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Matrizes Românticas Pressupostos: Vitalista/Naturista ela inicia-se com os movimentos das artes, movimento dos artistas, hippies, nasce nas praças, nasce de um movimento irracional, contrapondo as ideias cientificistas. Essa matriz não está preocupada em fazer ciência, ela contrapõe a ciência, ou seja, irracional. Não tem objetivo. Essa matriz fala que a psicologia científica é um contrasenso pq pra ela a apreensão dos nossos conteúdos particulares são obras dos instintos. ESSA MATRIZ É IRRACIONALISTA/CONFORMISTA, ela é assim pq ela vai contra toda a forma de fazer ciência, ou seja, irracional, e conformista pq é conformada com essa condição de ser irracional. Representante dentro da psicologia Bergson, ele é contra o movimento mecanicista, pq segundo ele, esse movimento não respeita a evolução natural das coisas. Ele acredita que não pode tratar o homem como uma máquina. A apreensão dos nossos conteúdos particulares é obra do nosso instinto. O único interesse dessa matriz é promover a comunhão entre o indivíduo e o fluxo vital que ele faz parte, que o constitui. Nela é exaltada a subjetividade, os instintos, a comunhão do homem com a natureza. Matrizes Pós- Românticas Matrizes compreensivas: todas as matrizes compreensivas vão enxergar o homem como organismo. Vai contra a matriz cientificista, exalta o sujeito, as particularidades, a subjetividade, pega algumas ideias do funcionalismo. Pressupostos: A partir da ideia do funcionalismo as matrizes compreensivas vão buscar compreender que o sujeito é um organismo, um todo, não no sentido biológico, mas sim no sentido de que não pode separar as partes, o todo vai ser estudado. Matriz pós- romântica e compreensiva, por sem compreensiva ela vai buscar compreender o sujeito. Exaltando sempre as particularidades, a subjetividade do sujeito. CAPÍTULO X MATRIZES COMPREENSIVAS: OS ESTRUTURALISMOS A PROBLEMÁTICA ESTRUTURALISTA A noção de organismo, central na matriz funcionalista, também aparece no ideário romântico, sendo que ela, traz consigo, em ambos os casos, o enfoque anti-elementarista, globalizante, sistemático. Na biologia, no entanto, a noção de organismo liga-se à noção de complementaridade. As partes do todo, adquirem significado funcional, ajustando-se umas às outras, complementando-se com harmonia na promoção da interação adaptativa do organismo ao meio externo a este, mantendo o meio interno dentro da faixa de variação que seja compatível com a conservarão da vida. O disfuncional, o patológico é puramente negativo; é o acidental que se opõe ao essencial; é a desintegração contra-posta à cooperação orgânica entre os componentes do todo. No romantismo as noções de organismo, totalidade, ou forma, supõe interdependência mas não complementaridade e não excluem o conflito. No campo das ciências naturais, o romantismo nunca exerceu grande influência, mas, no campo das ciências morais, não apenas influenciou, mas, também frutificou e passou sérias transformações que dizem respeito fundamentalmente à atividade crítica autoreflexiva que oferece às ciências morais, um terreno seguro, epistemologicamente falando-se. A neutralização do sujeito caracteriza o ideal cientifico dos estruturalismos, colocando-os como uma espécie de positivismo das ciências humanas e tal índole cientificista levam as ciências humanas estruturalistas para bem próximo das ciências naturais, distinguindo-se no entanto pela persistência em considerar as noções de significado, de sistemas simbólicos, como definidoras de seus objetos específicos. Os estruturalismos, julgam superar a oposição entre compreender e explicar: compreende-se uma determinada mensagem, quando se aplica à mesma, de modo mais ou menos automático, mais ou menos, exploratório, mais ou menos consciente, a gramática que a gerou, ou se é capaz de reproduzi-la. ORIGENS DOS ESTRUTURALISMOS: A PSICOLOGIA DA FORMA A matriz estruturalista, em sua origem trás movimentos intelectuais que revolucionaram no final do séc 19 e inicio do 20 a psicologia, a teoria da literatura e a lingüística. A psicologia da forma, ofereceu consistente alternativa na Europa à velha psicologia elementarista, associacionista e introspeccionista. Nos EUA coube ao funcionalismo e ao behaviorismo esta missão. Wundt reconhecera a complexidade dos fenômenos da experiência imediata. Von Ehrenfels em 1890 aponta a existência de qualidades formais, configuracionais, como dimensões dos elementos que existem apenas no contexto dos conjuntos estruturados a que se integram. Qualidades que pertencem à configuração e não a cada uma de suas partes. Os autores gestaltistas da escola de Berlim assumiram de maneira completa, criticas ao elementarismo, ao negar a realidade independente dos elementos, como Von Ehrenfels, extendendo a idéia de uma estrutura organizadora a todos os níveis e áreas da experiência. Alguns experimentos engenhosos nas áreas da percepção da memória, das soluções de problemas permitem observação sem nenhuma introspecção de como os sujeitos organizam seus campos. Se há nisso alguma universalidade estará segura a viabilidade da tarefa de descrever objetivamente e cientificamente, explicar o comportamento> O conceito de geltalt passa a unificar todos os reinos da natureza e do espírito e o isomorfismo psicofísico expulsa a subjetividade introduzida no inicio pela descrição e compreensão da experiência imediata. Consuma-se o rompimento da psicologia da forma, com as ciências morais ou do espírito e apesar de argumentação contrária, revela-se a índole positivista do gestaltismo. ORIGENS DOS ESTRUTURALISMOS: OS FORMALISTAS RUSSOS A noção de forma, contemplada pelos gestaltistas exerceu influência notável sobre a teoria das artes plásticas enquanto na Rússia se desenvolvia uma teoria da literatura formalista e estruturalista. Ler as obras literárias, pondo de parte o psicologismo e o sociologismo e visando a obra mesma de modo a captar nela, não as intenções do autor ou o efeito das pressões sociais, porém sua estrutura imanente e seus procedimentos constitutivos. Os formalistas vêem a obra literária fundamentalmente como uma forma que não deixa transparecer uma idéia ou conteúdo; ela é o conteúdo em sua manifestação sensível, a única em que pode este conteúdo subsistir. Importa na análise da forma detectar princípios de organização, técnicas construtivas. A matriz é Urphänomen (Goethe) dos contos fantásticos, como a Urplanze o era dos vegetais, contudo um objeto construído e não um objeto da imediata experiência, alvo da intuição concreta. ORIGENS DOS ESTRUTURALISMOS: A LINGUISTICA DE SAUSSURE Na época em que a Alemanha desenvolvia-se a psicologia da forma, na Rússia a teoria formalista da literatura, na França ocorria o impacto do lingüista suíço Saussure . A lingüística estrutural teve peso na formação do estruturalismo moderno. A contribuição de Sausser ocorreu no plano conceitual e metodológico, ao distinguir langue e parole, isto é o sistema lingüístico e a fala. No estudo da língua apresenta-se a descrição do conjunto de regras, que é o código de diferenciação e de oposição. NOVOS RUMOS PARA OS ESTRUTURALISMOS: A GRAMATICA GERATIVA Na década de 50 nos EUA desenvolveu-se uma corrente de estudos lingüísticos lideradas por Chomsky, conhecida por “Gramática Gerativa Transformacional”. Chomsky critica a lingüística estruturalista por permanecer em um nível demasiado empírico e descritivo, com isto tornando-se incapaz de compreender a mais importante e original característica da linguagem humana: sua criatividade. Aqui novamente o Urpänomen goethiano. Por baixo da estrutura da mensagem que aparece na forma de discurso outra forma mais decisiva, a forma criadora de formas. A lingüística estruturalista tomara principalmente a forma aparente como objeto, mas uma teria completa da linguagem, deveria exatamente se voltar para a forma interna que Chomsky denomina estrutura profunda. O essencial na teoria de Chomsky é a tese: “a competência lingüística é universal e a estrutura psíquica de todas as línguas é semelhante, apenas variando nasregras de transformações e isso permite que se traduzam mensagens de uma língua para outra”. Chomsky associa-se neste ponto ao racionalismo dos séculos XVII e XVIII , afastando-se do romantismo que enfatiza o particularismo dos sistemas lingüísticos. Chomsky resolve o velho problema das ciências compreensivas: fornecer interpretação verdadeira de fenômenos culturais históricos psicológicos estranhos ao universo do intérprete. ESTRUTURALISMO NA ANTROPOLOGIA E NA PSICOLOGIA Os lingüistas estruturalistas facilitaram a importação por outras ciências humanas dos conceitos e métodos lingüísticos, ao inserirem suas disciplinas claramente, nos contextos mais amplos destas ciências. Saussure situa a lingüística dentro da semiologia que teria como objetos os sistemas simbólicos todos e também processo de comunicação operantes no emaranhado da vida social. Nos anos recentes esta versão da matriz estruturalista tem efetivamente exercido grande influência nos estudos da chamada psicologia cognitiva e também na psicologia social. A lingüística pertence ao conjunto das ciências sociais e ai ocupa lugar excepcional; não é uma ciência social como as outras mas a que os maiores progressos realizou, a única que pode reivindicar o nome de ciência; chegando a formular um método positivo, vindo a conhecer a natureza dos fatos pela sua análise. A metodologia da lingüística, caso se aplique ao sistema de comunicação social que marca a passagem do natural ao social, se aplicará ainda com mais razão, aos sistemas simbólicos mais independentes da natureza, mais convencionais e arbitrários, como a mitologia, os rituais, as religiões e a arte. Em Levi Strauss, a antropologia se pretende ciência semiológica, situando-se resolutamente no nível da significação. Na antropologia estruturalista uma nova imagem de homem surge que é a de um ser simbólico e simbolizante, sempre imerso num mundo de significados incessantemente estruturando seu universo em um sistema significativo. Na Psicologia vinculam-se a desdobramentos da psicologia da forma, repercussões do estruturalismo, em particular na influência exercida por Kurt Lewin. F.Heider com sua teoria das relações interpessoais que se baseia numa dinâmica orientada pelo balanceamento, está na trilha de Lewin. Há uma tendência à congruência, ao equilíbrio, a boa forma, no campo das interações pessoais. Além de Heider, também há Festinger com sua teoria racionalista da motivação que atribui tendência ao sujeito para buscar compatibilidades em suas representações atitudes e sentimentos. São questões extremamente atuais no contexto de consideração das alternativas teóricas e metodológicas da psicologia contemporânea. ROMANTISMO, ESTRUTURALISMO E PSICANÁLISE Freud reconheceu e registrou a influência que o levou à Faculdade de Medicina: um ensaio de Goethe sobre a Natureza que ele ainda adolescente ouvira. Mas a relação da Psicanálise com a filosofia da natureza romântica, assim como com a problemática romântica da expressão e compreensão de textos vai muito além deste primeiro encontro. Uma das categorias essenciais do ideário romântico é o conflito. Também o cientificismo alemão mecanicista e/ou funcionalista, assimilou a idéia de forças naturais em conflito. Freud, ao apontar o interesse possível de ser despertado, nas ciências, pela Psicanálise, contempla a linguística: linguagem não é somente a fala, mas o conjunto dos gestos e outra atividade psíquica como a escrita. Assim, a Psicanálise é uma ciência do sentido, mas não do sentido imediato. Então, não é na linha divinatória, da revivência, da empatia, da valorização da consciência espontânea, do intérprete ou do interpretado que se move Freud. Ele elabora um dos ataques mais consistentes contra o desregramento subjetivista, proposto pelos românticos e pelos intuicionistas.. A Psicanálise é uma ciência mediata do sentido e um empreendimento eminentemente anti fenomenológico. A Psicanálise aproxima-se dos estruturalismos, e surgem projetos de fusão. No de Lacan, é à ciência estrutural da linguagem que se recorre, na busca da terminologia e das leis adequadas, à dinâmica da vida psi. O inconsciente está estruturado como uma linguagem é a frase mor de Lacan. Mas há controvérsias: Benveniste, por exemplo, é um lingüista que confronta, linguagem estricto sensu e simbolismo do inconsciente, concluindo que este teria mais afinidade com a estilística que com a lingüística. A simbólica psicanalítica aparentaria-se mais com a retórica que com a ciência da linguagem. De todo modo, ao enfoque estrutural caberia ainda a análise dos estilos da fala e do simbolismo inconsciente. CAPÍTULO XI MATRIZ FENOMENOLÓGICA E EXISTENCIALISTA As ciências da compreensão e da interpretação, com dificuldades enfrentam o problema da verdade. Como produzir, identificar, fundamentar, uma interpretação verdadeira? Os estruturalismos e a fenomenologia representam respostas alternativas para o referido problema. Auto Proclamam-se adequados para construir disciplinas compreensivas rigorosamente cientificas. Os estruturalismos concebem o rigor em termos metodológicos, prioritariamente. Assim sendo exigem empenho máximo na formalização dos conceitos das hipóteses dos procedimentos analíticos. A fenomenologia, no entanto, preocupa-se essencialmente com o rigor epistemológico e promove a radicalização do projeto de análise crítica, dos fundamentos e das condições de possibilidade do conhecimento. A FENOMENOLOGIA E A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA O projeto cartesiano busca um fundamento absoluto e indubitável para o conhecimento. Para Husserl esta busca corresponde à intencionalidade. Descarte alcançou o sujeito pensante, mediante o exercício da dúvida metódica, como sendo a única evidência de que não se pode duvidar. Na opinião de Husserl, porém, Descartes não aprofundou sua investigação epistemológica, retornando muito rapidamente do eu penso ao mundo natural, restabelecendo muito cedo a confiança nos dados empíricos. Para Husserl evidências apodíticas, às quais a fenomenologia deve se ater e a respeito das quais pode se constituir como ciência rigorosa, serão os atos da consciência intencional, isto é, a consciência de alguma coisa e seus respectivos objetos imanentes. A fenomenologia estabeleceria relações com todas as ciências, mas com as ciências humanas, estabeleceria relações particulares. O ENCONTRO DA FENOMENOLOGIA COM AS CIÊNCIAS HUMANAS Husserl encerra suas meditações cartesianas apontando na direção de uma mudança nas relações entre conhecimento empírico e subjetividade, como as estabelecidas no objetivismo cientificista. Para Husserl o esclarecimento do homem é uma pré-condição onde deve-se fundamentar o conhecimento do mundo. A fenomenologia herda a disposição iluminista de abolição dos preconceitos e das crenças mal-fundadas. A fenomenologia é um anti-romantismo e manifesta-se oposta ao historicismo de Hegel e Dilthey defendendo a legitimidade de um conhecimento invulnerável. Esposa com máxima fidelidade a perspectiva cartesiana e kantiana, radicalizando e opondo-se à vertente objetivista do iluminismo, opondo-se ao naturalismo e ao ceticismo psicologista. Da superação dos preconceitos, emerge uma egologia e assim aproxima-se das ciências do espírito articuladas sob inspiração romântica. A separação entre sujeito e objeto é abolida na fenomenologia. Seus objetos são os objetos da consciência para consciência. Seu método é a contemplação imediata, destes objetos tais como se dão, na experiência espontânea e pré-reflexiva. Segundo Husserl a fenomenologia é capaz de fundar a filosofia do espírito. A única que poderia orientar a psicologia, a sociologia, a antropologia, e a história, como ciências compreensivas. A fenomenologia exerceria, em relação às ciências do sujeito, uma função rectora, fornecendo-lhes os instrumentos conceituais , necessários à prática da compreensão que supere o nível do senso comum e que se possa rigorosamente validar. AS ESTRUTURAS DA CONSCIÊNCIA TRANSCENDENTAL As ciências compreensivas foram influenciadas pelas descrições fenomenológicasda estrutura geral da consciência profundamente. A intencionalidade da consciência é conceito de Brentano (1838-1917), psicólogo austríaco e professor de Husserl e Freud. É a consciência em ato, oposta à consciência enquanto conteúdo. A temporalidade da consciência refere-se a que: toda consciência intencional é uma síntese no tempo. O conceito de horizonte de consciência refere-se a que: a consciência intencional em qualquer modo que se dê a atualidade explícita, consciência de algo e potencialidade implícita, conjunto de estados passados antecipados, sugeridos etc., em relação ao qual, o objeto em foco adquire significado para o sujeito. A experiência pré-reflexiva está sempre adiante da reflexão e assim a compreensão da vivência é tarefa essencialmente inacabada. OS MODOS DA CONSCIÊNCIA TRANSCENDENTAL E AS ONTOLOGIAS REGIONAIS A fenomenologia caminha para estruturas típicas especiais, a partir das descrições das estruturas gerais da consciência. Surgem as fenomenologias da percepção, da imaginação, etc (Merleau – Ponty, Sartre, dentre outros). A INFLEXÃO ROMÂNTICA NA FENOMENOLOGIA DE M. SCHELER O filósofo, psicólogo e sociólogo M. Scheler (1874- 1928) discípulo de Dilthey e Husserl é a figura paradigmática do processo de redirecionamento da fenomenologia convertida em método das ciências humanas compreensivas. Graças à obra de Scheler a fenomenologia afasta-se da orientação que lhe deu Husserl que desembocará no subjetivismo metodológico. Uma auto-percepção puramente interna e psíquica é ficção. Scheler parte para uma estética tipicamente romântica assumida pelos formalistas e futuristas na mesma época. Com Scheler a fenomenologia transformou-se no método de investigação das formas expressivas, mas a fenomenologia dos simbolismos nunca focara os sistemas lingüísticos enquanto objetos independentes da subjetividade. O foco será a fala, a expressão concreta de uma intencionalidade. AS DOUTRINAS EXISTENCIALISTAS Sobre a psicologia, a fenomenologia influiu como ciência compreensiva e foi em grande parte mediada pelas doutrinas existencialistas. O método fenomenológico, ao ser sistematizado, despertou no início do século vinte, em muitos a esperança de que se proporcionasse a descrição da existência concreta, um rigor ainda não alcançado. É necessária, contudo uma distinção entre, por exemplo, K. Jaspers, Heidegger e Sartre. A PSICOPATOLOGIA DE K.JASPERS K.Jaspers foi não apenas a figura de maior destaque de uma das correntes existencialistas, mas um pioneiro das ciências compreensivas: psicopatologia e psiquiatria. “O existir não é objetividade”. Em Jaspers temos mais um filosofar existencialista, que uma filosofia dogmática existencialista. Este filosofar relaciona-se duplamente com as ciências. As relações entre ciências do homem e filosofias existencialistas, diferem daquelas em que se baseiam as ontologias de Heidegger e Sartre, duramente criticadas por Jaspers. ANALITICA E PSICANALISE EXISTENCIAL Binswanger (1881-1966) é um dos grandes nomes da psiquiatria fenomenológica e criador da análise existencial que se deriva de Heidegger. O seu livro, “Ser e Tempo” influenciou Binswanger. A psicanálise existencial não promete cura, adaptação, tranqüilidade e sim autocompreensão, liberdade, responsabilidade, angústia. A ANTIPSIQUIATRIA EXISTENCIAL MARXISTA David Cooper e Ronald Laing sofreram influência de Sartre, neomarxista. O homem é o ser cuja existência precede a essência. A vida não é determinada por, nem expressão de, uma realidade material ou ideal que a antecede cronológica ou logicamente. A existência é contingente e gratuita. Mas o outro ameaça perenemente a existência. O homem é um processo essencialmente incompleto de totalização e não uma totalidade acabada e determinada. Diz Cooper que se deve compreender o que o sujeito faz com o que lhe é feito e o que ele faz do que ele é feito. Para Laing e Cooper, a gênese da esquizofrenia e a solução terapêutica desta, e a própria caracterização deste quadro clínico, remetem ao sistema de interações sociais, que no conjunto da sociedade e de forma crítica, no seio da família, configuram o projeto de loucura. O pessimismo existencialista é bastante atenuado, no momento em que a antipsiquiatria se propõe como terapêutica existencial, o que a aproxima da psiquiatria alternativa norte-americana. que se inspira na psicossociologia funcionalista, e com o mito da comunidade desalienada, do pensamento político romântico. O PROBLEMA DA COMPREENSÃO NAS DOUTRINAS EXISTENCIALISTAS A imbricação dos existencialismos na velha problemática romântica da expressão e da interpretação das formas expressivas, tendo de um lado como exemplo o neo-marxismo de Sartre e do outro a ontologia Heideggeriana com seus desdobramentos teve resultados. O homem é para si mesmo e para os outros um ser significante , pois não se pode jamais compreender o menor de seus gestos sem que se supere o puro presente explicando-o pelo futuro. É um criador de signos. Utiliza alguns objetos para designar outros ausentes e futuros. O homem constrói signos por ser significante em sua natureza e é significante por ser superação dialética de tudo que é simplesmente dado. Gadamer diz que em Heidegger “ compreender não é um modo de comportamento do sujeito entre outros, mas o modo de ser do próprio dasein”. Essencialmente o ser aí é uma relação original do sujeito com o mundo, em que este é o mundo projetado pelo Daisein como horizonte de suas possibilidades de ser. Não há como a razão ser exercitada fora do prévio horizonte das tradições, dos preconceitos, mas pertencer a uma tradição e a aplicação do projeto de compreensão antecipada que daí recorre não excluem a racionalidade e a crítica. Mas a consciência em que se pode manifestar à irredutível alteridade do outro é a consciência aberta para o diálogo e a busca do consenso.