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SOCIOLOGIA ECONÔMICA E
POLÍTICA
AULA 6 -
CICLO DE VIDA DAS
ORGANIZAÇÕES,
TECNOLOGIA DAS
INFORMAÇÕES E CONTROLE
ORGANIZACIONAL.
Olá, caro (a) aluno (a)!
O desenvolvimento das organizações nas últimas décadas tem sido
caracterizado por uma revolução indiscutível nos conceitos de tempo e
espaço. A informação, um excelente recurso para encontrar e fortalecer
vantagens competitivas, agora está disponível para os usuários
independentemente do tempo e do lugar.
É esta mudança dinâmica que hoje torna as organizações mais
integradas, versáteis, flexíveis, onde os fluxos de informação se tornaram
horizontais, dando uma melhor resposta às múltiplas exigências do mercado
globalizado.
É precisamente este desenvolvimento dinâmico que estudaremos
neste capitulo, investigando o processo de organização, clico de vida
organizacional e sua importância, assim como a interferência da tecnologia
das informações para o controle organizacional.
Bons estudos!
6 CONTROLE ORGANIZACIONAL
No início da vida da organização, temos apenas os procedimentos
operacionais, os recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos e uma linha
de autoridade estabelecida entre os proprietários da empresa e os ocupantes dos
cargos, denominados funcionários, parceiros ou colaboradores. Os relacionamentos
formais são diretos entre eles e também são chamados de relacionamentos
funcionais, conforme mostrado na figura:
Fonte: (CARREIRA, 2009).
Planos, objetivos e metas são estabelecidos. Processos são desenhados,
cargos são criados, recursos são organizados e controles são estabelecidos. Matéria-
prima é comprada, ordens de produção são transmitidas, vendas são realizadas e
produtos são distribuídos aos clientes. Receitas e despesas são realizadas. O
processo é organizado para que cada colaborador o conclua de acordo com seu perfil
profissional e psicológico (CARREIRA, 2009).
Enquanto os negócios vão prosperando, novos processos operacionais vão
sendo criados. À medida que o volume e a complexidade do trabalho aumentam, a
pressão competitiva e a tecnologia se desenvolvem, os processos se tornam mais
uniformes. O tempo de processamento e o tempo de ciclo vão baixando, os perfis dos
cargos vão sendo redesenhados e suas vagas recalculadas, novos níveis de alçada
estabelecidos e a amplitude de comando redimensionada. As adequações nas
instalações, nas especificações técnicas do mobiliário, das máquinas e dos
equipamentos, bem como na sua quantificação, são inevitáveis. Mudanças como
essas produzem reflexos na estrutura organizacional da empresa e o organograma
precisa ser redesenhado (CARREIRA, 2009).
Alguns autores consideraram a definição de controle e conseguiram incluir sua
dimensão política. Assim, Chiapelo (1994) e Dermer (1988) definem controle em
relação à organização. Chiapelo (1994, p. 157) define-o como um "efeito criador de
ordem". Sua definição é baseada no trabalho de Lebas (1980), onde o resultado do
controle é entendido como a redução do grau de liberdade das pessoas, o controle é
definido como um processo que visa reduzir a incerteza (SILVA, 1999). O grau de
liberdade de que fala Lebas se aproxima do conceito de Crozier e Friedberg (1977)
sobre o limite da liberdade. Esses autores teorizaram que uma organização é uma
"estrutura humana" ou um "grupo estruturado de pessoas" (BERNOUX, p. 138, 1985).
Essa unidade é construída pela interação de atores que gozam da liberdade,
que é seu recurso, e quando utilizada, cria zonas de incerteza nas organizações. A
gestão visa reduzir essas zonas de incerteza atuando não apenas no comportamento,
como entendido por autores clássicos, mas também em todos os aspectos que podem
afetar a incerteza existente, que, segundo diversos autores, é crescente nas
organizações de hoje.
Assim, Solé (1996) mostra a vontade de dominar o mundo (maîtriser) como
uma característica do desejo moderno, porém querer dominar o mundo significa estar
convencido de que se pode e deve controlar isso. A busca de Solén pelo domínio se
dá sobre a natureza, o espaço, a tecnologia e o próprio indivíduo sobre o outro e sobre
o tempo. O autor enfatiza que essa vontade de dominar o mundo não é exclusiva dos
líderes empresariais, mas caracteriza o "estar no mundo" de hoje. Solé aplica esse
entendimento aos especialistas em decisão e questiona sua compreensão de seus
papéis, que decorre da crença: mais informação, mais conhecimento é equivalente a
menor incerteza e assim menos risco e melhor decisão gerando controle da situação
e estratégia. Essa busca pela redução da incerteza pode ser realizada nas
organizações de várias formas através dos métodos de controle. Observe no quadro
abaixo as tipologias e metodologias de controle das organizações:
Fonte: Hatch, 1997
6.1 Perspectivas do Ciclo de Vida Organizacional
A abordagem da teoria do ciclo de vida das organizações é utilizada por
pesquisadores para definir mudanças e transições ao longo do tempo e resultantes
interações com o ambiente para provocar o desenvolvimento organizacional. Greiner
(1972, 1998) afirmou que a dinâmica de desenvolvimento das organizações passa por
várias etapas desde a criação até o amadurecimento. O autor constatou que os
estágios de crescimento organizacional evoluem em ciclos de desenvolvimento e
revolução. Os ciclos de desenvolvimento são períodos de crescimento com
estabilidade, sem surpresas; os ciclos revolucionários são períodos de crises de
liderança (CORREIA, 2015).
Quinn e Cameron (1983) introduziram que o propósito da pesquisa empírica
monitora o desenvolvimento da organização, faz uma proposta para descobrir o ciclo
de vida e a eficiência organizacional. Da mesma forma, Miles e Friesen (1984) usaram
a teoria de ciclo de vida organizacional para pesquisas das organizações,
investigando se realmente existiu incidente nos padrões naturais e essenciais de
desenvolvimento de negócios, usando como medida as estruturas, situações, táticas
e estilos de tomada de decisão. Moores e Yuen (2001) também adotou a teoria do
ciclo de vida organizacional em um estudo sobre: Os sistemas de contabilidade
gerencial (SCG) para investigar se os estágios de desenvolvimento diferem.
Portanto, há evidências de que o desenvolvimento organizacional pode ser
estudado das diferentes etapas ou fases que ocorrem usando a metáfora de toda a
existência da organização de ciclos de vida que consistem em mudanças e variações
exigidas pela política de gerenciamento adequado às exigências de cada etapa.
Uma abordagem baseada na teoria do ciclo de vida organizacional para
explicar o desenvolvimento das organizações assume que as instituições se
comportam da mesma forma que o ciclo biológico dos seres vivos: nascem,
desenvolvem-se e podem terminar em desaparecimento, ou seja, "morte" (ADIZES,
1990).
Partindo da premissa de que o desenvolvimento organizacional pode ser
explicado por meio de uma metáfora do ciclo de vida, acredita que a organização é
criada no início desta atividade, ou seja, "start-up", o começo que inicia o nascimento
da vida de uma organização (GREINER, 1972, 1998; QUINN; CAMERON, 1983).
Seguindo essa linha de raciocínio, argumentam Moores e Yuen (2001), que as
características internas das organizações responsáveis e os contextos externos em
que operam as organizações promovem mudanças nas fases do ciclo vital e nos
fenômenos de crescimento organizacional que é descrita e identificada por meio de
modelos que possuem característicaspróprias através das seguintes variáveis:
estrutura, estratégia, estilo de gestão e condições ambientais.
Nesse caso, as características organizacionais mudam entre os estágios do
ciclo de vida para responder às constantes sublevações da mudança ambiental.
Moores e Yuen (2001) enfatizaram que embora haja concordância entre os modelos
e as mudanças na organização seguem um padrão em diferentes estágios previsíveis
de desenvolvimento ao longo do tempo. No entanto, Miller e Friesen (1984)
encontraram exceções notáveis onde descobriram que o curso do ciclo de vida
organizacional não é determinístico.
Quinn e Cameron (1983) analisaram nove diferentes modelos de ciclo de vida
organizacional. Os modelos analisados destacam diferentes fatores para explicar as
mudanças nas características das organizações ao longo do tempo. Todos esses
modelos identificam certas características que classificam as organizações em
diferentes estágios de desenvolvimento. Os modelos verificados pelos autores variam
de três a dez estágios, indicando semelhanças nas diferentes fases do ciclo de vida,
conforme mostra a Tabela 1.
Fonte: Adaptada de Quinn e Cameron, (1983)
Quinn e Cameron (1983) conduziram suas pesquisas no antigo Centro de
Desenvolvimento do Departamento de Higiene Mental do Estado de Nova York. Os
eventos analisados pelos autores foram baseados nas observações de três anos,
1974 -1976. Os indicadores que os autores encontraram mostraram ocorrência em
vários estágios do ciclo de vida.
Moores e Yuen (2001) confirmaram a existência de uma mudança na estrutura
formal do sistema de contabilidade gerencial desde o nascimento até o crescimento.
Por outro lado, outros pesquisadores constataram que a contabilidade gerencial,
principalmente sua formalização, é afetada pelas fases do ciclo de vida, mas ainda
não conseguiram determinar o grau de formalização em cada fase do ciclo de vida de
uma organização. (SOUZA; NECYK; FREZATTI, 2009).
6.2 As tecnologias da informação e as mudanças no controle técnico
A gestão em uma empresa é, e sempre será, um dos pilares fundamentais da
decisão empresarial. No entanto, sua pontualidade geralmente depende dos sistemas
que suportam sua preparação e distribuição. Torna-se cada vez mais relevante a
implementação de adequados sistemas de informação de gestão que, de forma
integrada e tempestiva, permitam divulgar a informação, no tempo e no espaço, de
forma eficiente e eficaz. É neste contexto que, nas últimas décadas, se assistiu ao
desenvolvimento de diversos sistemas de informação de gestão, dos quais
destacamos pela sua amplitude e projeção, os programas de Balanced Scorecard
(BSC), desenvolvidos por Kaplan e Norton (1996). Constitui, comparativamente aos
sistemas mais tradicionais (relatórios de desempenho, incluindo Tableaux de Bord
(TB), entre outros), que são um sistema complementar para monitorar o desempenho
organizacional, não uma medida ou modelo substituto. A visão integrada por eles
proporcionada, permite agir sobre um conjunto de variáveis críticas, representando no
processo de criação de valor para o acionista, um importante contributo. Atualmente,
constituem a mais importante e inovadora metodologia de gestão da performance das
organizações (LOPES, 2019).
A sofisticação e integração dos sistemas de controlo de gestão tem sido o
resultado de múltiplos fatores, entre os quais se destacam a evolução verificada nas
tecnologias de informação e comunicação, o aparecimento de novos modelos de
negócio, a sua crescente complexidade, as alterações de exigências e
comportamentos dos consumidores, para além da volatilidade e instabilidade dos
mercados (LOPES, 2019).
Entretanto, segundo diferentes abordagens, há discussões sobre tecnologia e
controle nos estudos organizacionais de alguns autores (BURRIS, 1989; CLEGG;
DUNKERLEY, 1980; EDWARDS, 1981). A maioria dessas abordagens adota uma
atitude neomarxista e olha para a tecnologia sob a perspectiva da instrumentalidade
negativa, ou seja, devido aos fenômenos recentes de trabalho mais coletivo e maior
especialização, vistos como novas tecnologias de controle (CLEGG, 1992).
Braverman (1974) e sua teoria do processo de trabalho é considerado o maior
representante desta corrente. Sua pesquisa mostra o controle como uma prática
necessária nas relações sociais do modo de produção capitalista, pois a relação entre
a capacidade de trabalho ideal e real dos indivíduos é indeterminada. Nesse sentido,
os gerentes utilizam ferramentas de controle para garantir que os esforços da força
de trabalho se aproximem de seu valor total ("full potencial"), definam as tarefas a
serem executadas e se esforcem para concluí-las (SEWELL, 1998). A tecnologia entra
nesse papel para separar os elementos de controle do processo de produção e
repassá-los dos trabalhadores para a máquina. Informação, revisão e conhecimento
é usurpada pelo empregado e ele é submetido à rotinização e programação
(RODRIGUES, 1986). De acordo com Braverman (1974, p. 195):
A maquinaria oferece à administração a oportunidade de fazer por meios
totalmente mecânicos o que se tentou fazer previamente por meios
organizacionais e disciplinares. O fato de muitas máquinas poderem ser
ritmadas e controladas de acordo com decisões centralizadas, e que esses
controles podem assim estar nas mãos da administração, retirados do local
da produção para o escritório – essas possibilidades técnicas são de grande
interesse da administração, assim como o fato de a máquina multiplicar a
produtividade do trabalho.
Essa introspecção para o uso de máquinas é adicionada às práticas
administrativa proposta pelo taylorismo, um projeto ideológico de dominação, que visa
transformar a subordinação formal do trabalho ao capital, onde a unidade intelectual
e manual das tarefas é preservada em uma subordinação real (SEWELL, 1998), que
dissolve essa unidade, os fragmentos saem do trabalhador, tornando-o um apêndice
da máquina. A organização do trabalho não consistiria mais em tornar o próprio
trabalho mais eficiente, mas em otimizar a máquina, pois o ritmo foi introduzido nos
sistemas automáticos de trabalho (CORIAT, 1988). Assim, o objetivo de buscar novas
tecnologias e novas formas de organizar o processo de trabalho seria aprimorar ou
encontrar novas formas de controle social necessárias para a superação da crise
capitalista (LEITE, 1994).
São os recentes desenvolvimentos tecnológicos relacionados às práticas de
envolvimento dos empregados nos processos organizacionais que levam Sewell
(1998) a propor a revisão e construção de um modelo inédito de teoria do processo
de trabalho. Segundo ele, o discurso normativo do discurso gerencial ainda almeja a
eficiência, mas ela é alcançada por meios menos coercitivos que o taylorismo. Novas
práticas de trabalho em equipe reconectam as qualidades manuais e mentais das
tarefas e assumem a responsabilidade de racionalizar e tornar suas tarefas mais
eficientes. Essa tecnologia tornou-se uma opção viável para as organizações
modernas devido à vigilância, monitoramento próximo dos indivíduos, aumento da
comunicação, coordenação e integração por meio do uso de tecnologias produtivas
como robôs e bancadas flexíveis, além de novas aplicações de TI. Essas novas
formas de organização desempenhariam um papel dominante na prática da livre
fiscalização.
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