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UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA – UFDPar CAMPUS MINISTRO REIS VELLOSO CURSO: BACHARELADO EM PSICOLOGIA DISCIPLINA: ESTÁGIO BÁSICO I PROFA. Me. ANA ESTER MARIA MELO MOREIRA AILTON DE SOUSA ARÁUJO FRANSCISCA ALINE DA COSTA SILVA GRAZIELLY MARTINS DA COSTA RILSON DO NASCIMENTO GOMES RELATÓRIO FINAL DO ESTÁGIO BÁSICO I PARNAÍBA 2025 AILTON DE SOUSA ARÁUJO FRANSCISCA ALINE DA COSTA SILVA GRAZIELLY MARTINS DA COSTA RILSON DO NASCIMENTO GOMES RELATÓRIO FINAL DO ESTÁGIO BÁSICO I Relatório final apresentado à disciplina de Estágio Básico I da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), sob orientação da Professora Me. Ana Ester Maria Melo Moreira, como requisito parcial para obtenção de nota. PARNAÍBA 2025 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 3 2 METODOLOGIA .................................................................................................................. 4 3 RESULTADOS ....................................................................................................................... 5 3.1 Apresentação do Sistema Municipal de Saúde de Parnaíba ........................................... 5 3.2 Apresentação da Unidade Básica em Saúde (UBS) ......................................................... 7 3.3 Apresentação da atuação do psicológo na Atenção Básica ............................................. 8 3.3.1 Atividade de atuação da Psicologia na Atenção Básica em Saúde – observação ............ 11 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 12 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 13 APÊNDICE A – Registro fotográfico da visita técnica à UBS km 17 Módulo 21, Baixa da Carnaúba ................................................................................................................................... 14 APÊNDICE B – Registro fotográfico da visita técnica ao CRAS Baixa da Carnaúba ........... 15 3 1 INTRODUÇÃO O presente Relatório tem como objetivo apresentar as atividades desenvolvidas no âmbito da disciplina de Estágio Básico I, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). A disciplina possui carga horária total de 60 horas e foi oferecida no período do 2 semestre do curso. Consistiu em uma observação inicial, ainda de forma não sistematizada do cotidiano, acontecimentos e contexto social, tanto ao nível individual, quanto institucional. Buscou expor o campo da Saúde Coletiva, Gênero e Saúde, o conhecimento do Sistema Municipal de Saúde, da Vigilância em Saúde e das Políticas Municipais específicas, como Saúde das Mulheres, Saúde Mental e Educação Permanente em Saúde. Paralelamente, a compreensão da atuação profissional da Psicologia na Saúde Coletiva, na Atenção Básica em Saúde e na Saúde Mental. Tendo em vista a importância da disciplina para a análise do contexto das políticas de saúde pública brasileira, é imprescindível que haja neste relatório a discussão teórica e conceitual dos pilares que a estruturam, e são faces de um mesmo projeto sociopolítico e demográfico, que buscou redefinir o papel do Estado e o conceito de saúde no país: o movimento da Reforma Sanitária Brasileira (RSB), a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e o processo da Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB). As origens do movimento da Reforma Sanitária Brasileira ocorreram durante o período mais repressivo do autoritarismo no país, através da adoção da base teórica e ideológica de um pensamento médico-social, que incentivou o surgimento de movimentos sociais que propunham ampla transformação do sistema de saúde do país. Como afirma Giovanella et al. (2012), a articulação do movimento sanitário tinha como objetivo, por meio de determinadas práticas políticas, ideológicas e teóricas, buscar a transformação do setor saúde no Brasil, em prol da melhoria das condições de saúde e de atenção à saúde da população brasileira, na consecução do direito de cidadania. Como resultado, a Reforma Sanitária Brasileira garantiu na Constituição Federal de 1988 e na criação do SUS, a inclusão da saúde como direito de todos e dever do Estado. Para Paim (2010), é uma “reforma social” centrada em elementos constituintes: a democratização da saúde, que implica a elevação da consciência sanitária sobre saúde e seus determinantes e o reconhecimento do direito à saúde, inerente à cidadania, garantindo o acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde e participação social no estabelecimento de políticas e 4 na gestão; a democratização do Estado e seus aparelhos, respeitando o pacto federativo, assegurando a descentralização do processo decisório e o controle social, bem como fomentando a ética e a transparência nos governos; e a democratização da sociedade, alcançando os espaços de organização econômica e da cultura, seja na produção e distribuição justa da riqueza e do saber, seja na adoção de uma ‘totalidade de mudanças’, em torno de um conjunto de políticas públicas e práticas de saúde, seja mediante uma reforma intelectual e moral. Simultaneamente, a Reforma Psiquiátrica Brasileira representou uma mudança de paradigmas no âmbito do SUS. O país saiu de um cenário de políticas de saúde mental centrado na institucionalização do sofrimento psíquico, ou seja, o isolamento e a exclusão de pessoas em sofrimento psíquico em manicômios, para um modelo de cuidado em liberdade, pautado na cidadania e nos direitos humanos. Esta transição efetiva os princípios da integralidade e da equidade do SUS no campo da saúde mental. Algumas das conquistas alcançadas pela Reforma Psiquiátrica Brasileira foram: A Lei nº 10.216/2001 (Lei Antimanicomial), um marco legal que redireciona o modelo assistencial de saúde mental para uma atenção baseada na clínica ampliada e na participação social, defendendo a desinstitucionalização do sofrimento psíquico. A Portaria N° 336/2002, que proporcionou a criação e regulamentação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os quais são os serviços substitutivos e estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no território. Por fim, acerca da área de Psicologia na Atenção Básica em Saúde, O Conselho Federal de Psicologia (CFP), assevera, com base no Código de Ética do Profissional Psicológo (CEPP), ser imprescindível o papel desempenhado por esses profissionais na Atenção Básica, pois, o psicólogo, tem o dever de trabalhar nesses espaços de atuação com a finalidade de promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades, além de contribuir de forma concreta para eliminar qualquer forma de negligência, descriminação, exploração, violência, crueldade e opressão do mais vulneráveis – garantindo-lhes o direito assegurado na Constituição Federal do Brasil de 1988. 2 METODOLOGIA Ocorreram duas visitas técnicas à UBS Módulo 21, a princípio, eram para ser realizadas três visitas. Mas, o psicológo preceptor Luís Ricardo decidiu que apenas duas visitas seriam 5 suficientes, em razão da distância da localidade e os custos envolvidos com o deslocamento à zona rural de Parnaíba. A inserção no território onde está localizada a UBS Módulo 21, ocorreu em duas ocasiões, a saber: na terça-feira, 8h manhã, dia 04 de novembro do corrente ano, quatro acadêmicos (Ailton, Aline, Grazielly e Rilson) do 2° período do Curso de Psicologia da universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar; deslocaram-se, por meiode trasporte privado, da referida universidade em direção a UBS Módulo 21, situada na comunidade Baixa da Carnaúba, via BR -343. A distância da UFDPar para a UBS Módulo 21 é de cerca de 16,1 km, com duração de trajeto de 20 minutos. Seguindo as perguntas orientadoras, foi realizada a entrevista com o psicólogo preceptor Luís Ricardo. O áudio da entrevista foi gravado com a permissão do profissional. Em seguida foi feito o registro fotográfico da visita (ver apêndice A). O retorno à universidade ocorreu antes das 11h da manhã por meio de uma carona concedida pela médica da UBS. Na segunda-feira, 2h da tarde, dia 17 de novembro, aconteceu a segunda visita técnica, dessa vez, ao CRAS Baixa da Carnaúba, para vivenciar uma atividade de atuação da Psicologia na Atenção Básica. Ao final da atividade, foram feitos registros fotográficos da visita técnica (ver Apêndice B). Os acadêmicos do Curso de Psicologia utilizaram o veículo cedido pela UFDPar para realizar o deslocamento até o território. O retorno à universidade ocorreu por volta das 4h da tarde, por meio do mesmo transporte coletivo. 3 RESULTADOS 3.1 Apresentação do Sistema Municipal de Saúde de Parnaíba De acordo com a Dra. Vânia Cristina Albuquerque, coordenadora da Atenção Básica do município de Parnaíba – PI, toda secretária parte de uma gestão administrativa, representada pelo seu representante legal, o Secrátario Municipal de Saúde, que é o gestor do sistema. Ele conta com um Fundo Municipal de Saúde (FMS) que recebe o financimanento para custear derterminado programa relacionado a saúde do município. Do ponto de vista legal, esse Fundo Municipal é a gerência financeira das secretárias e administra os processos licitatórios específicos. Prosseguindo, Dra. Vánia explica acerca do Conselho Municipal de Saúde que faz o controle social e fiscalização dos recursos finaceiros repassados pelo Mistério da Saúde (MS) 6 e pela Secretária de Saúde do Estado do Piauí (SESAPI). Em seguida, ela mencionou que a Assessoria Técnica e de Planejamento é responsável por apresentar os projetos que passarão pelo Conselho Municipal de Saúde, que avaliará a viabilidade deles, podendo aprovar, reprovar ou contestar algum ponto da proposta apresentada. No que diz respeito a Central de Regulação, Dra. Vânia esclarece que nesse setor, o Secretário de Saúde avalia os processos dos pacientes. Ela explifica como isso ocorre: paciente sem condições fincanceiras para comprar uma mendicação onerosa, ou, o paciente está a três meses na fila de espera, ou ainda, as gestantes não estão recebendo quantidade suficiente de ultrassom para realizar o pré-natal, por causa do aparelho não está funcionando. Portanto, o setor de Regulação controla, avalia, regula e audita todos os serviços da rede. A central de Regulação vai dizer se determinado paciente requer atedimento oncológico, se vai exigir um conjuto de exames laboratóriais ou diagnóstico de imagem, ou se é um usuário que demanda intervenção cirúrgica. Neste sentido, o médico regulador avalia o caso e define qual intinerário o usuário irá fazer para garentir o seu acesso a outros níveis de atenção à saude. Acerca do Centro de Informação em Saúde – CIS/TI, Dra. Vânia explica que é local onde é feito o monitoramneto do sistema. Por exemplo, determinada UBS está enfrentando problemas técnicos com o computador, então, a Central de Informação dessa unidade entra em contato com o Centro de Informção em Saúde para notificar o probelma em busca de solução. No que concerne a Superitendência de Atenção Básica, a coordenadora esclarece que há uma Coordenação da Atenção Básica, a equipe eMulti, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) que necessitam da logística e do apoio do sistema e a Equipe Multidisciplinar (ESF e NASF). As Ações Estratégicas desevolvidas por essa Superitedência são as segintes: Sáude da Mulher e da Criança, Saúde do homem, Saúde na Escola, Educação Permanente, Tabagismo, Saúde do Idoso e Saúde do Adolescente. Além do que foi exposto, pode-se observar que o Sistema Municipal de Saúde de Parnaíba, possui ainda, mais três superitendências na sua composição, a saber: Superitendência de Assistência à Saúde – que conta com a Coodernação de Saúde Bucal e a Coodernação do Centro de Especialiades Odontólogicas (CEO). A Superitendência de Atenção Especialiazada – onde encontra-se a Coordenação de Atenção as Urgências, a Central de Regulação das Urgências, a Base de Descentralização do SAMU 192, o Pronto Socorro Municipal , Codenação do Centro de Especialidades em Saúde – CES, Coordenação do CTA/SAE, Coordenação de Saúde Mental, Diretoria do CAPS II e a Diretoria do CAPS AD III. Por fim, a Superitedência 7 de Vigilância em Saúde – que conta com o apoio da Coordenação Municipal de Vigilância Epidemiológica e Controle de Doenças, Coordenação Municipal de Vigilância Sanitária e a Coordenação Municipal de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses. 3.2 Apresentação da Unidade Básica em Saúde (UBS) A Unidade Básica de Saúde (UBS), módulo 21, está situada na BR - 343, perto do KM 16/17, na comunidade Baixa da Carnaúba, zona rural no município de Parnaíba-PI. A respectiva UBS, adota a Estratégia Saúde da Família (ESF). O funcionamento dessa unidade ocorre das 07h da manhã até o meio-dia. Essa unidade atende mais de 3 mil pessoas dos territórios por ela cobertos. Nas proximidades da UBS está localizado o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), porta de entrada da Política de Assistência Social no Brasil (Silva et al., 2025). Mais informações acerca da UBS, foram registradas durante a entrevista com o psicólogo Luís Ricardo dos Santos C. Oliveira. Ele ressaltou que a UBS Módulo 21 é uma das mais completas do município de Parnaíba-PI, tendo no seu quadro de funcionários, um médico, uma enfermeira (a gestora da UBS), uma médica do Programa Mais Médicos que atende de segunda-feira a sexta-feira, uma profissional de odontologia e sua assistente, duas recepcionistas – uma faz a marcação dos atendimentos e a outra faz marcação de exames -, e uma técnica de enfermagem que faz as triagens. Prosseguindo com a entrevista, Luís Ricardo destacou um diferencial da UBS Módulo 21 em relação as demais existentes no munícipio, trata-se do exame de eletrocardiograma onde o usuário tem acesso ao resultado do exame no mesmo dia. Além disso, possui uma sala de vacina sob a responsabilidade de uma técnica em enfermagem que faz todo o processo de vacinação e atendimento diário. Acerca dos residentes presentes na UBS, Luís Ricardo afirmou que, atualmente, são quatro. Um residente em Psicologia, um em Fisioterapia, um em Farmácia e uma em Enfermagem – sendo essa, a residente acompanhada pela gestora da UBS que também é enfermeira. No que diz respeito a estrutura da UBS, Luís Ricardo fez uma crítica, apontando um problema estrutural. Não há uma sala exclusiva para o psicólogo residente, tendo que dividir a sala com o fisioterapeuta residente. 8 3.3 Apresentação da atuação do psicológo na Atenção Básica Questionado sobre como é processo de trabalho dele como psicólogo residente na UBS, Luís Ricardo relata que faz atendimento duas vezes na semana, nas segundas-feiras e nas quintas-feiras pela manhã, e fica a disposição para uma eventual demanda espontânea. Ele ainda abre agenda para quatro atendimentos durante o dia. Nas segundas-feiras, ele atende mais crianças, com uma demanda muito grande de atendimento para Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), sendo os transtornos mais recorrentes nas crianças, que procuram o serviço psicológico do centro de atendimento de saúde primário. Ele ressalta que essas crianças apresentam sintomas relacionados aos transtornos, principalmente, durante o período que passam na escola. Nestecontexto, o psicólogo residente, aponta a existência de uma deficiência enorme do município de Parnaíba no que se refere ao diagnóstico das pessoas que procuram o atendimento psicológico da UBS, pois, para se ter um diagnóstico preciso, é necessário trabalhar em parceria com o psiquiatra ou neurologista que já atende aquele paciente, mas, o acesso ao diagnóstico dado por esses profissionais não chega nas mãos do psicólogo. Outra dificuldade apontada, é que o psicólogo não fica sabendo como os outros profissionais irão fazer o processo terapêutico com o paciente, mas, há uma busca constante por parte do psicólogo residente, para obter informações acerca do tratamento dos seus pacientes com outros profissionais, por meio de informações repassadas por eles ou por seus familiares. A UBS Módulo 21, de acordo com Luís Ricardo, faz articulação com a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), e com o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) quando aparece demandas relacionadas com psicose, alcoolismo e outras demandas que fogem do propósito do atendimento da atenção primária à saúde. Outra articulação importante é feita com a AMA (Associação de Amigos do Autista), onde o psicólogo residente da UBS 21, desenvolve um trabalho, quinzenalmente, junto a essa associação. Foi criado um grupo de jovens e adultos autistas no qual é trabalhado habilidades sociais com essas pessoas. Os encontros acontecem na escola Roland Jacob em Parnaíba nas quintas-feiras no período da tarde. O psicólogo residente destacou que a UBS Módulo 21 está inserida no Programa TeleNordeste que é uma iniciativa do Ministério da Saúde (via PROADI-SUS) que usa telemedicina para levar atendimento especializado a municípios do Nordeste. O residente Luís 9 Ricardo informou que tem contato on-line com psiquiatras e neurologistas do Programa TeleNodeste. O psicólogo residente faz o encaminhamento para algum profissional ligado ao programa, depois é feita a marcação da consulta, com um psiquiatra, por exemplo, em seguida o paciente vai até a UBS para ser atendido on-line, com acompanhamento do psicólogo residente. Na visão de Luís Ricardo, essa parceria com o TeleNordeste é crucial para atender a grande demanda de crianças com autismo e TDH e de adultos que buscam o serviço de saúde mental ofertado pela UBS. Destaca ainda que esse tipo de atendimento on-line feito com sua presença, facilita o seu diagnóstico no aspecto psicológico e também facilita o diagnóstico do outro profissional. Ele ainda afirma que a UBS busca sempre manter contanto com outras instituições e como a prefeitura de Parnaíba – sendo a gestora da unidade bastante atuante nesse aspecto. Ressalta a importância de articulação com outros entidades, sobretudo, em razão da UBS 21 está localizada distante da zona urbana da cidade, sendo de difícil acesso. O entrevistado também esclareceu como é sua programação durante a semana. Pela manhã ele trabalha na UBS, pela tarde, participa de ações coletivas no CRAS com grupo de idosas, propondo rodas de conversas, dinâmicas, passeios na praia ou Lagoa do Portinho, onde são realizadas atividades coletivas, sendo estas, atribuições mais relevantes dos residentes em saúde da família, do que as atividades individuais no ambulatório clinico. Há ações coletivas na UBS também, com grupos de gestantes da região, mesclando temas como saúde mental (com o psicólogo), temas mais técnicos (com a enfermeira), dúvidas acerca de medicamentos (com o farmacêutico) movimento corporal (com a fisioterapeuta), conforme a demanda e a necessidade da comunidade. Outra atividade realizada consiste na Sala de Espera onde são abordados temas de saúde e educação permanente para a população. Na Sala de Espera são trabalhadas as demandas observadas no cotidiano. O psicólogo Luís Ricardo esclarece que toda UBS tem seus indicadores que algumas comorbidades que interessam o Ministério da Saúde (MS), como diabetes, hipertensão, saúde reprodutiva da mulher, saúde da mulher, saúde do homem e saúde infantojuvenil. Geralmente a UBS trabalha com esses eixos e com os meses temáticos, como o “Outro Rosa”, “Novembro Azul”, “Setembro Amarelo”, etc. São elaborados informativos sobre esses meses e distribuídos à comunidade. Os funcionários da UBS explicam de forma simplificada, não utilizando termos técnicos, para quem não sabe ler, do que se trata aquele informativo – tendo o cuidado com os usuários da UBS 21 de baixa escolaridade, para que eles não fiquem sem acesso à informação. 10 Vale destacar ainda, as atividades com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que são a porta de entrada para a comunidade, segundo o psicólogo Luís Ricardo. São realizadas visitas nos domicílios de pacientes acamados, diabéticos, hipertensos, etc. Os ACS fazem a intermediação entre a comunidade e o psicólogo. O entrevistado ainda mencionou o Programa Saúde na Escola (PSE), política intersetorial da Saúde e Educação – atendendo setes escolas, abordando temas como autismo e saúde reprodutiva, por exemplo. Além disso, é realizada a topometria com os alunos para acompanhar o desenvolvimento deles. Outra ação coletiva realizada foi o evento “Outubro Rosa”, na praça da comunidade, ofertando serviços odontológicos, médicos e de outros profissionais. O psicólogo Luís Ricardo pontua que o trabalho dos profissionais da UBS 21é voltado para a coletividade. Acerca da sua semana padão, o psicólogo Luís Ricardo esclareceu que, basicamente, seu trabalho acontece pela manhã nas segundas-feiras e quintas-feiras com atendimentos sob demanda marcada. Nas terças-feiras e quartas-feiras ele atende sob demanda espontânea – caso tenha alguma emergência, é feito o atendimento. Em outras ocasiões, o psicólogo residente organiza alguma dinâmica ou outras atividades, como rodas de conversas na sala de espera, também auxilia outros profissionais da UBS, buscando compreender de forma multiprofissional como é possível ajudar a enfermeira, a fisioterapeuta, por exemplo, enriquecendo seu processo de aprendizagem na residência. Nas sextas-feiras pela manhã não há atendimento na UBS, reservada para reuniões de equipes para planejar a programação da semana, e também são realizadas visitas dos profissionais da UBS 21 aos domicílios da comunidade. Nas segundas-feiras, à tarde, o psicólogo visita o CRAS, quinzenalmente. Nas terças-feiras, geralmente, participar de cursos, palestras, ou outro tipo de evento. Nas quartas-feiras o psicólogo residente é deslocado para o território, visitando escolas ou atende alguma demanda de território com acesso. Nas quintas- feiras, quinzenalmente, visita a AMA (Associação de Amigos do Autista). Em síntese, para encerrar a entrevista, o psicólogo Luís Ricardo explica que atende crianças e adultos. Nas segundas-feiras ele atende crianças, e nas quintas-feiras, atende somente adolescentes e adultos. A demanda de crianças, geralmente, está relacionada a questões neurodivergentes: TDH e autismo. Já a demanda de adolescentes e adultos, geralmente, está relacionada a problemas comportamentais, emocionais, ansiedade e depressão. Problemas relacionados a psicose, alcoolismo ou outros, que necessitam de atendimento mais especializado, é feito encaminhamento para o CES (Centro de Especialidades em Saúde) e para 11 o CAPES (Centro de Atenção Psicossocial). Por fim, acerca de iniciativas futuras, Luís Ricardo, alega que há uma iniciativa para organizar um grupo de dependentes do tabagismo. 3.3.1 Atividade de atuação da Psicologia na Atenção Básica em Saúde – observação A visita ao CRAS Baixa da Carnaúba teve como objetivo vivenciar uma atividade de atuação da Psicologia na Atenção Básica, realizada no grupo intitulado “Idoso Feliz”, composto por 35 mulheres. Embora o nome sugira um público mais velho, o grupo acolhe mulheres de diferentes idades, tendo como objetivoo bem-estar, o autocuidado e a promoção do envelhecimento saudável e atuante. Para isso, são elaboradas atividades como dança, rodas de conversa e oficinas temáticas, contribuindo para os vínculos sociais, a melhoria da qualidade de vida e a valorização da autoestima. O grupo recebe apoio da equipe multiprofissional (E-MULTI), que participa ativamente das ações, elaborando atividades, oferecendo uma escuta qualificada e práticas integrativas. A equipe é formada pelo grupo de residentes, pelo psicólogo Luís Ricardo, pelo enfermeiro Thallyson Silva e pela fisioterapeuta Kellen Vitória. Eles nos acompanharam desde a universidade, na van cedida por ela, que nos conduziu até a instituição.Em um primeiro momento, fomos apresentados pelos residentes ao ambiente do CRAS, seus funcionários e à dinâmica das atividades realizadas na instituição. Quando chegamos ao pátio, local onde ocorrem a maioria das atividades, nos deparamos com uma das ações sendo realizada: o grupo estava participando de uma aula de dança, coordenada pela professora de Educação Física Kelinne. Observamos o quanto a atividade contribui para o bem-estar das participantes, além de favorecer a saúde física e mental. Logo em seguida, foi realizada outra atividade, liderada pelo psicólogo Luís Ricardo, que tinha como objetivo uma roda de conversa, na qual as mulheres relataram suas vivências pessoais e suas conquistas durante o ano. Além disso, fomos apresentados umas às outras; embora não tenhamos conhecido o grupo inteiro, conhecemos uma parte suficiente para compreender seu funcionamento. Durante a dinâmica, as mulheres expuseram relatos pessoais que não serão mencionados no relatório, por não termos autorização. A equipe de residentes e nós mesmos também participamos. As participantes relataram que o grupo funciona como uma rede de apoio para as mulheres, proporcionando acolhimento pela equipe e pelas companheiras, além de força para enfrentar as dificuldades da vida pessoal. 12 Posteriormente, ocorreu uma dinâmica leve e descontraída entre elas, que consistia em adivinhar quem estava sendo descrita apenas pessoas que participavam do grupo. Foi um momento divertido, que dissipou o clima mais delicado e sério da atividade anterior.Por fim, foram dados os avisos finais sobre o encerramento de fim de ano, já que a instituição entraria em recesso. Logo depois, um lanche foi oferecido. Despedimo-nos do grupo e retornamos à universidade no mesmo transporte que nos levou ao CRAS, concluindo assim a visita. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao desenvolver a pesquisa, pode-se perceber o importante papel desempenhado pelo psicólogo residente Luís Ricardo na Atenção Básica em Saúde. Seu trabalho é fundamental para promover a saúde mental integral, atuando na prevenção e tratamento de problemas psicológicos e emocionais, sobretudo, de forma coletiva, ao focar no território e na comunidade, fortalecendo vínculos, trabalhando em equipe multidisciplinares e desenvolvendo ações educativas e terapêuticas em grupo. Tendo em vista o que foi apresentado neste relatório técnico, constata-se que os objetivos propostos foram alcançados. As visitas técnicas realizadas no território da USB Módulo 21, situada na comunidade Baixa da Carnaúba, zona rural do Município de Parnaíba, foram bastante proveitosas, no que se refere a observação do território para coleta de informações que viabilizassem a compreensão do processo de Trabalho da Unidade Básica de Saúde e da atuação do psicólogo, além de fornecer dados acerca de uma atividade desenvolvida pelo psicólogo no seu campo de atuação. Tendo em vista o que foi apresentado neste relatório técnico, constata-se que os objetivos propostos foram alcançados. As visitas técnicas realizadas no território da USB Módulo 21, situada na comunidade Baixa da Carnaúba, zona rural do Município de Parnaíba, foram bastante proveitosas, no que se refere a observação do território para coleta de informações que viabilizassem a compreensão do processo de Trabalho da Unidade Básica de Saúde e da atuação do psicólogo, além de fornecer dados acerca de uma atividade desenvolvida pelo psicólogo no seu campo de atuação. No que dia respeito à UBS, constatou-se ser uma das mais completa do município, contando com recursos materiais e humanos de qualidade, apesar de ainda carecer de investimentos em infraestrutura. 13 Acerca da atuação do psicólogo, evidenciou-se ser um profissional dedicado e bastante atuante. Ele desenvolve ações coletivas na UBS, no CRAS Baixa da Carnaúba e na AMA (Associação de Amigos do Autista) e na praça pública da comunidade. Além disso, também realiza visitas domiciliares aos pacientes. Pode-se observar uma dessas ações coletivas na comunidade, trata-se do grupo “Idoso Feliz”, composto por mulheres de diferentes idades, onde busca-se a saúde e o bem-estar dessas mulheres. Dessa forma, os acadêmicos do Curso de Psicologia da UFDPar puderam juntar o conhecimento adquirido nos estudos em sala de aula, com a experiência real de aplicação, gerando aprendizado mais profundo e significativo – onde teoria e prática se conectaram com situações reais vivenciadas no território. REFERÊNCIAS CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) na atenção básica à saúde. 2. ed. Brasília: CFP, 2019. GIOVANELLA, Ligia et al. Políticas e Sistema de Saúde no Brasil. 2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Fiocruz/Cebes, 2012. PAIM, Jairnilson Silva. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. 1. reimpr. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/Edufba, 2010. SILVA, I. N.G. et al. Territorialização na Atenção Básica. 2025. 33 f. (Projeto de Intervenção - Programa Multiprofissional em Saúde da Família) - Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Parnaíba, 2025. 14 APÊNDICE A – Registro fotográfico da visita técnica à UBS km 17 Módulo 21, Baixa da Carnaúba Figura 3 - Placa da reforma da UBS 21 Figura 4 - Mapa de cobertura da UBS Figura 1 – Sala de recepção da UBS 21 Figura 2 - Faixada da UBS 21 15 APÊNDICE B – Registro fotográfico da visita técnica ao CRAS Baixa da Carnaúba Figura 7 - Alunos do Curso de Psicologia da UFDPar e psicólogo preceptor Figura 8 - Interação social no CRAS Baixa da Carnaúba Figura 6 - Roda de conversa no CRAS Baixa da Carnaúba Figura 5 – Hall de entrada do CRAS Baixa da Carnaúba