Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA ANALÍCA PROF.: FÁBIO GRANDIS LEPRI CROMATOGRAFIA EM FASE LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA (HPLC) PAULO VITOR DA SILVA BRAGA (622028038) Niterói - RJ 2025 1. INTRODUÇÃO A cromatografia constitui uma técnica analítica essencial para a separação do analito dos demais constituintes presentes em uma amostra, permitindo a eliminação de interferentes durante a medição do sinal analítico. No contexto da cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE ou HPLC - High Performance Liquid Chromatography), empregam-se duas fases distintas: a fase móvel e a fase estacionária [1]. A fase móvel consiste em um líquido que é impulsionado através da coluna cromatográfica por meio de pressão gerada por uma bomba. A amostra é introduzida via injetor equipado com microseringa, sendo encaminhada para a coluna onde ocorre a separação dos seus componentes em bandas distintas. Ao final da coluna, essas bandas são detectadas por um detector apropriado, e os sinais correspondentes são registrados por um sistema de registro, como demonstra a figura 1 [1]. Além da coluna principal, o equipamento dispõe de uma pré-coluna cuja função é proteger a coluna principal contra danos. A eficiência da separação é favorecida pelo aumento do comprimento da coluna, o que se traduz em maior número de pratos teóricos e, consequentemente, em melhor resolução do cromatograma. Os detectores empregados em CLAE podem basear-se em absorção de radiação ultravioleta ou visível, espectrometria de massas, fluorescência, entre outros [2]. Figura 1: Diagrama esquemático simplificado de um cromatógrafo a líquido. A capacidade de resolução de uma coluna cromatográfica operando em fase líquida é um fator fundamental para a eficiência e precisão da separação dos componentes de uma mistura complexa. Entre os principais parâmetros que determinam essa capacidade destacam-se a altura e o número de pratos teóricos. O número de pratos teóricos (N) é uma medida da eficiência da coluna, enquanto a altura do prato teórico (H) indica a separação em termos de comprimento da coluna por prato, sendo inversamente proporcional a N, segundo a relação , onde L é o 𝑁 = 𝐿 𝐻 comprimento da coluna. A equação de Van Deemter é amplamente utilizada para descrever a variação da altura do prato teórico em função da velocidade móvel (u), sendo dada por [2]: 𝐻 = 𝐴 + 𝐵 𝑢 + 𝐶 × 𝑢 Onde A representa a contribuição do fluxo de massa em regime turbulento (convecção e eddies), B está relacionado à difusão longitudinal dos solutos, e C refere-se à resistência à transferência de massa entre as fases móvel e estacionária. A otimização da velocidade móvel permite minimizar H e, consequentemente, maximizar o número de pratos teóricos, melhorando assim a eficiência da coluna. O poder de resolução (R) entre dois picos adjacentes, que indica a separação entre eles, pode ser calculado pela equação [2]: 𝑅 = 2×(𝑡 𝑅2 − 𝑡 𝑅1 ) 𝑤 1 + 𝑤 2 Onde tR1 e tR2 são os tempos de retenção dos dois picos, e w1 e w2 são as larguras dos picos na base. Valores de R ≥ 1,5 indicam uma separação completa dos picos, assegurando a boa resolução analítica. Quanto aos parâmetros qualitativos, eles envolvem o reconhecimento e identificação dos compostos presentes na amostra, em geral obtida pela comparação dos tempos de retenção e características espectrais dos analitos com padrões conhecidos. Já os parâmetros quantitativos referem-se à determinação da concentração dos componentes, frequentemente realizados por meio da construção de curvas analíticas utilizando áreas ou alturas dos picos, garantindo linearidade, precisão e exatidão do método. Assim, a interpretação correta dos resultados qualitativos e quantitativos é essencial para garantir a confiabilidade da análise cromatográfica em fase líquida [2]. A cromatografia pode ser classificada em fase normal ou fase reversa, diferenciando-se principalmente pela polaridade relativa entre as fases móvel e estacionária. Na cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) de fase reversa, a fase estacionária é apolar, enquanto a fase móvel apresenta polaridade moderada ou contém componentes polares. A fase estacionária mais comum consiste em sílica quimicamente modificada com grupos alquila C18, conferindo caráter hidrofóbico à coluna. Nessa modalidade, compostos menos polares apresentam maior retenção na fase estacionária, enquanto os mais polares eluem mais rapidamente. A cromatografia em fase reversa é a técnica predominante atualmente no campo analítico. Em contraste, a cromatografia de fase normal utiliza uma fase estacionária polar e uma fase móvel apolar, sendo mais adequada para a separação de compostos polares. A escolha entre fase normal e fase reversa depende das propriedades químicas dos analitos a serem separados, com a fase reversa apresentando maior versatilidade para compostos apolares e complexos. Esta distinção é fundamental para a aplicação correta da CLAE em diferentes contextos analíticos, maximizando a eficiência da separação e a qualidade dos resultados obtidos em pesquisas químicas [3]. Quanto aos métodos de eluição, a eluição isocrática é realizada com um único solvente ou mistura de solventes de composição constante, enquanto a eluição por gradiente envolve o uso de dois ou mais solventes com polaridades distintas, permitindo um controle mais eficiente da separação ao longo do tempo [3]. 2. OBJETIVO Obtenção de um cromatograma para a cafeína e determinação do número de pratos teóricos (N) para a cafeína sob cada condição de análise. Além disso, calcular a resolução entre o pico de KNO3 e à cafeína. 3. MATERIAIS E REAGENTES • Béqueres; • Tubos de falcon; • Padrão de KNO3 25 ppm ; • Padrão de cafeína 25 ppm; • Micropipetas automáticas; • Cromatógrafo a líquido Shimadzu modelo Prominence modo isocrático operando com coluna C18; • Água destilada previamente filtrada ; • Metanol previamente filtrada; 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Partindo-se de soluções padrões de 1000 ppm de cafeína e KNO3 preparou-se a solução em um tubo de falcon visando obter concentração final de 25 ppm de cada analito. Portanto, transferiu-se 250 µL da solução padrão de cafeína e 250 µL da solução padrão de KNO3 para um tubo de falcon de 10 mL, completando-se o volume com água destilada até atingir 10 mL e obtendo-se, assim, soluções a 25 ppm de cada composto. Para a análise cromatográfica, utilizou-se um cromatógrafo Shimadzu operando em modo isocrático, equipado com coluna C18. A fase móvel empregada foi metanol e água na proporção de 70:50 (v/v), com vazão ajustada a 0,700 mL min⁻¹. As amostras foram injetadas manualmente utilizando alça de amostragem, com volume de injeção de 20 µL. A detecção foi realizada por absorção molecular no UV, nos comprimentos de onda de 215,0 nm e 273,0 nm, sendo a área de pico utilizada para quantificação. Repetiu-se esse mesmo procedimento para uma fase móvel de metanol e água na proporção de 50:50 (v/v). 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os cromatogramas obtidos para as soluções padrão de cafeína evidenciaram picos bem definidos e reprodutíveis sob todas as condições cromatográficas avaliadas,em 25 ppm (figura 2) e 50 ppm (figura 3). Em cada análise, o analito apresentou tempo de retenção distinto, variando de acordo com a composição da fase móvel e o fluxo aplicado. A morfologia dos picos, caracterizada por simetria adequada e ausência de cauda expressiva, indicou que as condições operacionais foram apropriadas para a eluição da cafeína em coluna C18. Figura 2: Cromatograma contendo o pico da cafeína em 25 ppm. Figura 3: Cromatograma contendo o pico da cafeínaem 50 ppm. A Tabela 1 apresenta os parâmetros cromatográficos determinados para os padrões de KNO₃ e cafeína na concentração de 25 ppm, analisados sob diferentes condições de fase móvel e vazão. Foram registrados os tempos de retenção e as áreas da base dos picos para cada composto, permitindo avaliar a influência das condições de eluição na eficiência da separação. Esses dados constituem a base para o cálculo do número de pratos teóricos e da resolução entre os picos, além de servirem como referência para as análises quantitativas subsequentes. Condição de análise Fase móvel MeOH:H2O 50:50 Fase móvel MeOH:H2O 70:30 Vazão Condição A: 0,7 mL/min Condição B: 0,7 mL/min Condição C: 0,4 mL/min Tempo de retenção do KNO3 no padrão (25,0 ppm) / min 3,50 3,40 6,10 Tempo de retenção da cafeína no padrão (25,00 ppm) / min 7,60 6,30 11,40 Área da base do pico do KNO3 no padrão (25,00 ppm) / min 3,20 a 3,80 3,00 a 3,60 5,00 a 6,50 Área da base do pico da cafeína no padrão (25,00 ppm) / min 7,30 a 7,90 6,00 a 6,80 11,00 a 12,00 Tabela 1: Parâmetros cromatográficos obtidos para os padrões de KNO₃ e cafeína (25 ppm) sob diferentes condições de fase móvel e vazão. A eficiência da coluna foi investigada mediante determinação do número de pratos teóricos (N) para o pico correspondente à cafeína. O cálculo foi realizado utilizando a relação entre o tempo de retenção (tR) e a largura do pico na base (Wb), conforme descrito pela equação: 𝑁 = 16 × 𝑡 𝑟 𝑤 𝑏 ( )2 Para condição A: 𝑁 = 16 × 7,60 7,90−7,30( )2 = 2567, 11 Para condição B: 𝑁 = 16 × 6,30 6,80−6,00( )2 = 992, 25 Para condição C: 𝑁 = 16 × 11,40 12,00−11,00( )2 = 2079, 39 A condição A, com fase móvel MeOH:H2O 50:50 e vazão de 0,7 mL/min, apresentou o maior número de pratos teóricos (N = 2567,11), indicando maior eficiência cromatográfica entre as condições avaliadas. Esta condição proporcionou picos mais estreitos e um tempo de retenção adequado, favorecendo melhor resolução dos analitos. Já a condição C, com proporção maior de metanol (70%) e vazão reduzida (0,4 mL/min), apresentou número de pratos teóricos intermediário (N = 2079,39), demonstrando que a redução da vazão compensou parcialmente o efeito da maior concentração de metanol, que geralmente diminui a eficiência do método. Por sua vez, a condição B, com 70% de metanol e vazão de 0,7 mL/min, teve o menor número de pratos teóricos (N = 992,25), refletindo menor eficiência, provavelmente pela combinação entre maior teor de metanol e vazão elevada, que aumenta a dispersão e prejudica a separação [2]. Esses resultados corroboram a literatura, que aponta que a diminuição da vazão reduz a dispersão do analito na coluna e melhora a eficiência cromatográfica, enquanto o aumento do solvente orgânico tende a diminuir o tempo de retenção e pode comprometer a resolução devido à menor interação analito-fase estacionária. Assim, a otimização do método analítico depende do equilíbrio entre a composição da fase móvel e a vazão, para garantir alta eficiência e boa resolução na análise por HPLC [2]. A seletividade do método foi avaliada pela determinação da resolução (Rs) entre os picos de KNO₃ e cafeína, calculada pela seguinte expressão: 𝑅 = 2×(𝑡 𝑅2 − 𝑡 𝑅1 ) 𝑤 1 + 𝑤 2 Para condição A: 𝑅 = 2×(7,60− 3,50) 0,6+0,6 = 6, 83 Para condição B: 𝑅 = 2×(6,3− 3,40) 0,8+0,6 = 4, 14 Para condição C: 𝑅 = 2×(11,4− 6,10) 1+0,5 = 6, 09 A condição A exibiu a maior resolução (6,83), indicando uma separação superior dos picos analíticos, o que reflete o equilíbrio adequado entre a proporção da fase móvel e a vazão empregada. Essa elevada resolução assegura que os analitos são bem separados, minimizando a sobreposição dos picos e garantindo maior acurácia na quantificação [3]. Na condição C, com resolução de 6,09, observou-se uma eficiência separativa também satisfatória, iniciando da redução da vazão como fator compensatório para o aumento da proporção de metanol na fase móvel, que usualmente tende a diminuir o tempo de retenção e aumentar a dispersão dos picos. Já a condição B apresentou a menor resolução (4,14), indicando menor eficiência na separação dos picos, o que pode acarretar em sobreposição e dificultar análises quantitativas precisas. Esse desempenho inferior é atribuído à combinação da maior concentração de metanol com a vazão elevada, que reduz o tempo de retenção e aumenta a dispersão do pico [3]. Portanto, a otimização da condição cromatográfica, especialmente na escolha equilibrada entre a composição da fase móvel e a vazão, mostrou-se essencial para garantir altos níveis de resolução e qualidade analítica no método HPLC desenvolvido. 6. CONCLUSÃO A análise cromatográfica dos padrões de cafeína e KNO3 demonstrou que as condições de fase móvel e vazão exercem influência direta sobre a eficiência e seletividade do método HPLC. A condição A, com fase móvel MeOH:H2O 50:50 e vazão de 0,7 mL/min, apresentou o melhor desempenho, evidenciado pelo maior número de pratos teóricos e a maior resolução entre os picos. Isso indica picos mais estreitos, melhor separação dos analitos e maior qualidade analítica. 7. BIBLIOGRAFIA [1] KÜCHLER, Ivo; RODRIGUES, Silvana; MOREIRA, Soly. Apostila de Análise Instrumental I Experimental. Atualizada por FÁBIO GRANDIS LEPRI. Universidade Federal Fluminense, [S.l.], 2023. p. 32-35. [2] SKOOG, D. A.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Princípios de análise instrumental. Porto Alegre. 2008. 5ª Ed. Bookman. p. 641-67. [3] HARVEY, Daniel. High-Performance Liquid Chromatography. In: Analytical Chemistry 2.1. LibreTexts, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2025. https://chem.libretexts.org/Bookshelves/Analytical_Chemistry/Analytical_Chemistry_2.1_(Harvey)/12%3A_Chromatographic_and_Electrophoretic_Methods/12.05%3A_High-Performance_Liquid_Chromatography https://chem.libretexts.org/Bookshelves/Analytical_Chemistry/Analytical_Chemistry_2.1_(Harvey)/12%3A_Chromatographic_and_Electrophoretic_Methods/12.05%3A_High-Performance_Liquid_Chromatography https://chem.libretexts.org/Bookshelves/Analytical_Chemistry/Analytical_Chemistry_2.1_(Harvey)/12%3A_Chromatographic_and_Electrophoretic_Methods/12.05%3A_High-Performance_Liquid_Chromatography