0 occipital (mesma será direta no visor. posição da estatura) em contato com a parede, porém com OS membros supe- riores abduzidos, mantendo-os na horizontal, em sua amplitude máxima, com as palmas das mãos voltadas para frente e OS dedos unidos. A medida deverá 2.4.3 Precauções ser feita com indivíduo em apneia inspiratória. A cabeça deve estar orientada no plano de Frankfurt e com cursor em ângulo de 90° em relação à escala. A leitura deve ser feita na borda interna do cursor. Os cilindros deverão São realizadas três medidas, considerando-se a média. estar bem encaixados no momento da leitura e devem retornar ao ponto zero assim que terminar a pesagem. Recomenda-se que a balança seja calibrada a cada dez pesagens. Verificar nivelamento do solo sobre qual será apoiada a 2.5.3 Precauções balança. A medida será anotada em quilograma com aproximação de 0,1 kg. Kuczmarski et al. (2000) indicam OS percentis do peso corporal por idade Verificar cúbitos estendidos e ombros abduzidos horizontalmente na am- dos 2 aos 20 anos, para gêneros masculino e feminino, respectivamente, plitude máxima e contato com 0 plano vertical. Ler a medida com cursor conforme Figuras 2.15 e 2.16, gráficos estes muito utilizados por pediatras para realizar uma avaliação diagnóstica de seus pacientes. 2.5 Envergadura É uma medida biométrica linear resultante da soma dos comprimentos dos membros superiores e da largura da cintura escapular, sendo determinada pela distância máxima alcançada pelas extremidades distais dos dedos médios de ambos OS membros superiores e tendo como principal importância a classi- ficação biotipológica e a seleção esportiva. FIGURA 2.17 Medida de envergadura.48 49 Manual de avaliação física 2.6.2 Descrição da medida encostado na ponta do dedo médio. Utilizando-se antropômetro, que deverá estar fixado a 1 m do solo, permitindo, assim, melhor leitura. 0 avaliado deverá estar com a articulação próxima à extremidade óssea Medidas antropométricas mensurada em um ângulo de 90° nos pequenos diâmetros e na posição ortos- 2.6 Diâmetros ósseos tática nos grandes diâmetros. As hastes do instrumento de medida devem estar em um ângulo de 45° com prolongamento da região mensurada. 0 avaliador São medidas biométricas realizadas em projeção entre dois pontos con- deve posicionar-se à frente do avaliado, devendo delimitar diâmetro com siderados, que podem ser simétricos ou não, situados em planos geralmente auxílio dos dedos médios enquanto OS indicadores e OS polegares controlam as perpendiculares ao eixo longitudinal do corpo. Esta medida pode ser bilateral, hastes do instrumento de medida. São feitas três medidas, considerando-se a porém, se for unilateral, deve-se escolher 0 lado direito. Tem por objetivo deter- média das três como valor do diâmetro (precisão de 0,1 cm). minar a distância entre as bordas lateral e medial de uma extremidade óssea ou dois pontos estabelecidos em uma região. É utilizada, normalmente, em cálculos ou durante período de crescimento, em que podemos obter a curva 2.6.3 Precauções de desenvolvimento ósseo. Durante todo O período de crescimento, OSSOS longos têm a priorização na medida, aparelho não deve estar frouxo nem com pressão excessiva; do crescimento no comprimento em relação à espessura, porém, após sela- observar ângulo de colocação do aparelho em relação ao diâmetro mento dos discos epifisários, esses OSSOS somente podem continuar a ter cres- a ser medido, pois este facilita a leitura do resultado. cimento em espessura. Todo crescimento ósseo pode ser estimulado ou inibido em razão de vários fatores, e um dos mais importantes estímulos que pode ser dado é 0 exercício físico. Além disso, durante exercício físico pode ocorrer um 2.6.4 Diâmetros mais utilizados aumento do impacto sobre a estrutura óssea, 0 que colabora para aumentar a osteogênese, propiciando melhor deposição de minerais, dando maior resistên- Grandes: biacromial (cintura escapular), bitrocantérico (cintura pél- cia ou inibindo a instalação de quadros de osteoporose. vica), bi-ilíaco, transverso do tórax e anteroposterior do tórax. Pequenos: bicôndilo femoral, biepicôndilo umeral, biestiloidiana e bimaleolar. 2.6.1 Materiais que podem ser utilizados paquímetro antropométrico (hastes retas) ou compasso de largura 2.6.5 Descrição das medidas de diâmetros ósseos (hastes curvas), indicado para mensurar pequenos diâmetros; antropômetro de madeira (hastes retas), indicado para mensurar 2.6.5.1 Bicôndilo femoral grandes diâmetros. Esse ponto localiza-se nas maiores proeminências dos côndilos do fêmur. Na medição, 0 avaliado deve estar sentado, com OS joelhos em 90° e de prefe- rência sem apoio dos pés.50 51 Manual de avaliação física 2.6.5.3 Biestiloidiana Esse ponto localiza-se nos processos estiloides do rádio e da ulna. avaliado Medidas antropométricas pode estar sentado, com 0 cúbito em 90° e a palma da mão voltada para tronco. FIGURA 2.18 Medida de diâmetro ósseo bicôndilo femoral. 2.6.5.2 Biepicôndilo umeral FIGURA 2.20 Medida de diâmetro ósseo biestiloidiana. Esse ponto localiza-se nas maiores proeminências dos epicôndilos do úmero, medida esta assimétrica; nessa posição epicôndilo medial encontra-se 2.6.5.4 Bimaleolar mais baixo que lateral. Na medição, O avaliado deve estar com cúbito em 90° e ombro flexionado, também a 90°. Esse ponto localiza-se nas maiores proeminências dos maléolos, lateral na fíbula e medial na tíbia. Na medição, 0 avaliado deve estar sentado, com OS joelhos em 90° e de preferência sem apoio dos pés. FIGURA 2.19 Medida de diâmetro ósseo biepicôndilo umeral. FIGURA 2.21 - Medida de diâmetro ósseo bimaleolar.53 52 2.7 Perímetros Manual de avaliação física 2.6.5.5 Bitrocantérico Perímetro ou circunferência é um segmento corporal medido em um Medidas antropométricas Esse ponto localiza-se nas maiores proeminências dos trocânteres do fê- mur, lateralmente à articulação do quadril. Na medição, 0 avaliado deve estar ângulo de 90° em relação ao seu maior eixo. No caso dos membros superio- res e inferiores a medida deve ser bilateral, mas, dependendo do propósito em pé, com pés unidos. da medição, ela pode ser unilateral (exemplo: determinar 0 somatotipo); nesse caso deve-se utilizar sempre lado direito do corpo (sendo indivíduo destro ou canhoto). É possível determinar perímetro de qualquer segmento corporal, porém alguns são mais utilizados, em virtude da priorização dada a eles durante a execução dos exercícios físicos. Suas principais utilizações são: orientar a prescrição dos exercícios físicos; determinar proporcionalidade entre OS segmentos corporais; comparar medidas após uma reavaliação e observar se objetivos estéticos estão sendo atingidos e/ou se possíveis diferenças estão FIGURA 2.22 Medida de diâmetro ósseo bitrocantérico. sendo corrigidas; 2.6.5.6 Biacromial relacionar com outras medidas (exemplo: dobras cutâneas); determinar riscos relacionados à saúde (exemplo: Relação da Cintura Quadril RCQ). Esse ponto localiza-se nas maiores proeminências dos acrômios nas es- cápulas, localizados superiormente às articulações dos ombros na fíbula. Na medição, 0 avaliado deve estar em pé, com OS braços ao longo do corpo. 2.7.1 Materiais que podem ser utilizados fita métrica flexível e inextensível (de preferência de cetim) com precisão de 0,1 cm; trena antropométrica (metálica e fina) com precisão de 0,1 cm. 2.7.2 Descrição da medida As medidas devem ser realizadas sob uma de quatro formas: no maior perímetro do segmento; no ponto médio; em um ponto preestabelecido; e, FIGURA 2.23 Medida de diâmetro ósseo biacromial.54 55 Manual avaliação física em raras exceções, no menor perímetro do segmento, podendo ser realizada com 0 segmento relaxado ou com um grupamento muscular do segmento em contração. Quando relaxado, deve ser realizada na posição ortostática Medidas antropométricas e com OS pés em afastamento próximo a largura dos ombros; quando em contração, deve existir um procedimento para cada grupamento contraído. São realizadas três medidas, considerando-se a média como valor real da circunferência. 2.7.3 Precauções medir sempre sobre a pele nua; FIGURA 2.24 Medida de circunferência do tórax. nunca utilizar uma fita elástica ou de baixa flexibilidade; cuidado com a frouxidão ou a compressão exagerada da fita durante a medida; 2.7.4.2 Braço não deixar dedo entre a fita e a pele. Realizada no ponto médio entre bordo súpero-lateral do acrômio e bordo inferior do olécrano, e em duas condições: relaxado (braços ao longo do 2.7.4 Pontos utilizados para as medidas de circunferências corpo) e contraído (cúbitos na altura dos ombros e em ângulo de 90°, podendo ter 0 apoio da mão oposta para oferecer resistência). Pode ser realizada, tam- bém, no maior perímetro do segmento, nas mesmas condições. 2.7.4.1 Tórax Pode ser realizada após uma expiração normal, no ponto mesoesternal (ponto médio entre 0 manúbrio e 0 apêndice ambos no OSSO esterno) para ambos gêneros ou na altura dos mamilos para gênero masculino, podendo ainda ser realizada em três condições: normal (supracitado), inspirado e expirado. 3 Alguns autores adotam a altura do apêndice xifoide como ponto de reparo. FIGURA 2.25 Medida de circunferência do braço relaxado (a) e contraído (b).56 57 de avaliação física 2.7.4.3 Antebraço 2.7.4.5 Cintura Realizada no maior perímetro do segmento, em duas condições: Muito utilizada em duas formas: Medidas antropométricas relaxado: braços ao longo do corpo; na menor circunferência da região abdominal (acima da cicatriz contraído: com OS braços projetados à frente e punhos flexionados. umbilical); no ponto médio entre a crista ilíaca e a última costela.⁴ FIGURA 2.26 Medida de circunferência do antebraço. 2.7.4.4 Abdômen FIGURA 2.28 - Medida de circunferência da cintura. Medida realizada na altura da cicatriz umbilical. FIGURA 2.27 Medida de circunferência do abdômen. 4 Forma mais utilizada para a relação cintura/quadril.58 59 Manual de avaliação física 2.7.4.6 Quadril Muito utilizada em duas formas: Medidas antropométricas na altura dos trocânteres maiores do fêmur; na maior proeminência posterior da região glútea.⁵ FIGURA 2.30 Medida de circunferência da coxa. 2.7.4.8 Perna Medida realizada no maior perímetro do segmento, em duas condições: com peso distribuído nas duas pernas, sem a realização de con- FIGURA 2.29 Medida de circunferência do quadril. trações específicas; com segmento medido à frente e tríceps sural contraído. 2.7.4.7 Coxa Realizada no ponto médio entre a altura do ligamento inguinal e bordo superior da patela, em duas condições: com peso distribuído nas duas pernas, sem a realização de con- trações específicas; com segmento medido à frente e contraído, poden- do também ser realizada na maior circunferência do segmento, abaixo da prega glútea ou a 3 cm da borda superior da patela. 5 Idem. FIGURA 2.31 - Medida de circunferência da perna.60 61 Manual de avaliação física 2.8 Dobras cutâneas 2.8.2 Precauções Dobra ou prega cutânea é a espessura em milímetros de duas camadas a pele do cliente deverá estar seca, sem loções ou excesso de pelos Medidas antropométricas de pele mais a gordura cutânea subjacente. Esta medida possui relação direta (para as hastes do compasso não deslizarem); com a gordura subcutânea. não medir dobras logo após exercício (a mudança de fluidos do corpo tende a aumentar tamanho da dobra); avaliadores novatos deveriam praticar em pelo menos cinquenta a 2.8.1 Procedimentos para a realização das medidas cem clientes antes de realizarem medidas efetivas; treinar a realização das medidas com avaliadores experientes; Procedimentos padronizados são necessários para aumentar a exatidão e frequentemente realizar avaliações para não perder a habilidade. a fidedignidade das medidas: as medidas devem ser realizadas do lado direito do corpo; 2.8.3 Localização e descrição para realização das medidas local da medida deve ser identificado, medido e marcado (espe- cialmente avaliadores novatos); a medida é realizada segurando firmemente a dobra entre indi- 2.8.3.1 Bicipital cador e polegar da mão esquerda, procurando definir tecido celular subcutâneo do músculo subjacente; A dobra é determinada no sentido do eixo longitudinal do braço na sua destacar a dobra 1 cm acima do local que será medido; face anterior, na altura da maior circunferência aparente do ventre muscular manter a dobra pressionada enquanto a medida é realizada; do bíceps. a borda superior do compasso é aplicada a 2 cm do ponto de repa- ro, sendo este controlado com a mão direita; aguardar dois segundos para que toda a pressão das bordas do compasso possam ser exercidas; são realizadas três medidas em cada ponto, sendo estas interca- ladas entre si, considerando-se a média como valor adotado para efeito de cálculos; no caso de ocorrerem discrepâncias maiores que 5% entre as me- didas, uma nova determinação deve ser feita. FIGURA 2.32 - Medida de dobra cutânea bicipital.62 63 Manual de avaliação física 2.8.3.2 Tricipital A dobra é determinada no sentido do eixo longitudinal do braço na sua Medidas antropométricas face posterior, na distância média entre 0 bordo súpero-lateral do acrômio bordo inferior do olécrano. FIGURA 2.34 Medida de dobra cutânea subescapular. 2.8.3.4 Suprailíaca A dobra é determinada obliquamente ao eixo longitudinal do corpo, entre a crista ilíaca e último arco costal, no alinhamento da linha axilar anterior. FIGURA 2.33 - Medida de dobra cutânea tricipital. 2.8.3.3 Subescapular Determinamos a dobra obliquamente ao eixo longitudinal do corpo, seguin- do a orientação dos arcos costais, 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula. 0 avaliado deve permanecer com OS ombros sem contrações específicas. FIGURA 2.35 Medida de dobra cutânea64 65 Manual de avaliação física 2.8.3.5 Axilar média A dobra é determinada obliquamente ao eixo longitudinal do corpo, tendo Medidas antropométricas como ponto de reparo a orientação dos espaços intercostais, localizados na intersecção da linha axilar média com uma linha imaginária horizontal, que passaria pelo apêndice xifoide. FIGURA 2.37 Medida de dobra cutânea peitoral. 2.8.3.7 Abdominal (vertical) A dobra é determinada verticalmente 2 cm à direita da borda da cicatriz umbilical. Deve ter atenção para não pressionar tecido conjuntivo fibroso FIGURA 2.36 Medida de dobra cutânea axilar média. que constitui as bordas da cicatriz umbilical, que alteraria formato natural da cicatriz. 2.8.3.6 Peitoral (tórax) A dobra é determinada obliquamente ao eixo longitudinal do corpo, tendo como ponto de reparo 0 terço superior da distância entre a linha axilar anterior e mamilo. FIGURA 2.38 Medida de dobra cutânea abdominal vertical.66 67 Manual de avaliação física 2.8.3.8 Abdominal (horizontal) A dobra é determinada horizontalmente 3 cm à direita e 1 cm baixo do Medidas antropométricas centro da cicatriz umbilical. Deve-se ter atenção para não pressionar tecido conjuntivo fibroso que constitui as bordas da cicatriz umbilical, que alteraria 0 formato natural da cicatriz. FIGURA 2.40 Medida de dobra cutânea da FIGURA 2.39 Medida de dobra cutânea abdominal horizontal. 2.8.3.10 Panturrilha medial 2.8.3.9 Coxa 0 avaliado deve permanecer sentado com joelho em 90° de flexão, A dobra é determinada paralelamente ao eixo longitudinal do corpo, na tornozelo em posição anatômica e pé sem apoio no solo. A dobra é determi- região anterior da coxa, utilizando-se 0 terço superior da distância entre liga- nada no sentido do eixo longitudinal da perna, com polegar esquerdo na borda mento inguinal e bordo superior da patela. No momento da medida a muscu- medial da tíbia na da maior circunferência da perna, com 0 indicador latura anterior da coxa deverá estar relaxada. esquerdo procurando distinguir tecido celular subcutâneo da musculatura.68 Manual de avaliação física 147 146 145 FIGURA 2.41 - Medida de dobra cutânea panturrilha medial. AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Carlos Cintra I Mario Augusto Charro I Francisco Luciano Pontes Junior 3 Francisco Navarro Referências R. J. et al. CDC growth charts: United States. Advanced Data, V. 314, p. 1-27, 2000. GUEDES, D. GUEDES, J.E. R.P. Manual prático para avaliação física. Barueri: Manole, 2007. JOHNSON, B. L.; NELSON, J. K. Practical Measurements for Evaluation in Physical Education. 4. ed. Edina: Burgess Publishing, 1986. KIRKENDALL, D.; GRUBER, J.; JOHNSON, R. Measurement and Evaluation for Physical Educators. Champaign: Human Kinetics, 1987. LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELLI, R. Anthropometric Standardization Reference Manual. Champaign: Human Kinetics, 1988.A avaliação da composição corporal é uma forma de quantificar OS dife- rentes componentes estruturais do corpo humano em relação à massa corporal total. Por meio de uma avaliação da composição do corpo podemos subdividir ou fracionar a massa corporal total em massa de gordura e massa livre de gor- dura formada por água, proteína e massa óssea. Dessa forma, podemos afir- mar que esse tipo de avaliação serve para dois grandes propósitos. primeiro é quantificar 0 "excesso de gordura". Com fenômeno mundial da obesidade em proporções epidêmicas, percebemos um interesse grande por parte da socieda- de e dos meios de comunicação em abordar O assunto gordura, isso porque ele está associado a um maior risco de doenças, como doença arterial coronariana, hipertensão, diabetes tipo II, câncer, dislipidemia, doença pulmonar obstrutiva e osteoartrite, e a hipertensão, a dislipidemia e 0 diabetes tipo são duas a três vezes maiores em obesos (NIH, 1985). Essas doenças representam um sério problema de saúde que causam uma série de prejuízos, inclusive diminuindo a expectativa de vida. 0 segundo propósito é quantificar a "falta de gordura". Nosso funcionamento fisiológico depende diretamente do fornecimento contínuo de energia. Dentro desta perspectiva a gordura represen- ta um papel fundamental para a sobrevivência; ela é responsável em manter as funções básicas celulares, como lipídios essenciais (fosfolipídios) contidos na membrana celular, além dos lipídios não essenciais (triglicerídeos), que repre-72 73 Manual de avaliação física sentam a maior reserva de energia do corpo humano. Assim, a "falta de gordu- um desenho do corpo humano, que ficou conhecido por sua beleza, forma e ra" representa um maior risco de doenças caracterizadas pelo emagrecimento proporção: Homem Vitruviano. Ainda nesse período, Albrecht Durer (1471- exagerado, como anorexia nervosa, vício ao exercício e outras disfunções 1528) publicou a obra Four Books of Human Proportions, que marca 0 início fisiológicas. Essas doenças também estão associadas a uma diminuição da da antropometria científica. Mais tarde, Quetelet (1786-1874), considerado Avaliação da composição corporal expectativa de vida. pai da antropometria, descobriu e divulgou oficialmente para a ciência termo Gostaríamos, ainda, de alertar a todos OS profissionais que trabalham com antropometria. Seu trabalho representou graficamente OS resultados de dados avaliação da composição corporal para uma atualização técnica obrigatória. antropométricos medidos em soldados escoceses (perímetro torácico) e france- Trata-se de uma nova perspectiva e abordagem na seleção de equações de ses (estatura), demonstrando que a distribuição de frequência das medidas se predição. As equações mais antigas (Siri, 1961; Brozek et al., 1963) utiliza- aproximava da curva normal das probabilidades. das para converter valores de densidade corporal em percentual de gordura No século XIX, OS anatomistas alemães Schwann (1843), Bischoff (1863), baseavam-se em uma hipótese. A hipótese estabelecida para a época era que Dursy (1863), Volkman (1874), von Liebig (1874) e Theile (1884) realizaram a massa livre de gordura tinha uma densidade constante (1.100 inde- primeiros estudos de composição corporal por meio de dissecações de ca- pendentemente das características do indivíduo, como gênero, idade, grupo dáver. Nos primeiros estudos constatam-se falhas metodológicas ao relatar OS étnico, nível de atividade física, de gordura corporal e de maturação biológica dados corretamente. ou estado de saúde. Vários estudos demonstraram que essa hipótese estava errada (Baumgartner et al., 1991; Wang et al., 1989; Williams et al., 1993), Gráfico 3.1 Dados médios da composição corporal in vitro de quatro adultos verificando que existem diferenças significativas na massa livre de gordura de com idades entre 22 e 45 anos no século XIX homens e mulheres, crianças, idosos, obesos, anoréxicas, atletas e portadores 70 64,3 de diversas doenças. Por exemplo, a densidade da massa livre de gordura de 60 crianças é menor (1.084 em razão da menor massa óssea. Idosos tam- 50 40 bém têm uma densidade da massa livre de gordura menor atribuída à menor Peso (kg) 30 26,1 massa óssea (1.084 Mulheres mais jovens e de meia-idade possuem 20 11,7 11,4 11,2 uma densidade da massa livre de gordura menor (1.097 quando compa- 10 4 0 radas com homens da mesma população (1.100 Dessa maneira, pode- Peso Músculos Órgãos Gordura Óssos Pele mos concluir que, ao utilizarmos essas equações, estaremos sistematicamente super ou subestimando valores mensurados. Em 1905, Jacinto Viola, discípulo de De Giovanni, usa 0 compasso de dobras cutâneas, antropômetro e a fita métrica para posteriormente realizar a 3.1 Retrospectiva histórica análise estatística. Em 1906, no Congresso Internacional de Antropometristas, 38 dimensões de cadáveres e 19 medidas de cabeça e face foram padroniza- A história da avaliação da composição corporal se confunde com a história das. Somente na realização do Congresso Internacional, em 1912, foram da antropometria, que é muito antiga, sendo muito difícil de precisar suas ori- padronizadas medidas do corpo humano vivo. gens. No século V a.C., Hipócrates já se preocupava com a ciência da biotipolo- Em 1921, Matiegka, pai da composição corporal, propõe um método de gia (Michels, 1996). Na Renascença, Leonardo da Vinci (1452-1519) elaborou fracionamento da massa corporal em quatro componentes (método tetracom-74 75 Manual de avaliação física partimental): massa muscular, massa adiposa, massa óssea e massa residual. Usaram medidas de dobras cutâneas para estimar a densidade corporal em No final da I Guerra Mundial, foi sugerida por antropólogos a possibilidade de se jovens e em homens de meia-idade. medir a gordura subcutânea. Por volta de 1930, pesquisadores desenvolveram Clarys et al. (1987) verificaram que OS estudos anteriores de dissecação um compasso especial do tipo pinça que lhes permitiu medir essa gordura em de cadáver careciam de maiores esclarecimentos, em razão das dificuldades Avaliação da composição corporal locais específicos do corpo com relativa exatidão. técnicas da época. Diante disso, realizaram um estudo conhecido como The Somente mais tarde Mitchell et al. (1945) conseguem realizar a análise Brussels Cadaver Analysis Study, qual tinha três objetivos principais: química de um cadáver do gênero masculino, adulto, 35 anos, 70,6 kg e 183 cm, e relatam seus dados corretamente (Gráfico 3.2): fornecer dados de peso, densidade da pele, tecido adiposo, mús- culos, e órgãos; Gráfico 3.2 Análise química realizada por Mitchell et al. (1945) (amostra: validar alguns métodos indiretos utilizados na estimativa da com- homem, adulto, 35 anos, 70,6 kg, 183 cm) posição corporal in vivo; apresentar novos modelos de análise da composição corporal. 22.3 Peso (kg) Esse estudo foi dividido em duas partes. Na primeira parte (Gráfico 10.5 9,6 9,6 10.0- 3.3), 25 cadáveres foram dissecados, 12 embalsamados (6 homens e 6 5,0- 2.4 2,9 2,7 1,8 0.0 0,5 1,5 0,1 0,6 mulheres) e 13 não embalsamados (6 homens e 7 mulheres), com idades 0.0 Cérebro, medula etronco Figadoração Pulmões Baço Trato adiposo TR. TR. CT Bile Cabelos entre 55 a 94 anos. Na segunda parte, 7 cadáveres embalsamados foram dissecados (4 homens e 3 mulheres) com idades entre 16 e 80 anos. No total, 32 cadáveres foram dissecados e separados por pele, tecido adiposo, múscu- los, órgãos e vísceras. Esse estudo é considerado ímpar, porque da- Albert Behnke, médico da marinha dos Estados Unidos, a maior autori- dos antropométricos e da composição anatômica foram coletados nos mesmos dade em composição corporal de sua época, nove anos mais tarde, realizou indivíduos. Além da dissecação, técnicas como antropometria, densitometria, estudos sobre a difusão de nitrogênio gasoso no organismo humano. Em 1942, fotografia, radiografia e osteometria também foram utilizadas. propôs 0 fracionamento do peso corporal total em apenas dois componen- tes: massa gorda (adiposa) e massa magra (massa livre de gordura) (Michels, Gráfico 3.3 Dados médios da composição corporal masculina in vitro na pri- 1996). Behnke, necessitando de maiores informações sobre a massa de gor- meira parte do The Brussels Cadaver Analysis Study dura, pensou em medir volume do corpo humano baseado nos conceitos da gravidade específica, por meio do princípio físico descoberto por Arquimedes, 70 66,2 princípio este que mais tarde ficaria conhecido como método de pesagem hi- 60 drostática subaquática. 50 40 Brozek e Keys, em 1951, interessados em elaborar uma fórmula para a Peso (kg) 30 25,1 determinação da porcentagem de gordura e densidade corporal, basearam-se 18,5 20 9,5 9,3 no princípio de Arquimedes e fracionaram 0 corpo humano em dois comparti- 10 3,7 0 mentos: um com conteúdo gorduroso e 0 outro com conteúdo livre de gordura. Peso Músculos Órgãos Gordura Óssos Pele76 77 3.2 Técnicas utilizadas na avaliação da Manual de avaliação física Gráfico Dados médios da composição corporal feminina in vitro na pri- meira parte do The Brussels Cadaver Analysis Study composição corporal 70 62,5 60 Não é nosso objetivo abordar todas as técnicas para avaliação e esgotar Avaliação da composição corporal 50 assunto. Este livro tem a intenção de ser um guia prático e demonstrar as 40 Peso (kg) 28,4 possíveis aplicações no dia a dia. 30 17,8 20 Métodos 7,9 7,7 10 3,4 0 Diretos Peso Músculos Órgãos Gordura Óssos Pele Dissecação de cadáver Análise química Na análise geral dos resultados, esse estudo verificou diferenças significa- Indiretos tivas para praticamente todos OS tecidos, sendo a diferença mais representativa Pesagem hidrostática Densitometria óssea - DEXA a análise do tecido adiposo entre homens e mulheres. Foi de grande importân- cia para todos OS estudiosos dessa ciência, porque pôde prover informações Pletismografia Tomografia computadorizada científicas e válidas acerca da composição corporal. Desde então, muitos estudiosos têm utilizado a avaliação da composição Ultrassonografia Ressonância magnética corporal como um método de classificação e quantificação do condicionamento físico relacionado à saúde, e, nesse sentido, Lohman (1992) indica as dobras Condutividade elétrica total Tobec Análise da ativação de nêutrons TBCa e TBN cutâneas como um dos métodos mais indicados. Atualmente, vários estudiosos utilizam a ciência intitulada cineantropometria Hidrometria TBW Excreção urinária de creatinina para medir 0 homem. Essas medidas respeitam as diferentes variedades morfológi- Potássio corporal total cas e têm aplicação nas mais variadas formas de influência no movimento humano. Há uma preocupação emergente sobre as normalizações das técnicas antropomé- Duplamente indiretos tricas das diferentes dimensões corporais, a fim de assegurar maior objetividade e fidedignidade na mensuração das medidas. Essas técnicas também possuem Índice de massa corpórea IMC Interatância quase infravermelha grande aplicação no campo da ergonomia e nos demais campos relacionados com estudos direcionados ao ser humano e aos movimentos que ele realiza. Índice de relação cintura-quadril ICQ Bioimpedância Desde a década de 1970, 0 Brasil vem se consolidando na cineantropo- Índice de conicidade IC Antropometria metria, apresentando à comunidade acadêmica diversos trabalhos de pesquisa desenvolvidos por centenas de autores. Essa grande quantidade de pesquisa Recíproco de índice ponderal Somatotipo publicada pode ser explicada por duas razões: a primeira trata do modelo ado- tado, que, por não ser invasivo, facilita sua aplicabilidade nas amostras; a se- Dobras cutâneas gunda é 0 baixo custo operacional (Petroski e Pires-Neto, 1995). FIGURA 3.1 Métodos para avaliação da composição corporal.78 79 Manual de avaliação física 3.2.1.2. Análise química (extração lipídica) Assim, decidimos apresentar resumidamente métodos diretos e in- diretos utilizados na avaliação da composição corporal. Algumas dessas téc- nicas avançadas que abordaremos superficialmente estão acessíveis apenas Nessa técnica, um corpo é literalmente triturado em um liquidificador in- para uma pequena parcela de profissionais, que contam com recursos mais dustrial e dissolvido em uma solução química. A partir da mistura será feita a Avaliação da composição corporal avançados em clínicas, hospitais, laboratórios ou centros de referência em separação e a determinação dos componentes gordurosos e dos isentos de gor- fisiologia do exercício. dura. Ela é muito utilizada em várias espécies animais. Um dos poucos estudos Segundo Garrow (1988), método ideal "deve ser relativamente barato, realizados em seres humanos foi de Forbes, Cooper e Mitchell (1953), que e que forneça pouco incômodo ao avaliado; ser operado por técnicos capazes e determinou, por meio de análise química, a composição corporal de um adulto render resultados altamente acurados e Por essa razão, devemos (Gráfico 3.5): conhecer a metodologia da técnica escolhida e critérios científicos para sua utilização (validade, confiança e objetividade). Gráfico 3.5 Análise química realizada por Forbes, Cooper e Mitchell (1953) Ressaltamos aqui que daremos ênfase em métodos duplamente indire- (amostra: homem, adulto, 46 anos, 53,8 kg, 168,5 cm) tos, motivo este que é justificado por simplicidade, custo e acessibilidade, 21,4 além de resultados válidos e confiáveis quando comparados a outras técni- cas de predição. Peso (kg) Segundo Martin e Drinkwater (1991), essas técnicas são divididas em três 10,0 6,1 6,1 1,6 1.8 grupos: diretos, indiretos e duplamente indiretos. 1,3 0,3 1.0 0.1 0,3 0,1 0,5 0,1 0,0 Pele Esqueleto Cérebro, medula tronco Pulmões Baço Trato Tecido adiposo TR. líquido CT Cabelos 3.2.1 Métodos diretos Os métodos diretos, apesar da elevada precisão, têm sua utilização muito 3.2.2 Métodos indiretos limitada, pois sua análise é feita pela dissecação física ou físico-química de cadáveres. Os métodos indiretos apresentam precisão secundária quando compara- dos aos métodos diretos, porém contam com grande gama de modelos (com- 3.2.1.1 Dissecação de cadáver plexos ou simples) e equipamentos. Alguns desses equipamentos exigem mais recursos (investimentos) e treinamentos para sua utilização. Resume-se em uma técnica em que diferentes componentes corpo, como gordura corporal, massa livre de gordura, massa óssea, músculos e vís- ceras, são separados do corpo de um cadáver para serem pesados um a um. 3.2.2.1 Pesagem hidrostática subaquática Segue 0 princípio de Arquimedes, que se baseia na perda de peso de um objeto na água. Um objeto imerso no meio líquido terá um peso igual ao volume80 81 Manual de avaliação física de água por ele deslocado. Essa relação do peso do objeto no ar, dividido pela diminui e vice-versa. Assim, quando alguém entra no equipamento deslocará perda de peso na água, denominamos gravidade específica ou densidade. um volume de ar que também modificará a pressão do ambiente. Dessa forma, Essa técnica é considerada 0 padrão-ouro ou método padrão (gold stan- poderá ser estimada a densidade corporal bem como as massas de gordura e dard) para validar métodos duplamente indiretos, em razão de sua fidedigni- livre de gordura. A validade deste método possui uma correlação fortíssima com Avaliação da composição corporal dade ser considerada excelente pela correlação de Pearson (r = 0,96) (Ward a pesagem hidrostática r = 0,93 (McCrory et al., 1995). et al., 1978). Além disso, diversos métodos indiretos fizeram uso de compa- rações com a pesagem hidrostática para demonstrar sua validade preditiva. Variáveis, como gás gastrintestinal, volume residual e densidade da água, deverão ser controladas, porque interferirão diretamente nos valores da den- sidade corporal. FIGURA 3.3 Aparelho de pletismografia do fabricante Bod Pod. FIGURA 3.2 Técnica de pesagem hidrostática subaquática. 3.2.2.2 Plestismografia Trata-se de uma técnica baseada no princípio da lei de Boyle. A lei estabe- lece que um corpo em um recipiente fechado de temperatura constante, volume FIGURA 3.4 Aparelho de pletismografia do fa- e pressão variam em proporção inversa. Enquanto 0 volume aumenta, a pressão bricante Bod Pod para uso pediátrico.82 83 3.2.2.3 Densitometria óssea Manual de avaliação física 3.2.2.4 Tomografia computadorizada É um procedimento de imageamento de alta tecnologia que utiliza raios-x Essa técnica é capaz de produzir várias imagens bidimensionais de dife- de energia dupla capazes de penetrar em tecidos moles (gordura corporal, mas- rentes segmentos do corpo. São emitidos feixes de raios-x (radiação ionizante) Avaliação da composição corporal sa livre de gordura e massa óssea). A penetração dos raios é analisada por um que passam através dos tecidos com densidades diferentes. software ade- detector de cintilação que, com a ajuda de um software especializado, recons- quado consegue traduzir essas diferentes densidades em informação quantita- trói uma imagem dos tecidos subjacentes, permitindo a quantificação das mas- tiva das massas de gordura, óssea e livre de gordura, além da espessura e do sas óssea, de gordura e livre de gordura. Essa técnica baseia-se na suposição de volume dos tecidos dentro de um órgão. Em um estudo, Rossner et al. (1990) que corpo é formado por três compartimentos: gordura, mineral ósseo e tecido estabeleceram uma forte correlação r = 0,90 entre as diferentes áreas do corpo magro não ósseo, todos com densidades diferentes (Kohrt, 1995). É considera- humano com tecidos adiposos de cadáveres. A variabilidade encontrada de do padrão ouro para avaliação da massa óssea e, na opinião de muitos espe- várias imagens realizadas com a tomografia foi de 0,6 para 1,4%. Despres et cialistas, em avaliação da composição corporal no futuro, substituirá a pesagem al. (1991) também avaliaram a correlação entre as medidas antropométricas hidrostática como método padrão para predição da massa de gordura, em razão na região abdominal (dobras cutâneas e circunferências) com volume total do de sua facilidade e sua não necessidade de adaptação ao meio líquido. Possui tecido adiposo mapeado por tomografia computadorizada e encontraram uma forte correlação com a pesagem hidrostática r = 0,93 (Clark et al., 2004). correlação significativa de r = 0,82 entre a circunferência da cintura e tecido adiposo abdominal profundo, medido por tomografia computadorizada. FIGURA 3.5 Aparelho de densitometria óssea do fabricante GE-Lunar, modelo Prodigy Vision (DEXA). FIGURA 3.6 Aparelho de tomografia computadorizada do fabricante GE Light Speed Series.84 85 3.2.2.5 Ultrassonografia Manual de avaliação física eletromagnética) usado para excitar núcleos de hidrogênio da água corporal e das moléculas lipídicas. Isso induz núcleos excitados a produzirem um A ideia básica do ultrassom consiste em emitir ondas sonoras de alta fre- sinal detectável que pode ser reorganizado por meio de um computador para quência que penetrarão nos tecidos (pele, gordura, músculos e ossos) e produ- representar visualmente OS vários tecidos corporais (van der Kooy et al., 1993). Avaliação da composição corporal zirão sons diferentes para cada um deles. As ondas serão refletidas na superfície Staten, Totty e Kohrt (1989) mensuraram a distribuição da gordura corporal óssea e, a seguir, retornarão para transdutor (equipamento do ultra-som por e estabeleceram uma correlação r = 0,99 entre a ressonância magnética e a onde as ondas são emitidas e recebidas). Dessa forma, a gordura para determi- pesagem hidrostática. nado segmento do corpo pode ser mensurada em milímetros, podendo também ser estimada. Este método possui uma forte correlação com a densitometria óssea (r = 0,82) (Kuczmarski, Fanelli e Koch, 1987). FIGURA 3.8 - - Aparelho de ressonância nuclear magnética do fabricante GE Signa HDx 3.0T. 3.2.2.7 Condutividade elétrica corporal total (Tobec) corpo do avaliado é posto dentro de um cilindro que contém uma bobina solenoide (em forma de tubo), que impulsiona uma corrente de radiofrequência oscilatória de 2,5 a 5 Mhz. Quando corpo passa pelo rolo eletromagnético há uma mudança de energia. Essa perturbação do campo eletromagnético pelo FIGURA 3.7 Aparelho de ultrassonografia computadorizada do fabricante Logic 200 Pro. avaliado constitui um índice da condutividade elétrica, a qual é uma proprie- dade do tecido magro, podendo este ser mensurado. Esse equipamento foi va- 3.2.2.6 Ressonância magnética lidado com análises em carcaças de coelhos e porcos (Forbes, 1987; Keim et al., 1988). Em seres humanos, DeBruin et al. (1995) relataram uma excelente 0 imageamento por ressonância magnética é uma tecnologia mais re- correlação r = 0,98 entre as leituras de condutividade elétrica corporal total e cente que permite a formação de um poderoso campo magnético (radiação a água corporal total em lactentes. Estudos em adultos com peso em estado de87 86 Manual de avaliação física equilíbrio (Segal et al., 1985) e redução de peso (Van Loan et al., 1987) forne- obtida pela hidrometria apresenta uma correlação fortíssima (r = 0,88 0,95), ceram evidências da utilidade desta técnica. Foram estabelecidas correlações com a densitometria óssea em relação ao mesmo dado (Van Loan et al., 1990a). = 0,69; 0,86; e 0,87 para estimativas da massa livre de gordura entre atro- pometria, água corporal total e potássio com a condutividade elétrica corporal Avaliação da composição corporal total, respectivamente. Um outro estudo com 19 adultos em quatro ocasiões 3.2.2.10 Excreção urinária de creatinina diferentes encontrou uma correlação fortíssima r = 0,99 entre condutividade elétrica corporal total e densitometria (Lukaski, 1987). Hoberman, Sims e Peters (1948) demonstraram a existência de uma corre- lação direta da creatinina corporal com a produção da creatinina urinária, usando diluição isotópica de nitrogênio-15. Dessa maneira, foi estabelecida a correlação 3.2.2.8 Análise da ativação de nêutrons (TBCa e TBN) entre a excreção urinária de creatinina com a massa livre de gordura e a massa muscular, porém alguns fatores afetam a validade preditiva deste método. A análise da ativação de nêutrons é uma técnica baseada nas reações nucleares A média do coeficiente de variação intraindividual é de 11% a 20% e atribuída ao para medir OS diferentes elementos químicos do corpo humano (cálcio, sódio, processamento renal da creatinina. Quando a massa livre de gordura é estimada cloro, fósforo e nitrogênio) (Lukaski, 1987). Sua primeira aplicação foi verificada pela excreção de creatinina, erro é alto (3 a 8 kg) quando comparado com por meio da determinação do cálcio corporal (TBCa) total em razão de 0 cálcio ser valores da densitometria e contagem de potássio (Lukaski, 1987). Welle et al. uma fração constante do conteúdo mineral ósseo (38% 39%). Assim, estimati- (1996) estabeleceram uma alta correlação entre a creatinina urinária e a área de vas do cálcio corporal total podem quantificar 0 conteúdo mineral ósseo corporal secção transversa dos músculos do braço e da coxa r = 0,85 e 0,88. Variáveis total. No entanto, como a massa de cálcio não é sempre proporcional à massa do como a dieta e tempo de coleta podem interferir na análise dos resultados. esqueleto, variáveis como idade, gênero, estatura e massa livre de gordura devem ser consideradas para minimizar erros dessas variáveis que são entre 5% e 8% (Lukaski, 1987). Outra aplicação dessa técnica pode ser realizada por meio da 3.2.2.11 Potássio corporal total medida do nitrogênio corporal total (TBN). Medidas de nitrogênio corporal total podem estimar a massa muscular e não muscular com seus respectivos conte- Este método pode estimar a massa livre de gordura por meio da contagem údos de proteína, usando modelos matemáticos. Dessa forma, conhecendo-se de potássio existente no corpo. 0 isótopo 40K permite sua detecção e sua quan- esses valores, pode-se calcular a gordura corporal pela diferença (Lukaski, 1987). tificação, após 0 bombardeio de raios gama, por contadores de cintilações de baixa emissão de energia. A partir de sua ocorrência no organismo (0,012%), pode-se, então, calcular conteúdo de K corporal total, que fornece estimati- 3.2.2.9 Hidrometria (TBW) va da massa muscular (Roche, Heymsfield e Lohman, 1996). É considerado um método invasivo de estimativa da água corporal total. 0 avaliado terá de ingerir ou tomar uma injeção com a substância isótopo de hidrogê- 3.2.3 Métodos duplamente indiretos nio, que se misturará com água corporal total. Aproximadamente após duas horas da ingestão ou aplicação serão coletadas amostras da saliva, que irão para um Os métodos duplamente indiretos apresentam precisão terciária quando com- aparelho de calibração e terão seus valores comparados. A massa livre de gordura parados aos métodos diretos, porém OS métodos duplamente indiretos contam com88 89 Manual de avaliação física a maior aplicação prática em virtude de sua simplicidade e sua facilidade na obten- Outro fator limitante da utilização do IMC é a variação encontrada entre ção de equipamentos de baixo Essas técnicas exigem treinamento adequado, crianças e adolescentes, tendo em vista fato de estarem em constantes alte- e apenas alguns desses equipamentos exigem mais recursos (investimentos). rações morfológicas e funcionais; assim, a maneira mais adequada de calcular 0 IMC para essa população é relacionando percentis das curvas de crescimento Avaliação da composição corporal de estatura e de peso corporal, tanto para 0 gênero masculino quanto para o fe- 3.2.3.1 Índice de massa corpórea (IMC) minino, que foi mostrado em estudo realizado pelo The National Center for Health Statistics em colaboração com 0 The National Center for Chronic Disease 0 IMC é comumente usado para classificar indivíduos como obesos, com sobre- Prevention and Health Promotion, em 2000, conforme Figuras 3.9 e 3.10: peso e com baixo peso; para identificar riscos para obesidade e doenças relacionadas; e monitorar mudanças na gordura corporal de populações clínicas (U.S. Department IMC IMC of Health and Human Services, 1990; World Health Organization, 1998). 0 IMC pode ser obtido com 0 seguinte cálculo: massa (kg)/estatura em 34 34 metros ao quadrado. 32 32 A World Health Organization (WHO, 1998) define obesidade com um IMC igual ou maior que 30 kg/m²; sobrepeso entre 25 e 29,9 e baixo peso 30 30 menor que 18,5 kg/m². Esses valores são baseados no relacionamento entre 28 90th 28 IMC e morbidade e mortalidade reportados e observados em vários estudos na Europa e nos Estados Unidos. 26 26 A grande vantagem do IMC é a sua aplicabilidade em estudos populacionais, 75th 24 porém sua grande desvantagem está no fato de não levar em conta a proporção da 24 composição do organismo para diferentes componentes que existem: massas de 22 22 gordura, óssea, livre de gordura e muscular. Quando são comparados valores obti- dos com IMC e pesagem hidrostática, verificamos uma correlação baixa (r = 0,35) 20 20 10th para valores de gordura corporal (Hickner et al., 2006). Os valores de referência 18 18 para diferentes índices de massa corpórea podem ser verificados na Tabela 3.1: 16 16 Tabela 3.1 Classificação do IMC para adultos, segundo a WHO (1998) 14 14 Classificação IMC Riscos de morbidades e mortalidades Baixo peso riscos de outros problemas clínicos) 12 12 Peso normal 18,5 24,9 Ausente Sobrepeso 25 29,9 Aumentado 2 3 4 5 6 7 8 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Obeso classe 30 34,9 Moderado Obeso classe II 35 39,9 FIGURA 3.9 Curvas de percentil por idade do IMC utilizadas como referenciais para Severo jovens de 2 e 20 anos de idade do gênero masculino, derivadas de estudos desenvolvi- Obeso classe II > 40 Muito severo dos pelo The National Center for Health Statistics, em colaboração com The National Center for Chronia Disease Prevention and Health Promotion, em 2000.90 91 Manual de avaliação física IMC IMC (androide) ou inferiores (ginoide). Assim, a obesidade androide é mais carac- 97th terística em homens e a ginoide em mulheres. Contudo, homens e mulheres 34 34 obesos podem ser e são, frequentemente classificados para qualquer um 32 32 dos grupos. Existem outros termos usados para descrever tipos de obesidade Avaliação da composição corporal e sua distribuição regional. Obesidade androide (formato de maçã) também é 30 30 frequentemente referida como obesidade de adiposidade central ou de mem- 90th bros superiores, e obesidade ginoide (formato de pera) é frequentemente citada 28 28 para obesidade de membros inferiores. 26 26 0 ICQ pode ser obtido com 0 seguinte cálculo: 24 24 ICQ = circunferência da cintura (cm)/circunferência do quadril (cm) 22 22 50th 20 20 18 18 16 16 14 14 12 12 2 3 4 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 FIGURA 3.11 Circunferências das medidas de cintura e de quadril. (anos) FIGURA 3.10 Curvas de percentil por idade do IMC utilizadas como referenciais para jovens de 20 anos de idade do gênero feminino, derivadas de estudos desenvolvi- ICQ é frequentemente usado como uma medida indireta para mensu- dos pelo The National Center for Health Statistics, em colaboração com The National rar a distribuição da gordura em membros inferiores e superiores. A obesidade Center for Chronia Disease Prevention and Health Promotion, em 2000. de membros superiores ou adiposidade central mensurada por ICQ possui correlação para fatores de risco associados com doenças metabólicas e car- diovasculares em homens de r = 0,61 e mulheres de r = 0,48 (Ohrvall et al., 3.2.3.2 Índice de relação cintura-quadril (ICQ) 2000). Adultos jovens com valores de ICQ maiores que 0,94 para homens e 0,82 para mulheres possuem risco alto para consequências adversas à saúde Em 1947, Vague apresentou um sistema para diferenciar diferentes (Bray e Gray, 1988). tipos de obesidade baseando-se na distribuição da gordura regional. Ele es- 0 ICQ é fortemente associado à gordura visceral (Ashawell et al., 1985; tabeleceu OS termos obesidade androide e ginoide para se referir ao excesso Seidell et al., 1987) e parece ser um índice aceitável de gordura intra-abdominal de localização de gordura principalmente na parte dos membros superiores (Weits, 1988; Jakicic, 1993).93 92 Manual de avaliação física Os valores de referência para homens e mulheres com diferentes ICQ po- dem ser verificados na Tabela 3.2: Tabela 3.2 ICQ: valores de referência para homens e mulheres Avaliação da composição corporal Risco Idade (anos) Baixo Moderado Alto Muito alto 20 29 0,83 0,83 0,88 0,89 0,94 0,94 Homens 30 39 0,96 40 49 1,00 50 59 0,90 0,90 0,96 0,97 1,02 > 1,02 FIGURA 3.12 - Circunferências da medida de cintura, medida do peso corporal e da estatura. 60 69 0,91 0,91 0,98 0,99 1,03 > 1,03 20 29 0,71 0,71 0,77 0,78 0,82 > 0,82 30 39 0,72 0,78 0,79 0,84 > 0,84 3.2.3.4 Recíproco de índice ponderal (RIP) Mulheres 40 49 0,87 50 59 0,90 gar índices que avaliam risco de morte (IMC, RIP e ectomorfia). Eles concluíram Adaptado de Bray e Gray (1988). que a utilização do recíproco de índice ponderal apresentava maior robustez e melhor lógica matemática que IMC. Assim, RIP poderia ser aplicado em crianças a partir dos 5,5 anos de idade. 3.2.3.3 Índice de conicidade (IC) RIP também é conhecido como índice de Sheldon. Pode ser estimado pela seguinte equação: Valdez et al. (1993) propuseram um novo índice para avaliar a adiposi- dade abdominal. 0 modelo apresentado se baseia na ideia hipotética de que RIP = estatura (cm)/raiz cúbica do peso (kg) corpo humano mudaria de formato de um cilindro para 0 de um "cone duplo", com grande acúmulo de gordura ao redor da cintura. A faixa teórica ideal do IC é de 1,00 (cilindro perfeito) a 1,73 (cone duplo perfeito). 0 IC pode ser calculado usando a seguinte equação: C/C 0,109 (PC E) Onde: C/C = circunferência da cintura (m); PC = peso corporal (kg); E = estatura (m). FIGURA 3.13 Medidas de peso corporal e de estatura.94 95 Manual de avaliação física Os autores também sugerem valores comparativos para uma suposta clas- antropométrica, estadiômetro, paquímetro ósseo, fita antropométrica e com- sificação (Tabela 3.3): passo de dobras cutâneas), situação que torna esse tipo de avaliação onerosa e distante do dia a dia prático em locais que normalmente contam com poucos Tabela 3.3 Valores de referência para classificação do recíproco de índice materiais de trabalho. Avaliação da composição corporal ponderal Abaixo do peso 44 Normal 41 44 3.2.3.6 Interactância quase infravermelha (NIR) Excesso do peso96 97 Manual de avaliação física e a massa de gordura é um mau condutor de energia, porque tem pouca água; é hidrofóbica. Assim, um indivíduo com uma grande quantidade de massa livre de gordura terá menor resistência à corrente elétrica, ou seja, menor valor de Z (Thomasett, 1962); então podemos dizer que Z é diretamente proporcional ao Avaliação da composição corporal percentual de gordura corporal. Os aparelhos tetrapolares (quatro eletrodos) são considerados OS melhores aparelhos de impedância bioelétrica, porque conseguem avaliar a passagem da corrente elétrica no corpo inteiro (membros superiores e inferiores). Aparelhos que são bipolares são considerados mais suscetíveis a erros, pois avaliam a pas- sagem da corrente elétrica em apenas um dos segmentos do corpo (membros FIGURA 3.14 - Aparelho tetrapolar de bioimpedânciado fabricante Biodynamics. inferiores ou superiores). A validade e a precisão do método de impedância bioelétrica são in- fluenciadas por vários fatores, como tipo de instrumento, colocação do ele- Apesar da relativa facilidade e rapidez da medida, a utilização da técnica trodo, nível de hidratação, alimentação, prática de exercícios anteriores ao de bioimpedância elétrica requer uma série de procedimentos prévios por parte teste, ciclo menstrual, temperatura ambiente e equação de predição utiliza- do avaliado, sem OS quais poderá ocorrer prejuízo à qualidade das informações: da (Van Loan, 1990b). Várias equações de impedância bioelétrica foram desenvolvidas com não fazer uso de medicamentos diuréticos nos últimos sete dias; uma correlação variável entre r = 0,60 e 0,98 e erro padrão de 1,37 a 3,47 manter-se em jejum por pelo menos 4 horas; (Kushener et al., 1992). não ter ingerido bebidas alcoólicas nas últimas 48 horas; Há um consenso entre especialistas de que as equações de impedância ter-se abstido da prática de atividades físicas intensas nas últimas bioelétrica que já vêm de fábrica nos equipamentos super ou subestimarão 24 horas; valores de percentual de gordura corporal quando comparados àqueles obtidos urinar pelo menos 30 minutos antes da medida; com equações de validação cruzada. manter-se pelo menos 5 a 10 minutos de repouso absoluto em Seu protocolo de medida consiste na fixação de dois eletrodos emis- posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida. sores e dois receptores. Os eletrodos emissores são colocados distalmente na superfície dorsal da mão e do pé, no plano das cabeças do terceiro metacarpo e do terceiro metatarso, respectivamente. Por sua vez, os ele- 3.2.3.8 Antropometria trodos receptores são colocados proximalmente também na mão e no pé; primeiro no pulso, em um plano imaginário da união das duas apófises É uma técnica utilizada para medir diferentes tamanhos e proporções estilóides, e 0 segundo na região dorsal da articulação tibiotársica, na do corpo humano. Para isso, são utilizadas as medidas de circunferências, es- linha imaginária de união da parte mais saliente dos dois maléolos. Por pessuras de dobras cutâneas, diâmetros ósseos e comprimento. convenção, OS quatro eletrodos são colocados na mão e no pé direitos, com Os pressupostos e princípios assumidos neste método preconizam que avaliado em decúbito dorsal. essas medidas estão relacionadas às massas óssea, livre de gordura e muscular (Wilmore e Behnke, 1969).98 99 Manual de avaliação física Gostaríamos de esclarecer que existem diversas equações de predição Neto (1995, 1996), porém, se aplicarmos a equação generalizada anterior- que utilizam modelos combinados, por exemplo, combinar medidas de diâme- mente descrita em uma população de obesos, em que valores de percentual tro e dobras ou, ainda, medidas de circunferência e dobras. 0 fato de combi- de gordura ultrapassam valores de 45%, incidiremos em um erro metodoló- nar mais de uma técnica não significa que modelo adotado ou a equação é gico que implicará erro de estimativa; assim, deveremos selecionar uma equa- Avaliação da composição corporal melhor, nem que a validade preditiva da equação aumentará em razão disso ção específica para obesos. (Bray e Gray, 1988). Por isso não apresentaremos neste livro equações que Ao contrário do que a grande maioria dos avaliadores imagina, as equa- combinam métodos ou que necessitam da combinação de equipamentos ções de predição das dobras cutâneas não estimam diretamente percentual para realizar uma avaliação. de gordura; elas estimam a densidade corporal relativa de um corpo Além das aplicações em avaliação da composição corporal, método an- Somente após a estimativa da densidade do corpo é que valores serão tropométrico pode ser utilizado na área da ergonomia, em que são necessárias convertidos em percentual de gordura por meio das equações de Siri (1961) várias medidas de segmento do corpo, de determinado grupo, para se estabele- e Brozek et al. (1963). Essas equações de conversão baseiam-se na hipóte- cerem perfil da população, 0 tamanho adequado de uma bancada de trabalho se de que a massa livre de gordura possui uma densidade constante (1.100 ou ainda 0 alcance dos braços para determinada tarefa. e independe da água corporal relativa. Assim, estimativas de percen- Todas as descrições e as localizações para realizações das medidas foram tual de gordura em populações específicas que utilizarem as equações de detalhadamente descritas no Capítulo 2. conversão de Siri (1961) e Brozek et al. (1963) estarão sistematicamen- te sub ou superestimando 0 valor, isso porque idosos, crianças, mulheres, anoréxicos, obesos etc. possuem uma densidade da massa livre de gordura 3.2.3.9 Dobras cutâneas (descritas no Capítulo 2) diferenciada, em virtude de sua composição corporal. Por exemplo, obesos possuem diminuição da proteína, aumento da água extracelular em relação 0 método de dobras cutâneas é amplamente utilizado para estimar a gor- à intracelular e aumento da massa óssea, que torna sua massa livre de dura corporal em situações de campo e clínica. Isso se deve à sua fácil utiliza- gordura com uma densidade diferente do modelo hipotético idealizado por ção, à sua elevada precisão e ao seu custo relativamente baixo comparado às Siri (1961) e Brozek et al. (1963). outras técnicas. As equações que apresentaremos para as diferentes populações trarão em Na literatura científica podemos encontrar diversas equações para predizer seu conteúdo as devidas explicações para que nossos leitores não incidam em a gordura corporal pelo método de dobras cutâneas (Lohman, 1981). erros dessa natureza. Nós também tivemos a preocupação de previamente sele- As equações de dobras são desenvolvidas basicamente com dois modelos. cionar e apresentar aquelas equações que julgamos serem as de maior validade 0 primeiro modelo é por regressão linear, que significa que sua aplicação científica em razão dos critérios de seleção das amostras, do grau de correlação, prática ocorrerá para uma população específica; segundo é quadrático, que do erro padrão de estimativa e da validação cruzada. Não nos preocupamos significa que sua aplicação ocorrerá para uma população generalizada, sem com a quantidade, mas com a qualidade. levar em conta exceções, ou ainda, casos específicos. Os exemplos das equações também servirão para esclarecer como fazer Por exemplo, Jackson, Pollock e Wars (1980) desenvolveram equações cálculos até obter valor desejado. generalizadas que podem ser aplicadas em homens (entre 18 e 60 anos) e A grande novidade deste livro se refere às equações que podem ser mulheres (entre 18 a 55 anos) e com gordura corporal até 45%. coeficiente aplicadas em populações clínicas, fato pouco explorado em publicações de correlação é de 0,90 (homens) e 0,84 (mulheres), segundo Petroski e Pires nacionais até então.100 101 3.2.3.9.1 Equações para populações saudáveis continuação Manual de avaliação física Método Equipamento População Equação Referência MLG (kg) 0,42 Z) Watanabe Bioim- Feminina, de 9 Fazem parte dessa população crianças, adultos, idosos e atletas de ambos Analyzer NR + 0,60 (PCkg) 0,75 et al. pedância a 15 anos (Cbraço) + 7,72 (1993) gêneros que não possuem doença. %GC = percentual de gordura corporal; TR = dobra do tríceps; PM dobra da panturrilha Avaliação da composição corporal medial; TBW = água corporal total em litros; E = estatura (cm); R = resistência Z impedância Cbraço = circunferência do braço (cm); MLG = massa livre de gordura (kg). Crianças Para fazer as conversões necessárias na Tabela 3.4 conferir Tabelas 6.5 e 3.6. Tabela 3.4 Equações recomendadas para crianças Método Equipamento População Equação Referência Tabela 3.5 = Intercepto de substituição baseados na maturação e etnia Masculina, Slaughter para garotos de 8 17 %GC 0,735 (TR + PM) + 1,0 et al. Idade Africanos/americanos Caucasianos Dobras Compasso anos (1988) cutâneas de dobras Pré-púberes -3,2 -1,7 (TR + PM) cutâneas Feminina, Slaughter Púberes -5,2 -3,4 de 8 17 %GC 0,610 (TR + PM) 5,1 al. anos (1988) Pós-púberes -6,8 -5,5 Masculina, Slaughter de 8 17 %GC = 0,783 (TR + SB) + 1,6 al. Compasso Tabela 3.6 = Para conversão da água corporal total em massa livre de gor- anos (1988) de dobras dura utilize as seguintes constantes cutâneas Feminina, Slaughter de 8 17 Idade Meninos Meninas %GC = 0,546 (TR + SB) + 9,7 al. Dobras anos (1988) Entre 5 e 6 anos MLG (kg) = TBW/0,77 MLG (kg) = TBW/0,78 cutâneas (TR SB) Masculina, Slaughter Entre 7 e 8 anos MLG (kg) = TBW/0,768 MLG (kg) = TBW/0,776 %GC 1,21 (TR + SB) de 17 et al. 0,008 (TR + + Entre 9 e 10 anos MLG (kg) TBW/0,762 MLG (kg) = TBW/0,77 Compasso anos (1988) de dobras cutâneas Feminina, Slaughter %GC 1,33 (TR + SB) de 17 et al. Tabela 3.7 Exemplo prático do cálculo do percentual de gordura corporal com 0,013 (TR + 2,5 anos (1988) uma equação de dobras Masculina Variáveis Menino Menina RJL 101 e feminina, TBW = 0,593 + Kushner et Idade (anos) 15 14 analyzer de 10 0,065 (PCkg) + 0,04 al. (1992) Dobra do tríceps (mm) 17 23 anos Dobra da panturrilha medial (mm) 12 19 Masculina Bioim- Houtkooper RJL 101 e feminina, MLG (kg) 0,61 R) + Fonte: Slaughter et al. (1988) pedância et al. analyzer de 10 19 0,25 (PCkg) + 1,31 (1992) anos Exemplo de cálculo para meninos: Selco Masculina, %GC = 0,735 (TR + PM) + 1,0 MLG (kg) = 0,56 + Kim et al. SIF-891 de 14 0,20 (PCkg) + 1,66 (1994) %GC 0,735 (17 + 1,0 analyzer anos %GC 0,735 (29) + 1,0 continua102 103 Manual de avaliação física %GC 21,315 + 1,0 Tabela 3.9 Exemplo prático do cálculo da massa livre de gordura, para ho- %GC = 22,315 ou 22,3 mens e mulheres idosas, utilizando uma equação de bioimpedância Variáveis Mulher Homem Exemplo de cálculo para meninas: Idade (anos) 73 90 Avaliação da composição corporal %GC = 0,610 (TR + PM) + 5,1 Estatura (cm) 161 170 %GC 0,610 (23 + 19) + 5,1 Resistência (Ω) em ohms obtida no 239 217 aparelho de bioimpedância %GC = 0,610 (42) + 5,1 Peso corporal (kg) 64 72 %GC 25,62 + 5,1 Gênero (masculino ou feminino) 0 1 %GC 30,72 ou 30,7 Fonte: Baumgartner et al. (1991). Idosos Exemplo de cálculo para mulheres idosas: MLG (kg) 0,28 R) + 0,27 . (PCkg) + 4,50 1,732 Tabela Equações recomendadas para idosos MLG (kg) 0,28 / 239) + 0,27 (64) + 4,50 1,732 Método Equipamento População Equação Referência MLG (kg) = 0,28 (25921 / 239) + 17,28 1,732 Masculina MLG (kg) 0,28 / + MLG (kg) = 30,367 + 17,28 1,732 RJL modelo e feminina, Baumgartner 0,27 (PCkg) + 4,50 (S) NR de 65 94 MLG (kg) 45,915 ou 45,9 et al. (1991) 1,732 Bioim- anos pedância Masculina Exemplo de cálculo para homens idosos: MLG (kg) 0,58 R) Xitron e feminina, Kyle et al. + 0,231 (PCkg) + 0,130 MLG (kg) 0,28 R) + 0,27 (PCkg) + 4,50 1,732 4000B de 22 94 (2001) (Xc) + 4,429 4,104 anos MLG (kg) 0,28 / 217) + 0,27 (72) + 4,50 1,732 DCb = 1,168297 MLG (kg) 0,28 (28900 / 217) + 19,44 + 4,50 1,732 (0,002824 CAbX) + Feminina, Tran e MLG (kg) 59,57 59,6 (0,0000122098 de 15 79 Weltman (0,000733128 Cq) anos (1989) Trena + (0,000510477 E) Adultos Antro- antropo- (0,000216161 I) pometria métrica %GC 47,371817 Masculina, + 0,57914807 (CAb) Tran Tabela 3.10 Equações recomendadas para adultos de 15 78 + 0,25189114 Weltman Método Equipamento População Equação Referência anos + 0,21366088 (Cil) (1988) Masculina DC = 1,109380 Compasso Jackson 0,35595404 (PCkg) não obesa 0,0008267 (PE + AB + CX) + de dobras e Pollock S= sexo; %GC = percentual de gordura corporal; 4-C, 2-C = modelos de quatro ou dois entre 18 e 0,0000016 (PE + AB + cutâneas (1978) componentes; E = estatura (cm); R = resistência (Ω); MLG = massa livre de gordura (kg); Dobras 61 anos = reatância (Ω); DC = densidade corporal; = para converter densidade em percentual de cutâneas Feminina DC 1,0994921 Jackson, gordura use a fórmula de conversão para mulheres entre 60 e 90 anos de idade %GC = Compasso DC) 4,57] 100; CAbX = circunferência abdominal média média de duas circunferências não obesa 0,0009929 (TR + SI + CX) + Pollock de dobras abdominais, uma medida anteriormente entre 0 processo xifoide do esterno e 0 umbigo ou entre 18 e 0,0000023 (TR + SI + e Ward cutâneas lateralmente entre a crista ilíaca e ponto mais baixo da costela e a outra medida na cicatriz 55 anos 0,0001392 (1980) umbilical; Cq = circunferência de quadril; I = idade (anos); Cil = circunferência ilíaca. continua104 105 continuação Manual de avaliação física Método Equipamento População Equação Referência Tabela 3.11 Exemplo prático do cálculo do percentual de gordura cor- MLG (kg) 0,00066360 Masculina poral, para um homem e uma mulher adultos, utilizando uma equação de - 0,02117 (R) + com GC Segal et al. Fonte: Jackson e Pollock (1978); Jackson, Pollock e Ward (1980) Bioim- (PCkg) 0,07002 X + (1988) RJL 101A 25% pedância 14,52435 Feminina MLG (kg) 0,00064602 (E²) Exemplo de cálculo para homens adultos: Segal et al. com GC Segal et al. (PCkg) 0,07012 + (1988) %GC [(4,95 DC) 4,50] 100 35% 9,37938 %GC / 1,059) 4,50] 100 MLG (kg) 39,652 + 1,0932 Masculina Wilmore %GC 17,42209632 ou 17,4 (PCkg) + 0,8370 (DBil) + entre 18 e e Behnke 0,3297 (AB1) 1,0008 40 anos (1969) (AB2) 0,6478 (CJ) Exemplo de cálculo para mulheres adultas: Antro- Trena antro- DC = 1,168297 pometria pométrica DC = 1,0994921 0,0009929 (TR + SI + CX) + 0,0000023 0,002824 (ABc) + Feminina Tran 0,0000122098 (TR + SI + - 0,0001392 entre 15 e Weltman 79 anos 0,000733128 (Cq) (1989) DC = 1,0994921 0,0009929 (18 + + 28) + 0,0000023 + 0,000510477 (E) (18 + 19 + 0,0001392 . (34) 0,000216161 DC = densidade corporal PE = dobra cutânea peitoral; AB = dobra cutânea da coxa; TR DC = 1,0399383 ou 1,040 = dobra cutânea do tríceps; SI = dobra cutânea suprailíaca anterior; CX dobra cutânea da coxa; = idade (anos); MLG = massa livre de gordura (kg); E = estatura (cm); R resistência PCkg = peso corporal (kg); GC= gordura corporal; = para converter a DC em %GC, utilize a seguinte Para converter a densidade em percentual, utilize a seguinte fórmula: homens: %GC = [(4,95 / DC) 4,50] 100, mulheres: %GC [(5,01 DC) 4,57] 100; DBil = diâmetro Abc = circunferência abdominal média [AB1 + AB2] / 2; = %GC [(5,01 / DC) 4,57] 100 circunferência abdominal medida anteriormente entre processo xifoide do esterno e umbigo ou %GC [(5,01 1,040) 4,57] 100 lateralmente entre a crista ilíaca e ponto mais baixo da costela; AB2 = circunferência abdominal medida na cicatriz umbilical; CJ circunferência do joelho (cm); Cq = circunferência do quadril (cm). %GC 24,73076923 ou 24,7106 107 Manual de avaliação física Atletas Tabela 3.13 Exemplo prático do cálculo do percentual de gordura corporal, para uma mulher atleta, utilizando uma equação de dobras cutâneas Tabela 3.12 Equações recomendadas para atletas Variáveis Mulher Etnia/ Método Idade (anos) Equipamento 22 Equação Referência Gênero Avaliação da composição corporal Peitoral (mm) 18 DC = 1,112 Axilar medial (mm) 20 0,00043499 (PE + AM + Compasso Jackson Mulheres > TR + SB + AB + SI + CX) + Tríceps (mm) 16 de dobras e Pollock 18 anos 0,00000055 (PE + AM + Subescapular (mm) 14 cutâneas (1978) TR + SB + AB + SI + Abdominal (mm) 23 0,00028826 Suprailíaca anterior (mm) 13 DC = 1,096095 Dobras Compasso Mulheres 0,0006952 (TR + AB + SI + Jackson et (mm) 20 cutâneas de dobras entre 11 e CX) + 0,0000011 (TR + AB al. (1980) Fonte: Jackson e Pollock (1978). cutâneas 19 anos + SI + - 0,0000714 Lohman DC = 1,0973 Compasso Homens (modificado 0,000815 (TR + SB + Exemplo de cálculo para mulheres atletas: de dobras entre 14 e por AB) + 0,00000084 (TR + cutâneas 19 anos Thorland et DC = 1,112 0,00043499 (PE + AM + TR + SB + AB SB + al. 1991) SI + CX) + 0,00000055 . (PE + AM + TR + SB + AB + SI + - Mulheres MLG (kg) = 0,282 (E) + Fornetti et 0,00028826 (I) RJL entre 18 e 0,415 (PCkg) - 0,037 (R) al. (1999) 27 anos + 0,096 (Xc) 9,734 DC = 1,112 - 0,00043499 (18 20 16 + 14 + 23 Corredoras 13 + 20) + 0,00000055 (18 20 + 16 + + 23 + 13 + de longa 0,00028826 (22) distância de %GC = 7,32 0,572 Hannan et BIO-Z DC = 1,112 0,00043499 . (124) + 0,00000055 (124)2 - Bioim- elite entre (PCkg) al. (1993) pedância 16 37 0,00634172 anos DC = 1,112 0,05393876 + 0,00000055 (15376) Ginastas 0,00634172 do gênero MLG (kg) 0,52 X (E²/R) + Van Loan et RJL 106 feminino DC = 1,112 0,05393876 + 0,0084568 0,00634172 0,23 (PCkg) + 7,49 al. (1990) entre 13 e DC = 1,06017632 ou 1,060 17 anos DC = densidade corporal PE = dobra cutânea do peitoral; AM = dobra cutânea axi- lar medial; TR = dobra cutânea do tríceps; SB = dobra cutânea subescapular; AB = dobra Para converter a densidade corporal de mulheres em percentual de gordu- cutânea abdominal; SI dobra cutânea suprailíaca anterior; CX = dobra cutânea da coxa; = ra, usamos as seguintes fórmulas: idade (anos); MLG = massa livre de (kg); E = estatura (cm); R = resistência (Ω); reatância (Ω); %GC = percentual de gordura corporal; PCkg = Peso Corporal (kg); = para %GC 4,57] 100 converter a DC em %GC, utilize a seguinte fórmula: homens %GC = [(4,95/DC) - 4,50] 100, %GC [(5,01/1,060) 4,57] 100 mulheres %GC = [(5,01/DC) - 100; = para converter a DC em %GC, utilize a seguinte fórmula: homens de 13 a 16 anos %GC [(5,07/DC) - 4,64] 100, de 17 a 19 anos %GC = %GC = [4,726 - 4,57] . 100 [(4,99/DC) - 4,55] 100, ≥ [(4,95/DC) - 4,50] 100. %GC = 15,6108 109 3.2.3.9.2 Equações para populações clínicas continuação Manual de avaliação física População Método Equipamento Gênero/Idade Equação Referência clínica Fazem parte dessa população indivíduos com doença arterial coronariana, Meninos DC = 1,1533 Durnin e entre 10 e 0,0643 (log TR + Rahaman falência cardíaca, transplantados de pulmão e coração, doença pulmonar obs- 18 anos BI + SI + SB) (1967) Avaliação da composição corporal trutiva e restritiva crônica, fibrose cística, obesidade, diabetes melito, tireóide, Meninas DC = 1,1369 Durnin e anorexia nervosa, HIV, AIDS, câncer, falência renal e diálise, cirrose e outras entre 10 e 0,0598 (log TR + Rahaman Compasso doenças do fígado, lesão medular e neuromusculares. Dobras Fibrose 18 anos BI SI + SB) (1967) de dobras cutâneas cística Meninos cutâneas %GC 1,21 Slaughter entre 10 e (TR + SB) 0,008 et al. Composição corporal e doenças cardiopulmonares 18 anos (TR + + If (1988) Meninas %GC 1,33 Slaughter entre 10 e Tabela 3.14 Equações recomendadas para populações com doenças car- (TR + SB) 0,013 et al. 18 anos (TR + 2,5 (1988) diopulmonares %GC percentual de gordura corporal; E = estatura (cm); R = resistência (Ω); Z = impedância (Ω); MLG População Método Equipamento Gênero/Idade Equação Referência massa livre de gordura (kg); St Sexo: 0 para mulher, 1 para homem; Xc = reatância (Ω); DC densi- clínica dade corporal TR dobra cutânea do BI = dobra cutânea do SB dobra cutânea %GC = -47,371817 subescapular; SI = dobra cutânea anterior; PCkg = peso corporal (kg); CAbX = circunferência abdominal média média de duas circunferências abdominais, uma medida anteriormente entre processo Masculino, (CAbX) + Tran e xifoide do esterno e umbigo ou lateralmente entre a crista ilíaca e ponto mais baixo da costela e a outra Antro- Trena antro- Doença medida na cicatriz umbilical; Cq = circunferência do quadril; Cil = circunferência analisador entre 46 e 0,25189114 (Cq) Weltman pometria pométrica cardíaca de bioimpedância equivalente aos analisadores Xitron 4000B, RJL 101, e RJL 109. 82 anos 0,21366088 (1988) (PCkg) Para fazer a conversão necessária na Tabela 3.14, conferir Tabela 3.15. Masculino MLG (kg) 0,58 Transplantes e feminino, / R) + 0,231 Xitron Tabela 3.15 Intercepto de substituição baseados na maturação e etnia para garotos Kyle et al. de pulmão e com média (PCkg) + 0,130 4000B (2001) Idade Caucasianos coração de idade de (Xc) + 4,429 (S) Pré-púberes -3,2 -1,7 49 anos 4,104 Púberes -5,2 -3,4 Masculino MLG (kg) 0,283 Doença Pós-púberes -6,8 -5,5 e feminino, (E) + 0,207 (PCkg) Kyle et al. BIO-Z° pulmonar entre 45 e 0,024 (R) + (1998) restritiva 86 anos Tabela 3.16 Exemplo prático do cálculo do percentual de gordura corporal para 4,036 (S)b 6,06 Masculino, um homem com doença cardíaca, utilizando uma equação antropométrica Bioim- adultos e MLG (kg) 0,283 Variáveis Homem pedância Fibrose adolescentes, (E) + 0,207 (PCkg) Kyle et al. BIO-Z° Idade (anos) 57 cística com média 0,024 (R) + (1998) de idade de 4,036 (S)b 6,06 Circunferência abdominal obtida na cicatriz umbilical (cm) 90,1 27 anos Circunferência abdominal obtida entre a crista ilíaca e 0 ponto mais 89,4 Feminino, baixo da costela (cm) adultos e MLG (kg) 0,88 Kotler Circunferência abdominal média (cm) 89,75 Fibrose adolescentes, BIO-Z° et al. cistítica com média 1,0/22,22) + 0,081 Circunferência do quadril (cm) 96,8 (1996) de idade de (PCkg) + 0,07 Circunferência ilíaca (cm) 84,3 34 anos Peso corporal (kg) 73,1 continua Fonte: Tran e Weltman (1988).

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