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Roxanne Cabral – 2019.1 – M6 – Pediatria 2 
 
HIDRATAÇÃO VENOSA 
 
Metabolismo da água 
A água é o principal componente do corpo humano, 
constituindo de 60% a 80% do peso corporal. 
 
As necessidades hídricas estão aumentadas na criança, 
comparativamente ao adulto, em decorrência do maior 
metabolismo hídrico, da distribuição dos compartimentos 
aquosos e da imaturidade renal. 
 
O metabolismo da água é mais intenso na criança devido a: 
a) maior superfície corpórea 
b) perda diária obrigatória de água maior 
c) velocidade de trocas hídricas muito maio. 
 
A água extracelular diminui progressivamente desde o 
nascimento, de 44 até 19% nos adultos jovens 
 
 
 
A distribuição da água nos vários compartimentos 
corpóreos depende da permeabilidade da barreira entre os 
compartimentos e da quantidade de soluto em cada um 
deles. 
 
A pressão osmótica gerada pelo equilíbrio de Gibbs-Donnan 
favorece o movimento de água de fluido intersticial (baixa 
concentração proteica) para o plasma e espaço intracelular 
(ricos em proteína). 
 
A rotura celular é impedida pela ação da bomba Na-K-
ATPase. 
 
• Fluido extracelular: 
o Plasma = cátion predominante é o sódio 
 
• Fluido intersticial: 
o Ultrafiltrado do plasma e concentração desprezível 
de proteínas 
 
• Fluido intracelular 
 
• Balanço hídrico 
 
Distúrbios da Água 
Desidratação é a contração do volume extracelular 
secundária as perdas hidroeletrolíticas, cuja gravidade irá 
depender da magnitude do déficit em relação às reservas 
corpóreas e da relação entre o déficit de água e de 
eletrólitos, principalmente o sódio. 
Classificação da desidratação quanto ao déficit de água: 
Leve ou 1º grau = perda de até 5% do peso 
 
Moderada ou 2º grau = perdas de 5% a 10% do peso 
 
Grave ou 3º grau = perdas > 10% do peso 
 
Classificação quanto ao nível sérico de sódio resultante 
das perdas: 
Desidratação hipotônica ou hiponatrêmica: 
• Na sérico 150 mEq/l 
 
Tratamento 
Deve-se levar em consideração o grau de perdas de água 
(gravidade) e o nível de sódio (tipo de desidratação), não 
se esquecendo de que outros distúrbios eletrolíticos e 
metabólicos poderão estar presentes, merecendo atenção 
especial o equilíbrio ácido-base e os níveis de potássio. 
 
Classificação do Estado de Hidratação 
 
 
 
Desidratação leve a moderada 
Soro oral: 
• 50 – 100 ml/Kg em 4 horas 
 
A partir de 1975: solução única padrão (OMS/UNICEF): 
• Sódio 90, potássio 20, cloro 80, glicose 111 
• Osmolaridade: 311 mOm/l 
 
Nova SRO: 
• Sódio 75, potássio 20, cloro 65, glicose 75 
• Osmolaridade: 245 mOm/l 
Roxanne Cabral – 2019.1 – M6 – Pediatria 2 
 
 
 
 
Gastróclise: 
• Administração da TRO por SNG, com 
volume inicial de 20 – 30 ml/Kg/h 
 
Contraindicações: 
▪ Alteração do nível de consciência 
▪ Persistência dos vômitos após uso da SNG 
▪ Criança que não ganha ou perde peso após 2h de 
gastróclise; 
▪ Presença de íleo paralítico 
 
Desidratação grave 
É indicada a reposição via endovenosa para desidratação 
grave, vômitos persistentes (> 4 episódios/h), perdas 
intensas e continuadas. 
 
1ª Fase: Expansão 
Volume: 100ml/kg 
▪ 12m a 5ª: 30 ml/kg (30 min); 70 ml/kg (2h 30m). 
 
Repetir se pulso fino ou não detectável. Reavaliar a cada 1-
2h. 
Término: quando desaparecem os sinais clínicos de 
desidratação e quando a criança apresentar duas micções 
com urina clara (afastadas as causas de poliúria, 
hipopotasemia, hiponatremia e hiperglicemia com diurese 
osmótica). 
 
Frente a uma desidratação grave com choque, nós vamos 
optar por uma terapia de hidratação venosa de expansão. 
Para isso precisamos de uma solução muito concentrada 
para atrair osmoticamente água para dentro do vaso. Isso 
que vai tirar a pessoa do choque. 
 
A desidratação pode ser causada por: Diarreia, vômitos 
incoercíveis, insolação, baixa ingesta hídrica. 
Na cetoacidose diabética, no pós-operatório e nas 
arboviroses também será necessária hidratação. 
 
2ª fase: Manutenção 
Primeira Etapa no Cálculo 
Calcular volume de soro glicosado a ser utilizado. 
Volume: baseado na Regra de Holliday-Seggar 
 
Peso Soro Glicosado (SG) a 5% 
Até 10kg 100 ml/kg/dia 
De 10 a 20kg 
1000ml 
+ 
50ml/kg/dia (para cada Kg acima de 10) 
> 20kg 
1500ml 
+ 
20ml/kg/dia (para cada Kg acima de 20) 
Segunda Etapa no Cálculo 
Calcular a quantidade de eletólitos a ser adicionada no SG: 
 
Sódio (Na): 
NaCl 20%: 
1ml de uma solução de NaCl 20% tem: 3,4 mEq 
 
NaCl 0.9% (SF 0.9%): 
1ml de uma solução de NaCl 0,9% tem = 0,15 mEq 
 
* Lembrete: Na → 3 mEq para cada 100ml 
 
Potássio (K): 
KCl 10%: 
1ml de uma solução de KCl 10% tem: 1,3 mEq 
 
* Lembrete: K → 2 mEq para cada 100ml 
 
EXEMPLO: 
 
Criança de 2 anos com história de diarreia sem sangue e 
profusa. Está em desidratação grave (chocada). Além disso, 
ela está com gengivoestomatite herpética, não 
conseguindo comer ou beber. 
• Peso = 12 kg 
 
Fase de Expansão 
No momento da anamnese, foi decidida a realização de 
uma HV de expansão. A solução de escolha deve ser 
hiperosmolar, com isso, a melhor opção é o SORO 
FISIOLÓGICO. 
 
Entendendo osmolaridade: 
É a quantidade de soluto dentro do solvente. A 
osmolaridade é dada por íons positivos. 
O soro fisiológico tem 308mOm e é o sódio quem dá 
osmolaridade a ele. O Cloro não interessa para o cálculo da 
osmolaridade pois ele é negativo. 
 
Cálculo da osmolaridade: 
Em 1000ml de solução temos que calcular quantos mEq de 
íons positivos há. O resultado deve ser multiplicado por 
dois. 
• 1000ml → Y mEq de íons positivos 
• Osmolaridade = Y x 2 
 
1ml de solução de NaCl 0,9% (SF) tem 0,154mEq 
1000ml de solução de NaCl 0,9% (SF) tem 154mEq 
 
Roxanne Cabral – 2019.1 – M6 – Pediatria 2 
 
Para calcular a osmolaridade, devemos multiplicar esse 
valor por 2: 
➔ 154 x 2 = 308mEq (soro fisiológico) 
 
 
Para Rafael, o volume para expansão é: 
▪ > 12m a 5a: 30 ml/kg (30 min); 70 ml/kg (2h 30m). 
 
Volume de SF 0,9% = 360ml em meia hora, seguido de 840 
ml em 2 horas e meia. Essa fase termina quando ocorre o 
desaparecimento dos sinais de desidratação. 
 
 
Se adicionarmos potássio no SF, aumentamos a 
osmolaridade da solução, pois o potássio é um íon positivo. 
 
Quando fizermos uma solução em torno de 300mOm 
estaremos realizando EXPANSÃO no paciente. 
 
Existem outras soluções com osmolaridade semelhante ao 
soro fisiológico, como o ringer lactato. 
 
Fase de Manutenção 
Após a hidratação venosa da criança do caso, temos que 
monitora-la para analisar se ela saiu do estado do choque. 
Caso tenha se recuperado, temos que continuar a 
hidratação venosa, mas em fase de manutenção. 
 
A fase de manutenção usa soro glicosado, NaCl (20%) e KCl 
(10%). Uma solução deve ser preparada com 100mOm. 
 
Usamos uma quantidade de NaCl (20%) e de KCl (10%) e 
adicionaremos a uma determinada quantidade de soro 
glicosado. 
 
Cálculo do volume de SG: 
É a primeira etapa do cálculo e com ela sabemos a 
quantidade de líquido que será infundido na criança. 
 
A criança do caso tem 12kg, de acordo com a tabela abaixo, 
precisaremos seguir a regra de calculo para peso de 10 a 20 
kg: 
Peso Soro Glicosado (SG) a 5% 
Até 10kg 100 ml/kg/dia 
De 10 a 20kg 
1000ml 
+ 
50ml/kg/dia (para cada Kg acima de 10) 
> 20kg 
1500ml 
+ 
20ml/kg/dia (para cada Kg acima de 20) 
 
➔ 1000ml + (50 x 2) / dia = 1100ml/dia 
 
 
 
 
 
 
 
Cálculo da quantidade de NaCl e KCl a ser adicionada no 
SG para 100mOm. 
Na fase da manutenção, o paciente recebe solução com 
100mOm. 
 
Para criar uma solução de 100mOm utilizando Na, K e SG, 
SEMPRE utilizaremos: 
➔ 3mEq de Na a cada 100mL 
➔ 2mEQ de K a cada 100mL 
 
Isso quer dizer quepara cada 100ml desse volume de SG, 
colocaremos sempre 3 mEq de Sódio e 2 mEq de Potássio. 
Isso significa que colocaremos 5mEq de íons positivos em 
100ml. Para saber a osmolaridade dessa solução: 
5mEq ----- 100ml 
xmEq ----- 1000ml 
x = 50mEq de íons positivos 
Osmolaridade da solução = 50mEq x 2 = 100mOm 
 
Logo, em 1000ml teremos 50mEq de íons positivos. 
Não calculamos a osmolaridade por kg, fazemos por mL de 
solução, sempre. 
 
No caso apresentado: 
Peso: 12kg → 1100ml 
3mEq de Sódio – 100ml 
xmEq de Sódio – 1100ml 
x= 33mEq de Sódio 
 
2mEq de Potássio – 100ml 
xmEq de Potássio – 1100ml 
x= 22mEq de Potássio 
 
Soma de mEq: 33 + 22 = 55mEq de íon positivos 
 
Osmolaridade: 
55mEq --- 1100ml 
X mEq --- 1000ml 
X = 50 mEq 
 
Osmolaridade: 50meQ x 2 = 100mOm 
 
 
 
 
 
 
Roxanne Cabral – 2019.1 – M6 – Pediatria 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outro exemplo cálculo de osmolaridade: 
Peso: 22kg → 1700ml 
3mEq de Sódio – 100ml 
xmEq de Sódio – 1700ml 
x= 51mEq de Sódio 
 
2mEq de Potássio – 100ml 
xmEq de Potássio – 1700ml 
x= 34mEq de Potássio 
 
Soma de mEq: 51 + 34 = 85mEq de íon positivos 
 
Osmolaridade: 
85mEq --- 1700ml 
X mEq --- 1000ml 
X = 50 mEq 
 
Osmolaridade: 50meQ x 2 = 100mOm 
 
Com esses dois cálculos acima concluímos que se 
utilizarmos 3mEq de sódio e 2mEq de potássio com o 
volume calculado previamente de SG, encontraremos no 
cálculo sempre uma solução de 100mOm. 
 
A hidratação venosa deve ser calculada para 6h. Fazemos 
com esse tempo, porque nenhuma criança em hidratação 
está bem, logo, colocando de 6/6h haverá um controle 
maior da evolução da criança. 
 
No caso foi calculado: 
➔ 1100ml para 24h 
➔ 275ml para 6h 
 
Cálculo de sódio: 
3mEq ---- 100ml 
XmEq ---- 275mL 
X = 8,25mEq de sódio 
 
Convertendo para mL da solução de NaCl 20%: 
1ml NaCl 20% ---- 3,4mEq 
xml NaCl 20% ---- 8,25mEq 
x = 2,4mL em 6h 
 
Cálculo de potássio: 
2mEq ---- 100ml 
XmEq ---- 275mL 
X = 5,5mEq de potássio 
 
Convertendo para mL da solução de KCl 10%: 
1ml KCl 10% ---- 1,3mEq 
xml KCl 10% ---- 5,5mEq 
x = 4,2mL 
 
Folha de Prescrição para HV fase de Manutenção: 
Data: 30/01/2019 
▪ Nome: Rafael 
▪ Idade: 2 anos 
▪ Peso: 12 kg 
 
1. Dieta Zero 
(criança com gengivoestomatite herpética) 
 
2. Hidratação Venosa para 6h 
➔ Soro glicosado: 275mL 
➔ NaCl 20%: 2,4mL 
➔ KCL 10%: 4,2mL 
 
Dicas para infusão (ATENÇÃO!) 
▪ 1ml = 20 gotas = 60 microgotas / 1 gota = 3 microgotas 
 
▪ Em bomba de infusão contínua (BIC): volume dividido 
pelo nº de horas (prescrever ml/hora). 
 
▪ Em microgotas: volume dividido pelo nº de horas 
(prescrever mcgts/minuto). 
 
▪ Em gotas: volume dividido pelo nº de horas X 3 
(prescrever gts/minuto). 
 
Num hospital com suporte, será utilizada uma bomba de 
infusão contínua (BIC), que passará o volume em 6h. 
Se o hospital não possuir BIC, precisaremos fazer o cálculo 
por gotas ou microgotas.

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