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Didática Geral 
 
 1 
UNIVERSIDADE PAULISTA 
Didática Geral 
LIVRO TEXTO 
 
Prof. Ms. Mario Destro Monteiro 
29/3/2011 
 
 
 
Livro texto elaborado para a Disciplina de Didática Geral 
Didática Geral 
 
 2 
SUMÁRIO 
SOBRE OS AUTORES ............................................................................................................................... 4 
APRESENTAÇÃO............................................................................................................................... 6 
OBJETIVOS DA DISCIPLINA ............................................................................................................ 6 
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 8 
1. A DIDÁTICA E SEU CONTEXTO ............................................................................................ 10 
1.1. EDUCAÇÃO ........................................................................................................................... 10 
1.2. PEDAGOGIA .......................................................................................................................... 14 
1.3. DIDÁTICA ............................................................................................................................... 14 
1.4. A INSTRUÇÃO E O ENSINO ............................................................................................... 15 
1.5. APRENDIZAGEM .................................................................................................................. 17 
1.6. CURRÍCULO ESCOLAR ...................................................................................................... 18 
2. A FILOSOFIA, A SOCIOLOGIA E A PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO ..................................................... 22 
2.1. A FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO ........................................................................................... 23 
2.2. A SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO ....................................................................................... 25 
2.3. A PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO ....................................................................................... 31 
3. A DIDÁTICA COMO TEORIA E TÉCNICA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO: COMO A 
HISTÓRIA AJUDA NA COMPREENSÃO DO HOJE .................................................................... 36 
4. AS TENDÊNCIAS DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS .................................................................... 42 
PEDAGOGIA LIBERAL ...................................................................................................................... 44 
4.1. PEDAGOGIA LIBERAL TRADICIONAL ............................................................................ 45 
4.2. PEDAGOGIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA ............................................ 46 
4.3. PEDAGOGIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA ................................................... 48 
4.4. PEDAGOGIA LIBERAL TECNICISTA ............................................................................... 49 
PEDAGOGIA PROGRESSISTA ....................................................................................................... 52 
4.5. PEDAGOGIA PROGRESSISTA LIBERTADORA ............................................................ 52 
4.6. PEDAGOGIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA ................................................................. 55 
4.7. PEDAGOGIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS .................... 57 
RESUMO ............................................................................................................................................ 61 
5. OS OBJETIVOS, CONTEÚDOS E PROCEDIMENTOS DE ENSINO ................................. 66 
5.1. OS OBJETIVOS ..................................................................................................................... 66 
5.2. OS CONTEÚDOS .................................................................................................................. 70 
5.3. OS MÉTODOS DE ENSINO ................................................................................................. 73 
6. OS RECURSOS E A AVALIAÇÃO DO ENSINO ................................................................... 85 
6.1. OS DIFERENTES RECURSOS ........................................................................................... 85 
6.2. A QUESTÃO DA AVALIAÇÃO ............................................................................................ 89 
7. O PLANEJAMENTO ESCOLAR ............................................................................................. 99 
7.1. O PLANEJAMENTO EM SEUS VÁRIOS NÍVEIS ........................................................... 100 
7.2. PLANEJAMENTO ESCOLAR ........................................................................................... 100 
Didática Geral 
 
 3 
7.3. PLANEJAMENTO CURRICULAR .................................................................................... 101 
7.4. PLANEJAMENTO DIDÁTICO OU DE ENSINO .............................................................. 101 
7.5. PLANEJAMENTO DE CURSO .......................................................................................... 102 
7.6. PLANEJAMENTO DE UNIDADE DIDÁTICA .................................................................. 103 
7.7. O PLANO DE AULA ............................................................................................................ 103 
8. O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM: UMA DISCUSSÃO GERAL .............. 109 
8.1. A RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO E O PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM ............................................................................................................................. 109 
8.2. A QUESTÃO DO DIÁLOGO ............................................................................................... 111 
8.3. A DISCIPLINA E A INDISCIPLINA ................................................................................... 112 
8.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 115 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 121 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 4 
Sobre os Autores 
 
 Professor Mário Destro Monteiro nasceu em São Paulo, onde vive e 
trabalha atualmente. Possui graduação em Educação Física e Técnicas 
Desportivas - Faculdades Integradas de Guarulhos e mestrado em Educação: 
Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Paulista e Coordenador de 
Estágios em Educação nesta Instituição. Tem experiência na área Educacional, 
com ênfase em Didática e Psicologia Escolar, atuando principalmente nos 
seguintes temas: Didática Geral e Específica, Psicologia Educacional, 
Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, Educação Física Escolar, 
Prática de Ensino, Recreação e Estrutura e Funcionamento do Ensino. Desde 
2005 trabalha na Universidade Paulista lecionando as disciplinas ligadas à 
educação e à psicologia educacional, seu campo de interesse. Está ligado aos 
estudos da Didática, da Psicologia e da Educação, lecionando, produzindo 
materiais e pesquisas a mais de 10 anos, principalmente às questões 
envolvendo a aplicação desses tópicos na relação professor-aluno nas escolas, 
a forma como trabalhar com os alunos produtivamente e respeitosamente, a 
compreensão sobre as necessidades de cada fase cujas quais os alunos 
possam estar inseridos, a resolução de problemas de relacionamento em sala 
de aula, indisciplina, motivação, etc.Professor Wanderlei Sergio da Silva, formado em Geografia pela 
Universidade de São Paulo – USP, Mestre em Ciências (Geografia Humana) 
pela Universidade de São Paulo – USP e Doutor em Geociências e Meio 
Ambiente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – 
UNESP. Trabalhou durante 15 (quinze) anos no Instituto de Pesquisas 
Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT, em pesquisas relacionadas com 
as geociências e o meio ambiente. Após seu desligamento do IPT, atuou como 
consultor em trabalhos relacionados com meio ambiente durante 6 anos. No 
total, atuou em cerca de 100 projetos de pesquisa, muitos deles como 
coordenador de equipe. A partir de 2001 ingressou na Universidade Paulista – 
UNIP, onde lecionou disciplinas relacionadas com geografia, meio ambiente e 
planejamento no curso de Turismo, bem como as disciplinas didático-
pedagógicas no curso de Psicologia (Licenciatura), sendo ambos os cursos 
presenciais. Atualmente é Professor Titular da UNIP, atuando como membro da 
Coordenadoria de Estágios em Educação, órgão da universidade responsável 
pela orientação das disciplinas didático-pedagógicas de todos os cursos de 
licenciatura, e como professor na UNIP Interativa, nos cursos de Letras e 
Matemática, responsável pelas disciplinas relacionadas com a Prática de 
Ensino, Didática Geral, Estrutura e Funcionamento da Educação Básica e 
Planejamento e Políticas Públicas da Educação. É autor de 5 (cinco) livros e 13 
Didática Geral 
 
 5 
(treze) trabalhos de congresso, e foi entrevistado em programas de rádio e TV 
sobre a temática ambiental. 
 
Professora Ana Paula Mendietta José, formada em Turismo pela 
Universidade Ibero Americana de São Paulo – UNIBERO, Mestranda em 
Educação pela Universidade Cidade de São Paulo – UNICID. Em 2001 
ingressou na UNIBERO e na Universidade Paulista – UNIP, onde lecionou 
disciplinas relacionadas com o turismo, responsável pela implantação da 
Agência Experimental na UNIBERO, lecionava disciplinas como Técnicas em 
Agências de Viagens, Planejamento Turístico. Durante 05 anos foi responsável 
pelo projeto de Recreação, um evento social comunitário que acontece 
semestralmente na Universidade Paulista, com crianças de creches, orfanatos 
e até asilos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 6 
APRESENTAÇÃO 
 
Esta disciplina pretende proporcionar a capacidade de análise da 
relação entre o homem e a sociedade dentro de um contexto cultural, social e 
econômico, buscando por meio desses conhecimentos uma concepção de 
Educação. Ao estudar a trajetória histórica e cultural de formação da Didática 
como ciência da Educação, teremos como pano de fundo as diferentes 
concepções de educação e ensino. Pretende-se que a análise das diferentes 
perspectivas do processo de ensino e aprendizagem seja passível de ser 
compreendida, enfocando: concepções de homem, de mundo, de 
conhecimento, de professor-aluno, de ensino-aprendizagem, análise do 
contexto da instituição escolar, seu espaço político, sua estrutura e sua 
dinâmica de funcionamento. 
 Este texto foi elaborado em uma perspectiva crítica, tentando deixar 
claro o posicionamento social que deve ser adotado para a formação de uma 
sociedade mais democrática e, por isso, mais justa e igualitária. Para isso, não 
podemos deixar de dizer que a consulta de outros materiais, principalmente os 
citados na bibliografia, se fazem extremamente necessário, como forma de 
criar um pensamento mais pluralizado e esclarecido sobre tudo que envolve a 
tarefa de ser professor. 
 
OBJETIVOS DA DISCIPLINA 
 
Os principais objetivos, em termos mais gerais desta disciplina são: 
formar educadores que posam atuar em qualquer das especialidades em que 
venham a licenciar; oferecer condições para a conscientização, por parte dos 
futuros educadores, da realidade educacional brasileira; proporcionar aos 
futuros educadores fundamentação teórica que os auxilie no seu preparo para 
uma ação educadora coerente com as necessidades da realidade em que 
atuarão; oferecer aos futuros educadores uma instrumentalização teórica que 
lhes possibilite uma ação educadora eficaz. 
Para isso, primeiramente será preciso: 
 
A. Compreender o objeto de estudo da Didática para possibilitar o 
embasamento teórico-prático das ações em sala de aula. 
B. Entender o contexto do processo ensino-aprendizagem para a 
construção de sua prática pedagógica. 
C. Analisar contexto da instituição escolar e o papel do professor. 
 
Dessa forma, a análise crítica da teoria deverá proporcionar condições 
de elevar a curiosidade e o interesse pela busca de aprofundamento teórico, 
capaz de formar um professor crítico, sensível às necessidades reais e nas 
Didática Geral 
 
 7 
condições oferecidas, engajado em um projeto de educação mais consistente, 
eficiente e eficaz e capaz de trabalhar de maneira didaticamente organizada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 8 
INTRODUÇÃO 
 
Este texto foi elaborado com a intenção de tratar de maneira geral, 
porém sucinta, os assuntos que envolvem a Didática como ciência (teoria) e a 
prática do professor, buscando de maneira ‘didática’ a construção de um 
arcabouço teórico básico, que instigasse a curiosidade para uma busca mais 
aprofundada sobre tudo o que envolve a formação de um professor. 
Longe de esgotar o tema, que foi construído por um longo percurso 
histórico, pretendemos contribuir para uma visão geral sobre o tema, de 
maneira a situar o futuro educador sobre toda a complexidade das tarefas 
docentes e, encorajá-lo para continuar suas pesquisas nesta temática, de 
forma a não se limitar a uma única visão, mas construí-la por várias fontes 
disponíveis que, com certeza, darão mais maturidade na construção teórico-
prática da visão de professor. 
 Para o inicio do texto (capítulo 2), foi necessário definir tudo o que 
envolve a didática, explicando os principais conceitos de palavras que são 
essenciais para compreendê-la, como uma sub-área da Educação. É 
trabalhado os conceitos de educação, pedagogia, didática, instrução, ensino, 
aprendizagem e currículo escolar. 
 No capítulo seguinte (capítulo 3) desenvolvemos uma visão da relação 
entre a didática e as outras ciências, que por sua vez, são essenciais para a 
formação do educador, como formadoras da consciência crítica, sensível e 
pautada na realidade que a espécie nos coloca. Para isso, veremos como a 
filosofia, a sociologia e a psicologia se interrelacionam com a educação e a 
didática e como elas nos auxiliam na formação profissional como professores. 
 No próximo capítulo (capítulo 4) vemos um pouco da história da didática 
e na formação das tendências educacionais, para que o futuro professor possa 
formar sua própria visão pautado no que já existe em termos de métodos de 
ensino. 
 Após esta visão (no capítulo 5), veremos alguns componentes do 
planejamento, os objetivos, conteúdos e métodos de ensino. Veremos o que 
são, como devem ser trabalhados e sua estruturação, para que o professor 
possa organizar suas atividades de maneira séria e profissional. 
 No capítulo posterior (capítulo 6), veremos o restante dos componentes 
do planejamento, os recursos e a avaliação, fechando com aquilo que faltava 
para a visualização detalhada do que se utiliza para o aprimoramento das aulas 
e o que se faz para a verificação dos resultados obtidos. 
 No item seguinte (capítulo 7), veremos o planejamentode maneira mais 
aprofundada, após ter conhecido seus principais componentes – objetivos, 
conteúdos, métodos, recursos e avaliação – visualizando também seus 
diversos níveis, desde o sistema educacional até o plano de aula, de maneira a 
compreender como todos essas modalidades de planejamento se articulam e 
fazem parte da realidade educacional. 
Didática Geral 
 
 9 
 Por último (capítulo 8), poderemos ver mais sobre tópicos essenciais do 
cotidiano docente, com a relação professor-aluno, o processo de ensino e 
aprendizagem, a questão do diálogo e sua importância na relação didático-
pedagógica e a disciplina na sala de aula. 
 Esperamos ter contribuído com a sua aprendizagem, assim como 
esperamos que você tenha um grande sucesso na área educacional. 
 Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 10 
1. A DIDÁTICA E SEU CONTEXTO 
 
Para que se possa discutir a Didática, antes de tudo, se faz necessário 
explicitar outros termos e conceitos que são inerentes a ela, pois estão 
totalmente interligados e fazem parte da realidade de todo professor. 
Tratam-se dos conceitos de Educação, de Pedagogia como ciência, da 
própria Didática e suas relações, do que significa o termo Ensino, o significado 
de Instrução, explicar sobre a Aprendizagem e outros fatores que a mesma 
depende e um pouco sobre o Currículo Escolar. 
Todos esses conceitos fazem parte de uma realidade maior para 
aqueles que trabalham na área da Educação. Além disso, existe uma influência 
de um para com os outros, determinando a forma de se compreender o 
trabalho de professor e de instrumentalizar o posicionamento deste. 
O trabalho nas escolas requer o domínio dessa gama de conceitos que 
possibilitam adotar uma postura educacional, escolher um jeito de pensar a 
educação dos alunos para que estes possam chegar a dominar tudo o que a 
sociedade exige que dominemos. 
Entretanto, somente compreendendo esse mecanismo teórico é possível 
traçar uma Didática coerente com os nossos princípios e tornar concreto um 
trabalho organizado, eficiente e eficaz. 
Para começarmos, vamos compreender melhor o conceito e discutirmos 
mais sobre o que significa Educação. 
 
1.1. EDUCAÇÃO 
EDUCAÇÃO? EDUCAÇÕES: APRENDER COM O ÍNDIO 
CARLOS RODRIGUES BRANDÃO (1989) 
 
Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é a coragem minha. Buriti quer 
todo o azul, e não se aparta de sua água - carece de espelho. Mestre não é 
quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. 
 
João Guimarães Rosa / Grande Sertão: Veredas 
 
Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um 
modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para 
aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para 
ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com 
uma ou com várias: educação? Educações. E já que pelo menos por isso 
sempre achamos que temos alguma coisa a dizer sobre a educação que nos 
invade a vida, por que não começar a pensar sobre ela com o que uns índios 
uma vez escreveram? 
Há muitos anos nos Estados Unidos, Virgínia e Maryland assinaram um 
Didática Geral 
 
 11 
tratado de paz com os índios das Seis Nações. Ora, como as promessas e os 
símbolos da educação sempre foram muito adequados a momentos solenes 
como aquele, logo depois os seus governantes mandaram cartas aos índios 
para que enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes 
responderam agradecendo e recusando. A carta acabou conhecida porque 
alguns anos mais tarde Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui 
e ali. Eis o trecho que nos interessa: 
"... Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para 
nós e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios 
reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, 
sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de 
educação não é a mesma que a nossa... Muitos dos nossos bravos guerreiros 
foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. 
Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes 
da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam 
como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a 
nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam 
como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros. Ficamos 
extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-
la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia 
que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que 
sabemos e faremos, deles, homens." 
De tudo o que se discute hoje sobre a educação, algumas das questões entre 
as mais importantes estão escritas nesta carta de índios. Não há uma forma 
única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde 
ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única 
prática e o professor profissional não é o seu único praticante. 
Em mundos diversos a educação existe diferente: em pequenas sociedades 
tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades; em sociedades 
camponesas, em países desenvolvidos e industrializados; em mundos sociais 
sem classes, de classes, com este ou aquele tipo de conflito entre as suas 
classes; em tipos de sociedades e culturas sem Estado, com um Estado em 
formação ou com ele consolidado entre e sobre as pessoas. 
Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo; ela existe em 
cada povo, ou entre povos que se encontram. Existe entre povos que 
submetem e dominam outros povos, usando a educação como um recurso a 
mais de sua dominância. Da família à comunidade, a educação existe difusa 
em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios do 
aprender; primeiro sem classes de alunos, sem livros e sem professores 
especialistas; mais adiante com escolas, salas, professores e métodos 
pedagógicos. 
A educação pode existir livre e, entre todos, pode ser uma das maneiras que 
as pessoas criam para tornar comum, como saber, como idéia, como crença, 
Didática Geral 
 
 12 
aquilo que é comunitário como bem, como trabalho ou como vida. Ela pode 
existir imposta por um sistema centralizado de poder, que usa o saber e o 
controle sobre o saber como armas que reforçam a desigualdade entre os 
homens, na divisão dos bens, do trabalho, dos direitos e dos símbolos. 
A educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais 
que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua 
sociedade. Formas de educação que produzem e praticam, para que elas 
reproduzam, entre todos os que ensinam-e-aprendem, o saber que atravessa 
as palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os 
segredos da arte ou da religião, do artesanato ou da tecnologia que qualquer 
povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo e a de cada um 
de seus sujeitos, através de trocas sem fim com a natureza e entre os 
homens, trocas que existem dentro do mundo social onde a própria educação 
habita, e desde onde ajuda a explicar - às vezes a ocultar, às vezes a inculcar 
- de geração em geração, a necessidade da existência de sua ordem. 
Por isso mesmo - e os índios sabiam - a educação do colonizador, que contém 
o saber de seu modo de vida e ajuda a confirmar a aparente legalidade de 
seus atos de domínio, na verdadenão serve para ser a educação do 
colonizado. Não serve e existe contra uma educação que ele, não obstante 
dominado, também possui como um dos seus recursos, em seu mundo, dentro 
de sua cultura. 
Assim, quando são necessários guerreiros ou burocratas, a educação é um 
dos meios de que os homens lançam mão para criar guerreiros ou burocratas. 
Ela ajuda a pensar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda a criá-los, 
através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima. 
Mais ainda, a educação participa do processo de produção de crenças e 
idéias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, 
bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades. E esta é a 
sua força. 
No entanto, pensando às vezes que age por si próprio, livre e em nome de 
todos, o educador imagina que serve ao saber e a quem ensina, mas, na 
verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu professor, a fim de usá-
lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na educação 
- nas suas agências, suas práticas e nas idéias que ela professa - interesses 
políticos impostos sobre ela e, através de seu exercício, à sociedade que 
habita. E esta é a sua fraqueza. 
Aqui e ali será preciso voltar a estas idéias, e elas podem ser como que um 
roteiro daqui para frente. A Educação existe no imaginário das pessoas e na 
ideologia dos grupos sociais e, ali, sempre se espera, de dentro, ou sempre se 
diz para fora, que a sua missão é transformar sujeitos e mundos em alguma 
coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros: "... e 
deles faremos homens". Mas, na prática, a mesma educação que ensina pode 
deseducar, e pode correr o risco de fazer o contrário do que pensa que faz, ou 
Didática Geral 
 
 13 
do que inventa que pode fazer: "... eles eram, portanto, totalmente inúteis" 
 
Não há como falar sobre Educação sem citar esse texto do professor 
Brandão, que de uma maneira expressiva e bem humorada discute o que 
significa a Educação. 
Como vimos nesse trecho, a Educação confunde-se com a cultura e a 
ela serve, pois tem sua formação com base em pessoas que se revestem de 
costumes, de uma moral e uma ética, de comportamentos estabelecidos, etc. 
onde são úteis em cada região particular. 
Segundo Libâneo (1990), em sentido amplo, a Educação se dá 
simplesmente pelo sujeito existir socialmente, uma vez que ao conviver com a 
sociedade o indivíduo aprende e ensina, formando-a junto a outros membros 
dessa mesma sociedade. Esta ocorre em todos os campos, como na 
organização econômica, política, religiosa, dos costumes, etc. Já em sentido 
estrito, ocorre em instituições específicas, escolares ou não, com a finalidade 
clara de instrução e ensino, de maneira organizada, planejada, o que não 
ocorre em sentido amplo. 
Portanto, a Educação está em tudo e presente em todos os momentos 
de cada um de nós e forma a personalidade do sujeito socialmente falando, 
uma vez que envolve o desenvolvimento do mesmo na sociedade em que vive. 
Ocorre de maneira intencional e sistemática nas escolas e organizações, como 
uma Educação Formal, que tem por fim explícito o ensino e a instrução (sentido 
estrito); e de maneira não intencional em todos os lugares, como uma 
Educação Informal (sentido amplo). 
Desta forma dizemos que a Educação é, portanto, um fenômeno social, 
pois está em tudo que a sociedade abrange. É um processo social também, 
uma vez que é determinada por sua época, seu contexto histórico e social que 
a modela e a dirige por fazerem parte do contexto que rege a vida dos atores 
participantes da vida em sociedade. 
 
Educação Formal = Intencional e sistemática. Ocorre nas escolas. 
Educação Informal = ocorre de maneira não intencional e assistemática em 
todos os lugares. 
A Educação atua na formação da personalidade socialmente construída. 
 
“O trabalho docente é parte integrante do processo educativo 
mais global pelo qual os membros da sociedade são 
preparados para a participação na vida social. A educação – ou 
seja, a prática educativa – é um fenômeno social e universal, 
sendo uma atividade humana necessária à existência e 
funcionamento de todas as sociedades. Cada sociedade 
precisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar no 
desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, 
Didática Geral 
 
 14 
prepará-los para a participação ativa e transformadora nas 
várias instâncias da vida social. Não há sociedade sem prática 
educativa nem prática educativa sem sociedade. A prática 
educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade, 
mas também o processo de prover os indivíduos dos 
conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a 
atuar no meio social e a transformá-lo em função de 
necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade.” 
(Libâneo, 1990) 
 
1.2. PEDAGOGIA 
 
A Pedagogia é a ciência que estuda a Educação. (Piletti, 2010) Se 
como ciência ela estuda a Educação, podemos dizer que tudo que envolve a 
Educação como um fenômeno e um processo social deve ser estudado e 
compreendido pela Pedagogia, ou seja, o que se deve fazer para Educar as 
pessoas, o que pode ser ensinado, como deve ser ensinado, a quem deve ser 
ensinado, por quem será ensinado, etc. 
Tudo o que envolve a transformação da cultura social em forma de 
Educação é parte da Pedagogia, como por exemplo, a influência dos processos 
produtivos pertencentes à economia pode influenciar a vida social e a 
Educação como fenômeno da sociedade, como o desenvolvimento do sujeito 
pode interferir na maneira como o professor ensina e o aluno aprende, quais os 
conjuntos de conhecimentos devem ser passados e captados pelas pessoas, 
etc. 
Como a Educação depende de muitas coisas, tudo isso de alguma 
forma, deve ser investigado pelas ciências pedagógicas. 
Uma coisa que deve ser destacada é o termo utilizado costumeiramente 
pelos professores: processo pedagógico. Mas o que significa isso? Significa 
que ao atuarmos como professores, estaremos elaborando um processo que 
leva o sujeito a uma determinada Educação, de maneira processual. Portanto, 
ao educar estamos atuando pedagogicamente e tomando um determinado 
posicionamento educacional para determinados conhecimentos, capacidades, 
habilidades e outras importantes coisas que devem ser incorporadas pelos 
alunos. 
 
Se falarmos em atuar pedagogicamente estamos dizendo que estaremos 
incumbidos de uma Educação para com nossos alunos. 
 
1.3. DIDÁTICA 
 
 Segundo Libâneo (1990), a Didática é o principal ramo de estudo da 
Pedagogia. Aquele que investiga os fundamentos, as condições e as maneiras 
mais apropriadas de realizar a instrução e o ensino. 
Didática Geral 
 
 15 
 Quando estamos pensando em como devemos fazer para ensinar algo a 
uma pessoa nossa preocupação é com a Didática que deve ser utilizada. 
Entretanto, no que se refere aos professores, toda forma de ensinar reflete uma 
busca educativa, pedagógica e, desta maneira, pressupõe uma relação entre 
aquele que ensina, os conhecimentos em si, o sujeito que aprende e a 
sociedade que irá acolhê-lo. 
 A profissão professor é tão complexa justamente por isso, pois não 
basta ensinar uma simples habilidade, como a de escrever, por exemplo, para 
dizer que estamos educando. Se relacionarmos o ato de escrever com outras 
importantes habilidades, como ler, construir textos, organizar os pensamentos, 
etc., estaremos didaticamente estruturando um ensino de maneira mais 
condizente com as necessidades que a vida social solicita. 
 A maneira como deve ser ensinado algo reflete se irá facilitar ou não a 
aquisição do conhecimentodo aluno. Como por exemplo, imagine você 
lecionando e explicando algo como a crise econômica a crianças da 5ª série e 
utilizando termos sofisticados e palavras que, talvez, grande parte da sala não 
compreenda. Acresça a isso o fato de não colocar nenhuma figura, não dar 
chance de uma interlocução por parte dos seus alunos (eles só escutam sua 
aula expositiva) e não trazê-los para mais próximos da realidade de acordo 
com os conhecimentos que eles já possuem. Didaticamente, poderíamos dizer 
que a aula seria, provavelmente, um verdadeiro fracasso, uma vez que os 
métodos de ensino não dariam conta de serem aprendidos adequadamente. 
 Por esta razão a Didática deve ser muito bem estruturada antes de se 
iniciar um trabalho que se julga educativo. 
 
A Didática é o principal ramo da Pedagogia, preocupada em estudar os 
métodos e as formas mais apropriadas de se praticar a instrução e o ensino. 
 
 
1.4. A INSTRUÇÃO E O ENSINO 
 
Segundo Libâneo (1990), a instrução é ligada à formação intelectual e o 
desenvolvimento da capacidade de conhecer, de acordo com o domínio de 
certo nível de conhecimentos sistematizados pelo professor. O ensino, por sua 
vez, corresponde às ações, meios e condições para que se possa instruir e, 
desta forma, está ligado à instrução. 
A instrução não está livre, mas ligada de maneira subordinada à 
Educação, uma vez que se volta ao desenvolvimento da personalidade do 
sujeito durante sua atuação nas escolas. Ao instruir, o professor desenvolve 
conhecimentos, habilidades e capacidades que se tornam reguladores da ação 
do sujeito no mundo, por isso acontece um processo pedagógico. 
Entretanto, apesar de interdependentes, podemos dizer que é possível 
educar sem instruir e instruir sem educar. Por exemplo, podemos dizer aos 
Didática Geral 
 
 16 
nossos alunos que não se deve jogar lixo nas ruas (como forma de instrução) 
e, no entanto, isso não ser praticado da maneira como foi instruída – instrução 
sem levar a educação – e ao contrário, podemos sair pegando lixo do chão 
junto com os alunos sem nada dizermos - educação sem instrução – podendo 
dar melhores resultados em termos educativos. 
Assim, ao planejar as ações de ensino e instrução, devemos ter em 
mente objetivos propriamente educativos, pois o ensino é o principal meio que 
leva a uma educação (ainda que não seja a única via educativa por existir o 
sentido amplo desta). 
 
“A instrução se refere ao processo e ao resultado da 
assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e ao 
desenvolvimento de capacidades cognitivas. O núcleo da 
instrução são os conteúdos das matérias. O ensino consiste no 
planejamento, organização, direção e avaliação da atividade 
didática, concretizando as tarefas da instrução; o ensino inclui 
tanto o trabalho do professor (magistério) como a direção da 
atividade de estudo dos alunos. Tanto a instrução como o 
ensino se modificam em decorrência da sua necessária ligação 
com o desenvolvimento da sociedade e com as condições reais 
em que ocorre o trabalho docente. Nessa ligação é que a 
Didática se fundamenta para formular diretrizes orientadoras do 
processo de ensino.” (Libâneo, 1990) 
 
 É, portanto, pela instrução que o desenvolvimento dos alunos acontece, 
mas, tudo isso só é possível graças à estruturação Didática que o professor 
elege para cumprir com seu trabalho educativo. Tudo isso é guiado pela 
dinâmica da sociedade, uma vez que a necessidade da Educação é a 
adaptação social do sujeito e, as condições da sociedade mudam, de tempos 
em tempos, de acordo com todos os fatores que a influenciam. 
 Para instruir e ensinar o professor necessita de preparação, não apenas 
a que recebe em sua formação como Professor Licenciado, mas também 
aquela que é garantida pela busca constante do conhecimento que deve se 
submeter o professor. A leitura e o estudo são as principais armas de um bom 
educador, pois para se instruir é necessário possuir um bom nível de 
conhecimentos. Só assim será possível escolher qual a forma Didática de 
ensino que será adotada para se cumprir essa função e saber de que maneira 
isso será requisitado no contexto em que o aluno habita, com intenção 
pedagógica. 
 Dizemos que o sujeito é bem instruído quando o mesmo é capaz de 
demonstrar conhecimentos e habilidades suficientemente capazes de resolver 
os problemas que a vida social demanda. Mas, para isso, o processo de ensino 
deve possibilitar esse processo de abastecimento para acompanhar as 
condições de aprendizagem da pessoa do aluno. 
Didática Geral 
 
 17 
 
A instrução é ligada à formação intelectual e o desenvolvimento da capacidade 
de conhecer. O ensino corresponde às ações, meios e condições para que se 
possa instruir e, desta forma, está ligado à instrução. 
 
1.5. APRENDIZAGEM 
 
Ouvi uma vez um professor1 dizer em seu intervalo de aula: 
“Nossa, hoje eu dei uma excelente aula!” 
Em contra partida perguntei desta maneira a ele: 
“ Que bom! Mas, o que foi que os alunos aprenderam?” 
Para minha surpresa, a resposta do professor foi a seguinte: 
“Não estou falando dos alunos! Estou falando sobre a minha aula, foi 
muito boa!” 
Com uma pitada de bom humor, essa história ilustra muito bem o 
posicionamento que possamos encontrar no professorado atualmente, que 
esquece, da mesma maneira que esse professor, o mais importante para um 
professor. Fazer com que o aluno APRENDA! 
Segundo Schimitz citado por Piletti (2010), a aprendizagem é “um 
processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos 
padrões e novas formas de perceber, ser, pensar e agir.” 
Ao professor compete atuar diretamente no comportamento dos alunos, 
garantindo sua aprendizagem de maneira suportada, eficiente e eficaz. De 
nada adiantaria um sujeito passar tantos anos freqüentando uma escola não 
fosse o fato de seu comportamento, nos âmbitos da percepção, da sua 
essência, de seu pensamento e de seu agir, se modificarem para algo 
qualitativamente melhor de quando ingressou naquela escola. 
Como vimos, a Educação atua na personalidade socialmente necessária 
aos indivíduos de cada cultura. Assim, o professor deve proporcionar um 
processo pedagógico planejado, de forma a colocar-se a instruir e ensinar de 
acordo com o estabelecido, modificando, assim, a aprendizagem e a 
capacidade de aprender de seus alunos. 
Um professor que se colocasse a falar, explanar, explicar e conduzir 
suas palavras, desvinculado com as capacidades dos alunos, não estaria 
garantindo a aprendizagem deles. Seria como jogar seu tempo pela janela da 
sala de aula. 
Deve haver uma sintonia entre aquele que ensina e o sujeito que 
aprende, pois o mais importante de tudo no processo escolar são as 
aprendizagens feitas pelos alunos que investiram seu tempo e dedicação em 
todo aquele processo de estudos. 
 
1
 Não será identificado o tal professor por uma questão de respeito a sua pessoa e ao profissional que o 
mesmo o é. 
Didática Geral 
 
 18 
O próprio professor aprende muito ao ouvir seus alunos, prestar atenção 
neles, se aproximar deles, se colocar a disposição e permitir a discussão, a 
discordância e o debate em sala de aula. 
Ser sensível a realidade dos alunos é de fundamental importância para 
que se garanta um ambiente favorável à aprendizagem e o desenvolvimento de 
todos os envolvidos no processo educativo. 
 
A principal função do professor é promover a aprendizagem do aluno. Não se 
pode dizer que ensinou se o aluno não aprender! 
 
1.6. CURRÍCULO ESCOLAR 
 
 Segundo Piletti (2010), o currículo tem significado as matérias ensinadasna escola ou a programação de estudos. Atualmente, o termo tem sido utilizado 
em sentido mais amplo, para se referir à vida e a todo o programa da escola, 
inclusive as atividades extra-classe. 
 Assim, pensando sobre isso, podemos imaginar como todas as 
atividades que ocorrem na escola possuem uma função Didática e Pedagógica. 
Didática, pois se estruturam estrategicamente para dar condições de 
acontecerem de acordo com a melhor forma, para permitir melhor 
aproveitamento por parte dos alunos. Pedagógica, pois pretendem ser 
formativas da personalidade do aluno, preparando-o para sua vida social. As 
características aprendidas via currículo escolar serão úteis para a vida social e 
profissional do sujeito. 
 Geralmente, se recebemos um palestrante, costumamos perguntar qual 
o currículo dele, em sentido semelhante ao que acabamos de explicar, pois 
trata-se do conjunto de qualidades adquiridas por seu percurso de estudos, 
trabalho e qualificações. Na escola é muito próximo disso, uma vez que se trata 
de todas as atividades formativas as quais se submetem os alunos. 
 Cada experiência vivenciada no período escolar é extremamente 
importante para formar esse repertório de qualificações. Por isso, cabe aos 
professores uma preocupação Didática e Pedagógica que possibilite um 
aproveitamento satisfatório por parte dos alunos, promovendo aprendizagem e 
desenvolvimento, sempre respeitando as limitações e potencialidades destes, 
sem que se limite a participação imediata, mas a experiências que possam ser 
estendidas para fora da escola, uma vez que o trabalho lá dentro serve para a 
vida social do indivíduo fora das escolas. 
 É de extrema importância mencionar um conceito de currículo oculto e o 
que ele expressa na vida dos professores. Segundo Piletti (2010) trata-se da 
transmissão de valores, normas e comportamentos que são passados 
simplesmente pela interação professor-alunos. 
 É oculto, pois ao contrário do anterior perpassa muitas vezes a uma falta 
de compreensão do que o professor está ensinando ao conviver com os 
Didática Geral 
 
 19 
alunos. Sem que se possa perceber o professor mostra aos alunos suas 
valorizações, as normas que ele julga importante, os comportamentos que ele 
possui, etc. Não é raro vermos os alunos imitando comportamentos do 
professor ou reproduzindo frases que fazem menção a algum tipo de 
valorização que o mesmo possui, desta forma, oculto. 
 Por isso, todo o cuidado é pouco para os professores que são grandes 
exemplos para os alunos. Eles, os alunos, copiam boa parte do que o professor 
fala, faz e manifesta. 
 
Todas as atividades da escola fazem parte do currículo oferecido. Por isso, ele 
deve ser estruturado didaticamente com todo o cuidado! 
 
A proposta de organização do conhecimento, nos Parâmetros Curriculares 
Nacionais, está em consonância com o disposto no Artigo 26 da Lei de 
Diretrizes e Bases, que assim se pronuncia: 
“Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional 
comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento 
escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e 
locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.” 
Os diferentes parágrafos desse artigo apresentam as diretrizes gerais para a 
organização dos currículos do ensino fundamental e médio: 
 devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da 
matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade 
social e política, especialmente do Brasil; 
 o ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos 
níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento 
cultural dos alunos; 
 a educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é 
componente curricular da educação básica, ajustando-se às faixas etárias 
e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos 
noturnos; 
 o ensino da história do Brasil levará em conta as contribuições das 
diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, 
especialmente das matrizes indígena, africana e européia; 
 na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir 
da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, 
cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das 
possibilidades da instituição. 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 20 
RESUMO 
Não existe apenas uma educação, pois ela está ligada a uma cultura, a 
uma sociedade. A educação em sentido amplo abrange a vida social, onde se 
aprende e ensina o tempo todo. No sentido estrito acontece nas escolas, de 
maneira intencional e sistemática, auxiliando na formação da personalidade do 
sujeito. 
A Pedagogia é a ciência que estuda a educação em toda a sua 
complexidade, tendo como suporte as outras ciências, que ajudam a entender 
o ser humano e a sociedade. Se a Pedagogia estuda a formação da 
sociedade, podemos dizer que utilizar o termo ação pedagógica é o mesmo 
que dizer que se está agindo para a educação social. 
A Didática, por sua vez, é um sub-ramo da Pedagogia, que se ocupa 
dos fundamentos, as condições e as maneiras mais apropriadas de se realizar 
a instrução e o ensino. A instrução é a formação social, intelectual do sujeito e 
acontece por meio do ensino, que cuida da forma de se aplicar a instrução. 
Costumamos utilizar o termo ensino-aprendizagem. Entretanto, deve-se 
ter o cuidado de observar se o ensino está resultando em aprendizagem, 
verificando se está acontecendo um processo de aquisição e assimilação de 
novos padrões e novas formas de perceber, ser, pensar e agir. A principal 
missão do professor é fazer com que o aluno aprenda. 
Currículo escolar é todo o programa da escola, ligado a todas as 
atividades que os alunos vivenciam dentro dela. Currículo oculto, por outro 
lado, está ligado a aprendizagem dos alunos via relação comportamental com 
o professor. 
Exercícios 
 
1) O que é Educação em sentido amplo? 
 
(a) É a vontade do indivíduo, a criação proporcionada. 
(b) Semelhante a moral e bons costumes. 
(c) Os bons modos, adquiridos no contato com a família. 
(d) É muito semelhante à cultura, pois é um fenômeno e um processo 
social. 
(e) Surge do amor dos pais, pela dedicação em cuidar de seus filhos. 
 
2) O que é Didática? 
 
(a) É a incorporação dos dados da realidade nos esquemas disponíveis 
no sujeito, é o processo pelo qual as idéias, pessoas, costumes são 
incorporadas à atividade do sujeito. 
(b) é o principal ramo de estudo da Pedagogia, preocupado em 
investigar os fundamentos, as condições e as maneiras mais 
apropriadas de realizar a instrução e o ensino. 
Didática Geral 
 
 21 
(c) É a assimilação, nada mais é do que a motivação. 
(d) É o conhecimento adquirido nas escolas. 
(e) É aquilo que faz com que elas se alternem mutuamente no processo 
de conhecimento e faz isso muito lentamente. 
 
3) Qual a diferença entre instrução e ensino? 
 
(a) A instrução está ligada aos papéis que vem junto com alguns 
produtos que compramos, já o ensino é quando temos um professor 
para ensinar, para não termos de aprender sozinhos. 
(b) A instrução é ligada à formação intelectual e o desenvolvimento da 
capacidade de conhecer. O ensino corresponde às ações, meios e 
condições para que se possa instruir. 
(c) A instrução é ligada a todas as situações que precisamos pedir 
maiores informações, pois somente com elas estaremos instruídos. O 
ensino é aquilo que fazem os pais, nos primeiros anos de vida de seus 
filhos. 
(d) A instrução é um manual inventando por algum sujeito que o elabora, 
na perspectiva de favorecero uso de determinados aparelhos 
eletrônicos. O ensino é semelhante à educação, pois ensinar é o mesmo 
que educar. 
(e) Instrução é o mesmo que comando, pois quando se instrui alguém 
você o comanda. O ensino é ação de proporcionar a alguém uma 
capacidade elementar de pensamento e linguagem. 
Resolução dos Exercícios 
 
1) A Educação confunde-se com a cultura e a ela serve, pois tem sua 
formação com base em pessoas que se revestem de costumes, de uma 
moral e uma ética, de comportamentos estabelecidos, etc. onde são 
úteis em cada região particular. 
 
Resposta correta: 
 
(d) É muito semelhante à cultura, pois é um fenômeno e um processo 
social. 
 
2) Segundo Libâneo (1990), a Didática é o principal ramo de estudo da 
Pedagogia. Aquele que investiga os fundamentos, as condições e as 
maneiras mais apropriadas de realizar a instrução e o ensino. 
 
Resposta correta: 
 
Didática Geral 
 
 22 
(b) é o principal ramo de estudo da Pedagogia, preocupado em 
investigar os fundamentos, as condições e as maneiras mais 
apropriadas de realizar a instrução e o ensino. 
 
3) Segundo Libâneo (1990), a instrução é ligada à formação intelectual e o 
desenvolvimento da capacidade de conhecer, de acordo com o domínio 
de certo nível de conhecimentos sistematizados pelo professor. O 
ensino, por sua vez, corresponde às ações, meios e condições para que 
se possa instruir e, desta forma, está ligado à instrução. 
 
Resposta correta: 
 
(b) A instrução é ligada à formação intelectual e o desenvolvimento da 
capacidade de conhecer. O ensino corresponde às ações, meios e 
condições para que se possa instruir. 
 
 
2. A FILOSOFIA, A SOCIOLOGIA E A PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO 
 
“Ao estudar a educação nos seus aspectos sociais, políticos, 
econômicos, psicológicos, para descrever e explicar o 
fenômeno educativo, a Pedagogia recorre à contribuição de 
outras ciências como a Filosofia, a História, a Sociologia, a 
Psicologia, a Economia. Esses estudos acabam por convergir 
na Didática, uma vez que esta reúne em seu campo de 
conhecimentos objetivos e modos de ação pedagógica na 
escola. Além disso, sendo a educação uma prática social que 
acontece numa grande variedade de instituições e atividades 
humanas (na família, na escola, no trabalho, nas igrejas, nas 
organizações políticas e sindicais, nos meios de comunicação 
de massa etc.), podemos falar de uma pedagogia familiar, de 
uma pedagogia política etc. e, também, de uma pedagogia 
escolar. Nesse caso constituem-se disciplinas propriamente 
pedagógicas tais como a Teoria da Educação, Teoria da 
Escola, Organização Escolar, destacando-se a Didática como 
Teoria do Ensino. (Libâneo, 1990) 
 
Para que a Pedagogia possa estudar e compreender a Educação esta 
precisa recorrer a outras ciências. As ciências, em geral, estudam 
sistematicamente algo que seja interessante para os seres humanos, para a 
vida de outros seres, para os ambientes que habitamos e tudo que possa ser 
de alguma forma relevante para nós. 
Um médico estuda outras ciências, como é o caso da biologia, da física, 
da química, da farmacologia, da psicologia, etc. Ele assim o faz, pois seria 
Didática Geral 
 
 23 
praticamente impossível atender seus pacientes sem conhecimentos dessas 
áreas todas que possibilitam conhecer melhor os seres humanos em todas 
essas dimensões. Conhecimentos essenciais a quem precisa compreender 
como tudo está interligado de maneira complexa e interdependente. 
As inúmeras pesquisas científicas que são produzidas pelo mundo em 
diversas áreas se multiplicam, muitas novas áreas são criadas para dar conta 
de tentar captar um pouco do que o mundo tem para oferecer. Muitos recortes 
da realidade são criados com um rótulo de uma nova ciência. Ao se criar a 
Pedagogia, por exemplo, o recorte se vincula a investigar apenas e, ao mesmo, 
totalmente, o que envolve o fenômeno educativo na vida das pessoas, da 
sociedade em geral. Para isso, quase sempre se precisa de outros 
conhecimentos que se vinculam com os objetos de estudo dessa ciência. 
Como por exemplo: para se educar alguém é necessário saber o que é 
exatamente a Educação, o que é a cultura, como são os homens e como se 
organizam socialmente, como se comportam, como deveriam se comportar, 
quais conhecimentos são importantes para a espécie humana, como o homem 
se desenvolve e como aprende, etc. 
 Mas, por que tantas perguntas? Vejamos como a Filosofia pode nos 
ajudar mais sobre isso. 
 
2.1. A FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO 
 
Segundo Lorieri e Rios (2004), a Filosofia busca a compreensão, que diz 
respeito ao sentido, ao significado, ao valor. Ela se apresenta como uma 
maneira de pensar que tem um conteúdo próprio: os aspectos fundamentais da 
realidade e da existência humana. Eles dizem que a forma do pensamento 
filosófico pode ser expressa como uma forma de pensar reflexiva, crítica, 
profunda, metódica e abrangente que busca contextualizar, ou colocar em 
unidades referenciais significativas mais amplas, os aspectos importantes ou 
fundamentais da realidade e da existência humana. 
Com um esforço de reflexão desse texto, é importante imaginar o quão 
interligado isso está com a Educação, uma vez que não refletir, questionar, 
analisar e tentar compreender mais detalhadamente a Educação pode incorrer 
a um ativismo precipitado, daquele que passa a fazer sem compreender o que 
faz, o que acontece, etc. 
A Filosofia, interligada com a Educação, questiona a mesma para que se 
chegue a um nível de compreensão mais preciso e seguro antes de se colocar 
a executá-la nas escolas. 
Vejamos alguns importantes questionamentos e análises decorrentes do 
caráter filosófico inserido na educação. 
 
 O que seria uma boa forma de Educação? 
 A qual tipo de vida ela conduziria? 
Didática Geral 
 
 24 
 Que tipo de homem e de mundo estamos buscando? 
 Que ações pedagógicas seriam capazes de levar aos seres 
humanos um comportamento melhor e mais útil a sociedade? 
 Que posicionamento as pessoas da escola devem ter uns para 
com os outros? 
 Quais seriam as qualidades importantes em uma pessoa para que 
seja ensinado nas escolas? Seria possível ensinar essas 
qualidades? Como? 
 
São apenas alguns questionamentos que a Filosofia nos ajuda a 
levantar para que se possa trabalhar melhor e mais consciente de suas 
responsabilidades. 
Convido o leitor a refletir sobre esses questionamentos indo para além 
do que aqui está escrito, uma vez que se trata apenas de um estímulo a 
capacidade crítica e vivencial do futuro professor que está estudando com esse 
material. 
Imaginar o que seria um homem ideal é um importante exercício para 
que possamos organizar didaticamente as ações necessárias para se chegar a 
esse homem ideal. Talvez traçar qualidades, comportamentos, características, 
que possam ser valorizadas pela sociedade e capazes de municiar 
suficientemente bem o sujeito que delas precisar para trabalhar, viver 
socialmente, ser feliz e produzir cultura. 
Mas, e a sociedade, como funciona? Qual a maneira como devemos 
enxergá-la como educadores? Reproduzindo tudo que já se faz até hoje ou 
transformando o mundo para algo diferente? 
Vamos ver o que a Sociologia, aplicada a Educação, pode contribuir 
para tentar responder a estas questões, assim como enxergar possibilidades 
educativas em uma perspectiva mais interessante para o professor, para os 
alunos e para o mundo. 
 
SAIBA MAIS 
Pense sobre as perguntas acima e FILOSOFANDO, tente responder essas 
questões com hipóteses que possam satisfazer a você como educador. 
Imagine a criação de um mundo ideal e se perguntecomo seria possível a 
Educação, como fenômeno e processo social, ser capaz de construir esse 
mundo. 
Imagine e discuta com alguém quais qualidades as pessoas deveriam ter para 
que pudessem ser felizes e fazer um mundo melhor, não apenas para ela 
mesma, mas para todas as pessoas. 
Por último, pense na diferença entre uma postura crítica e, no extremo oposto, 
uma postura conformista e acomodada. Pense também entre a diferença entre 
ser crítico e ser o que as pessoas chamariam de chato, ou pessimista. 
 
Didática Geral 
 
 25 
2.2. A SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO 
 
Sendo a Filosofia uma ciência questionadora e crítica, ela serve de base 
para uma postura mais interessante, daqueles que não se deixam levar pelas 
primeira impressões. Graças a ela, como primórdio da ciência, vieram todas as 
outras importantes contribuições científicas que permitem vislumbrar um 
mundo de possibilidades e uma busca incessante por respostas. 
A Sociologia emana dessa Filosofia, questionando fatos da vida social 
que permitem aos homens assumir dadas posturas socialmente. A Política, a 
Cultura, os Costumes, a Economia, etc. tudo isso provém de uma organização 
social e, a Sociologia como ciência, busca encontrar uma compreensão mais 
profunda sobre como tudo isso acontece, como se manifesta e a que 
conseqüências. 
 Vejamos o que diz Libâneo (1990) sobre a Sociologia da Educação: 
 
“A Sociologia da Educação estuda a educação como processo 
social e ajuda os professores a reconhecerem as relações 
entre o trabalho docente e a sociedade. Ensina a ver a 
realidade social no seu movimento, a partir da dependência 
mútua entre seus elementos constitutivos, para determinar os 
nexos constitutivos da realidade educacional. A par disso, 
estuda a escola como ‘fenômeno sociológico’, isto é, uma 
organização social que tem a estrutura interna de 
funcionamento interligada ao mesmo tempo com outras 
organizações sociais (conselho de pais, associações de 
bairros, sindicatos, partidos políticos, etc.). A própria sala de 
aula é um ambiente social que forma, junto com a escola como 
um todo, o ambiente global da atividade docente organizado 
para cumprir os objetivos de ensino.” (Libâneo, 1990) 
 
 Como vimos, a Sociologia da Educação se preocupa mais 
especificamente como as pessoas socialmente se organizam e como a 
Educação se envolve com esse fator. É necessário um ambiente de criticidade, 
que garanta uma compreensão mais aprofundada do fenômeno que envolve a 
vida social, as condições de trabalho, as divisões de classe, a ideologia, etc. 
 Esses conceitos são muito importantes para se ultrapassar o senso 
comum e se aproximar da ciência, uma vez que durante muito tempo a 
Educação teve vinculada à interesses ideológicos de uma minoria pertencente 
as elites da sociedade. 
 Pela influencia de grandes teorias sociológicas temos noções de que a 
busca de uma sociedade democrática, que defenda os interesses de toda a 
população e não apenas parte dela se faz imprescindível. 
 
Didática Geral 
 
 26 
2.2.1. A VISÃO SOCIOLÓGICA SOBRE A DEMOCRATIZAÇÃO 
DO ENSINO 
 
Segundo Libâneo (1990), a educação é socialmente determinada, pois 
os fins e exigências sociais, políticas e ideológicas guiam todo o processo de 
funcionamento da sociedade, determinando valores, normas e particularidades 
da estrutura social, da qual a educação está subordinada. Isso, pois desde o 
início da existência da espécie humana, os homens vivem em grupos e a vida 
de um está sempre vinculada e na dependência da vida de outros. Por 
exemplo, a nossa organização atual no Brasil funciona com a existência de um 
Estado que governa e, dele depende todo o futuro da nação. As ações do 
governo provocam um efeito cascata, influenciando no preço dos alimentos, no 
aumento ou diminuição dos impostos, na oferta de empregos, na qualidade de 
vida das pessoas, na criminalidade, etc. Essa forma de organização, a divisão 
em classes sociais e o capitalismo que hoje rege praticamente o mundo todo 
vão configurando as ações práticas e concretas dos homens. 
Libâneo (1990) explica que desde quando os homens passaram a viver 
socialmente começaram a travar relações de reciprocidade diante da 
necessidade de organizar seu trabalho em conjunto e garantirem sua 
sobrevivência. Essas relações se transformaram, criando novas necessidades, 
novas maneiras de organizar o trabalho de todos, conforme sexo, idade, 
ocupações, de maneira que existisse uma distribuição das atividades entre 
todos envolvidos nesse processo. 
O tempo e os interesses de uma parte da população se encarregaram 
de manifestar as relações de desigualdade econômicas e de classe. Para os 
primitivos, as relações davam igual aproveitamento do trabalho em comum. 
Contudo, nos momentos seguintes da história da sociedade cada vez mais 
aumentavam a distribuição desigual do trabalho e do aproveitamento que se 
tirava deste. A divisão do trabalho fazia com que os indivíduos se rotulassem 
em sua ocupação da atividade produtiva. Vejamos as etapas descritas por 
Libâneo (1990): 
 
 Sociedade Escravista: os meios do trabalho e o próprio 
trabalhador (escravo) eram propriedade dos donos da terra. 
 Sociedade Feudal: os servos trabalhavam gratuitamente para os 
donos da terra ou lhe pagavam tributos. 
 Sociedade Capitalista: Existe uma divisão entre os proprietários 
privados dos meios de produção (empresas, maquinas, bancos, 
instrumentos de trabalho, etc.) e os que vendem sua força de 
trabalho para seu próprio sustento, vivendo de um salário. 
 
Assim se configurou a história da organização do trabalho até a 
formação atual da sociedade capitalista, fortemente marcada pela divisão de 
Didática Geral 
 
 27 
classes, onde os capitalistas e os trabalhadores ocupam lugares opostos e 
antagônicos no processo produtivo. Os proprietários tirando seus lucros da 
exploração da classe trabalhadora – sendo esta a maioria da população – e tal 
classe trabalhadora é obrigada a submeter a isso, uma vez que precisam de 
alguma fonte de renda, mas seus salários mal chegam a cobrir todas as suas 
necessidades vitais. 
Mas, o que isso tem a ver com a Educação? TUDO! Uma vez que a 
alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos trabalhadores, que 
é ao mesmo tempo uma alienação intelectual, determina uma desigualdade 
social, determinando não apenas as condições materiais de vida e de trabalho 
dos indivíduos, mas também o acesso a cultura mental, à educação. 
O poder alcançado pelo detentor do capital influencia toda uma forma de 
fomento a manutenção desse sistema, fazendo com que todos os agentes da 
vida social reproduzam esse modelo de vida. A ausência de outra maneira de 
organização social provoca no capitalismo tudo o que este precisa para se 
manter. O desemprego, por exemplo, é um excelente mecanismo para fazer 
com que o trabalhador implore por um emprego qualquer, vendendo sua força 
de trabalho por qualquer compensação financeira, por necessidade. 
Foi notória a divisão entre a escola dos ricos, que por poderem pagar os 
melhores professores os ensinavam a pensar, a serem críticos e criativos para 
continuar detendo os meios de acumulação de capital e as escolas dos pobres, 
que davam ênfase no trabalho manual, como maneira de formar para o 
trabalho, para a exploração, e não para que aprendessem a pensar, 
questionar, pois assim estragariam todo o esquema da elite pedindo melhores 
salários, melhores condições de trabalho, etc. 
Libâneo (1990) destaca as idéias, valores e práticas apresentados pela 
minoria dominante como se fossem representativos dos interesses de todas as 
classes sociais, o que se conhece pelonome de ideologia. Ele cita os 
seguintes discursos como exemplo da inculcação da verdade que eles queriam 
que os trabalhadores acreditassem. Segue alguns dos discursos: 
 
 “O governo sempre faz o possível; as pessoas é que não 
colaboram”; 
 “Os professores não têm que se preocupar com política, o que 
devem fazer é cumprir sua obrigação na escola”; 
 “Nossa sociedade é democrática porque dá oportunidades iguais 
a todos. Se a pessoa não tem um bom emprego ou não consegue 
estudar é porque tem limitações individuais”; 
 “As crianças repetem de ano porque não se esforçam; tudo na 
vida depende do esforço pessoal”; 
 “Bom aluno é aquele que sabe obedecer”. 
 
Didática Geral 
 
 28 
Essas frases mostram idéias e valores que não são muito reais. É como 
se o governo estivesse acima dos conflitos entre as classes sociais e das 
desigualdades, fazendo com que parecesse ser um problema de 
incompetência das pessoas, e que a escolarização pudesse reduzir as 
diferenças sociais porque dá oportunidades iguais a todos, o que sabemos não 
ser verdade. Assim, essas meias verdades escondem os conflitos sociais e 
tentam passar uma idéia positiva das coisas. Pessoas ingênuas acabam 
assumindo essas crenças, valores e práticas como se fizessem parte da 
normalidade da vida e acabam acreditando que a sociedade é boa, os 
indivíduos é que destoam. 
É dentro desse jogo de relações sociais que a escola se insere, que os 
professores trabalham e que os alunos se desenvolvem. No trabalho do 
professor está presente interesses dos mais diversos, sociais, políticos, 
econômicos, culturais; isso precisa ser bem compreendido pelo professor! 
Precisa ser compreendido também que tudo isso não é imutável, estabelecidas 
para sempre. As relações sociais são dinâmicas e passíveis de transformações 
pelos indivíduos pertencentes à sociedade. 
Por esse motivo, o reconhecimento do papel político do docente implica 
a luta pela modificação dessas relações de poder. Para quem lida com a 
educação tendo em vista a formação de um ser humano, é imprescindível que 
desenvolva a capacidade de descobrir as relações sociais implicadas em cada 
acontecimento, em cada situação da vida real e da sua profissão, em cada 
matéria que ensina e seu próprio discurso, nos meios de comunicação de 
massa, nas relações das pessoas cotidianamente e no trabalho. 
Conforme Libâneo (1990): 
 
“O campo específico de atuação profissional e política do 
professor é a escola, à qual cabem tarefas de assegurar aos 
alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades, o 
desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de 
pensamento independente, crítico e criativo. Tais tarefas 
representam uma significativa contribuição para a 
transformação de cidadãos ativos, criativos e críticos, capazes 
de participar nas lutas pela transformação social. Podemos 
dizer que, quanto mais a minoria dominante refina os meios de 
difusão da ideologia burguesa, tanto mais a educação escolar 
adquire importância, principalmente para as classes 
trabalhadoras. 
 
 Preparar crianças e jovens para a participação ativa na vida social é o 
objetivo mais imediato da escola pública. Esse objetivo é atingido pela 
instrução e ensino, as tarefas básicas do trabalho do professor. A instrução 
permite a conquista do domínio dos conhecimentos sistematizados e a 
promoção do desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos. O 
Didática Geral 
 
 29 
ensino, mais ligado ao que corresponde às ações indispensáveis para se 
realizar a instrução sendo a atividade conjunta do professor e dos alunos, cuja 
qual transcorre o processo de transmissão e assimilação ativa de 
conhecimentos, habilidades e hábitos, tendo em vista a instrução e educação. 
A Didática e as metodologias específicas das disciplinas, com uso dos 
conhecimentos pedagógicos e técnico-científicos, são disciplinas que dão 
condições à ação docente em situações de vida real cujas quais se realizam o 
ensino. 
 Libâneo (1990) diz que, em relação ao tipo de escola que deveríamos ter 
para o exercício da docência, para uma sociedade melhor, a escolarização 
básica constitui um instrumento indispensável para se construir uma sociedade 
mais democrática. Precisamos dar a todos uma formação que permita o 
domínio da parcela de conhecimentos culturalmente acumulados e um 
entendimento crítico da realidade. O professor deverá, através do estudo das 
matérias escolares e do domínio dos métodos pelos quais desenvolvem suas 
capacidades de conhecimento e formam habilidades para elaborar 
independentemente os conhecimentos, para que os alunos possam expressar 
de forma elaborada os conhecimentos que correspondem aos interesses 
majoritários da sociedade e inserir-se ativamente nas lutas sociais para 
transformação da sociedade. 
 Entretanto, inúmeros problemas surgem para isso: o poder público ainda 
deixa a desejar no cumprimento da manutenção do ensino obrigatório e 
gratuito, os recursos parecem ser insuficientes e mal gastos, muitas escolas 
funcionam precariamente por falta de recursos materiais e didáticos, os 
professores são mal remunerados e os alunos não possuem muitos recursos 
que os ajudariam e muito na missão de aprender e se desenvolver. Muitos 
ainda apontam para o grande número de reprovações nas escolas e, 
decorrentes disso, a desistência (evasão escolar). Muitos dizem que a função 
educativa é a de adaptarmos os alunos para a vida social. Nesse caso 
estaríamos oferecendo uma educação ajustadora e não transformadora, que 
fizesse com que os alunos apenas se ajustassem as condições de vida 
oferecidas, adversas ou não. Quando um aluno não consegue aprender e se 
desenvolver ele costuma abandonar a escola. Isso é o que podemos chamar 
de fracasso escolar. Além disso, dentro da própria escola existem diferenças 
no modo de conduzir o processo de ensino conforme a origem social dos 
alunos, geralmente discriminando os mais pobres, que se conseguem persistir 
e ficar na escola, recebem uma educação e um preparo muito abaixo dos 
demais. 
 Contudo, se ficarmos presos a esta falta de condições e utilizarmos 
como desculpa para nada fazermos, isso tudo nunca mudaria. Acreditamos que 
deverá ser feito exatamente o oposto, ao invés de se acomodar, devemos lutar 
para um trabalho que tenha condições de formar pessoas aptas pela luta social 
Didática Geral 
 
 30 
que pretenda reverter essas desigualdades e exija melhores condições de vida, 
de trabalho de estudos, etc. 
 Para se garantir uma escolarização capaz de lutar pela democratização 
da sociedade, segundo Libâneo (1990) é necessária a atuação em duas 
frentes: a política e a pedagógica. A política tem caráter pedagógico, pois visa 
formar para a sociedade e para o envolvimento dos educadores nos 
movimentos sociais e sindicais, nas lutas organizadas em defesa da escola 
unitária, democrática e gratuita; a pedagógica tem caráter político, pois parte de 
representar interesses estratégicos de toda uma população e não apenas a 
elite. 
 A escola deve ser unitária porque deve garantir uma base comum de 
conhecimentos sólidos e consistentes a toda a população nacional, de um 
saber sistematizado que dê condições de uma compreensão mais ampla por 
parte do aluno a fim de elaborá-los criticamente em função dos interesses da 
população majoritária, igualmente, sem discriminar por classe, cor de pele, 
poder aquisitivo, etc. 
 A escola pública deve ser democrática, garantindo a todos o acesso e a 
permanência, por no mínimo até o final da Educação Básica (Educação Infantil, 
Ensino Fundamental e Ensino Médio), proporcionando um ensino de qualidade 
que leve em conta as característicasespecíficas dos alunos que atualmente a 
freqüentam. Trazendo democracia inclusive nos mecanismos de gestão interna 
envolvendo a participação de todos no poder decisório dos rumos da escola. 
 Deve ser gratuita, pois é o que garante a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional nº 9394/962. 
 
2 Do Direito à Educação e do Dever de Educar 
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: 
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na 
idade própria; 
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; 
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, 
preferencialmente na rede regular de ensino; 
IV - atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos de idade; 
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a 
capacidade de cada um; 
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; 
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades 
adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as 
condições de acesso e permanência na escola; 
VIII - atendimento ao educando, no ensino fundamental público, por meio de programas 
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde; 
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, 
por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. 
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua 
residência a toda criança a partir do dia em que completar 3 anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 
11.700, de 2008). 
 
Didática Geral 
 
 31 
 Para finalizar, é importante ser dito que deve haver um compromisso 
social e ético por parte dos professores que nada mais é do que seu 
permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o 
ensino e as atividades de estudo de modo que estes dominem os 
conhecimentos básicos e as habilidades, e desenvolvam suas forças, 
capacidades físicas e intelectuais, tendo em vista equipá-los para enfrentar os 
desafios da vida prática no trabalho e nas lutas sociais pela democratização da 
sociedade. 
 
2.3. A PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO 
 
A Psicologia Educacional preocupa-se em estudar como os aspectos 
físico-motor, intelectual ou cognitivo, afetivo-emocional e social, desde o 
nascimento até a idade adulta, se desenvolvem e como esses aspectos 
interferem na capacidade de aprender na pessoa do aluno, evitando uma 
atividade desvinculada com as capacidades humanas e os limites das 
possibilidades de cada pessoa. 
 
 O professor que negligencia alguns aspectos importantes das dinâmicas 
de desenvolvimento e aprendizagem corre o risco de não apenas deixar de 
ensinar, como também trazer problemas sérios à capacidade de aprender e se 
desenvolver dos alunos. 
 Todos nós temos uma maneira de nos comportar, em parte por conta da 
cultura, em parte por conta da influência genética, em parte por conta das 
nossas escolhas, incluindo as pessoas ao nosso redor que nos influenciam a 
todo instante. 
Formação do ser 
humano 
Todos se 
encontram 
sempre 
presentes 
Os três 
aspectos se 
articulam 
mutuamente 
Aspecto Motor 
Aspecto 
Cognitivo 
Aspecto 
Afetivo 
Tabela 1 - A preocupação da Psicologia Educacional volta-se para os conjuntos funcionais humanos 
(Motor, Afetivo e Cognitivo). 
Didática Geral 
 
 32 
 Algumas regras de desenvolvimento já existem graças à ciência 
moderna, da mesma forma isso acontece na capacidade dos seres humanos 
aprenderem. 
 Decorrente disso tudo vêm as questões: é possível aprender sem se 
desenvolver? Ou, do outro lado, é possível se desenvolver sem aprender? 
 As respostas a essas perguntas estão nas interessantes teorias do 
desenvolvimento e da aprendizagem. Por serem perguntas complexas, as 
respostas também o são. O único fato irrefutável é que ser professor sem 
conhecer cientificamente como se desenvolve e como aprende uma criança 
seria leviano e seria como aplicar uma atividade de ensino arriscando cometer 
erros que o conhecimento teórico nos teria evitado. 
Esta ciência, como sub-divisão da Psicologia e da Pedagogia, como 
áreas que se inter-relacionam, tem por objetivo fornecer um olhar pelas lentes 
da psicologia nos assuntos relacionados com o desenvolvimento da pessoa 
humana e de como a aprendizagem acontece decorrente de questões de 
ensino. O fim maior é o de proporcionar ao professor uma familiaridade com as 
questões decorrentes do natural desenvolvimento que costuma ocorrer com 
seus alunos, assim como as implicações com a aprendizagem, uma vez que 
para ensinar o professor deve conhecer a dinâmica de desenvolvimento dos 
alunos, como eles pensam, sentem e agem diante das circunstâncias de vida 
diária. 
Para se pensar sobre as questões Didáticas, como a forma de organizar 
as condições do ensino para os alunos e a interação entre a tríade professor – 
aluno – conhecimento a Psicologia Educacional favorece uma visão 
suficientemente boa para que tudo ocorra de uma forma muito natural, desde 
que respeitadas as características do desenvolvimento e da aprendizagem dos 
alunos como seres humanos. 
 Para que os professores possam exercer sua atividade de ensino eles 
precisam se situar sobre todas as variáveis envolvidas por esta atividade, como 
por exemplo, a forma de se desenvolver e aprender do seu aluno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 33 
 
 
RESUMO 
A Pedagogia, ao estudar a Educação, assume o papel de investigar outras 
ciências em busca de respostas que auxiliem na formação de um pensamento 
educativo. Desta forma, precisa formar uma visão de homem, de mundo, de 
sociedade e da cultura, e utiliza para isso a Filosofia, questionando coisas que 
auxiliem no levantamento de questões fundamentais para se exercer uma 
atividade educativa. 
 A Sociologia da Educação se preocupa mais especificamente como as 
pessoas socialmente se organizam e como a Educação se envolve com esse 
fator. É necessário um ambiente de criticidade, que garanta uma compreensão 
mais aprofundada do fenômeno que envolve a vida social, as condições de 
trabalho, as divisões de classe, a ideologia, etc. 
É dentro desse jogo de relações sociais que a escola se insere, que os 
professores trabalham e que os alunos se desenvolvem. No trabalho do 
professor está presente interesses dos mais diversos, sociais, políticos, 
econômicos, culturais; isso precisa ser bem compreendido pelo professor! 
Precisa ser compreendido também que tudo isso não é imutável, 
estabelecidas para sempre. As relações sociais são dinâmicas e passíveis de 
transformações pelos indivíduos pertencentes à sociedade. 
Para se garantir uma escolarização capaz de lutar pela democratização 
da sociedade, segundo Libâneo (1990) é necessária a atuação em duas 
frentes: a política e a pedagógica. A política tem caráter pedagógico, pois visa 
formar para a sociedade e para o envolvimento dos educadores nos 
movimentos sociais e sindicais, nas lutas organizadas em defesa da escola 
unitária, democrática e gratuita; a pedagógica tem caráter político, pois parte 
de representar interesses estratégicos de toda uma população e não apenas a 
elite. 
 A Psicologia Educacional preocupa-se em estudar como os aspectos 
físico-motor, intelectualou cognitivo, afetivo-emocional e social, desde o 
nascimento até a idade adulta, se desenvolvem e como esses aspectos 
interferem na capacidade de aprender na pessoa do aluno, evitando uma 
atividade desvinculada com as capacidades humanas e os limites das 
possibilidades de cada pessoa. 
Para se pensar sobre as questões Didáticas, como a forma de organizar 
as condições do ensino para os alunos e a interação entre a tríade professor – 
aluno – conhecimento a Psicologia Educacional favorece uma visão 
suficientemente boa para que tudo ocorra de uma forma muito natural, desde 
que respeitadas as características do desenvolvimento e da aprendizagem dos 
alunos como seres humanos. 
 
 
Didática Geral 
 
 34 
 
 
Exercícios 
 
1) Qual a utilidade da Filosofia na sua relação com a Educação? 
 
(a) Chegar a pensar abstratamente, da mesma forma como fazem os 
filósofos da antiguidade. 
(b) Escrever livros sobre filosofia utilizando as teorias que cuidam dos 
bons modos e do respeito ao próximo. 
(c) Chamar atenção das autoridades para as atrocidades que acontecem 
diariamente, como os casos de estupro, roubo e o crime organizado. 
(d) Pensar na utilidade da criação teórico-prática, como faziam os 
filósofos da idade média. 
(e) Questionar a Educação para que se chegue a um nível de 
compreensão mais preciso e seguro antes de se colocar a executá-la 
nas escolas. 
 
2) Por que é necessário ao professor estudar a Sociologia da Educação? 
 
(a) Para conseguir participais de movimentos de revolução popular. 
(b) É necessário um ambiente de criticidade, que garanta uma 
compreensão mais aprofundada do fenômeno que envolve a vida social, 
as condições de trabalho, as divisões de classe, a ideologia, etc. 
(c) Para dar conta de compreender como as pessoas produzem as 
teorias da conspiração. 
(d) É necessário um diálogo mais complexo, para dar condições de ler e 
escrever nas escolas. 
(e) Por que a vida social seria mais alegre, cheia de paz e harmoniosa. 
 
3) O que a desigualdade econômica e a divisão de classes tem relacionado 
com o que acontece nas escolas? 
 
(a) Não tem relação direta. Apenas é um fator sociológico relevante. 
(b) A relação é de desigualdade material e profissional. Dentro das 
escolas não tem maiores interesses sobre isso. 
(c) A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos 
trabalhadores, que é ao mesmo tempo uma alienação intelectual, 
determina uma desigualdade social, determinando não apenas as 
condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos, mas também o 
acesso a cultura mental, à educação. 
(d) A relação é proporcional a falta de uma teoria sócio-comportamental. 
Didática Geral 
 
 35 
(e) Não existe um estudo sobre isso. Ainda é muito difícil esse tipo de 
discussão por falta de material teórico. 
 
Resolução dos Exercícios 
 
1) A Filosofia, interligada com a Educação, questiona a mesma para que se 
chegue a um nível de compreensão mais preciso e seguro antes de se 
colocar a executá-la nas escolas. 
 
Resposta correta: 
 
(e) Questionar a Educação para que se chegue a um nível de 
compreensão mais preciso e seguro antes de se colocar a executá-la 
nas escolas. 
 
2) Como vimos, a Sociologia da Educação se preocupa mais 
especificamente como as pessoas socialmente se organizam e como a 
Educação se envolve com esse fator. É necessário um ambiente de 
criticidade, que garanta uma compreensão mais aprofundada do 
fenômeno que envolve a vida social, as condições de trabalho, as 
divisões de classe, a ideologia, etc. Esses conceitos são muito 
importantes para se ultrapassar o senso comum e se aproximar da 
ciência, uma vez que durante muito tempo a Educação esteve vinculada 
a interesses ideológicos de uma minoria pertencente às elites da 
sociedade. 
 
Resposta correta: 
 
(b) É necessário um ambiente de criticidade, que garanta uma 
compreensão mais aprofundada do fenômeno que envolve a vida social, 
as condições de trabalho, as divisões de classe, a ideologia, etc. 
 
3) Mas, o que isso tem a ver com a Educação? TUDO! Uma vez que a 
alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos 
trabalhadores, que é ao mesmo tempo uma alienação intelectual, 
determina uma desigualdade social, determinando não apenas as 
condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos, mas também o 
acesso a cultura mental, à educação. 
 
Resposta correta: 
 
(c) A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos 
trabalhadores, que é ao mesmo tempo uma alienação intelectual, 
Didática Geral 
 
 36 
determina uma desigualdade social, determinando não apenas as 
condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos, mas também o 
acesso a cultura mental, à educação. 
 
3. A DIDÁTICA COMO TEORIA E TÉCNICA DA INSTRUÇÃO E DO 
ENSINO: COMO A HISTÓRIA AJUDA NA COMPREENSÃO DO HOJE 
 
A história da Didática explica como foi se configurando o aparecimento 
do ensino no decorrer do desenvolvimento da sociedade, da produção e das 
ciências, como uma forma de atividade sistematizada e planejada, intencional, 
dedicada à instrução. 
 Segundo Haydt (2002), desde a antiguidade até por volta do século XIX, 
a prática escolar predominante era do tipo passivo e receptivo. Aprender 
estava mais ligado ao que conhecemos como memorizar do que compreender. 
Considerava-se o ser humano mais como uma massa de modelar, pois o 
professor tinha a possibilidade de transformar o indivíduo naquilo que ele 
quisesse. Desde a Grécia antiga, com Aristóteles era processada essa 
concepção, muito semelhante ao que foi teorizado muito mais tarde, século 
XVII, como a teoria da Tabula Rasa. Para o filósofo inglês John Locke (1632 – 
1704), todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, 
sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo 
do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e 
erro, o homem nasce como se fosse uma "folha em branco". 
 Durante séculos o estudo dos textos literários, da gramática, da História, 
da Geografia, das ciências físicas e biológicas caracterizou-se pela recitação 
de cor. O importante é que o aluno reproduzisse palavras mecanicamente, 
frases, tudo decorado, sem importancia da reflexão e da compreensão. 
 Como primeiras manifestações de ensino e de Didática, não devemos 
deixar de citar a contribuição do Filósofo Sócrates (século V a.C.). Para ele, o 
saber não era algo que alguem de fora (mestre) pudesse transmitir. O 
conhecimento é uma descoberta que a própria pessoa realiza. A função do 
mestre, segundo Sócrates (citado por Haidt, 2002) é apenas ajudar o discípulo 
a descobrir, por si mesmo, a verdade. Ele inclusive se comparava com a 
profissão de sua mãe, que era parteira, dizendo que ela não dava a luz às 
crianças, mas as ajudava a nascer, como ele fazia com seus discipulos em 
relação ao conhecimento. 
 Seu método chamava-se ironia e funcionava em duas etapas. A 
primeira chamada de refutação, momento que ele levantava objeções sobre 
as opiniões manifestadas pelos discipulos, até quando este admitisse sua 
própria ignorância e se dissesse incapaz de definir o que anteriormente havia 
dito conhecer tão bem. A segunda etapa chamada maiêutica, momento que 
o discipulo admitia que nada sabia e, partindo do conhecido para o 
desconhecido, do mais fácil para o mais difícil Sócrates vai conduzindo, por 
Didática Geral 
 
 37 
meio de perguntas, um diálogo capaz de induzir a descoberta do conhecimento 
pelo interlocutor. Conta-se que ele foi capaz de fazer com que um escravo 
descobrisse noções de geometria utilizandoeste método. Ele afirmava que os 
mestres deveriam ter paciência com os erros e dúvidas de seus discípulos, pois 
é a partir disso que eles poderiam progredir. 
 Quase dois mil anos depois nascia o pai da Didática. João Amós 
Comênio (1592-1670), um pastor protestante, escreveu a primeira obra 
clássica sobre Didática, a Didactica Magna. 
 Segundo Libâneo (1990), Comênio foi o primeiro educador a formular a 
idéia da difusão dos conhecimentos a todos e criar princípios e regras de 
ensino. Comênio desempenhou uma influência considerável não apenas 
porque desenvolveu métodos de instrução mais rápidos e eficientes, mas 
também porque desejava que todos deveriam usufruir dos benefícios do 
conhecimento. O sistema de produção capitalista já influenciava a organização 
da vida social, política e cultural de sua época. Sua Didática, com idéias 
avançada para sua época e que não contrapunham as idéias conservadoras da 
nobreza e do clero, se pautava nos seguintes princípios: 
 
 A finalidade da educação é conduzir a felicidade eterna com Deus. 
Todos os homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, 
porque todos, por natureza, são parte dos desígnios de Deus. Assim, a 
educação é um direito natural de todos. 
 Por ser parte da natureza, o homem deve ser educado de acordo com 
seu desenvolvimento natural, dentro de suas capacidades de 
conhecimento. Portanto, a tarefa principal da Didática é estudar tais 
características e os métodos de ensino coerentes que correspondam a 
estas fases. 
 A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente. Por isso, 
o ensino tem um papel decisivo na percepção sensorial das coisas. O 
conhecimento deve ser adquirido a partir da observação das coisas e 
dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos 
dos sentidos. 
 O método intuitivo consiste numa observação direta pelos órgãos dos 
sentidos, das coisas, para o registro das impressões na mente do aluno. 
 
 Primeiramente as coisas, depois as palavras. O planejamento de ensino 
deve obedecer ao curso da natureza infantil; por isso devem ser ensinadas 
uma de cada vez, somente o que a criança possa aprender e partindo do 
conhecido para o desconhecido. 
Apesar da grande novidade destas idéias naquela época, Comênio não 
escapou de algumas crenças comuns, naquele momento histórico, sobre 
ensino. Mesmo partindo da observação e da experiência sensorial, manteve o 
caráter da transmissão do ensino; ainda que tendo procurado adaptar o ensino 
Didática Geral 
 
 38 
às fases de desenvolvimento infantil, o método funcionava de forma única, a 
todos os alunos. Outra coisa é a supervalorização da percepção sensorial. 
Sabemos que as percepções podem nos enganar e também que já existe uma 
gama de conhecimentos sensoriais que não necessitam ser reaprendidos. 
Contudo, Comênio teve um papel importantíssimo, pois, não apenas 
porque se empenhou em desenvolver métodos de instrução mais eficientes e 
mais rápidos, mas porque dava igual importância a todos os alunos. 
 Ainda assim, mesmo com essas excelentes contribuições possíveis até 
aquele momento histórico, continuava-se utilizar os métodos de Idade Média, 
com ensino intelectualista, verbalista e dogmático, de memorização e repetição 
mecânica, em que as idéias dos alunos não interessavam. 
 O contexto histórico de transição entre os meios de produção antigos 
(com o Clero e a Nobreza dominando) foram se enfraquecendo e o capitalismo 
crescendo. Isso pedia uma mudança importante para a valorização do 
desenvolvimento livre das capacidades e interesses individuais. 
 O Filosofo Jean Jacques Rousseau (1712-1778) interpretando bem 
essas aspirações propôs uma nova concepção de ensino, com base nas 
necessidades e interesses imediatos da criança. As idéias mais importantes de 
Rousseau, segundo Libâneo (1990), são as seguintes: 
 
 Os interesses e necessidades do aluno que determinam a organização 
do estudo e seu desenvolvimento. Elas precisam despertar o gosto pelo 
seu estudo e nada melhor do que a natureza, a experiência e o 
sentimento para conquistar isso. 
 A Educação é um processo natural que se fundamenta no 
desenvolvimento interior do aluno. As crianças são boas por natureza, 
elas tem uma tendência natural para se desenvolverem. 
 
Rousseau não elaborou propriamente uma teoria de ensino e nem 
colocou nada em prática. Quem deu continuidade a essas primeiras influências 
foi outro pedagogo suíço, Henrique Pestalozzi (1766-1841), que trabalhou por 
toda sua vida na educação de crianças pobres em suas próprias instituições. 
Atribuiu grande importância ao ensino como meio de educação e 
desenvolvimento das capacidades do ser humano através do cultivo do 
sentimento, da mente e do caráter. 
Pestalozzi que, ao valorizar o método intuitivo, levou muitos alunos a 
desenvolverem o senso de observação, análise dos objetos, fenômenos da 
natureza e a capacidade da linguagem, aquela capaz de expressar em 
palavras o resultado das observações. Isso foi o que consistiu em uma 
educação intelectual, valorizando fortemente à psicologia da criança como 
base para se compreender o desenvolvimento infantil. 
As idéias dos gregos antigos, Comênio, Rousseau e Pestalozzi tiveram 
muita influência em outros pedagogos. Podemos dizer que até hoje se 
Didática Geral 
 
 39 
encontram alguns traços característicos dessas teorias nas práticas de alguns 
professores. Entretanto, após estes pensadores da educação, Johann Friedrich 
Herbart (1766-1841) foi um dos que mais influenciaram a formação de uma 
corrente conservadora da educação. Esse pedagogo alemão, que deixou 
muitos discípulos, deixou idéias que precisam de uma atenção especial, uma 
vez que, ocuparam presença constante na história da educação brasileira. 
Formulou teoricamente sobre os fins da educação e da Pedagogia como 
ciência, além de desenvolver uma análise do processo psicológico-didático de 
aquisição do conhecimento, sob a direção do professor. Para ele, a moralidade 
é o principio maior da educação, que deve ser atingida mediante a prática 
educativa. Ao homem, a instrução deve buscar que o ele queira o bem de 
modo que ele aprenda a comandar a si próprio. O professor auxilia nesse 
processo introduzindo idéias corretas na mente dos alunos, como um arquiteto 
da mente, trazendo a atenção dos alunos para as idéias desejadas pelo 
professor, controlando seus interesses. O método consiste em provocar uma 
espécie de acumulação de idéias na mente da criança. 
Herbart buscou também uma formulação de um método único de ensino 
em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. Estabeleceu 
quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente seguidos: a 
apresentação e preparação da nova matéria, que ele denominou de clareza; 
após isso seria o momento de associação entre o conhecimento antigo e o 
novo; o terceiro é a sistematização dos conhecimentos visando a 
generalização para outras áreas; por último é chegada o momento do método, 
como forma de aplicação e exercícios. Seus discípulos aperfeiçoaram essa 
proposta e desenvolveram uma versão com cinco passos: a preparação, 
apresentação, assimilação, generalização e aplicação, formula que ainda 
encontramos em grande parte dos professores no Brasil. 
Esse sistema pedagógico herbatiano trouxe contribuições válidas para a 
organização da prática docente, por exemplo: a necessidade de estruturar e 
ordenar o processo de ensino, a exigência de compreensão dos assuntos 
estudados e não apenas a memorização, o significado educativo da disciplina 
na formação do caráter. Contudo, o ensino era entendido como uma 
transferência da mente do professor para a do aluno,com a necessidade de 
reprodução das idéias do professor pelo aluno. Com isso, tivemos uma 
aprendizagem mecânica, que não proporcionava nada melhor do que uma 
memorização, sem reflexão e muito menos o pensamento independente e 
criativo dos alunos. 
 
RESUMO 
A história da Didática explica como foi se configurando o aparecimento 
do ensino no decorrer do desenvolvimento da sociedade, da produção e das 
ciências, como uma forma de atividade sistematizada e planejada, intencional, 
dedicada à instrução. 
Didática Geral 
 
 40 
 Como primeiras manifestações de ensino e de Didática, há a 
contribuição do Filósofo Sócrates (século V a.C.). Para ele, o saber não era 
algo que alguem de fora (mestre) pudesse transmitir. O conhecimento é uma 
descoberta que a própria pessoa realiza. Seu método chamava-se ironia e 
funcionava em duas etapas. A primeira chamada de refutação e a segunda 
etapa chamada maiêutica. 
 Quase dois mil anos depois nascia o pai da Didática. João Amós 
Comênio (1592-1670), um pastor protestante, escreveu a primeira obra 
clássica sobre Didática, a Didactica Magna. 
O Filosofo Jean Jacques Rousseau (1712-1778) interpretando bem as 
aspirações daquele momento histórico propôs uma nova concepção de 
ensino, com base nas necessidades e interesses imediatos da criança. 
Rousseau não elaborou propriamente uma teoria de ensino e nem 
colocou nada em prática. Quem deu continuidade a essas primeiras 
influências foi outro pedagogo suíço, Henrique Pestalozzi (1766-1841), que 
trabalhou por toda sua vida na educação de crianças pobres em suas próprias 
instituições. 
Johann Friedrich Herbart (1766-1841) foi um dos que mais 
influenciaram a formação de uma corrente conservadora da educação. Esse 
pedagogo alemão, que deixou muitos discípulos, deixou idéias que precisam 
de uma atenção especial, uma vez que, ocuparam presença constante na 
história da educação brasileira. 
 
 
 
Exercícios 
 
1) Como funcionava a Ironia, o método elaborado por Sócrates? 
 
(a) Funcionava em dois momentos: ditado: momento que ditava o texto 
e correção: momento que ele corrigia o aluno. 
(b) Funcionava basicamente como um modelo na lousa e os alunos 
prestando atenção à explicação do professor. 
(c) Para ser mais preciso, não funcionou adequadamente naquele 
momento histórico. 
(d) Funcionava em duas etapas: refutação: momento que ele levantava 
objeções até quando este admitisse sua própria ignorância e a 
maiêutica: momento que por meio de perguntas induzia a descoberta 
do conhecimento pelo interlocutor. 
(e) Funcionava como uma espécie de pedagogia dos projetos. Muito 
moderno para aquele momento histórico. 
 
Didática Geral 
 
 41 
2) Comênio foi o primeiro educador a formular a idéia da difusão dos 
conhecimentos a todos e criar princípios e regras de ensino. O que ele 
quis dizer com a frase: “Primeiramente as coisas, depois as palavras”? 
 
(a) A assimilação é feita pela incorporação dos dados da realidade nos 
esquemas disponíveis no sujeito, é o processo pelo qual as idéias, 
pessoas, costumes são incorporadas à atividade do sujeito. 
(b) A incorporação é a principal forma de atividade mental. Foi isso que 
ele quis deixar mais claro. 
(c) A interiorização é feito primeiramente pela vida em casa, com os 
pais, depois se aprende na escola. 
(d) Quis dizer que não é importante o como, mas o quê se aprende. 
(e) O conhecimento deve ser adquirido a partir da observação das 
coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente 
os órgãos dos sentidos. 
 
3) Herbart buscou também uma formulação de um método único de ensino 
em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento. O que ele 
estabeleceu? 
 
(a) Estabeleceu o que as crianças deveriam aprender. 
(b) Estabeleceu inúmeros passos, dentre eles a retórica. 
(c) Estabeleceu quatro passos a ser seguidos: clareza (apresentação), 
associação, sistematização e o método (aplicação e exercícios). 
(d) Estabeleceu como motivar os alunos pela palavra. 
(e) Estabeleceu a maneira de trabalhar psicologicamente com os alunos. 
Resolução dos Exercícios 
 
1) Seu método chamava-se ironia e funcionava em duas etapas. A 
primeira chamada de refutação, momento que ele levantava objeções 
sobre as opiniões manifestadas pelos discipulos, até quando este 
admitisse sua própria ignorância e se dissesse incapaz de definir o que 
anteriormente havia dito conhecer tão bem. A segunda etapa chamada 
maiêutica, momento que o discipulo admitia que nada sabia e, partindo 
do conhecido para o desconhecido, do mais fácil para o mais difícil 
Sócrates vai conduzindo, por meio de perguntas, um diálogo capaz de 
induzir a descoberta do conhecimento pelo interlocutor. 
 
Resposta correta: 
 
(d) Funcionava em duas etapas: refutação: momento que ele levantava 
objeções até quando este admitisse sua própria ignorância e a 
Didática Geral 
 
 42 
maiêutica: momento que por meio de perguntas induzia a descoberta do 
conhecimento pelo interlocutor. 
 
2) A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente. Por isso, 
o ensino tem um papel decisivo na percepção sensorial das coisas. O 
conhecimento deve ser adquirido a partir da observação das coisas e 
dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos 
dos sentidos. 
 
Resposta correta: 
 
(e) O conhecimento deve ser adquirido a partir da observação das 
coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente 
os órgãos dos sentidos. 
 
3) Estabeleceu quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente 
seguidos: a apresentação e preparação da nova matéria, que ele 
denominou de clareza; após isso seria o momento de associação entre 
o conhecimento antigo e o novo; o terceiro é a sistematização dos 
conhecimentos visando a generalização para outras áreas; por último é 
chegada o momento do método, como forma de aplicação e exercícios. 
 
Resposta correta: 
 
(c) Estabeleceu quatro passos a ser seguidos: clareza (apresentação), 
associação, sistematização e o método (aplicação e exercícios). 
 
4. AS TENDÊNCIAS DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS3 
 
Segundo Libâneo (1985), verifica-se três tipos de tendências que 
interpretam o papel da educação na sociedade: a educação como redenção, a 
educação como reprodução e a educação como transformação da sociedade. 
Saviani (2003) chama de ‘Teorias Não-Críticas’ o que Libâneo (1985) 
chamou de ‘Tendências Liberais de Educação’ o grupo que ele chama de 
educação como redenção. Todos esses termos convergem para um fato em 
comum, o que acredita ingenuamente que a educação, por si só, seria o 
bastante, sem adentrar as questões sócio-políticas que determinam a 
educação, como vimos anteriormente, poderia ser detentora da sociedade, 
como fator de ascensão social. Trata-se do fato de não terem uma criticidade 
sociológica, tentando encontrar fatores de perpetuação da desigualdade ou 
 
3
 A principal referência, inclusive da estrutura de apresentação dessas tendências foi LIBÂNEO, J. C. 
Democratização da escola pública. São Paulo: Loyola, 1985. 
Didática Geral 
 
 43 
determinantes de uma herança social que coloca a escola como reprodutora de 
uma sociedade injusta e antidemocrática. 
Essas teorias visam trabalhar com propostas práticas e julgando-as 
como suficientemente capazes de tirar o sujeito em desvantagem de sua 
condição de desigualdade. Entretanto, sem que haja uma atenção a todo o 
contexto socialmente montado, o que se configura numa falta de criticidade, ou 
numa ingenuidade total. São chamadas de Liberais, poisao defender a 
predominância da ‘liberdade’ e do interesses individuais da sociedade, 
estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada 
dos meios de produção, também denominada sociedade de classes. A 
Pedagogia Liberal, portanto, é uma forma de manifestação deste tipo de 
sociedade, que acaba por ser uma forma de justificação do sistema capitalista. 
Saviani (2003) chama de Teorias Crítico-Reprodutivistas o que 
Libâneo (1985) chamou de Educação Como Reprodução. Elas são assim 
chamadas, pois são teorias que não apresentam uma proposta prática; apenas 
se limitam a criticar sociologicamente toda a formação da reprodução social de 
classes, a ausência de uma democracia. Colocam que a escola reproduz a 
desigualdade fora dela, mas não fazem nada para que possa ser combatida 
essa forma de desigualdade. Diferente das primeiras, que viam a Educação 
como capaz de promover a mudança social, combatendo o fenômeno da 
marginalidade, o que sabemos ser ingenuidade, as Teorias Crítico-
Reprodutivistas são como diz o nome a elas dado: ‘críticas’, mas se limitam a 
criticar e nada a fazer de concreto, não produziram nenhuma proposta de 
trabalho Didático-Pedagógico. 
Por último, segue o que Saviani (2003) chamou de Teorias Críticas da 
Educação e Libâneo (1985) as denominou de Educação Como 
Transformação da Sociedade ou Progressistas. Estas, como uma espécie 
de junção das duas primeiras, são críticas, como as Crítico-Reprodutivistas, por 
acreditarem nos determinantes sociais que a escola se submete, como fatores 
de reprodução da desigualdade existente na sociedade atual e na falta de uma 
democracia real e batalhadora de condições mais justas e igualitárias de vida; 
também são propostas práticas, como as Liberais, por apresentarem uma 
forma de trabalho pedagógico que visa atuar dentro das escolas, mas não de 
forma ingênua, como as Liberais, mas sim buscando uma transformação da 
sociedade em algo mais justo e democrático, combatendo a reprodução da 
desigualdade social. 
Dessas três abordagens teóricas apenas a Pedagogia Liberal e as 
Progressistas serão aprofundadas nesse texto, pois as teorias Crítico-
Reprodutivistas não possuem uma aplicabilidade prática, apesar de seu valor 
pelos apontamentos teóricos que fazem. 
 
 
 
Didática Geral 
 
 44 
SAIBA MAIS 
Procure o livro de Dermeval Saviani, Escola e Democracia, e veja mais sobre 
as teorias Crítico-Reprodutivistas. 
São elas: Teoria do Sistema de Ensino como Violência Simbólica, Teoria da 
Escola Como Aparelho Ideológico de Estado (AIE) e a Teoria da Escola 
Dualista. 
 
A Pedagogia Liberal também possui a característica de ser um tipo de 
Educação Ajustadora, uma vez que apenas ajusta o aluno para que este 
possa participar da reprodução da sociedade. Esta Pedagogia possui muitas 
correntes teóricas, entretanto, as que mais se destacaram e que iremos 
detalhar aqui neste texto são quatro delas: Tradicional, Renovada 
Progressivista, Renovada Não-Diretiva e Tecnicista. No outro lado, temos a 
Pedagogia Progressista, que possui a característica de uma Educação 
Transformadora, por dar condições do desenvolvimento dos alunos permitir 
que estes tenham capacidade de lutar por uma transformação social em uma 
direção mais justa e igualitária. As principais representantes teóricas dessa 
Pedagogia são: Libertadora, Libertária e a Crítico-Social dos Conteúdos. 
Vejamos essas sete tendências, quatro liberais e mais três progressistas. 
É evidente que tanto as tendências quanto as manifestações não são 
puras nem mutuamente exclusivas, o que, aliás, é a limitação principal de 
qualquer tentativa de classificação da realidade. Em alguns casos, as 
tendências se complementam, em outros, divergem. De qualquer forma, a 
classificação e sua descrição poderão funcionar como instrumento de análise 
para o professor avaliar a sua prática de sala de aula. 
 
 
PEDAGOGIA LIBERAL 
 
A educação brasileira, ao menos nos últimos cinqüenta anos, tem sido 
marcada pelas tendências liberais, que não tem o sentido de ‘avançado’, 
‘democrático’, ‘aberto’, como costuma ser usado. Este tipo pedagógico tem se 
apresentado de maneira conservadora ou às vezes renovada. Evidentemente 
tais tendências costumam se manifestar, concretamente, nas práticas 
escolares e na concepção pedagógica de muitos professores, ainda que de 
maneira inconsciente por boa parte deles. 
A Pedagogia Liberal impõe a idéia de que a escola tem por função 
preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com 
as aptidões individuais, por isso os indivíduos precisam aprender a se adaptar 
aos valores e as normas vigentes da sociedade de classes através do 
desenvolvimento da cultura individual. A ênfase no aspecto cultural esconde a 
realidade das diferenças de classes, pois, embora difunda a idéia de igualdade 
Didática Geral 
 
 45 
de oportunidades, não leva em consideração a desigualdade de condições que 
a vida oferece, legitimando a ideologia capitalista. 
 
4.1. PEDAGOGIA LIBERAL TRADICIONAL 
 
Papel da Escola: A atuação da escola consiste na preparação intelectual e 
moral dos alunos para assumirem sua posição na sociedade. O compromisso 
da escola é com a cultura, os problemas sociais pertencem à sociedade. O 
caminho cultural em direção ao saber é o mesmo para todos os alunos, desde 
que se esforcem. Desta maneira, os menos capazes devem se esforçarem 
para superar suas dificuldades e conquistar seu lugar junto aos mais capazes. 
Caso não consigam, devem procurar o ensino profissionalizante. 
 
Conteúdos de Ensino: São os conhecimentos e valores sociais acumulados 
pelas gerações adultas e repassados ao aluno como verdades. As matérias de 
estudo visam a preparar o aluno para a vida, são determinadas pela sociedade 
e ordenadas na legislação. Os conteúdos são separados da experiência do 
aluno e das realidades que a sociedade oferece, valendo pelo valor intelectual, 
motivo pelo qual a pedagogia tradicional é criticada como intelectualista e, às 
vezes, como enciclopédica. 
 
Métodos: Com base na exposição verbal da matéria e/ou demonstração. Tanto 
a exposição quanto a análise são feitas pelo professor, observados os 
seguintes passos: I) preparação do aluno (definição do trabalho, recordação da 
matéria anterior, despertar interesse); II) apresentação (destaque de pontos 
chaves, demonstração); III) associação (combinação do conhecimento novo 
com o já conhecido por comparação e abstração); IV) generalização (dos 
aspectos particulares chega-se ao conceito geral, é a exposição 
sistematizada); V) aplicação (explicação de fatos adicionais e/ou resolução de 
exercícios). O destaque nos exercícios, na repetição de conceitos ou fórmulas 
na memorização visa disciplinar a mente e formar hábitos. 
 
Relação Professor-Aluno: Há a predominância da autoridade do professor 
que exige atitude receptiva dos alunos e impede qualquer comunicação entre 
eles no decorrer da aula. O professor transmite o conteúdo na forma de 
verdade a ser absorvida; em conseqüência, a disciplina imposta é o meio mais 
eficaz para assegurar a atenção e o silêncio. 
 
Aprendizagem: Predomina a idéia de que o ensino consiste em repassar os 
conhecimentos para a mente da criança como se a mesma tivesse a 
capacidade de assimilação semelhante ao adulto, apenas menos desenvolvida. 
Os programas devem ser dados numa progressão lógica pelo professor, não 
levando em conta as características próprias de cada idade. A aprendizagem, 
Didática Geral 
 
 46 
desta forma, é receptiva e mecânica, recorrendo quase sempre para isso à 
coação. A retenção do que foi ensinado é garantida pela repetiçãode 
exercícios sistemáticos e recapitulação da matéria. A transferência da 
aprendizagem depende do treino; é indispensável a retenção, a fim de que o 
aluno possa responder às situações novas de forma semelhante às respostas 
dadas em situações anteriores. A avaliação se dá por verificações de curto 
prazo (prova oral, lição de casa) e de prazo mais longo (provas escritas, 
trabalhos para se fazer em casa, como projetos). O esforço é, em geral, 
negativo (punição, notas baixas, apelos aos pais); às vezes são positivos 
(estímulos para motivação, classificações). 
 
Manifestações na Prática Escolar: A pedagogia liberal tradicional ainda é 
muito presente em nossas escolas. Na descrição apresentada aqui, podemos 
incluir as escolas religiosas ou leigas que adotam uma orientação clássico-
humanista ou uma orientação humano-científica, sendo que esta se aproxima 
mais do modelo de escola predominante em nossa história educacional. 
 
4.2. PEDAGOGIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA4 
 
Papel da Escola: A finalidade da escola é adequar as necessidades 
individuais ao meio social e, para isso, ela deve se organizar de forma a 
retratar, o quanto possível, a vida do aluno. Todo ser dispõe dentro de si 
mesmo mecanismos de adaptação progressiva ao meio em que vive e uma 
ligação de tudo isso ao comportamento. Essa ligação se dá por meio de 
experiências que devem satisfazer, ao mesmo tempo, os interesses do aluno e 
as exigências sociais. À escola cabe suprir as experiências que permitam ao 
aluno educar-se, num processo ativo de construção e reconstrução do objeto 
de conhecimento, numa interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e 
estruturas do ambiente. 
 
Conteúdos de Ensino: Como o conhecimento é resultado da ação a partir dos 
interesses e necessidades do aluno, os conteúdos de ensino são estabelecidos 
em função das experiências que o sujeito vivencia frente a desafios cognitivos 
do que de conteúdos organizados sistematicamente. Trata-se de ‘aprender a 
aprender’, ou seja, é mais importante o processo de aquisição do saber do que 
o saber propriamente dito. 
 
Métodos: A idéia de ‘aprender fazendo’ está sempre presente. Há valorização 
das tentativas experimentais, da pesquisa, da descoberta, o estudo do meio 
natural e social, o método de solução de problemas. Embora os métodos 
 
4
 Também conhecida como ESCOLA NOVA. 
Didática Geral 
 
 47 
variem as escolas ativas ou novas (nas propostas de Dewey, Montessori, 
Decroly, Cousinet e outros) partem sempre de atividades adequadas à 
natureza do aluno e às etapas do seu desenvolvimento. Em grande parte delas 
existe uma valorização do trabalho em grupo não somente como técnica, mas 
como condição necessária ao desenvolvimento mental. As etapas básicas no 
método ativo são: I) colocar os alunos numa situação de experiência que tenha 
um interesse por si mesma; II) o problema deve ser desafiante, como estímulo 
à reflexão; III) o aluno deve dispor de informações e instruções que lhe 
permitam pesquisar a descoberta de soluções; IV) soluções provisórias devem 
ser incentivadas e ordenadas, com a ajuda discreta do professor; V) deve-se 
garantir a oportunidade de colocar as soluções à prova, a fim de determinar 
sua utilidade para a vida. 
 
Relação Professor-Aluno: Não há lugar privilegiado para o professor; antes 
de mais nada, seu papel é auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da 
criança; se ele intervém, é para ajudar a dar forma ao raciocínio dela. A 
disciplina surge de uma tomada de consciência dos limites da vida grupal; 
assim, aluno disciplinado é aquele que é solidário, participante, respeitador das 
regras do grupo. Para garantir um clima harmonioso dentro da sala de aula é 
indispensável um relacionamento positivo entre professores e alunos, uma 
forma de conseguir uma ‘vivência democrática’, como deve ser a vida em 
sociedade. 
 
Aprendizagem: A motivação depende de como foi estimulado o problema e 
das disposições internas e interesses dos alunos. Desta forma, aprender se 
torna uma atividade de descoberta, é uma auto-aprendizagem, sendo o 
ambiente apenas o meio estimulador. É retido o que se incorpora à atividade 
do aluno pela descoberta pessoal; o que é incorporado passa a fazer parte da 
estrutura cognitiva para ser utilizado em novas situações. A avaliação é fluida e 
tenta ser eficaz à medida que os esforços e êxitos são pronta e explicitamente 
reconhecidos pelo professor. 
 
Manifestações na Prática Escolar: Os princípios da pedagogia progressivista 
vêm sendo difundidos, em larga escala, nos cursos de licenciatura, e muitos 
professores sofrem sua influência. Entretanto, sua aplicação é reduzidíssima, 
não somente por falta de condições objetivas como também por que se choca 
com as práticas tipicamente tradicionais. Alguns métodos são adotados em 
escolas particulares, como o método Montessori, o método dos centros de 
interesse de Decroly, o método de projetos de Dewey. O ensino baseado na 
psicologia genética de Piaget tem larga aceitação na educação pré-escolar. 
Pertencem também à tendência progressivista muitas das escolas 
denominadas experimentais, as escolas comunitárias e, mais remotamente 
Didática Geral 
 
 48 
(década de 60), a escola secundária moderna, na versão difundida por Lauro 
de Oliveira Lima. 
 
4.3. PEDAGOGIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA 
 
Papel da Escola: Acentua-se, nesta tendência, o papel da escola na formação 
de atitudes, razão pela qual deve estar mais preocupada com problemas 
psicológicos do que com pedagógicos ou sociais. Todo esforço está em 
estabelecer um clima favorável a uma mudança dentro do indivíduo, isto é, a 
uma adequação pessoal às solicitações do ambiente. Carl Rogers5 considera 
que o ensino é uma atividade excessivamente valorizada; para ele, os 
procedimentos didáticos, a competência na matéria, as aulas, livros, tudo tem 
pouca importância, face ao propósito de favorecer à pessoa um clima de auto-
desenvolvimento e realização pessoal, o que implica estar bem consigo próprio 
e com seus semelhantes. O resultado de uma boa educação é muito 
semelhante ao de uma boa terapia. 
 
Conteúdos de Ensino: A ênfase que esta tendência põe nos processos de 
desenvolvimento das relações e da comunicação coloca em segundo plano a 
transmissão de conteúdos. Os processos de ensino visam mais a facilitar aos 
estudantes os meios para buscarem por si mesmos os conhecimentos que, no 
entanto, são dispensáveis. 
 
Métodos: Os métodos usuais são dispensados, prevalecendo quase que 
exclusivamente o esforço do professor em desenvolver um estilo próprio para 
facilitar a aprendizagem dos alunos. Rogers explicita algumas das 
características do professor ‘facilitador’: a aceitação da pessoa do aluno, a 
capacidade de ser confiável, receptivo e ter plena convicção na capacidade de 
auto-desenvolvimento do estudante. Sua função restringe-se a ajudar o aluno a 
 
5
 Carl Ransom Rogers (1902- 1987), Psicólogo norte-americano que foi o primeiro a gravar sessões 
psicoterapêuticas, com as devidas permissões, tornando possível o estudo objetivo de um processo 
eminente subjetivo. Sua dedicação à construção de um método científico na psicologia foi reconhecido 
por prêmio da Associação Americana de Psicologia, da qual também foi eleito presidente, em 1958. Seus 
métodos científicos estão descritos em livros traduzidos no Brasil como "A Pessoa como Centro" e "Um 
jeito de ser". “Subvertendo” a “relação de poder” terapeuta-cliente (decorrente do pressuposto, até 
então, de que psicólogos e psiquiatras é quedetinham o conhecimento da subjetividade de seus 
pacientes)seu trabalho "suberteu" também outras áreas, o que só se tornou visível para o próprio 
Rogers após décadas de atividades, como relatou em uma de suas últimas e melhores obras, “Sobre o 
Poder Pessoal” – livro em que traça, por exemplo, um paralelo entre suas descobertas e as de Paulo 
Freire e de sua “pedagogia do oprimido”. Fruto de suas pesquisas, sistematizou o método da “Terapia 
centrada no cliente” que depois evoluiu para a “Abordagem centrada na pessoa”(ACP), mas ele próprio 
afirma que seu objetivo nunca fora criar um sistema próprio de psicoterapia e sim estudar os critérios 
necessários para a evolução da psicoterapia científica como um todo. É considerado um precursor da 
psicologia humanista e criador da linha teórica conhecida como Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). 
Didática Geral 
 
 49 
se organizar, utilizando técnicas de sensibilização onde os sentimentos de 
cada um possam ser expostos, sem ameaças. Desta maneira, o objetivo do 
trabalho escola se encerra nos processos de melhora do relacionamento 
interpessoal, como condição para o crescimento pessoal. 
 
Relação Professor-Aluno: A pedagogia não-diretiva propõe uma educação 
centrada no aluno, visando formar sua personalidade por meio da vivência de 
experiências significativas que lhe permitam desenvolver características 
inerentes à sua natureza. O professor deve ser um especialista em relações 
humanas, ao garantir o clima de relacionamento pessoal e autêntico. ‘Ausentar-
se’ é a melhor forma de respeito e aceitação plena da pessoa do aluno. Toda 
intervenção tende a ser ameaçadora, inibidora da aprendizagem. 
 
Aprendizagem: A motivação é resultado do desejo de adequação pessoal na 
busca da auto-realização; é portanto, um ato interno. A motivação aumenta 
quando o sujeito desenvolve o sentimento de que é capaz de agir no sentido de 
alcançar suas metas pessoais, isto é, desenvolver a valorização do seu próprio 
‘eu’. Aprender, portanto, é modificar suas próprias percepções; daí que apenas 
se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas 
percepções. O resultado é que se retém o que tiver relação com o ‘eu’, pois 
quando não existe tal relação não será retido ou transferido. Portanto, a 
avaliação escolar perde inteiramente o sentido, privilegiando-se a auto-
avaliação. 
 
Manifestações na Prática Escolar: O maior inspirador desse tipo de 
pedagogia é justamente Carl Rogers, na verdade mais psicólogo clínico do que 
educador. Suas idéias influenciaram um número expressivo de educadores e 
professores, principalmente orientadores educacionais e psicólogos escolares 
que se dedicam ao aconselhamento dos alunos. Menos recentemente, 
podemos citar também tendências inspiradas na escola de Summerhill do 
educador inglês A. Neill. 
 
4.4. PEDAGOGIA LIBERAL TECNICISTA 
 
Papel da Escola: Como essa concepção apregoa um sistema social 
harmônico, orgânico e funcional, a escola, deste modo, funciona como 
modeladora do comportamento humano, através de técnicas específicas. À 
educação escolar cabe organizar o processo de aquisição de habilidades, 
atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os 
indivíduos se integrem na máquina do sistema social global. Tal sistema social 
é regido por leis naturais (há na sociedade a mesma regularidade e as mesmas 
relações funcionais observáveis entre os fenômenos da natureza), 
cientificamente descobertas. Basta aplicá-las. A atividade da ‘descoberta’ é 
Didática Geral 
 
 50 
função da educação, mas deve ser restrita aos especialistas; a ‘aplicação’ é 
competência do processo educacional comum. A escola atua, assim, no 
aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se 
diretamente com o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência da 
mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu 
interesse imediato é o de produzir indivíduos ‘competentes’ para o mercado de 
trabalho, transmitindo eficientemente informações precisas, objetivas e rápidas. 
A pesquisa científica, a tecnologia educacional, a análise experimental do 
comportamento garantem a objetividade da prática escolar, uma vez que os 
objetivos instrucionais (conteúdos) resultam da aplicação de leis naturais que 
independem dos que a conhecem ou a executam. 
 
Conteúdos de Ensino: São as informações, princípios científicos, leis, etc., 
estabelecidos e ordenados numa sequência lógica e psicológica por 
especialistas. É matéria de ensino apenas o que é redutível ao conhecimento 
observável e mensurável; os conteúdos decorrentes, assim, da ciência objetiva, 
eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. O material instrucional encontra-
se sistematizado nos manuais, nos livros didáticos, nos módulos de ensino, nos 
dispositivos audiovisuais, etc. 
 
Métodos: Consistem nos procedimentos e técnicas necessárias ao arranjo e 
controle das condições ambientais que assegurem a transmissão/recepção de 
informações. Se a primeira tarefa do professor é modelar respostas 
apropriadas aos objetivos instrucionais, a principal é conseguir o 
comportamento adequado pelo controle do ensino; daí a importância da 
tecnologia educacional. A tecnologia educacional é a aplicação sistemática de 
princípios científicos comportamentais e tecnológicos a problemas 
educacionais, em função de resultados efetivos, utilizando uma metodologia e 
abordagem sistêmica abrangente. Qualquer sistema instrucional (há uma 
enorme variedade deles) possui três componentes básicos: objetivos 
instrucionais operacionalizados em comportamentos observáveis e 
mensuráveis, procedimentos instrucionais e avaliação. Essas etapas básicas 
de um processo de aprendizagem devem ser: I) estabelecimento de 
comportamentos terminais, por meio de objetivos instrucionais; II) análise da 
tarefa de aprendizagem, a fim de ordenar seqüencialmente os passos da 
instrução; III) executar o programa, reforçando gradualmente as respostas 
corretas correspondentes aos objetivos. O essencial da tecnologia educacional 
é a programação por passos seqüenciais, empregando-a na instrução 
programada, nas técnicas de microensino, multimeios e módulos, etc. O 
emprego da tecnologia instrucional na escola pública aparece nas formas de 
planejamento em moldes sistêmicos, concepção de aprendizagem como 
mudança de comportamento, operacionalização de objetivos, uso de 
Didática Geral 
 
 51 
procedimentos científicos (instrução programada, audiovisuais, avaliação, etc., 
inclusive a programação de livros didáticos). 
 
Relação Professor-Aluno: São relações estruturadas e objetivas, com papeis 
bem definidos: o professor administra as condições de transmissão da matéria, 
conforme um sistema instrucional eficiente e efetivo em termos de 
aprendizagem; o aluno recebe, aprende e fixa as informações. O professor é 
apenas um elo entre a verdade científica e o aluno, cabendo-lhe empregar o 
sistema instrucional previsto. O aluno é um indivíduo que responde, mas não 
participa da elaboração do programa educacional. Ambos são apenas 
coadjuvantes dessa produção de conhecimentos. A comunicação professor-
aluno tem um sentido exclusivamente técnico de garantir a eficácia da 
transmissão do conhecimento. Debates, discussões, questionamentos são 
desnecessários, assim como não são interessantes as relações afetivas e 
pessoais dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. 
 
Aprendizagem: As teorias de aprendizagem que dão base para a formação 
dessa pedagogia tecnicista dizem que aprender é uma questão de modificação 
do desempenho: o bom ensino depende da organização eficiente das 
condiçõesestimuladoras, de modo que o aluno possa sair da situação de 
aprendizagem diferente de quando entrou. Com outras palavras, o ensino é um 
processo de condicionamento através do uso de reforçamento das respostas 
que se quer obter. Assim, os sistemas instrucionais visam ao controle do 
comportamento individual frente aos objetivos pré-estabelecidos. Trata-se de 
um enfoque diretivo do ensino, centrado no controle das condições que 
envolvem o organismo que se comporta. O objetivo da ciência pedagógica, a 
partir da psicologia, é análise científica do comportamento: descobrir as leis 
naturais que presidem as reações físicas do organismo que aprende, a fim de 
aumentar o controle das variáveis que o afetam. Os componentes da 
aprendizagem: motivação, retenção, transferência, decorrem da aplicação do 
comportamento operante. Segundo Skinner, o comportamento apreendido é 
uma resposta a estímulos externos, controlados por meio de reforçamentos 
que ocorrem com a resposta ou após a mesma: Se a ocorrência de um 
comportamento operante é seguida pela apresentação de um estímulo 
reforçador, a probabilidade de reforçamento é aumentada. Entre os autores 
que contribuem para os estudos de aprendizagem destacam-se: Skinner, 
Gagné, Bloon e Mager. 
 
Manifestações na Prática Escolar: A influência da pedagogia tecnicista 
remonta à segunda metade dos anos 50, pelo Programa Brasileiro-Americano 
de Auxílio ao Ensino Elementar (PABAEE). Contudo, foi introduzida mais 
efetivamente no fim dos anos 60, com a intenção de adequar o sistema 
educacional à orientação político-econômica do regime militar: inserir a escola 
Didática Geral 
 
 52 
nos modelos de racionalização do sistema de produção capitalista. É quando a 
orientação escolanovista cedeu o lugar às tendências tecnicistas, ao menos no 
nível político oficial daquele momento; os marcos da implantação do modelo 
tecnicista são as promulgações das leis 5.540/68 e 5.692/71, que 
reorganizaram o ensino superior e o ensino de 1º e 2º graus, respectivamente. 
A despeito da máquina oficial, contudo, não há indícios seguros de que os 
professores da escola pública tenham conseguido assimilar a pedagogia 
tecnicista, pelo menos em seu ideário. A aplicação da metodologia tecnicista 
(planejamento, livros didáticos programados, procedimentos de avaliação, etc.) 
não configuravam uma postura tecnicista do professor. O exercício profissional 
continuou mais para uma postura eclética em torno de princípios pedagógicos 
fixados nas pedagogias tradicional e renovada. 
 
PEDAGOGIA PROGRESSISTA 
 
 O termo ‘progressista’ é usado para designar as tendências que, 
partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam 
implicitamente os fins sócio-políticos da educação. Evidentemente, a 
pedagogia progressista não encontra muito espaço para adentrar a prática das 
escolas atualmente, por sermos de uma sociedade capitalista. Portanto, ela 
serve como instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas 
sociais. 
 A pedagogia progressista tem-se manifestado em três tendências: a 
libertadora, mais conhecida como a pedagogia de Paulo Freire6; a libertária, 
que reúne os defensores da autogestão pedagógica; a crítico-social dos 
conteúdos que, diferentemente das anteriores, acentua a primazia dos 
conteúdos no seu confronto com as realidades sociais. 
 
4.5. PEDAGOGIA PROGRESSISTA LIBERTADORA 
 
Papel da Escola: Não é característico da pedagogia libertadora uma educação 
propriamente escolar, uma vez que sua principal contribuição é na atuação não 
‘formal’. Contudo, professores e educadores engajados no ensino escolar vêm 
adotando pressupostos dessa pedagogia. Assim, ao falar em educação nessa 
proposta, dizemos que ela é uma atividade onde professores e alunos são 
 
6
 Paulo Reglus Neves Freire (1921 — 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu 
trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da 
consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou 
do "vanguardismo" dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as 
pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É 
considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o 
movimento chamado pedagogia crítica. 
 
Didática Geral 
 
 53 
mediados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo de 
aprendizagem e atingem um nível de consciência dessa mesma realidade, com 
propósitos de atuar sobre ela num sentido de transformação social. Tanto a 
educação tradicional, que Paulo Freire chamava de ‘bancária’, que visava 
depositar informações sobre o aluno e depois passar a prova (como se fosse 
um cheque para ver se tinha fundos) e testar o conhecimento; quanto a 
educação renovada – que pretendia ser uma forma de libertação psicológica 
individual – são domesticadoras, pois em nada contribuem para se 
compreender a realidade social de opressão. A educação libertadora, ao 
contrário, questiona concretamente a realidade das relações do homem com a 
natureza e com os outros homens, visando a transformação – daí ser uma 
educação crítica. 
 
Conteúdos de Ensino: São os chamados ‘temas geradores’, extraídos da 
problematização da prática de vida dos educandos. Os conteúdos tradicionais 
são recusados porque cada pessoa, cada grupo envolvido na ação 
pedagógica, dispõe em si mesmo, ainda que de forma rudimentar e precária, 
dos conteúdos necessários dos quais se parte. O importante não é a 
transmissão de conteúdos específicos, mas despertar uma nova forma da 
relação com a experiência vivida. A transmissão de conteúdos estruturados a 
partir de fora é considerada como ‘invasão cultural’ ou ‘depósito de 
informações’, por que não emerge do saber popular. Se forem necessários 
textos de leitura, estes deverão ser redigidos pelos próprios educandos com 
orientação do educador. 
 Em nenhum momento o inspirador e mentor dessa pedagogia, Paulo 
Freire, deixou de mencionar o caráter essencialmente político de sua 
pedagogia, o que em suas próprias palavras, impede que ela seja posta em 
prática em termos sistematizados, em instituições oficiais, antes que se 
transforme a sociedade. Razão pela qual sua atuação se dava mais na 
educação extra-escolar, o que nunca impediu, por outro lado, que esses 
pressupostos sejam adotados e aplicados por grande número de professores. 
 
Métodos: Para que seja um ato de conhecimento, o processo de alfabetização 
de adultos demanda, entre educadores e educandos, uma relação de autêntico 
diálogo; aquela em que os sujeitos do ato de conhecer se encontram 
mediatizados pelo objeto a ser conhecido. O diálogo engaja ativamente a 
ambos os sujeitos do ato de conhecer: educador-educando e educando-
educador. 
 Dessa forma, a maneira de se educar é o ‘grupo de discussão’, a quem 
cabe autogerir a aprendizagem, definindo o conteúdo e a dinâmica das 
atividades. O professor é um animador que, por princípios, deve ‘descer’ ao 
nível dos alunos, adaptando-se às suas características e ao desenvolvimento 
próprio de cada grupo. Deve caminhar ‘junto’, intervir minimamente e se for 
Didática Geral 
 
 54 
realmente necessário, embora não deixe, caso seja importante, de fornecer 
uma informação mais sistematizada. 
 
O Caminho Para a Aprendizagem: Codificação-decodificação, e 
problematização da situação – permitindo aos educandos um esforço de 
compreensão do ‘vivido’, até chegar a um nível mais crítico de conhecimento 
da sua realidade, sempreatravés da troca de experiência em torno da prática 
social. Se tudo isso é o que faz o trabalho educativo, não há a necessidade de 
um programa previamente estruturado, trabalhos escritos, aulas expositivas, 
assim como qualquer tipo de verificação direta de aprendizagem (avaliação), o 
que acontece exatamente na educação bancária, portanto, domesticadora. 
Contudo, admite-se a avaliação da prática vivenciada entre educador-
educandos no processo de grupo e, às vezes, a auto-avaliação feita em termos 
dos compromissos assumidos com a prática social. 
 
Relação Professor-Aluno: Há uma relação horizontal por meio do diálogo 
entre o educador e os educandos, ambos se posicionando como sujeitos do ato 
de conhecimento. A total identificação com o povo é o critério de bom 
relacionamento, pois sem isso a relação pedagógica perderia consistência. 
Toda relação de autoridade é eliminada, uma vez que inviabilizaria o trabalho 
de conscientização, de aproximação de consciências. Existe uma não-
diretividade, entretanto, não da maneira como Rogers dizia (se ausentando), 
mas que permanece vigilante para assegurar ao grupo um espaço mais 
humano para dizer sua palavra, para se expressar sem se neutralizar. 
 
Aprendizagem: A força motivadora da aprendizagem é revelada pela própria 
designação de educação problematizadora como correlata de educação 
libertadora. A partir da codificação de uma situação problema a motivação se 
revela, tomando distância para analisá-la criticamente. A razão de ser dos 
fatos, por meio de representações da realidade concreta, é a busca a ser 
alcançada por meio dessa análise envolvendo a abstração. Da situação real 
vivida pelo educando o resultado é a aprendizagem, como um ato de 
conhecimento desta realidade. O que é aprendido não decorre de uma 
imposição ou memorização, mas de um nível crítico de conhecimento, que se 
chega pelo processo de compreensão, crítica e reflexão. O que foi incorporado 
como resposta a situações de opressão, ou seja, seu engajamento político é o 
que o educando transfere em termos de conhecimento. 
 
Manifestações na Prática Escolar: O principal inspirador e divulgador da 
pedagogia libertadora foi Paulo Freire, que aplicou suas idéias pessoalmente 
em diversos países, primeiro no Chile, depois na África. No Brasil exerceu uma 
influência expressiva nos movimentos populares e sindicatos e, praticamente, 
se mistura com a maior parte das experiências do que se denominou educação 
Didática Geral 
 
 55 
popular. Há diversos grupos desta natureza que ainda atuam, mesmo após a 
morte de Freire, não apenas no nível da prática popular, mas também por meio 
de publicações, com relativa independência em relação às idéias originais da 
pedagogia libertadora. Embora essas formulações teóricas sejam restritas à 
educação de adultos ou educação popular, muitos professores tentam colocá-
la em prática em todos os graus de ensino nas escolas. 
 
4.6. PEDAGOGIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA 
 
Papel da Escola: Esta pedagogia pretende que seja exercida pela escola uma 
transformação na personalidade dos alunos em um sentido libertário e 
autogestionário. Funciona basicamente como introduzir modificações 
institucionais a partir dos níveis mais baixos (população) que será capaz de ir 
‘contaminando’ todo o sistema. A escola instituirá mecanismos de mudanças, 
com base na participação grupal, como assembléias, conselhos, eleições, 
reuniões, associações, etc., de tal maneira que o aluno, uma vez que atue nas 
instituições ‘externas’, leve para lá tudo o que aprendeu. Outra forma de 
atuação da pedagogia libertária, semelhante a primeira, é aproveitando a 
margem de liberdade do sistema criando grupos de pessoas com princípios 
educativos autogestionários (associação, grupos informais, escolas 
autogestionárias). Há, portanto, um sentido expressamente político, da forma 
como se afirma o indivíduo como produto do social e que o desenvolvimento 
individual somente se realiza no coletivo. A autogestão é, dessa forma, o 
conteúdo e o método; resume tanto o objetivo pedagógico quanto o político. Na 
pedagogia escolar ou institucional, a pedagogia libertária pretende ser uma 
forma de resistência contra a burocracia como instrumento da ação 
dominadora do Estado, que tudo controla (professores, programas, provas 
etc.), retirando a autonomia do processo. 
 
Conteúdos de Ensino: Os conteúdos ficam à disposição do aluno, entretanto, 
sem nenhuma exigência de que se recorra a elas, pois são um instrumento a 
mais. O verdadeiro conhecimento é aquele resultante das experiências do 
grupo, principalmente das participações críticas. Conhecimento aqui não é a 
investigação intelectual da realidade para que se extraia um sistema de 
representações mentais, mas a descoberta que se faz das respostas às 
necessidades e exigências que a vida social demanda. Desta forma, os 
conteúdos são o resultado das necessidades e interesses manifestados pelo 
grupo e que não são necessariamente as matérias de estudo. 
 
Métodos: A própria vivência grupal, na forma de autogestão, que os alunos 
irão buscar bases mais satisfatórias de sua própria instituição, a partir de sua 
própria iniciativa e sem qualquer forma de poder. Trata-se de se instituir 
responsabilidades pelo coletivo a todos, como o conjunto da vida, as atividades 
Didática Geral 
 
 56 
e a organização do trabalho no interior da escola (menos a elaboração dos 
programas e a decisão dos exames que não dependem nem dos docentes e 
nem dos alunos). Aos alunos fica a decisão de trabalhar ou não, ficando o 
interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo. 
 A progressão da autonomia, sem qualquer direção de fora do grupo, se 
dá numa direção crescente pela oportunidade de contatos, aberturas dos 
integrantes, relações informais entre os alunos. Só então, o grupo começa a se 
organizar de maneira que todos possam participar das discussões, 
cooperativas, assembléias, isto é, diversas formas de participação e expressão 
verbal. Entretanto, quem quiser fazer outras coisas deve entrar em acordo com 
o grupo ou se retirar. No terceiro momento, o grupo se organiza de maneira 
mais efetiva e, finalmente, no quarto momento, parte para a execução do 
trabalho elaborado pelo grupo. 
 
Relação Professor-Aluno: Esta pedagogia visa, em primeiro lugar, 
transformar a relação professor-aluno no sentido da não-diretividade, isto é, 
considerar como ineficaz e nocivo todos os métodos que utilizem obrigações e 
ameaças. Mesmo sendo o professor e o aluno diferentes, nada impede que o 
primeiro se coloque a serviço do segundo, sem impor suas concepções e 
idéias, sem transformar o aluno em objeto. O professor é um catalisador e 
orientador, ele se mistura ao grupo para refletirem mutuamente. 
 Por serem os alunos livres frente ao professor, este também o é em 
relação aos alunos (ele pode, caso queira, recusar-se a responder alguma 
pergunta, permanecendo em silêncio). Entretanto, esse tipo de liberdade de 
atitude tem um sentido muito claro, pois se um aluno resolve não participar, o 
faz porque não se sente integrado e, como o grupo tem responsabilidade sobre 
esse fato deve se colocar a questão. Quando o professor se cala diante de 
uma pergunta, seu silêncio tem um significado educativo que pode, por 
exemplo, ser uma ajuda para que talvez o grupo assuma a responsabilidade de 
responder ou lidar com a situação criada. No mais, o professor se incumbe 
como uma espécie de conselheiro e, outras vezes, de instrutor ou monitor à 
disposição do grupo. Em nenhum momento esses papéis do professor se 
resumem em algum modelo, pois essa pedagogia recusa qualquer espécie de 
poder ouautoridade. 
 
Aprendizagem: A principal ênfase é na aprendizagem informal, via grupo, e o 
repúdio a qualquer forma de repressão visam favorecer o desenvolvimento de 
pessoas mais livres. Assim, as formas burocráticas das instituições existentes, 
por seu traço de impessoalidade, comprometem o crescimento pessoal. A 
motivação, assim, está no interesse em crescer dentro das possibilidades da 
vivência grupal, desenvolvendo a cada um de seus membros a satisfação de 
suas aspirações e necessidades. 
Didática Geral 
 
 57 
 Somente o experimentado, vivido, é incorporado e útil em situações 
novas. Desta forma, o critério de relevância do saber sistematizado é seu 
possível uso prático. Por esta razão, não faz nenhum sentido qualquer forma 
de avaliação da aprendizagem, ao menos no que se refere aos conteúdos. 
 
Manifestações na Prática Escolar: Esta pedagogia inclui quase todas as 
tendências anti-autoritárias em educação, como a anarquista, a psicanalista, a 
dos sociólogos, e também a dos professores progressistas. Embora Rogers e 
Neill não possam ser considerados professistas, pela ausência do aspecto da 
criticidade sócio-política, não deixam de influenciar alguns libertários, como 
Lobrot. Entre os estrangeiros, podemos citar Vasquez e Oury entre os mais 
recentes, Ferrer y Guardia entre os mais antigos. Particularmente significativo é 
o trabalho de Célestin Freinet, que foi sempre muito estudado por suas 
inúmeras contribuições, existindo inclusive algumas escolas aplicando seu 
método. Dentre os estudiosos e divulgadores desta tendência, podemos citar 
Maurício Tragtenberg, apesar da tônica de seus trabalhos não ser 
propriamente pedagógica, mas de crítica das instituições a favor de um projeto 
autogestionário de educação. 
 
4.7. PEDAGOGIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS 
CONTEÚDOS 
 
Papel da Escola: A propagação dos conteúdos é uma tarefa primordial nessa 
tendência. Não qualquer conteúdo, de maneira abstrata, mas conteúdos 
concretos, vivos, portanto, inerentes as realidades sociais. A escola é 
valorizada como instrumento capaz de proporcionar a apropriação do saber 
como serviço prestado aos interesses populares, uma vez que a própria escola 
pode contribuir para eliminar a seletividade social e torná-la democrática. 
Sendo a escola uma parte que integra a totalidade social, a ação dentro dela é 
também uma forma de agir ruma a uma transformação social. Como o que 
define uma pedagogia crítica é exatamente a consciência de seus 
condicionantes histórico-sociais, a função da pedagogia ‘dos conteúdos’ é dar 
um passo a frente na tarefa de transformar a escola, mas a partir de condições 
já existentes. Desta forma, o pré-requisito para que a escola sirva aos 
interesses populares é a garantir a todos um bom ensino, isto é, a apropriação 
dos conteúdos escolares básicos que tenham ressonância na vida dos alunos. 
Compreendida desta maneira, a educação é ‘uma atividade mediadora no seio 
da prática social global’, ou seja, uma das mediações pela qual o aluno, com a 
intervenção do professor e por sua própria participação ativa, passa de uma 
experiência inicialmente confusa e fragmentada (sincrética) a uma visão 
sintética, mais organizada e unificada. 
 Resumindo, a atuação escolar consiste na preparação do aluno para o 
mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental, por meio 
Didática Geral 
 
 58 
da aquisição dos conteúdos e da socialização, para uma participação 
organizada e ativa na democratização social. 
 
Conteúdos de Ensino: São os conhecimentos e conteúdos culturais 
universais que se constituíram em domínios relativamente autônomos, 
incorporados pela humanidade, mas permanentemente reavaliados face às 
realidades sociais. Mesmo que se aceite que os conteúdos são realidades 
exteriores ao aluno, de devem ser assimilados e não simplesmente 
reinventados, eles não são fechados e refratários às realidades sociais. Não é 
o bastante que esses conteúdos sejam apenas ensinados, ainda que como um 
trabalho bem feito; é preciso uma conexão de forma indissociável à sua 
significação humana e social. 
 Essa forma de conceber os conteúdos não estabelece oposição entre 
cultura erudita e cultura popular, ou espontânea, apenas uma relação de 
continuidade em que, gradativamente, se passa da experiência imediata e 
desorganizada ao conhecimento sistematizado. Não que a primeira apreensão 
da realidade seja errada, mas é necessária a subida a uma forma de 
elaboração superior, pelo próprio aluno, com a mediação do professor. 
 
Métodos: Em poucas palavras, a aula começa pela constatação da prática 
real, havendo, em seguida, a consciência dessa prática no sentido de referi-la 
aos termos do conteúdo proposto, como forma de confronto entre a experiência 
e a explicação do professor. Em suma, caminha-se da ação à compreensão e 
da compreensão à ação, até a síntese, o que nada mais é do que a unidade 
entre teoria e prática. 
 Admitindo-se um conhecimento relativamente autônomo, assumimos o 
saber como possuindo um conteúdo relativamente objetivo, contudo, ao 
mesmo tempo, deve-se introduzir a possibilidade de uma reavaliação crítica 
frente a tal conteúdo. Trata-se de o professor, de um lado, obter o acesso do 
aluno aos conteúdos, ligando-os com a experiência concreta dele, 
continuamente. Entretanto, por outro lado, proporciona-se elementos de análise 
crítica que ajudem o aluno a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as 
pressões difusas da ideologia dominante, é a ruptura. 
 Dito isso, o resultado claro é que se pode ir do saber ao engajamento 
político, mas não o contrário, sob o risco de se afetar a própria especificidade 
do saber e até cair numa forma de pedagogia ideológica, que é exatamente o 
que se critica na pedagogia tradicional e na pedagogia nova. 
 Os métodos se subordinam aos conteúdos, pois se o objetivo é 
privilegiar a aquisição do saber vinculado às realidades sociais, se faz 
necessário que os métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com 
os interesses dos alunos, e que estes possam reconhecer nos conteúdos o 
auxílio ao seu esforço de compreensão da realidade (prática social). Dessa 
forma, nem se trata dos métodos impositivos e inquestionáveis do saber da 
Didática Geral 
 
 59 
pedagogia tradicional, nem da sua substituição pela descoberta, investigação 
ou livre expressão das opiniões, como se o saber pudesse ser inventado pela 
criança, na concepção da pedagogia renovada. 
 Os métodos dessa pedagogia crítica não partem, portanto, de um saber 
superficial, depositado a partir de fora, nem do espontâneo, mas de uma 
experiência direta na relação com o aluno, no confronto com o saber trazido de 
fora da escola. O trabalho do professor deve relacionar a prática vivida pelos 
alunos com os conteúdos propostos pelo professor, para que se dê a ‘ruptura’ 
em relação à experiência pouco elaborada. Essa ruptura somente é possível 
com a introdução explícita, pelo professor, dos elementos novos de análise a 
serem aplicados criticamente à prática do aluno. 
 
Relação Professor-Aluno: Como o conhecimento resulta de trocas que se 
estabelecem na relação com o meio (natural, social e cultural) e o sujeito, 
sendo o professor uma espécie de mediador, então a relação pedagógica 
consiste no provimento das condições em que os professores e alunos possam 
colaborar para fazer progredir essas trocas. A missão do adulto é insubstituível, 
mas aumenta-se também a participação do aluno no processo. Ou seja, o 
aluno, com sua experiência imediata no contexto cultural participa na busca da 
verdade e tem de confrontá-la com os conteúdos e modelos expressos pelo 
professor. Entretanto,esse esforço do professor em orientar, em abrir 
perspectivas a partir dos conteúdos, implica um envolvimento com o estilo de 
vida dos alunos, tendo consciência inclusive das disparidades entre sua própria 
cultura e a do aluno. Não se satisfará em satisfazer apenas as necessidades e 
carências, mas buscará despertar outras necessidades, acelerar e disciplinar 
os métodos de estudo, exigir o esforço do aluno, propor conteúdos e modelos 
que sejam compatíveis com suas experiências vividas, para que esses alunos 
se mobilizem para uma participação ativa. Logicamente o papel de mediação 
exercido em torno da análise dos conteúdos exclui a não-diretividade como 
forma de orientação do trabalho escolar, porque o diálogo entre adulto e aluno 
é desigual. O adulto terá muito mais experiência acerca das realidades sociais 
e ‘deve dispor’ de uma formação para ensinar, possuir conhecimentos e a ele 
cabe fazer uma análise dos conteúdos em confronto com as realidades sociais. 
A não-diretividade deixa os alunos a suas próprias vontades, como se eles 
tivessem uma tendência espontânea a alcançar os objetivos esperados da 
educação. Sabemos que as tendências espontâneas e naturais não são 
‘naturais’, mas tributárias das condições de vida e do meio. Não serviria apenas 
o amor, a aceitação, para que os filhos dos trabalhadores conquistem a 
vontade de estudar mais, de progredir. É necessária a intervenção do professor 
para que se possa levar o aluno a acreditar nas suas possibilidades, a ir mais 
longe, a prolongar a experiência vivida. 
 
Didática Geral 
 
 60 
Aprendizagem: Por meio de um esforço próprio o aluno é capaz de se 
reconhecer nos conteúdos e nos modelos sociais apresentados pelo professor; 
dessa forma, poderá ampliar sua própria experiência com seu próprio esforço. 
Para aprender, o aluno utiliza sua estrutura prévia de conhecimento, ou o 
professor provê uma maior estruturação do que o aluno ainda não disponha. O 
grau de envolvimento na aprendizagem irá depender tanto da capacidade e 
disposição do aluno quanto do professor e do contexto da sala de aula. 
 Aprender, nesta visão, é desenvolver a capacidade de processar 
informações e lidar com os estímulos do ambiente, organizando os dados 
disponíveis da experiência. Em conseqüência, precisa-se verificar aquilo que o 
aluno já sabe como pré-requisito de uma aprendizagem significativa. O 
professor precisa ter ciência do que os alunos dizem ou fazem, assim como o 
aluno precisa compreender o que o professor pretende lhe passar. A 
transferência ocorre a partir do momento da síntese, quando o aluno supera 
sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. 
 O resultado é que precisa ser avaliado, não como julgamento definitivo e 
indiscutível do professor, mas como comprovação para o aluno de seu 
progresso em direção a noções mais sistematizadas. 
 
Manifestações na Prática Escolar: Podem ser citadas a experiência pioneira 
do educador e escritor russo Makarenko7. Entre outros autores podem ser 
citados B. Charlot, Suchodolski, Manacorda e, de maneira especial, G. 
Snyders, além dos autores brasileiros que desenvoveram investigações 
relevantes, destacando-se Dermeval Saviani. Representam também os 
inúmeros professores de rede escolar pública que se ocupam, 
competentemente, de uma pedagogia de conteúdos articulada com a adoção 
de métodos que garantam a participação do aluno que, muitas vezes sem 
saber, avançam na democratização efetiva do ensino para as camadas 
populares. 
 O esforço de elaboração de uma pedagogia ‘dos conteúdos’ está em 
propor modelos de ensino voltados para a interação conteúdos-realidades 
sociais. Dessa maneira, visa avançar em termos de uma articulação do político 
e do pedagógico, aquele como extensão deste, ou seja, a educação ‘a serviço 
da transformação das relações de produção’. Mesmo que a curto prazo se 
espere que o professor tenha mais conhecimentos sobre os conteúdos de sua 
disciplina e o domínio de uma boa Didática a fim de garantir maior competência 
técnica, sua contribuição será muito mais eficaz uma vez que compreenda os 
vínculos de sua prática com a prática social global, tendo em vista a 
democratização da sociedade brasileira, o atendimento dos interesses das 
 
7
 Anton Semyonovich Makarenko, (1888 — 1939) foi um pedagogo ucraniano que se especializou no 
trabalho com menores abandonados, especialmente os que viviam nas ruas e estavam associados ao 
crime. 
Didática Geral 
 
 61 
camadas populares, a transformação estrutural da sociedade brasileira com 
princípios de mais justiça e igualdade. 
 
RESUMO 
Segundo Libâneo (1985), verifica-se três tipos de tendências que 
interpretam o papel da educação na sociedade: a educação como redenção, a 
educação como reprodução e a educação como transformação da sociedade. 
A Pedagogia Liberal também possui a característica de ser um tipo de 
Educação Ajustadora, uma vez que apenas ajusta o aluno para que este 
possa participar da reprodução da sociedade. Esta Pedagogia possui muitas 
correntes teóricas, entretanto, as que mais se destacaram são quatro delas: 
Tradicional, Renovada Progressivista, Renovada Não-Diretiva e Tecnicista. 
No outro lado, temos a Pedagogia Progressista, que possui a 
característica de uma Educação Transformadora, por dar condições do 
desenvolvimento dos alunos permitir que estes tenham capacidade de lutar 
por uma transformação social em uma direção mais justa e igualitária. As 
principais representantes teóricas dessa Pedagogia são: Libertadora, 
Libertária e a Crítico-Social dos Conteúdos. 
A Pedagogia Liberal impõe a idéia de que a escola tem por função 
preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com 
as aptidões individuais, por isso os indivíduos precisam aprender a se adaptar 
aos valores e as normas vigentes da sociedade de classes através do 
desenvolvimento da cultura individual. A ênfase no aspecto cultural esconde a 
realidade das diferenças de classes, pois, embora difunda a idéia de igualdade 
de oportunidades, não leva em consideração a desigualdade de condições 
que a vida oferece, legitimando a ideologia capitalista. 
Na Pedagogia Liberal Tradicional a atuação da escola consiste na 
preparação intelectual e moral dos alunos para assumirem sua posição na 
sociedade. O compromisso da escola é com a cultura, os problemas sociais 
pertencem à sociedade. Os conteúdos são separados da experiência do aluno 
e das realidades que a sociedade oferece, valendo pelo valor intelectual, 
motivo pelo qual a pedagogia tradicional é criticada como intelectualista e, às 
vezes, como enciclopédica. 
Na Pedagogia Liberal Renovada Progressivista a finalidade da escola é 
adequar as necessidades individuais ao meio social e, para isso, ela deve se 
organizar de forma a retratar, o quanto possível, a vida do aluno. Trata-se de 
‘aprender a aprender’, ou seja, é mais importante o processo de aquisição do 
saber do que o saber propriamente dito. A idéia de ‘aprender fazendo’ está 
sempre presente. Há valorização das tentativas experimentais, da pesquisa, 
da descoberta, o estudo do meio natural e social, o método de solução de 
problemas. 
Na Pedagogia Liberal Renovada Não-Diretiva acentua-se, nesta 
tendência, o papel da escola na formação de atitudes, razão pela qual deve 
Didática Geral 
 
 62 
estar mais preocupada com problemas psicológicos do que com pedagógicos 
ou sociais. Todo esforço está em estabelecer um clima favorável a uma 
mudança dentro do indivíduo, isto é, a uma adequação pessoal às solicitações 
do ambiente. Os processos de ensino visam maisa facilitar aos estudantes os 
meios para buscarem por si mesmos os conhecimentos que, no entanto, são 
dispensáveis. Os métodos usuais são dispensados, prevalecendo quase que 
exclusivamente o esforço do professor em desenvolver um estilo próprio para 
facilitar a aprendizagem dos alunos. 
Na Pedagogia Liberal Tecnicista a educação escolar cabe organizar o 
processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, 
úteis e necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema 
social global. É matéria de ensino apenas o que é redutível ao conhecimento 
observável e mensurável; os conteúdos decorrentes, assim, da ciência 
objetiva, eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. Consistem nos 
procedimentos e técnicas necessárias ao arranjo e controle das condições 
ambientais que assegurem a transmissão/recepção de informações. A 
comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico de 
garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. 
O termo ‘progressista’ é usado para designar as tendências que, 
partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam 
implicitamente os fins sócio-políticos da educação. A pedagogia progressista 
tem-se manifestado em três tendências: a libertadora, mais conhecida como a 
pedagogia de Paulo Freire; a libertária, que reúne os defensores da 
autogestão pedagógica; a crítico-social dos conteúdos que, diferentemente 
das anteriores, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as 
realidades sociais. 
Na Pedagogia Progressista Libertadora existe uma atividade onde 
professores e alunos são mediados pela realidade que apreendem e da qual 
extraem o conteúdo de aprendizagem e atingem um nível de consciência 
dessa mesma realidade, com propósitos de atuar sobre ela num sentido de 
transformação social. Os conteúdos são os chamados ‘temas geradores’, 
extraídos da problematização da prática de vida dos educandos. O diálogo 
engaja ativamente a ambos os sujeitos do ato de conhecer: educador-
educando e educando-educador. Dessa forma, a maneira de se educar é o 
‘grupo de discussão’, a quem cabe autogerir a aprendizagem, definindo o 
conteúdo e a dinâmica das atividades. O professor é um animador que, por 
princípios, deve ‘descer’ ao nível dos alunos, adaptando-se às suas 
características e ao desenvolvimento próprio de cada grupo. 
Na Pedagogia Progressista Libertária pretende-se que seja exercida 
pela escola uma transformação na personalidade dos alunos em um sentido 
libertário e autogestionário. A autogestão é, dessa forma, o conteúdo e o 
método; resume tanto o objetivo pedagógico quanto o político. Na pedagogia 
escolar ou institucional, a pedagogia libertária pretende ser uma forma de 
Didática Geral 
 
 63 
resistência contra a burocracia como instrumento da ação dominadora do 
Estado, que tudo controla (professores, programas, provas etc.), retirando a 
autonomia do processo. O verdadeiro conhecimento é aquele resultante das 
experiências do grupo, principalmente das participações críticas. A própria 
vivência grupal, na forma de autogestão, que os alunos irão buscar bases 
mais satisfatórias de sua própria instituição, a partir de sua própria iniciativa e 
sem qualquer forma de poder. 
Na Pedagogia Progressista Crítico-Social dos Conteúdos a propagação 
dos conteúdos é uma tarefa primordial nessa tendência. Não qualquer 
conteúdo, de maneira abstrata, mas conteúdos concretos, vivos, portanto, 
inerentes as realidades sociais. A escola é valorizada como instrumento capaz 
de proporcionar a apropriação do saber como serviço prestado aos interesses 
populares, uma vez que a própria escola pode contribuir para eliminar a 
seletividade social e torná-la democrática. Não é o bastante que esses 
conteúdos sejam apenas ensinados, ainda que como um trabalho bem feito; é 
preciso uma conexão de forma indissociável à sua significação humana e 
social. Em poucas palavras, a aula começa pela constatação da prática real, 
havendo, em seguida, a consciência dessa prática no sentido de referi-la aos 
termos do conteúdo proposto, como forma de confronto entre a experiência e 
a explicação do professor. Em suma, caminha-se da ação à compreensão e 
da compreensão à ação, até a síntese, o que nada mais é do que a unidade 
entre teoria e prática. 
 
Exercícios: 
 
Faça a correspondência entre os pares que se complementam colocando a 
letra correspondente à abordagem em questão. 
 
(A) Pedagogia Liberal TRADICIONAL; 
(B) Pedagogia Liberal RENOVADA PROGRESSIVISTA; 
(C) Pedagogia Liberal RENOVADA NÃO-DIRETIVA; 
(D) Pedagogia Liberal TECNICISTA; 
(E) Pedagogia Progressista LIBERTADORA; 
(F) Pedagogia Progressista LIBERTÁRIA; 
(G) Pedagogia Progressista CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS. 
 
( ) Subordina a educação à sociedade, tendo como função a preparação 
de “recursos humanos” (mão de obra para a indústria). Dessa forma, o 
essencial não é o conteúdo da realidade, mas as técnicas (forma) de 
descoberta e aplicação. Ela “é encarada como instrumento capaz de 
promover, sem contradição, o desenvolvimento econômico pela qualificação 
da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, pela maximização da 
Didática Geral 
 
 64 
produção e, ao mesmo tempo, pelo desenvolvimento da ‘consciência 
política’ indispensável à manutenção do Estado autoritário”. 
 
( ) Se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral, no 
qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, sua plena 
realização como pessoa. Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a 
relação professor-aluno não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno 
e muito menos com as realidades sociais. É a predominância da palavra do 
professor, das regras impostas, do cultivo exclusivamente intelectual. 
 
( ) Propõe uma síntese superadora das pedagogias tradicional e 
renovada, valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na prática 
social concreta. Entende a escola como mediação entre o indivíduo e o 
social, exercendo aí a articulação entre a transmissão dos conteúdos e a 
assimilação ativa por parte de um aluno concreto (inserido num contexto de 
relações sociais); dessa articulação resulta o saber criticamente 
reelaborado. 
 
( ) Orienta para os objetivos de auto-realização (desenvolvimento pessoal) 
e para as relações interpessoais. Acentua-se, nesta tendência, o papel da 
escola na formação de atitudes, razão pela qual deve estar mais 
preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou 
sociais. Todo o esforço está em estabelecer um clima favorável a uma 
mudança dentro do indivíduo, isto é, a uma adequação pessoal às 
solicitações do ambiente. 
 
( ) Espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos 
alunos num sentido libertário e autogestionário. A idéia básica é introduzir 
modificações institucionais, a partir dos níveis subalternos que, em seguida, 
vão “contaminando” todo o sistema. Há, portanto, um sentido 
expressamente político, à medida que se afirma o indivíduo como produto 
do social e que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo. 
A ênfase na aprendizagem informal, via grupo, e a negação de toda forma 
de repressão visam favorecer o desenvolvimento das pessoas mais livres. 
 
( ) Acentua o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões 
individuais. Mas a educação é um processo interno, não externo; ela parte 
das necessidades e interesses individuais necessários para a adaptação ao 
meio. A educação é a vida presente, é à parte da própria experiência 
humana. Propõe um ensino que valorize a auto-educação (o aluno como 
sujeito do conhecimento), a experiência direta sobre o meiopela atividade; 
um ensino centrado no aluno e no grupo. 
 
Didática Geral 
 
 65 
( ) Questiona concretamente a realidade das relações do homem com a 
natureza e com os outros homens, visando a uma transformação – daí ser 
uma educação crítica. Os conteúdos de ensino são denominados como 
temas geradores e são extraídos da problematização da prática de vida dos 
educandos. O importante não é a transmissão de conteúdos específicos, 
mas despertar uma nova forma da relação com a experiência vivida. “O 
diálogo engaja ativamente a ambos os sujeitos do ato de conhecer: 
educador e educando e educando e educador”. 
 
 
Resolução dos Exercícios: 
 
As respostas estão classificadas nesta ordem: 
 
(D) Pedagogia Liberal TECNICISTA 
(A) Pedagogia Liberal TRADICIONAL 
(G) Pedagogia Progressista CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS 
(C) Pedagogia Liberal RENOVADA NÃO-DIRETIVA 
(F) Pedagogia Progressista LIBERTÁRIA 
(B) Pedagogia Liberal RENOVADA PROGRESSIVISTA 
(E) Pedagogia Progressista LIBERTADORA 
 
Volte nas questões e no texto. Faça uma análise e compare suas 
respostas com as corretas. Analise, interprete e escreva a respeito. É uma 
das melhores formas para assimilar melhor esse conteúdo. 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 66 
 
5. OS OBJETIVOS, CONTEÚDOS E PROCEDIMENTOS DE ENSINO 
 
 Para que os professores possam ter minimamente um trabalho 
organizado é necessário um bom planejamento. Esse planejamento, que será 
retratado em grandes detalhes no capítulo 7, possui etapas e componentes que 
devem ser bem estruturados pelo docente, de maneira que seu trabalho fique 
claro para ele mesmo, seus alunos, escola e comunidade; além do fato de fugir 
de uma improvisação, antecipar resultados, etc. 
 Os componentes se revestem de funções a serem previstas pelo 
professor durante todo o trabalho educativo e refletem seus valores, suas 
pretensões e expectativas que faz sobre seu próprio trabalho, estimando coisas 
que ele pensa que devem acontecer para que os alunos sofram modificações 
positivas em seus comportamentos, principalmente no que tange a vida social. 
 As etapas ou componentes do planejamento são: Objetivos, Conteúdos 
e Procedimentos (neste capítulo), recursos e avaliação (no próximo capítulo). 
Sua divisão se deu, principalmente, pela razão de que os três primeiros juntos, 
carregam a alma de nossas aulas. Os recursos e a avaliação servem para: no 
caso do primeiro, instrumentalizar e enriquecer as condições de trabalho do 
professor; já o segundo, é uma espécie de verificação do dever cumprido. Teve 
êxito ou não? O que falhou no processo? E perguntas que ajudem a aprimorar 
o processo de ensino-aprendizagem docente. Começamos com os objetivos 
educacionais. 
 
5.1. OS OBJETIVOS 
 
As pessoas em geral, costumam sempre fazer planos, expectativas, 
olhando para seu próprio futuro. Basicamente isso faz parte de todos nós. 
Planejar o futuro é olhar as possibilidades e buscar o alcance de algumas 
metas pessoais, como por exemplo, a compra de um bem material, uma 
viagem nas férias, uma mudança em algo sobre um relacionamento afetivo 
(como casar-se, ter filhos, etc.), e muitas outras coisas que devem ser 
alcançadas para que a vida não se torne vazia e sem propósito. 
Resumindo, TODOS TEMOS OBJETIVOS A SEREM ALCANÇADOS! 
Queremos alcançar nossas metas e, ao alcançá-las sentir o prazer da 
conquista e se sentir realizado. Entretanto, ao alcançar uma meta, costumamos 
ir adiante e traçar novas metas e continuar lutando para alcançá-las. Os seres 
humanos são assim e isso é bom, pois graças a essa insatisfação é que a 
evolução da espécie foi alcançada e que estamos alcançando coisas cada vez 
mais audaciosas e que, em outros tempos, julgaríamos impossíveis de serem 
alcançadas. 
Entretanto, caso não saibamos aonde queremos chegar, sem um 
simples objetivo, estaríamos totalmente entregues a um ativismo qualquer. Ou, 
Didática Geral 
 
 67 
como diria o Filósofo Montaigne, em seus ensaios escritos no século XVI, 
citado por Haydt (2002): “nenhum vento ajuda a quem não sabe a que porto 
deverá velejar”. 
Um professor sem objetivos educacionais seria como um sujeito fazendo 
coisas sem propósito, somente passando o tempo e, no caso da missão 
docente, o tempo é valioso, pois do trabalho educativo deve resultar em 
grandes conquistas que raríssimos casos algum aluno conseguiria sem ajuda 
de ninguém. 
 Nesse caso, a educação objetiva suas atividades traçando metas para a 
aprendizagem de seus alunos, sabendo quais serão os conjuntos de 
conquistas que esses alunos deverão alcançar. Saber aonde se quer chegar 
possibilita traçar os meios capazes de fazer com que as metas possam ser 
atingidas, além de saber o que se poderá avaliar. 
 
“Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do 
trabalho conjunto do professor e dos alunos, expressando 
conhecimentos, habilidades e hábitos (conteúdos) a serem 
assimilados de acordo com as exigências metodológicas (nível 
de preparo prévio dos alunos, peculiaridades das matérias de 
ensino e características do processo de ensino e 
aprendizagem).” Libâneo (1990) 
 
 Por serem educacionais, os objetivos são hábitos, conhecimentos, 
comportamentos que devem ser adquiridos dentro de uma cultura, dando 
possibilidades de adaptação e condições de pensar, refletir e interferir nesta 
cultura. Esta é a razão pela qual o professor deve elaborar com todo o cuidado 
tais objetivos, pois serão as principais aquisições que os indivíduos farão no 
trabalho com a escola e, determinará em grande parte, que tipo de seres 
humanos serão e o que terão a oferecer a nossa sociedade. 
 Além disso, tendo claro os objetivos, o professor deverá elaborar meios 
para alcançá-los e terá mais facilidade de elaboração, pois sabendo aonde se 
quer chegar viabiliza a visualização de métodos de trabalho mais eficazes. 
 Há dois tipos de objetivos a serem determinados: os objetivos gerais – 
de longo prazo – e os objetivos específicos – de curto prazo. Piletti (2010), 
denomina os gerais como educacionais, pois visualizam a longo prazo 
características a serem construídas de pouco a pouco com a ajuda do 
educador, como por exemplo a criatividade, o pensamento crítico, a 
capacidade de elaboração e organização de pensamento, etc. São fruto da 
visão de homem e de mundo do educador, valorizados por ele e almejados 
para a aquisição pelos alunos de tais capacidades humanas. Já os objetivos 
específicos ele chama de instrucionais, pois em curto prazo se ocupam da 
instrução do indivíduo, de comportamentos a serem adquiridos em menos 
tempo que os objetivos gerais, contudo, sempre relacionados a estes. 
Didática Geral 
 
 68 
 Os objetivos gerais são aqueles previstos para determinado ciclo ou 
grau de ensino, como por exemplo, ao final do ensino fundamental, ou do 
ensino médio, ou até mesmo, neste caso em menos tempo, ao final de um ano 
de trabalho, como por exemplo, ao final da 5ª série. 
 Os objetivos específicos são os definidos para uma disciplina, uma 
unidade de ensino ou apenas uma aula. São elaborados como constituintes ou 
partes do objetivo geral e, devem proporcionar gradativamente e indiretamente 
o alcance deste. 
 Por exemplo, se o objetivo geral fosse desenvolver a criticidade, os 
objetivos específicos poderiam ser: 
 falar sobre um evento que foi previamente assistido; 
 analisar um texto com base em na aula assistida; 
 explicar os pontos positivos e negativos encontrados pelo grupo após a 
aula. 
São apenas alguns exemplos de comportamentos esperados como 
objetivos específicos que possam servir como constituintes do objetivogeral. 
Isso é o que pode ser chamado de desdobramento do objetivo geral em 
objetivos específicos. Pega-se como base, conforme o exemplo, um objetivo 
que tenha de ser construído gradativamente (desenvolver a criticidade) como 
objetivo geral e, elabora-se objetivos específicos (a serem alcançados em 
apenas uma aula cada um) capazes de auxiliar também no alcance do objetivo 
geral. Essa é a dinâmica. 
A escrita dos objetivos, tanto gerais quanto específicos, devem 
obedecer a determinadas regras para dar clareza, coerência e unidade. 
Vejamos tais regras: 
 
I. Como parte da intenção da modificação das capacidades dos 
alunos, deve-se deixar guiar pela seguinte frase: Ao final da aula 
(ou unidade, ou ano, ou algum período de tempo no trabalho 
educativo), os alunos serão capazes de... 
II. Decorrente da regra anterior podemos perceber que o que 
encaixa melhor na frase acima é um verbo no infinitivo, como 
por exemplo: falar, analisar, explicar, desenvolver, aprender, etc. 
III. Os objetivos sempre se referem aos alunos, conforme a frase 
diz, ‘que eles sejam capazes’. Isso deve ficar bem claro para que 
o professor não cometa equívocos na elaboração colocando 
coisas sobre seu próprio comportamento. Por exemplo: ‘Fazer os 
alunos falarem a respeito do carnaval’. Está incorreto, pois quem 
vai fazer os alunos falarem é o professor, portanto, impede que os 
objetivos ‘mirem’ o comportamento dos alunos, desviando para o 
do próprio professor, que deve se ocupar com os meios. Além 
disso, não casaria com a frase feita na primeira regra. 
 
Didática Geral 
 
 69 
Essas regras facilitam muito na escrita, pois darão clareza, foco no aluno 
e coerência com o projeto educativo que o professor possa elaborar. Vejamos 
os objetivos gerais que os Parâmetros Curriculares Nacionais elegeram para o 
Ensino Fundamental. 
 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam como objetivos do ensino 
fundamental que os alunos sejam capazes de: 
• compreender a cidadania como participação social e política, assim como 
exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-
dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, 
respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; 
• posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes 
situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de 
tomar decisões coletivas; 
• conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, 
materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção 
de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; 
• conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, 
bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, 
posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças 
culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras 
características individuais e sociais; 
• perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, 
identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo 
ativamente para a melhoria do meio ambiente; 
• desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de 
confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de 
inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na 
busca de conhecimento e no exercício da cidadania; 
• conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos 
saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo 
com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; 
• utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, gráfica, plástica e 
corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, 
interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e 
privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação; 
• saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para 
adquirir e construir conhecimentos; 
• questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, 
utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a 
capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando 
sua adequação. 
 
Outra razão, além do fato de ser um excelente exemplo, que levou a 
trazer esses objetivos gerais para o ensino fundamental elaborado para os 
PCNs, foi o fato de ser uma abordagem crítica, não conteudista. É sobre essa 
criticidade e esse conteudismo que pretendemos aprofundar um pouco. 
Didática Geral 
 
 70 
A Educação como um fenômeno social deve acompanhar a sociedade 
em uma crescente evolução, dando oportunidade da vida em comum ser cada 
vez melhor, mais justa, mais ética e mais igualitária, superando as diferenças e 
equiparando todos em um mesmo patamar. Sabemos, conforme visto 
anteriormente, que está longe da sociedade ser dessa forma e, como a 
educação é capaz de capacitar as pessoas para lutar por transformações 
necessárias, é justamente esse tipo de educação que devemos dar aos nossos 
alunos; em oposição a uma educação não-crítica e ajustadora. 
Conteudismo nada mais é do que a forma como a educação tradicional 
tratou dos objetivos educacionais, colocando os conteúdos como se fossem os 
próprios objetivos das aulas, unidades e cursos. 
Conforme se coloca na abordagem crítico-social dos conteúdos, eles (os 
conteúdos) são extremamente importantes para se proporcionar uma educação 
transformadora, pois somente dominando todo um conteúdo cultural 
acumulado seremos capazes de compreender a sociedade através da história, 
entender a situação da sociedade de classes que defende interesse da minoria 
dominante e desfavorece grande parte da população que não tem condições 
intelectuais para lutar por uma transformação. Entretanto, só o conteúdo, sem a 
ligação com as questões sociais, conforme faz a educação tradicional, seriam 
insuficiente por não darem a oportunidade de ligar os conhecimentos de dentro 
da escola para o mundo a fora. 
Por exemplo: numa aula conteudista de português, o professor poderia 
colocar como objetivo específico: aprender a diferença no emprego dos 4 
porquês. Em uma abordagem crítica não ficaríamos presos ao domínio dessas 
diferenças e o objetivo poderia ser este, por exemplo: criar uma modificação 
de um texto com o uso dos 4 tipos de porquês. Nesse caso, a utilização da 
capacidade criativa e organizacional do pensamento poderia proporcionar ao 
estudante instrumentos de uma educação transformadora, pois utilizaria a 
criatividade, o pensamento, a visualização de possibilidades, etc. 
Vejamos um pouco mais sobre a questão dos conteúdos para 
aprofundar essas questões aqui discutidas. 
 
5.2. OS CONTEÚDOS 
 
“Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, 
habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação 
social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em 
vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos de sua 
prática de vida. Englobam, portanto: conceitos, idéias, fatos, 
processos, princípios, leis científicas, regras; habilidades 
cognoscitivas, modos de atividade, métodos de compreensão e 
aplicação, hábitos de estudo, de trabalho e de convivência 
social; valores, convicções, atitudes. São expressos nos 
programas oficiais, nos livros didáticos, nos planos de ensino e 
Didática Geral 
 
 71 
de aula, nas aulas, nas atitudes e convicções do professor, nos 
exercícios, nos métodos e formas de organização do ensino.” 
Libâneo (1990) 
 
 Essa excelente definição de Libâneo expressa completamente o que se 
entende por conteúdos de ensino, de uma forma complexa e não simplista.Não há uma definição em poucas palavras que pudesse satisfazer com todo o 
significado dos conteúdos de ensino, pois ele é ‘tudo o que se ensina visando 
atingir objetivos educacionais e instrucionais’. 
 Por um lado, os conteúdos ocupam o lugar dos conhecimentos 
socialmente construídos pela humanidade; ainda podemos dizer que são 
também os modos de ação culturalmente determinados pela sociedade; 
acrescentando, também são as descobertas científicas condensadas em 
necessidades de conhecimento de toda a população, permitindo acompanhar a 
evolução científica cuja qual a sociedade conquistou. 
 Quanto à divisão em elementos dos conteúdos de ensino, temos várias 
classificações. Entretanto, duas se destacam dentre as utilizadas pelos teóricos 
da Didática e da Pedagogia. Uma delas é a de Libâneo (1990), que divide entre 
os conhecimentos sistematizados como sendo a base da instrução e do 
ensino, os objetos de assimilação e meio indispensável para o 
desenvolvimento global da personalidade; as habilidades como sendo as 
qualidades intelectuais necessárias para a atividade mental no processo de 
assimilação de conhecimentos e os hábitos como sendo os modos de agir 
relativamente automatizados que tornam mais eficaz o estudo ativo e 
independente; as atitudes e convicções se referindo a modos de agir, sentir e 
se posicionar frente a tarefas da vida social. Libâneo (1990) se refere a estes 
elementos como formadores da capacidade de conhecimento (ou cognocitiva) 
da formação dos indivíduos. 
 Outra classificação interessante é a dos Parâmetros Curriculares 
Nacionais, os PCNs (Brasil, 1997). Eles dizem que a organização dos 
conteúdos, tem sido marcada pela linearidade e pela segmentação dos 
assuntos. No entanto, para que a aprendizagem possa ser significativa é 
preciso que os conteúdos sejam analisados e abordados de modo a formarem 
uma rede de significados. A hipótese deles parte da premissa de que 
compreender é apreender o significado, e de que para apreender o significado 
de um objeto ou de um acontecimento é preciso vê-lo em suas relações com 
outros objetos ou acontecimentos; é possível dizer que a idéia de conhecer 
assemelha-se à de tecer uma teia. Tal fato evidencia os limites dos modelos 
lineares de organização curricular que se baseiam na concepção de 
conhecimento como “acúmulo” e indica a necessidade de romper essa 
linearidade. 
 Segundo os PCNs (Brasil, 1997) é importante deixar claro que, na 
escolha dos conteúdos a serem trabalhados, é preciso considerá-los numa 
Didática Geral 
 
 72 
perspectiva mais ampla, que leve em conta o papel, não somente dos 
conteúdos de natureza conceitual — que têm sido tradicionalmente 
predominantes —, mas também dos de natureza procedimental e atitudinal. 
 
Para os PCNs, os conteúdos têm de levar em conta as três dimensões: 
Conceitual, Procedimental e Atitudinal. 
 
Os conteúdos de natureza conceitual, que envolvem a abordagem de 
conceitos, fatos e princípios, referem-se à construção ativa das capacidades 
intelectuais para operar com símbolos, signos, idéias, imagens que permitem 
representar a realidade. Tal aprendizado está diretamente relacionado à 
segunda categoria de conteúdos: a de natureza procedimental. 
Os procedimentos expressam um saber fazer, que envolve tomar 
decisões e realizar uma série de ações, de forma ordenada e não aleatória, 
para atingir uma meta. Os conteúdos procedimentais sempre estão presentes 
nos projetos de ensino, pois realizar uma pesquisa, desenvolver um 
experimento, fazer um resumo, construir uma maquete, são proposições de 
ações presentes nas salas de aula. 
A terceira categoria diz respeito aos conteúdos de natureza atitudinal, 
que incluem normas, valores e atitudes, que permeiam todo o conhecimento 
escolar. A escola é um contexto socializador, gerador de atitudes relativas ao 
conhecimento, ao professor, aos colegas, às disciplinas, às tarefas e à 
sociedade. A não compreensão de atitudes, valores e normas como conteúdos 
escolares faz com que estes sejam comunicados, sobretudo de forma 
inadvertida — acabam por serem aprendidos sem que haja uma deliberação 
clara sobre esse ensinamento. 
Finalizando com esta proposta, é colocado de maneira muito importante 
que dada à diversidade existente no país, é natural e desejável que ocorram 
alterações no quadro de conteúdos proposto nos Parâmetros Curriculares 
Nacionais tendo em vista que a definição dos conteúdos a serem tratados, em 
cada sala de aula, deve considerar o desenvolvimento de capacidades 
adequadas às características sociais, culturais e econômicas particulares de 
cada localidade. 
Assim, na mesma direção dos PCNs, a definição de conteúdos é uma 
referência suficientemente aberta para técnicos e professores analisarem, 
refletirem e tomarem decisões de escolhas, em função das necessidades de 
aprendizagem de seus alunos. 
Acreditamos que a escolha de conteúdos deva ir além dos programas 
oficiais e da simples organização lógica da matéria, ligando-se às exigências 
teóricas e práticas da vida social. Tais exigências devem ser consideradas em 
três sentidos. Primeiro: a participação na prática social, no mundo do trabalho, 
da política, da cultura, requer o domínio de conhecimentos básicos e 
habilidades intelectuais, como por exemplo, a leitura, a escrita, o cálculo, a 
Didática Geral 
 
 73 
história, as ciências, à geografia, etc. Segundo: a ligação entre tudo o que se 
aprende na escola com os problemas a serem resolvidos na vida social diária. 
Terceiro: a questão do rendimento escolar dos alunos tem interferências na 
condição social de cada um. É preciso uma interferência nos conteúdos para 
que haja uma superação da desigualdade em termos de acesso e permanência 
na escola por parte de TODOS. 
Sobre os conteúdos e o livro didático temos um alerta importante para 
que o professor não venha a utilizá-lo sem uma prévia reflexão crítica a 
respeito do que ele está veiculando. Vejamos o que Libâneo (1990) diz a 
respeito: 
 
“ Ao recorrer ao livro didático para escolher os conteúdos, 
elaborar o plano de ensino e de aulas, é necessário ao 
professor o domínio seguro da matéria e bastante sensibilidade 
crítica. De um lado, os seus conteúdos são necessários e, 
quanto mais aprofundados, mais possibilitam um conhecimento 
crítico dos objetos de estudo, pois os conhecimentos sempre 
abrem novas perspectivas e alargam a compreensão do 
mundo. Por outro lado, esses conteúdos não podem ser 
tomados como estáticos, imutáveis e sempre verdadeiros. É 
preciso, pois, confrontá-los com a prática de vida dos alunos e 
com a realidade. Em certo sentido, os livros, ao expressarem o 
modo de ver de determinados segmentos da sociedade, 
fornecem ao professor uma oportunidade de conhecer como as 
classes dominantes explicam as realidades sociais e como 
dissimulam o real; e podem ajudar os alunos a confrontarem o 
conteúdo do livro com a experiência prática real em relação a 
esse conteúdo.” 
 
 Dessa forma, precisamos ter um posicionamento suficientemente capaz 
de não seguir as cegas o que diz nos livros, conhecendo a matéria de maneira 
mais aprofundada e selecionando a maneira como deve ser ensinadas aos 
alunos, para que se apropriem de maneira crítica e engajada na dinâmica da 
sociedade em toda a complexidade que ela comporta. 
 Se falamos sobre os objetivos educacionais e os correspondentes 
conteúdos, precisamos saber a maneira mais apropriada para se organizar o 
ensino aos alunos. Esse é exatamente o próximo tema a ser tratado. 
 
5.3. OS MÉTODOS DE ENSINO 
 
Podemos colocar que a alma de processo pedagógico do professor se 
encontra nesse campo. Chamamosde procedimentos, estratégias, métodos e 
técnicas para nos referirmos ao simples fato de ‘como devemos ensinar aquilo 
que queremos que nosso aluno aprenda’. Entretanto, existe uma diferença 
Didática Geral 
 
 74 
entre cada um desses termos e precisamos diferenciá-los, pois são 
complementares sem representarem o mesmo significado. 
 Segundo Piletti (2010), estratégia é uma descrição dos meios 
disponíveis pelo professor para atingir os objetivos específicos. No caso do 
método, é um caminho a seguir para se alcançar um fim, o que para o 
professor acaba por ser um roteiro geral para a atividade; é um caminho que 
leva até certo ponto, não sendo o veículo de chegada, pois este é a técnica. A 
técnica é uma forma de operacionalizar o método, como a escolha de 
diferentes formas de se aplicar o ensino, por exemplo, dinâmica de grupo, 
dramatização, etc. Já os procedimentos é a maneira de efetuar algo, consiste 
na descrição das atividades desenvolvidas pelo professor e as atividades 
desenvolvidas pelos alunos. 
 Conforme falamos, basicamente, todos esses termos, de maneira 
complementar se voltam para a maneira sobre como devemos conduzir as 
atividades para que, utilizando-se dos conteúdos de ensino, o professor possa 
atingir seus objetivos gerais e específicos, por meio de tudo que é desenvolvido 
pelos principais personagens na escola. De um lado, o professor, do outro, os 
alunos. 
 Ao professor, cabe a tarefa de direção e estímulo do processo de ensino 
em função da necessidade de aprender dos alunos, utilizando intencionalmente 
um conjunto de ações, passos, condições externas e procedimentos, a que 
podemos chamar neste texto de métodos de ensino. Para exemplificar, a 
atividade de explicação da matéria pode ser entendida como o método de 
exposição, à atividade de diálogo ou discussão com os alunos pode ser 
chamada de método de elaboração conjunta, os alunos acabam por utilizar 
métodos de assimilação de conhecimentos, assim como poderia ser dado pelo 
professor um método de resolução de problemas para os alunos. 
 A ação do professor pelos objetivos, conteúdos e métodos, terá sempre 
como suporte uma concepção pedagógica, ou seja, um posicionamento 
sociopolítico do processo educativo. Portanto, os métodos de ensino não se 
reduzem a quaisquer medidas, procedimentos e técnicas, pois se baseiam em 
uma concepção de sociedade, antes até de se constituir em passos, medidas e 
procedimentos. Fundamentam-se em formas de reflexões, ações sobre a 
realidade educacional e interna e as relações entre objetos, fatos, problemas 
dos conteúdos de ensino, vinculando a todo o momento o processo de 
conhecimento e a atividade prática humana no mundo. 
 
A ação do professor pelos objetivos, conteúdos e métodos, terá sempre como 
suporte uma concepção pedagógica, ou seja, um posicionamento sociopolítico 
do processo educativo. 
 
 O método de ensino deve implicar a visão do objeto de estudo nas suas 
propriedades e nas suas relações com outros objetos e fenômenos e sob 
Didática Geral 
 
 75 
vários ângulos, especialmente na sua implicação com a prática social, uma vez 
que a apropriação de conhecimentos se justifica na sua ligação com as 
necessidades da vida humana e com a transformação da realidade social. 
Devido a isso, os métodos de ensino dependem dos objetivos que o professor 
formula tendo em vista o conhecimento e a transformação da realidade, pois é 
por meio desse processo de transmissão e assimilação ativa dos 
conhecimentos e habilidades que a preparação de crianças e jovens adquirem 
uma compreensão mais ampla da realidade social e se tornem agentes ativos 
de transformação dessa realidade. 
 Analisando o processo de ensino, podemos destacar seu aspecto 
bilateral, em que a atividade de ensino do professor e de aprendizagem do 
aluno atual reciprocamente; o professor estimulando e dirigindo o processo em 
função da aprendizagem ativa do aluno. Os métodos é que tornam esse 
processo possível. Assim, quando é utilizada a exposição lógica da matéria, 
predomina a atividade do professor, mas sempre preocupado com a 
compreensão e assimilação por parte do aluno, suscitando sua atividade 
mental. Os métodos correspondem, desta maneira, a seqüência de atividade 
do professor e dos alunos, supondo objetivos do professor e os meios e formas 
de organização do ensino de que dispõe e, ao mesmo tempo, os objetivos dos 
alunos e a ativação das suas forças mentais. Graças à combinação dessa ação 
conjunta realiza-se o processo ensino-aprendizagem. 
 Os métodos nada significam separados dos objetivos e dos conteúdos 
de ensino. A assimilação dos conteúdos depende tanto dos métodos de ensino 
quanto dos de aprendizagem. Um importante destaque a ser feito é que o 
conteúdo de ensino não é a matéria em si, mas uma matéria de ensino, 
selecionada e preparada pedagógico e didaticamente para ser apreendida 
pelos alunos. Por isso, não basta transmitir a matéria! É preciso considerar que 
tudo está determinado pelos aspectos político-pedagógicos, lógicos e 
psicológicos, o que implica considerar a relação de subordinação dos métodos 
aos objetivos gerais e específicos. Os objetivos devem expressar não somente 
a antecipação dos nossos propósitos em relação ao desenvolvimento e 
transformação da personalidade dos alunos frente às exigências individuais e 
sociais, como também os princípios pedagógicos dos conteúdos. Os métodos, 
portanto, são as formas pelas quais os objetivos e conteúdos procuram se 
manifestar no processo de ensino. 
 
Os métodos, portanto, são as formas pelas quais os objetivos e conteúdos 
procuram se manifestar no processo de ensino. 
 
 Libâneo (1990), explicando sobre a utilização de métodos ativos defende 
que, ao invés de adotar a máxima ‘aprender fazendo’, deve adotar a do 
‘aprender pensando naquilo que faz’. E, para isso, sugere algumas 
recomendações práticas em relação a esse princípio que vale ser trazido aqui: 
Didática Geral 
 
 76 
 
 Esclarecer os alunos sobre os objetivos da aula e sobre a importância 
dos novos conhecimentos para a seqüência dos estudos, ou para 
atender necessidades futuras; 
 Provocar a explicitação da contradição entre idéias e experiências que 
os alunos possuem sobre um fato ou objeto de estudo e o 
conhecimento científico sobre esse fato ou objeto de estudo; 
 Criar condições didáticas nas quais os alunos possam desenvolver 
métodos próprios de compreensão e assimilação de conceitos e 
habilidades (explicar como resolveu um problema, tirar conclusões 
sobre dados da realidade, fundamentar uma opinião, seguir regras para 
desempenhar uma tarefa etc.); 
 Estimular os alunos a expor e defender pontos de vista, conclusões 
sobre uma observação ou experimento e a confrontá-los com outras 
opiniões; 
 Formular perguntas ou propor tarefas que requeiram a exercitação do 
pensamento e soluções criativas; 
 Criar situações didáticas (discussões, exercícios, provas, conversação 
dirigida etc.) em que os alunos possam aplicar conteúdos a situações 
novas ou a problemas do meio social; 
 Desenvolver formas didáticas variadas de aplicação do método de 
solução de problemas. 
 
 Pode-se dizer que dispensa comentários o fato de que o professor 
PRECISA fazer seus alunos pensarem e não apenas memorizarem palavras, 
fórmulas ou expressões. A compreensão deve vir sempre em primeiro lugar, 
por isso é tão importante, quanto essencial o professor se basear nos 
conhecimentos prévios de seus alunos, a fim de estabelecer um processo mais 
coerente com a realidade destes. 
 Há inúmeras classificações de métodos de ensino, conforme os critérios 
de cada autor. Adotaremos avisão de Libâneo (1990), pois é a que mais está 
de acordo com o que foi dito até aqui. Em função disso, podemos classificar os 
métodos de ensino segundo os seus aspectos externos – método de exposição 
pelo professor, método de trabalho relativamente independente do aluno, 
método de elaboração conjunta (ou de conversação) e método de trabalho em 
grupos – e seus aspectos internos – passos ou funções didáticas e 
procedimentos lógicos e psicológicos de assimilação da matéria. 
 No Método de exposição pelo professor ou aula expositiva, os 
conhecimentos, habilidades e tarefas são apresentadas, explicadas ou 
demonstradas pelo professor, tendo os alunos a necessidade da atitude 
receptiva. O professor expõe por meio da lógica a matéria, buscando provocar 
a reflexão nos alunos e tentando combinar outros procedimentos, como o 
Didática Geral 
 
 77 
trabalho independente, a conversação e o trabalho em grupo. Deve ser 
utilizado apenas quando não é possível prover a relação direta do aluno com o 
conhecimento. 
 No Método de trabalho independente os alunos fazem tarefas, 
dirigidas e orientadas pelo professor, para que possam resolvê-las de modo 
relativamente independente e criador. Pressupõe determinados 
conhecimentos, compreensão de tarefas e do seu objetivo, o domínio do 
método de solução, de modo que os alunos possam aplicar conhecimentos e 
habilidades sem a orientação direta do professor. Pode ser desenvolvido em 
três etapas: na tarefa preparatória os alunos devem escrever o que pensam 
sobre o assunto tratado, colhendo dados e observações, respondendo um 
breve questionário ou teste, fazendo uma redação sobre um tema; dessa forma 
verifica-se os conhecimentos prévios dos sujeitos. A segunda são tarefas de 
assimilação do conteúdo que consiste em exercícios de aprofundamento e 
aplicação dos temas tratados, estudo dirigido, solução de problemas, pesquisa 
com base em um problema novo, leitura do texto do livro, desenho de mapas 
depois de uma aula de Geografia etc. A terceira são as tarefas de elaboração 
pessoal que são exercícios nos quais os alunos produzem respostas surgidas 
do seu próprio pensamento. O modo prático de solicitar esse tipo de tarefa é 
fazer uma pergunta ao aluno que o leve a pensar: o que aconteceria se..., o 
que devemos fazer quando..., o aluno também pode relatar o que viu ou 
observou (uma planta, um animal, uma experiência, um estudo do meio, etc.). 
 Libâneo (1990) sugere o cumprimento de alguns pré-requisitos para que 
o trabalho independente cumpra sua função didática. O professor precisa: 
 
 Dar tarefas claras, compreensíveis e adequadas, à altura dos 
conhecimentos e da capacidade de raciocínio dos alunos; 
 Assegurar condições de trabalho (silêncio, local, material disponível 
etc.); 
 Acompanhar de perto (às vezes individualmente) o trabalho; 
 Aproveitar o resultado das tarefas para toda a classe. 
 
Aos alunos, Libâneo (1990) diz que eles devem: 
 
 Saber precisamente o que fazer e como trabalhar; 
 Dominar as técnicas do trabalho (como fazer a leitura de um texto, como 
utilizar o dicionário ou a enciclopédia, como utilizar o atlas, como fazer 
uma observação ou um experimento de um fenômeno, como fazer um 
esquema ou um resumo, como destacar idéias principais e idéias 
secundárias etc.) 
Didática Geral 
 
 78 
 Desenvolver atitudes de ajuda mútua não apenas para assegurar o 
clima de trabalho na classe, mas também para pedir ou receber auxílio 
dos colegas. 
 
 Outro método interessante é o da Elaboração Conjunta que é uma 
forma de interação ativa entre o professor e os alunos visando à obtenção de 
novos conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções, bem como a fixação 
e consolidação de conhecimentos e convicções já adquiridos. A forma mais 
típica desse método é a conversação didática ou aula dialogada. Mas a 
conversação é algo mais, é pautado numa conversa aberta com a contribuição 
do professor e dos alunos, com a pergunta tendo sido preparada 
cuidadosamente para que seja compreendida pelo aluno, iniciada com um 
pronome interrogativo correto (o quê, quando, quanto, por quê etc.) e deve 
estimular uma resposta pensada e não simplesmente sim ou não. Por exemplo: 
Como podemos distinguir as aves dos mamíferos? Por que uma planta germina 
e cresce? São perguntas que vão além de uma resposta simples. 
 O Método de trabalho em grupo consiste basicamente em distribuir 
temas de estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis, compostos de 
3 a 5 alunos. São sempre de caráter transitórios, ou seja, empregados 
eventualmente, conjugados com outros métodos de exposição e de trabalho 
independente. A principal finalidade é obter cooperação dos alunos entre si na 
realização da tarefa, por isso exige-se que seja precedida de uma exposição, 
conversação introdutória e instruções claras. 
 
SAIBA MAIS 
Faça uma pesquisa diferenciando outras formas de trabalho em grupo, como 
Debate, Philips 66, Tempestade Mental, Grupo de Verbalização-Grupo de 
Observação (GV-GO) e Seminário. 
 
 Um método interessante é denominado como Atividades Especiais que 
são aquelas que complementam os métodos de ensino e que correspondem 
para a assimilação ativa dos conteúdos, como por exemplo: estudo do meio, o 
jornal escolar, a assembléia de alunos, o museu escolar, o teatro, a biblioteca 
escolar etc. 
 Para que se escolha o melhor método, sempre leve em conta: sua 
experiência na matéria a ser ensinada, características dos alunos, o tempo 
disponível para o trabalho pedagógico, condições físicas e a estrutura do 
assunto e tipo de aprendizagem envolvida. 
 Não há mágicas, a escolha de uma forma de trabalhar exige muita 
reflexão, comprometimento e visão. É necessário que o professor seja sensível 
a todos os fatores que interferem na aprendizagem dos alunos e visualize seu 
trabalho antes mesmo que ele seja executado. Sem isso, corre-se o risco de 
Didática Geral 
 
 79 
um ativismo mal planejado que pode ser enfadonho tanto para os alunos 
quanto para o professor. 
Para uma visão mais categorizada, dentro do que falamos e outros que 
ainda não falamos, vamos a descrição de alguns tipos conhecidos de método e 
técnica: 
 Tradicionais – exigem um comportamento passivo do aluno e 
envolvem: 
 
 Aulas expositivas - técnica mais tradicional de ensino, como a cópia, o 
ditado e a leitura, ainda é muito útil e necessária. Hoje, no entanto, só é 
viável quando o professor assume a posição de diálogo. A posição 
dogmática (mensagem não pode ser contestada) não é mais aceita; 
 
 Perguntas e respostas - enriquece a aula expositiva. O professor dirige 
perguntas aos alunos sobre o que estudaram ou sobre a sua 
experiência. O objetivo não é julgar ou atribuir notas, mas estimular a 
participação. Os alunos também podem perguntar e o professor 
responder, com uma variação onde quem não sabe interroga quem 
sabe. Torna a aula expositiva menos individualizada; 
 
 
 
 
 
 Novos ou Ativos – dá grande destaque à vida social do aluno como 
fator fundamental para o seu desenvolvimento intelectual e moral e 
envolvem os seguintes métodos e técnicas: 
 
 Montessori – centrado no aluno, baseia-se nos princípios da liberdade, 
atividade, vitalidade e individualidade, que se resumem na auto-
educação. Em um ambiente apropriado, as necessidades interiores dos 
alunos de cada grau de desenvolvimento o impulsionam a aprender. O 
professor deve ser substituído pelo material didático, que corrige-se a si 
mesmo e permite que o aluno eduque-se a si mesmo, o que deve ser 
recompensado com um “parabéns” ou “ muito bem”; 
 
 Centros de interesse – leva em contaa evolução natural dos interesses 
do aluno. Inicialmente, uma criança só se interessa por si mesma, 
depois por sua família e sua casa, e finalmente progride para círculos de 
interesse cada vez mais amplos, até atingir os problemas da 
As técnicas mais utilizadas são as tradicionais, basicamente a aula 
expositiva, eventualmente enriquecida com perguntas e respostas, mas 
há outras técnicas que podem ser utilizadas. 
Didática Geral 
 
 80 
humanidade. Procura fazer com que o aluno se interesse agora por 
aquilo que ele vai necessitar mais tarde; 
 
 Unidades didáticas – aqui, o ensino é desenvolvido através de unidades 
amplas, significativas e coesas, superando as limitações do ensino 
através de informações isoladas e estanques (lições, pontos...). Tem 
como objetivo primordial a integração das diferentes matérias. Uma 
variante sua é o método das unidades de experiência; 
 
 Trabalho em grupo – oferece ao aluno a oportunidade de trocar idéias e 
opiniões, desenvolvendo a prática da convivência social. A formação dos 
grupos pode ser espontânea ou dirigida. O método visa completar e 
enriquecer conhecimentos, enriquecer experiências, atender a 
diferenças individuais, treinar a capacidade de liderança e aceitação, e 
desenvolver o senso crítico, a criatividade e o espírito de cooperação; 
 
 Solução de problemas – considera que ensinar é apresentar problemas 
e aprender, resolvê-los. O problema deve estimular o pensamento 
reflexivo na busca de uma solução satisfatória, uma vez que o hábito 
resolve situações rotineiras, já o pensamento reflexivo, as situações 
novas; 
 
 Método de projetos – se propõe a transformar as atitudes dos alunos, 
convertendo-os em seres ativos que concebem, preparam e executam o 
próprio trabalho. A tarefa do professor é dirigi-los, sugerir-lhes idéias 
úteis e auxiliá-los quando necessário. Assemelha-se ao método de 
solução de problemas, mas é mais amplo, pois aquele possui um caráter 
intelectual e este envolve atividades manuais, estéticas, sociais e 
intelectuais. Todo projeto é um problema, mas nem todo problema é um 
projeto; 
 
 Psicogenético – criado por Jean Piaget, biólogo e filósofo suíço, prega 
que o pensamento é a base em que se assenta a aprendizagem, a 
maneira da inteligência manifestar-se. Esta, por sua vez, é um fenômeno 
biológico sujeito à maturação do organismo, a novas estruturas mentais, 
e não a aumento de conhecimentos. O desenvolvimento do pensamento 
da criança se realiza através de etapas: sensório-motor, objetivo-
simbólico, operatório concreto e operatório formal; 
 
 Estudo dirigido – se fundamenta no princípio de que o professor não 
ensina, ajuda o aluno a aprender. Parte sempre da utilização de um 
texto, solicitando tarefas como sínteses, citação dos principais fatos, 
Didática Geral 
 
 81 
divisão dos textos em partes principais, extração das idéias principais, 
resumos etc.; 
 
 Fichas didáticas – consiste em colocar à disposição do aluno, na sala de 
aula, fichas necessárias ao estudo de um determinado conteúdo. Inclui 
fichas de noções (conceitos a serem ensinados), de exercício (questões 
sobre o conteúdo apresentado) e de correção (respostas 
correspondentes às questões apresentadas); 
 
 Instrução programada – aqui, o comportamento desejado é fixado pela 
recompensa. Enfatiza-se a importância de uma definição precisa do que 
o aluno deverá aprender e dos materiais a serem utilizados, para que o 
aluno aprenda exatamente o que se quer que ele aprenda. A matéria é 
desdobrada em pequenas informações e o seu acerto ou erro é 
conhecido imediatamente; 
 
Você deve estar se perguntando: como decidir que método ou técnica 
utilizar? 
A resposta é: depende dos seguintes fatores: 
 Dos objetivos educacionais; 
 Da experiência didática do professor; 
 Do tipo de aluno; 
 Das condições físicas da sala de aula; 
 Do tempo disponível; 
 Da estrutura do assunto e tipo de aprendizagem a ser desenvolvido. 
 
SAIBA MAIS 
Conhecer, selecionar e planejar é uma tarefa constante do professor, mas 
exige bastante conhecimento do que existe disponível nos dias de hoje. 
Procure aprofundar o conhecimento dos métodos citados, de maneira a 
conhecê-los mais profundamente. Você perceberá que eles ficarão cada vez 
mais acessíveis e práticos no seu cotidiano. Mas, para isso, leia mais a esse 
respeito. 
 
 
RESUMO 
As etapas ou componentes do planejamento são: Objetivos, Conteúdos 
e Procedimentos, recursos e avaliação. 
Por serem educacionais, os objetivos são hábitos, conhecimentos, 
comportamentos que devem ser adquiridos dentro de uma cultura, dando 
possibilidades de adaptação e condições de pensar, refletir e interferir nesta 
cultura. Há dois tipos de objetivos a serem determinados: os objetivos gerais – 
Didática Geral 
 
 82 
de longo prazo – e os objetivos específicos – de curto prazo. 
Os objetivos gerais são aqueles previstos para determinado ciclo ou 
grau de ensino, como por exemplo, ao final do ensino fundamental, ou do 
ensino médio, ou até mesmo, neste caso em menos tempo, ao final de um ano 
de trabalho, como por exemplo, ao final da 5ª série. Os objetivos específicos 
são os definidos para uma disciplina, uma unidade de ensino ou apenas uma 
aula. São elaborados como constituintes ou partes do objetivo geral e, devem 
proporcionar gradativamente e indiretamente o alcance deste. 
Os conteúdos são tudo aquilo que se ensina para os alunos. Quanto à 
divisão em elementos dos conteúdos de ensino, temos várias classificações. 
Entretanto, duas se destacam dentre as utilizadas pelos teóricos da Didática e 
da Pedagogia. Uma delas é a de Libâneo (1990), que divide entre os 
conhecimentos sistematizados; as habilidades e os hábitos; as atitudes e 
convicções. A segunda é dos PCNs (Brasil, 1997) cuja qual, na escolha dos 
conteúdos a serem trabalhados, é preciso considerá-los numa perspectiva 
mais ampla, que leve em conta o papel, não somente dos conteúdos de 
natureza conceitual — que têm sido tradicionalmente predominantes —, mas 
também dos de natureza procedimental e atitudinal. 
A estratégia é uma descrição dos meios disponíveis pelo professor 
para atingir os objetivos específicos. No caso do método, é um caminho a 
seguir para se alcançar um fim, o que para o professor acaba por ser um 
roteiro geral para a atividade; é um caminho que leva até certo ponto, não 
sendo o veículo de chegada, pois este é a técnica. A técnica é uma forma de 
operacionalizar o método, como a escolha de diferentes formas de se aplicar o 
ensino, por exemplo, dinâmica de grupo, dramatização, etc. Já os 
procedimentos é a maneira de efetuar algo, consiste na descrição das 
atividades desenvolvidas pelo professor e as atividades desenvolvidas pelos 
alunos. 
Há inúmeras classificações de métodos de ensino, conforme os critérios 
de cada autor. Existem: o método de exposição pelo professor ou aula 
expositiva, método de trabalho independente, a elaboração conjunta, o método 
de trabalho em grupo, as atividades especiais, perguntas e respostas, e 
alguns consagrados métodos, como Montessori, Centros de interesse, 
Unidades didáticas, Solução de problemas, Método de projetos, Psicogenético 
– criado por Jean Piaget, Estudo dirigido, Fichas didáticas, Instrução 
programada, etc. 
Para a seleção dos métodos mais interessantes, cabe ao professor 
mais aprofundamento teórico naqueles disponíveis atualmente, assim como as 
características de tudo que envolve o contexto educacional ocupado. 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 83 
Exercícios 
 
1) Quais os principais detalhes da forma de escrever os objetivos,tanto 
gerais quanto específicos? 
 
(a) Escolher características, saber escrevê-los e ter uma boa 
organização. 
(b) Lembrar que estamos falando das capacidades que terão ao final do 
processo; utilizar sempre um verbo no infinitivo; lembrar que deve se 
referir sempre aos comportamentos dos alunos, nunca do professor. 
(c) Não se explica como se escreve os objetivos, como forma de não 
desestimular a criatividade do professor. 
(d) Escrever claramente e encaixar com o plano dos outros professores. 
(e) Selecionar habilidades, capacidades e o que mais o professor for 
desenvolver. 
 
2) O que são os conteúdos, segundo a definição de Libâneo? 
 
(a) São o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos 
e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo 
em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos de sua prática de vida. 
(b) São as principais formas de atividade mental dadas pelo professor. 
(c) São todas os objetivos educacionais e seu método de ensino. 
(d) São apenas as matérias dadas nos livros e nada mais. 
(e) São as formas que se escolhe para ensinar algo pelo professor. 
 
3) Qual a diferença entre Método e Procedimentos? 
 
(a) Método é a maneira de efetuar algo, procedimentos é um caminho a 
seguir para se alcançar um fim. 
(b) Método é uma descrição dos meios disponíveis pelo professor para 
atingir os objetivos específicos, procedimentos é o que para o professor 
acaba por ser um roteiro geral para a atividade. 
(c) Método é uma forma de operacionalizar o método, procedimentos é 
um caminho que leva até certo ponto, não sendo o veículo de chegada, 
pois este é a técnica. 
(d) Método é um caminho a seguir para se alcançar um fim, 
procedimentos é a maneira de efetuar algo. 
(e) Método é um jeito de trabalhar, procedimentos é a forma de 
organizar todo o percurso de planejamento. 
 
 
 
Didática Geral 
 
 84 
 
Resolução dos Exercícios 
 
1) I - Como parte da intenção da modificação das capacidades dos alunos, 
deve-se deixar guiar pela seguinte frase: Ao final da aula, os alunos 
serão capazes de...; II - Decorrente da regra anterior podemos perceber 
que o que encaixa melhor na frase acima é um verbo no infinitivo, 
como por exemplo: falar, analisar, explicar, desenvolver, aprender, etc. 
III - Os objetivos sempre se referem aos alunos, conforme a frase diz, 
‘que eles sejam capazes’. 
 
Resposta correta: 
 
(b) Lembrar que estamos falando das capacidades que terão ao final do 
processo; utilizar sempre um verbo no infinitivo; lembrar que deve se 
referir sempre aos comportamentos dos alunos, nunca do professor. 
 
2) “Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, 
modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e 
didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos de 
sua prática de vida. Englobam, portanto: conceitos, idéias, fatos, processos, 
princípios, leis científicas, regras; habilidades cognoscitivas, modos de 
atividade, métodos de compreensão e aplicação, hábitos de estudo, de 
trabalho e de convivência social; valores, convicções, atitudes. São expressos 
nos programas oficiais, nos livros didáticos, nos planos de ensino e de aula, 
nas aulas, nas atitudes e convicções do professor, nos exercícios, nos métodos 
e formas de organização do ensino.” Libâneo (1990) 
 
Resposta correta: 
 
(a) São o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos 
e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo 
em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos de sua prática de vida. 
 
3) Segundo Piletti (2010), método é um caminho a seguir para se alcançar 
um fim, o que para o professor acaba por ser um roteiro geral para a 
atividade; é um caminho que leva até certo ponto, não sendo o veículo 
de chegada, pois este é a técnica. Já os procedimentos é a maneira de 
efetuar algo, consiste na descrição das atividades desenvolvidas pelo 
professor e as atividades desenvolvidas pelos alunos. 
 
Resposta correta: 
 
Didática Geral 
 
 85 
(d) Método é um caminho a seguir para se alcançar um fim, 
procedimentos é a maneira de efetuar algo. 
 
6. OS RECURSOS E A AVALIAÇÃO DO ENSINO 
 
Completando os componentes do processo pedagógico, somam-se aos 
objetivos, conteúdos e métodos já devidamente explicados no tópico anterior, 
os recursos e a avaliação de todo o percurso. Para que se execute um bom 
ensino, se faz necessário, além de estabelecer metas a serem alcançadas 
(objetivos), escolher o que será ensinado (conteúdos) e como será ensinado, 
na montagem do processo de ensino e na escolha do método, os professores 
devem recorrer aos recursos de ensino que, se bem utilizados, podem auxiliar 
na motivação dos alunos, ajudar a compreender o que está sendo explicado, 
ajudar a fixar um conteúdo ou até se aproximar da realidade fora das escolas. 
 Além disso, seria inconcebível um professor não se preocupar se seu 
trabalho está dando certo, se o que ele estabeleceu como o que deve ser 
aprendido foi realmente aprendido, se o aproveitamento da classe foi 
satisfatório, qual processo teve maior êxito e o que talvez precise ser 
melhorado. Estamos falando da avaliação. 
 Vejamos como funciona o emprego dos recursos e da avaliação nesse 
processo educativo. 
 
6.1. OS DIFERENTES RECURSOS 
 
Piletti (2010) define os recursos de ensino como componentes do 
ambiente da aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno. Esses 
componentes podem ser o professor, os livros, os mapas, os objetos físicos, as 
fotografias, os CDs, as gravuras, os filmes, os recursos da comunidade, os 
recursos naturais etc. 
Vários autores definem diferentemente uma classificação de recursos, 
pois não há consenso. Vamos a uma classificação tradicional adotada por 
Piletti (2010): 
 
 Recursos visuais: projeções, cartazes, gravuras, etc. 
 Recursos auditivos: rádio, gravações, etc. 
 Recursos audiovisuais: cinema, televisão, etc. 
 
Podemos incluir também duas outras formas de recursos. Os recursos 
humanos, incluindo professor, alunos, pessoal escolar, comunidade, etc. e os 
recursos materiais que podem ser: do ambiente, como os naturais (água, folha, 
pedra, etc.) e escolar (quadro, giz, cartazes, etc.); e da comunidade 
(bibliotecas, indústrias, lojas, repartições públicas, etc.). 
Didática Geral 
 
 86 
 Podemos citar inúmeros benefícios da utilização de recursos para o 
ensino. Vamos a alguns: para motivar e despertar o interesse dos alunos, para 
favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação, para aproximar os 
alunos da realidade, para visualizar ou concretizar os conteúdos da 
aprendizagem, para oferecer mais informações e dados, para permitir a fixação 
da aprendizagem, para ilustrar noções mais abstratas, para desenvolver a 
experimentação concreta, etc. 
 Para que realmente sejam bem utilizados e cumpram sua função 
educativa, são necessárias algumas observações importantes. Vamos a elas: 
 
I. Quando utilizamos um recurso de ensino devemos ter em vista os 
objetivos que deverão ser alcançados e não porque a utilização daquele 
recurso esta na moda. 
II. Da mesma forma, não se deve utilizar algo que não se conhece, pois 
não saberíamos aproveitá-lo adequadamente, assim como ganhar a 
desconfiança por parte dos alunos. 
III. Para que seja eficaz a utilização de recursos existe a dependência da 
interação entre eles e os alunos. Por esta razão deve-se estimular os 
comportamentos que aumentem a receptividade deles, como a atenção, 
a percepção,o interesse, a participação ativa, etc. 
IV. É imprescindível a atenção sobre as características dos próprios 
recursos com relação às funções que possa exercer no processo 
ensino-aprendizagem. A função de um cartaz, por exemplo, é diferente 
da do álbum seriado. 
V. Ao escolher os recursos, leve em conta a natureza da matéria a ser 
ensinada. Algumas matérias exigem maior utilização de recursos 
audiovisuais do que outras. Português, por exemplo, exige mais 
recursos audiovisuais do que a Matemática. 
VI. Prestar atenção às condições ambientais pode facilitar, uma vez que a 
inexistência de uma tomada de energia elétrica exclui inúmeras opções 
de recursos, como retroprojetores, computador, projetor de slides, 
filmes, etc. 
VII. A questão do tempo disponível é outro importante elemento a ser 
considerado. Alguns tipos de recursos exigem mais tempo, e nem 
sempre se dispõe de todo o tempo necessário, o que exige talvez uma 
mudança para outros recursos que não necessitam de tanto tempo para 
serem aproveitados. 
 
Os recursos audiovisuais, cujos quais estimulam simultaneamente a 
visão e a audição podem colaborar para aproximar a aprendizagem de 
situações reais da vida. Principalmente hoje, quando as crianças já nascem 
com uma imensidão de informações vindas da TV, computadores, celulares e 
rádios, graças ao desenvolvimento tecnológico. 
Didática Geral 
 
 87 
Entretanto, ainda que possamos contar com tantos recursos, não 
podemos descuidar dos perigos que estes possam nos oferecer. Vejamos 
alguns importantes recursos e que tipo de riscos eles podem trazer junto deles. 
Vamos falar primeiramente da internet, pois é um dos recursos mais utilizados. 
Depois falaremos sobre a TV e os Filmes e a utilização de músicas. 
A internet, por exemplo, passa a ser uma porta de entrada para tudo 
que a sociedade pode nos oferecer. Existem muitas coisas boas, como toda a 
gama de informações que ela nos oferta, mas junto a isso existem hackers8 
que tentam invadir, via rede, o computador de outras pessoas em busca de 
informações pessoais para levar vantagens. Também existe, como outro fator 
agravante, muita pornografia circulando pelos sites, existem pessoas mal 
intencionadas nas redes sociais (Orkut, Facebook, etc.). 
Muitos professores ainda pedem trabalhos para pesquisa na internet e 
não se atentam ao fato de que muitos alunos apenas imprimem as páginas 
pesquisadas sem nem ao menos ter lido sobre o assunto, não aprendendo 
absolutamente nada. É importante que o professor tenha refletido sobre o que 
pedir a seus alunos no que se refere ao uso da internet. Sugerimos que seja 
pedido algo que reflita a respeito de algum assunto, com base em algum texto 
encontrado na internet, ou até mesmo livros, artigos científicos, etc. Assim, o 
aluno terá de ler para que, com suas próprias palavras possam discorrer sobre 
o assunto. Somente dessa maneira eles poderão aprender algo com esse tipo 
de recurso. 
 
Ao pedir trabalho de pesquisas, utilizando a internet, faça de uma 
maneira que exija uma reflexão, evitando cópias impressas pelo aluno, 
sem ao menos ler o que está entregando. 
 
Sobre a TV e os Filmes, é uma fonte riquíssima para aprender mais 
sobre o mundo, além de ser, para alguns, muito mais motivante do que a leitura 
de livros. Um aluno pode aprender sobre um determinado assunto assistindo 
na TV, como no caso de documentários, programas educativos, etc. No 
entanto, o professor deve preparar o aluno para saber como se envolver com o 
 
8
 Originalmente, e para certos programadores, hackers (singular: hacker) são indivíduos que elaboram e 
modificam software e hardware de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas, seja 
adaptando as antigas. Originário do inglês, o termo hacker é utilizado no português. Os hackers utilizam 
todo o seu conhecimento para melhorar softwares de forma legal. Eles geralmente são de classe média 
ou alta, com idade de 12 a 28 anos. Além de a maioria dos hackers serem usuários avançados de 
Software Livre como os BSD Unix (Berkeley Software Distribution) e o GNU/Linux. A verdadeira 
expressão para invasores de computadores é denominada Cracker e o termo designa programadores 
maliciosos e ciberpiratas que agem com o intuito de violar ilegal ou imoralmente sistemas cibernéticos. 
Figura 1 - A internet é um dos recursos mais utilizados nos dias de hoje. Entretanto, merece muita 
atenção por tudo que é possível de se fazer com esse recurso. Fonte: Clip-art Microsoft Word 2007. 
Didática Geral 
 
 88 
recurso, como por exemplo, dar ao aluno uma aula introdutória antes dele 
tentar se envolver com o assunto apenas assistindo ao programa televisivo. No 
caso dos filmes, muitos professores pedem para que um aluno assista um 
determinado filme para que possa entender algum conceito, uma idéia, uma 
forma de preconceito, etc. Entretanto, caso o professor não discuta sobre os 
assuntos antes e depois de os alunos assistirem o filme, o assunto pode não 
ser assimilado, ou mal assimilado, até mesmo ser interpretado de maneira 
completamente equivocada. Por exemplo, digamos que o professor queira que 
seus alunos compreendam mais sobre a questão do preconceito racial e peça 
para que seus alunos assistam ao filme ‘Mississipi em Chamas’9 de 1988. Os 
alunos podem, de repente, interpretarem que é normal o tratamento dado aos 
negros naquele filme, o que é exatamente o oposto que o deveriam ter 
interpretado. O mesmo acontece com filmes de violência e uso de drogas, que 
devem ter um tratamento bem minucioso para que os alunos compreendam 
que a violência deve ser sempre repudiada e que o uso de drogas é 
extremamente nocivo e degradante para a saúde das pessoas, além de incitar 
mais violência e a marginalidade. 
Portanto, como podemos perceber, os recursos, mesmo sendo 
extremamente interessantes e avançados, devem ser utilizados com toda 
cautela possível, para que possam servir a favor da aprendizagem que o 
professor quer promover em seus alunos e não que seja uma coisa contrária 
ao que foi planejado. 
Outra importante recomendação que recai sobre a questão dos filmes é 
sobre o aspecto erótico. Caso os filmes tenham alguma cena erótica, e o 
professor deve tê-lo assistido antes, precisa verificar se é realmente digno de 
ser assistido, ou se trará problemas com os pais dos alunos, uma vez que a 
formação moral e religiosa de alguns pais proíbe a menor manifestação de 
qualquer coisa que se refira à sexualidade. Portanto, o bom senso deve ser a 
arma do professor para que não tenha problemas ou repercussões negativas 
de seu trabalho. 
O mesmo acontece no caso do recurso da música, que tem sido muito 
utilizada pelos professores. Muitos alunos chegam à escola ouvindo música no 
celular e outros aparelhos eletrônicos. Entretanto, apesar do gosto musical 
deles, o professor deve ter muita cautela com o aproveitamento do estilo 
musical predileto da turma, pois se fizer menções a conteúdos eróticos, vão 
recair nos mesmos problemas mencionados sobre os filmes acima. Já tive 
muitos casos relatados sobre este tipo de problema, contando sobre as 
coreografias ensinadas e das músicas utilizadas, cujos pais alegavam que os 
professores estavam induzindo seus filhos ao gosto pelo erotismo e pela 
 
9
 Mississipi, 1964. Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), dois agentes do FBI, 
investigam a morte de três militantes dos direitos civis em uma pequena cidade onde a segregação 
divide a população em brancos e pretos e a violência contra os negros é uma tônica constante. 
Didática Geral 
 
 89 
manifestaçãode sua sexualidade. Para evitar constrangimentos ou desgastes, 
vale a pena se atentar a isso. 
Não podemos, entretanto, generalizar a utilização da música como algo 
negativo. Ao contrário, pois ela tem sido utilizada, inclusive, para se contar 
histórias, interiorizar conteúdos complexos, etc. modificando as letras originais 
e readaptando com os conteúdos a serem ensinados. 
 Na Educação Infantil ela é muito utilizada e, sempre muito bem aceita 
pelos alunos, por terem ritmos motivantes e contagiantes. Geralmente, a 
utilização de aparelhos de som vem crescendo, trazendo um pouco mais do 
que se utiliza como entretenimento para a educação nas escolas. Isso é muito 
bom, pois devemos trazer para a escola todos os recursos que podemos 
encontrar na vida social a fora. 
 
SAIBA MAIS 
Procure pesquisar mais sobre a utilização de recursos e suas vantagens. 
Procure notar como é grande o número de possibilidades e faça visualizações 
e esquematizações de como poderiam ser suas aulas com a utilização destes. 
Assista ao filme Escola da Vida (2005) e tente observar quantos e quais 
recursos o professor utiliza para promover a aprendizagem de seus alunos. 
 
6.2. A QUESTÃO DA AVALIAÇÃO 
 
“A avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do 
trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o 
processo de ensino e aprendizagem. Através dela, os 
resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho 
conjunto do professor e dos alunos são comparados com os 
objetivos propostos, a fim de constatar progressos, 
dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções 
necessárias. A avaliação é uma reflexão sobre o nível de 
qualidade do trabalho escolar tanto do professor como dos 
alunos. Os dados coletados no decurso do processo de ensino, 
quantitativos ou qualitativos, são interpretados em relação a um 
padrão de desempenho e expressos em juízos de valor (muito 
bom, bom, satisfatório etc.) acerca do aproveitamento escolar.” 
Libâneo (1990) 
 
 A avaliação é muito mais complexa e interessante do que uma simples 
aplicação de provas e a atribuição de notas por parte dos professores. Ao 
contrário da forma punitiva que ela vem sendo utilizada, penalizando os alunos 
pelo fracasso do processo ensino-aprendizagem, ela deve proporcionar uma 
visão geral do trabalho em conjunto, sendo professor e alunos responsáveis 
por conseguirem alcançar os resultados almejados para aquele trabalho 
educativo. 
Didática Geral 
 
 90 
 Não cabe apenas ao professor querer ensinar, se os alunos não 
quiserem aprender. Da mesma forma, não basta os alunos quererem aprender, 
se o professor não desenvolver um ensino eficiente e eficaz. Ambos são 
responsáveis pelo trabalho educativo, tendo de serem cúmplices do processo 
que depende de ambos para funcionar. 
 Muitos professores colocam a avaliação como uma espécie de momento 
para devolverem aos alunos o resultado do desinteresse que eles 
demonstraram ao longo do percurso, fazendo com que uma prova difícil e as 
baixas notas sejam uma forma de lição, para que eles mudem seu 
comportamento e comecem a dar mais valor ao processo de ensino. 
 Entretanto, caso este professor preste mais atenção a este tipo de 
atitude, ele pode perceber que isso, além de não resolver o problema da falta 
de comprometimento dos alunos, irá fazer com que o processo todo demonstre 
ter falhado, pois nem o professor conseguiu ensinar e, tampouco os alunos 
aprenderam. Seria um enorme e precioso ‘tempo desperdiçado’. 
 Se há algum problema no processo de ensino e aprendizagem, isso não 
deveria de nenhuma maneira ter reflexos na avaliação, como se fosse a hora 
da vingança do professor, pois criará uma relação problemática entre o 
professor e os alunos e, pior do que isso, não resultará em aprendizagem 
alguma, apenas uma intriga desnecessária. 
 Os professores e os alunos precisam estar muito conscientes de que 
devem ir para a mesma direção. O professor se empenhando de todas as 
formas para conseguir ensinar e aos alunos compete todo o empenho possível 
para aprender. Ambos poderão ganhar com esse processo, principalmente em 
satisfação do dever cumprido, por parte do professor e dos alunos. 
A avaliação tem passado, ao longo dos anos, por sucessivas 
transformações. Mesmo assim, o processo avaliativo continua tendo sua 
complexidade no contexto educacional. 
O processo de ensino e aprendizagem requer momentos de reflexão, 
parada e retomada das atividades. Essas “paradas” possibilitam um espaço 
para que os alunos, individualmente ou em grupos, possam utilizar o conjunto 
de conhecimentos apreendidos para criar, questionar, sugerir, procurar novas 
formas de aplicar o saber, enfim, mostrar as transformações que o novo saber 
lhes proporcionou. Durante todo o processo, a avaliação deve estar presente, 
formulando juízos sobre os diferentes elementos que configuram o caminho da 
atividade pedagógica. Assim, devem ser avaliados não só os alunos, mas o 
professor, o cotidiano desenvolvido, os recursos utilizados, os objetivos e a 
metodologia, bem como outros elementos. 
Luckesi (2000) define avaliação como: “o ato crítico que nos subsidia na 
verificação de como estamos construindo o nosso projeto educacional. A 
avaliação da aprendizagem é como um ato amoroso, no sentido de que a 
avaliação, por si, é um ato acolhedor, integrativo, inclusivo. É necessário 
distinguir avaliação de julgamento. O julgamento é um ato que distingue o certo 
Didática Geral 
 
 91 
do errado, incluindo o primeiro e excluindo o segundo. A avaliação tem por 
base acolher uma situação, para, (e só então), ajuizar a sua qualidade, tendo 
em vista dar-lhe suporte de mudança, se necessário. A avaliação, como ato 
diagnóstico, tem por objetivo a inclusão e não a exclusão; a inclusão e não a 
seleção (que obrigatoriamente conduz à exclusão). O diagnóstico tem por 
objetivo aquilatar coisas, atos, situações, pessoas, tendo em vista tomar 
decisões no sentido de criar condições para a obtenção de uma maior 
satisfatoriedade daquilo que se esteja buscando ou construindo.” 
Para Piletti (2010) a avaliação “é um processo contínuo de pesquisas 
que visa interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo 
em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos, a 
fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do 
trabalho do professor e da escola como um todo.” 
Já para Haidt (2002) a avaliação “é um processo de coleta e análise de 
dados, tendo em vista verificar se os objetivos propostos foram atingidos. No 
âmbito escolar, a avaliação se realiza em vários níveis: do processo ensino-
aprendizagem, do currículo, do funcionamento da escola como um todo.” 
É comum entender a avaliação como o resultado de testes, provas, 
trabalhos ou pesquisas que são dadas ao aluno e aos quais se atribui uma nota 
ou conceito e neste caso, esta aprova ou reprova. 
Ao elaborar os instrumentos de avaliação, o professor necessita de uma 
reflexão sobre os objetivos propostos em seu planejamento, para garantir de 
fato a verificação da aprendizagem. Piletti (2010) estabelece princípios básicos 
de avaliação que o professor precisa ter claros ao aplicar um instrumento de 
avaliação, como: 
 
• Estabelecer com clareza o que vai ser avaliado, avaliar o aproveitamento, a 
inteligência, o desenvolvimento sócio-emocional, as competências e 
habilidades necessárias para a assimilação dos conteúdos. 
• Selecionar instrumentos adequados para avaliar e o que se pretende avaliar. 
• Utilizar, na avaliação, uma variedade de instrumentos para se ter um quadro 
mais completo do desenvolvimento do aluno (quantitativo e qualitativo).• Ter consciência de possibilidades e limitações dos instrumentos de avaliação. 
• A avaliação é um meio para alcançar fins e não um fim em si mesma. 
 
O professor, ao elaborar um instrumento de avaliação deve ter 
consciência do que de fato quer avaliar, quais os objetivos que quer atingir com 
a avaliação. 
Haydt (2002) e Piletti (2010) concordam quando se referem à divisão 
entre testar, medir e avaliar. Pelo grau de abrangência, do menor para o maior, 
o conceito de testar é o primeiro e menos abrangente. Significa a verificação 
de algo por meio de situações previamente definidas, os testes. Após a 
aplicação dos testes, de uma maneira mais ampla, é possível medir, que 
Didática Geral 
 
 92 
significa determinar a extensão, as dimensões, a quantidade e o grau ou a 
capacidade de algo. Geralmente expresso por meio de números. Ainda mais 
abrangente, temos o conceito de avaliar, que significa a interpretação ou a 
apreciação sobre alguém ou alguma coisa, tendo como base uma escala de 
valores. 
 A avaliação, portanto, serve para acompanhar todo esse complexo 
processo, visando interpretar todas as informações que auxiliem a 
compreender se o trabalho está na direção certa, se os alunos indicam algo 
que possa ser interessante de ser aproveitado ou até uma mudança de direção 
das atividades pedagógicas, etc. 
 Para avaliar, por todo o processo de ensino o professor faz a 
verificação coletando dados sobre o aproveitamento dos alunos, por meio de 
provas, exercícios, tarefas ou meios auxiliares, como observação de 
desempenho, entrevistas etc. Após a verificação o professor fará uma 
qualificação para comprovar resultados alcançados em relação aos objetivos 
traçados previamente e, conforme o caso atribuirá notas ou conceitos. Por 
último, compete uma apreciação qualitativa dos resultados, referindo-os a 
padrões do desempenho esperado. 
 Libâneo (1990) diz que a avaliação escolar cumpre ao menos três 
funções: pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle. 
 A função pedagógico-didática diz respeito ao cumprimento dos 
objetivos gerais e específicos da educação escolar, comprovando se houve o 
atendimento das finalidades sociais do ensino de preparar os alunos para o 
enfrentamento das exigências da sociedade, da inserção no processo global de 
transformação social e da aquisição dos meios culturais de participação ativa 
nas diversas esferas da vida social. 
 A função de diagnóstico tem a intenção de identificar o êxito nas 
conquistas e as dificuldades dos alunos, assim como a atuação do professor 
que determinam modificações do processo de ensino para melhor cumprir as 
exigências dos objetivos. Possibilita a avaliação do cumprimento da função 
pedagógico-didática e dá sentido pedagógico a função controle, sendo em três 
etapas: inicial (pelas condições prévias dos alunos), de acompanhamento 
durante o processo de transmissão e assimilação do conhecimento e final de 
uma unidade didática, do bimestre ou do ano letivo (início, durante e final). 
 A função de controle refere-se aos meios e à freqüência das 
verificações e de qualificação dos resultados escolares, possibilitando o 
diagnóstico de situações didáticas. Ocorre por meio de um controle sistemático 
e contínuo do processo de interação professor-alunos no decorrer das aulas. 
 Muito semelhante a essa classificação é a de Piletti (2010), que coloca a 
função dignóstica como sondagem inicial, para verificar as características e os 
conhecimentos prévios dos alunos; a função formativa que acompanha o 
processo de formação dos alunos, orientando sobre o rendimento, localizando 
Didática Geral 
 
 93 
deficiências, etc.; e a função somativa, que é uma função classificatória, para 
um final de processo. 
 Haydt (2002) coloca alguns pressupostos e princípios da avaliação. 
Trata-se de considerar a avaliação como processo contínuo e sistemático, 
como um meio e não um fim e, por isso, não pode ser esporádica ou 
improvisada, mas constante e planejada, ao longo de todo o processo, para 
que possa guiar uma reorientação e aperfeiçoamento. Da mesma forma, 
considera a avaliação como funcional, pois se realiza em função dos objetivos 
a serem atingidos. Também diz que é orientadora, pois indica avanços e 
dificuldades do aluno, ajudando-o a progredir na aprendizagem ao ofertar 
orientações no sentido de atingir objetivos propostos. Ela também é integral, 
por considerar o aluno como um ser total e não de maneira compartimentada, 
ou seja, o aluno é um ser não apenas intelectual, mas psicomotor e afetivo-
social também. Deve ser olhado pela totalidade, e não apenas em um de seus 
campos funcionais. 
 Esses princípios levam a adotar uma visão mais interessante da 
avaliação, pois dá dinamismo, objetividade, orientação e integralidade. Tudo o 
que na vida social encontramos devemos inserir dentro das escolas, pois os 
alunos não viverão dentro das escolas, mas passam boa parte do início de 
suas vidas lá para aprenderem a viver melhor fora dela. 
A avaliação é a fase final de um processo de coleta, análise e 
interpretação de dados. Os recursos que são utilizados para isso, denominam-
se “instrumentos de avaliação”. 
A seleção das técnicas e instrumentos de avaliação deve ser realizada 
durante o processo de planejamento pedagógico e deve considerar os 
seguintes aspectos: 
 
 Objetivos direcionados para o ensino-aprendizagem; 
 A natureza do componente curricular; 
 Métodos e procedimentos usados no ensino; 
 Número de alunos; 
 Tempo do professor; 
 
A avaliação do processo de ensino e aprendizagem requer que o aluno 
não só adquira os conhecimentos necessários para viver em sociedade, mas 
avalie as habilidades e competências exigidas para tal. Nessa perspectiva, a 
avaliação deve estar a serviço da aprendizagem, em favor do aluno, em favor 
de uma formação básica que possibilitem competências técnicas, humanas e 
sociais. 
Os modelos pedagógicos historicamente retratam o contexto da 
sociedade. Entretanto, não existe uma metodologia consensual. Uma 
concepção filosófica da educação, regra geral, não nega a anterior. Ela se 
adapta e inova a cada momento. O fundamental é que a análise do conteúdo 
Didática Geral 
 
 94 
pelo aluno possa passar de uma apropriação apenas reprodutiva para uma 
apropriação transformadora. 
Segundo Haidt (2002), para avaliar o aproveitamento dos alunos existem 
três técnicas básicas e uma grande variedade de instrumentos de avaliação, 
que podem ser sintetizados do seguinte modo: 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS 
 
INSTRUMENTOS 
 
OBJETIVOS BÁSICOS 
Observação – é a técnica 
mais comum, e nela que 
o professor avalia não 
apenas a aquisição de 
conhecimentos, mas 
também verifica hábitos 
e habilidades do convívio 
social; 
 
Registro da observação: 
 Fichas; 
 Caderno; 
 
Verificar o 
desenvolvimento 
cognitivo, afetivo e 
psicossocial do 
educando, em 
decorrência das 
experiências 
vivenciadas. 
Autoavaliação – é a 
apreciação feita pelo 
próprio aluno no 
processo vivenciado e 
dos resultados obtidos. 
 
Registro da 
autoavaliação 
 
 
Aplicação de Provas: 
 Argüição; 
 Dissertação; 
 Testes; 
 
Prova oral 
Prova Escrita 
 Dissertativa 
 Objetiva 
 
Determinar o 
aproveitamento 
cognitivo do aluno, em 
decorrência da 
aprendizagem. 
 
O ato de avaliar está presente em todos os momentos da vida humana, 
seja na alfabetização ou na graduação, e se reflete pela unidade imediata do 
pensamento e da ação. Um bom instrumento didático que os professores 
dispõe para essa finalidade é a chamada “Escadade Bloom”, citado por Piletti 
(2010). 
 
Didática Geral 
 
 95 
 
Avaliação 
 Síntese 
 Análise 
 Aplicação 
 Compreensão 
 Conhecimento 
Escada de Bloom 
 Tratam-se de degraus a serem alcançados de acordo com a 
aprendizagem. Cada degrau apresenta as seguintes características 
fundamentais: 
 
 Conhecimento – é atingido quando o aluno passa a ter conhecimento de 
determinado assunto, ou seja, quando o assunto é apresentado a ele 
pela primeira vez. Neste nível, o máximo que o professor deve cobrar 
em termos de avaliação é que o aluno responda as questões com as 
palavras do autor ou do professor, quando for o caso, meramente 
repetindo-as; 
 Compreensão - é atingido quando o professor trabalha por tempo 
suficiente para proporcionar entendimento real sobre o assunto. Neste 
nível, o professor poderá solicitar aos alunos que respondam aos 
questionamentos com suas próprias palavras; 
 Aplicação – é atingido após o cumprimento das etapas anteriores e se 
caracteriza pela apresentação de uma situação problema e a requisição 
aos alunos que apliquem sua compreensão sobre o assunto para dar 
solução ao problema; 
 Análise – é atingido quando os alunos são preparados suficientemente 
para desdobrar o assunto em partes e estudar cuidadosamente cada 
uma delas, de modo a proporcionar o entendimento detalhado; 
 Síntese – é atingido quando o aluno está apto a sintetizar o 
conhecimento de modo a, após o entendimento de cada uma das partes 
que compõe o assunto, adquirirem entendimento do todo; 
 Avaliação – último estágio ou degrau, a ser atingido quando o aluno, 
após passar por todos os demais, estiver apto a avaliar a importância do 
assunto para sua vida e para a sociedade. Só aqui ele poderá se 
pronunciar no sentido de dizer se o assunto é ou não importante, em sua 
opinião. 
 
 A Escada de Bloom ajuda o professor a planejar sua ação didática e 
promover uma avaliação mais justa da aprendizagem. 
Didática Geral 
 
 96 
 
 
 
RESUMO 
Os recursos de ensino são como componentes do ambiente da 
aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno. Esses 
componentes podem ser o professor, os livros, os mapas, os objetos físicos, 
as fotografias, os CDs, as gravuras, os filmes, os recursos da comunidade, os 
recursos naturais etc. 
Vários autores definem diferentemente uma classificação de recursos, 
pois não há consenso. A uma classificação adotada por Piletti (2010) inclui: 
Recursos visuais: projeções, cartazes, gravuras, etc; Recursos auditivos: 
rádio, gravações, etc.; Recursos audiovisuais: cinema, televisão, etc. 
É importante que o professor tenha refletido sobre o que pedir a seus 
alunos no que se refere ao uso da internet. Sugerimos que seja pedido algo 
que reflita a respeito de algum assunto, com base em algum texto encontrado 
na internet, ou até mesmo livros, artigos científicos, etc. 
Sobre a TV e os Filmes, é uma fonte riquíssima para aprender mais 
sobre o mundo, além de ser, para alguns, muito mais motivante do que a 
leitura de livros. Entretanto, caso o professor não discuta sobre os assuntos 
antes e depois de os alunos assistirem o filme, o assunto pode não ser 
assimilado, ou mal assimilado, até mesmo ser interpretado de maneira 
completamente equivocada. 
A avaliação é muito mais complexa e interessante do que uma simples 
aplicação de provas e a atribuição de notas por parte dos professores. Ao 
contrário da forma punitiva que ela vem sendo utilizada, penalizando os alunos 
pelo fracasso do processo ensino-aprendizagem, ela deve proporcionar uma 
visão geral do trabalho em conjunto, sendo professor e alunos responsáveis 
por conseguirem alcançar os resultados almejados para aquele trabalho 
educativo. 
Haydt (2002) e Piletti (2010) concordam quando se referem à divisão 
entre testar, medir e avaliar. Pelo grau de abrangência, do menor para o 
maior, o conceito de testar é o primeiro e menos abrangente. Significa a 
verificação de algo por meio de situações previamente definidas, os testes. 
Após a aplicação dos testes, de uma maneira mais ampla, é possível medir, 
que significa determinar a extensão, as dimensões, a quantidade e o grau ou a 
capacidade de algo. Geralmente expresso por meio de números. Ainda mais 
abrangente, temos o conceito de avaliar, que significa o julgamento ou a 
apreciação sobre alguém ou alguma coisa, tendo como base uma escala de 
valores. 
A seleção das técnicas e instrumentos de avaliação deve ser realizada 
durante o processo de planejamento pedagógico e deve considerar os 
seguintes aspectos: Objetivos direcionados para o ensino-aprendizagem; A 
Didática Geral 
 
 97 
natureza do componente curricular; Métodos e procedimentos usados no 
ensino; Número de alunos; Tempo do professor. 
A avaliação do processo de ensino e aprendizagem requer que o aluno 
não só adquira os conhecimentos necessários para viver em sociedade, mas 
avalie as habilidades e competências exigidas para tal. Nessa perspectiva, a 
avaliação deve estar a serviço da aprendizagem, em favor do aluno, em favor 
de uma formação básica que possibilitem competências técnicas, humanas e 
sociais. 
Exercícios 
 
1) De acordo com uma classificação adotada por Piletti (2010), como são 
classificados os recursos? 
 
(a) Recursos Financeiros: dinheiro, etc.; Recursos Humanos: pessoas, 
etc. 
(b) Recursos casuais: objetos selecionados; Recursos premiados: 
escolhidos pela diretoria. 
(c) Recursos Primários; Recursos Secundários e Recursos Terciários. 
(d) Recursos abstratos; Recursos não-abstratos. 
(e) Recursos visuais: projeções, cartazes, gravuras, etc.; Recursos 
auditivos: rádio, gravações, etc.; Recursos audiovisuais: cinema, 
televisão, etc. 
 
2) Qual a diferença entre testar, medir e avaliar? 
 
(a) Testar significa provar; Medir significa qualificar; Avaliar significa 
aplicar uma prova. 
(b) Testar significa dar casos para avaliar; Medir significa quantificar; 
Avaliar significa observar. 
(c) Testar significa a verificação de algo por meio de situações 
previamente definidas, os testes. Medir significa determinar a extensão, 
as dimensões, a quantidade e o grau ou a capacidade de algo. Avaliar 
significa a interpretação ou a apreciação sobre alguém ou alguma coisa, 
tendo como base uma escala de valores. 
(d) Testar significa observar; Medir significa passar uma fita métrica; 
Avaliar significa submeter a uma situação. 
(e) Testar significa gerar uma situação; Medir significa elaborar; Avaliar 
significa aplicar um teste e observar. 
 
3) A avaliação para Piletti (2010) tem três momentos: Diagnóstica, 
Formativa e Somativa. Qual alternativa corresponde a esses momentos, 
respectivamente? 
 
Didática Geral 
 
 98 
(a) refere-se aos meios e à freqüência das verificações; ocorre por meio 
de um controle sistemático; processo de interação professor-alunos. 
(b) prevê os processos; previne os problemas de aprendizagem; verifica 
as notas finais. 
(c) sondagem inicial; acompanha o processo de formação dos alunos; é 
uma função classificatória, para um final de processo. 
(d) trabalha a observação; forma as posições; soma as notas. 
(e) previne problemas; orienta as ações; classifica em números. 
Resolução dos Exercícios 
 
1) Vários autores definem diferentemente uma classificação de recursos,pois não há consenso. Vamos a uma classificação tradicional adotada 
por Piletti (2010): Recursos visuais: projeções, cartazes, gravuras, etc.; 
Recursos auditivos: rádio, gravações, etc.; Recursos audiovisuais: 
cinema, televisão, etc. 
 
Resposta correta: 
 
(e) Recursos visuais: projeções, cartazes, gravuras, etc.; Recursos 
auditivos: rádio, gravações, etc.; Recursos audiovisuais: cinema, 
televisão, etc. 
 
2) Pelo grau de abrangência, do menor para o maior, o conceito de testar 
é o primeiro e menos abrangente. Significa a verificação de algo por 
meio de situações previamente definidas, os testes. Após a aplicação 
dos testes, de uma maneira mais ampla, é possível medir, que significa 
determinar a extensão, as dimensões, a quantidade e o grau ou a 
capacidade de algo. Geralmente expresso por meio de números. Ainda 
mais abrangente, temos o conceito de avaliar, que significa a 
interpretação ou a apreciação sobre alguém ou alguma coisa, tendo 
como base uma escala de valores. 
 
Resposta correta: 
 
(c) Testar significa a verificação de algo por meio de situações 
previamente definidas, os testes. Medir significa determinar a extensão, 
as dimensões, a quantidade e o grau ou a capacidade de algo. Avaliar 
significa a interpretação ou a apreciação sobre alguém ou alguma coisa, 
tendo como base uma escala de valores. 
 
3) Muito semelhante a essa classificação é a de Piletti (2010), que coloca a 
função dignóstica como sondagem inicial, para verificar as 
características e os conhecimentos prévios dos alunos; a função 
Didática Geral 
 
 99 
formativa que acompanha o processo de formação dos alunos, 
orientando sobre o rendimento, localizando deficiências, etc.; e a função 
somativa, que é uma função classificatória, para um final de processo. 
 
Resposta correta: 
 
(c) sondagem inicial; acompanha o processo de formação dos alunos; é uma 
função classificatória, para um final de processo. 
 
7. O PLANEJAMENTO ESCOLAR 
Até este ponto, vimos todos os componentes do processo didático, como 
os objetivos, conteúdos, métodos, recursos e a avaliação. Todos esses 
componentes fazem parte do que julgamos ser a atividade essencial para o 
ensino, o Planejamento. 
Se todos nós precisamos de um planejamento para as atividades de vida 
diária, para viajar, para trocar de casa, para comprar algo mais caro e controlar 
as despesas, que diríamos em relação as atividades educativas? O 
planejamento é essencialmente o que dá a segurança de um trabalho pensado, 
organizado e estruturalmente bem montado. Mas, qual a diferença entre 
planejamento e plano? 
Segundo Haydt (2002), o planejamento é um processo mental que 
envolve análise, reflexão e previsão. É uma atividade tipicamente humana e 
está presente na vida de todos os indivíduos, nos mais variados momentos. O 
plano é o resultado desse processo, é o ponto mais alto do processo mental de 
planejamento, como um esboço das conclusões resultantes do processo 
mental de planejar, podendo ou não assumir uma forma escrita. 
Mas, para que serve o planejamento no campo da atividade docente? 
Para que possamos traçar e depois atingir os objetivos desejados, superar as 
dificuldades, controlar a improvisação, etc. Trata-se de prever algumas 
dificuldades que poderão surgir durante todo o processo e, dessa forma, poder 
superá-las mais facilmente, evitar repetir de maneira desordenada e mecânica 
os cursos e aulas, adequar o trabalho de acordo com os recursos disponíveis e 
às características dos alunos, adequar os conteúdos, atividades e 
procedimentos de avaliação aos objetivos propostos, prever uma distribuição 
mais proporcional do trabalho educativo no tempo disponível, etc. 
Dessa forma, permite ao professor a organização antecipada da ação 
didática, contribuindo para o aprimoramento do trabalho docente e 
aproveitamento dos alunos. Infelizmente, muitos professor não se preocupam 
com seu planejamento. Daí podemos imaginar grande parte da qualidade que 
não se consegue alcançar na educação dos alunos e no desperdício do tempo 
empregado para essa etapa tão preciosa da vida de nossos alunos. 
 
Didática Geral 
 
 100 
7.1. O PLANEJAMENTO EM SEUS VÁRIOS NÍVEIS 
 
No campo da educação e do ensino, existem diversos níveis de 
planejamento, que variam em abrangência e complexidade. São eles: 
planejamento de um sistema educacional, planejamento geral das atividades 
de uma escola, planejamento de currículo, planejamento didático ou de ensino 
e, dentro deste último, temos o planejamento de curso, planejamento de 
unidade didática e o planejamento de aula. 
 O planejamento de um sistema educacional envolve as grandes esferas 
administrativas, nacional, estadual e municipal. Está vinculado com a lei da 
educação, que atualmente é a nº 9394/96, e com todos os documentos 
elaborados por estas esferas administrativas, que determinam em cada nível 
metas e diretrizes para uma boa educação e ensino. Vamos detalhar melhor os 
próximos níveis, pois somente sobre eles o educador tem alguma influência, 
enquanto que o planejamento do sistema educacional é decidido pelas esferas 
políticas e administrativas. 
 
7.2. PLANEJAMENTO ESCOLAR 
 
O planejamento escolar envolve todas as atividades de uma escola, o 
que ela tem para oferecer em termos de formação a seus alunos e todas as 
ações, tanto administrativas quanto pedagógicas. 
A montagem desse planejamento, ao contrário do que muitos pensam, 
não é para ser feito apenas pelo diretor da escola. É por ele, mas 
acompanhado de todos os professores, funcionários, pais e alunos, de maneira 
democrática e participativa. O resultado será o plano escolar, que deverá ser 
seguido por todos. 
Haydt (2002) sugere algumas etapas que facilitam um bom 
planejamento, são elas: a sondagem e diagnóstico da realidade da escola 
(características da comunidade e da clientela escolar, recursos humanos e 
materiais disponíveis, avaliações dos desempenhos da escola anteriormente); 
definição dos objetivos e prioridades da escola, proposição da organização 
geral da escola (quadro curricular e distribuição de carga horária, calendário 
escolar, critérios de agrupamento dos alunos, definição do sistema de 
avaliação, recuperação, reposição de aulas, compensação de ausência e 
promoção dos alunos); elaboração de plano de curso contendo as 
programações das atividades curriculares; elaboração do sistema disciplinar da 
escola; atribuição de funções a todos os participantes da equipe escolar 
(direção, corpo docente, corpo discente, equipe pedagógica, equipe 
administrativa, equipe de limpeza, etc.) 
 
 
 
Didática Geral 
 
 101 
7.3. PLANEJAMENTO CURRICULAR 
 
No planejamento de currículo, iremos prever os diversos componentes 
curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso, com a definição dos 
objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada 
componente. Para isso, é necessário tomar consciência da concepção 
filosófica que irá nortear os fins e objetivos da ação educativa, pois a partir daí 
que serão definidos os critérios para a seleção dos conteúdos, devendo estes 
serem significativos para a emancipação desses alunos para que sejam 
capazes de lutar por uma sociedade mais justa e igualitária, portanto, 
democrática. Além disso, devem ser organizados num todo orgânico e 
coerente, para que sejam mais bem assimilados pelos alunos de cada série, 
assim como a continuidade deles através das séries. 
O primeiro critério legal a ser seguido são as diretrizes do Conselho 
Federal de Educação que colocam as disciplinas de núcleo comum e a parte 
diversificada (esta última mais aberta pela comunidadelocal e por exigências 
culturais e regionais, determinada pelo Conselho Estadual de Educação). 
Cada escola deve elaborar seu próprio currículo seguindo estas 
exigências legais citadas, levando em conta sua clientela e as reais condições 
de trabalho na escola. 
 
7.4. PLANEJAMENTO DIDÁTICO OU DE ENSINO 
 
Haydt (2002) define o planejamento de ensino como a previsão das 
ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos, assim 
como a organização das atividades dos alunos e das experiências da 
aprendizagem, na intenção de atingir os objetivos educacionais estabelecidos. 
Dessa forma, o planejamento de ensino ou didático especifica e operacionaliza 
o plano curricular. 
 Isso tudo significa a definição sobre os objetivos (gerais e específicos) a 
serem alcançados ao longo do ano, a seleção de todos os conteúdos a serem 
ensinados, a escolha dos métodos e procedimentos mais interessantes para 
cada turma, assim como a forma de avaliar todo o trabalho que será feito. 
 Para isso, é necessária uma análise criteriosa sobre os alunos que serão 
atendidos e perceber quais os recursos disponíveis naquela escola, para após 
isso se definir o restante do planejamento. O ponto alto desse processo é a 
elaboração do plano, como documento escrito, pois se trata do registro do que 
foi estabelecido como previsão das atividades docentes e discentes. O 
professor que não registra esse plano didático no papel corre o risco de se 
perder e ter de recorrer ao improviso, o que quase sempre é um desastre total. 
 A maneira como registrar vai depender de cada professor, pois o plano 
de ensino é algo pessoal e subjetivo. Por isso, não se pode emprestar o plano 
de ensino a outros professores e imaginar que o trabalho será igual. 
Didática Geral 
 
 102 
Logicamente ele foi pensado e estruturado de uma forma peculiar e, outra 
pessoa não teria uma visão tão realista do que foi planejado. Entretanto, a 
clareza é essencial, para que não deixe dúvidas nem para o professor, 
tampouco para quem quiser acompanhar seu processo didático-pedagógico. 
 Para que possamos alcançar mais qualidade nesse tipo de 
planejamento, algumas recomendações são valiosas. 
 Uma das características de um bom plano é o grau de coerência e de 
unidade, pois a conexão entre objetivos e meios mais adequados devem 
estabelecer um par inseparável; outro ponto é sobre a continuidade e 
seqüência, pois o trabalho deve ter um início, meio e fim, de maneira gradativa, 
que ajude os alunos a garantirem mais facilmente suas aquisições; a 
flexibilidade é também fundamental, uma vez que o plano foi feito para o 
professor e não ao contrário. Isso permite constatar que o que foi escrito e 
estabelecido pode ser mudado, de acordo com as necessidades que serão 
notadas, dando espaço para incluir ou excluir coisas previamente selecionadas; 
um bom plano também possui objetividade e funcionalidade, atendendo 
objetivamente as possibilidades, necessidades e interesses dos alunos, de 
maneira prática e funcional; por último, os planos devem ter precisão e clareza, 
apresentando uma linguagem simples e clara, indicando exata e precisamente 
para que não tenha uma dupla interpretação. 
 Uma última recomendação é que este planejamento não seja encarado 
como mera formalidade ou como uma exigência burocrática, recaindo, desta 
maneira, em um plano vazio e sem sentido. Trata-se de algo importante demais 
para ser relegado apenas como uma tarefa burocrática, pois é uma 
organização essencial para o professor, conferindo segurança a seu trabalho. 
 O plano didático ou de ensino pode ser dividido em três outros, ou seja, 
que farão parte integrante dele, com graus de abrangência diferentes. Trata-se 
do planejamento de curso, planejamento de unidade e planejamento de aula. 
 
7.5. PLANEJAMENTO DE CURSO 
 
O planejamento de curso prevê os conhecimentos a serem 
desenvolvidos e as atividades que serão realizadas em cada classe, durante 
certo tempo, em geral naquele ano ou semestre letivo, prevendo o que fará o 
professor e o que farão os alunos naquele ano ou semestre letivo. 
É interessante, primeiramente, fazer um levantamento de dados sobre 
as características dos alunos, por meio de uma sondagem inicial. Após essa 
sondagem, escolher objetivos gerais e definir objetivos específicos a serem 
atingidos durante o período letivo estipulado. Só então escolher os conteúdos 
que serão desenvolvidos e, logo após, as atividades e procedimentos de 
ensino e aprendizagem adequados aos objetivos e conteúdos propostos. Até 
este ponto já definido, devemos selecionar os recursos existentes que serão 
mais interessantes de serem aproveitados. Em última etapa, escolher formas 
Didática Geral 
 
 103 
de se avaliar que sejam mais coerentes com os objetivos definidos e os 
conteúdos a serem desenvolvidos. 
 
7.6. PLANEJAMENTO DE UNIDADE DIDÁTICA 
 
Este planejamento reúne várias aulas sobre assuntos semelhantes, 
constituindo uma porção significativa da matéria, que acaba por ser dominada 
em suas inter-relações. 
 Piletti (2010) define uma divisão desse plano em três partes: a 
apresentação, o desenvolvimento e a integração. Na apresentação o professor 
deverá identificar e estimular os interesses dos alunos, fazendo a conexão com 
o tema da unidade. Ele poderá fazer isso aplicando um pré-teste oral ou 
escrito, dialogando com a classe a respeito do tema, comunicar aos alunos 
sobre os objetivos da unidade, utilizar materiais ilustrativos, como jornais, 
cartazes, revistas, objetos históricos, etc. permitindo a introdução do tema, ou 
até mesmo fazendo uma aula expositiva. 
 O desenvolvimento é o momento em que os alunos deverão alcançar a 
compreensão do tema e, para isso, o professor pode utilizar estudo de textos, 
estudo dirigido, solução de problemas, projetos, trabalho em grupo, etc. 
 Por último, vem a integração, momento em que os alunos deverão ser 
capazes de sintetizar os temas abordados, utilizando para isso uma 
organização de resumos, relatório oral com os tópicos principais. 
 
7.7. O PLANO DE AULA 
 
O plano de aula é a menor unidade do planejamento de um professor, 
pois é sobre uma aula que ele está planejando, mas sempre pensando que a 
cada aula ele deve estar mais próximo do alcance de seus objetivos 
específicos e gerais. 
A aula é composta, primeiramente, de objetivos imediatos que se 
pretende alcançar. Em termos de objetivos específicos, estes são os mais 
restritos, pois visualizam apenas aquele momento presente. Deve-se pautar a 
escolha dos objetivos específicos da aula em conhecimentos, habilidades e 
atitudes. 
Após a escolha dos objetivos, o professor deve escolher os conteúdos a 
serem abordados naquele momento, em termos de itens ou subitens, pois 
alguns conteúdos precisarão de mais de uma aula para serem devidamente 
ensinados. 
De posse dos objetivos e conteúdos, deve elaborar os procedimentos 
metodológicos para organizar didaticamente o ensino através de atividades a 
serem desenvolvidas. 
Após isso, deve-se determinar quais serão os recursos a serem utilizados 
(cartazes, mapas, jornais, livros, objetos variados, etc.) durante aquela aula 
Didática Geral 
 
 104 
para despertar o interesse dos alunos, facilitar a compreensão e estimular a 
participação ativa dos alunos. 
Por último, deve-se descrever qual a forma de avaliação das atividades, 
de maneira que se possa perceber ao final da aula se o(s) objetivo(s) foi 
devidamente alcançado. 
Desta forma, podemos concluir que o plano de aula é a esquematização 
seqüencial de tudo que irá ser desenvolvido em um dia letivo. É sistematizar 
todas as atividades que se desenvolvem noperíodo de tempo em que o 
professor e os alunos irão interagir. 
Devemos lembrar também que o plano de aula deve estar adaptado às 
reais condições e características dos alunos, quanto às possibilidades, 
necessidades e interesses, além dos conhecimentos prévios que eles já 
possuem. Por esta razão a sondagem inicial é muito importante, pois permite 
maiores adequações, caso necessário. 
É comum também a presença de diários e semanários em algumas 
escolas, o que correspondem a modalidades diferentes dos professores 
planejarem suas aulas. Mas isso é um critério adotado por algumas escolas. 
Veja a seguir um modelo simples de estrutura para plano de aula: 
 
PLANO DE AULA 
TEMA DA AULA: 
OBJETIVOS: 
CONTEÚDOS: 
ESTRATÉGIAS: 
RECURSOS: 
AVALIAÇÃO: 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 105 
 
SAIBA MAIS 
Existem inúmeros modelos de planos de aula e de planejamento escolar. 
Pesquise mais sobre eles e veja qual você melhor se adapta. As fontes para a 
pesquisa são inúmeras. Vão desde a bibliografia deste documento até as fontes 
disponíveis na internet. 
 
RESUMO 
Segundo Haydt (2002), o planejamento é um processo mental que 
envolve análise, reflexão e previsão. É uma atividade tipicamente humana e 
está presente na vida de todos os indivíduos, nos mais variados momentos. O 
plano é o resultado desse processo, é o ponto mais alto do processo mental 
de planejamento, como um esboço das conclusões resultantes do processo 
mental de planejar, podendo ou não assumir uma forma escrita. 
No campo da educação e do ensino, existem diversos níveis de 
planejamento, que variam em abrangência e complexidade. São eles: 
planejamento de um sistema educacional, planejamento geral das atividades 
de uma escola, planejamento de currículo, planejamento didático ou de ensino 
e, dentro deste último, temos o planejamento de curso, planejamento de 
unidade didática e o planejamento de aula. 
O planejamento escolar envolve todas as atividades de uma escola, o 
que ela tem para oferecer em termos de formação a seus alunos e todas as 
ações, tanto administrativas quanto pedagógicas. 
No planejamento de currículo, iremos prever os diversos componentes 
curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso, com a definição dos 
objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada 
componente. 
O planejamento de ensino é a previsão das ações e procedimentos que 
o professor vai realizar junto a seus alunos, assim como a organização das 
atividades dos alunos e das experiências da aprendizagem, na intenção de 
atingir os objetivos educacionais estabelecidos. O plano didático ou de ensino 
pode ser dividido em três outros, ou seja, que farão parte integrante dele, com 
graus de abrangência diferentes. Trata-se do planejamento de curso, 
planejamento de unidade e planejamento de aula. 
O planejamento de curso prevê os conhecimentos a serem 
desenvolvidos e as atividades que serão realizadas em cada classe, durante 
certo tempo, em geral naquele ano ou semestre letivo, prevendo o que fará o 
professor e o que farão os alunos naquele ano ou semestre letivo. 
O planejamento de Unidades Didáticas reúne várias aulas sobre 
assuntos semelhantes, constituindo uma porção significativa da matéria, que 
acaba por ser dominada em suas inter-relações. 
O plano de aula é a menor unidade do planejamento de um professor, 
pois é sobre apenas uma aula que ele está planejando, mas sempre pensando 
Didática Geral 
 
 106 
que a cada aula ele deve estar mais próximo do alcance de seus objetivos 
específicos e gerais. A aula é composta, primeiramente, de objetivos imediatos 
que se pretende alcançar. Após a escolha dos objetivos, o professor deve 
escolher os conteúdos a serem abordados naquele momento, para depois 
elaborar os procedimentos metodológicos para organizar didaticamente o 
ensino através de atividades a serem desenvolvidas. Após isso, deve-se 
determinar quais serão os recursos a serem utilizados (cartazes, mapas, 
jornais, livros, objetos variados, etc.) durante aquela aula para despertar o 
interesse dos alunos, facilitar a compreensão e estimular a participação ativa 
dos alunos. Por último, deve-se descrever qual a forma de avaliação das 
atividades, de maneira que se possa perceber ao final da aula se o(s) 
objetivo(s) foi devidamente alcançado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 107 
Exercícios 
 
1) Qual a diferença entre Planejamento e Plano? 
 
(a) O planejamento é uma meta a ser estabelecida. O plano é aquilo que se 
estabelece para curto prazo. 
(b) O planejamento são as atividades a serem aplicadas. O plano é apenas 
uma aula. 
(c) O planejamento é um processo mental que envolve análise, reflexão e 
previsão. O plano é o resultado desse processo, podendo ou não assumir uma 
forma escrita. 
(d) O planejamento é uma forma de elaborar uma aula, selecionando maneiras 
de aplicá-la. O plano é o conjunto de recursos a serem envolvidos no processo. 
(e) O planejamento é apenas uma unidade de ensino. O plano é todo o 
processo de escolarização. 
 
2) O plano didático ou de ensino pode ser dividido em três outros. Quais 
são eles? 
 
(a) planejamento de curso, planejamento de unidade e planejamento de 
aula. 
(b) diários, semanários e unidade didática. 
(c) anuário, plano de escola, planejamento político-pedagógico. 
(d) planejamento curricular; planejamento escolar e planejamento 
educacional. 
(e) Plano de contingências; plano de atividades; plano de tarefas. 
 
3) Quais são os elementos que compõe uma aula? 
 
(a) A aula é composta de parte inicial, parte principal e volta à calma. 
(b) A aula é composta de aquecimento, preparação da atividade central e 
discussão final. 
(c) A aula é composta de recapitulação da aula anterior, apresentação do novo 
tema, aprofundamento, exercícios de casa e finalização. 
(d) A aula é composta de reintegração do último tema, desenvolvimento do 
novo tema, aprofundamento, generalização e aplicação. 
(e) A aula é composta de objetivos, os conteúdos a serem abordados naquele 
momento, para depois elaborar os procedimentos metodológicos, recursos a 
serem utilizados. Por último, deve-se descrever qual a forma de avaliação das 
atividades. 
 
 
 
Didática Geral 
 
 108 
Resolução dos Exercícios 
 
1) Segundo Haydt (2002), o planejamento é um processo mental que 
envolve análise, reflexão e previsão. É uma atividade tipicamente 
humana e está presente na vida de todos os indivíduos, nos mais 
variados momentos. O plano é o resultado desse processo, é o ponto 
mais alto do processo mental de planejamento, como um esboço das 
conclusões resultantes do processo mental de planejar, podendo ou não 
assumir uma forma escrita. 
 
Resposta correta: 
 
(c) O planejamento é um processo mental que envolve análise, reflexão e 
previsão. O plano é o resultado desse processo, podendo ou não assumir uma 
forma escrita. 
 
2) O plano didático ou de ensino pode ser dividido em três outros, ou seja, que 
farão parte integrante dele, com graus de abrangência diferentes. Trata-se do 
planejamento de curso, planejamento de unidade e planejamento de aula. 
 
Resposta correta: 
 
(a) planejamento de curso, planejamento de unidade e planejamento de 
aula. 
 
3) A aula é composta, primeiramente, de objetivos imediatos que se pretende 
alcançar. Após a escolha dos objetivos, o professor deve escolher os 
conteúdos a serem abordados naquele momento, para depois elaborar os 
procedimentosmetodológicos para organizar didaticamente o ensino através 
de atividades a serem desenvolvidas. Após isso, deve-se determinar quais 
serão os recursos a serem utilizados (cartazes, mapas, jornais, livros, objetos 
variados, etc.) durante aquela aula para despertar o interesse dos alunos, 
facilitar a compreensão e estimular a participação ativa dos alunos. Por último, 
deve-se descrever qual a forma de avaliação das atividades, de maneira que 
se possa perceber ao final da aula se o(s) objetivo(s) foi devidamente 
alcançado. 
 
Resposta correta: 
 
(e) A aula é composta de objetivos, os conteúdos a serem abordados naquele 
momento, para depois elaborar os procedimentos metodológicos, recursos a 
serem utilizados. Por último, deve-se descrever qual a forma de avaliação das 
atividades. 
 
Didática Geral 
 
 109 
8. O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM: UMA DISCUSSÃO 
GERAL 
 
Tudo o que foi visto e discutido até esse ponto visa formar uma visão 
técnica sobre o trabalho do professor, crítica sobre a formação da sociedade e 
real sobre as possibilidades dos alunos. 
Não há, em termos de possibilidades, como executar um trabalho de 
professor arriscando acertar simplesmente com o instinto. É preciso o domínio 
de certos conhecimentos que façam com que o professor encontre maior 
segurança, organização, estruturação e visão, sobre todos os fatores que 
interferem no trabalho educativo. 
Vamos tratar agora, para isso, sobre a relação entre professor e alunos, 
que é a mais forte em termos de necessidade de convivência dentro da escola 
e, por isso, deve acontecer de uma maneira positiva, amistosa e clara dentro 
das salas de aula. Vamos tratar também um pouco mais sobre o processo de 
ensino e aprendizagem, sobre alguns dos fatores importantes para que eles 
aconteçam, pois o professor é aquele que guia e, se bem guiado, terá seus 
alunos aprendendo favoravelmente. Para finalizar, trataremos da importância 
do diálogo e da disciplina, fundamentais para um educação mais democrática, 
que atenda as necessidades dos alunos e possa acontecer de uma maneira 
favorável e aberta nas salas de aula. 
 
8.1. A RELAÇÃO PROFESSOR – ALUNO E O PROCESSO DE 
ENSINO E APRENDIZAGEM 
 
Como mencionado anteriormente, a aprendizagem é um processo 
contínuo e bilateral, aprende-se sempre e isto não é uma propriedade exclusiva 
do aluno: o professor também aprende. 
O significado de ensinar nos leva a outros termos, como: fazer saber, 
instruir, comunicar conhecimentos, mostrar, orientar, guiar, dirigir, desenvolver 
habilidades – que apontam para o professor enquanto agente principal e 
responsável pelo ensino. Neste sentido, o ensino centraliza-se no professor, 
em suas qualidades e habilidades. 
Contudo, a aprendizagem deve ser significativa para o aluno, 
envolvendo-o como pessoa. Trata-se de um processo que deve levar o aluno a 
relacionar o que está aprendendo com conhecimentos e experiências que já 
possui e, assim, interagir e transferir o que aprendeu em situações concretas 
na sociedade em que vive. 
A aprendizagem precisa ser acompanhada de um feedback imediato, ou 
seja, de um retorno que fornece dados ao aluno e ao professor para corrigir e 
levar adiante o processo. Segundo Haidt (2002), o processo de ensino-
aprendizagem é uma atividade conjunta de professores e alunos, organizado 
sob a direção do professor, com a finalidade de prover as condições e meios 
Didática Geral 
 
 110 
pelos quais os alunos assimilam ativamente conhecimentos, habilidades, 
atitudes e convicções. 
Os alunos de escolas de educação básica, regra geral, encontram-se 
numa faixa etária na qual assimilam conhecimentos e desenvolvem hábitos e 
atitudes de convívio social, justamente convivendo com pessoas. 
É durante esse convívio que o domínio afetivo se une à esfera cognitiva 
e surge o aluno integral, como ele realmente é, agindo não somente com a 
razão, mas também com os sentimentos. 
Não se pode esquecer a função educativa da interação humana, pois é 
convivendo com seus semelhantes que o ser humano é educado e se educa. 
Essa interatividade envolve, necessariamente, na escola, a relação entre 
professor e aluno. Nela, o professor tem basicamente duas funções, de acordo 
com Haidt (2002): 
 
• função incentivadora: aproveitando a curiosidade natural do aluno para 
despertar seu interesse e mobilizar seus esquemas cognitivos; 
 
• função orientadora: orientando os esforços do aluno para aprender, 
ajudando-o a construir seu conhecimento. 
 
Na aprendizagem o professor é, portanto, acima de tudo um estimulador, 
orientador e facilitador. Seu papel será o de ajudar o aluno a aprender, criar as 
condições para que o aluno adquira informações e acima de tudo questione, 
não seja somente um receptor, mas seja capaz de discernir, questionar, pensar 
a sociedade e o mundo no qual ele esta inserido. 
Futuramente caberá a você, como professor, ajudar seu aluno a 
transformar a curiosidade em esforço cognitivo e a passar de um conhecimento 
confuso a um saber organizado. Em outras palavras, caberá a você, ser muito 
mais do que um professor: ser um educador. Como educador, caberá a você, 
não apenas transmitir conhecimento, mas também facilitar a veiculação de 
idéias, valores e princípios de vida, contribuindo para a formação cidadã do seu 
futuro aluno. 
Em poucas palavras, o professor tem sua personalidade orientada por 
valores e princípios de vida e consciente ou inconscientemente, explícita ou 
implicitamente, ele veicula esses valores durante as aulas, manifestando-os a 
seus alunos. Assim, ao interagir com cada aluno em particular e se relacionar 
com a classe como um todo, o professor não apenas transmite conhecimentos, 
em forma de informações, conceitos e idéias (aspecto cognitivo), não apenas 
ensina gestos ou movimentos (aspecto motor), mas também facilita a 
veiculação de ideais, valores e princípios de vida (elementos do domínio 
afetivo), ajudando a formar a personalidade do educando. Por isso, o professor 
deve ter bem claro que, antes de ser um professor, ele é um educador. 
 
Didática Geral 
 
 111 
Em síntese, a condução da aprendizagem dos seus alunos, o professor 
tem duas funções básicas: a função incentivadora, pois precisa garantir 
situações que incentivem o aluno a continuar progredindo nos estudos e 
estimulem sua participação ativa no ato de aprender; e a função orientadora, 
pois cabe a ele ensinar, isto é, orientar o processo de aprendizagem dos 
alunos para que possam construir o próprio conhecimento. A autoridade do 
professor é inerente à sua função educadora, ou seja, é a autoridade de quem 
incentiva e orienta. 
Outra questão fundamental é sobre a motivação, que é um processo 
psicológico energético, interno e profundo, que impele o indivíduo para a ação, 
determinando a direção do comportamento. É um fenômeno pessoal que 
depende da experiência prévia de cada aluno e do seu nível de aspiração. Por 
isso, o professor não pode motivar o aluno a aprender, mas pode incentivá-lo, 
isto é, estimulá-lo externamente, captando e polarizando sua atenção e 
despertando o seu interesse. Para isso, pode e deve usar recursos e 
procedimentos incentivadores, aproveitando os fatores ambientais, não apenas 
no início das aulas, mas durante todo o seu decorrer. 
 
8.2. A QUESTÃO DO DIÁLOGO 
 
Na relação professor-aluno, o diálogo é fundamental. A atitude dialógica 
no processo ensino-aprendizagem é aquela que parte de uma questão 
problematizadora para desencadear o diálogo, no qual o professor transmite o 
que sabe, aproveitando os conhecimentos prévios e as experiências anteriores 
do aluno. Assim, ambos chegama uma síntese que elucida, explica ou resolve 
a situação problema que desencadeou a discussão. 
A construção do conhecimento é um processo interpessoal. O professor, 
de certa forma, aprende com seu aluno, na medida em que consegue perceber 
como ele percebe e sente o mundo. Assim, o professor pode e deve rever 
comportamentos, ratificar ou retificar opiniões, desfazer preconceitos, mudar 
atitudes, alterar posturas. Devemos sempre nos lembrar deste princípio 
fundamental: a construção do conhecimento é um processo social, e não 
individual. Professor e aluno ensinam e aprendem um com o outro. 
De nada adiantará a você, no futuro exercício da sua profissão, 
conhecer novos métodos e técnicas de ensino ou usar recursos audiovisuais 
modernos, se encarar seu aluno como um ser passivo e receptivo. Sua forma 
de ensinar e de interagir com seus alunos dependerá do modo como você os 
conceberá (seres ativos ou passivos) e da maneira como verá a atuação deles 
no processo de aprendizagem. 
Lembramos que ‘diálogo não é monólogo’, deve haver sempre o espaço 
para o questionamento, a dúvida, a discussão e o debate franco, justo e 
honesto. Nunca devemos, como professores, fazer valer algum grau de 
superioridade, mas deve-se conquistar o respeito dos alunos através do nosso 
Didática Geral 
 
 112 
conhecimento, sem medo de estar equivocado, ou de reconhecer o valor das 
palavras dos alunos, do esforço que eles empregam na forma como sabem 
participar. 
 
8.3. A DISCIPLINA E A INDISCIPLINA 
 
Uma aula disciplinada é muito mais do que conservar a classe em 
ordem. O objetivo, ao buscar disciplina, deve ser o de desenvolver no aluno o 
autocontrole, o autorrespeito e o respeito pelas pessoas e coisas que o 
rodeiam. Se o professor não tem essas qualidades, é inútil tentar desenvolvê-
las nos alunos, por isso é bom ir treinando-as desde já. A verdadeira disciplina 
não se origina de pressões, mas parte do íntimo do indivíduo. Há alguns 
processos que são costumeiramente utilizados para conseguir disciplina. São 
eles: 
 
• uso da força: bastante utilizado antigamente, ainda é empregado por muitos 
professores. Nesse processo, são utilizados castigos e ameaças. As normas 
estabelecidas pelo professor devem ser seguidas sem questionamento. O 
aluno, regra geral, obedece aos regulamentos, segue as ordens, executa os 
deveres, sem qualquer interesse, apenas para livrar-se das punições e 
censuras; 
 
• chantagem afetiva: consiste em cativar a amizade do aluno ou da classe 
para se alcançar disciplina. O aluno, então, fará tudo o que o professor desejar, 
por medo de perder sua amizade ou magoá-lo. Ao seguir as normas e os 
regulamentos, terá em mente agradar o professor; 
 
• uso da responsabilidade: consiste em desenvolver a responsabilidade do 
aluno. Exige capacidade para acompanhar o seu amadurecimento, dando-lhe 
responsabilidades dentro dos limites de seu nível de maturidade e de 
inteligência. Consiste em criar oportunidades para a autodireção do aluno. 
 
Os três processos têm possibilidades de alcançar o alvo, mas o terceiro 
é, sem dúvida, o que deve ser priorizado. Muitas vezes, no entanto, você, no 
exercício da profissão, será obrigado a recorrer aos outros dois, sem, contudo, 
jamais chegar ao extremo da força física. 
Para desenvolver nos alunos a autodisciplina, alguns aspectos devem 
ser observados: 
 
• utilizar formas positivas de orientação: evitar castigos que possam 
humilhar o aluno; 
 
Didática Geral 
 
 113 
• considerar cada incidente: os alunos não devem ser punidos como exemplo 
para o grupo; 
 
• promover um clima de respeito e confiança: sendo tratados com respeito e 
compreensão, os alunos aprendem a respeitar-se mutuamente. Por outro lado, 
pessoas continuamente cerceadas ou humilhadas facilmente aprendem a 
duvidar de si e dos outros; 
 
 • ajudar os alunos a compreender a razão de ser das regras: o aluno deve 
ser conduzido a compreender a necessidade da existência de regulamentos e, 
se possível, até ajudar na sua formulação; 
 
• ajudar os alunos a prever as conseqüências dos próprios atos: em certos 
casos, porém, é melhor deixar que tenham suas experiências e delas tirem 
normas para o futuro; 
 
• procurar as causas da indisciplina de maneira objetiva e racional: num 
ambiente autoritário, obtemos uma disciplina superficial, com a aplicação de 
regras coercitivas; 
 
• ajudar os alunos a compreender as causas do seu próprio 
comportamento e a desenvolver meios de solucionar seus conflitos: em 
grande parte das vezes, o problema é trazido de casa, e é preciso não coibir 
essa fonte de informações, reprimindo os alunos sob exigências de ordem, 
silêncio ou atenção. Pedir para os alunos se colocarem no lugar de outra 
pessoa, por exemplo, é um meio de ajudá-los a aprender que um problema tem 
muitos ângulos. 
 
Sabemos que o relacionamento em sala de aula é bom quando vemos 
alunos alegres e seguros enquanto desenvolvem suas atividades de 
aprendizagem. 
Como professor, sua influência será muito importante, e a criação de um 
clima psicológico que favoreça ou não a aprendizagem dependerá 
principalmente de você. Esse clima estará sujeito, em grande parte, ao tipo de 
liderança por você adotado (Piletti, 2010). Existem três tipos básicos: 
 
• autoritária: nela, tudo o que deve ser feito é determinado pelo líder. Ele não 
diz aos liderados quais os critérios de avaliação, e as notas não podem ser 
discutidas. Esse líder não participa das atividades da turma, apenas distribui as 
tarefas e dá as ordens. Como resultado, os alunos manifestam dois 
comportamentos típicos: apatia e agressividade; 
 
Didática Geral 
 
 114 
• democrática: nela, tudo o que for feito será objeto de decisão da turma. 
Todos são livres para trabalhar com os colegas que quiserem, e o líder discute 
com todos os elementos os critérios de avaliação, além de participar das 
atividades do grupo. Como resultado, os alunos mostram-se responsáveis e 
espontâneos no desenvolvimento de suas tarefas, e são menos frequentes os 
comportamentos agressivos; 
 
• permissiva: nela, o líder é passivo, dá liberdade completa ao grupo de 
indivíduos a fim de que eles determinem suas próprias atividades. Ele não se 
preocupa com qualquer avaliação sobre a atividade do grupo e permanece 
alheio ao que está acontecendo. Como resultado, os alunos não chegam a se 
organizar como grupo, e se dedicam mais tempo às tarefas propostas na 
ausência do líder. 
 
Pode-se concluir que o melhor tipo de liderança é a democrática. Há 
algumas dicas de atitudes e comportamentos que você deve adotar para 
desempenhar esse papel: 
 
• tenha claro o objetivo a atingir em cada tarefa; 
• comunique esse objetivo; 
• faça da aula um desafio para seus alunos; 
• sugira, em vez de impor; 
• ouça as sugestões dos alunos e coloque-as em discussão; 
• coloque-se diante deles como um orientador; 
• faça os alunos trabalharem com você, e não para você; 
• elogie tudo o que for elogiável e destaque os acertos; 
• estimule as equipes a estabelecer regras de trabalho; 
• não fale muito, mas ouça muito; 
• encerre as atividades com uma avaliação feita pelos próprios alunos. 
 
Várias podem ser as causas da indisciplina de um aluno. Ele pode estar 
simplesmente nervoso, ou doente, com problema em casa, os pais podem ter 
discussões constantes, ele pode não estar dormindo o suficiente, neste caso 
cabe ao professor tentar averiguar as causas. A falha pode ter sido da escola, 
sua (em sua atuação como professor), da técnica utilizada, ou mesmo estar em 
outro aluno. 
Em síntese, no que se refere à disciplina,é preciso orientar a conduta 
dos alunos com atitudes seguras e ao mesmo tempo compreensivas. Como 
fazer isso dependerá da postura de cada professor e do “clima” da classe, pois 
em educação não há formulas prontas. 
O professor perceberá que às vezes precisa ser mais enérgico e outras 
vezes menos, dependendo da situação e do “clima” da classe. Convém lembrar 
que os elogios funcionam como reforço positivo, estimulando o aluno e 
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 115 
ajudando-o a desenvolver o autoconceito positivo. Mas é preciso usar o elogio 
nas situações adequadas, ou seja, quando perceber realmente que o aluno 
está se esforçando de verdade e fazendo o melhor que pode. 
O professor e os alunos devem propor, analisar e discutir, em conjunto, 
os padrões de comportamento e normas de conduta, pois quando o aluno 
participa da elaboração de um “código” de comportamento, tende a assumir o 
que propôs e a adotá-lo, na prática cotidiana durante as aulas, mais facilmente 
do que se fosse imposto. Assim, quando o aluno pode discutir ou elaborar as 
regras coletivamente, ele se sente mais motivado para respeitá-las. 
Por último, mas não menos importante, devemos falar sobre a direção 
de classe que é a organização e apresentação de situações de ensino de 
forma a facilitar a realização da aprendizagem e a construção do conhecimento 
pelo aluno. O professor perceberá que, às vezes, terá de agir de modo mais 
diretivo; outras vezes, de forma não-diretiva, deixando o aluno descobrir por si 
mesmo. O importante é usar um método ativo ou operativo (segundo a 
denominação de Jean Piaget), que acione e mobilize os esquemas operativos 
de cognição, agilizando, em especial, as operações mentais. O mesmo pode-
se dizer sobre os aspectos motores e afetivos. 
 
Disciplina de verdade só ocorre com o desenvolvimento da autodisciplina 
nos alunos. Dizemos da heterodisciplina (disciplina imposta pelo outro) 
para a autodisciplina (disciplina imposta por si mesmo). 
 
8.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Como vimos, o processo de ensino e aprendizagem é altamente 
complexo. Isso significa que existem muitos fatores intervenientes contidos 
dentro dele, como concepção pedagógica, detalhes técnicos, visão do 
professor e dos alunos, características gerais do trabalho educativo, da escola, 
dos recursos, etc. Todos esses fatores concorrem para que aconteça a ação 
didático-educativa dos professores na relação com seus alunos. 
É preciso, nos dias atuais, de pessoas que possam ter um 
posicionamento crítico da educação e do ensino. Uma mente aberta para 
aceitar divergências de opinião, discordâncias, questionamentos que exijam 
mais precisão, pedidos de maiores explicações, etc. 
 Fica claro em todo o texto que a educação que se prega aqui é para 
uma sociedade mais democrática e, por isso, mais capaz de lutar por 
transformações significativas na sociedade atual, para uma busca de maior 
justiça, menos desigualdade de direitos, melhor qualidade de vida, de estudos, 
de trabalho, etc. 
 Para isso, os professores não poderão ter medo da verdade e, 
educação, nos dias de hoje, não acontece como na época da ditadura militar, 
que NUNCA PODERIA SER CONTESTADA A PALAVRA DO PROFESSOR. 
Didática Geral 
 
 116 
Isso, felizmente, já passou! Hoje o que se busca é um diálogo aberto, franco, 
sincero e positivo, dando espaço para a uma relação de companheirismo na 
busca de uma evolução pessoal, tanto dos alunos quanto dos professores. 
 Não há momento melhor para o desenvolvimento do que a sala de aula, 
com muitas perguntas implorando por respostas, com muita dúvida exigindo 
melhores explicações, com muita boa vontade querendo reciprocidade. 
 Devemos dar um basta na relação de poder que os professores faziam, 
quando utilizavam-se das salas de aula para mostrar superioridade frente aos 
alunos. Isso, por parte dos alunos, faziam com que eles regredissem buscando 
auto-afirmação, querendo aparecer mais do que o professor, agredindo o 
professor verbal ou até fisicamente (em casos extremos que podemos 
averiguar em jornais). 
 Para reverter essa situação, os dois polos da relação (professor e 
alunos) devem ‘jogar no mesmo time’, acabando com aquela visão de 
competição sobre quem mostra mais. Ao professor, compete comprar a causa 
dos alunos, se comprometendo em dar um ensino mais interessante, mais 
aberto a discussões, mais exigente e menos punitivo, o que implica em exigir 
esforço, mas não punir o aluno com dificuldades de aprendizagem com 
resultados em notas baixas. Aos alunos, compete a compreensão de que o 
professor está lá para ajudá-lo em seu desenvolvimento e sua aprendizagem, 
fazendo-o dar um salto qualitativo em termos de capacidade de participação na 
vida social. Para isso, os alunos devem se empenhar com todas as forças, de 
maneira a ‘jogar o jogo proposto pelos professores’ para conseguir obter os 
resultados tão sonhados por ambos (professor e aluno). 
 Isso é uma educação transformadora, aberta a discussão, sem jogo de 
interesses ocultos, que mostra boa vontade por parte do professor e dos 
alunos, os dois sendo cúmplices da mesma causa: o desenvolvimento de uma 
sociedade melhor e mais interessante de se viver. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 117 
RESUMO 
Não há, em termos de possibilidades, como executar um trabalho de 
professor arriscando acertar simplesmente com o instinto. É preciso o domínio 
de certos conhecimentos que façam com que o professor encontre maior 
segurança, organização, estruturação e visão, sobre todos os fatores que 
interferem no trabalho educativo. 
O significado de ensinar nos leva a outros termos, como: fazer saber, 
instruir, comunicar conhecimentos, mostrar, orientar, guiar, dirigir, desenvolver 
habilidades – que apontam para o professor enquanto agente principal e 
responsável pelo ensino. Neste sentido, o ensino centraliza-se no professor, 
em suas qualidades e habilidades. 
O professor tem sua personalidade orientada por valores e princípios de 
vida e consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, ele 
veicula esses valores durante as aulas, manifestando-os a seus alunos. 
Assim, ao interagir com cada aluno em particular e se relacionar com a classe 
como um todo, o professor não apenas transmite conhecimentos, em forma de 
informações, conceitos e idéias (aspecto cognitivo), não apenas ensina gestos 
ou movimentos (aspecto motor), mas também facilita a veiculação de ideais, 
valores e princípios de vida (elementos do domínio afetivo), ajudando a formar 
a personalidade do educando. Por isso, o professor deve ter bem claro que, 
antes de ser um professor, ele é um educador. 
A condução da aprendizagem dos seus alunos, o professor tem duas 
funções básicas: a função incentivadora, pois precisa garantir situações que 
incentivem o aluno a continuar progredindo nos estudos e estimulem sua 
participação ativa no ato de aprender; e a função orientadora, pois cabe a ele 
ensinar, isto é, orientar o processo de aprendizagem dos alunos para que 
possam construir o próprio conhecimento. A autoridade do professor é 
inerente à sua função educadora, ou seja, é a autoridade de quem incentiva e 
orienta. 
Na relação professor-aluno, o diálogo é fundamental. A atitude dialógica 
no processo ensino-aprendizagem é aquela que parte de uma questão 
problematizadora para desencadear o diálogo, no qual o professor transmite o 
que sabe, aproveitando os conhecimentos prévios e as experiências anteriores 
do aluno. Assim, ambos chegam a uma síntese que elucida, explica ou resolve 
a situação problema que desencadeou a discussão. 
Uma aula disciplinada é muito maisdo que conservar a classe em 
ordem. O objetivo, ao buscar disciplina, deve ser o de desenvolver no aluno o 
autocontrole, o autorrespeito e o respeito pelas pessoas e coisas que o 
rodeiam. Se o professor não tem essas qualidades, é inútil tentar desenvolvê-
las nos alunos, por isso é bom ir treinando-as desde já. A verdadeira disciplina 
não se origina de pressões, mas parte do íntimo do indivíduo. 
No que se refere à disciplina, é preciso orientar a conduta dos alunos 
com atitudes seguras e ao mesmo tempo compreensivas. Como fazer isso 
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 118 
dependerá da postura de cada professor e do “clima” da classe, pois em 
educação não há formulas prontas. 
O professor perceberá que às vezes precisa ser mais enérgico e outras 
vezes menos, dependendo da situação e do “clima” da classe. Convém 
lembrar que os elogios funcionam como reforço positivo, estimulando o aluno 
e ajudando-o a desenvolver o autoconceito positivo. Mas é preciso usar o 
elogio nas situações adequadas, ou seja, quando perceber realmente que o 
aluno está se esforçando de verdade e fazendo o melhor que pode. 
O professor e os alunos devem propor, analisar e discutir, em conjunto, 
os padrões de comportamento e normas de conduta, pois quando o aluno 
participa da elaboração de um “código” de comportamento, tende a assumir o 
que propôs e a adotá-lo, na prática cotidiana durante as aulas, mais facilmente 
do que se fosse imposto. Assim, quando o aluno pode discutir ou elaborar as 
regras coletivamente, ele se sente mais motivado para respeitá-las. 
A direção de classe que é a organização e apresentação de situações 
de ensino de forma a facilitar a realização da aprendizagem e a construção do 
conhecimento pelo aluno. O professor perceberá que, às vezes, terá de agir 
de modo mais diretivo; outras vezes, de forma não-diretiva, deixando o aluno 
descobrir por si mesmo. O importante é usar um método ativo ou operativo 
(segundo a denominação de Jean Piaget), que acione e mobilize os esquemas 
operativos de cognição, agilizando, em especial, as operações mentais. O 
mesmo pode-se dizer sobre os aspectos motores e afetivos. 
É preciso, nos dias atuais, de pessoas que possam ter um 
posicionamento crítico da educação e do ensino. Uma mente aberta para 
aceitar divergências de opinião, discordâncias, questionamentos que exijam 
mais precisão, pedidos de maiores explicações, etc. 
Fica claro em todo o texto que a educação que se prega aqui é para 
uma sociedade mais democrática e, por isso, mais capaz de lutar por 
transformações significativas na sociedade atual, para uma busca de maior 
justiça, menos desigualdade de direitos, melhor qualidade de vida, de estudos, 
de trabalho, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 119 
Exercícios 
 
1) Na Teoria Psicogenética de Jean Piaget, como o conhecimento se 
constrói? 
 
(a) O conhecimento se dá pela vontade do indivíduo, com muita 
persistência. 
(b) O conhecimento se dá pela ação do sujeito sobre o objeto, ou seja, o 
conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-
objeto. 
(c) Ele não explica como se dá o conhecimento, mas diz que o homem 
aprende com o meio. 
(d) O conhecimento se dá pela força da sociedade, da mesma forma 
como fala Vygotsky. 
(e) Ele diz que surge do amor dos pais, pela dedicação em cuidar de 
seus filhos. 
 
2) O que é assimilação para Piaget? 
 
(a) A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos 
esquemas disponíveis no sujeito, é o processo pelo qual as idéias, 
pessoas, costumes são incorporadas à atividade do sujeito. 
(b) A assimilação é a principal forma de atividade mental. 
(c) A assimilação nada mais é do que a motivação. 
(d) A assimilação é o conhecimento. 
(e) A assimilação é o mesmo que a acomodação. Por isso elas se 
alternam mutuamente no processo de conhecimento e fazem isso muito 
lentamente. 
 
3) O que é acomodação para Piaget? 
 
(a) A acomodação é a criança em fase conflitiva. 
(b) A acomodação é o não sedentarismo. 
(c) A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os 
elementos novos. 
(d) A acomodação é o relaxamento muscular. 
(e) É o mesmo que conforto. 
 
 
 
 
 
 
Didática Geral 
 
 120 
Resolução dos Exercícios 
 
1) Piaget afirma que o sujeito somente constrói seu conhecimento na 
interação entre as demandas do meio e suas iniciativas. É na interação 
entre sujeito e objeto de conhecimento que o sujeito constrói suas bases 
e evolui. 
 
Resposta correta: 
 
(b) O conhecimento se dá pela ação do sujeito sobre o objeto, ou seja, o 
conhecimento humano se constrói na interação homem-meio, sujeito-
objeto. 
 
2) A assimilação é a aplicação dos esquemas anteriores do sujeito a uma 
nova situação, incorporando os novos elementos aos esquemas 
anteriores do sujeito. Acontece que, ao entrarmos em contato com a 
realidade o sujeito tenta retirar desta uma forma de interpretação e 
incorporá-la, ou, utilizando uma linguagem mais próxima de Piaget, no 
contato do sujeito com o objeto de conhecimento, este tenta interpretá-lo 
com a ajuda de seus conhecimento prévios. 
 
Resposta correta: 
 
(a) A assimilação é a incorporação dos dados da realidade nos 
esquemas disponíveis no sujeito, é o processo pelo qual as idéias, 
pessoas, costumes são incorporadas à atividade do sujeito. 
 
3) A acomodação é o que torna possível a adaptação do sujeito, pois pode 
complementar o processo de assimilação. Trata-se da reestruturação ou 
modificação dos esquemas assimilatórios do sujeito para dar condições 
a este para assimilar o novo conhecimento. Podemos afirmar que, em 
muitos momentos o conhecimento não se deixa conquistar tão 
facilmente. Por isso, as estruturas do sujeito precisam se modificar para 
dar condições assimilatórias ao sujeito. Essas modificações acontecem 
ao mesmo tempo em que o sujeito tenta assimilar o novo objeto de 
conhecimento, fechando, assim, o ciclo adaptativo da equilibração 
majorante. 
 
Resposta correta: 
 
(c) A acomodação é a modificação dos esquemas para assimilar os elementos 
novos. 
 
Didática Geral 
 
 121 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BRANDÃO, C.R. O que é Educação? São Paulo: Cortez, 1989 (Coleção 
Primeiros Passos). 
 
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino 
fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de 
Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 
 
HAIDT, R.C.C. Curso de Didática Geral. 7. Ed. São Paulo: Ática, 2002. 
 
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública. São Paulo: Loyola,1985. 
 
_________. Didática. 18. Ed. São Paulo: Cortez, 2008. 
 
LORIERI, M.A. e RIOS, T.A. Filosofia na escola: o prazer da reflexão. São 
Paulo: Moderna, 2004. 
 
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 16. Ed. São Paulo: 
Cortez, 2005. 
PILETTI, C. Didática Geral. 24 Ed. São Paulo: Ática, 2010. 
SAVIANI, D. Escola e democracia. 36 Ed. Campinas, SP: Autores Associados, 
2003.

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