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Prévia do material em texto

Autora: Profa. Daniela Emilena Santiago
Colaboradores: Profa. Amarilis Tudella
 Prof. Mauro Kiehn
Serviço Social 
e Processo de Trabalho
Professora conteudista: Daniela Emilena Santiago
É assistente social graduada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Violência Doméstica 
contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Psicologia pela Universidade Estadual 
Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus Assis/SP. Mestre em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio 
de Mesquita Filho (Unesp), campus Assis/SP e doutoranda em História pela mesma instituição. Atualmente, é funcionária 
pública do município de Quatá/SP, atuando como assistente social na Secretaria Municipal de Promoção Social.
É docente dos cursos de Psicologia e Pedagogia da UNIP, campus Assis-SP, e coordenadora dos cursos 
de pós-graduação em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes e Gestão de Políticas Sociais e 
Trabalho com Famílias, também no campus Assis-SP.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S235s Santiago, Daniela Emilena.
Serviço Social e Processo de Trabalho / Daniela Emilena 
Santiago. – São Paulo: Editora Sol, 2021.
116 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Assistente social. 2. Planejamento. 3. Política social. I. Título.
CDU 331
U511.42 – 21
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Irana Magalhães
 Vitor Andrade
Sumário
Serviço Social e Processo de Trabalho
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 O ASSISTENTE SOCIAL COMO TRABALHADOR COLETIVO E SUA INSERÇÃO 
EM PROCESSOS DE TRABALHO ..................................................................................................................... 11
1.1 Breve histórico da institucionalização do Serviço Social no Brasil.................................. 11
1.2 O assistente social como trabalhador coletivo e sua inscrição em processos 
de trabalho ..................................................................................................................................................... 17
1.2.1 O assistente social como trabalhador coletivo ........................................................................... 17
1.2.2 O assistente social inscrito em processos de trabalho ............................................................ 22
2 OS PROJETOS SOCIETÁRIOS, OS PROJETOS PROFISSIONAIS E O PROJETO 
ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL ......................................................................................................... 30
3 A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL E SUA RELAÇÃO COM O PLANEJAMENTO ........................... 36
3.1 Planejamento estratégico e planejamento participativo ..................................................... 44
3.2 Os dispositivos básicos do planejamento: planos, programas e projetos ...................... 47
4 A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS COMO GESTORES DE POLÍTICAS SOCIAIS ............. 55
Unidade II
5 A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS NOS CONSELHOS GESTORES DE 
POLÍTICAS SOCIAIS ............................................................................................................................................. 66
6 A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL NA GESTÃO DE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE 
CIVIL – TERCEIRO SETOR .................................................................................................................................. 73
7 O ASSISTENTE SOCIAL E A ATUAÇÃO COM ASSESSORIA, CONSULTORIA 
E NA DOCÊNCIA ................................................................................................................................................... 80
8 O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL COMO SUPERVISOR E NOS 
CONSELHOS PROFISSIONAIS COMO AGENTE FISCAL ........................................................................... 91
7
APRESENTAÇÃO
Para que possamos dar início a esta disciplina, convidamos você para ler a notícia a seguir:
Em tempos de pandemia, dia do assistente social conta com agenda de valorização
Conselho Regional de Serviço Social promove uma série de debates e publicações 
para a categoria durante pandemia
Nesta sexta-feira, é comemorado o dia do assistente social e, em meio à pandemia do 
coronavírus, os Conselhos Regionais e Federais de Serviço Social (Cress e CFESS) prepararam 
uma programação especial para celebrar a data. Com o tema ‘trabalhamos em vários espaços, 
sempre com a população. Serviço Social: conheça e valorize essa profissão’, os conselhos 
têm levantado o debate de valorização e reconhecimento do profissional do Serviço Social 
por meio de ações nas redes sociais.
Em Alagoas, as ações organizadas pelo Conselho Regional de Serviço Social 
(Cress-Alagoas) trazem uma série de debates e publicações de materiais para a categoria em 
tempos de pandemia, refletindo o papel e a importância do Serviço Social no atual contexto 
que vive o país.
No manifesto publicado pelo Cress-Alagoas em valorização ao trabalho dos assistentes 
sociais, o Conselho destaca que “em tempos de calamidade pública, o Serviço social tem 
papel de destaque na linha de frente das ações que possam diminuir o impacto da pandemia 
na vida da população, em especial das que estão em situação de vulnerabilidade social”, 
afirma trecho do material.
É nesse contexto que se posiciona a comemoração do 15 de maio em 2020. De acordo 
com Marciângela Gonçalves, conselheira presidenta do Cress-Alagoas, as consequências 
do cenário de pandemia são refletidas diretamente nas condições de vida da população 
mais pobre, população com a qual os profissionais assistentes sociais desenvolvem seu 
trabalho cotidiano.
“Nossa categoria atua em espaços estratégicos nesse momento. Os equipamentos 
sociais, a exemplo dos Centros de Referência de Assistência Social, os Cras, devem contribuir 
significativamente para favorecer o acesso aos serviços socioassistenciais e prestar 
informação qualificada à população nesse contexto”, comentou Marciângela.
Ainda de acordo com a presidenta do Conselho, a atuação do profissional do Serviço 
Social possibilita a efetividade de ações essenciais para a manutenção da vida da população 
mais pobre. “As diversas estratégias interventivas que reduzem os impactos da política 
econômica e crise sanitária que estamos vivendo contribuem diretamente para que a 
população tenha acesso aos serviços de saúde, assistência e previdência social, fundamentais 
para a sobrevivência de inúmeros sujeitos em seus territórios”, explicou.
8
“Sempre estivemos na luta e construção de uma sociedade mais justa e igualitária 
e não podemos,nesse momento, recuar das nossas defesas e das nossas funções”, 
concluiu Gonçalves.
Ações em Alagoas
A agenda pela passagem do dia do assistente social em Alagoas é marcada por uma 
série de atividades promovidas pelo Cress junto à categoria. As ações que acontecem desde 
o início do mês contemplam uma diversidade de debates transmitidos on-line, publicação 
de materiais orientativos aos profissionais, além do acompanhamento e fiscalização das 
condições de trabalho dos assistentes sociais nesse período.
As atividades que dialogam sobre o exercício profissional deles com o atual momento de 
crise sanitária que vive o país devem ocorrer durante todo o mês, mobilizando, mesmo que 
por ações on-line, orientando e aprofundando as reflexões com os profissionais no estado. 
Fonte: Lima (2020).
A notícia reproduzida mostra como o trabalho dos assistentes sociais mostrou-se ainda 
mais relevante no contexto da epidemia de Covid-19 que afetou o mundo em 2020. Vemos 
que a entrevistada, Marciângela Gonçalves, conselheira presidenta do Cress-AL, destaca a 
importância da ação profissional frente às intercorrências vivenciadas pela população mais 
vulnerável, tendo em vista as mudanças no cotidiano desse público causadas pela pandemia. 
Na narrativa, Marciângela dá ênfase à ação do assistente social no Cras, destacando a 
potencialidade de sua prática no direcionamento dos serviços socioassistenciais.
Escolhemos esse texto, dentre muitos possíveis, pois nele vemos que a necessidade por nossa 
profissão ganhou notoriedade no contexto do ano de 2020, por conta das demandas decorrentes 
da pandemia. Isso nos faz pensar na transitoriedade que perpassa toda a realidade e que nos 
permite compreender que essa realidade está em constante construto, constante devir. À medida 
que a realidade muda, fortemente influenciada por fatores econômicos, políticos, sociais e, até 
mesmo, epidemiológicos, nossa profissão também muda e é afetada. Isso traz a necessidade de 
romper com abordagens antigas e se apropriar das novas possibilidades que são apresentadas 
à categoria.
Essa realidade de mutação é algo inerente às profissões e esteve presente em toda a história 
de desenvolvimento do serviço social brasileiro. Novas demandas vêm sendo apresentadas à 
nossa categoria cotidianamente e outras vêm se reatualizando, assumindo nossas configurações 
e formatos. É exatamente isso que propomos por meio desta disciplina: uma reflexão sobre a 
prática do assistente social, partindo de demandas já presentes em nosso exercício profissional 
por meio do desempenho de ações relacionadas ao planejamento das atividades, mas também 
discutindo sobre novas possibilidades do fazer profissional, refletindo sobre a ação profissional 
na gestão de políticas sociais, na intervenção dos Conselhos de Direitos, em práticas com 
assessoria e consultoria, com a docência, nos conselhos regionais e outras possibilidades afins. 
9
Portanto, vamos conhecer e refletir sobre outros espaços de exercício profissional, algo que é 
extremamente válido e necessário para a sua formação.
Esse conhecimento nos levará a contemplar o objetivo da disciplina, que é “compreender o 
serviço social como uma especialização do trabalho social e a condição assalariada do trabalho do 
assistente social” e, nesse sentido, apreender as mais variadas dimensões teórico-metodológicas 
que são apresentadas a nós e ao nosso exercício profissional nos espaços diversificados de 
ação que têm sido constituídos.
INTRODUÇÃO
A ação do profissional será o objeto de discussão desta disciplina e, para que possamos 
entender o papel do assistente social, é essencial retomar a constituição do serviço social como 
profissão no Brasil. Dito isso, daremos início aos nossos estudos por meio da discussão sobre a 
consolidação da profissão no Brasil e sua inserção em processos de trabalho. Esses conceitos, 
dispostos na unidade I, servirão de mote inicial para a discussão subsequente, relacionada aos 
projetos de classe, os projetos profissionais e os projetos de trabalho do serviço social.
Na sequência, ainda na unidade I, apresentaremos conceitos vinculados à ação concreta, 
por meio de questões relacionadas ao planejamento. Pensar a dimensão do planejamento 
requer reflexão sobre os dispositivos privilegiados que são os planos, programas e os projetos 
de intervenção. Por meio dessas aproximações, também consideraremos a ação cotidiana do 
assistente social como gestor de políticas sociais. Essa introdução é o substrato necessário para 
que possamos pensar sobre as ações cotidianas do assistente social e seguir para a unidade II, na 
qual apresentaremos outros exemplos de intervenção profissional.
Na unidade II, abordaremos outros espaços e práticas possíveis aos assistentes sociais, como 
a intervenção em Conselhos de Direitos, os quais, como sabemos, são responsáveis pela gestão 
de políticas sociais. Também discorreremos sobre a prática profissional por meio da assessoria e 
consultoria e, ainda, sobre a docência. A atuação profissional na docência abre um leque amplo, 
que nos permitirá abordar, também, o exercício do assistente social como supervisor de estágio. 
Para concluir a unidade II, apresentaremos a ação do assistente social nos Conselhos Regionais.
Dessa maneira, convidamos você a repensar a inserção profissional do assistente social e, 
ainda, conhecer e refletir sobre a nossa intervenção nos mais variados espaços laborais.
11
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Unidade I
1 O ASSISTENTE SOCIAL COMO TRABALHADOR COLETIVO E SUA INSERÇÃO 
EM PROCESSOS DE TRABALHO
Para começar, buscamos apresentar uma discussão que estimule a reflexão sobre a consolidação 
da nossa área como profissão no Brasil. Para isso, organizamos o texto por meio de dois subitens. 
No primeiro deles, apresentaremos uma caracterização histórica sobre as mutações pelas quais 
passou a nossa profissão. No item seguinte, abordaremos o conceito de processo de trabalho e 
sua aplicação ao Serviço Social, discutindo também aspectos relacionados ao entendimento do 
assistente social como trabalhador coletivo.
1.1 Breve histórico da institucionalização do Serviço Social no Brasil
No Brasil, a consolidação de nossa profissão está ligada à sua aceitação social como categoria 
de trabalho. É o momento em que nossa área deixa de ser uma ação de caridade e passa a 
ser uma intervenção profissional. Isso só acontece à medida que essa profissão passa a ser 
necessária. Vamos recuperar um pouco desse contexto para entender melhor quais foram as 
bases que tivemos para a institucionalização do Serviço Social.
Bem, essa história é como aquelas histórias de família, compostas por informações que 
sempre conhecemos e escutamos nos encontros familiares. Essa é a nossa história, que define a 
nossa profissão, e ela começa, no Brasil, em meados dos anos 20 do século XX.
Marilda Iamamoto (1982) coloca que nos anos 1920, sobretudo na segunda metade, 
tínhamos condições sociais, econômicas e políticas que favoreciam a organização da caridade, 
sobretudo por meio da intervenção voltada à caridade por parte da Igreja Católica. A Igreja 
buscava recuperar poder e fiéis, algo que vinha perdendo no Brasil. Suas ações aconteceram 
por várias frentes, sendo uma delas a organização da caridade. A caridade consistia em oferecer 
auxílio às demandas emergenciais apresentadas pelos segmentos mais vulneráveis da sociedade. 
Essa “ajuda” era custeada com recursos arrecadados pela Igreja.
Quem fazia essa caridade eram os leigos, ou seja, pessoas que frequentavam a Igreja 
Católica. Via de regra, essas pessoas eram mulheres, pertencentes às famílias de maior poder 
aquisitivo da sociedade, e, preferencialmente, que não fossem casadas. A Igreja, visando preparar 
as mulheres para essa ação, passou a oferecer, no mesmo período, formação para as moças. 
A formação era viabilizada por meio de cursos oferecidos pelo Centro de Estudos e Ação Social 
(Ceas), organização que foi criada com tal finalidade em São Paulo, em 1932.As pessoas que 
desenvolviam essa ação foram nomeadas agentes sociais.
12
Unidade I
 Observação
A institucionalização do Serviço Social no Brasil como profissão está 
associada à criação das primeiras escolas de formação, as quais foram 
necessárias para qualificar a intervenção das profissionais e prepará-las 
para a administração das expressões da questão social.
Iamamoto (1982) afirma ainda que, nos anos 1930, a ação leiga em prol do atendimento das 
necessidades dos segmentos mais vulneráveis foi mantida, sobretudo, por meio do estímulo 
das formações oferecidas através do Ceas. No entanto, mesmo os cursos oferecidos pelo Ceas 
não se mostraram capazes de minimizar as demandas apresentadas pela sociedade. A autora 
ressalta que no período em questão, no Brasil, tivemos uma ampliação da classe trabalhadora, 
associada a uma crescente organização dos trabalhadores e à correspondente exigência dos 
direitos de tais segmentos. Os agentes sociais passaram então a ser requisitados para também 
atuar junto à classe trabalhadora. Junto aos trabalhadores, a ação profissional esteve orientada 
para o controle dos perfis, influindo junto às famílias, buscando a consolidação de um padrão 
idealizado de ser, além do controle sobre os corpos e condutas.
Assim, percebemos que as requisições que delineavam as ações dos agentes sociais mudaram, 
já que eram requisitados tanto para a administração das mazelas geradas pelo capitalismo 
quanto para o controle das famílias. As novas requisições despertaram o interesse da Igreja e da 
burguesia para essas agentes e, sob influência do Estado, foram criados os primeiros cursos de 
Serviço Social no Brasil, em meados dos anos 1930. Em São Paulo, a primeira escola foi criada 
sob influência de Albertina Ferreira Ramos e Maria Kiehl, no ano de 1936. Essa escola substituiu 
o Ceas e buscou oferecer formação às moças, uma espécie de técnica para que pudessem lidar 
com as novas demandas apresentadas frente às mudanças políticas, sociais e econômicas que se 
manifestavam no país.
A autora afirma que a formação, nesse período, foi estruturada em torno da influência dos 
dogmas católicos. Associado a esses conceitos, difundidos pela Igreja Católica e reproduzidos nos 
espaços da sala de aula, também observamos uma grande influência norte-americana, por meio 
de técnicas que buscavam ensinar os assistentes sociais sobre como intervir em seu público-alvo. 
Tivemos no Brasil grande influência da perspectiva do método de casos individuais, proposto por 
Mary Richmond, além do positivismo e do funcionalismo. Em linhas gerais, as abordagens se 
complementam e têm como objetivo preparar o técnico para intervir nos segmentos específicos. 
Tempos depois, tivemos também os métodos de grupo e comunidade. Fato é que novas abordagens 
metodológicas foram surgindo à medida que as demandas profissionais foram sendo alteradas 
(IAMAMOTO, 1982).
José Paulo Netto (2001) e Marilda Iamamoto (2001) nos colocam que o surgimento das 
primeiras escolas está ligado às necessidades geradas pelo sistema capitalista. Para eles, a adesão 
de novas técnicas e a busca por qualificar melhor a ação estão ligadas aos novos dispositivos 
13
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
que são apresentados aos assistentes sociais para que eles possam exercer bem o seu papel e 
assim atender às novas necessidades que são geradas pelo capitalismo. Assim, para esses autores, 
a institucionalização do Serviço Social como profissão no Brasil só aconteceu em virtude da sua 
necessidade social. Netto (2001) ainda destaca que foi a necessidade capitalista que demandou 
a consolidação do Serviço Social como profissão. Para ele, não tivemos uma evolução natural 
da ajuda, que resultou no Serviço Social com bases profissionais, mas sim a necessidade do 
sistema capitalista.
Em relação ao contexto político, sabemos que nos anos 1930 ocorreu a ascensão do governo 
militar por meio do Governo Provisório de Getúlio Vargas, que intensificou a industrialização 
nacional, instituiu direitos trabalhistas e conferiu novas bases para a relação entre trabalhador, 
empresa e Estado. Ofereceu ainda elementos básicos necessários para a ampliação do 
desenvolvimento capitalista, como a oferta de serviços de infraestrutura mínimos para o 
escoamento da produção, por meio da melhoria das estradas e afins. Constituiu, ainda no 
primeiro mandato, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com o objetivo de 
preparar a mão de obra para o trabalho. Ou seja, ofereceu um rol amplo de serviços visando a 
garantia do amplo desenvolvimento capitalista no Brasil.
 Saiba mais
Os filmes a seguir apresentam aspectos relacionados ao contexto dos 
anos 1930. O filme Adágio ao Sol é a narrativa de um triângulo amoroso 
vivenciado em uma fazenda de café que está em declínio e no qual temos 
a questão política e econômica como pano de fundo.
ADÁGIO ao Sol. Brasil. Direção: Xavier de Oliveira. Brasil: California 
Filmes, 1996. 100 min.
Outro clássico que apresenta o período é o filme Memórias do 
Cárcere, que retrata a prisão do escritor Graciliano Ramos sob acusação 
de envolvimento com a chamada Intentona Comunista. O filme recebeu 
premiações no festival de Cannes de 1984.
MEMÓRIAS do Cárcere. Direção: Nelson Pereira dos Santos. Brasil: 
Embrafilme, 1984. 115 min.
Contudo, a consolidação do sistema capitalista poderia ser um fator influente para o 
Serviço Social? Poderia ser um dos fatores que influenciou a institucionalização dessa profissão 
no Brasil? Se você respondeu afirmativamente a essas duas perguntas, você está de acordo 
como o pensamento de Netto (2001) e Iamamoto (2001), uma vez que ambos compreendem a 
institucionalização do Serviço Social como profissão no Brasil em decorrência de tais fenômenos. 
Porém, o que fez com que essa profissão fosse mantida, ou seja, porque não tivemos a extinção 
do Serviço Social anos depois? Possivelmente, porque o Serviço Social mostrou-se como uma 
profissão socialmente necessária.
14
Unidade I
Porém, a partir da institucionalização da profissão, outros eventos são importantes e 
necessários, já que demonstram o caminhar do Serviço Social na constituição de sua maturidade 
profissional. Dentre eles, temos a criação da Associação Brasileira de Ensino de Pesquisa em 
Serviço Social, a ABEPSS. Inicialmente, a instituição foi denominada Abess, Associação de Ensino 
em Serviço Social, no ano de 1946. No ano de 1996, a Abess teve sua nomenclatura alterada para 
ABEPSS, visando representar a Pesquisa, daí o acréscimo da letra P à sigla. O objetivo da ABEPSS 
foi o de orientar o processo de formação dos assistentes sociais. No início, a instituição surge 
também influenciada pelo positivismo e pelas doutrinas sociais da Igreja Católica, mas, com o 
tempo, a organização foi mudando junto com a maturidade da profissão (NETTO, 2001).
 Saiba mais
Visando conhecer mais sobre a ABEPSS, recomendamos que você 
assista ao documentário elaborado por essa organização em 2016, no 
qual temos uma narrativa interessante dessa história.
ABEPSS 70 anos. 2016. 1 vídeo (13:33). Publicado por ABEPSS. Disponível 
em: https://cutt.ly/KxQ8y4b. Acesso em: 3 out. 2020.
Segundo Maria Lúcia Barroco (2006), também foi nesse período que criaram no Brasil, 
mais especificamente no ano de 1947, o primeiro Código Profissional de Ética dos Assistentes 
Sociais, que ofereceu parâmetros morais para a ação profissional ainda com o aporte à religião, 
fortemente influenciado pelas normas da Igreja Católica.
 Observação
A Lei Federal n. 3.252, de 27 de agosto de 1957, foi a primeira legislação 
de regulamentação da profissão no Brasil.
No aspecto da regulamentação legal desse exercício, vemos que, na década de 1950, foi 
realizada a promulgação da Lei Federal n. 3.252, de 27 de agosto de 1957. Essa legislação indica 
que somente pessoas graduadas podem exercer o ofício e ainda destaca as atribuições do cargo, 
enfatizando que somente assistentes sociais poderiam assumir cargos na área. A legislação 
especificaainda que os agentes sociais poderiam exercer a função desde que estivessem, até 
dezembro de 1960, matriculados nos cursos de Serviço Social. Dessa forma, veta que o agente 
social atue como assistente social (BRASIL, 1950). Anos depois, em 1962, a lei em questão 
recebeu regulamentação por meio do Decreto n. 994/62. O decreto, por sua vez, apresenta mais 
detalhes se comparado à lei e define o assistente social como um profissional liberal, indica quem 
poderá exercer essa profissão, quais seriam as prerrogativas desse profissional e disciplina como 
órgãos de fiscalização do exercício o Conselho Federal de Assistentes Sociais e os Conselhos 
Regionais de Assistentes Sociais, apresentados respectivamente pelas siglas CFAS e Cras. Também 
15
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
destaca a questão da manutenção por meio das contribuições e enfatiza sobre a importância do 
Cress na emissão das carteiras profissionais (BRASIL, 1962).
A Lei Federal n. 3.252/57 e o Decreto n. 994/62 são importantes dispositivos legais que 
buscam regulamentar o exercício profissional dos assistentes sociais no Brasil. Entretanto, por 
que esses documentos são tão importantes? Ou melhor, qual a relevância de se regulamentar 
uma profissão? A regulamentação, expressa por meio de um arcabouço legal define legalmente 
os limites, as competências e as habilidades de uma determinada profissão. Regulamentar 
corresponde a conferir um estatuto legal a uma profissão. Mas regulamentar também faz menção 
à representação social de uma profissão em um determinado contexto. Isso trouxe ao Serviço 
Social um status frente à sociedade. Porém, esse não foi o único acontecimento que estabeleceu 
a maturidade da categoria. No ano de 1965 tivemos uma revisão do Código Profissional de Ética, 
elaborado em 1947, que resultou no Código Profissional de Ética de 1965. Nesse novo Código de 
Ética, tivemos a indicação da necessidade de intervenção do Serviço Social junto aos indivíduos 
com os quais atuava. É um documento simples, que enfatiza valores éticos e morais que são 
idealizados aos assistentes sociais (BARROCO, 2006).
Um dos fenômenos extremamente importantes no direcionamento do amadurecimento 
da categoria profissional foi o Movimento de Reconceituação. Esse movimento, presente na 
América Latina e no Brasil em meados dos anos 1970, se consolidou como uma fase em que o 
Serviço Social passou a rever suas bases tradicionais. As reflexões da categoria em torno dessa 
questão resultaram em três perspectivas diferentes, a saber: a modernizadora, com forte caráter 
positivista e que buscava apenas tornar a ação do assistente social um pouco mais técnica; a 
reatualização do conservadorismo, que defendia a manutenção do viés religioso junto ao 
Serviço Social e, por fim, a intenção de ruptura, que buscava romper com o tradicionalismo 
e também compreendia como necessária uma vinculação maior da profissão ao marxismo 
(IAMAMOTO, 1982).
Esse movimento foi importante pelo fato de mudar a perspectiva do Serviço Social sobre si e 
sobre a realidade, além de ter exercido forte influência na ABEPSS, que adotou um posicionamento 
mais crítico em relação à própria formação dos assistentes sociais. Também foi nesse período 
que tivemos a ampliação dos cursos de graduação e pós-graduação provenientes de instituições 
públicas e privadas, ou seja, cada vez menos os espaços de formação eram controlados e mantidos 
pela Igreja.
Barroco (2006) chama a nossa atenção para o fato de que, no ano de 1975, foi criado um 
novo Código Profissional de Ética, revisto e que substituiu o antigo documento, de 1965. Apesar 
de esse momento ter trazido muitas reflexões críticas aos assistentes sociais, observamos que 
o Código Profissional de Ética aprovado não representava essa criticidade. Antes, o documento 
fortalecia a dimensão técnica do fazer profissional, valorizando a importância de sua ação 
mostrar-se qualificada e capaz de atender as demandas que lhes são apresentadas. No entanto, 
no ano de1986, surge um novo documento. O Código Profissional de Ética dos Assistentes Sociais 
de 1986 já incorpora a criticidade presente na categoria e destacou a importância de valores 
relacionados ao respeito das diferenças, da diversidade, assim como a necessidade de uma 
16
Unidade I
sociedade mais justa e menos desigual. O documento também apresenta referências normativas 
para o desenvolvimento da atuação dos assistentes sociais.
 Lembrete
A intervenção dos assistentes sociais no Brasil tem início em meados dos 
anos 1930 a partir da constituição das primeiras escolas de Serviço Social.
Em 1993, a profissão teve uma nova lei de regulamentação aprovada. Foi nesse ano que 
tivemos a promulgação da Lei n. 8.663, de 7 de junho. Além de fortalecer a importância de 
que somente quem fez um curso de graduação pode ser considerado assistente social, a lei ainda 
disciplina atribuições privativas e competências dos profissionais, apresenta as responsabilidades 
do CFESS e do Cress e disciplina até mesmo os aspectos relacionados à punição dos profissionais 
(BRASIL, 1993). Também é de 1993 a última versão do Código Profissional de Ética dos Assistentes 
Sociais, que ainda está em vigor e fortalece a noção dos princípios fundamentais assentados no 
respeito à diversidade, assim como na ênfase à consolidação de uma sociedade mais justa e 
menos desigual. O documento oferece ainda parâmetros para orientar a relação do assistente 
social com instituições, empregadores, com usuários, outros profissionais, além de dispor aspectos 
relacionados ao sigilo e às relações do assistente social com a Justiça.
 Saiba mais
Para conhecer um pouco mais sobre os Códigos de Ética que embalaram 
o desenvolvimento do Serviço Social no Brasil, recomendamos que faça 
sua leitura. Eles estão disponibilizados para consulta nas plataformas 
digitais citadas.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ASSISTENTES SOCIAIS (ABAS). Código 
de ética profissional dos assistentes sociais. Seção de São Paulo, 1947. 
Disponível em: https://bit.ly/3eOh5eq. Acesso em: 4 out. 2020.
CONSELHO FEDERAL DE ASSISTENTES SOCIAIS (CFAS). Código de 
Ética Profissional do Assistente Social. Brasília, 1965. Disponível em: 
https://bit.ly/311YXp8. Acesso em: 4 out. 2020.
CONSELHO FEDERAL DE ASSISTENTES SOCIAIS (CFAS). Código de 
Ética Profissional do Assistente Social. Brasília, 1975. Disponível em: 
https://bit.ly/3sgmuP2. Acesso em: 4 out. 2020.
CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Código de 
Ética Profissional do Assistente Social. Brasília, 1993. Disponível em: 
https://bit.ly/3vHpTZA. Acesso em: 4 out. 2020.
17
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
A imagem a seguir representa as mudanças em eventos específicos, na legislação e nos 
Códigos, observadas ao longo do desenvolvimento do Serviço Social no Brasil.
Surgimento das 
primeiras escolas de 
formação ABEPSS
Formação leiga 
Lei de Regulamentação 
de 1957
Decreto 994/62 
Lei de Regulamentação 
de 1993
Código de 
Ética de 1947
Código de 
Ética de 1965
Códigos de 
Ética de 1975, 
1986 e 1993
Figura 1 – Representação do desenvolvimento da 
institucionalização do Serviço Social no Brasil
Para além de um rol amplo de datas aleatórias, vemos nessa representação e na discussão 
empreendida que tivemos inúmeras mudanças no Serviço Social. Essas mudanças e amadurecimento 
foram basais para a consolidação da nossa imagem profissional do que corresponde a ser um 
assistente social.
Dito de outra forma, o que todos esses documentos e legislações indicam? Que o Serviço 
Social deixou seu estatuto de uma ação desenvolvida com base na caridade e no princípio 
doutrinário para ser considerado uma produção inscrita nas relações trabalhistas. E é exatamente 
esse conceito que estudaremos no item subsequente.
1.2 O assistente social como trabalhador coletivo e sua inscrição em 
processos de trabalho
Nesse item, aprofundaremos a discussão em torno do conceito de trabalhador coletivo e 
da inserção do assistente social em processos de trabalho. Optamos porsubdividir a discussão 
apenas com finalidade pedagógica, dando início à abordagem por meio da argumentação sobre 
o assistente social como trabalhador coletivo.
1.2.1 O assistente social como trabalhador coletivo
O entendimento do assistente social como um trabalhador coletivo pressupõe compreender 
que esse profissional está inscrito em uma relação de trabalho, inscrito na divisão sociotécnica 
do trabalho. Mas, antes de ingressarmos nessa reflexão, vamos conhecer um pouco mais sobre 
a divisão do trabalho.
18
Unidade I
Harry Braverman (1977) nos coloca que, em tese, a divisão do trabalho se refere aos meios 
pelos quais os seres humanos organizam a produção e a reprodução da vida. A divisão do trabalho 
corresponde às formas com que cada sociedade estrutura a sua sobrevivência. Por conseguinte, 
cada sociedade, ao longo de seu desenvolvimento histórico e social, consolida e institui meios 
pelos quais consegue atender às necessidades de seus membros e, segundo o autor, essas formas 
são estruturadas em torno do trabalho.
Para Braverman (1977), o conceito de divisão do trabalho envolve pensarmos sobre o trabalho, 
sobre o trabalho na sociedade capitalista, sobre a divisão sexual do trabalho e sobre a divisão 
internacional do trabalho. Bem, o trabalho é apresentado pelo autor como algo que acontece em 
virtude da nossa necessidade.
O trabalho, ato desempenhado pelo ser humano, é acionado sempre que há uma necessidade 
a ser desenvolvida. O trabalho na sociedade capitalista assume feições particulares e fortemente 
influenciadas pelo estágio de desenvolvimento do capital. Dessa forma, no contexto do taylorismo 
e do fordismo, por exemplo, teremos o trabalho estável, consolidado no interior das fábricas 
(pensando sobretudo nas empresas privadas). Já no contexto da acumulação flexível, por outro 
lado, o trabalho muda, perdendo o seu caráter estável e podendo ser realizado pelo trabalhador de 
outros espaços para além do chão da fábrica. Dito de outra forma, as alternativas de organização 
do trabalho sofrem a influência da organização da sociedade capitalista. A questão da divisão 
sexual é abordada a fim de apontar que, no processo de trabalho, há diferença entre homens e 
mulheres. O autor indica que nas sociedades primitivas as mulheres eram responsáveis pela caça, 
pela atenção das necessidades de um determinado grupo. Os homens se ocupavam de outras 
funções. Já na sociedade capitalista, temos uma alteração e, inicialmente, é atribuída ao homem 
a função de provedor, algo que muda na sociedade contemporânea. Assim como o trabalho é 
alternado na sociedade, a divisão sexual do trabalho também muda a depender do contexto 
histórico vivenciado. E, por fim, a divisão internacional do trabalho compreende à especialização 
da produção dos países. É uma divisão, uma organização da produção no cenário internacional. 
Cada país, a depender de seu desenvolvimento, produz e comercializa determinados itens.
 Observação
A divisão social do trabalho está vinculada às formas de trabalho que são 
consolidadas em uma sociedade visando a atenção de suas necessidades.
E é partindo de tais abordagens que o autor insere o conceito de divisão social do trabalho. 
A divisão social do trabalho corresponde ao formato de organização de tarefas em um espaço 
relacionado ao trabalho. A divisão social permite a definição de atividades, funções de cada 
profissão, de cada profissional, para que assim seja possível a produção de elementos necessários 
para uma dada sociedade. No aspecto micro, as empresas adotam a atribuição de tarefas para 
que cada trabalhador possa colaborar com o processo de produção. Já no aspecto macro, a 
divisão social corresponde às funções laborais desempenhadas pelo conjunto de trabalhadores 
para garantir a satisfação das necessidades de uma sociedade.
19
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Em Braverman (1977), observamos que a divisão social do trabalho é uma especialização das 
atividades humanas que está presente em todas as sociedades que possuem uma organização 
complexa. E essa divisão se expressa em atividades produtivas ou por meio de ramos de atividades 
necessárias para a reprodução da vida, por meio do trabalho humano. Temos uma divisão do 
trabalho em especialidades produtivas.
 Observação
O trabalhador coletivo faz menção ao agrupamento de pessoas em um 
esforço conjunto para produzir mercadorias necessárias à sociedade.
Dentro das colocações citadas, o autor destaca a noção do trabalhador coletivo. Mas o que 
seria isso? O trabalhador coletivo é aquele que está inscrito em uma relação de trabalho e que, 
como tal, faz atividades de acordo com um padrão estabelecido. O trabalhador coletivo produz 
para atender uma necessidade da espécie, da sociedade em que ele está inserido. Podemos 
produzir vários itens, vários objetos, vários produtos usando padrões diferentes e para finalidades 
distintas. O que caracteriza o trabalhador coletivo é o fato de sua ação resultar em algo que é 
necessário socialmente. Todos os trabalhadores que hoje produzem algo necessário à sociedade 
são trabalhadores coletivos. Por conseguinte: “[...] o trabalho não é a ação isolada de um indivíduo, 
é sempre atividade coletiva de caráter eminentemente social” (RAICHELIS, 2011, p. 423).
 Lembrete
O Serviço Social se institucionaliza no Brasil a partir de 1936 com a 
criação das primeiras escolas.
E nós, assistentes sociais? Somos trabalhadores coletivos? Maria Carmelita Yazbek (2009) 
coloca que somos trabalhadores coletivos a partir de nossa inserção na divisão social do 
trabalho. Para a autora, nossa inserção está vinculada a dois processos: a consolidação das 
primeiras escolas de formação no Brasil e a sua regulamentação enquanto profissão. Mas o 
que isso significa? Significa que o assistente social também produz algo necessário para essa 
sociedade. Isso o torna um trabalhador coletivo. A intervenção, no nosso caso, é nas expressões 
da questão social. De certa forma, quando mudam as expressões da questão social também 
muda a atribuição, a forma de intervenção do Serviço Social, mas não muda o fato de que temos 
a colaboração do assistente social na produção de elementos que são necessários à sociedade. 
Importante pensar que as demandas apresentam caráter histórico e mutável. O profissional 
busca se adequar às novas necessidades geradas para a “[...] reprodução social da vida das classes 
subalternas na sociedade” (YAZBEK, 2009, p. 16).
A autora afirma que, nessa relação laboral, atuamos com usuários e com as instituições 
empregadoras. Assim sendo, somos classe trabalhadora, estamos expostos a todos os aspectos 
presentes nessa relação e, nesse cotidiano profissional, somos subjugados a todas as questões 
20
Unidade I
laborais presentes em qualquer processo de trabalho. Também estamos expostos a outros 
condicionantes como a precarização das relações trabalhistas, a subalternização às necessidades 
do mercado. Também sofremos com a restrição dos postos de trabalho, com a ampliação das 
atribuições laborais frente ao arrocho salarial e com outros condicionantes presentes no exercício 
profissional. Somos classe trabalhadora assim como outros trabalhadores.
 Saiba mais
Os vídeos a seguir foram promovidos pelo CFESS com o objetivo de 
viabilizar a reflexão sobre o Serviço Social como integrante da classe 
trabalhadora e como uma profissão socialmente necessária.
1º DE MAIO: Dia Mundial do/a Trabalhador/a. 2019. 1 vídeo (2:18). Publicado 
por CFESS. Disponível em: https://bit.ly/31bc1IM. Acesso em: 3 out. 2020.
80 ANOS de Serviço Social: uma profissão inscrita no Brasil. 2016. 1 
vídeo (0:15). Publicado por CFESS. Disponível em: https://bit.ly/2QvbkrX. 
Acesso em: 3 out. 2020.
Pensando no sentido em voga, Yazbek (2009) ainda nos diz que nossa inserção no mercado de 
trabalho é influenciada por dois aspectos: a restrição do Estado nas políticas sociais e a ampliação 
das organizações da sociedade civil. Esse processo em curso no Brasil em meados dos anos 1990 e 
consolidadosobretudo nos anos 2000 opera sob um duplo viés: se por um lado vemos a restrição 
do Estado na manutenção das políticas sociais, por outro lado vemos também o fortalecimento das 
organizações da sociedade civil para intervirem nas expressões da questão social. Ocorre que o Estado 
diminui os recursos destinados para a área social, aderindo ao padrão neoliberal, sob o argumento da 
necessidade de ajuste ou reforma gerencial. A diminuição estatal demanda que outros organismos 
assumam o seu papel, como as organizações que também atendem às expressões da questão social. 
Por exemplo, não temos intervenções estatais que buscam acolher mulheres vítimas de violência 
doméstica. Temos como exemplo a organização da sociedade civil Artemis, apresentada a seguir. 
Essas ações são desenvolvidas assim, uma vez que o Estado não as empreende.
 Saiba mais
Veja o site da organização da sociedade civil Artemis, que atua nas 
questões de violência doméstica contra a mulher. Trata-se de apenas um 
exemplo, dentre muitos, que deflagra a ação da sociedade civil em prol 
das expressões da questão social.
ARTEMIS. Disponível em: https://bit.ly/3cfqmut. Acesso em: 22 mar. 2021.
21
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Dessa forma, Iamamoto (2010) destaca que temos uma restrição nos postos de trabalho 
estáveis do assistente social, pois tais espaços são vinculados às políticas sociais, que passam a 
ser “diminuídas”. Nas organizações da sociedade civil, inclusive, os assistentes sociais enfrentam 
a situação de não possuírem trabalho estável e vivenciam ainda, em grande medida, a diferença 
nos salários, ou seja, o salário é sempre bem mais baixo se comparado com outras áreas. Essa 
realidade afeta o nosso trabalho, mas também condiciona a ação de outros trabalhadores da 
área social.
A autora também nos coloca que nossa relação de trabalho deve ser entendida considerando 
as relações sociais estabelecidas pelo assistente social por meio do trabalho. O conceito de relação 
social está vinculado às relações que as pessoas estabelecem socialmente e que, por sua vez, são 
influenciadas pelo trabalho. Isso corresponde, nos termos da autora, a entender que temos na 
nossa sociedade o primado da produção social como agente regulador da vida. Por outro lado, ao 
eleger o trabalho como categoria influente para as relações sociais, a autora ainda chama a nossa 
atenção para a necessidade de compreendermos e considerarmos o desenvolvimento histórico e 
social das sociedades. Trabalho, relações sociais e história são conceitos fundamentais para que 
possamos problematizar nossa inserção no mundo do trabalho enquanto trabalhador coletivo.
Em sua relação como trabalhadores coletivos, é necessário que os assistentes sociais olhem 
mais para a sociedade civil e para as demandas apresentadas por essa sociedade. Para ela, em 
nosso exercício temos privilegiado o aprofundamento de discussões em torno de políticas sociais 
e do Estado, no entanto, precisamos nos atentar para as determinações econômicas e sociais 
presentes na sociedade.
Sobre a observação das demandas apresentadas, Iamamoto (2010) aponta que também 
temos tido em nossa categoria certo desprezo pelas necessidades apresentadas pela população 
da zona rural, algo que, segundo ela, precisa ser reposicionado para que possamos contemplar as 
necessidades também desse público. Por que isso é importante? Porque estamos em uma relação 
de compra e venda de trabalho e precisamos oferecer algo à sociedade. Nosso trabalho tem que 
provocar mudanças no público que atendemos e tem que, sobretudo, atender às necessidades 
sociais apresentadas pelos públicos que são nosso objeto de ação.
Raquel Raichelis (2011) também partilha das perspectivas de Iamamoto (2010) e Yazbek 
(2009) ao afirmar que o assistente social participa de um processo de trabalho e está inscrito 
na divisão social de trabalho por meio de uma relação de compra e venda da força de trabalho. 
Porém, a autora agrega um elemento diferenciado a essa análise à medida que chama a nossa 
atenção para o fato de que nós, assistentes sociais, somos trabalhadores assalariados. Isso implica 
entender que estamos em uma relação de compra e venda da força de trabalho. Apesar de nossa 
profissão ser orientada por valores nobres e humanos, também trabalhamos porque precisamos 
ter as nossas necessidades atendidas, ou seja, vendemos nossa força de trabalho em troca de 
um salário. A autora ressalta, aliás, que nós precisamos nos compreender como trabalhadores, 
visto que lutamos pela defesa dos direitos de outras categorias de trabalho, mas nem sempre 
buscamos defender o nosso direito enquanto trabalhadores assalariados e participantes de um 
processo de trabalho.
22
Unidade I
Raichelis (2011) destaca que somos trabalhadores vinculados às instituições empregadoras. 
Temos um estatuto legal de profissional liberal, porém dependemos da instituição empregadora para 
o desenvolvimento de muitas ações profissionais. O que Raichelis (2011) deseja, a nosso ver, é 
ressaltar que nossa relação de compra e venda também é permeada por relações de poder que são 
exercidas sobre todos os trabalhadores coletivos.
Ter consciência de si, de sua categoria, é apresentado como um requisito basal para o assistente 
social se compreender como um trabalhador coletivo. Para o profissional, essa consciência de 
sua atuação como inscrita em um processo de trabalho, participando de uma relação laboral, é 
fundamental para que possamos orientar nossa ação. Esse entendimento crítico e reflexivo nos 
permite dar concreticidade aos nossos projetos de intervenção e às nossas propostas de ação. 
Na sequência, ainda buscando conhecer um pouco mais a respeito da inserção do assistente 
social no mercado de trabalho, avançamos no estudo sobre o processo de trabalho.
 Saiba mais
Para entender melhor as consequências da pandemia sobre a atuação 
do assistente social, recomendamos a leitura da entrevista feita pelo 
CFESS, e publicada pelo Cress-SC, com a conselheira Kelly Melatti, 
trabalhadora do Suas.
CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL (CRESS). Coronavírus: e 
quem trabalha na política de assistência social? Florianópolis: Cress-SC, 
2020. Disponível em: https://bit.ly/2R74qJM. Acesso em: 26 mar. 2021.
Nessa entrevista, podemos verificar uma nova necessidade apresentada à nossa profissão a 
partir da alteração do contexto social contemporâneo. A entrevistada aponta que a atuação do 
assistente social no SUAS sofreu novas configurações por causa da pandemia e foi necessário 
apreender formas de atuação diferenciadas para que pudéssemos alcançar o nosso público 
frente às mudanças significativas no contexto. A pandemia requisitou ainda novas habilidades 
aos assistentes sociais atuantes na Assistência Social e em outras políticas sociais. Podemos 
então pressupor que como trabalhadores também somos afetados pelas condições de trabalho 
que se apresentam no cotidiano das práticas profissionais dos assistentes sociais.
1.2.2 O assistente social inscrito em processos de trabalho
A noção de processo de trabalho aplicada ao Serviço Social teve no livro Serviço Social na 
Contemporaneidade: trabalho e formação profissional, de Marilda Villela Iamamoto e Raul de 
Carvalho, o seu principal expoente. A autora, recorrendo ao pensamento marxista, analisa a 
inserção do assistente social em processos de trabalho. Ou seja, Iamamoto (2005) se baseia na 
noção de Marx de processo de trabalho e a aplica ao Serviço Social. A autora nos diz que para 
Marx o trabalho é, na verdade, algo processual, composto por vários elementos, a saber: uma 
23
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
matéria-prima, instrumentos de trabalho, a ação do trabalhador e o resultado, ou produto. Marx 
compreendia que todo trabalho era composto por meio desses elementos, circunscrito em um 
processo de trabalho.
Iamamoto (2005) passa então a compor a noção de processo de trabalho do assistente 
social, dizendo-nos que também temos, em nossa prática, uma matéria-prima, instrumentosou 
meios de trabalho, a ação do trabalhador e, também, um produto. Em seguida, a autora destaca 
em detalhes o que seria cada um desses elementos, considerando o exercício profissional do 
assistente social.
A matéria-prima, também descrita pelo termo objeto de trabalho, se caracteriza como o 
elemento sob o qual a ação incide. Para Marx, todo trabalho demanda uma matéria-prima, um 
objeto. É a ação humana que interfere junto à matéria-prima, junto ao objeto buscando sua 
modificação. A análise marxista destaca que é a ação do trabalhador sobre a matéria-prima que 
resulta em um produto. Marx desenvolveu sua análise buscando apresentar uma explicação da 
relação entre o trabalho, a matéria-prima e a produção de valor.
 Lembrete
O Movimento de Reconceituação do Serviço Social aconteceu no Brasil 
em meados dos anos 1960 e 1970 e consistiu em uma revisão, por parte 
dos profissionais, das bases e referências que norteavam a categoria.
Partindo dessa definição, a autora destaca que o Serviço Social passou por um longo processo 
para identificar qual seria o seu objeto de intervenção, que em outros momentos, sobretudo no 
contexto da criação das primeiras escolas no Brasil, era o homem. A autora nos afirma que, nesse 
período, o assistente social tinha como meta intervir junto ao ser humano buscando mudá-lo, 
de forma a atender as necessidades sociais de um dado contexto. No entanto, a autora ressalta 
que é a partir da vinculação do Serviço Social ao marxismo que temos uma mudança no objeto 
de nossa profissão. Em meados dos anos 1970, o Serviço Social começa a compreender que 
seu objeto de intervenção são os problemas sociais gerados pelo capitalismo. Tendo isso em 
consideração, sob forte influência do pensamento de Gramsci e de Paulo Freire, os profissionais 
começaram a ver a transformação social como o objeto de sua ação.
O amadurecimento teórico da categoria, no entanto, conduziu os assistentes sociais a um 
novo entendimento do seu objeto de trabalho e também da finalidade de sua ação. Netto 
(2001) nos coloca que a perspectiva de que caberia aos assistentes sociais a superação da ordem 
capitalista e a transformação social acabou sendo designada a uma segunda categoria e surge 
o entendimento de que os assistentes sociais deveriam empreender esforços para a construção 
de uma sociedade mais justa e menos desigual. À medida que a perspectiva de entender sua 
ação muda, a forma de compreender nosso objeto de intervenção também muda. Desse modo, 
essa tendência, que se consolida nos anos 1990, nos apresenta um Serviço Social mais maduro 
e consciente em relação à sua própria ação.
24
Unidade I
 Observação
Iamamoto (2005) apresenta a questão social como a matéria-prima e 
também como o objeto da ação do assistente social.
Iamamoto (2005, p. 53) é representativa para esse entendimento e, como tal, afirma-nos que 
nossa ação profissional tem como objeto de intervenção a questão social, descrevendo-a como 
matéria-prima ou objeto de nossa intervenção profissional, ou, como a autora define, a questão 
social “[...] conforma a matéria-prima do trabalho profissional”. A autora ainda atenta para a 
importância de compreender a questão social como a “[...] gênese das desigualdades sociais, em 
um contexto em que a acumulação de capital não rima com a equidade” (IAMAMOTO, 2005, 
p. 53). Dito de outra maneira, a autora reforça que a questão social é produzida pelo capitalismo 
e é ampliada no contexto de acumulação capitalista. Netto (2000), por sua vez, nos coloca 
que a questão social são os problemas sociais gerados e aprofundados pelo capitalismo na 
idade monopolista. O autor diz que usamos o termo questão social apenas com a finalidade 
de designar esses problemas sociais, o qual tem o desenvolvimento capitalista como raiz de 
sua fundação.
Cabe aqui a pergunta: afinal, o que é questão social? A pobreza é a questão social? Bem, 
tanto Netto (2000) quanto Iamamoto (2005) salientam que a pobreza é uma das expressões 
da questão social, uma vez que o empobrecimento de parcelas cada vez mais significativas da 
população guarda relação íntima e direta com o aprofundamento das condições capitalistas. 
O desenvolvimento capitalista faz crescer, ainda mais, o abismo que separa as classes sociais. 
Porém, para Netto (2000) é incorreto restringir a questão social a um termo ou a uma variável 
apenas. A questão social é formada por todos os problemas sociais gerados e aprofundados 
pelo capitalismo. Iamamoto (2005, p. 61), em concordância com Netto (2000), afirma que a 
questão social, nosso objeto de trabalho, nossa matéria-prima, deve ser entendida como todo 
problema social e “[...] como são experimentadas pelos sujeitos sociais que as vivenciam em suas 
relações sociais cotidianas” (IAMAMOTO, 2005, p. 61).
 Saiba mais
Convidamos você a pensar sobre formas diferenciadas de expressão 
da questão social. Os textos a seguir provocam essas reflexões visto que 
abordam expressões da questão social que vão além da pobreza.
CARVALHO, A. da C. et al. A questão social: violência contra a mulher. 
Cadernos de graduação – Ciências Humanas e Sociais, Sergipe, v. 1, 
n. 2, p. 201-210, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3f9fwI0. Acesso em: 
22 mar. 2021.
25
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
CARVALHO, A. da C. et al. A questão social: violência contra a mulher. 
Cadernos de Graduação – Ciências Humanas e Sociais, v. 1, n. 16, p. 201-210, 
mar. 2012. Disponível em: https://cutt.ly/ExQ98Q7. Acesso em: 22 mar. 2020.
VELOSO, L. H. P.; ABREU, R. P. A questão social das drogas e a prática 
do serviço social (uma proposta de afirmação de direitos e de cidadania). 
Interagir: pensando a extensão, n. 8, ago./dez. 2005. Disponível em: 
https://cutt.ly/gxQ84zr. Acesso em: 2 out. 2020.
Por conseguinte, a questão social não é uma categoria abstrata, mas concreta, expressa por meio 
da ausência de direitos, do acesso a serviços e a uma vida digna. No entanto, Iamamoto (2005) coloca 
que a questão social incorpora também possibilidades de luta e rebeldia daqueles que são por ela 
acometidos. Em tese, o que a autora quer nos dizer é que as condições concretas podem estimular a 
população que as vivencia na busca de melhores condições de vida. Isso pode resultar na construção 
de formas de luta, de superação de condições precárias, motivo pelo qual, para essa autora, a questão 
social “[...] também demonstra as particulares formas de luta e resistência, materiais e simbólicas, 
acionadas pelos indivíduos sociais à questão social” (IAMAMOTO, 2005, p. 53).
Ao passo que a resistência material nos remete às ações concretas realizadas pelas pessoas 
para enfrentar as situações as quais estão expostos, a resistência simbólica, por sua vez, se 
refere às expressões culturais, artísticas e outras representações afins que buscam enfrentar 
e discutir violações de direitos consolidados na sociedade. Podemos dizer que os movimentos 
que lutam para minimizar os preconceitos com negros são formas de resistência simbólica? 
Sim, esses e outros que busquem a construção e a consolidação de uma sociedade igualitária. 
Por conseguinte, a questão social, que incorpora a sujeição e a dominação, também representa 
e retrata a luta, a insubordinação.
Iamamoto (2005) afirma que nós precisamos, continuamente, compreender como a questão 
social, nossa matéria-prima, se produz, reproduz, muda e se torna complexa em nossa ação. 
O conhecimento da realidade é, portanto, fundamental para uma prática qualificada. Esse 
conhecimento não é restrito aos aspectos que conformam a questão social, mas abarca outros 
fatores como a organização política, social, dentre outros que se mostram importantes. Para a 
autora, o conhecimento da realidade não é uma opção, mas sim uma condição necessária ao 
exercício do assistente social. Dessa forma, com pleno conhecimento da realidade sobre a qual 
incidirá a ação, o assistente social conseguirá definir quais ações deseja desenvolver e com 
qual objetivo. Sem esse saber, é impossível que o assistentesocial possa desenvolver uma 
intervenção significativa em sua matéria-prima.
Mas, como dissemos, a noção de processo de trabalho evoca os elementos: matéria-prima 
ou objeto, instrumentos ou meios de trabalho, a ação e o produto. Falamos da matéria-prima e 
do objeto até agora. Precisamos discutir outros componentes, como os instrumentos e os 
meios de trabalho.
26
Unidade I
 Observação
Os instrumentos ou os meios de trabalho são dispositivos basais para a 
realização do trabalho.
Iamamoto (2005) retoma o pensamento de Marx ao destacar que toda ação demanda, para 
ser realizada, instrumentos ou meios de trabalho. Para Marx, o trabalho foi o grande responsável 
por humanizar o homem. Tal entendimento pressupõe que o homem primitivo realizou todo o seu 
desenvolvimento influenciado pelo trabalho. O homem primitivo, quando passou a conviver em 
grandes agrupamentos e o trabalho se tornou coletivo, passou a usar de meios e instrumentos para 
a realização de uma ação. Foi assim que esse homem começou a usar pedras, por exemplo, ou ossos 
para extração de frutas. Marx entende que o homem incorpora esse instrumento à ação, mas essa 
incorporação provoca mudanças no desenvolvimento do ser humano, especializando os órgãos do 
sentido como visão, audição, fala, tato. Por isso, Marx entende que o trabalho e a incorporação 
de meios ou de instrumentos na ação é que faz com que o homem se constitua enquanto tal.
Obviamente, não podemos pensar que essas mudanças, influenciadas pelo trabalho, 
aconteceram rapidamente. Elas passaram por um longo e lento período de desenvolvimento. 
Vygotsky (1991) nos diz que o trabalho influenciou a vida do homem primitivo e também exerce 
grande influência sobre o homem contemporâneo. Em sua análise, o autor destaca que os 
instrumentos e os meios de trabalho são elementos fundamentais que medeiam uma ação e 
que também são fortalecedores e influenciadores do desenvolvimento do ser humano. Vamos 
pensar essa ideia a partir de um exemplo? Nós somos uma sociedade em que as relações sociais, 
as relações de compra e venda têm sido sustentadas pelo desenvolvimento tecnológico expresso, 
dentre outros fatores, pela internet.
Pois bem, vamos idealizar uma pessoa que tem algum acesso à internet e que, por uma 
dada circunstância de sua vida, vai trabalhar em um serviço de atendimento de aplicativo que 
pertence a um grande banco. Nesse caso, essa pessoa precisaria desenvolver outras habilidades, 
além das que já possui em relação à internet, dentre as quais podemos citar o controle de alguns 
comandos ligados ao aplicativo. Todo esse saber, construído a partir da necessidade do trabalho, 
tende a especializar os órgãos do sentido desse trabalhador. Condiciona a sua atenção, influencia 
também a sua subjetividade. São instrumentos e meios de trabalho, os quais são acessados pelo 
trabalhador para que a ação aconteça, mas que também o modificam e interferem junto ao 
objeto, à matéria-prima.
Iamamoto (2005) nos coloca então que o assistente social também possui instrumentos, os 
quais também são nomeados pelo termo meios. Os instrumentos ou os meios de trabalho são 
elementos fundamentais para que o trabalho aconteça, pois sem eles a ação é impraticável. 
Assim como os instrumentos ou meios de trabalho modificam a matéria-prima, mudam também 
o trabalhador, influenciando no exercício cotidiano e em sua constituição enquanto tal.
27
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Historicamente, segundo a autora, temos tido o entendimento de que os instrumentos e 
os meios de trabalho são apenas as técnicas que o assistente social usa para desenvolver sua 
intervenção. Entrevistas, visitas, relatórios e outros elementos dessa natureza são frequentemente 
definidos como instrumentos da ação do assistente social. Porém, o que a autora destaca é que 
isso seria um reducionismo, uma vez que as técnicas e os instrumentais usados pelo assistente 
social não podem ser compreendidos como os únicos instrumentos do fazer profissional. 
As técnicas são instrumentos, meios de trabalho do assistente social, e o domínio desses 
elementos confere qualidade ao serviço técnico oferecido.
Mas o que mais incorpora o entendimento dos meios e dos instrumentos de trabalho além 
do instrumental técnico? Iamamoto (2005) nos coloca que as bases teórico-metodológicas 
construídas pelo assistente social em seu processo formativo são também elementos fundamentais 
para o exercício profissional. O que são bases teórico-metodológicas? Correspondem ao saber 
construído pelos profissionais e que orientam a sua forma de ler e se relacionar com o mundo. 
São essas bases, fundamentais para o processo formativo, que irão orientar como o assistente 
social deverá interpretar os fenômenos sob os quais intervém. Não há, porém, como o profissional 
desenvolver uma ação qualificada e de acordo com os parâmetros éticos de sua categoria se a 
sua formação não oferecer a ele esse substrato. São as “[...] bases teórico-metodológicas que 
contribuem para iluminar a leitura da realidade e imprimir rumo à ação” (IAMAMOTO, 2005, 
p. 62). O conhecimento do assistente social não pode, sob hipótese alguma, ser dispensado. 
Ele comporta os instrumentos de trabalho desse profissional.
 Observação
Para Iamamoto (2005), os instrumentos e os meios de trabalho do 
assistente social comportam instrumentos e técnicas, conhecimento e as 
organizações onde esse profissional irá atuar.
Porém, a análise de Iamamoto (2005) vai além desses elementos. Ela também pondera que 
a lei de regulamentação da nossa profissão contém a indicação de que somos profissionais 
liberais. O profissional liberal, em tese, é aquele que detém os meios para a sua reprodução, para 
a reprodução da sua ação. No texto legal, o assistente social é apresentado como profissional 
liberal, porém, a autora entende que isso implicaria ter autonomia nas ações. Mas não somos, 
de fato, profissionais liberais, pois não detemos todos os meios necessários para a nossa ação. 
Por exemplo, um psicólogo, após a conclusão de sua graduação, pode, se tiver condições para 
fazê-lo, abrir um atendimento clínico que dependerá, inicialmente, do seu saber. Ele pode então 
ser considerado um profissional liberal. O assistente social, por sua vez, não tem condições de 
desenvolver uma prática dessa maneira. Ele precisa das instituições empregadoras para que 
possa desenvolver a sua ação, motivo pelo qual a autora elucida que o assistente social “[...] não 
detém todos os meios necessários para a efetivação de seu trabalho” (IAMAMOTO, 2005,p. 62).
28
Unidade I
 Saiba mais
O texto a seguir discute as categorias de processo de trabalho, 
aplicando-as ao Serviço Social, além de trazer questões a respeito dos 
instrumentos e dos meios de trabalho do assistente social.
SILVA, M. G. da. Processo de trabalho e Serviço Social. Interações, v. 2, 
n. 2, 2007. Disponível em: https://bit.ly/39sXop9. Acesso em: 4 out. 2020.
Ao afirmar esse conceito, a autora enfatiza que a instituição empregadora não deve ser 
percebida como algo ruim ou, então, como um órgão que irá comprometer, de forma negativa, 
a ação do assistente social. Porém, deve ser compreendida como um instrumento, um meio de 
trabalho fundamental ao assistente social. Ou que, nos termos da autora, “[...] a entidade não é 
um condicionante a mais do trabalho do assistente social. Ela organiza o processo de trabalho 
do qual ele participa” (IAMAMOTO, 2005, p. 62). As instituições nos conferem recursos e todos 
os elementos que são necessários para que a ação profissional aconteça. Motivo pelo qual, para 
a autora, a instituição também é considerada um instrumento de trabalho do assistente social, 
que, junto com os instrumentos, técnicas e a bagagem teórico-metodológica, integra o processo 
de trabalho desse profissional.
Na sequência, a autora passa a discutir outros elementos que integram também a noção 
de processo de trabalho: o trabalho em si e o produto. Ao abordar a questão do trabalho em si, 
Iamamoto (2005) afirma queo trabalho é um dos elementos mais importantes para compreender 
a evolução do ser humano enquanto tal, já que é o grande responsável pelo desenvolvimento do 
gênero humano. Recorrendo ao pensamento marxista, a autora destaca que o desenvolvimento 
das habilidades do ser humano estão ligadas às modalidades de trabalho que vão sendo 
organizadas ao longo dos séculos. De acordo com a autora, o trabalho muda, assume novas 
feições e essas flutuações provocam também alterações na subjetividade do ser humano. É por 
meio da ação, do trabalho em si, que é possível modificar a matéria-prima, o objeto. No caso do 
Serviço Social, é preciso pensar que a nossa ação também produz alterações no objeto, em nossa 
matéria-prima.
No entanto, pensar sobre o trabalho do Serviço Social demanda algumas problematizações. 
A autora suscita uma questão que demarca a ação do assistente social e que está vinculada à 
questão de gênero. A autora nos coloca que sempre teremos em nossos quadros a predominância 
feminina, ou seja, a maioria dos assistentes sociais vinculam-se ao gênero feminino e compreende 
que isso advém do passado da profissão, historicamente formado pela massiva predominância 
de mulheres. Para Iamamoto (2005), em uma sociedade patriarcal como a nossa, essa profissão 
acaba sendo associada a um trabalho que só pode ser desempenhado por mulheres, conferindo 
a esse trabalho um caráter subalterno, definido pelos preconceitos já enraizados em nossa 
sociedade. Pesquisa realizada pelo CFESS, em 2005, identificou que 97% dos profissionais eram 
do gênero feminino, ou seja, a imensa maioria (CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2006).
29
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Quanto a esse aspecto, vemos que, por parte dos órgãos de defesa como o CFESS e o Cress, 
há uma busca por melhorar a qualificação dos profissionais e garantir o respeito à categoria. 
No entanto, é necessário destacar que ainda temos um julgamento equivocado sobre nossa 
profissão, uma vez que muitas pessoas ainda julgam o Serviço Social como uma profissão de 
segunda linha, algo inferior às demais profissões existentes na sociedade. Essa luta deve ser 
encampada por toda a nossa categoria se quisermos que o nosso trabalho seja valorizado 
endogenamente e também socialmente.
No fim da discussão sobre a questão do trabalho, a autora nos coloca que, no caso do Serviço 
Social, temos valores nobres, éticos e morais que nos dão o caminho a seguir. Esses valores estão 
sempre orientados para atender às demandas e necessidades dos segmentos mais vulneráveis, 
visando a diminuição das desigualdades sociais. A ação do assistente social é, portanto, o trabalho 
que interfere junto à matéria-prima, junto às expressões da questão social e isso nos ajuda a 
compreender o que Iamamoto entende como produto.
Afinal, um trabalho, uma ação incide sobre um objeto, sobre uma matéria-prima, mas tem 
como resultado a elaboração de um produto. Essa discussão nos leva a pensar: o que o Serviço 
Social produz? Bom, como sabemos, uma profissão só é socialmente necessária se produz algo, 
se traz um resultado de sua intervenção à sociedade. Quantas profissões que conhecemos foram 
extintas com o tempo? Pensamos na ação dos alfaiates, que antes eram requisitados sobretudo 
pelas classes sociais de maior poder aquisitivo. Hoje, com a produção em massa de vestuário, 
vemos que essa profissão não é mais tão atrativa. Mesmo que exista um ou outro alfaiate, vemos 
que agora poucos são os que conseguem sobreviver com tal ação.
 Lembrete
O Serviço Social foi constituído no Brasil no ano de 1936 a partir do 
surgimento das primeiras escolas. Na década de 1950, a profissão foi 
regulamentada pela Lei n. 3.252/50.
Pois bem, o Serviço Social é institucionalizado e se consolida porque oferece um produto 
à sociedade. Iamamoto (2005, p. 66) nos coloca que o produto faz menção às “[...] condições 
materiais e sociais daqueles cuja sobrevivência depende do trabalho”. Toda vez que o assistente 
social operacionaliza o acesso a um benefício, a um serviço, ele está garantindo a sobrevivência 
daqueles que atendeu. Essa atenção para uma necessidade material garante, muitas vezes, a 
sobrevivência dos atendidos, além de efetivar os direitos sociais garantidos constitucionalmente. 
Essa atenção seria um dos produtos da ação do assistente social.
Além da reprodução material, o assistente social produz algo que é subjetivo, imaterial 
e que seria, segundo a autora, a construção de conceitos. Da mesma forma que a profissão 
interfere na reprodução material daqueles que atende, ela também atua na construção de 
conceitos, de uma subjetividade daqueles que atende, trabalhando em prol da “[...] criação 
de consensos” (IAMAMOTO, 2005, p. 67). Temos, assim, a intervenção do profissional junto à 
30
Unidade I
subjetividade, que é coletiva e construída culturalmente. Cabe ao profissional delimitar quais 
consensos deseja efetivar, quais consensos deseja construir por meio de sua ação, qual produto 
deseja ter como resultado.
Recapitulando: somos inscritos em um processo de trabalho e possuímos uma matéria-prima 
ou um objeto (a questão social e suas múltiplas formas de expressão), temos instrumentos ou 
meios de trabalho (instrumentos, técnicas, conhecimento teórico-metodológico, instituição 
empregadora), praticamos uma ação e tudo isso, ao ser colocado em prática, resulta em um 
produto (condições materiais e consensos). A imagem que elaboramos a seguir sistematiza 
nossas colocações até o presente momento.
Matéria-prima ou um objeto 
(questão social e suas múltiplas formas de expressão)
Processo de 
trabalho do 
Serviço Social
Produto 
(condições materiais e consensos)
Instrumentos ou meios de trabalho
(instrumentos, técnicas, conhecimento teórico-metodológico, 
instituição empregadora)
Trabalho 
(ação do profissional)
Figura 2 – Representação do conceito de processo de trabalho do Serviço Social
Concluímos nossa discussão com relação ao conceito de processo de trabalho. A seguir, 
abordaremos os aspectos relacionados à constituição de projetos profissionais e ao projeto 
ético-político do Serviço Social, os quais estão ligados aos projetos de classes sociais.
2 OS PROJETOS SOCIETÁRIOS, OS PROJETOS PROFISSIONAIS E O PROJETO 
ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL
Na análise de Netto (2017), pensar sobre os projetos de profissão e de trabalho é algo que 
se mostra basal para a nossa intervenção e, principalmente, para uma ação crítica e qualificada. 
Para tanto, o autor indica-nos que é igualmente fundamental e importante a reflexão acerca 
dos projetos de classe, também nomeados como projetos societários. Para o autor, não é 
possível que tenhamos uma compreensão dos projetos de profissão de forma dissociada dos 
projetos societários. Aliás, tanto Netto (2017) quanto Iamamoto (2010) ressaltam que os projetos 
profissionais são fortemente influenciados pelos projetos societários.
 Observação
Projetos societários correspondem aos ideais coletivos de determinadas 
classes sociais.
31
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Os projetos societários são projetos coletivos e que representam determinadas classes sociais. 
Promovem o ordenamento de valores e ações em níveis macroscópicos, ou seja, conferem 
propostas de ação para um conjunto mais amplo da sociedade. São conhecidos por sua amplitude 
e buscam universalizar, atingir um segmento maior da sociedade, conferindo a essa sociedade 
valores de classe. “Trata-se daqueles projetos que apresentam uma imagem de sociedade a ser 
construída, que reclamam determinados valores para justificá-la e que privilegiam certos meios 
(materiais e culturais) para concretizá-la” (NETTO, 2017, p. 2). Portanto, o projeto societário não 
é despossuído de valor e finalidade, mas tem algo que busca alcançar.
Os projetos societários são extremamente carregados de uma conotação ou dimensão 
política, já que “[...]envolvem relações de poder” (NETTO, 2017, p. 3). Nem sempre esses projetos 
estão vinculados ou relacionados a partidos políticos.A dimensão política vincula-se à noção de 
valores políticos, valores a serem seguidos dentro de um dado projeto. Quando nos vinculamos 
a um determinado grupo, há atividades que desempenhamos para demonstrar essa adesão. 
Quando pertencemos a um grupo que tem um dado projeto societário, também adotaremos 
comportamentos, falas e condutas que demonstram essa associação. A tomada de posição 
também é um ato político. Portanto, não há, segundo Netto (2017), projetos societários que 
sejam neutros.
A associação de projetos societários a projetos de classes sociais sinaliza que a classe 
burguesa possui um dado projeto societário. A classe trabalhadora, por outro lado, possui 
outro projeto societário. Assim, os projetos societários possuem configurações diferenciadas, 
distintas. Essa diferenciação provém da compreensão que cada classe possui sobre as finalidades 
que deseja alcançar por meio de cada projeto societário. Por analogia, é lícito supor que os 
projetos societários e os projetos de classe social são antagônicos entre si, pois teremos valores 
diferenciados difundidos pelas classes sociais. A classe trabalhadora e a classe burguesa possuem 
projetos societários diferentes para serem estruturados, construídos.
O autor nos diz ainda que os projetos societários são mutáveis. Dessa maneira, em todo 
o desenvolvimento histórico, veremos situações em que os valores que norteiam a sociedade 
mudam. Isso evidencia que as mudanças históricas, culturais e sociais provocam alterações nos 
valores que são difundidos pelas classes sociais. À medida que os valores mudam, temos também 
alterações nos projetos societários que têm sido apresentados como referências. Segundo o 
autor, “[...] os projetos societários constituem estruturas flexíveis e cambiantes: incorporam 
novas demandas e aspirações, transformam-se e se renovam conforme as conjunturas históricas 
e políticas” (NETTO, 2017, p. 5).
Joaquina B. Teixeira (2006), por sua vez, nos indica que os projetos societários podem 
ser conservadores ou transformadores. Os projetos conservadores são aqueles que buscam a 
manutenção de uma dada ordem social vigente e consolidada. Já os projetos transformadores 
seriam aqueles que visam a transformação da sociedade. Mas transformação para quê? Ou, ainda, 
transformação para quem? A transformação em questão evoca a necessidade da construção de 
uma sociedade justa, menos desigual e equitativa.
32
Unidade I
 Observação
Os projetos profissionais estão ligados às categorias de trabalhadores.
Mas, como dissemos, os projetos societários condicionam projetos pessoais e, também, 
profissionais. Os projetos profissionais são aqueles difundidos por categorias de trabalhadores. 
São projetos coletivos, porém que estão ligados a determinadas profissões que, via de regra, 
requerem nível superior. Netto (2017) afirma que os projetos profissionais, assim como os projetos 
societários, são coletivos. Teixeira (2006) salienta que o nosso projeto profissional está voltado 
para o projeto societário da classe trabalhadora, e, consequentemente, visa a transformação 
social, tendo como meta, a longo prazo, a minimização das desigualdades sociais. Ou seja, “[...] 
o projeto profissional vincula-se a um projeto societário que propõe a construção de uma nova 
ordem social sem a dominação e/ou exploração de classe, etnia e gênero” (TEIXEIRA, 2006, p. 6).
Como esses projetos são representativos de uma categoria, de um grupo de trabalhadores, 
eles representam e retratam a autoimagem desse grupo, dessa categoria laboral. São carregados 
de valores, atributos e requisitos, de normas e propostas de comportamentos profissionais. 
Vincular-se a um projeto profissional demanda a adesão de seus postulados e uma prática 
profissional por ele embalada. Os projetos de cada categoria oferecem essas referências, esses 
valores de ação e, portanto, é correto afirmar que para cada ramo de trabalho temos um projeto 
profissional, que deve ser elaborado coletivamente.
Netto (2017) atenta que, para serem representativos de uma profissão, os projetos precisam, 
essencialmente, de uma construção coletiva e democrática. No caso do Serviço Social, em 
especial, os locais de debate dos profissionais são o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), 
o Conselho Regional de Serviço Social (Cress), a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa de 
Serviço Social (ABEPSS) e a Executiva Nacional de Estudantes do Serviço Social (Enesso). Tais 
dispositivos são representativos dos valores difundidos no projeto profissional do Serviço Social e 
demonstram as discussões realizadas na nossa categoria. Para entender isso melhor, convidamos 
você para realizar a leitura do trecho a seguir:
Racismo: um tema que não pode sair do nosso radar!
Casos de racismo que ganharam repercussão na mídia reforçam a continuidade 
de ações antirracistas de assistentes sociais, para além da campanha do Conjunto 
CFESS – Cress
Quando o Conjunto CFESS – Cress, durante o triênio 2017-2020, promoveu a campanha 
“Assistentes Sociais no Combate ao Racismo”, incentivando debates e ações da categoria 
no enfrentamento ao racismo no cotidiano profissional, estava nítido que a partir daquele 
momento a pauta assumiria maior centralidade no Serviço Social.
33
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
O Brasil reproduz relações sociais e econômicas profundamente desiguais, que resultam 
de uma formação histórica racialmente fundada e que se materializa na vida cotidiana da 
população negra.
Isso pode ser evidenciado por meio de dados e fatos que demonstram como negras e 
negros, nas estatísticas de usuários/as de políticas sociais, estão associados aos maiores 
índices de subemprego e desemprego, pobreza, violações e violências, dentre outras 
condições que se originam da condição racial.
Diante desse contexto, o trabalho de assistentes sociais tem relação direta com as 
demandas da população negra que reside nos morros, nas favelas, no sertão, no campo 
e na cidade, e o combate ao preconceito é um compromisso previsto no Código de Ética 
profissional. E recentes casos de racismo, que ganharam repercussão na mídia nas últimas 
semanas, servem de alerta para que assistentes sociais se atentem para a questão racial 
durante os atendimentos.
No “Setembro Amarelo”, mês em que normalmente se debate (e se enfrenta) o suicídio, 
uma única reportagem (do Estadão) trouxe um dado impactante: pesquisa divulgada em 
2019 pelo Ministério da Saúde apontou que jovens negros, entre 10 e 29 anos de idade, 
foram as pessoas que mais cometeram suicídio nos últimos quatro anos. E o racismo é, sem 
dúvida, um dos fatores de risco para suicídio.
“A primeira coisa que percebemos é que o próprio movimento do real tem nos convocado, 
cada vez mais, a não apenas reconhecer a existência e as nefastas consequências do racismo 
– e, com isso, desmistificar o mito da democracia racial – mas, sobretudo, a criar estratégias 
coletivas para seu enfrentamento”, aponta o assistente social, pesquisador e professor da 
Universidade Federal de Goiás, Tales Fornazier.
Segundo ele, o racismo estrutural é um elemento conformador das relações sociais, e 
não um fenômeno patológico ou anormal. “Portanto, ele se materializa nos diversos âmbitos 
da vida social em desigualdades, violências e iniquidades às pessoas negras”.
Para Tales, que já trabalhou no Centro de Referência de Assistência Social de Guará 
(SP), o racismo, por ser estrutural, se coloca como a “forma normal” de funcionamento 
das instituições, as quais, não raras vezes, serão responsáveis por reforçar os processos de 
sofrimento derivados do racismo, exatamente por não reconhecerem as particularidades 
que envolvem a raça. Inclusive o suicídio. [...]
Fonte: CFESS (2020).
34
Unidade I
 Saiba mais
Veja também:
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Assistentes sociais 
no combate ao racismo. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2Pt607K. Acesso 
em: 25 mar. 2021.
No texto veiculado pelo CFESS temos indicações claras a respeito do posicionamentodo 
conjunto no sentido de combater o racismo e todas as suas formas de expressão. Isso nos diz 
como podemos inferir o compromisso de nossa profissão e que é expresso por meio dos projetos 
de nossa categoria. Com tais valores, sempre teremos projetos de ação que se contrapõem 
aos valores ligados ao preconceito e à discriminação. Os valores postos ao Serviço Social são 
apresentados e retratados por meio do nosso Código Profissional de Ética. Apesar da necessidade 
de garantia do pluralismo profissional, sabemos que nossa profissão é orientada pela defesa das 
minorias, dos segmentos vulnerabilizados e também dos que foram acometidos pela violação de 
direitos. Essa será a referência para as nossas intervenções profissionais.
 Lembrete
O Código Profissional de Ética do Assistente Social foi aprovado no 
Brasil, pelo CFESS, no ano de 1993.
Netto (2017) nos coloca que essa adesão de uma categoria a um projeto profissional 
provém de um aceite que congrega aspectos imperativos e indicativos. Os aspectos imperativos 
correspondem aos valores que são compulsórios e que devem integrar os projetos profissionais 
e os indicativos seriam aqueles em que há um consenso mínimo da categoria. Existem aspectos, 
portanto, que são fundamentais e outros que podem ser acordados em torno de uma harmonia 
entre os trabalhadores. Por conseguinte, o vínculo de uma categoria a um projeto profissional 
é “[...] uma espécie de acordo sobre aqueles aspectos que, no projeto, são imperativos e aqueles 
que são indicativos” (NETTO, 2006, p. 7). Além da adesão, é necessária uma organização mínima 
por parte dos trabalhadores.
 Observação
O projeto profissional do Serviço Social é denominado como 
projeto ético-político.
No âmbito do Serviço Social também teremos os aspectos imperativos e os indicativos, 
porém, conforme declaramos anteriormente, esses aspectos nos são postos pelo nosso Código 
Profissional de Ética. O projeto de nossa categoria, atualmente, é conhecido pelo termo projeto 
ético-político. Esse projeto representa um rol de valores, normativas e referências para o exercício 
35
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
do assistente social. Dito de outra maneira, o projeto profissional do Serviço Social é o projeto 
ético-político, influenciado substancialmente pelos valores apresentados no Código Profissional 
de Ética do assistente social. Esse projeto também tem influência da lei que regulamenta a 
profissão do assistente social no Brasil.
O projeto foi gestado nos anos 1980, mas se consolidou mesmo em meados dos anos 2000, 
aqui no Brasil. Hoje consideramos que esse projeto é hegemônico em nossa categoria, apesar 
de Netto (2017) e Iamamoto (2010) chamarem a nossa atenção para a presença de perspectivas 
conservadores em alguns segmentos da profissão. Os autores também afiançam a necessidade de 
rompimento com o conservadorismo profissional, por compreenderem que, para a efetivação 
do projeto ético-político, é essencial abandonar as tendências e perspectivas assentadas no 
tradicionalismo. Nesse sentido, temos a crítica à ausência de democracia, presente na sociedade 
e que busca fortalecer os espaços de participação com os assistentes sociais.
Teixeira (2006) ainda afirma que esse projeto está em construção e que sempre pode sofrer 
alterações. Em tese, a autora salienta que o nosso projeto ético-político é composto pela produção 
teórica interna do Serviço Social, pelas indicações das instâncias político e administrativas como 
o ABEPSS, o CFESS, o Cress, e pela dimensão jurídico-política, que envolve a legislação oficial 
que disciplina o exercício profissional. Sendo assim, o projeto ético-político do Serviço Social 
engloba o amadurecimento teórico da categoria construído ao longo dos anos.
Nesse projeto ético-político, o Serviço Social deve primar pela liberdade, valor ético central 
de suas ações, além de se opor aos preconceitos e todas as formas de discriminação. Esse projeto 
ético-político “[...] vincula-se a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem 
social sem exploração/dominação de classe, etnia e gênero” (NETTO, 2017, p. 15). Ao defender 
esse projeto estamos também assumindo um projeto societário de defesa dos segmentos mais 
vulneráveis de nossa sociedade.
Em nosso projeto também nos posicionamos a favor da equidade e da justiça social, 
compreendendo que a distribuição de renda de uma sociedade deve ser justa e precisa, em outras 
palavras, isso significa socializar a riqueza que é produzida e dividida de maneira totalmente 
desigual. Corresponde também ao posicionamento político de defesa da qualidade dos serviços 
e políticas sociais. Isso demonstra também que o projeto ético-político do Serviço Social possui 
uma forte expressão política, uma vez que “[...] posiciona-se a favor da equidade e da justiça 
social, na perspectiva da universalização do acesso a bens e serviços, às políticas e programas 
sociais” (NETTO, 2017, p. 16). Ademais, está relacionado com a efetivação dos valores de cidadania.
Para que a efetivação desse projeto aconteça é preciso competência técnica por parte do 
assistente social, algo que só é concebido através do aperfeiçoamento intelectual, que deve 
ser estimulado desde a formação profissional, nos cursos de graduação. Porém, esse projeto, 
praticamente hegemônico na sociedade, não é algo consolidado, mas que está em constante 
reconstrução. Essa revisão não abdica dos valores éticos, políticos e morais que norteiam o nosso 
exercício. Porém, Netto (2017) ressalta que a consolidação desse projeto deve ser assentada no 
36
Unidade I
contributo de outras categorias que partilhem dos mesmos valores. Enfim, são postulados que 
buscam, de fato, colaborar com a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual.
 Saiba mais
Para entender melhor a discussão sobre o projeto ético-político do 
assistente social, veja o texto a seguir:
MOTA, A. M. A. Projeto ético político do serviço social: limites e 
possibilidades. Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 10, n. 1, p. 56 - 68, 
jan./jul. 2011. Disponível em: https://bit.ly/3slSoK5. Acesso em: 22 out. 2020.
Chegamos ao final desse percurso, mas, antes de orientarmos a discussão para outra 
perspectiva do fazer profissional, gostaríamos de convidá-lo para observar a figura a seguir, que 
sintetiza as discussões presentes neste capítulo.
Projetos societários Projetos de trabalhos Projeto ético-político 
(projetos de trabalho)
- Coletivos
- Orientados por 
valores de classe
- Coletivos
- Construídos em 
torno de categorias 
de trabalhadores
- Coletivo
- Construído com 
base em valores 
humanitários
- Visam consolidar 
uma nova ordem 
societária
- Projetos de ambas 
as classes
Representam 
a profissão na 
sociedade
- Defesa dos 
segmentos mais 
vulneráveis
- Defesa das 
políticas sociais
Figura 3 – Representação dos conceitos: projetos societários, 
projetos de trabalho e projeto ético-político
Agora, convidamos você a adentrar outra discussão sobre o cotidiano das ações do assistente 
social e que está vinculada à elaboração dos dispositivos de planejamento. Nesse item, vamos 
trazer os conceitos sobre os tipos de planejamento que mais se apresentam nas práticas 
profissionais dos assistentes sociais.
3 A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL E SUA RELAÇÃO COM O PLANEJAMENTO
Michelle A. A. de Carvalho (2016) nos diz que o planejamento das ações é hoje dimensão 
constitutiva do nosso cotidiano profissional. No entanto, temos no Serviço Social uma 
historicidade que demarca a relação firmada entre Serviço Social e planejamento. Desse modo, 
37
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Carvalho (2016) nos apresenta essa discussão de forma a compreender as mudanças processadas 
na relação que o planejamento estabelece com nossa categoria e que se manifesta na profissão 
desde meados dos nos 1950.
Para entender essa relação, a autora nos chama a rever o contexto dos anos 1950, quando 
o planejamento passa a participar dos discursos desenvolvimentistas de Jânio Quadros. Nesseperíodo, o país passa a ter, por meio do Estado, o ideal de desenvolvimento econômico visando 
a superação da situação de subdesenvolvimento em que estava o país. Esse entendimento, 
divulgado sobretudo pela Organização das Nações Unidas (ONU), pressupunha que os Estados 
encontrassem alternativas internas para o desenvolvimento econômico, superando, assim, a 
situação de atraso econômico vivenciado.
 Observação
O método de Desenvolvimento de Comunidade emerge no Brasil em 
meados dos anos 1950.
Nesse contexto, o planejamento econômico aparece inicialmente, dentro do Estado, como 
uma analogia entre eficiência, eficácia, ou seja, o planejamento é associado a uma forma de o 
poder público produzir ações com objetivos que estariam ligados ao desenvolvimento econômico. 
No mesmo período, os assistentes sociais passam a ter sua inserção laboral vinculada a espaços 
como o Sesi, a Legião Brasileira de Assistência (LBA), o Sesc e, ainda, em espaços como hospitais 
e nas favelas. Nesse contexto, a metodologia mais usada foi a dinâmica de grupo.
 Saiba mais
Para que possamos refletir um pouco mais sobre o período em 
questão, recomendamos o documentário a seguir. Apesar de produzido 
nos anos 1980, atualmente já está digitalizado e nos permite ter uma 
noção sobre vários ideais do Estado, dentre os quais está a perspectiva 
desenvolvimentista.
JÂNIO a 24 Quadros. Direção: Luiz Alberto Pereira. Brasil, 1981. 85 min. 
As abordagens voltadas ao desenvolvimento de comunidade demoraram um pouco a 
alcançar o Serviço Social. Essa abordagem, de forte influência norte-americana, pressupunha 
a implementação de um rol amplo de ações para ampliar o desenvolvimento econômico do 
país. O desenvolvimento proposto por meio dessa abordagem recomendava o investimento 
econômico na agricultura, por meio de sua modernização, e na educação de adultos. O Serviço 
Social acaba sendo socialmente necessário nesse período por conseguir propor intervenções 
38
Unidade I
que, em tese, modificavam o ser humano. E também porque, a longo prazo, poderiam colaborar 
com a educação popular e alcançar a população visando o desenvolvimento econômico futuro.
Carvalho (2016) então nos diz que, gradativamente, a profissão foi se aproximando mais das 
ações de Desenvolvimento de Comunidade. Isso aconteceu, essencialmente, porque as demandas 
apresentadas à profissão mudaram, levando a profissão a mudar também, para atender às novas 
configurações apresentadas. Isso porque o mercado de trabalho também se amplia. Para ser 
inserido nesse espaço, foi preciso que o Serviço Social se ajustasse às novas demandas postas. 
“O Serviço Social deve urgentemente reestruturar-se. Readaptar-se procurando sintonizar 
seu discurso e métodos com as preocupações das classes dominantes e do Estado em relação 
a questão social e sua evolução” (CARVALHO, 2006, p. 34). Isso exigiu, segundo a autora, o 
desenvolvimento de novas capacidades técnicas e de intervenções voltadas ao planejamento. 
Nesse momento, aliás, o assistente social passou a ter a atribuição de planejador incorporada à 
sua prática profissional.
Nos anos 1980 e 1990, foi fortalecido o entendimento de que os assistentes sociais deveriam 
atuar dentro de instituições e que, por isso, precisariam do planejamento para orientar a 
intervenção profissional nos mais variados contextos. A partir dessa reflexão, inicialmente 
endógena da categoria, mas que é representativa do contexto vivenciado, vemos que o 
planejamento passa a compor os currículos dos cursos de graduação em Serviço Social. O que isso 
significa? Que, a partir de então, os órgãos de formação passam a compreender a importância 
do preparo do aluno para atuar com planejamento. Na contemporaneidade, entretanto, já é 
consenso que o planejamento faz parte da atuação dos assistentes sociais.
Na verdade, o planejamento faz parte da natureza humana. É algo que todos fazemos no 
nosso cotidiano. Sempre programamos, mesmo que sem um rigor científico, metodológico, o que 
faremos no nosso dia, na nossa semana, em que período do ano poderemos tirar férias e assim 
sucessivamente. Apesar de ser algo humano, que fazemos praticamente todos os dias, é um 
processo racional, tipicamente humano. Algo que somente o ser humano pode realizar dado seu 
desenvolvimento neurológico (BAPTISTA, 2002). Assim, [...] o planejamento é basicamente um 
processo de racionalidade, é indiscutível que todo homem é capaz de planejar, sendo inerente 
à sua natureza essa atitude, em si dialética, de tomar decisões em relação ao futuro (BAPTISTA, 
2002, p. 17).
O planejamento, no entanto, surge como uma forma de conhecimento somente no século XIX. 
Inicialmente esse saber esteve orientado para a área da administração. O planejamento é 
instituído para dar resultados positivos para as empresas privadas e é apresentado como um 
meio de conseguir alcançar algo, sobretudo o lucro, dentro das empresas. Com o tempo, o 
planejamento foi sendo incorporado também nas empresas públicas. No âmbito das empresas 
públicas, no entanto, os conceitos relacionados ao planejamento tornam-se mais populares nos 
anos 2000, quando se consolidam.
O planejamento passa a ser vinculado à gestão social, orientando as fases de elaboração, 
execução e avaliação das ações. É por meio do planejamento, vinculado à gestão social ou gestão 
39
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
pública que teremos a necessidade da elaboração de planos, programas e projetos sociais. Tais 
elementos são documentos que sistematizam ações nas mais variadas áreas, porém, considerando 
o universo das ações públicas. São tais documentos que nos permitem implementar as ações 
planejadas previamente. Para tanto, as ações de planejamento não estão restritas às ações dos 
assistentes sociais nos órgãos públicos, mas presentes em vários outros setores (CARVALHO, 2016).
A partir disso, depreendemos outra questão que merece destaque: toda ação planejada possui 
uma finalidade, um objetivo a ser alcançado. O planejamento tem como objetivo, na verdade, 
orientar e disciplinar as ações desenvolvidas. Por conseguinte, não há como desenvolvermos uma 
ação planejada sem que tenhamos um objetivo a ser contemplado a curto, médio e longo prazo.
Em nossa atuação profissional, cada vez mais somos chamados a atuar no planejamento 
das ações, comportando assim intervenções ligadas à elaboração das ações, à construção de 
mecanismos de implementação e de controle e fiscalização. No nosso caso, temos a materialização 
da ação por meio de planos, programas e projetos que elaboramos nas mais variadas políticas 
sociais. Podemos, então, elaborar planos na área da assistência social, da saúde ou de qualquer 
política social a que estejamos vinculados. Podemos ainda elaborar projetos de intervenção 
em organizações da sociedade civil ou em instituições privadas. Esse documento deve, como 
sabemos, orientar a nossa ação em qualquer espaço de intervenção. Geralmente, estamos mais 
próximos da elaboração de projetos, algo que é mais comum em nosso cotidiano profissional. 
O projeto profissional é o instrumento mais utilizado pelos assistentes sociais em sua prática, 
pois inúmeras vezes o processo de planejamento está implícito no cotidiano institucional, sem 
uma expressão formal (CARVALHO, 2016, p. 37).
 Observação
É necessário compreender o planejamento como resultado de um 
processo técnico e político.
No entanto, independentemente do tipo de documento que estejamos elaborando (planos, 
programas ou projetos), sempre temos que ter em mente que o planejamento, para o assistente 
social, é um ato técnico e político. É um ato técnico porque evoca, necessariamente, uma dimensão 
técnica, ligada às habilidades, saberes que o profissional precisa possuir para bem desempenhá-lo. 
E é um ato político, porque nos documentos de planejamento precisamos imprimir escolhas, 
opções, decisões. “[...] a dimensão política decorre do fato de ser o planejamento um processo 
contínuo de tomada de decisões, na busca de caminhos, sobre o que fazer,por que é e para 
que fazer, onde fazer e quando fazer, quer pela área governamental, quer pela área privada 
(BARBOSA, 1991, p. 49). Tais caminhos, segundo Baptista (2002), também são orientados por 
valores ético-políticos, pelo nosso projeto ético-político, de forma que só podemos endossar 
ações que colaborem para o fortalecimento dos valores que são difundidos por nossa categoria.
40
Unidade I
 Lembrete
O projeto ético-político do Serviço Social é uma construção de valores 
éticos e morais que orientam nosso exercício profissional.
O caráter político também está associado à noção de que o planejamento não é neutro. Todo 
planejamento comporta representações e valores, interesses individuais e coletivos. Nós, quando 
elaboramos um projeto, um plano ou um programa o fazemos imbuídos de uma ideologia, de 
valores que construímos ao longo do nosso processo formativo.
Baptista (2002) ainda nos coloca que o planejamento deve ser compreendido pelos assistentes 
sociais como algo que representa uma totalidade. As ações pontuais, setoriais, estão ligadas a 
uma totalidade. Os planos, programas e projetos enfrentam situações pontuais, reais, mas que 
são representativas de um contexto mais amplo. Quando elaboramos um projeto, precisamos ter 
em mente que os fenômenos não acontecem isoladamente, mas que são resultado representativo 
de uma totalidade que engloba fenômenos econômicos, políticos e sociais.
É importante salientar que, segundo Pfeiffer (2000), os assistentes sociais têm tido uma 
formação que os qualifica na elaboração de documentos de planejamento, observando-se a sua 
denotação de um elemento técnico, político, sem neutralidade e considerando-se a totalidade. 
Isso é possível porque temos uma formação sólida e bem estruturada em torno dos quesitos 
que envolvem o planejamento. Grande parte disso ocorre porque já temos a necessidade do 
planejamento apresentada em documentos que norteiam o nosso fazer profissional como a lei 
que regulamenta a profissão e o Código Profissional de Ética.
Na lei que regulamenta a profissão do assistente social, por exemplo, em seu artigo 4º 
podemos ler:
 
I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a 
órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e 
organizações populares;
II – elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos 
que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da 
sociedade civil [...];
VI – planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais [...];
VII – planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a 
análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;
41
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
VIII – prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública 
direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às 
matérias relacionadas no inciso II deste artigo [...];
X – planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de 
Unidade de Serviço Social (BRASIL, 1993).
Nele podemos observar alguns termos como elaborar, implementar, executar e avaliar, 
que se aplicam às políticas, planos, programas e projetos, além de planejar benefícios, planejar 
e executar pesquisas e planejar e administrar instituições prestadoras em Serviço Social. São 
atividades relacionadas ao planejamento, como podemos ver. No artigo 5º da referida legislação, 
temos o destaque de competências dos assistentes sociais. As competências são atividades 
profissionais que podemos desenvolver, visto que temos habilidades que foram adquiridas em 
nosso processo formativo e que nos permitem tal empreitada.
Já o artigo 5º nos apresenta as atribuições privativas. Atribuições privativas são atividades 
restritas ao assistente social. Somente os habilitados e devidamente inscritos nos Conselhos 
Regionais que podem desempenhá-las. Nossa leitura do referido artigo nos permite inferir 
que há atividades específicas de planejamento que só podem ser desenvolvidas por assistentes 
sociais, sendo essas:
 
I – coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, 
planos, programas e projetos na área de Serviço Social;
II – planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade 
de Serviço Social;
III – assessoria e consultoria e órgãos da administração pública direta e 
indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social 
[...] (BRASIL, 1993).
Assim, vemos aqui as menções sobre a elaboração e a execução de planos, programas e projetos 
em matéria de Serviço Social. Vemos ainda que é atribuída responsabilidade ao assistente social 
em realizar ações de planejamento em unidades de Serviço Social e em atividades de consultoria. 
Nesse caso, observamos que o profissional tem garantidas por lei que algumas atividades de 
planejamento lhe sejam inerentes e não sejam desempenhadas por outros profissionais.
Temos ainda menções sobre a questão do planejamento expressas no Código Profissional 
de Ética dos assistentes sociais. Tais menções são apresentadas nos artigos: 2º, 3º, 8º, nos quais 
podemos ler:
 
Art. 2º – [...] participação na elaboração e gerenciamento das políticas 
sociais, e na formulação e implementação de programas sociais;
42
Unidade I
Art. 3º – [...] participar de programas de socorro à população em 
situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus 
interesses e necessidades;
Art. 8º – [...] programar, administrar, executar e repassar os serviços 
sociais assegurados institucionalmente; [...] empenhar-se na viabilização 
dos direitos sociais dos usuários através dos programas e políticas 
sociais (CFESS, 1993).
No artigo 2º, observamos que é apresentado como um direito do assistente social a realização 
do acompanhamento das políticas e dos programas sociais. Já o artigo 3º indica um dever do 
assistente social. Como dever vemos que é apresentada a participação do assistente social em 
atividades de socorro em casos de calamidade pública. Mas isso seria planejamento? Podemos dizer 
que as ações de execução comportam planejamento? De acordo com os estudos que realizamos, 
o planejamento evoca também a execução e o acompanhamento das ações desenvolvidas. E, por 
fim, no artigo 8º vemos que cabe ao profissional serem assegurados os direitos de administração 
dos serviços sociais visando a construção de direitos por meio de programas e políticas sociais.
Dentre as discussões que temos observado nessa relação entre planejamento e Serviço Social, 
a disciplina pretende aprimorar e discutir dois conceitos de planejamento que são fundamentais: 
o planejamento estratégico e o participativo. Tais conceitos também são hegemonicamente 
apresentados por autores como Baptista (2002), que é, como sabemos, uma valiosa referência no 
estudo do planejamento aplicado ao Serviço Social. Abordaremos tais conteúdos nos próximos 
itens. Por enquanto, convidamos você para refletir sobre a matéria a seguir.
MS tem 131 crianças disponíveis para adoção
Em Dourados, há cerca de 50 acolhidos, sendo seis à espera de uma família
O Estado de Mato Grosso do Sul tem 131 crianças disponíveis para a adoção. 
São meninos e meninas que já foram destituídas completamente do convívio dos pais 
biológicos e que aguardam nova família. Em Dourados cerca de 50 crianças e adolescentes 
estão vivendo em casas de acolhimento. Apesar do número expressivo de acolhidos, 
apenas seis estão aptos para adoção, sendo cinco adolescentes e uma criança de 8 anos. A 
assistente social e coordenadora do “Projeto Adotar”, da Vara da Infância, Valdirene Campos 
Schmitz Pereira, diz que o principal desafio continua sendo encontrar famílias dispostas a 
fazer a adoção tardia, além de grupos de irmãos e crianças com algum tipo de deficiência. 
O Projeto Adotar existe em Dourados desde 2005 e tem parceria com a maternidade. A mãe, 
no ato de dar à luz, pode expressar o desejo de entregar a criança para a adoção. A partir daí 
o juizado é informado, ambos serãoassistidos e a adoção ocorrerá de forma legal.
O projeto também faz o curso de preparação e contato com os pretendentes, mantém 
o cadastro atualizado, faz a busca de famílias para crianças que estão disponíveis, 
acompanhamento das gestantes que pretendem entregar a criança para a adoção, além de 
43
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
acolher e orientar a entrega voluntária. No mês da criança o Sistema Nacional de Adoção 
e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicaram que mais de 30 mil 
crianças e adolescentes estão em situação de acolhimento em mais 4.533 unidades em todo 
o país. Deste total, 5.154 mil estão aptas a serem adotadas.
Uma criança ou adolescente pode receber a medida protetiva de acolhimento institucional 
ao se detectar uma situação de risco, negligência, abandono, maus-tratos, entre outras 
violações de direitos. A medida tem caráter temporário, até o retorno da acolhida, por 
adoção ou reintegração familiar, considerando o interesse da criança e do adolescente.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude 
(Abraminj) e desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), José Antônio 
Daltoé Cezar, o Poder Judiciário tem implementado uma visão integral no acolhimento. 
“Temos observado um grande esforço judicial, desde audiências on-line até a busca por 
capacitação dos agentes de direito, para que a criança tenha seus direitos como indivíduo 
respeitados. O próprio CNJ, com uma iniciativa de aprimorar os cadastros de adoção para 
dar celeridade ao processo, contribui para esse contexto mais ágil e buscando sempre a 
melhor condição para a criança.”
Programas em Dourados
A Vara da Infância de Dourados oferece três principais projetos de adoção, auxílio e 
bem-estar das crianças abrigadas em Dourados. O “Adotar” faz triagem com os casais 
interessados em crianças já destituídas do poder familiar. Criado em setembro de 2005, tem 
uma média de adoções de 2 a 3 crianças por ano. Para adotar, os casais (solteiro também 
pode) passam por triagem e curso de adaptação.
A principal dificuldade é que a maioria dos casais se interessam por crianças 
recém-nascidas ou com, no máximo, um ano. Isto faz com que as maiores permaneçam 
mais tempo nos abrigos.
Padrinho
O Projeto Padrinho existe desde 2003 em Mato Grosso do Sul e há dois anos em 
Dourados. Beneficia crianças que moram nos abrigos e as que estão em situação de risco, 
inclusive assistidas pala Vara da Infância e Juventude de Dourados. O projeto conta com 
padrinhos doadores de bens e materiais, prestadores de serviços, como médicos, psicólogos 
entre outros profissionais e nove são afetivos, que levam as crianças para dias de lazer.
Qualquer pessoa acima de 18 anos pode se cadastrar como padrinho. Não há limite de 
vagas. A função do apadrinhamento é contribuir de alguma maneira com a criança. Fica a 
critério do padrinho o tempo e tipo de ajuda, que pode ser material, afetiva, profissional 
e educacional.
44
Unidade I
Pai de verdade
Criado em outubro de 2007 na Comarca de Dourados, o projeto Pai de Verdade tem 
como foco informar e conscientizar os pais da importância do reconhecimento de seus 
filhos [...].
Fonte: Araújo (2020).
A matéria menciona vários dispositivos de planejamento. Vemos, citados ali, o Projeto Adotar 
e outros projetos como o Padrinho e o Pai de Verdade. Notamos, em tais ações, que o Padrinho e 
o Pai de Verdade estão ligados a um Programa voltado para a adoção. Podemos dizer que aqui 
há expressões do planejamento? Afinal, aqui temos uma finalidade a alcançar? Tais projetos 
ajudariam a pensar e orientar o cotidiano das práticas profissionais?
Após refletir sobre essas questões, podemos continuar a apresentar os tipos de planejamento.
3.1 Planejamento estratégico e planejamento participativo
O planejamento estratégico é aquele que pressupõe uma intervenção que atenda as 
necessidades geradas em situações complexas, sendo que se busca sua transformação. Desse 
modo, a ação visa tornar a instituição mais eficiente. Essas ações podem ser desenvolvidas tanto 
em instituições públicas quanto em espaços privados. O planejamento estratégico, assim como 
os demais modelos, demanda a instituição de ações concretas para alcançar uma dada finalidade 
(PFEIFFER, 2000).
Carlos Matus, importante economista do governo chileno entre 1965 e 1970, elaborou o 
conceito de planejamento estratégico situacional. O planejamento estratégico situacional 
é uma manifestação contrária ao planejamento tradicional, contra a morosidade e a falha na 
gestão das organizações. Essa perspectiva de planejamento pressupunha ainda a organização do 
processo por meio de três fases, sendo essas: o momento explicativo, o momento normativo e o 
momento estratégico. O momento explicativo é aquele em que explicitamos o que foi, o que é 
e o que tende a ser.
No momento explicativo buscamos caracterizar a ação a ser desenvolvida, demonstrando a 
realidade da instituição anteriormente. A fase explicativa é a primeira delas. Na sequência à fase 
explicativa, conforme Pfeiffer (2000), teremos então a fase normativa. No momento normativo 
devemos descrever detalhadamente como desenvolveremos a ação. As ações que descreveremos 
nessa fase do planejamento são idealizadas a partir da fase explicativa que a precedeu. Afinal de 
contas, na primeira fase fazemos um diagnóstico a respeito da situação atual e das mudanças 
necessárias ou pretendidas. A última fase, conforme nos indica a autora, foi nomeada como 
momento estratégico, que é quando apresentamos o que poderá ser. Em outras palavras, na 
fase normativa apresentamos as propostas e na estratégica buscamos detalhar o que pode ser, 
ou seja, quais são as mudanças pretendidas por meio das ações realizadas.
45
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
 Observação
O planejamento estratégico pressupõe a indução de mudanças por 
meio de ações concretas.
Além de propor a indução de mudanças nas situações estudadas, o planejamento estratégico 
situacional é objeto de execução nas organizações públicas e nas organizações privadas. 
O planejamento estratégico é o elo de articulação entre a gestão e a intervenção e visa, com a 
ação, provocar mudanças significativas em situações específicas. Seu objetivo é, a longo prazo, 
tornar a organização mais eficiente e eficaz.
 Observação
O planejamento participativo evoca a inserção da população nas 
atividades ligadas à ação.
O planejamento participativo, por sua vez, é uma modalidade de ação que demanda a 
consolidação de objetivos de ação, de um diagnóstico prévio e de propostas de ação, assim como 
no planejamento estratégico. Porém, nessa modalidade observamos que há possibilidade de 
distribuição de poder para definir quais medidas serão tomadas para cada ação proposta. quebrar 
pessoas podem colaborar na escolha das decisões adotadas em um projeto ou intervenção social. 
Esse planejamento é descrito por Pfeiffer (2000) como uma forma de se corrigir uma injustiça 
social através da inserção da população nos espaços de discussão de debate. Há a associação da 
participação no planejamento com a correção de deficiências ou desigualdades presentes em 
um dado contexto.
Matus (1996) destaca que o planejamento participativo evoca a necessidade da realização 
de ações grupais para a discussão de temas específicos. Esse tipo de planejamento tem como 
objetivo solucionar problemas que sejam comuns a uma determinada comunidade ou grupo. 
Por abordar problemas que são comuns aos grupos, esse tipo de planejamento coloca as pessoas 
como protagonistas da ação.
Esse tipo de planejamento surgiu, inicialmente, nos anos 1990, em instituições que não visavam 
lucro. Hoje, as organizações públicas recorrem, em sua maioria, a esse tipo de planejamento, uma 
vez que tais organismos são subjugados pela ótica da democratização. No entanto, há empresas 
privadas que buscam também consolidar espaços de participação em suas ações, visando dar voz aos 
envolvidos em determinadasações. Espera-se que a realidade mude a partir da participação 
dos envolvidos frente à situação sob a qual se pretende interferir no sentido da mudança. Aliás, é a 
participação popular que auxilia na elaboração dos parâmetros postos para a organização de ações 
focadas no bem comum.
46
Unidade I
 Lembrete
Todo planejamento tem um objetivo, uma finalidade a ser alcançada.
O planejamento participativo pode apresentar três fases em seu desenvolvimento. São elas: 
preparação, acompanhamento e revisão. A preparação é a fase inicial em que delimitamos 
os problemas comuns, de forma coletiva, e que têm afetado mais um determinado grupo ou 
segmento social. Na fase da preparação definimos coletivamente quais serão as medidas mais 
eficazes para enfrentar a situação apresentada. Após a deliberação coletiva de tais temas, 
passamos à ação. A ação passa a ser executada, implementada, e isso requer acompanhamento. 
No acompanhamento comparamos o que foi idealizado inicialmente e o que está sendo 
executado a partir das ações concretas. É o momento da avaliação, compreendida como algo que 
acontece durante o desenrolar da ação. A fase final, por sua vez, seria a de revisão, que é quando 
olhamos com certo distanciamento para todo o processo, buscando superar as deficiências 
possíveis e identificando também os avanços conquistados (MATUS, 1996).
Importante ressaltar que a avaliação é recomendada por vários autores como algo que 
aconteça em todo o processo de planejamento e de desenvolvimento das ações. Carvalho 
(2001) nos diz que realizar uma avaliação é um dever ético, visando melhor qualificar a prática 
desenvolvida. É também um componente estratégico, pois nos permite dimensionar a nossa 
ação proposta. E a autora ainda nos coloca que a avaliação nos auxilia até mesmo na captação 
de recursos. Ou seja, a avaliação é essencial para a consolidação de um planejamento, de fato, 
eficiente e eficaz. Uma avaliação indica ainda a necessidade de decisões políticas (no sentido 
da escolha) e é também um meio de aprendizado para que os responsáveis pela ação possam 
orientá-la de maneira adequada.
Todas essas fases de planejamento acontecem de maneira ininterrupta. O que desejamos 
declarar com tal afirmação? Que sempre podemos preparar novamente as nossas ações, que 
devemos acompanhá-las e também revisá-las sempre que for necessário. O planejamento não 
é um processo estanque, congelado e rígido, mas sim um processo de constante construção e 
reconstrução. A questão do planejamento participativo, que o define enquanto tal, é realizar a 
inserção da população durante todo o desenvolvimento da atividade.
Podemos organizar um planejamento que seja estratégico e participativo? Será que essas 
modalidades de organização são antagônicas? Pfeiffer (2000) afirma que podemos agregar esses 
dois formatos, visto que o planejamento estratégico estará mais orientado para o desenvolvimento 
de ações em prol de situações complexas e objetiva a transformação, enquanto o planejamento 
participativo busca inserir a população na elaboração e na execução das ações, tornando o 
processo de planejamento mais representativo dos pares que estão envolvidos. Desse modo, 
podemos inferir que sim, podemos ter um planejamento estratégico e participativo.
47
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Aliás, Cury (2001) destaca que é fundamental que façamos a incorporação da gestão 
estratégica nas áreas públicas e nas organizações da sociedade civil. Para a autora, a gestão e 
o planejamento estratégico são aplicados em empresas privadas, mas também podem trazer 
benefícios para a gestão das áreas públicas e de organizações que prestam serviço com finalidade 
social. Ela ressalta algumas atividades ou condutas comuns na gestão estratégica e que podem 
ser incorporadas para a área pública, começando pela importância substancial de realizarmos 
uma análise minuciosa do contexto sobre o qual pretendemos realizar a intervenção. Nessa 
análise, também precisamos considerar o contexto interno e externo, sendo o contexto interno 
aquele do espaço institucional e o externo corresponde a todos os fenômenos e eventos que 
influenciam o problema sobre o qual pretendemos intervir. Essa análise do contexto, de acordo 
com a autora, faz menção a conceitos relacionados ao planejamento estratégico.
Visando associar o planejamento estratégico ao participativo, a gestão social tem como 
proposta a incorporação de algumas ações, dentre elas: a realização de entrevistas e reuniões 
grupais a serem realizadas com o público-alvo das intervenções e a equipe vinculada à organização. 
Isso daria, segundo Cury (2001), substrato para que pudessem ser elaborados documentos 
relacionados ao planejamento, como planos, programas e projetos. Essas aproximações 
permitiriam a identificação dos objetivos das ações, das atividades a serem desenvolvidas, dos 
recursos necessários para cada intervenção e das formas de avaliação que poderemos usar em 
cada tipo de intervenção. Quando apresentarmos os modelos de planos, programas e projetos, 
aprofundaremos a discussão sobre a avaliação.
O planejamento se torna concreto ao ser representado por meio de documentos específicos. 
Dentre eles, podemos citar os planos, programas e projetos. Vamos conhecê-los.
3.2 Os dispositivos básicos do planejamento: planos, programas e 
projetos
Para colaborar com a sua formação, tornando esse processo de construção do conhecimento 
mais significativo, optamos por estruturar esse item por meio da discussão das principais 
especificidades de um plano, de um programa e de um projeto. Na sequência, apresentaremos 
alguns exemplos dessas ações.
 Observação
O plano confere linhas gerais, discussões amplas dentro do processo 
de planejamento.
Vamos começar, então, com o plano, que é responsável por oferecer o referencial teórico 
e político para que possamos pensar as ações políticas e também específicas. No plano temos 
a relação entre meios e fins das ações. É um documento amplo, de maior alcance, genérico. 
É no plano que traçamos “[...] as grandes estratégias e diretrizes que permitirão a elaboração 
48
Unidade I
de programas e projetos específicos” (CURY, 2001, p. 41). O plano oferece a sustentação para 
implementar as ações mais próximas da execução, por meio de programas e de projetos.
Mas como são definidas as ações a serem desenvolvidas por meio de um plano? A partir 
de um diagnóstico detalhado sobre os principais problemas que desejamos atacar com nossas 
ações. O plano é o meio de apresentar, de forma lógica, coerente e organizada, quais problemas 
serão enfrentados. Para cada problema social apresentado, há uma área de concentração, que 
define a tônica para a elaboração dos programas e dos projetos.
Vamos considerar que em um município foi realizado um amplo estudo diagnóstico e se 
constatou, com vários dados colhidos no território, um elevado índice de adolescentes evadidos 
da escola e envolvidos com tráfico de drogas. Os dados apontam que há um número elevado de 
mortes desse público em regiões periféricas, controladas pelo tráfico. Isso é avistado e trazido 
para o plano nas áreas relacionadas à assistência social e à saúde. Como o plano é algo amplo, 
ele apresenta como proposta de ação um programa que irá viabilizar a inserção do adolescente 
em atividades de convivência e fortalecimento de vínculos oferecidas pelo Cras e também 
indica a necessidade de intervenções na área da saúde, para atender os casos que, porventura, 
apresentem dependência química. Partindo disso, a assistência social, realizada por meio do 
Cras, elabora um projeto de intervenção para esse público e seus familiares, envolvendo nessa 
ação a rede de atendimento, enquanto os profissionais da área da saúde elaboram outra frente 
de ação mais ligada com questões decorrentes da dependência química. Ambas trabalham de 
forma articulada e estruturada. Tais ações, somadas, colaborarão para que seja possível sanar o 
problema que foi inicialmente tratado no plano desse município.
Pensandoem um modelo de plano, optamos por destacar o modelo usado pelo município 
de Sooretama, no Espírito Santo, apenas a título de exemplo. O plano em questão refere-se à 
Assistência Social e é composto pelos seguintes itens:
1. Identificação: apresentação de informações sobre o gestor municipal da assistência 
social, sobre o órgão que faz a gestão assistencial, sobre o Conselho Municipal de 
Assistência Social e sobre o Fundo Municipal de Assistência Social.
2. Apresentação: introdução ao Plano Municipal da Assistência Social.
3. Conhecendo o município: apresentação do município onde será desenvolvida a ação, 
incluindo aspectos relacionados à história.
4. Caracterização do órgão gestor da assistência social: desenvolvimento histórico do 
órgão gestor e da estrutura atual, que delimita tal espaço.
5. Instâncias de controle social: apresentação do Conselho Municipal da Assistência 
Social, do Conselho Gestor do Fundo Municipal de Assistência Social e dos demais conselhos 
vinculados à pasta.
49
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
6. Conferência municipal da assistência social: dados sobre as últimas conferências já 
realizadas, incluindo metas a serem alcançadas na área da assistência social.
7. Conhecimento da realidade socioeconômica: dados que buscam apresentar e 
caracterizar a situação econômica do território.
8. Rede de políticas públicas intersetoriais: apresentação dos serviços desenvolvidos na 
saúde, na educação e nas instituições conveniadas com a assistência social, destacando o 
papel de cada um deles na atenção das demandas geradas no âmbito da assistência social.
9. Instância de Proteção Social à Criança e Adolescente: apresentação de uma repartição 
da Assistência Social voltada especificamente para esse público.
10. Rede privada da assistência social do município: dados sobre as instituições privadas 
que colaboram com a assistência social e a vinculação das referidas instituições aos 
programas estabelecidos.
11. Objetivos: objetivos gerais e específicos da assistência social a curto, médio e 
longo prazo.
12. Diretrizes e prioridades: referências ético-políticas da assistência social definidas 
a partir da Política Nacional de Assistência Social e delimitação das ações prioritárias de 
intervenção com as respectivas justificativas.
13. Detalhamento das ações estratégicas e metas: apresentação de quais intervenções 
serão desenvolvidas e quantas pessoas serão beneficiadas por elas.
14. Monitoramento e avaliação: apresentação dos critérios elencados a fim de mensurar 
se a ação desenvolvida em cada programa e projeto contemplou o seu objetivo final e quais 
serão os meios utilizados para realizar o monitoramento.
15. Financiamento: apresentação das fontes de recursos para o desenvolvimento de 
cada uma das intervenções que foram propostas.
Fonte: Sooretama (2017).
Esse é um modelo que pode auxiliar no contexto de elaboração do referido documento. 
Porém, os modelos são ajustáveis às necessidades de cada contexto, de cada território. É preciso 
considerar que os modelos usados também podem ser flexibilizados a depender do estado, 
do município, já que os órgãos públicos em questão podem apresentar modelos próprios 
e específicos. Outro aspecto que merece atenção refere-se ao fato de que muitos estados e 
municípios, atualmente, têm um sistema próprio para o registro dessas informações. No estado 
de São Paulo há um sistema informatizado em que são alocados, na área da Assistência Social, 
os planos municipais. Esse sistema é atualizado anualmente, mas as ações têm uma proposta de 
50
Unidade I
execução pensada para o período de quatro anos. O roteiro apresentado é apenas um exemplo, 
que pode estar presente em planos municipais ou não, a depender da realidade sobre a qual a 
ação será empreendida.
 Observação
Os planos municipais são elaborados de acordo com a política social a 
que estão vinculados.
Outro aspecto de grande relevância para a compreensão dos planos municipais é ter em 
mente que cada documento, como nos diz Cury (2001), dependerá em grande medida da área 
de atuação. Pensando em política social, é preciso pressupor que o plano deverá ser idealizado 
a partir das referências e normativas de cada área. No caso da Assistência Social, usando o 
exemplo citado, vemos que as ações e intervenções advém do que é prerrogativa desse escopo. 
No caso da saúde, a descrição das ações aconteceria tomando como base os objetivos de tal 
área. A atuação em rede pressupõe, no entanto, ações interdisciplinares entre as diversas áreas 
em questão, porém, cada qual tem uma contribuição a ser oferecida.
 Observação
Programas são o detalhamento do plano. Nos programas temos a 
apresentação das ações propostas em cada setor.
Sendo assim, os planos são documentos gerais, amplos e neles temos a apresentação de 
programas e projetos que serão desenvolvidos em cada esfera de atuação, visando o enfrentamento 
dos problemas sociais e das necessidades sociais apresentadas em cada contexto. Isso nos leva a 
discutir outro aspecto de grande importância e que se refere ao programa. Cury (2001) descreve 
o programa como sendo o aprofundamento do plano. É o detalhamento, por setor, das políticas 
propostas e das diretrizes que foram discutidas no plano.
O programa é “[...] um conjunto de projetos que buscam os mesmos objetivos” (CURY, 2001, 
p. 41). Tais projetos, de maneira associada, colaboram para contemplar os objetivos do programa 
e, a longo prazo, do plano. No programa temos o estabelecimento de prioridades, que resulta no 
ordenamento dos projetos e dos recursos para cada esfera de atuação. Os parâmetros elencados 
e sumariados nos programas resultam em projetos de intervenção.
Partindo do exemplo citado anteriormente, percebemos que, no Plano Municipal de 
Sooretama, há uma instância voltada à atenção de crianças e adolescentes, visto que as 
análises territoriais demonstraram a necessidade de uma intervenção mais específicas para 
essa demanda. Como elaborar, então, um programa de ação direcionado para essa demanda? 
Veja, a seguir, o que foi proposto:
51
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
1. Identificação: apresentação dos dados do município, do órgão gestor responsável pela 
ação, dos profissionais que irão responder por tal intervenção.
2. Antecedentes e diagnóstico: descrição pormenorizada dos aspectos relacionados no 
plano e que justificam a constituição do programa em questão.
3. Objetivos e metas: detalhamento geral e específico do programa a curto, médio e 
longo prazo e definição das metas de atendimento.
4. Metodologia: apresentação das atividades que serão desenvolvidas em cada projeto 
que estará vinculado ao programa, sendo recomendada a inserção de um cronograma 
de atividades.
5. Avaliação: sumário dos critérios utilizados, em cada projeto, para analisar se a ação 
proposta tem conseguido contemplar o seu objetivo geral.
6. Recursos: definição dos recursos necessários para a ação, lembrando que não 
indicamos aqui apenas os recursos financeiros, mas também os materiais e os recursos 
humanos necessários para o desenvolvimento dos projetos.
Fonte: Sooretama (2017).
 Observação
O projeto é a menor dimensão do planejamento. É a que está mais 
próxima da intervenção.
Os programas são documentos que estão mais próximos da ação. E cada programa resulta 
em uma série de projetos. O projeto, por sua vez, é um documento construído de forma racional 
e lógica, que corresponde a pensar a ação concretamente. É um documento que comunica sob 
quais bases, no cotidiano das práticas, as ações serão desenvolvidas. Um projeto representa os 
objetivos específicos idealizados no programa, vinculando-os a um orçamento reduzido, apenas 
o necessário para o desenvolvimento de ações mais específicas e pontuais. O projeto é uma ação 
que possui um tempo menor de execução e, por analogia, é mais delimitado.
Porém, os temas de planos, programas e projetos estão articulados, interligados e relacionados, 
partindo de níveis de maior complexidade paraaqueles de menor complexidade. “Quanto maior 
o âmbito e menor o detalhe, mais o documento se caracteriza como um plano; quanto menor o 
âmbito e maior o grau de detalhamento mais ele terá as características de um projeto” (CURY, 
2001, p. 42).
52
Unidade I
Vamos pensar em um modelo de projeto? Vejamos a proposta de Cury (2001, p. 50-51), 
conforme indicado a seguir:
1. Título do projeto: descrição do nome por meio do qual o projeto será identificado.
2. Sumário executivo: resumo de todas as questões que envolvem a ação proposta no 
projeto, vinculando-o ao programa e ao plano.
3. Apresentação da organização: descrição pormenorizada das informações que 
permitem o conhecimento da realidade institucional.
4. Análise de contexto e justificativa: apresentação da realidade do território e sua 
relação com a ação proposta, enfatizando porque a intervenção desenvolvida precisa ser 
desenvolvida, ou seja, qual é a relevância social dessa proposta.
5. Objetivos e metas: objetivo geral e objetivos específicos a alcançar por meio da ação 
e das metas contempladas para um determinado período.
6. Público-alvo: quais são os segmentos prioritários de intervenção.
7. Metodologia: quais abordagens de ação serão desenvolvidas dentro do projeto.
8. Sistema de avaliação: quais serão os meios necessários para realização de avaliação, 
quais os critérios necessários e indicadores pactuados.
9. Cronograma de atividades: quais atividades e em que período que serão desenvolvidas.
10. Cronograma físico-financeiro do projeto e composição do orçamento: quais serão 
as fontes de recursos usados no projeto, compreendendo valores destinados para a ação e 
também os órgãos financiadores, sendo necessário também destacar em que natureza de 
despesa o recurso será custeado.
11. Anexos: informações complementares e que sejam vitais para o entendimento da 
ação proposta.
Fonte: Sooterama (2017).
Aqui retomamos o que já havíamos apresentado anteriormente, quando discutimos o plano. 
Os projetos também podem possuir modelos próprios, a depender do agente financiador das 
ações. No entanto, precisam estar articulados a planos e programas, e manter a coerência com 
a lógica das políticas sociais com as quais estão vinculados.
Pensando uma vez mais nesse programa de ação dedicado a crianças e adolescentes, 
poderíamos pensar em projetos que estivessem voltados, na área da Assistência Social, para 
atuar com crianças por meio das atividades de convivência em contraturno escolar, por meio 
do oferecimento de formação para adolescentes via cursos de capacitação e outras ações afins. 
53
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Um programa pode resultar em diversos projetos e o que define isso é, na verdade, o diagnóstico 
realizado em relação às ações necessárias em um dado território.
 Saiba mais
Nos sites a seguir, vemos várias ações já desenvolvidas por organismos 
diferenciados, com projetos muito interessantes:
Instituto Reação – organização da sociedade civil que atua com 
crianças e adolescentes, desenvolvendo projetos voltados para a prática 
de atividades esportivas, atividades de formação complementar e preparo 
esportivo para a formação de atletas. Promove a integração social por 
meio do esporte e da educação.
INSTITUTO REAÇÃO. Disponível em: https://bit.ly/39cQLXS. Acesso em: 
24 mar. 2021.
IDE projetos sociais – organização da sociedade civil que desenvolve 
projetos com crianças e adolescentes nas áreas da saúde, esporte, 
assistência social e profissionalização.
IDE PROJETOS SOCIAIS. Disponível em: https://bit.ly/3tT8uex. Acesso 
em: 24 mar. 2021.
Os conteúdos apresentados são necessários para o nosso exercício profissional e consideramos 
que poderão auxiliar substantivamente no planejamento e desenvolvimento de ações propostas 
em planos, programas e projetos. Observe também as indicações disponíveis nos itens Saiba 
Mais, nos quais dispusemos algumas experiências de projetos já realizados. Ver outros projetos 
nos ajuda a refletir sobre as ações sociais em pauta e sobre dispositivos que já foram executados 
com sucesso. É importante ter em mente que cada realidade é particular e única, mas também 
que podemos aprender a partir de outras experiências. Para concluir, inserimos, a seguir, uma 
síntese do conteúdo discutido nesse item.
Planos Programas Projetos
Diretrizes gerais 
das ações
Intervenções 
setorizadas
Documento mais 
próximo da ação
Apresentação 
de programas e 
projetos
Define 
prioridades, 
projetos e 
recursos
Ação específica e 
menor âmbito da 
intervenção
Figura 4 – Diferenciação de planos, programas e projetos
54
Unidade I
Vemos que há diferenciações em relação à abrangência da ação a depender do documento, 
sendo o plano o mais amplo e o projeto o mais específico.
Ainda dentro do conceito de planejamento, vimos que o item avaliação está presente em 
planos, programas e projetos. Dentre todos os itens aqui apresentados, esse, especificamente, 
exige de nós uma atenção especial, devido à sua importância na hora de pensar nossa intervenção 
nos problemas sociais enfrentados por meio dos dispositivos que aqui estudamos. Inclusive 
porque há certa confusão entre os conceitos de eficiência, eficácia e efetividade. A delimitação 
conceitual é importante na elaboração de planos, programas e projetos, pois evita que tais 
quesitos sejam elaborados erroneamente.
Carvalho (2001) salienta que a eficiência é mensurada por meio da comparação entre os 
recursos destinados para uma ação e os benefícios que esta proporcionou. Na avaliação de 
eficiência analisamos se uma ação teve o menor custo frente ao atendimento de sua demanda. 
Uma ação será considerada mais eficiente à medida que conseguir otimizar recursos e atender 
ao número idealizado como meta ou mais. Uma ação extremamente eficiente é aquela que 
consegue, com um valor estimado de recursos, atender a um número maior de beneficiários. 
“A gestão de um projeto será tão mais eficiente quanto menor for o seu custo e maior benefício 
introduzido pelo projeto” (CARVALHO, 2001, p. 71).
Por sua vez, a avaliação de eficácia está vinculada ao alcance dos objetivos propostos 
pela ação. Uma ação eficaz se dá quando é possível atender o que foi idealizado. A eficácia é 
contemplada quando os objetivos e as metas foram contemplados. E, por fim, temos a avaliação 
de efetividade, que acontece quando conseguimos realizar mudanças sociais por meio da 
ação desenvolvida. A efetividade corresponde às mudanças realizadas na qualidade de vida dos 
atendidos e são mais comuns para ações desenvolvidas na área social. A avaliação de efetividade 
corresponde ao “[...] atendimento das reais demandas sociais, ou seja, à relevância de sua ação, 
à sua capacidade de alterar as situações encontradas (CARVALHO, 2001, p. 71).
Todos esses quesitos podem ser sumariados em cada plano, programa ou projeto de 
intervenção. A sua delimitação advém da reflexão e do diagnóstico realizado a partir de cada 
ação e de cada território. Não há como definir quais critérios podem ser apresentados com tal 
objetivo, uma vez que isso vem da ação desenvolvida frente às necessidades apresentadas.
55
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Eficiência Eficácia Efetividade
Mensura a relação 
de recursos versus 
benefícios
Alcance dos 
objetivos e metas
Atendimento das 
demandas reais
Menor custo para 
um maior número 
de beneficiários
Possibilidade de 
atender à meta 
ou mais
Mudanças na 
qualidade de vida
Figura 5 – Diferenciação dos conceitos de eficiência, eficácia e efetividade
É importante compreender as diferenças dos conceitos em relação aos critérios que podem 
ser sumariados no processo de avaliação. Incorporá-los ao nosso processo de planejamento é 
vital para a condução e elaboração de um planejamento ético e coerente. Além disso, ter critérios 
bem delimitados de avaliação garante a qualidade do planejamento e, consequentemente, das 
intervenções propostas.
 Observação
A avaliação ex-ante acontece antes do desenvolvimento da ação. Jáa 
avaliação post-facto é a que realizamos após o desenvolvimento da ação.
O conceito de avaliação, de Carvalho (2001), ainda incorpora as noções de avaliação ex-ante 
e post-facto. A avaliação ex-ante é aquela que se antecipa a ação. Também é nomeada como 
avaliação diagnóstica e precede a elaboração dos projetos. Ela é realizada com o objetivo de 
analisar se a abordagem proposta é, de fato, interessante para ser desenvolvida. Já a avaliação 
post-facto é aquela que acontece após a conclusão da ação. A avaliação post-facto deve ser 
realizada após cada ação desenvolvida.
4 A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS COMO GESTORES DE POLÍTICAS SOCIAIS
Pensar o exercício profissional do assistente social exige compreender o surgimento e 
a consolidação do Serviço Social no Brasil bem como os diferentes contextos que nos vão 
apresentando, ou seja, as demandas diferenciadas que precisamos atender. A intervenção 
por meio da gestão se apresenta como uma dessas demandas postas ao assistente social na 
contemporaneidade, mas que está ligada com o surgimento da nossa profissão no Brasil.
56
Unidade I
 Lembrete
A institucionalização do Serviço Social no Brasil acontece em virtude 
das expressões da questão social.
Cardoso e Fagundes (2013) nos colocam que assistentes sociais são chamados para intervir 
nas expressões da questão social. Essa intervenção, no contexto do surgimento da profissão 
acontece por meio da ação desenvolvida em políticas e serviços sociais. Tais políticas e serviços 
sociais são desenvolvidos pelo Estado e isso faz com que o poder público se destaque como o 
maior empregador dos assistentes sociais. Por conta disso, no começo dessa consolidação, os 
assistentes sociais eram chamados para intervir na execução das políticas sociais.
 
Inicialmente, as(os) profissionais eram contratadas(os) apenas para a 
operacionalização das políticas públicas/sociais, dado o amadurecimento e 
reformulação que o Serviço Social passou no sentido da sua perspectiva 
teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativo as(os) profissionais 
se deslocaram ao âmbito do planejamento e gestão das políticas públicas 
(CARDOSO; FAGUNDES, 2013, p. 3)
Em meados dos anos 1940, alguns assistentes sociais foram chamados para participar da 
organização de algumas instituições. Isso demonstra que alguns profissionais passaram a ocupar 
cargos muito semelhantes ao que se idealiza hoje na função do gestor. No entanto, no período em 
questão, alguns profissionais atuavam mais como administradores. A maioria dos profissionais 
atuava como um técnico que buscava executar as políticas e os serviços sociais.
Os autores apontam que somente em meados dos 1980 os conceitos de administração 
passam a ser entendidos como importantes para o Serviço Social. E isso aconteceu devido à 
ampliação de profissionais que tiveram maior inserção laboral no campo privado e, também, aos 
que passaram a integrar equipes de gestão de alguns serviços públicos. Já nos anos 1990, temos 
a revisão curricular dos cursos de graduação em Serviço Social no Brasil. Foi nesse momento 
que a administração passou a compor o currículo mínimo do Serviço Social. Além dos conceitos 
relacionados à Teoria Geral da Administração, vemos a incorporação de conceitos ligados à 
gestão social. Isso aconteceu por causa da ampliação da quantidade de profissionais vinculados 
à gestão social, gestão das políticas sociais (CARDOSO; FAGUNDES, 2013).
Outro fator importante foi o processo de democratização vivido no Brasil. A democratização 
resultou em um processo de descentralização político-administrativa, algo que viabilizou a tomada 
de decisões sobre as políticas sociais junto aos estados e municípios. Apesar de a democratização 
ter sido desenhada na realidade do Brasil em meados dos anos 1980, é somente nos anos 1990 
que temos a abertura de possibilidades de descentralização político-administrativa. Antes não 
tínhamos oportunidades de participação e de gestão. Quando essa possibilidade é avistada, o 
assistente social passa a ser requisitado como o técnico que irá atuar nessa mediação, ou seja, 
57
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
que irá desenvolver as atividades ligadas à gestão dessas políticas sociais. Cardoso e Fagundes 
(2013) ainda nos colocam que essas necessidades, de profissionais atuando na gestão de políticas 
sociais, são o resultado do processo de desenvolvimento econômico, social e político que o país 
vivenciava nesse contexto.
Nos anos 2000, a quantidade de profissionais da nossa área atuando na gestão de políticas 
sociais se amplia consideravelmente. As autoras, assim como Torres e Lanza (2013), acentuam 
que a gestão de políticas sociais é, por excelência, um processo de planejamento. Isso pressupõe, 
essencialmente, um profissional que tenha domínio técnico nesses quesitos e que esteja 
preparado para esse tipo de intervenção. Aliás, Torres e Lanza (2013, p. 207) destacam que é 
necessário que o assistente social abandone a perspectiva de “[...] mero executor terminal [...]” 
de políticas e serviços sociais para assumir o papel de “[...] planejador do processo de gestão, a 
executar a gestão das políticas sociais” (TORRES; LANZA, 2013, p. 208).
As primeiras intervenções do assistente social na gestão de políticas sociais são concentradas 
na seguridade social, em especial nas políticas sociais de saúde, previdência social e assistência 
social. Há também intervenções na habitação e na educação, porém em menor escala se 
comparada à inserção dos assistentes sociais na seguridade social, sobretudo na saúde e na 
assistência social. Hoje, essa é uma tendência ainda presente no mercado de trabalho daqueles 
que estão vinculados à gestão das políticas sociais (CARDOSO; FAGUNDES, 2013).
 Observação
A atuação do assistente social na gestão requer conhecimentos de 
planejamento estratégico e planejamento participativo.
Hoje, a inserção de grande parte dos assistentes sociais acontece por meio de intervenções 
nas quais se evoca a gestão democrática e participativa. As gestões democrática, participativa ou 
social trazem, como vimos anteriormente, os parâmetros da participação popular para as políticas 
sociais. Para isso, vimos que é necessário inserir a população nas discussões propostas em relação 
aos serviços e políticas sociais, inclusive aqueles conveniados com o poder público. Por exemplo, 
as organizações da sociedade civil que têm convênio com o Estado para o desenvolvimento de 
suas ações são instituições organizadas pela sociedade civil. Porém, também são organismos 
sujeitos à ótica do controle porque recebem recursos públicos. Outrossim, para atuar em 
qualquer um desse serviços é necessário aos assistentes sociais o conhecimento estratégico, de 
planejamento das ações que requerem mudanças e também o saber e o comprometimento com 
o planejamento participativo, social.
Ao desenvolver uma intervenção voltada à gestão social, os profissionais devem estimular 
a consolidação de alternativas que permitam o exercício do controle social, algo que também 
entrou em discussão no cenário nacional a partir da Constituição Federal de 1988. Os meios de 
controle social são garantidos em lei e devem ser incorporados na gestão de políticas sociais. 
A consolidação de espaços de controle e de possibilidades reais de participação popular é avistada 
58
Unidade I
como um meio de se colocar contra a hegemonia neoliberal e segundo a qual o Estado tem que 
diminuir os recursos na área social. O controle, a participação e a inserção da população nessas 
discussões são um elemento vital, segundo os autores, para interromper o avanço neoliberal em 
políticas sociais.
Cardoso, Fagundes (2013), Torres e Lanza (2013) nos dizem ainda que a gestão desempenhada 
pelo assistente social deve ser guiada por valores nobres e que orientam o nosso exercício 
profissional. Por conseguinte, sua prática deve sempre orientar-se pela defesa de direitos dos 
segmentos mais vulneráveis. O assistente social, gestor de políticas sociais, tem acondição e a 
responsabilidade de mediar as relações firmadas entre Estado e sociedade civil, tendo como meta 
a atenção das necessidades apresentadas pela população. Torres e Lanza (2013) ressaltam que os 
assistentes sociais gestores de políticas públicas também são atores que podem e devem fazer a 
gestão das demandas e das necessidades dos cidadãos, assim como sua atenção, com base nos 
recursos e serviços públicos disponibilizados pelo Estado. O assistente social teria potencialidade 
para elaborar também novos serviços não instituídos a partir da identificação das necessidades 
concretas dos públicos que têm sob sua responsabilidade.
Torres e Lanza (2013) ainda indicam que o assistente social, de posse do seu saber técnico, 
consegue fazer a interpretação das necessidades apresentadas pela população de seu território. 
Tal competência permite ainda que o gestor interfira na rede de serviços consolidados em um 
município ou região. Essa intervenção na rede tem a potencialidade de fortalecer os serviços 
públicos, motivo pelo qual a gestão das políticas sociais pode produzir resultados benéficos para 
além da política social em que o gestor está inserido.
Intervir em gestão também tem o seu lado mais amargo e que tem relação com a gestão 
financeira e a análise de recursos (CARDOSO; FAGUNDES, 2013), e isso evidencia a importância da 
habilidade técnica. A gestão financeira, nesse caso, é também uma atividade a ser desempenhada 
pelo gestor. Ter o domínio dessa leitura é um dos quesitos que confere eficácia à gestão. Muitas 
vezes é um saber que não foi construído no processo formativo da graduação, mas que, a partir 
de uma demanda apresentada à profissão, precisará ser construído.
A intervenção na gestão financeira comporta a condição de analisar ainda: “[...] orçamentos 
públicos, elaboração de metas, planejamento público, a exemplo do plano plurianual, orçamentos 
participativos, diagnósticos socioeconômicos, entre outros instrumentos de gestão” (HORA, 2014, 
p. 76). Os orçamentos públicos são os documentos nos quais os entes federados apresentam suas 
fontes de recursos e a natureza de despesa, e o plano plurianual é o documento no qual as fontes 
de recursos de cada área de atuação do município, estado e Distrito Federal são apresentadas. 
O orçamento é mais detalhado e elaborado de um ano para outro. Por exemplo, o orçamento 
gasto em 2020 foi elaborado em 2019. O plano plurianual é pensado para os quatro anos de 
gestão pública. Os orçamentos participativos são meios de gestão social em que a população 
é chamada para discutir sobre os recursos e sua destinação. Cabe ao assistente social, gestor 
das políticas sociais, interpretar e decodificar toda essa linguagem e utilizá-la de forma ética e 
coerente na gestão de políticas sociais. A adoção de uma postura, de uma escolha para atender 
uma necessidade social é, na verdade, um comportamento político do assistente social. Porém, 
59
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
essa escolha e a incorporação das demandas sociais requer, essencialmente, o pleno domínio de 
todos os instrumentos do seu trabalho, incluindo os documentos financeiros.
Retomamos aqui a discussão que esteve presente no início desta unidade. Somos trabalhadores. 
Somos classe trabalhadora. Estamos inscritos em relações de compra e venda do nosso trabalho. 
Dessa maneira, novas oportunidades como a gestão de políticas sociais têm sido apresentadas à 
nossa categoria. A apropriação desses espaços que também são possibilidades de efetivação de 
direitos sociais cabe a nossa categoria. Mas, para isso, é vital uma ação ética, coerente com nosso 
projeto ético-político e que demonstre nossa capacidade técnica.
Antes de concluirmos, leia o texto a seguir:
Responsabilidades do(a) ordenador(a) de despesas do Fundo de Assistência Social
O chefe do poder executivo local tem a missão de ofertar à população políticas públicas 
planejadas conforme demandas apresentadas; para isso, elabora seu programa de trabalho, 
que deverá ser desenvolvido durante todo o seu mandato. Objetivando cumprir com tal 
missão nomeia pessoas, sendo agentes políticos também, que terão a incumbência de gerir 
os orçamentos específicos dos Órgãos que estarão à frente.
A partir do ato de nomeação, estas pessoas são consideradas ordenadoras de despesas 
primárias, mas, considerando ser uma atribuição bem complexa, alguns municípios adotam 
a nomeação de um(a) agente administrativo para assumir como ordenador(a) de despesas 
secundário(a), devendo esta pessoa possuir conhecimentos na área de Finanças Públicas 
e atuar junto ao gestor(a) da pasta. Porém, muitas vezes, essa função é assumida mesmo 
pelo(a) gestor(a).
Segundo o Decreto-lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967: “§ 1° Ordenador de despesas 
é toda e qualquer autoridade de cujos atos resultarem emissão de empenho, autorização 
de pagamento, suprimento ou dispêndio de recursos da União ou pela qual esta responda”.
Com relação à Política de Assistência Social, o(a) ordenador(a) de despesas necessita de 
um amplo conhecimento da legislação relacionada, conhecimento de toda a sistemática 
para administração do Fundo, onde e como os recursos recebidos através de cofinanciamento 
podem ser aplicados, entender sobre reprogramação de saldos e apresentação de relatórios 
e documentos para prestação de contas ao conselho, entre outras questões.
Alguns municípios ainda não possuem subdivisão administrativa formalizada, junto ao 
órgão gestor da Assistência Social, para a gestão financeira e orçamentária, ficando esta 
função a cargo da Secretária de Finanças ou setor contábil.
Segundo o Censo Suas de 2016, de 4.279 Secretarias Municipais de Assistência 
Social, 66,1% já têm a subdivisão administrativa formalizada para a gestão financeira e 
orçamentária, num total de 2.828.
60
Unidade I
Sobre a questão, quem é o(a) ordenador(a) de despesas do FMAS: do total de 5.481 
secretarias, 69% são o(a) secretário(a) de assistência social e 23,7% ainda são o prefeito.
Buscando qualificar a gestão e execução financeira
A organização e qualificação da gestão do Fundo de Assistência Social tem importância 
no alcance dos objetivos do Suas, que propõe como novo modelo de gestão a definição 
clara de competências dos entes das esferas de governo e a articulação entre os três eixos 
balizadores dessa política: a gestão, o financiamento e o controle social.
A criação de canais institucionais de participação do controle social e, consequentemente, 
de usuários (as), promovem práticas participativas na organização e execução das ações 
socioassistenciais, bem como na utilização e otimização dos recursos destinados à 
Assistência Social.
O(a) ordenador(a) de despesas não pode ser apenas uma pessoa que assina documentos 
autorizando o gasto de recursos. A responsabilidade da sua função requer planejamento, 
organização e controle do uso dos recursos, pois isso será expresso na qualidade do que é 
ofertado para as famílias [...].
Fonte: Oliveira (2018).
Nele, vemos que é apresentada a figura do ordenador de despesas, pessoa especialmente 
destinada para realizar a gestão orçamentária da Assistência Social. O ordenador de despesas 
pode ser um assistente social? Poderíamos colaborar com a gestão financeira nesse aspecto? 
Deixaremos essas questões para você pensar.
 Resumo
Nesta unidade, buscamos problematizar questões que envolvem 
a inserção do Serviço Social como profissão no Brasil. Nesse sentido, 
começamos apresentando informações sobre a institucionalização do 
Serviço Social. Partindo de tais aspectos, apresentamos a discussão 
do Serviço Social como uma profissão inscrita na divisão social e técnica do 
trabalho e que participa de um trabalho coletivo. Em seguida, discutimos 
ainda o conceito de processo de trabalho, aplicando-o ao Serviço Social 
e compreendendo, por meio da análise de Iamamoto, quais categorias 
integram o processo de trabalho do assistente social na contemporaneidade.
Partindo do entendimento de que somos classe trabalhadorae que 
participamos de um processo de trabalho, abordamos outros aspectos 
do exercício profissional do assistente social discutindo a elaboração 
de projetos profissionais e de sua relação com projetos de classe social. 
61
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Partindo de tais discussões, orientamos nossa reflexão para os conceitos 
dos projetos societários, os projetos de classe social e os projetos 
ético-políticos do Serviço Social. Esses conceitos são fundamentais 
porque oferecem o pano de fundo para o nosso exercício profissional, 
para o desenvolvimento de ações concretas e em prol da população 
mais vulnerável.
Tais colocações nos levaram a pensar também sobre questões 
práticas da ação do assistente social, avançando nossa discussão sobre 
o planejamento das ações assistenciais. O planejamento, como vimos, 
integra o fazer desse profissional, que tem sua ação expressa por meio 
de planos, programas e projetos, documentos que devem ser elaborados 
para sistematizar e orientar as ações profissionais. Buscamos apresentar 
definições sobre tais elementos e, ainda, alguns exemplos que podem 
auxiliar na elaboração de documentos. Essa discussão, junto com os 
exemplos, busca viabilizar a junção entre teoria e prática, demonstrando 
a relação entre tais conceitos e a vivência cotidiana dos profissionais.
E, por fim, apresentamos a discussão, também ligada à prática profissional 
do assistente social, sobre da gestão de políticas sociais. O debate em torno 
da questão da gestão de políticas sociais também esteve orientado por 
colocações teóricas e pela apresentação de exemplos de ações já realizadas 
por assistentes sociais na gestão de políticas sociais.
62
Unidade I
 Exercícios
Questão 1. A noção de Iamamoto (2001) sobre o Serviço Social, enquanto partícipe dos 
processos de trabalho, nos mostra a aplicação do conceito marxista de processo de trabalho. 
Adotando como base os conceitos de Iamamoto (2001) sobre processo de trabalho, analise a 
situação representada a seguir:
“Mariana Dias é assistente social no município de Sucupira, onde trabalha na gestão da Política 
de Assistência Social. Sua intervenção consiste na organização de todos os aspectos ligados à 
gestão da Assistência Social do município, motivo pelo qual realiza a gestão orçamentária e das 
ações desenvolvidas pela Assistência Social do local”.
Refletindo sobre a situação representada e aplicando a ela o conceito de processo de trabalho, 
conforme definido por Iamamoto, analise as afirmativas a seguir:
I – A matéria-prima, no trabalho de Mariana, é expressa por meio das múltiplas expressões 
da questão social. Na Assistência Social também temos tais expressões.
II – Na situação exemplificada, Mariana Dias não trabalha com a matéria-prima ou com o 
objeto de trabalho do assistente social, porque atua na gestão da Assistência Social.
III – Mariana Dias participa de um processo de trabalho e, como tal, na Assistência Social, 
devendo apresentar um resultado de sua ação, um produto.
IV – A ação profissional de Mariana Dias, ou seja, o trabalho, é um componente fundamental 
para que a intervenção aconteça.
V – A Assistência Social, enquanto política social, é um condicionante a mais para o trabalho 
de Mariana, que não detém instrumentos de trabalho.
É correto o que se afirma em:
A) I, II e III, apenas.
B) I, II e V, apenas.
C) I, III e IV, apenas.
D) III, IV e V, apenas.
E) II, IV e V, apenas.
Resposta correta: alternativa C.
63
SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a matéria-prima, segundo Iamamoto (2001), incorpora as múltiplas expressões 
da questão social e que são potencializadas pelo desenvolvimento capitalista em sua fase madura 
e consolidada. Consequentemente, na política social de Assistência Social também temos as 
expressões da questão social.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: Mariana Dias trabalha na gestão da Política de Assistência Social e suas ações 
visam o enfrentamento às expressões da questão social. Por isso, podemos dizer que a assistente 
social atua em prol das expressões da questão social, visto que ela intervém nesse objeto. Sua ação 
é direcionada para atender às mazelas geradas pela questão social.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: a noção de processo de trabalho pressupõe que a ação profissional precisa 
apresentar um resultado. No sentido em pauta, da Assistência Social, Mariana também irá 
precisar conferir um resultado de sua ação, um produto.
IV – Afirmativa correta.
Justificativa: Iamamoto (2001) acentua que a ação, ou seja, o trabalho em si, é um dos 
elementos que integram a noção de processo de trabalho. Assim, a ação profissional de Mariana 
é um dos elementos que integram a noção de processo de trabalho, partindo da perspectiva da 
autora. A afirmativa em questão também está correta.
V – Afirmativa incorreta.
Justificativa: Iamamoto (2001) compreende que a Assistência Social não é um condicionante 
a mais para a intervenção do assistente social, antes, ela conforma a prática desse profissional. 
A alternativa em pauta indica o oposto. Dessa maneira, a presente afirmativa está incorreta.
Questão 2. Leia a situação descrita a seguir, considerando os estudos que empreendemos:
“Maria Lucia e Mariana cursam Serviço Social na UNIP. Após a aula da disciplina de Processo de 
Trabalho e Serviço Social passaram a discutir sobre os conceitos abordados, ao que Maria Lucia diz:
– O lado positivo é que o Serviço Social não sofre pelas condições de trabalho e pela 
precarização, pois somos pertencentes a uma profissão nobre, guiada por valores humanitários.
64
Unidade I
Já Mariana argumentou:
– Você não leu direito o material e também não prestou atenção na videoaula”.
Tendo em vista o conteúdo estudado e a situação narrada, analise as afirmativas a seguir:
I – Tanto Maria Lucia quanto Mariana estão corretas, pois cada uma construiu a sua 
interpretação sobre a profissão.
II – Maria Lucia está incorreta, pois o assistente social participa dos processos de trabalho. 
É um profissional que também está condicionado pelas alterações vivenciadas no mercado 
de trabalho.
III – A precarização e a subalternização do assistente social também são uma realidade que 
nos afeta enquanto classe trabalhadora.
IV – Maria Lucia está correta, afinal o Serviço Social não é uma profissão inscrita na divisão 
sociotécnica do trabalho.
V – Mariana está incorreta em suas colocações, pois o Assistente Social não é condicionado 
pelas condições laborais presentes em uma sociedade.
É correto apenas o que se afirma em:
A) I e IV.
B) III e IV.
C) IV e V.
D) II e III.
E) I e II.
Resposta correta: alternativa D.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o Serviço Social também é subjugado pelas relações trabalhistas. Portanto, 
é incorreto pensar, como Maria Lucia, que o Serviço Social não é influenciado pelas atuais 
condições de trabalho que afetam a classe trabalhadora.
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SERVIÇO SOCIAL E PROCESSO DE TRABALHO
II – Afirmativa correta.
Justificativa: o Serviço Social participa dos processos de trabalho, ou seja, é uma profissão que 
está vinculada ao mercado de trabalho. Como vimos, a nossa categoria também é influenciada 
por todas as condições de trabalho que a classe trabalhadora vivencia.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: o trabalho precário, subalterno, também afeta o fazer do assistente social e a 
sua relação laboral. Não há profissões que não sejam influenciadas pelas condições de trabalho, 
portanto somos classe trabalhadora e estamos expostos a essas condições laborais que se 
apresentam na sociedade.
IV – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o Serviço Social é uma profissão inscrita no mercado de trabalho. A partir do 
momento que surge a necessidade dessa ação, o Serviço Social passa a compor o rol de profissões 
que integra o mercado de trabalho. Diante disso, é incorreta a premissa de que o Serviço Social 
não é uma profissão inscritana divisão sociotécnica do trabalho.
V – Afirmativa incorreta.
Justificativa: as mudanças processadas no mercado de trabalho também exercem grande 
influência na ação do Assistente Social. Como classe trabalhadora também sofremos as alterações, 
privações e todos os outros aspectos que demarcam a ação de um trabalhador. Afirmar que o 
assistente social não sofre pelas condições laborais é uma premissa que não se sustenta e torna 
a afirmativa incorreta.

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