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série Estágios ESTÁGIO NA LICENCIATURA EM PEDAGOGIA 2. Gestão Educacional Edna Prado EDITORA UFAL VOZESESTÁGIO NA LICENCIATURA EM PEDAGOGIA 2 Gestão educacionalSÉRIE ESTÁGIOS Teoria e Prática dos AUTORIZADA CRIME Verônica Carneiro Estágios Curriculares no Ensino Superior Coordenação: Mercedes Carvalho e Edna ABDR Prado ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITOS REPROGRÁFICOS Estágio na licenciatura em Matemática DIREITO AUTORAL 1 Observações nos anos iniciais Mercedes Carvalho ESTÁGIO NA LICENCIATURA EM Estágio na licenciatura em Pedagogia 1 Projetos de leitura e escrita nos anos iniciais Giselly Lima de Moraes PEDAGOGIA 2 Gestão educacional Edna Cristina do Prado 3 Arte na Educação Infantil Cleriston Izidro dos Anjos 2 Gestão educacional Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Edna Prado Prado, Edna Estágio na licenciatura em Pedagogia : gestão educacional / Edna Prado. - Petrópolis, RJ : Vozes ; Maceió, AL : Edufal, 2012. (Série Estágios Coordenação: Mercedes Carvalho e Edna Prado) Bibliografia ISBN 978-85-326-4351-3 (Vozes) Coordenação: Mercedes Carvalho e Edna Prado 978-85-717- 7683-8 (Edufal) 1. Educação - Estudo e ensino (Estágios) 2. Licenciatura 3. Pedagogia 4. Prática de ensino 5. Professores - Formação profissional I. Título. II. Série. Índices para catálogo sistemático: EDITORA 1. Estágios nos cursos de licenciatura em VOZES Pedagogia : Educação 370.71 ed UFAL Petrópolis© 2012, Editora Vozes Ltda. UNIVERSIDADE Rua Frei Luís, 100 FEDERAL DE ALAGOAS UFAL 25689-900 Petrópolis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Reitor Brasil Eurico de Barros Lôbo Filho Diretor editorial Vice-reitora Frei Antônio Moser Rachel Rocha de Almeida Barros Editores Diretora da Edufal Aline dos Santos Carneiro Sheila Diab Maluf José Maria da Silva Lídio Peretti Conselho editorial Edufal Marilac Loraine Oleniki Sheila Diab Maluf (Presidente) Bruno César Cavalcanti Secretário executivo Cícero Péricles de Oliveira Carvalho João Batista Kreuch Elcio de Gusmão Verçosa Elias Barbosa da Silva Eurico Eduardo Pinto de Lemos Em coedição com: Fernando Antônio Gomes de Andrade Edufal Editora da Universidade Federal Roberto Sarmento Lima Roseline Vanessa de Oliveira Machado de Alagoas Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus Simone Plentz Meneghetti A.C. Simões, Prédio da Reitoria Cidade Universitária 57072-970 Maceió, AL Internet: http://www.edufal.com.br Brasil Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, Aos meus colegas gestores que estão incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da editora. no "chão da escola pública" e aos Editoração: Elaine Mayworm meus alunos, que em breve lá Projeto gráfico: Sheilandre Desenv. Gráfico Capa: WM Design também estarão, dedico resultado ISBN 978-85-326-4351-3 (Vozes) deste trabalho. ISBN 978-85-717-7683-8 (Edufal) Editado conforme o novo acordo ortográfico. Este livro foi composto e impresso pela Editora Vozes Ltda.Agradecimentos Sumário À Mercedes Carvalho, por mais este trabalho em parceria. Apresentação da série, 9 À Sheila Maluf e ao Lídio Peretti, por acreditarem em nossa ideia. Introdução, 13 Aos meus orientandos de estágio das faculdades e 1 Do diretor ao gestor: um passeio pela história recente da universidades em que já trabalhei ao longo destes anos de administração educacional no Brasil, 17 magistério no Ensino Superior e aos que hoje comigo estão. 2 O Estágio Curricular em Gestão Educacional, 37 Aos colegas do Setor de Estudo de Política e Gestão do 2.1 Competência: da origem do vocábulo à sua Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, em apropriação pelo discurso neoliberal, 42 especial às colegas Profa. Ms. Elisângela Mercado, Profa. 2.2 O Estágio em Gestão Educacional e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): para além das Dra. Inalda Santos e Profa. Ms. Irailde Correia, que comigo competências, 48 dividem a prazerosa tarefa de coordenar os estágios em gestão educacional do Curso de Pedagogia. 3 A formação profissional do gestor e a ressignificação do estágio supervisionado, 56 À Profa. Dra. Cícera Nunes, pelo aprendizado conjunto 3.1 A especificidade do Estágio Curricular durante o período em que compartilhamos a Supervisionado, 57 responsabilidade pelo Estágio em Gestão. 3.2 Uma experiência de estágio: um caminho que se faz Às equipes gestoras que, cientes da importância da formação caminhando, 61 do novo gestor, não se negam a abrir as portas das escolas (e 3.3 Os passos da caminhada, 65 nem tampouco da "diretoria") a fim de receber estagiários. 3.4 A intencionalidade das ações: superando a burocratização, 70 A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a Inconclusões, 81 realização deste trabalho. A meus familiares e amigos. Referências, 85Agradecimentos Sumário À Mercedes Carvalho, por mais este trabalho em parceria. Apresentação da série, 9 À Sheila Maluf e ao Lídio Peretti, por acreditarem em nossa ideia. Introdução, 13 Aos meus orientandos de estágio das faculdades e 1 Do diretor ao gestor: um passeio pela história recente da universidades em que já trabalhei ao longo destes anos de administração educacional no Brasil, 17 magistério no Ensino Superior e aos que hoje comigo estão. 2 O Estágio Curricular em Gestão Educacional, 37 Aos colegas do Setor de Estudo de Política e Gestão do 2.1 Competência: da origem do vocábulo à sua Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, em apropriação pelo discurso neoliberal, 42 especial às colegas Profa. Ms. Elisângela Mercado, Profa. 2.2 O Estágio em Gestão Educacional e o Trabalho de Dra. Inalda Santos e Profa. Ms. Irailde Correia, que comigo Conclusão de Curso (TCC): para além das competências, 48 dividem a prazerosa tarefa de coordenar os estágios em gestão educacional do Curso de Pedagogia. 3 A formação profissional do gestor e a ressignificação do estágio supervisionado, 56 À Profa. Dra. Cícera Nunes, pelo aprendizado conjunto 3.1 A especificidade do Estágio Curricular durante o período em que compartilhamos a Supervisionado, 57 responsabilidade pelo Estágio em Gestão. 3.2 Uma experiência de estágio: um caminho que se faz Às equipes gestoras que, cientes da importância da formação caminhando, 61 do novo gestor, não se negam a abrir as portas das escolas (e 3.3 Os passos da caminhada, 65 nem tampouco da "diretoria") a fim de receber estagiários. 3.4 A intencionalidade das ações: superando a burocratização, 70 A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a Inconclusões, 81 realização deste trabalho. A meus familiares e amigos. Referências, 85Apresentação da série A Série Estágios - Teoria e Prática dos Estágios Curri- culares no Ensino Superior visa oferecer, por meio de um con- junto de volumes específicos sobre as várias áreas do conheci- mento, abordagens e subsídios que tratam da relação teoria e prática dos estágios curriculares supervisionados nos cursos de graduação, em suas várias modalidades: licenciaturas, bachare- lados e tecnológicos. Embora as diretrizes curriculares dos cursos de nível su- perior, instituídas pelo Ministério da Educação a partir dos anos de 1990, deem ênfase aos estágios curriculares como es- paço em que aluno terá a possibilidade de interagir e praticar os conceitos aprendidos na graduação, pesquisas, debates e es- tudos revelam a dicotomia existente entre os saberes teóricos e a prática profissional. Nesse sentido, a comunidade acadêmica e os demais pro- fissionais das diferentes áreas do conhecimento têm imprimi- do esforços para superar tal dicotomia, isto porque teoria e prática são indissociáveis, uma é indispensável à outra em um processo contínuo de construção do conhecimento.10 Série Estágios 2 Gestão educacional 11 Ancoradas nessas questões pensamos na Série Estágios se constituírem em receituários a serem seguidos e/ou obras de Teoria e Prática dos Estágios Curriculares no Ensino Supe- aprofundamento teórico, procuram contribuir para a reflexão e rior, voltada não só aos coordenadores e docentes universitá- a ação dos professores universitários que atuam no âmbito da co- rios, mas a estudantes e profissionais das diversas áreas que re- ordenação dos estágios curriculares; dos coordenadores de curso cebem estagiários em suas instituições (escolas, empresas, es- que supervisionam tal atividade; para a percepção, por parte dos tabelecimentos comerciais, hospitais, tribunais, juizados etc.) estudantes, da importância do estágio em sua formação profis- que, em busca de novas perspectivas de atuação, venha ampliar sional e para a identificação de novos objetos, problemas e cate- as discussões sobre o estágio curricular enquanto momento gorias de análise, favorecendo a produção intelectual dos pes- privilegiado de formação do futuro profissional, independen- quisadores envolvidos com a temática. temente da área, a partir da divulgação de projetos de estágios Neste livro, a autora faz uma análise do estágio em gestão bem-sucedidos em diferentes campos do conhecimento, e nos cursos de formação de professores para a educação básica também propiciar a reflexão acerca da formação profissional e apresenta o trabalho realizado a partir da sua experiência que os graduandos recebem do Ensino Superior, contribuindo como coordenadora de estágio supervisionado em instituições para a (re)significação do estágio à luz das diversas mudanças particulares e públicas de Ensino Superior; destacando, ainda, político-econômicas, sociais e educativas ocorridas nas últi- entre outros aspectos, a superação da falácia teoria prática, a mas décadas. Ultrapassar as barreiras impostas por práticas ar- realização dos Estágios em Gestão para além do discurso das caicas, burocráticas e, por vezes, autoritárias é investir na for- competências e do mero atendimento às determinações legais mação de boa qualidade do profissional que chega ao mundo e a possibilidade de articulação entre o Estágio em Gestão e o do trabalho e indispensável para a melhoria das relações traba- Trabalho de Conclusão de Curso. lhistas e sociais. Mercedes Edna Prado Os livros que compõem a Série Estágios - Teoria e Prática Coordenadoras da Série Estágios dos Estágios Curriculares no Ensino Superior abordam, com linguagem clara, didática e bem objetiva, questões específicas da formação profissional nos diversos cursos de graduação e, semIntrodução De acordo com o aprendido ao longo dos anos, o conhe- cimento das motivações que levam o pesquisador a escrever um livro sobre uma temática específica auxilia o leitor na iden- tificação de seu significado, de suas limitações e, em especial, de seu alcance. Muitos outros trabalhos já discutiram o tema do Estágio Curricular Supervisionado nos cursos de formação docente, mas a especificidade deste texto em relação a outras pesquisas desenvolvidas sobre o Estágio Curricular reside na focalização da temática sobre as limitações e possibilidades da formação do novo gestor educacional. Em outras palavras, seu objetivo é refletir o Estágio em Gestão Educacional nos cursos de Peda- gogia, socializando com o leitor minhas experiências ao longo dos anos como coordenadora e professora de estágio em cur- sos de formação de professores. Busco ainda destacar ao longo das páginas que o Estágio em Gestão, assim como o de docên- cia, é indispensável na construção identitária do novo profis- sional da educação.14 Série Estágios 2 Gestão educacional 15 O presente trabalho expressa, em suas origens, meu inte- O capítulo 2 "O Estágio Curricular em Gestão Educa- resse há anos pela educação. A escola sempre fez parte da mi- cional" foi elaborado para suscitar a reflexão sobre as especi- nha vida. Professora da Educação Infantil à Pós-graduação ficidades do Estágio Curricular em Gestão, que, diferente- stricto sensu, ex-proprietária de escola, ex-diretora de escola mente do estágio em docência, tem ocupado uma posição se- pública municipal, coordenadora de estágios em instituições cundarizada em muitas matrizes curriculares dos cursos de de Ensino Superior, coordenadora acadêmica, entre outros Pedagogia. Para subsidiar as análises, o capítulo subdivide-se cargos e funções exercidos em colégios, faculdades e universi- em dois subitens: um que discute uso do discurso das com- dades, procuro manter em minhas atividades um diálogo cons- petências na legislação e nas práticas de estágio, denominado tante entre a teoria e a prática, elementos indissociáveis de "Competência: da origem do vocábulo à sua apropriação pelo qualquer ação educativa, quer seja ela institucional ou não. discurso neoliberal", e outro Estágio em Gestão Educacio- Foi justamente minha atuação como gestora de uma escola nal e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): para além das municipal de educação básica na capital paulista e os anos nas competências" em que mostro as possibilidades do Estágio várias atividades de gestão de instituições particulares de Ensi- em Gestão vinculado à monografia final do curso. no Superior que me aproximaram da área da gestão educacional. A socialização das minhas experiências de trabalho com Envolvida no dia a dia, no turbilhão de tarefas que fazem Estágio em Gestão é a temática do capítulo "A formação pro- parte da rotina docente universitária, dedico-me no Ensino fissional do gestor e a ressignificação do estágio supervisiona- Superior, além da docência, pesquisa, extensão e gestão, à ori- do", organizado em quatro subtítulos: "A especificidade do entação do Estágio Curricular em Gestão Educacional na Estágio Curricular "Uma experiência de es- Universidade Federal de Alagoas, no Nordeste brasileiro. tágio: um caminho que se faz "Os passos da ca- O presente livro está organizado em três capítulos. No pri- minhada" e "A intencionalidade das ações: superando a buro- meiro, intitulado "Do diretor ao gestor: um passeio pela histó- ria recente da administração educacional no Brasil", construo Nas considerações finais faço um resgate das principais um resgate da história recente da gestão educacional no Brasil a questões trabalhadas ao longo do texto, esclarecendo ao leitor fim de dar sustentabilidade aos capítulos que se seguem.16 Série Estágios que resultado deste trabalho constitui-se a reflexão sobre vá- 1 rias incertezas e algumas conclusões provisórias que permei- am a vida acadêmico-profissional de uma professora universi- Do ao gestor: um passeio pela história tária que, graças ao Estágio em Gestão, não tem perdido o sa- recente da administração educacional no Brasil lutar elo com as escolas e instituições públicas da educação bá- sica, nas quais inúmeros colegas de profissão têm sofrido da Em uma sociedade cujos valores forma mais perversa possível as consequências do descaso dominantes distanciam cidadão da com a educação nacional advindo da opção por um sistema so- possibilidade de intervenção pública, em que impera uma concepção ciopolítico e econômico tão exclusivista e excludente. restrita de política eminentemente Edna Prado vinculada à disputa pelo poder e exercício democrático limitado ao ato de votar em dia de eleição, processos participativos precisam ser promovidos e constantemente aperfeiçoados e ampliados (MENDES, 2008: 108). Antes de falarmos sobre o Estágio em Gestão Educacional, faz-se necessária uma reflexão sobre questões importantes que permeiam a administração de um sistema escolar, de uma rede e 1. Embora haja uma corrente de intelectuais que defende uso explíci- to e reiterado dos gêneros masculino e feminino (professor/professo- ra; diretor/diretora; gestor/gestora; estagiário/estagiária etc.) na escri- ta acadêmica, da qual o inesquecível Paulo Freire era defensor, optei, neste livro, por uma questão de fluidez de leitura, pelo uso do substan- tivo no masculino, sem nenhuma forma de discriminação às mulheres.18 Série Estágios 2 Gestão educacional 19 de uma instituição de ensino, mais precisamente, da escola de Com o advento do capitalismo industrial, muitas mudan- educação básica. Entre estas questões estão: a compreensão do ças ocorreram, não só no modo de produção, mas na socieda- impacto das políticas públicas educacionais no contexto esco- de como um todo. Na área educacional houve a criação e ex- lar, a compreensão dos conceitos de descentralização e de de- pansão do sistema universitário, ampliação do ensino público mocracia, uma vez que a gestão escolar na maior parte das esco- de nível básico, surgimento da Educação Infantil e de Jovens e las é tida como "descentralizada" e "democrática". Adultos, ampliação da rede particular, entre outras mudanças. Temos claros limites do presente livro, cujo objetivo é a Em termos de financiamento, as escolas públicas continuavam análise do Estágio em Gestão nos cursos de formação de profes- sendo mantidas pelas verbas provenientes de impostos, não só sores para a educação básica, mas para mostrar que a tendência à estaduais, mas também federais e municipais, sem, entretanto, descentralização das políticas federais de educação já estava pre- uma clara definição de responsabilidades entre as instâncias e sente antes mesmo da reforma educativa da década de 1990, tor- sem um controle sobre a aplicação efetiva das verbas. na-se imprescindível uma breve contextualização histórica. Pouca alteração nesse quadro pôde ser sentida até o final A descentralização do sistema não é uma característica re- da década de 1980, quando um novo sistema de relações inter- cente, ela já estava presente na pauta das discussões educacio- nacionais, criado a partir da crise econômica, ocorrida nos nais desde as primeiras décadas do século XIX. Por conta do anos de 1970, começa a consolidar-se. É a chamada globaliza- Ato Adicional à Constituição Federal de 1834, os encargos da ção, que, aliada às regras do neoliberalismo, estabelece uma educação básica são transferidos para as províncias (mais tarde nova configuração mundial. estados), que, para custeá-los, criaram novos impostos (MON- O neoliberalismo, ordem político-econômica vigente no LEVADE, 1997). Mas apenas em 1988 é que se pode falar em século XX, impulsionado internacionalmente a partir dos go- um verdadeiro sistema educacional: vernos de Margareth Tatcher na Inglaterra (1979) e de Ronald Em tese, a carta de 1988 viabiliza pela primeira vez o Reagan nos Estados Unidos (1980), é contra o Estado Benfei- estabelecimento de um sistema nacional de Educação, tor (Welfare State) estabelecido após a II Guerra Mundial. Se- ao vincular, obrigatoriamente, recursos orçamentá- gundo os neoliberais, "o Estado aparentemente benfeitor aca- rios para a área e definir um regime de colaboração en- ba na verdade produzindo um inferno de ineficácia e clientelis- tre as diferentes instâncias da União pela universaliza- mo, pesadamente pago pelo mesmo cidadão que, à primeira vis- ção do ensino básico (KRAWCZYK, 2008: 48). ta, procurava socorrer" (MORAES, 2000, apud KRAWCZYK,20 Série Estágios 2 Gestão educacional 21 CAMPOS & HADDAD, 2000: 18). É novo eixo assistência social etc.) ao setor privado (ARELARO, 2000, organizador da sociedade em detrimento do Estado Nacional, apud PRADO, 2002; GENTILI, 1995; PRADO, 2007). que perde sua força interventora frente à globalização financei- O processo de reestruturação global do Estado e os novos ra, à internacionalização das atividades econômicas e à liberação ditames da economia de mercado provocaram impactos nas da economia mundial. Nesse modelo, o econômico sobre- diferentes esferas sociais e, como não podia deixar de ser, de- põe-se ao político passando a ser encarado como a instância terminaram importantes reformas na esfera educacional. norteadora da Na década de 1990 foram várias as estratégias visando, Tais alterações atingiram diretamente os países endivida- segundo o discurso oficial, concretizar a autonomia es- dos que se viam cada vez mais vinculados aos "programas de colar demandada pelos movimentos de educadores. ajuste" e às mudanças estruturais impostas pelas organizações Dentre estas estratégias, destacam-se a transferência multilaterais, o que acontecia por conta da renegociação de de recursos diretamente às escolas (mediante a apre- suas dívidas, de novos empréstimos e de financiamento de sentação de um projeto), a normatização da gestão projetos. Os programas de ajuste neoliberais influenciaram as colegiada da escola e o fortalecimento do papel do di- políticas públicas locais, fazendo-as apoiarem-se num triplo retor [...] Paralelamente a isso, introduziu-se um for- objetivo: focalização, descentralização privatização, termos te controle externo de avaliação institucional centrali- aqui entendidos, respectivamente, como: substituição do aces- zado no MEC, por meio dos sistemas Saeb e Siied² so universal (direitos sociais, bens públicos etc.) por acesso (KRAWCZYK, 2008: 61). seletivo as chamadas políticas compensatórias, como os pro- As pressões dos organismos multilaterais intensificam-se gramas de auxílio à pobreza ou os programas de alfabetização no início dos anos de 1990, durante o governo do Presidente de adultos; nova forma de regulamentação de competências Fernando Collor de Melo (1990-1992), em virtude dos dados que redistribui responsabilidades, mas que, especificamente estatísticos internacionais que evidenciavam o grande atraso no caso educacional brasileiro, apresenta uma dupla lógica: educacional do país. O Brasil apresentava, em 1991, 19,2 mi- descentralização dos mecanismos de financiamento e gestão lhões de analfabetos, o que correspondia a 20% do total da po- do sistema e centralização das decisões pedagógicas, a partir da elaboração de políticas, normatização e avaliação; e transfe- 2. Saeb corresponde ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação rência dos bens e responsabilidades estatais (saúde, educação, Básica e Siied ao Sistema Integrado de Informações Educacionais.22 Série Estágios 2 Gestão educacional 23 pulação. Já no governo do Presidente Itamar Franco (1992- Sistemas, redes e escolas foram fortemente influenciados 1995), a declarada posição de defesa do Estado Nacional por pelas novas determinações. Vocábulos e expressões como des- ele assumida fez com que os ajustes estruturais neoliberais centralização da administração ou da gestão, gestão democrática, fossem mais discretos, mas, nem por isso, interrompidos. Mas gestor, entre outros, começaram a ganhar evidência no cenário é especificamente a partir de 1995, durante o primeiro manda- educacional brasileiro, em especial a partir dos textos legais que to do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que o discurso retomavam o já previsto no art. 206 da Constituição Federal de neoliberal passa a fazer parte do cenário educacional, reorgani- 1988: "f) gestão democrática do ensino público, na forma da lei". zado em função dos critérios de mercado. Antes desse período, reflexo de uma política castradora e A partir da legislação, várias políticas públicas e ações para centralizadora, influenciada fortemente por preceitos milita- a implantação da gestão democrática nas escolas públicas fo- res, o sujeito que ocupava o cargo mais elevado na escola, que ram criadas nos âmbitos federal, estadual e municipal. Entre administrava as questões pedagógicas, burocráticas e de pes- elas, podemos citar o Programa Dinheiro Direto na Escola soas era conhecido como "diretor escolar", como "chefe" e, em muitos lugares, como o "dono da escola" (infelizmente, (PDDE), que previa a atuação direta dos conselhos escolares e em pleno século XXI, ainda muitos se sentem os donos de es- conselhos municipais de educação, o estímulo à eleição direta colas que são "públicas" "do povo"!). As ações deste diretor das equipes gestoras, à construção dos projetos político-pe- eram fortemente influenciadas pelas práticas administrativas dagógicos e regimentos escolares. desenvolvidas no setor empresarial. Acreditava-se que o que As recomendações internacionais orientavam a re- dava certo na empresa capitalista também seria viável na escola configuração da relação entre o Estado e a sociedade pública e a transposição de projetos, dinâmicas e pressupostos por meio da implementação de políticas de descentra- deu-se em vários lugares de forma acrítica. A burocracia, a es- lização na gestão da educação e de incorporação da ló- trutura verticalizada, o excesso de formalismo, a centralização gica da gestão privada na gestão pública [...], a organi- do poder nas mãos do diretor e a crença na neutralidade da ad- zação da gestão do sistema educacional e da escola fo- ministração empresarial foram características marcantes do ram dimensões privilegiadas nas reformas do setor na período considerado como a fase clássica da administração es- América Latina durante a década de 1990 (KRAW- colar. Mas, em nome dos ideais de democracia e de descentra- CZYK, 2008: 16). lização, o vocábulo "diretor" (não necessariamente as práti-24 2 Gestão educacional 25 Série Estágios cas) foi substituído não só na legislação, mas também na pro- políticas públicas que atinjam verdadeiramente ao que chamamos dução acadêmica que se sucede no período por "gestor", aque- no meio educacional de chão da escola". O discurso bem elabo- le que administra as tensões, que se envolve em todas as áreas rado, apaixonante e, por vezes, utópico para muitos, precisa ga- da escola, que aproxima as questões burocrático-administrati- nhar concretude, precisa ser capaz de produzir práticas mais de- vas das pedagógicas e de pessoas, que delega poderes e tarefas, mocráticas, mais participativas e, acima de tudo, mais humanas. enfim, aquele que enxerga as especificidades da administração Segundo Krawczyk (2008: 20), as produções acadêmicas escolar para além da administração empresarial e que é (ou de- brasileiras sobre as reformas educacionais da década de 1990 veria ser) "democrático". identificaram que, Ingenuidade seria acreditar que só pela substituição de um na maioria dos municípios, as políticas de descentrali- termo, saturado por uma carga semântica negativa ao longo de zação não geraram espaços coletivos de decisão, con- anos de práticas autoritárias, a tão sonhada gestão democrática cretizando-se como mera desconcentração das atribui- das escolas públicas seria alcançada. Como já dizia Silva Junior ções de suas secretarias de educação para instâncias in- (2002), muito mais que alterações terminológicas, a adminis- termediárias e para as unidades escolares, sem romper tração da escola pública para ser verdadeiramente democrática com a centralidade do Executivo na tomada de deci- precisa de sérias e profundas alterações políticas, pois, caso sões político-educativas e de controle dos recursos ma- contrário, a gestão democrática torna-se mais "[...] um discur- teriais. A falta de concretização de práticas coletivas em que o apelo a uma ideologia democrática, libertária e em órgãos colegiados para a formulação de políticas e descentralizadora encobre, nas novas condições políticas, a ações educacionais foi interpretada pelos pesquisado- continuidade e até o aprofundamento de políticas oriundas res como decorrente da insuficiência de vontade políti- dos regimes ditos autoritários" (COGGIOLA, 2008, apud ca e/ou da ausência de organização social, o que invia- KRAWCZYK, 2008: 2). bilizou a criação de espaços plurais facilitadores de uma Mais de vinte anos após a promulgação da nossa Carta maior participação dos atores envolvidos. Magna, considerada por muitos a Constituição Cidadã, ainda Neste contexto, a formação do novo gestor ganha um pa- precisamos avançar do plano do discurso, da legislação (Consti- pel central e, dentro dele, a função do Estágio Curricular Su- tuição Federal, LDB, Diretrizes Curriculares, pareceres, reso- pervisionado. Os cursos de formação de professores-gestores luções), programas de governo e projetos para a efetivação de devem propiciar momentos de reflexão e de contato com prá-26 Série Estágios 2 Gestão educacional 27 ticas de escolas que visem a construção educativa "de" e "para" Não se transforma, em nível local, de um dia para o outro ou processos participativos e democráticos. por meio de determinações legais, muitas vezes "de cima para Torna-se indispensável a construção de um tipo de baixo", uma administração escolar autoritária em uma gestão gestão escolar contra-hegemônico, tais como foram os exem- verdadeiramente democrática e participativa. Faz-se necessá- plos bem-sucedidos da Escola Cidadã, da Escola Plural e da rio muito trabalho, diálogo, muita discussão, e muita vontade. Escola Candango, entre tantos outros desenvolvidos pós-pe- Isto mesmo, vontade! Só há gestão democrática quando a ríodo de redemocratização do país. maioria dos sujeitos a desejam, brigam, vivem a cada dia por A gestão participativa é diferente da gestão da participa- ela. Gestão democrática não é algo imposto ou dado, é uma ção, embora seja muito comum ouvirmos as duas expressões conquista, é fruto do desejo de uma escola mais humana, mais tratadas como se fossem sinônimas, reflexo de um mesmo justa e plural. Sendo assim, a gestão participativa não é um processo. A primeira relaciona-se à presença dos diversos su- processo fácil; ao contrário, marca-se por um passado antide- jeitos envolvidos no processo educativo (representantes das mocrático e pelos desafios diários. E, uma vez conquistada, secretarias de educação, equipe gestora, professores, funcio- exige persistência e cuidado frequente, a fim de que o oprimi- nários, estudantes, pais e responsáveis, comunidade etc.) de do, ao assumir o poder, não se transforme em opressor, como forma ativa nas escolas. Enquanto a segunda, diretamente rela- já dizia Freire (1987), em Pedagogia do oprimido. cionada à anterior, corresponde à forma como a equipe gesto- Não é mais possível admitir que a hierarquização burocrá- ra organizará a participação de todos estes sujeitos a fim de tica ainda tenha espaço e influencie tão fortemente processos que a escola não perca sua essência e se transforme em uma dinâmicos como o da gestão escolar, que envolve muito mais arena de disputa de interesses, por vezes assimetricamente di- do que as práticas e as relações de poder em nível local. versos. Por mais que seja necessária a presença de todos estes Ao longo da história recente do Brasil, pode-se afirmar atores nas escolas, sua participação precisa ser articulada, geri- que temos muitos outros exemplos de práticas esporádicas e da, a fim de que objetivos comuns sejam buscados e ações para pontuais de participação na gestão das escolas do que propria- a concretização possam ser desenvolvidas. Embora diferentes mente dita uma gestão democrática, tal qual o descrito na le- na forma, ambos guardam em comum, entre outros aspectos, gislação educacional. Em outras palavras, a educação brasileira fato de constituírem-se processos difíceis e demorados, uma tem se caracterizado pelo aumento dos processos de democra- vez que exigem muita maturidade e respeito dos envolvidos. tização da gestão, o que merece, sem sombra de dúvida, um28 Série Estágios 2 Gestão educacional 29 grande destaque, mas se mantém ainda distante de um número [...] A definição de democracia como poder em públi- elevado de sistemas e unidade escolares democráticos. não exclui naturalmente que ela possa e deva ser ca- Compreender a verdadeira essência da gestão educacional racterizada também de outras maneiras. Mas essa de- democrática pressupõe o entendimento mais amplo dos limi- finição capta muito bem um aspecto pelo qual a de- tes e alcance da educação. Antes de se pensar nos mecanismos mocracia representa uma antítese de todas as formas da participação dos diversos segmentos na gestão da unidade autocráticas de poder. escolar ou no contexto mais amplo, enquanto sistema de ensi- E, ainda, consideramos mais apropriado falar, nos dias no, torna-se premente pensar nos objetivos da educação que atuais, em níveis de democracia, logo, em níveis de gestão de- se pretende oferecer ou construir, como muitos preferem. mocrática da escola pública. Como nos mostra Machado (2008) Sem a clareza de aonde se quer chegar, para quê, de que forma especificamente sobre a realidade brasileira: e outras tantas questões que permeiam o dia a dia educacional Em nosso país predomina uma democracia de baixís- não tem sentido se falar em gestão, muito menos em gestão sima intensidade, com longos períodos de ditadura democrática: Gestão do quê? Para quê? Para quem? militar e regimes de exceção, sobre uma base colonial A democracia não é um valor universal, um conceito neu- de quase quatro séculos de escravidão, na qual está en- tro; ao contrário, a palavra democracia é polissêmica e, justa- raizada uma cultura racista, excludente e autoritária mente por apresentar várias acepções, seu uso, associado à ideia que permeia toda a sociedade. Nesse sentido, a em- de participação, ganhou centralidade no cenário político desde preitada utópica se faz mais difícil, contudo, não me- o final do século XX, tanto na daqueles que se autodeno- nos importante e fundamental (MACHADO, 2008, minam representantes da esquerda ou da direita, dominantes apud HYPOLITO, 2008: 69). ou dominados. Segundo Silva (2003: 12), "a facilidade com A ideia de gestão democrática não deve estar dissociada que o discurso democrático molda-se ao contexto das relações dos princípios de inclusão social (em sua acepção mais profun- sociais e é encampado por distintas correntes políticas tem ge- da, para além do mero acesso), da permanência, do sucesso es- rado ambiguidades que dificultam a tarefa de identificar as di- colar, da elevação da escolaridade, formação continuada de ferenças entre suas variantes". Dessa forma, adotamos na pre- gestores, professores e funcionários em serviço, do fortaleci- sente reflexão a definição de Bobbio (2000: 387), por enfatizar mento dos conselhos escolares, do projeto político-pedagó- sua contrariedade a toda forma de autoritarismo: gico, do regimento escolar, do currículo multicultural, dos30 Série Estágios 2 Gestão educacional 31 projetos interdisciplinares, da avaliação da aprendizagem e que se deve questionar, duvidar, denunciar, colaborar. Os ci- institucional, do orçamento participativo, do incentivo à par- dadãos envolvidos na comunidade de uma escola precisam ser ticipação dos sujeitos em encontros pedagógicos e científicos, partícipes na plena acepção do vocábulo. Basta do pai na escola do estreitamento dos vínculos escola, universidade, ONGs e para trocar a lâmpada queimada ou arrumar o vazamento do entidades de classe, enfim, da educação de boa qualidade. banheiro, da mãe para suprir a falta de uma merendeira ou para É preciso (re) significar o discurso pedagógico a partir de ajudar a professora em atividades extracurriculares. Isto signi- uma perspectiva contra-hegemônica. Gestão democrática tam- fica dizer que nossas escolas precisam muito mais do que de bém é um processo de aprendizagem, em especial para a grande "amigos da precisam de verdadeiras políticas públi- maioria dos educadores que tiveram suas vidas marcadas por práticas autoritárias não só no ambiente escolar, mas também cas de Estado, de profissionais capacitados, de mais investi- em outras instituições sociais, tais como família, Igreja mento, de menos corrupção e desvio de verbas, de menos Não basta chamar os pais e os demais segmentos da co- campanhas e programas de curta duração, de menos políticas munidade escolar para "elegerem" o diretor e/ou referenda- de governo, que somados a outros inúmeros entraves, tão bem rem decisões previamente tomadas, quer sejam em reuniões conhecidos dos educadores, tornam-se os verdadeiros "inimi- do conselho escolar, outras instâncias colegiadas ou fóruns. A gos da A verdadeira gestão democrática pressupõe este aspecto Mendes (2008: 108) chama de uma participação cidadã, entendida, nas palavras de McCowan [...] uma participação do tipo "faz de conta", isto é, há (2008: 47), como aquela que "[...] está centrada na participa- o envolvimento de um número significativo de pessoas ção das pessoas nas discussões e deliberações das políticas que em um processo sobre o qual elas não têm qualquer as afetam poder de influência e decisão. Ou seja, é criada uma es- Ainda segundo o mesmo autor, citando Del Pino (2003), trutura que propicia a participação (passiva); entretan- a educação é a porta de entrada para os direitos fundamentais to, esta serve apenas para legitimar escolhas previa- mente definidas. da pessoa humana, pois sem ela se dificulta a compreensão dos demais direitos (existência livre, digna e igualitária; cidadania; Os sujeitos envolvidos não podem ser usados, não podem trabalho; liberdade de expressão; locomoção etc.) e a forma de ter seus direitos usurpados. Falar em gestão democrática sig- nifica falar em aprender a participar, a aprender que se pode e exigir do poder público o seu cumprimento.32 Série Estágios 2 Gestão educacional 33 Entretanto, muitos gestores a fim de justificarem suas Uma escola democraticamente gestora pressupõe a dele- ações centralizadoras, autoritárias e antidemocráticas culpam gação de tarefas e a divisão do poder ou, dito de outra forma, a própria comunidade pela falta de participação. É comum a da descentralização da tomada de decisões. O uso da expres- fala: "os pais não vêm para as reuniões, não se preocupam com são equipe gestora ou equipe diretiva não deve ser visto apenas a educação dos filhos", ou ainda, "eles não querem participar, como mais umas das inúmeras mudanças de nomenclatura que não querem saber de nada". permeiam a educação nacional sem uma real alteração das prá- A não participação da comunidade é um fenômeno com- ticas que representam. Processo a que muitos educadores plexo, causado por vários fatores, entre quais estão: o pró- aproximam do ditado popular: "Mudam-se os nomes, mas os prio autoritarismo do diretor, que se sente dono da problemas permanecem os mesmos". as reuniões mal preparadas que subestimam a inteligência dos Uma nova concepção de gestão escolar pressupõe o rompi- pais e responsáveis (quem nunca participou de reuniões esco- mento da clássica dicotomia existente nas unidades escolares lares nas quais não se perguntou: Mas o que eu vim fazer aqui? entre a área administrativa e pedagógica. Ambas se constituem Será que eles pensam que eu não tenho que fazer?) e, talvez aspectos importantes e indissociáveis da organização de uma um dos mais relevantes, as marcas de uma educação castradora escola democrática. Dessa forma, trabalho dos gestores e dos que tiveram ao longo de toda a vida: coordenadores pedagógicos deve estar em plena sintonia. O Estado brasileiro, em todas as suas esferas, confir- É muito comum restringir-se a gestão democrática à elei- mou-se historicamente sob o signo do autoritarismo, estabelecendo um abismo entre as aspirações do coti- ção de diretores. Embora importante etapa da democratização diano da maioria dos cidadãos e a administração pú- das ações educativas, a escolha da equipe gestora por si só não blica. Desse padrão surgem duas aberrações de com- garante, e não tem garantido, em diversas redes espalhadas portamento. Primeiro, a centralização das decisões pelo Brasil, práticas democráticas de gestão. Isto porque, em sobre os destinos da maioria na mão dos "executivos" muitos lugares, a "gestão democrática" não passa de mais um e, a segunda, uma completa alienação e docilidade do clichê, de um discurso vazio que apenas tem servido para es- cidadão frente às decisões do "Estado" (SME, 2002: 2, conder práticas históricas de clientelismo, apadrinhamento, apud McCOWAN, 2008: 47). compra de votos e autoritarismo. Como diz Bethell (2000,34 Série Estágios 2 Gestão educacional 35 apud McCOWAN, 2008: 45), "[...] o Brasil é uma democracia A escola do povo deve ser idealizada e administrada com de eleitores e não ainda uma democracia de Mesmo sua participação ativa, ao contrário da escola para povo (o tipo se referindo ao processo eleitoral de forma mais ampla, as con- mais comum), que corresponde àquela em que o povo não se siderações de Silva (2002: 16) reforçam a concepção de que as faz sujeito, apenas se mostra como beneficiário da "bondade" eleições sozinhas não garantem a democracia, pois, para a au- de alguns governantes e diretores. O povo nestas escolas limi- tora, "[...] leitor é chamado apenas para votar em quem se ta-se a participar de algumas poucas festas e reuniões nas quais apresenta como candidato e não para participar do processo não se sente cidadão de direitos e, como tal, não se sente capaz decisório. As questões importantes não são colocadas em dis- de questionar, de se rebelar; isto se deve, entre outros motivos, cussão ou são disfarçadas [...]". ao que Mauro Del Pino, secretário da Educação do município Gestão democrática da escola pública parte também da de Pelotas em 2004, afirmou em entrevista: (re) significação da categoria "escola enquanto escola Nosso país viveu longos períodos de ditaduras, as "do" povo e não simplesmente "para" o povo. Muitos não per- quais criaram no povo a cultura da obediência, na qual cebem a diferença que subjaz às preposições, mas tal diferença o secretário da Educação manda e os diretores de es- é fundamental. colas obedecem, os diretores mandam e os professo- A partir da compreensão de que a escola pública per- res obedecem, na sala de aula os professores mandam tence a todos e sentindo-se responsável por ela, os su- e as crianças obedecem. Assim, se você quer mudar jeitos poderão agir de modo a exercer um controle so- esta lógica e construir uma nova prática pedagógica bre o tipo de ação que lá é realizada, para que prevale- em que professores não comandam, mas refletem çam as vontades coletivas em detrimento dos interes- com as crianças, em que constroem conhecimento ses individualistas. Assim, poderão ser criadas as con- [...] assim como podem questionar todos os aspectos dições para que desde cedo o cidadão aprenda sobre autoritários da cultura docente e mesmo aqueles as- seu direito de decidir acerca dos rumos daquilo que pectos culturais das crianças pois estas já chegam à lhe pertence, o público (MENDES, 2008: 112). escola com aquela cultura da obediência, com a postu- ra de estudante, com todo 0 simbolismo de como de- vem se comportar. Nós queremos que as pessoas se36 Série Estágios rebelem contra o poder autoritário, contra qualquer 2 forma de comando que não seja compartilhada como meio de manter esta orientação [...] Nós não quere- 0 Estágio Curricular em Gestão Educacional mos desenvolver um plano democrático de forma au- toritária infelizmente, algumas administrações de- Há a necessidade do mocráticas fazem exatamente isso: "Vocês vão parti- redimensionamento da formação do cipar!" E as pessoas podem participar durante esta ad- educador, qual implica a negação de um tipo ideal do educador, uma ministração, mas quando muda o prefeito tudo vai vez que não tem sentido a definição por água abaixo. Então, temos que criar uma cultura de sua competência técnica em da cidadania, na qual as pessoas possam desobedecer e função de um conjunto de atitudes e confrontar, mesmo que seja o nosso governo (apud habilidades estabelecidas a priori. A ação do educador deverá, ao McCOWAN, 2008: 57). contrário, revelar-se como resposta às A cultura da obediência é ensinada em nossas escolas! diferentes necessidades colocadas pela realidade educacional e social. Para Como ser um professor democrático, gestor democrático, um tanto, sua formação deverá ter como coordenador democrático, um secretário municipal da Educa- finalidade primeira a consciência ção democrático se, ao longo de vários anos, o que se aprendeu crítica da educação e do papel exercido por ela no seio da sociedade é a não contestação, a passividade, a submissão? [...]. Todos os componentes É diante deste complexo e amplo cenário que o estágio curriculares devem trabalhar a unidade teoria-prática sob diferentes curricular nos cursos de formação de professores precisa ser configurações, para que não se perca (re)significado. Assim como professor precisa ter contato a visão de totalidade da prática com a sala de aula, o futuro gestor precisa conhecer a dinâmica pedagógica e da formação como modo de eliminar distorções das equipes gestoras, precisa conhecer a prática, dia a dia do decorrentes da priorização de um dos ser gestor; além de bons cursos de formação de professores é dois polos. Acreditamos que esta alternativa traz em si a possibilidade preciso que tenhamos bons cursos de formação de gestores. de 0 educador desenvolver uma práxis criadora na medida em que a38 Série Estágios 2 Gestão educacional 39 vinculação entre pensar e agir I planejamento, execução, coordenação, acompa- pressupõe a unicidade, a nhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da inventividade, a irrepetibilidade da prática pedagógica (CANDAU & Educação; LELLIS, 1989: 60). II planejamento, execução, coordenação, acompa- nhamento e avaliação de projetos e experiências edu- cativas não escolares; Ainda é incipiente a produção acadêmica sobre o estágio III produção e difusão do conhecimento científi- curricular na formação das equipes gestoras das escolas de co-tecnológico do campo educacional, em contextos educação básica. Em uma consulta às principais bases de dados escolares e não escolares (grifos nossos). do Brasil, tal assertiva pode ser confirmada. Embora tema da Parece uma explicação lógica, embora não suficiente. Há gestão educacional tenha começado a ganhar visibilidade a sim particularidades no campo de trabalho do gestor que não partir dos anos 80 do século XX, a discussão sobre o estágio são trabalhadas em muitos cursos de licenciatura e, às vezes, específico na formação do gestor é secundarizada. Há um pre- em muitos de Pedagogia. Torna-se necessário que se garanta domínio de artigos, dissertações, teses e alguns livros sobre o na matriz curricular desses cursos um espaço voltado às refle- estágio docente. Mas como se dá a formação do novo gestor? xões teóricas específicas da política, da gestão educacional e da Muitos podem afirmar que o referido predomínio se deve atuação do gestor escolar, uma vez que a legislação garante ao fato de a ocupação do cargo de gestor só ser possível, no tanto ao licenciado quanto ao pedagogo compor a equipe ges- caso das escolas públicas, para aqueles que já são professores. tora das unidades escolares. E também porque a atividade docente pressupõe a atividade De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais CNE/ gestora, tal como previsto no art. 4° das Diretrizes Curricula- res Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, li- CP 1, Curso de Pedagogia tem como finalidade a formação cenciatura, CNE/CP 1, de 15 de maio de 2006: profissional, social e cultural dos futuros docentes e gestores que, qualificados para o exercício de suas atividades pedagógi- Parágrafo único. As atividades docentes também com- preendem participação na organização e gestão de sis- cas, sejam comprometidos com a ética profissional e com a temas e instituições de ensino, englobando: responsabilidade de propiciar atividades e situações de docên-40 Série Estágios 2 Gestão educacional 41 cia, gestão, supervisão etc. nas quais desenvolvam a capacidade Após caracterizar e problematizar a prática pedagógi- de reflexão, autonomia, cooperação e participação, a interiori- ca desenvolvida na escola, campo de observação e de zação de valores, a capacidade de percepção de princípios, de re- coleta de dados para análise, os alunos estagiários aca- lação interpessoal e de abertura às diversas formas da cultura bam percebendo que a teoria veiculada, esvaziada da contemporânea, capacidades essenciais não apenas a si próprios realidade e das práticas cotidianas da sala de aula, não explica a prática e, quando não, acaba contradizen- no exercício da profissão, mas a seus e do-a. O que ocorre é a ausência de fundamentos teó- interlocutores diversos. ricos justificando uma determinada prática, da mesma Entretanto, como dar conta de tantos objetivos em tão forma que uma postura crítica sobre a prática pedagó- pouco tempo de formação? O que deve predominar: as refle- gica só pode existir quando há uma relação dialógica xões teóricas ou prática cotidiana? Ou o equilíbrio entre as entre ela e a teoria. Esse momento tem exigido a cons- duas perspectivas? trução coletiva do referencial teórico que irá auxiliar a leitura da prática, desvelando, por assim dizer, qual ou Frequentes debates e estudos sobre a dicotomia existente quais teorias pedagógicas estão orientando a prática entre os saberes teóricos e os práticos mostram que muito já do professor, que por sua vez não é neutra nem fruto foi feito ao longo dos anos no sentido da superação dessa falá- de uma separação ingênua entre um determinado pro- cia, isto porque não existe teoria sem prática, nem tampouco jeto político e uma concepção de educação. prática sem teoria, uma é indispensável à outra num processo Mesmo assim, tal situação ainda permanece presente em al- de verdadeira construção do conhecimento. "A prática pela guns cursos de formação docente para a educação básica brasi- prática e o emprego de técnicas sem a devida reflexão podem leira. Hoje, em números mais reduzidos, ainda se ouve nas con- reforçar a ilusão de que há uma prática sem teoria ou de uma versas informais de licenciandos ao longo dos corredores das teoria desvinculada da prática" (PIMENTA, 2004: 37). universidades falas sobre escolas que assinam estágios curricu- A referida dicotomia também é apresentada por Fazenda lares supervisionados de alunos sem que esses tenham a necessi- (1991: 22), ao destacar a importância dos estágios curriculares dade de realizá-los, ou, se realizados, horas a mais são assinadas. para a formação docente: A partir desta constatação, destaca-se neste livro o traba- lho interdisciplinar que, sob a orientação direta dos professo-42 Série Estágios 2 Gestão educacional 43 res do Curso de Pedagogia (e/ou licenciaturas), busca apro- tágios na formação docente e do gestor) por competência ou fundar gradativamente no Estágio Curricular Supervisionado para competência. Em uma rápida consulta aos documentos do em Gestão os conteúdos desejados (não o simples discurso Ministério da Educação, vê-se claramente que todas as diretri- das habilidades e competências), pautando-se na premissa de zes curriculares, da Educação Infantil ao Ensino Superior, sem que é fundamental ao futuro pedagogo o domínio de um sóli- exceção, utilizam-se da nomenclatura "competências". do conhecimento, não na forma de "estoque" armazenado, Entretanto, mesmo com mais de quinze anos de constan- mas na forma de que o torne te uso, a palavra permanece mal compreendida nos meios es- capaz de levar seus alunos e interlocutores a serem agentes de colares e acadêmicos. Fala-se muito em competências, até para sua própria formação, aproveitando ao máximo a riqueza dos se emprestar um significado mais burilado aos projetos em espaços de conhecimento e participação propiciados por'uma educação, mas a ação pedagógica propriamente dita tem sido concepção democrática de gestão, pelas diversas linguagens relegada a um resultado, por vezes, desastroso. Presenciamos (multimídia, internet, livros etc.). em nossas escolas uma série de problemas advindos da repro- Mas você, leitor, deve estar se perguntando: Por que um po- dução de um discurso que não é da escola, que não nasceu_na sicionamento contrário diante do discurso das habilidades e escola, mas que por ela foi apropriado. Há uma grande diversi- competências tão presente na legislação nacional? O que isto tem dade de competências, é comum ouvirmos competências ge- a ver com o Estágio em Gestão? A resposta não passa pela con- rais, transversais ou ainda competências específicas para as di- trariedade, mas pela cautela, como veremos no próximo item. versas áreas curriculares numa crítica exagerada aos conteú- dos, quer sejam informacionais, factuais, conceituais e/ou procedimentais, termos também presentes no discurso peda- 2.1 Competência: da origem do vocábulo à sua gógico atual. apropriação pelo discurso neoliberal A polissemia de significados atribuídos à palavra compe- Houve, no início da década de 1990 e ainda há, nos dias de tência se faz presente em inúmeros documentos do MEC. Ora hoje, uma série de referências legais sobre uma metodologia se encontra o termo no singular, ora no plural e também a ex- para a organização curricular (consequentemente, para os es- pressão "educação orientada para competências", mas todas as44 Série Estágios 2 Gestão educacional 45 tentativas de definição do termo mostram-se falaciosas, pois se os objetivos específicos, em habilidades. Desta forma, a mudan- remetem a um campo semântico impreciso. Nesses documen- ça permanece no nível das aparências, não no da essência. Tem tos, mesmo diante da multiplicidade de sentidos, o vocábulo se mostrado inócuo o MEC elaborar, nas diversas diretrizes competência parece se relacionar, na maioria de suas ocorrências, curriculares criadas ao longo dos últimos anos, um rol de com- a conhecimentos, procedimentos e atitudes de ordem prática, petências a serem atingidas. Na prática, a simples mudança foi o como se fosse um saber em uso, um saber em ação. acréscimo de um verbo de ação na frente dos conteúdos disci- A precisão conceitual não é facilmente encontrada nem plinares. Se no passado se escrevia "ensinar as quatro opera- mesmo em diversas leituras dos textos de um dos precursores ções", hoje se escreve "utilizar-se das quatro operações para a da Pedagogia das Competências no Brasil, Philippe Perre- resolução de situações-problema impostas pelo noud, e, assim, a maioria dos educadores não sabe exatamente Para uma melhor compreensão do que vem a ser compe- o que significa competência e, o que é mais grave, como con- tência, faz-se necessária uma breve retomada da raiz etimoló- cretamente se transpõe uma competência da esfera discursiva gica da palavra, procedimento indispensável para a compreen- para a realidade das práticas pedagógicas. são de seu conceito e, por conseguinte, de seu significado na A obscuridade e, por vezes, redundância desses documen- atualidade educacional brasileira. tos, que parece esconder compromissos ideológicos do capi- Ao contrário da polissemia que embala a produção de tex- tal, provocou e tem provocado dúvidas cruciais nas escolas tos sobre competências e, por vezes, sobre sua diferenciação brasileiras que se perguntam se as competências são objetivos do conceito de habilidades, a raiz etimológica do vocábulo é ou se os objetivos, assim como os conteúdos, não devem cons- precisa. Do latim competentia, ae "proporção, simetria; aspec- tar mais nos currículos, ou melhor dizendo, serem priorizados to, posição relativa dos astros", que por sua vez vem de compe- nas matrizes curriculares. tere "competir, concorrer, buscar a mesma coisa que outro, A consequência imediata para a solução do impasse instau- atacar, hostilizar" (grifos nossos). rado foi e tem sido a mera substituição vocabular durante o pro- Competir mostra-se uma das grandes questões implícitas cesso de elaboração dos planos de curso e de disciplinas, nos no conceito de competência. Embora muitos documentos e quais os objetivos gerais transformaram-se em competências e, textos não se apoiem na origem do termo, a realidade da maior46 Série Estágios 2 Gestão educacional 47 parte dos estudantes brasileiros deixa explícita a concepção de tos educacionais dos últimos anos, em especial, a preocupação que, no mundo de hoje, o competir e o vencer transforma- excessiva com desempenhos escolares a partir de exames in- ram-se em um dos grandes objetivos postos à escola pelos di- ternacionais, mostram que o discurso das competências, mais tames neoliberais do capitalismo. Buscar a mesma coisa que do que responsável pela emancipação dos sujeitos, tem servido outro significa que apenas poucos competidores alcançarão apenas para atender às necessidades do mercado e aos ditames seus objetivos, ou a vitória que hoje pode ser vista como a in- neoliberais. Esse discurso atrelado aos demais artifícios das serção no mercado de trabalho e o acesso aos direitos mínimos chamadas pedagogias do aprender a aprender e às imposições do cidadão. De acordo com Duarte (2001: 38), neoliberais têm contribuído, inegavelmente, com o processo o "aprender a aprender" pode ser apresentado como de alienação dos indivíduos e, consequentemente, de adapta- uma arma na competição por postos de trabalho, na luta ção acrítica. contra o desemprego. O "aprender a aprender" aparece Duarte (1999: 24) afirma que a educação assume um im- assim em sua forma mais crua, mostra assim seu verda- deiro núcleo fundamental: trata-se de um lema que sin- portante papel ideológico no capitalismo contemporâneo; ela tetiza uma concepção educacional voltada para a forma- é capaz de formar trabalhadores de acordo com os novos dita- ção da capacidade adaptativa dos indivíduos. mes da exploração capitalista do trabalho. Complementando Essa competição acentua-se no final da década de 1980 essa ideia, o autor explica ainda que com a globalização, que, aliada às regras do neoliberalismo, es- [...] há necessidade, no plano ideológico, de limitar as tabelece uma nova configuração mundial, como vimos no ca- expectativas dos trabalhadores em termos de socializa- pítulo 1. ção do conhecimento pela escola, difundindo a ideia de que o mais importante a ser adquirido por meio da É preciso ter a clareza de que por trás das inúmeras tenta- educação não é o conhecimento, mas sim a capacidade tivas de definição vocabular permanece praticamente intacta a de constantes adaptações às mudanças no sistema base teórica que norteia essa pedagogia por competências, ou produtivo [...] Aprender a aprender é aprender a seja, pouco tem se discutido sobre qual a finalidade primeira adaptar-se. de tal pedagogia. Uma breve retrospectiva dos acontecimen-48 Série Estágios 2 Gestão 49 Diante do exposto, ao longo da nossa reflexão, toda vez transformação da realidade. Nesse sentido, o estágio que nos referirmos ao vocábulo competência, uma vez que ele curricular é atividade teórica de conhecimento, fun- está presente na legislação nacional sobre estágio curricular, damentação, diálogo e intervenção na realidade, esta, conforme se vê no inciso IV do art. 8° das Diretrizes Curricu- sim, objeto da práxis. Ou seja, é no contexto da sala de aula, da escola, do sistema de ensino e da sociedade lares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, li- que a práxis se dá (PIMENTA, 2004: 45). cenciatura, CNE/CP 1, de 15 de maio de 2006: "Estágio curri- cular a ser realizado, ao longo do curso, de modo a assegurar Cientes de que só saberes teóricos do campo da peda- gogia não bastam para ser um bom profissional, o contato di- aos graduandos experiência de exercício profissional, em am- bientes escolares e não escolares que ampliem e fortaleçam ati- reto com a prática pedagógica em escolas e instituições com- pletam a formação do licenciando ao trabalhar as várias faces tudes éticas, conhecimentos e competências" (grifo nosso), o do contexto educacional. O trabalho interdisciplinar desen- fazemos com cautela, a fim de evitar que, numa postura acríti- volvido entre as diversas disciplinas da matriz curricular e o ca, não reconheçamos os vários usos que ainda se pode fazer do discurso das competências. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) faz com que os sabe- res de ordem prática também ganhem destaque, pois não basta ao pedagogo conhecer teorias, perspectivas e resultados de in- 2.2 Estágio em Gestão Educacional e o Trabalho de vestigação como fins em si mesmos ele deve ser capaz de Conclusão de Curso (TCC): para além das competências construir, a partir da relação intrínseca existente entre prática Sendo os conhecimentos prático-conceituais indispensá- e teoria, soluções apropriadas para os diversos aspectos de sua veis ao graduando, suas atividades de estágios devem ser res- ação profissional, o que requer não só a capacidade de mobili- significadas, isto porque o estágio passava a ser entendido zação e articulação de conhecimentos teóricos, mas também a como instrumento da práxis docente e gestora. capacidade de lidar com situações concretas, saberes que de- [...] estágio, ao contrário do que se propugnava, não vem ser desenvolvidos progressivamente durante a etapa da é atividade prática, mas teórica, instrumentalizadora formação inicial e ao longo da carreira profissional. O pedago- da práxis docente, entendida esta como atividade de go não é um simples transmissor de conhecimento, ele é um50 Série Estágios 2 Gestão educacional 51 profissional que tem de ser capaz de identificar os problemas projeto de estágio planejado e avaliado conjuntamente que surgem em sua atividade e construir soluções adequadas. pela escola de formação inicial e as escolas-campo de Para tanto, necessita desenvolver capacidades e atitudes de estágio, com objetivos e tarefas claras e que as duas ins- tituições assumam responsabilidades e se auxiliem mu- análise crítica, de inovação e de investigação pedagógica. tuamente, o que pressupõe relações formais entre ins- A preparação do futuro gestor em que se pauta a essência tituições de ensino e unidades dos sistemas de ensino. deste livro, a partir das atividades do Estágio Curricular Su- Esses "tempos na escola" devem ser diferentes segun- pervisionado, demais disciplinas curriculares e do Trabalho de do os objetivos de cada momento da formação. Sendo Conclusão de Curso, tem uma peculiaridade muito especial, assim, o estágio não pode ficar sob a responsabilidade ressignifica o fato do graduando aprender a profissão no lugar de um único professor da escola de formação, mas en- similar àquele em que vai atuar. Isto porque é inegável a neces- volve necessariamente uma atuação coletiva dos for- sidade de que o futuro pedagogo experiencie, como estudante, madores (Parecer CNE/CP, 27/01). durante o processo de sua formação, as atitudes, os modelos Para tanto, a ideia aqui apresentada parte do princípio de didáticos, as capacidades e os modos de organização que pode- que as várias disciplinas do currículo do Curso de Pedagogia rão estar presentes em suas práticas administrativas e pedagó- não devem se desenvolver de maneira isolada, com uma didáti- gicas futuras. Desta forma, o estágio torna-se indispensável e ca, objetivos, estratégias de ensino e avaliação independentes. [...] deve ser vivenciado durante o curso de formação e Por mais que cada disciplina guarde em si suas especificidades, com tempo suficiente para abordar as diferentes di- é indispensável que o colegiado considere os objetivos gerais mensões da atuação profissional. Deve, de acordo com do curso como um todo integrado, no qual as disciplinas mos- o projeto pedagógico próprio, desenvolver-se a partir tram-se contextualizadas e interligadas. Todos os componen- do início da segunda metade do curso, reservando-se tes curriculares devem se voltar para o objetivo maior de um um período final para a docência compartilhada, sob a curso superior de formação docente, ou seja, o preparo de pro- supervisão da escola de formação, preferencialmente fissionais competentes e bem qualificados para a área da edu- na condição de assistente de professores [e de gesto- cação básica, quer seja na docência ou na gestão. Assim, um res] experientes. Para tanto, é preciso que exista um trabalho que vise a real integração dessas disciplinas deveria52 Série Estágios 2 Gestão educacional 53 pautar-se, entre outros aspectos, em um currículo desenvolvi- contexto real das instituições de ensino. Esse processo de do sob a forma de pequenos projetos a partir das reais necessi- transformação do saber científico acumulado pela sociedade dades das escolas onde o estágio é realizado. em saber prático-conceitual não passa apenas por mudanças Tais projetos, elaborados sob a orientação direta do pro- de natureza epistemológica, mas se forja significativamente fessor responsável pelas disciplinas de Estágio Curricular Su- por novas condições de ordem sociocultural, que resultam na pervisionado e Teoria e Prática de Ensino (e/ou outras no- elaboração de saberes intermediários, como aproximações pro- menclaturas adotadas em cada instituição), colherão dados visórias, necessárias e intelectualmente formadoras. Isto por- importantes que poderão ser analisados com mais profundida- que, segundo Pazeto (2000: 166), de durante a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso a gestão de instituições educacionais é um empreendi- (TCC), o qual poderá ser formado por duas partes: uma con- mento que desafia seus gestores, organismos públicos ceitual, de caráter monográfico, em que o tema central do pro- e privados e comunidades, com quem elas estabele- jeto desenvolvido ao longo do estágio curricular será trabalha- cem constantes interações. Os quadros de referência do a partir de uma revisão bibliográfica, e uma parte de pesqui- e a cultura organizacional geram dinâmicas e ritmos sa de campo, na qual o estudante, pautado no conhecimento próprios, nem sempre sintonizados com as situações adquirido nas diversas disciplinas, voltará à escola onde estagi- e expectativas intrínsecas e extrínsecas de cada insti- ou e analisará não só as limitações e possibilidades do projeto tuição. Essa diversidade de perfis e de ritmos requer dos gestores educacionais fundamentação científica e desenvolvido, mas outras questões que lhe causar uma curiosi- profissional, aliada a flexibilidade e atenção à realida- dade epistemológica. de na qual cada instituição está inserida. Os trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos neste Um trabalho interdisciplinar, assim estruturado, permite formato, bem como os estágios curriculares supervisionados a ressignificação de uma prática que ainda persiste no Ensino em gestão e as atividades de prática de ensino, muito mais do Superior em muitas instituições: extensas monografias de gra- que uma exigência institucional ou textos eminentemente teó- duação elaboradas a partir de reproduções e, muitas vezes có- ricos, colocam graduando em contato direto com seu papel pias, de ideias e postulados que, desvinculados de uma análise de mediador entre conhecimento sistematizado da área e 054 Série Estágios 2 Gestão educacional 55 relacional sobre a prática, pouco ou nada contribuem para a nais do mercado, mas para fazer de sua prática pedagógica um melhoria da qualidade da educação. processo contínuo de investigação, análise e crítica dos pro- Observando, criticamente, a realidade de nosso siste- blemas educacionais. ma de ensino, pode o futuro professor [gestor] situá-lo Entendendo a formação do pedagogo gestor como fator no processo social como um todo, desmitificando a importante na melhoria da educação nacional, o próximo capí- educação neutra e científica e denunciando esses meca- tulo pretende contribuir para a discussão em torno do traba- nismos discriminatórios que agem sobre ele, em seu curso, e posicionando-se politicamente no trabalho lho integrado de todas as disciplinas da matriz curricular do docente [administrativo] (REGO, 1992: 17). Curso de Pedagogia, buscando mostrar de que maneira tal Assim sendo, o presente texto busca identificar até que proposta pode se constituir num processo indispensável, que ponto o tripé Estágio Curricular Supervisionado, Teoria e vá além da mera determinação legal, sendo compreendido Prática de Ensino e Trabalho de Conclusão de Curso propor- como um reflexo de uma nova concepção de mundo e de edu- ciona ao licenciando a construção de saberes necessários à cação, apresentando uma intrínseca conexão com minhas op- atuação profissional do pedagogo gestor, uma vez que a práti- ções epistemológicas e metodológicas e dos colegas com os ca significativa deve ser a viga mestra de um curso de formação quais convivo nestes anos de magistério superior na formação de professores e gestores. O argumento aqui defendido pau- docente e à frente ou como membro do setor de estágios. Tal ta-se na consolidação de projetos desenvolvidos durante o es- proposta, entendida como processo, visa ultrapassar os precei- tágio curricular e sistematizados cientificamente nos temas de tos legais e apresenta-se, prioritariamente, como um meio de pesquisa desenvolvidos na monografia final do curso, os quais desenvolver o conhecimento sobre a qualidade das atividades permitirão aos graduandos adquirirem novos conhecimentos de gestão, dos relacionamentos interpessoais, da atenção às nesse campo, estimulando-os a buscarem aperfeiçoamento em necessidades do futuro gestor, buscando garantir que os cur- cursos lato e stricto sensu na área. Nesse sentido, o Curso de de Pedagogia sejam capazes de formar não somente profis- Pedagogia colaboraria para a preparação de um profissional sionais, mas, acima de tudo, cidadãos profissionais. em educação voltado não apenas para as demandas operacio-2 Gestão educacional 57 plinas bem distintas, mas sem nunca deixar de trabalhar 3 com Estágio Curricular Supervisionado, e do atual traba- A formação profissional do gestor e a lho que desenvolvo juntamente com as colegas da área de Estágio em Gestão, do Setor de Estudo Política e Gestão, ressignificação do estágio supervisionado do Centro de Educação da Universidade Federal de Alago- as, no Nordeste brasileiro. O maior desafio a ser empreendido em O objetivo central é apresentar o trabalho desenvolvido e relação à gestão diz respeito à qualificação do gestor, por duas razões. refletir sobre o processo de construção da identidade dos fu- Primeiramente, porque modelo e turos gestores durante os espaços e tempos do Estágio Curri- processo de qualificação dos atuais cular Supervisionado, na busca dos saberes necessários à for- gestores estão ancorados em parâmetros mação profissional que superem qualquer indício da falaciosa que não comportam as novas demandas institucionais e sociais; dicotomia existente entre os saberes teóricos e a prática peda- segundo, porque a gestão da educação, gógica, pois, como já vimos, não existe teoria sem prática e atualmente, tornou-se um dos nem prática sem teoria, ambas são indissociáveis. principais fatores do desenvolvimento institucional, social e humano. Os Depoimentos de estudantes estagiários, gestores e pro- novos cenários e demandas que vêm fessores, projetos de intervenção, projetos pedagógicos (tanto sendo esboçados pela sociedade exigem dos cursos de formação docente quanto das escolas campo de profunda revisão dos processos de formação dos gestores educacionais estágio), relatórios de visita, relatórios finais de estágio consti- (PAZETO, 2000: 165). tuem a base deste capítulo, tendo como referenciais os estu- dos de Raiça (2000), Pimenta (2004) e Fazenda (2005). O presente capítulo constitui-se como um relato da ex- periência advinda das práticas de desenvolvimento profis- 3.1 A especificidade do Estágio Curricular Supervisionado sional dos estudantes dos cursos de licenciatura e pedagogia É muito comum em estudantes que chegam à segunda meta- das faculdades e universidades particulares do estado de São de do Curso de Pedagogia uma ideia equivocada sobre os estágios Paulo em que trabalhei por vários anos ministrando disci-58 Série Estágios 2 Gestão educacional 59 curriculares. Alguns chegam a acreditar que é a hora de ganhar um agora realizada. Interessa-nos aqui Estágio Curricular Su- dinheiro a mais para complemento da renda familiar mensal. pervisionado, ou seja, aquele que faz parte das atividades obri- Há sim estágios remunerados ao longo da formação uni- gatórias da matriz curricular dos cursos de formação docente versitária nos mais diversos cursos; neles os estagiários traba- (e "gestora"), o qual, de acordo com o 1° do art. 2° da Lei lham nunca mais de 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas se- 11.788, de 25 de setembro de 2008 "é aquele definido como tal manais, sob a supervisão de um profissional habilitado, por um no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprova- período máximo de 2 (dois) anos. São os estágios previstos no ção e obtenção de diploma". art. 1° da Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe so- Uma vez entendido o que é o estágio (período de prepara- bre o estágio de estudantes: "Estágio é ato educativo escolar su- ção profissional), o que é curricular (o que está previsto na pervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa a matriz curricular dos cursos, em concordância com o estabele- preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam cido pelas referidas Diretrizes Curriculares Nacionais), res- frequentando o ensino regular em instituições de educação su- ta-nos ainda uma reflexão sobre o vocábulo "supervisionado". perior [...]", de caráter não obrigatório, ou seja, aquele que, se- Embora não mais presente explicitamente, o vocábulo guarda gundo o 2° do art. 2° da referida lei, é "desenvolvido como ati- em si um importante papel na realização dos estágios curricu- vidade opcional, acrescida à carga horária regular e lares. Comecemos pelo que não deve ser entendido por super- Para a realização destes estágios há instituições especiali- visão de estágio! zadas na divulgação e contratação dos estagiários. Entre as Em muitas instituições particulares de Ensino Superior mais conhecidas no Brasil, temos o Centro de Integração onde atuei ora como docente, ora como coordenadora, o Está- Empresa-Escola (Ciee), uma instituição filantrópica mantida gio Curricular Supervisionado constituía-se apenas como mais pelo empresariado nacional com mais de 46 anos de atuação em uma exigência frente às inúmeras outras tantas da legislação vários estados brasileiros, e o Núcleo Brasileiro de Estágios nacional em vigor. (Nube), também de abrangência nacional, há mais de 26 anos Aos estudantes estagiários cabia a tarefa de se dirigirem à integrando empresas, alunos e instituições de ensino. escola de educação básica (pública ou particular) mais próxima Embora importante, não é esta modalidade de estágio à sua residência ou à que de alguma forma lhe trouxesse mais foco de nossa reflexão, como leitor já percebeu na leitura até benefícios para a realização do estágio, sem que neste processo60 Série Estágios 2 Gestão educacional 61 houvesse qualquer intervenção do professor orientador. As ta- Neste perverso e pouco pedagógico modelo de estágio, a su- refas dos estagiários pautavam-se, na maioria das instituições, pervisão é por vezes confundida por muitos com "supervidão", em três atividades: a observação, a participação e a regência pois o professor supervisor em uma atividade eminentemente bu- (quanto à docência). Para os estágios de gestão, graduando li- rocrática apenas confere papéis e mais papéis, assumindo a função mitava-se a observar e a participar de algumas atividades previa- de mero expectador das atividades realizadas pelos estagiários. Sua mente estipuladas pela equipe gestora. A essas atividades acres- tarefa passa a ser desejada por outros colegas. Por vezes ouvi: "Mas cia-se o exaustivo trabalho de preenchimento de inúmeras fi- que vida boa você tem, não dá aula; só checa carimbo e assinatura!" chas padronizadas com o logotipo de instituição e a coleta de "Isto não é supervisão, mas sim, supervidão"! assinaturas de professores e membros da equipe gestora. Entretanto, a generalização seria injusta, já presenciei tra- Ao professor orientador de estágio, neste formato de es- balhos exitosos em IES particulares, nos quais a supervisão tágio curricular, cabia a tarefa de fiscalizador, de conferente de acontecia de fato e o estágio representava uma atividade signi- fichas, carimbos e assinaturas diversas (como se fosse possível ficativa na formação do futuro gestor. A turma, por vezes nu- conferir a assinatura de uma pessoa com quem nunca teve con- merosa, era divida em grupos menores que, sob a supervisão e tato). A grande maioria dos colegas, que como eu supervisio- orientação de vários professores do curso, dirigia-se às escolas previamente determinadas e em dias estipulados para a realiza- nava estágios em instituições particulares, nunca esteve nas es- ção das atividades do estágio. A limitação deste formato era o colas-campo de estágio de seus alunos. Mas como ir? Sob que número reduzido de idas às escolas, uma vez que o desloca- condições? Salas numerosas com mais de 60 (sessenta alunos) mento dos grupos em horários compatíveis com a disponibili- sob a orientação de um único professor; alunos livres para a es- dade dos vários docentes constituía-se em um grande esforço. colha das escolas nos mais variados bairros e municípios; não remuneração para deslocamentos e/ou horas extras do docen- te supervisor de estágio; falta de tempo na carga horária sema- 3.2 Uma experiência de estágio: um caminho que se faz nal do professor orientador que, a fim de compor uma renda caminhando mensal mínima, assumia (infelizmente, muitos colegas espa- Mesmo com entraves de diversas ordens (organizacionais, lhados pelo Brasil ainda assumem) aulas em diversas Institui- políticos, financeiros etc.), mas que fogem aos limites e pro- ções de Ensino Superior (IES). pósitos deste livro, a universidade pública traz, sem sombra de62 Série Estágios 2 Gestão educacional 63 dúvidas, inúmeras possibilidades para trabalhos exitosos. É tão, que é formado pelas disciplinas: Política e Organização da sobre um deles que este item se constrói. Educação Básica no Brasil; Projeto Pedagógico, Organização Com uma história relativamente recente, quando compa- e Gestão do Trabalho Escolar; Organização e Gestão dos Pro- rada à dos demais institutos de educação do país, a origem do cessos Educativos; Estágio Supervisionado I (Gestão Educa- Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas re- cional); Projetos Integradores IV e V e Gestão e Financiamen- monta aos anos 50 do século XX, quando da criação da Faculda- to da Educação (Eletiva). de de Filosofia de Alagoas e seu primeiro Curso de Pedagogia, Em linhas gerais, as atividades de estágios em cada perío- os quais 11 (onze) anos depois integram a recém-criada Univer- do do Curso de Pedagogia têm um eixo temático a ser pesqui- sidade Federal de Alagoas (Ufal). Ao longo destes 50 anos vá- sado (docência e gestão) e partem da investigação, análise e ca- rios professores não só alagoanos, mas provenientes das diver- tegorização das observações realizadas pelos alunos durante o sas regiões e, alguns de outros países, contribuíram para a me- período de diagnóstico da realidade escolar, para posterior ela- lhoria dos trabalhos desenvolvidos a partir do tripé ensino, pes- boração de um projeto de intervenção junto à população parti- quisa e extensão que dá sustentabilidade à universidade. cipante do estágio (comunidade escolar). Ao final do estágio É neste cenário, a partir de experiências diversas trazidas de cada período, o aluno e/ou grupo de alunos entrega seu pelos professores que chegam à Ufal, somadas ao já desenvol- portfólio e/ou relatório final, que consiste em uma pasta con- vido em âmbito alagoano, que o trabalho feito pelos professo- tendo os mais diversos materiais produzidos e descrição de si- res responsáveis pelo Estágio em Gestão Educacional (perten- tuações observadas no processo de estágio de gestão (ou de docência) e análise das atividades realizadas. centes ao Setor de Estudo Política e Gestão do Centro de Educação) tem ganhado em qualidade e em inserção social. Para garantir um aprendizado mais consistente, a turma de em média quarenta alunos é dividida em três grupos meno- A fim de romper com a ideia fragmentária e por vezes bu- res e, assim, toda atividade de estágio desenvolvida é orientada rocrática da departamentalização, no Centro de Educação os e supervisionada por três professores, os quais se responsabili- departamentos foram substituídos pelos Setores de Estudos, zam por um pequeno grupo de alunos da sala, permitindo que os quais congregam as disciplinas e os professores de um mes- os discentes realizem o exercício da reflexão sobre a prática, mo campo epistemológico. Os professores coordenadores do em situações de socialização das experiências sob acompa- Estágio em Gestão Educacional, nosso objeto de análise no nhamento constante do professor, que ora fica na universida- presente livro, fazem parte do Setor de Estudo Política e Ges- de, ora nas escolas-campo de estágio.64 Série Estágios 2 Gestão educacional 65 As atividades são desenvolvidas com o objetivo de familia- 3.3 Os passos da caminhada³ rizar o estudante estagiário com as atribuições inerentes ao co- tidiano das equipes gestoras das escolas públicas de educação Após anos de bons resultados e algumas frustrações, a básica, entre as quais se destacam contato com: plano de equipe responsável pelos estágios em gestão educacional do gestão, Projeto Político-pedagógico, regimento, matrizes cur- Centro de Educação da Ufal, atualmente formada pela Pro- riculares, calendário, escrituração, documentação e arquivos fa.-Ms. Elisangela Mercado, Profa.-Ms. Irailde Correia, Pro- funcionais, programas e projetos assumidos pela escola, desti- fa.-Dra. Inalda Santos e por mim, chegamos a um formato de nação de verbas e recursos, relações interpessoais, além dos estágio que tem se mostrado satisfatório aos propósitos do fundamentos legais das políticas públicas educacionais e da di- curso e ao exigido pela legislação. nâmica da gestão nas instâncias centrais, como secretarias e No início do período letivo as turmas de em média 36 conselhos de educação (estadual e municipais), atendendo ao (trinta e seis) estudantes são divididas em três grupos, que disposto no inciso III do art. 3° das Diretrizes Curriculares Na- cionais para Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura, corresponde a uma média de 12 (doze) alunos sob a orientação CNE/CP 1, de 15 de maio de 2006: "a participação na gestão de de um professor. Após esta primeira separação, os grupos são processos educativos e na organização e funcionamento de sis- novamente divididos em três subgrupos de 4 (quatro) estagiá- temas e instituições de e nas alíneas "e" e "d" do art. 8°: rios, que realizarão estágio em instituições diferentes. e) na participação em atividades da gestão de proces- A escolha das instituições tem como critério principal seu caráter público. Por mais que durante 0 curso estudantes te- educativos, no planejamento, implementação, co- ordenação, acompanhamento e avaliação de ativida- nham contato com instituições escolares e não escolares, públi- des e projetos educativos; cas e privadas, no Estágio em Gestão privilegiam-se as escolas públicas de educação básica que preferencialmente se localizam f) em reuniões de formação pedagógica. no entorno da universidade ou em locais de fácil acesso aos esta- Ao contrário das demais disciplinas do curso, o Estágio Curricular Supervisionado não permite a ausência em 25% (vinte e cinco por cento) das aulas dadas, já que é obrigatório 3. O exposto nesta parte do livro é fruto de um trabalho em parceria cumprimento total da carga horária estabelecida pela legislação realizado pelos professores responsáveis pelo Estágio em Gestão do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). brasileira. Em caso de regime domiciliar, estagiário cumpre Desta forma, embora a organização textual e a sistematização das seu estágio após o retorno normal às atividades universitárias. práticas desenvolvidas ao longo dos anos tenham sido aqui feitas por mim, é importante registrar que a autoria é coletiva.66 Série Estágios 2 Gestão educacional 67 giários e os órgãos que fazem parte do sistema educacional, tais tuem as bases da disciplina de estágio que, complementadas pe- como secretarias e conselhos municipais e estadual de educação. las visitas aos sites do Ministério da Educação (MEC), Secreta- Tal definição se deve à crença de que quanto mais experiência, ria Estadual de Educação (SEE) e Secretarias Municipais de quanto mais contato o aluno tiver com a gestão educacional em Educação (o Semeds), visitas in loco às secretarias e conselhos seu sentido amplo, para além da gestão local na unidade escolar, de educação atividades propostas na disciplina de Projetos melhor será sua preparação profissional e sua capacidade de com- Integradores explicitam um grande eixo temático, cujo obje- preender as relações existentes entre as políticas públicas e seus tivo é a compreensão das sutilezas, limitações e possibilidades da gestão educacional nos sistemas de ensino e nas escolas. desdobramentos na gestão dos sistemas e das escolas. As 80 (oitenta) horas do Estágio em Gestão são trabalha- A fim de que o estudante estagiário seja capaz de alcançar esse das de forma articulada com os Projetos Integradores⁴, os quais objetivo, o trabalho conjunto entre Estágio em Gestão e Projetos Integradores organiza-se a partir dos seguintes conteúdos: possuem mais 40 (quarenta) horas dentro da matriz curricular do curso, permitindo aos estudantes um maior contato com as A) Estágio em Gestão Educacional práticas de gestão nas instituições-campo de estágio. A observação e análise do trabalho desenvolvido em insti- I. Concepção de Estágio Supervisionado como núcleo ar- tuições de educação (escolares e não escolares) no que concer- ticulador da formação profissional ne à organização e gestão dos processos; o diagnóstico da reali- 1.1 Pressupostos teórico-metodológicos do estágio dade; o levantamento de prioridades; a elaboração, aplicação e como um processo de inserção e apreensão da reali- execução de plano de intervenção no campo de estágio, consti- dade concreta atual 1.2 Redimensionamento do estágio curricular no contexto da formação teórico-prática 4. A disciplina de Projetos Integradores é o "elemento integrador das II. O Estágio em Gestão no Cotidiano das Escolas Públicas disciplinas de cada semestre letivo, estruturado a partir de atividades interdisciplinares; como componente do Eixo Articulador, tem co- 2.1 Conhecimento da realidade caracterização das mo objetivo principal a reflexão sobre os elementos da prática peda- gógica no contexto da divisão social e técnica do trabalho escolar, escolas e instituições não escolares com base nos saberes envolvidos na formação do/a pedagogo/a, por meio da observação e investigação da realidade educativa, em especial 2.2 Identificação das necessidades e prioridades das da Prática Pedagógica" (UFAL. Projeto Pedagógico do Curso de Pe- dagogia. Maceió, 2006 [Disponível em http://www.ufal.edu.br/ instituições-campo de estágio para definição do pro- jeto de intervenção cenciatura.pdf Acesso em 09/03/11].68 Série Estágios 2 Gestão educacional 69 2.3 Elaboração do projeto/plano de intervenção, exe- 2.3 Apresentação de pôster no Seminário de Estágio cução e avaliação que enfoque a formação de gestores em Gestão profissionais que contribuam para a melhoria do en- A dinâmica de trabalho pauta-se em aulas expositivas dialo- sino e aprendizagem nos campos de estágio gadas ministradas no campus da universidade pelos três profes- III. Vivenciando 0 cotidiano das escolas públicas e insti- sores responsáveis pelas disciplinas na presença da turma toda, tuições educacionais em encontros separados com os pequenos grupos e acompa- 3.1 Desenvolvimento do projeto/plano de interven- nhamento docente em todas as idas às instituições. Nas aulas ção no campo de estágio, definido a partir das prio- ministradas na universidade são discutidas questões referentes ridades apontadas pelas escolas ou instituições às concepções de estágio curricular, às bases legais do estágio supervisionado, à importância do estágio curricular no contex- 3.2 Elaboração de relatório final sobre trabalho de- to da formação profissional do gestor, bem como questões de senvolvido elaboração e desenvolvimento do diagnóstico da realidade das B) Projetos Integradores instituições, socialização dos aspectos observados, etapas do I. As práticas de gestão educacional nos sistemas de ensino projeto de intervenção, análise dos dados coletados e constru- e nas escolas ção dos relatórios finais e pôsteres. Nos encontros nas institui- 1.1 Concepções presentes nas práticas de gestão da ções-campo de estágio, os graduandos procuram participar da educação rotina ao mesmo tempo em que observam e coletam informa- ções para a elaboração do projeto de intervenção. Ao final do 1.2 Programas e projetos de gestão educacional de- semestre letivo há a realização de um Seminário de Estágio em senvolvidos pelos sistemas que visam a melhoria da Gestão no qual os estudantes apresentam oralmente e em for- qualidade da educação pública mato de pôster o trabalho desenvolvido na presença dos profes- II. Organização, sistematização e socialização das práti- sores supervisores do estágio, membros das equipes gestoras cas de gestão educacional observadas e vivenciadas que se deslocam até a universidade e estudantes e docentes dos campo de estágio demais períodos do Curso de Pedagogia. 2.1 Coleta e sistematização dos dados A avaliação da aprendizagem, na disciplina de Estágio em 2.2 Elaboração do relatório final/pôster Gestão, é desenvolvida de forma processual a partir das obser-70 Série Estágios 2 Gestão educacional 71 vações do professor supervisor de estágio, da equipe gestora da única de auxiliá-los, isto porque a equipe de professores orien- escola-campo de estágio e dos estudantes, considerando os as- tadores do Estágio em Gestão acredita que a formação do ges- pectos: compromisso; projeto de observação e de intervenção; tor não deve ser castradora, mas sim criativa e democrática, produção de conhecimentos; pontualidade, assiduidade e parti- pois como falar em gestão democrática dos sistemas e das uni- cipação nas atividades propostas. Os critérios de avaliação tam- dades escolares se no próprio Estágio em Gestão o trabalho bém levam em consideração a realização e a entrega das ativida- não se pauta na coletividade e nos princípios democráticos? des solicitadas ao final de cada unidade dentro dos prazos esti- A referida equipe corrobora a retomada conceitual do vo- pulados conjuntamente. No caso da disciplina de Projetos Inte- cábulo formação apresentada por Collares, Geraldi e Moysés gradores, a avaliação é feita em duas etapas. Uma processual, (1999: 7). Segundo eles, considerando a participação ativa dos alunos na programação e [...] sempre que nos interrogamos sobre "formação", execução das tarefas/atividades e uma avaliação final, por meio imediatamente outras expressões cognatas aparecem da apresentação do trabalho realizado em seminário presencial em nossa mente: informar, formar, forma, fôrma. no qual é apresentada a síntese dos dados colhidos e analisados, Essas relações paradigmáticas remetem, semantica- constante no relatório escrito sobre estudo. Os trabalhos são mente, a uma noção hoje absolutamente depreciativa: socializados por meio de pôsteres organizados pelos grupos. formar remete a enformar, pôr em forma em suas duas leituras de f(o) (ô) rma. De fato, é adequada essa crítica à "formação", pois permite desvendar nos tra- 3.4 A intencionalidade das ações: superando a burocratização ços semânticos implicados as noções que a "enforma- Todas as atividades propostas aos estagiários contam com ção" contém: passado e futuro. Somente é possível roteiros previamente elaborados pelos professores superviso- pensar em formação se tivermos presente um conjun- res do estágio antes do início do período letivo, mas, muitas to de características do tempo futuro em que queira- vezes, a partir das contribuições dos estudantes, sofrem algu- mos ver projetadas perspectivas do passado. No pre- mas alterações a fim de melhorar o trabalho. sente, calculam-se horizontes de possibilidades, e é o cálculo desses horizontes que define o que do passado Ao contrário do que leitor pode pensar, os roteiros não será parte do conjunto de informações a serem trans- se constituem como uma "camisa de força", uma obrigatorie- mitidas no presente, as quais desenharão a forma/fôr- dade; eles são apresentados aos estudantes com a finalidade ma do sujeito do futuro que estamos a formar no pro-72 Série Estágios cesso educacional presente, processo que ultrapassa os limites da escola, mas no qual a escola funciona em- blematicamente (grifo nosso). A partir deste contexto, apresento nas páginas que se se- guem os roteiros utilizados durante período letivo, na pers- pectiva de constituírem-se norteadores do percurso a ser tri- lhado pelo próprio estudante estagiário que, com autonomia pode acrescentar, substituir ou suprimir tópicos na elaboração dos vários portadores textuais frutos do trabalho desenvolvi- do (registro da caracterização, elaboração do projeto de inter- venção, relatório final e pôster). Uma das primeiras atividades dos estagiários é, ainda na universidade, fazer uma visita a alguns sites oficiais de educação que contenham informações sobre os programas e projetos vol- tados para a melhoria da educação brasileira. Nestes sites, os graduandos fazem uma pequena varredura, explorando as várias informações neles contidas e, em seguida, dirigem-se às paginas com um olhar mais atento a fim de descreverem e analisarem os programas e projetos especificamente de gestão direcionados à melhoria da educação básica propostos pelos governos federal, estadual e municipal. São indicados para visita e análise os sites do próprio MEC, da Secretaria Estadual de Educação e da Se- cretaria Municipal de Educação da qual a escola e/ou institui- ção-campo de estágio faz parte. Para esta atividade OS alunos têm à sua disposição Roteiro I (p. 73).2 Gestão educacional 79 Feita a primeira aproximação com a realidade educacio- nal, a partir da atividade de análise dos sites, os estagiários partem para a caracterização da realidade das institui- ções-campo de estágio munidos do Roteiro II (p. 75). Durante a caracterização da realidade escolar/institucio- nal, os estagiários identificam alguns pontos da gestão educa- cional que, segundo eles, podem ser melhorados a partir de um trabalho conjunto estabelecido entre a escola/instituição e a universidade e, após a discussão com os membros da equipe gestora, estabelece-se à temática a ser trabalhada no projeto de intervenção. A definição dos temas é por vezes marcada por uma relati- va tensão. Por mais que no contato inicial os professores super- visores do estágio expliquem quais os objetivos e a dinâmica do trabalho de parceria a ser realizado, em muitas escolas, a partir de uma visão equivocada do Estágio em Gestão, a equipe gesto- ra espera dos estagiários a substituição de docentes por ocasião de suas faltas, a realização de atividades didáticas em salas de aula, a execução de trabalhos braçais como limpeza e organiza- ção da sala de leitura e/ou laboratórios. Neste momento, a figu- ra do professor supervisor de estágio torna-se fundamental, pois, juntamente com os graduandos, reúnem-se com a equipe gestora a fim de definirem uma temática interventiva específi-80 Série Estágios ca da área de gestão educacional. Entre os principais temas de- Inconclusões senvolvidos ao longo dos anos estão: criação e reativação do Grêmio Estudantil; Conselho Escolar; Regimento Escolar; As questões aqui apresentadas, mais do que respostas Projeto Político-pedagógico; prontas e/ou modelos a serem seguidos, buscaram suscitar papel da equipe gestora no combate à violência escolar; novas perspectivas, posicionamentos e indagações sobre a for- O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-Escola); mação do gestor das escolas públicas de educação básica de gestão de pessoas: as relações interpessoais; nosso país. Dessa forma, neste livro não apresento considera- gestão dos recursos e programas; ções finais, apenas reflexões provisórias, pois já disse o grande escritor brasileiro Guimarães Rosa: "Eu quase não sei de nada. escrituração e documentação funcional etc. Mas desconfio de muita coisa" (ROSA, 1986: 8), isto porque, Definidos os temas, as equipes passam para a fase de ela- ainda segundo ele, se aprende; mas o que se aprende, boração dos projetos de intervenção, tomando por base as eta- mais, é só a fazer outras maiores perguntas" (p. 363). Nesse pas do Roteiro III (p. 77). sentido, longe de acreditar que as reflexões e práticas aqui apresentadas sejam definitivas, a motivação maior foi divi- di-las com outros professores, pesquisadores, gestores escola- res e interessados pela formação dos novos gestores escolares e pelo estágio na referida área. Ao reunir as experiências concretas de Estágio em Gestão nos cursos de pedagogia em um livro, tenho a certeza de que, a partir de sua leitura e crítica, novas discussões e posiciona- mentos surgirão e com eles poder-se-á crescer em conheci-82 Série Estágios 2 Gestão educacional 83 mento sobre esta área da educação básica tão importante para O desafio que se coloca ao trabalho desenvolvido é redi- um país que busca e precisa ser democrático. Desse modo, recionamento de algumas das ações a fim de que possa verda- caráter exploratório e, por vezes descritivo deste livro, preen- deiramente contribuir para a efetivação de uma educação cida- cheu algumas lacunas e deixou outras tantas por preencher no dã, ajudando a formar os futuros gestores das escolas de edu- amplo e complexo campo da gestão, mas, com uma postura cação básica, produtores de sua identidade profissional e ato- propositiva, apresentou possíveis ações para a construção de res críticos de uma sociedade menos competitiva, excludente uma gestão educacional das escolas públicas pautada na parti- e, acima de tudo, mais democrática. cipação verdadeiramente democrática, processo este que pas- sa, sem sombra de dúvidas, pela formação do gestor. Como resultados do trabalho realizado identificam-se avanços na paulatina construção identitária dos alunos como profissionais da educação, na compreensão da complexidade do campo no qual atuarão como gestores e no exercício do olhar investigativo para a elaboração de seus modos de atuação no espaço escolar e, por outro lado, entre os limites encontra- dos, em razão de obstáculos para viabilizar uma efetiva parce- ria entre a universidade e as escolas públicas, destacam-se: a superação das limitações impostas pelo calendário acadêmico da universidade e das escolas públicas, com eventos e/ou in- terrupção nas aulas regulares e a superação do equívoco de que o estagiário e a universidade vão às escolas apenas para "su- gar", para retirar informações sem o compromisso de apresen- tar uma devolutiva a partir da análise realizada durante o perío- do do estágio.Referências ANDRÉ, M. & OLIVEIRA, M.R. (1997). Alternativas no ensino da didática. Campinas: Papirus. 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Porto Alegre: Artmed.A Série Estágios Teoria e Prática dos Estágios Curriculares no Ensino Superior tem por objetivo ampliar as discussões sobre os estágios enquanto momentos privilegiados de formação do futuro profissional, independentemente da área de atuação, e divulgar projetos de estágios bem-sucedidos em diferentes áreas do conhecimento para que possam servir como referencial a outros cursos da universidade e a outras instituições. Neste livro, Edna Prado faz uma análise do Estágio em Gestão nos cursos de formação de professores para a educação básica e apresenta trabalho realizado a partir da sua experiência como coordenadora de estágio supervisionado em instituições particulares e públicas de Ensino Superior. Coordenação da série: Mercedes Carvalho e Edna Prado. www.vozes.com.br EDITORA Edufal 978-85-717-7683-8 VOZES ISBN 978-85-326-4351-3 Uma vida pelo bom livro vendas@vozes.com.br 9788532643513

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